Gelo do mar no Ártico com espessura muito fino, quase sem gelo antigo.
Sam Carana

Gelo do Mar no Ártico Fica Terrivelmente Fino

Subida da Temperatura

Um aumento da temperatura (a partir de níveis pré-industriais) de mais de 10°C poderia suceder por volta do ano de 2026, como ilustrado pela imagem abaixo e como discutido numa publicação anterior.

Tendência de aumento da temperatura previsto para 10 anos

A anomalia de temperatura elevada que ocorreu em Fevereiro de 2016 foi parcialmente causada pelo El Niño. Todavia, há uma ameaça de que a anomalia de Fevereiro de 2016 não tenha sido um pico, mas em vez disso tenha sido parte de uma tendência que aponta para o que ainda está por vir.

Calor do Oceano

Como a imagem abaixo mostra, 93,4% do aquecimento global vai para os oceanos. Assim, o calor do oceano tem vindo a aumentar rapidamente e, como a imagem abaixo mostra, uma tendência aponta para um enorme aumento na próxima década.

O calor em excesso do aquecimento global vai principalmente para os oceanos

Para onde vai o aquecimento global? Atmosfera: 2,3%; Continentes: 2,1%; Glaciares/Mantos de gelo: 0,9%; Gelo do Mar no Ártico: 0,8%; Manto de gelo da Gronelândia: 0,2%; Manto de gelo da Antártida: 0,2%; Oceano: 93,4%. Dados da NOAA com curva de tendência adicionada mostra possível aumento em 8x mais até 2025.

O aumento da temperatura do oceano afeta o clima de várias maneiras. Um estudo recente confirmou os receios anteriores de que futuros aumentos na temperatura do oceano irão resultar em armazenamento reduzido de dióxido de carbono pelos oceanos.

Espessura e Volume do Gelo do Mar no Ártico

A espessura do gelo do mar no Ártico está a diminuir rapidamente.É importante ressaltar que aumentos da temperatura do oceano também farão com que o gelo do Ártico diminua, resultando em mudanças de albedo que farão com que menos luz solar seja refletida de volta para o espaço e mais luz solar, ao invés, seja absorvida pelo Oceano Ártico.

O gelo do mar no Ártico está a perder espessura rapidamente. A imagem à direita mostra que o gelo do mar mais espesso já quase que desapareceu (a imagem mostra o gelo do mar a 6 de Agosto de 2016). A imagem abaixo apresenta uma comparação entre os anos de 2012, 2013, 2014 e 2015 para 6 de Agosto.

comparação-espessura-gelo-2012-2016

A situação parece ainda mais ameaçadora quando se olha para a imagem do Laboratório de Pesquisa Naval abaixo, produzida com um novo modelo executado a 3 de Agosto de 2016, com validade de 4 de Agosto de 2016.

Gelo do mar no Ártico com espessura muito fina, quase sem gelo antigo.

A imagem abaixo, por Jim Pettit, mostra o volume de gelo do mar no Ártico.

Temperaturas da Superfície do Mar

O calor extra que entra nos oceanos traduz-se num enorme aumento da temperatura da superfície do mar, como ilustrado pela imagem abaixo, a partir de um post anterior e usando as anomalias da temperatura de superfície do mar no Hemisfério Norte até Novembro de 2015.

Comparação da temperatura de superfície do mar em Novembro para os anos de 1980 a 2015 revela enormes aumentos da temperatura.

Anomalia da temperatura de superfície do mar para o Hemisfério Norte, com dados da NOAA e linha de tendência adicionada.

Temperatura de superfície do mar em relação a 1971-2000O Oceano Ártico está a sentir o calor transportado pela Corrente do Golfo. A imagem à direita mostra anomalias da temperatura de superfície do mar a partir 1971-2000.

Note-se que as anomalias estão a atingir o topo da escala, de modo que, em algumas áreas estarão acima que extremidade superior (ou seja, 4°C) da escala.

As temperaturas da superfície do mar ao largo da costa da América do Norte são muito elevadas, com temperaturas da superfície do mar tão elevadas quanto 33,1°C, como a imagem abaixo mostra. Muito do calor acumulado no Golfo será carregado pela Corrente do Golfo para o Oceano Ártico ao longo dos próximos meses.

Temperatura da superfície do mar na corrente do golfo ao largo dos Estados Unidos

Anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico a 7 de Agosto de 2016A imagem à direita mostra as anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico a 7 de Agosto de 2016, em comparação com 1961-1990. Observe-se as áreas pretas onde as anomalias de temperatura da superfície do mar estão acima de 8°C.

As temperaturas da superfície do mar no Oceano Ártico permanecerão em torno do ponto de congelamento, onde e enquanto houver gelo do mar presente. Uma vez que o gelo do mar desaparecer, porém, a temperatura da superfície do mar naquela área vai subir rapidamente.

A imagem abaixo mostra quão acentuadas são as anomalias da temperatura da superfície do mar em latitudes mais elevadas do Hemisfério Norte.

Comparação das anomalias de temperatura de superfície do mar entre hemisfério norte e hemisfério sul

Enquanto que as temperaturas da superfície do mar podem estar enormes localmente, água ainda mais quente pode ser levada por baixo da superfície do mar desde o Oceano Atlântico até ao Oceano Ártico, devido à tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte, como ilustrado pela imagem abaixo, a partir de um post anterior.

Tampa de água doce fria do degelo no Ártico sobre o Atlântico Norte

Feedback 28 na página dos Feedbacks

A temperatura da superfície do mar estava tão elevada quanto 18,1°C perto de Svalbard (círculo verde), a 6 de Agosto de 2016, 13,1°C mais quente do que a média de 1981-2011, o que dá uma ideia de quão alta a anomalia da temperatura do oceano pode estar logo abaixo da superfície do mar.

Temperatura Mar Elevada Ártico -6 Agosto 2016

Temperatura da Superfície

Anomalia da temperatura para 365 dias entre Agosto 2015 e Agosto 2016Como a imagem à direita mostra, anomalias de temperatura de superfície elevadas têm atingido duramente o Ártico, particularmente nos últimos 365 dias.

Além de derreter o gelo do mar por cima, as temperaturas elevadas sobre os continentes também irão aquecer a água dos rios que desembocam no Oceano Ártico.

A água quente nos rios vai assim contribuir (juntamente com a água mais quente trazida para o Oceano Ártico a partir dos oceanos Atlântico e Pacífico) para o derretimento do gelo do mar no Ártico por baixo.

Metano

Há um perigo de que, como a temperatura do Oceano Ártico continua a aumentar, enormes quantidades de metano entrarão na atmosfera devido à desestabilização de hidratos no fundo do mar.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Arctic Sea Ice Getting Terribly Thin de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Julho de 2016.

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Calor e mancha de água fria do degelo invadem o Atlântico
Sam Carana

Calor do Oceano Invade o Atlântico Norte

A extensão do gelo marinho do Ártico a 19 de Junho de 2016 estava num recorde mínimo para a época do ano, como a imagem abaixo mostra.

Comparação da extensão do gelo marinho ao longo dos anos mostra recorde mais baixo para a época do ano - Junho 2016

Extensão do gelo do mar no Ártico com o último valor de 9,7 milhões de quilómetros | Comparação das médias de 1980, 1990, 2000, 2012, 2007, 2015 e 2016.

Não só está a extensão do gelo do mar no Ártico num valor baixo recorde para a época do ano, o gelo do mar também está rapidamente a ficar mais fino, mais fragmentado, inferior em concentração e de cor mais escura.

Gelo a norte da Gronelândia com rachas a quebrar.

Rachas no gelo do mar a norte da Gronelândia a 19 de junho de 2016, criado com a imagem Arctic-io

Na manhã de 20 de Junho de 2016, fortes libertações de metano foram registadas sobre a água a norte da Gronelândia, bem como a leste da Gronelândia, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de metano libertado no mar do Ártico em Junho 2016

A imagem abaixo mostra que, na manhã de 20 de Junho de 2016, os níveis médios globais de metano aumentaram em várias partes por bilhão numa grande faixa de altitude, em comparação com os dois dias anteriores. Os níveis de metano nas altitudes selecionadas para os dias de Julho de 2015 e Dezembro de 2015, foram adicionados para referência.

Comparação dos níveis de metano médios globais de 2015 e 2016

Clique na imagem para ampliar | Níveis médios de Metano para os dias selecionados comparando Dezembro e Julho de 2015 e Junho de 2016, com dados da NOAA

As temperaturas no Ártico estão a aumentar, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 19 de Junho de 2016 as temperaturas estavam tão elevadas quanto 31.4°C ou 88.4°F sobre o rio Mackenzie (círculo verde), que termina
no Oceano Ártico (e, assim, aquece o Oceano Ártico ali).

Temperatura elevada no Ártico, no rio McKenzie, aquece o oceano

Temperaturas tão elevadas quanto 41.4°C no rio McKenzie (círculo verde) que vai dar ao Oceano Ártico e contribui para o seu aquecimento.

A 20 de Junho de 2016, o Sol irá atingir o seu ponto mais alto (Solstício), e o Árctico terá 24 horas de luz solar, ou seja, no Círculo Ártico (latitude 66,56° norte) ou superior. O Ártico tem cerca de 20 milhões (20.000.000) de quilómetros quadrados (7.700.000 milhas quadradas) de área e abrange cerca de 4% da superfície da Terra. A insolação durante os meses de Junho e Julho é maior no Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra, como ilustra a imagem abaixo, por Pidwirny (2006).

Exposição do Ártico à luz solar ao longo do ano e no solstício

A temperatura da superfície do mar perto de Svalbard estava tão elevada quanto 55°F (12,8°C, no círculo verde) a 14 de Junho de 2016, uma anomalia de 19,6°F (10,9°C) em relação a 1981-2011, conforme ilustrado pela imagem abaixo.

Temperaturas elevadas do mar no Ártico

12.5°C de temperatura registados no mar de Svalbard no Ártico, uma diferença de 10.9°C em relação à média de 1981-2011.

Mancha / Tampa de água fria sobre o Atlântico e Pacífico

Manchas de água fria no Atlântico e Pacífico reveladas pela imagem da NASA com as anomalias da temperatura em relação a 1951-1980

A imagem acima, criada com nullschool.net, mostra ainda que a tampa de água fria que vinha crescendo de forma tão proeminente em extensão sobre o Atlântico Norte ao longo dos últimos anos, tem diminuído substancialmente. Em comparação, a área fria sobre o Pacífico Norte tem ficado maior. Isto é ainda confirmado pela imagem à direita, criado com mapas da NASA que mostram anomalias de temperatura do oceano para Maio de 2016.

A água do degelo fluiu em abundância da Gronelândia em 2016, como ilustrado pela imagem da NSIDC.gov abaixo. O escorrimento a partir do Alasca e da Sibéria para o Pacífico parece menor, em comparação, do que o escorrimento para o Atlântico Norte. Então, como pode ser que a área fria no Pacífico Norte tem ficado maior do que a área fria no Atlântico Norte?

Extensão do degelo / derretimento na Gronelândia em 2016, comparado a 1981-2010

Poderia haver outro factor que influencia o tamanho dessas áreas frias no Atlântico Norte e no Pacífico Norte?

A imagem abaixo, criada com imagens da NOAA, dá uma comparação entre a situação a 1 de Junho de 2015 (em cima) e 1 de Junho de 2016 (em baixo), mostrando anomalias em relação a 1961-1990.

Mancha de água fria do degelo sobre Atlântico e Pacífico

A diferença é surpreendente, especialmente quando considerando a força das anomalias mais frias (em relação a 1961-1990). Para além de água do degelo, algo mais deve estar a influenciar o tamanho e a força dessas anomalias no Atlântico Norte e no Pacífico Norte de maneiras diferentes. Muito provavelmente, a diferença é causada pela Correia Transportadora Oceânica (ou circulação termoalina), que está a levar água quente para o Atlântico Norte, enquanto leva água fria para fora do Atlântico Norte. No Pacífico Norte, está a fazer o oposto, ou seja, a trazer água fria, enquanto transporta água quente para fora do Pacífico Norte.

circulação termoalina aquece o Atlântico e arrefece o Pacífico alterando as manchas de água fria do degelo

A Correia Transportadora Oceânica ou circulação termoalina, aquece o Oceano Atlântico enquanto arrefece o Pacífico, revelando alterações nas manchas de água fria do degelo.

[Esta animação é um arquivo de 2,3 MB, que pode demorar algum tempo para carregar totalmente]

Em conclusão, existem vários fatores que estão a influenciar a situação, incluindo a influência que tem o El Niño e o impacto que a La Niña vai ter, e as mudanças nas correntes oceânicas. Mesmo que a correia transportadora possa ficar mais lenta, mais importante do que a sua velocidade é a quantidade de calor que vai levar para o Oceano Ártico. A imagem abaixo mostra uma tendência a apontar para a água no Hemisfério Norte a ficar 2 graus Celsius mais quente bem antes do ano 2030, em comparação com a média do século 20.

Temperaturas no Hemisfério Norte em 2016 e previsão futura

Se essas tendências continuarem ou mesmo se reforçarem, água cada vez mais quente será transportada do Atlântico Norte para o Oceano Ártico, contrariando o possível arrefecimento devido ao escorrimento resultante do degelo. Como o afluxo no Atlântico é cerca de 10 vezes maior em volume do que o afluxo no Pacífico, o resultado será ainda mais aceleração no aquecimento do Oceano Ártico.

Um Oceano Ártico mais quente irá acelerar o declínio do gelo do mar, fazendo com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico, sendo um dos mecanismos de auto-reforço (feedbacks) que estão a acelerar ainda mais o aquecimento do Oceano Ártico. O feedback # 14 refere-se ao calor (latente), que anteriormente foi para a fusão. Com o desaparecimento do gelo do mar, uma proporção crescente do calor do oceano é absorvida pelo Oceano Ártico.

Energia na fusão do gelo e aquecimento da águaÀ medida que o gelo do mar aquece, 2,06 J/g de calor vão para cada grau Celsius de aumento da temperatura do gelo. Enquanto o gelo está a derreter, toda a energia (em 334J/g) vai para transformar o gelo em água e a temperatura mantém-se a 0°C (273.15K, 32°F).

Uma vez que todo o gelo se transforme em água, todo o calor subsequente vai para o aquecimento da água, a 4,18 J/g para cada grau Celsius que a temperatura da água aumente.

A quantidade de energia absorvida pela fusão do gelo é tanta quanto a necessária para aquecer uma massa equivalente de água de zero a 80°C.

Comparação da espessura / concentração do gelo marinho entre 2012 e 2016

O gelo do mar está em má forma, como também ilustrado pela comparação da concentração acima, entre 24 de Junho de 2012 e uma previsão para 24 de Junho de 2016.

Comparação da espessura do gelo marinho no Ártico entre 2012-2016

Como a comparação acima mostra, o gelo do mar está agora também muito mais fino do que estava em 2012. O gelo marinho espesso costumava se estender metros abaixo da superfície do mar no Ártico, onde poderia consumir enormes quantidades de calor do oceano através do derretimento deste gelo em água. Como tal, o gelo marinho espesso agia como um tampão. Ao longo dos anos, a espessura do gelo do mar no Ártico diminuiu da forma mais dramática. Isto significa que o tampão que é utilizado para consumir grandes quantidades de calor do oceano levado pelas correntes marinhas para o Oceano Ártico, tem desaparecido agora em grande parte.

Calor do oceano vai destabilizar os hidratos de metano no fundo do mar (leito marinho) no Ártico

Espessura do gelo antes de 2012 | Gelo pouco espesso após 2012 | Calor do Oceano | Hidratos de Metano | Efeito Tampão desaparece

O perigo é que o calor vai chegar ao leito marinho (fundo do mar) e vai desestabilizar os hidratos de metano contidos nos sedimentos no fundo do mar do Oceano Ártico.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Ocean Heat Overwhelming North Atlantic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Junho de 2016.

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Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores
Robertscribbler

Sete Meses Consecutivos de Calor Global de Quebrar Recordes

Não é apenas o facto de estarmos a ver um calor global recorde. É que o salto nas temperaturas globais em 2016 poderá ser o maior pico já registado num único ano. É que o mundo poderá nunca mais voltar a ver temperaturas anuais abaixo de 1 C acima das médias pré-industriais. E é que, este nível elevado de calor, e uma pico relacionado de gases de efeito estufa na atmosfera devido às emissões de combustíveis fósseis, agora é suficiente para começar a infligir danos graves sobre tanto o mundo natural como a civilização humana.

Sete Meses Consecutivos de Recorde de Calor

O mês passado foi o Abril mais quente do registo climático global. Não só foi o mais quente de tais meses já registado – quebrou o recorde anterior com a maior margem alguma vez registada. E este mês de Abril tornou-se agora o sétimo mês consecutivo de uma cadeia ininterrupta de calor global recorde.

Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores

(Quando em gráfico, é isto o que o Abril mais quente já registado parece quando comparado a outros Abris. Reparem no ponto ascendente e estreito no final da progressão de aquecimento longo. Sim, isso é para Abril de 2016. Fonte da imagem: Dr. Stephan Rahmstorf. Fonte dos dados: NASA GISS).

De acordo com a NASA GISS, as temperaturas globais em Abril estiveram 1,11 graus Celsius (C) mais quentes do que a sua média da linha de base para o século. Quando comparado com leituras pré-industriais (década de 1880 pela NASA), as temperaturas aqueceram globalmente por um total de 1,33 C. E isso é realmente um grande salto no aquecimento global, especialmente quando se considera o contexto dos últimos sete meses. Quando se olha para isso, parece que as temperaturas globais estão a subir numa corrida com uma velocidade de meter medo.

Sobre este ritmo furioso de aquecimento, Andy Pitman, diretor do Centro ARC de Excelência para a Ciência do Sistema Climático da Universidade de New South Wales na Austrália, observou recentemente no The Guardian:

“O que é interessante é a escala em que estamos a quebrar recordes. Está claramente tudo a ir na direção errada. Os cientistas do clima têm vindo a alertar quanto a isto desde pelo menos a década de 1980. E tem sido estupidamente óbvio desde a década de 2000.”

dióxido de carbono atmosférico em Maio

(Níveis recorde de dióxido de carbono atmosférico, como visto neste gráfico de Domingo 15 de Maio pelo Copernicus Observatory, são a principal força motriz de um pico incrível nas temperaturas globais durante 2016. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Apesar de ser provável que 2016 seja um ano quente recorde, as leituras globais têm registado uma ligeira moderação desde o início deste ano assim que o El Nino começou a desvanecer-se. Mas isso não significa que estejamos fora da zona de perigo. Muito pelo contrário, estamos a correr em direção a limiares climáticos a um ritmo nunca antes visto. E isso é realmente preocupante. As leituras mensais de pico este ano atingiram uns ridículos 1,55 C acima da média da década de 1880 na altura do El Nino durante Fevereiro. E o recorde mensal atual de Abril está empatado com Janeiro de 2016 na medida da NASA. No total, os primeiros quatro meses de 2016 têm agora uma média 1,43 C acima das linhas de base da década de 1880 ou desconfortavelmente perto da marca de 1,5 C estabelecida pelos cientistas como sendo o primeiro de muitos limites climáticos cada vez mais perigosos.

De acordo com Pitman:

“O alvo de 1.5C é pensamento desejoso. Não sei se se obteria 1.5C se se parasse com as emissões hoje. Há inércia no sistema. Está [agora] a colocar pressão intensa sobre os 2C.”

E quando cientistas ortodoxos começam a dizer coisas assim, é mesmo tempo de o resto de nós começar a tomar atenção.

Um Mundo Quente Recorde Feito pela Queima de Combustíveis Fósseis e Consistente com as Previsões Científicas

Olhando para onde o mundo tem aquecido mais, descobrimos que as maiores diferenças extremas de temperatura durante Abril foram novamente centradas sobre o climatologicamente vulnerável Ártico. Alaska, Noroeste do Canadá, o Mar de Beaufort, uma grande parte da Sibéria Central, a costa oeste da Groenlândia, os Mares de Laptev e Kara, e uma secção do Norte de África, todos experienciaram temperaturas mensais na ordem de 4 a 6,5 ​​graus Celsius acima da média. Valores mensais que são gritantes de tão quente. Uma região notavelmente maior experimentou um calor significativo com temperaturas a variarem entre 2 e 4 C acima da linha de base do século 20 da NASA. No geral, quase todas as regiões do mundo experimentaram leituras acima da média – com as exceções notáveis ​​associadas a zonas de depressão extremas relacionadas a padrões climáticos alterados pela mudança climática e manchas frias do oceano induzidas pelo derretimento glacial relacionado com o aquecimento.

O mês de Abril foi o mais quente com temperaturas recordes

(Foto da NASA de um mundo com uma febre alta e a piorar durante um Abril de 2016 quente recorde. Fonte da imagem: NASA GISS).

Estas regiões contra-tendência incluem a mancha fria do Atlântico Norte resultante da zona de derretimento da Gronelândia, a zona de depressão sobre a Baía de Hudson, a zona de depressão sobre o Noroeste do Pacífico, e a zona oceânica de absorção de calor que é o tempestuoso Oceano Antártico. A amplificação de aquecimento observada na região polar Norte, juntamente com a formação da mancha fria do Atlântico Norte e a ativação da zona dissipadora de calor no Oceano Antártico, são todos consistentes com os padrões de aquecimento global relacionados previstos por modelos climáticos e resultantes da queima de combustível de fóssil pelos humanos que empurra os níveis atmosféricos de CO2 bem acima das 400 partes por milhão nos últimos anos.

Calor Recorde Impulsiona Desastres Climáticos sem Precedentes

Este padrão de calor global recorde tem gerado numerosos desastres relacionados à mudança climática. Nas regiões equatoriais do mundo, têm surgido crises de seca e fome. Estas têm se tornado particularmente intensas em África e na Ásia. Em África, dezenas de milhões de pessoas estão agora à beira da fome. Na Índia, 330 milhões de pessoas estão sob estresse hídrico devido ao que é provavelmente a pior seca que aquela nação já experimentou. A Austrália viu 93 por cento da sua Grande Barreira de Coral sucumbir a um branqueamento de coral resultante do calor. E uma vez que o calor do oceano naquela região do mundo ultrapassou uma fasquia que vai forçar eventos de branqueamento mais e mais frequentes, é questionável se o grande recife de coral irá até sobreviver nas próximas décadas.

Pittman no Guardian, novamente:

“A coisa que está a causar esse aquecimento, está a aumentar e aumentar e aumentar. Logo, as temperaturas frias do oceano que vamos obter com uma La Niña são mais quentes do que alguma vez teríamos visto mais do que algumas décadas atrás … Esta é uma tareia em grande escala no sistema de recife de coral numa base contínua, com alguns pontapés ocasionais muito desagradáveis ​​e dos quais não se vai recuperar.”

Na Flórida, a acidificação dos oceanos devido às emissões de combustíveis fósseis está a fornecer os seus próprios socos e pontapés no maior recife de coral na costa daquele estado. Num efeito diferente do aquecimento, a acidificação é uma alteração química causada por águas do oceano que se tornam sobrecarregadas com carbono. Como uma espécie de chuva ácida constante sobre o recife que faz com que o calcário do qual é feito se dissolva.

E se os impactos acima não forem suficientes para manter-nos acordados durante a noite, incêndios florestais sem precedentes em Maio também forçaram o abandono de uma cidade inteira no Canadá. Ilhas por todo o mundo estão a ser engolidas pelo aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento do manto de gelo e expansão térmica. Cidades ao longo das costas do Atlântico e do Golfo nos Estados Unidos estão a enfrentar eventos de inundação de maré cada vez piores. O derretimento glacial na Gronelândia e na Antártida está a acelerar. E o gelo do mar do Ártico é tão fino e derrete tão rápido que alguns estão a questionar se algum sobreviverá até Setembro.

A La Nina está a Chegar, Mas Isso Não Vai Ajudar Muito

É importante notar que as temperaturas atmosféricas globais irão resfriar temporariamente dos picos de 2016 já que a La Nina está previsto instalar-se por este Outono. Contudo, os gases de efeito estufa estão tão elevados e o balanço energético da Terra está tão intenso que o oceano global, o gelo e o sistema atmosférico ainda estão a acumular calor a uma taxa sem precedentes. Enquanto a La Nina entra em ação, esse calor extra irá, na sua maior parte, para os oceanos e o gelo enquanto a atmosfera esfria um pouco – preparando-se para o próximo grande impulso já que o El Nino se prepara mais uma vez.

global-warming-since-1850

(O aquecimento global está numa espiral em direção a limiares climáticos perigosos. Gráfico pelo cientista climático Ed Hawkins.)

Esta mudança baseada na variabilidade natural em direção a uma La Nina não devia realmente ser encarada como uma boa notícia. Uma pluma maciça de humidade levantou dos oceanos globais durante o presente pico de calor e, enquanto as temperaturas globais arrefecem, há um risco aumentado de grandes eventos de inundações de uma espécie a que realmente não estamos acostumados. A La Nina também produz zonas de seca — em particular sobre uma Califórnia já em sofrimento — e o aquecimento adicionado a partir do aumento das temperaturas globais vai adicionar à intensidade da seca nessas regiões também.

Com as temperaturas globais previstas para atingirem cerca de 1,3 C acima das médias pré-industriais para o conjunto de 2016, é duvidoso que o mundo vá sequer ver novamente um ano em que as temperaturas caiam abaixo do limiar climático de 1 C. E isso significa derretimento mais rápido do gelo glacial, agravamento dos incêndios, mais perturbação para as estações e colheitas, tempestades e eventos de chuva mais extremos, taxas mais rápidas de aumento do nível do mar, zonas de seca em expansão, mais ondas de calor indutoras de baixas em massa, expansão dos alcances das doenças tropicais, aumento do alcance das espécies invasoras nocivas, e uma infinidade de outros problemas. Nos últimos anos, passámos os limiares para alterações climáticas perigosas. E com as temperaturas globais a aumentarem tão rapidamente, estamos a entrar num problema mais e mais profundo.

No final, a nossa melhor esperança para diminuir essas condições que se agravam é reduzir rapidamente as emissões globais de carbono a zero ou valores de balanço negativos. Até fazermos isso, vai ser uma escalada em rampa de agravamento dos impactos que vêm pelo tubo abaixo.

Traduzido do original NASA — World Just Had Seven Months Straight of Record-Shattering Global Heat, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 16 de Maio de 2016.

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A ciencia da mudança do climatica na perspectiva do cientista do clima
Paul Beckwith

Prática em Ciência Climática

Este vídeo mostra como se pode ver o globo em tempo real e analisar a interação da temperatura e da Corrente de Jato e do Golfo com o degelo e outros eventos extremos, entendendo a Ciência Climática a partir da perspetiva do cientista.

Isto e muito mais é nos oferecido voluntariamente por Paul Beckwith da Universidade de Ottawa no Canadá, com o intuito de nos trazer as novidades na Mudança Climática de uma maneira fácil de entender para a pessoa comum. Se ainda não viu, é melhor começar pela primeira parte; para seguir a prática desde o início, clique aqui.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 Minutes (2/2).

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

[expand title=”Transcrição:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-cient15t”]

Torna-te num Cientista Climático em 15 Minutos, Parte 2/2

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, Laboratório para Paleoclimatologia. Esta é a segunda parte de… “Torna-te num Cientista Climático em 15 minutos”, então, tive que estender os 15 minutos para 30 minutos. O que estava a mostrar era… isto são as correntes do oceano, e a anomalia da temperatura de superfície do mar. E isto é a data, foi a 3 de Abril, há alguns dias atrás O que podem ver é a Corrente do Golfo a vir em força através do Atlântico Norte e podem ver que há água fria a descer desde o Ártico, isto é através do estreito de Nares a oeste da Gronelândia, também há água fria a descer pelo estreito de Fram, e esta água atravessa o oceano, e aliás temos duas águas a passar: a Corrente do Golfo muito quente, e a água muito fria do Ártico, e elas colidem aqui, e é por isso que obtemos muita estrutura aqui. Se olhar para esta região em particular, a anomalia é de -10.2°C mais frio do que o normal, apenas nessa região, enquanto que mesmo ao lado estão quase cerca de +8°C. Então isto é uma enorme diferença de temperatura. Podem ver esta estrutura aqui, como se houvesse uma batalha entre a água fria do degelo do Ártico, a colidir com a água quente. Podemos ir atrás no tempo e ver como este padrão se desenvolveu, e esta mancha fria está a tornar-se uma característica permanente nos últimos tempos, e é preocupante porque significa que as correntes do oceano no Atlântico inteiro estão a reajustar-se. Mostrei no vídeo anterior como elas estavam a mudar igualmente no Pacífico. Se clicar aqui posso ir para trás para os dados anteriores, então, isto é a 29 de Março e podemos segui-lo à medida que vamos para trás. São cerca de 5 dias de diferença em cada nova imagem; estamos a ir atrás no tempo e o que podemos ver é… como a batalha se está a desenrolar entre as águas frias e quentes. E então, a Corrente do Golfo aqui está muito poderosa… Elas quase que se cortam uma à outra num ângulo de 90 graus, nesta luta de puxões. Vamos um pouco mais para trás… Por favor pesquisem Earthnullschool, e abram esta ferramenta e, assim que saibam como usar a interface… Trouxemos este menu para cima ao clicar em Earth. Seja lá onde for que cliquem no mapa, mostra-vos a latitude e longitude, e mostra a velocidade da corrente do oceano, neste caso, e a direção, e a anomalia da temperatura, dependendo daquilo que se seleciona. Clicamos em Earth para trazer o menu novamente e vamos atrás no tempo um pouco mais aqui, e ver o que acontece. O que se pode ver é a variação à medida que voltamos atrás. Agora estamos no início do ano e vemos uma anomalia da temperatura muito muito quente na Corrente do Golfo, e durante toda a estação do Inverno temos tido esta água a sair do Ártico e a mancha fria aqui, e estão numa batalha as duas. Vamos dar uma olhada e ver… alguns vídeos atrás falei da destruição do recife de coral na Austrália. Temos a Austrália aqui. Agora, o recife de coral, a grande barreira do recife estende-se nesta distância enorme ao longo da linha costeira aqui. Então, vamos fazer zoom nesta região e ver o que se passa com a anomalia da temperatura de superfície do mar. Ok, vamos pô-lo grande, zoom in. Ok, talvez grande demais, vamos tentar isto. OK, então isto é o início do ano. Isto é a 14 de Janeiro, e agora vamos voltar ao presente, em aumentos de 5 dias, e… pode-se ver a anomalia da temperatura de superfície do oceano, o azul é mais frio que o normal, apenas ligeiramente mais frio que o normal, aqui ligeiramente mais quente do que o normal… Não acontece muita coisa aqui. Há alguma água quente aqui… 1.1°C… Se a água ficar demasiado quente ou demasiado fria, então os pólipos, o plâncton simbiótico, o zooplâncton que vive no coral numa relação simbiótica com os pólipos, eles desaparecem se a água estiver demasiado quente ou demasiado fria, e o coral fica branqueado pois eles contém a cor, eles dão ao coral as cores vivas e vibrantes que vemos, e então quando desaparecem, o coral torna-se branco e fica debilitado, e se o zooplâncton voltar, se a temperatura da água voltar a normal e eles voltarem em algumas semanas, então coral pode reavivar-se. Neste momento o coral está em risco de vida uma vez que várias regiões do recife de coral estão lixiviadas. Vamos ver porquê ele fica esbranquiçado. Vamos avançar no tempo aqui, e podemos ver a mudança na temperatura. Olhem para esta água aqui. A água tornou-se muito quente lá pelo final de Janeiro… Continuando… Podemos ver a água quente a atravessar. OK, há alguma água mais fria, alguma mais quente; vou simplesmente andar mais um pouco. Aqui vamos nós… Entre meados e final de Fevereiro tivemos todo este amarelo, com água a 2°C, 2,5°C acima do normal, a descer em vastas áreas do recife, e neste lado aqui, e isto começa realmente a stressar o coral. Vamos continuar a avançar… E então, a água mantém-se quente, desce um bocadinho mas mantém-se quente, e começa a aquecer outra vez, especialmente nas regiões mais a norte, e pode-se ver o que acontece. Isto está em tamanho grande agora, e vemos que a água manteve-se quente durante um período de tempo prolongado. Aqui está, isto são outra vez 2,5°C… isto são tipo um par de graus mais quente que o normal. Logo, o coral está próximo de um limiar a partir do qual vai ficar danificado. E ainda está muito quente, está quente em diferentes zonas, mas esperemos que arrefeça e dê ao coral uma chance de recuperar. Talvez esteja a acontecer, vai ser como atirar uma moeda ao ar. Está estimado que após 50% do coral estar esbranquiçado, ele vai morrer. E o recife de coral é um dos maiores… pontos ecológicos do planeta, de maior importância, é basicamente a floresta tropical do oceano, e estamos a vê-lo a morrer perante os nossos olhos por causa do aquecimento global abrupto. Então, que mais podemos ver… Temos alguma química. Isto é o CO e o CO2 à superfície. No Hemisfério Sul, vamos afastar-nos um bocadinho, e podemos ver como os níveis variam com a latitude. Aqui em baixo estamos com cerca de 400 partes por milhão, numa média global de 406ppm ou assim. Podemos ver áreas aqui que estão com um pouco menos. Vamos subir para outras latitudes. Isto é a subir sobre a Ásia; claro que há fontes de poluição aqui, das cidades mais importantes. Isto é óxido de carbono, que está muito mais alto, e também o dióxido de enxofre que está muito mais alto. E… Continuando cm o CO2… Vou voltar ao Dióxido de Enxofre. Se subirmos até ao Ártico podemos ver que os níveis lá não estão tão altos como sobre partes da Ásia. O SO2 é muito importante porque produzimos muito SO2 a partir de processos industriais, de centrais energéticas e assim. Podemos ver as áreas de industria pesada que produzem muito SO2, pontos quentes sobre os quais podemos fazer zoom e assim. A coisa com o Dióxido de Enxofre é que… quando está na atmosfera, pode refletir a luz solar e causar arrefecimento naquela zona, logo, esta é uma das coisas que, basicamente, causam escurecimento global, e se removêssemos todo o SO2, desligando a indústria de um dia para o outro removíamos o SO2, aqueceríamos… é discutível o quanto aqueceríamos; talvez meio grau, talvez um grau, só por esse meio. Então, estamos a fechar centrais energéticas que são à base de carvão, e também precisamos de fazer o mesmo para o petróleo, precisamos de ir em direção a fontes renováveis, mas vamos obter algum aquecimento por estarmos a remover o cobertor de SO2, estamos a limpar o ar e vai haver aquecimento resultante disso, e não o podemos evitar, mas não temos escolha. Temos que fazer isto. Há também informação sobre particulados aqui. Podemos ver o que está a acontecer. Isto é a Extinção de Pó, são unidades de… quando há muito pó no ar, isso vai bloquear a luz e o aumento na quantidade de bloqueio está representado nestas cores.Recolher Transcrição[/expand]

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James Hansen

James Hansen: Derretimento do Gelo, Aumento do Nível do Mar e Supertempestades

Vídeo legendado de James Hansen resumindo o seu estudo mais recente sobre o degelo, a subida do nível do mar e super-tempestades no Atlântico.

Conteúdo traduzido do original Ice Melt, Sea Level Rise and Superstorms Video Abstract.

[expand title=”Transcrição:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-hansenestudo”]

James Hansen: Derretimento do Gelo, Aumento do Nível do Mar e Supertempestades

Olá! Sou Jim Hansen, diretor do Programa de Consciencialização para a Ciência Climática e Soluções pelo Instituto da Terra da Universidade de Columbia. Quero discutir algumas implicações do artigo Derretimento do Gelo, Elevação do Nível do Mar & Supertempestades que foi publicado no Atmospheric Chemistry and Physics um artigo no qual tenho 18 excepcionais co-autores americanos e internacionais. Descobrimos informações num entendimento parcial dos feedbacks no sistema climático, especificamente interações entre o oceano e os mantos de gelo. Estes feedbacks levantaram questões sobre daqui a quanto tempo vamos passar pontos de não retorno nos quais trancamos consequências que não podem ser revertidas em nenhuma escala de tempo que as pessoas se preocupem. As consequências incluem aumento do nível do mar em vários metros o qual estimamos que possa ocorrer este século, ou, o mais tardar, no próximo século, se as emissões de combustíveis fósseis continuarem a um nível elevado. Isso significaria a perda de todas as cidades costeiras, a maioria das grandes cidades do mundo e toda a sua história. Uma ameaça mais imediata é a probabilidade de paralisação das circulações de reversão dos oceanos no Atlântico Norte e Oceanos do Sul. É aí que as supertempestades entram. Deixe-me explicar. Nós usamos modelagem climática, dados do paleoclima – que é a antiga história do clima – e observações modernas do oceano e das camadas de gelo para estudar os efeitos do derretimento do gelo nas camadas de gelo na Groenlândia e da Antártida. Toneladas de gelo que se estendem desde a Antártida ao Oceano Antártico. A Gronelândia e a Antártida estão a começar a derreter devido ao aquecimento global. Até agora, é apenas uma pequena fração minúscula das camadas de gelo que derreteu. Contudo, esta água fresca do derretimento que corre para o Atlântico Norte e para o Oceano Antártico, já está a ter efeitos importantes. Concluímos que a água fresca e leve adicionada às camadas superiores do oceano já está a começar a desligar a formação de águas profundas no Atlântico Norte e a formação de águas de fundo na Antártida. Isto terá consequências enormes em décadas futuras se se permitir que ocorra uma paralisação completa. O IPCC das Nações Unidas, o Painel Intergovernamental para a Mudança do Clima, não relata esses efeitos, por duas razões: Em primeiro lugar, a maioria dos modelos utilizados pelo IPCC simplesmente excluem o derretimento do gelo. Em segundo lugar, concluímos que a maioria dos modelos, incluindo o nosso, são menos sensíveis do que o mundo real à água fresca adicionada. Porque a maioria dos modelos têm mistura oceânica de pequena escala excessiva, o que reduz o efeito. A manifestação à superfície do abrandamento das circulações profundas é o arrefecimento no Atlântico Norte a sudeste da Gronelândia e no Oceano Antártico. Estes arrefecimentos são proeminentes no nosso modelo até meados do século 21. Contudo, por múltiplas razões, concluímos que o mundo real responde mais rápido a água fresca do que os modelos o fazem. Primeiro, vamos observar que o arrefecimento do Atlântico Norte se a circulação de reversão se desligar por completo, vai ter grandes efeitos. Os trópicos continuam a aquecer com o aumento de CO2. Se a água fresca da Gronelândia desligar a formação de águas profundas e esfriar o Atlântico Norte em vários graus, o aumento do gradiente horizontal de temperatura irá conduzir super-tempestades, mais fortes do que qualquer uma nos tempos modernos. O inferno vai cair no Atlântico Norte e terras vizinhas. Tal situação ocorreu no último período interglacial 118 mil anos atrás. Os trópicos estavam cerca de um grau mais quentes do que hoje, porque o eixo de rotação da Terra estava inclinado menos do que hoje. Dados oceânicos dos núcleos de gelo mostram que a formação de águas profundas se desligou, o Atlântico Norte esfriou, e há evidência de super-tempestades poderosas durante esse tempo. Poderosas o suficiente para ondas gigantes lançarem mega pedregulhos de mil toneladas para a costa nas Bahamas. Alguns cientistas acreditam que essas pedras podem ter sido arremessadas por um tsunami mas apresentamos várias linhas de evidência de que as pedras e outras características geológicas são melhor explicadas como o resultado de supertempestades. Um ponto importante é que se nós deixarmos que o derretimento do gelo da Gronelândia se torne grande o suficiente para desligar completamente o AMOC, a circulação de revolvimento do Atlântico, será permanente, tanto quanto ao público diz respeito. Leva vários séculos para o AMOC se mover novamente. Contudo, as super-tempestades não serão a consequência mais importante do aquecimento global, se continuar a crescer. O efeito mais importante será a subida do nível do mar. Também aqui, a análise mais completa deve ter em conta os dados do paleoclima, que mostra que os mantos de gelo, quando se desintegram, podem ir rapidamente, de forma não linear, produzindo uma elevação do nível do mar de vários metros num século. Mesmo quando o forçamento natural do clima é mais fraco do que o forçamento humano. Mostramos a partir de dados paleoclimáticos que a maioria dos modelos são mais letárgicos que o mundo real, nos quais há conhecimento de que o nível do mar aumentou rapidamente muitas vezes. Assim, ao invés de usar um modelo de camadas de gelo, simplesmente assumimos que quando o aquecimento ocorre accionado por um forçamento climático crescente, a taxa de fusão do gelo vai crescer de forma não linear. Testamos várias taxas alternativas de crescimento. O que encontramos são feedbacks amplificadores, justamente o que é necessário para alimentar o aumento não-linear do derretimento do gelo. A água do derretimento na Gronelândia reduz a densidade da água de superfície. Consequentemente, reduz o afundamento de água para o oceano profundo. À medida que a água do derretimento aumenta, ela desliga o transportador oceânico, como Wally Broecker lhe chama. Mais importante para o nível do mar é o que está a acontecer ao redor da Antártida. O afundar da água fria salgada pesada perto da costa da Antártida normalmente forma a água de fundo da Antártida, portanto, trazendo também água relativamente quente à superfície onde liberta calor para a atmosfera no espaço. Agora, à medida que a água fresca derretida do gelo das camadas de gelo da Antártida aumenta, ela tende a colocar uma tampa fria de baixa densidade sobre o Oceano Antártico. Isso reduz a troca com a superfície de modo que o calor permanece no oceano, aumentando a temperatura da água do mar à profundidade das plataformas de gelo um feedback amplificador. Na perspectiva global, as lentes de água doce fria ao redor da Antártida aumentam desequilíbrio energético do planeta. A energia adicional vai para o oceano, onde está disponível para derreter as plataformas de gelo. Estes feedbacks apoiam a nossa conclusão de que o degelo em resposta ao forte forçamento será não-linear. Estes feedbacks com a água do degelo a conduzir o aquecimento abaixo da superfície também nos ajudam a entender e ganhar uma imagem consistente das rápidas oscilações climáticas não-lineares no registo paleoclimático. Os dados do paleoclima deixam claro que quando as camadas de gelo derretem, elas podem ir rápido. Contudo, não sabemos o tempo característico para a resposta não linear da camada de gelo aos forçamentos climáticos crescentes. Eventualmente, modelos das camadas de gelo poderão dar-nos uma resposta, mas, por agora, o nosso melhor guia são observações. Infelizmente, os registros da crescente perda de massa anual pelas camadas de gelo são curtos. Os dados da Groenlândia podem caber tanto em tempos de duplicação de 10 anos como 20 anos, mas a Gronelândia já está a perder várias centenas de quilómetros cúbicos de gelo por ano. Feedbacks para a Gronelândia, com o seu derretimento de superfície, são diferentes dos da Antártida, mas existem vários feedbacks amplificadores. A resposta da Gronelândia para o aquecimento global será não-linear, mas provavelmente com um tempo de duplicação característico diferente. A perda de massa na Antártida é menor. A maioria do derretimento, até agora, é nas plataformas de gelo, As quais não aparecem na variação da massa em medições da gravidade por satélite. Contudo, à medida que as plataformas de gelo desaparecem, a descarga do gelo não flutuante vai acelerar. Se a perda de massa da camada de gelo tem um tempo de duplicação de dez anos, o aumento do nível do mar numa escala de metro seria alcançado em cerca de 50 anos, e o aumento do nível do mar em vários metros uma década mais tarde. Vinte anos de tempo de duplicação exigiria cerca de uma centena de anos. Os registos de dados são muito curtos, mas se esperarmos até que o mundo real se revele de forma clara, poderá ser tarde demais para evitar o aumento do nível do mar de vários metros e a perda de todas as cidades costeiras. Duvido que tenhamos passado um ponto de não retorno, mas, francamente, não temos certeza disso. Há um situação análoga, mas eu acredito mais iminente com a paralisação das circulações oceânicas de revolvimento. As regiões frias do sudeste da Gronelândia e em torno da Antártida são sinais do início do desligar da AMOC no Atlântico Norte e do SMOC no Oceano Antártico. Sabemos que os efeitos do degelo parecem estar a ocorrer uma ou duas décadas mais cedo no mundo real do que no nosso modelo. Por que é que os modelos são menos sensíveis às quantidades de hoje de água derretida nos oceanos? Nós apresentamos evidência de excessiva mistura do oceano de pequena escala em muitos modelos, incluindo no nosso. Um diagnóstico chave é o tempo de resposta do clima. Em 100 anos, o nosso modelo atinge apenas 60% da sua resposta de equilíbrio. Fui verificar outros três modelos climáticos principais, dois americanos e um britânico, encontrando uma resposta lenta similar. Contudo, temos mostrado que o grande desequilíbrio energético da Terra requer a resposta do clima de 100 anos para ficar em cerca de 75%, se a sensibilidade climática de equilíbrio for cerca de 3 graus Celsius como sugerem os dados paleoclimáticos. A explicação para o porquê da resposta de superfície ser tão lenta no modelo é que o oceano no modelo mistura o calor demasiado rapidamente para o oceano profundo. Esta mesma mistura excessiva faz com que os modelos sejam menos sensíveis aos membros de água doce na superfície do oceano, que também tendem a misturar rápido demais. Há outros dados além do desequilíbrio energético da Terra que apoiam esta interpretação, incluindo a sensibilidade do paleoclima ao forçamento da água fresca. Contudo, há um artigo recente que é especialmente importante, por Winton e co-autores em 2014, que mostrou que um modelo com uma resolução espacial de um décimo de grau, sensível o suficiente para resolver os movimentos do oceano em pequena escala e evitar a mistura parametrizada, produz uma resposta da temperatura de superfície cerca de um quarto maior após cinquenta a cem anos, o que é consistente com a nossa interpretação. Seria valioso se todos os modelos relatassem a sua função de resposta do clima de superfície bem como a sua sensibilidade ao equilíbrio climático, e examinassem a sensibilidade do modelo a uma taxa padrão rapidamente crescente de ejeção de água do degelo. A relevância é que eu acredito que já estamos a testemunhar o início deste arrefecimento no sudeste da Gronelândia e do arrefecimento ao redor da Antártida, em resposta à água fresca do derretimento do gelo. Nesse caso, o arrefecimento observado no sudeste da Gronelândia e o aquecimento adicional ao longo da costa leste dos Estados Unidos não são flutuações naturais. Quando o AMOC desacelera, causa ambos. Esta interpretação implica que a a água de derretimento da Gronelândia já está a ter efeitos significativos. A água quente ao longo da costa leste é a razão de o Sandy ter mantido ventos com força de furacão durante todo o caminho até à área de Nova Yorque. O Atlântico, nas proximidades, estava cerca de 3 graus Celsius mais quente do que o normal. Esta água do oceano invulgarmente quente também tem sido capaz de fornecer a humidade para as tempestades de neve recordes recentes. Estes são pequenos efeitos, em comparação com o que acontece se o AMOC se desliga completamente. Então a pergunta novamente: passámos um ponto de não retorno? É certo que o derreter do gelo aumente de modo que o desligamento do AMOC seja uma conclusão passada? Eu duvido, mas é concebível dependendo de quão rápido podemos abrandar o forçamento climático provocado pelo homem. Acho que a conclusão é clara. Estamos numa posição de potencialmente causar danos irreparáveis ​​aos nossos filhos, netos e gerações futuras. Esta é uma situação trágica, por ser desnecessária. Já podíamos ter suprimido gradualmente as emissões de combustíveis fósseis se apenas parássemos de permitir à indústria de combustíveis fósseis usar a atmosfera como uma lixeira livre para os seus resíduos. Se recolhêssemos uma taxa das empresas de combustíveis fósseis que aumentasse gradualmente, poderíamos passar progressivamente para a fase das energias limpas. Se bem feito, estimularia a economia e criaria empregos. Mas isso é uma história para outro dia, mas eu quero fazer um ponto final. Esta é uma história complexa, mas uma com implicações práticas importantes. Descubro que o público às vezes interpreta mal as nossas discussões da ciência, o como a pesquisa é feita. Ceticismo é a força vital da Ciência. Você pode ter certeza que muitos cientistas, na verdade a maioria dos cientistas, vai encontrar alguns aspectos no nosso longo estudo que iriam interpretar de forma diferente. Isso é perfeitamente normal. Leva tempo para que as conclusões sejam acordadas e os detalhes resolvidos. Então, depois de ter falado com um cientista sobre este tópico, pergunte-lhe a ele, ou a ela, uma pergunta final: “Você concorda que chegámos a uma situação perigosa?” “Você acha que podemos estar a aproximar-nos de um ponto de não retorno, uma situação em que nossos filhos herdarão um sistema climático passando por mudanças que estão fora do seu controlo, mudanças que irão causar-lhes danos irreparáveis? Essa é a linha de fundo. Muito obrigado pela atenção. O mais recente estudo do Dr. James E. Hansen, Derretimento do Gelo, Aumento do Nível do Mar e Supertempestades.Recolher Transcrição[/expand]

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James Hansen, Peter Sinclair

Painel All Star da Ciência Climática Deixa Cair uma Bomba de Estudo

O artigo bombástico cuja pré-publicação James Hansen lançou no verão passado passou agora a revisão para publicação, na revista Journal Atmospheric Chemistry and Physics. (grátis on-line)

O artigo é significante para os leitores deste blog porque, há um ano atrás, eu produzi um vídeo descrevendo observações no Atlântico Norte que são consistentes com uma das principais premissas do artigo, um abrandamento da Circulação de Revolvimento do Atlântico [também conhecida por circulação termoalina do Atlântico ou AMOC – Atlantic Meridional Overturning Circulation, em inglês] – com os cientistas Stefan Rahmstorf, Michael Mann, e Jason Box. Publiquei esse vídeo no fundo desta publicação.
O Dr. Mann é citado no Washingon Post, (abaixo) expressando algumas reservas quanto ao novo estudo, logo, há lá um espaço para acompanhamento.

Acima, na minha entrevista de dezembro, Hansen deu-nos uma rápida amostra. Em baixo, o seu novo vídeo [Legendado em Português] representa uma descrição mais detalhada e ilustrada.

PBS Nova:

Os oceanos do mundo poderiam subir catastroficamente tão cedo quanto em 50 anos a partir de agora, de acordo com um novo estudo publicado esta manhã em Atmospheric Chemistry and Physics.

Os pesquisadores por trás do papel – o Dr. James Hansen e 18 co-autores – olharam para o passado de há 120.000 anos atrás, a última vez que a Terra aqueceu aproximadamente na mesma medida que o aquecimento presente. (As temperaturas globais estão agora 1˚C, ou 1.8˚F, acima dos níveis pré-industriais.) Naquela época, o aquecimento natural libertou quase toda a água que estava trancada em camadas de gelo polares, aumentando os níveis do mar rapidamente em 20 a 30 pés.

Washington Post:

Um grupo de cientistas influente liderado por James Hansen, o ex-cientista da NASA muitas vezes creditado por ter chamado a primeira grande atenção para as alterações climáticas em 1988 num depoimento ao Congresso, publicou um estudo climático calamitoso que sugere que o impacto do aquecimento global será mais rápido e mais catastrófico do que geralmente previsto.

A pesquisa invoca colapso das camadas de gelo, mega-tempestades violentas e até mesmo o arremesso de pedregulhos por ondas gigantes, na sua procura por sugerir que até mesmo 2 graus Celsius de aquecimento global acima dos níveis pré-industriais seria demais. Hansen chamou-lhe o trabalho mais importante que ele alguma vez fez.

O artigo abrangente, com 52 páginas de comprimento e 19 autores, baseia-se em evidências da mudança climática antiga ou “paleo-climatologia,” assim como em experiências climáticas usando modelos de computador e algumas observações modernas. Chamar-lhe de “estudo” realmente não está bem correto. É, na verdade, uma síntese de uma ampla gama de evidências antigas e novas.

“Acho que quase toda a gente que está realmente familiarizada com ambas [evidências] paleo e modernas está agora muito preocupada por estarmos a aproximar-nos, se já não ultrapassámos, dos pontos em que teremos trancado mudanças realmente grandes para os jovens e as gerações futuras”, disse Hansen numa entrevista.

A pesquisa, aparecendo na terça-feira na revista de acesso aberto Atmospheric Chemistry and Physics, teve um caminho longo e controverso, tendo aparecido pela primeira vez como um “documento de discussão” na mesma revista, sujeito a revisão por pares on-line e ao vivo – uma nova mas cada vez mais influente forma de publicação científica. Hansen falou pela primeira vez à imprensa sobre a pesquisa no verão passado, antes deste processo estar concluído, levando a críticas por parte de alguns jornalistas e também de colegas cientistas de que ele poderia estar a saltar antes do tempo.

O que se seguiu foi um debate de alto nível, tanto por causa das reivindicações dramáticas como da formidável reputação de Hansen. E os seus numerosos co-autores, incluindo especialistas de gelo da Gronelândia e da Antártida e um líder do Painel Intergovernamental das Nações Unidas para a Mudança do Clima, não eram nada a desprezar.

Após downloads recordes do estudo e um intenso processo de revisão pública, uma versão revista do artigo foi agora aceite, de acordo com Hansen e Barbara Ferreira, gerente de mídia e comunicações para a União Geofísica Europeia [European Geophysical Union], a qual publica a Atmospheric Chemistry and Physics. De facto, o artigo está agora livremente disponível para leitura no site da Atmospheric Chemistry and Physics.

O artigo, de acordo com Ferreira, foi sujeito a “grandes revisões em termos de organização, título e conclusões.” Aquelas vieram em resposta a críticas que podem ser lidas publicamente no site da revista. O artigo também tem agora dois autores adicionais.

Mais notavelmente, talvez, o processo editorial levou à remoção do uso da frase “altamente perigoso”, no título do trabalho, para descrever o aquecimento do planeta em 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

O título do artigo original era “Derretimento do gelo, elevação do nível do mar e supertempestades: evidência a partir de dados paleoclimáticos, modelagem climática, e observações modernas de que um aquecimento global de 2 °C é altamente perigoso.” O último título é “derreter o gelo, mar elevação do nível e supertempestades: evidência a partir de dados paleoclimáticos, modelagem climática, e as observações modernas que 2 ° C o aquecimento global poderia ser perigoso.”

Mas, mesmo assim, o cenário de catástrofe climática de James Hansen toma agora o seu lugar na literatura científica oficial, relativamente intacto. Logo, vamos ensaiar esse cenário, mais uma vez, para o registo.

Hansen e os seus colegas pensam que o derretimento de grande parte da Gronelândia e da Antártida pode não só acontecer bastante rápido – levando a tanto quanto vários metros de elevação do nível do mar no espaço de um século, dependendo da rapidez com que as taxas de derretimento duplicam -, como este derretimento irá ter consequências de mudanças climáticas dramáticas, além de simplesmente elevação dos níveis do mar.

Isso porque, postulam eles, a fusão irá causar uma “estratificação” dos oceanos polares. O que isto significa é que ela irá encurralar uma bolha de água doce fria do degelo no topo da superfície do oceano, com uma camada do oceano mais quente por baixo. Temos, realmente, visto uma possível pista para isto com a bolha anomalamente fria de água do oceano ao largo da costa sul da Gronelândia, a qual alguns atribuem ao derretimento da Gronelândia.

De fato, pouco antes da publicação do novo estudo, a National Oceanic and Atmospheric Administration [NOAA] lançou novos dados recentes sobre a temperatura do globo que, certamente, tem uma semelhança com aquilo de que Hansen está a falar. Pois não só esteve o globo com um calor recorde global durante os últimos três meses, como também mostrou manchas frias anómalas em regiões, as quais Hansen suspeita estarem a ser causadas ​​pelo derreter do gelo – abaixo da Gronelândia, e também ao largo da ponta da península Antártica.

Manchas de água doce fria ​pelo derreter do gelo abaixo da Gronelândia

Estratificação, a ideia-chave no novo estudo, significa que a água quente do mar chegaria potencialmente à base das camadas de gelo que assentam abaixo do nível do mar, derretendo-as a partir de baixo (e causando mais derretimento de gelo e, portanto, estratificação). Significa também, no artigo de Hansen, um abrandamento ou mesmo uma eventual paralisação da circulação de reversão no oceano Atlântico, devido a muito refrescar no Atlântico Norte ao largo e em torno da Gronelândia, e também a um enfraquecimento da outra circulação de reversão no Oceano Antártico.

Isto, por sua vez, causa arrefecimento na região do Atlântico Norte, para além de o aquecimento global criar uma região equatorial mais quente. Esse crescente diferencial de temperatura norte-sul, no estudo, impulsiona ciclones de latitude média, ou tempestades, mais intensos. O estudo sugere que tais tempestades podem disparar ondas oceânicas gigantescas, as quais podem até ser capazes de feitos como atirar pedregulhos em alguns locais, não muito diferente das rochas enormes vistas na ilha das Bahamas de Eleuthera, a qual visitei com Hansen e o seu co-autor, o geólogo Paul Hearty, em novembro.

Estas rochas desempenham um papel fundamental no novo estudo, tal como desempenharam no rascunho original do estudo. De facto, muito antes do artigo atual, Hearty havia documentado, em publicações revisadas por pares, que as rochas de Eleuthera parecem ter vindo do oceano e terem sido erguidas para cima de um cume costeiro. Isso parece ter acontecido durante um período de aquecimento passado, o Eemiano, cerca de 120.000 anos atrás, quando o planeta era apenas ligeiramente mais quente do que hoje, mas os mares eram muito mais elevados – mas a ideia é que algo assim poderia acontecer novamente.

Depósito de pedras em Eleuthera poderá estar relacionado com ondas oceânicas gigantescas

GREGORY TOWN, BAHAMAS – 21 DE NOVEMBRO: Os pedregulhos gigantes de Eleuthera que provocaram um grande debate entre os cientistas quanto à sua origem, tirado a 21 de Novembro de 2015, em Eleuthera, Bahamas. À esquerda está ‘The Bull’ (2000 toneladas) e à direita está ‘The Cow “(1000 toneladas). Medindo mais de 20 pés de altura, a teoria partilhada por Paul Hearty, um geólogo costeiro na Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, é que as pedras enormes foram catapultadas para terra por uma série de tempestades intensas. Elas agora assentam delicadamente empoleiradas no cume costeiro em Eleuthera do Norte. (Fotos por Charles Ommanney / The Washington Post)

O artigo contém muitas ideias e pontos de partida, mas o ponto chave é a sua sugestão da possibilidade de uma maior elevação do nível do mar neste século do que o previsto pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.

“Os modelos que foram executados para o relatório do IPCC não incluíram o derretimento do gelo”, disse Hansen numa conferência de imprensa sobre o novo estudo, na segunda-feira. “E nós também concluímos que a maioria dos modelos, incluindo os nossos, têm uma mistura excessiva de pequena escala, e isso tende a limitar o efeito desta lente de água doce à superfície do oceano sobre degelo da Groenlândia e da Antártida.”

Michael Mann, um cientista climático da universidade Penn State familiarizado com o estudo original, comentou: “Tanto quanto posso dizer, as questões que me causaram preocupação originalmente ainda permanecem no manuscrito revisto. Nomeadamente, as quantidades projetadas de água do degelo parecem fisicamente grandes demais, e o componente oceânico do seu modelo não resolve sistemas atuais chave derivados do vento (por exemplo, a Corrente do Golfo) que ajuda a transportar calor em direção aos pólos. Isso torna as temperaturas do hemisfério norte no seu estudo muito sensíveis a mudanças na circulação de reversão meridional Atlântica”, o nome científico para a circulação oceânica no Atlântico que, o estudo sugere, pode parar.

New York Times:

O estudo identifica um mecanismo específico o qual os cientistas dizem que acreditam que poderia ajudar a causar uma mudança climática abrupta.

A sua ideia é que a fusão inicial das grandes camadas de gelo vai colocar uma tampa de água relativamente doce nas superfícies do oceano perto da Antártida e da Gronelândia. Isso, eles pensam, irá abrandar ou até mesmo desligar o sistema de correntes oceânicas que redistribui o calor em torno do planeta e permite que uma parte dele escape para o espaço.

O calor irá, então, acumular-se nas partes mais profundas do oceano, os cientistas pensam, acelerando o derretimento das partes das camadas de gelo que ficam abaixo do nível do mar. Além disso, uma diferença de temperatura mais ampla entre os trópicos e os pólos irá incentivar poderosas tempestades. O artigo cita evidências, em grande parte contestada, de que imensas tempestades aconteceram durante o período quente de há 120.000 anos atrás.

A ideia de uma paralisação na circulação dos oceanos devido ao aquecimento global foi considerada há mais do que uma década atrás, e foi rejeitada pela maioria dos cientistas como improvável. Isso não impediu uma versão distorcida da ideia de se tornar a premissa do filme catastrófico “O Dia Depois de Amanhã”, lançado em 2004.

O novo estudo pode reabrir esse debate, forçando os cientistas a reexaminarem a ideia com os modelos climáticos de computador mais sofisticados que estão disponíveis hoje.

Mesmo os cientistas cautelosos com as conclusões do novo estudo relembram que o Dr. Hansen tem uma longa história de estar à frente da curva na ciência do clima. Como o Dr. Mann disse, “Acho que nós ignoramos o James Hansen na nossa conta e risco.”

Nota: a parte do NYTimes fala da paralisação da AMOC como sendo improvável, mas não menciona o estudo de Stefan Rahmstorf de há um ano atrás, com Mann e Box.

Traduzido do original All Star Science Panel Drops Bombshell Climate Paper de Peter Sinclair, publicado no blogue Climate Denial Crock of the Week, a 22 de Março de 2016.

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A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade
Sam Carana

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

Sugerimos a leitura de “Papel do Metano no Aquecimento do Ártico” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Oceano Ártico é o mais fortemente atingido pelo aquecimento global

Nos últimos 12 meses, o aquecimento global fez-se sentir mais fortemente sobre o Oceano Ártico, como a imagem acima ilustra. Na maior parte do Oceano Ártico, as temperaturas de superfície estavam acima do topo da escala, ou seja, mais de 2,5°C mais elevada do que em 1981-2010.

Em Janeiro de 2016, a temperatura do ar perto do nível do mar (a 925 hPa) estavam mais do que 6°C ou 13°F acima da média na maior parte do Oceano Ártico, como o NSIDC.org anunciou recentemente. Para além disso, as temperaturas médias diárias em muitas partes do Oceano Ártico muitas vezes ultrapassaram o topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F maiores do que em 1979-2000, como ilustrado pela previsão do Reanalisador Climático abaixo.

Temperaturas anormais no Oceano Ártico em Fevereiro

E então, como podem as anomalias de temperatura no oceano ártico nesta época do ano serem muito maiores do que em qualquer outro lugar na Terra?

Um fator são os feedbacks tais como alterações na corrente de jato e o declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico, que faz com que cada vez mais luz solar seja absorvida pela água do Oceano Ártico, que por sua vez causa um declínio ainda maior, como discutido em muitos posts anteriores.

Alterações na corrente de jato

Neste momento, contudo, o aquecimento ao longo do Oceano Ártico é muito pronunciado numa altura do ano em que há uma diferença de temperatura mais ampla entre o Ártico e o Equador, quando há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Ártico. Assim, as mudanças no albedo são menos relevantes, enquanto que as alterações na corrente de jato seriam esperadas como sendo menos proeminentes agora. Todavia, uma corrente de jato fortemente deformada pode empurrar muito ar quente até lá acima ao Polo Norte, enquanto empurra muito ar frio do Ártico para a América do Norte, como ilustrado na previsão à direita.

Vejamos mais alguns fatores que estão a ter uma influência.

Níveis elevados de gases de efeito estufa sobre o Ártico

A questão era, por que está o aquecimento a atingir o Oceano Ártico tão fortemente nesta época do ano? Os níveis de gases de efeito estufa são mais elevados sobre o Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. Os gases de efeito estufa prendem o calor que seria, de outro modo, irradiadado para o espaço, e este efeito de estufa está a ocorrer durante todo o ano.

Níveis de CO2 em Fevereiro atingiram 405.83 ppm

Níveis de CO2 a 4 de Fevereiro de 2016. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 

Vamos olhar mais de perto para os níveis de dióxido de carbono (CO2). A 4 de Fevereiro de 2016, o nível de CO2 em Mauna Loa, no Havaí, foi 405,83 ppm, como ilustrado pela imagem à direita.

A imagem abaixo mostra que a média global do nível de CO2 a 6 de Fevereiro de 2016, foi de 407 ppm a uma altitude próxima do nível do mar (972 mb). A imagem também mostra níveis de CO2 mais elevados em latitudes mais elevadas a Norte, com níveis de mais de 410 ppm sobre a maioria do Hemisfério Norte.

Média níveis globais de CO2

Níveis de CO2 sobre o Ártico em Fevereiro 2016

Os níveis de dióxido de carbono a 8 de Fevereiro de 2016 foram tão elevadas quanto 416 ppm num local sobre o mar de Kara (marcado pelo círculo verde na parte superior da imagem à direita).

Todavia, os níveis de dióxido de carbono sobre o Oceano Ártico não estão muito mais elevados do que noutros lugares, ou seja, não é suficiente para explicar essas enormes anomalias de temperatura.

O metano, outro gás de efeito estufa, também está presente ao longo do Oceano Ártico em níveis que são mais elevados do que no resto do mundo, como ilustrado na imagem abaixo, mostrando níveis de metano acima de 1900 ppb na maior parte do Oceano Ártico a 4 de Fevereiro de 2016.

Níveis de metano no Ártico

No caso do metano, a situação é diferente daquela para o dióxido de carbono:

  • os níveis no Pólo Norte são mais do que 10% mais elevados do que no Polo Sul, uma diferença muito maior do que para o dióxido de carbono.
  • o metano está a atingir os seus níveis mais elevados sobre o Oceano Ártico a partir de Outubro em diante até bem dentro do ano seguinte.
  • o metano persiste por mais tempo sobre o Ártico, devido aos baixos níveis de hidroxila que lá existem.
  • os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são elevados, já que cada vez maiores quantidades de metano estão a sair do fundo do mar no Oceano Ártico, fazendo com que este metano seja forçosamente altamente concentrado sobre o Ártico, especialmente logo após a sua libertação.

Em conclusão, parece que o metano está a desempenhar um papel cada vez maior no aquecimento do Ártico, especialmente tendo em conta a sua grande potência a curto prazo como gás de efeito estufa.

Emissões equivalentes ao CO2 noutrs gases de efeito de estufa

AMOC está a levar cada vez mais calor para o Oceano Ártico

Para além do metano, há uma outra grande razão pela qual as anomalias de temperatura são tão elevadas sobre o Oceano Ártico nesta época do ano. Enormes quantidades de calor estão a subir da água para a atmosfera sobre o Oceano Ártico, aquecendo o ar sobre a água. Quanto mais quente o mar, menos gelo se formará. Quanto mais fraco o gelo, mais rachaduras e locais onde o calor é transferido para a atmosfera.

A água do Oceano Ártico está a ficar mais quente, em comparação com anos anteriores, enquanto a Corrente do Golfo aquece. Ao referir toda a extensão do Golfo do México ao Oceano Ártico, esta corrente é muitas vezes referida como a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico Norte (AMOC na sigla em inglês). A direção do fluxo da AMOC é determinada por duas forças, que são, o fluxo de água quente do equador para norte, e o fluxo para leste devido à força de Coriolis. O resultado é água quente salgada transportada pela AMOC nas camadas superiores do Atlântico em direção a nordeste, para o Oceano Ártico. Eventualmente, a água afunda e flui de volta como água mais fria pelas profundezas do Atlântico. Como a imagem da NOAA em baixo mostra, a quantidade de calor que tem sido carregado pela AMOC em direção ao Oceano Árctico tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

Transporte de carlor pela AMOC no Atlantico

As temperaturas globais do oceano estão a aumentar, como discutido em publicações como Calor do Oceano e Subida da Temperatura. Como resultado, mais calor está agora a ser levado em direção ao Oceano Ártico. A Corrente do Golfo ao largo da costa da América do Norte está a aquecer fortemente e está a empurrar mais calor em direção ao Oceano Ártico, em comparação com anos anteriores. O resultado é ilustrado pela imagem abaixo, mostrando enormes anomalias da temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico perto de Svalbard, apesar da tampa fria no Atlântico Norte, indicando que o calor continua a viajar por baixo da tampa de água doce fria até ao Oceano Ártico.

Anomalias das Temperaturas no Ártico

Tais anomalias da temperatura de superfície do mar elevadas não são incomuns no Oceano Ártico nos dias de hoje. A imagem abaixo mostra que, a 24 de Janeiro de 2016, a temperatura de superfície do mar foi de 12,3°C ou 54,2°F num local perto de Svalbard, marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C ou 18.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar no Ártico - Jan 2016

Água agora muito mais quente ao largo da costa da América do Norte

A água ao largo da costa leste da América do Norte está muito mais quente do que costumava estar devido a emissões que se estendem desde a América do Norte sobre o Oceano Atlântico devido à força de Coriolis. A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra níveis de dióxido de carbono tão elevados quanto 511 ppm sobre New York a 5 de Novembro de 2015, e tão elevados quanto 500 ppm sobre a água ao largo da costa de New Jersey a 2 de Novembro de 2015.

Niveis de CO2 na América do Norte e Atlantico

A imagem abaixo mostra níveis de monóxido de carbono. O monóxido de carbono esgota a hidroxila, tornando mais difícil para o metano ser oxidado. Assim, novamente, o metano parece ser um fator importante.

Níveis de monóxido de carbono

Essas emissões aquecem a Corrente do Golfo e fazem com que água cada vez mais quente seja levada por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico.

Tampa de água doce fria no Atlântico Norte

Finalmente, a tampa de água doce fria no Atlântico Norte faz com que uma menor transferência de calor ocorra do oceano para a atmosfera. Esta tampa de água doce fria faz com que mais calor esteja a fluir em direção ao Oceano Ártico, logo abaixo da superfície do mar do Atlântico Norte.

velocidade do gelo do mar e deriva

Esta tampa de água doce fria está a espalhar-se sobre o Atlântico Norte por uma série de razões:

    • mais derretimento dos glaciares na Gronelândia, em Svalbard e no norte do Canadá;
    • mais gelo do mar à deriva no Oceano Atlântico devido aos ventos fortes. Tempestades movem-se para cima no Atlântico de uma forma circular, acelerando a deriva do gelo do mar ao longo das bordas da Gronelândia, como ilustra este vídeo e imagem da Naval Research Lab à direita;
    • uma maior evaporação ao largo da costa leste da América do Norte, com a humidade a ser transportada por ventos mais fortes para o nordeste, resultando em mais precipitação sobre a água e, portanto, mais água doce a ser acrescentada ao Atlântico Norte, como ilustrado na imagem abaixo.

    Tampa de água doceno Atlanticodp degelo e precipitação

    Como a imagem acima também ilustra, esta tampa de água doce fria no Atlântico Norte também poderia resultar em mais calor a ser levado para o Oceano Ártico, devido à transferência de calor reduzida para a atmosfera a partir de água no seu caminho para o Oceano Ártico.

    temperaturas no ártico, ampa de água doce e precipitação no atlantico

    A imagem acima ilustra como as temperaturas mais elevadas ao longo do Ártico (painel superior) podem ir de mãos dadas com a tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte (segundo painel), com elevadas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte (terceiro painel) e com maior precipitação sobre esta tampa de água doce fria (painel inferior).

    A imagem abaixo indica que a tampa de água doce fria no Atlântico Norte também anda de mãos dadas com a queda dos níveis de salinidade.

    A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade

    A precipitação sobre o Atlântico Norte está a aumentar, devido aos ventos fortes e tempestades ali, como discutido em publicações anteriores como esta e como ilustrado pelas imagens abaixo. Ventos mais fortes, tempestades com elevados níveis de precipitação e ondas mais altas podem todos contribuir para que a tampa de água doce fria se espalhe ainda mais por todo o Atlântico Norte.

    Ondas de17 metros ao largo das ilhas britânicas

    A imagem acima mostra que ondas tão altas quanto 17,81m ou 58,4 pés foram registadas no Atlântico Norte a 1 de Fevereiro de 2016, e tão elevadas quanto 17,31m ou 56,8 pés a 08 de Fevereiro de 2016.

    Ondas de 17 metros ao largo das ilhas britânicas

    Conclusão

    Em conclusão, o perigo é que cada vez mais calor vá chegar ao Oceano Ártico. Isso resultará em maior derretimento do gelo do mar, num ciclo de realimentação de auto-reforço que faz com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico (em vez de ser refletida de volta ao espaço, como antes).

    A 11 de fevereiro, 2016, o gelo marinho do Ártico teve – para esta época do ano – a menor extensão desde que os registos por satélite começaram em 1979, como ilustrado na imagem abaixo.

    Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo

    O maior perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão escapar abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, elevando dramaticamente as temperaturas sobre o Ártico e provocando cada vez mais erupções de metano, resultando numa escalada rápida para um aquecimento fugidio.

    A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

    Traduzido do original Methane’s Role in the Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Fevereiro de 2016.

    Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

    CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

    em https://aquecimentoglobaldesc…

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