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O Telhado Está a Arder – Parece que Fevereiro de 2016 Esteve 1.5 a 1.7 C Acima das Médias de 1880

Antes de começarmos a explorar esta instância mais recente e mais extrema de uma longa série de temperaturas globais de quebrar recordes, devíamos ter um momento para creditar os nossos “amigos” negadores da mudança climática pelo que está a acontecer no Sistema Terra.

Durante décadas, uma coligação de interesses especiais em combustíveis fósseis, investidores de grandes negócios, grupos de reflexão relacionados, e a grande maioria do Partido Republicano, têm lutado estridentemente para evitarem uma acção eficaz na mitigação dos piores efeitos da mudança climática. Na sua louca missão, eles atacaram a ciência, demonizaram líderes, paralizaram o Congresso, mancaram o governo, apoiaram combustíveis fósseis destinados a falhar, impediram ou desmancharam regulamentação útil, tornaram o Supremo Tribunal numa arma contra as soluções de energias renováveis, e puseram abaixo indústrias que teriam ajudado a reduzir o dano.

Através destas ações, eles têm sido bem sucedidos na prevenção da mudança rápida e necessária de desistência da queima de combustíveis fósseis, travando uma liderança americana florescente em energias renováveis ​​e ao inundarem o mundo com o carvão, petróleo e gás de baixo custo, que são agora tão destrutivos para a estabilidade do Sistema Terra. Agora, parece que alguns dos impactos mais perigosos das alterações climáticas já estão garantidos. E assim, quando a história olha para trás e pergunta – por que fomos tão estúpidos? Podemos honestamente apontar os nossos dedos para aqueles ignorantes e dizer “aqui estavam os sumo sacerdotes infernais que sacrificaram um futuro assegurado e a segurança dos nossos filhos no altar de seu orgulho tolo.”

Piores Receios para o Aquecimento Global Realizados

Sabíamos que ia haver sarilho. Sabíamos que as emissões de gases de efeito estufa humanas tinham carregado o oceano global com calor. Sabíamos que um El Nino recorde iria explodir um grande bocado desse calor de volta para a atmosfera assim que começou a desvanecer. E sabíamos que mais recordes da temperatura global estavam a caminho no final de 2015 e início de 2016. Mas tenho que admitir que os primeiros indícios para fevereiro são simplesmente assombrosos.

Aquecimento Global Extremo - temperaturas

(O modelo GFS mostra temperaturas com médias de 1.01 C acima da já significativamente mais quente do que o normal linha de base de 1981-2010. Observações subsequentes a partir de fontes independentes confirmaram este pico dramático da temperatura para fevereiro. Aguardamos as observações da NASA, NOAA e JMA para uma confirmação final. Mas a tendência nos dados é surpreendentemente clara. O que estamos a ver são as temperaturas globais mais quentes, de longe, desde que os registos começaram. Note-se que as maiores anomalias de temperatura aparecem exatamente onde não as queremos – no Ártico. Fonte da imagem: GFS e MJ Ventrice).

Eric Holthaus e MJ Ventrice, na segunda-feira, foram os primeiros a dar o aviso de um pico extremo nas temperaturas tal como registado pela medição global por satélite. Seguiu-se uma série de relatos dos mídia. Mas foi só hoje que começámos realmente a ter uma visão clara do potencial de danos atmosféricos.

Nick Stokes, um cientista do clima aposentado e blogger em Moyhu, publicou uma análise dos dados preliminares recentemente libertados pela NCAR e o indicador está simplesmente elevado de modo absolutamente fora de série. De acordo com esta análise, as temperaturas de fevereiro podem ter estado tanto quanto 1,44 C mais quentes do que a linha de base da NASA de 1951-1980. Convertendo as diferenças a partir dos valores da década de 1880, se estas estimativas preliminares se confirmarem, iriam colocar os números do GISS nuns extremos 1,66 C mais quentes do que os níveis de 1880 para fevereiro. Se o GISS corre 0,1 C mais frio do que as conversões NCAR, como tem feito ao longo dos últimos meses, então o aumento de temperatura de 1880 a fevereiro de 2016 seria de cerca de 1,56 C. Ambos são saltos incrivelmente altos que deixam uma dica de que 2016 poderia vir a ser bastante mais quente do que até mesmo 2015.

É importante notar que grande parte destas temperaturas globais elevadas recorde estão centradas no Ártico – uma região que é muito sensível ao aquecimento e que tem o potencial de produzir uma série de feedbacks amplificadores perigosos. Assim, poderíamos muito bem caracterizar um fevereiro quente recorde iminente como um no qual muito do excesso de calor explodiu no Ártico. Por outras palavras, os gráficos da anomalia da temperatura global fazem parecer que o teto do mundo está em chamas. Isso não é literal. Grande parte do Ártico permanece abaixo de zero. Mas anomalias de 10 a 12 C acima da temperatura média para um mês inteiro em grandes regiões do Ártico é um assunto sério. Isso significa que grandes partes do Ártico não experienciaram nada que se aproxime de um verdadeiro inverno no Ártico este ano [Artigo em Português].

Parece que o Limiar de 1,5 C foi Quebrado na Medição Mensal e Podemos Estar a Olhar para 1,2 a 1,3 C+ Acima de 1880s para todo 2016

Colocando estes números em contexto, parece que podemos ter já ultrapassado o limiar de 1,5 C acima dos valores dos anos de 1880 na medição mensal em fevereiro. Isto está a entrar num campo de riscos elevados para a aceleração do derretimento do gelo marinho e da neve no Ártico, perda de albedo, descongelamento da permafrost e uma série de outros feedbacks relacionados amplificadores de um aquecimento do nosso mundo forçado por humanos. Um conjunto de mudanças que irão, provavelmente, adicionar à velocidade de um, já rápido de si, aquecimento baseado em combustíveis fósseis. Mas devemos ter muito claro que as diferenças mensais não são diferenças anuais, e que a medida anual para 2016 é menos provável de vir a atingir ou exceder a diferença de 1.5 C. É justo dizer, porém, que diferenças anuais de 1,5 C são iminentes e vão provavelmente aparecer dentro de 5 a 20 anos.

Se usarmos o El Nino de 1997-1998 como base, descobrimos que as temperaturas globais para esse evento atingiram um máximo de cerca de 1,1 C acima das médias da década de 1880 durante fevereiro. O ano, contudo, ficou em cerca de 0,85 C acima das médias de 1880. Usando uma análise semelhante de verso de guardanapo, e assumindo que 2016 irá continuar a ver as temperaturas de superfície do mar Equatorial a continuarem a arrefecer, podemos estar a olhar para 1,2 a 1,3 C acima da média de 1880 para este ano.

Previsao para El Nino - Anomalia da Temperatura

(O El Nino está a arrefecer. Mas continuará a arrastar-se até 2016? Os conjuntos do modelo do Climate Prediction Center CFSv2 [Centro de Previsão Climática] parecem pensar que sim. A execução mais recente mostra a corrente El Nino a refortalecer-se no Outono de 2016. Tal evento tenderia a empurrar as temperaturas globais anuais para mais perto de 1,5 C acima do limiar da década de 1880. Também estabeleceria o potencial externo para mais um ano quente recorde em 2017. É importante notar que o consenso da NOAA ainda é o de um ENSO Neutro a enfraquecer as condições de La Niña pelo Outono. Fonte da imagem: Centro de Previsão do Clima da NOAA).

A NOAA está presentemente a prever que o El Nino fará a transição para ENSO Neutro ou para uma la Nina fraca, pelo final do ano. Contudo, algumas execuções de modelos mostram que o El Nino nunca chega a terminar realmente para 2016. Em vez disso, estes modelos prevêm que um El Nino fraco a moderado venha no Outono. Em 1998, um forte La Nina começou a formar-se, o que teria ajudado a conter as temperaturas atmosféricas no final do ano. A previsão de 2016, contudo, não parece indicar tão grande assistência no arrefecimento atmosférico proveniente do sistema oceânico global. Então, as médias anuais no fim de 2016 poderão empurrar mais para perto de 1,3 C (ou um pouco mais) acima dos níveis da década de 1880.

Tivemos Este Aquecimento no Sistema Já Há Algum Tempo, Apenas Estava a Esconder-se nos Oceanos

Outro pedaço do contexto sobre o qual devíamos ser muito claros, é que o Sistema Terra tem estado a viver com o calor atmosférico que estamos a ver agora há algum tempo. Os oceanos iniciaram uma acumulação muito rápida de calor devido ao forçamento das emissões de gases de efeito estufa durante os anos 2000. Uma taxa de acumulação de calor nas águas do mundo que tem acelerado até ao presente ano. Este excesso de calor já impactou o sistema climático ao acelerar a desestabilização dos glaciares na zona basal na Gronelândia e na Antártida. E também contribuiu para novas perdas recorde do gelo marinho global e é uma fonte provável de relatórios das zonas de plataforma continental do mundo nas quais têm sido observadas pequenas, mas preocupantes, instabilidades nos clatratos.

Acumulação de calor pelo oceano global

(A acumulação de calor no oceano global tem estado a subir em rampa desde o final dos anos 1990, com 50 por cento da acumulação total de calor a ocorrer nos 18 anos entre 1997 e 2015. Uma vez que mais de 90 por cento do forçamento de calor pelos gases de efeito estufa acaba no sistema do oceano global, esta medida em particular é provavelmente a imagem mais precisa de um mundo em rápido aquecimento. Uma tão rápida acumulação de calor nos oceanos do mundo garantiu uma eventual resposta da atmosfera. A verdadeira questão agora é – quão rapidamente e quão extensa? Fonte da imagem: Nature).

Mas elevar o aquecimento atmosférico terá inúmeros impactos adicionais. Irá colocar pressão sobre as regiões de superfície dos glaciares globais, adicionando ao aumento repentino na pressão de fusão basal que já vimos. Irá amplificar ainda mais o ciclo hidrológico – aumentando as taxas de evaporação e precipitação em todo o mundo e amplificando secas extremas, incêndios e inundações. Vai aumentar as temperaturas de superfície globais de pico, aumentando assim a incidência de eventos de baixas em massa por vagas de calor. Irá fornecer mais energia de calor latente para as tempestades, continuando a empurrar para cima o limiar de intensidade de pico destes eventos. E vai ajudar a acelerar o ritmo das mudanças regionais nos sistemas climáticos tais como a instabilidade do tempo no Atlântico Norte e aumentar a tendência de seca nos EUA (especialmente o Sudoeste dos EUA).

Entrando na Zona Perigosa da Mudança Climatica

O intervalo de 1-2 C acima das temperaturas da década de 1880 em que estamos agora a entrar é um em que as mudanças climáticas perigosas tenderão a crescer de forma mais rápida e aparente. Tal calor atmosférico não tem sido experienciado na Terra em pelo menos 150.000 anos, e o mundo de então era um lugar muito diferente daquilo a que os seres humanos foram acostumados no século 20. Contudo, a velocidade a que as temperaturas globais estão a subir é muito mais rápida do que alguma vez foi visto durante qualquer período interglacial para os últimos 3 milhões de anos, e é provavelmente ainda mais rápido do que o aquecimento observado durante eventos de extinção por efeito de estufa como o MTPE e o Permiano. Esta velocidade de aquecimento irá quase certamente ter efeitos adicionados para além do contexto do paleoclima.

Anomalia dos Graus-Dia no Artico

(Quem olha para o gráfico de anomalia da temperatura no topo deste post pode ver que uma quantidade desproporcional da anomalia da temperatura global está a aparecer no Ártico. Mas a região do Extremo Norte acima da linha de Latitude de 80 graus está entre as regiões que experimentam anomalias do pico global. Lá, graus-dia abaixo de zero estão nos níveis mais baixos já registados – atingindo agora uma anomalia de -800 no registo do Ártico. Em termos simples – quanto menos graus-dia abaixo de zero o Ártico experiencia, o mais próximo estará de derreter. Fonte da imagem: CIRES / NOAA).

Um último ponto a deixar claro e que vale a pena repetir. Nós, ao darmos ouvidos aos negadores da mudança climática e deixarmos que entupam as obras políticas e económicas, provavelmente já trancámos no sistema alguns dos efeitos negativos das alterações climáticas, que poderiam ter sido evitados. O tempo para darmos ouvidos a esses tolos acabou. O tempo para arrastar os pés e andar com meias-medidas está agora a chegar ao fim. Precisamos de uma resposta muito rápida. Uma resposta que, neste momento, ainda está a ser adiada pela indústria de combustíveis fósseis e os negadores da mudança climática que incitaram a sua beligerância.

Links:

O Velho Normal Já Era

NASA GISS

Quente Quente Quente

Michael J. Ventrice

Ártico Sem Inverno em 2016 [Traduzido em Português]

Grande Salto nas Medições da Temperatura à Superfície e pelo Satélite

Centro de Previsão Climática da NOAA

Captação de Calor pelo Oceano Global na Era Industrial Duplica em Décadas Recentes

CIRES / NOAA

Governadores Republicanos Processam para Pararem o Plano de Energia Limpa

Traduzido do original The Roof is On Fire — Looks like February of 2016 Was 1.5 to 1.7 C Above 1880s Averages, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 3 de Março de 2016.

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Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?

Hoje o mundo está um pouco como que a levar para trás, com a resposta de uma superfície do mar e atmosfera aquecidos pelos humanos. Ao fim e ao cabo, o Dr. Kevin Trenberth estava certo. O aquecimento do oceano profundo resultante das emissões de combustíveis fósseis que prendem o calor e que se acumula ao longo das duas primeiras décadas do século 21 veio mesmo ressurgir das profundezas para nos assombrar em 2014, 2015 e 2016. Nessa mudança violenta do sistema climático global para o lado quente da variabilidade natural, um El Nino titânico emergiu. Foi um dos três mais fortes de tais eventos no registo moderno. Um que, por medidas da NOAA, parece ter igualado o evento extremo de 1998 no seu pico de intensidade.

Anomalias da temperatura de superfície do mar pelo ONI (Oceanic Niño Index) para o Niño 3.4

(Diferença da temperatura de superfície em relação à média no índice de referência da zona Niño 3.4 mostra que as anomalias de calor da superfície do oceano para o El Nino de 2015-2016 igualou os valores de pico de 1997-1998. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Calor, Seca e Tempestades São Esperados Juntamente com Algumas Surpresas Nefastas

Este evento empurrou realmente o mundo para um calor extremo, e até enquanto o tempo severo relacionado previsto se acendeu em algumas das regiões típicas. As temperaturas médias anuais globais dispararam para cerca de 1,06 C acima das linhas de base dos anos 1880 durante 2015, e até as diferenças mensais atingiram os 1,2-1,3 C ou mais acima do mesmo índice de referência durante dezembro e janeiro.

Entre este grande irrompimento de calor global, o mundo também experimentou ainda mais uma onda de secas estranhas (desta vez sobre o Norte da América do Sul, as Caraíbas, grandes faixas de África e do Sudeste Asiático), eventos de baixas em massa relacionadas com o calor, inundações, e os mais fortes furacões no registo. As medidas de gelo do mar do Ártico e Globais estão mais uma vez a mergulhar em novos mínimos históricos. Também um evento global de branqueamento de coral, talvez o pior desses casos alguma vez experienciado, foi desencadeado.

Os padrões e potenciais eventos de pior caso previstos (tais como baixas em massa por vagas de calor, branqueamento de corais, e perda de gelo do mar) foram também contrastados por uma série de surpresas. A primeira e talvez a mais nefasta foi o fracasso do El Nino em quebrar a seca da Califórnia. Embora a costa oeste dos Estados Unidos [EUA] tenha experienciado uma série de tempestades, o padrão foi mais típico da humidade normal de inverno para o Noroeste dos EUA até porque a seca continuou ao longo do Sudoeste. A humidade, por outro lado, tendeu a espalhar-se como uma mangueira de incêndio – com as tempestades quer a circularem para o norte para o Alasca, as Aleutas, ou o Mar de Bering, ou para o sul ao longo do sul do México ou da América Central, para cima através do Golfo e a saírem por uma zona de tempestade particularmente intensa que se forma no Atlântico Norte.

Anomalia de precipitação em 30 dias mostra a continuação da seca do sudoeste

(Nos últimos 30 dias, a seca do sudoeste reemergiu como um padrão bloqueado, novamente, começou a afirmar-se sobre a parte ocidental da América do Norte e o Pacífico oriental. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Esta perda de humidade contínua no sudoeste dos Estados Unidos, apesar de um El Nino recorde, é particularmente evidente na mais recente medida de anomalia de precipitação para os últimos 30 dias pelo Centro de Previsão do Clima (CPC). Aqui descobrimos que grandes partes da Califórnia do Sul e Central receberam apenas 10 a 50 por cento da precipitação típica para este período. Juntamente com as temperaturas de 1 a 3 C acima da média para o mês, esta perda de precipitação durante o que seria tipicamente o período mais chuvoso da Califórnia, chegou como uma decepção para muitos que esperavam que um forte El Nino iria ajudar a quebrar o estado desta seca incapacitante. Agora, a janela para as chuvas de final de inverno e início de primavera está a começar a fechar, ao mesmo tempo que o padrão de bloqueio parece estar fortemente restabelecido, tanto no padrão do tempo presente como nos modelos de previsão.

Mas talvez a maior surpresa vinda deste ano de El Nino tenha sido um conjunto de eventos climáticos no Atlântico Norte, que estavam provavelmente mais relacionados à mudança climática. Ali, tempestades severas martelaram um Reino Unido importunado pelas cheias enquanto uma Corrente de Jato [Jet Stream] muito distorcida lançou calor e humidade Equatorial para o norte – acelerando-as ao longo de uma Corrente do Golfo ridiculamente quente e aparentemente reforçada antes de as esbarrar numa piscina fria relacionada com o fluxo do degelo provavelmente da Groenlândia. Ali, o calor e a humidade colidiram com o frio para produzirem as épicas tempestades que, então, ventilaram a sua fúria sobre o Reino Unido.

Tempestade quente no Ártico

(29 de Dezembro viu as temperaturas subirem acima da linha de congelamento [zero] no Polo Norte – a primeira vez que as temperaturas aqueceram tanto nesta região alta do Ártico e tão tarde no ano. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Durante um desses eventos, uma cadeia de baixas pressões potentes no Atlântico Norte arremessou ventos fortes, chuvas intensas e ondulação épica no Reino Unido, enquanto o fluxo meridional desencadeado por estas feras poderosas empurrou temperaturas acima de zero graus bem até lá acima ao Polo Norte durante o final de dezembro. Ainda mais um evento sem precedentes e inesperado num ano quente recorde. Um que se parece mais com um aquecimento forçado pelos humanos que superou as influências tradicionais de El Niño, ao invés de um impacto relacionado com o El Nino em si.

Enquanto o El Niño Esmorece, o Calor Equatorial Tende a Mover-se para o Polo

Embora possamos ver estes dois eventos – o fracasso do El Niño em fornecer fortes chuvas à Costa Oeste dos EUA, e os pulsos massivos em direção ao norte de tempestades, calor e humidade que atingem o Atlântico Norte – como independentes, os padrões paralelos parecem estar ligados a uma amplificação polar em curso. No geral, o calor no Ártico tende a enfraquecer a Corrente de Jato do Hemisfério Norte sobre estas duas zonas. E mesmo durante o El Niño, quando o jato seria normalmente reforçado, continuámos a ver padrões de ondas de elevada amplitude a formarem-se sobre essas regiões.

Mas enquanto o El Niño enfraquece e o Equador esfria, a Corrente de Jato tende a diminuir ainda mais. Tal estado atmosférico tenderia a exagerar ainda mais os padrões de ondas já significativos da Corrente de Jato – transferindo ainda mais calor mais baixas latitudes em direcção aos pólos. Além disso, os ciclos oceânicos tendem a acelerar quando o El Niño enfraquece ou transita para La Niña. O resultado é um pulso amplificado de águas mais quentes, emergindo de latitudes mais a sul, que entram no Ártico.

É por estas razões combinadas – a tendência pós El Niño para amplificar a transferência de calor atmosférico de sul para norte para o Ártico, e a tendência para escoar águas mais quentes em direção a zonas do Oceano Ártico durante o mesmo período – que aparece que estamos a entrar num período de elevado risco para potenciais novos degelos do gelo marinho e possíveis degelos relacionadas do gelo terrestre da Gronelândia durante 2016 e 2017.

Bolhas quentes na temperatura de superficie do mar

(Bolha Quente do Nordeste do Pacífico permanece em alta intensidade, e até o seu tamanho está previsto para expandir em julho. Entretanto, temperaturas de superfície do mar muito quentes estão previstas a permanecerem ao largo da costa oriental. O efeito resultante destas duas bolhas quentes poderá ser o de empurrar a Corrente de Jato longe para a América do Norte durante o verão de 2016 – aumentando potencialmente o risco de calor e seca generalizados e potencialmente recorde. Superfícies do mar muito quentes previstas na região dos mares de Barents e da Gronelândia – excedendo os 3 C acima da média para uma região ampla – é igualmente motivo de preocupação. Isto não é apenas devido ao risco de perda de gelo marinho através desta zona, mas também devido ao seu potencial para desencadear a formação de um padrão de bloqueio e de cúpula de calor sobre a Europa Oriental e a Rússia Ocidental. Fonte da imagem: NOAA / CFS).

Além disso, estamos em sério risco de ver os bloqueios e os padrões de ondas de elevadas amplitudes restabelecerem-se e persistirem, especialmente na zona mais ocidental da América do Norte onde se espera que uma Bolha Quente do Nordeste do Pacífico relacionada a estes eventos se fortaleça com o desvanecer do El Niño. De facto, amplas regiões dos EUA podem cair num calor e seca recorde, ou próxima de recorde, este Verão, devido às influências combinadas de duas zonas do oceano muito quentes em torno das suas linhas costeiras. Os modelos agora indicam um risco de seca particular de final da primavera para a região dos Grandes Lagos, bem como um período prolongado de temperaturas muito acima da média para praticamente todos os EUA continentais durante o verão. Entretanto, precipitação primaveril acima da média prevista para o Sudoeste parece cada vez menos provável que surja.

Finalmente, prevê-se a intensificação de temperaturas extremas da superfície do mar acima da média nos mares de Barents e da Gronelândia durante o final do Verão de 2016. Esta é uma área a vigiar. O calor do oceano adicionado tende a puxar a Corrente de Jato para o norte para a Europa oriental e a Rússia ocidental – gerando risco de ondas de calor e secas para esta região, ao mesmo tempo que a Ásia Central cai num risco de inundações. Modelos CFS [Sistemas de Previsão Climática] de longo termo para a precipitação temperatura para a Europa ainda não detetaram este risco. Contudo, dada a intensidade do calor previsto para as superfícies do Mar de Barents e a tendência relacionada do calor sobre os oceanos e no extremo norte de influenciar a formação de padrões de bloqueio, cúpulas de calor, e calhas [da Corrente de Jato] de elevada amplitude, vale a pena manter um olho meteorológico sobre a situação.

El Nino a Enfraquecer para Depois Retornar; ou Estará uma Transição para La Niña em Curso?

Relacionado com a tendência, reforçada pelo do aquecimento polar e do oceano, para gerar ondas da Corrente de Jato de grande amplitude – bem como ondas de calor, secas e inundações persistentes associadas – está o equilíbrio térmico do Pacífico Equatorial. El Niños fortes, ou até mesmo uma tendência para permanecer dentro ou perto de um estado El Niño, tem, historicamente, ajudado na quebra de novos recordes de elevadas temperaturas globais, ao associar-se à tendência de aquecimento pelos gases de efeito estufa. Entretanto, a transição em direção a La Niña tendeu a reforçar uma série de situações relacionadas ao aquecimento global, incluindo eventos de chuva recorde e grandes injeções de calor em direção aos polos no decair de El Niño para La Niña.

A causa para o aumento do risco de grandes eventos de precipitação é o facto de o El Nino proporciona um sangramento maciço de humidade para a atmosfera, em tempos de pico de intensidade. Com o atual El Niño a chegar perto de níveis recorde e com as temperaturas globais superiores a 1 C acima da média de 1880, os níveis de humidade atmosférica globais estão a atingir novos recordes neste momento. Se as temperaturas globais caírem subsequentemente por volta de 0,1 a 0,2 C durante uma transição para La Niña (para um intervalo cerca de 0,9 a 0,8 C mais quente do que os valores de 1880), então a atmosfera não será capaz de manter uma grande porção dessa humidade adicional em suspensão e cairá como precipitação – espremendo principalmente onde as principais zonas de calhas se tendem a estabelecer. Devemos ser muito claros aqui ao dizer que o risco de seca relacionada com a intensificação da formação de cristas e cúpulas de calor pelo aquecimento global não é reduzido em tais instâncias – apenas que o risco de eventos extremos de precipitação é maior.

Onda de Calor Russa, Inundações no Paquistão e a Corrente de Jato

(Ao longo de 2011, quando o El Niño de 2010 se desvaneceu em condições de La Niña, uma onda de alta amplitude na Corrente de Jato desencadeou um calor recorde, secas e incêndios florestais sobre a Rússia, ao mesmo tempo que o Paquistão foi atingido por um dilúvio com um mês de duração que foi o pior evento de chuva para a região nos últimos 1.000 anos. A tendência da La Nina para espremer o excesso de água da atmosfera pode aumentar o risco de tais eventos ocorrerem num estado de aquecimento climático. Fonte da imagem: NASA).

Quanto aos riscos para o gelo do mar, fornecemos alguma da explicação acima. Contudo, é importante notar também que a mobilidade de calor em direção aos polos tende a ser reforçada durante os períodos em que o El Niño decai para La Niña. Durante estes tempos, o calor equatorial tende a propagar-se em forma de onda para os polos – especialmente para o Polo do Hemisfério Norte, o qual já perdeu a sua forte proteção pela Corrente de Jato que afastava invasões de ar quente.

Estes dois factores são questões importantes quando se considera se a La Nina ou um estado ENSO neutral irá aparecer após o El Niño durante 2016. Mas há um terceiro: a taxa de aumento da temperatura global. Apesar de o principal condutor do aquecimento global ser as emissões maciças de combustível fóssil humano, a resposta do sistema oceânico global pode abanar significativamente a taxa de aumentos da temperatura atmosférica numa escala de tempo de décadas. Se a tendência do oceano é para La Nina, isso tenderia a suprimir um pouco a taxa decenal global de aumento da temperatura – e nós vimos isso acontecer durante a década de 2000. Mas se a tendência do oceano é produzir El Niños (numa mudança para uma Oscilação Decenal do Pacífico positiva, como parece estar a acontecer agora), então o ritmo geral de aumento da temperatura atmosférica global tenderia a ser reforçado.

La Niña Emerge

(aplicações de modelos consensuais entre IRI/CPC mostram uma queda para uma La Nina fraca até o final do ano. Contudo, execuções do modelo SFC [imagem abaixo] tem mostrado uma tendência para prever um ressurgimento das condições de El Niño no Outono. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Chegando a este ponto descobrimos que o consenso de previsão do modelo oficial publicado pela NOAA (IRI/CPC figura acima) mostra uma transição para estados neutros ENSO em maio, junho e julho, os quais, em seguida, procedem a uma La Niña muito fraca no Outono. Numa tal queda, provavelmente ainda veríamos temperaturas altas globais recordes durante o período de 2016 (no intervalo de 1,03- a 1,15 C acima dos valores de 1880).

Contudo, a tendência, no final de 2016 e em 2017, para as temperaturas recuarem das novas altas recordes seria um de algum modo melhorada (provavelmente caindo abaixo do 1 C acima da marca de 1880 em 2017 ou 2018, antes de voltarem a desafiar o recorde de 2015-2016 com a potencial formação de um novo El Niño no tempo de 3 a 5 anos de 2019 até 2021). É importante notar que este cenário revela um risco aumentado de um pulso de ar quente mais forte ir em direção à zona Polar Norte, juntamente com um potencial adicionado para eventos extremos de precipitação, à medida que as temperaturas globais tenderiam a cair mais rapidamente a partir dos picos do final de 2015 e início de 2016.

El Niño Continua

(execução do modelo CFSv2 – mostra o El Niño a continuar até ao final de 2016. Nos últimos meses, a série CFSv2 mostrou uma elevada precisão. Contudo, a preferência atual de previsão da NOAA é para as previsões estabelecidas pelo modelo IRI [imagem anterior acima]. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Em contraste, a previsão do modelo CFSv2 da NOAA (imagem acima) mostra o El Niño apenas a enfraquecer até julho e, em seguida, refortalecendo-se no espaço de tempo de outubro a novembro. Este cenário do modelo CFS resultaria em temperaturas atmosféricas mais elevadas em 2016 – garantindo praticamente uma certeza, sem precedentes, de três anos quentes recorde consecutivos para 2014, 2015, e 2016. Mas tal cenário – implicando que o Oceano Pacífico teria entrado num novo período de tendência El Nino – tenderia também a manter as temperaturas atmosféricas mais próximo dos níveis recordes elevados recentemente estabelecidos.

No cenário CFSv2, podemos esperar que as temperaturas médias globais anuais subam tanto quanto 1,08 a 1,2 C acima dos valores dos anos 1880 durante 2016 (uma diferença muito extrema e um aquecimento desconfortavelmente próximo da marca de 1,5 C). Estes valores extremos iriam, talvez, diminuir para cerca de entre 0,9 e 1,1 C durante 2017, desde que o segundo pulso de El Nino não permanecesse por muito tempo. Contudo, se o ressalto de volta para condições de El Nino fosse forte o suficiente no final de 2016, haveria uma chance de que o mundo pudesse enfrentar não 3, mas 4 absolutamente detestáveis 4 anos quentes recorde consecutivos.

Tendencia da temperatura - NASA

(Durante 2015 a temperatura global anual disparou acima de 1 C mais quente do que os valores de 1880. Há pelo menos uma chance de 50% de que 2016 será ainda mais quente. Considerando a considerável tendência de aquecimento imposta por um aquecimento mundial forçado por combustíveis fósseis, quão pior pode ficar durante a segunda década do século 21? Fonte da imagem: NASA GISS).

Entretanto, o pulso de ar quente que vai em direção aos polos poderá ser um pouco silenciado neste cenário. Uma declaração que devia ser qualificada pelo facto de que já vimos uma quantidade substancial de calor de El Niño a ir em direcção aos polos durante o presente evento. Além disso, eventos de chuvas potencialmente pesadas poderão não receber a energia adicional de uma queda da temperatura global decente para espremer mais humidade. Uma declaração que requer a qualificação adicional de que a carga global de humidade atmosférica é reforçada pelo aumento das temperaturas globais – por isso, comparativamente menos precipitação pesada é um termo relativo aqui.

Neste momento, a NOAA favorece a previsão de uma transição para La Nina, afirmando:

Uma transição para ENSO (El Niño-Oscilação do Sul) neutro é provável durante o final da primavera do Hemisfério Norte ou início do verão de 2016, com uma possível transição para condições de La Niña pelo outono.

Contudo, vale a pena reiterar que as previsões do modelo CFSv2 têm sido bastante precisas em prever o caminho do atual El Niño recorde até à data.

Links:

NOAA / CPC

NASA GISS

Evento de Baixas em Massa por Efeito Estufa Atinge o Eqipto

Tempestade Mais Forte do Hemisfério Sul já Registada

Tempestade Penosa de Quatro Estações Agarra os EUA

Uma Estação de Degelo no Ártico Monstruosa Poderá Já Ter Começado

Aquecimento do Oceano Profundo Volta para nos Assombrar

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Mais Sinais do Abrandamento da Corrente do Golfo enquanto Inundações Devastam a Cúmbria em Inglaterra

Desconstrução do Tempo Selvagem da Ásia

Traduzido do original As a Titanic El Nino Begins to Fade, What Fresh Trouble Will a Record Warm World Bring?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 25 de Fevereiro de 2016.

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Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA Ártico mais quente
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Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

em https://alteracoesclimaticas…

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

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A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade
Sam Carana

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

Sugerimos a leitura de “Papel do Metano no Aquecimento do Ártico” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Oceano Ártico é o mais fortemente atingido pelo aquecimento global

Nos últimos 12 meses, o aquecimento global fez-se sentir mais fortemente sobre o Oceano Ártico, como a imagem acima ilustra. Na maior parte do Oceano Ártico, as temperaturas de superfície estavam acima do topo da escala, ou seja, mais de 2,5°C mais elevada do que em 1981-2010.

Em Janeiro de 2016, a temperatura do ar perto do nível do mar (a 925 hPa) estavam mais do que 6°C ou 13°F acima da média na maior parte do Oceano Ártico, como o NSIDC.org anunciou recentemente. Para além disso, as temperaturas médias diárias em muitas partes do Oceano Ártico muitas vezes ultrapassaram o topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F maiores do que em 1979-2000, como ilustrado pela previsão do Reanalisador Climático abaixo.

Temperaturas anormais no Oceano Ártico em Fevereiro

E então, como podem as anomalias de temperatura no oceano ártico nesta época do ano serem muito maiores do que em qualquer outro lugar na Terra?

Um fator são os feedbacks tais como alterações na corrente de jato e o declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico, que faz com que cada vez mais luz solar seja absorvida pela água do Oceano Ártico, que por sua vez causa um declínio ainda maior, como discutido em muitos posts anteriores.

Alterações na corrente de jato

Neste momento, contudo, o aquecimento ao longo do Oceano Ártico é muito pronunciado numa altura do ano em que há uma diferença de temperatura mais ampla entre o Ártico e o Equador, quando há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Ártico. Assim, as mudanças no albedo são menos relevantes, enquanto que as alterações na corrente de jato seriam esperadas como sendo menos proeminentes agora. Todavia, uma corrente de jato fortemente deformada pode empurrar muito ar quente até lá acima ao Polo Norte, enquanto empurra muito ar frio do Ártico para a América do Norte, como ilustrado na previsão à direita.

Vejamos mais alguns fatores que estão a ter uma influência.

Níveis elevados de gases de efeito estufa sobre o Ártico

A questão era, por que está o aquecimento a atingir o Oceano Ártico tão fortemente nesta época do ano? Os níveis de gases de efeito estufa são mais elevados sobre o Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. Os gases de efeito estufa prendem o calor que seria, de outro modo, irradiadado para o espaço, e este efeito de estufa está a ocorrer durante todo o ano.

Níveis de CO2 em Fevereiro atingiram 405.83 ppm

Níveis de CO2 a 4 de Fevereiro de 2016. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 

Vamos olhar mais de perto para os níveis de dióxido de carbono (CO2). A 4 de Fevereiro de 2016, o nível de CO2 em Mauna Loa, no Havaí, foi 405,83 ppm, como ilustrado pela imagem à direita.

A imagem abaixo mostra que a média global do nível de CO2 a 6 de Fevereiro de 2016, foi de 407 ppm a uma altitude próxima do nível do mar (972 mb). A imagem também mostra níveis de CO2 mais elevados em latitudes mais elevadas a Norte, com níveis de mais de 410 ppm sobre a maioria do Hemisfério Norte.

Média níveis globais de CO2

Níveis de CO2 sobre o Ártico em Fevereiro 2016

Os níveis de dióxido de carbono a 8 de Fevereiro de 2016 foram tão elevadas quanto 416 ppm num local sobre o mar de Kara (marcado pelo círculo verde na parte superior da imagem à direita).

Todavia, os níveis de dióxido de carbono sobre o Oceano Ártico não estão muito mais elevados do que noutros lugares, ou seja, não é suficiente para explicar essas enormes anomalias de temperatura.

O metano, outro gás de efeito estufa, também está presente ao longo do Oceano Ártico em níveis que são mais elevados do que no resto do mundo, como ilustrado na imagem abaixo, mostrando níveis de metano acima de 1900 ppb na maior parte do Oceano Ártico a 4 de Fevereiro de 2016.

Níveis de metano no Ártico

No caso do metano, a situação é diferente daquela para o dióxido de carbono:

  • os níveis no Pólo Norte são mais do que 10% mais elevados do que no Polo Sul, uma diferença muito maior do que para o dióxido de carbono.
  • o metano está a atingir os seus níveis mais elevados sobre o Oceano Ártico a partir de Outubro em diante até bem dentro do ano seguinte.
  • o metano persiste por mais tempo sobre o Ártico, devido aos baixos níveis de hidroxila que lá existem.
  • os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são elevados, já que cada vez maiores quantidades de metano estão a sair do fundo do mar no Oceano Ártico, fazendo com que este metano seja forçosamente altamente concentrado sobre o Ártico, especialmente logo após a sua libertação.

Em conclusão, parece que o metano está a desempenhar um papel cada vez maior no aquecimento do Ártico, especialmente tendo em conta a sua grande potência a curto prazo como gás de efeito estufa.

Emissões equivalentes ao CO2 noutrs gases de efeito de estufa

AMOC está a levar cada vez mais calor para o Oceano Ártico

Para além do metano, há uma outra grande razão pela qual as anomalias de temperatura são tão elevadas sobre o Oceano Ártico nesta época do ano. Enormes quantidades de calor estão a subir da água para a atmosfera sobre o Oceano Ártico, aquecendo o ar sobre a água. Quanto mais quente o mar, menos gelo se formará. Quanto mais fraco o gelo, mais rachaduras e locais onde o calor é transferido para a atmosfera.

A água do Oceano Ártico está a ficar mais quente, em comparação com anos anteriores, enquanto a Corrente do Golfo aquece. Ao referir toda a extensão do Golfo do México ao Oceano Ártico, esta corrente é muitas vezes referida como a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico Norte (AMOC na sigla em inglês). A direção do fluxo da AMOC é determinada por duas forças, que são, o fluxo de água quente do equador para norte, e o fluxo para leste devido à força de Coriolis. O resultado é água quente salgada transportada pela AMOC nas camadas superiores do Atlântico em direção a nordeste, para o Oceano Ártico. Eventualmente, a água afunda e flui de volta como água mais fria pelas profundezas do Atlântico. Como a imagem da NOAA em baixo mostra, a quantidade de calor que tem sido carregado pela AMOC em direção ao Oceano Árctico tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

Transporte de carlor pela AMOC no Atlantico

As temperaturas globais do oceano estão a aumentar, como discutido em publicações como Calor do Oceano e Subida da Temperatura. Como resultado, mais calor está agora a ser levado em direção ao Oceano Ártico. A Corrente do Golfo ao largo da costa da América do Norte está a aquecer fortemente e está a empurrar mais calor em direção ao Oceano Ártico, em comparação com anos anteriores. O resultado é ilustrado pela imagem abaixo, mostrando enormes anomalias da temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico perto de Svalbard, apesar da tampa fria no Atlântico Norte, indicando que o calor continua a viajar por baixo da tampa de água doce fria até ao Oceano Ártico.

Anomalias das Temperaturas no Ártico

Tais anomalias da temperatura de superfície do mar elevadas não são incomuns no Oceano Ártico nos dias de hoje. A imagem abaixo mostra que, a 24 de Janeiro de 2016, a temperatura de superfície do mar foi de 12,3°C ou 54,2°F num local perto de Svalbard, marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C ou 18.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar no Ártico - Jan 2016

Água agora muito mais quente ao largo da costa da América do Norte

A água ao largo da costa leste da América do Norte está muito mais quente do que costumava estar devido a emissões que se estendem desde a América do Norte sobre o Oceano Atlântico devido à força de Coriolis. A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra níveis de dióxido de carbono tão elevados quanto 511 ppm sobre New York a 5 de Novembro de 2015, e tão elevados quanto 500 ppm sobre a água ao largo da costa de New Jersey a 2 de Novembro de 2015.

Niveis de CO2 na América do Norte e Atlantico

A imagem abaixo mostra níveis de monóxido de carbono. O monóxido de carbono esgota a hidroxila, tornando mais difícil para o metano ser oxidado. Assim, novamente, o metano parece ser um fator importante.

Níveis de monóxido de carbono

Essas emissões aquecem a Corrente do Golfo e fazem com que água cada vez mais quente seja levada por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico.

Tampa de água doce fria no Atlântico Norte

Finalmente, a tampa de água doce fria no Atlântico Norte faz com que uma menor transferência de calor ocorra do oceano para a atmosfera. Esta tampa de água doce fria faz com que mais calor esteja a fluir em direção ao Oceano Ártico, logo abaixo da superfície do mar do Atlântico Norte.

velocidade do gelo do mar e deriva

Esta tampa de água doce fria está a espalhar-se sobre o Atlântico Norte por uma série de razões:

    • mais derretimento dos glaciares na Gronelândia, em Svalbard e no norte do Canadá;
    • mais gelo do mar à deriva no Oceano Atlântico devido aos ventos fortes. Tempestades movem-se para cima no Atlântico de uma forma circular, acelerando a deriva do gelo do mar ao longo das bordas da Gronelândia, como ilustra este vídeo e imagem da Naval Research Lab à direita;
    • uma maior evaporação ao largo da costa leste da América do Norte, com a humidade a ser transportada por ventos mais fortes para o nordeste, resultando em mais precipitação sobre a água e, portanto, mais água doce a ser acrescentada ao Atlântico Norte, como ilustrado na imagem abaixo.

    Tampa de água doceno Atlanticodp degelo e precipitação

    Como a imagem acima também ilustra, esta tampa de água doce fria no Atlântico Norte também poderia resultar em mais calor a ser levado para o Oceano Ártico, devido à transferência de calor reduzida para a atmosfera a partir de água no seu caminho para o Oceano Ártico.

    temperaturas no ártico, ampa de água doce e precipitação no atlantico

    A imagem acima ilustra como as temperaturas mais elevadas ao longo do Ártico (painel superior) podem ir de mãos dadas com a tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte (segundo painel), com elevadas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte (terceiro painel) e com maior precipitação sobre esta tampa de água doce fria (painel inferior).

    A imagem abaixo indica que a tampa de água doce fria no Atlântico Norte também anda de mãos dadas com a queda dos níveis de salinidade.

    A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade

    A precipitação sobre o Atlântico Norte está a aumentar, devido aos ventos fortes e tempestades ali, como discutido em publicações anteriores como esta e como ilustrado pelas imagens abaixo. Ventos mais fortes, tempestades com elevados níveis de precipitação e ondas mais altas podem todos contribuir para que a tampa de água doce fria se espalhe ainda mais por todo o Atlântico Norte.

    Ondas de17 metros ao largo das ilhas britânicas

    A imagem acima mostra que ondas tão altas quanto 17,81m ou 58,4 pés foram registadas no Atlântico Norte a 1 de Fevereiro de 2016, e tão elevadas quanto 17,31m ou 56,8 pés a 08 de Fevereiro de 2016.

    Ondas de 17 metros ao largo das ilhas britânicas

    Conclusão

    Em conclusão, o perigo é que cada vez mais calor vá chegar ao Oceano Ártico. Isso resultará em maior derretimento do gelo do mar, num ciclo de realimentação de auto-reforço que faz com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico (em vez de ser refletida de volta ao espaço, como antes).

    A 11 de fevereiro, 2016, o gelo marinho do Ártico teve – para esta época do ano – a menor extensão desde que os registos por satélite começaram em 1979, como ilustrado na imagem abaixo.

    Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo

    O maior perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão escapar abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, elevando dramaticamente as temperaturas sobre o Ártico e provocando cada vez mais erupções de metano, resultando numa escalada rápida para um aquecimento fugidio.

    A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

    Traduzido do original Methane’s Role in the Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Fevereiro de 2016.

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    CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

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Robertscribbler

Níveis de CO2 atmosférico Dispararam para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

Quando os níveis de CO2 bateram um novo recorde mundial de 405,66 ppm ontem, não pude deixar de pensar que HG Wells não poderia ter imaginado um mecanismo mais perigoso para se explorar o passado do mundo.

Pois quando se trata de testar o alcance de novos eventos climáticos extremos, a presente queima massiva de combustíveis fósseis é como entrar numa máquina do tempo sombria. Assim que todo esse carbono atinge os ares e águas, o marcador do clima gira para trás centenas de milhares e milhões de anos. Acelerando-nos em direção às eras de extinção por efeito estufa da história profunda da Terra. Agora, não apenas está a conduzir-nos através de eventos climáticos e temperaturas extremas não vistos em 100, 1.000, 5.000 ou até 10.000 anos, também está a impulsionar-nos em direção a estados climáticos que não ocorreram na Terra há eras e eras.

*****

Desde 1990, o mundo tem experimentado níveis de CO2 na atmosfera num intervalo que não se viu desde a época geológica do Plioceno. Um período de tempo 2.6 a 5.3 milhões de anos atrás com níveis de dióxido de carbono que variam de 350 a 405 partes por milhão e temperaturas médias globais que eram 2 a 3 graus Celsius mais quentes do que os níveis de 1880. Globalmente, o nível do mar elevou-se cerca de 80 pés mais do que aqueles a que humanidade tem se acostumado.

taxa anual de crescimento de co2

(Nunca a Terra tinha visto um acumular de CO2 tão rápido como o produzido pela era humana de energia de combustíveis fósseis. As taxas de aumento de CO2 apenas continuam a aumentar em rampa como nunca enquanto os reservatórios de carbono do mundo parecem estar a encher. Neste contexto, 2015 viu o ritmo mais rápido de aumento de CO2 até agora. As águas superficiais do oceano em aquecimento não podem absorver tanto CO2 quanto os oceanos mais frios. E um oceano quente recorde em 2015 contribuiu para esse acumular extremo de CO2 atmosférico. No ano passado, num todo, o CO2 acumulou na atmosfera a uma taxa de 3,2 partes por milhão por ano. Isso é bem acima do ritmo furioso de 2 partes por milhão de acumulação média anual que ocorreu durante a década de 2000. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Se os níveis de CO2 atmosféricos globais tivessem estabilizado neste ritmo, é provável que tivéssemos, eventualmente, visto climas, temperaturas, e níveis do mar, que se tornavam cada vez mais como aqueles experienciados há 2 a 5 milhões de anos atrás. Um processo que provavelmente teria levado séculos para chegar a um estado climático final muito mais quente. Um em que pouco ou nenhum gelo permaneceu sobre a Gronelândia ou a Antártida Ocidental, e um que incluía um regredir substancial das linhas costeiras.

De 1990 a 2015, esse foi o nosso contexto climático. O novo mundo que esteve progressivamente a estabelecer-se. Um que viria a afirmar-se a menos que os níveis de CO2 atmosféricos fossem de alguma forma reduzidos para menos de 350 partes por milhão. Foi tipo um assunto sério. Infelizmente, poucos especialistas realmente falaram sobre isso.

Saindo do Plioceno

Mas a partir de 2015 e continuando em 2016, a máquina do tempo da queima de combustíveis fosseis, mais uma vez, encaminhou-nos de volta para tempos mais quentes e perigosos. Pois nos últimos dois anos começámos a exceder o limite máximo de CO2 do Plioceno e começámos a entrar nos níveis de CO2 que foram mais típicos daqueles da época climática do Mioceno Médio, de há 15 a 17 milhões de anos atrás.

niveis de co2 mais elevados que no Plioceno

(De foguetão para além do Plioceno. A 4 de Fevereiro de 2016, um nível atmosférico de CO2 recorde de 405,66 foi registado no Observatório de Mauna Loa. A Terra não experienciou níveis de CO2 tão elevados desde há 15 a 17 milhões de anos. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

No final de Abril de 2015, enquanto o CO2 se aproximava de seu ponto mais alto típico de maio, as leituras diárias tinham atingido um nível de 404,9 partes por milhão – levando-nos em direcção à fronteira do contexto climático do Plioceno. Durante um breve período de 9 meses, o CO2 recuou dos limites do Plioceno enquanto as plantas da altura da primavera e do verão respiravam no Hemisfério Norte. Contudo, os níveis médios de CO2 atmosférico ainda estavam a aumentar com a queima de combustíveis fósseis desenfreada que continuava por todo o mundo. Ontem, 04 de fevereiro de 2016, os níveis diários de CO2 no Observatório Mauna Loa tinham subido em flecha para 405.66 partes por milhão. Um nível bem fora do limite superior para a época climática do Plioceno. Um nível mais típico dos períodos observados durante o Mioceno, 15 a 17 milhões de anos atrás.

Entrando no Mioceno Médio

Infelizmente, este pico diário em fevereiro de 405.66 partes por milhão não é o fim da subida em flecha para o ano em curso. Os picos atmosféricos típicos ocorrem durante Maio. E este ano, é provável que vejamos níveis atmosféricos chegarem perto de 407 partes por milhão nas médias semanais e mensais ao longo dos próximos meses. Tais níveis empurram-nos solidamente para fora do contexto climático do Plioceno e bem para dentro do contexto do Mioceno.

Embora o Mioceno Médio não tenha sido um clima de extinção por efeito estufa, foi um muito mais estranho à humanidade. Naquela época, apenas os grandes macacos existiam. O nosso ancestral mais antigo, o Australopitecus, ainda estava pelo menos 9 milhões de anos no futuro. É correto dizer que nenhum ser humano, nem mesmo os nossos parentes mais próximos, alguma vez respirou ar com a composição que agora está a entrar nos nossos pulmões. Nunca viveu sob a cúpula opressiva e intensificada de tanto calor atmosférico global forçado.

CO2 atmosférico no Plioceno e Mioceno

(Dissemos adeus ao contexto climático do Holoceno quando os níveis de CO2 subiram acima das 280 partes por milhão, durante o século 19. Por volta de 1990, tinhamos começado a entrar no contexto do Plioceno, um período que ocorreu há 2 a 5 milhões de anos atrás. A partir de 2015, começámos a sair do contexto climático do Plioceno e a entrar no Mioceno Médio. Se os ritmos atuais de queima de combustíveis fósseis ou os ritmos habituais de acumulação de CO2 continuarem, vamos estar a entrar no contexto climático do Oglioceno daqui a cerca de 25 a 50 anos. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Estamos a entrar agora num período em que as atmosferas são mais semelhantes às observadas durante o Óptimo Climático do Mioceno Médio – a última vez que as medidas de CO2 ultrapassaram um limiar de cerca de 405 partes por milhão (veja aqui e aqui).

O Óptimo Climático do Mioceno Médio de há 15 a 17 milhões de anos atrás era um mundo radicalmente diferente. Apresentava uma atmosfera na qual os níveis de dióxido de carbono variavam enormemente de 300 partes por milhão a 500 partes por milhão. As temperaturas eram entre 3 a 5 graus Celsius mais quentes do que no século 19. E os níveis do mar eram cerca de 120 a 190 pés mais elevados. Durante este período, o mundo ainda estava a arrefecer do calor das épocas do Paleoceno e do Eoceno. O carbono estava a ser sequestrado. E foi a primeira vez que o mundo quebrou significativamente o nível estável de CO2 abaixo das 500 partes por milhão que havia sido estabelecido durante o Oligoceno 24 a 33 milhões de anos atrás.

Se os níveis de CO2 permanecerem nesta faixa, são estas as temperaturas, os níveis do mar, e as condições climáticas para as quais vamos transitar e, finalmente, experienciar. Mas o tempo, e a queima de combustíveis fósseis, não estão do nosso lado. Pois com os ritmos de aumento da queima de combustíveis fósseis habituais da sociedade de negócio, podemos vir a atingir o limiar do Oligoceno em tão pouco quanto 25 a 30 anos. E mesmo que as taxas atuais de aumento fossem mantidas, o limiar do Oligoceno esperar-nos-ia a 5 décadas de distância.

Links:

NOAA ESRL (Por favor, apoiem a ciência pública, não baseada em interesses especiais, como o trabalho fantástico e essencial produzido pelos especialistas da NOAA).

A Curva Keeling

Clima do Plioceno

Entrando no Mioceno Médio

Traduzido do original Atmospheric CO2 Rocketed to 405.6 ppm Yesterday — A Level not Seen in 15 Million Years, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 05 de Fevereiro de 2016.

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Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico
Sam Carana

Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar

Sugerimos a leitura de “Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, as nações comprometeram-se em reduzir as emissões e evitar subidas de temperatura perigosas. No entanto, o aumento dos níveis de gases de efeito estufa e das temperaturas parecem estar a acelerar.

Crescimento recorde dos níveis de dióxido de carbono em Mauna Loa

A média anual do nível de dióxido de carbono medido em Mauna Loa, no Havaí, cresceu 3,17 ppm (partes por milhão) em 2015, uma taxa de crescimento mais alta do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959.

Média anual de aumento de Dióxido de Carbono, CO2

Como a imagem acima mostra, uma linha de tendência polinomial adicionada aos dados aponta para uma taxa de crescimento do dióxido de carbono de 4 ppm pelo ano 2024 e 5 ppm por volta de 2028.

Níveis de CO2 Janeiro 2016

Níveis de CO2 atuais – Janeiro 2016

No início da Revolução Industrial, o nível de dióxido de carbono na atmosfera era de cerca de 280 ppm. Em 11 de janeiro de 2016 como a imagem acima mostra, o nível de dióxido de carbono em Mauna Loa, no Havaí, era 402,1 ppm. Isso é cerca de 143% daquilo que era o nível superior de dióxido de carbono em tempos pré-industriais durante pelo menos os últimos 400.000 anos, como a imagem mais abaixo ilustra.

Níveis de CO2 em diferentes latitudes, Ártico e Equador

A latitudes norte mais elevadas, os níveis de dióxido de carbono são mais elevados do que noutros lugares na Terra, como ilustrado pela imagem acima. Estes gases de efeito estufa elevados contribuem para o aquecimento acelerado do Ártico.

Níveis de metano aumentam ainda mais rápido do que os níveis de CO2, especialmente por cima do Oceano Ártico.

Historicamente, os níveis de metano foram se movendo para cima e para baixo entre uma janela de 300 e 700 ppb [NT: partes por bilião]. Nos tempos modernos, os níveis de metano têm vindo a aumentar ainda mais rapidamente do que os níveis de dióxido de carbono, como ilustrado pela imagem abaixo, proveniente de uma publicação anterior.

Temperatura, dióxido de carbono e metano históricos

Histórico de temperaturas, níveis de dióxido de carbono e níveis de metano, desde há 400 mil anos até 2014

Como a imagem acima ilustra, o nível médio de 1.839 ppb que foi alcançado a 7 de Setembro de 2014, são alguns 263% dos ~ 700 ppb que historicamente eram os níveis superiores de metano.

A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra as médias anuais disponíveis da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ou seja, de 1984 até 2013, com a linha de tendência polinomial adicionada com base nesses dados. Dados selecionados da NOAA para 2014 e 2015, também foram adicionados para referência.

Níveis de metano, médias globais

Médias globais dos níveis de metano pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) de 1984 a 2013; dados de 2014 e 2015 pela NOAA. Linha de tendência polinomial adicionada com base nos dados da OMM.

Recentemente, alguns níveis muito elevados de pico foram registados, incluindo uma leitura de 2745 ppb a 02 de Janeiro de 2016, e uma leitura de 2963 ppb a 8 de janeiro de 2016, mostrado abaixo.

Níveis de metano em Janeiro 2016 em ppb

Estas leituras elevadas ilustram o perigo de que, à medida que água mais quente atinge o fundo do mar do Oceano Ártico, vai desestabilizar cada vez mais os sedimentos que podem conter enormes quantidades de metano na forma de gás livre e hidratos. Imagens associadas a essas leituras elevadas mostram a presença de níveis elevados de metano sobre o Oceano Ártico, indicando que esses picos elevados têm origem no oceano Ártico e que os sedimentos do fundo do mar no Oceano Ártico estão a a ser desestabilizados. O perigo é que esses picos irão ser acompanhados por erupções abruptas ainda mais fortes do fundo do mar do Oceano Ártico, à medida que as temperaturas da água continuarem a subir.

O aumento das temperaturas

Como discutido num post anterior sobre o acordo de Paris, [traduzido para português neste blogue] já está, agora, acima de 1,5°C mais quente do que nos tempos pré-industriais. Esse post mostra uma linha de tendência a avisar que sem uma ação abrangente e eficaz, poderá ficar 2°C mais quente antes do ano de 2030.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo.
1- Aquecimento global
2- Aquecimento Acelerado no Ártico
3- Aquecimento Global Fugidio.

Grandes erupções de metano ameaçam aquecer ainda mais a atmosfera, primeiro em lugares críticos sobre o Árctico e, eventualmente, ao redor do mundo, ao mesmo tempo causando enormes oscilações de temperatura e eventos climáticos extremos, contribuindo para o aumento da depleção de água doce e do abastecimento de alimentos, como ilustrado pela imagem abaixo a partir de um post anterior [imagem encontra-se no post original].

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Abaixo está uma imagem de Malcolm Light, que atualiza uma imagem que apareceu em numa publicação anterior.

Anomalias de temperatura e desaparecimento do gelo polar Ártico

Nota do Tradutor: O ponto de intersecção dos envelopes que convergem as variações de amplitude das médias mensais móveis em 11 anos das anomalias da temperatura máxima de superfície do Giss [Goddard Institute of Space Studies da NASA] representa um tempo após o qual o efeito variável causado pelo calor latente do derretimento e congelamento do gelo do mar nas calotes polares irá ser eliminado, ou seja, o tempo em quea calote flutuante de gelo no Ártico vai derreter completamente.

Traduzido do original Greenhouse gas levels and temperatures keep rising de Sam Carana, no blogue onde contribuem vários cientistas do clima: Arctic News, a 14 de Janeiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

em https://aquecimentoglobaldesc…

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Mudança Climática em aceleração, Anomalias de temperatura
Sam Carana

Mudança Climática em Aceleração

Sugerimos a leitura de “Mudança Climática em Aceleração” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Níveis de metano tão elevados quanto 2562 ppb foram registados a 9 de Outubro de 2014, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de Metano a 9 de Outubro 2014
Muitas áreas cinzentas aparecem na imagem onde o QC (controle de qualidade) falhou, por ter sido muito difícil ler os níveis de metano na respectiva área, aparentemente devido a níveis de humidade elevados (ou seja, neve, chuva ou vapor de água) na atmosfera.

Clima sobre o Ártico dificulta leituras de metano.
Como a imagem acima ilustra, a cobertura de nuvens é elevada sobre o Ártico, ao mesmo tempo que há precipitação em forma de neve.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Noutras palavras, níveis elevados de metano (acima de 1.950 ppb, de cor amarela) podiam estar presentes sobre uma parte muito maior do Oceano Ártico, enquanto o metano nessas áreas cinzentas podia ter sido ainda maior do que o nível de pico medido de 2456 ppb.

Isto parece confirmar-se pela persistência de níveis elevados de metano sobre vastas áreas em todo o Oceano Ártico, tanto na parte da manhã (parte superior da imagem mais acima) e à tarde (parte inferior da imagem) a 9 de Outubro de 2014.

Os níveis de metano estão assim elevados sobre o Oceano Ártico por um número de razões, incluindo:

  • A Corrente do Golfo continua a empurrar água quente para Oceano Ártico.
  • As erupções de metano resultantes vindas do fundo do mar no Oceano Ártico constituem um feedback (mecanismo de retroacção) que acelera o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, as coberturas de gelo e neve do Ártico vão diminuir, acelerando ainda mais o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circundam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, tornando-o mais meandro [fazendo-o serpentear], resultando numa maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e incêndios florestais.

Aqui está um exemplo de aquecimento intenso. Olhe o que está a acontecer atualmente na Gronelândia.

As anomalias de temperatura alta sobre a Groenlândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

Como a imagem acima à direita mostra, anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014).

Além disso, a cobertura elevada de nuvens sobre o Ártico (imagem mais acima) torna-o difícil para o calor irradiar para o espaço, contribuindo ainda mais para as anomalias de alta temperatura.

A imagem à direita mostra as anomalias de temperatura alta sobre a Gronelândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

A imagem abaixo (à direita) mostra anomalias correspondentes à extremidade superior da escala atingindo grande parte da Gronelândia num momento específico durante o dia de hoje. A parte esquerda da imagem abaixo mostra como isso pode acontecer, ou seja, correntes de jato enrolando em torno da Gronelândia que apanham o fluxo de entrada de ar quente vindo do Atlântico Norte.

Temperaturas muito altas na gronelândia, Outubro 2014
Tal como dito, à medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circunavegam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, fazendo com que os jatos meandrem mais e criem padrões que podem reter o calor (ou frio), durante um número de dias sobre uma determinada área. Devido à altura das suas montanhas, a Gronelândia é particularmente propensa a ser cada vez mais atingida por ondas de calor resultantes de tais padrões de bloqueio. O aquecimento altera a textura da neve e do gelo, tornando-o mais lamacento e escuro, o que também faz com que absorva mais calor da luz solar, acelerando ainda mais o degelo.

Como Paul Beckwith adverte num post anterior, as taxas de derretimento na Gronelândia duplicaram nos últimos 4 a 5 anos, e as taxas de degelo sobre a Península Antárctica aumentaram ainda mais rápido. Com base nas últimas décadas, as taxas de derretimento tiveram um período de duplicação de cerca de 7 anos. Se esta tendência continuar, podemos esperar um aumento do nível do mar próximo de 7 metros por volta de 2070.

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com Imagem tirada de http://arctic-news.blogspot.com/2014/07/more-than-25m-sea-level-rise-by-2040.html

Isto são tudo indicações de que o ritmo da mudança climática está a acelerar em muitos aspectos, o mais perigoso sendo as cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Como a imagem abaixo mostra, as anomalias da temperatura do mar de superfície são muito elevadas no Oceano Ártico, indicando temperaturas muito elevadas sob a superfície.

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry disse recentemente: “Há agora – agora mesmo – défices alimentares graves que ocorrem em lugares como a América Central porque as regiões estão a lutar contra as piores secas em décadas, não são eventos [de periodicidade] de 100 anos em termos de inundações, em termos de incêndios, em termos de seca -.são eventos de 500 anos, algo inédito na nossa medição do tempo.” Avisando sobre catástrofe iminente, Kerry acrescenta: “A vida como você a conhece na Terra termina. Um aumento em sete graus Fahrenheit (3,9°C), e não podemos sustentar as culturas, a água, a vida nessas circunstâncias.”

A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.

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