Os jet stream ou correntes de jatoconectam-se através do Equador
Paul Beckwith

Corrente de Jato Atravessa o Equador

“A Corrente de Jato no Hemisfério Norte atravessou o Equador e juntou-se à Corrente de Jato no Hemisfério Sul. Isto parece tratar-se de um comportamento novo, e indica que o distúrbio do sistema climático continua.”

– Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do original Unprecedented? Jet Stream Crosses Equator, pulicado por Paul Beckwith.

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Corrente de Jato Atravessa o Equador – Paul Beckwith

Olá! Sou o Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, Laboratório para a Paleoclimatologia. Durante muitos anos tenho vindo a falar sobre mudança climática abrupta e sobre como o sistema climático já não se comporta como costumava. Já não temos mais aquele sistema estável e previsível que tínhamos. Passámos para um sistema caótico.
À medida que transitamos de uma forma não linear para um mundo muito mais quente, estamos a ver uma completa redistribuição de Correntes de Jato e Correntes Oceânicas. E então, normalmente… Temos Correntes de Jato no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul, e vão principalmente de Oeste para Leste. Mas por o Ártico estar a aquecer tanto, por estar a ficar mais escuro e absorver mais energia solar, há uma grande amplificação da temperatura, então a Corrente de Jato está a abrandar e a ficar mais ondulada, logo, existem mais calhas e mais cristas, e, basicamente, pensei nisso como a Corrente de Jato estando a separar… o ar frio seco da região mais a Norte e ar quente e húmido das regiões mais a Sul.
Mas neste caso… Normalmente têm-se Correntes de Jato nos hemisférios Norte e Sul mas estão separados. Mas neste caso pode-se ver a Corrente de Jato a descer por aqui abaixo, a atravessar o Equador e juntar-se à corrente do Hemisfério Sul. Pode-se ver também aqui, e aqui. Isto é inédito tanto quanto sei. Normalmente o Equador é mais quente, logo há uma zona de alta pressão, o ar sobe mais alto, o ar quente, a tropopausa são cerca de 17 quilómetros, enquanto que o ar mais frio encontra-se com a tropopausa a cerca de 7 quilómetros nos polos, logo por ser tão elevado aqui, normalmente isso actua como uma barreira e impede que isto aconteça. E então, vamos investigar porque isto aconteceu. Apenas fui desligar as luzes para obter melhor contraste.
Então, se fores a… Se simplesmente pesquisares EarthNullschool, vai ao fundo da página, clica em Earth, e então seleciona ‘Ar’, 250 milibares de pressão, e o revestimento do vento, e então, é isto que você obtém; clique em Earth outra vez para se ver livre do Menu e é isto o que obtém… e foquem-se na área a verde aqui, se clicarem noutras áreas, dá-vos a informação, a velocidade, e então, as áreas vermelhas, rosa, roxas, são correntes de jato mais rápidas. Estamos a ver um atravessar aqui, aqui e aqui, sobre o Equador. Fui alertado disto através do blogue do Robertscribbler cujo artigo saiu esta noite. Ele fala sobre “Corrente de Jato Avariada Agora Corre de Polo a Polo” E então, ele mostra esta imagem fixa aqui, o que me alertou para fazer este vídeo. E então, irei falar de algumas coisas que ele disse, daqui a um minuto.
Então, vamos voltar. O que fiz aqui foi, selecionei a temperatura ao invés do vento, e então isto é a temperatura, logo pode-se ver… esta é a temperatura nos 250 milibares, bem lá em cima. Esta região está a -40°C, quando se vai a esta região está mais frio: -53°C, e na região a azul está ainda mais frio. Então, isto é lá em cima na atmosfera, mas o que podemos ver… é que as Correntes de Jato estão de facto a agir como uma parede ou separação entre o ar a diferentes temperaturas. Seja lá onde haja ar mais quente, neste caso, obtém-se uma curva da corrente de jato à sua volta. Só queria remarcar isso. Agora, isto é a Anomalia da Temperatura de Superfície do Mar. O círculo verde é onde a Corrente de Jato está a descer e a atravessar o Equador. É interessante sabermos que esta área da água, devido ao forte El Niño ter passado, estamos agora a obter um arrefecimento desta água à medida que vamos em direção a uma La Niña, e… então, este arrefecimento da água está a diminuir aquela crista pressão, aquela crista de alta pressão que está normalmente sobre o Equador. E a temperatura da água está anormalmente elevada aqui e aqui, e ao fazer subir as pressões aqui e aqui, está a baixar… a crista, se preferirem assim chamar, e creio que isso poderá estar a contribuir para permitir que o ar atravesse o Equador aqui, pelas Correntes de Jato.
Se olharmos para a temperatura, esta é a temperatura dos Oceanos, podemos ver que aqui estão cerca de 24.5°C, e se vamos para aqui estão cerca de 30°C, e se descermos aqui, está próximo dos 30°C. E então, temos esta mancha de uma região mais fria no Equador e então isto diminui a barreira que normalmente impede a Corrente de Jato de atravessar de um Hemisfério para o outro. Se voltarmos aqui… Alterei os dados, e alterei o mapa com eles; se selecionarmos o ‘E’ obtemos esta distribuição particular, se fosse o ‘O’ seria o Globo, OK? E então queria voltar aqui… Isto é o tempo presente, e o que posso fazer é voltar atrás um dia, e ver à quanto tempo esta coisa tem se estado a desenvolver, há quanto tempo isto dura. Então vamos trazer isto para aqui, para o podermos ver, para não ficar bloqueado pelo menu, e… vou voltar atrás um dia, e podemos ver que está lá mas está muito mais fraco. Vou voltar atrás mais um dia… E agora está praticamente desfeito; praticamente desapareceu. Posso avançar 3 horas… ainda está separado, posso avançar mais 3 horas… ainda separado. mais 3 horas, está a começar a ficar mais próximo aqui, o intervalo está a ficar mais estreito, e se avançar mais 3 horas, parece estar-se a formar aqui, logo… Basicamente, 27 de Junho às 11:00 da manhã locais, foi quando… a ponte, se quiserem, foi cortada, a ponte Equatorial, e a Corrente de Jato começou a atravessar.

Esta é outra perspectiva desta região específica, e mais uma vez podemos ver o que se está a passar aqui. Temos ar de lá de cima, do Hemisfério Norte, e a Corrente de Jato a descer e atravessar o Equador e a juntar-se com a Corrente de Jato do Sul. Também temos estes vórtices aqui, a misturarem ar à volta do Equador… Temos ar a mover-se desde o Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte, a atravessar o Equador aqui. E aqui temos ar a vir para Sul, a atravessar… e aqui temos algo semelhante a acontecer. E então, estamos basicamente… perdemos a separação entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul, em termos da Corrente de Jato (Jet Stream).

Vamos dar uma olhada, vamos voltar ao Pacífico Central. Queremos estar aqui… Vamos dar uma olhada à progressão no tempo… nesta perspectiva aqui. Vamos trazer o Menu… e vamos voltar atrás um dia. E então ainda está a ocorrer, mas numa localização diferente… Mais um dia atrás… e está desfeito. E apesar de estar desfeito aqui, há outras regiões onde há trocas de ar através do Equador, por exemplo aqui, e aqui, há muito movimento paralelo ao Equador e depois a mergulhar aqui. Vamos voltar à nossa localização original no Pacífico. Como disse, nunca vi isto acontecer antes. Falei no passado de como o padrão ondulatório da Corrente de Jato, de como a amplificação da temperatura no Ártico está a causar o padrão ondulatório da Corrente de Jato, e quando está muito mais ondulado significa ar mais frio a penetrar em latitudes mais baixas no Hemisfério Norte, e o ar mais quente move-se do Equador para latitudes mais altas, logo, tende a levar a uma equalização da temperatura no Hemisfério Norte. Agora o que estamos a ver é que se isto se tornar uma característica pronunciada, em que a Corrente de Jato atravessa para o Hemisfério Sul, então isso iria, basicamente, ajudar a equalizar toda a temperatura do globo. Logo iria reduzir a sazonalidade, como Robertscribbler apontou, caso se torne numa característica constante.

Apenas quero mostrar-vos a Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar. OK, então, isto é onde… Nesta pequena região aqui, a temperatura está muito mais fria que o normal, aqui e aqui é mais quente que o normal, isso leva a uma temperatura de superfície do mar mais fria aqui, 24°C, e mais quente aqui e aqui, significativamente mais quente, e isso iria baixar a tropopausa, a altitude da troposfera, neste ponto e iria elevá-la aqui, e obviamente isso é o suficiente para carregar estes ventos de elevada altitude através do Equador.

Voltando ao blogue do Robertscribbler, ele publicou uma imagem que mostra, basicamente, não se preocupem demasiado; isto é a anomalia dos ventos zonais, e isto é um sigma acima do normal, um sigma abaixo e assim, e então fomos de um recorde alto, de uma excursão máxima no sentido positivo, para um mínimo quase recorde na direção negativa. O que é MQI Phase? O Index MQI é algo chamado de QBO ou Oscilação Quase-Bienal, e explicarei o que é isso, rapidamente, porque precisam de saber. É uma maneira de monitorar os ventos zonais equatoriais da estratosfera, então, zonais de Oeste para Este e Este para Oeste. À medida que vamos de Dezembro de 2014 para Dezembro de 2015, isso é cerca de metade de um ciclo, logo mais um ano levar-nos-ia a dar uma volta, e é por isso que é chamado Quase-Bienal, QBO. Então, temos uma mudança na direção dos ventos. O máximo de ventos é na direção Oeste a 30 milibares; aqui temos direção Oeste a 50 milibares, e à medida que descemos para diferentes alturas do ano, vai para Este. A direção do vento muda na Estratosfera no Equador, é esse o efeito que isto representa. Este gráfico foi feito em Novembro de 2015 e projetou que o QBO continuasse aqui como normal. Isto é o que aconteceu na realidade. O que aconteceu mesmo foi… (Consegui trazer isto? Nem por isso) em vez de continuar num círculo, agora desceu para mínimos recordes.

Então, há coisas muito estranhas a acontecer no planeta Terra neste momento. Há coisas muito muito estranhas a passarem-se com as Correntes de Jato, as quais guiam os nossos padrões do tempo. Este é um ano excepcional em termos de derretimento do gelo marinho do Ártico e de perda de cobertura de gelo em Junho. Estamos a forçar os recordes baixos de quantidade de gelo do mar, o gelo marinho está a ficar mais escuro, está-se a quebrar, a anomalia da temperatura no Ártico tem sido muito grande, e como resultado,… há um risco de termos um evento de Oceano Azul este Verão, no qual, tipo em meados de Setembro, podemos esperar um gelo marinho muito reduzido, um recorde de certeza, e isto está a levar a um aquecimento muito maior do Ártico, muito mais padrão ondulatório das correntes de jato, e quando o combinamos com o El Niño muito forte, e com as águas mais frias da La Niña aqui, estamos a ver uma ponte do Equador e a Corrente de Jato está a atravessar claramente para o outro lado.

Não posso stressar o suficiente o quão importante isto é para o sistema climático. Podem ver outros dos meus vídeos para entenderem o meu raciocínio, mas precisamos de declarar uma emergência de mudança climática. Vamos ter quedas massivas na produção de alimentos, vamos ter agitação geopolítica massiva, já estamos a ver situações assim a acontecerem pelo mundo fora.Recolher Transcrição[/expand]

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Corrente de Jato atravessa o Equador
Robertscribbler

Corrente de Jato Avariada Mistura Verão com Inverno



Ondas de Gravidade a Misturarem Verão com Inverno? Corrente de Jato Avariada Agora Corre de Polo a Polo

É como se o aquecimento global estivesse a tocar a atmosfera da Terra como se fosse um enorme e cacófono sino de alarme. Os ventos zonais de nível superior estão a balançar muito entre anomalias positivas recorde e anomalias negativas recorde. As ondas de gravidade — o tipo de ondas atmosféricas grandes que tendem a movimentar o ar dos trópicos até lá acima aos Polos e que são poderosas o suficiente para fazerem com que o Mar do Caribe ‘assobie’ nos monitores de satélite — estão a ficar maiores. E o Jet Stream (a Corrente de Jato) agora redefiniu todas as fronteiras — fluindo por vezes desde o Mar Siberiano Oriental no Ártico, através do Equador, fazendo todo o caminho até ao sul na Antártida Ocidental.

Corrente de Jato atravessa o Equador

(A Corrente de Jato – ou Jet Stream – do Hemisfério Norte cruza o equador, nesta imagem de ecrã de Earth Nullschool, para se fundir com a Corrente de Jato do Hemisfério Sul. É a verdadeira imagem da esquisitice do tempo devido às alterações climáticas. Algo que absolutamente não aconteceria num mundo normal. Algo que se continuar, basicamente, ameaça a integridade sazonal.)

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A grande calha hoje começa perto do Polo no Hemisfério Norte. Ela puxa o ar do Ártico para baixo sobre a Sibéria Oriental e para um percurso de tempestade no Oceano Pacífico. Ali, uma segunda grande queda na Corrente de Jato puxa uma volta louca desse fluxo de ar superior mais para sul. E é aqui que as coisas ficam mesmo estranhas — pois o rio de ar do nível superior que começou no Árctico, em seguida, faz um salto diretamente para lá da linha do Equador.

Mas a nossa história de uma Corrente de Jato rebelde não termina aí. O fluxo de ar do nível superior que se originou perto do Polo Norte junta-se com um padrão de crista da Corrente de Jato do Hemisfério Sul em formação sobre o Sudeste do Pacífico. Alimentando-se de ventos do nível superior muito fortes, vira-se para o sul para uma onda de elevada amplitude que atravessa o Chifre da América do Sul e esbarra, levando consigo um grande pulso de calor extremo para os ares do nível superior sobre a Antártida Ocidental.

Anomalia de temperatura na Antártida Ocidental em Junho 2016

(Uma injeção de ar quente de Verão do Hemisfério Norte para o Inverno do Hemisfério Sul parece ter ajudado na formação de temperaturas acima da média em 8 C no Oeste da Antártida durante Junho de 2016. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Uma Perda de integridade Sazonal Resultante da Mudança Climática?

Como muitos eventos extremos resultantes da mudança climática forçada pelos humanos, esta mistura de ares do nível superior de um hemisfério para outro é muito estranha. Historicamente, os Trópicos – que produzem a massa de ar mais alta e mais espessa do mundo – têm servido como uma barreira geralmente impenetrável aos ventos de nível superior de se deslocarem de um hemisfério para outro. Esta barreira pode tender a desfazer-se durante as transições sazonais. E por vezes obtém-se esta mistura de ventos subtropicais da Corrente de Jato através do Equador.

Mas, como os Polos têm aquecido devido à mudança climática forçada pelos humanos, as Correntes de Jato Hemisféricas têm saído mais e mais das Latitudes Médias — conectando zonas latitudinais mais amplas. Têm invadido cada vez mais as regiões tanto dentro da zona Polar como dentro dos Trópicos. Agora, parece que as velhas linhas divisórias estão tão fracas que os fluxos de ar de nível superior entre os Hemisférios podem ser trocados num grau mais extenso.

Se for este o caso, são más notícias para a sazonalidade. A prevenção e redução da mistura de ar entre Hemisférios pela massa espessa de ar quente tropical é o que tem gerado uma forte divisão entre Verão e Inverno durante a Época Climática do Holoceno. Se essa fronteira se desfazer, contudo, teremos mais calor do Verão a transbordar para a zona de Inverno e vice-versa. Obtemos esta mistura de estações desestabilizadora do tempo e geradora de condições meteorológicas extremas que faz tudo parte de um cenário muito difícil de lidar do tipo ‘Morte do Inverno’.

No passado recente, os cientistas favoreceram uma visão de que essa mistura entre Hemisférios não era possível. Mas observações recentes de padrões Ondas Rossby parecem indicar instâncias em que o padrão de ares de níveis superiores ligou os Polos aos Trópicos e, neste caso, em que um padrão de ar de níveis superiores conectou os Polos.

Para além disso, temos um comportamento bastante estranho nos ventos zonais Equatoriais que pode estar relacionado à mudança climática, mas de momento isso permanece um pouco um mistério. Sam Lillo e outros têm acompanhado variações recorde nos padrões de ventos zonais Equatoriais chamados Oscilação Quase-Bienal. E estas variações podem estar relacionadas com o resto da corrente da queda do sistema climático (Ondas de gravidade Rossby, etc).

Oscilação Quase-Bienal com anomalia dos ventos zonais

(Ventos Zonais Equatoriais de níveis superiores variaram de anomalias positivas recorde para anomalias negativas recorde num período de tempo de uns meros três meses. Fonte da imagem: Sam Lillo).

Todas estas observações combinadas apontam para uma preocupação muito séria. O aquecimento Polar parece estar a nivelar a inclinação atmosférica do Equador para os Polos a tal ponto que uma crescente violação da linha divisória sazonal entre Hemisférios pode ser uma nova tendência relacionada à mudança climática. E isso é um tipo de esquisitice do tempo com a qual não estamos realmente de todo preparados para lidar.

Traduzido do original Gigantic Gravity Waves to Mix Summer With Winter? Wrecked Jet Stream Now Runs From Pole-to-Pole, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 28 de Junho de 2016.

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