As projeções em RCPs do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas como cenários de ficção por geoengenharia
Nick Breeze

Projeções do IPCC são Ficção: A Realidade é Muito Pior

Os cenários de sobrevivência da espécie humana projetados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), ou como lhes chamam, RCPs, assumem que vamos remover vários biliões de toneladas de CO2 da atmosfera com tecnologia de geoengenharia que ainda não possuímos.

Nick Breeze mantém o blogue Envisionation cujo contexto de muito do conteúdo está na crise das alterações climáticas e na nossa resposta individual e coletiva à mesma.

Conteúdo traduzido do original Survivable IPCC projections based on science fiction – reality is far worse

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Projeções do IPCC são Ficção: A Realidade é Muito Pior

No último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas – IPCC-AR5, foi publicada uma seleção de percursos de concentração representativos, ou RCPs. O Dr. Matt Watson da School of Earth Sciences, na Universidade de Bristol no Reino Unido, defendeu este ponto com firmeza, numa recente reunião da Royal Society em Londres. E esta é a razão. Estas são as mais recentes projeções do Painel Internacional para as Alterações Climáticas, e o que é alarmante é que estes dois cenários na realidade incluem explicitamente tecnologia de emissões [de CO2] negativas. Ou seja, há geoengenharia do tipo de remoção de dióxido de carbono incluída nos casos dos melhores cenários. A coisa verdadeiramente alarmante para nós é que estamos neste percurso aqui, o RCP 8.5. Estamos alinhados com essa trajetória, e isso coloca-nos numa situação muito muito diferente no tempo de vida dos nossos filhos ou netos. NICK BREEZE: De entre estes cenários projetados no futuro, apenas 2 parecem poder manter-nos próximo de uma subida de temperatura de 2°C. Tal como o Dr Watson acabou de mencionar, estes denominam-se respectivamente RCP 2.6 e RCP 4.5. Este gráfico destina-se a dar-nos uma ideia de quais concentrações de gases de efeito estufa nos levam a quais temperaturas, sendo que os 2°C são o limite consensual de segurança. As linhas âmbar e preta são de registos históricos, e a vermelha, a verde e a azul, são previsões. Tal como Watson aludiu, o RCP no qual nos encontramos presentemente é o vermelho, chamado RCP 8.5. Este não é um percurso de sobrevivência. Os RCPs de 4.5 a 8.5 irão fazer-nos perder o sequestro de carbono pelas árvores e os mantos de gelo. Sem as árvores, vamos ficar inundados de gases de efeito estufa e a humanidade simplesmente não vai conseguir sobreviver. Assim resta-nos o RCP 2.6, o qual tem um intervalo de temperatura estimado em 0.9°C a 2.3°C. Já estamos muito próximos do cenário de 0.9°C [FEV 2016 com 1.57°C] logo as nossas chances de nos mantermos dentro do intervalo de temperatura são muito baixas, especialmente quando se considera a estimação de que as emissões ainda aumentem. O ex-presidente da Royal Society, Professor Martin Rees, fez esta declaração durante a nossa entrevista. Penso que todos nós temos esperança de que a redução de emissões seja alcançada, mas a falta de sucesso das tentativas de acordos internacionais encorajam pessimismo, e eu, honestamente, apostaria, tristemente de facto, que as emissões anuais de CO2 irão subir ano após ano, durante pelo menos os próximos 20 anos, e isso irá levar a um nível acumulativo próximo de 500 partes por milhão por essa altura. Baseado naquilo que sabemos, é justo dizer-se que a sensibilidade da Terra às emissões de gases de efeito estufa significa que vamos experienciar ainda muito mais aquecimento com um impulso adicionado pelos mecanismos de reforço como a libertação de metano e a perda de árvores. Contudo, há outra mosca na sopa quanto a quase todos os percursos representativos de concentrações. Como o Dr Watson disse, eles na realidade ficcionaram uma solução de geoengenharia chamada “remoção de dióxido de carbono” ou CDR através da qual biliões de toneladas de carbono são de facto removidas da atmosfera, e armazenadas algures na Terra seja sob a forma de biochar ou talvez como matéria viva, chamada biomassa. Mas tal como é amplamente sabido, na realidade não existe nenhuma tecnologia assim, e a pesquisa para a desenvolver tem estado enrolada em controvérsia, conspiração inação governamental, representação falsa, e toda uma gama de outras inibições. O ponto principal é que estamos a basear a nossa segurança futura coletiva neste planeta em pura ficção científica. Se queremos sequestrar o CO2 e fazer uma diferença, temos que sequestrar algo que é… uma fração significativa das 35 biliões de toneladas por ano. E então o que é uma fração significativa de 35 biliões? Digamos 20 biliões de toneladas… 10 biliões de toneladas até, para começar. 10 biliões de toneladas por ano de sequestração de carbono. Não fazemos nada, neste planeta, a essa escala. Não produzimos comida a essa escala, não minamos de todo a essa escala, nós nem produzimos petróleo, carvão ou gás natural a essa escala. Minério de ferro está abaixo de 1 bilião de toneladas por ano. Como vamos inventar uma tecnologia do zero, uma tecnologia altamente complicada, para lidar com 10 biliões de toneladas por ano? NB: Diretor substituto do Centro Tyndall para a Investigação em Alterações Climáticas, o Prof. Kevin Anderson disse o seguinte numa entrevista recente: É também um ponto brilhante de se notar que quando estamos a desenvolver os nossos cenários de emissões, o nosso modo de pensar no futuro, virtualmente todo e cada um dos cenários de emissões que tem por objetivo cumprir as nossas obrigações perante as alterações climáticas, que assinámos internacionalmente, esta ideia de manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2°C, virtualmente todo o cenário de emissões que gerámos até agora, inclui geoengenharia. Assume automaticamente que funciona. Agora, tudo bem se isso acontecer em 1 ou 2 cenários, mas quase todos os cenários o tem. E então, aquilo que encontramos é que a geoengenharia apesar de ainda estar numa fase conceptual muito experimental estamos a assumir que funciona e estamos a embuti-la nos nossos cenários, e é a partir desses que vamos aconselhar os nossos legisladores. E então já tem um efeito muito pernicioso no influenciar daquilo que os legisladores, a sociedade civil, as empresas, e outras pessoas que não estão envolvidas na ciência, percebem sobre alterações climáticas. E se falares com a maioria dos legisladores, eles não estão conscientes de que na realidade, de todo o aconselhamento que recebem dos cientistas, já existe esta suposição de que estamos prestes a chupar o CO2 da atmosfera no futuro próximo. Isso já está a acontecer hoje. NB: Temos uma crise muito real e muito séria em mãos. Não podemos permitir que as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuem a subir. Temos que inverter a tendência, e rápido. Estamos presentemente no perigoso nível de 400 partes por milhão de dióxido de carbono, e a subir. Na Era pré-industrial, estávamos à volta das 280 partes por milhão. Para estarmos seguros, devíamos estar a apontar para reduzir a concentração abaixo das 320 ppm. Isto significa desenvolver um meio de remover as biliões de toneladas de gases de efeito estufa da atmosfera. Devíamos estar muito preocupados que o IPCC incluiu o uso de tecnologia de geoengenharia nos cenários futuros de emissões, e que a verdadeira tecnologia não existe presentemente e nem está a ser adequadamente pesquisada nem financiada.Recolher Transcrição[/expand]

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Paul Beckwith

Acordo de Paris Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Acordo da COP21 não evita devastação da mudança climática
Um grave e contundente artigo do The Independent, no qual estou materialmente mencionado: COP21: Acordo de Paris é fraco demais para evitar a mudança climática devastadora, académicos advertem. Começa assim (aqui está uma parte; clique no link para o artigo completo. A nossa carta ao jornal, contudo, encontra-se na íntegra, mais abaixo na página):
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“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que elas querem ouvir e ignorar o resto”.

O Acordo de Paris para travar o aquecimento global tem, na verdade, constituído um grande revés para a luta contra as alterações climáticas, académicos especialistas avisam.

O acordo pode ter sido apregoado por líderes mundiais mas é demasiado fraco para ajudar a impedir o dano devastador para a Terra, alegam.

Numa carta conjunta ao The Independent, alguns dos principais cientistas do clima do mundo lançaram um duro ataque ao acordo, alertando que oferece “falsa esperança”, que poderia, em última instância, provar ser contraproducente na batalha para travar o aquecimento global.

A carta, que carrega onze assinaturas incluindo os professores Peter Wadhams e Stephen Salter, das universidades de Cambridge e Edimburgo, adverte que o Acordo de Paris é perigosamente inadequado.

Por causa do fracasso de Paris, os académicos dizem que a única chance do mundo de se salvar do aquecimento global desenfreado é um impulso gigante em direção a tecnologias de geo-engenharia controversas e amplamente não testadas que procuram esfriar o planeta através da manipulação do sistema climático da Terra. …

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto . O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontravam logo abaixo do seu verniz de sucesso,” os académicos escreveram na carta, …assinada por … Professor Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo enquanto deixando os estilos de vida e aspirações inalterados. A solução que propõe não é chegar a acordo sobre um mecanismo urgente que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo.”

… Mas eles dizem que as ações acordadas são demasiado fracas para se chegar nem próximo desse alvo. Além disso, os compromissos que os países fizeram para cortarem nas suas emissões de carbono não são suficientemente vinculativos para garantir que sejam cumpridos, enquanto que o Acordo de Paris não vai forçá-los a se “ajustarem” tão frequentemente quanto for necessário.

Mais preocupante ainda, dizem eles, é a falta de ação dramática imediata que se acordou para combater o aquecimento global. O Acordo de Paris só entra em vigor em 2020 – ponto no qual enormes quantidades de CO2 adicional terão sido bombeadas para a atmosfera. Os signatários afirmam que isto torna quase impossível limitar o aquecimento global a 2C, muito menos 1.5C.

“O coração do Acordo de Paris estava no lugar certo, mas o conteúdo é pior do que inepto. Foi um verdadeiro triunfo para a diplomacia internacional e envia uma forte mensagem de que os céticos perderam o caso e que a ciência está correta quanto às alterações climáticas. O resto é pouco mais do que paródia e arrisca limitar-se ao fracasso “, disse o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, que não assinou a carta mas concorda com o seu argumento.

Peter Wadhams, professor de física do oceano na Universidade de Cambridge e um dos signatários da carta, disse que as perspectivas para conter o aquecimento global consequentes ao Acordo de Paris, são agora tão calamitosas que ele defende uma investida em geo-engenharia – o que não é algo que ele recomenda de ânimo leve. “Pesando com tudo o mais, não sou um grande fã de geo-engenharia, mas acho absolutamente necessário, dada a situação em que estamos. É um adesivo pestilento, como solução. Mas você precisa dela porque, olhando para o mundo, ninguém está a mudar instantaneamente o seu padrão de vida”, disse o professor Wadhams.

Bombear grandes quantidades de água pulverizada para as nuvens para torná-las maiores e mais brilhantes para que reflitam a luz solar de volta para a atmosfera – conhecida como Abrilhantamento da Nuvem Marinha – oferece a melhor perspectiva de geo-engenharia, disse ele.

Tecnologias de geo-engenharia – que também consideram colocar espelhos gigantes no espaço ou o branqueamento da superfície do oceano para desviar a radiação solar de volta para o espaço – são controversos por causa dos receios de que sejam tecnicamente exigentes, seriam extremamente caros, para além de que interferir com o sistema climático poderia ter consequências inesperadas prejudiciais para o planeta.

A carta

Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto. O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo, deixando os estilos de vida e aspirações inalterados.

O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontram mesmo por abaixo do seu verniz de sucesso. Logo na terceira página do projecto de acordo está o reconhecimento de que a sua meta de CO2 não vai manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus Celsius, o nível que já havia sido definido como o limite seguro crítico. A solução que se propõe não é chegar a acordo quanto a um mecanismo de urgência que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo, ao comprometerem-se a calcular um novo orçamento de carbono para um aumento da temperatura de 1,5 graus, que poderá ser falado em 2020.

Dado que não podemos concordar quanto aos modelos climáticos ou o orçamento de CO2 para manter o aumento da temperatura a 2°C, então somos ingénuos ao pensar que vamos concordar quanto a uma meta muito mais difícil em cinco anos, quando, com toda a probabilidade, o aumento exponencialmente dos níveis atmosféricos de CO2 dizem-nos que vai ser tarde demais.

Mais preocupante, essas metas inadequadas exigem que a humanidade faça muito mais do que cortar nas emissões com um programa de tecnologia renovável glorioso que ultrapassará qualquer outro esforço humano do passado. Elas também requerem que o carbono seja sugado do ar. O método preferido é eliminar a indústria de combustíveis fósseis pela competição através do fornecimento de biomassa às centrais térmicas. Isso envolve um crescimento rápido das árvores e plantas, mais rápido do que a natureza alguma fez em solo que não temos, depois queimá-la em estações de energia que irão capturar e comprimir o CO2 usando uma infra-estrutura que não temos e com tecnologia que não irá funcionar na escala que precisamos e, finalmente, armazená-lo em lugares que não podemos encontrar. Para se manter a agenda com boas notícias, tudo isto foi omitido do acordo.

O rugido das tempestades globais devastadoras já afogou os falsos festejos de Paris e colocou brutalmente em foco a extensão da nossa incapacidade para lidar com a mudança climática. A triste verdade é que as coisas vão ficar muito piores. O excesso de calor do planeta está agora a derreter a capa de gelo do Ártico como uma faca quente na manteiga e está a fazê-lo a meio do Inverno. A menos que seja travado, este aquecimento do Ártico vai levar a uma rápida libertação dos hidratos de metano do fundo do mar do Ártico e anunciar a próxima fase de mudança climática catastrófica intensa à qual a nossa civilização não vai sobreviver.

O tempo para a opinião esperançosa e otimismo cego que tem caracterizado o debate sobre as alterações climáticas acabou. O tempo para factos duros e decisões é agora. As nossas costas estão contra a parede e agora temos que iniciar o processo de preparação para geo-engenharia. Temos que fazer isso no conhecimento de que as suas chances de sucesso são pequenas e os riscos de implementação são grandes.

Temos de olhar para o espectro completo de geoengenharia. Isto irá cobrir iniciativas que aumentem o sequestro de carbono por restauração de florestas tropicais até à fertilização dos oceanos. Irá estender-se a técnicas de gestão de radiação solar, como o branqueamento artificial de nuvens e, in extremis, replicar os aerossóis de atividade vulcânica. Vai ter que ter em conta para quais áreas nos focamos seletivamente, como as regiões do Ártico que emitem metano, e quais áreas devemos evitar.

Os elevados riscos políticos e ambientais associados a isto têm que ser esclarecidos para que nunca seja usado como alternativa a fazer-se os cortes de carbono que são urgentemente necessários. O reconhecimento destes riscos deve ser usado ​​para desafiar a narrativa de opinião esperançosa que infestou as conversações sobre as alterações climáticas ao longo dos últimos vinte e um anos, e que atingiu o seu apogeu com o acordo COP21. No vácuo internacional presente quanto a esta questão, é imperativo que o nosso governo toma uma iniciativa.

Assinado por

Professor Paul Beckwith, Universidade de Ottawa
Professor Stephen Salter – Universidade de Edimburgo
Professor Peter Wadhams – Universidade de Cambridge
Professor James Kennett, da Universidade da Califórnia.
Dr Hugh Hunt – Universidade de Cambridge
Dr. Alan Gadian – Cientista Sénior, Centro da Nação para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Leeds
Dr. Mayer Hillman – Membro Sénior Emérito do Instituto de Estudos Políticos
Dr. John Latham – Universidade de Manchester
Aubrey Meyer – Diretor, Global Commons Institute.
John Nissen – Presidente do Grupo de Emergência para o Metano no Ártico
Kevin Lister – Autor de “O Vortex da Violência e por que estamos a perder a guerra contra as alterações climáticas

Traduzido do original COP21 Deal Cannot Prevent Devastating Climate Change, Academics warn, publicado por Paul Beckwith em http://paulbeckwith.net/.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Como a Mudança Climática Pode Conectar a Humanidade

em http://focoempatico.net

Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

em https://alteracoesclimaticas…


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Paul Beckwith

Onde Estamos – Um Resumo do Sistema Climático, por Paul Beckwith

Sugerimos a leitura de “Onde Estamos – Um Resumo do Sistema Climático, por Paul Beckwith” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Ar

A presença de GEE (gases de efeito estufa) na atmosfera é vital para sustentar a vida no nosso planeta. Estes gases de efeito estufa prendem o calor e mantêm a temperatura média de superfície global do planeta em cerca de 15°C, em comparação com uns gélidos -18°C, o que seria a nossa temperatura sem os gases de efeito estufa.

Nós alterámos a composição química da atmosfera, especificamente das concentrações dos gases de efeito estufa. As concentrações de dióxido de carbono aumentaram cerca de 40% desde o início da revolução industrial (de uma variação curta entre 180 e 280 ppm durante pelo menos os últimos milhão de anos) para 400 ppm. As concentrações de metano aumentaram em mais de 2,5 vezes desde o início da revolução industrial (de uma variação curta de 350-700 ppb) para mais de 1.800 ppb. O calor adicional detido tem aquecido o nosso planeta em mais de 0,8°C ao longo do século passado, com a maior parte desse aquecimento (0,6°C) a ocorrer nas últimas 3 a 4 décadas.

Oceanos

Mais de 90% do calor detido na superfície do planeta está a aumentar a temperatura da água no oceano. O aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera acidificam a precipitação, e aumentaram a acidez dos oceanos em cerca de 40% nas últimas 3 a 4 décadas (o PH do oceano aberto caiu de 8,2 para 8,05 na escala logarítmica). Uma queda acentuada para um PH de 7,8 impedirá que conchas com base em cálcio se formem e ameaçará toda a cadeia alimentar do oceano. Mudanças nas correntes oceânicas e os perfis verticais de temperatura estão a levar a uma maior estratificação e menos revolvimento, o que é necessário para o transporte de nutrientes para a superfície para que o fitoplâncton prospere.

Os níveis do mar globais estão atualmente a aumentar a uma taxa de 3,4 mm por ano, em comparação com uma taxa de cerca de 2 mm por ano algumas décadas atrás. As taxas de derretimento na Gronenlândia duplicaram nos últimos 4 a 5 anos, e as taxas de derretimento na Península Antárctica aumentaram ainda mais rápido. Com base nas últimas décadas, as taxas de derretimento tiveram um período de duplicação de cerca de 7 anos. Se esta tendência continuar, podemos esperar um aumento do nível do mar próximo de 7 metros em 2070.

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Terra

As temperaturas médias globais mais elevadas aumentaram a quantidade de vapor de água na atmosfera em cerca de 4% ao longo das últimas décadas, e cerca de 6% desde o início da revolução industrial. Mudanças na distribuição de calor em latitude, resultantes do aquecimento desigual em latitude, desaceleraram as correntes de jato o que causou que se tornassem mais onduladas e fraturadas, e alteraram as estatísticas do tempo. Agora temos eventos climáticos extremos com maior frequência, intensidade e tempo de duração e também uma mudança nos locais onde ocorrem esses eventos.

Ciclos de Feedback

A sensibilidade do sistema climático ao aumento dos níveis de gases de efeito estufa parece ser muito maior do que o anteriormente esperado, devido a muitos feedbacks [mecanismos de retroacção] de reforço poderosos.

O Albedo é o efeito de reflexão da luz solar. Com o derretimento do gelo e da neve, diminui o efeito de Albedo e a quantidade de superfície escura e absorvente de calor é maior. 90% da radiação solar é reflectida pela superfície da água quando coberta de gelo e neve, mas apenas 6% é reflectido após o gelo derreter e a água encontrar-se a descoberto.

O Albedo é o efeito de reflexão da luz solar. Com o derretimento do gelo e da neve, diminui o efeito de Albedo e a quantidade de superfície escura e absorvente de calor é maior. 90% da radiação solar é reflectida pela superfície da água quando coberta de gelo e neve, mas apenas 6% é reflectido após o gelo derreter e a água encontrar-se a descoberto.

A amplificação da temperatura do Ártico pelo declínio exponencial do gelo do mar e da cobertura de neve primaveril são os feedbacks mais fortes no nosso sistema climático hoje. O albedo (refletividade) médio da região do Ártico diminuiu de 52% para um valor atual de 48% ao longo de 3 ou 4 décadas. O aumento da absorção de energia no Ártico tem aumentado a temperatura nas latitudes altas em taxas de até 6 a 8 vezes a da mudança da temperatura média global. A diferença de temperatura reduzida entre o Ártico e o Equador reduziu a velocidade na direcção oeste-leste das correntes de jato, tornando-as mais lentas, onduladas e fraturadas, e causando diretamente uma grande mudança nas estatísticas das nossas condições meteorológicas globais.

As emissões de gás metano têm vindo a aumentar rapidamente na região do Ártico a partir do permafrost terrestre e dos sedimentos marinhos da plataforma continental, principalmente na ESAS (Eastern Siberian Arctic Shelf) [Placa Continental do Ártico a Este da Sibéria]. A capacidade extremamente potente do metano para aquecer o planeta (o potencial de aquecimento global, GWP, é de 150, 86, e 34 vezes maior para o metano em relação ao dióxido de carbono numa escala de alguns anos, várias décadas, e um século, respectivamente) torna o aumento das emissões um risco extremamente perigoso para o nosso bem-estar no planeta.

A Minha Avaliação Geral

O nosso sistema climático está atualmente a passar por estágios preliminares de uma mudança climática abrupta. Se permitido continuar, o sistema climático do planeta é bem capaz de passar por um aumento da temperatura média global de 5°C a 6°C numa década ou duas. Precedência de mudanças numa taxa tão elevada podem ser encontradas inúmeras vezes nos paleo-registos. Da minha cadeira, concluo que é vital que cortemos as emissões de gases de efeito estufa e passemos por um programa intensivo de engenharia climática [ geoengenharia ] para resfriar a região do Ártico e manter o metano no seu lugar na permafrost e nos sedimentos oceânicos.

Paul Beckwith

Paul Beckwith

Artigo original em Arctic-news.blogspot.com por…
Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel. em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior. 

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