Anomalia da extensão gelo marinho Ártico, Antártida e Global 2016
Robertscribbler

De Pólo a Pólo, Os Valores Globais do Gelo Marinho Estão a Cair

Durante o ano quente recorde de 2016, tanto as extensões do gelo marinho do Ártico como da Antártida levaram uma forte tareia.

O calor extremo no Ártico ajudou a produzir as perdas principais de gelo ali. Valores que começaram em janeiro com 1 milhão de quilómetros quadrados abaixo da média têm vindo a diminuir de forma estável à medida que os meses avançaram para perto de 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média. Enquanto isso, a Antártida — que começou o ano com valores de extensão do gelo do mar próximos da média — viu perdas significativas à medida que a região ficava anormalmente cada vez mais quente durante a primavera austral. Hoje, os valores de extensão do gelo marinho ao redor da Antártida estão agora também mesmo à beira dos 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média.

Anomalia da extensão gelo do mar Ártico, Antártida e Global 2016

Zachary Labe, um dos cientistas do clima norte-americanos mais bem reconhecidos, produziu este gráfico baseado em valores dos volumes do gelo marinho globais, do Ártico e da Antártida, pela NSIDC. Como se pode ver, a extensão de gelo marinho global durante o ano mais quente já registado tem vindo a cair de forma estável, para perto de 4 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média, à medida que os meses progrediram. Fonte da imagem: Figuras do gelo do mar de Zack Labe. Fonte de dados: NSIDC. Também podem acompanhar o feed informativo do twitter do Zack aqui.

No total, a cobertura global do gelo do mar é agora de cerca de 3.865.000 quilómetros quadrados abaixo da média.

Se você acha que esse número soa a muito grande, é porque é mesmo. Representa uma região de gelo perdido com quase 40 por cento do tamanho da área de terra e água de todo o Estados Unidos, incluindo Alasca e Havaí. Para visualizá-la de outra forma, imaginem toda a área de terra do Alasca, Califórnia, Texas, Montana, Arizona e Novo México combinados e começarão a perceber a essência.

Cobertura de Gelo Marinho – Um Importante, Mas Complexo Indicador Climático

Muitos especialistas do clima têm visto o gelo do mar como uma espécie de mudança climática do canário na mina de carvão. O gelo do mar encontra-se sobre os oceanos em aquecimento e sob uma atmosfera em aquecimento. E estes oceanos estão agora a receber a maior parte do calor que está a ficar preso na atmosfera pelas emissões de combustíveis fósseis. As superfícies do oceano em aquecimento têm um valor de calor específico mais elevado do que o ar e esta maior capacidade energética total em regiões em aquecimento gera um golpe substancial na cobertura de gelo, mesmo se a variação inicial da temperatura da superfície da água seja apenas moderada.

Uma vez que o gelo do mar tiver desaparecido durante um período significativo, uma espécie de ciclo de feedback entra em jogo em que as superfícies escuras do oceano prendem mais raios do sol durante o verão polar do que quando com a cobertura de gelo branca — que refletia anteriormente a radiação de volta para o espaço. Este calor recém-absorvido é então re-irradiado de volta para a atmosfera local durante o outono e inverno polar — criando uma barreira de inércia para a reformação do gelo e, finalmente, gerando um grande salto nas temperaturas sazonais da superfície do oceano e atmosféricas.

Temperaturas elevadas em relação à média de 11C no Ártico

Aquecimento altamente pronunciado da superfície do oceano juntamente com invasões de ar quente parecem estar a gerar as perdas extremas de gelo do mar que se vê agora no Ártico. O Mar de Barents, mostrado acima, tem visto um aquecimento particularmente extremo. Note-se a zona quente com 11ºC acima média perto da zona de borda do gelo do mar. Na Antártida, as causas das perdas permanecem incertas. Contudo, o aquecimento atmosférico e as mudanças nos ventos circumpolares parecem estar a produzir esse efeito, mesmo quando águas superficiais um pouco mais frias do que a média permanecem no local — possivelmente devido à ressurgência do Oceano Antártico relacionada às tempestades e ao aumento das saídas de água doce das geleiras da Antártida. Fonte da imagem: Earth Nullschool

Esta dinâmica é particularmente pronunciada no Ártico, onde um oceano em descongelamento rodeado por continentes em aquecimento tende a recolher prontamente o calor, mesmo quando as transferências de energia atmosféricas do sul, sob a forma de eventos de vento quente, tornaram-se mais pronunciadas. Um efeito relacionado com a influência das alterações climáticas conhecido como Amplificação Polar do Hemisfério Norte

Na Antártida, o Oceano Antártico tempestuoso gera ressurgência. Esta dinâmica tende a esfriar a superfície do oceano ao mesmo tempo que transfere o calor para o oceano mais profundo. E o aumento das condições de tempestade em torno da Antártida relacionado às mudanças climáticas podem intensificar este efeito. Além disso, as águas quentes do fundo a derreterem os glaciares de frente para o mar na Antártida produzem uma lente de água doce que arrefece a superfície e também prende o calor por baixo. Assim, o sinal vindo da Antártida em relação ao gelo do mar tende a ser mais misturado — com o aquecimento atmosférico e as mudanças nos padrões do vento a gerarem impactos no gelo do mar mais variáveis relativamente ao Ártico. Então, as perdas do gelo do mar deste ano são mais difíceis de se relacionar diretamente à mudança climática.

Zack Labe observa que:

A anomalia do gelo do mar do Ártico, contudo, encaixa-se com a presente tendência de amplificação do Ártico de estreitamento de gelo do mar e perda de gelo antigo. Para além de que tem sido bem observado na literatura anterior (ou seja, http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2010GL044136/full …) no que diz respeito às crescentes temperaturas de outono no Ártico e suas possíveis causas.

Grandes Perdas de Volume entre 2015 e 2016

Apesar das grandes perdas de gelo do mar ao redor da Antártida este outono, é no Ártico que os danos e risco de perda adicional são mais pronunciados. Particularmente, reduções no gelo plurianual mais espesso no Ártico durante 2015 e 2016 têm sido excepcionalmente graves:

Perda de cobertura e espessura do gelo do mar do ÁrticoPerda de cobertura e espessura do gelo do mar no Ártico 2016

Nas imagens acima, vemos uma comparação entre a cobertura e espessura do gelo do mar do fim de novembro, tal como previsto pelo modelo US Navy ARCC. O quadro esquerdo representa o fim de novembro de 2015 e o quadro direito representa os valores projetados para 20 de novembro de 2016. Note-se a cobertura enormemente reduzida na imagem de 2016. Mas ainda mais notável é a perda substancial de gelo mais espesso no Oceano Ártico a norte do Arquipélago Canadiano e na Gronelândia.

Estas duas imagens contam uma história de uma grande perda de volume do gelo do mar. Uma que o monitor de gelo do mar PIOMAS confirma. De acordo com PIOMAS, os valores do volume do gelo durante outubro estavam a decorrer perto dos níveis mais baixos já registados. E o calor continuado em novembro gera uma preocupação de que um período de novos níveis recordes de baixo volume possa estar a caminho.

Mas não são apenas os valores baixos recorde que devem ser uma preocupação. A localização do gelo espesso restante também é uma preocupação. Pois uma parte substancial do gelo espesso restante está situado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O vento e as correntes oceânicas tendem a empurrar o gelo para fora do Oceano Ártico e através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O gelo tende a, em seguida, a ser canalizado para baixo ao longo da costa da Gronelândia e para o Atlântico Norte, onde derrete. Então, o facto de que uma grande parte do já muito reduzido gelo espesso restante encontrar-se agora na borda da versão de gelo do mar de Niagra Falls não é um bom sinal.

Anos La Nina tendem a empurrar mais calor para os pólos

É notoriamente difícil prever com precisão as tendências de derretimento e recongelamento do gelo do mar nas várias medições sazonais para um qualquer determinado ano individual. E até mesmo muitos dos maiores especialistas do gelo do mar passaram um diabo de tempo na previsão do comportamento do gelo do mar durante os últimos anos. Contudo, uma coisa permanece bem clara — a tendência de longo prazo para o gelo marinho no Ártico é uma de rápido declínio.

Espiral de Morte do gelo do mar no Ártico Outubro 2016

Espiral de Morte do gelo do mar do Ártico por Andy Lee Robinson. Fonte da imagem: Haveland

Estamos agora a entrar numa situação em que um inverno muito quente seguido por um verão mais quente do que o normal poderia empurrar os valores do gelo do mar do Ártico para perto da marca de zero. Uma situação que poderia efetivamente desencadear um evento de oceano azul num futuro próximo. Um número de especialistas de gelo do mar proeminentes previram que é provável que tal estado será alcançado bastante cedo — no início da década de 2030 segundo as tendências actuais. Outros apontam para potenciais de perda a prazo mais curto. Mas não há praticamente ninguém agora a dizer, como foi afirmado muitas vezes durante o início da década de 2010, que um evento de oceano azul poderia ficar adiado até ao início dos anos 2050.

Tudo dito, a trajetória para 2017 para o Ártico no presente não parece muito boa. Ambos a extensão e o volume do gelo marinho estão agora em ou bem abaixo das marcas baixas anteriores para esta época do ano. O gelo espesso restante posicionado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip] gera uma desvantagem física para o gelo em geral. Além disso, a NOAA anunciou que as condições de La Niña estão agora presentes no Pacífico Equatorial. E os eventos La Niña tendem a empurrar mais calor oceânico e atmosférico em direção aos pólos — particularmente para o Ártico.

Nota: Este artigo é escrito como um seguimento da publicação anterior – Para o Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro – e elas devem ser lidas em conjunto para contexto.

Traduzido do original From Pole to Pole, Global Sea Ice Values are Plummeting, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 15 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Anúncios
Standard
Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono
Sam Carana

CO₂ Mensal a Não Menos de 400 ppm em 2016

Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões globais de dióxido de carbono de combustíveis fósseis e da indústria (incluindo a produção de cimento) quase não cresceram, como a imagem do Global Carbon Project em baixo mostra:

Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono

Contudo, os níveis de CO₂ têm continuado a subir e, como ilustrado pela tendência na imagem em baixo, poderão até ter acelerado.

Níveis de dióxido de carbono em crescimento apesar de não haver aumento das emissões

Porque têm os níveis de CO₂ na atmosfera continuado a subir apesar do facto de que as emissões da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento quase não terem aumentado nos últimos anos?

Desmatamento e outras alterações no uso dos solos

Durante a década de 2006 a 2015, as emissões provenientes do desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outra 1,0 ± 0,5 GtC (3,3 ± 1,8 GtCO₂), em média, às emissões de combustíveis fósseis e cimento representadas acima. Em 2015, de acordo com o Global Carbon Project, o desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outras 1,3 GtC (ou 4,8 bilhões de toneladas de CO₂), em cima das 36,3 bilhões de toneladas de CO₂ emitido pelos combustíveis fósseis e pela indústria. Este aumento nas emissões por desmatamento e outras mudanças no uso do solo constitui um aumento significativo (42%) sobre as emissões médias da década anterior, e este salto foi em grande parte causado por um aumento nos incêndios florestais ao longo dos últimos anos.

Por conseguinte, os níveis de CO₂ na atmosfera continuaram o seu crescimento constante. Em 2016, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm. Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 800.000 anos.

Níveis de CO2 acima dos 400ppm em 2016

Em 2016, pela primeira vez em pelo menos 800.000 anos, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm.

Enquanto sobem, os níveis de CO₂ globais flutuam com as estações do ano, normalmente atingindo a um mínimo anual em agosto. Em agosto de 2016, os níveis de CO₂ atingiram um mínimo de 400,44 ppm, ou seja, bem acima de 400 ppm. Em setembro de 2016, os níveis de dióxido de carbono tinham subido novamente, para 400,72 ppm. Importante notar, uma tendência está contido nos dados a apontar para um nível de CO₂ de 445 ppm no ano de 2030.

Sensibilidade

Entretanto, um estudo por Friedrich et al. atualiza as estimativas do IPCC para a sensibilidade ao aumento do CO2, concluindo que as temperaturas poderiam aumentar tanto quanto 7.36°C em 2100 como resultado do aumento dos níveis de CO₂.

Quando tendo outros elementos que não o CO2 mais em conta, a situação parece ainda pior que isto, ou seja, o aumento global da temperatura poderia ser tanto quanto 10°C na próxima década, como descrito na página extinção.

Sequestro de carbono em terra
Dissipadores de carbono e variação do sequestro de carbono ao longo dos anos.

Perturbação do ciclo global de carbono causada pelas atividades antropogénicas, estimadas globalmente para a década de 2006-2015(GtCO2/ano)

A imagem acima mostra também um aumento do sequestro de carbono em terra ao longo dos anos, o qual um estudo recente atribui a níveis mais elevados de CO₂ na atmosfera. Embora este aumento do dissipador de carbono em terra pareça ter travado um aumento mais forte da temperatura por algum tempo, há indícios de que este dissipador de terra já está a diminuir.

Porque é que o sequestro de carbono em terra está a diminuir?

  • Práticas agrícolas, tais como o esgotar das águas subterrâneas e aqüíferos, arar, mono-culturas e o corte e queima de árvores para criar gado pode reduzir significativamente o teor de carbono dos solos.
  • O salto recente na temperatura global parece ter danificado severamente os solos e a vegetação através de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, relâmpagos, inundações, ondas de calor, secas, tempestades de areia e incêndios florestais, e a erosão associada, transformando partes daquilo que foi uma vez um enorme reservatório de sequestro de carbono em terra em fontes de emissões de dióxido de carbono. Pior ainda, tais eventos climáticos extremos também podem levar a novas emissões, incluindo fuligem, óxido nitroso, metano, e monóxido de carbono, que por sua vez podem causar aumentos de ozono ao nível do solo, o que enfraquece ainda mais a vegetação e torna as plantas mais vulneráveis ​​a pragas e infestações.
  • Tal como um estudo de 2009 avisou, temperaturas mais elevadas também podiam causar uma redução na transpiração pelas copas das árvores, devido a estômatos das plantas menos amplamente abertos e o resultante aumento da resistência estomática em concentrações mais elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Como resultado, a cobertura de nuvens baixas está a diminuir na maior parte da superfície da terra, reduzindo albedo planetário e fazendo com que mais radiação solar alcance a superfície, e assim elevando ainda mais a temperatura para além do nível de viabilidade para muitas espécies.
Conclusão

Em conclusão, embora as emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria possam mal ter crescido, os níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar progressivamente, se não mesmo a acelerar. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos estão em ascensão e há outros fatores que contribuem para fazer com que o sumidouro de carbono em terra diminua de tamanho. Para além disso, o IPCC parece ter subestimado a sensibilidade ao aumento de CO2.

Temperaturas a aumentarem

Como resultado, não se pode esperar que as temperaturas descerão dos seus níveis actualmente muito elevados, como ilustrado na imagem abaixo.

Meses que Estiveram Acima de 1.5ºC

Esteve mais do que 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial durante 9 dos 12 meses entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Ártico, como ilustrado pela imagem em baixo, mostrando subidas da temperatura até 10.2°C no Ártico em outrubro de 2016.

Subidas da temperatura anormais no Ártico

O gráfico da DMI em baixo mostra a temperatura média diária e o clima a norte do paralelo 80, como função do dia do ano.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Comparação da temperatura média em cada dia do ano. Linha vermelha representa 2016 até 15 de Novembro. Linha verde representa a média de 1958-2002 para cada dia do ano.

Previsão para 19 de novembro de 2016: O Ártico vai estar tanto quanto 7,42ºC mais quente do que em 1979-2000, como ilustrado na imagem em baixo.

temperatura distancia-se da média no Ártico, anomalia de 7ºC

Outro reflexo de um mundo cada vez mais quente, a extensão combinada do gelo marinho do Ártico e da Antártida está atualmente num mínimo recorde. A 12 de novembro de 2016, a extensão global combinada de gelo do mar foi de apenas 23.508 mil km².

Gelo no Ártico e na Antártida com extensões mínimas para a altura do ano.

A extensão do gelo marinho no Ártico está a aumentar, onde o Inverno está a chegar, enquanto que na Antártida a extensão do gelo está a diminuir, onde está a chegar o Verão. Em ambos os polos o gelo está num recorde baixo para a época do ano.

Duas imagens, criadas por Wipneus com dados de NSIDC, foram adicionadas a seguir para ilustrar ainda mais a situação.

Extensão global do gelo do mar plurianual

A imagem acima mostra a extensão do gelo marinho global ao longo dos anos, enquanto que a imagem abaixo mostra a área total do gelo marinho global ao longo dos anos. Para mais quanto à diferença entre extensão e área do gelo, vejam esta página da NSIDC.

gelo marinho área global de ano para ano

Alguns dos resultados do dramático declínio global do gelo do mar são:

  • Enormes quantidades de luz solar que foram refletidas anteriormente de volta para o espaço são agora, em vez disso, absorvidas pelos oceanos.
  • O declínio do gelo marinho faz com que seja mais fácil que água quente do mar chegue debaixo dos glaciares e acelere o seu fluxo para a água.
  • Mais águas abertas resulta em tempestades mais fortes, provocando chuvas e continuação do declínio da cobertura de neve e gelo.
  • A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo na Gronelândia e Antártida, por sua vez ameaça provocar um aumento da libertação de metano da Gronelândia e da Antártida, como descrito em publicações anteriores como esta.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Monthly CO₂ not under 400 ppm in 2016 de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Novembro de 2016..

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro
Sam Carana

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

Sugerimos a leitura de “Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Um post anterior perguntava se a extensão máxima para este ano já haveria sido alcançada, ou seja, a 9 de fevereiro de 2016, quando a extensão do gelo marinho era de 14.214 milhões de km2.

Como ilustrado pela imagem abaixo, a extensão desde então tem sido menor, inclusive nos dois dias mais recentes na imagem, ou seja, a 16 e 17 de fevereiro de 2016, quando a extensão era, respectivamente, de 14.208 e 14.203 milhões de km2.

Extensão do gelo do Ártico 17 fevereiro

No ano passado (2015), a extensão máxima do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Isso é próximo da data mais recente na imagem de 17 de Fevereiro, logo, com o El Nino ainda forte, poderá muito bem vir a ser que o máximo em 2016 será alcançado mais cedo.

Por outro lado, os ventos fortes poderiam espalhar o gelo do mar e acelerar a sua deriva para fora do Oceano Ártico, o que pode resultar numa extensão maior, mas que não fará muito para fortalecer o gelo do mar.

ATUALIZAÇÕES: A 18 de fevereiro de 2016 (seta), a extensão do gelo marinho do Ártico foi de 14.186 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, menos do que era a 9 de fevereiro. De facto, a extensão do gelo do mar não foi maior em nenhum dia desde 9 de fevereiro de 2016. Então, a pergunta é, será que a extensão máxima deste ano já passou por nós (ou seja, a 9 de Fevereiro)?

Máximo da extensão do gelo do mar do Ártico Fevereiro 2016

A imagem abaixo mostra que o calor está a ter um enorme impacto sobre o gelo do mar, com algumas áreas (preto) que mostram anomalias da temperatura de superfície do mar acima de 8°C (ou acima de 14,4°F).

Anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico

De forma ameaçadora, a superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte estava tanto quanto 11.8°C ou 21.3°F mais quente a 19 de Fevereiro de 2016 do que em 1981-2011 (no local marcado pelo círculo verde na imagem abaixo).

Temperaturas superfície do mar quentes ao largo da América-Norte

As temperaturas sobre o Oceano Ártico estão previstas para permanecerem extremamente elevadas nos próximos cinco dias, com anomalias em grande parte do Oceano Ártico achegarem ao topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F.

Anomalias previstas nas temperaturas Ártico para fevereiro

Como a imagem em baixo mostra, a área de gelo do mar do Ártico estava num recorde baixo para a época do ano a 18 de fevereiro de 2016.

Área do gelo do mar do Ártico em recorde baixo para fevereiro

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico a 20 de Fevereiro de 2016, era apenas de 14,166 milhões de km2 (seta), somando aos receios de que o máximo deste ano já tenha sido alcançado a 9 de fevereiro.

Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro

Enquanto isso, níveis muito elevados de metano, tão elevados quanto 3096 partes por bilião, foram registados a 20 de Fevereiro de 2016, como mostrado pela imagem abaixo.

Niveis de metano elevados a 20 de fevereiro

Uma análise mais aprofundada indica que estes níveis elevados provavelmente originaram do desestabilizar de hidratos de metano dos sedimentos, a partir de uma localização próxima da latitude 85° Norte e longitude +105 ° (Leste), na Cordilheira de Gakkel, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental, no local do marcador vermelho no mapa abaixo.

Desestabilização de hidratos de metano Cordilheira de Gakkel

Em baixo está um mapa de comparação, a partir de grida.no

Plataforma Continental Ártico Sibéria Oriental

Abaixo está um mapa com anomalias da temperatura de superfície do mar a 20 de fevereiro de 2016. O círculo verde marca a localização provável da desestabilização sedimentos e subsequente nuvem de metano, cerca da latitude 85° Norte e longitude +105° (leste), na Cordilheira de Gakkel Ridge, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental.

Anomalias nas temperatura de superficie do mar-20 fevereiro

Se quiser, pode discutir isto mais aprofundadamente no grupo Arctic News ou em baixo.

Traduzido do original Has maximum sea ice extent already been reached this year? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 18 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

em https://aquecimentoglobaldesc…

Standard
Antártida

O Gelo da Antártida Está a Aumentar ou Diminuir?

Como é que o gelo na Antártida está a aumentar, e até sai nos jornais e várias fontes oficiais como a NASA e a NOAA dizem o mesmo, enquanto anda uma propaganda de “aquecimento global” por aí? Não será o aquecimento global uma farsa?

A extensão de gelo na Antártida está mesmo a aumentar, pois o gelo marinho ocupa uma área maior que anteriormente e até bateu um recorde este Inverno. Contudo, o gelo continental, ou sobre o continente da Antártida, e o volume de gelo na sua totalidade, tem diminuído. A comparação do mapeamento do volume de gelo por satélite entre os dados recentes do Cryosat-2 e os dados do ICESAT de 2009 mostra que o ritmo de perda de gelo triplicou nos últimos 5 anos apenas.

De qualquer modo, o gelo no mar em torno do continente Antártico aumentou. Como é possível estarmos no meio de um fenómeno de aquecimento global “sem precedentes na história humana” se de facto o gelo está a aumentar?

A EXTENSÃO de gelo, em redor do continente Antártico, de facto aumentou, como acontece todos os Invernos, e este Inverno até bateu um recorde. A área que o gelo ocupa é realmente maior, e este facto, tal como explicado pela NOAA (Administração Nacional para os Oceanos e Atmosfera pelo governo dos EUA), parece estar relacionado exactamente com o aquecimento global. A explicação até é baseada em física muito simples e a ciência climática é muito interessante e rica em informação quando vai além do debate que caracteriza a “política”. O que acontece, e como explicado pelo National Snow and Ice Data Center aqui, por Climate Progress aqui, pela Skeptical Science aqui, e por Sam Carana do Arctic News aqui, é que as águas mais quentes do fundo do oceano derretem o gelo junto à costa da Antárctida e essa água derretida esfria a camada funda do oceano, criando mais condições para a formação de mais gelo. Os padrões do vento também se alteraram devido às alterações climatéricas e os registos meteorológicos indicam ventos fortes do sul sobre o Mar de Weddell em meados de Setembro (fim do Inverno lá em baixo, fim do Verão cá em cima no Hemisfério Norte), estendendo a área de gelo marinho. A água resultante do derretimento do gelo do continente Antárctico poderá igualmente ter tido um papel nisto tudo, pois é mais fresca, tornando a água do mar à sua volta menos densa. Esta água menos densa e perto do ponto de congelamento espalha-se em torno de todo o continente da Antárctida e à superfície, ficando em contacto com o gelo com o qual pode congelar outra vez.

Como sabemos, e podemos ter tanta certeza, que o gelo na Antárctida tem diminuído a um ritmo cada vez maior?

O Cryosat-2 orbita a 700 kilómetros sobre a superfície da Terra e possui um altímetro que permite efectuar medições muito precisas da grossura do gelo no Ártico, na Gronelândia e na Antártida. Imagem de: http://www.lahistoriaconmapas.com

O Cryosat-2 orbita a 700 kilómetros sobre a superfície da Terra e possui um altímetro que permite efectuar medições muito precisas da grossura do gelo no Ártico, na Gronelândia e na Antártida.
Imagem de: http://www.lahistoriaconmapas.com

Alterações na elevação do gelo da placa de gelo da Antárctida são medidas através de altimetria por laser e por radar. Um novo satélite por radar, “Cryosat-2” foi colocado em órbita recentemente, equipado com uma resolução muito maior de altimetria por radar que usa técnicas de combinação de radar complicadas (interferometria de radar) de modo a aumentar a resolução horizontal até 250m enquanto permitindo medições precisas de alterações tão pequenas quanto apenas alguns centímetros.

Mapa Gelo Antártida

O aquecimento global não é uma farsa. Mas através do debate e da opinião e até da mesquinhez e dos interesses financeiros, pode bem passar por uma. Apenas a curiosidade, a pesquisa e a partilha podem mudar a cultura humana em direcção a uma sociedade menos ignorante e mais participativa.

Standard