Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro
Robertscribbler

Para O Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro

Vai ser o ano mais quente já registado – por uma grande margem. Basta perguntar a Gavin Schmidt da NASA, a qual a Administração Trump de negação da mudança climática colocou agora em risco. Mas numa região — o Ártico — a taxa de acumulação de calor tem sido escandalosamente extrema. E é aí que este novo recorde de aquecimento poderia causar alguns dos piores danos a um sistema Terra cada vez mais frágil.

Calor de Verão Durante o Outono Acima de 80 Norte

Para o Oceano Ártico acima da linha de latitude a 80 graus norte que circunda a crista do nosso mundo, as temperaturas hoje estão cerca de 17 graus Celsius acima da média. Estas são as mais elevadas temperaturas para esta região já registadas. E elas incluem várias localizações onde as temperaturas atingiram picos bem acima de 20ºC mais quente do que a média.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Temperaturas acima da linha de latitude de 80 graus norte em meados de novembro são quase iguais ao que normalmente se espera para o fim do verão. Este aquecimento recorde no Ártico é notavelmente grave e poderia produzir sérios impactos meteorológicos e climáticos a curto prazo. Fonte da imagem: DMI

Considerada no total, esta região — a qual inclui o Pólo Norte — está atualmente a experienciar temperaturas que normalmente iria ver a partir de 15 de setembro até 21 de setembro. Por outras palavras, está tão quente agora, a 14 de novembro na zona em torno do Pólo Norte, quanto normalmente estaria durante a última semana de verão.

Não seria tão mau se as temperaturas tivessem simplesmente disparado para novas máximas neste dia em particular como parte de uma variação louca da temperatura. Infelizmente, as leituras, em vez disso, permaneceram consistentemente elevadas durante todo o outono. Elas levitaram para fora da variação média da linha de base de 1958-2002 durante a maior parte dos 80 dias. E como as temperaturas se mantiveram perto das médias do fim do verão ou início de outono, a diferença em relação ao normal (representada pela linha verde no gráfico acima) continuou a intensificar-se ao longo de novembro. Essa manutenção a longo prazo de temperaturas altas corre o risco de produzir alguns impactos duradouros graves, tanto no Ártico como no ambiente global.

O Grande Buraco Vermelho do Pólo Norte

A variação de temperaturas que vemos agora não é nada menos que assombrosa e, para este observador em particular, aterrorizante. Um enorme buraco foi aberto no coração daquilo que deveria ser o pilar do frio de inverno. E se não se recompuser em breve, irá ter alguns sérios efeitos consequentes sobre o clima, incluindo piores mudanças atmosféricas de circulação, eventos climáticos cada vez mais extremos, os impactos nas estações de crescimento agrícola, impactos no gelo do mar, impactos no gelo da Groenlândia, e os impactos na vida do Ártico e além.

Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro

Hoje, grandes áreas do Oceano Ártico são esperadas que vejam as temperaturas atingirem 20 C mais quente do que o normal. Estas temperaturas são tão altas que secções recentemente cobertas de gelo vão, durante os próximos cinco dias, experienciar temperaturas entre -2 C e 0 C – ou quentes o suficiente para produzirem um derretimento temporário. Uma tal condição nunca foi testemunhada na medida em que é agora tão tarde no ano. Um sinal claro de que o aquecimento global está a começar a morder mais fundo do que esperávamos. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer). Notem — o mapa mostra desvios de temperatura acima [desvio para o vermelho] e abaixo [desvio para o azul] da, já mais quente do que o normal, média da linha de base 1979-2000.

Este calor de outono recorde parece fazer parte de um cenário cada vez mais dominante do tipo “morte do inverno” relacionado com o aquecimento global causado pelo homem. E a menos que as temperaturas no Ártico voltem para a linha de base muito em breve, estamos em risco cada vez maior de atingir alguns pontos de inflexão de mudança de estado. Em particular, estes giram em torno de uma perda do gelo do Oceano Ártico a prazo mais curto do que o esperado. Um evento que podia acontecer este ano se experienciarmos um inverno anormalmente quente seguido por um verão quente semelhante ao último – mas que muitos especialistas esperam que seja adiado até 2030. Uma alteração que, a longo prazo, sob a queima continuada de combustíveis fósseis presentemente promovida pela Administração Trump, basicamente remove o inverno como estação praticamente por completo (pelo menos como a conhecemos).

Espero sinceramente que vejamos um retorno às condições de temperatura de linha de base no Ártico em breve. Mas à medida que os dias passam, isso parece cada vez menos provável. Ventos quentes continuam a fluir do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’700’]Barents[/simple_tooltip] e do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’547’]Bering[/simple_tooltip]. E os centros das regiões mais frias do Hemisfério Norte estão bem deslocadas para a Sibéria e a Gronelândia. Se esta situação continuar, as implicações para o gelo marinho de verão em 2017 podem ser bem duras (mais sobre isso na publicação que se segue). E é no ponto em que atingimos estados de verão sem gelo no Oceano Ártico que algumas alterações regionais, hemisféricas e globais muito radicais (as quais produzem efeitos ainda piores do que alguns dos maus resultados que já temos visto) estarão bem encaminhadas.

Traduzido do original
For The Arctic Ocean Above 80 North, It’s Still Summer in November
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de novembro de 2016.

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Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012
Sam Carana

Queda Dramática do Gelo do Mar no Ártico

Desde o início de Abril de 2016, tem havido problemas com o sensor do satélite F-17 que forneceu os dados para muitas das imagens do gelo do mar no Ártico. A 12 de Abril, o NSIDC emitiu um aviso de que tinha suspendido o fornecimento de atualizações do gelo do mar. A 6 de Maio, o NSIDC anunciou que havia completado a transição para outro satélite. A linha pontilhada vermelha na imagem abaixo mostra os dados do satélite F-18 de 1 de Abril a 15 de Maio de 2016.

Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012

O site da JAXA também fornece imagens da extensão do gelo do mar, obtendo dados de um satélite japonês. Eles mostram que a medida do gelo do Oceano Ártico a 15 de Maio de 2016 era de 11.262.361 quilómetros quadrados, 1,11 milhões de km quadrados menor do que era a 15 de Maio de 2012.

Extensão do gelo marinho no Oceano Ártico comparado a 2012

O Cryosphere Today ainda está a usar dados do satélite F17, mostrando alguns picos estranhos. Albert Kallio pegou numa imagem recente e removeu os pontos defeituosos, resultando na imagem abaixo que mostra a área de gelo do mar até 03 de Maio de 2016.

Área do gelo marinho no Ártico em comparação com anos anteriores

[linha amarela é 2016, linha vermelha é 2015]

Importante: a imagem acima confirma que o gelo do mar do Ártico em 2016 tem de facto estado muito em baixo, se não mesmo no mais baixo para a época do ano. Especialmente desde Abril de 2016, o gelo do mar caiu muito abaixo do quer que seja que tenhamos vimos em anos anteriores. Abaixo, Albert elabora sobre a comparação dos dados.

por Albert Kallio
Os dados do satélite dos EUA reparado (F-17) mostram uma área pequena recorde do gelo do mar para Maio de 2016 concordando com os dados japoneses (Jaxa)

Um conjunto de dados do Sensor Especial de Imagens e Sonda por Microondas (SSMIS), já corrigido no satélite F-17 do Defense Meteorological Satellite Program (DMSP), que fornece temperaturas de brilho por microondas passivas (e os produtos derivados de gelo marinho do Ártico e da Antártida), foi corrigido aqui quanto ao erro de instrumentação do sistema. Isto está de acordo com a curva da JAXA japonesa e foi realizado pela remoção dos picos incaracterísticos para cima de ‘crescimento do gelo’ por intrapolation linear dos pontos de dados corruptos. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar no Hemisfério Norte está sazonalmente num novo recorde mínimo que tem continuado em Maio de 2016.

A curva aperfeiçoada do F-17 concorda com a curva japonesa do satélite JAXA. A reconciliação das duas foi conseguida pela remoção dos picos para cima incaracterísticos por intrapolation linear de pontos de dados dos dias corrompidos, os quais mostraram de forma incorrecta um crescimento imenso da área de gelo do mar a meio da temporada de degelo de primavera. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar está sazonalmente em mínimos recorde. Portanto, meios de comunicação que estão a citar dados recentes da área de gelo do mar pelo satélite F-17 estão a distorcer intencionalmente os factos com suas reivindicações de o Hemisfério Norte ter uma área de gelo marinho recorde para esta estação – enquanto que na realidade – exatamente o oposto tem acontecido.

O gelo do mar do Ártico está em má forma e tende a deteriorar-se ainda mais, por uma série de razões.

Temperatura acima de 50 graus na Índia e PakistãoO ano de 2016 é um ano de El Niño e de aquecimento, como ilustrado pela previsão de 51°C (124.1 °F) para 22 de Maio de 2016, sobre o Indus Valley no Paquistão (ver imagem à direita).

A insolação durante os meses de Junho e Julho no Ártico é muito mais forte do que no resto do mundo. Os gases de efeito estufa estão em níveis recorde, o CO2 era de 408,2 ppm a 12 de Maio de 2016, e os níveis de metano estão elevados e a aumentarem, especialmente sobre o Ártico.

O calor do Oceano também está muito elevado e a aumentar. A imagem em baixo mostra que os oceanos no Hemisfério Norte estavam 0.93°C (ou 1.7°F) mais quentes no período de 12-meses mais recente (Maio 2015 até Abril 2016) do que a média do século 20.

temperatura-oceano-anomalia-hemisferio-norte-maio-abril

A situação é melhor ilustrada pela imagem em baixo, usando dados da NOAA com a linha de tendência adicionada que aponta para uma subida de 3°C (5.4°F) antes do ano de 2040.

Anomalia da temperatura do oceano numa previsão para 2040

As chances são de que o gelo do Ártico terá desaparecido na sua maior parte até Setembro de 2016. Como o gelo diminui, cada vez mais a luz solar é absorvida pelo Oceano Ártico. Este é um de muitos feedbacks que estão a atingir o Ártico. O perigo é que, à medida que esses feedbacks começam a entrar em cena mais fortemente, o calor vai chegar ao fundo do mar do Oceano Ártico e desencadear a libertação do metano em quantidades enormes a partir do leito marinho do Oceano Ártico.

Recentemente, uma libertação de metano abrupta do leito marinho do Oceano Ártico fez entrar na atmosfera sobre o Mar da Sibéria Oriental, aparecendo níveis tão elevados quanto 2578 ppb (em 586 mb a 15 de Maio, 2016, pm, veja imagem abaixo). Tais libertações abruptas são indícios de que os hidratos de metano estão a desestabilizar e são avisos de que uma catástrofe climática está à espera de acontecer.

Libertação abrupta de metano no Ártico faz subir níveis

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Further Confirmation Of Arctic Sea Ice Dramatic Fall de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 16 de Maio de 2016.
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aumento da temperatura em 0,3°C até 1900
Sam Carana

Alterações Climáticas: Após o Acordo de Paris, Onde Ficamos?

Sugerimos a leitura de “Alterações Climáticas: Após o Acordo de Paris, Onde Ficamos?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, os países comprometeram-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, mantendo o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazendo esforços para limitar o aumento da temperatura em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

aumento da temperatura global 1,5C

Quanto é que as temperaturas já subiram? Como ilustrado pela imagem acima, dados da NASA mostram que, durante o período trimestral de setembro a novembro de 2015, estava ~ 1°C mais quente do que em 1951-1980 (ou seja, que a linha de base).

Uma tendência polinomial com base nos dados de 1880-2015 para estes três meses indica que um aumento de temperatura de 1,5°C em relação à linha de base será alcançado no ano de 2024.

Vamos verificar os cálculos. A linha de tendência mostra que estava ~ 0,3°C mais frio em 1900 comparado com a linha de base. Considerando o atual aumento em ~ 1°C, isso implica que desde 1900 houve um aumento de 1,3°C em relação à linha de base. Isto faz com que um outro aumento de 0,2°C até 2024, como indicado pela linha de tendência, resultaria num aumento conjunto em 2024 de 1,5°C em comparação com a linha de base.

Anomalia da temperatura de superfície nos continentes

A situação é ainda pior do que isso. O Acordo de Paris visa evitar um aumento de temperatura de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Quando incluímos os aumentos de temperatura desde os níveis pré-industriais até o ano de 1900, torna-se evidente que já ultrapassámos um aumento de 1,5°C desde os níveis pré-industriais. Isto é ilustrado pela imagem acima, anteriormente adicionada a Quanto tempo resta para agir? (vejam as notas ali), e pelo gráfico em baixo, de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que um aquecimento de ~ 0,3°C por efeito de estufa já havia ocorrido por volta do ano de 1900.

aumento da temperatura em 0,3°C até 1900

Um aquecimento de ~ 0,3°C por efeito de estufa já havia ocorrido pelo ano de 1900.

Vamos adicionar as coisas novamente. Um aumento de ~ 0,3°C antes de 1900, um novo aumento de 0,3°C entre 1900 e a linha de base (1951-1980) e um novo aumento de ~ 1°C desde a linha de base até à data, juntos representam um aumento de ~ 1,6°C em relação aos níveis pré-industriais.

Por outras palavras, já ultrapassámos um aumento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais em 0,1°C.

A linha de tendência indica que um novo aumento de 0,5°C terá lugar até ao ano de 2030. Ou seja, que sem uma ação abrangente e efetiva, ficará 2°C mais quente do que os níveis pré-industriais antes do ano de 2030.

O pior das emissões ainda está por vir.

A maior parte da ira de aquecimento global ainda está por vir e a situação é ainda mais ameaçadora do que na foto acima, pelas seguintes razões:

  1. Metade do aquecimento global tem até agora sido mascarado por aerossóis, particularmente os sulfatos que são emitidos quando alguns dos combustíveis fósseis mais sujos são queimados, como o carvão e combustível bunker. Enquanto fizermos a mudança necessária para a energia limpa, o efeito de mascaramento que vem com essas emissões irá desaparecer.
  2. Como Ricke e Caldeira salientam, o dióxido de carbono que é libertado agora, só atingirá o seu pico de impacto daqui a uma década. Por outras palavras, ainda estamos por experienciar toda a ira do dióxido de carbono emitido durante a última década.
  3. picos anormais de temperaturas

  4. A maior ameaça vem de picos de temperatura. Pessoas em algumas partes do mundo vão ser atingidas mais fortemente, especialmente durante os picos de verão, como discutido na próxima secção deste post. Enquanto as temperaturas sobem, a intensidade desses picos irá aumentar. A imagem à direita ilustra isso com uma previsão para 25 de Dezembro de 2015, mostrando o tempo extremo para a América do Norte, com temperaturas tão baixas como 30,6°F -0,8°C na Califórnia, e tão elevadas quanto 71,5°F ou 22°C na Carolina do Norte. [a 26 fizeram de facto 22°C na Carolina do Norte e 3°C na Califórnia].
  5. Mecanismos de reforço positivo como as rápidas mudanças de albedo no Ártico e as grandes quantidades de metano libertadas abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, podem acelerar dramaticamente o aumento de temperatura. Além disso, o vapor de água vai aumentar em 7% para cada 1°C de aquecimento. O vapor de água é um dos gases de efeito estufa mais fortes, logo, o aumento do vapor de água continuará a contribuir para um aumento não-linear da temperatura. As subidas de temperatura resultantes ameaçam ser não-lineares, como discutido na secção final deste post.

A situação é ainda pior para alguns

Tais aumentos de temperatura vão atingir algumas pessoas mais do que outras. Para as pessoas que vivem no hemisfério norte, a perspectiva é pior do que para as pessoas no Hemisfério Sul.

Dados da NOAA mostram que a anomalia da temperatura global em terra e nos oceanos para novembro foi de 0,97°C, enquanto que a anomalia da temperatura global na terra e nos oceanos para 3 meses foi de 0,96°C. A anomalia da temperatura em terra no Hemisfério Norte (onde a maioria das pessoas vivem) em novembro 2015 para 12 meses foi de 1,39°C, como mostrado na imagem abaixo, enquanto a linha de tendência mostra que, para as pessoas que vivem no Hemisfério Norte, um aumento de 1,5°C em comparação com 1910-2000 poderia ser alcançado tão cedo quanto em 2017.

Anomalia da Temperatura Terrestre no Hemisfério Norte

De forma similar, a perspectiva é pior para as pessoas que vivem em regiões que já estão a experienciar agora elevadas temperaturas durante os picos de verão. Como disse, com o aumento das temperaturas, a intensidade de tais picos irá aumentar.

Mecanismos de Reforço Positivo (Feedbacks) no Ártico

A imagem abaixo, de uma publicação anterior, representa o impacto dos feedbacks que estão a acelerar o aquecimento no Ártico, com base em dados da NASA até Novembro de 2013, e a sua ameaça de causarem aquecimento global descontrolado. Como a imagem mostra, as temperaturas no Ártico estão a subir mais rápido do que em qualquer outro lugar no mundo, mas o aquecimento global ameaça recuperar o atraso assim que os feedbacks começarem a ser mais intensivos. A situação, obviamente, deteriorou-se ainda mais desde que esta imagem foi criada em novembro de 2013.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo. 1- Aquecimento global; 2- Aquecimento Acelerado no Ártico; 3- Aquecimento Global Fugidio.

A imagem abaixo mostra as anomalias da temperatura de superfície do mar no Hemisfério Norte em novembro.

Anomalia da Temperatura de Superfície do Mar

A imagem em abaixo dá uma indicação das elevadas temperaturas da água abaixo da superfície do mar. Anomalias tão elevadas como 10,3°C ou 18.5°F foram registadas ao largo da costa leste da América do Norte (círculo verde no painel direito da imagem em baixo) a 11 de dezembro de 2015, enquanto que a 20 de dezembro de 2015, temperaturas tão altas quanto 10.7°C ou 51,3°F foram registadas perto de Svalbard (círculo verde no painel direito da imagem abaixo), uma anomalia de 9,3°C ou 16.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superfície dos Oceanos Dez 2015

Esta água quente é levada pela corrente do Golfo para o Oceano Ártico, ameaçando soltar grandes quantidades de metano do fundo do mar. A imagem abaixo ilustra o perigo, mostrando enormes quantidades de metano sobre o Oceano Ártico a 10 de Dezembro, de 2015.

Níveis de Metano no Ártico

O metano é libertado ao longo do Oceano Ártico em grandes quantidades, e este metano está a mover-se em direção ao equador à medida que atinge grandes altitudes. A imagem em baixo ilustra como o metano está a acumular-se em altitudes mais elevadas.

Níveis globais de metano

A imagem em cima mostra que o metano é especialmente proeminente em altitudes mais elevadas recentemente, tendo impulsionado os níveis de metano numa média estimada em 9 ppb ou cerca de 0,5%. As emissões anuais de hidratos foram estimadas em 99 Tg anualmente, numa publicação de 2014 (imagem abaixo).

Fontes de emissões de metano

Fontes de emissões de metano em Tg por ano.
Pântanos – 217 = 28,1%; Combustíveis fósseis e biomassa – 131 = 17%; Ruminantes, arroz, lixeiras – 200 = 25,9%; Outras fontes naturais, lagos, incêndios – 123 = 16%; Hidratos e Permafrost – 100 = 13%; Total – 171 Tg por ano.

Uns adicionais 0,5% de metano representam uma quantidade de cerca de 25Tg de metano. Isto vem em cima dos 99 Tg de metano estimados em 2014 como sendo libertados de hidratos anualmente.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Referências

– How Close Are We to ‘Dangerous’ Planetary Warming? By Michael Mann, December 24, 2015
http://www.huffingtonpost.com/michael-e-mann/how-close-are-we-to-dangerous-planetary-warming_b_8841534.html

– Maximum warming occurs about one decade after a carbon dioxide emission, by Katharine L Ricke and Ken Caldeira (2014)
http://iopscience.iop.org/1748-9326/9/12/124002/article

– How much time is there left to act?
http://arctic-news.blogspot.com/p/how-much-time-is-there-left-to-act.html

Durante os três meses do período entre Setembro e Novembro de 2015, esteve 1°C mais quente do que entre 1951-1980,…
Publicado por Sam Carana na quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015, em Arctic-News.blogspot.com

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