Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono
Sam Carana

CO₂ Mensal a Não Menos de 400 ppm em 2016

Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões globais de dióxido de carbono de combustíveis fósseis e da indústria (incluindo a produção de cimento) quase não cresceram, como a imagem do Global Carbon Project em baixo mostra:

Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono

Contudo, os níveis de CO₂ têm continuado a subir e, como ilustrado pela tendência na imagem em baixo, poderão até ter acelerado.

Níveis de dióxido de carbono em crescimento apesar de não haver aumento das emissões

Porque têm os níveis de CO₂ na atmosfera continuado a subir apesar do facto de que as emissões da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento quase não terem aumentado nos últimos anos?

Desmatamento e outras alterações no uso dos solos

Durante a década de 2006 a 2015, as emissões provenientes do desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outra 1,0 ± 0,5 GtC (3,3 ± 1,8 GtCO₂), em média, às emissões de combustíveis fósseis e cimento representadas acima. Em 2015, de acordo com o Global Carbon Project, o desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outras 1,3 GtC (ou 4,8 bilhões de toneladas de CO₂), em cima das 36,3 bilhões de toneladas de CO₂ emitido pelos combustíveis fósseis e pela indústria. Este aumento nas emissões por desmatamento e outras mudanças no uso do solo constitui um aumento significativo (42%) sobre as emissões médias da década anterior, e este salto foi em grande parte causado por um aumento nos incêndios florestais ao longo dos últimos anos.

Por conseguinte, os níveis de CO₂ na atmosfera continuaram o seu crescimento constante. Em 2016, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm. Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 800.000 anos.

Níveis de CO2 acima dos 400ppm em 2016

Em 2016, pela primeira vez em pelo menos 800.000 anos, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm.

Enquanto sobem, os níveis de CO₂ globais flutuam com as estações do ano, normalmente atingindo a um mínimo anual em agosto. Em agosto de 2016, os níveis de CO₂ atingiram um mínimo de 400,44 ppm, ou seja, bem acima de 400 ppm. Em setembro de 2016, os níveis de dióxido de carbono tinham subido novamente, para 400,72 ppm. Importante notar, uma tendência está contido nos dados a apontar para um nível de CO₂ de 445 ppm no ano de 2030.

Sensibilidade

Entretanto, um estudo por Friedrich et al. atualiza as estimativas do IPCC para a sensibilidade ao aumento do CO2, concluindo que as temperaturas poderiam aumentar tanto quanto 7.36°C em 2100 como resultado do aumento dos níveis de CO₂.

Quando tendo outros elementos que não o CO2 mais em conta, a situação parece ainda pior que isto, ou seja, o aumento global da temperatura poderia ser tanto quanto 10°C na próxima década, como descrito na página extinção.

Sequestro de carbono em terra
Dissipadores de carbono e variação do sequestro de carbono ao longo dos anos.

Perturbação do ciclo global de carbono causada pelas atividades antropogénicas, estimadas globalmente para a década de 2006-2015(GtCO2/ano)

A imagem acima mostra também um aumento do sequestro de carbono em terra ao longo dos anos, o qual um estudo recente atribui a níveis mais elevados de CO₂ na atmosfera. Embora este aumento do dissipador de carbono em terra pareça ter travado um aumento mais forte da temperatura por algum tempo, há indícios de que este dissipador de terra já está a diminuir.

Porque é que o sequestro de carbono em terra está a diminuir?

  • Práticas agrícolas, tais como o esgotar das águas subterrâneas e aqüíferos, arar, mono-culturas e o corte e queima de árvores para criar gado pode reduzir significativamente o teor de carbono dos solos.
  • O salto recente na temperatura global parece ter danificado severamente os solos e a vegetação através de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, relâmpagos, inundações, ondas de calor, secas, tempestades de areia e incêndios florestais, e a erosão associada, transformando partes daquilo que foi uma vez um enorme reservatório de sequestro de carbono em terra em fontes de emissões de dióxido de carbono. Pior ainda, tais eventos climáticos extremos também podem levar a novas emissões, incluindo fuligem, óxido nitroso, metano, e monóxido de carbono, que por sua vez podem causar aumentos de ozono ao nível do solo, o que enfraquece ainda mais a vegetação e torna as plantas mais vulneráveis ​​a pragas e infestações.
  • Tal como um estudo de 2009 avisou, temperaturas mais elevadas também podiam causar uma redução na transpiração pelas copas das árvores, devido a estômatos das plantas menos amplamente abertos e o resultante aumento da resistência estomática em concentrações mais elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Como resultado, a cobertura de nuvens baixas está a diminuir na maior parte da superfície da terra, reduzindo albedo planetário e fazendo com que mais radiação solar alcance a superfície, e assim elevando ainda mais a temperatura para além do nível de viabilidade para muitas espécies.
Conclusão

Em conclusão, embora as emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria possam mal ter crescido, os níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar progressivamente, se não mesmo a acelerar. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos estão em ascensão e há outros fatores que contribuem para fazer com que o sumidouro de carbono em terra diminua de tamanho. Para além disso, o IPCC parece ter subestimado a sensibilidade ao aumento de CO2.

Temperaturas a aumentarem

Como resultado, não se pode esperar que as temperaturas descerão dos seus níveis actualmente muito elevados, como ilustrado na imagem abaixo.

Meses que Estiveram Acima de 1.5ºC

Esteve mais do que 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial durante 9 dos 12 meses entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Ártico, como ilustrado pela imagem em baixo, mostrando subidas da temperatura até 10.2°C no Ártico em outrubro de 2016.

Subidas da temperatura anormais no Ártico

O gráfico da DMI em baixo mostra a temperatura média diária e o clima a norte do paralelo 80, como função do dia do ano.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Comparação da temperatura média em cada dia do ano. Linha vermelha representa 2016 até 15 de Novembro. Linha verde representa a média de 1958-2002 para cada dia do ano.

Previsão para 19 de novembro de 2016: O Ártico vai estar tanto quanto 7,42ºC mais quente do que em 1979-2000, como ilustrado na imagem em baixo.

temperatura distancia-se da média no Ártico, anomalia de 7ºC

Outro reflexo de um mundo cada vez mais quente, a extensão combinada do gelo marinho do Ártico e da Antártida está atualmente num mínimo recorde. A 12 de novembro de 2016, a extensão global combinada de gelo do mar foi de apenas 23.508 mil km².

Gelo no Ártico e na Antártida com extensões mínimas para a altura do ano.

A extensão do gelo marinho no Ártico está a aumentar, onde o Inverno está a chegar, enquanto que na Antártida a extensão do gelo está a diminuir, onde está a chegar o Verão. Em ambos os polos o gelo está num recorde baixo para a época do ano.

Duas imagens, criadas por Wipneus com dados de NSIDC, foram adicionadas a seguir para ilustrar ainda mais a situação.

Extensão global do gelo do mar plurianual

A imagem acima mostra a extensão do gelo marinho global ao longo dos anos, enquanto que a imagem abaixo mostra a área total do gelo marinho global ao longo dos anos. Para mais quanto à diferença entre extensão e área do gelo, vejam esta página da NSIDC.

gelo marinho área global de ano para ano

Alguns dos resultados do dramático declínio global do gelo do mar são:

  • Enormes quantidades de luz solar que foram refletidas anteriormente de volta para o espaço são agora, em vez disso, absorvidas pelos oceanos.
  • O declínio do gelo marinho faz com que seja mais fácil que água quente do mar chegue debaixo dos glaciares e acelere o seu fluxo para a água.
  • Mais águas abertas resulta em tempestades mais fortes, provocando chuvas e continuação do declínio da cobertura de neve e gelo.
  • A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo na Gronelândia e Antártida, por sua vez ameaça provocar um aumento da libertação de metano da Gronelândia e da Antártida, como descrito em publicações anteriores como esta.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Monthly CO₂ not under 400 ppm in 2016 de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Novembro de 2016..

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Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio
Robertscribbler

CO2 Aumenta a uma Taxa Recorde e Atinge 408 ppm em 2016

Para 2016 parece que as concentrações mensais de dióxido de carbono (CO2) atmosférico vão atingir um novo pico próximo de 408 partes por milhão no Observatório Mauna Loa em Abril ou Maio. Não só é esta a maior concentração deste gás peça chave no efeito de estufa já registada em Mauna Loa, como também é a marca daquilo que provavelmente irá ser a taxa mais rápida de aumento anual de CO2 já vista.

Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio

(O CO2 atmosférico continua a ser empurrado para níveis recorde por uma emissão maciça de combustíveis fósseis em curso. os níveis globais de gases de efeito estufa são agora elevados o suficiente para começarem a resultar em várias alterações catastróficas, como o rápido aumento do nível do mar, a desestabilização glacial, o aumento de situações de secas, inundações e incêndios florestais, e o declínio da saúde do oceano. Fonte da imagem: The Keeling Curve).

Em 2014, um século e meio de queima global de combustíveis fósseis havia despejado uma quantidade chocante de carbono nos ares do mundo – forçando os níveis atmosféricos de CO2 a subirem de cerca de 275 partes por milhão em meados do século 19 para um pico de cerca de 401,5 partes por milhão durante esse ano. Em Maio de 2015, os níveis de CO2 atmosféricos atingiram um pico de cerca de 403,8 partes por milhão. E em Abril de 2016, as concentrações médias mensais desse gás de efeito estufa tinham subido para perto de 407,6 partes por milhão. Como as leituras de CO2 atmosférico picam tipicamente em Maio, podemos esperar uma média mensal de topo final para este ano a variar entre 407,6 e 408 ppm – ou 3,8 a 4,2 partes por milhão mais elevada do que durante o mesmo período em 2015. Um aumento global total de cerca de 133 partes por milhão desde o século 19. Um nível de carbono atmosférico que – se for mantido – é suficiente para aumentar as temperaturas globais em cerca de 3 graus Celsius nas próximas décadas e séculos.

Aomalia da temperatura em 2016 comparada a 1881-1910

(Os níveis de CO2 atmosféricos que agora se aproximam de 410 partes por milhão estão a empurrar as temperaturas globais para perigosamente perto do limite de 1,5 C, identificado por cientistas como a marca da primeira série de pontos de ruptura do clima perigosos para a civilização. Manter os níveis de CO2 perto de 410 partes por milhão arrisca um aquecimento a longo prazo de 3 C. Continuar com as emissões de carbono faz com que uma situação já má se torne dramaticamente pior. Fonte da imagem: Climate Central).

Estes são agora os mais altos níveis de CO2 atmosféricos observados nos últimos 23 milhões de anos. E uma taxa anual de aumento de CO2 aproximando-se de 4 partes por milhão é inédito para qualquer período de tempo em qualquer registo geológico – mesmo durante o evento de extinção por efeito de estufa do Permiano, o qual eliminou cerca de 90 por cento da vida nos oceanos e 75 por cento da vida na terra. Esta taxa muito rápida de aumento de CO2 atmosférico está a ser estimulada por uma emissão de carbono com base em combustíveis fósseis agora na faixa de 13 biliões de toneladas por ano (dos quais o CO2 é a grande maioria). Isso é uma taxa de adição de carbono mais de dez vezes mais rápida do que o pico de carbono que desencadeou a extinção em massa por efeito de estufa do Paleoceno-Eoceno, há cerca de 55 milhões de anos atrás. Uma taxa muito perigosa de acumulação de carbono que irá gerar mudanças geofísicas cada vez mais graves e prejudiciais ao longo dos próximos anos, décadas e séculos. Um evento que, se continuar, poderia muito bem ser chamado de a mãe de todos os picos de carbono.

Novo Recorde da Taxa de Aumento para Concentrações de Gases de Efeito Estufa enquanto as Emissões de CO2 Nivelam.

As taxas de aumento entre picos não captam a acumulação média anual total, mas é um indicador. E para 2016, parece que a medida anual irá saltar em pelo menos 3,5 partes por milhão. Aumentos recorde anteriores ocorreram no ano passado (em 2015) e em 1998, quando o dióxido de carbono atmosférico saltou em cerca de 3 partes por milhão. Durante a última década, o dióxido de carbono tem acumulado em cerca de 2,2 partes por milhão por ano. Então, seja qual for o contexto, 2016 aparenta ser um ano muito mau, no sentido de que vamos quase certamente ver um novo ritmo recorde de acumulação de gases de efeito estufa.

Desestabilização irreversível do glaciar Totten e aumento do nível do mar

O Glaciar Totten está a derreter rapidamente. Isso é um problema pois segura uma enorme quantidade de gelo. Se o glaciar derreter, se acordo com um novo estudo por uma equipa internacional de cientistas, poderia produzir um aumento no nível do mar de 11 pés (~ 3,5 metros)

(Um estudo recente na revista Nature Geoscience descobriu que a queima contínua de combustíveis fósseis e acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono, trás o risco de desestabilização irreversível do Glaciar Totten ,o que resultaria num crescimento rápido do nível do mar neste século. No total, o Glaciar Totten cobre uma área do tamanho do sudeste dos Estados Unidos, tem mais que uma milha de espessura e, se derretido, elevaria o nível do mar em 11 pés. Os pesquisadores descobriram que a boca do Glacier Totten – que retêm essa pilha gigantesca de gelo – está a derreter rapidamente agora. Fonte da imagem: Nature Geoscience e The Washington Post).

As causas deste salto incrível e perigoso de CO2 atmosférico estão inteiramente aos pés da indústria global de combustíveis fósseis, a qual continua a empurrar através dos seus vários aliados políticos e agências de mídia para a queima expandida e extensiva de carvão, petróleo e gás. Mas apesar das numerosas tentativas por parte dessa indústria destrutiva para conter o ritmo de adoção de energias renováveis e dificultar os esforços para aumentar a eficiência energética, tanto a eficiência como as energias renováveis têm avançado e as taxas de emissão de carbono estabilizaram durante 2014 e 2015.

O que a indústria tem conseguido, contudo, é um adiar contínuo de uma taxa mais rápida de adoção de energia renovável que tem resultado em emissões globais de carbono a manterem-se nos níveis altos recorde atuais. E um tal enorme despejo de carbono na atmosfera e nos oceanos teria inevitavelmente resultado em novas taxas recorde de aumento de CO2 atmosférico a serem atingidas eventualmente.

Emissões globais de CO2 pela Agência Internacional para a Energia

(As emissões globais de CO2 estabilizaram num nível recorde de 32 bilhões de toneladas por ano durante 2014 e 2015. As taxas crescentes de adoção de energias renováveis e as melhorias na eficiência energética ajudaram a dar forma a esta tendência. No entanto, 32 bilhões de toneladas de CO2 por ano [cerca de 8 bilhões de toneladas do total de 13 bilhões de toneladas de carbono que atingem o ar a cada ano, quando o peso molecular de átomos não-carbono, tais como o oxigénio, é removido] é provavelmente o mais rápido ritmo de acumulação de CO2 atmosférico em toda a história profunda da Terra. Uma estatística gritante que presta urgência para trazer rapidamente essa elevada taxa anual de emissões para baixo. Fonte da imagem: Agência Internacional de Energia – Dissociação das Emissões Globais e Crescimento Económico Confirmada).

Este ano, um forte El Nino reduziu a capacidade dos oceanos para a captação de um volume tão grande de arrotos de poluição provenientes das chaminés e tubos de escape do mundo. Um aquecimento variável das águas que coloca uma tampa sobre aquilo que já é um sequestrador de carbono decadente no oceano. Além disso, comparativamente pequenas mas significativas contribuições de carbono na forma de incêndios globais crescentes, aumento do degelo e queima da permafrost, e aumento de fugas de metano fornecem agora um feedback de amplificação visível para a emissão maciça e sem precedentes de gases de efeito estufa humana. Um feedback que está garantido vir a agravar-se rapidamente se a emissão de combustível fóssil humana, literalmente insana, não parar em breve.

Traduzido do original Key Hothouse Gas to Rise at Record Rate, Hit Near 408 Parts Per Million in 2016, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Maio de 2016.

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Níveis de Dióxido de Carbono - CO2 - atmosférico de 409.29 ppm
Robertscribbler

CO2 Atmosférico Aumenta a uns Extremos 409,3 Partes por Milhão a 10 de Abril – Possível Taxa Recorde de Aumento de CO2 Atmosférico para 2016

Simplificando, uma rápida acumulação atmosférica de gases de efeito estufa está rapidamente a empurrar a Terra bem para além de qualquer contexto climático a que os seres humanos estejam acostumados. A influência de um El Nino extremo sobre a capacidade do sistema do oceano global para fazer descer os níveis de uma emissão humana maciça de carbono, juntamente com sinais do que parece ser uma emissão significativamente menor mas crescente das reservas globais de carbono, parecem estar a preparar o mundo para mais um salto recorde nos níveis de CO2 atmosféricos durante 2016.

Níveis de Dióxido de Carbono - CO2 - atmosférico de 409.29 ppm

(Vê o pequeno ponto bem acima da linha de tendência azul na parte superior direita do gráfico acima? Isso não representa nenhum incidente. Representa leituras diárias de CO2 atmosférico de cerca de 409,3 partes por milhão de CO2 no Observatório Mauna Loa a 10 de Abril de 2016. É uma leitura incrivelmente alta. Mas ao longo dos próximos dois meses, poderemos ver valores diários a continuarem a atingir picos nesta faixa ou atingirem níveis ainda mais elevados. Fonte da imagem: The Keeling Curve).

Ainda nos estamos a aproximar do pico anual de final de Abril até início de Maio, e os grandes picos de CO2 já estão a começar a aparecer. No domingo, 10 de Abril, o Observatório Mauna Loa registou uma leitura diária de CO2 atingindo uns extraordinários 409,3 partes por milhão. Estas leituras seguem-se às médias mensais de Março próximas de 405 partes por milhão, e precedem um pico mensal anual em Maio que é provável que atinja mais de 407 partes por milhão, podendo chegar tão alto quanto 409 partes por milhão. Estes são níveis de cerca de 135 a 235 partes por milhão acima da variação média entre os interglaciais e as glaciações durante o período de clima relativamente estável dos últimos 2 milhões de anos.

Por outras palavras – os níveis de CO2 atmosféricos continuam a subir em intervalos sem precedentes. Níveis que são cada vez mais assustadoramente fora de contexto. Pois não temos visto registos deste gás detentor de calor atmosférico chegarem tão alto em nenhum momento durante pelo menos os últimos 15 milhões de anos [Traduzido em Português].

2016 Poderia ver um Aumento do CO2 Atmosférico de 3,1 a 5,1 Partes Por Milhão Acima de 2015

Durante um ano “normal”, se é que este período de queima imprudente de combustível fóssil pelos humanos pode ser racionalmente comparada a qualquer coisa ‘normal’, seria de esperar que os níveis de CO2 subissem cerca de 2 partes por milhão. Um tal salto no período de 2015 a 2016 resultaria em médias mensais a atingirem picos à volta de 406 partes por milhão em Maio. Contudo, com um El Niño recorde e outras influências a produzirem grandes áreas anormalmente quentes da superfície do mar, a capacidade do oceano global para absorver tanto a emissão humana maciça como o feedback global de carbono — aparentemente muito menor, mas com sinais de crescimento — tem sido dificultada.

Média anual da taxa de crescimento de CO2

(A média anual da taxa de crescimento de CO2 para 2016 deverá atingir ainda mais do que os registos vistos em 2015 devido à influência de um El Niño recorde sobre a capacidade do sistema do oceano global de absorver o excesso de carbono atmosférico e devido ao facto de que a emissão global de CO2 permaneceu perto de níveis recorde elevados atingidos em 2014. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Em 1998, durante um El Nino recorde e num momento em que as emissões globais de carbono de fontes humanas foram significativamente menores do que são hoje, e durante um período em que as reservas globais de carbono aparentavam estar na maior parte dormentes, os níveis de CO2 na atmosfera aumentaram num então recorde de 2,9 partes por milhão. Durante 2015, enquanto um El Nino recorde aumentava de intensidade e as reservas globais de carbono continuavam o seu rosnar agourento, os aumentos médios anuais atingiram um novo máximo de 3,05 partes por milhão. Mas com os impactos de um El Nino mais forte a dificultarem a absorção de carbono pelo oceano a estenderem-se até ao ano presente, parece que as taxas médias de 2016 do aumento de CO2 atmosférico serão provavelmente ainda maiores. Devido a esta, esperemos que temporária, redução na capacidade do oceano para fazer descer o carbono atmosférico, é provável vermos os níveis de CO2 de Maio de 2016 em Mauna Loa atingirem uma variação de 3,1 a 5,1 partes por milhão (407-409 ppm no total) acima dos níveis recorde elevados anteriores de cerca de 403,9 partes por milhão para o mesmo mês em 2015.

Da Última Vez que os Valores de CO2 Estiveram Tão Elevados Foi Durante o Mioceno Médio – 15 Milhões de Anos no Passado Profundo da Terra

Seja por que medida for, estas são taxas anuais extremas de aumento de CO2 atmosférico. Taxas que são provavelmente pelo menos de uma ordem de magnitude mais rápida do que durante a última extinção de efeito estufa – o MTPE [Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno] – há 55 milhões de anos. Há apenas alguns anos atrás, os organismos científicos do mundo manifestaram a sua grande preocupação quanto aos níveis de CO2 atmosféricos igualarem os níveis observados durante o período do Plioceno – uma época geológica 3 a 5 milhões de anos atrás, quando as temperaturas da Terra eram 2 a 3 C mais quentes do que são hoje e os níveis de CO2 atmosféricos variavam entre 390 e 405 partes por milhão. Mas apenas num breve intervalo, rebentámos além desse potencial contexto paleoclimático e entrámos num outro mundo, mais difícil e muito mais quente. Um período no há muito tempo atrás, quando a civilização humana tal como é hoje não poderia ter sido imaginada e uma espécie chamada Homo Sapiens tinha ainda milhões de anos para chegar sequer a começar a existir.

Niveis de CO2 atmosféricos em Abril 2016

(Para a semana que terminou a 10 de Abril, parece que os níveis de CO2 atmosféricos já estão em média acima de 407 partes por milhão. Ao longo dos próximos dois meses, os níveis atmosféricos globais atingirão novos recordes máximos provavelmente ​​na faixa de 407 a 409 partes por milhão nos valores mensais, representando um salto extremo nas leituras deste gás de estufa chave. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Passaram cerca de 15 milhões anos desde que vimos valores atmosféricos deste gás de efeito estufa crítico atingirem valores tão elevados. Naquela época, a Terra era cerca de 3 a 5 graus Celsius mais quente do que no século 19 e os oceanos estavam cerca de 120 a 190 pés mais elevados. Manter os níveis de gases de efeito estufa atuais nesta faixa por um período prolongado levará ao risco de reversão para estados climáticos semelhantes aos do passado Mioceno Médio – ou potencialmente mais quentes se as reservas globais de carbono mantidas em baixo durante o período dos últimos 15 milhões de anos de arrefecimento forem novamente libertadas no oceano e atmosfera da Terra.

Nas taxas anuais de aumento de CO2 atmosférico atuais, vai demorar entre 20 e 50 anos a exceder o intervalo do Mioceno e Oglioceno de 405 a 520 partes por milhão de CO2. Nesse ponto, estaríamos a atingir níveis de CO2 elevados o suficiente para acabar com a maioria ou a totalidade do gelo glacial na Terra. Isso é basicamente o que acontece se continuarmos a queimar combustíveis fósseis como estamos a fazer agora por mais algumas décadas.

De qualquer modo, é importante notar que o potencial aumento anual de CO2 atmosférico para 2016 entre 3,1 e 5,1 partes por milhão é extraordinariamente mau. Algo que não deveríamos estar a fazer ao sistema climático da Terra. Não há mesmo outra maneira de o dizer. Tais taxas de aumento de gases de estufa são absolutamente terríveis.

Traduzido do original Hothouse Gas Spikes to Extreme 409.3 Parts Per Million on April 10 — Record Rate of Atmospheric CO2 Increase Likely for 2016, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 11 de Abril de 2016.

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Aumento previsto da temperatura para daqui a uma década, 2026
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Retroalimentação, Temperatura

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910
Sam Carana

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico
Sam Carana

Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar

Sugerimos a leitura de “Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, as nações comprometeram-se em reduzir as emissões e evitar subidas de temperatura perigosas. No entanto, o aumento dos níveis de gases de efeito estufa e das temperaturas parecem estar a acelerar.

Crescimento recorde dos níveis de dióxido de carbono em Mauna Loa

A média anual do nível de dióxido de carbono medido em Mauna Loa, no Havaí, cresceu 3,17 ppm (partes por milhão) em 2015, uma taxa de crescimento mais alta do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959.

Média anual de aumento de Dióxido de Carbono, CO2

Como a imagem acima mostra, uma linha de tendência polinomial adicionada aos dados aponta para uma taxa de crescimento do dióxido de carbono de 4 ppm pelo ano 2024 e 5 ppm por volta de 2028.

Níveis de CO2 Janeiro 2016

Níveis de CO2 atuais – Janeiro 2016

No início da Revolução Industrial, o nível de dióxido de carbono na atmosfera era de cerca de 280 ppm. Em 11 de janeiro de 2016 como a imagem acima mostra, o nível de dióxido de carbono em Mauna Loa, no Havaí, era 402,1 ppm. Isso é cerca de 143% daquilo que era o nível superior de dióxido de carbono em tempos pré-industriais durante pelo menos os últimos 400.000 anos, como a imagem mais abaixo ilustra.

Níveis de CO2 em diferentes latitudes, Ártico e Equador

A latitudes norte mais elevadas, os níveis de dióxido de carbono são mais elevados do que noutros lugares na Terra, como ilustrado pela imagem acima. Estes gases de efeito estufa elevados contribuem para o aquecimento acelerado do Ártico.

Níveis de metano aumentam ainda mais rápido do que os níveis de CO2, especialmente por cima do Oceano Ártico.

Historicamente, os níveis de metano foram se movendo para cima e para baixo entre uma janela de 300 e 700 ppb [NT: partes por bilião]. Nos tempos modernos, os níveis de metano têm vindo a aumentar ainda mais rapidamente do que os níveis de dióxido de carbono, como ilustrado pela imagem abaixo, proveniente de uma publicação anterior.

Temperatura, dióxido de carbono e metano históricos

Histórico de temperaturas, níveis de dióxido de carbono e níveis de metano, desde há 400 mil anos até 2014

Como a imagem acima ilustra, o nível médio de 1.839 ppb que foi alcançado a 7 de Setembro de 2014, são alguns 263% dos ~ 700 ppb que historicamente eram os níveis superiores de metano.

A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra as médias anuais disponíveis da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ou seja, de 1984 até 2013, com a linha de tendência polinomial adicionada com base nesses dados. Dados selecionados da NOAA para 2014 e 2015, também foram adicionados para referência.

Níveis de metano, médias globais

Médias globais dos níveis de metano pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) de 1984 a 2013; dados de 2014 e 2015 pela NOAA. Linha de tendência polinomial adicionada com base nos dados da OMM.

Recentemente, alguns níveis muito elevados de pico foram registados, incluindo uma leitura de 2745 ppb a 02 de Janeiro de 2016, e uma leitura de 2963 ppb a 8 de janeiro de 2016, mostrado abaixo.

Níveis de metano em Janeiro 2016 em ppb

Estas leituras elevadas ilustram o perigo de que, à medida que água mais quente atinge o fundo do mar do Oceano Ártico, vai desestabilizar cada vez mais os sedimentos que podem conter enormes quantidades de metano na forma de gás livre e hidratos. Imagens associadas a essas leituras elevadas mostram a presença de níveis elevados de metano sobre o Oceano Ártico, indicando que esses picos elevados têm origem no oceano Ártico e que os sedimentos do fundo do mar no Oceano Ártico estão a a ser desestabilizados. O perigo é que esses picos irão ser acompanhados por erupções abruptas ainda mais fortes do fundo do mar do Oceano Ártico, à medida que as temperaturas da água continuarem a subir.

O aumento das temperaturas

Como discutido num post anterior sobre o acordo de Paris, [traduzido para português neste blogue] já está, agora, acima de 1,5°C mais quente do que nos tempos pré-industriais. Esse post mostra uma linha de tendência a avisar que sem uma ação abrangente e eficaz, poderá ficar 2°C mais quente antes do ano de 2030.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo.
1- Aquecimento global
2- Aquecimento Acelerado no Ártico
3- Aquecimento Global Fugidio.

Grandes erupções de metano ameaçam aquecer ainda mais a atmosfera, primeiro em lugares críticos sobre o Árctico e, eventualmente, ao redor do mundo, ao mesmo tempo causando enormes oscilações de temperatura e eventos climáticos extremos, contribuindo para o aumento da depleção de água doce e do abastecimento de alimentos, como ilustrado pela imagem abaixo a partir de um post anterior [imagem encontra-se no post original].

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Abaixo está uma imagem de Malcolm Light, que atualiza uma imagem que apareceu em numa publicação anterior.

Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico

Nota do Tradutor: O ponto de intersecção dos envelopes que convergem as variações de amplitude das médias mensais móveis em 11 anos das anomalias da temperatura máxima de superfície do Giss [Goddard Institute of Space Studies da NASA] representa um tempo após o qual o efeito variável causado pelo calor latente do derretimento e congelamento do gelo do mar nas calotes polares irá ser eliminado, ou seja, o tempo em quea calote flutuante de gelo no Ártico vai derreter completamente.

Traduzido do original Greenhouse gas levels and temperatures keep rising de Sam Carana, no blogue onde contribuem vários cientistas do clima: Arctic News, a 14 de Janeiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

em https://aquecimentoglobaldesc…

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