Sam Carana

Clima no Ártico Derrete Recordes

Um Inverno e Primavera intensamente quentes estão a derreter os registos climáticos por todo o Alasca, relata a NOAA no post ‘Ártico Preparado para um Derretimento Recorde“. O período de janeiro a Abril de 2016 foi de 11,4°F (6,4°C) mais quente do que a média do século 20, relata a NOAA. A imagem da NOAA abaixo ilustra ainda mais a situação.

Derretimento e temperaturas recorde no Alasca

Abril: 33.3°F, +10°F, o Abril mais quente alguma vez registado. Janeiro-Abril: 21.7°F, +11.4°F (, o período Janeiro-Abril mais quente já registado. Diferenças/anomalias da temperatura em relação à média.

O gelo marinho está a derreter rapidamente. A água morna do Rio Mackenzie contribui para o degelo dramático no mar de Beaufort, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 20 de Maio de 2016, o Oceano Ártico estava 5°F (2,8°C) mais quente do que em 1981-2011 no delta do rio Mackenzie.

Anomalia de temperatura elevada no Oceano Ártico no Alaska

A 20 de Maio de 2016 o Oceano Ártico esteve 5°F (2.5°C) mais quente do que a média de 1981-2011, perto do rio Mckenzie.Criado com imagens da NASA e nulschool.net por Sam Carana para o blogue Arctic-news.blogspot.com

A imagem abaixo mostra que a 20 de Maio de 2016, a extensão do gelo do mar era de 10.99 milhões de quilómetros quadrados, em comparação com os 12.05 milhões de quilómetros quadrados de extensão do gelo do mar a 20 de Maio de 2012, conforme medido pela JAXA.

Comparação da extensão do gelo do mar entre Maio 2016 e Maio de 2012

O gelo do mar chegou a uma extensão mínima recorde de 3,18 milhões de quilómetros quadrados a 15 de Setembro de 2012, e as chances são de que o gelo do mar irá praticamente desaparecer em Setembro de 2016.

O ano de 2016 é um ano de El Niño e a insolação durante os próximos meses de Junho e Julho é maior no Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. As temperaturas mais elevadas trazem um perigo aumentado de incêndios florestais [artigo traduzido]. Os gases de efeito estufa estão em níveis recordes: em Abril e Maio, o CO2 estava em cerca de 408 ppm, com picos em certas horas tão elevados quanto 411 ppm (a 11 de Maio de 2016 [artigo traduzido]). Os níveis de metano são elevados e crescentes, especialmente sobre o Ártico. O fumo e o metano estão a acelerar o derretimento do gelo do mar, como ilustrado a imagem abaixo mostrando fumo de incêndios florestais no Canadá a estender-se sobre o Mar de Beaufort (imagem principal), para além de níveis elevados de metano que estão presentes sobre o Mar de Beaufort (ver inserção).

Níveis elevados de fumo e metano no Ártico sobre o mar de Beaufort

O calor do oceano está também muito elevado e a aumentar. Os oceanos no Hemisfério Norte estiveram 0,93°C (ou 1,7°F) mais quentes [artigo traduzido] no período de 12 meses mais recente (Maio de 2015 a Abril de 2016) do que a média do século 20.

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo do mar, medida pelo NSIDC, confirmando que o derretimento do gelo do mar em 2016 está muito à frente dos anos anteriores.

Extensão do gelo marinho a 20 de Maio pelo NSIDC

Aqui temos uma animação que compara as temperaturas da superficie do mar no Atlântico Norte entre 25 de Maio de 2015 e 25 de Maio de 2016.

A extensão do gelo do Ártico era de 10.7 milhões de km quadrados a 25 de Maio de 2016, 1.1 milhões de km quadrados menos do que a 25 de Maio de 2012, como a atualização em baixo mostra.

Extensão do gelo do mar no Ártico a 25 de Maio de 2016

A situação é clamitosa e apela a uma ação abrangente e efetiva, como descrito no plano climático.

Traduzido do original Arctic Climate Records Melting de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 21 de Maio de 2016.
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Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

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Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá
Robertscribbler

Incêndios Enormes no Nordeste da China e no Lago Baikal

Como as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos forçam o mundo a aquecer, os níveis de humidade e precipitação estão a mudar. Áreas molhadas tornam-se mais molhadas. Áreas secas tornam-se mais secas. As temperaturas de Primavera e Verão aumentam. E o derretimento da neve mais precoce na primavera faz com que os solos permaneçam secos por períodos mais longos, aumentando as incidências de seca enquanto prolongando a temporada de incêndios. Estas condições secas e quentes também aumentam a probabilidade de que, uma vez que os incêndios sejam iniciados por raios ou erro humano, vão tornar-se mais intensos, maiores e mais duradouros (paráfrase deste Relatório da União de Cientistas Preocupados).

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Uma onda de calor extrema e a seca no leste da Ásia está agora a provocar incêndios extraordinariamente grandes em regiões mais instáveis ​​do nordeste da China, perto da fronteira russa. Os incêndios maciços são claramente visíveis na foto do satélite LANCE-MODIS e incluem pelo menos quatro zonas de incêndio contíguas. Os incêndios mostram, cada um, cicatrizes de zonas queimadas muito grandes com frentes de fogo a variarem entre 40 e 60 quilómetros de diâmetro. Em essência, o que esta imagem de satélite está a mostrar são 3 a 4 infernos do tamanho de Rhode Island.

Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá

(incêndios enormes a arderem no nordeste da China a 10 de Maio. Para referência, a borda inferior da imagem é de 600 milhas. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Uma nuvem muito grande de fumo lançada destas labaredas é agora visível na foto de satélite MODIS. Estende-se para longe das cicatrizes de zonas queimadas extensas e para fora em direção ao Mar do Japão, a cerca de 1.600 quilómetros de distância. Em comparação, os fogos do Nordeste da China juntos fazem agora anão o recente incêndio maciço que queimou 2.400 estruturas na cidade canadiana de Fort McMurray durante a semana passada. Mais outra instância de incêndios extraordinariamente grandes, a queimarem um mundo forçado a aquecer pelas emissões de combustíveis fósseis humanas.

Felizmente, os incêndios no nordeste da China não estão de momento a ameaçar nenhum povoado grande. Logo, é menos provável que perda de vidas ou propriedade tenha ocorrido como resultado. A mídia internacional não tem relatado os incêndios, tão pouca informação está agora disponível para além daquilo que pode ser discernido pela análise do mapa de satélite da NASA.

Pondo em contexto, estes incêndios iniciaram-se ao longo de uma zona de cristas que tem caracterizado temperaturas extremamente quentes e secas. Emanando uma onda de calor que começou no sudeste asiático, estes ares quentes estão agora a expandir-se para o norte em direção ao Ártico e vão, ao longo desta semana, contribuir para uma acumulação de onda de calor incrivelmente potente sobre as regiões do nosso mundo que agora descongelam rapidamente. O desenvolvimento de cristas nesta zona tem sido bastante persistente e podemos esperar que incêndios grandes e contínuos avancem para norte em direção ao Ártico.

Incêndios começam cedo para a época, na região de Permafrost do Lago Baikal

Incêndios começam cedo para a época, na região de permafrost do Lago Baikal na Rússia

(Incêndios florestais – indicados por pontos vermelhos no mapa acima – estão a iniciar-se em torno da zona descontínua de permafrost perto do Lago Baikal. Nos últimos anos, esta região da Rússia tem sofrido com o tipo de seca extrema e aquecimento associado à mudança climática causada pelo homem. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Esta zona extremamente quente e seca também acendeu numerosos incêndios na região do Lago Baikal. Representando o ponto mais distante a sul da zona de permafrost do Nordeste Asiático, o calor e descongelamento na região devido ao aquecimento global resultaram num aumento dos riscos de incêndio. Tal como acontece no noroeste do Canadá, existe uma relação profana entre incêndios e descongelamento da permafrost. A permafrost, enquanto descongela e seca, fornece um combustível de sub-bosque que ajuda na persistência e intensidade do incêndio – por vezes resultando em zonas quentes que ardem durante todo o inverno. E os incêndios podem ativar mais e mais da camada de permafrost por baixo – bombeando carbono adicional que pode agravar a tendência de aquecimento que iniciou os incêndios em primeiro lugar.

Em 2016, as zonas quentes e secas de cristas têm tendido a dominar tanto a América do Norte ocidental como a Ásia Oriental. E num mundo que, desde o início de 2016 tem estado cerca de 1,5 C acima das médias da década de 1880, temos visto um início muito intenso e prematuro para a época de incêndios com numerosos incêndios muito grandes nestas zonas. Enquanto Maio progride para Junho, o risco para incêndios ainda mais intensos aumenta, para além de que a zona de incêndios avança com os ares quentes para norte, em direção ao Ártico.

Traduzido do original Massive Wildfires Erupt in Northeast China as Lake Baikal Blazes Ignite, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 10 de Maio de 2016.

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Anomalia das temperaturas causam incêndios no Canadá e América do NorteAnomalia das temperaturas no Canadá e América do Norte
Ártico, Incêndios Florestais

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas

em aquecimentoglobal.info/

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Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite
Robertscribbler

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas



Cercados pelo fogo da negação, o incêndio de Fort McMurray atinge Anzac e desliga 640.000 barris por dia na produção das areias betuminosas

Uma simples questão de facto, um facto que muitos que investiram numa indústria de petróleo destrutiva não querem enfrentam agora, é que um fogo cuja extrema intensidade para tão cedo na temporada foi impulsionada pela mudança climática causada pelo homem, está agora a fazer o que o Canadá não fazia. Ele está a encerrar a produção de petróleo nas areias betuminosas – um dos combustíveis mais elevados em carbono no planeta Terra.

Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas

(Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas, como previsto por execuções de modelos computorizados, estão ilustrados no mapa acima. De acordo com um relatório na WeatherUnderground – “Um grande aumento em incêndios em grande parte do mundo é esperado à medida que avançamos através deste século. Usando modelos de incêndio conduzidos pelos resultados de dezasseis modelos climáticos utilizados no relatório do IPCC de 2007, os pesquisadores descobriram que 38% do planeta deve ver um aumento na atividade de incêndios [devido à mudança climática] durante os próximos 30 anos. Este número aumenta para 62% lá pelo final do século“. Fonte da imagem: Mudanças Climáticas e Disrupções na Atividade Global de Incêndios).

Existem outros factos que precisam igualmente de ser encarados. Um deles é o fato de que os moradores de Fort McMurray tiveram as suas vidas postas em risco por um novo tipo de fogo que é agora muito mais provável de ocorrer. Um tipo de evento que tenderá a emergir com uma frequência e intensidade crescente. Um que está a aumentar o risco de danos para aqueles que vivem em todo o Canadá, em todo o Ártico e em grande parte do mundo.

É uma verdade difícil de enfrentar. Uma que muitos políticos canadianos, que confrontam a impossível tarefa de equilibrar as demandas de interesses económicos à base de petróleo com a muito clara necessidade de mitigar a mudança climática, estão a ter dificuldade em enfrentar. Mas uma que tem que ser seriamente observada e não ignorada por qualquer pessoa preocupada com a segurança dos que vivem em Fort McMurray ou em qualquer outro lugar. Pois a menos que os gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, como as areias betuminosas, parem de atingir a nossa atmosfera, então este tipo de eventos só vão continuar a piorar.

Nós já estamos a começar a ver terríveis eventos de incêndios do tipo que nunca antes experimentámos a emergirem no Ártico e em seções do norte da América do Norte. E com o mundo agora 1 C mais quente que as médias de 1880, grandes incêndios no Ártico são agora dez vezes mais prováveis ​​de ocorrer. No Alasca – uma região que partilha as tendências do clima com o Canadá – a duração da época de incêndios cresceu em 40 por cento desde 1950.

Em todo o mundo, a história é a mesma. O aquecimento da nossa atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis está a aumentar a frequência e intensidade de incêndios. Um ponto no qual até mesmo as projeções conservadoras do IPCC têm vindo a tentar impressionar os decisores políticos desde o início de 1990 (ver gráfico acima). E, numa parte significativa, esse perigo crescente tem recebido contribuição dos combustíveis de areias betuminosas que a indústria de energia de Fort McMurray foi projetada para extrair.

Aumento na Frequência de incêndios no Ártico ao longo dos anos

(Um estudo realizado pela Climate Central no ano passado descobriu que o aquecimento no Alasca resultou num prolongamento da época de incêndios em 40 por cento e que o ritmo de geração de grandes incêndios havia aumentado em dez vezes [x10]. É importante notar que o clima e as folhagens em Alberta, Colúmbia Britânica, e nos Territórios do Noroeste são muito semelhantes aos do Alasca. E o aumentando da intensidade e frequência dos incêndios devido ao aquecimento no Alasca também está igualmente a impactar o regime de incêndios canadiano. Fonte da imagem: The Age of Alaskan Wildfires.)

Apesar das escolhas políticas arriscadas e prejudiciais conduzidas pela indústria de combustíveis fósseis no Canadá, não devíamos ficar indiferentes à perda e deslocamento que muitos na zona de produção de areias betuminosas estão agora a passar. É uma tragédia. Puro e simples. Milhares de pessoas perderam as suas casas e meios de subsistência. Mas não devemos deixar-nos cegar quanto à realidade da situação simplesmente devido ao facto de ser uma comunidade de petróleo, desta vez, quem está a sofrer as devastações das condições climáticas extremas. Pois milhares de canadianos estão agora a juntar-se a um conjunto cada vez maior de refugiados da mudança climática. Vítimas e, alguns deles, contribuintes de a uma catástrofe nascida da húbris e cegueira de uma indústria do petróleo. Um evento que foca uma luz sobre os riscos contínuos e crescentes colocados pela extração de areias de alcatrão e sobre a vulnerabilidade dos fundamentos económicos desse combustível prejudicial para as forças climáticas que está agora a começar a soltar.

Fogo em Rápida Expansão Força Aeroporto e a Comunidade Anzac, a 31 Milhas de Distância de Fort McMurray, a Evacuar

Pirocúmulo no incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá

(Pirocúmulo – uma nuvem de tempestade formando-se a partir da corrente ascendente de calor de um fogo intenso. Uma palavra que vai começar a entrar em uso comum à medida que as alterações climáticas forçadas pelos humanos tornam os incêndios poderosos cada vez mais comuns. Aqui vemos uma pirocúmulo maciça a aproximar-se de Anzac e do Aeroporto de Fort McMurray na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed de Sean Amato).

Ontem, enquanto bombeiros correram para proteger o centro da cidade de Fort McMurray e arredores a norte, um grande incêndio ferveu e cresceu sitiando-se na cidade. Retido no seu progresso rumo ao norte em bairros ao longo do rio Athabasca, em direção à área infértil de extração de areias betuminosas, e para a estação de tratamento das águas por esforços do combate ao incêndio, o fogo inchou enquanto recuava. Virando-se para o sul e leste, começou a invadir o aeroporto da cidade e até mesmo uma de suas ramificações explodiu em direção ao subúrbio bem povoado de Anzac, 30 milhas a sul.

Lá, um centro de operações de emergência tinha acabado de se instalar após ter sido forçado a sair da sua localização na cidade quando uma chuva de brasas expulsa da nuvem pirocúmulo iminente sobre a cidade lhe colocava um tecto ardente. O novo centro de operações estava bem longe do caminho do incêndio previsto para ir em direção ao norte. E os oficiais tinham alguma razão para acreditar que o centro recém-movido seria seguro. Um centro de evacuação a sul – abrigando centenas de pessoas agora desabrigadas pelo fogo – foi também montado na área.

Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo

(Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed Emily Metrz).

Na quarta-feira à tarde, o aeroporto, a comunidade de Anzac, o centro de operações de emergência recém-movido, e o centro de evacuação, todos caíram sob a sombra de um pirocúmulo a inchar. Uma grande tempestade de fumo, cinzas e brasas ardentes levantada pelo calor do fogo por baixo. Todos nesta área foram forçados a evacuar (um bom número deles pela segunda vez em dois dias) enquanto a enorme nuvem crescia e os fogos avançavam.

Quando a noite caiu, o fumo envolvia o aeroporto – tapando-o de vista. E muitos bombeiros já sabiam que a comunidade de Anzac estaria perdida. Sean Amato twittou esta mensagem quarta-feira enquanto o fogo avançava – “Bombeiro [diz]:” Anzac está f **dida. Não podemos lutar contra isso. Não temos bombardeiros. Saiam agora.”

Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite

(Mapa térmico de incêndio fornecido pela NASA na quinta-feira revela a extensão extraordinária dos fogos e cicatrizes a 4 de Maio – abrangendo cerca de 10.000 hectares. A 5 de Maio, esta zona tinha ampliado vastamente para 85.000 hectares. Fonte da imagem: Observatório da Terra da NASA).

Na quinta-feira, uma enorme área que se estende desde o aeroporto até Anzac tinha sido abandonada ao fogo. Adicionando grandemente aos 10.000 hectares, o enorme incêndio foi estimado ter queimado, ao meio-dia de quarta-feira, pela expansão do fogo em mais de 8 vezes, para 85.000 hectares – uma área de seis vezes o tamanho de San Francisco ou mais de 300 milhas quadradas.

Produção das Areias Betuminosas Detida

A este ponto, os incêndios haviam deslocado tantos trabalhadores e aleijado tanta infra-estrutura que a produção das areias betuminosas na região acabou por parar. Na quinta-feira manhã cedo, mais de 640.000 barris por dia do petróleo sintético e climatologicamente volátil haviam parado. Representando mais de 16 por cento da produção de petróleo bruto do Canadá, os cortes forçados pelo incêndio foram significativos o suficiente para impulsionar os preços do petróleo nos mercados globais tão alto quanto 46 dólares por barril nas negociações de hoje cedo. Mais encerramentos de produção eram prováveis em outros grandes extratores de areias betuminosas numa luta nos cortes o fluxo do petróleo já que o incêndio de Fort McMurray se tornou cada vez menos previsível. Perto de Anzac, a extensão para sul dos incêndios ameaçava uma instalação de produção de areias betuminosas Conoco Philips de 30.000 barris por dia na região de Surmont – forçando uma paragem na produção e a evacuação de todos os trabalhadores das areias betuminosas.

Incêndio em Fort McMurray aproxima-se das areias betuminosas

(A imagem do satélite LANCE-MODIS do incêndio de Fort McMurray na quinta-feira, 5 de Maio, mostra o fogo a expandir-se em direção às instalações de extração de areias betuminosas. Para referência, as operações de areias betuminosas são os poços de minas claramente visíveis como áreas carecas castanhas na imagem acima. A maior parte de Fort McMurray está coberta pela pluma de fumo. O bordo inferior da imagem são 60 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

No final da tarde de quinta-feira, a passagem do satélite MODIS revelou um grande incêndio cuja extensão norte parece ter atingido entre 3 a 5 quilómetros dentro da parte mais a sul das instalações de areias betuminosas. A borda ocidental do incêndio de Fort McMurray expande-se apresentando uma frente de 10 a 15 quilómetros aproximando-se para norte e oeste. As bordas sul e leste do incêndio permanecem obscurecidas pelo que é agora uma grande nuvem de fumo. Uma que é provavelmente agora visível nos céus de estados do norte e centro dos EUA.

Uma Longa Batalha Pela Frente enquanto as Temperaturas estão Previstas para Permanecerem Muito Mais Quentes do que o Normal

Uma mudança do vento para norte, juntamente com o afluxo de temperaturas mais baixas na quinta-feira pode ajudar os bombeiros a ganharem algum progresso. As condições sobre Fort McMurray hoje estavam nublado com ventos de 10 a 15 mph de noroeste e temperaturas em torno de 64 (F). Contudo, pouca ou nenhuma chuva caiu sobre a área já que uma frente passou esta manhã. Enquanto isso, espera-se uma subida das leituras do termómetro a meio dos 80 [26C] de novo no sábado, com condições muito secas a tomarem conta.

Nesta altura, é apenas Maio – não Julho, quando tais condições meteorológicas extremas de incêndios normalmente seriam possíveis. As temperaturas médias para Fort McMurray tendem para os 50 e muitos ou 60 e poucos nesta época do ano. Então, até as leituras de hoje de 64 F são mais quentes do que o habitual, com previsão de escalada das temperaturas para 20-25 F acima da média novamente no sábado. Dada esta tendência, e dado o facto de que ela vai ficar ainda mais quente e seco nos próximos meses, parece que Fort McMurray – uma cidade nas garras das consequências climáticas difíceis que ajudou a criar – tem garantida uma longa e dura luta.

Traduzido do original
Besieged by the Fires of Denial — Fort McMurray Blaze Grows to Overwhelm Anzac, Shuts off 640,000 Barrels per Day of Tar Sands Production
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Maio de 2016.

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Teperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica
Sam Carana

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.
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