Ventos fortes sobre o Oceano Ártico
Sam Carana

Tempestades no Oceano Ártico

Ventos fortes sobre o Oceano Ártico

Os ventos sobre o Oceano Ártico atingiram velocidades de até 52 km/h a 19 de Agosto de 2016. A imagem abaixo mostra a Corrente de Jato [Jet Stream] a cruzar o Oceano Ártico a 19 de Agosto de 2016 (veja o mapa na imagem acima para referência geográfica).

O Jet Stream ou Corrente de Jato atravessou o Equador

Velocidade e deriva do gelo do mar no ÁrticoA imagem da Naval Research Lab à direita mostra uma previsão para a velocidade e direção do gelo do mar executada a 15 de Agosto de 2016 e válida para 17 de Agosto de 2016.

Estas tempestades chegam num momento em que o gelo do mar se tornou extremamente fino, como ilustrado pela animação da espessura do gelo do mar pelo Naval Research Lab abaixo, cobrindo um período de execução de 30 dias a 17 de Agosto de 2016, com uma previsão até 25 de Agosto de 2016 . A animação mostra que o gelo marinho plurianual já praticamente que desapareceu.

Com o gelo do mar em tão má forma, ventos fortes podem causar uma queda rápida na extensão do gelo marinho, num momento em que o Ártico ainda tem um pouco de insolação. No Polo Norte, a insolação descerá para zero na altura do Equinócio de Setembro de 2016.

Espessura do gelo do mar a 25 de Agosto 2016 - previsãoAinda mais aterrorizante é a previsão da Research Lab da Naval para a espessura do gelo do mar do Ártico para 25 de Agosto de 2016, executado a 17 de Agosto de 2016, utilizando um novo modelo HYCOM, como mostrado à direita.

Com o gelo do mar plurianual mais espesso agora praticamente desaparecido, o restante gelo do mar está propenso a fraturar-se e a ficar lamacento, o que também faz com que seja mais escuro na cor e, portanto, propenso a absorver mais luz solar.

Ventos e quebra e deriva do gelo no ÁrticoAlém disso, se os ventos fortes continuarem a atingir o Oceano Ártico ao longo das próximas semanas, isso poderá empurrar a maior parte do gelo do mar para fora do Oceano Ártico, pelas bordas da Gronelândia em direção ao Oceano Atlântico.
Os ventos fortes estão previstos continuarem a atingir o Oceano Ártico duramente na próxima semana, como ilustrado pela imagem à direita mostrando uma previsão para 24 de Agosto de 2016.

À medida que a extensão do gelo marinho cai, menos luz solar é refletida de volta para o espaço e em vez disso é absorvida pelo Ártico. Uma vez que o gelo do mar se desaparecer, isso pode contribuir para um rápido aumento da temperatura das águas de superfície.

O vídeo abaixo mostra as previsões do cci-reanalyzer.org para a velocidade do vento a 10 metros desde 25 de Agosto de 2016 às 1800 UTC até 2 de Setembro de 2016 às 0300 UTC.

O painel esquerdo na imagem abaixo mostra ventos (de superfície) que alcançam velocidades tão elevadas quanto 61 km/h sobre o Oceano Ártico (círculo verde), enquanto que o painel direito mostra os ventos nos 250 hPa (corrente de jato).

Ventos fortes no Ártico e Corrente de Jato

À medida que o Ártico aquece mais rápido do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Ártico diminui, reduzindo a velocidade com que o a Corrente de Jato Polar Norte circunda a Terra, tornando-a ondulada.

Como resultado, a Corrente de Jato pode estender-se bem longe sobre a América do Norte e a Euroásia, permitindo que o ar frio se mova mais facilmente fora do Ártico (por exemplo, em profundidade na Sibéria) e, ao mesmo tempo permitindo que o ar quente se mova mais facilmente para o Ártico (por exemplo, a partir do Oceano Pacífico). Tais alterações na Corrente de Jato também permitem que ventos fortes atravessem a Sibéria Oriental mais facilmente e causem um clima tempestuoso sobre o Oceano Ártico.

Isto é ilustrado pela imagem abaixo. O painel esquerdo mostra a Corrente de Jato a cruzar a Sibéria Oriental com velocidades tão elevadas como 277 kmh a 27 de Agosto de 2016, enquanto ao nível da superfície ventos ciclónicos que ocorrem ao longo do Oceano Ártico atingiram velocidades tão elevadas quanto 78 km/h naquele dia.

O painel da direita mostra que, naquele dia, o ar frio entrou profundamente na Sibéria Central, resultando em temperaturas tão baixas como -15,9°C na Sibéria Central e temperaturas que eram mais elevadas do que costumavam ser sobre o Oceano Ártico.

Jet Stream ou corrente de jato atravessa a Sibéria

A imagem e baixo mostra os ventos à superfície (em cima) e os ventos a 250 hPa (ou seja, na Corrente de Jato, em baixo) sobre o Oceano Ártico, causando a queda de neve (a azul) e chuva (a verde) a norte da Gronelândia (centro).

Neve e chuva a norte da Gronelândia

A chuva pode ter um impacto devastador sobre o gelo do mar, devido à energia cinética que quebra o gelo assim que é atingido.

Isto pode fragmentar o gelo, resultando em água que é mais quente do que o gelo a derretê-lo tanto no topo como nos lados, para além da fusão que ocorre na parte inferior devido ao calor do oceano que aquece o gelo a partir de baixo, e a fusão que ocorre na parte superior devido à luz solar que aquece o gelo a partir de cima.

Além disso, onde a água da chuva permanece no topo do gelo do mar, piscinas de água vão se formar, alimentadas pela água da chuva e a água de degelo. Isto irá escurecer a superfície. O gelo do mar a derreter também é de cor mais escura e, quando o gelo marinho derrete completamente, a água ainda mais escura vai surgir. Como resultado, menos luz solar está a ser refletida de volta para o espaço e mais luz solar é em vez disso absorvida.

A imagem abaixo mostra a espessura gelo do Oceano Ártico (em m, aparência presente, executado a 27 de Agosto de 2016, com validade para 28 de Agosto de 2016, no painel da esquerda) e a velocidade e deriva do gelo do mar do Ártico (em cm por segundo, aparência presente, executado a 27 de Agosto de 2016, com validade para 28 de Agosto de 2016, painel da direita).

Espessura do gelo do mar no Artico

O perigo é que tais tempestades, especialmente nesta época do ano, possam empurrar muito gelo do mar para fora do Oceano Ártico, ao longo das bordas da Gronelândia, para o Oceano Atlântico.

Espessura do gelo do mar, comparação 2012 - 2016

Este perigo aumenta à medida que o gelo do mar fica mais fino. A imagem acima mostra a previsão presente da espessura do gelo (em m), executada a 30 de Agosto e válida para 31 de Agosto de cada ano desde 2012 a 2016.

Níveis de Metano em Agosto 2016

A seguir à perda da cobertura de neve e gelo, outro grande perigo no Ártico é a libertação de metano.

A imagem acima mostra níveis de metano tão elevados quanto 2454 ppb a 25 de Agosto, 2016 (painel superior), fortes erupções desde o Alasca à Gronelândia a 26 de Agosto de 2016 (painel do meio), e a média dos níveis de metano tão elevada quanto 1862 ppb a 27 de Agosto de 2016 (painel inferior).

Pico dos níveis de metano a 30 de Agosto de 2016A imagem à direita mostra níveis elevados de metano registados em Barrow, Alasca, até 30 de Agosto de 2016.

A imagem abaixo mostra ventos ciclónicos (centro-esquerda) sobre o oceano Ártico a 22 de Agosto de 2016.

Ventos fortes de ciclone no Ártico em Agosto 2016

A imagem abaixo mostra o quão pouco gelo do mar restou em locais próximos do Polo Norte a 25 de Agosto de 2016.

Gelo do mar a desaparecer perto do Polo Norte

Extensão do gelo do mar no ÁrticoA imagem à direita mostra que a extensão do gelo marinho do Ártico foi de 4,8 milhões de km quadrados a 27 de Agosto de 2016, de acordo com o NSIDC.

Dados da NOAA mostram que a temperatura global da terra e oceano em Julho de 2016 era de 16,67°C, a temperatura mais alta para qualquer mês no registo.

A imagem abaixo mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar em Julho (em comparação com a média do século 20) no Hemisfério Norte.

Anomalia da temperatura de superficie do mar- 1980-2016Este calor do oceano está agora a ser levado pela Corrente do Golfo em direção ao Oceano Ártico.

Entretanto, a área fria da superfície do mar que estava tão pronunciada sobre o Atlântico Norte em 2015, está a ser sobrecarregada pelo calor do oceano.

Isto é ilustrado pela imagem abaixo que mostra anomalias da temperatura de superfície do mar a 27 de Agosto de 2015 (painel esquerdo) e a 27 de Agosto de 2016 (painel direito).

Anomalia da temperatura revela área fria do Atlântico Norte a diminuir em tamanho.

A imagem abaixo mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar no Ártico (latitude 60°N-90°N) em comparação com 1961-1990.

Anomalias da temperatura de superficie do mar no Ártico 26 Agosto 2016

A imagem abaixo do Climate Reanalyzer mostra também as anomalias da temperatura de superfície do mar a 16 de Agosto de 2016, desta vez em comparação com 1979-2000.

Anomalia da temperatura de superfície do mar, comparação 1979-2000

A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra anomalias da temperatura da superfície do mar a 12 de Agosto de 2016, no painel do lado esquerdo, e anomalias da temperatura da superfície do mar no painel do lado direito.

Temperaturas elevadas do mar a 12 de agosto no Ártico

Temperatura e anomalia da superfície do mar. Anomalias de 1 a 2 graus C estão a vermelho, acima disso ficam a amarelo e branco.

A imagem acima também mostra que, a 12 de Agosto de 2016, as temperaturas da superfície do mar perto de Svalbard (no local marcado pelo círculo verde) estavam tão elevadas quanto 18.9°C, uma anomalia de 13,6°C.

Como dito acima, as alterações na Corrente de Jato [Jet Stream] permitem que o ar quente se mova mais facilmente para o Oceano Ártico e o ar frio se mova mais facilmente para fora do Oceano Ártico. Onde os mares são rasos, um aumento da temperatura de superfície pode rapidamente aquecer toda a água até ao fundo do mar do oceano Ártico, onde pode desestabilizar os hidratos de metano contidos nos sedimentos.

Farewell to Ice, Adeus ao Gelo, livro de Peter WadhamsIsso pode fazer com que as enormes quantidades de metano sejam libertadas do fundo do mar. Dado que muitos dos mares no Ártico são muito rasos, grande parte desse metano pode entrar na atmosfera sem ser degradado na água, resultando num enorme aquecimento adicional, especialmente sobre o Ártico. Como discutido num post anterior, isto pode contribuir para um aumento da temperatura global em mais de 10°C até ao ano de 2026.

Uma das pessoas que nos vem alertando sobre estes perigos há muitos anos é o professor Peter Wadhams, do qual o novo livro A Farewell to Ice [Um Adeus ao Gelo] foi lançado recentemente (256 páginas, publicado a 1 de Setembro de 2016).

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, como discutido no Plano Climático.

Traduzido do original Storms over Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 19 de Agosto de 2016, atualizado a 31 de Agosto de 2016.

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Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012
Sam Carana

Queda Dramática do Gelo do Mar no Ártico

Desde o início de Abril de 2016, tem havido problemas com o sensor do satélite F-17 que forneceu os dados para muitas das imagens do gelo do mar no Ártico. A 12 de Abril, o NSIDC emitiu um aviso de que tinha suspendido o fornecimento de atualizações do gelo do mar. A 6 de Maio, o NSIDC anunciou que havia completado a transição para outro satélite. A linha pontilhada vermelha na imagem abaixo mostra os dados do satélite F-18 de 1 de Abril a 15 de Maio de 2016.

Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012

O site da JAXA também fornece imagens da extensão do gelo do mar, obtendo dados de um satélite japonês. Eles mostram que a medida do gelo do Oceano Ártico a 15 de Maio de 2016 era de 11.262.361 quilómetros quadrados, 1,11 milhões de km quadrados menor do que era a 15 de Maio de 2012.

Extensão do gelo marinho no Oceano Ártico comparado a 2012

O Cryosphere Today ainda está a usar dados do satélite F17, mostrando alguns picos estranhos. Albert Kallio pegou numa imagem recente e removeu os pontos defeituosos, resultando na imagem abaixo que mostra a área de gelo do mar até 03 de Maio de 2016.

Área do gelo marinho no Ártico em comparação com anos anteriores

[linha amarela é 2016, linha vermelha é 2015]

Importante: a imagem acima confirma que o gelo do mar do Ártico em 2016 tem de facto estado muito em baixo, se não mesmo no mais baixo para a época do ano. Especialmente desde Abril de 2016, o gelo do mar caiu muito abaixo do quer que seja que tenhamos vimos em anos anteriores. Abaixo, Albert elabora sobre a comparação dos dados.

por Albert Kallio
Os dados do satélite dos EUA reparado (F-17) mostram uma área pequena recorde do gelo do mar para Maio de 2016 concordando com os dados japoneses (Jaxa)

Um conjunto de dados do Sensor Especial de Imagens e Sonda por Microondas (SSMIS), já corrigido no satélite F-17 do Defense Meteorological Satellite Program (DMSP), que fornece temperaturas de brilho por microondas passivas (e os produtos derivados de gelo marinho do Ártico e da Antártida), foi corrigido aqui quanto ao erro de instrumentação do sistema. Isto está de acordo com a curva da JAXA japonesa e foi realizado pela remoção dos picos incaracterísticos para cima de ‘crescimento do gelo’ por intrapolation linear dos pontos de dados corruptos. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar no Hemisfério Norte está sazonalmente num novo recorde mínimo que tem continuado em Maio de 2016.

A curva aperfeiçoada do F-17 concorda com a curva japonesa do satélite JAXA. A reconciliação das duas foi conseguida pela remoção dos picos para cima incaracterísticos por intrapolation linear de pontos de dados dos dias corrompidos, os quais mostraram de forma incorrecta um crescimento imenso da área de gelo do mar a meio da temporada de degelo de primavera. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar está sazonalmente em mínimos recorde. Portanto, meios de comunicação que estão a citar dados recentes da área de gelo do mar pelo satélite F-17 estão a distorcer intencionalmente os factos com suas reivindicações de o Hemisfério Norte ter uma área de gelo marinho recorde para esta estação – enquanto que na realidade – exatamente o oposto tem acontecido.

O gelo do mar do Ártico está em má forma e tende a deteriorar-se ainda mais, por uma série de razões.

Temperatura acima de 50 graus na Índia e PakistãoO ano de 2016 é um ano de El Niño e de aquecimento, como ilustrado pela previsão de 51°C (124.1 °F) para 22 de Maio de 2016, sobre o Indus Valley no Paquistão (ver imagem à direita).

A insolação durante os meses de Junho e Julho no Ártico é muito mais forte do que no resto do mundo. Os gases de efeito estufa estão em níveis recorde, o CO2 era de 408,2 ppm a 12 de Maio de 2016, e os níveis de metano estão elevados e a aumentarem, especialmente sobre o Ártico.

O calor do Oceano também está muito elevado e a aumentar. A imagem em baixo mostra que os oceanos no Hemisfério Norte estavam 0.93°C (ou 1.7°F) mais quentes no período de 12-meses mais recente (Maio 2015 até Abril 2016) do que a média do século 20.

temperatura-oceano-anomalia-hemisferio-norte-maio-abril

A situação é melhor ilustrada pela imagem em baixo, usando dados da NOAA com a linha de tendência adicionada que aponta para uma subida de 3°C (5.4°F) antes do ano de 2040.

Anomalia da temperatura do oceano numa previsão para 2040

As chances são de que o gelo do Ártico terá desaparecido na sua maior parte até Setembro de 2016. Como o gelo diminui, cada vez mais a luz solar é absorvida pelo Oceano Ártico. Este é um de muitos feedbacks que estão a atingir o Ártico. O perigo é que, à medida que esses feedbacks começam a entrar em cena mais fortemente, o calor vai chegar ao fundo do mar do Oceano Ártico e desencadear a libertação do metano em quantidades enormes a partir do leito marinho do Oceano Ártico.

Recentemente, uma libertação de metano abrupta do leito marinho do Oceano Ártico fez entrar na atmosfera sobre o Mar da Sibéria Oriental, aparecendo níveis tão elevados quanto 2578 ppb (em 586 mb a 15 de Maio, 2016, pm, veja imagem abaixo). Tais libertações abruptas são indícios de que os hidratos de metano estão a desestabilizar e são avisos de que uma catástrofe climática está à espera de acontecer.

Libertação abrupta de metano no Ártico faz subir níveis

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Further Confirmation Of Arctic Sea Ice Dramatic Fall de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 16 de Maio de 2016.
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Robertscribbler

Os 2 C Aproximam-se Mais Depressa do que Temíamos – Picos de Metano Atmosférico de 3096 Partes por Bilião

É essencial que os políticos comecem a considerar seriamente a possibilidade de um feedback substancial de carbono da permafrost no aquecimento global. Se não o fizerem, suspeito que em pouco tempo vamos todos estar a olhar para o limite de 2°C pelo espelho retrovisor.

Robert Max Holmes

****

Desvendar o puzzle do aquecimento global é simples à primeira vista, mas complexo assim que se esgravata a superfície.

Sabemos que a queima de combustíveis fósseis, a atividade de mineração de carvão, o fracking para o gás, e a perfuração de petróleo, resultam todos em emissões de gases com efeito de estufa perigosos. Sabemos que a grande maioria destes gases de aquecimento de estufa são provenientes de fontes de combustíveis fósseis. Sabemos que, agora, a queima, a mineração, o fracking e a perfuração têm empurrado o CO2 atmosférico acima de 405 partes por milhão e a concentração global de todos os gases equivalentes a CO2 a umas surpreendentes 485 partes por milhão de CO2e (níveis não vistos em pelo menos 15 milhões de anos ). E sabemos que o calor re-irradiado por esses gases aqueceu o mundo em cerca de 1 C acima dos níveis de 1880 – forçando os padrões climáticos a mudarem, os mares a subirem, a saúde do oceano a declinar, e a desencadear uma onda de mortes em massa no mundo animal enquanto aumentando o risco a curto prazo de fome, propagação de doenças tropicais, e deslocamentos em massa no mundo humano.

Forçamento Radiativo

(O calor adicionado à atmosfera terrestre por gases emitidos pelos combustíveis fósseis como CO2 e Metano é medido em watts por metro quadrado. Um critério conhecido como forçamento radiativo [RF]. No gráfico acima, pelo IPCC, podemos ver os níveis estimados de forçamento radiativo de cada gás com efeito de estufa e o forçamento total líquido de calor pelos humanos sobre a atmosfera da Terra desde 2011. É uma medida que poderá precisar de começar a adicionar também o RF de gases com efeito de estufa de feedback à medida que o século 21 avança. Fonte da imagem: RealClimate).

Sabemos muitos dos nomes desses outros gases – metano, óxido nitroso e clorofluorocarbonetos. E alguns dos outros – como o hexafluoreto de enxofre – que muitos de nós ainda não ouvimos falar. Mas o grande nome, o agente de aquecimento primário, é o dióxido de carbono – por si próprio responsável, atualmente, pela maioria do forçamento de calor global. Um gás tão importante para o aquecimento a longo prazo que a NASA o chamou de ‘o termostato que controla a temperatura da Terra.’

Tudo isto é bastante simples e direto. Mas é quando começamos a olhar para o que são chamados de feedbacks amplificadores [NT: mecanismos de auto-reforço positivo] – as respostas da Sensibilidade do Sistema Terrestre ao aquecimento forçado por humanos – que as coisas começam a ficar mesmo perigosas. E embrulhado na equação de Sensibilidade do Sistema Terrestre está o metano – um gás de efeito estufa com a capacidade de influenciar fortemente as temperaturas globais em prazos bastante curtos.

Picos de Metano de Mais de 3.000 Partes por Bilhão

A 20 de Fevereiro, durante cerca de 12 horas, a medição NOAA METOP registou um grande pico de metano atmosférico alcançando 3.096 partes por bilhão a 20.000 pés de altitude. Esta foi a primeira vez que qualquer medição havia registado um pico de metano tão elevado e a primeira vez que qualquer medição havia ultrapassado o limiar das 3.000 partes por bilhão. Para contexto, há apenas dois anos atrás, um pico de metano alcançando as 2.660 partes por bilhão teria sido significante. Agora, estamos a obter leituras de picos que são 400 partes por bilhão superiores ao limite máximo anterior.

Niveis de metano pelo METOP - fevereiro 2016

(O METOP mostrou um pico recorde de 3.096 partes por bilhão de metano atmosférico a 20 de Fevereiro de 2016. Até agora, este foi o maior aumento deste género já registado nas medições da NOAA. Um que excedeu de longe a média atmosférica global de cerca de 1.830 partes por bilhão. Fonte da imagem: NOAA / METOP).

É um sinal muito agourento – especialmente quando se considera o facto de que as médias de metano atmosférico globais estão na faixa de 1830 partes por bilhão. O grande aumento recente foi mais elevado em cerca de 1170 partes por bilhão. Por outras palavras – algo muito extraordinário. É prova de que as fontes de metano do mundo estão a ficar mais vigorosas nas suas emissões. E quando se considera o facto de que o metano – numa comparação molécula por molécula com CO2 – retém cerca de 80 vezes mais calor numa escala de tempo de décadas, grandes adições de metano no topo de um forçamento por CO2 já perigoso é certamente motivo de alguma preocupação. Uma questão que pode acelerar ainda mais o já rápido ritmo de aquecimento forçado pelos humanos de tal modo que ficamos em risco de atingir os limiares de 1,5 C e 2 C, mais cedo do que o esperado. Resultados que devíamos estar urgentemente a trabalhar para evitar – cortando as emissões de base humana tão rapidamente quanto possível no tempo.

Os Suspeitos do Costume – Atividade Baseada em Combustível Fóssil

Talvez ainda mais preocupante seja o facto de que realmente não sabemos exatamente de onde este pico significativo de metano está a vir.

Temos, contudo, uma longa lista de suspeitos do costume. O primeiro, é claro, seria a partir de um qualquer número de fontes muito grandes e perigosas de emissões de combustíveis fósseis. A China, com suas minas maciças de carvão que arrotam metano, infra-estruturas de gás, e instalações de queima de carvão sujo, seria o principal suspeito. A Mongólia, onde instalações de carvão e gás, que alastram igualmente, operam, é outro ponto quente provável. A Rússia – com os seus vastos campos de petróleo e gás com fugas. O Médio Oriente – que está engasgado com infra-estrutura de combustíveis fósseis. A Europa – onde muitos dos oleodutos da Rússia terminam e onde muitas nações queimam um carvão castanho de elevado metano. E os Estados Unidos – onde a prática geologicamente destrutiva do fracking tem agora também recentemente aumentado grandemente as emissões de metano.

Suspeitos Não Usuais – Permafrost e Clatratos Aquecidos pelas Emissões de Combustíveis Fósseis

Olhando para a resolução muito baixa do gráfico METOP acima, encontramos uma série de pontos quentes de metano por todo o mundo. E muitos desses pontos quentes coincidem com a nossa lista de suspeitos do costume. Mas outros estão bem fora da faixa que normalmente seria de esperar. Lá bem em cima no norte, sobre a tundra e o Oceano Ártico, onde já existem algumas instalações grandes de queima de combustíveis fósseis ou de extração. Lá, um pouco ironicamente, grandes pilhas de permafrost, que se espalham ao longo de milhões de milhas quadradas e por vezes tão espessas quanto duas milhas, estão a descongelar devido ao forçamento de calor pelos gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis, muitas vezes acontecendo a centenas ou milhares de milhas de distância. Esta permafrost a descongelar está preenchida com material orgânico. E quando libertado da sua prisão de gelo, fica exposta aos elementos e micróbios do mundo. Estas forças, em seguida, começam a trabalhar, tornando o carbono orgânico nessa permafrost em dióxido de carbono e metano.

Isto é bastante má notícia. No total, mais de 1.300 bilhões de toneladas de carbono estão trancadas em solos da permafrost. E as emissões de carbono de permafrost fazem um já mau forçamento de calor proveniente da queima de combustíveis fósseis ainda pior.

Níveis de metano em Barrow, Alasca

(Os níveis de metano atmosférico tal como registados por várias estações de relatórios e monitores globais têm vindo a aumentar mais rapidamente nos últimos anos. No Ártico, as leituras atmosféricas têm tendido a manter-se acima da média global – uma indicação de que as emissões locais estão a gerar uma sobrecarga para a região. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Como se todas as emissões humanas e as potenciais emissões da permafrost não fossem já suficientemente más, temos mais uma grande fonte de carbono no Ártico a considerar – hidratos de metano. Uma potencial fonte de libertação de metano controversa, certamente. Mas uma muito grande, que seria negligente ignorarmos. Devido ao facto de que o Ártico se manteve, em geral, muito frio nos últimos 3 milhões de anos de longas eras glaciares e breves interglaciais, este reservatório maciço de carbono tem tido oportunidade de se acumular nas águas relativamente rasas, que agora aquecem rapidamente, do oceano Ártico, e até sob grandes secções da permafrost que agora descongela. Muito deste carbono está sob a forma congelada de gelo-metano, chamado hidrato. E à medida que o Oceano Ártico aquece e o gelo do mar recua para expor oceano azul ao aquecimento dos raios do sol pela primeira vez em centenas de milhares de anos, há uma preocupação entre alguns cientistas de que uma quantidade não insignificante desse metano congelado submerso irá libertar-se , passar os limites da interface oceano-atmosfera ou da permafrost que descongela, e adicionar mais forçamento de calor à atmosfera global. O mar raso da Plataforma Continental da Sibéria foi identificado por alguns como contendo tanto quanto 500 bilhões de toneladas de carbono na forma de metano congelado. E um aquecimento da Terra alimentado a combustíveis fósseis poderá estar agora mesmo a arriscar erupções, a um nível de um feedback amplificador, a partir deste grande reservatório de clatratos juntamente com uma série de outros reservatórios muito grandes espalhados por toda a bacia do Oceano Ártico e em todo o sistema oceânico global.

Uma Imagem Mais Clara? Ou Uma Muito Mais Complexa?

Então qual, de entre os vários suspeitos – usuais e incomuns – pode ser responsável pelo pico recorde de metano que aparece agora na medição da METOP?

Antes de tentarmos responder a esta pergunta, vamos puxar outro gráfico de metano – este do Observatório Copernicus:

Leituras Globais de Metano por Copernicus

(O gráfico de metano de Copenicus de 25 de fevereiro, que faz o rastreamento das leituras de metano à superfície, dá-nos uma indicação de maior resolução das leituras de metano à superfície do que a medida NOAA METOP. Esta segunda medição proporciona alguma confirmação de um sobrecarregamento de metano no Ártico, mesmo quando fontes de picos de emissões humanas se tornam mais evidentes. Picos ominosos também vêm aparentemente de incêndios florestais nos trópicos e de regiões no Ártico perto de Yamal, Rússia, Escandinávia do Norte, e os mares Barents e Kara. Fonte da imagem: O Observatório Copernicus).

Aqui podemos ver a variação nas leituras de metano de superfície de acordo com a Copernicus. Uma imagem de maior resolução que pode oferecer uma melhor ideia da localização do ponto-fonte dos picos diários globais de metano. Aqui vemos que as principais fontes de metano são predominantemente a China, Rússia, Médio Oriente, Europa, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Incêndios em África e na Amazônia, e, por fim, o Ártico.

Embora a medição Copernicus não mostre o mesmo nível de sobrecarrega no Ártico como aquele que tende a aparecer na medição METOP, é uma confirmação de que algo no ambiente perto do Ártico está a gerar picos locais acima das 1940 partes por bilhão para grandes regiões desta zona sensível.

A medição pelo Copernicus, como mencionado acima, também mostra que os picos humanos são bastante intensos, mantendo-se como a fonte dominante de emissões de metano globalmente, apesar de uma contínua sobrecarga perturbadora no Ártico. Picos em África, na Amazónia, e Indonésia também indicam que as florestas em declínio e os incêndios relacionados nestas zonas tropicais estão também, provavelmente, a proporcionar um feedback amplificador às emissões humanas em geral.

Dados os picos deste mês e a disposição geral das leituras de metano de superfície ao redor do mundo, parece que a grande emissão de metano de base humana está a ser reforçada por feedbacks das emissões locais de reservas de carbono tanto nos trópicos como no Ártico. Este sinal de reforço, embora um pouco menor do que o sinal relacionado com os combustíveis fósseis em algumas medições, é preocupante e sugere que o aviso de Robert Max Holmes no iníco deste post pode ser por demais relevante. Pois os feedbacks do Sistema Terra às enormes e irresponsáveis emissões de combustíveis fósseis ​​parecem já estar a começar a complicar a nossa imagem de uma Terra em aquecimento.

Links:

CO2: O Termostato que Controla a Temperatura da Terra

Pico Ominoso de Metano no Ártico Continua

Pico de Metano Enorme Vindo de Fracking nos EUA

Libertação de Metano da Permafrost Pode Desencadear Aquecimento Global Perigoso

Preocupação com a Libertação Catastrófica de Metano

A4R Rastreamento Global de Metano

O Observatório Copernicus

NOAA ESRL

RealClimate

NOAA / METOP

Gorjeta para Griffin

Traduzido do original 2 C Coming On Faster Than We Feared — Atmospheric Methane Spikes to Record 3096 Parts Per Billion, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 26 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

níveis de metano no ártico

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

tipos de aquecimento no Ártico, CO2, albedo e metano

Três Tipos de Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

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Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro
Sam Carana

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

Sugerimos a leitura de “Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Um post anterior perguntava se a extensão máxima para este ano já haveria sido alcançada, ou seja, a 9 de fevereiro de 2016, quando a extensão do gelo marinho era de 14.214 milhões de km2.

Como ilustrado pela imagem abaixo, a extensão desde então tem sido menor, inclusive nos dois dias mais recentes na imagem, ou seja, a 16 e 17 de fevereiro de 2016, quando a extensão era, respectivamente, de 14.208 e 14.203 milhões de km2.

Extensão do gelo do Ártico 17 fevereiro

No ano passado (2015), a extensão máxima do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Isso é próximo da data mais recente na imagem de 17 de Fevereiro, logo, com o El Nino ainda forte, poderá muito bem vir a ser que o máximo em 2016 será alcançado mais cedo.

Por outro lado, os ventos fortes poderiam espalhar o gelo do mar e acelerar a sua deriva para fora do Oceano Ártico, o que pode resultar numa extensão maior, mas que não fará muito para fortalecer o gelo do mar.

ATUALIZAÇÕES: A 18 de fevereiro de 2016 (seta), a extensão do gelo marinho do Ártico foi de 14.186 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, menos do que era a 9 de fevereiro. De facto, a extensão do gelo do mar não foi maior em nenhum dia desde 9 de fevereiro de 2016. Então, a pergunta é, será que a extensão máxima deste ano já passou por nós (ou seja, a 9 de Fevereiro)?

Máximo da extensão do gelo do mar do Ártico Fevereiro 2016

A imagem abaixo mostra que o calor está a ter um enorme impacto sobre o gelo do mar, com algumas áreas (preto) que mostram anomalias da temperatura de superfície do mar acima de 8°C (ou acima de 14,4°F).

Anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico

De forma ameaçadora, a superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte estava tanto quanto 11.8°C ou 21.3°F mais quente a 19 de Fevereiro de 2016 do que em 1981-2011 (no local marcado pelo círculo verde na imagem abaixo).

Temperaturas superfície do mar quentes ao largo da América-Norte

As temperaturas sobre o Oceano Ártico estão previstas para permanecerem extremamente elevadas nos próximos cinco dias, com anomalias em grande parte do Oceano Ártico achegarem ao topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F.

Anomalias previstas nas temperaturas Ártico para fevereiro

Como a imagem em baixo mostra, a área de gelo do mar do Ártico estava num recorde baixo para a época do ano a 18 de fevereiro de 2016.

Área do gelo do mar do Ártico em recorde baixo para fevereiro

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico a 20 de Fevereiro de 2016, era apenas de 14,166 milhões de km2 (seta), somando aos receios de que o máximo deste ano já tenha sido alcançado a 9 de fevereiro.

Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro

Enquanto isso, níveis muito elevados de metano, tão elevados quanto 3096 partes por bilião, foram registados a 20 de Fevereiro de 2016, como mostrado pela imagem abaixo.

Niveis de metano elevados a 20 de fevereiro

Uma análise mais aprofundada indica que estes níveis elevados provavelmente originaram do desestabilizar de hidratos de metano dos sedimentos, a partir de uma localização próxima da latitude 85° Norte e longitude +105 ° (Leste), na Cordilheira de Gakkel, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental, no local do marcador vermelho no mapa abaixo.

Desestabilização de hidratos de metano Cordilheira de Gakkel

Em baixo está um mapa de comparação, a partir de grida.no

Plataforma Continental Ártico Sibéria Oriental

Abaixo está um mapa com anomalias da temperatura de superfície do mar a 20 de fevereiro de 2016. O círculo verde marca a localização provável da desestabilização sedimentos e subsequente nuvem de metano, cerca da latitude 85° Norte e longitude +105° (leste), na Cordilheira de Gakkel Ridge, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental.

Anomalias nas temperatura de superficie do mar-20 fevereiro

Se quiser, pode discutir isto mais aprofundadamente no grupo Arctic News ou em baixo.

Traduzido do original Has maximum sea ice extent already been reached this year? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 18 de Fevereiro de 2016.

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Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

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Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo
Sam Carana

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

Sugerimos a leitura de “Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Para a época do ano, o gelo do Ártico continua em num recorde mínimo desde que os registros de satélite começaram em 1979, tanto para a área como para a extensão. A imagem abaixo mostra a área de gelo do mar do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a área era de 12,49061 milhões de quilómetros quadrados.

Gelo do Ártico Recorde Mínimo em Fevereiro de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo marinho do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a extensão era de 14.186 mil quilómetros quadrados.

Extenção do gelo marinho no Ártico Fevereiro 2016

A razão para o recorde mínimo de gelo marinho é que há mais calor do oceano do que costumava haver. A imagem abaixo mostra que, a 12 de fevereiro de 2016, a temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico estava tão quente quanto 11,3°C (52,4°F) num local perto de Svalbard marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C (18,7°F).

Temperatura de Superfície do Mar no Ártico, 12 Fevereiro 2016

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar América do Norte

A razão para isto é que a água ao largo da costa leste da América do Norte é muito mais quente do que costumava ser.

A Corrente do Golfo está a empurrar o calor até ao Oceano Ártico.

A imagem à direita mostra que a 14 de fevereiro, 2016, as anomalias da temperatura de superfície do mar (em comparação com 1981-2011) ao largo da costa leste da América do Norte, estavam tão elevadas quanto 10.1°C ou 18.1°F (no local marcado pelo círculo verde ).

Enquanto que a superfície do mar parece mais fria (em comparação com 1981-2011) sobre uma grande parte do Atlântico Norte, uma quantidade crescente de calor do oceano parece estar a viajar por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico, como discutido no post anterior no link.

Médias das anomalias da temperatura de superfície do mar em em diferentes latitudes do globo.

Isto significa más notícias para o gelo do mar em 2016, já que o El Niño ainda está forte. As temperaturas em janeiro de 2016 sobre o Oceano Ártico estavam 7,3°C (13,1°F) maiores do que a média de 1951-1980, de acordo com dados da NASA, como ilustra o gráfico à direita.

Anomalia da temperatura terrestre para Janeiro
Uma tendência polinomial adicionada à anomalia da temperatura em terra de janeiro no Hemisfério Norte desde 1880 mostra que uma subida de 10°C (18°F) poderia acontecer até ao ano de 2044, como ilustra o gráfico à direita. Ao longo do Oceano Ártico, pode-se esperar um aumento ainda mais dramático.

Como o mapa da NASA em baixo ilustra, a anomalia da temperatura terra-mar global para janeiro de 2016, em relação à média de 1951-1980, foi de 1,13°C (ou mais de 2°F) e o calor atingiu mesmo o Oceano Ártico mais fortemente do que noutros lugares.
Temperatura Terra-Mar Global Anomalia - NASA

Enquanto isso, níveis de metano tão elevados quanto 2539 partes por bilião (ppb) foram registados a 13 de Fevereiro de 2016, como ilustrado pela imagem abaixo.
Níveisde metano fevereiro 2016

O perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão entrar em erupção de forma abrupta a partir do fundo do mar.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Actualização: a extensão do gelo do mar no Ártico continua a cair. No ano passado (2015), a máxima extensão do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Será que a extensão máxima para este ano já foi alcançada a 9 de fevereiro de 2016? A imagem abaixo ilustra esta questão. discutida mais adiante no grupo Arctic News.

Traduzido do original Arctic sea ice remains at a record low for time of year de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 15 de Fevereiro de 2016.

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CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

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aumento da temperatura em 0,3°C até 1900
Sam Carana

Alterações Climáticas: Após o Acordo de Paris, Onde Ficamos?

Sugerimos a leitura de “Alterações Climáticas: Após o Acordo de Paris, Onde Ficamos?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, os países comprometeram-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, mantendo o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazendo esforços para limitar o aumento da temperatura em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

aumento da temperatura global 1,5C

Quanto é que as temperaturas já subiram? Como ilustrado pela imagem acima, dados da NASA mostram que, durante o período trimestral de setembro a novembro de 2015, estava ~ 1°C mais quente do que em 1951-1980 (ou seja, que a linha de base).

Uma tendência polinomial com base nos dados de 1880-2015 para estes três meses indica que um aumento de temperatura de 1,5°C em relação à linha de base será alcançado no ano de 2024.

Vamos verificar os cálculos. A linha de tendência mostra que estava ~ 0,3°C mais frio em 1900 comparado com a linha de base. Considerando o atual aumento em ~ 1°C, isso implica que desde 1900 houve um aumento de 1,3°C em relação à linha de base. Isto faz com que um outro aumento de 0,2°C até 2024, como indicado pela linha de tendência, resultaria num aumento conjunto em 2024 de 1,5°C em comparação com a linha de base.

Anomalia da temperatura de superfície nos continentes

A situação é ainda pior do que isso. O Acordo de Paris visa evitar um aumento de temperatura de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Quando incluímos os aumentos de temperatura desde os níveis pré-industriais até o ano de 1900, torna-se evidente que já ultrapassámos um aumento de 1,5°C desde os níveis pré-industriais. Isto é ilustrado pela imagem acima, anteriormente adicionada a Quanto tempo resta para agir? (vejam as notas ali), e pelo gráfico em baixo, de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que um aquecimento de ~ 0,3°C por efeito de estufa já havia ocorrido por volta do ano de 1900.

aumento da temperatura em 0,3°C até 1900

Um aquecimento de ~ 0,3°C por efeito de estufa já havia ocorrido pelo ano de 1900.

Vamos adicionar as coisas novamente. Um aumento de ~ 0,3°C antes de 1900, um novo aumento de 0,3°C entre 1900 e a linha de base (1951-1980) e um novo aumento de ~ 1°C desde a linha de base até à data, juntos representam um aumento de ~ 1,6°C em relação aos níveis pré-industriais.

Por outras palavras, já ultrapassámos um aumento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais em 0,1°C.

A linha de tendência indica que um novo aumento de 0,5°C terá lugar até ao ano de 2030. Ou seja, que sem uma ação abrangente e efetiva, ficará 2°C mais quente do que os níveis pré-industriais antes do ano de 2030.

O pior das emissões ainda está por vir.

A maior parte da ira de aquecimento global ainda está por vir e a situação é ainda mais ameaçadora do que na foto acima, pelas seguintes razões:

  1. Metade do aquecimento global tem até agora sido mascarado por aerossóis, particularmente os sulfatos que são emitidos quando alguns dos combustíveis fósseis mais sujos são queimados, como o carvão e combustível bunker. Enquanto fizermos a mudança necessária para a energia limpa, o efeito de mascaramento que vem com essas emissões irá desaparecer.
  2. Como Ricke e Caldeira salientam, o dióxido de carbono que é libertado agora, só atingirá o seu pico de impacto daqui a uma década. Por outras palavras, ainda estamos por experienciar toda a ira do dióxido de carbono emitido durante a última década.
  3. picos anormais de temperaturas

  4. A maior ameaça vem de picos de temperatura. Pessoas em algumas partes do mundo vão ser atingidas mais fortemente, especialmente durante os picos de verão, como discutido na próxima secção deste post. Enquanto as temperaturas sobem, a intensidade desses picos irá aumentar. A imagem à direita ilustra isso com uma previsão para 25 de Dezembro de 2015, mostrando o tempo extremo para a América do Norte, com temperaturas tão baixas como 30,6°F -0,8°C na Califórnia, e tão elevadas quanto 71,5°F ou 22°C na Carolina do Norte. [a 26 fizeram de facto 22°C na Carolina do Norte e 3°C na Califórnia].
  5. Mecanismos de reforço positivo como as rápidas mudanças de albedo no Ártico e as grandes quantidades de metano libertadas abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, podem acelerar dramaticamente o aumento de temperatura. Além disso, o vapor de água vai aumentar em 7% para cada 1°C de aquecimento. O vapor de água é um dos gases de efeito estufa mais fortes, logo, o aumento do vapor de água continuará a contribuir para um aumento não-linear da temperatura. As subidas de temperatura resultantes ameaçam ser não-lineares, como discutido na secção final deste post.

A situação é ainda pior para alguns

Tais aumentos de temperatura vão atingir algumas pessoas mais do que outras. Para as pessoas que vivem no hemisfério norte, a perspectiva é pior do que para as pessoas no Hemisfério Sul.

Dados da NOAA mostram que a anomalia da temperatura global em terra e nos oceanos para novembro foi de 0,97°C, enquanto que a anomalia da temperatura global na terra e nos oceanos para 3 meses foi de 0,96°C. A anomalia da temperatura em terra no Hemisfério Norte (onde a maioria das pessoas vivem) em novembro 2015 para 12 meses foi de 1,39°C, como mostrado na imagem abaixo, enquanto a linha de tendência mostra que, para as pessoas que vivem no Hemisfério Norte, um aumento de 1,5°C em comparação com 1910-2000 poderia ser alcançado tão cedo quanto em 2017.

Anomalia da Temperatura Terrestre no Hemisfério Norte

De forma similar, a perspectiva é pior para as pessoas que vivem em regiões que já estão a experienciar agora elevadas temperaturas durante os picos de verão. Como disse, com o aumento das temperaturas, a intensidade de tais picos irá aumentar.

Mecanismos de Reforço Positivo (Feedbacks) no Ártico

A imagem abaixo, de uma publicação anterior, representa o impacto dos feedbacks que estão a acelerar o aquecimento no Ártico, com base em dados da NASA até Novembro de 2013, e a sua ameaça de causarem aquecimento global descontrolado. Como a imagem mostra, as temperaturas no Ártico estão a subir mais rápido do que em qualquer outro lugar no mundo, mas o aquecimento global ameaça recuperar o atraso assim que os feedbacks começarem a ser mais intensivos. A situação, obviamente, deteriorou-se ainda mais desde que esta imagem foi criada em novembro de 2013.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo. 1- Aquecimento global; 2- Aquecimento Acelerado no Ártico; 3- Aquecimento Global Fugidio.

A imagem abaixo mostra as anomalias da temperatura de superfície do mar no Hemisfério Norte em novembro.

Anomalia da Temperatura de Superfície do Mar

A imagem em abaixo dá uma indicação das elevadas temperaturas da água abaixo da superfície do mar. Anomalias tão elevadas como 10,3°C ou 18.5°F foram registadas ao largo da costa leste da América do Norte (círculo verde no painel direito da imagem em baixo) a 11 de dezembro de 2015, enquanto que a 20 de dezembro de 2015, temperaturas tão altas quanto 10.7°C ou 51,3°F foram registadas perto de Svalbard (círculo verde no painel direito da imagem abaixo), uma anomalia de 9,3°C ou 16.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superfície dos Oceanos Dez 2015

Esta água quente é levada pela corrente do Golfo para o Oceano Ártico, ameaçando soltar grandes quantidades de metano do fundo do mar. A imagem abaixo ilustra o perigo, mostrando enormes quantidades de metano sobre o Oceano Ártico a 10 de Dezembro, de 2015.

Níveis de Metano no Ártico

O metano é libertado ao longo do Oceano Ártico em grandes quantidades, e este metano está a mover-se em direção ao equador à medida que atinge grandes altitudes. A imagem em baixo ilustra como o metano está a acumular-se em altitudes mais elevadas.

Níveis globais de metano

A imagem em cima mostra que o metano é especialmente proeminente em altitudes mais elevadas recentemente, tendo impulsionado os níveis de metano numa média estimada em 9 ppb ou cerca de 0,5%. As emissões anuais de hidratos foram estimadas em 99 Tg anualmente, numa publicação de 2014 (imagem abaixo).

Fontes de emissões de metano

Fontes de emissões de metano em Tg por ano.
Pântanos – 217 = 28,1%; Combustíveis fósseis e biomassa – 131 = 17%; Ruminantes, arroz, lixeiras – 200 = 25,9%; Outras fontes naturais, lagos, incêndios – 123 = 16%; Hidratos e Permafrost – 100 = 13%; Total – 171 Tg por ano.

Uns adicionais 0,5% de metano representam uma quantidade de cerca de 25Tg de metano. Isto vem em cima dos 99 Tg de metano estimados em 2014 como sendo libertados de hidratos anualmente.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Referências

– How Close Are We to ‘Dangerous’ Planetary Warming? By Michael Mann, December 24, 2015
http://www.huffingtonpost.com/michael-e-mann/how-close-are-we-to-dangerous-planetary-warming_b_8841534.html

– Maximum warming occurs about one decade after a carbon dioxide emission, by Katharine L Ricke and Ken Caldeira (2014)
http://iopscience.iop.org/1748-9326/9/12/124002/article

– How much time is there left to act?
http://arctic-news.blogspot.com/p/how-much-time-is-there-left-to-act.html

Durante os três meses do período entre Setembro e Novembro de 2015, esteve 1°C mais quente do que entre 1951-1980,…
Publicado por Sam Carana na quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015, em Arctic-News.blogspot.com

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Mudança Climática em aceleração, Anomalias de temperatura
Sam Carana

Mudança Climática em Aceleração

Sugerimos a leitura de “Mudança Climática em Aceleração” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Níveis de metano tão elevados quanto 2562 ppb foram registados a 9 de Outubro de 2014, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de Metano a 9 de Outubro 2014
Muitas áreas cinzentas aparecem na imagem onde o QC (controle de qualidade) falhou, por ter sido muito difícil ler os níveis de metano na respectiva área, aparentemente devido a níveis de humidade elevados (ou seja, neve, chuva ou vapor de água) na atmosfera.

Clima sobre o Ártico dificulta leituras de metano.
Como a imagem acima ilustra, a cobertura de nuvens é elevada sobre o Ártico, ao mesmo tempo que há precipitação em forma de neve.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Noutras palavras, níveis elevados de metano (acima de 1.950 ppb, de cor amarela) podiam estar presentes sobre uma parte muito maior do Oceano Ártico, enquanto o metano nessas áreas cinzentas podia ter sido ainda maior do que o nível de pico medido de 2456 ppb.

Isto parece confirmar-se pela persistência de níveis elevados de metano sobre vastas áreas em todo o Oceano Ártico, tanto na parte da manhã (parte superior da imagem mais acima) e à tarde (parte inferior da imagem) a 9 de Outubro de 2014.

Os níveis de metano estão assim elevados sobre o Oceano Ártico por um número de razões, incluindo:

  • A Corrente do Golfo continua a empurrar água quente para Oceano Ártico.
  • As erupções de metano resultantes vindas do fundo do mar no Oceano Ártico constituem um feedback (mecanismo de retroacção) que acelera o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, as coberturas de gelo e neve do Ártico vão diminuir, acelerando ainda mais o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circundam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, tornando-o mais meandro [fazendo-o serpentear], resultando numa maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e incêndios florestais.

Aqui está um exemplo de aquecimento intenso. Olhe o que está a acontecer atualmente na Gronelândia.

As anomalias de temperatura alta sobre a Groenlândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

Como a imagem acima à direita mostra, anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014).

Além disso, a cobertura elevada de nuvens sobre o Ártico (imagem mais acima) torna-o difícil para o calor irradiar para o espaço, contribuindo ainda mais para as anomalias de alta temperatura.

A imagem à direita mostra as anomalias de temperatura alta sobre a Gronelândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

A imagem abaixo (à direita) mostra anomalias correspondentes à extremidade superior da escala atingindo grande parte da Gronelândia num momento específico durante o dia de hoje. A parte esquerda da imagem abaixo mostra como isso pode acontecer, ou seja, correntes de jato enrolando em torno da Gronelândia que apanham o fluxo de entrada de ar quente vindo do Atlântico Norte.

Temperaturas muito altas na gronelândia, Outubro 2014
Tal como dito, à medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circunavegam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, fazendo com que os jatos meandrem mais e criem padrões que podem reter o calor (ou frio), durante um número de dias sobre uma determinada área. Devido à altura das suas montanhas, a Gronelândia é particularmente propensa a ser cada vez mais atingida por ondas de calor resultantes de tais padrões de bloqueio. O aquecimento altera a textura da neve e do gelo, tornando-o mais lamacento e escuro, o que também faz com que absorva mais calor da luz solar, acelerando ainda mais o degelo.

Como Paul Beckwith adverte num post anterior, as taxas de derretimento na Gronelândia duplicaram nos últimos 4 a 5 anos, e as taxas de degelo sobre a Península Antárctica aumentaram ainda mais rápido. Com base nas últimas décadas, as taxas de derretimento tiveram um período de duplicação de cerca de 7 anos. Se esta tendência continuar, podemos esperar um aumento do nível do mar próximo de 7 metros por volta de 2070.

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com Imagem tirada de http://arctic-news.blogspot.com/2014/07/more-than-25m-sea-level-rise-by-2040.html

Isto são tudo indicações de que o ritmo da mudança climática está a acelerar em muitos aspectos, o mais perigoso sendo as cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Como a imagem abaixo mostra, as anomalias da temperatura do mar de superfície são muito elevadas no Oceano Ártico, indicando temperaturas muito elevadas sob a superfície.

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry disse recentemente: “Há agora – agora mesmo – défices alimentares graves que ocorrem em lugares como a América Central porque as regiões estão a lutar contra as piores secas em décadas, não são eventos [de periodicidade] de 100 anos em termos de inundações, em termos de incêndios, em termos de seca -.são eventos de 500 anos, algo inédito na nossa medição do tempo.” Avisando sobre catástrofe iminente, Kerry acrescenta: “A vida como você a conhece na Terra termina. Um aumento em sete graus Fahrenheit (3,9°C), e não podemos sustentar as culturas, a água, a vida nessas circunstâncias.”

A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.

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