Temperatura

Recorde de Temperatura de Superfície do Mar Global para Junho-Agosto

[Estes dados mostram toda a sua relevância para a humanidade quando colocados em contexto, ou seja, assim que lemos os comentários de John Davies, mais abaixo neste mesmo post]

Agosto 2014 bateu o recorde de temperatura em terra e do oceano

A temperatura média combinada das superfícies terrestres e oceânicas globais para Agosto de 2014 foi o recorde mais alto para o mês, em 0,75°C (1,35°F) acima da média para o século XX de 15,6°C (60,1°F).

Junho-Agosto de 2014 com o recorde máximo de temperatura em terra e no oceano

O período de Junho a Agosto de 2014, com 0,71°C (1,28°F) acima da média do século XX, teve o registo mais quente desse período do ano em superfícies terrestres e oceânicas globais, desde que a regularidade de registos começou em 1880.

Recorde de Temperaturas máximas em terra e no mar para o período de Junho a Agosto

Tradução do esquema de cores: Recorde de mais frio; Muito mais frio que a média; Mais frio que a média; Cerca da média; Mais quente que a média; Muito mais quente que a média; Recorde do mais quente.

Agosto 2014, recorde máximo de temperatura da superfície do mar

A temperatura de superfície do mar (TSM) global para Agosto foi de 0,65°C (1,17°F) acima da média do século XX de 16,4°C (61,4°F). Este recorde máximo em comparação à temperatura média não só bate o recorde anterior de Agosto estabelecido em 2005 por 0,08°C (0,14°F), como também bate o recorde de todos os tempos, estabelecido há apenas dois meses em Junho de 2014, em 0,03°C (0,05°F).

Recorde máximo da temperatura de superfície do mar para o período de Junho a Agosto de 2014

A temperatura de superfície dos oceanos global para o período de Junho a Agosto foi 0,63°C (1,13°F) acima da média do século XX, o maior já registado para o período Junho-Agosto. Isto bate o recorde anterior estabelecido em 2009 em 0,04°C (0,07°F).

Comentários de John Davies:

Este foi o Agosto mais quente já registado, primeiramente devido a Temperaturas de Superfície do Mar muito elevadas no Hemisfério Norte.

Não há eventos El Niño neste período, mas algum tipo de evento – esperemos que um evento e não uma mudança de clima – esteja a ocorrer. Se este é um evento, a situação ficará mais normal quando terminar, que será em menos de um ano na pior das hipóteses. Se é uma mudança climática, estamos em apuros desesperantes, embora eu acho que é um evento.

É interessante notar que estas Temperaturas de Superfície do Mar muito elevadas são susceptíveis de conduzir a altas temperaturas terrestres em breve, já que normalmente pode-se esperar que as temperaturas terrestres no hemisfério norte ultrapassem as Temperaturas da Superfície do Mar.

A seca que afeta a Califórnia e todo o oeste da América do Norte, América Central, e grandes partes da floresta tropical brasileira, embora anterior a este evento foi quase certamente devida a mudanças que se iniciaram antes deste evento mas em última análise a causaram.

Apesar do recorde de alta temperatura média global combinada em ambas as superfícies terrestres e oceânicas para Agosto, a economia global continuará como normalmente e nenhuma ação específica se pode esperar que seja tomada para reduzir as emissões. Isso vai mudar, se as temperaturas globais continuarem a subir. As temperaturas são altas o suficiente para causar preocupação global, contudo. Mais em breve.
Nota: A previsão mais recente da NOAA [Administração Oceânica e Atmosférica Nacional; EUA] coloca a chance de El Niño a 60-65% durante o Outono e Inverno do Hemisfério Norte.

Temperaturas de Superfície do Mar 4 Out. e previsão de temperaturas para o Ártico (11 Out.) (Anomalias)
Pode-se esperar que as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) permaneçam altas no Oceano Ártico, já que as anomalias de TSM estão altas no Atlântico Norte (+ 1,65°C, a imagem à esquerda) e altas temperaturas estão previstas sobre o Ártico pelo menos nos próximos sete dias (anomalias tão altas quanto + 2,87°C, imagem à direita). Para uma comparação com as temperaturas de 3 de Outubro, veja este post anterior (em inglês no blog original).

Além disso, uma quantidade crescente de calor tem ido para as partes mais profundas do oceano, e a Corrente do Golfo vai, nos meses que virão, continuar a transportar água para Oceano Ártico, e esta água vai estar mais quente do que a água que já lá está, ameaçando desencadear cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, como discutido neste post anterior (traduzido em Português).

Em conclusão, a situação é calamitosa e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.
Referências

– NOAA National Climatic Data Center, State of the Climate: Global Analysis for August 2014.
http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2014/8

– EL NIÑO/SOUTHERN OSCILLATION (ENSO) DIAGNOSTIC DISCUSSION, issued by:
Climate Prediction Center/NCEP/NWS and the International Research Institute for Climate and Society, 4 September 2014
http://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.pdf

– ClimateReanalyzer.org
http://climatereanalyzer.org

Traduzido do original que foi publicado por Sam Carana em Arctic-news.blogspot.pt.
http://arctic-news.blogspot.pt/2014/10/record-june-august-global-ocean-surface-temperature.html

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Metano, Paleoclima, Temperatura

O Gelo no Mar do Ártico Vai Desaparecer Em 2018. E Depois?

Paul Beckwith, climatologista e professor a tempo parcial na Universidade de Ottawa, Físico (Master de Ciência em Laser Optics, Bacharelato em Física de Engenharias), interessado em energias renováveis e xadrez – tal como descrito no seu Twitter, dá uma entrevista a Reese Jones onde faz um resumo da situação no Ártico, onde o aquecimento global se manifesta com aumentos de temperatura bem mais acentuados que na temperatura média global, e das consequências a curto prazo para a humanidade. Aqui está a transcrição do audio traduzida para Português:

 “A grande emissão de metano na região do Ártico por causa deste aquecimento é a maior preocupação. Se considerarmos no modelo da Marinha dos Estados Unidos, quando é que o gelo do mar Ártico desaparecerá, em que estação de derretimento irá ocorrer, o modelo da Marinha dos EUA diz que aproximadamente em 2018. Se você olhar para o modelo do gelo do mar ao longo do tempo, é uma espécie de curva exponencial, a qual é zero á volta de 2018. Talvez o gelo marinho não estará lá e o oceano Ártico estará completamente aberto durante uma ou duas semanas em meados de Setembro. Há uma grande variabilidade de ano para ano, mas pode-se fazer uma previsão de que dentro de um ano ou dois ou três após esse primeiro desaparecimento, o gelo poderia desaparecer durante 2 ou 3 meses no verão, e no espaço de 5 ou 6 anos poderia desaparecer durante seis meses do ano, e podia-se conceber vê-lo desaparecer completamente dentro de uma década ou duas. E então estaremos num sistema climático completamente diferente e os níveis de metano têm aumentado tanto da permafrost terrestre como dos sedimentos marinhos, especialmente no leito do Ártico Siberiano Oriental. Se isto continua a acontecer, e temos visto sinais como essas crateras misteriosas em partes da Sibéria, por isso, se este tipo de coisas continua então a quantidade de metano que sobe pode muito rapidamente eclipsar as emissões humanas. Essa é a maior preocupação. E então estamos a falar de uma situação de mudanças climáticas bruscas, onde … quero dizer, nos registos paleolíticos a temperatura média global, pelo menos a temperatura registada na Gronelândia, aumentou algures entre 5 ou 6 graus numa década ou duas. Existem alguns casos (…) de oscilações nesses paleo-registos onde a temperatura na Gronelândia aumentou 16 graus em uma década ou duas. Podemos observar os registos de sedimentos do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (MTPE). Pelo menos um artigo sugere que a temperatura aumentou 5 graus celsius em 13 anos, por ser um registo muito claro de camadas, mas é claro que tem de ser confirmado por outros artigos. Há também evidências, algumas conchas do oceano, por exemplo da Nova Zelândia onde existem grandes crateras no fundo do oceano que parecem ser devidas a uma grande libertação de metano num período muito curto de tempo. À medida que o oceano aquece, se derrete por entre os sedimentos, pode aumentar as emissões. Estamos de facto a observar isso no Ártico na Plataforma da Sibéria Oriental. Então, isso é uma grande preocupação, porque isso é basicamente todo o sistema a mudar muito rapidamente. Então a questão de como é que respondemos a isso, como vamos continuar a produzir alimentos para alimentar toda a gente, como é que vamos proteger a nossa infraestrutura, está a ver, porque mesmo com a mudança de temperatura que tivemos e as mudanças no Ártico que tivemos, estamos a ver que a estatística do sistema climático está diferente; estamos a ver todos esses eventos climáticos extremos… Então imagine esses eventos a aumentarem em frequência, intensidade, talvez duração, localização, por um factor de 10 ou 20 vezes quando o gelo marinho tiver desaparecido, e pode-se ter uma ideia de podemos estar a chegar.”

Após esta actualização na ciência do clima focada no aspecto mais aterrorizante e determinante do quadro global e futuro da humanidade, fica aqui a sugestão para outro artigo igualmente relevante:

Será que a Humanidade Está a ‘Dar a Volta’ ao Aquecimento Global?

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