Padrão ondulado da corrente de jato com amplificação polar causa persistência de depressão e chuvas sobre Europa e Rússia
Robertscribbler

As Chuvas das Alterações Climáticas

Como as Alterações Climáticas geram os eventos de chuvas extremas na Europa e os enxames de gafanhotos que arruínam as culturas na Rússia.

Este ano era suposto estabelecer novos recordes na produção de grãos da Rússia. Mas isso foi antes de uma depressão persistente na Corrente de Jato [Jet Stream] ter canalizado tempestade após tempestade sobre a Ucrânia e a Rússia Ocidental e Central, desencadeando eventos recorde de chuvas extremas. Antes de um enxame de gafanhotos, invadindo mais para norte e mais cedo do que o que é típico, ter devastado mais de 170.000 acres de milho no sul da Rússia. Agora, a combinação da praga de insectos com a tempestade colocou as culturas de cereais em risco de défice.

Época de Plantio Interrompida por Chuvas Extremas

Padrão ondulado da corrente de jato com amplificação polar causa persistência de depressão e chuvas sobre Europa e Rússia

(Uma grande amplificação polar reforçada na Corrente de Jato [Jet Stream] sobre a Rússia Central e Ocidental quebrou o recorde de chuvas fortes em Maio, colocando a safra de cereais em perigo. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Para a Rússia Ocidental e Central, Maio foi um mês terrível para a temporada de plantio. O aquecimento no Ártico ajudou na geração de inúmeras ondas de alta amplitude na Corrente de Jato. Estas ondas, por sua vez, geraram uma zona de depressão profunda sobre a Rússia Ocidental e Central. Tal como acontece com muitas características meteorológicas recentes relacionadas com a mudança climática, a depressão ficou emperrada por estes lados. E uma série de tempestades aparentemente intermináveis ​​despejaram entre 2 e 6 vezes a quantidade normal de chuvas sobre zona de crescimento mais produtiva da Rússia.

As chuvas impediram ou retardaram o ritmo de plantio de sementes. Na Rússia Central, o plantio simplesmente parou. Agora algumas estimativas estão a sugerir que a Rússia poderá falhar no seu objetivo de colheita recorde de grãos. Andrey Sizov Jr., diretor-gerente da consultoria SovEcon em Moscovo, declarou hoje à AGWeb que:

“Há demasiada chuva. O plantio parou completamente no centro. Se as chuvas continuarem, não vai haver nenhum recorde” de colheita de cereais.

Enxame de Gafanhotos Devora 10 Por Cento da Colheita de Milho do Sul da Rússia


(Um enxame de gafanhotos maciço escurece os céus no sul da Rússia. Este enxame que chegou antes do tempo já foi reportado como tendo devorado uma grande parte da safra de milho da região — levando as autoridades de lá a declararem um estado de emergência.)

Novas dúvidas sobre a colheita de grãos da Rússia também surgiram após relatos da imprensa indicarem que 10 por cento ou 170.000 ares da safra de milho do sul da Rússia foi destruída por um enxame maciço de gafanhotos durante o final de Maio e início de Junho. O enxame é parte de uma chegada anual dos insetos do Norte de África. Mas este ano, as condições meteorológicas mais quentes do que o normal — reforçadas pelo ar quente arrastado para cima à frente da depressão chuvosa a norte — pensa-se terem estimulado o acasalamento, aumentando o tamanho do enxame, e ajudado na sua chegada antecipada.

No ano passado, um enxame de gafanhotos vorazes também consumiu uma parcela significativa das culturas do sul da Rússia entre meados e o fim do Verão. Infelizmente, o enxame este ano provavelmente apenas agora começou — o que significa que com a maior parte do Verão adiante, há um risco de que o enxame irá continuar a expandir durante semanas ou mesmo meses.

Os agricultores tentaram controlar os insetos através do uso de pesticidas e acendendo fogos sobre os campos com enxames . Mas os gafanhotos, que podem crescer do tamanho do um pequeno pássaro e comer o seu peso em comida todos os dias, são ambos resistentes e resilientes. O enxame precoce deste ano foi tão intenso que as autoridades locais já declararam estado de emergência.

Condições em Contexto

As alterações climáticas forçadas pelos humanos têm tanto um potencial aumentado para desencadear eventos extremos de chuva como para estender o período de tempo durante o qual enxames de insetos como gafanhotos podem se mover e reproduzir. O calor que trepa em direção a norte também expande o alcance dos enxames de gafanhotos, até porque o calor, seca e chuvas fortes extremos podem aumentar a tendência dos insetos para se juntarem em grandes grupos em vez de procurarem alimento individualmente.

Nos últimos meses, várias zonas de depressão por todo o mundo têm produzido eventos extremos de precipitação recorde relacionados à mudança climática causada pelos humanos. As chuvas da Rússia Central e Ocidental juntam-se às inundações extremas na Alemanha, França, e ao longo do sudeste do Texas para gerar um contexto global da perturbação climática em curso. Disrupções que têm, no total, inundado centenas de casas, ferido dezenas, e resultado em perda de vidas. Um novo tipo de perigo do tempo que, quando combinado com um enorme enxame de gafanhotos inflamados pelo aquecimento, está agora a ameaçar a estação de cultivo da Rússia.

Mas a Rússia não é a única região cujas culturas estão a sentir a agressão de todas as condições meteorológicas extremas relacionadas à mudança climática. Em França, as chuvas recorde colocaram a safra de trigo em perigo. No Reino Unido, as colheitas foram afetadas pela seca. Na Argentina, 4 a 8 milhões de toneladas de soja perderam-se devido a inundações. Na Índia, a seca cortou a água a 330 milhões de pessoas, forçou os agricultores a abandonarem os seus meios de subsistência e buscarem refúgio numa diáspora crescente para as cidades. Nos Estados Unidos, a agricultura da Califórnia ainda está a sofrer com os efeitos de uma seca de quatro anos. E com uma onda de calor recorde a emergir sobre os EUA Ocidental na sexta-feira, mesmo enquanto o Texas continuava debaixo das chuvas, a ladainha de tempo de estragos nas colheitas apenas parece continuar.

Traduzido do original The Rains of Climate Change, Voracious Locust Swarms Wreck Crops in Russia, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Junho de 2016.

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Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá
Robertscribbler

Incêndios Enormes no Nordeste da China e no Lago Baikal

Como as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos forçam o mundo a aquecer, os níveis de humidade e precipitação estão a mudar. Áreas molhadas tornam-se mais molhadas. Áreas secas tornam-se mais secas. As temperaturas de Primavera e Verão aumentam. E o derretimento da neve mais precoce na primavera faz com que os solos permaneçam secos por períodos mais longos, aumentando as incidências de seca enquanto prolongando a temporada de incêndios. Estas condições secas e quentes também aumentam a probabilidade de que, uma vez que os incêndios sejam iniciados por raios ou erro humano, vão tornar-se mais intensos, maiores e mais duradouros (paráfrase deste Relatório da União de Cientistas Preocupados).

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Uma onda de calor extrema e a seca no leste da Ásia está agora a provocar incêndios extraordinariamente grandes em regiões mais instáveis ​​do nordeste da China, perto da fronteira russa. Os incêndios maciços são claramente visíveis na foto do satélite LANCE-MODIS e incluem pelo menos quatro zonas de incêndio contíguas. Os incêndios mostram, cada um, cicatrizes de zonas queimadas muito grandes com frentes de fogo a variarem entre 40 e 60 quilómetros de diâmetro. Em essência, o que esta imagem de satélite está a mostrar são 3 a 4 infernos do tamanho de Rhode Island.

Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá

(incêndios enormes a arderem no nordeste da China a 10 de Maio. Para referência, a borda inferior da imagem é de 600 milhas. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Uma nuvem muito grande de fumo lançada destas labaredas é agora visível na foto de satélite MODIS. Estende-se para longe das cicatrizes de zonas queimadas extensas e para fora em direção ao Mar do Japão, a cerca de 1.600 quilómetros de distância. Em comparação, os fogos do Nordeste da China juntos fazem agora anão o recente incêndio maciço que queimou 2.400 estruturas na cidade canadiana de Fort McMurray durante a semana passada. Mais outra instância de incêndios extraordinariamente grandes, a queimarem um mundo forçado a aquecer pelas emissões de combustíveis fósseis humanas.

Felizmente, os incêndios no nordeste da China não estão de momento a ameaçar nenhum povoado grande. Logo, é menos provável que perda de vidas ou propriedade tenha ocorrido como resultado. A mídia internacional não tem relatado os incêndios, tão pouca informação está agora disponível para além daquilo que pode ser discernido pela análise do mapa de satélite da NASA.

Pondo em contexto, estes incêndios iniciaram-se ao longo de uma zona de cristas que tem caracterizado temperaturas extremamente quentes e secas. Emanando uma onda de calor que começou no sudeste asiático, estes ares quentes estão agora a expandir-se para o norte em direção ao Ártico e vão, ao longo desta semana, contribuir para uma acumulação de onda de calor incrivelmente potente sobre as regiões do nosso mundo que agora descongelam rapidamente. O desenvolvimento de cristas nesta zona tem sido bastante persistente e podemos esperar que incêndios grandes e contínuos avancem para norte em direção ao Ártico.

Incêndios começam cedo para a época, na região de Permafrost do Lago Baikal

Incêndios começam cedo para a época, na região de permafrost do Lago Baikal na Rússia

(Incêndios florestais – indicados por pontos vermelhos no mapa acima – estão a iniciar-se em torno da zona descontínua de permafrost perto do Lago Baikal. Nos últimos anos, esta região da Rússia tem sofrido com o tipo de seca extrema e aquecimento associado à mudança climática causada pelo homem. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Esta zona extremamente quente e seca também acendeu numerosos incêndios na região do Lago Baikal. Representando o ponto mais distante a sul da zona de permafrost do Nordeste Asiático, o calor e descongelamento na região devido ao aquecimento global resultaram num aumento dos riscos de incêndio. Tal como acontece no noroeste do Canadá, existe uma relação profana entre incêndios e descongelamento da permafrost. A permafrost, enquanto descongela e seca, fornece um combustível de sub-bosque que ajuda na persistência e intensidade do incêndio – por vezes resultando em zonas quentes que ardem durante todo o inverno. E os incêndios podem ativar mais e mais da camada de permafrost por baixo – bombeando carbono adicional que pode agravar a tendência de aquecimento que iniciou os incêndios em primeiro lugar.

Em 2016, as zonas quentes e secas de cristas têm tendido a dominar tanto a América do Norte ocidental como a Ásia Oriental. E num mundo que, desde o início de 2016 tem estado cerca de 1,5 C acima das médias da década de 1880, temos visto um início muito intenso e prematuro para a época de incêndios com numerosos incêndios muito grandes nestas zonas. Enquanto Maio progride para Junho, o risco para incêndios ainda mais intensos aumenta, para além de que a zona de incêndios avança com os ares quentes para norte, em direção ao Ártico.

Traduzido do original Massive Wildfires Erupt in Northeast China as Lake Baikal Blazes Ignite, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 10 de Maio de 2016.

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