relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

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Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

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O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

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Mudança climática abrupta e fora de controlo, emergência climática
Paul Beckwith

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

o sistema climático está a entrar numa espiral fora de controlo, ameaçando a nossa sobrevivência na Terra (…) os lideres dos governos por todo o planeta têm que declarar uma emergência climática. – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

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A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, laboratório de Paleoclimatologia. O que vou fazer neste vídeo é estruturar o caso de que estamos numa emergência de mudança climática. E então vou mostrar, construir o caso científico, a mostrar como o nosso sistema climático está a mudar em 2016 e porquê, cientificamente, estarmos numa emergência quanto à mudança climática. Temos que declarar isto, politicamente, numa base global. E depois, como lidamos com este problema? Precisamos de implantar as técnicas de sobrevivência do banco alto de três pernas… logo que possível, numa base de emergência. Primeiro, o que vou fazer é construir o caso para a emergência, e depois irei discutir, brevemente, algumas das coisas possíveis que temos que fazer.
Então, a nossa combustão de combustíveis fósseis aumentou. Também aumentámos as transformações resultantes do uso dos solos: menos floresta, mais áreas urbanas e agricultura. Portanto, os nossos níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar rapidamente e a uma taxa cada vez maior. Uma taxa exponencial. A terra está a aquecer rapidamente, e por isso estamos a obter um rápido declínio na cobertura de neve e no gelo marinho do Ártico. E estamos a ver um derretimento mais rápido da calota de gelo da Gronelândia. Portanto, as superfícies do Ártico, por toda a região do Ártico, estão a ficar mais escuras, estão a absorver mais luz solar.
isto está a fazer com que as regiões do Norte aqueçam mais rápido que a média global, 5 a 8 vezes mais. Isto diminui a diferença de temperatura entre o Ártico e o Equador, e menos calor move-se do equador para o pólo, na atmosfera e nos oceanos. 2/3 vai para a atmosfera e 1/3 vai para o mar.
Na atmosfera, as Correntes de jato estão a abrandar, a tornarem-se mais onduladas e frequentemente emperradas, fazendo com que os eventos climáticos extremos sejam mais frequentes, mais intensos, que durem mais tempo e que ocorram onde nunca costumavam acontecer.
Nos oceanos, estamos a ver aquecimento e estratificação e acidificação, o que está a matar a vida marinha por toda a cadeia alimentar, começando na base da cadeia alimentar. Está a reduzir a oxigenação e a mistura vertical nos oceanos. A Corrente do Golfo está a abrandar, e também estamos a ver aumento do nível do mar, que está a começar a inundar as linhas costeiras.
O sistema climático da Terra tem muitos componentes diferentes. Temos a hidrosfera, a litosfera, temos as influências humanas, somos parte da biosfera, os humanos são parte da biosfera, temos a atmosfera, claro, e temos a criosfera, os mantos de gelo e assim. Portanto, temos estes cinco principais componentes, temos os gases de efeito estufa na atmosfera, temos o input solar a entrar no sistema, se algo muda, reflete-se nos restantes e muda outras coisas. Precisamos de considerar a Terra como um sistema climático, e ver como os diferentes componentes estão a mudar.
Fiz um número de vídeos alguns dias atrás, e mesmo em poucos dias as coisas pioraram significativamente. Portanto, toda a região do Ártico está 7,23ºC mais quente que o normal. Isto é a anomalia. A maioria do calor está no Ártico, apesar de também estarmos a obter anomalias de calor maciças, anomalias da temperatura de até 20ºC no Ártico, e 10 a 15ºC na América do Norte. O único local frio é na Sibéria, e isso está a dissipar-se.
Portanto, todo o sistema climático está desorientado. Não há outra maneira de o colocar, está mesmo a atuar de forma estranha. O que está a acontecer é que, há uma equalização da temperatura em latitude. As latitudes mais elevadas estão a aquecer tanto, que estamos a obter uma equalização da temperatura, o que muda os padrões meteorológicos e o clima, por todo o planeta. Isto é outro ponto de vista e podemos claramente ver a zona fria da Sibéria aqui, as zonas muito quentes no Ártico e sobre o este dos estados Unidos, e temos regiões mais frias na zona Oeste da América do Norte.
E então, estamos a ver um quebrar dos padrões climáticos estáveis, ao longo da latitude, por todo o globo. estamos a obter estas áreas tipo aos remendos, onde temos áreas quentes e áreas frias, e áreas quentes e áreas frias, e nessas áreas, por haverem grandes diferenças de temperatura ao longo de pequenas distâncias, por exemplo entre aqui e aqui, isto causa ventos muito fortes e muita actividade de tempestades.
Vejam os oceanos, os oceanos estão a refletir aquilo que a atmosfera está a fazer. O Atlântico Norte, todas estas regiões estão mais quentes do que o normal, o Ártico está muito quente, especialmente no lado do Atlântico Norte, e também no lado do Pacífico e do estreito de Bering. Recentemente tivemos uma zona muito fria a sul da Gronelândia, agora temos esta zona muito fria no Pacífico Norte. Portanto, estamos a obter um comportamento muito invulgar, na atmosfera e nos oceanos, devido aos processos de transferência de calor, do calor do Equador para o Ártico, estão a mudar completamente.
Os gases de efeito estufa metano e CO2 são os mais importantes de entre os que estão a aumentar rapidamente. A água também está a aumentar, o vapor de água, é um feedback do sistema climático, mas estamos a romper a escala, se formos atrás quase um milhão de anos, estamos a romper a escala com estes dois gases de efeito estufa.
Fiz menção e vou reiterar a importância disto. Isto é muito importante: O CO2, este ano, é esperado que suba entre 4 e 5 partes por milhão; fora da escala. Portanto, o CO2 está a aumentar rapidamente. O metano está a aumentar extremamente rápido, principalmente no Ártico; irei discutir isso mais à frente. O óxido nitroso também está a aumentar rapidamente.
Estas são as taxas de mudança para este ano, e estes são o aumento da acumulação em geral. A coisa preocupante aqui é que, o aumento atmosférico é esperado que seja de entre 4 e 5 ppm este ano, mas… as emissões de CO2 pelos humanos é esperada que seja semelhante ao último ano, a qual foi semelhante aos anos anteriores. Portanto, nos últimos quatro anos elas nivelaram, mas isto são muito más notícias, se estes dados estiverem corretos. Quer dizer, é ótimo que o planeta se esteja a juntar e a cortar nas emissões, mas são muito más notícias que os níveis atmosféricos ainda estejam a aumentar tão rápido. Isto parece indicar que os dissipadores de carbono globais estão provavelmente a falhar, e os reservatórios globais maiores são a floresta da Amazónia…
Estamos a perder muito da floresta devido à seca e aos incêndios, estamos a perder muito da floresta boreal devido a incêndios. Mais de 100 milhões de árvores, creio, que estão a morrer por toda a América do Norte, devido a pestes e secas, tipo os stresses hídricos, temperaturas muito elevadas. O oceano está a ficar estratificado e a aquecer, logo não está a absorver tanto CO2, não há tanta mistura vertical logo há menos CO2 a, fisicamente, ser dissolvido na água, a temperaturas mais elevadas. Também há menos fitoplâncton a crescer por haver menos mistura vertical.
Portanto estamos a ver todos estes efeitos de feedback em cascata, que estão a tornar-se extremamente sérios, e não podem ser ignorados. Portanto, as temperaturas médias de superfície estão a escalar a pique em 2016; estão a romper com a escala. Se isto não é uma emergência climática, não sei o que o será. Se isto não move as pessoas para a ação, não sei o que o fará.
Isto é fevereiro deste ano. Corrigi os números. Estamos basicamente a 1,95ºC, portanto quase 2C acima dos níveis pre-industriais, em termos de temperatura, sendo pre-industrial 1750. Portanto, fevereiro a sair do gráfico, março, a sair do gráfico.
Isto é completamente devastador, o gelo marinho do Ártico e a cobertura de neve. estes são os modelos do IPCC, a média e o desvio padrão dos modelos, e isto são o que as observações estão a mostrar. Portanto, vamos olhar em mais pormenor para aquilo que o gelo marinho está a fazer. Então, estes dados estão atualizados… de muito recentemente, e estamos a ver um declínio exponencial. Isto são diferentes representações exponenciais, portanto, estamos a ir para zero… por volta de 2020, digamos 2022 ou assim, de acordo com estes dados.
Não é apenas setembro, que é o mínimo, aquilo que está a ser reduzido. Isto é setembro, depois outubro e agosto estão a escalonar. E os dois meses seguintes estão a escalonar, e por aí em diante. Todos os meses estão a cair, e o que vemos agora em outubro e novembro de 2016 é que aquelas curvas em particular, naqueles meses em particular, estão a convergir, estão a cair ainda mais rápido do que o mínimo de setembro. Estamos sempre a descobrir novos fenómenos a acontecerem na mudança climática, estamos a vê-lo acontecer em tempo real.
Esta é a extensão do gelo marinho no Ártico. Há dois dias atrás, no vídeo, a curva parecia bastante diferente. Se compararem esta curva agora, estamos de facto a vê-la nivelar; estamos de facto a ver a extensão do gelo marinho a cair. 50.000 num dia, e creio que 146.000 ou algo, no outro dia. Simplesmente nunca tínhamos visto isto antes. O gelo marinho tenta crescer e estender-se, mas está a ser quebrado pela ação das ondas, e temperaturas muito quentes da água, e pelas temperaturas elevadas localizadas que invadem no Ártico, e as enormes anomalias das temperaturas, de 20ºC ou 36ºF acima do normal para esta altura do ano.
Portanto, isto é a temperatura da região do Ártico a 80º Norte, e esta curva está ainda pior do que há uns dias atrás. Vejam este pico aqui, isto é incrível. Isto é inédito. Então, esta temperatura, para este ano, em comparação com a média a longo prazo, está cerca de 20ºC acima da média. É essencialmente verão no Ártico neste momento, em novembro. Isto devia ser notícia de primeira página por todo o mundo, de estar a começar a fazer parte de alguns dos principais jornais e publicações online, mas… eles simplesmente não entendem, simplesmente não entendem que as suas vidas e as vidas dos seus filhos e qualquer futuro para os humanos neste planeta estão a ser ameaçados pelo que estamos a ver aqui. Estamos a entrar por território muito desconhecido onde o nosso suprimento alimentar vai ficar severamente stressado. Quero dizer, isto simplesmente surpreende-me completamente, surpreende qualquer climatologista. Devía surpreender toda a gente. E vai, em breve.
Na Antártida, a queda abaixo da média a longo prazo e da variação está a acelerar. Estamos muitos desvios padrão abaixo e estamos a descer mais a pique, enquanto há apenas alguns anos atrás estávamos com quantidades recorde. Tudo isto é indicativo da estranheza global, ou estranheza climática.
Este é um dos gráficos mais assustadores porque se juntarmos a área do gelo marinho global, do Ártico e Antártida, estamos a nivelar aqui. Estamos a fugir do gráfico, estamos a nivelar, e isto é… é inédito. Isto é o que o gelo se parece num mapa. Portanto, a linha vermelha é a norma, a média, entre 1981 e 2010 em ambos os casos… …a linha amarela. Portanto, estamos a perder enormes quantidades de gelo marinho no Ártico e na Antártida. E até há enormes falhas na Antártida, aqui, o que também é muito surpreendente, muito invulgar.
Isto é a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico em outubro, e podemos ver como estamos a cair do precipício aqui. Há muitas formas de se olhar para estes dados; esta é outra perspectiva de outubro, a comparar outubro de 1979 a 2016, e caímos de um precipício aqui.
Ou podemos falar da espiral de morte do gelo marinho do Ártico. E então, o que estamos a ver é… os anos são aqui, ao longo do eixo radial, até 2016, e cada curva é um mês diferente do ano, sendo setembro a preta, e depois os meses de outubro e agosto a escalonarem. Quando isto for em direção ao zero… bem, eu esperaria que isto fosse para o zero, a linha preta, digamos em 2020, e depois as outras duas linhas a irem para o zero por volta de 2022, e depois estas duas linhas seguintes por volta de 2024, e depois todas estas linhas a irem para zero por volta de 20… 2030, e então, praticamente não teremos gelo marinho no Ártico, durante todo o ano, estaremos num clima muito mais quente, quem sabe, as temperaturas médias globais poderiam ser 5C, 6C mais quentes do que agora…Recolher Transcrição[/expand]

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Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono
Sam Carana

CO₂ Mensal a Não Menos de 400 ppm em 2016

Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões globais de dióxido de carbono de combustíveis fósseis e da indústria (incluindo a produção de cimento) quase não cresceram, como a imagem do Global Carbon Project em baixo mostra:

Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono

Contudo, os níveis de CO₂ têm continuado a subir e, como ilustrado pela tendência na imagem em baixo, poderão até ter acelerado.

Níveis de dióxido de carbono em crescimento apesar de não haver aumento das emissões

Porque têm os níveis de CO₂ na atmosfera continuado a subir apesar do facto de que as emissões da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento quase não terem aumentado nos últimos anos?

Desmatamento e outras alterações no uso dos solos

Durante a década de 2006 a 2015, as emissões provenientes do desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outra 1,0 ± 0,5 GtC (3,3 ± 1,8 GtCO₂), em média, às emissões de combustíveis fósseis e cimento representadas acima. Em 2015, de acordo com o Global Carbon Project, o desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outras 1,3 GtC (ou 4,8 bilhões de toneladas de CO₂), em cima das 36,3 bilhões de toneladas de CO₂ emitido pelos combustíveis fósseis e pela indústria. Este aumento nas emissões por desmatamento e outras mudanças no uso do solo constitui um aumento significativo (42%) sobre as emissões médias da década anterior, e este salto foi em grande parte causado por um aumento nos incêndios florestais ao longo dos últimos anos.

Por conseguinte, os níveis de CO₂ na atmosfera continuaram o seu crescimento constante. Em 2016, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm. Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 800.000 anos.

Níveis de CO2 acima dos 400ppm em 2016

Em 2016, pela primeira vez em pelo menos 800.000 anos, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm.

Enquanto sobem, os níveis de CO₂ globais flutuam com as estações do ano, normalmente atingindo a um mínimo anual em agosto. Em agosto de 2016, os níveis de CO₂ atingiram um mínimo de 400,44 ppm, ou seja, bem acima de 400 ppm. Em setembro de 2016, os níveis de dióxido de carbono tinham subido novamente, para 400,72 ppm. Importante notar, uma tendência está contido nos dados a apontar para um nível de CO₂ de 445 ppm no ano de 2030.

Sensibilidade

Entretanto, um estudo por Friedrich et al. atualiza as estimativas do IPCC para a sensibilidade ao aumento do CO2, concluindo que as temperaturas poderiam aumentar tanto quanto 7.36°C em 2100 como resultado do aumento dos níveis de CO₂.

Quando tendo outros elementos que não o CO2 mais em conta, a situação parece ainda pior que isto, ou seja, o aumento global da temperatura poderia ser tanto quanto 10°C na próxima década, como descrito na página extinção.

Sequestro de carbono em terra
Dissipadores de carbono e variação do sequestro de carbono ao longo dos anos.

Perturbação do ciclo global de carbono causada pelas atividades antropogénicas, estimadas globalmente para a década de 2006-2015(GtCO2/ano)

A imagem acima mostra também um aumento do sequestro de carbono em terra ao longo dos anos, o qual um estudo recente atribui a níveis mais elevados de CO₂ na atmosfera. Embora este aumento do dissipador de carbono em terra pareça ter travado um aumento mais forte da temperatura por algum tempo, há indícios de que este dissipador de terra já está a diminuir.

Porque é que o sequestro de carbono em terra está a diminuir?

  • Práticas agrícolas, tais como o esgotar das águas subterrâneas e aqüíferos, arar, mono-culturas e o corte e queima de árvores para criar gado pode reduzir significativamente o teor de carbono dos solos.
  • O salto recente na temperatura global parece ter danificado severamente os solos e a vegetação através de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, relâmpagos, inundações, ondas de calor, secas, tempestades de areia e incêndios florestais, e a erosão associada, transformando partes daquilo que foi uma vez um enorme reservatório de sequestro de carbono em terra em fontes de emissões de dióxido de carbono. Pior ainda, tais eventos climáticos extremos também podem levar a novas emissões, incluindo fuligem, óxido nitroso, metano, e monóxido de carbono, que por sua vez podem causar aumentos de ozono ao nível do solo, o que enfraquece ainda mais a vegetação e torna as plantas mais vulneráveis ​​a pragas e infestações.
  • Tal como um estudo de 2009 avisou, temperaturas mais elevadas também podiam causar uma redução na transpiração pelas copas das árvores, devido a estômatos das plantas menos amplamente abertos e o resultante aumento da resistência estomática em concentrações mais elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Como resultado, a cobertura de nuvens baixas está a diminuir na maior parte da superfície da terra, reduzindo albedo planetário e fazendo com que mais radiação solar alcance a superfície, e assim elevando ainda mais a temperatura para além do nível de viabilidade para muitas espécies.
Conclusão

Em conclusão, embora as emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria possam mal ter crescido, os níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar progressivamente, se não mesmo a acelerar. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos estão em ascensão e há outros fatores que contribuem para fazer com que o sumidouro de carbono em terra diminua de tamanho. Para além disso, o IPCC parece ter subestimado a sensibilidade ao aumento de CO2.

Temperaturas a aumentarem

Como resultado, não se pode esperar que as temperaturas descerão dos seus níveis actualmente muito elevados, como ilustrado na imagem abaixo.

Meses que Estiveram Acima de 1.5ºC

Esteve mais do que 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial durante 9 dos 12 meses entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Ártico, como ilustrado pela imagem em baixo, mostrando subidas da temperatura até 10.2°C no Ártico em outrubro de 2016.

Subidas da temperatura anormais no Ártico

O gráfico da DMI em baixo mostra a temperatura média diária e o clima a norte do paralelo 80, como função do dia do ano.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Comparação da temperatura média em cada dia do ano. Linha vermelha representa 2016 até 15 de Novembro. Linha verde representa a média de 1958-2002 para cada dia do ano.

Previsão para 19 de novembro de 2016: O Ártico vai estar tanto quanto 7,42ºC mais quente do que em 1979-2000, como ilustrado na imagem em baixo.

temperatura distancia-se da média no Ártico, anomalia de 7ºC

Outro reflexo de um mundo cada vez mais quente, a extensão combinada do gelo marinho do Ártico e da Antártida está atualmente num mínimo recorde. A 12 de novembro de 2016, a extensão global combinada de gelo do mar foi de apenas 23.508 mil km².

Gelo no Ártico e na Antártida com extensões mínimas para a altura do ano.

A extensão do gelo marinho no Ártico está a aumentar, onde o Inverno está a chegar, enquanto que na Antártida a extensão do gelo está a diminuir, onde está a chegar o Verão. Em ambos os polos o gelo está num recorde baixo para a época do ano.

Duas imagens, criadas por Wipneus com dados de NSIDC, foram adicionadas a seguir para ilustrar ainda mais a situação.

Extensão global do gelo do mar plurianual

A imagem acima mostra a extensão do gelo marinho global ao longo dos anos, enquanto que a imagem abaixo mostra a área total do gelo marinho global ao longo dos anos. Para mais quanto à diferença entre extensão e área do gelo, vejam esta página da NSIDC.

gelo marinho área global de ano para ano

Alguns dos resultados do dramático declínio global do gelo do mar são:

  • Enormes quantidades de luz solar que foram refletidas anteriormente de volta para o espaço são agora, em vez disso, absorvidas pelos oceanos.
  • O declínio do gelo marinho faz com que seja mais fácil que água quente do mar chegue debaixo dos glaciares e acelere o seu fluxo para a água.
  • Mais águas abertas resulta em tempestades mais fortes, provocando chuvas e continuação do declínio da cobertura de neve e gelo.
  • A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo na Gronelândia e Antártida, por sua vez ameaça provocar um aumento da libertação de metano da Gronelândia e da Antártida, como descrito em publicações anteriores como esta.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Monthly CO₂ not under 400 ppm in 2016 de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Novembro de 2016..

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James Hansen e sua neta processam o governo
James Hansen

James Hansen processa o governo com base em ‘O Fardo dos Jovens’

Jim Hansen e 22 jovens incluindo a sua neta mais velha Sophie Kivlehan puseram uma ação judicial contra o governo federal dos EUA, apresentada por Our Children’s Trust, por não proteger os direitos dos jovens.
O estudo de James Hansen em colaboração com outros cientistas“Young People’s Burden”.

Conteúdo traduzido do original Young People’s Burdenpublicado no Youtube a 4 de Outubro de 2016.

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-ypburden”]

O Fardo dos Jovens — James Hansen & Sophie Kivlehan

James Hansen: Olá! Sou Jim Hansen, diretor do Programa de Consciencialização para a Ciência Climática e Soluções, no Instituto da Terra da Universidade de Columbia. E esta é a minha neta mais velha, Sophie.
Sophie K: Olá! sou Sophie Kivlehan. O meu avô e eu somos dois dos pleiteantes numa ação judicial apresentada por Our Children’s Trust contra o governo federal por não proteger os direitos dos jovens. Os fundadores da nossa nação e o preâmbulo da constituição, disseram que era para assegurar as bençãos da liberdade para nós próprios e a nossa posteridade. A constituição garante proteção igual das leis para todas as pessoas. Os jovens são pessoas. A constituição diz que ninguém devia ser privado de vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo de lei. Mas isso é exatamente aquilo que se está a passar hoje. A nós, jovens, está-nos a ser entregue uma situação na qual os nossos prospectos para o futuro, onde, literalmente, as nossas vidas, liberdade, propriedade e procura da felicidade, conceitos queridos dos fundadores do nosso país, estão ameaçados pelas ações do nosso governo.
James Hansen: Essas são declarações fortes. Mas, vamos tornar claras as consequências das ações do governo dos EUA para os jovens, e do porquê ser necessário que os tribunais entrem em cena como fizeram no caso dos direitos civis. Vamos começar pela ciência. Vou discutir dados sobre alterações climáticas globais e uso energético global. E a Sophie irá discutir as implicações, especialmente para os jovens.
Têm-se-me juntado alguns dos melhores cientistas relevantes do mundo no submeter de um artigo, “O Fardo dos Jovens”, como um artigo de discussão em Earth System Dynamics Discussion. Chamámos a atenção para uma implicação assombrosa do falhanço do governo em tomar ação efetiva na mudança climática. Todas as nações concordam com a convenção de enquadramento da mudança climática de 1992 de se limitar as emissões de combustíveis fósseis para se evitar a perigosa mudança climática causada pelos humanos. 23 anos mais tarde, em Paris, no Dezembro passado, eles concordaram com quase a mesma coisa, e deram palmadinhas nas costas uns aos outros. Entretanto, as emissões aumentaram, cada vez mais rápido. Por detrás das cenas, os especialistas das Nações Unidas para a energia e o clima aperceberam-se silenciosamente que agora não há modo de se estabilizar o clima sem emissões negativas. E então os cenários da ONU agora admitem extração tecnológica de CO2 em massa, chupar CO2 do ar.
Sophie K: Eles assumem hoje que os jovens irão fazer isto no futuro, mas é necessário energia para se retirar o CO2 do ar. Será lento e caro. O custo, mesmo com suposições optimistas de tecnologia, é estimado em centenas de triliões de dólares, se as elevadas emissões de combustíveis fósseis continuarem. Isso não é justo. os adultos de hoje beneficiam da queima de combustíveis fósseis e deixam o desperdício para os jovens limparem. É por isso que nós apresentámos uma queixa contra o governo. Em vez de proteger os jovens, o governo trabalha com a indústria de combustíveis fósseis, a qual entrou neste caso legal com advogados de elevado preço, em apoio ao governo. Esta é uma situação trágica, porque se o governo tivesse simplesmente feito o seu trabalho, colhendo e aumentando as taxas sobre o carbono à indústria dos combustíveis fósseis para tornar os preços dos combustíveis fósseis honestos, as energias limpas cresceriam rapidamente e as emissões de CO2 decairiam rapidamente.
James Hansen: Vamos olhar de perto para a ciência. A temperatura global hoje é 1.3ºC mais quente do que na temperatura pré-industrial, definida pela média de 1880-1920. A incerteza em definir o período de base pré-industrial afecta o resultado em apenas um décimo de um grau. A temperatura este ano está elevada pela fase quente da oscilação natural das temperaturas do Pacífico tropical. Mas a temperatura global de fundo está agora em quase 1,1ºC em relação à temperatura pré-industrial. Ainda é possível manter o aquecimento global abaixo dos 1,5ºC mas apenas se os governos começarem a levar a mudança climática a sério, reduzindo as emissões de combustíveis fósseis e tomando outras ações que vamos descrever.
O mundo está agora mais quente do que em qualquer altura anterior no Holoceno — o período interglaciar com nível do mar estável nos últimos milhares de anos — enquanto a civilização se desenvolveu. A temperatura é agora semelhante àquela do período Eemiano, 120.000 anos atrás, quando o nível do mar estava 6 a 9 metros, 20 a 30 pés, mais elevado que hoje. A história da Terra mostra que o nível do mar ajusta-se em poucos séculos às mudanças na temperatura global, e se permitirmos emissões elevadas continuadas, a temperatura irá subir bem acima do nível do Eemiano, e o forçamento sobre os mantos de gelo será tão forte que a rápida desintegração dos mantos de gelo e o aumento do nível do mar é muito provável. Num artigo recente, vários dos cientistas de topo mais relevantes e eu argumentámos que o aumento do nível do mar em vários metros é provável em 50 a 150 anos, se as emissões por combustíveis fósseis elevadas como de costume continuarem.
Sophie K: O aumento do nível do mar em vários metros está praticamente garantido, seria apenas uma questão de tempo. A disrupção social e os efeitos económicos de um tal aumento do nível do mar são incalculáveis. A maioria das cidades grandes do mundo estão localizadas nas linhas costeiras. Estas cidades vão ficar disfuncionais apesar de partes da cidade ficarem fora de água. Nações como os Países Baixos e o Bangladesh ficariam na maior parte debaixo de água. Os refugiados seriam às centenas de milhões. Como podemos os adultos, sabendo-o, deixarem tais prospectos aos mais jovens?
James Hansen: Se o colapso dos principais mantos de gelo começar, haverão disrupções crescentes na segunda metade deste século, quando os jovens de hoje serão adultos, com danos irreparáveis para os jovens de hoje. Mas não precisamos de esperar até à segunda metade deste século para vermos os impactos da mudança climática. Os extremos climáticos já estão a aumentar. O tempo inclui variações caóticas, de modo que a temperatura média sazonal flutua de ano para ano. Há 50 anos atrás, as anomalias da média a longo prazo formavam uma linda curva de sino. Algumas estações mais quentes que a média, algumas mais frias. O aquecimento global está a mudar a curva de sino. A mudança é muito maior no Verão do que no Inverno, como mostrado aqui para os Estados Unidos. O efeito é maior na China e na Índia do que nos EUA e na Europa. Ainda maior no Mediterrâneo e Médio Oriente, que já tiveram verões quentes. Cada verão agora é mais quente do que há 50 anos atrás. E o tempo de Verão prolonga-se durante mais tempo. Os trópicos, incluindo a África Central e o Sudoeste Asiático, estão mais quentes que o normal durante todo o ano.
Sophie K: Os impactos do aquecimento incluem maiores extremos climáticos. As regiões húmidas têm mais chuvas extremas e inundações, como aconteceu recentemente em Louisiana. As cheias centenárias agora ocorrem mais vezes do que uma por século. Mas secas mais fortes ocorrem especialmente em regiões sub-tropicais, tais como no sudoeste dos EUA e no Médio Oriente. Os maiores impactos são em regiões de baixa latitude que já eram quentes. O calor adicionado torna a vida mais difícil e reduz a produtividade do trabalho, o que tem efeitos económicos. Existem dados empíricos substanciais de que violência e conflitos entre pessoas, grupos e nações aumentam à medida que fica mais quente. As doenças com origem em vetores envolvendo infeções por mosquitos sanguessugas ou carraças podem se espalhar a latitudes mais elevadas e a maiores altitudes, à medida que o aquecimento aumenta.
James Hansen: As responsabilidades das nações pelo aquecimento global resultam do facto de que as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis são a principal causa. As emissões pela China são neste momento as maiores, os EUA em 2º e a Índia em 3º. Contudo, mostrámos num artigo de 2007 que a mudança climática é causada por emissões cumulativas. Os EUA e a Europa são cada um deles responsável por mais de um quarto do total de emissões, a China por 12%, a Índia por 3 %. Numa base per-capita, o Reino Unido, os EUA e a Alemanha são os mais responsáveis, numa ordem de magnitude maior do que a China ou a Índia.
Sophie K: Então que situação enfrentarão os jovens de hoje no futuro, se permitirmos que a mudança climática em grande escala ocorra? As pessoas no futuro vão entender quais nações foram mais responsáveis.
James Hansen: Este é um tópico importante. Vamos voltar a ele mais tarde. Deixem-me sumarizar alguma da ciência no nosso artigo “O Fardo dos Jovens”, para que tenhamos tempo para discutir a relevância da ciência para o caso legal que está a ser colocado contra o governo. Primeiro, mostramos que as taxas de crescimento dos 3 mais importantes gases de efeito estufa no ar, CO2, metano, óxido nítrico, não estão a abrandar; estão a acelerar! Mostramos o que é necessário para mantermos o aquecimento global abaixo de 1.5ºC, os quais o acordo de Paris especificou como alvo. Um grau e meio coloca a temperatura global no nível estimado para o período Eemiano E então, o alvo na realidade necessita de ser ainda mais baixo. A temperatura devia ser mantida dentro ou próximo do nível anterior do Holoceno. Contudo, o ponto importante é que, para ambos os alvos, os cenários que as Nações Unidas utilizam, admitem agora que têm que assumir emissões negativas maciças de CO2. Isso significa chupar CO2 do ar. Mesmo com as suposições tecnológicas mais optimistas, se as emissões por combustíveis fósseis continuarem como presentemente, o custo será em centenas de triliões de dólares.
Sophie K: E é assumido que os jovens de hoje irão, de alguma forma, pagar por isto no futuro. E então, não apenas nos está a ser entregue um sistema climático com desastres climáticos crescentes e o aumento do nível do mar, como esperam que paguemos a conta e limpemos a bagunça que as gerações mais velhas nos deixaram.
James Hansen: É possível reduzir-se as emissões 7% por ano, como foi demonstrado em vários países ao longo de períodos extensos. Ainda agora parece que o governo Holandês está a considerar um plano para reduzir as emissões em 50% por volta de 2030, devido a um processo legal bem sucedido contra o governo.
Sophie K: Vamos assumir que os tribunais obrigavam os governos a trabalharem para o público em vez de para a indústria dos combustíveis fósseis. Seria possível reduzir-se as emissões em vários pontos percentuais por ano. Contudo, também precisamos de extrair CO2 do ar através de práticas melhoradas de agricultura e florestação, o que requer ter a maioria das nações do mundo envolvidas, muitas delas nações em desenvolvimento que têm pouca ou nenhuma responsabilidade pelo CO2 em excesso no ar.
James Hansen: Sim, isso é um ponto importante. Existem benefícios para os países locais, mas vão ser necessários recursos para se implementar as alterações agrícolas e florestais. E também para se reduzir as emissões de gases de efeito estufa que não o CO2. Há uma ideia para se obter os recursos a partir da indústria de combustíveis fósseis. Semelhante ao modo como os recursos foram obtidos da indústria do tabaco. Façam-nos pagar o seu custo para a sociedade. Uma vez que os recursos estejam disponíveis, a sua distribuição pode ser feita em função do sucesso dos países em tomarem as ações necessárias. Mas isso é uma história para outro dia. Vamos falar da relevância da ciência no nosso artigo para o caso trazido pela Our Children’s Trust contra o governo dos EUA, no tribunal distrital de Oregon. A Sophie é um dos 21 pleiteantes jovens, e eu sou o pleiteante 22º, como guardião da Sophie e das gerações futuras. Numa audiência, a 14 de Setembro, perante a honorável juíza Ann Aiken, os advogados pela defesa argumentaram que o caso devia ser dispensado. Uma questão era se o governo federal tem qualquer responsabilidade perante os jovens e as gerações futuras. Nós dizemos que é responsável. Mas vamos focar-nos em duas questões constitucionais fundamentais que eles levantaram. A primeira é se a juventude tem até mesmo uma posição para trazer um caso, se a juventude constitui uma classe contra a qual pode haver discriminação. As emendas 14 e 15 juntas conferem proteção igualitária das leis, e garantem que as pessoas não podem ser privadas de vida, liberdade ou propriedade, sem o devido processo de lei. Os advogados pela defesa afirmam que o governo não fez nada para classificar intencionalmente a juventude, logo a juventude não tem posição, nem base para trazer uma reclamação de igualdade de proteção contra o governo.
Sophie K: Não dizemos que o governo nos classificou. Mas por causa da nossa juventude, estaremos vivos na segunda metade deste século. E os nossos filhos e netos estarão vivos no século 22. Não podemos permitir que o governo roube as nossas vidas, liberdade, propriedade e busca pela felicidade, nem aquela dos nossos filhos e netos, pois isso também nos magoa profundamente, pensar nos prospectos em declínio para os nossos filhos e a deterioração da vida no planeta que nós e os nossos filhos herdamos. O governo diz que não tomou nenhuma ação afirmativa que cause o nosso problema. Mas isso é falso. Como a Julia Olson, a nossa advogada brilhante e dedicada indica, os governos controlam o fazer do nosso sistema energético e emite permissões para extração, perfuração, exportações, importações e oleodutos para o desenvolvimento de combustíveis fósseis não convencionais e perfuração em profundidade. Mesmo quando a ciência mostra claramente que não podemos desenvolver esses recursos sem danos irreparáveis para os mais jovens, devíamos estar a ir em direção à energia limpa e deixar a energia suja no solo.
James Hansen: A segunda questão fundamental tem a ver com toda a velocidade deliberada. E se o tribunal tem autoridade, sob o artigo 3º da constituição, para intervir quando os ramos legislativos e executivos empoderados pelo artigo 1º e 2º da constituição, falharam em proteger os direitos constitucionais dos cidadãos.
Sophie K: Sim, é semelhante aos direitos civis. O tribunal supremo descobriu, no caso Brown contra o Conselho da Educação, em 1954, que os direitos dos negros eram violados pela segregação escolar. O tribunal não tentou especificar como foram segregados, mas que tem que proceder com toda a velocidade deliberada. Uma frase que foi associada com o tão respeitado jurista Oliver Wendell Holmes. Contudo, 10 anos depois, o jurista Hugo Black declarou que, o tempo para mera velocidade deliberada já se esgotou, devido à frase ter sido utilizada para atrasar o cumprimento com a ordem judicial.
James Hansen: Toda a velocidade deliberada será uma questão dominante para o clima. As acções do nosso governo são grosseiramente inadequadas. Eles não aceitaram a realidade ditada pelas leis da física e da ciência. Temos que eliminar as emissões de combustíveis fósseis rapidamente. O facto trágico é que tem sido demonstrado em estudos económicos e em exemplos em determinados países, que é possível eliminar emissões a uma taxa estável de 7% por ano, enquanto fortalecendo a economia e criando empregos. Requer ter uma taxa crescente para todos sobre o carbono. E um apoio forte pela pesquisa, desenvolvimento e demonstração de tecnologias livres de carbono avançadas.
Sophie K: As ordens do tribunal do ramo executivo e legislativo têm que avançar com um plano que tome ação efetiva com toda a velocidade deliberada, o que forçaria o congresso a sentar-se com o presidente e convergisse num plano que seja aceitável para conservadores e liberais de igual modo. Sabemos que é possível, mas não acontecerá sem pressão do tribunal. o nosso futuro depende disso.
James Hansen: Já chega por hoje. Muito bem.
Sophie K e Dr.James Hansen (como Guardião das Gerações Futuras) são pleiteantes num processo legal contra o Governo Federal dos EUA, requerendo um plano para a eliminação rápida das emissões de combustíveis fósseis.Recolher Transcrição[/expand]

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Recuo glacial da Antártica Ocidental
The Guardian

Mundo a caminho dos 3ºC de aquecimento sob as atuais promessas climáticas globais, adverte a ONU

Os compromissos climáticos atuais são insuficientes para reduzir as emissões pelos montantes necessários para evitar níveis perigosos de aquecimento global, diz o relatório da Unep

Recuo glacial da Antártica Ocidental

Recuo glacial da Antártica Ocidental Fotografia: Mario Tama/Getty Images

Os compromissos assumidos pelos governos sobre as alterações climáticas vão levar a níveis perigosos de aquecimento global porque são desproporcionais com o crescimento das emissões de gases de efeito estufa, de acordo com um novo relatório.

O Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep – United Nations Environment Programme) disse que as promessas apresentadas para reduzir as emissões veriam as temperaturas subirem 3ºC acima dos níveis pré-industriais, muito acima dos 2ºC do acordo climático de Paris, que entra em vigor na sexta-feira.

Pelo menos um quarto das emissões devem ser cortadas até ao final da próxima década, face às tendências atuais, disse a ONU.

O relatório constatou que as emissões em 2030 eram susceptíveis de atingir cerca de 54 a 56 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, um grande desvio das 42 gigatoneladas por ano prováveis de representarem o nível em que o aquecimento supera os 2ºC.

Erik Solheim, chefe do Unep, disse que o mundo estava “a mover-se na direção certa” na redução das emissões de gases de efeito estufa e no combate às alterações climáticas, mas que devem ser tomadas medidas urgentemente para se evitar a necessidade de reduções de emissões muito mais drásticas no futuro. “Se não começarmos a tomar medidas adicionais agora, vamos lamentar-nos acerca da tragédia humana evitável.”

Ele advertiu, em particular, que as pessoas iriam começar a ser deslocados das suas casas pelos efeitos das alterações climáticas, sofrendo com secas, fome, doenças e conflitos oriundos destas aflições. A migração em massa resultante da mudança climática é difícil de separar de outras causas de migração, mas está previsto tornar-se um problema muito maior.

Este ano está garantido para ser o mais quente jamais registado, segundo a Nasa, eclipsando o calor recorde do ano passado, e poderá mostrar o caminho para futuros aumentos de temperatura e os seus problemas acompanhantes.

Sob o acordo de Paris, alcançado em dezembro passado, todos os governos em funcionamento do mundo acordaram em reduzir os gases de efeito estufa em linha com a necessidade de manter o aquecimento a não mais do que 2ºC, o que os cientistas consideram o limite de segurança. Esse acordo foi ratificado pelos EUA, a China e a União Europeia, e vários outros governos.

No entanto, apesar de todos os governos envolvidos no acordo de Paris terem acordado as suas próprias metas nacionais para conter os gases de efeito estufa, estas não são juridicamente vinculativas. Além disso, poucos países estabeleceram planos concretos acerca de como irão implementar as contenções.

Na próxima semana, os signatários do acordo de Paris irão reunir-se em Marraquexe para cimentarem alguns aspectos do pacto alcançado no ano passado. Os defensores esperam que alguns países possam chegar a planos mais concretos de como pretendem alcançar as reduções de emissões futuras necessárias, e que os países que ainda não ratificaram o acordo sejam persuadidos a fazê-lo.

Não é esperado que nenhum país anuncie novas metas para emissões concordantes com as reduções que o relatório da Unep sugere que são necessárias. As nações têm atualmente metas domésticas para contenção ou redução das emissões até 2020, estabelecidas em 2009 na reunião da ONU em Copenhaga, bem como os seus compromissos de Paris, aplicáveis entre 2025 e 2030.

Asad Rehman, ativista internacional do clima da Friends of the Earth, disse: “Esta é uma advertência severa que não pode ser ignorada – é urgentemente necessária uma ação mais forte face às alterações climáticas para evitar que o mundo acelere rumo à catástrofe. Os governos estão a beber copos no “bar da última hipótese” se os objetivos elevados do acordo climático de Paris forem atingidos”.

Richard Black, diretor do grupo de reflexão Energy and Climate Intelligence Unit, disse: “O relatório da Unep confirma que tem havido uma notável aceleração no sentido rumo a uma economia de baixo carbono global em relação ao ano passado, mas é necessária substancialmente mais ação se os governos quiserem cumprir a meta por eles fixada no acordo de Paris”.

Outro acordo climático significativo foi assinado nas últimas semanas. Ao abrigo do Protocolo de Montreal de 1987, os países concordaram em eliminar progressivamente os gases que se sabe serem prejudiciais à camada de ozono. Alguns dos substitutos, no entanto, revelaram-se muito mais potentes do que o dióxido de carbono para o aquecimento do planeta.

Sob uma nova adição a esse acordo, países por todo o mundo concordaram em remover os HFCs prejudiciais usados em alguns sistemas de ar condicionado e refrigeração. Se totalmente implementado, isto poderia resultar numa redução de 0,5°C no aquecimento futuro. Dada a meta estabelecida em Paris para limitar o aumento da temperatura global em 2ºC, isto faria uma diferença significativa para as ações do mundo face às alterações climáticas, se for respeitado na íntegra. A eliminação progressiva das substâncias químicas relevantes pode demorar grande parte do resto da década, contudo, e pode enfrentar resistência em algumas indústrias.

Solheim urgiu aos países para embarcarem em programas mais ambiciosos para melhorarem a eficiência energética, aumentarem a quantidade de energia proveniente de fontes renováveis, e procurarem alcançar os objetivos nacionais que estabeleceram em Paris.

Traduzido do original World on track for 3C of warming under current global climate pledges, warns UN publicado por Fiona Harvey no theguardian, a 3 de Novembro de 2016

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Feedbacks climáticos como incêndios florestais impactam relação entre níveis de CO2 e emissões de CO2
Sam Carana

Feebacks Climáticos Começam a Entrar Mais em Cena

Secas e ondas de calor estão a colocar a vegetação sob uma pressão devastadora ao mesmo tempo que causam incêndios que resultam em desmatamento e perda de turfa em escala massiva, contribuindo para o recente aumento rápido nos níveis de dióxido de carbono.

Comparação dos níveis de CO2 com emissões de CO2 revela impacto de feedbacks climáticos

Vai levar uma década antes que estas elevadas emissões de dióxido de carbono recentes terão o seu impacto completo sobre o aquecimento. Além disso, enquanto o mundo faz progressos com os cortes necessários nas emissões de gases de efeito de estufa, isso irá também remover os aerossóis que têm, até agora, mascarado a ira completa do aquecimento global. Por implicação, sem ocorrer geoengenharia durante a próxima década, as temperaturas continuarão a subir, resultando em mais aumentos na abundância e intensidade das secas e incêndios florestais.

As temperaturas no Ártico estão a aumentar mais rápido do que em qualquer outro lugar. A imagem abaixo mostra que as águas do Ártico estão agora muito mais quentes do que em 2015. A 22 de Junho de 2016, a superfície do mar perto de Svalbard estava tão quente quanto 13,8°C ou 56,9°F (círculo verde), ou seja, 11,6°C ou 20.9°F mais quente que a média de 1981-2011.

temperaturas elevadas no mar no oceano Ártico

Os incêndios florestais podem libertar quantidades enormes de dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), metano e fuligem. A imagem em baixo mostra que a 23 de Junho de 2016, incêndios a norte do Lago Baikal causaram emissões tão elevadas quanto 22,953 ppb de CO e 549 ppm de CO2 na localização marcada com o círculo verde.

Incêndios florestais perto do Lago Baikal libertam enormes quantidades de CO2

O vídeo em baixo creado por Jim Reeve mostra uma animação com os níveis de monóxido de carbono em Maio de 2016.

Como quantidades crescentes de fuligem dos incêndios florestais assentam na cobertura de gelo e neve, a diminuição do albedo no Ártico irá acelerar. Além disso, ondas de calor estão a causar um aquecimento rápido dos rios que terminam no Oceano Ártico, acelerando ainda mais o seu aquecimento. E então, há um grande perigo de libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Enquanto isso, o aumento das temperaturas também irá resultar em mais vapor de água na atmosfera, amplificando ainda mais o aquecimento.

À medida que mais energia permanece na biosfera, pode-se esperar que as tempestades aumentem de intensidade. A subida das temperaturas irá resultar em mais vapor de água na atmosfera (7% mais vapor de água por cada 1°C de aquecimento), amentando ainda mais o aquecimento e resultando em eventos de precipitação mais intensos, i.e. chuvas, inundações e relâmpagos.

Nuḿero de eventos diários de chuvas intensas bate recorde em 2015

Nuḿero de eventos diários de chuvas intensas bate recorde em 2015. De Lehmann et al.

Recentemente, a Virgínia Ocidental foi atingida por umas cheias devastadoras, matando pelo menos 26 pessoas e causando a evacuação de milhares de pessoas e danos enormes. As inundações também podem causar decomposição rápida da vegetação, resultando em grandes libertações de metano, como ilustrado na imagem em baixo que mostra uma forte presença de metano (cor magenta) a 39,025 pés ou 11.9 km ,a 26 de Junho (painel da esquerda), bem como aos 44,690 pés ou 13.6 km a 27 de Junho (painel da direita).

Libertação de metano resultante das inundações na Virgínia Ocidental revelada pelos níveis elevados de metano registados

Além do mais, plumas por cima das tempestades podem trazer vapor de água para a estratosfera, contribuindo para a formação de nuvens cirrus que prendem muito calor que de outro modo seria irradiado para o espaço. O número de eventos de relâmpagos pode ser esperado que aumente em cerca de 12% por cada 1°C de aumento da temperatura do ar global média. Entre 3 e 8 milhas de altitude, durante os meses de Verão, a actividade de relâmpagos aumenta tanto quanto 90% e o ozono em mais de 30%.

Em conclusão, os feedbacks (mecanismos de realimentação ou retroalimentação) ameaçam causar um aquecimento descontrolado, o que poderia fazer as temperaturas subirem mais de 10°C ou 18°F numa década.Neste momento, o derretimento dos mantos de gelo está a mudar a forma como a Terra oscila em torno do seu eixo, diz a NASA. Como Paul Beckwith discute no seu vídeo em baixo, as alterações também estão a ocorrer nas Correntes de Jato.

O perigo é que as alterações na oscilação do planeta irão desencadear terramotos massivos que irão desestabilizar os hidratos de metano e resultar em enormes quantidades de metano a entrarem abruptamente na atmosfera, como ilustrado na imagem em baixo.

Terra tornou-se Monopolo, com temperaturas elevadas no Ártico e baixas na Antártida

Perdemos o Ártico? Parece que a Terra já não tem dois Polos, mas tornou-se, em vez, num Monopolo, com apenas um Polo na Antártida. A 29 de Junho de 2016, as águas no Ártico (superfície do mar) estava tão quente quanto 15.8°C (60.5°F), ou 13°C (23.4°F) mais quente que a média de 1981-2011. Entretanto, as temperaturas de superfície na Antártida naquele dia eram tão baixas quanto -66.6°C (-87.8°F).

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original e atualizado a 6 de Julho de Climate Feebacks Start To Kick In More de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 25 de Junho de 2016.

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Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio
Robertscribbler

CO2 Aumenta a uma Taxa Recorde e Atinge 408 ppm em 2016

Para 2016 parece que as concentrações mensais de dióxido de carbono (CO2) atmosférico vão atingir um novo pico próximo de 408 partes por milhão no Observatório Mauna Loa em Abril ou Maio. Não só é esta a maior concentração deste gás peça chave no efeito de estufa já registada em Mauna Loa, como também é a marca daquilo que provavelmente irá ser a taxa mais rápida de aumento anual de CO2 já vista.

Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio

(O CO2 atmosférico continua a ser empurrado para níveis recorde por uma emissão maciça de combustíveis fósseis em curso. os níveis globais de gases de efeito estufa são agora elevados o suficiente para começarem a resultar em várias alterações catastróficas, como o rápido aumento do nível do mar, a desestabilização glacial, o aumento de situações de secas, inundações e incêndios florestais, e o declínio da saúde do oceano. Fonte da imagem: The Keeling Curve).

Em 2014, um século e meio de queima global de combustíveis fósseis havia despejado uma quantidade chocante de carbono nos ares do mundo – forçando os níveis atmosféricos de CO2 a subirem de cerca de 275 partes por milhão em meados do século 19 para um pico de cerca de 401,5 partes por milhão durante esse ano. Em Maio de 2015, os níveis de CO2 atmosféricos atingiram um pico de cerca de 403,8 partes por milhão. E em Abril de 2016, as concentrações médias mensais desse gás de efeito estufa tinham subido para perto de 407,6 partes por milhão. Como as leituras de CO2 atmosférico picam tipicamente em Maio, podemos esperar uma média mensal de topo final para este ano a variar entre 407,6 e 408 ppm – ou 3,8 a 4,2 partes por milhão mais elevada do que durante o mesmo período em 2015. Um aumento global total de cerca de 133 partes por milhão desde o século 19. Um nível de carbono atmosférico que – se for mantido – é suficiente para aumentar as temperaturas globais em cerca de 3 graus Celsius nas próximas décadas e séculos.

Aomalia da temperatura em 2016 comparada a 1881-1910

(Os níveis de CO2 atmosféricos que agora se aproximam de 410 partes por milhão estão a empurrar as temperaturas globais para perigosamente perto do limite de 1,5 C, identificado por cientistas como a marca da primeira série de pontos de ruptura do clima perigosos para a civilização. Manter os níveis de CO2 perto de 410 partes por milhão arrisca um aquecimento a longo prazo de 3 C. Continuar com as emissões de carbono faz com que uma situação já má se torne dramaticamente pior. Fonte da imagem: Climate Central).

Estes são agora os mais altos níveis de CO2 atmosféricos observados nos últimos 23 milhões de anos. E uma taxa anual de aumento de CO2 aproximando-se de 4 partes por milhão é inédito para qualquer período de tempo em qualquer registo geológico – mesmo durante o evento de extinção por efeito de estufa do Permiano, o qual eliminou cerca de 90 por cento da vida nos oceanos e 75 por cento da vida na terra. Esta taxa muito rápida de aumento de CO2 atmosférico está a ser estimulada por uma emissão de carbono com base em combustíveis fósseis agora na faixa de 13 biliões de toneladas por ano (dos quais o CO2 é a grande maioria). Isso é uma taxa de adição de carbono mais de dez vezes mais rápida do que o pico de carbono que desencadeou a extinção em massa por efeito de estufa do Paleoceno-Eoceno, há cerca de 55 milhões de anos atrás. Uma taxa muito perigosa de acumulação de carbono que irá gerar mudanças geofísicas cada vez mais graves e prejudiciais ao longo dos próximos anos, décadas e séculos. Um evento que, se continuar, poderia muito bem ser chamado de a mãe de todos os picos de carbono.

Novo Recorde da Taxa de Aumento para Concentrações de Gases de Efeito Estufa enquanto as Emissões de CO2 Nivelam.

As taxas de aumento entre picos não captam a acumulação média anual total, mas é um indicador. E para 2016, parece que a medida anual irá saltar em pelo menos 3,5 partes por milhão. Aumentos recorde anteriores ocorreram no ano passado (em 2015) e em 1998, quando o dióxido de carbono atmosférico saltou em cerca de 3 partes por milhão. Durante a última década, o dióxido de carbono tem acumulado em cerca de 2,2 partes por milhão por ano. Então, seja qual for o contexto, 2016 aparenta ser um ano muito mau, no sentido de que vamos quase certamente ver um novo ritmo recorde de acumulação de gases de efeito estufa.

Desestabilização irreversível do glaciar Totten e aumento do nível do mar

O Glaciar Totten está a derreter rapidamente. Isso é um problema pois segura uma enorme quantidade de gelo. Se o glaciar derreter, se acordo com um novo estudo por uma equipa internacional de cientistas, poderia produzir um aumento no nível do mar de 11 pés (~ 3,5 metros)

(Um estudo recente na revista Nature Geoscience descobriu que a queima contínua de combustíveis fósseis e acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono, trás o risco de desestabilização irreversível do Glaciar Totten ,o que resultaria num crescimento rápido do nível do mar neste século. No total, o Glaciar Totten cobre uma área do tamanho do sudeste dos Estados Unidos, tem mais que uma milha de espessura e, se derretido, elevaria o nível do mar em 11 pés. Os pesquisadores descobriram que a boca do Glacier Totten – que retêm essa pilha gigantesca de gelo – está a derreter rapidamente agora. Fonte da imagem: Nature Geoscience e The Washington Post).

As causas deste salto incrível e perigoso de CO2 atmosférico estão inteiramente aos pés da indústria global de combustíveis fósseis, a qual continua a empurrar através dos seus vários aliados políticos e agências de mídia para a queima expandida e extensiva de carvão, petróleo e gás. Mas apesar das numerosas tentativas por parte dessa indústria destrutiva para conter o ritmo de adoção de energias renováveis e dificultar os esforços para aumentar a eficiência energética, tanto a eficiência como as energias renováveis têm avançado e as taxas de emissão de carbono estabilizaram durante 2014 e 2015.

O que a indústria tem conseguido, contudo, é um adiar contínuo de uma taxa mais rápida de adoção de energia renovável que tem resultado em emissões globais de carbono a manterem-se nos níveis altos recorde atuais. E um tal enorme despejo de carbono na atmosfera e nos oceanos teria inevitavelmente resultado em novas taxas recorde de aumento de CO2 atmosférico a serem atingidas eventualmente.

Emissões globais de CO2 pela Agência Internacional para a Energia

(As emissões globais de CO2 estabilizaram num nível recorde de 32 bilhões de toneladas por ano durante 2014 e 2015. As taxas crescentes de adoção de energias renováveis e as melhorias na eficiência energética ajudaram a dar forma a esta tendência. No entanto, 32 bilhões de toneladas de CO2 por ano [cerca de 8 bilhões de toneladas do total de 13 bilhões de toneladas de carbono que atingem o ar a cada ano, quando o peso molecular de átomos não-carbono, tais como o oxigénio, é removido] é provavelmente o mais rápido ritmo de acumulação de CO2 atmosférico em toda a história profunda da Terra. Uma estatística gritante que presta urgência para trazer rapidamente essa elevada taxa anual de emissões para baixo. Fonte da imagem: Agência Internacional de Energia – Dissociação das Emissões Globais e Crescimento Económico Confirmada).

Este ano, um forte El Nino reduziu a capacidade dos oceanos para a captação de um volume tão grande de arrotos de poluição provenientes das chaminés e tubos de escape do mundo. Um aquecimento variável das águas que coloca uma tampa sobre aquilo que já é um sequestrador de carbono decadente no oceano. Além disso, comparativamente pequenas mas significativas contribuições de carbono na forma de incêndios globais crescentes, aumento do degelo e queima da permafrost, e aumento de fugas de metano fornecem agora um feedback de amplificação visível para a emissão maciça e sem precedentes de gases de efeito estufa humana. Um feedback que está garantido vir a agravar-se rapidamente se a emissão de combustível fóssil humana, literalmente insana, não parar em breve.

Traduzido do original Key Hothouse Gas to Rise at Record Rate, Hit Near 408 Parts Per Million in 2016, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Maio de 2016.

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