Feedbacks climáticos como incêndios florestais impactam relação entre níveis de CO2 e emissões de CO2
Sam Carana

Feebacks Climáticos Começam a Entrar Mais em Cena

Secas e ondas de calor estão a colocar a vegetação sob uma pressão devastadora ao mesmo tempo que causam incêndios que resultam em desmatamento e perda de turfa em escala massiva, contribuindo para o recente aumento rápido nos níveis de dióxido de carbono.

Comparação dos níveis de CO2 com emissões de CO2 revela impacto de feedbacks climáticos

Vai levar uma década antes que estas elevadas emissões de dióxido de carbono recentes terão o seu impacto completo sobre o aquecimento. Além disso, enquanto o mundo faz progressos com os cortes necessários nas emissões de gases de efeito de estufa, isso irá também remover os aerossóis que têm, até agora, mascarado a ira completa do aquecimento global. Por implicação, sem ocorrer geoengenharia durante a próxima década, as temperaturas continuarão a subir, resultando em mais aumentos na abundância e intensidade das secas e incêndios florestais.

As temperaturas no Ártico estão a aumentar mais rápido do que em qualquer outro lugar. A imagem abaixo mostra que as águas do Ártico estão agora muito mais quentes do que em 2015. A 22 de Junho de 2016, a superfície do mar perto de Svalbard estava tão quente quanto 13,8°C ou 56,9°F (círculo verde), ou seja, 11,6°C ou 20.9°F mais quente que a média de 1981-2011.

temperaturas elevadas no mar no oceano Ártico

Os incêndios florestais podem libertar quantidades enormes de dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), metano e fuligem. A imagem em baixo mostra que a 23 de Junho de 2016, incêndios a norte do Lago Baikal causaram emissões tão elevadas quanto 22,953 ppb de CO e 549 ppm de CO2 na localização marcada com o círculo verde.

Incêndios florestais perto do Lago Baikal libertam enormes quantidades de CO2

O vídeo em baixo creado por Jim Reeve mostra uma animação com os níveis de monóxido de carbono em Maio de 2016.

Como quantidades crescentes de fuligem dos incêndios florestais assentam na cobertura de gelo e neve, a diminuição do albedo no Ártico irá acelerar. Além disso, ondas de calor estão a causar um aquecimento rápido dos rios que terminam no Oceano Ártico, acelerando ainda mais o seu aquecimento. E então, há um grande perigo de libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Enquanto isso, o aumento das temperaturas também irá resultar em mais vapor de água na atmosfera, amplificando ainda mais o aquecimento.

À medida que mais energia permanece na biosfera, pode-se esperar que as tempestades aumentem de intensidade. A subida das temperaturas irá resultar em mais vapor de água na atmosfera (7% mais vapor de água por cada 1°C de aquecimento), amentando ainda mais o aquecimento e resultando em eventos de precipitação mais intensos, i.e. chuvas, inundações e relâmpagos.

Nuḿero de eventos diários de chuvas intensas bate recorde em 2015

Nuḿero de eventos diários de chuvas intensas bate recorde em 2015. De Lehmann et al.

Recentemente, a Virgínia Ocidental foi atingida por umas cheias devastadoras, matando pelo menos 26 pessoas e causando a evacuação de milhares de pessoas e danos enormes. As inundações também podem causar decomposição rápida da vegetação, resultando em grandes libertações de metano, como ilustrado na imagem em baixo que mostra uma forte presença de metano (cor magenta) a 39,025 pés ou 11.9 km ,a 26 de Junho (painel da esquerda), bem como aos 44,690 pés ou 13.6 km a 27 de Junho (painel da direita).

Libertação de metano resultante das inundações na Virgínia Ocidental revelada pelos níveis elevados de metano registados

Além do mais, plumas por cima das tempestades podem trazer vapor de água para a estratosfera, contribuindo para a formação de nuvens cirrus que prendem muito calor que de outro modo seria irradiado para o espaço. O número de eventos de relâmpagos pode ser esperado que aumente em cerca de 12% por cada 1°C de aumento da temperatura do ar global média. Entre 3 e 8 milhas de altitude, durante os meses de Verão, a actividade de relâmpagos aumenta tanto quanto 90% e o ozono em mais de 30%.

Em conclusão, os feedbacks (mecanismos de realimentação ou retroalimentação) ameaçam causar um aquecimento descontrolado, o que poderia fazer as temperaturas subirem mais de 10°C ou 18°F numa década.Neste momento, o derretimento dos mantos de gelo está a mudar a forma como a Terra oscila em torno do seu eixo, diz a NASA. Como Paul Beckwith discute no seu vídeo em baixo, as alterações também estão a ocorrer nas Correntes de Jato.

O perigo é que as alterações na oscilação do planeta irão desencadear terramotos massivos que irão desestabilizar os hidratos de metano e resultar em enormes quantidades de metano a entrarem abruptamente na atmosfera, como ilustrado na imagem em baixo.

Terra tornou-se Monopolo, com temperaturas elevadas no Ártico e baixas na Antártida

Perdemos o Ártico? Parece que a Terra já não tem dois Polos, mas tornou-se, em vez, num Monopolo, com apenas um Polo na Antártida. A 29 de Junho de 2016, as águas no Ártico (superfície do mar) estava tão quente quanto 15.8°C (60.5°F), ou 13°C (23.4°F) mais quente que a média de 1981-2011. Entretanto, as temperaturas de superfície na Antártida naquele dia eram tão baixas quanto -66.6°C (-87.8°F).

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original e atualizado a 6 de Julho de Climate Feebacks Start To Kick In More de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 25 de Junho de 2016.

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Temperaturas anómalas na Sibéria em Junho 2016
Sam Carana

Temperaturas Altas no Ártico

Aquecimento dos Oceanos ou Calor Oceânico Global

Conteúdo de Calor Oceânico Global (Aquecimento Oceânico) – Média dos 3 meses de Janeiro a Março de 2016 – Média anual de 2015 – Média pentadal (5 anos) durante 2011-2015

O conteúdo de calor do oceano está a aumentar, como ilustrado pela imagem à direita. Onde o gelo do mar está a diminuir, está a causar elevadas temperaturas do ar no Ártico.

Este ano (de Janeiro a Abril de 2016) no Hemisfério Norte, os oceanos estiveram 0,85°C ou 1,53°F mais quentes do que a média do século 20.

A imagem abaixo mostra como as temperaturas parecem prestes a ser elevadas na Sibéria na próxima semana. O painel à direita mostra anomalias na extremidade superior da escala na Sibéria Oriental a 5 de Junho de 2016, enquanto que o painel da direita mostra uma previsão para 12 de Junho de 2016.

Temperaturas anómalas na Sibéria em Junho 2016

Estas temperaturas do ar elevadas estão a causar feedbacks que estão, por sua vez, a acelerar ainda mais o aquecimento no Ártico.

Rios Mais Quentes

Temperaturas tão elevadas quanto 28.9°C ou 83.9°F foram registadas ao longo do rio Mackenzie perto do Oceano Ártico, a 13 de Junho de 2016, no local marcado pelo círculo verde.

Temperaturas elevadas no Ártico, no rio McKenzie

Abaixo está uma imagem de satélite do delta do rio Mackenzie, a 11 de Junho de 2016.

Imagem satélite do rio Mckenzie e Oceano Ártico sem gelo

A imagem abaixo mostra que temperaturas tão elevadas quanto 36.6°C ou 97.8°F estavam previstas para 13 de junho de 2016 sobre o rio Yenisei na Sibéria, que termina no Oceano Ártico.

temperaturas elevadas na Sibéria nas áuas do rio Yenisei que desagua no Oceano Ártico

Incêndios Florestais

No início deste mês, as temperaturas na Sibéria Oriental estavam tão elevadas quanto 29,5°C (85°F). Isto foi a 5 de Junho de 2016, num local perto da costa no Oceano Ártico (círculo verde).

Sibéria com temperaturas elevadas na costa do Oceano Ártico

Temperaturas do ar elevadas trazem um aumento do risco de incêndios florestais, como ilustrado pela imagem abaixo que mostra níveis de monóxido de carbono tão elevados quanto 2944 ppb a 4 de Junho de 2016 (no círculo verde).

Fumo e níveis de monóxido de carbono sobre Kamchatka resultam dos incêndios causados pelo aquecimento global

A imagem de satélite abaixo faz um zoom sobre a área com estas leituras de monóxido de carbono, mostrando incêndios na Península de Kamchatka a 3 de Junho de 2016.

Imagem de satélite mostra fumo dos incêndios florestais sobre Kamchatka

Perda de Albedo

A imagem à direita mostra que, este ano, a cobertura de neve de Abril no Hemisfério Norte foi a mais baixa do registo. A linha de tendência adicionada aponta para uma total ausência de neve até ao ano de 2036.A mais baixa cobertura de neve de Abril do registo com uma tendência a mostrar Abril sem cobertura de neve em 2036

O professor Peter Wadhams, chefe do Grupo de Física do Oceano Polar da Universidade de Cambridge, diz : “A minha previsão é que o gelo do Ártico pode muito bem desaparecer, ou seja, ter uma área de menos de um milhão de quilómetros quadrados, em Setembro deste ano.”

O aquecimento devido à perda de gelo e neve do Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido causado agora por todas as emissões de todas as pessoas do mundo, Peter Wadhams calculou em 2012.

Metano no Leito Marinho

Peter Wadhams foi ainda co-autor num estudo que calculou que a libertação de metano do fundo do mar no Oceano Ártico poderia contribuir com 0,6°C de aquecimento do planeta em 5 anos (vejam o vídeo com a entrevista de Thom Hartmann a Peter Wadhams, em baixo).

Impacto Combinado de Múltiplos Feebacks

Em conclusão, as altas temperaturas do ar no Ártico são muito preocupantes, uma vez que podem desencadear uma série de feedbacks importantes, como aqueles discutidos acima e outros feedbacks, tais como:

  • Mudanças na Corrente de Jato (Jet Stream). À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, ocorrem mudanças na corrente de jato. Como resultado, os ventos podem trazer cada vez mais ar quente bem para norte, resultando na perda da cobertura de neve e gelo do Ártico, que por sua vez resulta em ainda mais aquecimento do Ártico.
  • Rios Mais Quentes. As temperaturas de ar elevadas causam o aquecimento da água dos rios que desembocam no Oceano Ártico, resultando assim em declínio adicional do gelo do mar e em aquecimento do Oceano Ártico desde a superfície até ao leito marinho.
  • Incêndios Florestais. Elevadas temperaturas atmosféricas definem o cenário para os incêndios que emitem não apenas gases de efeito estufa como o dióxido de carbono e metano, mas também poluentes como o monóxido de carbono que depleta as hidroxilas que caso contrário poderiam degradar o metano, e o carbono negro que, ao cair sobre o gelo faz com que ele absorva mais luz solar (veja abaixo de perda de albedo), além de ser um forçador de clima quando na atmosfera.
  • Desestabilização do Solo. Ondas de calor e secas desestabilizam o solo. Solo que era anteriormente conhecido como permafrost e estava até agora segurado pelo gelo. Há medida que o gelo derrete, material orgânico no solo entra em decomposição, resultando em emissões de metano e dióxido de carbono, enquanto o solo se torna cada vez mais vulnerável a incêndios.
  • Perda de Efeito Tampão. A cobertura de neve e gelo do Ártico funciona como um tampão, absorvendo o calor que, na ausência deste tampão terá que ser absorvido pelo Oceano Ártico, como discutido em posts anteriores, como este.
  • Perda de Albedo. A cobertura de gelo e neve no Ártico faz com que a luz solar seja refletida de volta para o espaço. Na ausência dessa cobertura, o Ártico terá que absorver mais calor.
  • Metano no Leito Marinho. Há medida que os sedimentos no fundo do mar do Oceano Ártico aquecem, os hidratos contidos nesses sedimentos podem ser desestabilizados e libertar enormes quantidades de metano.
Quão mais quente poderia ficar dentro de uma década?

Os dois feedbacks mencionados por Peter Wadham (albedo e metano do fundo do mar) são retratados na imagem abaixo.

Albedo e Metano do fundo do mar, dois Feedbacks de auto-reforço e influência no aquecimento do Ártico

Ciclo de auto-reforço (feedback) 1: Aquecimento Acelerado no Ártico => Perda de gelo marinho => Mudança no Albedo => Aquecimento Acelerado no Ártico. Ciclo de auto-reforço positivo 2: Aquecimento Acelerado no Ártico => Enfraquecimento das reservas de metano => libertação de metano => Aquecimento Acelerado no Ártico.

O aumento combinado da temperatura global durante a próxima década devido a estes dois feedbacks (albedo e metano do fundo do mar), por si só, pode ser de 0,4°C ou 0,72°F para um cenário de baixo crescimento e pode ser de 2,7°C ou 4,9°F para um cenário de elevado crescimento.

Além disso, à medida que a temperatura sobe, mais feedbacks irão contribuir mais fortemente, acelerando ainda mais o aumento da temperatura, como também discutido em posts anteriores, como este.

Quando também incluindo mais feedbacks, o aquecimento pode exceder 10°C (18°F) dentro de uma década, assumindo que nenhum geoengenharia terá lugar dentro de uma década, como discutido em posts anteriores, como este.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Temperatures In Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 5 de Junho de 2016.

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A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade
Sam Carana

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

Sugerimos a leitura de “Papel do Metano no Aquecimento do Ártico” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Oceano Ártico é o mais fortemente atingido pelo aquecimento global

Nos últimos 12 meses, o aquecimento global fez-se sentir mais fortemente sobre o Oceano Ártico, como a imagem acima ilustra. Na maior parte do Oceano Ártico, as temperaturas de superfície estavam acima do topo da escala, ou seja, mais de 2,5°C mais elevada do que em 1981-2010.

Em Janeiro de 2016, a temperatura do ar perto do nível do mar (a 925 hPa) estavam mais do que 6°C ou 13°F acima da média na maior parte do Oceano Ártico, como o NSIDC.org anunciou recentemente. Para além disso, as temperaturas médias diárias em muitas partes do Oceano Ártico muitas vezes ultrapassaram o topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F maiores do que em 1979-2000, como ilustrado pela previsão do Reanalisador Climático abaixo.

Temperaturas anormais no Oceano Ártico em Fevereiro

E então, como podem as anomalias de temperatura no oceano ártico nesta época do ano serem muito maiores do que em qualquer outro lugar na Terra?

Um fator são os feedbacks tais como alterações na corrente de jato e o declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico, que faz com que cada vez mais luz solar seja absorvida pela água do Oceano Ártico, que por sua vez causa um declínio ainda maior, como discutido em muitos posts anteriores.

Alterações na corrente de jato

Neste momento, contudo, o aquecimento ao longo do Oceano Ártico é muito pronunciado numa altura do ano em que há uma diferença de temperatura mais ampla entre o Ártico e o Equador, quando há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Ártico. Assim, as mudanças no albedo são menos relevantes, enquanto que as alterações na corrente de jato seriam esperadas como sendo menos proeminentes agora. Todavia, uma corrente de jato fortemente deformada pode empurrar muito ar quente até lá acima ao Polo Norte, enquanto empurra muito ar frio do Ártico para a América do Norte, como ilustrado na previsão à direita.

Vejamos mais alguns fatores que estão a ter uma influência.

Níveis elevados de gases de efeito estufa sobre o Ártico

A questão era, por que está o aquecimento a atingir o Oceano Ártico tão fortemente nesta época do ano? Os níveis de gases de efeito estufa são mais elevados sobre o Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. Os gases de efeito estufa prendem o calor que seria, de outro modo, irradiadado para o espaço, e este efeito de estufa está a ocorrer durante todo o ano.

Níveis de CO2 em Fevereiro atingiram 405.83 ppm

Níveis de CO2 a 4 de Fevereiro de 2016. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 

Vamos olhar mais de perto para os níveis de dióxido de carbono (CO2). A 4 de Fevereiro de 2016, o nível de CO2 em Mauna Loa, no Havaí, foi 405,83 ppm, como ilustrado pela imagem à direita.

A imagem abaixo mostra que a média global do nível de CO2 a 6 de Fevereiro de 2016, foi de 407 ppm a uma altitude próxima do nível do mar (972 mb). A imagem também mostra níveis de CO2 mais elevados em latitudes mais elevadas a Norte, com níveis de mais de 410 ppm sobre a maioria do Hemisfério Norte.

Média níveis globais de CO2

Níveis de CO2 sobre o Ártico em Fevereiro 2016

Os níveis de dióxido de carbono a 8 de Fevereiro de 2016 foram tão elevadas quanto 416 ppm num local sobre o mar de Kara (marcado pelo círculo verde na parte superior da imagem à direita).

Todavia, os níveis de dióxido de carbono sobre o Oceano Ártico não estão muito mais elevados do que noutros lugares, ou seja, não é suficiente para explicar essas enormes anomalias de temperatura.

O metano, outro gás de efeito estufa, também está presente ao longo do Oceano Ártico em níveis que são mais elevados do que no resto do mundo, como ilustrado na imagem abaixo, mostrando níveis de metano acima de 1900 ppb na maior parte do Oceano Ártico a 4 de Fevereiro de 2016.

Níveis de metano no Ártico

No caso do metano, a situação é diferente daquela para o dióxido de carbono:

  • os níveis no Pólo Norte são mais do que 10% mais elevados do que no Polo Sul, uma diferença muito maior do que para o dióxido de carbono.
  • o metano está a atingir os seus níveis mais elevados sobre o Oceano Ártico a partir de Outubro em diante até bem dentro do ano seguinte.
  • o metano persiste por mais tempo sobre o Ártico, devido aos baixos níveis de hidroxila que lá existem.
  • os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são elevados, já que cada vez maiores quantidades de metano estão a sair do fundo do mar no Oceano Ártico, fazendo com que este metano seja forçosamente altamente concentrado sobre o Ártico, especialmente logo após a sua libertação.

Em conclusão, parece que o metano está a desempenhar um papel cada vez maior no aquecimento do Ártico, especialmente tendo em conta a sua grande potência a curto prazo como gás de efeito estufa.

Emissões equivalentes ao CO2 noutrs gases de efeito de estufa

AMOC está a levar cada vez mais calor para o Oceano Ártico

Para além do metano, há uma outra grande razão pela qual as anomalias de temperatura são tão elevadas sobre o Oceano Ártico nesta época do ano. Enormes quantidades de calor estão a subir da água para a atmosfera sobre o Oceano Ártico, aquecendo o ar sobre a água. Quanto mais quente o mar, menos gelo se formará. Quanto mais fraco o gelo, mais rachaduras e locais onde o calor é transferido para a atmosfera.

A água do Oceano Ártico está a ficar mais quente, em comparação com anos anteriores, enquanto a Corrente do Golfo aquece. Ao referir toda a extensão do Golfo do México ao Oceano Ártico, esta corrente é muitas vezes referida como a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico Norte (AMOC na sigla em inglês). A direção do fluxo da AMOC é determinada por duas forças, que são, o fluxo de água quente do equador para norte, e o fluxo para leste devido à força de Coriolis. O resultado é água quente salgada transportada pela AMOC nas camadas superiores do Atlântico em direção a nordeste, para o Oceano Ártico. Eventualmente, a água afunda e flui de volta como água mais fria pelas profundezas do Atlântico. Como a imagem da NOAA em baixo mostra, a quantidade de calor que tem sido carregado pela AMOC em direção ao Oceano Árctico tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

Transporte de carlor pela AMOC no Atlantico

As temperaturas globais do oceano estão a aumentar, como discutido em publicações como Calor do Oceano e Subida da Temperatura. Como resultado, mais calor está agora a ser levado em direção ao Oceano Ártico. A Corrente do Golfo ao largo da costa da América do Norte está a aquecer fortemente e está a empurrar mais calor em direção ao Oceano Ártico, em comparação com anos anteriores. O resultado é ilustrado pela imagem abaixo, mostrando enormes anomalias da temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico perto de Svalbard, apesar da tampa fria no Atlântico Norte, indicando que o calor continua a viajar por baixo da tampa de água doce fria até ao Oceano Ártico.

Anomalias das Temperaturas no Ártico

Tais anomalias da temperatura de superfície do mar elevadas não são incomuns no Oceano Ártico nos dias de hoje. A imagem abaixo mostra que, a 24 de Janeiro de 2016, a temperatura de superfície do mar foi de 12,3°C ou 54,2°F num local perto de Svalbard, marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C ou 18.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar no Ártico - Jan 2016

Água agora muito mais quente ao largo da costa da América do Norte

A água ao largo da costa leste da América do Norte está muito mais quente do que costumava estar devido a emissões que se estendem desde a América do Norte sobre o Oceano Atlântico devido à força de Coriolis. A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra níveis de dióxido de carbono tão elevados quanto 511 ppm sobre New York a 5 de Novembro de 2015, e tão elevados quanto 500 ppm sobre a água ao largo da costa de New Jersey a 2 de Novembro de 2015.

Niveis de CO2 na América do Norte e Atlantico

A imagem abaixo mostra níveis de monóxido de carbono. O monóxido de carbono esgota a hidroxila, tornando mais difícil para o metano ser oxidado. Assim, novamente, o metano parece ser um fator importante.

Níveis de monóxido de carbono

Essas emissões aquecem a Corrente do Golfo e fazem com que água cada vez mais quente seja levada por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico.

Tampa de água doce fria no Atlântico Norte

Finalmente, a tampa de água doce fria no Atlântico Norte faz com que uma menor transferência de calor ocorra do oceano para a atmosfera. Esta tampa de água doce fria faz com que mais calor esteja a fluir em direção ao Oceano Ártico, logo abaixo da superfície do mar do Atlântico Norte.

velocidade do gelo do mar e deriva

Esta tampa de água doce fria está a espalhar-se sobre o Atlântico Norte por uma série de razões:

    • mais derretimento dos glaciares na Gronelândia, em Svalbard e no norte do Canadá;
    • mais gelo do mar à deriva no Oceano Atlântico devido aos ventos fortes. Tempestades movem-se para cima no Atlântico de uma forma circular, acelerando a deriva do gelo do mar ao longo das bordas da Gronelândia, como ilustra este vídeo e imagem da Naval Research Lab à direita;
    • uma maior evaporação ao largo da costa leste da América do Norte, com a humidade a ser transportada por ventos mais fortes para o nordeste, resultando em mais precipitação sobre a água e, portanto, mais água doce a ser acrescentada ao Atlântico Norte, como ilustrado na imagem abaixo.

    Tampa de água doceno Atlanticodp degelo e precipitação

    Como a imagem acima também ilustra, esta tampa de água doce fria no Atlântico Norte também poderia resultar em mais calor a ser levado para o Oceano Ártico, devido à transferência de calor reduzida para a atmosfera a partir de água no seu caminho para o Oceano Ártico.

    temperaturas no ártico, ampa de água doce e precipitação no atlantico

    A imagem acima ilustra como as temperaturas mais elevadas ao longo do Ártico (painel superior) podem ir de mãos dadas com a tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte (segundo painel), com elevadas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte (terceiro painel) e com maior precipitação sobre esta tampa de água doce fria (painel inferior).

    A imagem abaixo indica que a tampa de água doce fria no Atlântico Norte também anda de mãos dadas com a queda dos níveis de salinidade.

    A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade

    A precipitação sobre o Atlântico Norte está a aumentar, devido aos ventos fortes e tempestades ali, como discutido em publicações anteriores como esta e como ilustrado pelas imagens abaixo. Ventos mais fortes, tempestades com elevados níveis de precipitação e ondas mais altas podem todos contribuir para que a tampa de água doce fria se espalhe ainda mais por todo o Atlântico Norte.

    Ondas de17 metros ao largo das ilhas britânicas

    A imagem acima mostra que ondas tão altas quanto 17,81m ou 58,4 pés foram registadas no Atlântico Norte a 1 de Fevereiro de 2016, e tão elevadas quanto 17,31m ou 56,8 pés a 08 de Fevereiro de 2016.

    Ondas de 17 metros ao largo das ilhas britânicas

    Conclusão

    Em conclusão, o perigo é que cada vez mais calor vá chegar ao Oceano Ártico. Isso resultará em maior derretimento do gelo do mar, num ciclo de realimentação de auto-reforço que faz com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico (em vez de ser refletida de volta ao espaço, como antes).

    A 11 de fevereiro, 2016, o gelo marinho do Ártico teve – para esta época do ano – a menor extensão desde que os registos por satélite começaram em 1979, como ilustrado na imagem abaixo.

    Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo

    O maior perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão escapar abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, elevando dramaticamente as temperaturas sobre o Ártico e provocando cada vez mais erupções de metano, resultando numa escalada rápida para um aquecimento fugidio.

    A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

    Traduzido do original Methane’s Role in the Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Fevereiro de 2016.

    Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

    CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

    em https://aquecimentoglobaldesc…

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