Carta do AMEG ao COP22
Paul Beckwith

Carta ao COP22 pelo Grupo de Emergência pelo Metano no Ártico

O AMEG – Arctic Methane Emergency Group – é um grupo de cientistas, engenheiros, comunicadores e outros, dedicado primeiramente a estabelecer aquilo que está verdadeiramente a acontecer ao nosso planeta (especialmente no Ártico) usando a melhor evidência científica, segundo, encontrar meios eficazes e acessíveis para se lidar com a situação, e terceiro, comunicar estas questões à autoridade e o público em geral.
A carta do AMEG ao COP22
À atenção de COP22

A comunidade e consenso de cientistas pelo clima, representada pelo IPCC, tinha assumido que, ao reduzir as emissões líquidas de CO2 a zero, o aquecimento global podia ser interrompido. Eles também assumiram que uma tal redução iria suspender o aquecimento do Ártico, pelo processo que tem mantido o aquecimento no Ártico proporcional ao aquecimento global mas amplificado por um factor de cerca de dois.

Infelizmente as evidências indicam que estes pressupostos já não são válidos. O Sistema Terra está a mostrar sinais de se mover cada vez mais rápido a distanciar-se da antiga norma dos últimos milhares de anos: o período do Holoceno de temperatura, clima e nível do mar notavelmente estáveis, o que permitiu que as culturas fossem cultivadas, que o comércio tivesse lugar e a civilização se desenvolvesse. As mudanças estão a acontecer mais rapidamente no Ártico, onde há uma aceleração no aquecimento e derretimento, principalmente devido ao efeito do “feedback positivo do albedo” pelo qual, à medida que a neve e o gelo do mar desaparecem, mais calor é absorvido pela terra e água expostas.

Existem quatro efeitos relevantes desse aquecimento acelerado no Ártico:

  • o derretimento acelerado do calota polar da Groenlândia com a subida do nível do mar associada;
  • a descarga acelerada de metano a partir da permafrost, tanto sob o fundo do mar como sob a superfície da terra, com o efeito de estufa associado;
  • disrupção acelerada da corrente de jato com o aumento de extremos climáticos no Hemisfério Norte;
  • uma contribuição crescente do forçamento radiativo para o orçamento de energia do planeta, o que conduzirá inevitavelmente ao aquecimento adicional do resto do planeta.

Considerando que o planeta já está a sofrer das alterações climáticas e do aumento do nível do mar, os quais são ambos susceptíveis de piorarem com os níveis de gases de efeito estufa crescentes e o aquecimento acelerado no Ártico:

O COP devia adoptar um novo objectivo global de restaurar o planeta para as condições de segurança apreciadas durante os milhares de anos do Holoceno. Neste processo:

  • (I) a temperatura global devia ser mantida abaixo de 1.5C no que diz respeito ao seu nível pré-industrial;
  • (Ii) o CO2 na atmosfera devia ser reduzido ao seu nível pré-industrial, o que envolve um esforço enorme de CDR (Remoção de Dióxido de Carbono) juntamente com cortes drásticos nas emissões de CO2;
  • (Iii) as emissões de outros gases de efeito estufa significativos (especialmente metano) deve ser reduzida para níveis pré-industriais;
  • (Iv) o Ártico deve ser rapidamente arrefecido como uma precaução contra ainda mais desaparecimento do gelo marinho, intensificação do aumento do nível do mar, mais intensificação da libertação de metano a partir da permafrost, e mais disrupções da corrente de jato levando a um maior aumento nos eventos climáticos extremos do Hemisfério Norte;
  • (V) o albedo do Ártico deve ser restaurado para o nível de, pelo menos, trinta anos atrás.

Para tornar tão enorme empreendimento aceitável para os líderes mundiais, é necessário mostrar que há um bom caso para o negócio, com empregos e segurança alimentar. E tem que haver um meio de financiamento que seja equitativo e permita às empresas otimizarem os seus lucros sem comprometerem a saúde do planeta.

Discutivelmente há uma indústria que é capaz de financiar CDR [Remoção de Dióxido de Carbono] e a supressão do metano, nomeadamente, a indústria do combustível fóssil. Se os líderes mundiais puderem convencer a indústria a pagar a Remoção de Dióxido de Carbono e a supressão de metano ao arrecadarem um imposto sobre o carbono retirado do chão, então a indústria poderá maximizar os lucros ao mesmo tempo que protege o planeta.

É preciso haver igualdade de condições, de modo que todos os exploradores de combustível fóssil pagam uma taxa de carbono, com base nas emissões de gases com efeito de estufa que irão causar. Assim, os CCS [Sistemas de Captura de Carbono] irão, efetivamente, obter um abatimento de custos. Os exploradores de gás natural terão uma taxa baseada não só no CO2 emitido sobre o consumo, mas também no metano que se escapa.

Como não é possível determinar antecipadamente os custos da CDR – Remoção de Dióxido de Carbono – e supressão de metano, terá de haver uma taxa inicial que será incrementada ao longo do tempo de acordo com a eficácia na remoção de CO2 e na supressão do metano. A indústria de combustíveis fósseis terá um incentivo financeiro para tornar estes processos eficientes e evitar aumentos indevidos na taxa que acabaria por se extinguir.

É preciso haver alguma regulamentação, uma vez que é desejável que a CDR e a supressão de metano seja feita de formas que tenham benefícios para a habitação, a produção de alimentos, a gestão da água, segurança no trabalho, biodiversidade, etc. É aqui que a ONU tem um papel fundamental: na definição dos mecanismos de regulação e dos meios de policiamento dos mesmos.

Existem muitas técnicas para a Remoção de Dióxido de Carbono e supressão de metano, as quais têm tais benefícios na silvicultura, agricultura e aquacultura.

O manejo florestal pode garantir que o carbono seja capturado a longo prazo, com os benefícios de fornecimento de madeira para edifícios e aumentar a biodiversidade. As práticas agrícolas podem aumentar o carbono no solo através do desenvolvimento de culturas com raízes mais longas.

Os resíduos das culturas podem ser aquecidos através de pirólise para produzirem uma combinação de biocombustíveis e biocarvão, sendo este último devolvido ao solo para a melhoria da produtividade das culturas e gestão da água, reduzindo também os requisitos de fertilizantes artificiais, que são carbono-intensivos na sua produção.

A supressão de metano usando diatomáceas pode igualmente melhorar a produção agrícola, por exemplo, em campos de arroz. Pode purificar fontes de água locais para benefício das culturas e consumo humano. A dispersão de diatomáceas com nutrientes apropriados sobre pantanais, lagos e oceanos pode reduzir o metano, enquanto oxigenando a água e estimulando a cadeia alimentar. Assim, os stocks de peixes e outras fontes alimentares marinhas são aumentadas, fornecendo alimentos para consumo humano, bem como aumentando a biomassa sustentável para o planeta como um todo.

Outra técnica de remoção de dióxido de carbono com grande potencial envolve o esmagamento de rocha olivina e o seu desgaste acelerado para remover CO2 e criar substâncias de retenção de carbono. Esta técnica tem um grande benefício direto de aumentar a alcalinidade do oceano, por exemplo quando a rocha esmagada é espalhada sobre as praias, onde a ação das ondas pode acelerar o seu intemperismo.

Se tais técnicas não são suficientes, ou não podem ser aplicadas em velocidade rapidamente o suficiente, então a captura direta de ar tem que ser considerada. Actualmente, é extremamente caro em comparação com outras técnicas. Mas este custo pode vir a torná-la competitiva, logo a pesquisa e esforço de desenvolvimento intensivos são recomendados.

O arrefecimento do Ártico e restauração do albedo tem benefícios óbvios para a vida selvagem e os povos indígenas do Ártico, por exemplo os ursos polares, que dependem do gelo marinho para a sua caça. Existe também um potencial para a captura de metano como combustível; metano está a borbulhar do fundo do oceano em grandes quantidades, e pode ser capturado sob o gelo do mar ou serem deliberadamente criados “escudos de gelo”.

Este é um exemplo de uma oportunidade para a supressão de metano a ser combinada com o melhoramento do albedo. Outro exemplo é a flutuação de tapetes contendo diatomáceas e nutrientes, que podem melhorar o albedo, enquanto ajudando a remover o CO2, a reduzir a acidificação, oxigenar a água e promover metanotrofos que digerem metano dissolvido na água. Neste caso, existe um benefício adicional de promover a cadeia alimentar marinha em benefício da vida marinha e pesca.

Para iniciar o processo, o COP22 deve considerar:

  • uma nova iniciativa que combina CDR agressiva CDR, supressão de metano e redução de emissões de CO2, de tal forma que
    o aquecimento global pode ser interrompido a 1.5C ou menos dentro de algumas décadas;
  • uma nova iniciativa para resfriar o Ártico e
    restaurar o albedo para o nível de há trinta anos;
  • um plano global para restaurar o Sistema Terra para
    as condições que permitiram à civilização a florescer
    ao longo dos últimos milhares de anos, conhecidos como o Holoceno;
  • uma iniciativa da educação pública
    na compreensão deste plano;
  • semear financiamento para novos desenvolvimentos técnicos
    em CDR [remoção de dióxido de carbono], supressão de metano
    e melhoramento do albedo;
  • uma conferência que reúna representantes
    dos governos e da indústria do combustível fóssil para
    apresenta a vantagem de negócios para o financiamento
    de intervenções em larga escala a partir de uma taxa de carbono.

Mais informação sobre a situação dos níveis de metano e a sua libertação a partir das reservas no Ártico aqui.

Conteúdo traduzido da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
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Índice de Temperatura Terra-Oceano e as Anomalias da Temperatura do Ar à Superfície em Terra
Sam Carana

Temperatura em Fevereiro

A anomalia da temperatura da terra e do oceano para fevereiro de 2016 foi de 1,35°C (2,43°F) acima da temperatura média no período de 1951 a 1980, como mostra a imagem abaixo (projeção Robinson).

Anomalia do indice de temperatura terra mar para fevereiro 2016

Em terra, esteve 1,68°C (3,02°F) mais quente em fevereiro de 2016, em comparação com 1951-1980, como a imagem em baixo mostra (projeção polar).

Anomalia da temperatura terrestre para fevereiro de 2016

A imagem em baixo combina os dois números em cima em dois gráficos, mostrando as anomalias de temperatura ao longo das últimas duas décadas.

Índice de Temperatura Terra-Oceano e as Anomalias da Temperatura do Ar à Superfície em Terra

Em baixo temos o gráfico completo, que mostra que as anomalias estavam bem abaixo de zero antes do período de 1951 a 1980, o qual é usado como uma referência para calcular anomalias. A linha azul mostra dados terra-mar, enquanto a linha vermelha mostra dados de estações apenas em terra.

Anomalias da temperatura desde 1880

No Acordo de Paris, as nações empenharam-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, ao manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazerem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para vermos o quanto as temperaturas subiram em relação aos níveis pré-industriais, uma comparação com o período 1951-1980 não dá o quadro todo. A imagem abaixo compara as temperaturas de fevereiro de 2016, com o período de 1890 a 1910, novamente apenas em terra.

Temperaturas em terra para fevereiro 2016 em comparação com média 1890-1910

Como as temperaturas já haviam subido ~ 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, o aumento total da temperatura em terra em fevereiro de 2016 é, portanto, de 2,6°C (4,68°F) em comparação com o início da revolução industrial.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o aumento de temperatura total em terra irá ser, digamos, daqui a uma década:

Aumento de 1900-2016: Em fevereiro de 2016, esteve 2,3°C (4,14°F) mais quente em terra do que esteve em 1890-1910.

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica (ver neste post anterior, em Português).

Aumento 2016-2026: Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 ppm, mais do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959, levando um post anterior [em português] a adicionar uma linha de tendência polinomial que aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (uma década a partir de agora). Se os níveis de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa continuam a aumentar, haverá aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, de modo que a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total pelos gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, os aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas emitiram muito mais aerossóis desde 2010, de modo que o efeito de mascaramento atual de aerossóis será ainda maior.

Mudança de Albedo: Aquecimento devido à perda de neve e gelo do Ártico pode muito bem ultrapassar 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente que duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,9°C (7,02°F) e outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10,4°C (18,72°F).

Aumento da temperatura previsto para 10 anos, feedbacks

Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

O aquecimento de 2,3°C usado na imagem acima não é o maior valor oferecido pelo site da NASA. Um número ainda mais elevado de aquecimento de 2,51°C pode ser obtido ao selecionar-se um ‘smoothing radius’ de 250 km para os dados em terra.

Anomalia da temperatura em terra para fevereiro 2016 comparada com média 1890-1910

Ao adicionar os 0,3°C de subida da temperatura antes de 1900, o aumento desde o início da revolução industrial é de 2,81°C (5,06°F), como ilustra a imagem à direita.

A imagem também mostra que este é o aumento médio. Em locais específicos, está tanto quanto 16,6°C (30°F) mais quente do que no início da revolução industrial.

Além disso, as temperaturas estão mais altas no Hemisfério Norte do que no Hemisfério Sul. Isto é ilustrado pela imagem abaixo que mostra as anomalias de temperatura pela NASA para janeiro de 2016 (preto) e Fevereiro de 2016 (vermelho), em terra, no Hemisfério Norte. Os dados mostram que esteve 2,36°C (4.25°F) mais quente em fevereiro de 2016 em comparação com 1951-1980.

Anomalia da Temperatura de Janeiro e Fevereiro de 2016 comparação com 1951-1980

Quanto do aumento pode ser atribuído ao El Nino? As linhas de tendência adicionadas constituem uma maneira de lidar com variabilidade como a causada por eventos de El Niño e La Niña, e elas também podem indicar o quanto de aquecimento pode ser esperado eventualmente durante os anos vindouros.

A linha de tendência de fevereiro também indica que esteve 0,5°C mais frio em 1900 do que em 1951-1980, de modo que o aumento desde 1900 é de 2,86°C (5,15°F). Juntamente com um aumento de 0,3°C antes de 1900, isto representa uma subida em terra no Hemisfério Norte de 3,16°C (5,69°F) em relação aos níveis pré-industriais. A maioria das pessoas na Terra vive em terra no Hemisfério Norte. Por outras palavras, a maioria das pessoas já estão expostas a um aumento de temperatura que está bem acima de quaisquer limites de segurança que os países do Acordo de Paris se comprometeram a não serem cruzados.

Anomalias da temperatura maiores n Ártico, a 14 de Março de 2016

As temperaturas podem aliás aumentar ainda mais rapidamente do que estas linhas de tendência indicam. Como a imagem acima ilustra, os maiores aumentos de temperatura estão a ocorrer no Ártico, resultando num rápido declínio da cobertura de neve e gelo e aumentando o perigo de que grandes erupções de metano do fundo do mar possam ocorrer. Tudo isso também poderia levar a mais vapor de água, enquanto as subidas de temperatura resultantes ameaçam causar mais secas, ondas de calor e incêndios florestais que irão causar mais emissões, bem como escassez de alimentos e de água doce em muitas áreas.

Adicionar-se os vários elementos como discutido acima indica que a maioria das pessoas podem muito bem ser atingidas por um aumento de temperatura de 4,46°C ou 8,03°F num cenário de pequeno aumento e um de 10,96°C ou 19,73°F num cenário de grande aumento, e isso seria numa década a partir de fevereiro de 2016. Uma vez que já estamos em Março de 2016, isso é em menos de dez anos a partir de agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original February Temperature de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Março de 2016.
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Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910
Sam Carana

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

Standard
Aquecimento Global Descontrolado, Extinção, Metano, Paleoclima

Existe Mesmo Um “Monstro de Metano Do Ártico”?

O Monstro de Metano no Ártico poderá desencadear um evento de extinção em massa como o Permiano, através de um aquecimento global descontrolado causado pelo aquecimento humano pelas emissões de CO2?

O Monstro de Metano no Ártico poderá desencadear um evento de extinção em massa como o Permiano, através de um aquecimento global descontrolado causado pelo aquecimento humano pelas emissões de CO2?

Podemos salvar a humanidade da maior ameaça de sempre? Vídeo imperdível foca os riscos e incertezas da libertação catastrófica de metano pelo meio ambiente no Ártico: Clique Aqui!

Após milhões de anos de idades do gelo, o Ártico tornou-se um vasto repositório de carbono fóssil.

Ao longo dos milénios, camada após camada de material biológico à base de carbono foi trancado no solo congelado das tundras e leitos marinhos do Ártico. Algumas destas reservas têm-se simplesmente sepultado no gelo. Outras, já tornadas em metano através dos fluxos lentos do tempo, estão subjacentes ao solo congelado do Ártico e ao fundo do mar como uma espécie de gelo de fogo.

Uma substância instável, inflamável e explosiva chamado clatrato.

As próprias reservas são massivas – contendo entre 2 a 3 triliões de toneladas ou mais de carbono. Provavelmente mais de cinco vezes a quantidade de carbono já emitido pelos seres humanos na atmosfera nos últimos 150 anos. Uma quantidade que já provavelmente trancou cerca de 1,8 ºC de aquecimento a curto prazo e 3,6 ºC de aquecimento a longo prazo.

Mas um descongelamento do Ártico poderia desencadear uma cadeia de eventos que levariam a um muito pior aquecimento ainda por vir.

Num mundo frio de época glacial essas reservas de carbono não são ameaça. Como um dragão adormecido, elas permaneceram latentes nas zonas frias do mundo – incapazes de quebrarem o selo do gelo. Mas num mundo que os seres humanos estão a forçar a um aquecimento rápido através de um ritmo de emissões de gases de efeito estufa pelo menos seis vezes mais rápido do que em qualquer momento nos biliões de anos da história da Terra, corremos o risco de uma libertação imensa deste stock de carbono monstruoso.

Uma Questão de Feedback de Metano

Nós realmente não sabemos o quanto de calor é necessário para desencadear uma libertação descontrolada desta pilha monstruosa de carbono. Mas já aquecemos o mundo em pelo menos 0,8 graus Celsius e muitos pesquisadores do Ártico acreditam que apenas 1,5 graus Celsius de aquecimento global é suficiente para descongelar toda a tundra do Ártico.

Esse descongelamento iria certamente expor a enorme reserva de carbono da tundra aos elementos e à ação microbiana. Aumentando a libertação já significativa de carbono do Ártico e contribuindo em muito para o aquecimento humano da atmosfera e dos oceanos da Terra por meio de emissões de gases de efeito estufa.

Anomalias locais em medições de metano do Ártico disparadas pelo aquecimento causado pelo homem. Jason Box; Meltfactor

Anomalias locais em medições de metano do Ártico disparadas pelo aquecimento causado pelo homem. Jason Box; Meltfactor

(Num artigo recente no seu blog Meltfactor, o Dr. Jason Box questiona se as anomalias locais em medições de metano do Ártico envolvem mini explosões de metano disparadas pelo aquecimento causado pelo homem. O Dr. Box também questionou apropriadamente se tais emissões de metano eram sinais de uma possível maior libertação resultante da força do calor gerado pelo homem sobre o ambiente do Ártico. O Dr. Box, de forma semelhante à nossa própria investigação sobre o Monstro de Metano do Ártico, metaforicamente rotula estas explosões de “Sopro do Dragão”. Fonte da imagem: Meltfactor).

Alguns anos atrás, um grupo de 41 pesquisadores do Ártico sugeriram que mesmo que parássemos de emitir gases de efeito estufa rapidamente, a libertação de carbono do Ártico seria igual a cerca de 10 por cento das emissões humanas anuais e continuaria por muito tempo no futuro. Mais preocupante, esses pesquisadores observaram que a falha em reduzir rapidamente as emissões humanas de carbono resultaria numa libertação anual pelo Ártico equivalente a 35% ou mais das emissões humanas, colocando o mundo no caminho para um cenário de aquecimento descontrolado.

Mas a questão de libertação de carbono do Ártico é tudo menos simples ou fácil de entender. Pois uma porção significativa – possivelmente tanto como 1/3 até 1/2 do depósito de carbono do Ártico poderia libertar-se como metano. E o metano, em escalas de tempo muito curtas, é um gás de efeito estufa muito potente. Ao longo de 20 anos, o metano tem um potencial de aquecimento global 86 vezes maior que a de um volume semelhante de CO2. Mesmo que uma parcela muito pequena da reserva de carbono do Ártico fosse libertada como metano ao longo de um período relativamente curto – 1, 5, 10 ou 50 gigatoneladas de um depósito total que inclui milhares de gigatoneladas – poderia exagerar enormemente o já poderoso aquecimento humano em curso ou, na pior das hipóteses, disparar um evento de aquecimento descontrolado semelhante ao das grandes extinções do Permiano e do PETM (Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno).

Um Risco Mal Compreendido

Não ajudando, não há nem de longe suficientes observações diretas do ambiente do Ártico de modo a definir a taxa atual de liberação de carbono ou o provável aumento nas taxas de libertação ao longo das últimas décadas. Temos estudos que mostram mais metano emitido por lagos de tundra, por exemplo. Temos as expedições de Semiletov e Shakhova para o Oceano Ártico, que continuam a fornecer estimativas cada vez mais elevadas das emissões de metano provenientes de plumas [ou colunas] nos fundos dos mares Laptev e do leste da Sibéria. Temos estudos que mostram aumento da libertação de CO2 e metano dos vastos depósitos de carbono da tundra congelada de Yedoma na Sibéria. E temos os casos mais preocupantes de libertações de metano explosivas – provavelmente do descongelamento rápido de clatratos sob a permafrost – na região de Yamal na Rússia, este ano, que resultou em crateras dramáticas de tundra siberiana.

Sobrecarga muito significativa de metano no Ártico - No ano passado, no mês de Outubro, as leituras de metano ao longo da Cordilheira de Gakkel tiveram um pico de 2.662 partes por bilião - ou seja, mais de 800 partes por bilião acima da média global - antes de se difundirem na atmosfera. A imagem acima mostra os níveis de metano sobre a mesma região a subirem para mais de 2.400 partes por bilião a 16 de Setembro de 2014. - Arctic News

Sobrecarga muito significativa de metano no Ártico – No ano passado, no mês de Outubro, as leituras de metano ao longo da Cordilheira de Gakkel tiveram um pico de 2.662 partes por bilião – ou seja, mais de 800 partes por bilião acima da média global – antes de se difundirem na atmosfera. A imagem acima mostra os níveis de metano sobre a mesma região a subirem para mais de 2.400 partes por bilião a 16 de Setembro de 2014. – Arctic News

(Grande libertação de metano do fundo do oceano em curso? O Ártico continua a mostrar uma sobrecarga muito significativa de metano – insinuando maiores libertações de metano do seu meio. No ano passado, no mês de Outubro, as leituras de metano ao longo da Cordilheira de Gakkel tiveram um pico de 2.662 partes por bilião – ou seja, mais de 800 partes por bilião acima da média global – antes de se difundirem na atmosfera. A imagem acima mostra os níveis de metano sobre a mesma região a subirem para mais de 2.400 partes por bilião a 16 de Setembro de 2014. Link: Arctic News).

Mas esses estudos e instâncias focam apenas subsecções do Ártico. E, da mesma forma que vários homens cegos ao investigarem as várias partes de um elefante podem discordar sobre a forma geral da besta, nós temos um problema semelhante na compreensão da forma total da ameaça representada pela libertação de metano e carbono do Ártico.

O Dr. David Archer, que tem desenvolvido vários ensaios de modelos da potencial libertação de metano do leito do mar do Ártico, afirma que há essencialmente zero motivo de preocupação quanto à libertação de metano em grande escala para este século. Um número de pesquisadores do Ártico discordam com o principal destes ensaios, sendo Peter Wadhams, o Dr. Semiletov e a Dra. Shakhova, os quais todos parecem muito preocupados com o potencial para uma libertação em grande escala em breve. Um meio termo é povoado por uma série de pesquisadores como Carolyn Ruppel e Sue Natali do observatório Woods Hole. Estes pesquisadores estão, racionalmente, a pedir mais dados sobre uma questão que está por demais mal compreendida pela ciência.

Projeto CARVE da NASA Encontra Modelos em Desacordo Quanto à Libertação de Carbono do Ártico

Este atual falta de uma compreensão mais ampla e consenso científico na questão da potencial de resposta dos Sistemas do Ártico e da Terra a um crescente aquecimento da atmosfera e do oceano causado pelos humanos foi destacada no relatório da semana passada pelo estudo CARVE da NASA.

O estudo, que visava monitorizar as emissões de carbono do Ártico – correu uma série de modelos climáticos globais para tentar determinar o quanto de carbono está a ser libertado a partir do Ártico. O estudo não tentou apontar cenários de emissões futuras. Apenas teve como alvo tentar estabelecer uma linha de base para as emissões tal como estão agora. Uma compreensão requerida para se fornecer qualquer avaliação clara de como as emissões de carbono do Ártico poderão vir a estar no futuro.

Os pesquisadores conectaram os dados das atuais emissões localizadas de carbono do Ártico em 40 modelos climáticos globais e os modelos cuspiram devidamente os resultados os quais estavam por todo o quadro. Essencialmente, os modelos confirmaram o que nós analistas de risco já sabíamos: não há informação suficiente disponível para fornecer uma compreensão clara dos potenciais cenários de libertação de carbono do Ártico, muito menos apontar quanto de carbono está a ser emitido.

Do Relatório da Science Daily da semana passada:

Quanto carbono está a abandonar o seu solo em descongelamento e a adicionar efeito estufa à Terra? …

Um novo estudo realizado como parte do Carbon in Arctic Reservoirs Vulnerability Experiment (CARVE) [Experimento de Vulnerabilidade dos Reservatórios de Carbono do Ártico] da NASA, mostra precisamente quanto trabalho ainda precisa ser feito para se chegar a uma conclusão sobre esta e outras questões básicas sobre a região que o aquecimento global está a atingir de forma mais violenta.

O autor principal, Josh Fisher do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena, Califórnia, analisou 40 modelos de computador dos montantes e fluxos de carbono nos ecossistemas boreais e do Ártico do Alasca. A sua equipa encontrou grande discordância entre os modelos, destacando a necessidade urgente de mais medições na região …

“Todos nós sabíamos que havia grandes incertezas na nossa compreensão, e queríamos quantificar a sua extensão”, disse Fisher. Essa extensão revelou-se maior do que o que quase todos esperavam. “Os resultados foram chocantes para a maioria das pessoas”, disse ele.

Plumas de metano no oceano foram descobertas ao largo da costa leste dos EUA e no Mar de Laptev pela expedição SWERUS C3, Essas emissões incluem quase sempre reservas de clatratos destablizadas. Fonte da imagem: Nature Geoscience

Plumas de metano no oceano foram descobertas ao largo da costa leste dos EUA e no Mar de Laptev pela expedição SWERUS C3, Essas emissões incluem quase sempre reservas de clatratos destablizadas. Fonte da imagem: Nature Geoscience

(As infiltrações de metano do oceano como nestas aberturas recentemente descobertas ao largo da costa leste dos EUA e as descobertas no Mar de Laptev pela expedição SWERUS C3, são quase sempre mais numerosas e enérgicas do que se esperava; um resultado, provavelmente, do aumento do impacto do calor causado por humanos. Essas emissões incluem quase sempre reservas de clatratos destablizadas. Fonte da imagem: Nature Geoscience).

Levará anos até que os cientistas definam com mais certeza o risco representado pela libertação de carbono e metano do Ártico. Um risco que agora envolve em si próprio o potencial para desencadear uma nova extinção por efeito estufa do tipo Permiano durante os próximos 1 a 3 séculos. Um risco que, considerando tudo, é provavelmente o risco mais terrível que já enfrentámos como espécie.

Como tal, não podemos esperar por uma certeza absoluta sobre o escopo desse risco. Se há sensibilidade suficiente para desencadear uma grande libertação de carbono do Ártico a 1,5 C ou 6 C de aquecimento é discutível – porque sabemos que continuar a queimar combustíveis fósseis eventualmente nos levará lá mais cedo ou mais tarde.

Então, enquanto nós continuamos a pesquisar o que pode muito bem ser a maior ameaça ambiental que já enfrentámos, é inteiramente prudente começar uma rápida redução das emissões globais de carbono com o objetivo de chegar a zero emissões de carbono e emissões líquidas de carbono negativas o mais breve possível. Os riscos são simplesmente grandes demais para se continuar a atrasar a ação.

Traduzido do original “When it Comes to The Arctic Methane Monster, What We Don’t Know Really Could Kill Us — NASA Model Study Shows Very High Carbon Release Uncertainty” em http://robertscribbler.wordpress.com/

Referências bibliográficas utilizadas pelo autor:

High Risk of Permafrost Thaw

With Few Data Arctic Carbon Models Lack Consensus

Can We Save Humans From the Greatest Threat Ever?

Rate of Methane Release From Tundra Thaw Lakes Increases by 58%

Why We Should Be Paying More Attention to Methane

Hundreds of Seeping Methane Plumes Discovered off US East Coast

Meltfactor

Arctic News

SWERUS C3 Arctic Carbon Study

NOAA Earth Systems Research Laboratory

Climate Science: The Vast Cost of Arctic Change

Arctic Methane Monster Shortens Tail: ESAS Emitting Methane at Twice Expected Rate

Arctic Methane Monster Exhales: Third Tundra Crater Found in Siberia

High Velocity Human Warming Leads to Arctic Methane Monster’s Rapid Rise from Fens

How Much Methane Came Out of That Hole in Siberia?

Rapid Arctic Thaw Could be Economic Timebomb

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