temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016 parecem indicar um desaparecimento do inverno
Robertscribbler

Rumo ao Desinverno Ártico

Muitos chamam-lhe “global weirding”. Mas “weird” (estranho) mal descreve o que está acontecer no Ártico agora. Para a consternação de alguns, adverti que o processo a que estamos a assistir agora é o início de uma espécie de morte do inverno que irá certamente acontecer se não pararmos de queimar combustíveis fósseis em breve. Mas poderíamos também chamar-lhe desinverno. Ou desinvernamento. O que quer que lhe queira chamar, e independentemente da sua tendência inicial ser minimizá-lo ou anunciá-lo do monte mais alto, o que está a acontecer no Ártico neste momento não tem precedentes e é um pouco mais do que ligeiramente assustador.

Perda de Gelo do Mar Como o Início do Desinvernamento Ártico

O Oceano Ártico perdeu grande parte de sua cobertura de gelo durante o verão nos últimos anos. Oceanos mais escuras refletem menos raios solares. E mais calor é transferido para a superfície da água. À medida que o verão vai dando lugar ao outono, este carregamento de energia adicional cria uma barreira de calor latente para o recongelamento do gelo. Sem sua cobertura de gelo habitual, o oceano, então, ventila este calor para o ambiente do Ártico — mantendo as temperaturas do ar anormalmente quentes, aumentando o conteúdo de vapor de água e engrossando a atmosfera do Ártico.

Nos últimos anos, este processo tem gerado o poderoso aquecimento de inverno a que chamamos amplificação polar. Tem perturbado a Corrente de Jato e contribuído para outras alterações nos padrões climáticos globais. Mas o outono de 2016, até ao momento, já viu alguns dos piores exemplos deste aquecimento relacionado com a mudança climática das regiões congeladas do mundo.

Calor Atual do Ártico é Inédito
temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016

Desvio de temperatura para todo o Ártico excedeu 6ºC acima da média para três dos quatro últimos dias. O atraso da progressão normal de arrefecimento de outono para o inverno está um mês ou mais atrás do habitual para esta região do nosso mundo. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer

Hoje, a temperatura acima do Círculo Ártico tem uma média de 6,21 graus Celsius acima da média. Grandes áreas locais estão a ver temperaturas na faixa de 15 a 20 graus Celsius acima da média com picos locais mais elevados. Além da linha de latitude 80 graus norte, as temperaturas são atualmente de cerca de 12 graus Celsius acima da média. O resultado é que a maioria dos lugares do Ártico estão a cerca de 25 a 40 dias atrás da linha de tendência de arrefecimento média, e as temperaturas são mais uma reminiscência de final de setembro ou início de outubro do que de início de novembro.

Níveis Mínimos Recorde de Gelo São Igualmente Extremos

Não só está o calor adicionado ao oceano a provocar um aquecimento excecional na atmosfera do Ártico, como está também a gerar um ciclo de retroalimentação de auto-reforço com desvios recorde de gelo marítimo mínimo que têm piorado a cada dia que passa. Segundo a JAXA, as extensões de gelo marítimo atuais do Oceano Ártico são agora 710.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde mínimo anterior, estabelecido em 2012. Trata-se de uma área maior que o estado do Texas. Mas quando se compara este novo mínimo recorde relativamente às médias observadas na década de 1980, já se perdeu uma região do tamanho do Texas, Alasca e Califórnia combinados.

Extensão do gelo no Ártico a 1 novembro de 2016

Extensões de gelo marítimo do Ártico de 7,03 milhões de quilómetros quadrados a 1 de novembro de 2016 são aproximadamente iguais aos mínimos de gelo marítimo de finais de verão durante a década de 1990. Tanto oceano aberto está a ter um efeito dramático de aquecimento na atmosfera ártica durante o outono de 2016. Fonte da imagem: JAXA

Todo este oceano a descoberto a despejar calor para a atmosfera está a ter um efeito marcante. De tal forma que está a produzir estas temperaturas extremas ao mesmo tempo que gera um ciclo auto-sustentável que impede o recongelamento.

Nos últimos dias, o calor no Ártico criou uma situação em que as taxas de recongelamento do oceano têm-se basicamente movido para o lado no gráfico. Isto originou um bem-merecido alarido por parte de especialistas de clima e do Ártico em toda a rede. Bob Hensen no WeatherUnderground recentemente twittou: “o Oceano Ártico parece ter-se esquecido de que é suposto estar a recongelar neste momento.” Para o qual o estudante de PhD Zack Labe respondeu: “é uma loucura… os dados diários mostram a linha rasa recente.” Enquanto isso, o fórum do Arctic Sea Ice basicamente enlouqueceu por causa do comportamento muito estranho do gelo do mar neste outono.

Será que vai continuar? OSEN a Somar à Tendência de Transferência de Calor

Quanto tempo irá esta contenda viciosa continuar a durar é uma incógnita. Em última análise, resume-se à quantidade de calor que o Oceano Ártico já absorveu e a quanta energia ainda está a ser transferida nessa direção. Com a La Niña a formar-se no Pacífico, a transferência de calor oceânico e atmosférico para o Ártico tenderia a aumentar. E poderemos muito bem estar a assistir agora a uma espécie de aperto de mão do tipo teleligação entre a amplificação polar e o ciclo OSEN.

Para este ponto é importante notar que o mais recente grande pulso de calor no Ártico começou com o poderoso El Niño de 2015-2016. E esta transferência de calor relacionada com a habitual variabilidade natural é provável que continue a aumentar as escalas de quantidade de calor no Ártico 2017 adentro, e possivelmente até 2018. A questão neste caso é se o aquecimento relacionado com as alterações climáticas está a ser fortalecido por este fluxo periódico rumo a um novo ponto de viragem. E do ponto de vista deste outono, as coisas não parecem muito boas para o Ártico.


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Traduzido do original
Drifting into Arctic Un-Winter
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de novembro de 2016.

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Mudança climática abrupta e fora de controlo, emergência climática
Paul Beckwith

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

o sistema climático está a entrar numa espiral fora de controlo, ameaçando a nossa sobrevivência na Terra (…) os lideres dos governos por todo o planeta têm que declarar uma emergência climática. – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

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A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, laboratório de Paleoclimatologia. O que vou fazer neste vídeo é estruturar o caso de que estamos numa emergência de mudança climática. E então vou mostrar, construir o caso científico, a mostrar como o nosso sistema climático está a mudar em 2016 e porquê, cientificamente, estarmos numa emergência quanto à mudança climática. Temos que declarar isto, politicamente, numa base global. E depois, como lidamos com este problema? Precisamos de implantar as técnicas de sobrevivência do banco alto de três pernas… logo que possível, numa base de emergência. Primeiro, o que vou fazer é construir o caso para a emergência, e depois irei discutir, brevemente, algumas das coisas possíveis que temos que fazer.
Então, a nossa combustão de combustíveis fósseis aumentou. Também aumentámos as transformações resultantes do uso dos solos: menos floresta, mais áreas urbanas e agricultura. Portanto, os nossos níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar rapidamente e a uma taxa cada vez maior. Uma taxa exponencial. A terra está a aquecer rapidamente, e por isso estamos a obter um rápido declínio na cobertura de neve e no gelo marinho do Ártico. E estamos a ver um derretimento mais rápido da calota de gelo da Gronelândia. Portanto, as superfícies do Ártico, por toda a região do Ártico, estão a ficar mais escuras, estão a absorver mais luz solar.
isto está a fazer com que as regiões do Norte aqueçam mais rápido que a média global, 5 a 8 vezes mais. Isto diminui a diferença de temperatura entre o Ártico e o Equador, e menos calor move-se do equador para o pólo, na atmosfera e nos oceanos. 2/3 vai para a atmosfera e 1/3 vai para o mar.
Na atmosfera, as Correntes de jato estão a abrandar, a tornarem-se mais onduladas e frequentemente emperradas, fazendo com que os eventos climáticos extremos sejam mais frequentes, mais intensos, que durem mais tempo e que ocorram onde nunca costumavam acontecer.
Nos oceanos, estamos a ver aquecimento e estratificação e acidificação, o que está a matar a vida marinha por toda a cadeia alimentar, começando na base da cadeia alimentar. Está a reduzir a oxigenação e a mistura vertical nos oceanos. A Corrente do Golfo está a abrandar, e também estamos a ver aumento do nível do mar, que está a começar a inundar as linhas costeiras.
O sistema climático da Terra tem muitos componentes diferentes. Temos a hidrosfera, a litosfera, temos as influências humanas, somos parte da biosfera, os humanos são parte da biosfera, temos a atmosfera, claro, e temos a criosfera, os mantos de gelo e assim. Portanto, temos estes cinco principais componentes, temos os gases de efeito estufa na atmosfera, temos o input solar a entrar no sistema, se algo muda, reflete-se nos restantes e muda outras coisas. Precisamos de considerar a Terra como um sistema climático, e ver como os diferentes componentes estão a mudar.
Fiz um número de vídeos alguns dias atrás, e mesmo em poucos dias as coisas pioraram significativamente. Portanto, toda a região do Ártico está 7,23ºC mais quente que o normal. Isto é a anomalia. A maioria do calor está no Ártico, apesar de também estarmos a obter anomalias de calor maciças, anomalias da temperatura de até 20ºC no Ártico, e 10 a 15ºC na América do Norte. O único local frio é na Sibéria, e isso está a dissipar-se.
Portanto, todo o sistema climático está desorientado. Não há outra maneira de o colocar, está mesmo a atuar de forma estranha. O que está a acontecer é que, há uma equalização da temperatura em latitude. As latitudes mais elevadas estão a aquecer tanto, que estamos a obter uma equalização da temperatura, o que muda os padrões meteorológicos e o clima, por todo o planeta. Isto é outro ponto de vista e podemos claramente ver a zona fria da Sibéria aqui, as zonas muito quentes no Ártico e sobre o este dos estados Unidos, e temos regiões mais frias na zona Oeste da América do Norte.
E então, estamos a ver um quebrar dos padrões climáticos estáveis, ao longo da latitude, por todo o globo. estamos a obter estas áreas tipo aos remendos, onde temos áreas quentes e áreas frias, e áreas quentes e áreas frias, e nessas áreas, por haverem grandes diferenças de temperatura ao longo de pequenas distâncias, por exemplo entre aqui e aqui, isto causa ventos muito fortes e muita actividade de tempestades.
Vejam os oceanos, os oceanos estão a refletir aquilo que a atmosfera está a fazer. O Atlântico Norte, todas estas regiões estão mais quentes do que o normal, o Ártico está muito quente, especialmente no lado do Atlântico Norte, e também no lado do Pacífico e do estreito de Bering. Recentemente tivemos uma zona muito fria a sul da Gronelândia, agora temos esta zona muito fria no Pacífico Norte. Portanto, estamos a obter um comportamento muito invulgar, na atmosfera e nos oceanos, devido aos processos de transferência de calor, do calor do Equador para o Ártico, estão a mudar completamente.
Os gases de efeito estufa metano e CO2 são os mais importantes de entre os que estão a aumentar rapidamente. A água também está a aumentar, o vapor de água, é um feedback do sistema climático, mas estamos a romper a escala, se formos atrás quase um milhão de anos, estamos a romper a escala com estes dois gases de efeito estufa.
Fiz menção e vou reiterar a importância disto. Isto é muito importante: O CO2, este ano, é esperado que suba entre 4 e 5 partes por milhão; fora da escala. Portanto, o CO2 está a aumentar rapidamente. O metano está a aumentar extremamente rápido, principalmente no Ártico; irei discutir isso mais à frente. O óxido nitroso também está a aumentar rapidamente.
Estas são as taxas de mudança para este ano, e estes são o aumento da acumulação em geral. A coisa preocupante aqui é que, o aumento atmosférico é esperado que seja de entre 4 e 5 ppm este ano, mas… as emissões de CO2 pelos humanos é esperada que seja semelhante ao último ano, a qual foi semelhante aos anos anteriores. Portanto, nos últimos quatro anos elas nivelaram, mas isto são muito más notícias, se estes dados estiverem corretos. Quer dizer, é ótimo que o planeta se esteja a juntar e a cortar nas emissões, mas são muito más notícias que os níveis atmosféricos ainda estejam a aumentar tão rápido. Isto parece indicar que os dissipadores de carbono globais estão provavelmente a falhar, e os reservatórios globais maiores são a floresta da Amazónia…
Estamos a perder muito da floresta devido à seca e aos incêndios, estamos a perder muito da floresta boreal devido a incêndios. Mais de 100 milhões de árvores, creio, que estão a morrer por toda a América do Norte, devido a pestes e secas, tipo os stresses hídricos, temperaturas muito elevadas. O oceano está a ficar estratificado e a aquecer, logo não está a absorver tanto CO2, não há tanta mistura vertical logo há menos CO2 a, fisicamente, ser dissolvido na água, a temperaturas mais elevadas. Também há menos fitoplâncton a crescer por haver menos mistura vertical.
Portanto estamos a ver todos estes efeitos de feedback em cascata, que estão a tornar-se extremamente sérios, e não podem ser ignorados. Portanto, as temperaturas médias de superfície estão a escalar a pique em 2016; estão a romper com a escala. Se isto não é uma emergência climática, não sei o que o será. Se isto não move as pessoas para a ação, não sei o que o fará.
Isto é fevereiro deste ano. Corrigi os números. Estamos basicamente a 1,95ºC, portanto quase 2C acima dos níveis pre-industriais, em termos de temperatura, sendo pre-industrial 1750. Portanto, fevereiro a sair do gráfico, março, a sair do gráfico.
Isto é completamente devastador, o gelo marinho do Ártico e a cobertura de neve. estes são os modelos do IPCC, a média e o desvio padrão dos modelos, e isto são o que as observações estão a mostrar. Portanto, vamos olhar em mais pormenor para aquilo que o gelo marinho está a fazer. Então, estes dados estão atualizados… de muito recentemente, e estamos a ver um declínio exponencial. Isto são diferentes representações exponenciais, portanto, estamos a ir para zero… por volta de 2020, digamos 2022 ou assim, de acordo com estes dados.
Não é apenas setembro, que é o mínimo, aquilo que está a ser reduzido. Isto é setembro, depois outubro e agosto estão a escalonar. E os dois meses seguintes estão a escalonar, e por aí em diante. Todos os meses estão a cair, e o que vemos agora em outubro e novembro de 2016 é que aquelas curvas em particular, naqueles meses em particular, estão a convergir, estão a cair ainda mais rápido do que o mínimo de setembro. Estamos sempre a descobrir novos fenómenos a acontecerem na mudança climática, estamos a vê-lo acontecer em tempo real.
Esta é a extensão do gelo marinho no Ártico. Há dois dias atrás, no vídeo, a curva parecia bastante diferente. Se compararem esta curva agora, estamos de facto a vê-la nivelar; estamos de facto a ver a extensão do gelo marinho a cair. 50.000 num dia, e creio que 146.000 ou algo, no outro dia. Simplesmente nunca tínhamos visto isto antes. O gelo marinho tenta crescer e estender-se, mas está a ser quebrado pela ação das ondas, e temperaturas muito quentes da água, e pelas temperaturas elevadas localizadas que invadem no Ártico, e as enormes anomalias das temperaturas, de 20ºC ou 36ºF acima do normal para esta altura do ano.
Portanto, isto é a temperatura da região do Ártico a 80º Norte, e esta curva está ainda pior do que há uns dias atrás. Vejam este pico aqui, isto é incrível. Isto é inédito. Então, esta temperatura, para este ano, em comparação com a média a longo prazo, está cerca de 20ºC acima da média. É essencialmente verão no Ártico neste momento, em novembro. Isto devia ser notícia de primeira página por todo o mundo, de estar a começar a fazer parte de alguns dos principais jornais e publicações online, mas… eles simplesmente não entendem, simplesmente não entendem que as suas vidas e as vidas dos seus filhos e qualquer futuro para os humanos neste planeta estão a ser ameaçados pelo que estamos a ver aqui. Estamos a entrar por território muito desconhecido onde o nosso suprimento alimentar vai ficar severamente stressado. Quero dizer, isto simplesmente surpreende-me completamente, surpreende qualquer climatologista. Devía surpreender toda a gente. E vai, em breve.
Na Antártida, a queda abaixo da média a longo prazo e da variação está a acelerar. Estamos muitos desvios padrão abaixo e estamos a descer mais a pique, enquanto há apenas alguns anos atrás estávamos com quantidades recorde. Tudo isto é indicativo da estranheza global, ou estranheza climática.
Este é um dos gráficos mais assustadores porque se juntarmos a área do gelo marinho global, do Ártico e Antártida, estamos a nivelar aqui. Estamos a fugir do gráfico, estamos a nivelar, e isto é… é inédito. Isto é o que o gelo se parece num mapa. Portanto, a linha vermelha é a norma, a média, entre 1981 e 2010 em ambos os casos… …a linha amarela. Portanto, estamos a perder enormes quantidades de gelo marinho no Ártico e na Antártida. E até há enormes falhas na Antártida, aqui, o que também é muito surpreendente, muito invulgar.
Isto é a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico em outubro, e podemos ver como estamos a cair do precipício aqui. Há muitas formas de se olhar para estes dados; esta é outra perspectiva de outubro, a comparar outubro de 1979 a 2016, e caímos de um precipício aqui.
Ou podemos falar da espiral de morte do gelo marinho do Ártico. E então, o que estamos a ver é… os anos são aqui, ao longo do eixo radial, até 2016, e cada curva é um mês diferente do ano, sendo setembro a preta, e depois os meses de outubro e agosto a escalonarem. Quando isto for em direção ao zero… bem, eu esperaria que isto fosse para o zero, a linha preta, digamos em 2020, e depois as outras duas linhas a irem para o zero por volta de 2022, e depois estas duas linhas seguintes por volta de 2024, e depois todas estas linhas a irem para zero por volta de 20… 2030, e então, praticamente não teremos gelo marinho no Ártico, durante todo o ano, estaremos num clima muito mais quente, quem sabe, as temperaturas médias globais poderiam ser 5C, 6C mais quentes do que agora…Recolher Transcrição[/expand]

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Extensão do gelo marinho 2012-2016
Sam Carana

O Gelo Marinho Está a Encolher

Extensão do gelo marinho no Ártico a cair novembro 2016

A extensão do gelo marinho caiu 0,16 milhões de km² de 16 de novembro a 19 de novembro de 2016, como ilustrado pela imagem ads.nipr.ac.jp/vishop acima. A imagem abaixo, com base em dados da NSIDC, mostra o gelo do mar no Ártico a encolher 49.000 km² em quatro dias.

Extensão do gelo marinho entre 16 e 20 de novembro de 2016

Isto está a acontecer num momento em que há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Árctico, como ilustra a imagem abaixo.

Insolação no Ártico em função do mês do ano e latitude

A imagem abaixo foi criada por Torstein Viddal, anteriormente publicada no blogue Arctic Sea Ice Collapse.

Extensão do gelo marinho 2012-2016

Gelo Marinho do Ártico – A extensão média anual, pela JAXA está a cair 23086 quilómetros quadrados por semana. Se continuar assim, os primeiros 365 dias sem gelo iriam começar em janeiro de 2024.

Ventos fortes no Ártico quebram o gelo marinhoEsta queda recente na extensão é em parte devido a ventos fortes, como ilustrado pela imagem à direita.

Acima de tudo, porém, a falta de gelo marinho sobre o Oceano Ártico é causada pela água muito quente que está agora a chegar ao Oceano Ártico.

Durante o verão do hemisfério norte, a água ao largo da costa da América do Norte aquece e é empurrada pela força de Coriolis em direção ao Oceano Ártico. São precisos vários meses para a água viajar ao longo da Corrente do Golfo através do Atlântico Norte.

Durou até agora o Oceano Ártico ter que suportar o peso deste calor.

Como a imagem abaixo mostra, anomalias recorde na superfície do mar apareceram perto de Svalbard a 31 de Outubro de 2016, quando o calor chegou pela primeira vez ao Ártico.

Temperaturas do mar elevadas no Ártico

A 31 de outubro de 2016, o Oceano Ártico estava tão quente quanto 17°C ou (círculo verde perto de Svalbard), ou 13,9°C mais quente do que 1981-2011. Isto indica o quão mais quente a água está abaixo da superfície, quando chega ao Oceano Ártico a partir do Oceano Atlântico.

Além disso, o gelo marinho da Antártida também está a cair, refletindo o aquecimento dos oceanos em todo o mundo. Há já algum tempo que a extensão do gelo marinho na Antártida tem estado num valor baixo recorde para a época do ano. A 19 de novembro de 2016, a extensão do gelo marinho do Ártico e Antártida combinados foi de 22.423 milhões de km², como a imagem abaixo mostra.

Gelo marinho global, Ártico e Antártida combinados

Trata-se de uma queda na extensão do gelo marinho mundial de 1.085 milhões de km² (418,900 milhas quadradas) desde 12 de novembro de 2016, quando a extensão global do gelo marinho foi de 23.508 milhões de km².

Vamos olhar para esses números novamente. No sábado, 12 de novembro de 2016, a extensão global do gelo marinho era de 23.508 milhões de km². No sábado, 19 de novembro de 2016, a extensão global do gelo marinho era de 22.423 milhões de km². Isso é uma queda de mais de um milhão de km² numa semana.

Em comparação, isso é mais do que o tamanho combinado de dez países europeus (como a Suíça, Áustria, Hungria, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Reino Unido e Irlanda).

Ou, é mais do que o tamanho combinado de dezassete estados dos Estados Unidos (como Ohio, Virginia, Tennessee, Kentucky, Indiana, Maine, Carolina do Sul, West Virginia, Maryland, Havaí, Massachusetts, Vermont, New Hampshire, Nova Jersey, Connecticut, Delaware e Rhode Island).

Quanta energia adicional a Terra retém, devido a uma tal mudança albedo? Foi um virar total do albedo, seriam alguns 0,68 W / m². Uma estimativa conservadora seria uma mudança do albedo de 50%, conforme a imagem abaixo ilustra, de modo que isso significaria que a Terra agora mantém algumas 0,34 W / m² energia extra.

O gelo marinho espesso coberto de neve pode refletir tanto quanto 90% da radiação solar incidente. Após a neve começa a derreter, e por as lagoas rasas da fusão do gelo terem um albedo (ou refletividade) de aproximadamente 0,2 a 0,4, o albedo da superfície cai para cerca de 0,75. Como lagoas do derretimento crescem e tornam-se profundas, o albedo da superfície pode cair para 0,15, enquanto que o oceano reflete apenas 6% da radiação solar incidente e absorve o resto.

Diminuição do Albedo - reflexão da radiação solar pelo gelo

O Albedo é o efeito de reflexão da luz solar. Com o derretimento do gelo e da neve, diminui o efeito de Albedo e a quantidade de superfície escura e absorvente de calor é maior. 90% da radiação solar é reflectida pela superfície da água quando coberta de gelo e neve, mas apenas 6% é reflectido após o gelo derreter e a água encontrar-se a descoberto.

E então, esta queda numa semana da extensão do gelo do mar significa que há agora é um aquecimento adicional de cerca de 0,34 W / m². Em comparação, o impacto do aquecimento em relação ao ano de 1750 de todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas foi de 1,68 W / m² no mais recente relatório de avaliação do IPCC (AR5).

E mais! À medida que o há um declínio do gelo do mar, não há apenas uma perda de albedo devido a uma diminuição na extensão, como há também a perda de albedo no restante gelo do mar, que fica mais escuro à medida que derrete.

A imagem abaixo mostra a queda na extensão do gelo marinho da Antártida até 20 de novembro de 2016. A 20 de novembro de 2016, a extensão do gelo marinho da Antártida era 2.523.000 km² menor do que o era na mesma altura do ano em 2015.

Perda de gelo marinho na Antártida novembro 2016

Quanta mais energia está agora retida na Terra do que em 2015? Assumindo uma variação do albedo de 50% para esta perda na extensão do gelo e uma perda de albedo semelhante que está a ter lugar sobre o gelo restante, isto significa que a Terra está agora a reter uma quantidade extra de energia (em relação a 2015) que é igual a todo o aquecimento relativo ao pré-industrial devido ao dióxido de carbono emitido pelas pessoas.

Gelo marinho na Antártida 2015 - 2016

Entretanto, a diferença entre 2016 e 2015 tem ficado cada vez maior, como ilustrado pela imagem acima. A 23 de novembro de 2016, na Antártida, a extensão do gelo marinho estava 2.615 milhões km² mais pequeno do que a 23 de novembro de 2015.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


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Traduzido do original Sea Ice is Shrinking de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 20 de novembro de 2016, atualizado a 26 de novembro de 2016.

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Anomalia da extensão gelo marinho Ártico, Antártida e Global 2016
Robertscribbler

De Pólo a Pólo, Os Valores Globais do Gelo Marinho Estão a Cair

Durante o ano quente recorde de 2016, tanto as extensões do gelo marinho do Ártico como da Antártida levaram uma forte tareia.

O calor extremo no Ártico ajudou a produzir as perdas principais de gelo ali. Valores que começaram em janeiro com 1 milhão de quilómetros quadrados abaixo da média têm vindo a diminuir de forma estável à medida que os meses avançaram para perto de 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média. Enquanto isso, a Antártida — que começou o ano com valores de extensão do gelo do mar próximos da média — viu perdas significativas à medida que a região ficava anormalmente cada vez mais quente durante a primavera austral. Hoje, os valores de extensão do gelo marinho ao redor da Antártida estão agora também mesmo à beira dos 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média.

Anomalia da extensão gelo do mar Ártico, Antártida e Global 2016

Zachary Labe, um dos cientistas do clima norte-americanos mais bem reconhecidos, produziu este gráfico baseado em valores dos volumes do gelo marinho globais, do Ártico e da Antártida, pela NSIDC. Como se pode ver, a extensão de gelo marinho global durante o ano mais quente já registado tem vindo a cair de forma estável, para perto de 4 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média, à medida que os meses progrediram. Fonte da imagem: Figuras do gelo do mar de Zack Labe. Fonte de dados: NSIDC. Também podem acompanhar o feed informativo do twitter do Zack aqui.

No total, a cobertura global do gelo do mar é agora de cerca de 3.865.000 quilómetros quadrados abaixo da média.

Se você acha que esse número soa a muito grande, é porque é mesmo. Representa uma região de gelo perdido com quase 40 por cento do tamanho da área de terra e água de todo o Estados Unidos, incluindo Alasca e Havaí. Para visualizá-la de outra forma, imaginem toda a área de terra do Alasca, Califórnia, Texas, Montana, Arizona e Novo México combinados e começarão a perceber a essência.

Cobertura de Gelo Marinho – Um Importante, Mas Complexo Indicador Climático

Muitos especialistas do clima têm visto o gelo do mar como uma espécie de mudança climática do canário na mina de carvão. O gelo do mar encontra-se sobre os oceanos em aquecimento e sob uma atmosfera em aquecimento. E estes oceanos estão agora a receber a maior parte do calor que está a ficar preso na atmosfera pelas emissões de combustíveis fósseis. As superfícies do oceano em aquecimento têm um valor de calor específico mais elevado do que o ar e esta maior capacidade energética total em regiões em aquecimento gera um golpe substancial na cobertura de gelo, mesmo se a variação inicial da temperatura da superfície da água seja apenas moderada.

Uma vez que o gelo do mar tiver desaparecido durante um período significativo, uma espécie de ciclo de feedback entra em jogo em que as superfícies escuras do oceano prendem mais raios do sol durante o verão polar do que quando com a cobertura de gelo branca — que refletia anteriormente a radiação de volta para o espaço. Este calor recém-absorvido é então re-irradiado de volta para a atmosfera local durante o outono e inverno polar — criando uma barreira de inércia para a reformação do gelo e, finalmente, gerando um grande salto nas temperaturas sazonais da superfície do oceano e atmosféricas.

Temperaturas elevadas em relação à média de 11C no Ártico

Aquecimento altamente pronunciado da superfície do oceano juntamente com invasões de ar quente parecem estar a gerar as perdas extremas de gelo do mar que se vê agora no Ártico. O Mar de Barents, mostrado acima, tem visto um aquecimento particularmente extremo. Note-se a zona quente com 11ºC acima média perto da zona de borda do gelo do mar. Na Antártida, as causas das perdas permanecem incertas. Contudo, o aquecimento atmosférico e as mudanças nos ventos circumpolares parecem estar a produzir esse efeito, mesmo quando águas superficiais um pouco mais frias do que a média permanecem no local — possivelmente devido à ressurgência do Oceano Antártico relacionada às tempestades e ao aumento das saídas de água doce das geleiras da Antártida. Fonte da imagem: Earth Nullschool

Esta dinâmica é particularmente pronunciada no Ártico, onde um oceano em descongelamento rodeado por continentes em aquecimento tende a recolher prontamente o calor, mesmo quando as transferências de energia atmosféricas do sul, sob a forma de eventos de vento quente, tornaram-se mais pronunciadas. Um efeito relacionado com a influência das alterações climáticas conhecido como Amplificação Polar do Hemisfério Norte

Na Antártida, o Oceano Antártico tempestuoso gera ressurgência. Esta dinâmica tende a esfriar a superfície do oceano ao mesmo tempo que transfere o calor para o oceano mais profundo. E o aumento das condições de tempestade em torno da Antártida relacionado às mudanças climáticas podem intensificar este efeito. Além disso, as águas quentes do fundo a derreterem os glaciares de frente para o mar na Antártida produzem uma lente de água doce que arrefece a superfície e também prende o calor por baixo. Assim, o sinal vindo da Antártida em relação ao gelo do mar tende a ser mais misturado — com o aquecimento atmosférico e as mudanças nos padrões do vento a gerarem impactos no gelo do mar mais variáveis relativamente ao Ártico. Então, as perdas do gelo do mar deste ano são mais difíceis de se relacionar diretamente à mudança climática.

Zack Labe observa que:

A anomalia do gelo do mar do Ártico, contudo, encaixa-se com a presente tendência de amplificação do Ártico de estreitamento de gelo do mar e perda de gelo antigo. Para além de que tem sido bem observado na literatura anterior (ou seja, http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2010GL044136/full …) no que diz respeito às crescentes temperaturas de outono no Ártico e suas possíveis causas.

Grandes Perdas de Volume entre 2015 e 2016

Apesar das grandes perdas de gelo do mar ao redor da Antártida este outono, é no Ártico que os danos e risco de perda adicional são mais pronunciados. Particularmente, reduções no gelo plurianual mais espesso no Ártico durante 2015 e 2016 têm sido excepcionalmente graves:

Perda de cobertura e espessura do gelo do mar do ÁrticoPerda de cobertura e espessura do gelo do mar no Ártico 2016

Nas imagens acima, vemos uma comparação entre a cobertura e espessura do gelo do mar do fim de novembro, tal como previsto pelo modelo US Navy ARCC. O quadro esquerdo representa o fim de novembro de 2015 e o quadro direito representa os valores projetados para 20 de novembro de 2016. Note-se a cobertura enormemente reduzida na imagem de 2016. Mas ainda mais notável é a perda substancial de gelo mais espesso no Oceano Ártico a norte do Arquipélago Canadiano e na Gronelândia.

Estas duas imagens contam uma história de uma grande perda de volume do gelo do mar. Uma que o monitor de gelo do mar PIOMAS confirma. De acordo com PIOMAS, os valores do volume do gelo durante outubro estavam a decorrer perto dos níveis mais baixos já registados. E o calor continuado em novembro gera uma preocupação de que um período de novos níveis recordes de baixo volume possa estar a caminho.

Mas não são apenas os valores baixos recorde que devem ser uma preocupação. A localização do gelo espesso restante também é uma preocupação. Pois uma parte substancial do gelo espesso restante está situado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O vento e as correntes oceânicas tendem a empurrar o gelo para fora do Oceano Ártico e através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O gelo tende a, em seguida, a ser canalizado para baixo ao longo da costa da Gronelândia e para o Atlântico Norte, onde derrete. Então, o facto de que uma grande parte do já muito reduzido gelo espesso restante encontrar-se agora na borda da versão de gelo do mar de Niagra Falls não é um bom sinal.

Anos La Nina tendem a empurrar mais calor para os pólos

É notoriamente difícil prever com precisão as tendências de derretimento e recongelamento do gelo do mar nas várias medições sazonais para um qualquer determinado ano individual. E até mesmo muitos dos maiores especialistas do gelo do mar passaram um diabo de tempo na previsão do comportamento do gelo do mar durante os últimos anos. Contudo, uma coisa permanece bem clara — a tendência de longo prazo para o gelo marinho no Ártico é uma de rápido declínio.

Espiral de Morte do gelo do mar no Ártico Outubro 2016

Espiral de Morte do gelo do mar do Ártico por Andy Lee Robinson. Fonte da imagem: Haveland

Estamos agora a entrar numa situação em que um inverno muito quente seguido por um verão mais quente do que o normal poderia empurrar os valores do gelo do mar do Ártico para perto da marca de zero. Uma situação que poderia efetivamente desencadear um evento de oceano azul num futuro próximo. Um número de especialistas de gelo do mar proeminentes previram que é provável que tal estado será alcançado bastante cedo — no início da década de 2030 segundo as tendências actuais. Outros apontam para potenciais de perda a prazo mais curto. Mas não há praticamente ninguém agora a dizer, como foi afirmado muitas vezes durante o início da década de 2010, que um evento de oceano azul poderia ficar adiado até ao início dos anos 2050.

Tudo dito, a trajetória para 2017 para o Ártico no presente não parece muito boa. Ambos a extensão e o volume do gelo marinho estão agora em ou bem abaixo das marcas baixas anteriores para esta época do ano. O gelo espesso restante posicionado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip] gera uma desvantagem física para o gelo em geral. Além disso, a NOAA anunciou que as condições de La Niña estão agora presentes no Pacífico Equatorial. E os eventos La Niña tendem a empurrar mais calor oceânico e atmosférico em direção aos pólos — particularmente para o Ártico.

Nota: Este artigo é escrito como um seguimento da publicação anterior – Para o Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro – e elas devem ser lidas em conjunto para contexto.

Traduzido do original From Pole to Pole, Global Sea Ice Values are Plummeting, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 15 de novembro de 2016.

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Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono
Sam Carana

CO₂ Mensal a Não Menos de 400 ppm em 2016

Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões globais de dióxido de carbono de combustíveis fósseis e da indústria (incluindo a produção de cimento) quase não cresceram, como a imagem do Global Carbon Project em baixo mostra:

Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono

Contudo, os níveis de CO₂ têm continuado a subir e, como ilustrado pela tendência na imagem em baixo, poderão até ter acelerado.

Níveis de dióxido de carbono em crescimento apesar de não haver aumento das emissões

Porque têm os níveis de CO₂ na atmosfera continuado a subir apesar do facto de que as emissões da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento quase não terem aumentado nos últimos anos?

Desmatamento e outras alterações no uso dos solos

Durante a década de 2006 a 2015, as emissões provenientes do desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outra 1,0 ± 0,5 GtC (3,3 ± 1,8 GtCO₂), em média, às emissões de combustíveis fósseis e cimento representadas acima. Em 2015, de acordo com o Global Carbon Project, o desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outras 1,3 GtC (ou 4,8 bilhões de toneladas de CO₂), em cima das 36,3 bilhões de toneladas de CO₂ emitido pelos combustíveis fósseis e pela indústria. Este aumento nas emissões por desmatamento e outras mudanças no uso do solo constitui um aumento significativo (42%) sobre as emissões médias da década anterior, e este salto foi em grande parte causado por um aumento nos incêndios florestais ao longo dos últimos anos.

Por conseguinte, os níveis de CO₂ na atmosfera continuaram o seu crescimento constante. Em 2016, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm. Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 800.000 anos.

Níveis de CO2 acima dos 400ppm em 2016

Em 2016, pela primeira vez em pelo menos 800.000 anos, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm.

Enquanto sobem, os níveis de CO₂ globais flutuam com as estações do ano, normalmente atingindo a um mínimo anual em agosto. Em agosto de 2016, os níveis de CO₂ atingiram um mínimo de 400,44 ppm, ou seja, bem acima de 400 ppm. Em setembro de 2016, os níveis de dióxido de carbono tinham subido novamente, para 400,72 ppm. Importante notar, uma tendência está contido nos dados a apontar para um nível de CO₂ de 445 ppm no ano de 2030.

Sensibilidade

Entretanto, um estudo por Friedrich et al. atualiza as estimativas do IPCC para a sensibilidade ao aumento do CO2, concluindo que as temperaturas poderiam aumentar tanto quanto 7.36°C em 2100 como resultado do aumento dos níveis de CO₂.

Quando tendo outros elementos que não o CO2 mais em conta, a situação parece ainda pior que isto, ou seja, o aumento global da temperatura poderia ser tanto quanto 10°C na próxima década, como descrito na página extinção.

Sequestro de carbono em terra
Dissipadores de carbono e variação do sequestro de carbono ao longo dos anos.

Perturbação do ciclo global de carbono causada pelas atividades antropogénicas, estimadas globalmente para a década de 2006-2015(GtCO2/ano)

A imagem acima mostra também um aumento do sequestro de carbono em terra ao longo dos anos, o qual um estudo recente atribui a níveis mais elevados de CO₂ na atmosfera. Embora este aumento do dissipador de carbono em terra pareça ter travado um aumento mais forte da temperatura por algum tempo, há indícios de que este dissipador de terra já está a diminuir.

Porque é que o sequestro de carbono em terra está a diminuir?

  • Práticas agrícolas, tais como o esgotar das águas subterrâneas e aqüíferos, arar, mono-culturas e o corte e queima de árvores para criar gado pode reduzir significativamente o teor de carbono dos solos.
  • O salto recente na temperatura global parece ter danificado severamente os solos e a vegetação através de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, relâmpagos, inundações, ondas de calor, secas, tempestades de areia e incêndios florestais, e a erosão associada, transformando partes daquilo que foi uma vez um enorme reservatório de sequestro de carbono em terra em fontes de emissões de dióxido de carbono. Pior ainda, tais eventos climáticos extremos também podem levar a novas emissões, incluindo fuligem, óxido nitroso, metano, e monóxido de carbono, que por sua vez podem causar aumentos de ozono ao nível do solo, o que enfraquece ainda mais a vegetação e torna as plantas mais vulneráveis ​​a pragas e infestações.
  • Tal como um estudo de 2009 avisou, temperaturas mais elevadas também podiam causar uma redução na transpiração pelas copas das árvores, devido a estômatos das plantas menos amplamente abertos e o resultante aumento da resistência estomática em concentrações mais elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Como resultado, a cobertura de nuvens baixas está a diminuir na maior parte da superfície da terra, reduzindo albedo planetário e fazendo com que mais radiação solar alcance a superfície, e assim elevando ainda mais a temperatura para além do nível de viabilidade para muitas espécies.
Conclusão

Em conclusão, embora as emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria possam mal ter crescido, os níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar progressivamente, se não mesmo a acelerar. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos estão em ascensão e há outros fatores que contribuem para fazer com que o sumidouro de carbono em terra diminua de tamanho. Para além disso, o IPCC parece ter subestimado a sensibilidade ao aumento de CO2.

Temperaturas a aumentarem

Como resultado, não se pode esperar que as temperaturas descerão dos seus níveis actualmente muito elevados, como ilustrado na imagem abaixo.

Meses que Estiveram Acima de 1.5ºC

Esteve mais do que 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial durante 9 dos 12 meses entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Ártico, como ilustrado pela imagem em baixo, mostrando subidas da temperatura até 10.2°C no Ártico em outrubro de 2016.

Subidas da temperatura anormais no Ártico

O gráfico da DMI em baixo mostra a temperatura média diária e o clima a norte do paralelo 80, como função do dia do ano.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Comparação da temperatura média em cada dia do ano. Linha vermelha representa 2016 até 15 de Novembro. Linha verde representa a média de 1958-2002 para cada dia do ano.

Previsão para 19 de novembro de 2016: O Ártico vai estar tanto quanto 7,42ºC mais quente do que em 1979-2000, como ilustrado na imagem em baixo.

temperatura distancia-se da média no Ártico, anomalia de 7ºC

Outro reflexo de um mundo cada vez mais quente, a extensão combinada do gelo marinho do Ártico e da Antártida está atualmente num mínimo recorde. A 12 de novembro de 2016, a extensão global combinada de gelo do mar foi de apenas 23.508 mil km².

Gelo no Ártico e na Antártida com extensões mínimas para a altura do ano.

A extensão do gelo marinho no Ártico está a aumentar, onde o Inverno está a chegar, enquanto que na Antártida a extensão do gelo está a diminuir, onde está a chegar o Verão. Em ambos os polos o gelo está num recorde baixo para a época do ano.

Duas imagens, criadas por Wipneus com dados de NSIDC, foram adicionadas a seguir para ilustrar ainda mais a situação.

Extensão global do gelo do mar plurianual

A imagem acima mostra a extensão do gelo marinho global ao longo dos anos, enquanto que a imagem abaixo mostra a área total do gelo marinho global ao longo dos anos. Para mais quanto à diferença entre extensão e área do gelo, vejam esta página da NSIDC.

gelo marinho área global de ano para ano

Alguns dos resultados do dramático declínio global do gelo do mar são:

  • Enormes quantidades de luz solar que foram refletidas anteriormente de volta para o espaço são agora, em vez disso, absorvidas pelos oceanos.
  • O declínio do gelo marinho faz com que seja mais fácil que água quente do mar chegue debaixo dos glaciares e acelere o seu fluxo para a água.
  • Mais águas abertas resulta em tempestades mais fortes, provocando chuvas e continuação do declínio da cobertura de neve e gelo.
  • A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo na Gronelândia e Antártida, por sua vez ameaça provocar um aumento da libertação de metano da Gronelândia e da Antártida, como descrito em publicações anteriores como esta.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Monthly CO₂ not under 400 ppm in 2016 de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Novembro de 2016..

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Extensão do gelo do mar no Ártico em novembro 2016
PIOMAS

Atualização do Gelo do Mar no Ártico – novembro 2016 – PIOMAS

Passou mais um mês e por isso aqui está o gráfico atualizado do volume de gelo do mar do Ártico, conforme calculado pelo gelo Sistema de Modelagem e Assimilação do Oceano Pan-Ártico (PIOMAS) no Centro de Ciência Polar:

Atualização do volume dp gelo domar no Ártico - PIOMAS

Estão a ver aquela linha de tendência de 2016 simplesmente a recusar-se a subir, terminando no nível mais baixo já registado para esta época do ano? Isso é por causa disto:

Extensão do gelo do mar no Ártico em Outubro 2007 2016

O Ártico tem se recusado teimosamente a voltar a congelar anteriormente, mas este é outro evento que podemos adicionar à lista sem precedentes. Depois de ter acabado no segundo / terceiro mais baixo do registo por volta da altura do mínimo de gelo, houve um rápido recongelamento que era tradicionalmente apontado como o Fim do Aquecimento Global, mas nas últimas semanas as coisas têm estado paradas figurativamente. Quaisquer que sejam os respectivos papéis de variabilidade natural e AGW [Aquecimento Global Antropogénico], estas oscilações loucas não inspiram confiança num sistema semi-estável (e o mesmo se passa, infelizmente, com a Antártida).

recuperação da extensão do gelo do mar no Ártico entre setembro e outubroO recongelamento lento, inevitavelmente, tem um efeito sobre o volume de gelo do mar, como modelado pelo PIOMAS. Desde 1 de novembro que o volume de gelo do mar é o mais baixo no registo, mas este post cobre apenas o mês de outubro, e no final desse mês, 2016 esteve apenas marginalmente atrás 2012. Mas, com um aumento de apenas 1.648 km3 durante outubro (apenas 2007 conseguiu ter um aumento inferior a 2 milhões na última década) 2016 deixou todos os outros anos bem longe. Vejam como as diferenças em relação aos anos anteriores têm evoluído desde o mês passado.

A linha plana também pode ser vista claramente na versão da Wipneus do gráfico de volume do PIOMAS:

Volume do gelo do mar no Ártico com 1979-2001 e anos anteriores

E zau, a linha de tendência no gráfico da anomalia de volume de gelo marinho do PIOMAS aventurou-se em território do desvio padrão de 2 novamente:

Anomalia do volume do gelo do mar no Ártico

Claro que, se há menos gelo fino a aparecer nas periferias, a espessura média geral pára de descer no gráfico da PIJAMAS, com base no meu rude cálculo dos números do volume do PIOMAS dividido pelo total de medida de extensão do gelo marinho da JAXA:

Volume d Gelo Marinho em relação à extensão do gelo marinho

E como de costume, o gráfico da espessura pelo Centro de Ciência Polar mostra algo semelhante:
Comparação da espessura do gelo do mar no Ártico 1980 2016

Duvido muito que a linha de tendência de 2016 não se vá juntar às outras nos gráficos da extensão do gelo e da área do gelo antes do fim do ano, mas ainda está por ver qual será o efeito disto no resto da temporada de congelamento.

Depois de um outubro lento, 2007 registou um aumento maciço durante novembro. Vamos a ver se vai ser o mesmo para este mês. A extensão do gelo está a crescer rapidamente outra vez:

Extensão do gelo do mar no Ártico em novembro 2016

Estou a fazer uma pausa nos blogs, mas vou tentar continuar a fazer as atualizações mensais do PIOMAS. Considerem isto um fio aberto.

Traduzido do original PIOMAS November 2016, publicado por Neven em Arctic Sea Ice Blog a 8 de novembro de 2016.

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Gelo do mar no Ártico em recuperação difícil
Paul Beckwith

Gelo do Mar no Ártico em Recuperação Difícil Sem Precedentes

“A recuperação do gelo do mar no Ártico está fod… este ano. Na realidade, é uma situação verdadeiramente horrível.” – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Arctic Sea Ice Regrowth Is Eff’d This Year, Parts 1 and 2 de Paul Beckwith publicado a 6 de Outubro de 2016.

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-gelofod”]

Gelo do Mar no Ártico em Recuperação Difícil Sem Precedentes

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com o Laboratório para a Paleoclimatologia da Universidade de Ottawa.
O nosso sistema climático está claramente a passar por mudanças abruptas de momento. Em nenhum outro lugar isto é tão óbvio como no Ártico, O Ártico está a ficar cada vez mais escuro, estamos a perder cobertura de neve principalmente na Primavera, estamos a perder gelo do mar, está a ficar mais escuro e esta região mais escura está a absorver muito mais radiação solar e a causar uma amplificação enorme da temperatura.
O mínimo de gelo do mar do Ártico, o qual acontece, normalmente, em meados de Setembro, ocorreu este ano, foi o segundo mais baixo do recorde — 2016 é a linha azul, comparado com o recorde mínimo de 2012 — e pode-se ver que… O que está a acontecer agora, contudo, no início de Novembro, vimos o gelo a retomar muito bem a forma em 2012, embora muito mais baixo do que a média… a média a longo prazo, ou o desvio padrão, que estava muito abaixo dessas curvas, mas agora estamos a ver que o gelo não se está a formar de forma apropriada. O que se passa é que o gelo do mar tenta crescer, vai de encontro às temperaturas extremamente altas da superfície do mar, e basicamente é impedido.
Olhem para a trajetória desta curva, onde… Tem ocorrido sempre, nos últimos anos, mais e mais e mais destes efeitos inesperados, inesperados para a maioria das pessoas, para a maioria dos cientistas climáticos, mas não inesperados para mim, na realidade. Sabem, tenho vindo a estudar este tipo de coisas há já muito tempo, tentando conectar todas as peças do sistema climático, e não existem pessoas suficientes para fazê-lo. Temos um mundo de especialistas, precisamos que as pessoas olhem para o quadro todo para juntar as peças todas.
Deixem-me dizer o que se passa aqui. Vamos dar uma olhadela a alguns dos detalhes. Este é o mínimo de 1981 a 2010; extensão de gelo no valor mínimo; isto foi o que aconteceu em 2007, a linha azul. 2012: esta linha aqui. E o gelo que vemos aqui foi o que aconteceu em setembro de 2016. Estamos a sair de um ano relativamente baixo. O que é diferente neste ano é que o gelo é muito mais fino do que era, quase não há gelo de anos anteriores. E o gelo espesso que normalmente estaria … ao longo do Arquipélago Canadiano já não existe. O gelo não está rijo e como resultado o gelo pode passar pelo Arquipélago Canadiano. Este é outro fenómeno novo que aconteceu este ano.
Isto mostra as temperaturas da superfície do mar. A anomalia de temperatura de superfície do mar para 4 de novembro de 2016. A anomalia é a diferença em relação à média de longo prazo. O que se pode ver é zonas de água muito quente aqui. Zonas de água muito muito quente. E se olharmos para cima, especificamente no Ártico… Isto é o contorno do gelo…. A água está extremamente quente a toda a volta. De facto, estas regiões aqui estão 8ºC mais quentes que o normal. Esta vasta região… todo este vermelho está acima de 1ºC… varia entre 1ºC a cerca de 8ºC mais quente que o normal. Está a circundar o gelo. Claro que, à medida que o gelo se tenta expandir, a extensão de gelo marítimo está a ser cortada, está a ser derretida… chega a águas muito quentes…
Isto é a temperatura à superfície, também está quente em baixo, conforme se desce em profundidade e combinado com grande atividade de ondas, que mistura a água… conforme a temperatura de superfície do mar desce, devido à irradiação do calor para o espaço – a radiação de onda comprida… por haver mistura, a água quente à superfície é substituída por água quente de baixo e o processo repete-se. Assim, o gelo está confinado… Até que aqueça toda aquela água, a coluna de água não se irá formar devidamente. Se olharmos para…. Se voltarmos aqui atrás, e se olharmos para as temperaturas reais… Então, isto são as temperaturas à superfície do mar, não é a anomalia… E se olharmos para este região do Ártico… Porque o ponto de congelamento da água do mar é cerca de -1,8ºC, se subirmos acima disso ela começa a derreter, dependendo de… Porque a maior parte é gelo de primeiro ano, por isso a salinidade desse gelo não será de 35 partes por milhar, será algo como 10 ou 15… Por isso estará a derreter… algures entre 0 e -1,8ºC, provavelmente -1ºC, estará a derreter. Se olharmos para esta região azul aqui – isto é onde está o gelo, – aqui… isto é a água de superfície, mas a água em baixo está mais quente, como vos irei mostrar. Essa é uma característica do Ártico.
Então, o que está a acontecer em termos de temperaturas médias na atmosfera… O que se está a passar aqui é… Isto é a norma de longo prazo. E isto é onde estamos neste ano. Assim, muito mais quente do que o normal aqui. E em vez de começar a cair, como normalmente seria de esperar, está a estender-se numa zona muito elevada. Há medida que formos para fora… Ok, houve aqui um fundão, mas começou a recuperar aqui. Se seguirmos esta tendência para baixo; isto é muito invulgar este ano. No ano mínimo de 2012, houve alguma extensão aqui… Alguma flutuação aqui… Mas não como estamos a ver agora. Se formos para 2007, uma coisa semelhante… Nos últimos anos, pode-se ver uma extensão sobre esta curva verde, em ambos os lados, mas esta extensão está muito… Está mais pronunciada. E especialmente esta subida aqui, aquilo que se está a passar aqui.
Então… Se olharmos, podemos obter todo o tipo de dados da reanálise, ou Laboratório de Investigação do Sistema da Terra… Dados de reanálise… Podemos ver, digamos, a média de pressões ao nível do mar ao longo de 30 dias, por exemplo. Isto é a pressão; isto é a anomalia… E pode-se ver as zonas a vermelho… As pressões são mais altas ali… Estas são as áreas de maior temperatura. Há todo o tipo de… Podemos ver o que as correntes de jato estão a fazer. Podemos ver as temperaturas de superfície ao longo dos últimos 30 dias, dos dados de reanálise. Isto é a anomalia da temperatura aqui, dos últimos 30 dias. E isto são 6ºC. Toda esta área vermelha está a mais de 6ºC. O vermelho e laranja é mais de 5ºC. Para o amarelo, estamos acima de 3ºC. Por isso todo o Ártico tem estado extremamente quente ao longo do último mês. Assim, não é de surpreender que a água do mar ainda esteja quente e não a formar (gelo), como devia.
Isto mostra um mapa de temperaturas… Tudo o que é verde está acima de 0ºC, estamos a obter grandes extensões de ar quente a entrar no Ártico. Isto é o Climate Reanalyzer. Se olharmos para as anomalias de temperatura – olhem para toda esta região aqui em cima! 15 a 20ºC mais quente que o normal em vastas partes do Ártico. E de facto, todo o Ártico aqui… 5,84ºC, indo até 6ºC e por diante. O Ártico está um alto-forno, comparado ao que deveria ser. Se olharmos para as temperaturas… Estamos a falar desta área azul-clara; está mesmo abaixo de 0ºC. Esta é a temperatura real e toda esta área aqui está na casa de… Está mais ou menos a -10ºC. Então, isto é onde está a anomalia de temperatura de 20ºC. Quando subirmos um pouco mais, para uma anomalia de 30ºC, então toda esta região estará acima de 0ºC. E é para aí que estamos a ir, estas anomalias são muito muito grandes no Ártico. E porque é que são tão grandes? Será em parte por causa dos níveis mais elevados de metano ali? Será dos níveis mais elevados de CO2, definitivamente, lá em cima? E muito desse ar frio está de facto a vir para baixo, e as pessoas falam do vórtice polar, que é um pouco como um termo erróneo para descrever o tempo na América do Norte, quando esta massa fria desce, mas é assim que os meteorologistas o têm chamado.
Então, estas anomalias enormes vão atingir um limiar. Apesar de estarem 15 ou 20 graus mais quente do que o normal no Ártico neste momento, ainda está abaixo de zero, ainda estamos a obter alguma formação de gelo marinho. Não temos que ir muito mais além na anomalia para ficarmos acima de zero, e o gelo marinho continuar a diminuir nesta altura do ano, início de Novembro. Uma vez que façamos isso, iremos ultrapassar esse limiar de zero graus celsius, em que a coisa congela, ou ligeiramente abaixo, por causa da salinidade, e estaremos num clima completamente diferente, o Ártico está a perder neve e gelo, e vai disparar. E não importa muito o que os humanos fizerem. Não podemos simplesmente… sabem… Sim que importa o que fazemos, mas reduzir as emissões de combustíveis fósseis não será suficiente. É por isso que temos que arrefecer o Ártico, e temos que remover CO2 da atmosfera. Falo do banco de três pernas, da abordagem do banco das três pernas: zero emissões de combustíveis fósseis; arrefecer o Ártico; remover CO2 da atmosfera. Precisamos de fazer todas estas 3 coisas.
Isto é em termos do volume, um declínio contínuo aqui, não irei falar muito disso. Isto são dados da Cryosphere, olhando para a espessura do gelo. Isto é a espessura do gelo… numa média de 28 dias, e podemos ver… que quase que não existe… O vermelho são cerca de 3 metros. Quase que não resta nenhum gelo espesso. É gelo muito muito fino, e como resultado muito deste gelo tem se movido através do arquipélago canadiano, como se pode ver. E há muito escoar pelo Estreito de Fram, muito derretimento. E pode-se de facto clicar em em diferentes regiões… Isto é o Centro para Observação Polar e Modelagem de Dados, um portal da Agência Europeia para a Ciência, e pode-se clicar nos dados aqui, para regiões em particular, e ver a espessura do gelo em localizações específicas, ao longo do tempo. Pode-se ver o quão a espessura do gelo muda ao longo do tempo. Na maioria das áreas estará a diminuir, mas em algumas áreas estará a aumentar; à medida que o gelo fica mais fino, talvez se acumule, em localizações específicas. O diabo está nos pormenores.
Agora, se olharmos para… Continuando, estas são as trajetórias do volume do gelo do mar ao longo do tempo. Estão todos a diminuir, e se fizermos uma correspondência, uma correspondência da tendência exponencial, por volta de 2022… 2021, iremos para zero volume do gelo do mar no Ártico… se seguirmos esta trajetória. Se for uma trajetória linear, poderá durar até 2030. Eu poria o meu dinheiro em mais próximo de 2020. Leiam o livro de Peter Wadhams, “A Farewell to Ice” [Um Adeus ao Gelo] e encontrarão pormenores quanto ao que irá acontecer.
Portanto, isto está a mostrar a altitude das ondas. Isto é em metros. Temos ondas de 10 metros aqui… Esta é uma área extremamente quente neste momento, esta é uma área mais fria, os ventos fortes geram uma grande ondulação… Se olharmos para as ondas à volta do gelo, 1.7 metros, mas olhem para o período das ondas, 6.7 segundos. Neste lado, 3 segundos, 7.1 segundos… Neste lado é tipicamente 5 a 6, 7 segundos, ou varia de 3 a 7. Neste lado, o período são 14 segundos… 13 segundos… 10… OK? Então, os períodos são mais longos aqui, as ondas cerca de 1 metro de altura ou assim. Aqui descemos para cerca de 5 segundos. Agora, porque é que isto é importante? É importante porque está a impedir que o gelo do mar cresça.
E acabei de reparar que o meu tempo acabou, e logo vou fazer uma segunda parte para este vídeo, portanto, fiquem atentos à 2ª parte.Recolher Transcrição[/expand]

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