relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

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Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

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O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

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Citação de Stephen Hawking sobre mudança climática, degelo e hidratos de metano no aquecimento global
Robertscribbler

Energias Renováveis ​​estão a Ganhar a Corrida Contra os Combustíveis Fósseis… Mas Não Rápido o Suficiente

“Temos que reverter o aquecimento global com urgência, se ainda pudermos.”

– Stephen Hawking

“O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem mal, mas por causa daqueles que olham para ele sem fazer nada.”

– Albert Einstein.

*****

Quer o percebamos quer não, fomos arrastados para uma corrida. Uma corrida contra o tempo para reduzir rapidamente as emissões de carbono, a fim de evitar a rampa de danos climáticos a caminho de uma quinta extinção por efeito de estufa. Pois a queima atual de combustíveis fósseis e as práticas contínuas de despejo de carbono na atmosfera a uma taxa de 13 bilhões de toneladas por ano é um insulto ao sistema climático global que provavelmente nunca foi visto antes em toda a história profunda do planeta Terra. E quanto mais rápido reduzirmos essas emissões a zero e a um líquido negativo, melhor.

Na parte inicial da corrida, há um fator que pode trazer o maior benefício geral – a taxa de adesão ás energias renováveis. Pois aumentar as energias renováveis a uma taxa elevada remove quota futura de mercado aos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que reduz as emissões, traz eficiências e enfraquece as receitas fósseis da indústria de combustível. Uma tal mudança sistémica enfraquece o poder económico e político das entidades destrutivas que têm, durante décadas, tentado trancar no sistema volumes cada vez maiores de emissões prejudiciais ao clima. E quando as ER começam a superar não apenas quotas do mercado futuro mas também mercados atuais de combustíveis fósseis, essa perda de poder e influência acelera.

Citação de Stephen Hawking sobre mudança climática, degelo e hidratos de metano no aquecimento global

Uma vez que os combustíveis fósseis começam a perder o controle sobre os sistemas políticos por todo o mundo, torna-se mais fácil de implementar outras políticas baseadas no consumo, como um imposto sobre o carbono ou outros desincentivos a um uso muito desperdiçador de recursos no topo do espectro económico por todo o mundo. Um renascimento energético deste tipo não é uma solução perfeita. Não pode deter todos os danos climáticos que vêm pelo cano a baixo. Mas sim que atinge fortemente o centro de gravidade de uma base de poder económico global corrupta e prejudicial que, se lhe deixassem, garantiria os piores efeitos de uma extinção por efeito de estufa num tempo muito curto – destruindo inevitavelmente a civilização humana e infligindo um ecocídio global no processo. Diminui o poder e o alcance dos atores mauzões do carbono. E abre caminhos para uma rampa de políticas de mitigação das alterações climáticas e de resposta mais poderosas no futuro.

Neste contexto de uma vontade de puxar o tapete de debaixo dos atores mauzões do carbono, parece que as taxas de adesão das ER estão a começar a atingir um nível que faz com uma tal mudança de poder político e económico seja possível.

Energia Renovável Adiciona Quase 150 GW em 2015, Apesar dos Preços Baixos de Combustíveis Fósseis e Políticas Contrárias em Alguns Países

Durante 2015, de acordo com um novo relatório pela REN21, a energia renovável adicionou 147 Gigawatts à capacidade total de geração mundial de eletricidade para atingir os 1.849 Gigawatts. Este grande salto veio mesmo quando os preços dos combustíveis fósseis caíram, as políticas adversas à adesão de energias renováveis dominaram em lugares como a Austrália e o Reino Unido, e o suporte global por subsídio aos combustíveis fósseis permaneceu a um nível quatro vezes maior do que o apoio governamental às energias renováveis. Fatores que mostram uma falta de compromisso séria para com a segurança da civilização humana, que levam a um crescimento mais lento da capacidade global de Energias Renováveis no intervalo de cerca de três por cento ao ano para todo o setor.

Christine Lins, Secretária Executiva da REN21, observou na Clean Technica que as os ganhos das energias renováveis ​ contra esta maré foram significativos e impressionantes:

“O que é verdadeiramente notável quanto a estes resultados é que eles foram alcançados numa altura em que os preços dos combustíveis fósseis estavam em mínimos históricos, e as energias renováveis ​​mantiveram-se numa desvantagem significativa em termos de subsídios governamentais. Para cada dólar gasto impulsionar as energias renováveis, quase quatro dólares foram gastos para manter a nossa dependência dos combustíveis fósseis.”

Taxas de crescimento de energia solar e eólica foram particularmente fortes. Ambas as tecnologias beneficiaram de preços que ganharam à geração de energia por gás, carvão e diesel num número crescente de mercados. A energia solar acrescentou 50 gigawatts (GW) de nova capacidade em 2015 — o que é um salto impressionante de 40 por cento sobre o valor adicionado em 2014. Quase que igualou o salto da energia eólica de 63 gigawatts — um aumento de cerca de 14 por cento sobre as adições de 2014 pela energia eólica. No total, a capacidade solar global é agora de 277 GW e a do vento de 433 GW.

Quota de energias renováveis no mercado global de produção energética

(As energias renováveis continuaram a ganhar terreno face às fontes de energia tradicionais, em 2015. A energia eólica e a energia solar juntas representam agora cerca de 5 por cento da geração mundial de eletricidade com a geração total por energias renováveis agora perto de 23,7 por cento. Fonte da imagem: Relatório de Status Global das Energias Renováveis​).

Como parte da geração mundial de eletricidade, as energias renováveis ​​cresceram cerca de 1 por cento de ano para ano entre 2014 e 2015 – saltando de 22,8 por cento para 23,7 por cento. Uma taxa de crescimento que superou o carvão e o gás em muitos mercados. Entretanto, o número de pessoas que estão agora empregadas no sector das energias renováveis ​​a nível global expandiu para 8,1 milhões.

99,2 Por Cento de todos os Novos Crescimentos na Potência Elétrica Norte-Americana Vieram de Fontes Renováveis ​Durante o Primeiro Trimestre de 2016

Seguindo para 2016, os EUA viram uns impressionantes 99,2 por cento de todas as adições de electricidade virem de fontes renováveis ​​durante o primeiro trimestre. Adicionando no geral cerca de 2,1 gigawatts de nova capacidade, dominada por energia eólica e solar.

O maior contribuinte para esses ganhos foi a energia solar residencial, que instalou 900 megawatts de nova capacidade. A queda dos custos dos clientes no mercado residencial estimulou esses ganhos até porque os incentivos estaduais e federais forneceram uma perspetiva ensolarada para aqueles que deram o mergulho solar do telhado. O arrendamento solar foi responsável por cerca de 60 por cento da nova capacidade. Mas uns saudáveis 40 por cento vieram de compras diretas. Taxas de compras solares têm beneficiado de acesso fácil a crédito e de um ambiente de política positiva em muitos estados (embora exceções como Nevada colocaram um peso na taxa nacional de adesão).

Porcentagem de energias reováveis na nova capacidade de geração de energia eléctrica nos Estados Unidos

Nova Capacidade de Geração de Energia Eléctrica nos Estados Unidos (1º Trimestre 2016) | Outros tipos de energia solar, eólica, solar à escala de companhia, biomassa, hídrica, gás natural, geotermal, calor de detritos, nuclear, carvão, petróleo, outros.

(Uns impressionantes 99,2 por cento de toda a nova capacidade de produção de electricidade veio de fontes renováveis ​​durante o 1º trimestre de 2016. Se formos sábios, trabalharemos para assegurar que toda a nova energia vem de fontes sem carbono daqui em diante. Fonte da imagem: Renewables — 99 Percent of New Electricity Capacity in the US During Q1.)

Estes acrescentos residenciais substanciais marcaram uma tendência contínua na qual permitem mais e mais aos proprietários individuais a escolha entre energia da companhia, contratos de aluguer solar, e propriedade individual de produção de energia. Uma nova liberdade que proporciona resiliência ao crescimento das energias renováveis por todos os EUA, desde que as políticas adversárias não sejam promulgadas (como vimos em Nevada, com as táticas violentas no processo político por Warren Buffet, numa tentativa de proteger o legado das explorações de carvão e gás ).

Entretanto, o vento adicionou 707 megawatts de nova potência e a utilidade de energia solar adicionou 522 megawatts. O gás, que manteve preços de combustível quase historicamente baixos, apenas acrescentou 18 megawatts. Juntos, esta imagem mostra que a resistência, com base na preocupação pelas alterações climáticas, a nova infra-estrutura de combustíveis fósseis tem-se combinado com a queda dos preços das renováveis ​​para empurrar a maioria das utilidades a optarem sair das novas infra-estruturas baseadas em carbono. Tendências maiores, como o plano de energia limpa de Obama, a Cimeira do Clima de Paris e as campanhas vigorosas de desinvestimento em combustível fóssil, anti-oleoduto, e anti-carvão lançadas pela 350.org e a Sierra Club, servem como um poderoso moral nas costas das ​​crescentes economias de energias renováveis. Uma combinação de ações governamentais e ONGs que gerou agora um nível decente de execução para a redução da dependência de combustíveis nocivos.

Taxa de adesão às energias renováveis nos Estados Unidos por sector

(Grandes adesões a renováveis ​​ultrapassaram o gás natural ano a ano enquanto o carvão viu grandes cortes. No geral, o uso da eletricidade dos EUA também esteve baixo. Fonte da imagem: Renewables — 99 Percent of New Electricity Capacity in the US During Q1.)

As diferenças de ano para ano na geração de energia desde o 1º trimestre de 2015 ao 1º trimestre de 2016 pintam um quadro bastante brilhante para aquilo que parece ser uma transição energética em curso nos Estados Unidos. A utilização de carvão em geral caiu 7,3 por cento para 28,6 por cento do total dos EUA. As energias renováveis ​​deram um salto de quase 3 por cento para 17,1 por cento do total dos EUA – ocupando quase metade da perda que vem do carvão. A maior parte do ganho em energias renováveis veio de energia eólica e solar, as quais saltaram de 5,2 para 7,2 por cento do total dos EUA. Em mais de 1 milhão de telhados e incluindo uma parte crescente da utilidade de geração de energia, a energia solar ultrapassou pela primeira vez o 1 por cento da geração de eletricidade dos Estados Unidos – um limite que muitos vêem como um ponto de inflexão para taxas de adesão em rampa . A geração de energia pela água adicionou cerca de outro 1 por cento. E arredondando as fontes de energia de não-carbono, a energia nuclear adicionou 1,2 por cento para aumentar para 20,9 por cento do total dos EUA (embora a adição de geração de energia nuclear tenha sido menor do que tanto a eólica como a solar, o seu total líquido afigurou-se favoravelmente ao longo de um período em que, em geral, o consumo de energia dos EUA caiu).

Conduzidos por quedas no uso líquido de carvão e petróleo num total combinado de 94.000 gigawatts hora, a geração de eletricidade dos EUA caiu mais de 50.000 gigawatt/hora – uma queda de quase 5 por cento. Isto dá continuação a uma tendência maior de abrandamento da procura de electricidade nos EUA — uma que tem sido impulsionada em parte pelo aumento de eficiência em toda a cadeia de energia elétrica. E o único sistema de energia baseada em combustíveis fósseis que mostrou ganhos de ano em ano foi o gás natural — que acrescentou um pouco mais de 19.000 gigawatt-hora. Um total que ficou atrás da adesão às renováveis ​​em cerca de 3.000 gigawatts-hora.

A tendência em os EUA é, portanto, surpreendentemente clara. Apesar dos preços historicamente baixos de carvão e gás, as energias renováveis ​​e a eficiência energética são agora a força dominante num mercado de eletricidade dos Estados Unidos que atualmente parece estar a fazer movimentos sólidos no sair de fontes de energia tradicionais à base de combustíveis fósseis.

Tendências Positivas, mas Ainda Demasiado Lentas

Para ser claro, estas são tendências muito positivas. Numa comparação entre o 1º trimestre de 2015 com o 1º trimestre de 2016, o uso de combustíveis fósseis para geração de energia nos Estados Unidos caiu de cerca de 67 por cento para 62 por cento. Mas 62 por cento ainda é uma maioria da base de produção de energia eléctrica dos EUA. E com a mudança climática já a chegar a extremos perigosos, o objetivo aqui devia ser o de empurrar a queima de combustíveis fósseis para electricidade nos EUA aléḿ do nível de 50 por cento e em direção a 0 por cento o mais rapidamente possível. Assim, para os EUA, que mostrou claramente uma liderança global no corte de combustíveis à base de carbono ao longo do último ano, ainda há um longo caminho pela frente. E o mundo, mesmo no contexto mais positivo de geração de eletricidade, ficou atrás da taxa de adesão a energia renovável pelos EUA em cerca de 50 por cento, enquanto o uso líquido de energia está a crescer (não a encolher).

No ponto em que estamos, a utilização de energia eléctrica não é todo o consumo de energia. E numa perspectiva global, adicionando o transporte, a energia renovável só conseguiu ganhar uma fatia adicional de 0,1 por cento do bolo global de energia (aumentando para 19,2 por cento). Este atraso deveu-se em grande parte ao crescente uso de petróleo nos transportes — que beneficiou de preços mais baixos. E embora o salto na demanda global de petróleo não tenha sido tanto quanto algumas partes interessadas nos combustíveis fósseis esperavam, conseguiu evitar um maior ganho líquido global no total de energia renovável global.

Preço energético nivelado comparando diferentes fontes de energia

(A queda dos preços LCOE das energias eólica e solar combinaram-se com a preocupação global quanto à mudança climática causada pelos humanos no empurrar das taxas de adoção de energia renovável, que sobem em rampa. Uma segunda onda de maior acesso ao mercado será necessariamente impulsionada pelos esforços políticos renovados juntamente com a queda dos preços de armazenamento de energia e uma invasão de nova produção de veículos elétricos chegando entre 2017 e 2022. Fonte da imagem: Commons).

Perspectivando o futuro, o mundo irá precisar de adicionar na faixa de 250 a 350 gigawatts de energia renovável por ano enquanto adotando rapidamente os veículos elétricos e as tecnologias de armazenamento de energia relacionadas, de modo a fornecer taxas anuais de aumentos das quotas de renováveis em excesso de 2 por cento, enquanto se corta no uso de combustíveis fósseis no setor de transportes. As sinergias entre os aumentos na produção de veículos elétricos e queda dos custos de baterias proporcionam um caminho para esta próxima fase de expansão de energia renovável. Pois os veículos eléctricos em garagens (EVs) podem atuar como dispositivos de armazenamento de energia com o software adequado, redes inteligentes, e comercialização de energia organizada. Enquanto isso, as baterias EV antigas podem ser readaptadas para dispositivos de armazenamento de energia de baixo custo em casas, empresas e nas utilidades, as quais podem ajudar na penetração de renováveis na rede de energia.

Os interesses especiais na indústria de combustíveis fósseis são susceptíveis de lutar contra esta fase de crescimento de energia renovável com tudo o que têm. Mas, até agora, eles praticamente não conseguiram tirar o renascimento das energias renováveis ​​na sua infância. Agora, enquanto se move para a adolescência, os riscos são maiores e o jogo é provável que fique ainda mais duro. Mas parece que, apesar de toda a oposição por parte de vários atores mauzões dos combustíveis fósseis, esse renascimento da energia crítico está no processo de se instalar. E dado o facto de que uma mudança climática causada pelo homem muito perigosa está a aumentar muito mais rapidamente do que o esperado, o impulso de construção de uma transição de energia não poderia acontecer cedo o suficiente.

Traduzido do original Renewables are Winning the Race Against Fossil Fuels — But Not Fast Enough, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Junho de 2016.

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