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Níveis de CO2 atmosférico Dispararam para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

Quando os níveis de CO2 bateram um novo recorde mundial de 405,66 ppm ontem, não pude deixar de pensar que HG Wells não poderia ter imaginado um mecanismo mais perigoso para se explorar o passado do mundo.

Pois quando se trata de testar o alcance de novos eventos climáticos extremos, a presente queima massiva de combustíveis fósseis é como entrar numa máquina do tempo sombria. Assim que todo esse carbono atinge os ares e águas, o marcador do clima gira para trás centenas de milhares e milhões de anos. Acelerando-nos em direção às eras de extinção por efeito estufa da história profunda da Terra. Agora, não apenas está a conduzir-nos através de eventos climáticos e temperaturas extremas não vistos em 100, 1.000, 5.000 ou até 10.000 anos, também está a impulsionar-nos em direção a estados climáticos que não ocorreram na Terra há eras e eras.

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Desde 1990, o mundo tem experimentado níveis de CO2 na atmosfera num intervalo que não se viu desde a época geológica do Plioceno. Um período de tempo 2.6 a 5.3 milhões de anos atrás com níveis de dióxido de carbono que variam de 350 a 405 partes por milhão e temperaturas médias globais que eram 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que os níveis de 1880. Globalmente, o nível do mar elevou-se cerca de 80 pés mais do que aqueles a que humanidade tem se acostumado.

taxa anual de crescimento de co2

(Nunca a Terra tinha visto um acumular de CO2 tão rápido como o produzido pela era humana de energia de combustíveis fósseis. As taxas de aumento de CO2 apenas continuam a aumentar em rampa como nunca enquanto os reservatórios de carbono do mundo parecem estar a encher. Neste contexto, 2015 viu o ritmo mais rápido de aumento de CO2 até agora. As águas superficiais do oceano em aquecimento não podem absorver tanto CO2 quanto os oceanos mais frios. E um oceano quente recorde em 2015 contribuiu para esse acumular extremo de CO2 atmosférico. No ano passado, num todo, o CO2 acumulou na atmosfera a uma taxa de 3,2 partes por milhão por ano. Isso é bem acima do ritmo furioso de 2 partes por milhão de acumulação média anual que ocorreu durante a década de 2000. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Se os níveis de CO2 atmosféricos globais tivessem estabilizado neste ritmo, é provável que tivéssemos, eventualmente, visto climas, temperaturas, e níveis do mar, que se tornavam cada vez mais como aqueles experienciados há 2 a 5 milhões de anos atrás. Um processo que provavelmente teria levado séculos para chegar a um estado climático final muito mais quente. Um em que pouco ou nenhum gelo permaneceu sobre a Gronelândia ou a Antártida Ocidental, e um que incluía um regredir substancial das linhas costeiras.

De 1990 a 2015, esse foi o nosso contexto climático. O novo mundo que esteve progressivamente a estabelecer-se. Um que viria a afirmar-se a menos que os níveis de CO2 atmosféricos fossem de alguma forma reduzidos para menos de 350 partes por milhão. Foi tipo um assunto sério. Infelizmente, poucos especialistas realmente falaram sobre isso.

Saindo do Plioceno

Mas a partir de 2015 e continuando em 2016, a máquina do tempo da queima de combustíveis fosseis, mais uma vez, encaminhou-nos de volta para tempos mais quentes e perigosos. Pois nos últimos dois anos começámos a exceder o limite máximo de CO2 do Plioceno e começámos a entrar nos níveis de CO2 que foram mais típicos daqueles da época climática do Mioceno Médio, de há 15 a 17 milhões de anos atrás.

niveis de co2 mais elevados que no Plioceno

(De foguetão para além do Plioceno. A 4 de Fevereiro de 2016, um nível atmosférico de CO2 recorde de 405,66 foi registado no Observatório de Mauna Loa. A Terra não experienciou níveis de CO2 tão elevados desde há 15 a 17 milhões de anos. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

No final de Abril de 2015, enquanto o CO2 se aproximava de seu ponto mais alto típico de maio, as leituras diárias tinham atingido um nível de 404,9 partes por milhão – levando-nos em direcção à fronteira do contexto climático do Plioceno. Durante um breve período de 9 meses, o CO2 recuou dos limites do Plioceno enquanto as plantas da altura da primavera e do verão respiravam no Hemisfério Norte. Contudo, os níveis médios de CO2 atmosférico ainda estavam a aumentar com a queima de combustíveis fósseis desenfreada que continuava por todo o mundo. Ontem, 04 de fevereiro de 2016, os níveis diários de CO2 no Observatório Mauna Loa tinham subido em flecha para 405.66 partes por milhão. Um nível bem fora do limite superior para a época climática do Plioceno. Um nível mais típico dos períodos observados durante o Mioceno, 15 a 17 milhões de anos atrás.

Entrando no Mioceno Médio

Infelizmente, este pico diário em fevereiro de 405.66 partes por milhão não é o fim da subida em flecha para o ano em curso. Os picos atmosféricos típicos ocorrem durante Maio. E este ano, é provável que vejamos níveis atmosféricos chegarem perto de 407 partes por milhão nas médias semanais e mensais ao longo dos próximos meses. Tais níveis empurram-nos solidamente para fora do contexto climático do Plioceno e bem para dentro do contexto do Mioceno.

Embora o Mioceno Médio não tenha sido um clima de extinção por efeito estufa, foi um muito mais estranho à humanidade. Naquela época, apenas os grandes macacos existiam. O nosso ancestral mais antigo, o Australopitecus, ainda estava pelo menos 9 milhões de anos no futuro. É correto dizer que nenhum ser humano, nem mesmo os nossos parentes mais próximos, alguma vez respirou ar com a composição que agora está a entrar nos nossos pulmões. Nunca viveu sob a cúpula opressiva e intensificada de tanto calor atmosférico global forçado.

CO2 atmosférico no Plioceno e Mioceno

(Dissemos adeus ao contexto climático do Holoceno quando os níveis de CO2 subiram acima das 280 partes por milhão, durante o século 19. Por volta de 1990, tinhamos começado a entrar no contexto do Plioceno, um período que ocorreu há 2 a 5 milhões de anos atrás. A partir de 2015, começámos a sair do contexto climático do Plioceno e a entrar no Mioceno Médio. Se os ritmos atuais de queima de combustíveis fósseis ou os ritmos habituais de acumulação de CO2 continuarem, vamos estar a entrar no contexto climático do Oglioceno daqui a cerca de 25 a 50 anos. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Estamos a entrar agora num período em que as atmosferas são mais semelhantes às observadas durante o Óptimo Climático do Mioceno Médio – a última vez que as medidas de CO2 ultrapassaram um limiar de cerca de 405 partes por milhão (veja aqui e aqui).

O Óptimo Climático do Mioceno Médio de há 15 a 17 milhões de anos atrás era um mundo radicalmente diferente. Apresentava uma atmosfera na qual os níveis de dióxido de carbono variavam enormemente de 300 partes por milhão a 500 partes por milhão. As temperaturas eram entre 3 a 5 graus Celsius mais quentes do que no século 19. E os níveis do mar eram cerca de 120 a 190 pés mais elevados. Durante este período, o mundo ainda estava a arrefecer do calor das épocas do Paleoceno e do Eoceno. O carbono estava a ser sequestrado. E foi a primeira vez que o mundo quebrou significativamente o nível estável de CO2 abaixo das 500 partes por milhão que havia sido estabelecido durante o Oligoceno 24 a 33 milhões de anos atrás.

Se os níveis de CO2 permanecerem nesta faixa, são estas as temperaturas, os níveis do mar, e as condições climáticas para as quais vamos transitar e, finalmente, experienciar. Mas o tempo, e a queima de combustíveis fósseis, não estão do nosso lado. Pois com os ritmos de aumento da queima de combustíveis fósseis habituais da sociedade de negócio, podemos vir a atingir o limiar do Oligoceno em tão pouco quanto 25 a 30 anos. E mesmo que as taxas atuais de aumento fossem mantidas, o limiar do Oligoceno esperar-nos-ia a 5 décadas de distância.

Links:

NOAA ESRL (Por favor, apoiem a ciência pública, não baseada em interesses especiais, como o trabalho fantástico e essencial produzido pelos especialistas da NOAA).

A Curva Keeling

Clima do Plioceno

Entrando no Mioceno Médio

Traduzido do original Atmospheric CO2 Rocketed to 405.6 ppm Yesterday — A Level not Seen in 15 Million Years, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 05 de Fevereiro de 2016.

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Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico
Sam Carana

Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar

Sugerimos a leitura de “Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, as nações comprometeram-se em reduzir as emissões e evitar subidas de temperatura perigosas. No entanto, o aumento dos níveis de gases de efeito estufa e das temperaturas parecem estar a acelerar.

Crescimento recorde dos níveis de dióxido de carbono em Mauna Loa

A média anual do nível de dióxido de carbono medido em Mauna Loa, no Havaí, cresceu 3,17 ppm (partes por milhão) em 2015, uma taxa de crescimento mais alta do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959.

Média anual de aumento de Dióxido de Carbono, CO2

Como a imagem acima mostra, uma linha de tendência polinomial adicionada aos dados aponta para uma taxa de crescimento do dióxido de carbono de 4 ppm pelo ano 2024 e 5 ppm por volta de 2028.

Níveis de CO2 Janeiro 2016

Níveis de CO2 atuais – Janeiro 2016

No início da Revolução Industrial, o nível de dióxido de carbono na atmosfera era de cerca de 280 ppm. Em 11 de janeiro de 2016 como a imagem acima mostra, o nível de dióxido de carbono em Mauna Loa, no Havaí, era 402,1 ppm. Isso é cerca de 143% daquilo que era o nível superior de dióxido de carbono em tempos pré-industriais durante pelo menos os últimos 400.000 anos, como a imagem mais abaixo ilustra.

Níveis de CO2 em diferentes latitudes, Ártico e Equador

A latitudes norte mais elevadas, os níveis de dióxido de carbono são mais elevados do que noutros lugares na Terra, como ilustrado pela imagem acima. Estes gases de efeito estufa elevados contribuem para o aquecimento acelerado do Ártico.

Níveis de metano aumentam ainda mais rápido do que os níveis de CO2, especialmente por cima do Oceano Ártico.

Historicamente, os níveis de metano foram se movendo para cima e para baixo entre uma janela de 300 e 700 ppb [NT: partes por bilião]. Nos tempos modernos, os níveis de metano têm vindo a aumentar ainda mais rapidamente do que os níveis de dióxido de carbono, como ilustrado pela imagem abaixo, proveniente de uma publicação anterior.

Temperatura, dióxido de carbono e metano históricos

Histórico de temperaturas, níveis de dióxido de carbono e níveis de metano, desde há 400 mil anos até 2014

Como a imagem acima ilustra, o nível médio de 1.839 ppb que foi alcançado a 7 de Setembro de 2014, são alguns 263% dos ~ 700 ppb que historicamente eram os níveis superiores de metano.

A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra as médias anuais disponíveis da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ou seja, de 1984 até 2013, com a linha de tendência polinomial adicionada com base nesses dados. Dados selecionados da NOAA para 2014 e 2015, também foram adicionados para referência.

Níveis de metano, médias globais

Médias globais dos níveis de metano pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) de 1984 a 2013; dados de 2014 e 2015 pela NOAA. Linha de tendência polinomial adicionada com base nos dados da OMM.

Recentemente, alguns níveis muito elevados de pico foram registados, incluindo uma leitura de 2745 ppb a 02 de Janeiro de 2016, e uma leitura de 2963 ppb a 8 de janeiro de 2016, mostrado abaixo.

Níveis de metano em Janeiro 2016 em ppb

Estas leituras elevadas ilustram o perigo de que, à medida que água mais quente atinge o fundo do mar do Oceano Ártico, vai desestabilizar cada vez mais os sedimentos que podem conter enormes quantidades de metano na forma de gás livre e hidratos. Imagens associadas a essas leituras elevadas mostram a presença de níveis elevados de metano sobre o Oceano Ártico, indicando que esses picos elevados têm origem no oceano Ártico e que os sedimentos do fundo do mar no Oceano Ártico estão a a ser desestabilizados. O perigo é que esses picos irão ser acompanhados por erupções abruptas ainda mais fortes do fundo do mar do Oceano Ártico, à medida que as temperaturas da água continuarem a subir.

O aumento das temperaturas

Como discutido num post anterior sobre o acordo de Paris, [traduzido para português neste blogue] já está, agora, acima de 1,5°C mais quente do que nos tempos pré-industriais. Esse post mostra uma linha de tendência a avisar que sem uma ação abrangente e eficaz, poderá ficar 2°C mais quente antes do ano de 2030.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo.
1- Aquecimento global
2- Aquecimento Acelerado no Ártico
3- Aquecimento Global Fugidio.

Grandes erupções de metano ameaçam aquecer ainda mais a atmosfera, primeiro em lugares críticos sobre o Árctico e, eventualmente, ao redor do mundo, ao mesmo tempo causando enormes oscilações de temperatura e eventos climáticos extremos, contribuindo para o aumento da depleção de água doce e do abastecimento de alimentos, como ilustrado pela imagem abaixo a partir de um post anterior [imagem encontra-se no post original].

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Abaixo está uma imagem de Malcolm Light, que atualiza uma imagem que apareceu em numa publicação anterior.

Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico

Nota do Tradutor: O ponto de intersecção dos envelopes que convergem as variações de amplitude das médias mensais móveis em 11 anos das anomalias da temperatura máxima de superfície do Giss [Goddard Institute of Space Studies da NASA] representa um tempo após o qual o efeito variável causado pelo calor latente do derretimento e congelamento do gelo do mar nas calotes polares irá ser eliminado, ou seja, o tempo em quea calote flutuante de gelo no Ártico vai derreter completamente.

Traduzido do original Greenhouse gas levels and temperatures keep rising de Sam Carana, no blogue onde contribuem vários cientistas do clima: Arctic News, a 14 de Janeiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

em https://aquecimentoglobaldesc…

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