Níveis de metano atmosférico
Sam Carana

Libertação de Metano do Fundo do Mar e Aumento dos Níveis Atmosféricos

Níveis de metano atmosférico

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são superiores aos de qualquer outro lugar na Terra. Como a animação abaixo mostra, os níveis de metano estavam tão elevados quanto 2436 partes por bilião (mil milhões) (ppb) na tarde de 5 de dezembro de 2016, com a maioria de metano a ascender da água, em particular sobre o Oceano Ártico.

niveis de metano atmosférico

Aumento de metano na atmosfera a 5 de dezembro de 2016 (MetOp 1 pm), desde 1000 mb, ou seja, perto do nível do mar, até uma pressão de 586 mb, o que corresponde a uma altitude de 3833 m.

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico têm estado elevados há já mais de um mês. O vídeo abaixo, com uma banda sonora de Daniel Kieve, mostra os níveis de metano de 26 de outubro de 2016 a 25 de novembro de 2016.

Estes níveis elevados de metano acontecem numa altura em que não há praticamente nenhuma luz solar a atingir o Ártico, o que praticamente elimina a possibilidade de uma proliferação de algas ou outras fontes biológicas estarem a causar estes níveis elevados de metano. Em vez disso, estes níveis elevados de metano parecem ser o resultado de erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, causadas pelo aquecimento da água dos oceanos.

Nível médio global de metano

O metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

De facto, grandes quantidades de metano parecem estar a irromper do leito do mar do Oceano Ártico, e, à medida que o metano sobe na atmosfera, este vai-se aproximando do equador, resultando em níveis mais elevados de metano aí também. A imagem acima ilustra ainda que o metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

A imagem em baixo mostra o aumento da temperatura dos oceanos. As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Hemisfério Norte.

temperatura do oceano aumenta

Aquecimento do Oceano, de uma publicação anterior.

A quantidade enorme de energia a entrar no oceano traduz-se em temperaturas mais elevadas da água e do ar sobre a água, bem como ondas maiores e ventos mais fortes. Muito desse calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Calor levado pelas correntes do golfo até ao Ártico

Calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Temperatura do mar elevada no ÁrticoComo a imagem à direita mostra, as temperaturas de superfície do mar perto de Svalbard (círculo verde) estavam tão altas quanto 14.1°C a 6 de dezembro de 2016, 12.1°C mais quente que a média de 1981-2011.

O aumento do calor no oceano está a ameaçar causar erupções cada vez maiores de metano do fundo do mar.

Conforme descrito na página “Extinction” (do site arctic-news.blogspot.com), as erupções de metano do fundo do mar podem provocar 1,1°C de aumento de temperatura ao longo dos próximos dez anos.

A situação é crítica e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Traduzido do original Sea Floor Methane de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 12 de dezembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Anúncios
Standard
Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016
Sam Carana

Níveis de Metano Elevados Seguem-se a Sismo no Oceano Ártico

Nos 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016, 48 sismos com uma magnitude de 4 ou superior na escala de Richter atingiram a área do mapa da imagem abaixo, na maior parte a uma profundidade de 10 km (6.214 milhas).

48 Sismos no Ártico em Julho de 2016

48 terramotos atingiram a área do mapa durante os 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016. Criado por Sam Carana para Arctic-news.blogspot.com com imagens de earthquake.usgs.gov

À medida que as temperaturas continuam a aumentar e o derretimento dos glaciares continua a tirar peso da superfície da Gronelândia, um reajuste isostático pode, cada vez mais, desencadear terremotos em torno da Gronelândia, e em particular sobre a falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Dois terremotos atingiram recentemente o Oceano Ártico. Um terremoto atingiu com uma magnitude de 4,5 graus na escala Richter a 9 de Julho de 2016. O outro terremoto atingiu com uma magnitude de 4,7 graus na escala Richter a 12 de Julho de 2016, às 00:15:24 UTC, com epicentro a 81.626°N 2.315°W e a uma profundidade de 10,0 km (6.214 milhas), como ilustrado pela imagem abaixo.

Sismo no Ártico a 12 de Julho

A 12 de Julho de 2016, um terramoto atingiu o Oceano Ártico com a magnitude de 4,7 na escala de Richter, com epicentro a 81.626”N 2.315”W e a 10km de profundidade.

Seguindo-se ao terremoto mais recente, elevados níveis de metano apareceram na atmosfera a 15 de Julho de 2016, sobre essa mesma área que o terremoto atingiu, como ilustra a imagem abaixo.

Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016

Sobre a área atingida por um terramoto a 12 de Julho de 2016, elevados níveis de metano apareceram a uma altitude de 4,116m a 15 de Julho de 2016. A imagem pequena mostra a mesma área a 6.041m de altitude a 15 de Julho. Criado por Sam Carana com imagens da NOAA. Branco= sem dados; cinzento= falha de leitura.

A imagem acima mostra que os níveis de metano foram tão elevados quanto 2505 ppb a uma altitude de 4.116 m ou 13,504 pés na manhã de 15 de Julho de 2016. A uma maior altitude (de 6.041 m ou 19,820 pés), níveis de metano tão altos quanto 2.598 ppb foram registrados naquela manhã e a área de cor magenta a leste do ponto nordeste da Gronelândia (enquadramento em foco) parece indicar a mesma coisa nas imagens entre estas altitudes. Tudo isso indica que o terremoto causou desestabilização de hidratos de metano contidos nos sedimentos naquela área.

Libertação de metano a leste da Gronelândia após sismo

Níveis de metano a uma pressão atmosférica de 840mb variavam entre 1555 e 2058 ppb. Criado por Sam Carana com imagens da NOOA.

A imagem acima, de outro satélite, confirma fortes libertações de metano a leste da Gronelândia, na tarde de 14 de Julho de 2016, enquanto a imagem abaixo mostra níveis elevados de metano a 16 de Julho de 2016, ao longo da falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Metano com níveis elevados no Ártico após sismo

A imagem abaixo mostra glaciares na Gronelândia e o gelo do mar perto da Gronelândia e Svalbard a 15 de Julho de 2016. Note-se que as nuvens em parte obscurecem a extensão do declínio do gelo do mar.

Declínio do gelo marinho na Gronelândia e Svalbard

Gelo marinho fraturado e lamacento no Ártico

A imagem acima mostra o gelo do mar a 12 de Julho de 2016. Há uma grande área com muito pouco gelo do mar perto do Pólo Norte (à esquerda) e há pouco ou nenhum gelo do mar em torno de Franz Josef Land (à direita). Em geral, o gelo do mar parece lamacento e fraturado em pequenos pedaços finos. Tudo isso é uma indicação de quão quente a água está por baixo do gelo do mar.

Temperaturas muito elevadas no Ártico a 16 de Julho de 2016Além dos choques e mudanças de pressão causados por terremotos, a desestabilização de hidratos de metano pode ser desencadeada pelo calor do oceano alcançando o fundo do mar do Oceano Ártico. Uma vez que o metano chega à atmosfera, pode muito rapidamente elevar as temperaturas locais, agravando ainda mais a situação.

As temperaturas já estão muito elevadas em todo o Ártico, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 16 de Julho de 2016 estiveram 1,6°C sobre o Pólo Norte (círculo verde de cima), enquanto estiveram 32,7°C num local perto de onde o rio Mackenzie desagua no Oceano Ártico (círculo verde de baixo).

O gelo do mar no Ártico não parece nada bem, como também ilustrado pelo cálculo presente pelo Laboratório de Pesquisa Naval em abaixo.

Declínio do glo do mar no Ártico em Julho de 2016

A espessura do gelo do mar caiu drasticamente ao longo dos anos, especialmente o gelo que tinha mais do que 2,5 m de espessura. A imagem abaixo compara a espessura gelo do mar do Ártico (em m) a 15 de Julho, para os anos a partir de 2012 (painel à esquerda) a 2015 (painel direito), utilizando imagens do Laboratório de Pesquisa Naval.

Comparação da espessura do gelo do mar no Ártico entre os anos de 2012 e 2015

[ Clique na imagem para ampliá-la ]
A imagem abaixo mostra anomalias da temperatura de superfície do mar em relação a 1961-1990 a 24 de Julho de 2016.

Temperaturas anormais muito elevadas no Ártico em Julho de 2016

As temperaturas da superfície do mar ao largo da costa da América são altas e muito deste calor do oceano será carregado pela Corrente do Golfo em direção ao Oceano Ártico ao longo dos próximos meses.

Temperaturas altas da superficie do mar na corrente do golfo até ao Ártico

A 24 de Julho de 2016, a temperatura da superfície do mar perto da Flórida estava tão alta quanto 33,2°C, uma anomalia de 3,7°C em relação à média de 1981-2011 (círculo verde inferior), enquanto que a temperatura da superfície do mar perto de Svalbard estava tão elevada quanto 17,3°C, uma anomalia de 12,6°Cem relação a 1981-2011 (círculo verde em cima).

Uma tampa de água doce fria (ou seja, baixa salinidade) fica em cima do oceano e esta tampa é alimentada por precipitação (chuva, granizo, neve, etc.), o derretimento do gelo do mar (e icebergs) e água que escorre da terra (de rios e derretimento de glaciares em terra). Esta tampa reduz a transferência de calor do oceano para a atmosfera e, assim, contribui para um Atlântico Norte mais quente onde enormes quantidades de calor são agora transportadas por baixo desta tampa em direção ao Oceano Ártico. O perigo é que mais calor do oceano a chegar ao Oceano Ártico vai desestabilizar clatratos no fundo do mar e resultar em enormes erupções de metano, como discutido em posts anteriores, como este.

À medida que as temperaturas continuam a aumentar, a neve e ogelo no Ártico vão diminuir. Isso poderia resultar em cerca de 1,6°C de aquecimento devido a mudanças de albedo (ou seja, devido ao declínio tanto do gelo do mar do Ártico como da cobertura de neve e gelo em terra). Além disso, cerca de 1,1°C de aquecimento poderiam resultar da libertação de clatratos de metano do fundo do mar dos oceanos do mundo. Como discutido num post anterior, isso poderia suceder como parte de um aumento em relação aos níveis pré-industriais de até 10°C, por volta do ano de 2026.

Incêndios florestais no Alasca Canadá, um feedback de auto-reforço do aquecimento global

Incêndios na Sibéria a 19 de julho de 2016 constituem um feedback no aquecimento globalÀ medida que as temperaturas sobem, o impacto será sentido em primeiro lugar e mais fortemente no Ártico, onde o aquecimento global está a acelerar devido a inúmeros feedbacks que podem atuar como ciclos de auto-reforço.

Já neste momento, isto está a desencadear incêndios florestais em todo o Ártico.

A imagem acima mostra incêndios (indicados por pontos vermelhos) no Alasca e no norte do Canadá, a 15 de Julho de 2016.

A imagem à direita mostra fumo resultante de incêndios florestais na Sibéria. A imagem abaixo mostra que, a 18 de Julho de 2016, os níveis de monóxido de carbono (CO) sobre a Sibéria estavam tão elevados quanto 32318 ppb, e numa área com níveis de dióxido de carbono (CO2) tão baixos quanto 345 ppm, o CO2 atingiu níveis tão elevados quanto 650 ppm no mesmo dia.

Níveis de dióxido de carbono (CO2) e monóxido de carbono (CO) na Sibéria, resultante de incêndios florestais em Julho de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão de fumo de incêndios florestais na Sibéria a 23 de Julho de 2016.

Fumo resultante dos incêndios na Sibéria a 23 de Julho de 2016

A imagem abaixo mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 19 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 19 de Julho de 2016

A imagem abaixo, a partir do satélite MetOp, mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 21 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 21 de Julho de 2016

Abaixo estão outras imagens que descrevem os níveis de metano médios globais, em relação a 1980-2016 (à esquerda) e 2012-2016 (à direita).

Níveis Médios Globais Metano 1980 2016Níveis de metano entre 2012 e 2016

A imagem abaixo mostra os níveis de metano em Barrow, Alasca.

Medição dos níveis de metano no Alasca ao longo dos anos, mostra pico em 2016

A imagem abaixo mostra que, enquanto que os níveis de metano podem parecer terem-se mantido estáveis ao longo do ano passado quando fazendo as medições ao nível do solo, em altitudes mais elevadas eles subiram fortemente.

Variação dos níveis de metano com a altitude comparando os anos 2015 e 2016

A tabela de conversão abaixo mostra os equivalentes de altitude em pés, m e mb.
57016 pés 44690 pés 36850 pés 30570 pés 25544 pés 19820 pés 14385 pés 8368 pés 1916 pés
17378 m 13621 m 11232 m 9318 m 7786 m 6041 m 4384 m 2551 m 584 m
74 mb 147 mb 218 mb 293 mb 367 mb 469 mb 586 mb 742 mb 945 mb

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Methane Levels Follow Earthquake in Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Julho de 2016.

Standard
Temperaturas anómalas na Sibéria em Junho 2016
Sam Carana

Temperaturas Altas no Ártico

Aquecimento dos Oceanos ou Calor Oceânico Global

Conteúdo de Calor Oceânico Global (Aquecimento Oceânico) – Média dos 3 meses de Janeiro a Março de 2016 – Média anual de 2015 – Média pentadal (5 anos) durante 2011-2015

O conteúdo de calor do oceano está a aumentar, como ilustrado pela imagem à direita. Onde o gelo do mar está a diminuir, está a causar elevadas temperaturas do ar no Ártico.

Este ano (de Janeiro a Abril de 2016) no Hemisfério Norte, os oceanos estiveram 0,85°C ou 1,53°F mais quentes do que a média do século 20.

A imagem abaixo mostra como as temperaturas parecem prestes a ser elevadas na Sibéria na próxima semana. O painel à direita mostra anomalias na extremidade superior da escala na Sibéria Oriental a 5 de Junho de 2016, enquanto que o painel da direita mostra uma previsão para 12 de Junho de 2016.

Temperaturas anómalas na Sibéria em Junho 2016

Estas temperaturas do ar elevadas estão a causar feedbacks que estão, por sua vez, a acelerar ainda mais o aquecimento no Ártico.

Rios Mais Quentes

Temperaturas tão elevadas quanto 28.9°C ou 83.9°F foram registadas ao longo do rio Mackenzie perto do Oceano Ártico, a 13 de Junho de 2016, no local marcado pelo círculo verde.

Temperaturas elevadas no Ártico, no rio McKenzie

Abaixo está uma imagem de satélite do delta do rio Mackenzie, a 11 de Junho de 2016.

Imagem satélite do rio Mckenzie e Oceano Ártico sem gelo

A imagem abaixo mostra que temperaturas tão elevadas quanto 36.6°C ou 97.8°F estavam previstas para 13 de junho de 2016 sobre o rio Yenisei na Sibéria, que termina no Oceano Ártico.

temperaturas elevadas na Sibéria nas áuas do rio Yenisei que desagua no Oceano Ártico

Incêndios Florestais

No início deste mês, as temperaturas na Sibéria Oriental estavam tão elevadas quanto 29,5°C (85°F). Isto foi a 5 de Junho de 2016, num local perto da costa no Oceano Ártico (círculo verde).

Sibéria com temperaturas elevadas na costa do Oceano Ártico

Temperaturas do ar elevadas trazem um aumento do risco de incêndios florestais, como ilustrado pela imagem abaixo que mostra níveis de monóxido de carbono tão elevados quanto 2944 ppb a 4 de Junho de 2016 (no círculo verde).

Fumo e níveis de monóxido de carbono sobre Kamchatka resultam dos incêndios causados pelo aquecimento global

A imagem de satélite abaixo faz um zoom sobre a área com estas leituras de monóxido de carbono, mostrando incêndios na Península de Kamchatka a 3 de Junho de 2016.

Imagem de satélite mostra fumo dos incêndios florestais sobre Kamchatka

Perda de Albedo

A imagem à direita mostra que, este ano, a cobertura de neve de Abril no Hemisfério Norte foi a mais baixa do registo. A linha de tendência adicionada aponta para uma total ausência de neve até ao ano de 2036.A mais baixa cobertura de neve de Abril do registo com uma tendência a mostrar Abril sem cobertura de neve em 2036

O professor Peter Wadhams, chefe do Grupo de Física do Oceano Polar da Universidade de Cambridge, diz : “A minha previsão é que o gelo do Ártico pode muito bem desaparecer, ou seja, ter uma área de menos de um milhão de quilómetros quadrados, em Setembro deste ano.”

O aquecimento devido à perda de gelo e neve do Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido causado agora por todas as emissões de todas as pessoas do mundo, Peter Wadhams calculou em 2012.

Metano no Leito Marinho

Peter Wadhams foi ainda co-autor num estudo que calculou que a libertação de metano do fundo do mar no Oceano Ártico poderia contribuir com 0,6°C de aquecimento do planeta em 5 anos (vejam o vídeo com a entrevista de Thom Hartmann a Peter Wadhams, em baixo).

Impacto Combinado de Múltiplos Feebacks

Em conclusão, as altas temperaturas do ar no Ártico são muito preocupantes, uma vez que podem desencadear uma série de feedbacks importantes, como aqueles discutidos acima e outros feedbacks, tais como:

  • Mudanças na Corrente de Jato (Jet Stream). À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, ocorrem mudanças na corrente de jato. Como resultado, os ventos podem trazer cada vez mais ar quente bem para norte, resultando na perda da cobertura de neve e gelo do Ártico, que por sua vez resulta em ainda mais aquecimento do Ártico.
  • Rios Mais Quentes. As temperaturas de ar elevadas causam o aquecimento da água dos rios que desembocam no Oceano Ártico, resultando assim em declínio adicional do gelo do mar e em aquecimento do Oceano Ártico desde a superfície até ao leito marinho.
  • Incêndios Florestais. Elevadas temperaturas atmosféricas definem o cenário para os incêndios que emitem não apenas gases de efeito estufa como o dióxido de carbono e metano, mas também poluentes como o monóxido de carbono que depleta as hidroxilas que caso contrário poderiam degradar o metano, e o carbono negro que, ao cair sobre o gelo faz com que ele absorva mais luz solar (veja abaixo de perda de albedo), além de ser um forçador de clima quando na atmosfera.
  • Desestabilização do Solo. Ondas de calor e secas desestabilizam o solo. Solo que era anteriormente conhecido como permafrost e estava até agora segurado pelo gelo. Há medida que o gelo derrete, material orgânico no solo entra em decomposição, resultando em emissões de metano e dióxido de carbono, enquanto o solo se torna cada vez mais vulnerável a incêndios.
  • Perda de Efeito Tampão. A cobertura de neve e gelo do Ártico funciona como um tampão, absorvendo o calor que, na ausência deste tampão terá que ser absorvido pelo Oceano Ártico, como discutido em posts anteriores, como este.
  • Perda de Albedo. A cobertura de gelo e neve no Ártico faz com que a luz solar seja refletida de volta para o espaço. Na ausência dessa cobertura, o Ártico terá que absorver mais calor.
  • Metano no Leito Marinho. Há medida que os sedimentos no fundo do mar do Oceano Ártico aquecem, os hidratos contidos nesses sedimentos podem ser desestabilizados e libertar enormes quantidades de metano.
Quão mais quente poderia ficar dentro de uma década?

Os dois feedbacks mencionados por Peter Wadham (albedo e metano do fundo do mar) são retratados na imagem abaixo.

Albedo e Metano do fundo do mar, dois Feedbacks de auto-reforço e influência no aquecimento do Ártico

Ciclo de auto-reforço (feedback) 1: Aquecimento Acelerado no Ártico => Perda de gelo marinho => Mudança no Albedo => Aquecimento Acelerado no Ártico. Ciclo de auto-reforço positivo 2: Aquecimento Acelerado no Ártico => Enfraquecimento das reservas de metano => libertação de metano => Aquecimento Acelerado no Ártico.

O aumento combinado da temperatura global durante a próxima década devido a estes dois feedbacks (albedo e metano do fundo do mar), por si só, pode ser de 0,4°C ou 0,72°F para um cenário de baixo crescimento e pode ser de 2,7°C ou 4,9°F para um cenário de elevado crescimento.

Além disso, à medida que a temperatura sobe, mais feedbacks irão contribuir mais fortemente, acelerando ainda mais o aumento da temperatura, como também discutido em posts anteriores, como este.

Quando também incluindo mais feedbacks, o aquecimento pode exceder 10°C (18°F) dentro de uma década, assumindo que nenhum geoengenharia terá lugar dentro de uma década, como discutido em posts anteriores, como este.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Temperatures In Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 5 de Junho de 2016.

Standard
Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012
Sam Carana

Queda Dramática do Gelo do Mar no Ártico

Desde o início de Abril de 2016, tem havido problemas com o sensor do satélite F-17 que forneceu os dados para muitas das imagens do gelo do mar no Ártico. A 12 de Abril, o NSIDC emitiu um aviso de que tinha suspendido o fornecimento de atualizações do gelo do mar. A 6 de Maio, o NSIDC anunciou que havia completado a transição para outro satélite. A linha pontilhada vermelha na imagem abaixo mostra os dados do satélite F-18 de 1 de Abril a 15 de Maio de 2016.

Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012

O site da JAXA também fornece imagens da extensão do gelo do mar, obtendo dados de um satélite japonês. Eles mostram que a medida do gelo do Oceano Ártico a 15 de Maio de 2016 era de 11.262.361 quilómetros quadrados, 1,11 milhões de km quadrados menor do que era a 15 de Maio de 2012.

Extensão do gelo marinho no Oceano Ártico comparado a 2012

O Cryosphere Today ainda está a usar dados do satélite F17, mostrando alguns picos estranhos. Albert Kallio pegou numa imagem recente e removeu os pontos defeituosos, resultando na imagem abaixo que mostra a área de gelo do mar até 03 de Maio de 2016.

Área do gelo marinho no Ártico em comparação com anos anteriores

[linha amarela é 2016, linha vermelha é 2015]

Importante: a imagem acima confirma que o gelo do mar do Ártico em 2016 tem de facto estado muito em baixo, se não mesmo no mais baixo para a época do ano. Especialmente desde Abril de 2016, o gelo do mar caiu muito abaixo do quer que seja que tenhamos vimos em anos anteriores. Abaixo, Albert elabora sobre a comparação dos dados.

por Albert Kallio
Os dados do satélite dos EUA reparado (F-17) mostram uma área pequena recorde do gelo do mar para Maio de 2016 concordando com os dados japoneses (Jaxa)

Um conjunto de dados do Sensor Especial de Imagens e Sonda por Microondas (SSMIS), já corrigido no satélite F-17 do Defense Meteorological Satellite Program (DMSP), que fornece temperaturas de brilho por microondas passivas (e os produtos derivados de gelo marinho do Ártico e da Antártida), foi corrigido aqui quanto ao erro de instrumentação do sistema. Isto está de acordo com a curva da JAXA japonesa e foi realizado pela remoção dos picos incaracterísticos para cima de ‘crescimento do gelo’ por intrapolation linear dos pontos de dados corruptos. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar no Hemisfério Norte está sazonalmente num novo recorde mínimo que tem continuado em Maio de 2016.

A curva aperfeiçoada do F-17 concorda com a curva japonesa do satélite JAXA. A reconciliação das duas foi conseguida pela remoção dos picos para cima incaracterísticos por intrapolation linear de pontos de dados dos dias corrompidos, os quais mostraram de forma incorrecta um crescimento imenso da área de gelo do mar a meio da temporada de degelo de primavera. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar está sazonalmente em mínimos recorde. Portanto, meios de comunicação que estão a citar dados recentes da área de gelo do mar pelo satélite F-17 estão a distorcer intencionalmente os factos com suas reivindicações de o Hemisfério Norte ter uma área de gelo marinho recorde para esta estação – enquanto que na realidade – exatamente o oposto tem acontecido.

O gelo do mar do Ártico está em má forma e tende a deteriorar-se ainda mais, por uma série de razões.

Temperatura acima de 50 graus na Índia e PakistãoO ano de 2016 é um ano de El Niño e de aquecimento, como ilustrado pela previsão de 51°C (124.1 °F) para 22 de Maio de 2016, sobre o Indus Valley no Paquistão (ver imagem à direita).

A insolação durante os meses de Junho e Julho no Ártico é muito mais forte do que no resto do mundo. Os gases de efeito estufa estão em níveis recorde, o CO2 era de 408,2 ppm a 12 de Maio de 2016, e os níveis de metano estão elevados e a aumentarem, especialmente sobre o Ártico.

O calor do Oceano também está muito elevado e a aumentar. A imagem em baixo mostra que os oceanos no Hemisfério Norte estavam 0.93°C (ou 1.7°F) mais quentes no período de 12-meses mais recente (Maio 2015 até Abril 2016) do que a média do século 20.

temperatura-oceano-anomalia-hemisferio-norte-maio-abril

A situação é melhor ilustrada pela imagem em baixo, usando dados da NOAA com a linha de tendência adicionada que aponta para uma subida de 3°C (5.4°F) antes do ano de 2040.

Anomalia da temperatura do oceano numa previsão para 2040

As chances são de que o gelo do Ártico terá desaparecido na sua maior parte até Setembro de 2016. Como o gelo diminui, cada vez mais a luz solar é absorvida pelo Oceano Ártico. Este é um de muitos feedbacks que estão a atingir o Ártico. O perigo é que, à medida que esses feedbacks começam a entrar em cena mais fortemente, o calor vai chegar ao fundo do mar do Oceano Ártico e desencadear a libertação do metano em quantidades enormes a partir do leito marinho do Oceano Ártico.

Recentemente, uma libertação de metano abrupta do leito marinho do Oceano Ártico fez entrar na atmosfera sobre o Mar da Sibéria Oriental, aparecendo níveis tão elevados quanto 2578 ppb (em 586 mb a 15 de Maio, 2016, pm, veja imagem abaixo). Tais libertações abruptas são indícios de que os hidratos de metano estão a desestabilizar e são avisos de que uma catástrofe climática está à espera de acontecer.

Libertação abrupta de metano no Ártico faz subir níveis

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Further Confirmation Of Arctic Sea Ice Dramatic Fall de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 16 de Maio de 2016.
Standard
Aumento previsto da temperatura para daqui a uma década, 2026
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Retroalimentação, Temperatura

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

Standard
Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910
Sam Carana

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

Standard
aumento da temperatura em 0,3°C até 1900
Sam Carana

Alterações Climáticas: Após o Acordo de Paris, Onde Ficamos?

Sugerimos a leitura de “Alterações Climáticas: Após o Acordo de Paris, Onde Ficamos?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
No Acordo de Paris, os países comprometeram-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, mantendo o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazendo esforços para limitar o aumento da temperatura em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

aumento da temperatura global 1,5C

Quanto é que as temperaturas já subiram? Como ilustrado pela imagem acima, dados da NASA mostram que, durante o período trimestral de setembro a novembro de 2015, estava ~ 1°C mais quente do que em 1951-1980 (ou seja, que a linha de base).

Uma tendência polinomial com base nos dados de 1880-2015 para estes três meses indica que um aumento de temperatura de 1,5°C em relação à linha de base será alcançado no ano de 2024.

Vamos verificar os cálculos. A linha de tendência mostra que estava ~ 0,3°C mais frio em 1900 comparado com a linha de base. Considerando o atual aumento em ~ 1°C, isso implica que desde 1900 houve um aumento de 1,3°C em relação à linha de base. Isto faz com que um outro aumento de 0,2°C até 2024, como indicado pela linha de tendência, resultaria num aumento conjunto em 2024 de 1,5°C em comparação com a linha de base.

Anomalia da temperatura de superfície nos continentes

A situação é ainda pior do que isso. O Acordo de Paris visa evitar um aumento de temperatura de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Quando incluímos os aumentos de temperatura desde os níveis pré-industriais até o ano de 1900, torna-se evidente que já ultrapassámos um aumento de 1,5°C desde os níveis pré-industriais. Isto é ilustrado pela imagem acima, anteriormente adicionada a Quanto tempo resta para agir? (vejam as notas ali), e pelo gráfico em baixo, de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que um aquecimento de ~ 0,3°C por efeito de estufa já havia ocorrido por volta do ano de 1900.

aumento da temperatura em 0,3°C até 1900

Um aquecimento de ~ 0,3°C por efeito de estufa já havia ocorrido pelo ano de 1900.

Vamos adicionar as coisas novamente. Um aumento de ~ 0,3°C antes de 1900, um novo aumento de 0,3°C entre 1900 e a linha de base (1951-1980) e um novo aumento de ~ 1°C desde a linha de base até à data, juntos representam um aumento de ~ 1,6°C em relação aos níveis pré-industriais.

Por outras palavras, já ultrapassámos um aumento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais em 0,1°C.

A linha de tendência indica que um novo aumento de 0,5°C terá lugar até ao ano de 2030. Ou seja, que sem uma ação abrangente e efetiva, ficará 2°C mais quente do que os níveis pré-industriais antes do ano de 2030.

O pior das emissões ainda está por vir.

A maior parte da ira de aquecimento global ainda está por vir e a situação é ainda mais ameaçadora do que na foto acima, pelas seguintes razões:

  1. Metade do aquecimento global tem até agora sido mascarado por aerossóis, particularmente os sulfatos que são emitidos quando alguns dos combustíveis fósseis mais sujos são queimados, como o carvão e combustível bunker. Enquanto fizermos a mudança necessária para a energia limpa, o efeito de mascaramento que vem com essas emissões irá desaparecer.
  2. Como Ricke e Caldeira salientam, o dióxido de carbono que é libertado agora, só atingirá o seu pico de impacto daqui a uma década. Por outras palavras, ainda estamos por experienciar toda a ira do dióxido de carbono emitido durante a última década.
  3. picos anormais de temperaturas

  4. A maior ameaça vem de picos de temperatura. Pessoas em algumas partes do mundo vão ser atingidas mais fortemente, especialmente durante os picos de verão, como discutido na próxima secção deste post. Enquanto as temperaturas sobem, a intensidade desses picos irá aumentar. A imagem à direita ilustra isso com uma previsão para 25 de Dezembro de 2015, mostrando o tempo extremo para a América do Norte, com temperaturas tão baixas como 30,6°F -0,8°C na Califórnia, e tão elevadas quanto 71,5°F ou 22°C na Carolina do Norte. [a 26 fizeram de facto 22°C na Carolina do Norte e 3°C na Califórnia].
  5. Mecanismos de reforço positivo como as rápidas mudanças de albedo no Ártico e as grandes quantidades de metano libertadas abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, podem acelerar dramaticamente o aumento de temperatura. Além disso, o vapor de água vai aumentar em 7% para cada 1°C de aquecimento. O vapor de água é um dos gases de efeito estufa mais fortes, logo, o aumento do vapor de água continuará a contribuir para um aumento não-linear da temperatura. As subidas de temperatura resultantes ameaçam ser não-lineares, como discutido na secção final deste post.

A situação é ainda pior para alguns

Tais aumentos de temperatura vão atingir algumas pessoas mais do que outras. Para as pessoas que vivem no hemisfério norte, a perspectiva é pior do que para as pessoas no Hemisfério Sul.

Dados da NOAA mostram que a anomalia da temperatura global em terra e nos oceanos para novembro foi de 0,97°C, enquanto que a anomalia da temperatura global na terra e nos oceanos para 3 meses foi de 0,96°C. A anomalia da temperatura em terra no Hemisfério Norte (onde a maioria das pessoas vivem) em novembro 2015 para 12 meses foi de 1,39°C, como mostrado na imagem abaixo, enquanto a linha de tendência mostra que, para as pessoas que vivem no Hemisfério Norte, um aumento de 1,5°C em comparação com 1910-2000 poderia ser alcançado tão cedo quanto em 2017.

Anomalia da Temperatura Terrestre no Hemisfério Norte

De forma similar, a perspectiva é pior para as pessoas que vivem em regiões que já estão a experienciar agora elevadas temperaturas durante os picos de verão. Como disse, com o aumento das temperaturas, a intensidade de tais picos irá aumentar.

Mecanismos de Reforço Positivo (Feedbacks) no Ártico

A imagem abaixo, de uma publicação anterior, representa o impacto dos feedbacks que estão a acelerar o aquecimento no Ártico, com base em dados da NASA até Novembro de 2013, e a sua ameaça de causarem aquecimento global descontrolado. Como a imagem mostra, as temperaturas no Ártico estão a subir mais rápido do que em qualquer outro lugar no mundo, mas o aquecimento global ameaça recuperar o atraso assim que os feedbacks começarem a ser mais intensivos. A situação, obviamente, deteriorou-se ainda mais desde que esta imagem foi criada em novembro de 2013.

Aquecimento global acelerado no Ártico e mecanisos de reforço positivo

Aquecimento global acelerado no Ártico resultante dos mecanismos de reforço positivo. 1- Aquecimento global; 2- Aquecimento Acelerado no Ártico; 3- Aquecimento Global Fugidio.

A imagem abaixo mostra as anomalias da temperatura de superfície do mar no Hemisfério Norte em novembro.

Anomalia da Temperatura de Superfície do Mar

A imagem em abaixo dá uma indicação das elevadas temperaturas da água abaixo da superfície do mar. Anomalias tão elevadas como 10,3°C ou 18.5°F foram registadas ao largo da costa leste da América do Norte (círculo verde no painel direito da imagem em baixo) a 11 de dezembro de 2015, enquanto que a 20 de dezembro de 2015, temperaturas tão altas quanto 10.7°C ou 51,3°F foram registadas perto de Svalbard (círculo verde no painel direito da imagem abaixo), uma anomalia de 9,3°C ou 16.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superfície dos Oceanos Dez 2015

Esta água quente é levada pela corrente do Golfo para o Oceano Ártico, ameaçando soltar grandes quantidades de metano do fundo do mar. A imagem abaixo ilustra o perigo, mostrando enormes quantidades de metano sobre o Oceano Ártico a 10 de Dezembro, de 2015.

Níveis de Metano no Ártico

O metano é libertado ao longo do Oceano Ártico em grandes quantidades, e este metano está a mover-se em direção ao equador à medida que atinge grandes altitudes. A imagem em baixo ilustra como o metano está a acumular-se em altitudes mais elevadas.

Níveis globais de metano

A imagem em cima mostra que o metano é especialmente proeminente em altitudes mais elevadas recentemente, tendo impulsionado os níveis de metano numa média estimada em 9 ppb ou cerca de 0,5%. As emissões anuais de hidratos foram estimadas em 99 Tg anualmente, numa publicação de 2014 (imagem abaixo).

Fontes de emissões de metano

Fontes de emissões de metano em Tg por ano.
Pântanos – 217 = 28,1%; Combustíveis fósseis e biomassa – 131 = 17%; Ruminantes, arroz, lixeiras – 200 = 25,9%; Outras fontes naturais, lagos, incêndios – 123 = 16%; Hidratos e Permafrost – 100 = 13%; Total – 171 Tg por ano.

Uns adicionais 0,5% de metano representam uma quantidade de cerca de 25Tg de metano. Isto vem em cima dos 99 Tg de metano estimados em 2014 como sendo libertados de hidratos anualmente.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Referências

– How Close Are We to ‘Dangerous’ Planetary Warming? By Michael Mann, December 24, 2015
http://www.huffingtonpost.com/michael-e-mann/how-close-are-we-to-dangerous-planetary-warming_b_8841534.html

– Maximum warming occurs about one decade after a carbon dioxide emission, by Katharine L Ricke and Ken Caldeira (2014)
http://iopscience.iop.org/1748-9326/9/12/124002/article

– How much time is there left to act?
http://arctic-news.blogspot.com/p/how-much-time-is-there-left-to-act.html

Durante os três meses do período entre Setembro e Novembro de 2015, esteve 1°C mais quente do que entre 1951-1980,…
Publicado por Sam Carana na quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015, em Arctic-News.blogspot.com

Standard