Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá
Robertscribbler

Incêndios Enormes no Nordeste da China e no Lago Baikal

Como as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos forçam o mundo a aquecer, os níveis de humidade e precipitação estão a mudar. Áreas molhadas tornam-se mais molhadas. Áreas secas tornam-se mais secas. As temperaturas de Primavera e Verão aumentam. E o derretimento da neve mais precoce na primavera faz com que os solos permaneçam secos por períodos mais longos, aumentando as incidências de seca enquanto prolongando a temporada de incêndios. Estas condições secas e quentes também aumentam a probabilidade de que, uma vez que os incêndios sejam iniciados por raios ou erro humano, vão tornar-se mais intensos, maiores e mais duradouros (paráfrase deste Relatório da União de Cientistas Preocupados).

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Uma onda de calor extrema e a seca no leste da Ásia está agora a provocar incêndios extraordinariamente grandes em regiões mais instáveis ​​do nordeste da China, perto da fronteira russa. Os incêndios maciços são claramente visíveis na foto do satélite LANCE-MODIS e incluem pelo menos quatro zonas de incêndio contíguas. Os incêndios mostram, cada um, cicatrizes de zonas queimadas muito grandes com frentes de fogo a variarem entre 40 e 60 quilómetros de diâmetro. Em essência, o que esta imagem de satélite está a mostrar são 3 a 4 infernos do tamanho de Rhode Island.

Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá

(incêndios enormes a arderem no nordeste da China a 10 de Maio. Para referência, a borda inferior da imagem é de 600 milhas. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Uma nuvem muito grande de fumo lançada destas labaredas é agora visível na foto de satélite MODIS. Estende-se para longe das cicatrizes de zonas queimadas extensas e para fora em direção ao Mar do Japão, a cerca de 1.600 quilómetros de distância. Em comparação, os fogos do Nordeste da China juntos fazem agora anão o recente incêndio maciço que queimou 2.400 estruturas na cidade canadiana de Fort McMurray durante a semana passada. Mais outra instância de incêndios extraordinariamente grandes, a queimarem um mundo forçado a aquecer pelas emissões de combustíveis fósseis humanas.

Felizmente, os incêndios no nordeste da China não estão de momento a ameaçar nenhum povoado grande. Logo, é menos provável que perda de vidas ou propriedade tenha ocorrido como resultado. A mídia internacional não tem relatado os incêndios, tão pouca informação está agora disponível para além daquilo que pode ser discernido pela análise do mapa de satélite da NASA.

Pondo em contexto, estes incêndios iniciaram-se ao longo de uma zona de cristas que tem caracterizado temperaturas extremamente quentes e secas. Emanando uma onda de calor que começou no sudeste asiático, estes ares quentes estão agora a expandir-se para o norte em direção ao Ártico e vão, ao longo desta semana, contribuir para uma acumulação de onda de calor incrivelmente potente sobre as regiões do nosso mundo que agora descongelam rapidamente. O desenvolvimento de cristas nesta zona tem sido bastante persistente e podemos esperar que incêndios grandes e contínuos avancem para norte em direção ao Ártico.

Incêndios começam cedo para a época, na região de Permafrost do Lago Baikal

Incêndios começam cedo para a época, na região de permafrost do Lago Baikal na Rússia

(Incêndios florestais – indicados por pontos vermelhos no mapa acima – estão a iniciar-se em torno da zona descontínua de permafrost perto do Lago Baikal. Nos últimos anos, esta região da Rússia tem sofrido com o tipo de seca extrema e aquecimento associado à mudança climática causada pelo homem. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Esta zona extremamente quente e seca também acendeu numerosos incêndios na região do Lago Baikal. Representando o ponto mais distante a sul da zona de permafrost do Nordeste Asiático, o calor e descongelamento na região devido ao aquecimento global resultaram num aumento dos riscos de incêndio. Tal como acontece no noroeste do Canadá, existe uma relação profana entre incêndios e descongelamento da permafrost. A permafrost, enquanto descongela e seca, fornece um combustível de sub-bosque que ajuda na persistência e intensidade do incêndio – por vezes resultando em zonas quentes que ardem durante todo o inverno. E os incêndios podem ativar mais e mais da camada de permafrost por baixo – bombeando carbono adicional que pode agravar a tendência de aquecimento que iniciou os incêndios em primeiro lugar.

Em 2016, as zonas quentes e secas de cristas têm tendido a dominar tanto a América do Norte ocidental como a Ásia Oriental. E num mundo que, desde o início de 2016 tem estado cerca de 1,5 C acima das médias da década de 1880, temos visto um início muito intenso e prematuro para a época de incêndios com numerosos incêndios muito grandes nestas zonas. Enquanto Maio progride para Junho, o risco para incêndios ainda mais intensos aumenta, para além de que a zona de incêndios avança com os ares quentes para norte, em direção ao Ártico.

Traduzido do original Massive Wildfires Erupt in Northeast China as Lake Baikal Blazes Ignite, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 10 de Maio de 2016.

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Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite
Robertscribbler

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas



Cercados pelo fogo da negação, o incêndio de Fort McMurray atinge Anzac e desliga 640.000 barris por dia na produção das areias betuminosas

Uma simples questão de facto, um facto que muitos que investiram numa indústria de petróleo destrutiva não querem enfrentam agora, é que um fogo cuja extrema intensidade para tão cedo na temporada foi impulsionada pela mudança climática causada pelo homem, está agora a fazer o que o Canadá não fazia. Ele está a encerrar a produção de petróleo nas areias betuminosas – um dos combustíveis mais elevados em carbono no planeta Terra.

Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas

(Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas, como previsto por execuções de modelos computorizados, estão ilustrados no mapa acima. De acordo com um relatório na WeatherUnderground – “Um grande aumento em incêndios em grande parte do mundo é esperado à medida que avançamos através deste século. Usando modelos de incêndio conduzidos pelos resultados de dezasseis modelos climáticos utilizados no relatório do IPCC de 2007, os pesquisadores descobriram que 38% do planeta deve ver um aumento na atividade de incêndios [devido à mudança climática] durante os próximos 30 anos. Este número aumenta para 62% lá pelo final do século“. Fonte da imagem: Mudanças Climáticas e Disrupções na Atividade Global de Incêndios).

Existem outros factos que precisam igualmente de ser encarados. Um deles é o fato de que os moradores de Fort McMurray tiveram as suas vidas postas em risco por um novo tipo de fogo que é agora muito mais provável de ocorrer. Um tipo de evento que tenderá a emergir com uma frequência e intensidade crescente. Um que está a aumentar o risco de danos para aqueles que vivem em todo o Canadá, em todo o Ártico e em grande parte do mundo.

É uma verdade difícil de enfrentar. Uma que muitos políticos canadianos, que confrontam a impossível tarefa de equilibrar as demandas de interesses económicos à base de petróleo com a muito clara necessidade de mitigar a mudança climática, estão a ter dificuldade em enfrentar. Mas uma que tem que ser seriamente observada e não ignorada por qualquer pessoa preocupada com a segurança dos que vivem em Fort McMurray ou em qualquer outro lugar. Pois a menos que os gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, como as areias betuminosas, parem de atingir a nossa atmosfera, então este tipo de eventos só vão continuar a piorar.

Nós já estamos a começar a ver terríveis eventos de incêndios do tipo que nunca antes experimentámos a emergirem no Ártico e em seções do norte da América do Norte. E com o mundo agora 1 C mais quente que as médias de 1880, grandes incêndios no Ártico são agora dez vezes mais prováveis ​​de ocorrer. No Alasca – uma região que partilha as tendências do clima com o Canadá – a duração da época de incêndios cresceu em 40 por cento desde 1950.

Em todo o mundo, a história é a mesma. O aquecimento da nossa atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis está a aumentar a frequência e intensidade de incêndios. Um ponto no qual até mesmo as projeções conservadoras do IPCC têm vindo a tentar impressionar os decisores políticos desde o início de 1990 (ver gráfico acima). E, numa parte significativa, esse perigo crescente tem recebido contribuição dos combustíveis de areias betuminosas que a indústria de energia de Fort McMurray foi projetada para extrair.

Aumento na Frequência de incêndios no Ártico ao longo dos anos

(Um estudo realizado pela Climate Central no ano passado descobriu que o aquecimento no Alasca resultou num prolongamento da época de incêndios em 40 por cento e que o ritmo de geração de grandes incêndios havia aumentado em dez vezes [x10]. É importante notar que o clima e as folhagens em Alberta, Colúmbia Britânica, e nos Territórios do Noroeste são muito semelhantes aos do Alasca. E o aumentando da intensidade e frequência dos incêndios devido ao aquecimento no Alasca também está igualmente a impactar o regime de incêndios canadiano. Fonte da imagem: The Age of Alaskan Wildfires.)

Apesar das escolhas políticas arriscadas e prejudiciais conduzidas pela indústria de combustíveis fósseis no Canadá, não devíamos ficar indiferentes à perda e deslocamento que muitos na zona de produção de areias betuminosas estão agora a passar. É uma tragédia. Puro e simples. Milhares de pessoas perderam as suas casas e meios de subsistência. Mas não devemos deixar-nos cegar quanto à realidade da situação simplesmente devido ao facto de ser uma comunidade de petróleo, desta vez, quem está a sofrer as devastações das condições climáticas extremas. Pois milhares de canadianos estão agora a juntar-se a um conjunto cada vez maior de refugiados da mudança climática. Vítimas e, alguns deles, contribuintes de a uma catástrofe nascida da húbris e cegueira de uma indústria do petróleo. Um evento que foca uma luz sobre os riscos contínuos e crescentes colocados pela extração de areias de alcatrão e sobre a vulnerabilidade dos fundamentos económicos desse combustível prejudicial para as forças climáticas que está agora a começar a soltar.

Fogo em Rápida Expansão Força Aeroporto e a Comunidade Anzac, a 31 Milhas de Distância de Fort McMurray, a Evacuar

Pirocúmulo no incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá

(Pirocúmulo – uma nuvem de tempestade formando-se a partir da corrente ascendente de calor de um fogo intenso. Uma palavra que vai começar a entrar em uso comum à medida que as alterações climáticas forçadas pelos humanos tornam os incêndios poderosos cada vez mais comuns. Aqui vemos uma pirocúmulo maciça a aproximar-se de Anzac e do Aeroporto de Fort McMurray na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed de Sean Amato).

Ontem, enquanto bombeiros correram para proteger o centro da cidade de Fort McMurray e arredores a norte, um grande incêndio ferveu e cresceu sitiando-se na cidade. Retido no seu progresso rumo ao norte em bairros ao longo do rio Athabasca, em direção à área infértil de extração de areias betuminosas, e para a estação de tratamento das águas por esforços do combate ao incêndio, o fogo inchou enquanto recuava. Virando-se para o sul e leste, começou a invadir o aeroporto da cidade e até mesmo uma de suas ramificações explodiu em direção ao subúrbio bem povoado de Anzac, 30 milhas a sul.

Lá, um centro de operações de emergência tinha acabado de se instalar após ter sido forçado a sair da sua localização na cidade quando uma chuva de brasas expulsa da nuvem pirocúmulo iminente sobre a cidade lhe colocava um tecto ardente. O novo centro de operações estava bem longe do caminho do incêndio previsto para ir em direção ao norte. E os oficiais tinham alguma razão para acreditar que o centro recém-movido seria seguro. Um centro de evacuação a sul – abrigando centenas de pessoas agora desabrigadas pelo fogo – foi também montado na área.

Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo

(Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed Emily Metrz).

Na quarta-feira à tarde, o aeroporto, a comunidade de Anzac, o centro de operações de emergência recém-movido, e o centro de evacuação, todos caíram sob a sombra de um pirocúmulo a inchar. Uma grande tempestade de fumo, cinzas e brasas ardentes levantada pelo calor do fogo por baixo. Todos nesta área foram forçados a evacuar (um bom número deles pela segunda vez em dois dias) enquanto a enorme nuvem crescia e os fogos avançavam.

Quando a noite caiu, o fumo envolvia o aeroporto – tapando-o de vista. E muitos bombeiros já sabiam que a comunidade de Anzac estaria perdida. Sean Amato twittou esta mensagem quarta-feira enquanto o fogo avançava – “Bombeiro [diz]:” Anzac está f **dida. Não podemos lutar contra isso. Não temos bombardeiros. Saiam agora.”

Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite

(Mapa térmico de incêndio fornecido pela NASA na quinta-feira revela a extensão extraordinária dos fogos e cicatrizes a 4 de Maio – abrangendo cerca de 10.000 hectares. A 5 de Maio, esta zona tinha ampliado vastamente para 85.000 hectares. Fonte da imagem: Observatório da Terra da NASA).

Na quinta-feira, uma enorme área que se estende desde o aeroporto até Anzac tinha sido abandonada ao fogo. Adicionando grandemente aos 10.000 hectares, o enorme incêndio foi estimado ter queimado, ao meio-dia de quarta-feira, pela expansão do fogo em mais de 8 vezes, para 85.000 hectares – uma área de seis vezes o tamanho de San Francisco ou mais de 300 milhas quadradas.

Produção das Areias Betuminosas Detida

A este ponto, os incêndios haviam deslocado tantos trabalhadores e aleijado tanta infra-estrutura que a produção das areias betuminosas na região acabou por parar. Na quinta-feira manhã cedo, mais de 640.000 barris por dia do petróleo sintético e climatologicamente volátil haviam parado. Representando mais de 16 por cento da produção de petróleo bruto do Canadá, os cortes forçados pelo incêndio foram significativos o suficiente para impulsionar os preços do petróleo nos mercados globais tão alto quanto 46 dólares por barril nas negociações de hoje cedo. Mais encerramentos de produção eram prováveis em outros grandes extratores de areias betuminosas numa luta nos cortes o fluxo do petróleo já que o incêndio de Fort McMurray se tornou cada vez menos previsível. Perto de Anzac, a extensão para sul dos incêndios ameaçava uma instalação de produção de areias betuminosas Conoco Philips de 30.000 barris por dia na região de Surmont – forçando uma paragem na produção e a evacuação de todos os trabalhadores das areias betuminosas.

Incêndio em Fort McMurray aproxima-se das areias betuminosas

(A imagem do satélite LANCE-MODIS do incêndio de Fort McMurray na quinta-feira, 5 de Maio, mostra o fogo a expandir-se em direção às instalações de extração de areias betuminosas. Para referência, as operações de areias betuminosas são os poços de minas claramente visíveis como áreas carecas castanhas na imagem acima. A maior parte de Fort McMurray está coberta pela pluma de fumo. O bordo inferior da imagem são 60 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

No final da tarde de quinta-feira, a passagem do satélite MODIS revelou um grande incêndio cuja extensão norte parece ter atingido entre 3 a 5 quilómetros dentro da parte mais a sul das instalações de areias betuminosas. A borda ocidental do incêndio de Fort McMurray expande-se apresentando uma frente de 10 a 15 quilómetros aproximando-se para norte e oeste. As bordas sul e leste do incêndio permanecem obscurecidas pelo que é agora uma grande nuvem de fumo. Uma que é provavelmente agora visível nos céus de estados do norte e centro dos EUA.

Uma Longa Batalha Pela Frente enquanto as Temperaturas estão Previstas para Permanecerem Muito Mais Quentes do que o Normal

Uma mudança do vento para norte, juntamente com o afluxo de temperaturas mais baixas na quinta-feira pode ajudar os bombeiros a ganharem algum progresso. As condições sobre Fort McMurray hoje estavam nublado com ventos de 10 a 15 mph de noroeste e temperaturas em torno de 64 (F). Contudo, pouca ou nenhuma chuva caiu sobre a área já que uma frente passou esta manhã. Enquanto isso, espera-se uma subida das leituras do termómetro a meio dos 80 [26C] de novo no sábado, com condições muito secas a tomarem conta.

Nesta altura, é apenas Maio – não Julho, quando tais condições meteorológicas extremas de incêndios normalmente seriam possíveis. As temperaturas médias para Fort McMurray tendem para os 50 e muitos ou 60 e poucos nesta época do ano. Então, até as leituras de hoje de 64 F são mais quentes do que o habitual, com previsão de escalada das temperaturas para 20-25 F acima da média novamente no sábado. Dada esta tendência, e dado o facto de que ela vai ficar ainda mais quente e seco nos próximos meses, parece que Fort McMurray – uma cidade nas garras das consequências climáticas difíceis que ajudou a criar – tem garantida uma longa e dura luta.

Traduzido do original
Besieged by the Fires of Denial — Fort McMurray Blaze Grows to Overwhelm Anzac, Shuts off 640,000 Barrels per Day of Tar Sands Production
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Maio de 2016.

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Anomalia da temperatura de superfície no Ártico em Abril de 2016
Sam Carana

Aquecimento Recorde no Ártico

A 3 de abril de 2016, a extensão do gelo marinho do Ártico estava num valor baixo recorde para a época do ano, informa a National Snow and Ice Data Center (NSIDC).

Extensão do gelo marinho no Ártico num recorde mais baixo

A imagem em baixo, criada a partir de uma imagem do site JAXA, dá-nos uma atualização quanto à extensão do gelo marinho.

Gelo marinho no Ártico com extensão mínima recorde

Para além da extensão do gelo do mar, a área do gelo do mar também é importante. Para mais sobre o que constitui “cobertura de gelo” e o que é extensão do gelo do mar (versus área do gelo do mar), consulte esta página de Perguntas Frequentes e Respostas da NSIDC.

A 2 de abril de 2016, a área de gelo no mar no Hemisfério Norte estava num valor baixo recorde para a época do ano, informa o Cryosphere Today.

A perda de área do Gelo marinho no Ártico está um mês adiantada

Em 2015 ainda havia mais área de gelo do mar do que há agora quando estávamos meio mês mais tarde (15 dias) no ano. Em 2012, ainda havia mais gelo marinho quando estávamos 25 dias mais tarde no ano. Por outras palavras, o declínio da área de gelo do mar está quase um mês adiantado em relação à situação em 2012.

Andrew Slater, cientista na NSIDC criou o gráfico em abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Vejam o site de Andrew e esta página para mais informação.

Número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico em 2016

Anomalia no número de dias de congelamento, ou seja, dias com temperaturas abaixo de zero graus (a 2m de altitude), no Ártico (80ºN), para o 1º dia de cada mês comparado com a média de outros anos.

O Ártico aqueceu mais do que noutros lugares na Terra. As temperaturas de superfície ao longo dos últimos 365 dias estiveram mais de 2,5°C ou 4,5°F mais elevadas do que em 1981-2010.

Anomalia da temperatura de superfície no Ártico em Abril de 2016

A imagem abaixo compara a espessura do gelo do mar a 3 de abril para os anos de 2012, 2015 e 2016 (os paineis da esquerda, centro e direita, respectivamente).

Expessura do gelo marinho no Ártico comparada com anos anteriores

Idade do gelo do mar do Ártico caiu dramaticamente ao longo dos anosA espessura do gelo do mar caiu dramaticamente ao longo dos anos, como ilustrado na imagem à direita, do NSIDC, mostrando a idade do gelo do mar do Ártico para a semana de 4 a 10 de Março, desde 1985 a 2016.

As temperaturas elevadas que atingiram o Oceano Ártico ao longo dos últimos 365 dias fazem com que a aparência do gelo do mar no Ártico este ano não seja boa.

O El Niño ainda está forte com temperaturas elevadasComo ilustrado na imagem à direita, o presente El Niño ainda está forte, com temperaturas acima dos 100°F [37.7°C] registadas em três continentes.

O ano de 2016 já está a ganhar forma como o ano mais quente dos registos até agora.

As temperaturas parecem preparadas para subirem rapidamente nos próximos meses, no Hemisfério Norte em grande parte e no Ártico em particular.

A imagem em baixo mostra que durante um período de 90 dias de 13 de Janeiro a 11 de Abril de 2016, a maior parte do Oceano Ártico esteve mais do que 6°C (10.8°F) mais quente do que a média de 1981-2011.

Anomalia da temperatura no Ártico Janeiro a Abril 2016 em relação a 1981-2011

A imagem da DMI em baixo mostra o degelo recente na Gronelândia até 11 de Abril de 2016. Os mapas no painel da esquerda mostram áreas onde o derretimento ocorreu a 10 de Abril e 11 de Abril de 2016. O gráfico no painel direito mostra o degelo em 2016 (linha azul), em contraste com a média de 1990-2013 (o eixo vertical reflete a percentagem da área total do gelo onde o derretimento ocorreu).

Degelo na Gronelândia comparado com média de 1990-2013

Como um estudo recente confirma, os mantos de gelo podem conter enormes quantidades de metano na forma de hidratos e gás livre. Muito metano pode escapar devido ao derretimento e fratura durante as variações meteorológicas.

Temperaturas elevadas na Gronelandia e comparadas a 1979-2000O rápido degelo na Gronelândia parece que vai continuar. As previsões para 12 de Abril de 2016 à direita mostram anomalias das temperaturas no topo da escala (20°C ou 36°F)para a maior parte da Gronelândia e Bacia Baffin, enquanto o Ártico como um todo é atingido por uma anomalia da temperatura de mais de 5°C (mais de 9°F), comparado com 1979-2000.

Para além do mais, as temperaturas do oceano estão muito altas presentemente. Estas temperaturas elevadas, junto com a condição precáŕia do gelo do mar, fazem com que as chances sejam para que o gelo do mar tenha desaparecido na sua maior parte em Setembro.

Temperaturas anómalas no Ártico

A imagem à direita mostra as anomalias da temperatura de superfície acima da latitude 60°N a 4 de Abril de 2016.

A imagem em baixo mostra que, a 7 de Abril de 2016, a superfície do mar de Barrents esteve tão quente quanto 10.1°C ou 50.2°F, uma anomalia de 9.4°C ou 16.9°F a comparar com a média de 1981-2011 (na localização marcada pelo círculo verde em cima à direita), enquanto houveram anomalias tão elevadas quanto 11.3°C ou 20.3°F ao largo da costa da América do Norte (círculo verde à esquerda).

A linha branca mostra o percurso aproximado da corrente fria de saída, enquanto a linha vermelha mostra o percurso aproximado da corrente quente de entrada.

As temperaturas elevadas no Mar de Barrents dão indicação do calor do oceano a viajar em direção ao Oceano Ártico, enquanto que as anomalias de temperaturas elevadas na costa este da América do Norte dão indicação do calor que se está a acumular ali. Muito desse calor vai para o Oceano Ártico nos próximos meses.

Correntes quentes aumenta as temperaturas no Oceano Ártico

Temperaturas da superfície do mar elevadas no Pacífico em AbrilNo Pacífico, as anomalias da temperatura da superfície do mar em relação a 1981-2011 foram tão elevadas quanto 11.6°C ou 20.8°F perto do Japão a 11 de Abril de 2016 (ver imagem à direita), dando indicação da grande quantidade de calor adicional que existe agora nos oceanos do Hemisfério Norte. A perspectiva é que as temperaturas vão aumentar durante os próximos meses para níveis ainda mais elevados do que têm estado no último ano (vejam o post anterior sobre temperaturas em Junho de 2015 no Ártico).

O gelo do mar funciona como um tampão, absorvendo calor e mantendo a temperatura da água no ponto de congelamento. Sem um tal tampão, mais calor irá fazer com que a temperatura da água aumente rapidamente. Além disso, menos gelo do mar significa que menos luz solar é refletida de volta para o espaço e ao invés mais luz solar é absorvida pelo Oceano Ártico.

Estes são apenas alguns dos muitos mecanismos de realimentação que aceleram o aquecimento no Ártico. A água quente que atinge o fundo do mar do Oceano Ártico pode penetrar os sedimentos que podem conter enormes quantidades de metano na forma de hidratos e gás livre, desencadeando uma libertação abrupta de metano em quantidades gigantescas, escalando em aquecimento fugidio, e a posterior destruição e extinção em larga escala.

Numa escala de 10 anos, a libertação de metano no momento presente de todas as fontes antropogénicas já excede todas as emissões de dióxido de carbono como agentes de aquecimento; ou seja, as emissões de metano já são mais importantes do que as emissões de dióxido de carbono no conduzir do ritmo atual de aquecimento global.

A imagem em baixo mostra que o crescimento nos níveis de metano tem acelerado recentemente; uma linha de tendência aponta para um duplicar dos níveis de metano por volta do ano de 2040. Contrariamente ao dióxido de carbono,o potencial de aquecimento global do metano aumenta à medida que mais é libertado. O tempo de vida do metano pode ser estendido a décadas, em particular devido à depleção de hidróxilo na atmosfera.

Taxa de crescimento dos níveis de Metano

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Comentário de Albert Kallio:
Mais poderia ter sido adicionado do último relatório de Março sobre o gelo do mar do Ártico do National Snow and Ice Data Center (NSIDC), a visão geral da perda massiva de gelo do mar, porque o recorde mínimo de cobertura de neve e gelo está a coincidir com o recorde mínimo de cobertura de neve terrestre. A previsão do NSIDC de que devido às superfícies escuras terem aumentado tanto, levarão facilmente à perda de mais gelo marinho. De facto, a situação de 2016 é ainda pior do que o anterior recorde de 2012 quando a cobertura de neve era muito maior. O mesmo em 2007 quando a área do gelo marinho era ligeiramente menor, havia muito mais cobertura terrestre de neve. Para além disso, nem 2007 nem 2012 ocorreram durante um forte El Niño como o de 1998. O El Nino de 2015-2016 é o mais forte de sempre, acompanhado também pelo oceano Índico, Atlântico e Oceano do Sul em torno da Antártida, todos muito quentes. Por vezes as temperaturas da água do mar na Antártida estavam também elevadas levando ao segundo mais pequeno gelo marinho Austral de Verão a determinado ponto. A área do gelo do mar, também em torno da Antártida, tem estado mais pequena que a média na maior parte do tempo, apesar do aumento em água do degelo e salinidade reduzida – devido a temperaturas elevadas. Todos estes fatores adicionais deviam ser adicionados nas suas conclusões sem esquecer de mencionar que o calor adicionado ao sistema terrestre está a criar uma rutura no Vórtice Polar, à parte das correntes de jato terem começado a misturar-se em outros padrões de ventos atmosféricos. Notem também o fluxo aumentado de gelo marinho através do estreito de Fram devido à baixa viscosidade espacial do gelo marinho, que também resulta de uma maior ação das ondas, mistura vertical do oceano pelo vento, gelo marinho mais fino que se parte mais facilmente e colapsa, bem como por ser na sua maior parte gelo sazonal (contendo vestígios de sais que tornam as ligações químicas nos cristais de gelo mais fracas e frágeis, derretendo mais facilmente). – Albert Kallio

Traduzido do original Record Arctic Warming de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 5 de Abril de 2016.
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Comparação das anomalias das temperaturas de 2016, 2015, 2014 e 2010
Peter Sinclair

O Pico de Temperatura deste Mês Significa o Quê?

Steve Sherwood e Stefan Rahmstorf em The Conversation:

As temperaturas globais para fevereiro revelaram um pico preocupante e sem precedentes. Esteve 1,35℃ mais quente do que a média de fevereiro para o período de linha de base usual de 1951-1980, de acordo com dados da NASA.

Esta é a maior anomalia quente de qualquer mês desde que os registos começaram em 1880. Excede em muito os recordes batidos em 2014 e novamente em 2015 (o primeiro ano em que a marca de 1℃ foi ultrapassada).

No mesmo mês, a cobertura de gelo marinho do Ártico atingiu o seu valor mais baixo para fevereiro jamais registado. E a concentração de dióxido de carbono na atmosfera no ano passado aumentou mais de 3 partes por milhão, outro recorde.

O que é que se passa? Estamos diante de uma emergência climática?

Toca a acordar
Toca a acordar! Situação de emergência de aquecimento global com pico de temperatura de fevereiro

Desvio da média de 1951-1980 das temperaturas para fevereiro entre 1880 e 2016

Temperaturas de fevereiro de 1880 a 2016, a partir de dados da NASA GISS. Os valores são desvios do período base de 1951-1980. Stefan Rahmstorf

O El Niño e a Mudança Climática

Duas coisas que se estão a combinar para produzir o calor recorde: a tendência de aquecimento global que nos é bem conhecida causada pelas nossas emissões de gases de efeito estufa, e um El Niño no Pacífico tropical.

O registo mostra que o aquecimento da superfície global foi sempre sobreposto pela variabilidade climática natural. A maior causa dessa variabilidade é o ciclo natural entre as condições de El Niño e La Niña. O El Niño em 1998 bateu os recordes, mas agora temos um que parece ser ainda maior em algumas medidas.

O padrão de calor em fevereiro mostra assinaturas típicas tanto do aquecimento global a longo prazo como do El Niño. Este último é muito evidente nos trópicos.

Mais ao norte, o padrão é semelhante a outros fevereiros desde o ano 2000: um aquecimento particularmente forte no Ártico, Alasca, Canadá e no norte do continente Euro-Asiático. Outra característica notável é uma bolha fria no Atlântico Norte, que tem sido atribuída a um abrandamento na Corrente do Golfo.

O pico de aquecimento de Fevereiro trouxe-nos pelo menos 1,6℃ acima dos níveis pré-industriais das temperaturas médias globais. Isto significa que, pela primeira vez, ultrapassámos a meta aspiracional internacional de 1,5℃ acordada em dezembro, em Paris. Estamos a chegar desconfortavelmente perto de 2℃.

Felizmente, isto é temporário: o El Niño está a começar a diminuir.

Infelizmente, fizemos pouco quanto ao aquecimento subjacente. Se não for controlado, isso fará com que esses picos aconteçam mais e mais vezes, com um pico maior que 2℃ a estar talvez apenas a um par de décadas de distância.

Os gases de efeito estufa que aquecem lentamente a Terra continuam a aumentar em concentração. A média de 12 meses ultrapassou as 400 partes por milhão mais ou menos há um ano – o nível mais alto em pelo menos um milhão de anos. A média subiu ainda mais rápido em 2015 do que nos anos anteriores (provavelmente também devido ao El Niño, pois isso tende a trazer seca para muitas partes do mundo, o que significa que menos carbono é armazenado no crescimento de plantas).

Um lampejo de esperança é que as nossas emissões de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis, pela primeira vez em décadas, pararam de aumentar. Esta tendência tem sido evidente ao longo dos dois últimos anos, principalmente devido a um declínio do uso do carvão na China, que anunciou recentemente o encerramento de cerca de 1.000 minas de carvão.

Temos subestimado o aquecimento global?

Será que o “pico” muda a nossa compreensão do aquecimento global? Ao pensar sobre a mudança climática, é importante adotar uma visão de longo prazo. Uma situação tipo La Niña predominante nos últimos anos não significou que o aquecimento global tinha “parado”, como algumas figuras públicas estavam (e provavelmente ainda estão) a reivindicar.

Da mesma forma, um pico quente devido a um grande evento El Niño – mesmo que surpreendentemente quente – não significa que o aquecimento global tenha sido subestimado. No longo prazo, a tendência de aquecimento global está muito bem de acordo com as previsões de longa data. Mas essas previsões, no entanto, pintam um retrato de um futuro muito quente se as emissões não forem reduzidas em breve.

A situação é semelhante à de uma doença grave como cancro: o paciente normalmente não fica ligeiramente pior a cada dia, mas tem semanas em que a família pensa que ele pode estar a recuperar, seguidas de dia terríveis de recaídas. Os médicos não mudam o seu diagnóstico de cada vez que isso acontece, porque eles sabem que isto faz tudo parte da doença.

Embora o corrente pico derivado do El-Niño seja temporário, vai durar tempo suficiente para ter algumas consequências graves. Por exemplo, um evento maciço de branqueamento de coral parece provável na Grande Barreira de Corais.

Aqui na Austrália temos vindo a bater recordes de calor nos últimos meses, incluindo 39 dias seguidos em Sydney acima de 26℃ (o dobro do recorde anterior). As notícias parecem estar centradas no papel do El Niño, mas o El Niño não explica por que os oceanos ao sul da Austrália, e no Ártico, estão em temperaturas altas recorde.

A outra metade da história é o aquecimento global. Isto está a impulsionar cada El Niño sucessivo, juntamente com todos os seus outros efeitos sobre as camadas de gelo e o nível do mar, o ecossistema global e eventos climáticos extremos.

Esta é a verdadeira emergência climática: está a ficar mais difícil, a cada ano que passa, para a humanidade evitar que as temperaturas subam acima de 2℃. Fevereiro devia lembrar-nos o quão urgente é a situação.

Traduzido do original What Does This Month’s Temp Spike Mean? de Peter Sinclair, publicado no blogue Climate Denial Crock of the Week, a 16 de Março de 2016.
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Aumento da Temperatura Recorde em 2015 - Kevin Trenberth - vídeo legendado em Português
Kevin Trenberth

Aumento da Temperatura Recorde em 2015 – Kevin Trenberth

para o século 20 as temperaturas estão altas cerca de 0.9 graus Celsius, ou algo assim. Então, quando se fala de um salto de 0.2°C, 0.2 é 20 porcento do aumento total do século passado inteiro, e tudo isso aconteceu neste último ano (2015).

Kevin Trenberth, PhD, é investigador sénior no Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica no Colorado.

Peter Sinclair é um videógrafo especializado em questões sobre Alterações Climáticas e soluções de energias renováveis. O senhor Sinclair produz as séries de vídeo “This is Not Cool”, para Yale Climate Connections. Ele produziu mais do que 100 vídeos nas séries “Climate Denial Crock of the Week”, uma resposta cientificamente rigorosa e satiricamente afiada aos muitos pedaços de informação errónea na ciência climática, e desinformação, frequentemente encontradas na Internet – os quais o senhor Sinclair chama de “Bobos climáticos – algo que Rush Limbaugh pode dizer em 10 segundos mas demora uma hora a desempacotar por um cientista honesto”.

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Aumento Recorde da Temperatura em 2015 – Kevin Trenberth

Haviam vários registos de superfície derivados de diferentes organizações, da NASA, da NOAA, do Met Office do Reino Unido e assim, e todos eles dão a mesma história: 2015 está a revelar-se como o ano mais quente no registo, de longe. Está um par de décimos de grau Celsius acima de tudo o que temos visto antes, e isso é muito. As mudanças normais que temos visto, então, 2014 era anteriormente o mais quente do registo mas, sabem, estava alguns centésimos de grau mais quente do que o mais quente anterior, que foi 2010, e assim por diante, e normalmente… o aumento global da temperatura agora, estimamos que seja acima de 1 grau Celsius desde os tempos pré-industriais. Agora, dos tempos pré-industriais, talvez no final dos anos 1800 até, não temos registos tão fiáveis, e então a maioria dos registos são mais viáveis… digamos após… para o século 20, e para o século 20 as temperaturas estão altas cerca de 0.9 graus Celsius, ou algo assim. Então, quando se fala de um salto de 0.2°C, 0.2 é 20 porcento do aumento total do século passado inteiro, e tudo isso aconteceu neste último ano. As flutuações normais de ano para ano com o El Niño têm uma amplitude máxima de mais ou menos o mesmo, logo, qualquer coisa acima de 0.2°C é aquilo que consideramos significante, logo um aumento de 1 grau na temperatura é altamente significante, está bem fora do intervalo de ±0.2°C que são esperados na variabilidade natural. Irá descer um pouco outra vez mas, creio que está propensa a manter-se elevada neste novo nível e tipo flutuar à volta de um novo nível. Este é o modo como tem sido no passado e penso que é isso que podemos esperar.
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Robertscribbler

O Telhado Está a Arder – Parece que Fevereiro de 2016 Esteve 1.5 a 1.7 C Acima das Médias de 1880

Antes de começarmos a explorar esta instância mais recente e mais extrema de uma longa série de temperaturas globais de quebrar recordes, devíamos ter um momento para creditar os nossos “amigos” negadores da mudança climática pelo que está a acontecer no Sistema Terra.

Durante décadas, uma coligação de interesses especiais em combustíveis fósseis, investidores de grandes negócios, grupos de reflexão relacionados, e a grande maioria do Partido Republicano, têm lutado estridentemente para evitarem uma acção eficaz na mitigação dos piores efeitos da mudança climática. Na sua louca missão, eles atacaram a ciência, demonizaram líderes, paralizaram o Congresso, mancaram o governo, apoiaram combustíveis fósseis destinados a falhar, impediram ou desmancharam regulamentação útil, tornaram o Supremo Tribunal numa arma contra as soluções de energias renováveis, e puseram abaixo indústrias que teriam ajudado a reduzir o dano.

Através destas ações, eles têm sido bem sucedidos na prevenção da mudança rápida e necessária de desistência da queima de combustíveis fósseis, travando uma liderança americana florescente em energias renováveis ​​e ao inundarem o mundo com o carvão, petróleo e gás de baixo custo, que são agora tão destrutivos para a estabilidade do Sistema Terra. Agora, parece que alguns dos impactos mais perigosos das alterações climáticas já estão garantidos. E assim, quando a história olha para trás e pergunta – por que fomos tão estúpidos? Podemos honestamente apontar os nossos dedos para aqueles ignorantes e dizer “aqui estavam os sumo sacerdotes infernais que sacrificaram um futuro assegurado e a segurança dos nossos filhos no altar de seu orgulho tolo.”

Piores Receios para o Aquecimento Global Realizados

Sabíamos que ia haver sarilho. Sabíamos que as emissões de gases de efeito estufa humanas tinham carregado o oceano global com calor. Sabíamos que um El Nino recorde iria explodir um grande bocado desse calor de volta para a atmosfera assim que começou a desvanecer. E sabíamos que mais recordes da temperatura global estavam a caminho no final de 2015 e início de 2016. Mas tenho que admitir que os primeiros indícios para fevereiro são simplesmente assombrosos.

Aquecimento Global Extremo - temperaturas

(O modelo GFS mostra temperaturas com médias de 1.01 C acima da já significativamente mais quente do que o normal linha de base de 1981-2010. Observações subsequentes a partir de fontes independentes confirmaram este pico dramático da temperatura para fevereiro. Aguardamos as observações da NASA, NOAA e JMA para uma confirmação final. Mas a tendência nos dados é surpreendentemente clara. O que estamos a ver são as temperaturas globais mais quentes, de longe, desde que os registos começaram. Note-se que as maiores anomalias de temperatura aparecem exatamente onde não as queremos – no Ártico. Fonte da imagem: GFS e MJ Ventrice).

Eric Holthaus e MJ Ventrice, na segunda-feira, foram os primeiros a dar o aviso de um pico extremo nas temperaturas tal como registado pela medição global por satélite. Seguiu-se uma série de relatos dos mídia. Mas foi só hoje que começámos realmente a ter uma visão clara do potencial de danos atmosféricos.

Nick Stokes, um cientista do clima aposentado e blogger em Moyhu, publicou uma análise dos dados preliminares recentemente libertados pela NCAR e o indicador está simplesmente elevado de modo absolutamente fora de série. De acordo com esta análise, as temperaturas de fevereiro podem ter estado tanto quanto 1,44 C mais quentes do que a linha de base da NASA de 1951-1980. Convertendo as diferenças a partir dos valores da década de 1880, se estas estimativas preliminares se confirmarem, iriam colocar os números do GISS nuns extremos 1,66 C mais quentes do que os níveis de 1880 para fevereiro. Se o GISS corre 0,1 C mais frio do que as conversões NCAR, como tem feito ao longo dos últimos meses, então o aumento de temperatura de 1880 a fevereiro de 2016 seria de cerca de 1,56 C. Ambos são saltos incrivelmente altos que deixam uma dica de que 2016 poderia vir a ser bastante mais quente do que até mesmo 2015.

É importante notar que grande parte destas temperaturas globais elevadas recorde estão centradas no Ártico – uma região que é muito sensível ao aquecimento e que tem o potencial de produzir uma série de feedbacks amplificadores perigosos. Assim, poderíamos muito bem caracterizar um fevereiro quente recorde iminente como um no qual muito do excesso de calor explodiu no Ártico. Por outras palavras, os gráficos da anomalia da temperatura global fazem parecer que o teto do mundo está em chamas. Isso não é literal. Grande parte do Ártico permanece abaixo de zero. Mas anomalias de 10 a 12 C acima da temperatura média para um mês inteiro em grandes regiões do Ártico é um assunto sério. Isso significa que grandes partes do Ártico não experienciaram nada que se aproxime de um verdadeiro inverno no Ártico este ano [Artigo em Português].

Parece que o Limiar de 1,5 C foi Quebrado na Medição Mensal e Podemos Estar a Olhar para 1,2 a 1,3 C+ Acima de 1880s para todo 2016

Colocando estes números em contexto, parece que podemos ter já ultrapassado o limiar de 1,5 C acima dos valores dos anos de 1880 na medição mensal em fevereiro. Isto está a entrar num campo de riscos elevados para a aceleração do derretimento do gelo marinho e da neve no Ártico, perda de albedo, descongelamento da permafrost e uma série de outros feedbacks relacionados amplificadores de um aquecimento do nosso mundo forçado por humanos. Um conjunto de mudanças que irão, provavelmente, adicionar à velocidade de um, já rápido de si, aquecimento baseado em combustíveis fósseis. Mas devemos ter muito claro que as diferenças mensais não são diferenças anuais, e que a medida anual para 2016 é menos provável de vir a atingir ou exceder a diferença de 1.5 C. É justo dizer, porém, que diferenças anuais de 1,5 C são iminentes e vão provavelmente aparecer dentro de 5 a 20 anos.

Se usarmos o El Nino de 1997-1998 como base, descobrimos que as temperaturas globais para esse evento atingiram um máximo de cerca de 1,1 C acima das médias da década de 1880 durante fevereiro. O ano, contudo, ficou em cerca de 0,85 C acima das médias de 1880. Usando uma análise semelhante de verso de guardanapo, e assumindo que 2016 irá continuar a ver as temperaturas de superfície do mar Equatorial a continuarem a arrefecer, podemos estar a olhar para 1,2 a 1,3 C acima da média de 1880 para este ano.

Previsao para El Nino - Anomalia da Temperatura

(O El Nino está a arrefecer. Mas continuará a arrastar-se até 2016? Os conjuntos do modelo do Climate Prediction Center CFSv2 [Centro de Previsão Climática] parecem pensar que sim. A execução mais recente mostra a corrente El Nino a refortalecer-se no Outono de 2016. Tal evento tenderia a empurrar as temperaturas globais anuais para mais perto de 1,5 C acima do limiar da década de 1880. Também estabeleceria o potencial externo para mais um ano quente recorde em 2017. É importante notar que o consenso da NOAA ainda é o de um ENSO Neutro a enfraquecer as condições de La Niña pelo Outono. Fonte da imagem: Centro de Previsão do Clima da NOAA).

A NOAA está presentemente a prever que o El Nino fará a transição para ENSO Neutro ou para uma la Nina fraca, pelo final do ano. Contudo, algumas execuções de modelos mostram que o El Nino nunca chega a terminar realmente para 2016. Em vez disso, estes modelos prevêm que um El Nino fraco a moderado venha no Outono. Em 1998, um forte La Nina começou a formar-se, o que teria ajudado a conter as temperaturas atmosféricas no final do ano. A previsão de 2016, contudo, não parece indicar tão grande assistência no arrefecimento atmosférico proveniente do sistema oceânico global. Então, as médias anuais no fim de 2016 poderão empurrar mais para perto de 1,3 C (ou um pouco mais) acima dos níveis da década de 1880.

Tivemos Este Aquecimento no Sistema Já Há Algum Tempo, Apenas Estava a Esconder-se nos Oceanos

Outro pedaço do contexto sobre o qual devíamos ser muito claros, é que o Sistema Terra tem estado a viver com o calor atmosférico que estamos a ver agora há algum tempo. Os oceanos iniciaram uma acumulação muito rápida de calor devido ao forçamento das emissões de gases de efeito estufa durante os anos 2000. Uma taxa de acumulação de calor nas águas do mundo que tem acelerado até ao presente ano. Este excesso de calor já impactou o sistema climático ao acelerar a desestabilização dos glaciares na zona basal na Gronelândia e na Antártida. E também contribuiu para novas perdas recorde do gelo marinho global e é uma fonte provável de relatórios das zonas de plataforma continental do mundo nas quais têm sido observadas pequenas, mas preocupantes, instabilidades nos clatratos.

Acumulação de calor pelo oceano global

(A acumulação de calor no oceano global tem estado a subir em rampa desde o final dos anos 1990, com 50 por cento da acumulação total de calor a ocorrer nos 18 anos entre 1997 e 2015. Uma vez que mais de 90 por cento do forçamento de calor pelos gases de efeito estufa acaba no sistema do oceano global, esta medida em particular é provavelmente a imagem mais precisa de um mundo em rápido aquecimento. Uma tão rápida acumulação de calor nos oceanos do mundo garantiu uma eventual resposta da atmosfera. A verdadeira questão agora é – quão rapidamente e quão extensa? Fonte da imagem: Nature).

Mas elevar o aquecimento atmosférico terá inúmeros impactos adicionais. Irá colocar pressão sobre as regiões de superfície dos glaciares globais, adicionando ao aumento repentino na pressão de fusão basal que já vimos. Irá amplificar ainda mais o ciclo hidrológico – aumentando as taxas de evaporação e precipitação em todo o mundo e amplificando secas extremas, incêndios e inundações. Vai aumentar as temperaturas de superfície globais de pico, aumentando assim a incidência de eventos de baixas em massa por vagas de calor. Irá fornecer mais energia de calor latente para as tempestades, continuando a empurrar para cima o limiar de intensidade de pico destes eventos. E vai ajudar a acelerar o ritmo das mudanças regionais nos sistemas climáticos tais como a instabilidade do tempo no Atlântico Norte e aumentar a tendência de seca nos EUA (especialmente o Sudoeste dos EUA).

Entrando na Zona Perigosa da Mudança Climatica

O intervalo de 1-2 C acima das temperaturas da década de 1880 em que estamos agora a entrar é um em que as mudanças climáticas perigosas tenderão a crescer de forma mais rápida e aparente. Tal calor atmosférico não tem sido experienciado na Terra em pelo menos 150.000 anos, e o mundo de então era um lugar muito diferente daquilo a que os seres humanos foram acostumados no século 20. Contudo, a velocidade a que as temperaturas globais estão a subir é muito mais rápida do que alguma vez foi visto durante qualquer período interglacial para os últimos 3 milhões de anos, e é provavelmente ainda mais rápido do que o aquecimento observado durante eventos de extinção por efeito de estufa como o MTPE e o Permiano. Esta velocidade de aquecimento irá quase certamente ter efeitos adicionados para além do contexto do paleoclima.

Anomalia dos Graus-Dia no Artico

(Quem olha para o gráfico de anomalia da temperatura no topo deste post pode ver que uma quantidade desproporcional da anomalia da temperatura global está a aparecer no Ártico. Mas a região do Extremo Norte acima da linha de Latitude de 80 graus está entre as regiões que experimentam anomalias do pico global. Lá, graus-dia abaixo de zero estão nos níveis mais baixos já registados – atingindo agora uma anomalia de -800 no registo do Ártico. Em termos simples – quanto menos graus-dia abaixo de zero o Ártico experiencia, o mais próximo estará de derreter. Fonte da imagem: CIRES / NOAA).

Um último ponto a deixar claro e que vale a pena repetir. Nós, ao darmos ouvidos aos negadores da mudança climática e deixarmos que entupam as obras políticas e económicas, provavelmente já trancámos no sistema alguns dos efeitos negativos das alterações climáticas, que poderiam ter sido evitados. O tempo para darmos ouvidos a esses tolos acabou. O tempo para arrastar os pés e andar com meias-medidas está agora a chegar ao fim. Precisamos de uma resposta muito rápida. Uma resposta que, neste momento, ainda está a ser adiada pela indústria de combustíveis fósseis e os negadores da mudança climática que incitaram a sua beligerância.

Links:

O Velho Normal Já Era

NASA GISS

Quente Quente Quente

Michael J. Ventrice

Ártico Sem Inverno em 2016 [Traduzido em Português]

Grande Salto nas Medições da Temperatura à Superfície e pelo Satélite

Centro de Previsão Climática da NOAA

Captação de Calor pelo Oceano Global na Era Industrial Duplica em Décadas Recentes

CIRES / NOAA

Governadores Republicanos Processam para Pararem o Plano de Energia Limpa

Traduzido do original The Roof is On Fire — Looks like February of 2016 Was 1.5 to 1.7 C Above 1880s Averages, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 3 de Março de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

em https://alteracoesclimaticas…

Três Tipos de Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

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Robertscribbler

Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?

Hoje o mundo está um pouco como que a levar para trás, com a resposta de uma superfície do mar e atmosfera aquecidos pelos humanos. Ao fim e ao cabo, o Dr. Kevin Trenberth estava certo. O aquecimento do oceano profundo resultante das emissões de combustíveis fósseis que prendem o calor e que se acumula ao longo das duas primeiras décadas do século 21 veio mesmo ressurgir das profundezas para nos assombrar em 2014, 2015 e 2016. Nessa mudança violenta do sistema climático global para o lado quente da variabilidade natural, um El Nino titânico emergiu. Foi um dos três mais fortes de tais eventos no registo moderno. Um que, por medidas da NOAA, parece ter igualado o evento extremo de 1998 no seu pico de intensidade.

Anomalias da temperatura de superfície do mar pelo ONI (Oceanic Niño Index) para o Niño 3.4

(Diferença da temperatura de superfície em relação à média no índice de referência da zona Niño 3.4 mostra que as anomalias de calor da superfície do oceano para o El Nino de 2015-2016 igualou os valores de pico de 1997-1998. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Calor, Seca e Tempestades São Esperados Juntamente com Algumas Surpresas Nefastas

Este evento empurrou realmente o mundo para um calor extremo, e até enquanto o tempo severo relacionado previsto se acendeu em algumas das regiões típicas. As temperaturas médias anuais globais dispararam para cerca de 1,06 C acima das linhas de base dos anos 1880 durante 2015, e até as diferenças mensais atingiram os 1,2-1,3 C ou mais acima do mesmo índice de referência durante dezembro e janeiro.

Entre este grande irrompimento de calor global, o mundo também experimentou ainda mais uma onda de secas estranhas (desta vez sobre o Norte da América do Sul, as Caraíbas, grandes faixas de África e do Sudeste Asiático), eventos de baixas em massa relacionadas com o calor, inundações, e os mais fortes furacões no registo. As medidas de gelo do mar do Ártico e Globais estão mais uma vez a mergulhar em novos mínimos históricos. Também um evento global de branqueamento de coral, talvez o pior desses casos alguma vez experienciado, foi desencadeado.

Os padrões e potenciais eventos de pior caso previstos (tais como baixas em massa por vagas de calor, branqueamento de corais, e perda de gelo do mar) foram também contrastados por uma série de surpresas. A primeira e talvez a mais nefasta foi o fracasso do El Nino em quebrar a seca da Califórnia. Embora a costa oeste dos Estados Unidos [EUA] tenha experienciado uma série de tempestades, o padrão foi mais típico da humidade normal de inverno para o Noroeste dos EUA até porque a seca continuou ao longo do Sudoeste. A humidade, por outro lado, tendeu a espalhar-se como uma mangueira de incêndio – com as tempestades quer a circularem para o norte para o Alasca, as Aleutas, ou o Mar de Bering, ou para o sul ao longo do sul do México ou da América Central, para cima através do Golfo e a saírem por uma zona de tempestade particularmente intensa que se forma no Atlântico Norte.

Anomalia de precipitação em 30 dias mostra a continuação da seca do sudoeste

(Nos últimos 30 dias, a seca do sudoeste reemergiu como um padrão bloqueado, novamente, começou a afirmar-se sobre a parte ocidental da América do Norte e o Pacífico oriental. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Esta perda de humidade contínua no sudoeste dos Estados Unidos, apesar de um El Nino recorde, é particularmente evidente na mais recente medida de anomalia de precipitação para os últimos 30 dias pelo Centro de Previsão do Clima (CPC). Aqui descobrimos que grandes partes da Califórnia do Sul e Central receberam apenas 10 a 50 por cento da precipitação típica para este período. Juntamente com as temperaturas de 1 a 3 C acima da média para o mês, esta perda de precipitação durante o que seria tipicamente o período mais chuvoso da Califórnia, chegou como uma decepção para muitos que esperavam que um forte El Nino iria ajudar a quebrar o estado desta seca incapacitante. Agora, a janela para as chuvas de final de inverno e início de primavera está a começar a fechar, ao mesmo tempo que o padrão de bloqueio parece estar fortemente restabelecido, tanto no padrão do tempo presente como nos modelos de previsão.

Mas talvez a maior surpresa vinda deste ano de El Nino tenha sido um conjunto de eventos climáticos no Atlântico Norte, que estavam provavelmente mais relacionados à mudança climática. Ali, tempestades severas martelaram um Reino Unido importunado pelas cheias enquanto uma Corrente de Jato [Jet Stream] muito distorcida lançou calor e humidade Equatorial para o norte – acelerando-as ao longo de uma Corrente do Golfo ridiculamente quente e aparentemente reforçada antes de as esbarrar numa piscina fria relacionada com o fluxo do degelo provavelmente da Groenlândia. Ali, o calor e a humidade colidiram com o frio para produzirem as épicas tempestades que, então, ventilaram a sua fúria sobre o Reino Unido.

Tempestade quente no Ártico

(29 de Dezembro viu as temperaturas subirem acima da linha de congelamento [zero] no Polo Norte – a primeira vez que as temperaturas aqueceram tanto nesta região alta do Ártico e tão tarde no ano. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Durante um desses eventos, uma cadeia de baixas pressões potentes no Atlântico Norte arremessou ventos fortes, chuvas intensas e ondulação épica no Reino Unido, enquanto o fluxo meridional desencadeado por estas feras poderosas empurrou temperaturas acima de zero graus bem até lá acima ao Polo Norte durante o final de dezembro. Ainda mais um evento sem precedentes e inesperado num ano quente recorde. Um que se parece mais com um aquecimento forçado pelos humanos que superou as influências tradicionais de El Niño, ao invés de um impacto relacionado com o El Nino em si.

Enquanto o El Niño Esmorece, o Calor Equatorial Tende a Mover-se para o Polo

Embora possamos ver estes dois eventos – o fracasso do El Niño em fornecer fortes chuvas à Costa Oeste dos EUA, e os pulsos massivos em direção ao norte de tempestades, calor e humidade que atingem o Atlântico Norte – como independentes, os padrões paralelos parecem estar ligados a uma amplificação polar em curso. No geral, o calor no Ártico tende a enfraquecer a Corrente de Jato do Hemisfério Norte sobre estas duas zonas. E mesmo durante o El Niño, quando o jato seria normalmente reforçado, continuámos a ver padrões de ondas de elevada amplitude a formarem-se sobre essas regiões.

Mas enquanto o El Niño enfraquece e o Equador esfria, a Corrente de Jato tende a diminuir ainda mais. Tal estado atmosférico tenderia a exagerar ainda mais os padrões de ondas já significativos da Corrente de Jato – transferindo ainda mais calor mais baixas latitudes em direcção aos pólos. Além disso, os ciclos oceânicos tendem a acelerar quando o El Niño enfraquece ou transita para La Niña. O resultado é um pulso amplificado de águas mais quentes, emergindo de latitudes mais a sul, que entram no Ártico.

É por estas razões combinadas – a tendência pós El Niño para amplificar a transferência de calor atmosférico de sul para norte para o Ártico, e a tendência para escoar águas mais quentes em direção a zonas do Oceano Ártico durante o mesmo período – que aparece que estamos a entrar num período de elevado risco para potenciais novos degelos do gelo marinho e possíveis degelos relacionadas do gelo terrestre da Gronelândia durante 2016 e 2017.

Bolhas quentes na temperatura de superficie do mar

(Bolha Quente do Nordeste do Pacífico permanece em alta intensidade, e até o seu tamanho está previsto para expandir em julho. Entretanto, temperaturas de superfície do mar muito quentes estão previstas a permanecerem ao largo da costa oriental. O efeito resultante destas duas bolhas quentes poderá ser o de empurrar a Corrente de Jato longe para a América do Norte durante o verão de 2016 – aumentando potencialmente o risco de calor e seca generalizados e potencialmente recorde. Superfícies do mar muito quentes previstas na região dos mares de Barents e da Gronelândia – excedendo os 3 C acima da média para uma região ampla – é igualmente motivo de preocupação. Isto não é apenas devido ao risco de perda de gelo marinho através desta zona, mas também devido ao seu potencial para desencadear a formação de um padrão de bloqueio e de cúpula de calor sobre a Europa Oriental e a Rússia Ocidental. Fonte da imagem: NOAA / CFS).

Além disso, estamos em sério risco de ver os bloqueios e os padrões de ondas de elevadas amplitudes restabelecerem-se e persistirem, especialmente na zona mais ocidental da América do Norte onde se espera que uma Bolha Quente do Nordeste do Pacífico relacionada a estes eventos se fortaleça com o desvanecer do El Niño. De facto, amplas regiões dos EUA podem cair num calor e seca recorde, ou próxima de recorde, este Verão, devido às influências combinadas de duas zonas do oceano muito quentes em torno das suas linhas costeiras. Os modelos agora indicam um risco de seca particular de final da primavera para a região dos Grandes Lagos, bem como um período prolongado de temperaturas muito acima da média para praticamente todos os EUA continentais durante o verão. Entretanto, precipitação primaveril acima da média prevista para o Sudoeste parece cada vez menos provável que surja.

Finalmente, prevê-se a intensificação de temperaturas extremas da superfície do mar acima da média nos mares de Barents e da Gronelândia durante o final do Verão de 2016. Esta é uma área a vigiar. O calor do oceano adicionado tende a puxar a Corrente de Jato para o norte para a Europa oriental e a Rússia ocidental – gerando risco de ondas de calor e secas para esta região, ao mesmo tempo que a Ásia Central cai num risco de inundações. Modelos CFS [Sistemas de Previsão Climática] de longo termo para a precipitação temperatura para a Europa ainda não detetaram este risco. Contudo, dada a intensidade do calor previsto para as superfícies do Mar de Barents e a tendência relacionada do calor sobre os oceanos e no extremo norte de influenciar a formação de padrões de bloqueio, cúpulas de calor, e calhas [da Corrente de Jato] de elevada amplitude, vale a pena manter um olho meteorológico sobre a situação.

El Nino a Enfraquecer para Depois Retornar; ou Estará uma Transição para La Niña em Curso?

Relacionado com a tendência, reforçada pelo do aquecimento polar e do oceano, para gerar ondas da Corrente de Jato de grande amplitude – bem como ondas de calor, secas e inundações persistentes associadas – está o equilíbrio térmico do Pacífico Equatorial. El Niños fortes, ou até mesmo uma tendência para permanecer dentro ou perto de um estado El Niño, tem, historicamente, ajudado na quebra de novos recordes de elevadas temperaturas globais, ao associar-se à tendência de aquecimento pelos gases de efeito estufa. Entretanto, a transição em direção a La Niña tendeu a reforçar uma série de situações relacionadas ao aquecimento global, incluindo eventos de chuva recorde e grandes injeções de calor em direção aos polos no decair de El Niño para La Niña.

A causa para o aumento do risco de grandes eventos de precipitação é o facto de o El Nino proporciona um sangramento maciço de humidade para a atmosfera, em tempos de pico de intensidade. Com o atual El Niño a chegar perto de níveis recorde e com as temperaturas globais superiores a 1 C acima da média de 1880, os níveis de humidade atmosférica globais estão a atingir novos recordes neste momento. Se as temperaturas globais caírem subsequentemente por volta de 0,1 a 0,2 C durante uma transição para La Niña (para um intervalo cerca de 0,9 a 0,8 C mais quente do que os valores de 1880), então a atmosfera não será capaz de manter uma grande porção dessa humidade adicional em suspensão e cairá como precipitação – espremendo principalmente onde as principais zonas de calhas se tendem a estabelecer. Devemos ser muito claros aqui ao dizer que o risco de seca relacionada com a intensificação da formação de cristas e cúpulas de calor pelo aquecimento global não é reduzido em tais instâncias – apenas que o risco de eventos extremos de precipitação é maior.

Onda de Calor Russa, Inundações no Paquistão e a Corrente de Jato

(Ao longo de 2011, quando o El Niño de 2010 se desvaneceu em condições de La Niña, uma onda de alta amplitude na Corrente de Jato desencadeou um calor recorde, secas e incêndios florestais sobre a Rússia, ao mesmo tempo que o Paquistão foi atingido por um dilúvio com um mês de duração que foi o pior evento de chuva para a região nos últimos 1.000 anos. A tendência da La Nina para espremer o excesso de água da atmosfera pode aumentar o risco de tais eventos ocorrerem num estado de aquecimento climático. Fonte da imagem: NASA).

Quanto aos riscos para o gelo do mar, fornecemos alguma da explicação acima. Contudo, é importante notar também que a mobilidade de calor em direção aos polos tende a ser reforçada durante os períodos em que o El Niño decai para La Niña. Durante estes tempos, o calor equatorial tende a propagar-se em forma de onda para os polos – especialmente para o Polo do Hemisfério Norte, o qual já perdeu a sua forte proteção pela Corrente de Jato que afastava invasões de ar quente.

Estes dois factores são questões importantes quando se considera se a La Nina ou um estado ENSO neutral irá aparecer após o El Niño durante 2016. Mas há um terceiro: a taxa de aumento da temperatura global. Apesar de o principal condutor do aquecimento global ser as emissões maciças de combustível fóssil humano, a resposta do sistema oceânico global pode abanar significativamente a taxa de aumentos da temperatura atmosférica numa escala de tempo de décadas. Se a tendência do oceano é para La Nina, isso tenderia a suprimir um pouco a taxa decenal global de aumento da temperatura – e nós vimos isso acontecer durante a década de 2000. Mas se a tendência do oceano é produzir El Niños (numa mudança para uma Oscilação Decenal do Pacífico positiva, como parece estar a acontecer agora), então o ritmo geral de aumento da temperatura atmosférica global tenderia a ser reforçado.

La Niña Emerge

(aplicações de modelos consensuais entre IRI/CPC mostram uma queda para uma La Nina fraca até o final do ano. Contudo, execuções do modelo SFC [imagem abaixo] tem mostrado uma tendência para prever um ressurgimento das condições de El Niño no Outono. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Chegando a este ponto descobrimos que o consenso de previsão do modelo oficial publicado pela NOAA (IRI/CPC figura acima) mostra uma transição para estados neutros ENSO em maio, junho e julho, os quais, em seguida, procedem a uma La Niña muito fraca no Outono. Numa tal queda, provavelmente ainda veríamos temperaturas altas globais recordes durante o período de 2016 (no intervalo de 1,03- a 1,15 C acima dos valores de 1880).

Contudo, a tendência, no final de 2016 e em 2017, para as temperaturas recuarem das novas altas recordes seria um de algum modo melhorada (provavelmente caindo abaixo do 1 C acima da marca de 1880 em 2017 ou 2018, antes de voltarem a desafiar o recorde de 2015-2016 com a potencial formação de um novo El Niño no tempo de 3 a 5 anos de 2019 até 2021). É importante notar que este cenário revela um risco aumentado de um pulso de ar quente mais forte ir em direção à zona Polar Norte, juntamente com um potencial adicionado para eventos extremos de precipitação, à medida que as temperaturas globais tenderiam a cair mais rapidamente a partir dos picos do final de 2015 e início de 2016.

El Niño Continua

(execução do modelo CFSv2 – mostra o El Niño a continuar até ao final de 2016. Nos últimos meses, a série CFSv2 mostrou uma elevada precisão. Contudo, a preferência atual de previsão da NOAA é para as previsões estabelecidas pelo modelo IRI [imagem anterior acima]. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Em contraste, a previsão do modelo CFSv2 da NOAA (imagem acima) mostra o El Niño apenas a enfraquecer até julho e, em seguida, refortalecendo-se no espaço de tempo de outubro a novembro. Este cenário do modelo CFS resultaria em temperaturas atmosféricas mais elevadas em 2016 – garantindo praticamente uma certeza, sem precedentes, de três anos quentes recorde consecutivos para 2014, 2015, e 2016. Mas tal cenário – implicando que o Oceano Pacífico teria entrado num novo período de tendência El Nino – tenderia também a manter as temperaturas atmosféricas mais próximo dos níveis recordes elevados recentemente estabelecidos.

No cenário CFSv2, podemos esperar que as temperaturas médias globais anuais subam tanto quanto 1,08 a 1,2 C acima dos valores dos anos 1880 durante 2016 (uma diferença muito extrema e um aquecimento desconfortavelmente próximo da marca de 1,5 C). Estes valores extremos iriam, talvez, diminuir para cerca de entre 0,9 e 1,1 C durante 2017, desde que o segundo pulso de El Nino não permanecesse por muito tempo. Contudo, se o ressalto de volta para condições de El Nino fosse forte o suficiente no final de 2016, haveria uma chance de que o mundo pudesse enfrentar não 3, mas 4 absolutamente detestáveis 4 anos quentes recorde consecutivos.

Tendencia da temperatura - NASA

(Durante 2015 a temperatura global anual disparou acima de 1 C mais quente do que os valores de 1880. Há pelo menos uma chance de 50% de que 2016 será ainda mais quente. Considerando a considerável tendência de aquecimento imposta por um aquecimento mundial forçado por combustíveis fósseis, quão pior pode ficar durante a segunda década do século 21? Fonte da imagem: NASA GISS).

Entretanto, o pulso de ar quente que vai em direção aos polos poderá ser um pouco silenciado neste cenário. Uma declaração que devia ser qualificada pelo facto de que já vimos uma quantidade substancial de calor de El Niño a ir em direcção aos polos durante o presente evento. Além disso, eventos de chuvas potencialmente pesadas poderão não receber a energia adicional de uma queda da temperatura global decente para espremer mais humidade. Uma declaração que requer a qualificação adicional de que a carga global de humidade atmosférica é reforçada pelo aumento das temperaturas globais – por isso, comparativamente menos precipitação pesada é um termo relativo aqui.

Neste momento, a NOAA favorece a previsão de uma transição para La Nina, afirmando:

Uma transição para ENSO (El Niño-Oscilação do Sul) neutro é provável durante o final da primavera do Hemisfério Norte ou início do verão de 2016, com uma possível transição para condições de La Niña pelo outono.

Contudo, vale a pena reiterar que as previsões do modelo CFSv2 têm sido bastante precisas em prever o caminho do atual El Niño recorde até à data.

Links:

NOAA / CPC

NASA GISS

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Traduzido do original As a Titanic El Nino Begins to Fade, What Fresh Trouble Will a Record Warm World Bring?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 25 de Fevereiro de 2016.

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