A ciencia da mudança do climatica na perspectiva do cientista do clima
Paul Beckwith

Prática em Ciência Climática

Este vídeo mostra como se pode ver o globo em tempo real e analisar a interação da temperatura e da Corrente de Jato e do Golfo com o degelo e outros eventos extremos, entendendo a Ciência Climática a partir da perspetiva do cientista.

Isto e muito mais é nos oferecido voluntariamente por Paul Beckwith da Universidade de Ottawa no Canadá, com o intuito de nos trazer as novidades na Mudança Climática de uma maneira fácil de entender para a pessoa comum. Se ainda não viu, é melhor começar pela primeira parte; para seguir a prática desde o início, clique aqui.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 Minutes (2/2).

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Torna-te num Cientista Climático em 15 Minutos, Parte 2/2

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, Laboratório para Paleoclimatologia. Esta é a segunda parte de… “Torna-te num Cientista Climático em 15 minutos”, então, tive que estender os 15 minutos para 30 minutos. O que estava a mostrar era… isto são as correntes do oceano, e a anomalia da temperatura de superfície do mar. E isto é a data, foi a 3 de Abril, há alguns dias atrás O que podem ver é a Corrente do Golfo a vir em força através do Atlântico Norte e podem ver que há água fria a descer desde o Ártico, isto é através do estreito de Nares a oeste da Gronelândia, também há água fria a descer pelo estreito de Fram, e esta água atravessa o oceano, e aliás temos duas águas a passar: a Corrente do Golfo muito quente, e a água muito fria do Ártico, e elas colidem aqui, e é por isso que obtemos muita estrutura aqui. Se olhar para esta região em particular, a anomalia é de -10.2°C mais frio do que o normal, apenas nessa região, enquanto que mesmo ao lado estão quase cerca de +8°C. Então isto é uma enorme diferença de temperatura. Podem ver esta estrutura aqui, como se houvesse uma batalha entre a água fria do degelo do Ártico, a colidir com a água quente. Podemos ir atrás no tempo e ver como este padrão se desenvolveu, e esta mancha fria está a tornar-se uma característica permanente nos últimos tempos, e é preocupante porque significa que as correntes do oceano no Atlântico inteiro estão a reajustar-se. Mostrei no vídeo anterior como elas estavam a mudar igualmente no Pacífico. Se clicar aqui posso ir para trás para os dados anteriores, então, isto é a 29 de Março e podemos segui-lo à medida que vamos para trás. São cerca de 5 dias de diferença em cada nova imagem; estamos a ir atrás no tempo e o que podemos ver é… como a batalha se está a desenrolar entre as águas frias e quentes. E então, a Corrente do Golfo aqui está muito poderosa… Elas quase que se cortam uma à outra num ângulo de 90 graus, nesta luta de puxões. Vamos um pouco mais para trás… Por favor pesquisem Earthnullschool, e abram esta ferramenta e, assim que saibam como usar a interface… Trouxemos este menu para cima ao clicar em Earth. Seja lá onde for que cliquem no mapa, mostra-vos a latitude e longitude, e mostra a velocidade da corrente do oceano, neste caso, e a direção, e a anomalia da temperatura, dependendo daquilo que se seleciona. Clicamos em Earth para trazer o menu novamente e vamos atrás no tempo um pouco mais aqui, e ver o que acontece. O que se pode ver é a variação à medida que voltamos atrás. Agora estamos no início do ano e vemos uma anomalia da temperatura muito muito quente na Corrente do Golfo, e durante toda a estação do Inverno temos tido esta água a sair do Ártico e a mancha fria aqui, e estão numa batalha as duas. Vamos dar uma olhada e ver… alguns vídeos atrás falei da destruição do recife de coral na Austrália. Temos a Austrália aqui. Agora, o recife de coral, a grande barreira do recife estende-se nesta distância enorme ao longo da linha costeira aqui. Então, vamos fazer zoom nesta região e ver o que se passa com a anomalia da temperatura de superfície do mar. Ok, vamos pô-lo grande, zoom in. Ok, talvez grande demais, vamos tentar isto. OK, então isto é o início do ano. Isto é a 14 de Janeiro, e agora vamos voltar ao presente, em aumentos de 5 dias, e… pode-se ver a anomalia da temperatura de superfície do oceano, o azul é mais frio que o normal, apenas ligeiramente mais frio que o normal, aqui ligeiramente mais quente do que o normal… Não acontece muita coisa aqui. Há alguma água quente aqui… 1.1°C… Se a água ficar demasiado quente ou demasiado fria, então os pólipos, o plâncton simbiótico, o zooplâncton que vive no coral numa relação simbiótica com os pólipos, eles desaparecem se a água estiver demasiado quente ou demasiado fria, e o coral fica branqueado pois eles contém a cor, eles dão ao coral as cores vivas e vibrantes que vemos, e então quando desaparecem, o coral torna-se branco e fica debilitado, e se o zooplâncton voltar, se a temperatura da água voltar a normal e eles voltarem em algumas semanas, então coral pode reavivar-se. Neste momento o coral está em risco de vida uma vez que várias regiões do recife de coral estão lixiviadas. Vamos ver porquê ele fica esbranquiçado. Vamos avançar no tempo aqui, e podemos ver a mudança na temperatura. Olhem para esta água aqui. A água tornou-se muito quente lá pelo final de Janeiro… Continuando… Podemos ver a água quente a atravessar. OK, há alguma água mais fria, alguma mais quente; vou simplesmente andar mais um pouco. Aqui vamos nós… Entre meados e final de Fevereiro tivemos todo este amarelo, com água a 2°C, 2,5°C acima do normal, a descer em vastas áreas do recife, e neste lado aqui, e isto começa realmente a stressar o coral. Vamos continuar a avançar… E então, a água mantém-se quente, desce um bocadinho mas mantém-se quente, e começa a aquecer outra vez, especialmente nas regiões mais a norte, e pode-se ver o que acontece. Isto está em tamanho grande agora, e vemos que a água manteve-se quente durante um período de tempo prolongado. Aqui está, isto são outra vez 2,5°C… isto são tipo um par de graus mais quente que o normal. Logo, o coral está próximo de um limiar a partir do qual vai ficar danificado. E ainda está muito quente, está quente em diferentes zonas, mas esperemos que arrefeça e dê ao coral uma chance de recuperar. Talvez esteja a acontecer, vai ser como atirar uma moeda ao ar. Está estimado que após 50% do coral estar esbranquiçado, ele vai morrer. E o recife de coral é um dos maiores… pontos ecológicos do planeta, de maior importância, é basicamente a floresta tropical do oceano, e estamos a vê-lo a morrer perante os nossos olhos por causa do aquecimento global abrupto. Então, que mais podemos ver… Temos alguma química. Isto é o CO e o CO2 à superfície. No Hemisfério Sul, vamos afastar-nos um bocadinho, e podemos ver como os níveis variam com a latitude. Aqui em baixo estamos com cerca de 400 partes por milhão, numa média global de 406ppm ou assim. Podemos ver áreas aqui que estão com um pouco menos. Vamos subir para outras latitudes. Isto é a subir sobre a Ásia; claro que há fontes de poluição aqui, das cidades mais importantes. Isto é óxido de carbono, que está muito mais alto, e também o dióxido de enxofre que está muito mais alto. E… Continuando cm o CO2… Vou voltar ao Dióxido de Enxofre. Se subirmos até ao Ártico podemos ver que os níveis lá não estão tão altos como sobre partes da Ásia. O SO2 é muito importante porque produzimos muito SO2 a partir de processos industriais, de centrais energéticas e assim. Podemos ver as áreas de industria pesada que produzem muito SO2, pontos quentes sobre os quais podemos fazer zoom e assim. A coisa com o Dióxido de Enxofre é que… quando está na atmosfera, pode refletir a luz solar e causar arrefecimento naquela zona, logo, esta é uma das coisas que, basicamente, causam escurecimento global, e se removêssemos todo o SO2, desligando a indústria de um dia para o outro removíamos o SO2, aqueceríamos… é discutível o quanto aqueceríamos; talvez meio grau, talvez um grau, só por esse meio. Então, estamos a fechar centrais energéticas que são à base de carvão, e também precisamos de fazer o mesmo para o petróleo, precisamos de ir em direção a fontes renováveis, mas vamos obter algum aquecimento por estarmos a remover o cobertor de SO2, estamos a limpar o ar e vai haver aquecimento resultante disso, e não o podemos evitar, mas não temos escolha. Temos que fazer isto. Há também informação sobre particulados aqui. Podemos ver o que está a acontecer. Isto é a Extinção de Pó, são unidades de… quando há muito pó no ar, isso vai bloquear a luz e o aumento na quantidade de bloqueio está representado nestas cores.Recolher Transcrição[/expand]

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Estudar climatologia com Earth Nullschool
Paul Beckwith

Torna-te um Cientista do Clima em 15 Minutos

Quais os mecanismos envolvidos nas alterações climáticas e como funcionam, da corrente de jato às secas e inundações, do El Niño às anomalias de temperatura…Apertem o cinto; Paul Beckwith é quem conduz.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 minutes (1/2).
A segunda parte está a ser transcrita e legendada em Português no Amara.org, onde é muito fácil para qualquer pessoa ajudar com um empurrãozinho de modo a que fique disponível o quanto antes.

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Torna-te um Cientista Climático em 15 Minutos

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, do Laboratório de Paleoclimatologia. Hoje, nos próximos 15 minutos, Vou ensinar-vos, basicamente, a como se tornarem num cientista do clima, usando um ótimo software. Se procurarem no Google “earth nullschooll” http://earth.nullschool.net/ poderão trazer aí o que vêm na tela aqui e irei guiar-vos através dela, e deixar-vos determinar vós mesmos o que está acontecendo com o nosso planeta. OK, então, esta é a tela principal, earth.nullschool.net, se apenas clicares em “terra” isso abre os menus. Primeiro de tudo, para que é que estamos a olhar? Se quiser descobrir para o que está a olhar, basta clicar em “earth” e isso dá-lhe a latitude e a longitude, e neste caso temos os ventos, a 60 km por hora, e dá-lhe a direção dos ventos. Então, o que se pode fazer? Pode-se arrastar a Terra à volta e olhar em diferentes pontos de vista. Portanto, isto está a olhar para uma vista do Ártico, por exemplo, e em seguida, irá atualizar após alguns segundos, pode-se usar o roda do rato para fazer zoom-in e zoom-out e quando se aumenta o zoom aumenta a resolução, assim pode-se olhar para regiões específicas e continuar a arrastar e ver-se o que acontece. Estas áreas vermelhas, o que está a acontecer lá, perto da Gronelândia? Basta clicar sobre elas e pode-se ver que os ventos são mais fortes lá, no verde mais claro os ventos são mais fracos, nesta cor verde-amarelada os ventos são mais fortes. Então, é assim que se navega, basicamente, à volta do planeta, olhando para qualquer ponto de vista que se deseje. Agora, como é que se vai mudar o menu? Clica-se em “earth”, que controla tudo. Agora, se quiser obter mais informações sobre o que está a medir pode-se clicar em “about” e obtém-se esta imagem aqui, e pode-se fazer scroll para baixo e diz-lhe que esta é uma visualização das condições meteorológicas globais, projetada por supercomputadores, atualizada a cada três horas, aah, correntes de superfície do oceano são atualizadas a cada cinco dias, etc … Pode-se ir para baixo e dá-lhe informações sobre quem está a fazer … quem criou o software, as fontes de dados de onde vêm, o computador hospedeiro das informações, informações sobre os níveis de pressão, 1000 hectopascais (hPa), isto é a cerca de 100 metros (m), condições próximas do nível do mar … O importante são os 250hPa, é muito importante; é onde as correntes de jato estão, sobe-se para a estratosfera e assim por diante; à medida que se sobe a pressão diminui. Também se pode obter informações sobre todos os outros parâmetros, como a forma como as ondas são medidas, a concentração de CO2, etc, aerossóis … Toda a informação está nesta página. Para voltar, clicar em “earth” outra vez o que nos traz de volta ao globo. Agora, vamos passar por alguns dos menus e ver o que existe, primeiro que tudo. Também informa que estamos a olhar para o vento na superfície, diz-nos a data dos dados … … em que os dados são recolhidos, então, é basicamente em tempo real. Hoje são 7 de Abril, diz-lhe 20:00 hora local … São dados da GFS, dados da Global Forecast System, do US National Weather Service, do National Center for Environmental Prediction… O que você pode fazer é … Além disso, o controle. Estamos a olhar para os dados de agora e pode-se ir para trás ou para a frente, Então, se formos aqui, que é o dia antes, vêm, ele faz scroll para o dia antes, e pode-se continuar a rolar para voltar um dia inteiro … Se se clicar na seta menor volta-se atrás uma hora, e pode-se desligar a animação, a qual é a animação da … desculpem-me, pode-se desligar aqui e isso tira a animação do vento e apenas vemos esta imagem, ou pode-se ligar a animação. Assim, as cores, os níveis, sobressaem mais quando se tem a animação desligada. Pode-se ver o ar, o oceano, a química e partículas, e estas são as altitudes na atmosfera, logo, se queremos olhar para a corrente de jato, por exemplo, vamos para os 250hPa, que são 250milibars, e é essa a altitude das correntes de jato. Se simplesmente clicarmos em “earth”, outra vez, desligamos o menu, e podemos ver o que está a acontecer com o jet-stream. Assim, se formos … Se formos para a América do Norte, por exemplo, e olharmos para o que os jatos estão a fazer, podemos ver a imagem da América do Norte por baixo e podemos ver o que está a acontecer com a ondulação dos jatos. As correntes de jato movem-se de uma forma zonal de Oeste para Este e isso é por causa da rotação da Terra. As coisas desviam-se para a direita no Hemisfério Norte, então, o ar que se move para cima desde o Equador desvia para a direita, concentra-se a uma altitude de 11 km, em média, e obtemos o jetstream. Podemos ver o jato a dividir-se em duas passagens aqui, e isto é uma grande calha aqui, esta é uma grande crista aqui, então o ar seco e quente sobe para a crista aqui ar mais estável, de alta pressão, quente, e obtém-se ar frio e baixas pressões tempestuosas nas calhas da corrente de jato. Assim, a corrente de jato é como uma barreira entre o ar frio do Ártico e o ar mais quente e húmido mais a sul. Pode-se ver que o … se se diminuir o zoom aqui, pode-se ver o que o jato está a fazer, está muito ondulada e distorcida e fragmentada. Estamos agora na estação de transição, entre o inverno e o verão no Hemisfério Norte. O Ártico é extremamente quente. Como vemos a temperatura? Podemos ver a temperatura, clicando em “earth”, indo a “ar”, olhando para a superfície, olhando para a temperatura aqui. OK, então isto está a mostrar a temperatura, e pode-se verificar isso, pode-se clicar sobre estas áreas … É muito frio nas áreas roxas, mas vejam este ar quente vindo aqui para cima, então, isto são 6,2 grau Celsius (°C) … acima de zero, indo para cima direitinho para o Ártico, e pode-se relacionar isso com a corrente de jato. Se se voltar a superfície, vento, pode-se ver… não se pode ver muita coisa a acontecer ali, os jatos estão a fazer reviravoltas aqui. Mas geralmente pode-se relacionar essas excursões com onde o jato está, talvez por isso o ar quente … pode-se ver ar quente a ser arrastado aqui para cima, atravessando aqui. Isto é o que está a acontecer agora, poderia ter sido arrastado até lá um pouco mais cedo e é por isso que está particularmente quente naqueles lados. Há muitos outros fatores aqui, pode-se ir para cima meio caminho através da atmosfera, cerca de 500 milibares. Então, pode-se fazer muitas coisas com o ar. Pode-se também ter diferentes pontos de vista, e então, se formos aqui … podemos ver a Terra nesta visão expandida aqui. Assim consegue-se ver os jatos claramente aqui, pedaços que saem do jato, e pode-se ver como estão muito fraturados e divididos, que está a tornar-se mais e mais … normal, se quiserem, no nosso período de mudança climática brusca para um planeta muito mais quente. Há muita luta de puxões a acontecer entre o ar quente e o frio. Há também outros pontos de vista por onde podem olhar que são muito estranhos e esquisitos, não são usados com muita frequência, mas apenas para saberem que estão lá, projeções diferentes, por exemplo, e … são usadas dependendo do que se está a analisar, mas, principalmente, vamos apenas usar este aqui, que é muito útil, e a projeção sobre um plano 2D, e aqui é o globo, que eu prefiro. Estas sobreposições: vento, temperatura, humidade relativa … se não estiverem seguros do que são, mantenham o rato sobre eles. Densidades instantâneas de energia eólica — quanta energia existe nos ventos. Água Precipitável Total; basta passar com o rato para obter a leitura. Água Condensável Total … Desculpem, Água Total nas Nuvens, pressão média ao nível do mar. Isto é algo chamado de Índice de Miséria, que combina temperatura e humidade. Portanto, se o Índice de Miséria for alto, obviamente, não vão quer ficar lá fora muito tempo. Vamos dar uma olhada no que está a acontecer no oceano. Então, se eu clicar em “Ocean” aqui, … e olharmos para as correntes, e olharmos para a temperatura da superfície do mar, isso dá-nos a temperatura dos oceanos, Então, o que se pode fazer é … pode-se ver que o El Niño ainda está a acontecer aqui no Pacífico, a água quente está aqui mas está a espalhar-se; este costumava estar tudo roxo. Como sabemos? Podemos voltar atrás no tempo … Ao irmos aqui e apenas clicando aqui atrás e voltamos no tempo; então, são 5 dias mais cedo, 5 dias antes disso, 5 dias antes disso, vamos continuar a voltar um pouco atrás e pode-se ver como a temperatura da superfície do mar está a mudar. Na realidade, é muito mais claro se se olhar para a anomalia da temperatura de superfície do mar. Esta é a temperatura do oceano neste dia e hora em particular, e é a anomalia em relação ao que seria normalmente, a média a longo prazo. Consegue-se ver esta área, é 2,6°C mais quente do que o normal. E se se voltar atrás um pouco mais pode-se ver … a água quente, de modo que o El Niño estava muito mais forte no início do ano, pode-se ver que há muito mais amarelo, estava muito mais quente e voltamos atrás … e tem enfraquecimento em força, e tem vindo a espalhar-se … sim, aqui vamos nós, então, está muito, muito forte, OK? Estamos apenas a voltar aos dias anteriores, e por isso estamos a ver um El Niño muito poderoso aqui. Toda esta área até 3,5 graus mais quente do que o normal … O que é interessante é que pode-se ver também aqui no Pacífico Norte, pode-se ver que há alguma água fria aqui, isto é água quente, temos uma mancha de água quente aqui, a qual contribuiu para a seca da Califórnia. E se formos para a frente no tempo, podemos ver o que está a acontecer e, na verdade, esta água fria que está a sair do Estreito de Bering está a infiltrar-se no Pacífico, em grande medida, e está de facto a expandir-se em área e expandindo a região que ela abrange. Estou apenas a clicar; estamos no 23 de Fevereiro … Podemos ver isto a ficar maior … Então, podemos fazer um monte de, tipo, fazer perguntas e tentar respondê-las para vermos o que está a acontecer ao longo do tempo na Terra. OK? E então, assim que encontrarem alguma coisa interessante … olhem para esta água fria aqui. Isto está quase 3 graus mais frio do que o normal e ainda há água muito quente aqui em cima ao longo da costa e ainda temos este forte El Niño em curso. E vamos continuar aqui … em Março … lembrem-se, a cada 5 dias é atualizado, e pode-se ver a extensão desta … Aqui vamos nós, os dados mais recentes. Então, temos água muito fria a sair e temos a água muito quente do El Niño que se está se espalhar para latitudes mais altas e mais baixas à medida que o ciclo do El Niño se aproxima do final. Vamos olhar para outra região do planeta. Vamos olhar para o … Vamos olhar para esta mancha fria no Oceano Atlântico, a sul da Gronelândia, e vamos ver como isso evolui ao longo do tempo. Então, isto é onde estamos agora … Se tentarem ir para a frente no tempo, ele diz que “não há dados”, então não há dados para esse dia, então … O último dia que temos dados é há alguns dias atrás. Então, vemos a Corrente do Golfo muito quente a atravessar-se aqui, 7 graus mais quente do que o normal, existem algumas áreas aqui que estão 10 graus, podem expandir e encontrá-las, mas também vemos esta colisão da água quente da Corrente do Golfo e temos a água fria proveniente de … descendo através do Estreito de Nares, deste lado da Gronelândia; também temos água fria chegando aqui, e temos alguma água quente aqui, que creio ser proveniente de rios … parece estar a atravessar, na verdade consegue-se voltar atrás e ver de onde está a vir. Então, vamos dar uma olhada, vamos começar a recuar um pouco. Então, se voltar no tempo … Olhem para esta água aqui. Há um choque … Olhem para esta água aqui; este é um segmento muito frio aqui, 7,2°C mais frio que o normal, e aqui temos água que está 8 graus mais quente que o normal, praticamente, e 7 graus. Então, de facto encontrei uma área onde estava 10 graus mais quente do que o normal, de modo que é uma diferença de 17 graus. Há esta mancha de água fria, e de onde é que isso veio? Bem, é água que está a descer daqui e depois foi cortada pela corrente do golfo. – continua –Recolher Transcrição[/expand]

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Robertscribbler

Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?

Hoje o mundo está um pouco como que a levar para trás, com a resposta de uma superfície do mar e atmosfera aquecidos pelos humanos. Ao fim e ao cabo, o Dr. Kevin Trenberth estava certo. O aquecimento do oceano profundo resultante das emissões de combustíveis fósseis que prendem o calor e que se acumula ao longo das duas primeiras décadas do século 21 veio mesmo ressurgir das profundezas para nos assombrar em 2014, 2015 e 2016. Nessa mudança violenta do sistema climático global para o lado quente da variabilidade natural, um El Nino titânico emergiu. Foi um dos três mais fortes de tais eventos no registo moderno. Um que, por medidas da NOAA, parece ter igualado o evento extremo de 1998 no seu pico de intensidade.

Anomalias da temperatura de superfície do mar pelo ONI (Oceanic Niño Index) para o Niño 3.4

(Diferença da temperatura de superfície em relação à média no índice de referência da zona Niño 3.4 mostra que as anomalias de calor da superfície do oceano para o El Nino de 2015-2016 igualou os valores de pico de 1997-1998. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Calor, Seca e Tempestades São Esperados Juntamente com Algumas Surpresas Nefastas

Este evento empurrou realmente o mundo para um calor extremo, e até enquanto o tempo severo relacionado previsto se acendeu em algumas das regiões típicas. As temperaturas médias anuais globais dispararam para cerca de 1,06 C acima das linhas de base dos anos 1880 durante 2015, e até as diferenças mensais atingiram os 1,2-1,3 C ou mais acima do mesmo índice de referência durante dezembro e janeiro.

Entre este grande irrompimento de calor global, o mundo também experimentou ainda mais uma onda de secas estranhas (desta vez sobre o Norte da América do Sul, as Caraíbas, grandes faixas de África e do Sudeste Asiático), eventos de baixas em massa relacionadas com o calor, inundações, e os mais fortes furacões no registo. As medidas de gelo do mar do Ártico e Globais estão mais uma vez a mergulhar em novos mínimos históricos. Também um evento global de branqueamento de coral, talvez o pior desses casos alguma vez experienciado, foi desencadeado.

Os padrões e potenciais eventos de pior caso previstos (tais como baixas em massa por vagas de calor, branqueamento de corais, e perda de gelo do mar) foram também contrastados por uma série de surpresas. A primeira e talvez a mais nefasta foi o fracasso do El Nino em quebrar a seca da Califórnia. Embora a costa oeste dos Estados Unidos [EUA] tenha experienciado uma série de tempestades, o padrão foi mais típico da humidade normal de inverno para o Noroeste dos EUA até porque a seca continuou ao longo do Sudoeste. A humidade, por outro lado, tendeu a espalhar-se como uma mangueira de incêndio – com as tempestades quer a circularem para o norte para o Alasca, as Aleutas, ou o Mar de Bering, ou para o sul ao longo do sul do México ou da América Central, para cima através do Golfo e a saírem por uma zona de tempestade particularmente intensa que se forma no Atlântico Norte.

Anomalia de precipitação em 30 dias mostra a continuação da seca do sudoeste

(Nos últimos 30 dias, a seca do sudoeste reemergiu como um padrão bloqueado, novamente, começou a afirmar-se sobre a parte ocidental da América do Norte e o Pacífico oriental. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Esta perda de humidade contínua no sudoeste dos Estados Unidos, apesar de um El Nino recorde, é particularmente evidente na mais recente medida de anomalia de precipitação para os últimos 30 dias pelo Centro de Previsão do Clima (CPC). Aqui descobrimos que grandes partes da Califórnia do Sul e Central receberam apenas 10 a 50 por cento da precipitação típica para este período. Juntamente com as temperaturas de 1 a 3 C acima da média para o mês, esta perda de precipitação durante o que seria tipicamente o período mais chuvoso da Califórnia, chegou como uma decepção para muitos que esperavam que um forte El Nino iria ajudar a quebrar o estado desta seca incapacitante. Agora, a janela para as chuvas de final de inverno e início de primavera está a começar a fechar, ao mesmo tempo que o padrão de bloqueio parece estar fortemente restabelecido, tanto no padrão do tempo presente como nos modelos de previsão.

Mas talvez a maior surpresa vinda deste ano de El Nino tenha sido um conjunto de eventos climáticos no Atlântico Norte, que estavam provavelmente mais relacionados à mudança climática. Ali, tempestades severas martelaram um Reino Unido importunado pelas cheias enquanto uma Corrente de Jato [Jet Stream] muito distorcida lançou calor e humidade Equatorial para o norte – acelerando-as ao longo de uma Corrente do Golfo ridiculamente quente e aparentemente reforçada antes de as esbarrar numa piscina fria relacionada com o fluxo do degelo provavelmente da Groenlândia. Ali, o calor e a humidade colidiram com o frio para produzirem as épicas tempestades que, então, ventilaram a sua fúria sobre o Reino Unido.

Tempestade quente no Ártico

(29 de Dezembro viu as temperaturas subirem acima da linha de congelamento [zero] no Polo Norte – a primeira vez que as temperaturas aqueceram tanto nesta região alta do Ártico e tão tarde no ano. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Durante um desses eventos, uma cadeia de baixas pressões potentes no Atlântico Norte arremessou ventos fortes, chuvas intensas e ondulação épica no Reino Unido, enquanto o fluxo meridional desencadeado por estas feras poderosas empurrou temperaturas acima de zero graus bem até lá acima ao Polo Norte durante o final de dezembro. Ainda mais um evento sem precedentes e inesperado num ano quente recorde. Um que se parece mais com um aquecimento forçado pelos humanos que superou as influências tradicionais de El Niño, ao invés de um impacto relacionado com o El Nino em si.

Enquanto o El Niño Esmorece, o Calor Equatorial Tende a Mover-se para o Polo

Embora possamos ver estes dois eventos – o fracasso do El Niño em fornecer fortes chuvas à Costa Oeste dos EUA, e os pulsos massivos em direção ao norte de tempestades, calor e humidade que atingem o Atlântico Norte – como independentes, os padrões paralelos parecem estar ligados a uma amplificação polar em curso. No geral, o calor no Ártico tende a enfraquecer a Corrente de Jato do Hemisfério Norte sobre estas duas zonas. E mesmo durante o El Niño, quando o jato seria normalmente reforçado, continuámos a ver padrões de ondas de elevada amplitude a formarem-se sobre essas regiões.

Mas enquanto o El Niño enfraquece e o Equador esfria, a Corrente de Jato tende a diminuir ainda mais. Tal estado atmosférico tenderia a exagerar ainda mais os padrões de ondas já significativos da Corrente de Jato – transferindo ainda mais calor mais baixas latitudes em direcção aos pólos. Além disso, os ciclos oceânicos tendem a acelerar quando o El Niño enfraquece ou transita para La Niña. O resultado é um pulso amplificado de águas mais quentes, emergindo de latitudes mais a sul, que entram no Ártico.

É por estas razões combinadas – a tendência pós El Niño para amplificar a transferência de calor atmosférico de sul para norte para o Ártico, e a tendência para escoar águas mais quentes em direção a zonas do Oceano Ártico durante o mesmo período – que aparece que estamos a entrar num período de elevado risco para potenciais novos degelos do gelo marinho e possíveis degelos relacionadas do gelo terrestre da Gronelândia durante 2016 e 2017.

Bolhas quentes na temperatura de superficie do mar

(Bolha Quente do Nordeste do Pacífico permanece em alta intensidade, e até o seu tamanho está previsto para expandir em julho. Entretanto, temperaturas de superfície do mar muito quentes estão previstas a permanecerem ao largo da costa oriental. O efeito resultante destas duas bolhas quentes poderá ser o de empurrar a Corrente de Jato longe para a América do Norte durante o verão de 2016 – aumentando potencialmente o risco de calor e seca generalizados e potencialmente recorde. Superfícies do mar muito quentes previstas na região dos mares de Barents e da Gronelândia – excedendo os 3 C acima da média para uma região ampla – é igualmente motivo de preocupação. Isto não é apenas devido ao risco de perda de gelo marinho através desta zona, mas também devido ao seu potencial para desencadear a formação de um padrão de bloqueio e de cúpula de calor sobre a Europa Oriental e a Rússia Ocidental. Fonte da imagem: NOAA / CFS).

Além disso, estamos em sério risco de ver os bloqueios e os padrões de ondas de elevadas amplitudes restabelecerem-se e persistirem, especialmente na zona mais ocidental da América do Norte onde se espera que uma Bolha Quente do Nordeste do Pacífico relacionada a estes eventos se fortaleça com o desvanecer do El Niño. De facto, amplas regiões dos EUA podem cair num calor e seca recorde, ou próxima de recorde, este Verão, devido às influências combinadas de duas zonas do oceano muito quentes em torno das suas linhas costeiras. Os modelos agora indicam um risco de seca particular de final da primavera para a região dos Grandes Lagos, bem como um período prolongado de temperaturas muito acima da média para praticamente todos os EUA continentais durante o verão. Entretanto, precipitação primaveril acima da média prevista para o Sudoeste parece cada vez menos provável que surja.

Finalmente, prevê-se a intensificação de temperaturas extremas da superfície do mar acima da média nos mares de Barents e da Gronelândia durante o final do Verão de 2016. Esta é uma área a vigiar. O calor do oceano adicionado tende a puxar a Corrente de Jato para o norte para a Europa oriental e a Rússia ocidental – gerando risco de ondas de calor e secas para esta região, ao mesmo tempo que a Ásia Central cai num risco de inundações. Modelos CFS [Sistemas de Previsão Climática] de longo termo para a precipitação temperatura para a Europa ainda não detetaram este risco. Contudo, dada a intensidade do calor previsto para as superfícies do Mar de Barents e a tendência relacionada do calor sobre os oceanos e no extremo norte de influenciar a formação de padrões de bloqueio, cúpulas de calor, e calhas [da Corrente de Jato] de elevada amplitude, vale a pena manter um olho meteorológico sobre a situação.

El Nino a Enfraquecer para Depois Retornar; ou Estará uma Transição para La Niña em Curso?

Relacionado com a tendência, reforçada pelo do aquecimento polar e do oceano, para gerar ondas da Corrente de Jato de grande amplitude – bem como ondas de calor, secas e inundações persistentes associadas – está o equilíbrio térmico do Pacífico Equatorial. El Niños fortes, ou até mesmo uma tendência para permanecer dentro ou perto de um estado El Niño, tem, historicamente, ajudado na quebra de novos recordes de elevadas temperaturas globais, ao associar-se à tendência de aquecimento pelos gases de efeito estufa. Entretanto, a transição em direção a La Niña tendeu a reforçar uma série de situações relacionadas ao aquecimento global, incluindo eventos de chuva recorde e grandes injeções de calor em direção aos polos no decair de El Niño para La Niña.

A causa para o aumento do risco de grandes eventos de precipitação é o facto de o El Nino proporciona um sangramento maciço de humidade para a atmosfera, em tempos de pico de intensidade. Com o atual El Niño a chegar perto de níveis recorde e com as temperaturas globais superiores a 1 C acima da média de 1880, os níveis de humidade atmosférica globais estão a atingir novos recordes neste momento. Se as temperaturas globais caírem subsequentemente por volta de 0,1 a 0,2 C durante uma transição para La Niña (para um intervalo cerca de 0,9 a 0,8 C mais quente do que os valores de 1880), então a atmosfera não será capaz de manter uma grande porção dessa humidade adicional em suspensão e cairá como precipitação – espremendo principalmente onde as principais zonas de calhas se tendem a estabelecer. Devemos ser muito claros aqui ao dizer que o risco de seca relacionada com a intensificação da formação de cristas e cúpulas de calor pelo aquecimento global não é reduzido em tais instâncias – apenas que o risco de eventos extremos de precipitação é maior.

Onda de Calor Russa, Inundações no Paquistão e a Corrente de Jato

(Ao longo de 2011, quando o El Niño de 2010 se desvaneceu em condições de La Niña, uma onda de alta amplitude na Corrente de Jato desencadeou um calor recorde, secas e incêndios florestais sobre a Rússia, ao mesmo tempo que o Paquistão foi atingido por um dilúvio com um mês de duração que foi o pior evento de chuva para a região nos últimos 1.000 anos. A tendência da La Nina para espremer o excesso de água da atmosfera pode aumentar o risco de tais eventos ocorrerem num estado de aquecimento climático. Fonte da imagem: NASA).

Quanto aos riscos para o gelo do mar, fornecemos alguma da explicação acima. Contudo, é importante notar também que a mobilidade de calor em direção aos polos tende a ser reforçada durante os períodos em que o El Niño decai para La Niña. Durante estes tempos, o calor equatorial tende a propagar-se em forma de onda para os polos – especialmente para o Polo do Hemisfério Norte, o qual já perdeu a sua forte proteção pela Corrente de Jato que afastava invasões de ar quente.

Estes dois factores são questões importantes quando se considera se a La Nina ou um estado ENSO neutral irá aparecer após o El Niño durante 2016. Mas há um terceiro: a taxa de aumento da temperatura global. Apesar de o principal condutor do aquecimento global ser as emissões maciças de combustível fóssil humano, a resposta do sistema oceânico global pode abanar significativamente a taxa de aumentos da temperatura atmosférica numa escala de tempo de décadas. Se a tendência do oceano é para La Nina, isso tenderia a suprimir um pouco a taxa decenal global de aumento da temperatura – e nós vimos isso acontecer durante a década de 2000. Mas se a tendência do oceano é produzir El Niños (numa mudança para uma Oscilação Decenal do Pacífico positiva, como parece estar a acontecer agora), então o ritmo geral de aumento da temperatura atmosférica global tenderia a ser reforçado.

La Niña Emerge

(aplicações de modelos consensuais entre IRI/CPC mostram uma queda para uma La Nina fraca até o final do ano. Contudo, execuções do modelo SFC [imagem abaixo] tem mostrado uma tendência para prever um ressurgimento das condições de El Niño no Outono. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Chegando a este ponto descobrimos que o consenso de previsão do modelo oficial publicado pela NOAA (IRI/CPC figura acima) mostra uma transição para estados neutros ENSO em maio, junho e julho, os quais, em seguida, procedem a uma La Niña muito fraca no Outono. Numa tal queda, provavelmente ainda veríamos temperaturas altas globais recordes durante o período de 2016 (no intervalo de 1,03- a 1,15 C acima dos valores de 1880).

Contudo, a tendência, no final de 2016 e em 2017, para as temperaturas recuarem das novas altas recordes seria um de algum modo melhorada (provavelmente caindo abaixo do 1 C acima da marca de 1880 em 2017 ou 2018, antes de voltarem a desafiar o recorde de 2015-2016 com a potencial formação de um novo El Niño no tempo de 3 a 5 anos de 2019 até 2021). É importante notar que este cenário revela um risco aumentado de um pulso de ar quente mais forte ir em direção à zona Polar Norte, juntamente com um potencial adicionado para eventos extremos de precipitação, à medida que as temperaturas globais tenderiam a cair mais rapidamente a partir dos picos do final de 2015 e início de 2016.

El Niño Continua

(execução do modelo CFSv2 – mostra o El Niño a continuar até ao final de 2016. Nos últimos meses, a série CFSv2 mostrou uma elevada precisão. Contudo, a preferência atual de previsão da NOAA é para as previsões estabelecidas pelo modelo IRI [imagem anterior acima]. Fonte da imagem: NOAA / CPC).

Em contraste, a previsão do modelo CFSv2 da NOAA (imagem acima) mostra o El Niño apenas a enfraquecer até julho e, em seguida, refortalecendo-se no espaço de tempo de outubro a novembro. Este cenário do modelo CFS resultaria em temperaturas atmosféricas mais elevadas em 2016 – garantindo praticamente uma certeza, sem precedentes, de três anos quentes recorde consecutivos para 2014, 2015, e 2016. Mas tal cenário – implicando que o Oceano Pacífico teria entrado num novo período de tendência El Nino – tenderia também a manter as temperaturas atmosféricas mais próximo dos níveis recordes elevados recentemente estabelecidos.

No cenário CFSv2, podemos esperar que as temperaturas médias globais anuais subam tanto quanto 1,08 a 1,2 C acima dos valores dos anos 1880 durante 2016 (uma diferença muito extrema e um aquecimento desconfortavelmente próximo da marca de 1,5 C). Estes valores extremos iriam, talvez, diminuir para cerca de entre 0,9 e 1,1 C durante 2017, desde que o segundo pulso de El Nino não permanecesse por muito tempo. Contudo, se o ressalto de volta para condições de El Nino fosse forte o suficiente no final de 2016, haveria uma chance de que o mundo pudesse enfrentar não 3, mas 4 absolutamente detestáveis 4 anos quentes recorde consecutivos.

Tendencia da temperatura - NASA

(Durante 2015 a temperatura global anual disparou acima de 1 C mais quente do que os valores de 1880. Há pelo menos uma chance de 50% de que 2016 será ainda mais quente. Considerando a considerável tendência de aquecimento imposta por um aquecimento mundial forçado por combustíveis fósseis, quão pior pode ficar durante a segunda década do século 21? Fonte da imagem: NASA GISS).

Entretanto, o pulso de ar quente que vai em direção aos polos poderá ser um pouco silenciado neste cenário. Uma declaração que devia ser qualificada pelo facto de que já vimos uma quantidade substancial de calor de El Niño a ir em direcção aos polos durante o presente evento. Além disso, eventos de chuvas potencialmente pesadas poderão não receber a energia adicional de uma queda da temperatura global decente para espremer mais humidade. Uma declaração que requer a qualificação adicional de que a carga global de humidade atmosférica é reforçada pelo aumento das temperaturas globais – por isso, comparativamente menos precipitação pesada é um termo relativo aqui.

Neste momento, a NOAA favorece a previsão de uma transição para La Nina, afirmando:

Uma transição para ENSO (El Niño-Oscilação do Sul) neutro é provável durante o final da primavera do Hemisfério Norte ou início do verão de 2016, com uma possível transição para condições de La Niña pelo outono.

Contudo, vale a pena reiterar que as previsões do modelo CFSv2 têm sido bastante precisas em prever o caminho do atual El Niño recorde até à data.

Links:

NOAA / CPC

NASA GISS

Evento de Baixas em Massa por Efeito Estufa Atinge o Eqipto

Tempestade Mais Forte do Hemisfério Sul já Registada

Tempestade Penosa de Quatro Estações Agarra os EUA

Uma Estação de Degelo no Ártico Monstruosa Poderá Já Ter Começado

Aquecimento do Oceano Profundo Volta para nos Assombrar

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Mais Sinais do Abrandamento da Corrente do Golfo enquanto Inundações Devastam a Cúmbria em Inglaterra

Desconstrução do Tempo Selvagem da Ásia

Traduzido do original As a Titanic El Nino Begins to Fade, What Fresh Trouble Will a Record Warm World Bring?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 25 de Fevereiro de 2016.

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Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA Ártico mais quente
Robertscribbler

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

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Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

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A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade
Sam Carana

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

Sugerimos a leitura de “Papel do Metano no Aquecimento do Ártico” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Oceano Ártico é o mais fortemente atingido pelo aquecimento global

Nos últimos 12 meses, o aquecimento global fez-se sentir mais fortemente sobre o Oceano Ártico, como a imagem acima ilustra. Na maior parte do Oceano Ártico, as temperaturas de superfície estavam acima do topo da escala, ou seja, mais de 2,5°C mais elevada do que em 1981-2010.

Em Janeiro de 2016, a temperatura do ar perto do nível do mar (a 925 hPa) estavam mais do que 6°C ou 13°F acima da média na maior parte do Oceano Ártico, como o NSIDC.org anunciou recentemente. Para além disso, as temperaturas médias diárias em muitas partes do Oceano Ártico muitas vezes ultrapassaram o topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F maiores do que em 1979-2000, como ilustrado pela previsão do Reanalisador Climático abaixo.

Temperaturas anormais no Oceano Ártico em Fevereiro

E então, como podem as anomalias de temperatura no oceano ártico nesta época do ano serem muito maiores do que em qualquer outro lugar na Terra?

Um fator são os feedbacks tais como alterações na corrente de jato e o declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico, que faz com que cada vez mais luz solar seja absorvida pela água do Oceano Ártico, que por sua vez causa um declínio ainda maior, como discutido em muitos posts anteriores.

Alterações na corrente de jato

Neste momento, contudo, o aquecimento ao longo do Oceano Ártico é muito pronunciado numa altura do ano em que há uma diferença de temperatura mais ampla entre o Ártico e o Equador, quando há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Ártico. Assim, as mudanças no albedo são menos relevantes, enquanto que as alterações na corrente de jato seriam esperadas como sendo menos proeminentes agora. Todavia, uma corrente de jato fortemente deformada pode empurrar muito ar quente até lá acima ao Polo Norte, enquanto empurra muito ar frio do Ártico para a América do Norte, como ilustrado na previsão à direita.

Vejamos mais alguns fatores que estão a ter uma influência.

Níveis elevados de gases de efeito estufa sobre o Ártico

A questão era, por que está o aquecimento a atingir o Oceano Ártico tão fortemente nesta época do ano? Os níveis de gases de efeito estufa são mais elevados sobre o Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. Os gases de efeito estufa prendem o calor que seria, de outro modo, irradiadado para o espaço, e este efeito de estufa está a ocorrer durante todo o ano.

Níveis de CO2 em Fevereiro atingiram 405.83 ppm

Níveis de CO2 a 4 de Fevereiro de 2016. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 

Vamos olhar mais de perto para os níveis de dióxido de carbono (CO2). A 4 de Fevereiro de 2016, o nível de CO2 em Mauna Loa, no Havaí, foi 405,83 ppm, como ilustrado pela imagem à direita.

A imagem abaixo mostra que a média global do nível de CO2 a 6 de Fevereiro de 2016, foi de 407 ppm a uma altitude próxima do nível do mar (972 mb). A imagem também mostra níveis de CO2 mais elevados em latitudes mais elevadas a Norte, com níveis de mais de 410 ppm sobre a maioria do Hemisfério Norte.

Média níveis globais de CO2

Níveis de CO2 sobre o Ártico em Fevereiro 2016

Os níveis de dióxido de carbono a 8 de Fevereiro de 2016 foram tão elevadas quanto 416 ppm num local sobre o mar de Kara (marcado pelo círculo verde na parte superior da imagem à direita).

Todavia, os níveis de dióxido de carbono sobre o Oceano Ártico não estão muito mais elevados do que noutros lugares, ou seja, não é suficiente para explicar essas enormes anomalias de temperatura.

O metano, outro gás de efeito estufa, também está presente ao longo do Oceano Ártico em níveis que são mais elevados do que no resto do mundo, como ilustrado na imagem abaixo, mostrando níveis de metano acima de 1900 ppb na maior parte do Oceano Ártico a 4 de Fevereiro de 2016.

Níveis de metano no Ártico

No caso do metano, a situação é diferente daquela para o dióxido de carbono:

  • os níveis no Pólo Norte são mais do que 10% mais elevados do que no Polo Sul, uma diferença muito maior do que para o dióxido de carbono.
  • o metano está a atingir os seus níveis mais elevados sobre o Oceano Ártico a partir de Outubro em diante até bem dentro do ano seguinte.
  • o metano persiste por mais tempo sobre o Ártico, devido aos baixos níveis de hidroxila que lá existem.
  • os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são elevados, já que cada vez maiores quantidades de metano estão a sair do fundo do mar no Oceano Ártico, fazendo com que este metano seja forçosamente altamente concentrado sobre o Ártico, especialmente logo após a sua libertação.

Em conclusão, parece que o metano está a desempenhar um papel cada vez maior no aquecimento do Ártico, especialmente tendo em conta a sua grande potência a curto prazo como gás de efeito estufa.

Emissões equivalentes ao CO2 noutrs gases de efeito de estufa

AMOC está a levar cada vez mais calor para o Oceano Ártico

Para além do metano, há uma outra grande razão pela qual as anomalias de temperatura são tão elevadas sobre o Oceano Ártico nesta época do ano. Enormes quantidades de calor estão a subir da água para a atmosfera sobre o Oceano Ártico, aquecendo o ar sobre a água. Quanto mais quente o mar, menos gelo se formará. Quanto mais fraco o gelo, mais rachaduras e locais onde o calor é transferido para a atmosfera.

A água do Oceano Ártico está a ficar mais quente, em comparação com anos anteriores, enquanto a Corrente do Golfo aquece. Ao referir toda a extensão do Golfo do México ao Oceano Ártico, esta corrente é muitas vezes referida como a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico Norte (AMOC na sigla em inglês). A direção do fluxo da AMOC é determinada por duas forças, que são, o fluxo de água quente do equador para norte, e o fluxo para leste devido à força de Coriolis. O resultado é água quente salgada transportada pela AMOC nas camadas superiores do Atlântico em direção a nordeste, para o Oceano Ártico. Eventualmente, a água afunda e flui de volta como água mais fria pelas profundezas do Atlântico. Como a imagem da NOAA em baixo mostra, a quantidade de calor que tem sido carregado pela AMOC em direção ao Oceano Árctico tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

Transporte de carlor pela AMOC no Atlantico

As temperaturas globais do oceano estão a aumentar, como discutido em publicações como Calor do Oceano e Subida da Temperatura. Como resultado, mais calor está agora a ser levado em direção ao Oceano Ártico. A Corrente do Golfo ao largo da costa da América do Norte está a aquecer fortemente e está a empurrar mais calor em direção ao Oceano Ártico, em comparação com anos anteriores. O resultado é ilustrado pela imagem abaixo, mostrando enormes anomalias da temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico perto de Svalbard, apesar da tampa fria no Atlântico Norte, indicando que o calor continua a viajar por baixo da tampa de água doce fria até ao Oceano Ártico.

Anomalias das Temperaturas no Ártico

Tais anomalias da temperatura de superfície do mar elevadas não são incomuns no Oceano Ártico nos dias de hoje. A imagem abaixo mostra que, a 24 de Janeiro de 2016, a temperatura de superfície do mar foi de 12,3°C ou 54,2°F num local perto de Svalbard, marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C ou 18.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar no Ártico - Jan 2016

Água agora muito mais quente ao largo da costa da América do Norte

A água ao largo da costa leste da América do Norte está muito mais quente do que costumava estar devido a emissões que se estendem desde a América do Norte sobre o Oceano Atlântico devido à força de Coriolis. A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra níveis de dióxido de carbono tão elevados quanto 511 ppm sobre New York a 5 de Novembro de 2015, e tão elevados quanto 500 ppm sobre a água ao largo da costa de New Jersey a 2 de Novembro de 2015.

Niveis de CO2 na América do Norte e Atlantico

A imagem abaixo mostra níveis de monóxido de carbono. O monóxido de carbono esgota a hidroxila, tornando mais difícil para o metano ser oxidado. Assim, novamente, o metano parece ser um fator importante.

Níveis de monóxido de carbono

Essas emissões aquecem a Corrente do Golfo e fazem com que água cada vez mais quente seja levada por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico.

Tampa de água doce fria no Atlântico Norte

Finalmente, a tampa de água doce fria no Atlântico Norte faz com que uma menor transferência de calor ocorra do oceano para a atmosfera. Esta tampa de água doce fria faz com que mais calor esteja a fluir em direção ao Oceano Ártico, logo abaixo da superfície do mar do Atlântico Norte.

velocidade do gelo do mar e deriva

Esta tampa de água doce fria está a espalhar-se sobre o Atlântico Norte por uma série de razões:

    • mais derretimento dos glaciares na Gronelândia, em Svalbard e no norte do Canadá;
    • mais gelo do mar à deriva no Oceano Atlântico devido aos ventos fortes. Tempestades movem-se para cima no Atlântico de uma forma circular, acelerando a deriva do gelo do mar ao longo das bordas da Gronelândia, como ilustra este vídeo e imagem da Naval Research Lab à direita;
    • uma maior evaporação ao largo da costa leste da América do Norte, com a humidade a ser transportada por ventos mais fortes para o nordeste, resultando em mais precipitação sobre a água e, portanto, mais água doce a ser acrescentada ao Atlântico Norte, como ilustrado na imagem abaixo.

    Tampa de água doceno Atlanticodp degelo e precipitação

    Como a imagem acima também ilustra, esta tampa de água doce fria no Atlântico Norte também poderia resultar em mais calor a ser levado para o Oceano Ártico, devido à transferência de calor reduzida para a atmosfera a partir de água no seu caminho para o Oceano Ártico.

    temperaturas no ártico, ampa de água doce e precipitação no atlantico

    A imagem acima ilustra como as temperaturas mais elevadas ao longo do Ártico (painel superior) podem ir de mãos dadas com a tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte (segundo painel), com elevadas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte (terceiro painel) e com maior precipitação sobre esta tampa de água doce fria (painel inferior).

    A imagem abaixo indica que a tampa de água doce fria no Atlântico Norte também anda de mãos dadas com a queda dos níveis de salinidade.

    A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade

    A precipitação sobre o Atlântico Norte está a aumentar, devido aos ventos fortes e tempestades ali, como discutido em publicações anteriores como esta e como ilustrado pelas imagens abaixo. Ventos mais fortes, tempestades com elevados níveis de precipitação e ondas mais altas podem todos contribuir para que a tampa de água doce fria se espalhe ainda mais por todo o Atlântico Norte.

    Ondas de17 metros ao largo das ilhas britânicas

    A imagem acima mostra que ondas tão altas quanto 17,81m ou 58,4 pés foram registadas no Atlântico Norte a 1 de Fevereiro de 2016, e tão elevadas quanto 17,31m ou 56,8 pés a 08 de Fevereiro de 2016.

    Ondas de 17 metros ao largo das ilhas britânicas

    Conclusão

    Em conclusão, o perigo é que cada vez mais calor vá chegar ao Oceano Ártico. Isso resultará em maior derretimento do gelo do mar, num ciclo de realimentação de auto-reforço que faz com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico (em vez de ser refletida de volta ao espaço, como antes).

    A 11 de fevereiro, 2016, o gelo marinho do Ártico teve – para esta época do ano – a menor extensão desde que os registos por satélite começaram em 1979, como ilustrado na imagem abaixo.

    Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo

    O maior perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão escapar abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, elevando dramaticamente as temperaturas sobre o Ártico e provocando cada vez mais erupções de metano, resultando numa escalada rápida para um aquecimento fugidio.

    A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

    Traduzido do original Methane’s Role in the Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Fevereiro de 2016.

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