Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores
Robertscribbler

Sete Meses Consecutivos de Calor Global de Quebrar Recordes

Não é apenas o facto de estarmos a ver um calor global recorde. É que o salto nas temperaturas globais em 2016 poderá ser o maior pico já registado num único ano. É que o mundo poderá nunca mais voltar a ver temperaturas anuais abaixo de 1 C acima das médias pré-industriais. E é que, este nível elevado de calor, e uma pico relacionado de gases de efeito estufa na atmosfera devido às emissões de combustíveis fósseis, agora é suficiente para começar a infligir danos graves sobre tanto o mundo natural como a civilização humana.

Sete Meses Consecutivos de Recorde de Calor

O mês passado foi o Abril mais quente do registo climático global. Não só foi o mais quente de tais meses já registado – quebrou o recorde anterior com a maior margem alguma vez registada. E este mês de Abril tornou-se agora o sétimo mês consecutivo de uma cadeia ininterrupta de calor global recorde.

Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores

(Quando em gráfico, é isto o que o Abril mais quente já registado parece quando comparado a outros Abris. Reparem no ponto ascendente e estreito no final da progressão de aquecimento longo. Sim, isso é para Abril de 2016. Fonte da imagem: Dr. Stephan Rahmstorf. Fonte dos dados: NASA GISS).

De acordo com a NASA GISS, as temperaturas globais em Abril estiveram 1,11 graus Celsius (C) mais quentes do que a sua média da linha de base para o século. Quando comparado com leituras pré-industriais (década de 1880 pela NASA), as temperaturas aqueceram globalmente por um total de 1,33 C. E isso é realmente um grande salto no aquecimento global, especialmente quando se considera o contexto dos últimos sete meses. Quando se olha para isso, parece que as temperaturas globais estão a subir numa corrida com uma velocidade de meter medo.

Sobre este ritmo furioso de aquecimento, Andy Pitman, diretor do Centro ARC de Excelência para a Ciência do Sistema Climático da Universidade de New South Wales na Austrália, observou recentemente no The Guardian:

“O que é interessante é a escala em que estamos a quebrar recordes. Está claramente tudo a ir na direção errada. Os cientistas do clima têm vindo a alertar quanto a isto desde pelo menos a década de 1980. E tem sido estupidamente óbvio desde a década de 2000.”

dióxido de carbono atmosférico em Maio

(Níveis recorde de dióxido de carbono atmosférico, como visto neste gráfico de Domingo 15 de Maio pelo Copernicus Observatory, são a principal força motriz de um pico incrível nas temperaturas globais durante 2016. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Apesar de ser provável que 2016 seja um ano quente recorde, as leituras globais têm registado uma ligeira moderação desde o início deste ano assim que o El Nino começou a desvanecer-se. Mas isso não significa que estejamos fora da zona de perigo. Muito pelo contrário, estamos a correr em direção a limiares climáticos a um ritmo nunca antes visto. E isso é realmente preocupante. As leituras mensais de pico este ano atingiram uns ridículos 1,55 C acima da média da década de 1880 na altura do El Nino durante Fevereiro. E o recorde mensal atual de Abril está empatado com Janeiro de 2016 na medida da NASA. No total, os primeiros quatro meses de 2016 têm agora uma média 1,43 C acima das linhas de base da década de 1880 ou desconfortavelmente perto da marca de 1,5 C estabelecida pelos cientistas como sendo o primeiro de muitos limites climáticos cada vez mais perigosos.

De acordo com Pitman:

“O alvo de 1.5C é pensamento desejoso. Não sei se se obteria 1.5C se se parasse com as emissões hoje. Há inércia no sistema. Está [agora] a colocar pressão intensa sobre os 2C.”

E quando cientistas ortodoxos começam a dizer coisas assim, é mesmo tempo de o resto de nós começar a tomar atenção.

Um Mundo Quente Recorde Feito pela Queima de Combustíveis Fósseis e Consistente com as Previsões Científicas

Olhando para onde o mundo tem aquecido mais, descobrimos que as maiores diferenças extremas de temperatura durante Abril foram novamente centradas sobre o climatologicamente vulnerável Ártico. Alaska, Noroeste do Canadá, o Mar de Beaufort, uma grande parte da Sibéria Central, a costa oeste da Groenlândia, os Mares de Laptev e Kara, e uma secção do Norte de África, todos experienciaram temperaturas mensais na ordem de 4 a 6,5 ​​graus Celsius acima da média. Valores mensais que são gritantes de tão quente. Uma região notavelmente maior experimentou um calor significativo com temperaturas a variarem entre 2 e 4 C acima da linha de base do século 20 da NASA. No geral, quase todas as regiões do mundo experimentaram leituras acima da média – com as exceções notáveis ​​associadas a zonas de depressão extremas relacionadas a padrões climáticos alterados pela mudança climática e manchas frias do oceano induzidas pelo derretimento glacial relacionado com o aquecimento.

O mês de Abril foi o mais quente com temperaturas recordes

(Foto da NASA de um mundo com uma febre alta e a piorar durante um Abril de 2016 quente recorde. Fonte da imagem: NASA GISS).

Estas regiões contra-tendência incluem a mancha fria do Atlântico Norte resultante da zona de derretimento da Gronelândia, a zona de depressão sobre a Baía de Hudson, a zona de depressão sobre o Noroeste do Pacífico, e a zona oceânica de absorção de calor que é o tempestuoso Oceano Antártico. A amplificação de aquecimento observada na região polar Norte, juntamente com a formação da mancha fria do Atlântico Norte e a ativação da zona dissipadora de calor no Oceano Antártico, são todos consistentes com os padrões de aquecimento global relacionados previstos por modelos climáticos e resultantes da queima de combustível de fóssil pelos humanos que empurra os níveis atmosféricos de CO2 bem acima das 400 partes por milhão nos últimos anos.

Calor Recorde Impulsiona Desastres Climáticos sem Precedentes

Este padrão de calor global recorde tem gerado numerosos desastres relacionados à mudança climática. Nas regiões equatoriais do mundo, têm surgido crises de seca e fome. Estas têm se tornado particularmente intensas em África e na Ásia. Em África, dezenas de milhões de pessoas estão agora à beira da fome. Na Índia, 330 milhões de pessoas estão sob estresse hídrico devido ao que é provavelmente a pior seca que aquela nação já experimentou. A Austrália viu 93 por cento da sua Grande Barreira de Coral sucumbir a um branqueamento de coral resultante do calor. E uma vez que o calor do oceano naquela região do mundo ultrapassou uma fasquia que vai forçar eventos de branqueamento mais e mais frequentes, é questionável se o grande recife de coral irá até sobreviver nas próximas décadas.

Pittman no Guardian, novamente:

“A coisa que está a causar esse aquecimento, está a aumentar e aumentar e aumentar. Logo, as temperaturas frias do oceano que vamos obter com uma La Niña são mais quentes do que alguma vez teríamos visto mais do que algumas décadas atrás … Esta é uma tareia em grande escala no sistema de recife de coral numa base contínua, com alguns pontapés ocasionais muito desagradáveis ​​e dos quais não se vai recuperar.”

Na Flórida, a acidificação dos oceanos devido às emissões de combustíveis fósseis está a fornecer os seus próprios socos e pontapés no maior recife de coral na costa daquele estado. Num efeito diferente do aquecimento, a acidificação é uma alteração química causada por águas do oceano que se tornam sobrecarregadas com carbono. Como uma espécie de chuva ácida constante sobre o recife que faz com que o calcário do qual é feito se dissolva.

E se os impactos acima não forem suficientes para manter-nos acordados durante a noite, incêndios florestais sem precedentes em Maio também forçaram o abandono de uma cidade inteira no Canadá. Ilhas por todo o mundo estão a ser engolidas pelo aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento do manto de gelo e expansão térmica. Cidades ao longo das costas do Atlântico e do Golfo nos Estados Unidos estão a enfrentar eventos de inundação de maré cada vez piores. O derretimento glacial na Gronelândia e na Antártida está a acelerar. E o gelo do mar do Ártico é tão fino e derrete tão rápido que alguns estão a questionar se algum sobreviverá até Setembro.

A La Nina está a Chegar, Mas Isso Não Vai Ajudar Muito

É importante notar que as temperaturas atmosféricas globais irão resfriar temporariamente dos picos de 2016 já que a La Nina está previsto instalar-se por este Outono. Contudo, os gases de efeito estufa estão tão elevados e o balanço energético da Terra está tão intenso que o oceano global, o gelo e o sistema atmosférico ainda estão a acumular calor a uma taxa sem precedentes. Enquanto a La Nina entra em ação, esse calor extra irá, na sua maior parte, para os oceanos e o gelo enquanto a atmosfera esfria um pouco – preparando-se para o próximo grande impulso já que o El Nino se prepara mais uma vez.

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(O aquecimento global está numa espiral em direção a limiares climáticos perigosos. Gráfico pelo cientista climático Ed Hawkins.)

Esta mudança baseada na variabilidade natural em direção a uma La Nina não devia realmente ser encarada como uma boa notícia. Uma pluma maciça de humidade levantou dos oceanos globais durante o presente pico de calor e, enquanto as temperaturas globais arrefecem, há um risco aumentado de grandes eventos de inundações de uma espécie a que realmente não estamos acostumados. A La Nina também produz zonas de seca — em particular sobre uma Califórnia já em sofrimento — e o aquecimento adicionado a partir do aumento das temperaturas globais vai adicionar à intensidade da seca nessas regiões também.

Com as temperaturas globais previstas para atingirem cerca de 1,3 C acima das médias pré-industriais para o conjunto de 2016, é duvidoso que o mundo vá sequer ver novamente um ano em que as temperaturas caiam abaixo do limiar climático de 1 C. E isso significa derretimento mais rápido do gelo glacial, agravamento dos incêndios, mais perturbação para as estações e colheitas, tempestades e eventos de chuva mais extremos, taxas mais rápidas de aumento do nível do mar, zonas de seca em expansão, mais ondas de calor indutoras de baixas em massa, expansão dos alcances das doenças tropicais, aumento do alcance das espécies invasoras nocivas, e uma infinidade de outros problemas. Nos últimos anos, passámos os limiares para alterações climáticas perigosas. E com as temperaturas globais a aumentarem tão rapidamente, estamos a entrar num problema mais e mais profundo.

No final, a nossa melhor esperança para diminuir essas condições que se agravam é reduzir rapidamente as emissões globais de carbono a zero ou valores de balanço negativos. Até fazermos isso, vai ser uma escalada em rampa de agravamento dos impactos que vêm pelo tubo abaixo.

Traduzido do original NASA — World Just Had Seven Months Straight of Record-Shattering Global Heat, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 16 de Maio de 2016.

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Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?

Hoje o mundo está um pouco como que a levar para trás, com a resposta de uma superfície do mar e atmosfera aquecidos pelos humanos. Ao fim e ao cabo, o Dr. Kevin Trenberth estava certo. O aquecimento do oceano profundo resultante das emissões de combustíveis fósseis que prendem o calor e que se acumula ao longo das duas primeiras décadas do século 21 veio mesmo ressurgir das profundezas para nos assombrar em 2014, 2015 e 2016. Nessa mudança violenta do sistema climático global para o lado quente da variabilidade natural, um El Nino titânico emergiu. Foi um dos três mais fortes de tais eventos no registo moderno. Um que, por medidas da NOAA, parece ter igualado o evento extremo de 1998 no seu pico de intensidade.

Anomalias da temperatura de superfície do mar pelo ONI (Oceanic Niño Index) para o Niño 3.4

(Diferença da temperatura de superfície em relação à média no índice de referência da zona Niño 3.4 mostra que as anomalias de calor da superfície do oceano para o El Nino de 2015-2016 igualou os valores de pico de 1997-1998. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Calor, Seca e Tempestades São Esperados Juntamente com Algumas Surpresas Nefastas

Este evento empurrou realmente o mundo para um calor extremo, e até enquanto o tempo severo relacionado previsto se acendeu em algumas das regiões típicas. As temperaturas médias anuais globais dispararam para cerca de 1,06 C acima das linhas de base dos anos 1880 durante 2015, e até as diferenças mensais atingiram os 1,2-1,3 C ou mais acima do mesmo índice de referência durante dezembro e janeiro.

Entre este grande irrompimento de calor global, o mundo também experimentou ainda mais uma onda de secas estranhas (desta vez sobre o Norte da América do Sul, as Caraíbas, grandes faixas de África e do Sudeste Asiático), eventos de baixas em massa relacionadas com o calor, inundações, e os mais fortes furacões no registo. As medidas de gelo do mar do Ártico e Globais estão mais uma vez a mergulhar em novos mínimos históricos. Também um evento global de branqueamento de coral, talvez o pior desses casos alguma vez experienciado, foi desencadeado.

Os padrões e potenciais eventos de pior caso previstos (tais como baixas em massa por vagas de calor, branqueamento de corais, e perda de gelo do mar) foram também contrastados por uma série de surpresas. A primeira e talvez a mais nefasta foi o fracasso do El Nino em quebrar a seca da Califórnia. Embora a costa oeste dos Estados Unidos [EUA] tenha experienciado uma série de tempestades, o padrão foi mais típico da humidade normal de inverno para o Noroeste dos EUA até porque a seca continuou ao longo do Sudoeste. A humidade, por outro lado, tendeu a espalhar-se como uma mangueira de incêndio – com as tempestades quer a circularem para o norte para o Alasca, as Aleutas, ou o Mar de Bering, ou para o sul ao longo do sul do México ou da América Central, para cima através do Golfo e a saírem por uma zona de tempestade particularmente intensa que se forma no Atlântico Norte.

Anomalia de precipitação em 30 dias mostra a continuação da seca do sudoeste

(Nos últimos 30 dias, a seca do sudoeste reemergiu como um padrão bloqueado, novamente, começou a afirmar-se sobre a parte ocidental da América do Norte e o Pacífico oriental. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Esta perda de humidade contínua no sudoeste dos Estados Unidos, apesar de um El Nino recorde, é particularmente evidente na mais recente medida de anomalia de precipitação para os últimos 30 dias pelo Centro de Previsão do Clima (CPC). Aqui descobrimos que grandes partes da Califórnia do Sul e Central receberam apenas 10 a 50 por cento da precipitação típica para este período. Juntamente com as temperaturas de 1 a 3 C acima da média para o mês, esta perda de precipitação durante o que seria tipicamente o período mais chuvoso da Califórnia, chegou como uma decepção para muitos que esperavam que um forte El Nino iria ajudar a quebrar o estado desta seca incapacitante. Agora, a janela para as chuvas de final de inverno e início de primavera está a começar a fechar, ao mesmo tempo que o padrão de bloqueio parece estar fortemente restabelecido, tanto no padrão do tempo presente como nos modelos de previsão.

Mas talvez a maior surpresa vinda deste ano de El Nino tenha sido um conjunto de eventos climáticos no Atlântico Norte, que estavam provavelmente mais relacionados à mudança climática. Ali, tempestades severas martelaram um Reino Unido importunado pelas cheias enquanto uma Corrente de Jato [Jet Stream] muito distorcida lançou calor e humidade Equatorial para o norte – acelerando-as ao longo de uma Corrente do Golfo ridiculamente quente e aparentemente reforçada antes de as esbarrar numa piscina fria relacionada com o fluxo do degelo provavelmente da Groenlândia. Ali, o calor e a humidade colidiram com o frio para produzirem as épicas tempestades que, então, ventilaram a sua fúria sobre o Reino Unido.

Tempestade quente no Ártico

(29 de Dezembro viu as temperaturas subirem acima da linha de congelamento [zero] no Polo Norte – a primeira vez que as temperaturas aqueceram tanto nesta região alta do Ártico e tão tarde no ano. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Durante um desses eventos, uma cadeia de baixas pressões potentes no Atlântico Norte arremessou ventos fortes, chuvas intensas e ondulação épica no Reino Unido, enquanto o fluxo meridional desencadeado por estas feras poderosas empurrou temperaturas acima de zero graus bem até lá acima ao Polo Norte durante o final de dezembro. Ainda mais um evento sem precedentes e inesperado num ano quente recorde. Um que se parece mais com um aquecimento forçado pelos humanos que superou as influências tradicionais de El Niño, ao invés de um impacto relacionado com o El Nino em si.

Enquanto o El Niño Esmorece, o Calor Equatorial Tende a Mover-se para o Polo

Embora possamos ver estes dois eventos – o fracasso do El Niño em fornecer fortes chuvas à Costa Oeste dos EUA, e os pulsos massivos em direção ao norte de tempestades, calor e humidade que atingem o Atlântico Norte – como independentes, os padrões paralelos parecem estar ligados a uma amplificação polar em curso. No geral, o calor no Ártico tende a enfraquecer a Corrente de Jato do Hemisfério Norte sobre estas duas zonas. E mesmo durante o El Niño, quando o jato seria normalmente reforçado, continuámos a ver padrões de ondas de elevada amplitude a formarem-se sobre essas regiões.

Mas enquanto o El Niño enfraquece e o Equador esfria, a Corrente de Jato tende a diminuir ainda mais. Tal estado atmosférico tenderia a exagerar ainda mais os padrões de ondas já significativos da Corrente de Jato – transferindo ainda mais calor mais baixas latitudes em direcção aos pólos. Além disso, os ciclos oceânicos tendem a acelerar quando o El Niño enfraquece ou transita para La Niña. O resultado é um pulso amplificado de águas mais quentes, emergindo de latitudes mais a sul, que entram no Ártico.

É por estas razões combinadas – a tendência pós El Niño para amplificar a transferência de calor atmosférico de sul para norte para o Ártico, e a tendência para escoar águas mais quentes em direção a zonas do Oceano Ártico durante o mesmo período – que aparece que estamos a entrar num período de elevado risco para potenciais novos degelos do gelo marinho e possíveis degelos relacionadas do gelo terrestre da Gronelândia durante 2016 e 2017.

Bolhas quentes na temperatura de superficie do mar

(Bolha Quente do Nordeste do Pacífico permanece em alta intensidade, e até o seu tamanho está previsto para expandir em julho. Entretanto, temperaturas de superfície do mar muito quentes estão previstas a permanecerem ao largo da costa oriental. O efeito resultante destas duas bolhas quentes poderá ser o de empurrar a Corrente de Jato longe para a América do Norte durante o verão de 2016 – aumentando potencialmente o risco de calor e seca generalizados e potencialmente recorde. Superfícies do mar muito quentes previstas na região dos mares de Barents e da Gronelândia – excedendo os 3 C acima da média para uma região ampla – é igualmente motivo de preocupação. Isto não é apenas devido ao risco de perda de gelo marinho através desta zona, mas também devido ao seu potencial para desencadear a formação de um padrão de bloqueio e de cúpula de calor sobre a Europa Oriental e a Rússia Ocidental. Fonte da imagem: NOAA / CFS).

Além disso, estamos em sério risco de ver os bloqueios e os padrões de ondas de elevadas amplitudes restabelecerem-se e persistirem, especialmente na zona mais ocidental da América do Norte onde se espera que uma Bolha Quente do Nordeste do Pacífico relacionada a estes eventos se fortaleça com o desvanecer do El Niño. De facto, amplas regiões dos EUA podem cair num calor e seca recorde, ou próxima de recorde, este Verão, devido às influências combinadas de duas zonas do oceano muito quentes em torno das suas linhas costeiras. Os modelos agora indicam um risco de seca particular de final da primavera para a região dos Grandes Lagos, bem como um período prolongado de temperaturas muito acima da média para praticamente todos os EUA continentais durante o verão. Entretanto, precipitação primaveril acima da média prevista para o Sudoeste parece cada vez menos provável que surja.

Finalmente, prevê-se a intensificação de temperaturas extremas da superfície do mar acima da média nos mares de Barents e da Gronelândia durante o final do Verão de 2016. Esta é uma área a vigiar. O calor do oceano adicionado tende a puxar a Corrente de Jato para o norte para a Europa oriental e a Rússia ocidental – gerando risco de ondas de calor e secas para esta região, ao mesmo tempo que a Ásia Central cai num risco de inundações. Modelos CFS [Sistemas de Previsão Climática] de longo termo para a precipitação temperatura para a Europa ainda não detetaram este risco. Contudo, dada a intensidade do calor previsto para as superfícies do Mar de Barents e a tendência relacionada do calor sobre os oceanos e no extremo norte de influenciar a formação de padrões de bloqueio, cúpulas de calor, e calhas [da Corrente de Jato] de elevada amplitude, vale a pena manter um olho meteorológico sobre a situação.

El Nino a Enfraquecer para Depois Retornar; ou Estará uma Transição para La Niña em Curso?

Relacionado com a tendência, reforçada pelo do aquecimento polar e do oceano, para gerar ondas da Corrente de Jato de grande amplitude – bem como ondas de calor, secas e inundações persistentes associadas – está o equilíbrio térmico do Pacífico Equatorial. El Niños fortes, ou até mesmo uma tendência para permanecer dentro ou perto de um estado El Niño, tem, historicamente, ajudado na quebra de novos recordes de elevadas temperaturas globais, ao associar-se à tendência de aquecimento pelos gases de efeito estufa. Entretanto, a transição em direção a La Niña tendeu a reforçar uma série de situações relacionadas ao aquecimento global, incluindo eventos de chuva recorde e grandes injeções de calor em direção aos polos no decair de El Niño para La Niña.

A causa para o aumento do risco de grandes eventos de precipitação é o facto de o El Nino proporciona um sangramento maciço de humidade para a atmosfera, em tempos de pico de intensidade. Com o atual El Niño a chegar perto de níveis recorde e com as temperaturas globais superiores a 1 C acima da média de 1880, os níveis de humidade atmosférica globais estão a atingir novos recordes neste momento. Se as temperaturas globais caírem subsequentemente por volta de 0,1 a 0,2 C durante uma transição para La Niña (para um intervalo cerca de 0,9 a 0,8 C mais quente do que os valores de 1880), então a atmosfera não será capaz de manter uma grande porção dessa humidade adicional em suspensão e cairá como precipitação – espremendo principalmente onde as principais zonas de calhas se tendem a estabelecer. Devemos ser muito claros aqui ao dizer que o risco de seca relacionada com a intensificação da formação de cristas e cúpulas de calor pelo aquecimento global não é reduzido em tais instâncias – apenas que o risco de eventos extremos de precipitação é maior.

Onda de Calor Russa, Inundações no Paquistão e a Corrente de Jato

(Ao longo de 2011, quando o El Niño de 2010 se desvaneceu em condições de La Niña, uma onda de alta amplitude na Corrente de Jato desencadeou um calor recorde, secas e incêndios florestais sobre a Rússia, ao mesmo tempo que o Paquistão foi atingido por um dilúvio com um mês de duração que foi o pior evento de chuva para a região nos últimos 1.000 anos. A tendência da La Nina para espremer o excesso de água da atmosfera pode aumentar o risco de tais eventos ocorrerem num estado de aquecimento climático. Fonte da imagem: NASA).

Quanto aos riscos para o gelo do mar, fornecemos alguma da explicação acima. Contudo, é importante notar também que a mobilidade de calor em direção aos polos tende a ser reforçada durante os períodos em que o El Niño decai para La Niña. Durante estes tempos, o calor equatorial tende a propagar-se em forma de onda para os polos – especialmente para o Polo do Hemisfério Norte, o qual já perdeu a sua forte proteção pela Corrente de Jato que afastava invasões de ar quente.

Estes dois factores são questões importantes quando se considera se a La Nina ou um estado ENSO neutral irá aparecer após o El Niño durante 2016. Mas há um terceiro: a taxa de aumento da temperatura global. Apesar de o principal condutor do aquecimento global ser as emissões maciças de combustível fóssil humano, a resposta do sistema oceânico global pode abanar significativamente a taxa de aumentos da temperatura atmosférica numa escala de tempo de décadas. Se a tendência do oceano é para La Nina, isso tenderia a suprimir um pouco a taxa decenal global de aumento da temperatura – e nós vimos isso acontecer durante a década de 2000. Mas se a tendência do oceano é produzir El Niños (numa mudança para uma Oscilação Decenal do Pacífico positiva, como parece estar a acontecer agora), então o ritmo geral de aumento da temperatura atmosférica global tenderia a ser reforçado.

La Niña Emerge

(aplicações de modelos consensuais entre IRI/CPC mostram uma queda para uma La Nina fraca até o final do ano. Contudo, execuções do modelo SFC [imagem abaixo] tem mostrado uma tendência para prever um ressurgimento das condições de El Niño no Outono. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Chegando a este ponto descobrimos que o consenso de previsão do modelo oficial publicado pela NOAA (IRI/CPC figura acima) mostra uma transição para estados neutros ENSO em maio, junho e julho, os quais, em seguida, procedem a uma La Niña muito fraca no Outono. Numa tal queda, provavelmente ainda veríamos temperaturas altas globais recordes durante o período de 2016 (no intervalo de 1,03- a 1,15 C acima dos valores de 1880).

Contudo, a tendência, no final de 2016 e em 2017, para as temperaturas recuarem das novas altas recordes seria um de algum modo melhorada (provavelmente caindo abaixo do 1 C acima da marca de 1880 em 2017 ou 2018, antes de voltarem a desafiar o recorde de 2015-2016 com a potencial formação de um novo El Niño no tempo de 3 a 5 anos de 2019 até 2021). É importante notar que este cenário revela um risco aumentado de um pulso de ar quente mais forte ir em direção à zona Polar Norte, juntamente com um potencial adicionado para eventos extremos de precipitação, à medida que as temperaturas globais tenderiam a cair mais rapidamente a partir dos picos do final de 2015 e início de 2016.

El Niño Continua

(execução do modelo CFSv2 – mostra o El Niño a continuar até ao final de 2016. Nos últimos meses, a série CFSv2 mostrou uma elevada precisão. Contudo, a preferência atual de previsão da NOAA é para as previsões estabelecidas pelo modelo IRI [imagem anterior acima]. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Em contraste, a previsão do modelo CFSv2 da NOAA (imagem acima) mostra o El Niño apenas a enfraquecer até julho e, em seguida, refortalecendo-se no espaço de tempo de outubro a novembro. Este cenário do modelo CFS resultaria em temperaturas atmosféricas mais elevadas em 2016 – garantindo praticamente uma certeza, sem precedentes, de três anos quentes recorde consecutivos para 2014, 2015, e 2016. Mas tal cenário – implicando que o Oceano Pacífico teria entrado num novo período de tendência El Nino – tenderia também a manter as temperaturas atmosféricas mais próximo dos níveis recordes elevados recentemente estabelecidos.

No cenário CFSv2, podemos esperar que as temperaturas médias globais anuais subam tanto quanto 1,08 a 1,2 C acima dos valores dos anos 1880 durante 2016 (uma diferença muito extrema e um aquecimento desconfortavelmente próximo da marca de 1,5 C). Estes valores extremos iriam, talvez, diminuir para cerca de entre 0,9 e 1,1 C durante 2017, desde que o segundo pulso de El Nino não permanecesse por muito tempo. Contudo, se o ressalto de volta para condições de El Nino fosse forte o suficiente no final de 2016, haveria uma chance de que o mundo pudesse enfrentar não 3, mas 4 absolutamente detestáveis 4 anos quentes recorde consecutivos.

Tendencia da temperatura - NASA

(Durante 2015 a temperatura global anual disparou acima de 1 C mais quente do que os valores de 1880. Há pelo menos uma chance de 50% de que 2016 será ainda mais quente. Considerando a considerável tendência de aquecimento imposta por um aquecimento mundial forçado por combustíveis fósseis, quão pior pode ficar durante a segunda década do século 21? Fonte da imagem: NASA GISS).

Entretanto, o pulso de ar quente que vai em direção aos polos poderá ser um pouco silenciado neste cenário. Uma declaração que devia ser qualificada pelo facto de que já vimos uma quantidade substancial de calor de El Niño a ir em direcção aos polos durante o presente evento. Além disso, eventos de chuvas potencialmente pesadas poderão não receber a energia adicional de uma queda da temperatura global decente para espremer mais humidade. Uma declaração que requer a qualificação adicional de que a carga global de humidade atmosférica é reforçada pelo aumento das temperaturas globais – por isso, comparativamente menos precipitação pesada é um termo relativo aqui.

Neste momento, a NOAA favorece a previsão de uma transição para La Nina, afirmando:

Uma transição para ENSO (El Niño-Oscilação do Sul) neutro é provável durante o final da primavera do Hemisfério Norte ou início do verão de 2016, com uma possível transição para condições de La Niña pelo outono.

Contudo, vale a pena reiterar que as previsões do modelo CFSv2 têm sido bastante precisas em prever o caminho do atual El Niño recorde até à data.

Links:

NOAA / CPC

NASA GISS

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Tempestade Mais Forte do Hemisfério Sul já Registada

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Uma Estação de Degelo no Ártico Monstruosa Poderá Já Ter Começado

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Desconstrução do Tempo Selvagem da Ásia

Traduzido do original As a Titanic El Nino Begins to Fade, What Fresh Trouble Will a Record Warm World Bring?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 25 de Fevereiro de 2016.

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