Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos em ano de La Niña
Robertscribbler

Há uma La Niña em Desenvolvimento — Então Porque é Que o Mundo Ainda Está a Aquecer?

A longo prazo, não há dúvida daquilo que está a controlar a tendência da temperatura do mundo. A grande erupção de gases de efeito estufa por parte da indústria de combustíveis fósseis e maquinaria baseada em energia não-renovável fez com que os níveis de carbono atmosférico atingissem 405 ppm de CO2 e 490 ppm CO2e este ano. Todo este carbono adicionado fez com que o mundo aquecesse um valor recorde de 1,22ºC face aos níveis da década de 1880, durante 2016 (aproximadamente). Mas sobreposto a esta tendência de aquecimento de longo prazo está o ir e vir do calor atmosférico e da superfície do oceano baseado em variabilidade natural que é a Oscilação Sul – El Niño (OSEN).

OSEN — Um Padrão de Onda a Sobrepor-se à Tendência de Aquecimento de Longo Prazo

Pense nisto como sendo um padrão de onda menor que se sobrepõe à escalada de temperatura global atual. À medida que o El Niño aumenta e se faz revelar, forças naturais causadas ​​pelo aquecimento periódico da superfície do oceano no Pacífico Equatorial impulsionam ainda mais as temperaturas globais. Isto tende a acrescentar à tendência de aquecimento global provocada pelos humanos. Assim, com frequência, os anos de El Niño são também anos quentes recorde.

Influência do El Niño na temperatura global


(Variações de temperatura entre El Niño e La Niña criam um padrão ondulado na tendência de aquecimento global geral. Nota — o ano quente recorde de 2016 não está incluído neste gráfico. Fonte da imagem: NOAA. |Vermelho= meses de El Niño | Cinzento= meses neutros | azul= meses La Niña

Por outro lado, a La Niña, que gera um arrefecimento periódico no Pacífico Equatorial, tende a ir um pouco contra a tendência de aquecimento de longo prazo. Assim, os períodos de La Niña tendem a fazer com que as temperaturas atmosféricas globais médias na medida anual desçam cerca de 0,2 a 0,4ºC, a partir dos períodos de pico de aquecimento atmosférico durante o El Niño. Claro que, uma vez que a variabilidade OSEN tipicamente segue uma gama desde +0,2ºC a -0,2ºC mas não afeta as tendências de temperatura a longo prazo, é preciso apenas cerca de uma década para que os anos La Niña sejam tão quentes como os recentes anos El Niño.

Ligeiro Aquecimento Durante o Outono de 2016 Apesar da La Niña

Durante o outono de 2015 e o inverno e a primavera de 2016, um poderoso El Niño ajudou a elevar as temperaturas de superfície globais a novos patamares recorde. Isto aconteceu porque gases de efeito de estufa por todo o mundo estiveram a carregar calor no Sistema Terrestre durante algum tempo e o forte El Niño serviu como uma espécie de rastilho que abriu as comportas para uma vaga de calor atmosférico. É por isso que 2016 será cerca de 1,22ºC mais quente do que as temperaturas da década de 1880 (1ºC mais quente do que as temperaturas de linha de base da NASA para o Século XX) e porque os anos entre 2011 e 2016 estarão, em média, acima de 1ºC mais quentes do que os valores da década de 1880 no geral (0,8ºC mais quentes do que as linhas de base para o Século XX).

Mas agora, com o El Niño de 2016 já ultrapassado e com uma La Niña a formar-se no Pacífico, seria de esperar que as temperaturas globais arrefecessem um pouco. Em grande parte, isto aconteceu. Em janeiro e fevereiro deste ano, as temperaturas médias mensais foram tão altas quanto 1,5ºC acima das médias da década de 1880. Desde o Verão, as médias caíram para cerca de 1 a 1,1ºC acima dos valores da década de 1880.

Temperaturas médias nos meses de 2016

As temperaturas globais atingiram um mínimo à volta de 1ºC acima da década de 1880, ou 0,4ºC acima da média entre 1981 e 2010, neste gráfico baseado em GFS de Karsten Haustein, durante junho, tendo em seguida começado a subir lentamente durante o outono, mesmo quando uma fraca La Niña se começou a desenvolver.

Com a La Niña a continuar a formar-se, seria de esperar que estes valores mensais continuassem a cair um pouco à medida que a La Niña fosse crescendo. Mas isto não parece estar a passar-se. Em vez disso, as temperaturas atmosféricas atingiram um mínimo em torno de 1 a 1,1ºC acima dos níveis da década de 1880, em junho, julho, agosto e setembro, e agora parecem estar a recuperar.

Sinal de Amplificação Polar Aparece como uma Irregularidade na Medida Global

Por outras palavras, estamos a assistir a um aumento na tendência da temperatura global, quando deveríamos estar a assistir a um declínio de contra-tendência estável forçado pela variabilidade natural.

Porque é que isto está a acontecer?

A evidência climática aponta para um conjunto bastante óbvio de suspeitos. Em primeiro lugar, o valor de Oscilação Decenal do Pacífico tem continuado a empurrar para a faixa positiva. E este estado tenderia a favorecer mais calor que irradia de volta para a atmosfera a partir da superfície do oceano.

No entanto, se olharmos para os mapas climáticos globais, os principais contribuidores para a anomalia não vêm do Pacífico, mas dos pólos. Pois este outono viu aquecimento extremo em ambas as regiões polares norte e sul do mundo. Hoje, as anomalias de temperatura no Ártico e na Antártida foram 5,84 e 4,19ºC acima da média, respetivamente. A média aproximada entre os dois pólos de +5ºC para estas regiões de alta latitude. Como já mencionado muitas vezes anteriormente, tal magnitude de aquecimento é um sinal evidente de amplificação polar baseada em mudança climática, onde as temperaturas nos pólos aquecem mais depressa relativamente ao resto da Terra durante a primeira fase de aquecimento forçado por gases de efeito estufa.

Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos

Aquecimento extremo das regiões polares continuou a 4 de novembro de 2016. Este aquecimento está a fazer frente à tendência da La Niña, a qual tenderia a arrefecer o mundo temporariamente. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer.

Por si só, estas temperaturas anormalmente elevadas nos pólos seriam estranhas o suficiente. Mas quando se tem em conta que a La Niña ainda deveria estar a arrefecer o globo, começa a parecer que este severo aquecimento polar tem contrariado um pouco o sinal de arrefecimento da La Niña — virando-o de volta para o aquecimento no final do outono. E se isto é o que realmente está a acontecer, então tal implicaria que o sinal de variabilidade natural que é produzido pela OSEN está a começar a ser suplantado por influências baseadas na amplificação polar. Por outras palavras, parece haver um outro sinal que se está a começar a intrometer sob a forma de um pico de temperatura baseado na amplificação polar.

É algo que tem aparecido de tempos a tempos como uma irregularidade nos dados de observação ao longo dos últimos anos. Mas o outono de 2016 fornece um dos sinais mais fortes até ao momento. E é um sinal relacionado com um conjunto de feedbacks que têm o potencial de afetar o ritmo geral do aquecimento planetário. Definitivamente, algo para se ter em conta daqui para a frente.

Traduzido do original There’s a La Nina Developing — So Why is the World Still Heating Up?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 4 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Anúncios
Standard
Estudar climatologia com Earth Nullschool
Paul Beckwith

Torna-te um Cientista do Clima em 15 Minutos

Quais os mecanismos envolvidos nas alterações climáticas e como funcionam, da corrente de jato às secas e inundações, do El Niño às anomalias de temperatura…Apertem o cinto; Paul Beckwith é quem conduz.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 minutes (1/2).
A segunda parte está a ser transcrita e legendada em Português no Amara.org, onde é muito fácil para qualquer pessoa ajudar com um empurrãozinho de modo a que fique disponível o quanto antes.

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

[expand title=”Transcrição:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-cient15t”]

Torna-te um Cientista Climático em 15 Minutos

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, do Laboratório de Paleoclimatologia. Hoje, nos próximos 15 minutos, Vou ensinar-vos, basicamente, a como se tornarem num cientista do clima, usando um ótimo software. Se procurarem no Google “earth nullschooll” http://earth.nullschool.net/ poderão trazer aí o que vêm na tela aqui e irei guiar-vos através dela, e deixar-vos determinar vós mesmos o que está acontecendo com o nosso planeta. OK, então, esta é a tela principal, earth.nullschool.net, se apenas clicares em “terra” isso abre os menus. Primeiro de tudo, para que é que estamos a olhar? Se quiser descobrir para o que está a olhar, basta clicar em “earth” e isso dá-lhe a latitude e a longitude, e neste caso temos os ventos, a 60 km por hora, e dá-lhe a direção dos ventos. Então, o que se pode fazer? Pode-se arrastar a Terra à volta e olhar em diferentes pontos de vista. Portanto, isto está a olhar para uma vista do Ártico, por exemplo, e em seguida, irá atualizar após alguns segundos, pode-se usar o roda do rato para fazer zoom-in e zoom-out e quando se aumenta o zoom aumenta a resolução, assim pode-se olhar para regiões específicas e continuar a arrastar e ver-se o que acontece. Estas áreas vermelhas, o que está a acontecer lá, perto da Gronelândia? Basta clicar sobre elas e pode-se ver que os ventos são mais fortes lá, no verde mais claro os ventos são mais fracos, nesta cor verde-amarelada os ventos são mais fortes. Então, é assim que se navega, basicamente, à volta do planeta, olhando para qualquer ponto de vista que se deseje. Agora, como é que se vai mudar o menu? Clica-se em “earth”, que controla tudo. Agora, se quiser obter mais informações sobre o que está a medir pode-se clicar em “about” e obtém-se esta imagem aqui, e pode-se fazer scroll para baixo e diz-lhe que esta é uma visualização das condições meteorológicas globais, projetada por supercomputadores, atualizada a cada três horas, aah, correntes de superfície do oceano são atualizadas a cada cinco dias, etc … Pode-se ir para baixo e dá-lhe informações sobre quem está a fazer … quem criou o software, as fontes de dados de onde vêm, o computador hospedeiro das informações, informações sobre os níveis de pressão, 1000 hectopascais (hPa), isto é a cerca de 100 metros (m), condições próximas do nível do mar … O importante são os 250hPa, é muito importante; é onde as correntes de jato estão, sobe-se para a estratosfera e assim por diante; à medida que se sobe a pressão diminui. Também se pode obter informações sobre todos os outros parâmetros, como a forma como as ondas são medidas, a concentração de CO2, etc, aerossóis … Toda a informação está nesta página. Para voltar, clicar em “earth” outra vez o que nos traz de volta ao globo. Agora, vamos passar por alguns dos menus e ver o que existe, primeiro que tudo. Também informa que estamos a olhar para o vento na superfície, diz-nos a data dos dados … … em que os dados são recolhidos, então, é basicamente em tempo real. Hoje são 7 de Abril, diz-lhe 20:00 hora local … São dados da GFS, dados da Global Forecast System, do US National Weather Service, do National Center for Environmental Prediction… O que você pode fazer é … Além disso, o controle. Estamos a olhar para os dados de agora e pode-se ir para trás ou para a frente, Então, se formos aqui, que é o dia antes, vêm, ele faz scroll para o dia antes, e pode-se continuar a rolar para voltar um dia inteiro … Se se clicar na seta menor volta-se atrás uma hora, e pode-se desligar a animação, a qual é a animação da … desculpem-me, pode-se desligar aqui e isso tira a animação do vento e apenas vemos esta imagem, ou pode-se ligar a animação. Assim, as cores, os níveis, sobressaem mais quando se tem a animação desligada. Pode-se ver o ar, o oceano, a química e partículas, e estas são as altitudes na atmosfera, logo, se queremos olhar para a corrente de jato, por exemplo, vamos para os 250hPa, que são 250milibars, e é essa a altitude das correntes de jato. Se simplesmente clicarmos em “earth”, outra vez, desligamos o menu, e podemos ver o que está a acontecer com o jet-stream. Assim, se formos … Se formos para a América do Norte, por exemplo, e olharmos para o que os jatos estão a fazer, podemos ver a imagem da América do Norte por baixo e podemos ver o que está a acontecer com a ondulação dos jatos. As correntes de jato movem-se de uma forma zonal de Oeste para Este e isso é por causa da rotação da Terra. As coisas desviam-se para a direita no Hemisfério Norte, então, o ar que se move para cima desde o Equador desvia para a direita, concentra-se a uma altitude de 11 km, em média, e obtemos o jetstream. Podemos ver o jato a dividir-se em duas passagens aqui, e isto é uma grande calha aqui, esta é uma grande crista aqui, então o ar seco e quente sobe para a crista aqui ar mais estável, de alta pressão, quente, e obtém-se ar frio e baixas pressões tempestuosas nas calhas da corrente de jato. Assim, a corrente de jato é como uma barreira entre o ar frio do Ártico e o ar mais quente e húmido mais a sul. Pode-se ver que o … se se diminuir o zoom aqui, pode-se ver o que o jato está a fazer, está muito ondulada e distorcida e fragmentada. Estamos agora na estação de transição, entre o inverno e o verão no Hemisfério Norte. O Ártico é extremamente quente. Como vemos a temperatura? Podemos ver a temperatura, clicando em “earth”, indo a “ar”, olhando para a superfície, olhando para a temperatura aqui. OK, então isto está a mostrar a temperatura, e pode-se verificar isso, pode-se clicar sobre estas áreas … É muito frio nas áreas roxas, mas vejam este ar quente vindo aqui para cima, então, isto são 6,2 grau Celsius (°C) … acima de zero, indo para cima direitinho para o Ártico, e pode-se relacionar isso com a corrente de jato. Se se voltar a superfície, vento, pode-se ver… não se pode ver muita coisa a acontecer ali, os jatos estão a fazer reviravoltas aqui. Mas geralmente pode-se relacionar essas excursões com onde o jato está, talvez por isso o ar quente … pode-se ver ar quente a ser arrastado aqui para cima, atravessando aqui. Isto é o que está a acontecer agora, poderia ter sido arrastado até lá um pouco mais cedo e é por isso que está particularmente quente naqueles lados. Há muitos outros fatores aqui, pode-se ir para cima meio caminho através da atmosfera, cerca de 500 milibares. Então, pode-se fazer muitas coisas com o ar. Pode-se também ter diferentes pontos de vista, e então, se formos aqui … podemos ver a Terra nesta visão expandida aqui. Assim consegue-se ver os jatos claramente aqui, pedaços que saem do jato, e pode-se ver como estão muito fraturados e divididos, que está a tornar-se mais e mais … normal, se quiserem, no nosso período de mudança climática brusca para um planeta muito mais quente. Há muita luta de puxões a acontecer entre o ar quente e o frio. Há também outros pontos de vista por onde podem olhar que são muito estranhos e esquisitos, não são usados com muita frequência, mas apenas para saberem que estão lá, projeções diferentes, por exemplo, e … são usadas dependendo do que se está a analisar, mas, principalmente, vamos apenas usar este aqui, que é muito útil, e a projeção sobre um plano 2D, e aqui é o globo, que eu prefiro. Estas sobreposições: vento, temperatura, humidade relativa … se não estiverem seguros do que são, mantenham o rato sobre eles. Densidades instantâneas de energia eólica — quanta energia existe nos ventos. Água Precipitável Total; basta passar com o rato para obter a leitura. Água Condensável Total … Desculpem, Água Total nas Nuvens, pressão média ao nível do mar. Isto é algo chamado de Índice de Miséria, que combina temperatura e humidade. Portanto, se o Índice de Miséria for alto, obviamente, não vão quer ficar lá fora muito tempo. Vamos dar uma olhada no que está a acontecer no oceano. Então, se eu clicar em “Ocean” aqui, … e olharmos para as correntes, e olharmos para a temperatura da superfície do mar, isso dá-nos a temperatura dos oceanos, Então, o que se pode fazer é … pode-se ver que o El Niño ainda está a acontecer aqui no Pacífico, a água quente está aqui mas está a espalhar-se; este costumava estar tudo roxo. Como sabemos? Podemos voltar atrás no tempo … Ao irmos aqui e apenas clicando aqui atrás e voltamos no tempo; então, são 5 dias mais cedo, 5 dias antes disso, 5 dias antes disso, vamos continuar a voltar um pouco atrás e pode-se ver como a temperatura da superfície do mar está a mudar. Na realidade, é muito mais claro se se olhar para a anomalia da temperatura de superfície do mar. Esta é a temperatura do oceano neste dia e hora em particular, e é a anomalia em relação ao que seria normalmente, a média a longo prazo. Consegue-se ver esta área, é 2,6°C mais quente do que o normal. E se se voltar atrás um pouco mais pode-se ver … a água quente, de modo que o El Niño estava muito mais forte no início do ano, pode-se ver que há muito mais amarelo, estava muito mais quente e voltamos atrás … e tem enfraquecimento em força, e tem vindo a espalhar-se … sim, aqui vamos nós, então, está muito, muito forte, OK? Estamos apenas a voltar aos dias anteriores, e por isso estamos a ver um El Niño muito poderoso aqui. Toda esta área até 3,5 graus mais quente do que o normal … O que é interessante é que pode-se ver também aqui no Pacífico Norte, pode-se ver que há alguma água fria aqui, isto é água quente, temos uma mancha de água quente aqui, a qual contribuiu para a seca da Califórnia. E se formos para a frente no tempo, podemos ver o que está a acontecer e, na verdade, esta água fria que está a sair do Estreito de Bering está a infiltrar-se no Pacífico, em grande medida, e está de facto a expandir-se em área e expandindo a região que ela abrange. Estou apenas a clicar; estamos no 23 de Fevereiro … Podemos ver isto a ficar maior … Então, podemos fazer um monte de, tipo, fazer perguntas e tentar respondê-las para vermos o que está a acontecer ao longo do tempo na Terra. OK? E então, assim que encontrarem alguma coisa interessante … olhem para esta água fria aqui. Isto está quase 3 graus mais frio do que o normal e ainda há água muito quente aqui em cima ao longo da costa e ainda temos este forte El Niño em curso. E vamos continuar aqui … em Março … lembrem-se, a cada 5 dias é atualizado, e pode-se ver a extensão desta … Aqui vamos nós, os dados mais recentes. Então, temos água muito fria a sair e temos a água muito quente do El Niño que se está se espalhar para latitudes mais altas e mais baixas à medida que o ciclo do El Niño se aproxima do final. Vamos olhar para outra região do planeta. Vamos olhar para o … Vamos olhar para esta mancha fria no Oceano Atlântico, a sul da Gronelândia, e vamos ver como isso evolui ao longo do tempo. Então, isto é onde estamos agora … Se tentarem ir para a frente no tempo, ele diz que “não há dados”, então não há dados para esse dia, então … O último dia que temos dados é há alguns dias atrás. Então, vemos a Corrente do Golfo muito quente a atravessar-se aqui, 7 graus mais quente do que o normal, existem algumas áreas aqui que estão 10 graus, podem expandir e encontrá-las, mas também vemos esta colisão da água quente da Corrente do Golfo e temos a água fria proveniente de … descendo através do Estreito de Nares, deste lado da Gronelândia; também temos água fria chegando aqui, e temos alguma água quente aqui, que creio ser proveniente de rios … parece estar a atravessar, na verdade consegue-se voltar atrás e ver de onde está a vir. Então, vamos dar uma olhada, vamos começar a recuar um pouco. Então, se voltar no tempo … Olhem para esta água aqui. Há um choque … Olhem para esta água aqui; este é um segmento muito frio aqui, 7,2°C mais frio que o normal, e aqui temos água que está 8 graus mais quente que o normal, praticamente, e 7 graus. Então, de facto encontrei uma área onde estava 10 graus mais quente do que o normal, de modo que é uma diferença de 17 graus. Há esta mancha de água fria, e de onde é que isso veio? Bem, é água que está a descer daqui e depois foi cortada pela corrente do golfo. – continua –Recolher Transcrição[/expand]

Standard
Robertscribbler

O Telhado Está a Arder – Parece que Fevereiro de 2016 Esteve 1.5 a 1.7 C Acima das Médias de 1880

Antes de começarmos a explorar esta instância mais recente e mais extrema de uma longa série de temperaturas globais de quebrar recordes, devíamos ter um momento para creditar os nossos “amigos” negadores da mudança climática pelo que está a acontecer no Sistema Terra.

Durante décadas, uma coligação de interesses especiais em combustíveis fósseis, investidores de grandes negócios, grupos de reflexão relacionados, e a grande maioria do Partido Republicano, têm lutado estridentemente para evitarem uma acção eficaz na mitigação dos piores efeitos da mudança climática. Na sua louca missão, eles atacaram a ciência, demonizaram líderes, paralizaram o Congresso, mancaram o governo, apoiaram combustíveis fósseis destinados a falhar, impediram ou desmancharam regulamentação útil, tornaram o Supremo Tribunal numa arma contra as soluções de energias renováveis, e puseram abaixo indústrias que teriam ajudado a reduzir o dano.

Através destas ações, eles têm sido bem sucedidos na prevenção da mudança rápida e necessária de desistência da queima de combustíveis fósseis, travando uma liderança americana florescente em energias renováveis ​​e ao inundarem o mundo com o carvão, petróleo e gás de baixo custo, que são agora tão destrutivos para a estabilidade do Sistema Terra. Agora, parece que alguns dos impactos mais perigosos das alterações climáticas já estão garantidos. E assim, quando a história olha para trás e pergunta – por que fomos tão estúpidos? Podemos honestamente apontar os nossos dedos para aqueles ignorantes e dizer “aqui estavam os sumo sacerdotes infernais que sacrificaram um futuro assegurado e a segurança dos nossos filhos no altar de seu orgulho tolo.”

Piores Receios para o Aquecimento Global Realizados

Sabíamos que ia haver sarilho. Sabíamos que as emissões de gases de efeito estufa humanas tinham carregado o oceano global com calor. Sabíamos que um El Nino recorde iria explodir um grande bocado desse calor de volta para a atmosfera assim que começou a desvanecer. E sabíamos que mais recordes da temperatura global estavam a caminho no final de 2015 e início de 2016. Mas tenho que admitir que os primeiros indícios para fevereiro são simplesmente assombrosos.

Aquecimento Global Extremo - temperaturas

(O modelo GFS mostra temperaturas com médias de 1.01 C acima da já significativamente mais quente do que o normal linha de base de 1981-2010. Observações subsequentes a partir de fontes independentes confirmaram este pico dramático da temperatura para fevereiro. Aguardamos as observações da NASA, NOAA e JMA para uma confirmação final. Mas a tendência nos dados é surpreendentemente clara. O que estamos a ver são as temperaturas globais mais quentes, de longe, desde que os registos começaram. Note-se que as maiores anomalias de temperatura aparecem exatamente onde não as queremos – no Ártico. Fonte da imagem: GFS e MJ Ventrice).

Eric Holthaus e MJ Ventrice, na segunda-feira, foram os primeiros a dar o aviso de um pico extremo nas temperaturas tal como registado pela medição global por satélite. Seguiu-se uma série de relatos dos mídia. Mas foi só hoje que começámos realmente a ter uma visão clara do potencial de danos atmosféricos.

Nick Stokes, um cientista do clima aposentado e blogger em Moyhu, publicou uma análise dos dados preliminares recentemente libertados pela NCAR e o indicador está simplesmente elevado de modo absolutamente fora de série. De acordo com esta análise, as temperaturas de fevereiro podem ter estado tanto quanto 1,44 C mais quentes do que a linha de base da NASA de 1951-1980. Convertendo as diferenças a partir dos valores da década de 1880, se estas estimativas preliminares se confirmarem, iriam colocar os números do GISS nuns extremos 1,66 C mais quentes do que os níveis de 1880 para fevereiro. Se o GISS corre 0,1 C mais frio do que as conversões NCAR, como tem feito ao longo dos últimos meses, então o aumento de temperatura de 1880 a fevereiro de 2016 seria de cerca de 1,56 C. Ambos são saltos incrivelmente altos que deixam uma dica de que 2016 poderia vir a ser bastante mais quente do que até mesmo 2015.

É importante notar que grande parte destas temperaturas globais elevadas recorde estão centradas no Ártico – uma região que é muito sensível ao aquecimento e que tem o potencial de produzir uma série de feedbacks amplificadores perigosos. Assim, poderíamos muito bem caracterizar um fevereiro quente recorde iminente como um no qual muito do excesso de calor explodiu no Ártico. Por outras palavras, os gráficos da anomalia da temperatura global fazem parecer que o teto do mundo está em chamas. Isso não é literal. Grande parte do Ártico permanece abaixo de zero. Mas anomalias de 10 a 12 C acima da temperatura média para um mês inteiro em grandes regiões do Ártico é um assunto sério. Isso significa que grandes partes do Ártico não experienciaram nada que se aproxime de um verdadeiro inverno no Ártico este ano [Artigo em Português].

Parece que o Limiar de 1,5 C foi Quebrado na Medição Mensal e Podemos Estar a Olhar para 1,2 a 1,3 C+ Acima de 1880s para todo 2016

Colocando estes números em contexto, parece que podemos ter já ultrapassado o limiar de 1,5 C acima dos valores dos anos de 1880 na medição mensal em fevereiro. Isto está a entrar num campo de riscos elevados para a aceleração do derretimento do gelo marinho e da neve no Ártico, perda de albedo, descongelamento da permafrost e uma série de outros feedbacks relacionados amplificadores de um aquecimento do nosso mundo forçado por humanos. Um conjunto de mudanças que irão, provavelmente, adicionar à velocidade de um, já rápido de si, aquecimento baseado em combustíveis fósseis. Mas devemos ter muito claro que as diferenças mensais não são diferenças anuais, e que a medida anual para 2016 é menos provável de vir a atingir ou exceder a diferença de 1.5 C. É justo dizer, porém, que diferenças anuais de 1,5 C são iminentes e vão provavelmente aparecer dentro de 5 a 20 anos.

Se usarmos o El Nino de 1997-1998 como base, descobrimos que as temperaturas globais para esse evento atingiram um máximo de cerca de 1,1 C acima das médias da década de 1880 durante fevereiro. O ano, contudo, ficou em cerca de 0,85 C acima das médias de 1880. Usando uma análise semelhante de verso de guardanapo, e assumindo que 2016 irá continuar a ver as temperaturas de superfície do mar Equatorial a continuarem a arrefecer, podemos estar a olhar para 1,2 a 1,3 C acima da média de 1880 para este ano.

Previsao para El Nino - Anomalia da Temperatura

(O El Nino está a arrefecer. Mas continuará a arrastar-se até 2016? Os conjuntos do modelo do Climate Prediction Center CFSv2 [Centro de Previsão Climática] parecem pensar que sim. A execução mais recente mostra a corrente El Nino a refortalecer-se no Outono de 2016. Tal evento tenderia a empurrar as temperaturas globais anuais para mais perto de 1,5 C acima do limiar da década de 1880. Também estabeleceria o potencial externo para mais um ano quente recorde em 2017. É importante notar que o consenso da NOAA ainda é o de um ENSO Neutro a enfraquecer as condições de La Niña pelo Outono. Fonte da imagem: Centro de Previsão do Clima da NOAA).

A NOAA está presentemente a prever que o El Nino fará a transição para ENSO Neutro ou para uma la Nina fraca, pelo final do ano. Contudo, algumas execuções de modelos mostram que o El Nino nunca chega a terminar realmente para 2016. Em vez disso, estes modelos prevêm que um El Nino fraco a moderado venha no Outono. Em 1998, um forte La Nina começou a formar-se, o que teria ajudado a conter as temperaturas atmosféricas no final do ano. A previsão de 2016, contudo, não parece indicar tão grande assistência no arrefecimento atmosférico proveniente do sistema oceânico global. Então, as médias anuais no fim de 2016 poderão empurrar mais para perto de 1,3 C (ou um pouco mais) acima dos níveis da década de 1880.

Tivemos Este Aquecimento no Sistema Já Há Algum Tempo, Apenas Estava a Esconder-se nos Oceanos

Outro pedaço do contexto sobre o qual devíamos ser muito claros, é que o Sistema Terra tem estado a viver com o calor atmosférico que estamos a ver agora há algum tempo. Os oceanos iniciaram uma acumulação muito rápida de calor devido ao forçamento das emissões de gases de efeito estufa durante os anos 2000. Uma taxa de acumulação de calor nas águas do mundo que tem acelerado até ao presente ano. Este excesso de calor já impactou o sistema climático ao acelerar a desestabilização dos glaciares na zona basal na Gronelândia e na Antártida. E também contribuiu para novas perdas recorde do gelo marinho global e é uma fonte provável de relatórios das zonas de plataforma continental do mundo nas quais têm sido observadas pequenas, mas preocupantes, instabilidades nos clatratos.

Acumulação de calor pelo oceano global

(A acumulação de calor no oceano global tem estado a subir em rampa desde o final dos anos 1990, com 50 por cento da acumulação total de calor a ocorrer nos 18 anos entre 1997 e 2015. Uma vez que mais de 90 por cento do forçamento de calor pelos gases de efeito estufa acaba no sistema do oceano global, esta medida em particular é provavelmente a imagem mais precisa de um mundo em rápido aquecimento. Uma tão rápida acumulação de calor nos oceanos do mundo garantiu uma eventual resposta da atmosfera. A verdadeira questão agora é – quão rapidamente e quão extensa? Fonte da imagem: Nature).

Mas elevar o aquecimento atmosférico terá inúmeros impactos adicionais. Irá colocar pressão sobre as regiões de superfície dos glaciares globais, adicionando ao aumento repentino na pressão de fusão basal que já vimos. Irá amplificar ainda mais o ciclo hidrológico – aumentando as taxas de evaporação e precipitação em todo o mundo e amplificando secas extremas, incêndios e inundações. Vai aumentar as temperaturas de superfície globais de pico, aumentando assim a incidência de eventos de baixas em massa por vagas de calor. Irá fornecer mais energia de calor latente para as tempestades, continuando a empurrar para cima o limiar de intensidade de pico destes eventos. E vai ajudar a acelerar o ritmo das mudanças regionais nos sistemas climáticos tais como a instabilidade do tempo no Atlântico Norte e aumentar a tendência de seca nos EUA (especialmente o Sudoeste dos EUA).

Entrando na Zona Perigosa da Mudança Climatica

O intervalo de 1-2 C acima das temperaturas da década de 1880 em que estamos agora a entrar é um em que as mudanças climáticas perigosas tenderão a crescer de forma mais rápida e aparente. Tal calor atmosférico não tem sido experienciado na Terra em pelo menos 150.000 anos, e o mundo de então era um lugar muito diferente daquilo a que os seres humanos foram acostumados no século 20. Contudo, a velocidade a que as temperaturas globais estão a subir é muito mais rápida do que alguma vez foi visto durante qualquer período interglacial para os últimos 3 milhões de anos, e é provavelmente ainda mais rápido do que o aquecimento observado durante eventos de extinção por efeito de estufa como o MTPE e o Permiano. Esta velocidade de aquecimento irá quase certamente ter efeitos adicionados para além do contexto do paleoclima.

Anomalia dos Graus-Dia no Artico

(Quem olha para o gráfico de anomalia da temperatura no topo deste post pode ver que uma quantidade desproporcional da anomalia da temperatura global está a aparecer no Ártico. Mas a região do Extremo Norte acima da linha de Latitude de 80 graus está entre as regiões que experimentam anomalias do pico global. Lá, graus-dia abaixo de zero estão nos níveis mais baixos já registados – atingindo agora uma anomalia de -800 no registo do Ártico. Em termos simples – quanto menos graus-dia abaixo de zero o Ártico experiencia, o mais próximo estará de derreter. Fonte da imagem: CIRES / NOAA).

Um último ponto a deixar claro e que vale a pena repetir. Nós, ao darmos ouvidos aos negadores da mudança climática e deixarmos que entupam as obras políticas e económicas, provavelmente já trancámos no sistema alguns dos efeitos negativos das alterações climáticas, que poderiam ter sido evitados. O tempo para darmos ouvidos a esses tolos acabou. O tempo para arrastar os pés e andar com meias-medidas está agora a chegar ao fim. Precisamos de uma resposta muito rápida. Uma resposta que, neste momento, ainda está a ser adiada pela indústria de combustíveis fósseis e os negadores da mudança climática que incitaram a sua beligerância.

Links:

O Velho Normal Já Era

NASA GISS

Quente Quente Quente

Michael J. Ventrice

Ártico Sem Inverno em 2016 [Traduzido em Português]

Grande Salto nas Medições da Temperatura à Superfície e pelo Satélite

Centro de Previsão Climática da NOAA

Captação de Calor pelo Oceano Global na Era Industrial Duplica em Décadas Recentes

CIRES / NOAA

Governadores Republicanos Processam para Pararem o Plano de Energia Limpa

Traduzido do original The Roof is On Fire — Looks like February of 2016 Was 1.5 to 1.7 C Above 1880s Averages, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 3 de Março de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

em https://alteracoesclimaticas…

Três Tipos de Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

Standard
Robertscribbler

Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?

Hoje o mundo está um pouco como que a levar para trás, com a resposta de uma superfície do mar e atmosfera aquecidos pelos humanos. Ao fim e ao cabo, o Dr. Kevin Trenberth estava certo. O aquecimento do oceano profundo resultante das emissões de combustíveis fósseis que prendem o calor e que se acumula ao longo das duas primeiras décadas do século 21 veio mesmo ressurgir das profundezas para nos assombrar em 2014, 2015 e 2016. Nessa mudança violenta do sistema climático global para o lado quente da variabilidade natural, um El Nino titânico emergiu. Foi um dos três mais fortes de tais eventos no registo moderno. Um que, por medidas da NOAA, parece ter igualado o evento extremo de 1998 no seu pico de intensidade.

Anomalias da temperatura de superfície do mar pelo ONI (Oceanic Niño Index) para o Niño 3.4

(Diferença da temperatura de superfície em relação à média no índice de referência da zona Niño 3.4 mostra que as anomalias de calor da superfície do oceano para o El Nino de 2015-2016 igualou os valores de pico de 1997-1998. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Calor, Seca e Tempestades São Esperados Juntamente com Algumas Surpresas Nefastas

Este evento empurrou realmente o mundo para um calor extremo, e até enquanto o tempo severo relacionado previsto se acendeu em algumas das regiões típicas. As temperaturas médias anuais globais dispararam para cerca de 1,06 C acima das linhas de base dos anos 1880 durante 2015, e até as diferenças mensais atingiram os 1,2-1,3 C ou mais acima do mesmo índice de referência durante dezembro e janeiro.

Entre este grande irrompimento de calor global, o mundo também experimentou ainda mais uma onda de secas estranhas (desta vez sobre o Norte da América do Sul, as Caraíbas, grandes faixas de África e do Sudeste Asiático), eventos de baixas em massa relacionadas com o calor, inundações, e os mais fortes furacões no registo. As medidas de gelo do mar do Ártico e Globais estão mais uma vez a mergulhar em novos mínimos históricos. Também um evento global de branqueamento de coral, talvez o pior desses casos alguma vez experienciado, foi desencadeado.

Os padrões e potenciais eventos de pior caso previstos (tais como baixas em massa por vagas de calor, branqueamento de corais, e perda de gelo do mar) foram também contrastados por uma série de surpresas. A primeira e talvez a mais nefasta foi o fracasso do El Nino em quebrar a seca da Califórnia. Embora a costa oeste dos Estados Unidos [EUA] tenha experienciado uma série de tempestades, o padrão foi mais típico da humidade normal de inverno para o Noroeste dos EUA até porque a seca continuou ao longo do Sudoeste. A humidade, por outro lado, tendeu a espalhar-se como uma mangueira de incêndio – com as tempestades quer a circularem para o norte para o Alasca, as Aleutas, ou o Mar de Bering, ou para o sul ao longo do sul do México ou da América Central, para cima através do Golfo e a saírem por uma zona de tempestade particularmente intensa que se forma no Atlântico Norte.

Anomalia de precipitação em 30 dias mostra a continuação da seca do sudoeste

(Nos últimos 30 dias, a seca do sudoeste reemergiu como um padrão bloqueado, novamente, começou a afirmar-se sobre a parte ocidental da América do Norte e o Pacífico oriental. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Esta perda de humidade contínua no sudoeste dos Estados Unidos, apesar de um El Nino recorde, é particularmente evidente na mais recente medida de anomalia de precipitação para os últimos 30 dias pelo Centro de Previsão do Clima (CPC). Aqui descobrimos que grandes partes da Califórnia do Sul e Central receberam apenas 10 a 50 por cento da precipitação típica para este período. Juntamente com as temperaturas de 1 a 3 C acima da média para o mês, esta perda de precipitação durante o que seria tipicamente o período mais chuvoso da Califórnia, chegou como uma decepção para muitos que esperavam que um forte El Nino iria ajudar a quebrar o estado desta seca incapacitante. Agora, a janela para as chuvas de final de inverno e início de primavera está a começar a fechar, ao mesmo tempo que o padrão de bloqueio parece estar fortemente restabelecido, tanto no padrão do tempo presente como nos modelos de previsão.

Mas talvez a maior surpresa vinda deste ano de El Nino tenha sido um conjunto de eventos climáticos no Atlântico Norte, que estavam provavelmente mais relacionados à mudança climática. Ali, tempestades severas martelaram um Reino Unido importunado pelas cheias enquanto uma Corrente de Jato [Jet Stream] muito distorcida lançou calor e humidade Equatorial para o norte – acelerando-as ao longo de uma Corrente do Golfo ridiculamente quente e aparentemente reforçada antes de as esbarrar numa piscina fria relacionada com o fluxo do degelo provavelmente da Groenlândia. Ali, o calor e a humidade colidiram com o frio para produzirem as épicas tempestades que, então, ventilaram a sua fúria sobre o Reino Unido.

Tempestade quente no Ártico

(29 de Dezembro viu as temperaturas subirem acima da linha de congelamento [zero] no Polo Norte – a primeira vez que as temperaturas aqueceram tanto nesta região alta do Ártico e tão tarde no ano. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Durante um desses eventos, uma cadeia de baixas pressões potentes no Atlântico Norte arremessou ventos fortes, chuvas intensas e ondulação épica no Reino Unido, enquanto o fluxo meridional desencadeado por estas feras poderosas empurrou temperaturas acima de zero graus bem até lá acima ao Polo Norte durante o final de dezembro. Ainda mais um evento sem precedentes e inesperado num ano quente recorde. Um que se parece mais com um aquecimento forçado pelos humanos que superou as influências tradicionais de El Niño, ao invés de um impacto relacionado com o El Nino em si.

Enquanto o El Niño Esmorece, o Calor Equatorial Tende a Mover-se para o Polo

Embora possamos ver estes dois eventos – o fracasso do El Niño em fornecer fortes chuvas à Costa Oeste dos EUA, e os pulsos massivos em direção ao norte de tempestades, calor e humidade que atingem o Atlântico Norte – como independentes, os padrões paralelos parecem estar ligados a uma amplificação polar em curso. No geral, o calor no Ártico tende a enfraquecer a Corrente de Jato do Hemisfério Norte sobre estas duas zonas. E mesmo durante o El Niño, quando o jato seria normalmente reforçado, continuámos a ver padrões de ondas de elevada amplitude a formarem-se sobre essas regiões.

Mas enquanto o El Niño enfraquece e o Equador esfria, a Corrente de Jato tende a diminuir ainda mais. Tal estado atmosférico tenderia a exagerar ainda mais os padrões de ondas já significativos da Corrente de Jato – transferindo ainda mais calor mais baixas latitudes em direcção aos pólos. Além disso, os ciclos oceânicos tendem a acelerar quando o El Niño enfraquece ou transita para La Niña. O resultado é um pulso amplificado de águas mais quentes, emergindo de latitudes mais a sul, que entram no Ártico.

É por estas razões combinadas – a tendência pós El Niño para amplificar a transferência de calor atmosférico de sul para norte para o Ártico, e a tendência para escoar águas mais quentes em direção a zonas do Oceano Ártico durante o mesmo período – que aparece que estamos a entrar num período de elevado risco para potenciais novos degelos do gelo marinho e possíveis degelos relacionadas do gelo terrestre da Gronelândia durante 2016 e 2017.

Bolhas quentes na temperatura de superficie do mar

(Bolha Quente do Nordeste do Pacífico permanece em alta intensidade, e até o seu tamanho está previsto para expandir em julho. Entretanto, temperaturas de superfície do mar muito quentes estão previstas a permanecerem ao largo da costa oriental. O efeito resultante destas duas bolhas quentes poderá ser o de empurrar a Corrente de Jato longe para a América do Norte durante o verão de 2016 – aumentando potencialmente o risco de calor e seca generalizados e potencialmente recorde. Superfícies do mar muito quentes previstas na região dos mares de Barents e da Gronelândia – excedendo os 3 C acima da média para uma região ampla – é igualmente motivo de preocupação. Isto não é apenas devido ao risco de perda de gelo marinho através desta zona, mas também devido ao seu potencial para desencadear a formação de um padrão de bloqueio e de cúpula de calor sobre a Europa Oriental e a Rússia Ocidental. Fonte da imagem: NOAA / CFS).

Além disso, estamos em sério risco de ver os bloqueios e os padrões de ondas de elevadas amplitudes restabelecerem-se e persistirem, especialmente na zona mais ocidental da América do Norte onde se espera que uma Bolha Quente do Nordeste do Pacífico relacionada a estes eventos se fortaleça com o desvanecer do El Niño. De facto, amplas regiões dos EUA podem cair num calor e seca recorde, ou próxima de recorde, este Verão, devido às influências combinadas de duas zonas do oceano muito quentes em torno das suas linhas costeiras. Os modelos agora indicam um risco de seca particular de final da primavera para a região dos Grandes Lagos, bem como um período prolongado de temperaturas muito acima da média para praticamente todos os EUA continentais durante o verão. Entretanto, precipitação primaveril acima da média prevista para o Sudoeste parece cada vez menos provável que surja.

Finalmente, prevê-se a intensificação de temperaturas extremas da superfície do mar acima da média nos mares de Barents e da Gronelândia durante o final do Verão de 2016. Esta é uma área a vigiar. O calor do oceano adicionado tende a puxar a Corrente de Jato para o norte para a Europa oriental e a Rússia ocidental – gerando risco de ondas de calor e secas para esta região, ao mesmo tempo que a Ásia Central cai num risco de inundações. Modelos CFS [Sistemas de Previsão Climática] de longo termo para a precipitação temperatura para a Europa ainda não detetaram este risco. Contudo, dada a intensidade do calor previsto para as superfícies do Mar de Barents e a tendência relacionada do calor sobre os oceanos e no extremo norte de influenciar a formação de padrões de bloqueio, cúpulas de calor, e calhas [da Corrente de Jato] de elevada amplitude, vale a pena manter um olho meteorológico sobre a situação.

El Nino a Enfraquecer para Depois Retornar; ou Estará uma Transição para La Niña em Curso?

Relacionado com a tendência, reforçada pelo do aquecimento polar e do oceano, para gerar ondas da Corrente de Jato de grande amplitude – bem como ondas de calor, secas e inundações persistentes associadas – está o equilíbrio térmico do Pacífico Equatorial. El Niños fortes, ou até mesmo uma tendência para permanecer dentro ou perto de um estado El Niño, tem, historicamente, ajudado na quebra de novos recordes de elevadas temperaturas globais, ao associar-se à tendência de aquecimento pelos gases de efeito estufa. Entretanto, a transição em direção a La Niña tendeu a reforçar uma série de situações relacionadas ao aquecimento global, incluindo eventos de chuva recorde e grandes injeções de calor em direção aos polos no decair de El Niño para La Niña.

A causa para o aumento do risco de grandes eventos de precipitação é o facto de o El Nino proporciona um sangramento maciço de humidade para a atmosfera, em tempos de pico de intensidade. Com o atual El Niño a chegar perto de níveis recorde e com as temperaturas globais superiores a 1 C acima da média de 1880, os níveis de humidade atmosférica globais estão a atingir novos recordes neste momento. Se as temperaturas globais caírem subsequentemente por volta de 0,1 a 0,2 C durante uma transição para La Niña (para um intervalo cerca de 0,9 a 0,8 C mais quente do que os valores de 1880), então a atmosfera não será capaz de manter uma grande porção dessa humidade adicional em suspensão e cairá como precipitação – espremendo principalmente onde as principais zonas de calhas se tendem a estabelecer. Devemos ser muito claros aqui ao dizer que o risco de seca relacionada com a intensificação da formação de cristas e cúpulas de calor pelo aquecimento global não é reduzido em tais instâncias – apenas que o risco de eventos extremos de precipitação é maior.

Onda de Calor Russa, Inundações no Paquistão e a Corrente de Jato

(Ao longo de 2011, quando o El Niño de 2010 se desvaneceu em condições de La Niña, uma onda de alta amplitude na Corrente de Jato desencadeou um calor recorde, secas e incêndios florestais sobre a Rússia, ao mesmo tempo que o Paquistão foi atingido por um dilúvio com um mês de duração que foi o pior evento de chuva para a região nos últimos 1.000 anos. A tendência da La Nina para espremer o excesso de água da atmosfera pode aumentar o risco de tais eventos ocorrerem num estado de aquecimento climático. Fonte da imagem: NASA).

Quanto aos riscos para o gelo do mar, fornecemos alguma da explicação acima. Contudo, é importante notar também que a mobilidade de calor em direção aos polos tende a ser reforçada durante os períodos em que o El Niño decai para La Niña. Durante estes tempos, o calor equatorial tende a propagar-se em forma de onda para os polos – especialmente para o Polo do Hemisfério Norte, o qual já perdeu a sua forte proteção pela Corrente de Jato que afastava invasões de ar quente.

Estes dois factores são questões importantes quando se considera se a La Nina ou um estado ENSO neutral irá aparecer após o El Niño durante 2016. Mas há um terceiro: a taxa de aumento da temperatura global. Apesar de o principal condutor do aquecimento global ser as emissões maciças de combustível fóssil humano, a resposta do sistema oceânico global pode abanar significativamente a taxa de aumentos da temperatura atmosférica numa escala de tempo de décadas. Se a tendência do oceano é para La Nina, isso tenderia a suprimir um pouco a taxa decenal global de aumento da temperatura – e nós vimos isso acontecer durante a década de 2000. Mas se a tendência do oceano é produzir El Niños (numa mudança para uma Oscilação Decenal do Pacífico positiva, como parece estar a acontecer agora), então o ritmo geral de aumento da temperatura atmosférica global tenderia a ser reforçado.

La Niña Emerge

(aplicações de modelos consensuais entre IRI/CPC mostram uma queda para uma La Nina fraca até o final do ano. Contudo, execuções do modelo SFC [imagem abaixo] tem mostrado uma tendência para prever um ressurgimento das condições de El Niño no Outono. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Chegando a este ponto descobrimos que o consenso de previsão do modelo oficial publicado pela NOAA (IRI/CPC figura acima) mostra uma transição para estados neutros ENSO em maio, junho e julho, os quais, em seguida, procedem a uma La Niña muito fraca no Outono. Numa tal queda, provavelmente ainda veríamos temperaturas altas globais recordes durante o período de 2016 (no intervalo de 1,03- a 1,15 C acima dos valores de 1880).

Contudo, a tendência, no final de 2016 e em 2017, para as temperaturas recuarem das novas altas recordes seria um de algum modo melhorada (provavelmente caindo abaixo do 1 C acima da marca de 1880 em 2017 ou 2018, antes de voltarem a desafiar o recorde de 2015-2016 com a potencial formação de um novo El Niño no tempo de 3 a 5 anos de 2019 até 2021). É importante notar que este cenário revela um risco aumentado de um pulso de ar quente mais forte ir em direção à zona Polar Norte, juntamente com um potencial adicionado para eventos extremos de precipitação, à medida que as temperaturas globais tenderiam a cair mais rapidamente a partir dos picos do final de 2015 e início de 2016.

El Niño Continua

(execução do modelo CFSv2 – mostra o El Niño a continuar até ao final de 2016. Nos últimos meses, a série CFSv2 mostrou uma elevada precisão. Contudo, a preferência atual de previsão da NOAA é para as previsões estabelecidas pelo modelo IRI [imagem anterior acima]. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Em contraste, a previsão do modelo CFSv2 da NOAA (imagem acima) mostra o El Niño apenas a enfraquecer até julho e, em seguida, refortalecendo-se no espaço de tempo de outubro a novembro. Este cenário do modelo CFS resultaria em temperaturas atmosféricas mais elevadas em 2016 – garantindo praticamente uma certeza, sem precedentes, de três anos quentes recorde consecutivos para 2014, 2015, e 2016. Mas tal cenário – implicando que o Oceano Pacífico teria entrado num novo período de tendência El Nino – tenderia também a manter as temperaturas atmosféricas mais próximo dos níveis recordes elevados recentemente estabelecidos.

No cenário CFSv2, podemos esperar que as temperaturas médias globais anuais subam tanto quanto 1,08 a 1,2 C acima dos valores dos anos 1880 durante 2016 (uma diferença muito extrema e um aquecimento desconfortavelmente próximo da marca de 1,5 C). Estes valores extremos iriam, talvez, diminuir para cerca de entre 0,9 e 1,1 C durante 2017, desde que o segundo pulso de El Nino não permanecesse por muito tempo. Contudo, se o ressalto de volta para condições de El Nino fosse forte o suficiente no final de 2016, haveria uma chance de que o mundo pudesse enfrentar não 3, mas 4 absolutamente detestáveis 4 anos quentes recorde consecutivos.

Tendencia da temperatura - NASA

(Durante 2015 a temperatura global anual disparou acima de 1 C mais quente do que os valores de 1880. Há pelo menos uma chance de 50% de que 2016 será ainda mais quente. Considerando a considerável tendência de aquecimento imposta por um aquecimento mundial forçado por combustíveis fósseis, quão pior pode ficar durante a segunda década do século 21? Fonte da imagem: NASA GISS).

Entretanto, o pulso de ar quente que vai em direção aos polos poderá ser um pouco silenciado neste cenário. Uma declaração que devia ser qualificada pelo facto de que já vimos uma quantidade substancial de calor de El Niño a ir em direcção aos polos durante o presente evento. Além disso, eventos de chuvas potencialmente pesadas poderão não receber a energia adicional de uma queda da temperatura global decente para espremer mais humidade. Uma declaração que requer a qualificação adicional de que a carga global de humidade atmosférica é reforçada pelo aumento das temperaturas globais – por isso, comparativamente menos precipitação pesada é um termo relativo aqui.

Neste momento, a NOAA favorece a previsão de uma transição para La Nina, afirmando:

Uma transição para ENSO (El Niño-Oscilação do Sul) neutro é provável durante o final da primavera do Hemisfério Norte ou início do verão de 2016, com uma possível transição para condições de La Niña pelo outono.

Contudo, vale a pena reiterar que as previsões do modelo CFSv2 têm sido bastante precisas em prever o caminho do atual El Niño recorde até à data.

Links:

NOAA / CPC

NASA GISS

Evento de Baixas em Massa por Efeito Estufa Atinge o Eqipto

Tempestade Mais Forte do Hemisfério Sul já Registada

Tempestade Penosa de Quatro Estações Agarra os EUA

Uma Estação de Degelo no Ártico Monstruosa Poderá Já Ter Começado

Aquecimento do Oceano Profundo Volta para nos Assombrar

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Mais Sinais do Abrandamento da Corrente do Golfo enquanto Inundações Devastam a Cúmbria em Inglaterra

Desconstrução do Tempo Selvagem da Ásia

Traduzido do original As a Titanic El Nino Begins to Fade, What Fresh Trouble Will a Record Warm World Bring?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 25 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

em https://alteracoesclimaticas…

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

Standard
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA Ártico mais quente
Robertscribbler

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

em https://alteracoesclimaticas…

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

em https://alteracoesclimaticas…

Standard
Disrupção das correntes e temperaturas do oceano, por Paul Beckwith numa atualização sobre Alterações Climáticas
Paul Beckwith

Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas

Sugerimos a leitura de “Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

As correntes e temperaturas da superfície do oceano não estão a comportar-se como normalmente. As alterações climáticas abruptas que estão a decorrer presentemente estão a alterar as propriedades do oceano.

Neste curto vídeo, Paul Beckwith, do Laboratório para a Paleoclimatologia na Universidade de Ottawa, explica o mecanismo através do qual um El Ninõ muito forte está a afetar as temperaturas e correntes do oceano no Pacífico e no Atlântico, e a ter um impacto nas alterações climáticas. A Corrente do Golfo está a levar águas muito quentes para o Ártico, acelerando o degelo na Gronelândia e no gelo marinho do Ártico, o que resulta numa mancha ou bolha de água muito fria a descer no Atlântico em direção à Europa. A diferença de temperatura onde estas águas se cruzam pode ser de mais de 10°C, piorando condições climatéricas como ventos e ondulação, acelerando a formação de ciclones e furacões como se tem visto ao largo das ilhas britânicas.



Traduzido do original Ocean Disruption from Abrupt Climate Change de Paul Beckwith, publicado no seu website http://paulbeckwith.net/, a 7 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

em https://aquecimentoglobaldesc…

Standard
Robertscribbler

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

Um monstro El Nino a disparar no Pacífico. Uma acumulação maciça de gases de efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis na atmosfera empurram os níveis de CO2 bem acima das 400 partes por milhão. A contribuição de outros gases de efeito estufa empurrando a forçação calórica total global para as 485 partes por milhão de CO2e. Dado este contexto forte, sabíamos que os números iriam provavelmente ser maus. Apenas não sabíamos o quão maus. E, olhando para as medições iniciais que entram, podemos, definitivamente, dizer que isto é sério.

De acordo com o relatório de hoje da Agência Meteorológica do Japão, as temperaturas globais aumentaram uns ridículos 0,36 graus Celsius desde o período de Dezembro de 2014 – o Dezembro anterior mais quente no registro climático global – até Dezembro de 2015 – o novo Dezembro mais quente por um bom bocado de diferença. Para colocar um salto mensal tão espantoso das temperaturas globais, de um ano para o outro, em contexto, a taxa média decenal de aumento da temperatura global tem estado na faixa dos 0,15 C a cada dez anos durante as últimas três décadas e meia. É como se se aglomerasse 20 anos de aquecimento forçado por humanos tudo num diferencial de 12 meses.

Temperatura Global Recorde Dezembro 2015

(A Agência Meteorológica do Japão mostra um salto assustadoramente acentuado nas temperaturas globais para o mês de Dezembro de 2015. Fonte da imagem: JMA). [clique na imagem para aumentar o seu tamanho]

Dando uma olhada a este salto mensal incrível nas temperaturas globais em termos de faixas de tempo mais longas, descobrimos que Dezembro de 2015 ficou em 1,05 C acima da média do século XX e um aterrorizante (sim, não há outra palavra para o descrever) 1,42 C acima da média de temperaturas no início do registo em 1890.

O mundo está agora a explorar médias de temperatura globais mensais que estão a bater muito perto de uns perigosos 1,5 C acima dos níveis pré-industriais. E embora esses números não reflitam médias anuais que provavelmente serão muito menores – na faixa de 1 a 1,2 C acima de 1880 para 2015 e 2016 – devíamos ter muito claro que tais leituras elevadas continuam a ser motivo de séria preocupação. Preocupação com a potencialidade de que 2016 possa também ver a continuação de novos recordes de temperaturas anuais quentes em cima de recordes dos anos quentes anteriores de 2014 e 2015. E a preocupação de que podemos muito bem estar apenas à distância de mais um forte El Nino de ultrapassar ou chegar perigosamente perto do limiar de temperatura média anual de 1,5 C.

Há aqui razão para preocupação e há certamente algum motivo para alarme. Alarme no sentido de que o mundo precisa realmente de ser ainda mais sério quanto a reduzir as emissões globais de combustíveis fósseis para perto de zero, tão rápido quanto possível. Caso contrário, podemos muito bem passar os 2 C – não antes de 2100, mas antes de 2050.

Links:

Agência Meteorológica do Japão – Análise da Temperatura Global

(Análises da NASA e NOAA em breve)

Traduzido do original A Terrifying Jump in Global Temperatures — December of 2015 at 1.4 C Above 1890, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de Janeiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Os Níveis de Gases de Efeito Estufa e as Temperaturas Continuam a Aumentar

em https://alteracoesclimat…

Standard