Anomalia da extensão gelo marinho Ártico, Antártida e Global 2016
Robertscribbler

De Pólo a Pólo, Os Valores Globais do Gelo Marinho Estão a Cair

Durante o ano quente recorde de 2016, tanto as extensões do gelo marinho do Ártico como da Antártida levaram uma forte tareia.

O calor extremo no Ártico ajudou a produzir as perdas principais de gelo ali. Valores que começaram em janeiro com 1 milhão de quilómetros quadrados abaixo da média têm vindo a diminuir de forma estável à medida que os meses avançaram para perto de 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média. Enquanto isso, a Antártida — que começou o ano com valores de extensão do gelo do mar próximos da média — viu perdas significativas à medida que a região ficava anormalmente cada vez mais quente durante a primavera austral. Hoje, os valores de extensão do gelo marinho ao redor da Antártida estão agora também mesmo à beira dos 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média.

Anomalia da extensão gelo do mar Ártico, Antártida e Global 2016

Zachary Labe, um dos cientistas do clima norte-americanos mais bem reconhecidos, produziu este gráfico baseado em valores dos volumes do gelo marinho globais, do Ártico e da Antártida, pela NSIDC. Como se pode ver, a extensão de gelo marinho global durante o ano mais quente já registado tem vindo a cair de forma estável, para perto de 4 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média, à medida que os meses progrediram. Fonte da imagem: Figuras do gelo do mar de Zack Labe. Fonte de dados: NSIDC. Também podem acompanhar o feed informativo do twitter do Zack aqui.

No total, a cobertura global do gelo do mar é agora de cerca de 3.865.000 quilómetros quadrados abaixo da média.

Se você acha que esse número soa a muito grande, é porque é mesmo. Representa uma região de gelo perdido com quase 40 por cento do tamanho da área de terra e água de todo o Estados Unidos, incluindo Alasca e Havaí. Para visualizá-la de outra forma, imaginem toda a área de terra do Alasca, Califórnia, Texas, Montana, Arizona e Novo México combinados e começarão a perceber a essência.

Cobertura de Gelo Marinho – Um Importante, Mas Complexo Indicador Climático

Muitos especialistas do clima têm visto o gelo do mar como uma espécie de mudança climática do canário na mina de carvão. O gelo do mar encontra-se sobre os oceanos em aquecimento e sob uma atmosfera em aquecimento. E estes oceanos estão agora a receber a maior parte do calor que está a ficar preso na atmosfera pelas emissões de combustíveis fósseis. As superfícies do oceano em aquecimento têm um valor de calor específico mais elevado do que o ar e esta maior capacidade energética total em regiões em aquecimento gera um golpe substancial na cobertura de gelo, mesmo se a variação inicial da temperatura da superfície da água seja apenas moderada.

Uma vez que o gelo do mar tiver desaparecido durante um período significativo, uma espécie de ciclo de feedback entra em jogo em que as superfícies escuras do oceano prendem mais raios do sol durante o verão polar do que quando com a cobertura de gelo branca — que refletia anteriormente a radiação de volta para o espaço. Este calor recém-absorvido é então re-irradiado de volta para a atmosfera local durante o outono e inverno polar — criando uma barreira de inércia para a reformação do gelo e, finalmente, gerando um grande salto nas temperaturas sazonais da superfície do oceano e atmosféricas.

Temperaturas elevadas em relação à média de 11C no Ártico

Aquecimento altamente pronunciado da superfície do oceano juntamente com invasões de ar quente parecem estar a gerar as perdas extremas de gelo do mar que se vê agora no Ártico. O Mar de Barents, mostrado acima, tem visto um aquecimento particularmente extremo. Note-se a zona quente com 11ºC acima média perto da zona de borda do gelo do mar. Na Antártida, as causas das perdas permanecem incertas. Contudo, o aquecimento atmosférico e as mudanças nos ventos circumpolares parecem estar a produzir esse efeito, mesmo quando águas superficiais um pouco mais frias do que a média permanecem no local — possivelmente devido à ressurgência do Oceano Antártico relacionada às tempestades e ao aumento das saídas de água doce das geleiras da Antártida. Fonte da imagem: Earth Nullschool

Esta dinâmica é particularmente pronunciada no Ártico, onde um oceano em descongelamento rodeado por continentes em aquecimento tende a recolher prontamente o calor, mesmo quando as transferências de energia atmosféricas do sul, sob a forma de eventos de vento quente, tornaram-se mais pronunciadas. Um efeito relacionado com a influência das alterações climáticas conhecido como Amplificação Polar do Hemisfério Norte

Na Antártida, o Oceano Antártico tempestuoso gera ressurgência. Esta dinâmica tende a esfriar a superfície do oceano ao mesmo tempo que transfere o calor para o oceano mais profundo. E o aumento das condições de tempestade em torno da Antártida relacionado às mudanças climáticas podem intensificar este efeito. Além disso, as águas quentes do fundo a derreterem os glaciares de frente para o mar na Antártida produzem uma lente de água doce que arrefece a superfície e também prende o calor por baixo. Assim, o sinal vindo da Antártida em relação ao gelo do mar tende a ser mais misturado — com o aquecimento atmosférico e as mudanças nos padrões do vento a gerarem impactos no gelo do mar mais variáveis relativamente ao Ártico. Então, as perdas do gelo do mar deste ano são mais difíceis de se relacionar diretamente à mudança climática.

Zack Labe observa que:

A anomalia do gelo do mar do Ártico, contudo, encaixa-se com a presente tendência de amplificação do Ártico de estreitamento de gelo do mar e perda de gelo antigo. Para além de que tem sido bem observado na literatura anterior (ou seja, http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2010GL044136/full …) no que diz respeito às crescentes temperaturas de outono no Ártico e suas possíveis causas.

Grandes Perdas de Volume entre 2015 e 2016

Apesar das grandes perdas de gelo do mar ao redor da Antártida este outono, é no Ártico que os danos e risco de perda adicional são mais pronunciados. Particularmente, reduções no gelo plurianual mais espesso no Ártico durante 2015 e 2016 têm sido excepcionalmente graves:

Perda de cobertura e espessura do gelo do mar do ÁrticoPerda de cobertura e espessura do gelo do mar no Ártico 2016

Nas imagens acima, vemos uma comparação entre a cobertura e espessura do gelo do mar do fim de novembro, tal como previsto pelo modelo US Navy ARCC. O quadro esquerdo representa o fim de novembro de 2015 e o quadro direito representa os valores projetados para 20 de novembro de 2016. Note-se a cobertura enormemente reduzida na imagem de 2016. Mas ainda mais notável é a perda substancial de gelo mais espesso no Oceano Ártico a norte do Arquipélago Canadiano e na Gronelândia.

Estas duas imagens contam uma história de uma grande perda de volume do gelo do mar. Uma que o monitor de gelo do mar PIOMAS confirma. De acordo com PIOMAS, os valores do volume do gelo durante outubro estavam a decorrer perto dos níveis mais baixos já registados. E o calor continuado em novembro gera uma preocupação de que um período de novos níveis recordes de baixo volume possa estar a caminho.

Mas não são apenas os valores baixos recorde que devem ser uma preocupação. A localização do gelo espesso restante também é uma preocupação. Pois uma parte substancial do gelo espesso restante está situado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O vento e as correntes oceânicas tendem a empurrar o gelo para fora do Oceano Ártico e através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O gelo tende a, em seguida, a ser canalizado para baixo ao longo da costa da Gronelândia e para o Atlântico Norte, onde derrete. Então, o facto de que uma grande parte do já muito reduzido gelo espesso restante encontrar-se agora na borda da versão de gelo do mar de Niagra Falls não é um bom sinal.

Anos La Nina tendem a empurrar mais calor para os pólos

É notoriamente difícil prever com precisão as tendências de derretimento e recongelamento do gelo do mar nas várias medições sazonais para um qualquer determinado ano individual. E até mesmo muitos dos maiores especialistas do gelo do mar passaram um diabo de tempo na previsão do comportamento do gelo do mar durante os últimos anos. Contudo, uma coisa permanece bem clara — a tendência de longo prazo para o gelo marinho no Ártico é uma de rápido declínio.

Espiral de Morte do gelo do mar no Ártico Outubro 2016

Espiral de Morte do gelo do mar do Ártico por Andy Lee Robinson. Fonte da imagem: Haveland

Estamos agora a entrar numa situação em que um inverno muito quente seguido por um verão mais quente do que o normal poderia empurrar os valores do gelo do mar do Ártico para perto da marca de zero. Uma situação que poderia efetivamente desencadear um evento de oceano azul num futuro próximo. Um número de especialistas de gelo do mar proeminentes previram que é provável que tal estado será alcançado bastante cedo — no início da década de 2030 segundo as tendências actuais. Outros apontam para potenciais de perda a prazo mais curto. Mas não há praticamente ninguém agora a dizer, como foi afirmado muitas vezes durante o início da década de 2010, que um evento de oceano azul poderia ficar adiado até ao início dos anos 2050.

Tudo dito, a trajetória para 2017 para o Ártico no presente não parece muito boa. Ambos a extensão e o volume do gelo marinho estão agora em ou bem abaixo das marcas baixas anteriores para esta época do ano. O gelo espesso restante posicionado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip] gera uma desvantagem física para o gelo em geral. Além disso, a NOAA anunciou que as condições de La Niña estão agora presentes no Pacífico Equatorial. E os eventos La Niña tendem a empurrar mais calor oceânico e atmosférico em direção aos pólos — particularmente para o Ártico.

Nota: Este artigo é escrito como um seguimento da publicação anterior – Para o Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro – e elas devem ser lidas em conjunto para contexto.

Traduzido do original From Pole to Pole, Global Sea Ice Values are Plummeting, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 15 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
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O gelo do mar no Ártico com extensão muito reduzida poderá desaparecer aé Setembro,
Sam Carana

Gelo Marinho do Ártico irá Desaparecer até Setembro de 2016?

A imagem em baixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico é muito baixa, muito menor do que o era noutros anos nesta época do ano. A 11 de Maio de 2016, a extensão do gelo marinho era de 12.328 milhões de km quadrados.
O gelo do mar no Ártico com extensão muito reduzida poderá desaparecer aé Setembro,

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico, a 9 de Maio de 2016, era de 11.680 mil km quadrados, mais de 18 dias de antecedência em relação a 2012 e 1,1 milhões de quilómetros quadrados menor do que no dia 9 de Maio de 2012.

Extensão indica que o degelo do gelo do mar no Ártico está 18 dias adiantado em relação a 2012

[Com base na imagem da JAXA]

Comparação da cobertura de neve e gelo em Beaufort e Alasca entre 2012 e 2016A imagem à direita compara o Mar de Beaufort e a parte norte do Alasca entre 9 de Maio de 2012 e 9 de Maio de 2016. Como a imagem mostra, há muito menos cobertura de gelo e neve agora do que havia em 2012.

A situação parece configurada para se deteriorar ainda mais nos próximos meses. A imagem abaixo mostra a previsão da temperatura a chegar a anomalias tão elevadas como 5,19°C ou 9,34°F para o Árctico como um todo (previsão para 19 de Maio de 2016, 03:00 UTC), com anomalias de temperatura na extremidade superior da escala previstas para o Alaska e a Sibéria Oriental.

Anomalia da temperatura prevista para o Ártico a 19 de Maio

Corrente de Jato com padrão ondulado influencia o tempoEstas anomalias de temperatura andam de mãos dadas com uma Corrente de Jato muito ondulada, como ilustrado pela imagem à direita, mostrando alças que se estendem até lá acima sobre o Oceano Ártico (em particular sobre o Mar de Beaufort), levando consigo o ar quente.

Ao mesmo tempo, a Corrente de Jato pode estender-se bem para sul noutros locais, fazendo com que o ar frio se mova para sul, para fora do Ártico.

O resultado é um Ártico em rápido aquecimento, o que por sua vez faz com que a Corrente de Jato fique ainda mais ondulada, como um de inúmeros feedbacks que estão a atingir o Ártico ao mesmo tempo.

Temperatura de superfície do mar sofre anomalias de 11°CA imagem à direita mostra que as temperaturas da superfície do mar perto de Svalbard estavam tão elevadas quanto 55°F (12,8°C) a 11 de Maio de 2016, uma anomalia de 21,2°F (11,8°C) em relação a 1981-2011. Por outras palavras, a temperatura da superfície do mar era de 1°C nesse ponto, de 1981 a 2011, e agora este local está 11,8°C mais quente.

A imagem abaixo compara as anomalias de temperatura da superfície do mar em relação a 1961-1990 entre 12 de Maio de 2015 e 12 de Maio de 2016.

Comparação da temperatura de superfície do mar entre Maio de 2015 e 2016

As temperaturas da superfície do mar no Oceano Ártico estão mais elevadas do que costumavam estar, em particular, no Estreito de Bering, no Mar de Beaufort, na Baffin Bay e no Mar de Kara.

A imagem abaixo mostra que, ao longo dos últimos 365 dias, o aquecimento sobre o Ártico tem sido muito mais forte do que em todo o resto do mundo. Anomalias da temperatura do ar de mais de 2,5°C (4,5°F) revelam-se sobre a maior parte do Oceano Ártico. Além disso, o gelo do Ártico está em má forma, o calor do oceano é muito elevado e está a subir, e temperaturas elevadas estão previstas atingir o Ártico durante a próxima semana. As chances são de que o gelo do mar irá, em grande parte, desaparecer, até Setembro de 2016.

Ártico muito mais quente em relação ao ano passado e anos anteriores, o gelo poderá desaparecer até Setembro de 2016

De Novembro de 2015 a Abril de 2016, as temperaturas globais sobre os continentes e os oceanos estavam de 1,48°C (ou 2.664°F) maiores do que em 1890-1910 (mapa da esquerda da imagem abaixo). Nos continentes, estavam 1,99°C (ou 3,582°F) mais quente (mapa direito da imagem abaixo).

temperaturas globais sobre os continentes e os oceanos muito elevadas e a aumentar entre 2015 e 2016
[ Clique nas imagens para ampliar ]

Uma vez que cerca de 0,3°C (0,54°F) do aquecimento por efeito estufa já havia ocorrido em 1900, o aquecimento estava bem acima da marca de segurança dos 1,5°C (ou seja, 2,7°F) que o Acordo de Paris tinha prometido não seria ultrapassado.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Arctic Sea Ice gone by September 2016? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Maio de 2016.
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Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

*****

Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada
Robertscribbler

Gelo Marinho do Ártico Pode Não Sobreviver ao Verão

Quase nenhum gelo do mar pelo final da temporada do degelo. O tão temido Evento do Oceano Azul. Algo que parece cada vez mais provável de acontecer durante 2016 a cada dia que passa.

Estes são o tipo de mudanças da fase climática devastadora no Ártico com a qual as pessoas têm vindo a preocupar-se desde que a extensão, área e volume do gelo do mar mergulhou para níveis angustiantes durante 2007 e 2012. Mergulhos que foram muito mais rápidos do que as taxas de derretimento do gelo do mar previstas pelas execuções de modelos computorizados e pelo consenso científico de então quanto a como o gelo do Oceano Ártico iria responder ao aquecimento forçado pelos humanos neste século. Pois durante a primeira década do século 21 a visão científica dominante era que o gelo do mar no Ártico estaria no nível em que está hoje por volta de 2070 ou 2080. E que não contemplaríamos a possibilidade do gelo do mar estar a zero ou perto de zero até ao final deste século.

Mas a incrível capacidade de uma emissão de combustíveis fósseis inconcebível para transformar rapidamente o nosso mundo para o pior parece agora superar aquela ciência cautelosa. Pois durante 2016, o Ártico tem experienciado um ano quente recorde como nunca antes. As temperaturas médias sobre a região têm atingido valores inéditos. Temperaturas que – quando alguém que compreende a natureza sensível do Ártico olha para elas – inspiram sentimentos de deslocamento e descrença. Devido à nossa cobertura de gelo do mar no Ártico ter estado consistentemente em recordes baixos durante todo o inverno, tem vindo a seguir uma curva inclinada de perda de gelo desde Abril, e agora parece ter começado a cair de um precipício. Perdas severas susceptíveis de impactar tanto a Corrente de Jato [Jet Stream] como a formação de condições meteorológicas extremas no Hemisfério Norte durante a Primavera e Verão de 2016.

A Derreter mais de Duas Semanas Mais Rápido do que no início da Década de 2000

Desde 27 de Abril, de acordo com um registo da extensão do gelo do mar fornecido por JAXA, as taxas diárias de perda de gelo do mar têm estado na faixa de 75.000 quilómetros quadrados por cada período de 24 horas. Isso são 300.000 quilómetros quadrados de gelo do mar, ou uma área do tamanho do Novo México, perdida em apenas quatro dias. Só em 2015 é que alguma vez havíamos visto tais taxas similarmente rápidas de perda para esta época do ano.

extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada

(Nunca vimos perdas de gelo do mar no início da temporada como estas antes. Perdas do gelo do mar graves deste tipo podem ajudar a gerar frentes fortes e ondas de calor extremas como as que vemos agora a afetar a Índia e Sudeste Asiático. Fonte da imagem: JAXA).

Contudo, esta taxa excessiva de perda de gelo está a ocorrer em toda uma região do Árctico que apresenta dramaticamente menos gelo (excedendo a marca de 2015 para o mesmo dia do ano em cerca de 360.000 quilómetros quadrados) do que em qualquer outro ano comparável, ​para o mesmo dia. Em essência, a extensão do degelo está agora mais do que uma semana adiantada em relação a qualquer outro ano anterior. Está duas semanas e meia adiantada em relação às taxas de derretimento durante a década de 2000. E a taxa de declínio deste ano está ainda mais acentuada.

As taxas de derretimento atuais, se mantidas durante todo o Verão, iriam acabar com praticamente todo o gelo. E, o que é preocupante, esta é uma possibilidade distinta dado o estado severamente enfraquecido do gelo, as grandes áreas de água escura e aberta disponível para absorver os raios do sol enquanto o Verão progride, e devido ao facto de que o calor do Ártico continua a alcançar recordes quentes estremos. Além disso, as taxas de derretimento tendem a acentuar-se sazonalmente a partir de meados de Junho. As taxas de perda de gelo a aumentarem tão rapidamente agora, no final de Abril e através do início de Maio, podem vir a ver uma maior aceleração à medida que mais e mais luz solar direta continua a cair sobre as já grandes áreas expostas de água escura que absorve calor.

Buracos Enormes no Beaufort

Ao longo de toda a bacia do Ártico, essas regiões de absorção de luz solar ocupam muito mais área do que o que é típico. O Bering derreteu muito cedo. Baffin Bay está muito retirado em relação a anos típicos. Hudson Bay está a começar a quebrar. Os mares de Barents e da Gronelândia apresentam muito mais água aberta do que é típico. Contudo, não há nenhuma região a mostrar perdas mais dramáticas de início de temporada do que a de Beaufort.

Derretimento acentuado do gelo em Beaufort deixa zonas de águas abertas azul escuras

(Este mar de Beaufort nunca pareceu ter tão mau aspecto tão cedo no ano. Ondas de amplitude elevada na Corrente de Jato continuam a entregar calor recorde, ventos quentes e húmidos, e derretimento recorde do gelo marinho para esta região do Ártico. Para referência, o bordo inferior do quadro nesta imagem é de cerca de 600 milhas. Os veios em tufos que se vê na imagem é a cobertura de nuvens, as secções de branco sólido são neve e gelo. E o azul que se vê são as águas abertas do Oceano Ártico. O tamanho dos intervalos de água nas secções mais amplas são agora de mais de 150 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

Lá, o gelo continua a recuar rapidamente em relação às margens do Oceano Ártico no Delta Mackenzie e no Arquipélago Ártico Canadense – onde uma grande brecha se abriu no gelo do mar. Agora entre 70 e 150 milhas de largura, esta área de água aberta vê consistentemente temperaturas de superfície quentes o suficiente para derreterem o gelo do mar (acima de 28 F ou cerca de -2 C).

Esta grande massa de água aberta do tamanho de um mar em si mesma, criou agora uma nova zona de bordo de início da temporada para o gelo. Um lugar onde uma espécie de mini-dipolo pode surgir entre as superfícies de água em aquecimento mais rápido e o gelo reflexivo mais frio. Uma tal zona tenderá a ser um imã para as tempestades. E um sistema de baixa pressão está previsto trazer para cima uma protuberância extrema na Corrente de Jato sobre o Alasca e o Canadá, continuando para esta zona do Ártico ao longo dos próximos dias. Tempestades deste tipo tendem a apressar a fusão e o quebrar do gelo nas zonas de bordo pelas ondas que se geram, pelo puxar de ares mais quentes do sul, ou ao fazer cair precipitação líquida ao longo da borda de gelo que derrete. E o facto de que este tipo de dinâmica está a estabelecer-se em Beaufort no início de Maio é nada menos do que extraordinário.

Calor no Ártico Nunca Antes Visto

Mais ao norte, espera-se que a alta pressão continue a dominar nos próximos sete dias. Isso irá gerar ainda mais compactação do gelo já fraco enquanto permitindo que mais e mais luz solar caia sobre esse véu branco já muito estreito.

Dias de graus de congelamento no Ártico são menos 1000 que em 1980-2000

(O Ártico está agora tão quente que este gráfico é agora demasiado pequeno para capturar o calor extremo na região. Os dias de graus de congelamento são agora mais do que 1.000 a menos do que o eram durante um ano típico e do que no período já muito mais quente do que o normal entre 1980 e 2000. Fonte da imagem: CIRES).

Espera-se que as temperaturas para o Árctico variem entre 2,5 e 3,5 C acima da média nos próximos sete dias. Condições muito quentes que vão continuar a martelar para baixo os totais de dias de graus de congelamento, os quais já ultrapassaram uns inéditos -1000 desde o início do ano na região mais elevada do Ártico, acima dos 80 graus de Latitude Norte. Em termos leigos, quanto menor o número de dias de graus de congelamento o Ártico experiencia, o mais próximo está de derreter. E perder 1000 dias de graus de congelamento é como remover o mês mais frio do inverno inteiramente da equação do balanço térmico nesta região de maior latitude do Hemisfério Norte.

Praticamente todos os indicadores nos levam a concluir que o gelo do mar do Ártico está a ser atingido pelo calor como nunca antes. E as perdas acentuadas e perturbadoras de início de temporada que vemos agora, em combinação com o extremo calor excessivo e os padrões climáticos que aceleram o derretimento, são susceptíveis de continuar a reforçar uma tendência de perdas recordes. Tais medidas baixas de gelo do mar também tendem a distorcer os padrões meteorológicos em todo o mundo – gerando zonas de ondas de calor e secas extremas ao longo das linhas de cristas e às invasões do Ártico pelo vento quente relacionadas que tenderão a desenvolver-se, gerando ao mesmo tempo risco de eventos de precipitação recorde nas zonas de depressão. A este ponto, o Oeste norte-americano está novamente a configurar-se para exatamente um padrão assim de onda de calor zonal. O calor extremo que se acumula na Índia e no Sudeste Asiático também parece estar a seguir um deslocamento similar para o norte.

Traduzido do original
Arctic Sea Ice is Falling off a Cliff and it May Not Survive The Summer
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Maio de 2016.

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