Média anual de aumento de Dióxido de Carbono, CO2
Aquecimento Global Descontrolado, Ártico, dióxido de carbono, Temperatura

Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar

Sugerimos a leitura de “Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, as nações comprometeram-se em reduzir as emissões e evitar subidas de temperatura perigosas. No entanto, o aumento dos níveis de gases de efeito estufa e das temperaturas parecem estar a acelerar.

Crescimento recorde dos níveis de dióxido de carbono em Mauna Loa

A média anual do nível de dióxido de carbono medido em Mauna Loa, no Havaí, cresceu 3,17 ppm (partes por milhão) em 2015, uma taxa de crescimento mais alta do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959.

Média anual de aumento de Dióxido de Carbono, CO2

Como a imagem acima mostra, uma linha de tendência polinomial adicionada aos dados aponta para uma taxa de crescimento do dióxido de carbono de 4 ppm pelo ano 2024 e 5 ppm por volta de 2028.

Níveis de CO2 Janeiro 2016

Níveis de CO2 atuais – Janeiro 2016

No início da Revolução Industrial, o nível de dióxido de carbono na atmosfera era de cerca de 280 ppm. Em 11 de janeiro de 2016 como a imagem acima mostra, o nível de dióxido de carbono em Mauna Loa, no Havaí, era 402,1 ppm. Isso é cerca de 143% daquilo que era o nível superior de dióxido de carbono em tempos pré-industriais durante pelo menos os últimos 400.000 anos, como a imagem mais abaixo ilustra.

Níveis de CO2 em diferentes latitudes, Ártico e Equador

A latitudes norte mais elevadas, os níveis de dióxido de carbono são mais elevados do que noutros lugares na Terra, como ilustrado pela imagem acima. Estes gases de efeito estufa elevados contribuem para o aquecimento acelerado do Ártico.

Níveis de metano aumentam ainda mais rápido do que os níveis de CO2, especialmente por cima do Oceano Ártico.

Historicamente, os níveis de metano foram se movendo para cima e para baixo entre uma janela de 300 e 700 ppb [NT: partes por bilião]. Nos tempos modernos, os níveis de metano têm vindo a aumentar ainda mais rapidamente do que os níveis de dióxido de carbono, como ilustrado pela imagem abaixo, proveniente de uma publicação anterior.

Temperatura, dióxido de carbono e metano históricos

Histórico de temperaturas, níveis de dióxido de carbono e níveis de metano, desde há 400 mil anos até 2014

Como a imagem acima ilustra, o nível médio de 1.839 ppb que foi alcançado a 7 de Setembro de 2014, são alguns 263% dos ~ 700 ppb que historicamente eram os níveis superiores de metano.

A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra as médias anuais disponíveis da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ou seja, de 1984 até 2013, com a linha de tendência polinomial adicionada com base nesses dados. Dados selecionados da NOAA para 2014 e 2015, também foram adicionados para referência.

Níveis de metano, médias globais

Médias globais dos níveis de metano pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) de 1984 a 2013; dados de 2014 e 2015 pela NOAA. Linha de tendência polinomial adicionada com base nos dados da OMM.

Recentemente, alguns níveis muito elevados de pico foram registados, incluindo uma leitura de 2745 ppb a 02 de Janeiro de 2016, e uma leitura de 2963 ppb a 8 de janeiro de 2016, mostrado abaixo.

Níveis de metano em Janeiro 2016 em ppb

Estas leituras elevadas ilustram o perigo de que, à medida que água mais quente atinge o fundo do mar do Oceano Ártico, vai desestabilizar cada vez mais os sedimentos que podem conter enormes quantidades de metano na forma de gás livre e hidratos. Imagens associadas a essas leituras elevadas mostram a presença de níveis elevados de metano sobre o Oceano Ártico, indicando que esses picos elevados têm origem no oceano Ártico e que os sedimentos do fundo do mar no Oceano Ártico estão a a ser desestabilizados. O perigo é que esses picos irão ser acompanhados por erupções abruptas ainda mais fortes do fundo do mar do Oceano Ártico, à medida que as temperaturas da água continuarem a subir.

O aumento das temperaturas

Como discutido num post anterior sobre o acordo de Paris, [traduzido para português neste blogue] já está, agora, acima de 1,5°C mais quente do que nos tempos pré-industriais. Esse post mostra uma linha de tendência a avisar que sem uma ação abrangente e eficaz, poderá ficar 2°C mais quente antes do ano de 2030.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo.
1- Aquecimento global
2- Aquecimento Acelerado no Ártico
3- Aquecimento Global Fugidio.

Grandes erupções de metano ameaçam aquecer ainda mais a atmosfera, primeiro em lugares críticos sobre o Árctico e, eventualmente, ao redor do mundo, ao mesmo tempo causando enormes oscilações de temperatura e eventos climáticos extremos, contribuindo para o aumento da depleção de água doce e do abastecimento de alimentos, como ilustrado pela imagem abaixo a partir de um post anterior [imagem encontra-se no post original].

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Abaixo está uma imagem de Malcolm Light, que atualiza uma imagem que apareceu em numa publicação anterior.

Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico

Nota do Tradutor: O ponto de intersecção dos envelopes que convergem as variações de amplitude das médias mensais móveis em 11 anos das anomalias da temperatura máxima de superfície do Giss [Goddard Institute of Space Studies da NASA] representa um tempo após o qual o efeito variável causado pelo calor latente do derretimento e congelamento do gelo do mar nas calotes polares irá ser eliminado, ou seja, o tempo em quea calote flutuante de gelo no Ártico vai derreter completamente.

Traduzido do original Greenhouse gas levels and temperatures keep rising de Sam Carana, no blogue onde contribuem vários cientistas do clima: Arctic News, a 14 de Janeiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

em https://aquecimentoglobaldesc…

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Temperatura

Recorde de Temperatura de Superfície do Mar Global para Junho-Agosto

[Estes dados mostram toda a sua relevância para a humanidade quando colocados em contexto, ou seja, assim que lemos os comentários de John Davies, mais abaixo neste mesmo post]

Agosto 2014 bateu o recorde de temperatura em terra e do oceano

A temperatura média combinada das superfícies terrestres e oceânicas globais para Agosto de 2014 foi o recorde mais alto para o mês, em 0,75°C (1,35°F) acima da média para o século XX de 15,6°C (60,1°F).

Junho-Agosto de 2014 com o recorde máximo de temperatura em terra e no oceano

O período de Junho a Agosto de 2014, com 0,71°C (1,28°F) acima da média do século XX, teve o registo mais quente desse período do ano em superfícies terrestres e oceânicas globais, desde que a regularidade de registos começou em 1880.

Recorde de Temperaturas máximas em terra e no mar para o período de Junho a Agosto

Tradução do esquema de cores: Recorde de mais frio; Muito mais frio que a média; Mais frio que a média; Cerca da média; Mais quente que a média; Muito mais quente que a média; Recorde do mais quente.

Agosto 2014, recorde máximo de temperatura da superfície do mar

A temperatura de superfície do mar (TSM) global para Agosto foi de 0,65°C (1,17°F) acima da média do século XX de 16,4°C (61,4°F). Este recorde máximo em comparação à temperatura média não só bate o recorde anterior de Agosto estabelecido em 2005 por 0,08°C (0,14°F), como também bate o recorde de todos os tempos, estabelecido há apenas dois meses em Junho de 2014, em 0,03°C (0,05°F).

Recorde máximo da temperatura de superfície do mar para o período de Junho a Agosto de 2014

A temperatura de superfície dos oceanos global para o período de Junho a Agosto foi 0,63°C (1,13°F) acima da média do século XX, o maior já registado para o período Junho-Agosto. Isto bate o recorde anterior estabelecido em 2009 em 0,04°C (0,07°F).

Comentários de John Davies:

Este foi o Agosto mais quente já registado, primeiramente devido a Temperaturas de Superfície do Mar muito elevadas no Hemisfério Norte.

Não há eventos El Niño neste período, mas algum tipo de evento – esperemos que um evento e não uma mudança de clima – esteja a ocorrer. Se este é um evento, a situação ficará mais normal quando terminar, que será em menos de um ano na pior das hipóteses. Se é uma mudança climática, estamos em apuros desesperantes, embora eu acho que é um evento.

É interessante notar que estas Temperaturas de Superfície do Mar muito elevadas são susceptíveis de conduzir a altas temperaturas terrestres em breve, já que normalmente pode-se esperar que as temperaturas terrestres no hemisfério norte ultrapassem as Temperaturas da Superfície do Mar.

A seca que afeta a Califórnia e todo o oeste da América do Norte, América Central, e grandes partes da floresta tropical brasileira, embora anterior a este evento foi quase certamente devida a mudanças que se iniciaram antes deste evento mas em última análise a causaram.

Apesar do recorde de alta temperatura média global combinada em ambas as superfícies terrestres e oceânicas para Agosto, a economia global continuará como normalmente e nenhuma ação específica se pode esperar que seja tomada para reduzir as emissões. Isso vai mudar, se as temperaturas globais continuarem a subir. As temperaturas são altas o suficiente para causar preocupação global, contudo. Mais em breve.
Nota: A previsão mais recente da NOAA [Administração Oceânica e Atmosférica Nacional; EUA] coloca a chance de El Niño a 60-65% durante o Outono e Inverno do Hemisfério Norte.

Temperaturas de Superfície do Mar 4 Out. e previsão de temperaturas para o Ártico (11 Out.) (Anomalias)
Pode-se esperar que as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) permaneçam altas no Oceano Ártico, já que as anomalias de TSM estão altas no Atlântico Norte (+ 1,65°C, a imagem à esquerda) e altas temperaturas estão previstas sobre o Ártico pelo menos nos próximos sete dias (anomalias tão altas quanto + 2,87°C, imagem à direita). Para uma comparação com as temperaturas de 3 de Outubro, veja este post anterior (em inglês no blog original).

Além disso, uma quantidade crescente de calor tem ido para as partes mais profundas do oceano, e a Corrente do Golfo vai, nos meses que virão, continuar a transportar água para Oceano Ártico, e esta água vai estar mais quente do que a água que já lá está, ameaçando desencadear cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, como discutido neste post anterior (traduzido em Português).

Em conclusão, a situação é calamitosa e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.
Referências

– NOAA National Climatic Data Center, State of the Climate: Global Analysis for August 2014.
http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2014/8

– EL NIÑO/SOUTHERN OSCILLATION (ENSO) DIAGNOSTIC DISCUSSION, issued by:
Climate Prediction Center/NCEP/NWS and the International Research Institute for Climate and Society, 4 September 2014
http://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.pdf

– ClimateReanalyzer.org
http://climatereanalyzer.org

Traduzido do original que foi publicado por Sam Carana em Arctic-news.blogspot.pt.
http://arctic-news.blogspot.pt/2014/10/record-june-august-global-ocean-surface-temperature.html

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