Temperaturas elevadas no Ártico abrandam a recuperação no crescimento do gelo
Climate Central

Temperaturas Quentes Abrandam o Crescimento do Gelo Marítimo do Ártico

Algo estranho está a acontecer no Ártico. Depois de descer ao seu segundo valor de extensão mais baixo de que há registo em setembro, o gelo marítimo tem-se debatido para ressurgir em outubro.

Um clima abnormalmente ameno juntamente com um oceano mais quente do que o normal são em grande parte responsáveis pela grande desaceleração do gelo marítimo em 2016. É apenas a mais recente evidência de que 2016 está noutro nível quando se trata de sinais de que o clima está a mudar.

//platform.twitter.com/widgets.js

A mudança do calendário para o inverno e a rápida diminuição da luz do dia habitualmente são acompanhadas pelo crescimento do gelo marítimo no Ártico. Depois de atingir um mínimo no início de setembro, o recrescimento do gelo marítimo teve um começo alucinante. Mas a sua recolonização do Oceano Ártico abrandou fortemente em outubro.

Dados preliminares publicados pela agência espacial japonesa e visualizados por Zach Labe, um estudante de PhD na Universidade da Califórnia, Irvine, mostram que é o recrescimento mais lento de que há registo. Isto inclui um período no final de outubro onde parece não ter havido qualquer crescimento do gelo marítimo.

Recuperação lenta do gelo marítimo no Ártico

A extensão do gelo marítimo no Ártico atingiu um mínimo recorde para outubro. Crédito: Zach Labe

Grandes áreas de gelo estavam em falta no final de outubro no oeste dos mares de Beaufort e Chukchi a norte do Alasca e nos mares de Kara e Barents que ficam acima da Rússia. Ted Scambos, cientista do National Snow and Ice Data Center, disse que parece que o gelo marítimo está cerca de 373.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde anterior e 1553.000 quilómetros quadrados abaixo da média outubro. Para se ter uma perspetiva, esta última é uma área um pouco maior do que a metade oriental os EUA (e a primeira é aproximadamente do tamanho do Texas).

A principal razão para este crescimento lento é que a temperatura tem estado relativamente quente face os padrões do Ártico quase todo o mês. O Oceano Ártico esteve a uns surpreendentes 3,9°C acima do normal, em média, em outubro (novamente, com base em dados preliminares) com um número de áreas muito mais quentes do que isso com temperaturas variando até 10°C mais quente do que o habitual.

Temperaturas elevadas no Ártico abrandam a recuperação no crescimento do gelo marítimo

A temperatura prevista para os próximos cinco dias no Ártico revela calor incessante, o que vai continuar a abrandar o crescimento do gelo marítimo.Crédito: Climate Change Institute

“Há uma forte alta pressão sobre a Escandinávia, que está a ajudar a transportar o ar quente do Atlântico Norte em direção ao Ártico”, diz Julienne Stroeve, cientista do NSIDC. “As temperaturas do oceano também estão um bocado acima do normal, especialmente nos mares de Chukchi e do Leste da Sibéria, logo isso também está a contribuir.”

É a mais recente notícia sombria do gelo marítimo em 2016. Este ano estabeleceu um recorde baixo para o máximo de inverno, superando o recorde anterior, estabelecido há apenas um ano. O gelo marítimo atingiu o seu segundo menor valor de sempre registado na região, ficando apenas atrás de 2012.

A falta de gelo neste verão permitiu que o Crystal Serenity, um navio de cruzeiro de luxo, atravessasse a Passagem do Noroeste. Houve também uma série de outros meses com recordes mínimos de gelo marítimo este ano.
http://climatecentral.org/wgts/ArcticSeaIce-11_1_16/index.html?utm_source=cc&utm_medium=embed&utm_campaign=ArcticSeaIce-11_1_16

Acrescentando à miséria de gelo marítimo no Ártico está o desaparecimento do gelo marítimo existente há quatro ou mais anos. Este gelo marítimo mais velho atua essencialmente como a fundação de uma casa, ajudando a suportar o crescimento de novo gelo marítimo. É também mais grosso e mais duro e menos propenso a derreter. Sem ele, o gelo marítimo mais recente está a ser construído em terreno instável e derrete mais facilmente a cada verão.

E contudo, a camada primordial de gelo está a desaparecer do Ártico. Na década de 1980 esta representava cerca de 20 por cento de todo o gelo marítimo. Mas quando o gelo marítimo atingiu o seu mínimo em 2016, o gelo mais antigo constituía apenas 3 por cento do leque de gelo.

Considerado isoladamente, tudo isto indica que 2016 poderá ser um ano atípico. Mas olhando para o panorama geral, mostra que está bem em linha com as tendências atuais. O gelo marítimo de setembro tem desaparecido a um ritmo de 13,4 por cento por década desde o final da década de 1970. E os navios têm estado a utilizar a Passagem do Noroeste desde 2007; o Crystal Serenity foi apenas uma travessia particularmente notada pelos seus preços de bilhetes exorbitantes.

As alterações climáticas continuarão a intensificar o calor e a engolir rapidamente o gelo marítimo do Ártico. Isto significa que nas próximas décadas provavelmente olharemos para trás para 2016 como os bons velhos tempos, quando pelo menos ainda havia algum gelo antigo.

Traduzido do original Warm Temps Slow Arctic Sea Ice Growth to a Crawl publicado por Brian Kahn em Climate Central, a 2 de Novembro de 2016

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Anúncios
Standard
Disrupção das correntes e temperaturas do oceano, por Paul Beckwith numa atualização sobre Alterações Climáticas
Paul Beckwith

Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas

Sugerimos a leitura de “Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

As correntes e temperaturas da superfície do oceano não estão a comportar-se como normalmente. As alterações climáticas abruptas que estão a decorrer presentemente estão a alterar as propriedades do oceano.

Neste curto vídeo, Paul Beckwith, do Laboratório para a Paleoclimatologia na Universidade de Ottawa, explica o mecanismo através do qual um El Ninõ muito forte está a afetar as temperaturas e correntes do oceano no Pacífico e no Atlântico, e a ter um impacto nas alterações climáticas. A Corrente do Golfo está a levar águas muito quentes para o Ártico, acelerando o degelo na Gronelândia e no gelo marinho do Ártico, o que resulta numa mancha ou bolha de água muito fria a descer no Atlântico em direção à Europa. A diferença de temperatura onde estas águas se cruzam pode ser de mais de 10°C, piorando condições climatéricas como ventos e ondulação, acelerando a formação de ciclones e furacões como se tem visto ao largo das ilhas britânicas.



Traduzido do original Ocean Disruption from Abrupt Climate Change de Paul Beckwith, publicado no seu website http://paulbeckwith.net/, a 7 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

em https://aquecimentoglobaldesc…

Standard