Mudança climática abrupta e fora de controlo, emergência climática
Paul Beckwith

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

o sistema climático está a entrar numa espiral fora de controlo, ameaçando a nossa sobrevivência na Terra (…) os lideres dos governos por todo o planeta têm que declarar uma emergência climática. – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

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A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, laboratório de Paleoclimatologia. O que vou fazer neste vídeo é estruturar o caso de que estamos numa emergência de mudança climática. E então vou mostrar, construir o caso científico, a mostrar como o nosso sistema climático está a mudar em 2016 e porquê, cientificamente, estarmos numa emergência quanto à mudança climática. Temos que declarar isto, politicamente, numa base global. E depois, como lidamos com este problema? Precisamos de implantar as técnicas de sobrevivência do banco alto de três pernas… logo que possível, numa base de emergência. Primeiro, o que vou fazer é construir o caso para a emergência, e depois irei discutir, brevemente, algumas das coisas possíveis que temos que fazer.
Então, a nossa combustão de combustíveis fósseis aumentou. Também aumentámos as transformações resultantes do uso dos solos: menos floresta, mais áreas urbanas e agricultura. Portanto, os nossos níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar rapidamente e a uma taxa cada vez maior. Uma taxa exponencial. A terra está a aquecer rapidamente, e por isso estamos a obter um rápido declínio na cobertura de neve e no gelo marinho do Ártico. E estamos a ver um derretimento mais rápido da calota de gelo da Gronelândia. Portanto, as superfícies do Ártico, por toda a região do Ártico, estão a ficar mais escuras, estão a absorver mais luz solar.
isto está a fazer com que as regiões do Norte aqueçam mais rápido que a média global, 5 a 8 vezes mais. Isto diminui a diferença de temperatura entre o Ártico e o Equador, e menos calor move-se do equador para o pólo, na atmosfera e nos oceanos. 2/3 vai para a atmosfera e 1/3 vai para o mar.
Na atmosfera, as Correntes de jato estão a abrandar, a tornarem-se mais onduladas e frequentemente emperradas, fazendo com que os eventos climáticos extremos sejam mais frequentes, mais intensos, que durem mais tempo e que ocorram onde nunca costumavam acontecer.
Nos oceanos, estamos a ver aquecimento e estratificação e acidificação, o que está a matar a vida marinha por toda a cadeia alimentar, começando na base da cadeia alimentar. Está a reduzir a oxigenação e a mistura vertical nos oceanos. A Corrente do Golfo está a abrandar, e também estamos a ver aumento do nível do mar, que está a começar a inundar as linhas costeiras.
O sistema climático da Terra tem muitos componentes diferentes. Temos a hidrosfera, a litosfera, temos as influências humanas, somos parte da biosfera, os humanos são parte da biosfera, temos a atmosfera, claro, e temos a criosfera, os mantos de gelo e assim. Portanto, temos estes cinco principais componentes, temos os gases de efeito estufa na atmosfera, temos o input solar a entrar no sistema, se algo muda, reflete-se nos restantes e muda outras coisas. Precisamos de considerar a Terra como um sistema climático, e ver como os diferentes componentes estão a mudar.
Fiz um número de vídeos alguns dias atrás, e mesmo em poucos dias as coisas pioraram significativamente. Portanto, toda a região do Ártico está 7,23ºC mais quente que o normal. Isto é a anomalia. A maioria do calor está no Ártico, apesar de também estarmos a obter anomalias de calor maciças, anomalias da temperatura de até 20ºC no Ártico, e 10 a 15ºC na América do Norte. O único local frio é na Sibéria, e isso está a dissipar-se.
Portanto, todo o sistema climático está desorientado. Não há outra maneira de o colocar, está mesmo a atuar de forma estranha. O que está a acontecer é que, há uma equalização da temperatura em latitude. As latitudes mais elevadas estão a aquecer tanto, que estamos a obter uma equalização da temperatura, o que muda os padrões meteorológicos e o clima, por todo o planeta. Isto é outro ponto de vista e podemos claramente ver a zona fria da Sibéria aqui, as zonas muito quentes no Ártico e sobre o este dos estados Unidos, e temos regiões mais frias na zona Oeste da América do Norte.
E então, estamos a ver um quebrar dos padrões climáticos estáveis, ao longo da latitude, por todo o globo. estamos a obter estas áreas tipo aos remendos, onde temos áreas quentes e áreas frias, e áreas quentes e áreas frias, e nessas áreas, por haverem grandes diferenças de temperatura ao longo de pequenas distâncias, por exemplo entre aqui e aqui, isto causa ventos muito fortes e muita actividade de tempestades.
Vejam os oceanos, os oceanos estão a refletir aquilo que a atmosfera está a fazer. O Atlântico Norte, todas estas regiões estão mais quentes do que o normal, o Ártico está muito quente, especialmente no lado do Atlântico Norte, e também no lado do Pacífico e do estreito de Bering. Recentemente tivemos uma zona muito fria a sul da Gronelândia, agora temos esta zona muito fria no Pacífico Norte. Portanto, estamos a obter um comportamento muito invulgar, na atmosfera e nos oceanos, devido aos processos de transferência de calor, do calor do Equador para o Ártico, estão a mudar completamente.
Os gases de efeito estufa metano e CO2 são os mais importantes de entre os que estão a aumentar rapidamente. A água também está a aumentar, o vapor de água, é um feedback do sistema climático, mas estamos a romper a escala, se formos atrás quase um milhão de anos, estamos a romper a escala com estes dois gases de efeito estufa.
Fiz menção e vou reiterar a importância disto. Isto é muito importante: O CO2, este ano, é esperado que suba entre 4 e 5 partes por milhão; fora da escala. Portanto, o CO2 está a aumentar rapidamente. O metano está a aumentar extremamente rápido, principalmente no Ártico; irei discutir isso mais à frente. O óxido nitroso também está a aumentar rapidamente.
Estas são as taxas de mudança para este ano, e estes são o aumento da acumulação em geral. A coisa preocupante aqui é que, o aumento atmosférico é esperado que seja de entre 4 e 5 ppm este ano, mas… as emissões de CO2 pelos humanos é esperada que seja semelhante ao último ano, a qual foi semelhante aos anos anteriores. Portanto, nos últimos quatro anos elas nivelaram, mas isto são muito más notícias, se estes dados estiverem corretos. Quer dizer, é ótimo que o planeta se esteja a juntar e a cortar nas emissões, mas são muito más notícias que os níveis atmosféricos ainda estejam a aumentar tão rápido. Isto parece indicar que os dissipadores de carbono globais estão provavelmente a falhar, e os reservatórios globais maiores são a floresta da Amazónia…
Estamos a perder muito da floresta devido à seca e aos incêndios, estamos a perder muito da floresta boreal devido a incêndios. Mais de 100 milhões de árvores, creio, que estão a morrer por toda a América do Norte, devido a pestes e secas, tipo os stresses hídricos, temperaturas muito elevadas. O oceano está a ficar estratificado e a aquecer, logo não está a absorver tanto CO2, não há tanta mistura vertical logo há menos CO2 a, fisicamente, ser dissolvido na água, a temperaturas mais elevadas. Também há menos fitoplâncton a crescer por haver menos mistura vertical.
Portanto estamos a ver todos estes efeitos de feedback em cascata, que estão a tornar-se extremamente sérios, e não podem ser ignorados. Portanto, as temperaturas médias de superfície estão a escalar a pique em 2016; estão a romper com a escala. Se isto não é uma emergência climática, não sei o que o será. Se isto não move as pessoas para a ação, não sei o que o fará.
Isto é fevereiro deste ano. Corrigi os números. Estamos basicamente a 1,95ºC, portanto quase 2C acima dos níveis pre-industriais, em termos de temperatura, sendo pre-industrial 1750. Portanto, fevereiro a sair do gráfico, março, a sair do gráfico.
Isto é completamente devastador, o gelo marinho do Ártico e a cobertura de neve. estes são os modelos do IPCC, a média e o desvio padrão dos modelos, e isto são o que as observações estão a mostrar. Portanto, vamos olhar em mais pormenor para aquilo que o gelo marinho está a fazer. Então, estes dados estão atualizados… de muito recentemente, e estamos a ver um declínio exponencial. Isto são diferentes representações exponenciais, portanto, estamos a ir para zero… por volta de 2020, digamos 2022 ou assim, de acordo com estes dados.
Não é apenas setembro, que é o mínimo, aquilo que está a ser reduzido. Isto é setembro, depois outubro e agosto estão a escalonar. E os dois meses seguintes estão a escalonar, e por aí em diante. Todos os meses estão a cair, e o que vemos agora em outubro e novembro de 2016 é que aquelas curvas em particular, naqueles meses em particular, estão a convergir, estão a cair ainda mais rápido do que o mínimo de setembro. Estamos sempre a descobrir novos fenómenos a acontecerem na mudança climática, estamos a vê-lo acontecer em tempo real.
Esta é a extensão do gelo marinho no Ártico. Há dois dias atrás, no vídeo, a curva parecia bastante diferente. Se compararem esta curva agora, estamos de facto a vê-la nivelar; estamos de facto a ver a extensão do gelo marinho a cair. 50.000 num dia, e creio que 146.000 ou algo, no outro dia. Simplesmente nunca tínhamos visto isto antes. O gelo marinho tenta crescer e estender-se, mas está a ser quebrado pela ação das ondas, e temperaturas muito quentes da água, e pelas temperaturas elevadas localizadas que invadem no Ártico, e as enormes anomalias das temperaturas, de 20ºC ou 36ºF acima do normal para esta altura do ano.
Portanto, isto é a temperatura da região do Ártico a 80º Norte, e esta curva está ainda pior do que há uns dias atrás. Vejam este pico aqui, isto é incrível. Isto é inédito. Então, esta temperatura, para este ano, em comparação com a média a longo prazo, está cerca de 20ºC acima da média. É essencialmente verão no Ártico neste momento, em novembro. Isto devia ser notícia de primeira página por todo o mundo, de estar a começar a fazer parte de alguns dos principais jornais e publicações online, mas… eles simplesmente não entendem, simplesmente não entendem que as suas vidas e as vidas dos seus filhos e qualquer futuro para os humanos neste planeta estão a ser ameaçados pelo que estamos a ver aqui. Estamos a entrar por território muito desconhecido onde o nosso suprimento alimentar vai ficar severamente stressado. Quero dizer, isto simplesmente surpreende-me completamente, surpreende qualquer climatologista. Devía surpreender toda a gente. E vai, em breve.
Na Antártida, a queda abaixo da média a longo prazo e da variação está a acelerar. Estamos muitos desvios padrão abaixo e estamos a descer mais a pique, enquanto há apenas alguns anos atrás estávamos com quantidades recorde. Tudo isto é indicativo da estranheza global, ou estranheza climática.
Este é um dos gráficos mais assustadores porque se juntarmos a área do gelo marinho global, do Ártico e Antártida, estamos a nivelar aqui. Estamos a fugir do gráfico, estamos a nivelar, e isto é… é inédito. Isto é o que o gelo se parece num mapa. Portanto, a linha vermelha é a norma, a média, entre 1981 e 2010 em ambos os casos… …a linha amarela. Portanto, estamos a perder enormes quantidades de gelo marinho no Ártico e na Antártida. E até há enormes falhas na Antártida, aqui, o que também é muito surpreendente, muito invulgar.
Isto é a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico em outubro, e podemos ver como estamos a cair do precipício aqui. Há muitas formas de se olhar para estes dados; esta é outra perspectiva de outubro, a comparar outubro de 1979 a 2016, e caímos de um precipício aqui.
Ou podemos falar da espiral de morte do gelo marinho do Ártico. E então, o que estamos a ver é… os anos são aqui, ao longo do eixo radial, até 2016, e cada curva é um mês diferente do ano, sendo setembro a preta, e depois os meses de outubro e agosto a escalonarem. Quando isto for em direção ao zero… bem, eu esperaria que isto fosse para o zero, a linha preta, digamos em 2020, e depois as outras duas linhas a irem para o zero por volta de 2022, e depois estas duas linhas seguintes por volta de 2024, e depois todas estas linhas a irem para zero por volta de 20… 2030, e então, praticamente não teremos gelo marinho no Ártico, durante todo o ano, estaremos num clima muito mais quente, quem sabe, as temperaturas médias globais poderiam ser 5C, 6C mais quentes do que agora…Recolher Transcrição[/expand]

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Gelo do mar no Ártico em recuperação difícil
Paul Beckwith

Gelo do Mar no Ártico em Recuperação Difícil Sem Precedentes

“A recuperação do gelo do mar no Ártico está fod… este ano. Na realidade, é uma situação verdadeiramente horrível.” – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Arctic Sea Ice Regrowth Is Eff’d This Year, Parts 1 and 2 de Paul Beckwith publicado a 6 de Outubro de 2016.

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Gelo do Mar no Ártico em Recuperação Difícil Sem Precedentes

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com o Laboratório para a Paleoclimatologia da Universidade de Ottawa.
O nosso sistema climático está claramente a passar por mudanças abruptas de momento. Em nenhum outro lugar isto é tão óbvio como no Ártico, O Ártico está a ficar cada vez mais escuro, estamos a perder cobertura de neve principalmente na Primavera, estamos a perder gelo do mar, está a ficar mais escuro e esta região mais escura está a absorver muito mais radiação solar e a causar uma amplificação enorme da temperatura.
O mínimo de gelo do mar do Ártico, o qual acontece, normalmente, em meados de Setembro, ocorreu este ano, foi o segundo mais baixo do recorde — 2016 é a linha azul, comparado com o recorde mínimo de 2012 — e pode-se ver que… O que está a acontecer agora, contudo, no início de Novembro, vimos o gelo a retomar muito bem a forma em 2012, embora muito mais baixo do que a média… a média a longo prazo, ou o desvio padrão, que estava muito abaixo dessas curvas, mas agora estamos a ver que o gelo não se está a formar de forma apropriada. O que se passa é que o gelo do mar tenta crescer, vai de encontro às temperaturas extremamente altas da superfície do mar, e basicamente é impedido.
Olhem para a trajetória desta curva, onde… Tem ocorrido sempre, nos últimos anos, mais e mais e mais destes efeitos inesperados, inesperados para a maioria das pessoas, para a maioria dos cientistas climáticos, mas não inesperados para mim, na realidade. Sabem, tenho vindo a estudar este tipo de coisas há já muito tempo, tentando conectar todas as peças do sistema climático, e não existem pessoas suficientes para fazê-lo. Temos um mundo de especialistas, precisamos que as pessoas olhem para o quadro todo para juntar as peças todas.
Deixem-me dizer o que se passa aqui. Vamos dar uma olhadela a alguns dos detalhes. Este é o mínimo de 1981 a 2010; extensão de gelo no valor mínimo; isto foi o que aconteceu em 2007, a linha azul. 2012: esta linha aqui. E o gelo que vemos aqui foi o que aconteceu em setembro de 2016. Estamos a sair de um ano relativamente baixo. O que é diferente neste ano é que o gelo é muito mais fino do que era, quase não há gelo de anos anteriores. E o gelo espesso que normalmente estaria … ao longo do Arquipélago Canadiano já não existe. O gelo não está rijo e como resultado o gelo pode passar pelo Arquipélago Canadiano. Este é outro fenómeno novo que aconteceu este ano.
Isto mostra as temperaturas da superfície do mar. A anomalia de temperatura de superfície do mar para 4 de novembro de 2016. A anomalia é a diferença em relação à média de longo prazo. O que se pode ver é zonas de água muito quente aqui. Zonas de água muito muito quente. E se olharmos para cima, especificamente no Ártico… Isto é o contorno do gelo…. A água está extremamente quente a toda a volta. De facto, estas regiões aqui estão 8ºC mais quentes que o normal. Esta vasta região… todo este vermelho está acima de 1ºC… varia entre 1ºC a cerca de 8ºC mais quente que o normal. Está a circundar o gelo. Claro que, à medida que o gelo se tenta expandir, a extensão de gelo marítimo está a ser cortada, está a ser derretida… chega a águas muito quentes…
Isto é a temperatura à superfície, também está quente em baixo, conforme se desce em profundidade e combinado com grande atividade de ondas, que mistura a água… conforme a temperatura de superfície do mar desce, devido à irradiação do calor para o espaço – a radiação de onda comprida… por haver mistura, a água quente à superfície é substituída por água quente de baixo e o processo repete-se. Assim, o gelo está confinado… Até que aqueça toda aquela água, a coluna de água não se irá formar devidamente. Se olharmos para…. Se voltarmos aqui atrás, e se olharmos para as temperaturas reais… Então, isto são as temperaturas à superfície do mar, não é a anomalia… E se olharmos para este região do Ártico… Porque o ponto de congelamento da água do mar é cerca de -1,8ºC, se subirmos acima disso ela começa a derreter, dependendo de… Porque a maior parte é gelo de primeiro ano, por isso a salinidade desse gelo não será de 35 partes por milhar, será algo como 10 ou 15… Por isso estará a derreter… algures entre 0 e -1,8ºC, provavelmente -1ºC, estará a derreter. Se olharmos para esta região azul aqui – isto é onde está o gelo, – aqui… isto é a água de superfície, mas a água em baixo está mais quente, como vos irei mostrar. Essa é uma característica do Ártico.
Então, o que está a acontecer em termos de temperaturas médias na atmosfera… O que se está a passar aqui é… Isto é a norma de longo prazo. E isto é onde estamos neste ano. Assim, muito mais quente do que o normal aqui. E em vez de começar a cair, como normalmente seria de esperar, está a estender-se numa zona muito elevada. Há medida que formos para fora… Ok, houve aqui um fundão, mas começou a recuperar aqui. Se seguirmos esta tendência para baixo; isto é muito invulgar este ano. No ano mínimo de 2012, houve alguma extensão aqui… Alguma flutuação aqui… Mas não como estamos a ver agora. Se formos para 2007, uma coisa semelhante… Nos últimos anos, pode-se ver uma extensão sobre esta curva verde, em ambos os lados, mas esta extensão está muito… Está mais pronunciada. E especialmente esta subida aqui, aquilo que se está a passar aqui.
Então… Se olharmos, podemos obter todo o tipo de dados da reanálise, ou Laboratório de Investigação do Sistema da Terra… Dados de reanálise… Podemos ver, digamos, a média de pressões ao nível do mar ao longo de 30 dias, por exemplo. Isto é a pressão; isto é a anomalia… E pode-se ver as zonas a vermelho… As pressões são mais altas ali… Estas são as áreas de maior temperatura. Há todo o tipo de… Podemos ver o que as correntes de jato estão a fazer. Podemos ver as temperaturas de superfície ao longo dos últimos 30 dias, dos dados de reanálise. Isto é a anomalia da temperatura aqui, dos últimos 30 dias. E isto são 6ºC. Toda esta área vermelha está a mais de 6ºC. O vermelho e laranja é mais de 5ºC. Para o amarelo, estamos acima de 3ºC. Por isso todo o Ártico tem estado extremamente quente ao longo do último mês. Assim, não é de surpreender que a água do mar ainda esteja quente e não a formar (gelo), como devia.
Isto mostra um mapa de temperaturas… Tudo o que é verde está acima de 0ºC, estamos a obter grandes extensões de ar quente a entrar no Ártico. Isto é o Climate Reanalyzer. Se olharmos para as anomalias de temperatura – olhem para toda esta região aqui em cima! 15 a 20ºC mais quente que o normal em vastas partes do Ártico. E de facto, todo o Ártico aqui… 5,84ºC, indo até 6ºC e por diante. O Ártico está um alto-forno, comparado ao que deveria ser. Se olharmos para as temperaturas… Estamos a falar desta área azul-clara; está mesmo abaixo de 0ºC. Esta é a temperatura real e toda esta área aqui está na casa de… Está mais ou menos a -10ºC. Então, isto é onde está a anomalia de temperatura de 20ºC. Quando subirmos um pouco mais, para uma anomalia de 30ºC, então toda esta região estará acima de 0ºC. E é para aí que estamos a ir, estas anomalias são muito muito grandes no Ártico. E porque é que são tão grandes? Será em parte por causa dos níveis mais elevados de metano ali? Será dos níveis mais elevados de CO2, definitivamente, lá em cima? E muito desse ar frio está de facto a vir para baixo, e as pessoas falam do vórtice polar, que é um pouco como um termo erróneo para descrever o tempo na América do Norte, quando esta massa fria desce, mas é assim que os meteorologistas o têm chamado.
Então, estas anomalias enormes vão atingir um limiar. Apesar de estarem 15 ou 20 graus mais quente do que o normal no Ártico neste momento, ainda está abaixo de zero, ainda estamos a obter alguma formação de gelo marinho. Não temos que ir muito mais além na anomalia para ficarmos acima de zero, e o gelo marinho continuar a diminuir nesta altura do ano, início de Novembro. Uma vez que façamos isso, iremos ultrapassar esse limiar de zero graus celsius, em que a coisa congela, ou ligeiramente abaixo, por causa da salinidade, e estaremos num clima completamente diferente, o Ártico está a perder neve e gelo, e vai disparar. E não importa muito o que os humanos fizerem. Não podemos simplesmente… sabem… Sim que importa o que fazemos, mas reduzir as emissões de combustíveis fósseis não será suficiente. É por isso que temos que arrefecer o Ártico, e temos que remover CO2 da atmosfera. Falo do banco de três pernas, da abordagem do banco das três pernas: zero emissões de combustíveis fósseis; arrefecer o Ártico; remover CO2 da atmosfera. Precisamos de fazer todas estas 3 coisas.
Isto é em termos do volume, um declínio contínuo aqui, não irei falar muito disso. Isto são dados da Cryosphere, olhando para a espessura do gelo. Isto é a espessura do gelo… numa média de 28 dias, e podemos ver… que quase que não existe… O vermelho são cerca de 3 metros. Quase que não resta nenhum gelo espesso. É gelo muito muito fino, e como resultado muito deste gelo tem se movido através do arquipélago canadiano, como se pode ver. E há muito escoar pelo Estreito de Fram, muito derretimento. E pode-se de facto clicar em em diferentes regiões… Isto é o Centro para Observação Polar e Modelagem de Dados, um portal da Agência Europeia para a Ciência, e pode-se clicar nos dados aqui, para regiões em particular, e ver a espessura do gelo em localizações específicas, ao longo do tempo. Pode-se ver o quão a espessura do gelo muda ao longo do tempo. Na maioria das áreas estará a diminuir, mas em algumas áreas estará a aumentar; à medida que o gelo fica mais fino, talvez se acumule, em localizações específicas. O diabo está nos pormenores.
Agora, se olharmos para… Continuando, estas são as trajetórias do volume do gelo do mar ao longo do tempo. Estão todos a diminuir, e se fizermos uma correspondência, uma correspondência da tendência exponencial, por volta de 2022… 2021, iremos para zero volume do gelo do mar no Ártico… se seguirmos esta trajetória. Se for uma trajetória linear, poderá durar até 2030. Eu poria o meu dinheiro em mais próximo de 2020. Leiam o livro de Peter Wadhams, “A Farewell to Ice” [Um Adeus ao Gelo] e encontrarão pormenores quanto ao que irá acontecer.
Portanto, isto está a mostrar a altitude das ondas. Isto é em metros. Temos ondas de 10 metros aqui… Esta é uma área extremamente quente neste momento, esta é uma área mais fria, os ventos fortes geram uma grande ondulação… Se olharmos para as ondas à volta do gelo, 1.7 metros, mas olhem para o período das ondas, 6.7 segundos. Neste lado, 3 segundos, 7.1 segundos… Neste lado é tipicamente 5 a 6, 7 segundos, ou varia de 3 a 7. Neste lado, o período são 14 segundos… 13 segundos… 10… OK? Então, os períodos são mais longos aqui, as ondas cerca de 1 metro de altura ou assim. Aqui descemos para cerca de 5 segundos. Agora, porque é que isto é importante? É importante porque está a impedir que o gelo do mar cresça.
E acabei de reparar que o meu tempo acabou, e logo vou fazer uma segunda parte para este vídeo, portanto, fiquem atentos à 2ª parte.Recolher Transcrição[/expand]

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Média anual da extensão do gelo marítimo 2012 - 2016
Sam Carana

Menos gelo marítimo, Oceano Ártico mais quente

A 2 de novembro de 2016, a extensão do gelo marítimo do Ártico estava num valor mínimo recorde para a época do ano, ou seja, apenas 7,151 milhões km².

gelo marítimo atinge valor mais baixo recorde

A atualmente muito baixa extensão de gelo marítimo está a arrastar ainda mais para baixo a média anual da extensão de gelo marítimo, que também está num valor mínimo recorde, como ilustrado pela imagem abaixo, do blog de Torstein Viðdalr.

Média anual da extensão do gelo marítimo 2012 - 2016

Não só está a extensão do gelo marítimo do Ártico muito baixa, o gelo marítimo está também cada vez mais fino, como ilustra a imagem abaixo, por Wipneus, que mostra o recente e dramático declínio da espessura do gelo marítimo do Ártico.

Comparação da espessura do gelo marítimo no Ártico 2012-2016

Como a animação de 30 dias do Naval Research Lab abaixo mostra, o gelo marítimo do Ártico não está a ganhar grande espessura, apesar da mudança de estações.

Espessura do gelo no Ártico em Outubro - Novembro 2016, em metros.

Espessura do gelo no Ártico em Outubro – Novembro 2016, em metros.

Nos dois vídeos em baixo, Paul Beckwith explica melhor a situação.

Paul Beckwith:

A recuperação do gelo marítimo está fod… este ano, verdadeiramente horrível de facto. À medida que o gelo se estende, definido como as regiões com pelo menos 15% de gelo, e tenta expandir pelo congelamento da água do mar, é derretido por temperaturas da superfície do mar extremamente elevadas. Então, a água arrefecida da superfície mistura-se pela ação das ondas com água mais quente tão profundo quanto 200 metros, e as misturas quentes na superfície continuam o processo de derretimento do gelo do mar. Sem uma recuperação forte do gelo, vamos atingir o estado para o qual nos dirigimos. Nomeadamente, zero gelo marítimo. Temos que quebrar este ciclo vicioso, ao declararmos uma emergência climática, e ao implementar o conjunto de soluções do banco-de-três-pés.

[Esta segunda parte encontra-se em tradução e em breve será adicionada à publicação Gelo do Mar no Ártico em Recuperação Difícil Sem Precedentes]

À medida que o aquecimento global aumenta a temperatura da superfície do mar e a da atmosfera sobre a superfície do mar, desenvolvem-se ventos cada vez mais fortes, resultando por sua vez em ondas mais fortes e maiores quantidades de água nas nuvens.

A imagem abaixo mostra a previsão para 9 de Novembro de 2016 de ondas tão altas quanto 13.76 metros (círculo verde no painel esquerdo) e quantidades totais de água de 1.38 kg/m² (círculo verde, painel direito, perto de Novaya Zemlya).

Previsão de ondulação e quantidade de água nas nuvens no Ártici a 9 de Novembro

Ondas grandes tornam difícil para o gelo marítimo de formar, enquanto a evaporação do oceano adiciona mais vapor de água para a atmosfera. Uma vez que o vapor de água é um gás de efeito estufa potente, isto acelera ainda mais o aquecimento do Ártico.

O péssimo estado do gelo marítimo indica que a água do Oceano Ártico está a ficar cada vez mais quente.

Temperatura do mar no Ártico a 31 de Outubro de 2016
A 31 de outubro de 2016, o Oceano Ártico estava tão quente como 17°C ou 62,7°F (círculo verde perto de Svalbard), ou 13,9°C ou 25°F mais quente do que 1981-2011. Isto indica o quão mais quente a água está abaixo da superfície, chegando assim ao Oceano Ártico a partir do Oceano Atlântico.

Em baixo está uma atualização da situação quanto ao metano. Contida nos dados existentes temos uma linha de tendência a indicar que os níveis de metano poderiam aumentar um terço até 2030 e quase duplicar até 2040.

Níveis de metano em 2016 e previsão até 2040

Porque é que o metano é tão importante? Numa escala de 10 anos, o metano causa mais aquecimento do que o dióxido de carbono. Em comparação com o CO2, o metano o Potencial de Aquecimento Global do metano aumenta quanto mais for libertado. O tempo de vida do metano pode ser estendida a décadas, em particular devido à depleção do hidróxido na atmosfera.

Potencial de aquecimento global do metano

Potencial de aquecimento do metano comparado ao CO2 e outros gases de efeito estufa.

Nefasto é o que mostra a imagem em baixo, a 9 de Novembro de 2016, os níveis de metano estavam tão elevados sobre o mar de Laptev (cor magenta sólido a norte da Sibéria).

Níveis de metano, Laptev, Sibéria

A imagem abaixo mostra que os níveis de metano a a 9 de Novembro de 2016 esavam tão altos quanto 2633 partes por bilião (a uma altitude ligeiramente mais elevada correspondendo à pressão de 469 mb).

Níveis de metano, Novembro 2016

As temperaturas sobre o Oceano Ártico estão previstas permanecerem elevadas, refletindo as temperaturas muito elevadas da água.

Temperaturas elevadas no Ártico a Novembro de 2016

O perigo é que, à medida que o aquecimento global continuar e a neve do Ártico e a cobertura de gelo continuarem a encolher, o aquecimento do Oceano Ártico irá acelerar e destabilizar os hidratos de metano contidos nos sedimentos do seu leito marítimo, provocando enormes erupções de metano que irão acelerar ainda mais o aquecimento. Isto poderia contribuir para um aumento da temperatura global de até 10°C ou 18°F durante a próxima década.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático

Traduzido do original Less sea ice, warmer Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 4 de Novembro de 2016, atualizado a 11 de Novembro..

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Os jet stream ou correntes de jatoconectam-se através do Equador
Paul Beckwith

Corrente de Jato Atravessa o Equador

“A Corrente de Jato no Hemisfério Norte atravessou o Equador e juntou-se à Corrente de Jato no Hemisfério Sul. Isto parece tratar-se de um comportamento novo, e indica que o distúrbio do sistema climático continua.”

– Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do original Unprecedented? Jet Stream Crosses Equator, pulicado por Paul Beckwith.

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Corrente de Jato Atravessa o Equador – Paul Beckwith

Olá! Sou o Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, Laboratório para a Paleoclimatologia. Durante muitos anos tenho vindo a falar sobre mudança climática abrupta e sobre como o sistema climático já não se comporta como costumava. Já não temos mais aquele sistema estável e previsível que tínhamos. Passámos para um sistema caótico.
À medida que transitamos de uma forma não linear para um mundo muito mais quente, estamos a ver uma completa redistribuição de Correntes de Jato e Correntes Oceânicas. E então, normalmente… Temos Correntes de Jato no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul, e vão principalmente de Oeste para Leste. Mas por o Ártico estar a aquecer tanto, por estar a ficar mais escuro e absorver mais energia solar, há uma grande amplificação da temperatura, então a Corrente de Jato está a abrandar e a ficar mais ondulada, logo, existem mais calhas e mais cristas, e, basicamente, pensei nisso como a Corrente de Jato estando a separar… o ar frio seco da região mais a Norte e ar quente e húmido das regiões mais a Sul.
Mas neste caso… Normalmente têm-se Correntes de Jato nos hemisférios Norte e Sul mas estão separados. Mas neste caso pode-se ver a Corrente de Jato a descer por aqui abaixo, a atravessar o Equador e juntar-se à corrente do Hemisfério Sul. Pode-se ver também aqui, e aqui. Isto é inédito tanto quanto sei. Normalmente o Equador é mais quente, logo há uma zona de alta pressão, o ar sobe mais alto, o ar quente, a tropopausa são cerca de 17 quilómetros, enquanto que o ar mais frio encontra-se com a tropopausa a cerca de 7 quilómetros nos polos, logo por ser tão elevado aqui, normalmente isso actua como uma barreira e impede que isto aconteça. E então, vamos investigar porque isto aconteceu. Apenas fui desligar as luzes para obter melhor contraste.
Então, se fores a… Se simplesmente pesquisares EarthNullschool, vai ao fundo da página, clica em Earth, e então seleciona ‘Ar’, 250 milibares de pressão, e o revestimento do vento, e então, é isto que você obtém; clique em Earth outra vez para se ver livre do Menu e é isto o que obtém… e foquem-se na área a verde aqui, se clicarem noutras áreas, dá-vos a informação, a velocidade, e então, as áreas vermelhas, rosa, roxas, são correntes de jato mais rápidas. Estamos a ver um atravessar aqui, aqui e aqui, sobre o Equador. Fui alertado disto através do blogue do Robertscribbler cujo artigo saiu esta noite. Ele fala sobre “Corrente de Jato Avariada Agora Corre de Polo a Polo” E então, ele mostra esta imagem fixa aqui, o que me alertou para fazer este vídeo. E então, irei falar de algumas coisas que ele disse, daqui a um minuto.
Então, vamos voltar. O que fiz aqui foi, selecionei a temperatura ao invés do vento, e então isto é a temperatura, logo pode-se ver… esta é a temperatura nos 250 milibares, bem lá em cima. Esta região está a -40°C, quando se vai a esta região está mais frio: -53°C, e na região a azul está ainda mais frio. Então, isto é lá em cima na atmosfera, mas o que podemos ver… é que as Correntes de Jato estão de facto a agir como uma parede ou separação entre o ar a diferentes temperaturas. Seja lá onde haja ar mais quente, neste caso, obtém-se uma curva da corrente de jato à sua volta. Só queria remarcar isso. Agora, isto é a Anomalia da Temperatura de Superfície do Mar. O círculo verde é onde a Corrente de Jato está a descer e a atravessar o Equador. É interessante sabermos que esta área da água, devido ao forte El Niño ter passado, estamos agora a obter um arrefecimento desta água à medida que vamos em direção a uma La Niña, e… então, este arrefecimento da água está a diminuir aquela crista pressão, aquela crista de alta pressão que está normalmente sobre o Equador. E a temperatura da água está anormalmente elevada aqui e aqui, e ao fazer subir as pressões aqui e aqui, está a baixar… a crista, se preferirem assim chamar, e creio que isso poderá estar a contribuir para permitir que o ar atravesse o Equador aqui, pelas Correntes de Jato.
Se olharmos para a temperatura, esta é a temperatura dos Oceanos, podemos ver que aqui estão cerca de 24.5°C, e se vamos para aqui estão cerca de 30°C, e se descermos aqui, está próximo dos 30°C. E então, temos esta mancha de uma região mais fria no Equador e então isto diminui a barreira que normalmente impede a Corrente de Jato de atravessar de um Hemisfério para o outro. Se voltarmos aqui… Alterei os dados, e alterei o mapa com eles; se selecionarmos o ‘E’ obtemos esta distribuição particular, se fosse o ‘O’ seria o Globo, OK? E então queria voltar aqui… Isto é o tempo presente, e o que posso fazer é voltar atrás um dia, e ver à quanto tempo esta coisa tem se estado a desenvolver, há quanto tempo isto dura. Então vamos trazer isto para aqui, para o podermos ver, para não ficar bloqueado pelo menu, e… vou voltar atrás um dia, e podemos ver que está lá mas está muito mais fraco. Vou voltar atrás mais um dia… E agora está praticamente desfeito; praticamente desapareceu. Posso avançar 3 horas… ainda está separado, posso avançar mais 3 horas… ainda separado. mais 3 horas, está a começar a ficar mais próximo aqui, o intervalo está a ficar mais estreito, e se avançar mais 3 horas, parece estar-se a formar aqui, logo… Basicamente, 27 de Junho às 11:00 da manhã locais, foi quando… a ponte, se quiserem, foi cortada, a ponte Equatorial, e a Corrente de Jato começou a atravessar.

Esta é outra perspectiva desta região específica, e mais uma vez podemos ver o que se está a passar aqui. Temos ar de lá de cima, do Hemisfério Norte, e a Corrente de Jato a descer e atravessar o Equador e a juntar-se com a Corrente de Jato do Sul. Também temos estes vórtices aqui, a misturarem ar à volta do Equador… Temos ar a mover-se desde o Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte, a atravessar o Equador aqui. E aqui temos ar a vir para Sul, a atravessar… e aqui temos algo semelhante a acontecer. E então, estamos basicamente… perdemos a separação entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul, em termos da Corrente de Jato (Jet Stream).

Vamos dar uma olhada, vamos voltar ao Pacífico Central. Queremos estar aqui… Vamos dar uma olhada à progressão no tempo… nesta perspectiva aqui. Vamos trazer o Menu… e vamos voltar atrás um dia. E então ainda está a ocorrer, mas numa localização diferente… Mais um dia atrás… e está desfeito. E apesar de estar desfeito aqui, há outras regiões onde há trocas de ar através do Equador, por exemplo aqui, e aqui, há muito movimento paralelo ao Equador e depois a mergulhar aqui. Vamos voltar à nossa localização original no Pacífico. Como disse, nunca vi isto acontecer antes. Falei no passado de como o padrão ondulatório da Corrente de Jato, de como a amplificação da temperatura no Ártico está a causar o padrão ondulatório da Corrente de Jato, e quando está muito mais ondulado significa ar mais frio a penetrar em latitudes mais baixas no Hemisfério Norte, e o ar mais quente move-se do Equador para latitudes mais altas, logo, tende a levar a uma equalização da temperatura no Hemisfério Norte. Agora o que estamos a ver é que se isto se tornar uma característica pronunciada, em que a Corrente de Jato atravessa para o Hemisfério Sul, então isso iria, basicamente, ajudar a equalizar toda a temperatura do globo. Logo iria reduzir a sazonalidade, como Robertscribbler apontou, caso se torne numa característica constante.

Apenas quero mostrar-vos a Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar. OK, então, isto é onde… Nesta pequena região aqui, a temperatura está muito mais fria que o normal, aqui e aqui é mais quente que o normal, isso leva a uma temperatura de superfície do mar mais fria aqui, 24°C, e mais quente aqui e aqui, significativamente mais quente, e isso iria baixar a tropopausa, a altitude da troposfera, neste ponto e iria elevá-la aqui, e obviamente isso é o suficiente para carregar estes ventos de elevada altitude através do Equador.

Voltando ao blogue do Robertscribbler, ele publicou uma imagem que mostra, basicamente, não se preocupem demasiado; isto é a anomalia dos ventos zonais, e isto é um sigma acima do normal, um sigma abaixo e assim, e então fomos de um recorde alto, de uma excursão máxima no sentido positivo, para um mínimo quase recorde na direção negativa. O que é MQI Phase? O Index MQI é algo chamado de QBO ou Oscilação Quase-Bienal, e explicarei o que é isso, rapidamente, porque precisam de saber. É uma maneira de monitorar os ventos zonais equatoriais da estratosfera, então, zonais de Oeste para Este e Este para Oeste. À medida que vamos de Dezembro de 2014 para Dezembro de 2015, isso é cerca de metade de um ciclo, logo mais um ano levar-nos-ia a dar uma volta, e é por isso que é chamado Quase-Bienal, QBO. Então, temos uma mudança na direção dos ventos. O máximo de ventos é na direção Oeste a 30 milibares; aqui temos direção Oeste a 50 milibares, e à medida que descemos para diferentes alturas do ano, vai para Este. A direção do vento muda na Estratosfera no Equador, é esse o efeito que isto representa. Este gráfico foi feito em Novembro de 2015 e projetou que o QBO continuasse aqui como normal. Isto é o que aconteceu na realidade. O que aconteceu mesmo foi… (Consegui trazer isto? Nem por isso) em vez de continuar num círculo, agora desceu para mínimos recordes.

Então, há coisas muito estranhas a acontecer no planeta Terra neste momento. Há coisas muito muito estranhas a passarem-se com as Correntes de Jato, as quais guiam os nossos padrões do tempo. Este é um ano excepcional em termos de derretimento do gelo marinho do Ártico e de perda de cobertura de gelo em Junho. Estamos a forçar os recordes baixos de quantidade de gelo do mar, o gelo marinho está a ficar mais escuro, está-se a quebrar, a anomalia da temperatura no Ártico tem sido muito grande, e como resultado,… há um risco de termos um evento de Oceano Azul este Verão, no qual, tipo em meados de Setembro, podemos esperar um gelo marinho muito reduzido, um recorde de certeza, e isto está a levar a um aquecimento muito maior do Ártico, muito mais padrão ondulatório das correntes de jato, e quando o combinamos com o El Niño muito forte, e com as águas mais frias da La Niña aqui, estamos a ver uma ponte do Equador e a Corrente de Jato está a atravessar claramente para o outro lado.

Não posso stressar o suficiente o quão importante isto é para o sistema climático. Podem ver outros dos meus vídeos para entenderem o meu raciocínio, mas precisamos de declarar uma emergência de mudança climática. Vamos ter quedas massivas na produção de alimentos, vamos ter agitação geopolítica massiva, já estamos a ver situações assim a acontecerem pelo mundo fora.Recolher Transcrição[/expand]

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A ciencia da mudança do climatica na perspectiva do cientista do clima
Paul Beckwith

Prática em Ciência Climática

Este vídeo mostra como se pode ver o globo em tempo real e analisar a interação da temperatura e da Corrente de Jato e do Golfo com o degelo e outros eventos extremos, entendendo a Ciência Climática a partir da perspetiva do cientista.

Isto e muito mais é nos oferecido voluntariamente por Paul Beckwith da Universidade de Ottawa no Canadá, com o intuito de nos trazer as novidades na Mudança Climática de uma maneira fácil de entender para a pessoa comum. Se ainda não viu, é melhor começar pela primeira parte; para seguir a prática desde o início, clique aqui.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 Minutes (2/2).

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Torna-te num Cientista Climático em 15 Minutos, Parte 2/2

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, Laboratório para Paleoclimatologia. Esta é a segunda parte de… “Torna-te num Cientista Climático em 15 minutos”, então, tive que estender os 15 minutos para 30 minutos. O que estava a mostrar era… isto são as correntes do oceano, e a anomalia da temperatura de superfície do mar. E isto é a data, foi a 3 de Abril, há alguns dias atrás O que podem ver é a Corrente do Golfo a vir em força através do Atlântico Norte e podem ver que há água fria a descer desde o Ártico, isto é através do estreito de Nares a oeste da Gronelândia, também há água fria a descer pelo estreito de Fram, e esta água atravessa o oceano, e aliás temos duas águas a passar: a Corrente do Golfo muito quente, e a água muito fria do Ártico, e elas colidem aqui, e é por isso que obtemos muita estrutura aqui. Se olhar para esta região em particular, a anomalia é de -10.2°C mais frio do que o normal, apenas nessa região, enquanto que mesmo ao lado estão quase cerca de +8°C. Então isto é uma enorme diferença de temperatura. Podem ver esta estrutura aqui, como se houvesse uma batalha entre a água fria do degelo do Ártico, a colidir com a água quente. Podemos ir atrás no tempo e ver como este padrão se desenvolveu, e esta mancha fria está a tornar-se uma característica permanente nos últimos tempos, e é preocupante porque significa que as correntes do oceano no Atlântico inteiro estão a reajustar-se. Mostrei no vídeo anterior como elas estavam a mudar igualmente no Pacífico. Se clicar aqui posso ir para trás para os dados anteriores, então, isto é a 29 de Março e podemos segui-lo à medida que vamos para trás. São cerca de 5 dias de diferença em cada nova imagem; estamos a ir atrás no tempo e o que podemos ver é… como a batalha se está a desenrolar entre as águas frias e quentes. E então, a Corrente do Golfo aqui está muito poderosa… Elas quase que se cortam uma à outra num ângulo de 90 graus, nesta luta de puxões. Vamos um pouco mais para trás… Por favor pesquisem Earthnullschool, e abram esta ferramenta e, assim que saibam como usar a interface… Trouxemos este menu para cima ao clicar em Earth. Seja lá onde for que cliquem no mapa, mostra-vos a latitude e longitude, e mostra a velocidade da corrente do oceano, neste caso, e a direção, e a anomalia da temperatura, dependendo daquilo que se seleciona. Clicamos em Earth para trazer o menu novamente e vamos atrás no tempo um pouco mais aqui, e ver o que acontece. O que se pode ver é a variação à medida que voltamos atrás. Agora estamos no início do ano e vemos uma anomalia da temperatura muito muito quente na Corrente do Golfo, e durante toda a estação do Inverno temos tido esta água a sair do Ártico e a mancha fria aqui, e estão numa batalha as duas. Vamos dar uma olhada e ver… alguns vídeos atrás falei da destruição do recife de coral na Austrália. Temos a Austrália aqui. Agora, o recife de coral, a grande barreira do recife estende-se nesta distância enorme ao longo da linha costeira aqui. Então, vamos fazer zoom nesta região e ver o que se passa com a anomalia da temperatura de superfície do mar. Ok, vamos pô-lo grande, zoom in. Ok, talvez grande demais, vamos tentar isto. OK, então isto é o início do ano. Isto é a 14 de Janeiro, e agora vamos voltar ao presente, em aumentos de 5 dias, e… pode-se ver a anomalia da temperatura de superfície do oceano, o azul é mais frio que o normal, apenas ligeiramente mais frio que o normal, aqui ligeiramente mais quente do que o normal… Não acontece muita coisa aqui. Há alguma água quente aqui… 1.1°C… Se a água ficar demasiado quente ou demasiado fria, então os pólipos, o plâncton simbiótico, o zooplâncton que vive no coral numa relação simbiótica com os pólipos, eles desaparecem se a água estiver demasiado quente ou demasiado fria, e o coral fica branqueado pois eles contém a cor, eles dão ao coral as cores vivas e vibrantes que vemos, e então quando desaparecem, o coral torna-se branco e fica debilitado, e se o zooplâncton voltar, se a temperatura da água voltar a normal e eles voltarem em algumas semanas, então coral pode reavivar-se. Neste momento o coral está em risco de vida uma vez que várias regiões do recife de coral estão lixiviadas. Vamos ver porquê ele fica esbranquiçado. Vamos avançar no tempo aqui, e podemos ver a mudança na temperatura. Olhem para esta água aqui. A água tornou-se muito quente lá pelo final de Janeiro… Continuando… Podemos ver a água quente a atravessar. OK, há alguma água mais fria, alguma mais quente; vou simplesmente andar mais um pouco. Aqui vamos nós… Entre meados e final de Fevereiro tivemos todo este amarelo, com água a 2°C, 2,5°C acima do normal, a descer em vastas áreas do recife, e neste lado aqui, e isto começa realmente a stressar o coral. Vamos continuar a avançar… E então, a água mantém-se quente, desce um bocadinho mas mantém-se quente, e começa a aquecer outra vez, especialmente nas regiões mais a norte, e pode-se ver o que acontece. Isto está em tamanho grande agora, e vemos que a água manteve-se quente durante um período de tempo prolongado. Aqui está, isto são outra vez 2,5°C… isto são tipo um par de graus mais quente que o normal. Logo, o coral está próximo de um limiar a partir do qual vai ficar danificado. E ainda está muito quente, está quente em diferentes zonas, mas esperemos que arrefeça e dê ao coral uma chance de recuperar. Talvez esteja a acontecer, vai ser como atirar uma moeda ao ar. Está estimado que após 50% do coral estar esbranquiçado, ele vai morrer. E o recife de coral é um dos maiores… pontos ecológicos do planeta, de maior importância, é basicamente a floresta tropical do oceano, e estamos a vê-lo a morrer perante os nossos olhos por causa do aquecimento global abrupto. Então, que mais podemos ver… Temos alguma química. Isto é o CO e o CO2 à superfície. No Hemisfério Sul, vamos afastar-nos um bocadinho, e podemos ver como os níveis variam com a latitude. Aqui em baixo estamos com cerca de 400 partes por milhão, numa média global de 406ppm ou assim. Podemos ver áreas aqui que estão com um pouco menos. Vamos subir para outras latitudes. Isto é a subir sobre a Ásia; claro que há fontes de poluição aqui, das cidades mais importantes. Isto é óxido de carbono, que está muito mais alto, e também o dióxido de enxofre que está muito mais alto. E… Continuando cm o CO2… Vou voltar ao Dióxido de Enxofre. Se subirmos até ao Ártico podemos ver que os níveis lá não estão tão altos como sobre partes da Ásia. O SO2 é muito importante porque produzimos muito SO2 a partir de processos industriais, de centrais energéticas e assim. Podemos ver as áreas de industria pesada que produzem muito SO2, pontos quentes sobre os quais podemos fazer zoom e assim. A coisa com o Dióxido de Enxofre é que… quando está na atmosfera, pode refletir a luz solar e causar arrefecimento naquela zona, logo, esta é uma das coisas que, basicamente, causam escurecimento global, e se removêssemos todo o SO2, desligando a indústria de um dia para o outro removíamos o SO2, aqueceríamos… é discutível o quanto aqueceríamos; talvez meio grau, talvez um grau, só por esse meio. Então, estamos a fechar centrais energéticas que são à base de carvão, e também precisamos de fazer o mesmo para o petróleo, precisamos de ir em direção a fontes renováveis, mas vamos obter algum aquecimento por estarmos a remover o cobertor de SO2, estamos a limpar o ar e vai haver aquecimento resultante disso, e não o podemos evitar, mas não temos escolha. Temos que fazer isto. Há também informação sobre particulados aqui. Podemos ver o que está a acontecer. Isto é a Extinção de Pó, são unidades de… quando há muito pó no ar, isso vai bloquear a luz e o aumento na quantidade de bloqueio está representado nestas cores.Recolher Transcrição[/expand]

Standard
Estudar climatologia com Earth Nullschool
Paul Beckwith

Torna-te um Cientista do Clima em 15 Minutos

Quais os mecanismos envolvidos nas alterações climáticas e como funcionam, da corrente de jato às secas e inundações, do El Niño às anomalias de temperatura…Apertem o cinto; Paul Beckwith é quem conduz.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 minutes (1/2).
A segunda parte está a ser transcrita e legendada em Português no Amara.org, onde é muito fácil para qualquer pessoa ajudar com um empurrãozinho de modo a que fique disponível o quanto antes.

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Torna-te um Cientista Climático em 15 Minutos

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, do Laboratório de Paleoclimatologia. Hoje, nos próximos 15 minutos, Vou ensinar-vos, basicamente, a como se tornarem num cientista do clima, usando um ótimo software. Se procurarem no Google “earth nullschooll” http://earth.nullschool.net/ poderão trazer aí o que vêm na tela aqui e irei guiar-vos através dela, e deixar-vos determinar vós mesmos o que está acontecendo com o nosso planeta. OK, então, esta é a tela principal, earth.nullschool.net, se apenas clicares em “terra” isso abre os menus. Primeiro de tudo, para que é que estamos a olhar? Se quiser descobrir para o que está a olhar, basta clicar em “earth” e isso dá-lhe a latitude e a longitude, e neste caso temos os ventos, a 60 km por hora, e dá-lhe a direção dos ventos. Então, o que se pode fazer? Pode-se arrastar a Terra à volta e olhar em diferentes pontos de vista. Portanto, isto está a olhar para uma vista do Ártico, por exemplo, e em seguida, irá atualizar após alguns segundos, pode-se usar o roda do rato para fazer zoom-in e zoom-out e quando se aumenta o zoom aumenta a resolução, assim pode-se olhar para regiões específicas e continuar a arrastar e ver-se o que acontece. Estas áreas vermelhas, o que está a acontecer lá, perto da Gronelândia? Basta clicar sobre elas e pode-se ver que os ventos são mais fortes lá, no verde mais claro os ventos são mais fracos, nesta cor verde-amarelada os ventos são mais fortes. Então, é assim que se navega, basicamente, à volta do planeta, olhando para qualquer ponto de vista que se deseje. Agora, como é que se vai mudar o menu? Clica-se em “earth”, que controla tudo. Agora, se quiser obter mais informações sobre o que está a medir pode-se clicar em “about” e obtém-se esta imagem aqui, e pode-se fazer scroll para baixo e diz-lhe que esta é uma visualização das condições meteorológicas globais, projetada por supercomputadores, atualizada a cada três horas, aah, correntes de superfície do oceano são atualizadas a cada cinco dias, etc … Pode-se ir para baixo e dá-lhe informações sobre quem está a fazer … quem criou o software, as fontes de dados de onde vêm, o computador hospedeiro das informações, informações sobre os níveis de pressão, 1000 hectopascais (hPa), isto é a cerca de 100 metros (m), condições próximas do nível do mar … O importante são os 250hPa, é muito importante; é onde as correntes de jato estão, sobe-se para a estratosfera e assim por diante; à medida que se sobe a pressão diminui. Também se pode obter informações sobre todos os outros parâmetros, como a forma como as ondas são medidas, a concentração de CO2, etc, aerossóis … Toda a informação está nesta página. Para voltar, clicar em “earth” outra vez o que nos traz de volta ao globo. Agora, vamos passar por alguns dos menus e ver o que existe, primeiro que tudo. Também informa que estamos a olhar para o vento na superfície, diz-nos a data dos dados … … em que os dados são recolhidos, então, é basicamente em tempo real. Hoje são 7 de Abril, diz-lhe 20:00 hora local … São dados da GFS, dados da Global Forecast System, do US National Weather Service, do National Center for Environmental Prediction… O que você pode fazer é … Além disso, o controle. Estamos a olhar para os dados de agora e pode-se ir para trás ou para a frente, Então, se formos aqui, que é o dia antes, vêm, ele faz scroll para o dia antes, e pode-se continuar a rolar para voltar um dia inteiro … Se se clicar na seta menor volta-se atrás uma hora, e pode-se desligar a animação, a qual é a animação da … desculpem-me, pode-se desligar aqui e isso tira a animação do vento e apenas vemos esta imagem, ou pode-se ligar a animação. Assim, as cores, os níveis, sobressaem mais quando se tem a animação desligada. Pode-se ver o ar, o oceano, a química e partículas, e estas são as altitudes na atmosfera, logo, se queremos olhar para a corrente de jato, por exemplo, vamos para os 250hPa, que são 250milibars, e é essa a altitude das correntes de jato. Se simplesmente clicarmos em “earth”, outra vez, desligamos o menu, e podemos ver o que está a acontecer com o jet-stream. Assim, se formos … Se formos para a América do Norte, por exemplo, e olharmos para o que os jatos estão a fazer, podemos ver a imagem da América do Norte por baixo e podemos ver o que está a acontecer com a ondulação dos jatos. As correntes de jato movem-se de uma forma zonal de Oeste para Este e isso é por causa da rotação da Terra. As coisas desviam-se para a direita no Hemisfério Norte, então, o ar que se move para cima desde o Equador desvia para a direita, concentra-se a uma altitude de 11 km, em média, e obtemos o jetstream. Podemos ver o jato a dividir-se em duas passagens aqui, e isto é uma grande calha aqui, esta é uma grande crista aqui, então o ar seco e quente sobe para a crista aqui ar mais estável, de alta pressão, quente, e obtém-se ar frio e baixas pressões tempestuosas nas calhas da corrente de jato. Assim, a corrente de jato é como uma barreira entre o ar frio do Ártico e o ar mais quente e húmido mais a sul. Pode-se ver que o … se se diminuir o zoom aqui, pode-se ver o que o jato está a fazer, está muito ondulada e distorcida e fragmentada. Estamos agora na estação de transição, entre o inverno e o verão no Hemisfério Norte. O Ártico é extremamente quente. Como vemos a temperatura? Podemos ver a temperatura, clicando em “earth”, indo a “ar”, olhando para a superfície, olhando para a temperatura aqui. OK, então isto está a mostrar a temperatura, e pode-se verificar isso, pode-se clicar sobre estas áreas … É muito frio nas áreas roxas, mas vejam este ar quente vindo aqui para cima, então, isto são 6,2 grau Celsius (°C) … acima de zero, indo para cima direitinho para o Ártico, e pode-se relacionar isso com a corrente de jato. Se se voltar a superfície, vento, pode-se ver… não se pode ver muita coisa a acontecer ali, os jatos estão a fazer reviravoltas aqui. Mas geralmente pode-se relacionar essas excursões com onde o jato está, talvez por isso o ar quente … pode-se ver ar quente a ser arrastado aqui para cima, atravessando aqui. Isto é o que está a acontecer agora, poderia ter sido arrastado até lá um pouco mais cedo e é por isso que está particularmente quente naqueles lados. Há muitos outros fatores aqui, pode-se ir para cima meio caminho através da atmosfera, cerca de 500 milibares. Então, pode-se fazer muitas coisas com o ar. Pode-se também ter diferentes pontos de vista, e então, se formos aqui … podemos ver a Terra nesta visão expandida aqui. Assim consegue-se ver os jatos claramente aqui, pedaços que saem do jato, e pode-se ver como estão muito fraturados e divididos, que está a tornar-se mais e mais … normal, se quiserem, no nosso período de mudança climática brusca para um planeta muito mais quente. Há muita luta de puxões a acontecer entre o ar quente e o frio. Há também outros pontos de vista por onde podem olhar que são muito estranhos e esquisitos, não são usados com muita frequência, mas apenas para saberem que estão lá, projeções diferentes, por exemplo, e … são usadas dependendo do que se está a analisar, mas, principalmente, vamos apenas usar este aqui, que é muito útil, e a projeção sobre um plano 2D, e aqui é o globo, que eu prefiro. Estas sobreposições: vento, temperatura, humidade relativa … se não estiverem seguros do que são, mantenham o rato sobre eles. Densidades instantâneas de energia eólica — quanta energia existe nos ventos. Água Precipitável Total; basta passar com o rato para obter a leitura. Água Condensável Total … Desculpem, Água Total nas Nuvens, pressão média ao nível do mar. Isto é algo chamado de Índice de Miséria, que combina temperatura e humidade. Portanto, se o Índice de Miséria for alto, obviamente, não vão quer ficar lá fora muito tempo. Vamos dar uma olhada no que está a acontecer no oceano. Então, se eu clicar em “Ocean” aqui, … e olharmos para as correntes, e olharmos para a temperatura da superfície do mar, isso dá-nos a temperatura dos oceanos, Então, o que se pode fazer é … pode-se ver que o El Niño ainda está a acontecer aqui no Pacífico, a água quente está aqui mas está a espalhar-se; este costumava estar tudo roxo. Como sabemos? Podemos voltar atrás no tempo … Ao irmos aqui e apenas clicando aqui atrás e voltamos no tempo; então, são 5 dias mais cedo, 5 dias antes disso, 5 dias antes disso, vamos continuar a voltar um pouco atrás e pode-se ver como a temperatura da superfície do mar está a mudar. Na realidade, é muito mais claro se se olhar para a anomalia da temperatura de superfície do mar. Esta é a temperatura do oceano neste dia e hora em particular, e é a anomalia em relação ao que seria normalmente, a média a longo prazo. Consegue-se ver esta área, é 2,6°C mais quente do que o normal. E se se voltar atrás um pouco mais pode-se ver … a água quente, de modo que o El Niño estava muito mais forte no início do ano, pode-se ver que há muito mais amarelo, estava muito mais quente e voltamos atrás … e tem enfraquecimento em força, e tem vindo a espalhar-se … sim, aqui vamos nós, então, está muito, muito forte, OK? Estamos apenas a voltar aos dias anteriores, e por isso estamos a ver um El Niño muito poderoso aqui. Toda esta área até 3,5 graus mais quente do que o normal … O que é interessante é que pode-se ver também aqui no Pacífico Norte, pode-se ver que há alguma água fria aqui, isto é água quente, temos uma mancha de água quente aqui, a qual contribuiu para a seca da Califórnia. E se formos para a frente no tempo, podemos ver o que está a acontecer e, na verdade, esta água fria que está a sair do Estreito de Bering está a infiltrar-se no Pacífico, em grande medida, e está de facto a expandir-se em área e expandindo a região que ela abrange. Estou apenas a clicar; estamos no 23 de Fevereiro … Podemos ver isto a ficar maior … Então, podemos fazer um monte de, tipo, fazer perguntas e tentar respondê-las para vermos o que está a acontecer ao longo do tempo na Terra. OK? E então, assim que encontrarem alguma coisa interessante … olhem para esta água fria aqui. Isto está quase 3 graus mais frio do que o normal e ainda há água muito quente aqui em cima ao longo da costa e ainda temos este forte El Niño em curso. E vamos continuar aqui … em Março … lembrem-se, a cada 5 dias é atualizado, e pode-se ver a extensão desta … Aqui vamos nós, os dados mais recentes. Então, temos água muito fria a sair e temos a água muito quente do El Niño que se está se espalhar para latitudes mais altas e mais baixas à medida que o ciclo do El Niño se aproxima do final. Vamos olhar para outra região do planeta. Vamos olhar para o … Vamos olhar para esta mancha fria no Oceano Atlântico, a sul da Gronelândia, e vamos ver como isso evolui ao longo do tempo. Então, isto é onde estamos agora … Se tentarem ir para a frente no tempo, ele diz que “não há dados”, então não há dados para esse dia, então … O último dia que temos dados é há alguns dias atrás. Então, vemos a Corrente do Golfo muito quente a atravessar-se aqui, 7 graus mais quente do que o normal, existem algumas áreas aqui que estão 10 graus, podem expandir e encontrá-las, mas também vemos esta colisão da água quente da Corrente do Golfo e temos a água fria proveniente de … descendo através do Estreito de Nares, deste lado da Gronelândia; também temos água fria chegando aqui, e temos alguma água quente aqui, que creio ser proveniente de rios … parece estar a atravessar, na verdade consegue-se voltar atrás e ver de onde está a vir. Então, vamos dar uma olhada, vamos começar a recuar um pouco. Então, se voltar no tempo … Olhem para esta água aqui. Há um choque … Olhem para esta água aqui; este é um segmento muito frio aqui, 7,2°C mais frio que o normal, e aqui temos água que está 8 graus mais quente que o normal, praticamente, e 7 graus. Então, de facto encontrei uma área onde estava 10 graus mais quente do que o normal, de modo que é uma diferença de 17 graus. Há esta mancha de água fria, e de onde é que isso veio? Bem, é água que está a descer daqui e depois foi cortada pela corrente do golfo. – continua –Recolher Transcrição[/expand]

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Disrupção das correntes e temperaturas do oceano, por Paul Beckwith numa atualização sobre Alterações Climáticas
Paul Beckwith

Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas

Sugerimos a leitura de “Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

As correntes e temperaturas da superfície do oceano não estão a comportar-se como normalmente. As alterações climáticas abruptas que estão a decorrer presentemente estão a alterar as propriedades do oceano.

Neste curto vídeo, Paul Beckwith, do Laboratório para a Paleoclimatologia na Universidade de Ottawa, explica o mecanismo através do qual um El Ninõ muito forte está a afetar as temperaturas e correntes do oceano no Pacífico e no Atlântico, e a ter um impacto nas alterações climáticas. A Corrente do Golfo está a levar águas muito quentes para o Ártico, acelerando o degelo na Gronelândia e no gelo marinho do Ártico, o que resulta numa mancha ou bolha de água muito fria a descer no Atlântico em direção à Europa. A diferença de temperatura onde estas águas se cruzam pode ser de mais de 10°C, piorando condições climatéricas como ventos e ondulação, acelerando a formação de ciclones e furacões como se tem visto ao largo das ilhas britânicas.



Traduzido do original Ocean Disruption from Abrupt Climate Change de Paul Beckwith, publicado no seu website http://paulbeckwith.net/, a 7 de Fevereiro de 2016.

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CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

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