Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

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Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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Anomalia das temperaturas causam incêndios no Canadá e América do NorteAnomalia das temperaturas no Canadá e América do Norte
Ártico, Incêndios Florestais

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas

em aquecimentoglobal.info/

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extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada
Robertscribbler

Gelo Marinho do Ártico Pode Não Sobreviver ao Verão

Quase nenhum gelo do mar pelo final da temporada do degelo. O tão temido Evento do Oceano Azul. Algo que parece cada vez mais provável de acontecer durante 2016 a cada dia que passa.

Estes são o tipo de mudanças da fase climática devastadora no Ártico com a qual as pessoas têm vindo a preocupar-se desde que a extensão, área e volume do gelo do mar mergulhou para níveis angustiantes durante 2007 e 2012. Mergulhos que foram muito mais rápidos do que as taxas de derretimento do gelo do mar previstas pelas execuções de modelos computorizados e pelo consenso científico de então quanto a como o gelo do Oceano Ártico iria responder ao aquecimento forçado pelos humanos neste século. Pois durante a primeira década do século 21 a visão científica dominante era que o gelo do mar no Ártico estaria no nível em que está hoje por volta de 2070 ou 2080. E que não contemplaríamos a possibilidade do gelo do mar estar a zero ou perto de zero até ao final deste século.

Mas a incrível capacidade de uma emissão de combustíveis fósseis inconcebível para transformar rapidamente o nosso mundo para o pior parece agora superar aquela ciência cautelosa. Pois durante 2016, o Ártico tem experienciado um ano quente recorde como nunca antes. As temperaturas médias sobre a região têm atingido valores inéditos. Temperaturas que – quando alguém que compreende a natureza sensível do Ártico olha para elas – inspiram sentimentos de deslocamento e descrença. Devido à nossa cobertura de gelo do mar no Ártico ter estado consistentemente em recordes baixos durante todo o inverno, tem vindo a seguir uma curva inclinada de perda de gelo desde Abril, e agora parece ter começado a cair de um precipício. Perdas severas susceptíveis de impactar tanto a Corrente de Jato [Jet Stream] como a formação de condições meteorológicas extremas no Hemisfério Norte durante a Primavera e Verão de 2016.

A Derreter mais de Duas Semanas Mais Rápido do que no início da Década de 2000

Desde 27 de Abril, de acordo com um registo da extensão do gelo do mar fornecido por JAXA, as taxas diárias de perda de gelo do mar têm estado na faixa de 75.000 quilómetros quadrados por cada período de 24 horas. Isso são 300.000 quilómetros quadrados de gelo do mar, ou uma área do tamanho do Novo México, perdida em apenas quatro dias. Só em 2015 é que alguma vez havíamos visto tais taxas similarmente rápidas de perda para esta época do ano.

extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada

(Nunca vimos perdas de gelo do mar no início da temporada como estas antes. Perdas do gelo do mar graves deste tipo podem ajudar a gerar frentes fortes e ondas de calor extremas como as que vemos agora a afetar a Índia e Sudeste Asiático. Fonte da imagem: JAXA).

Contudo, esta taxa excessiva de perda de gelo está a ocorrer em toda uma região do Árctico que apresenta dramaticamente menos gelo (excedendo a marca de 2015 para o mesmo dia do ano em cerca de 360.000 quilómetros quadrados) do que em qualquer outro ano comparável, ​para o mesmo dia. Em essência, a extensão do degelo está agora mais do que uma semana adiantada em relação a qualquer outro ano anterior. Está duas semanas e meia adiantada em relação às taxas de derretimento durante a década de 2000. E a taxa de declínio deste ano está ainda mais acentuada.

As taxas de derretimento atuais, se mantidas durante todo o Verão, iriam acabar com praticamente todo o gelo. E, o que é preocupante, esta é uma possibilidade distinta dado o estado severamente enfraquecido do gelo, as grandes áreas de água escura e aberta disponível para absorver os raios do sol enquanto o Verão progride, e devido ao facto de que o calor do Ártico continua a alcançar recordes quentes estremos. Além disso, as taxas de derretimento tendem a acentuar-se sazonalmente a partir de meados de Junho. As taxas de perda de gelo a aumentarem tão rapidamente agora, no final de Abril e através do início de Maio, podem vir a ver uma maior aceleração à medida que mais e mais luz solar direta continua a cair sobre as já grandes áreas expostas de água escura que absorve calor.

Buracos Enormes no Beaufort

Ao longo de toda a bacia do Ártico, essas regiões de absorção de luz solar ocupam muito mais área do que o que é típico. O Bering derreteu muito cedo. Baffin Bay está muito retirado em relação a anos típicos. Hudson Bay está a começar a quebrar. Os mares de Barents e da Gronelândia apresentam muito mais água aberta do que é típico. Contudo, não há nenhuma região a mostrar perdas mais dramáticas de início de temporada do que a de Beaufort.

Derretimento acentuado do gelo em Beaufort deixa zonas de águas abertas azul escuras

(Este mar de Beaufort nunca pareceu ter tão mau aspecto tão cedo no ano. Ondas de amplitude elevada na Corrente de Jato continuam a entregar calor recorde, ventos quentes e húmidos, e derretimento recorde do gelo marinho para esta região do Ártico. Para referência, o bordo inferior do quadro nesta imagem é de cerca de 600 milhas. Os veios em tufos que se vê na imagem é a cobertura de nuvens, as secções de branco sólido são neve e gelo. E o azul que se vê são as águas abertas do Oceano Ártico. O tamanho dos intervalos de água nas secções mais amplas são agora de mais de 150 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

Lá, o gelo continua a recuar rapidamente em relação às margens do Oceano Ártico no Delta Mackenzie e no Arquipélago Ártico Canadense – onde uma grande brecha se abriu no gelo do mar. Agora entre 70 e 150 milhas de largura, esta área de água aberta vê consistentemente temperaturas de superfície quentes o suficiente para derreterem o gelo do mar (acima de 28 F ou cerca de -2 C).

Esta grande massa de água aberta do tamanho de um mar em si mesma, criou agora uma nova zona de bordo de início da temporada para o gelo. Um lugar onde uma espécie de mini-dipolo pode surgir entre as superfícies de água em aquecimento mais rápido e o gelo reflexivo mais frio. Uma tal zona tenderá a ser um imã para as tempestades. E um sistema de baixa pressão está previsto trazer para cima uma protuberância extrema na Corrente de Jato sobre o Alasca e o Canadá, continuando para esta zona do Ártico ao longo dos próximos dias. Tempestades deste tipo tendem a apressar a fusão e o quebrar do gelo nas zonas de bordo pelas ondas que se geram, pelo puxar de ares mais quentes do sul, ou ao fazer cair precipitação líquida ao longo da borda de gelo que derrete. E o facto de que este tipo de dinâmica está a estabelecer-se em Beaufort no início de Maio é nada menos do que extraordinário.

Calor no Ártico Nunca Antes Visto

Mais ao norte, espera-se que a alta pressão continue a dominar nos próximos sete dias. Isso irá gerar ainda mais compactação do gelo já fraco enquanto permitindo que mais e mais luz solar caia sobre esse véu branco já muito estreito.

Dias de graus de congelamento no Ártico são menos 1000 que em 1980-2000

(O Ártico está agora tão quente que este gráfico é agora demasiado pequeno para capturar o calor extremo na região. Os dias de graus de congelamento são agora mais do que 1.000 a menos do que o eram durante um ano típico e do que no período já muito mais quente do que o normal entre 1980 e 2000. Fonte da imagem: CIRES).

Espera-se que as temperaturas para o Árctico variem entre 2,5 e 3,5 C acima da média nos próximos sete dias. Condições muito quentes que vão continuar a martelar para baixo os totais de dias de graus de congelamento, os quais já ultrapassaram uns inéditos -1000 desde o início do ano na região mais elevada do Ártico, acima dos 80 graus de Latitude Norte. Em termos leigos, quanto menor o número de dias de graus de congelamento o Ártico experiencia, o mais próximo está de derreter. E perder 1000 dias de graus de congelamento é como remover o mês mais frio do inverno inteiramente da equação do balanço térmico nesta região de maior latitude do Hemisfério Norte.

Praticamente todos os indicadores nos levam a concluir que o gelo do mar do Ártico está a ser atingido pelo calor como nunca antes. E as perdas acentuadas e perturbadoras de início de temporada que vemos agora, em combinação com o extremo calor excessivo e os padrões climáticos que aceleram o derretimento, são susceptíveis de continuar a reforçar uma tendência de perdas recordes. Tais medidas baixas de gelo do mar também tendem a distorcer os padrões meteorológicos em todo o mundo – gerando zonas de ondas de calor e secas extremas ao longo das linhas de cristas e às invasões do Ártico pelo vento quente relacionadas que tenderão a desenvolver-se, gerando ao mesmo tempo risco de eventos de precipitação recorde nas zonas de depressão. A este ponto, o Oeste norte-americano está novamente a configurar-se para exatamente um padrão assim de onda de calor zonal. O calor extremo que se acumula na Índia e no Sudeste Asiático também parece estar a seguir um deslocamento similar para o norte.

Traduzido do original
Arctic Sea Ice is Falling off a Cliff and it May Not Survive The Summer
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Maio de 2016.

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Teperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica
Sam Carana

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.
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Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais
Robertscribbler

Demasiado Próximo dos Limiares Climáticos Perigosos – Primeiros Três Meses de 2016 Estiveram 1,5 C Acima da Linha de Base Pré-industrial do IPCC

Devíamos ter um momento para apreciar o quão quente tem na verdade estado até agora em 2016. Para pensarmos sobre o que significa estarmos num mundo que já está tão quente. Para pensarmos sobre o quão falta para a bola 8 quanto a respostas às mudanças climáticas forçadas pelos humanos. E considerarmos como é urgente pararmos rapidamente de queimar carvão, petróleo e gás. Pararmos de adicionar mais combustível a um fogo global já furioso.

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Políticos, cientistas e muitos ambientalistas identificaram uma média anual de 1,5 graus Celsius acima das marcas pré-industriais como um nível de calor que devíamos tentar evitar. O encontro do clima de Paris fez uma promessa verbal para pelo menos tentarmos afastar-nos de tais temperaturas elevadas extremas. Mas mesmo os compromissos mais fortes de redução de emissões pelas nações do mundo agora não se alinham com essa promessa. E é questionável se poderiam, dada a enorme quantidade de sobrecarga de gás de efeito estufa já acumulada e que já está a aquecer rapidamente os ares, águas, gelo e reservas de carbono do mundo.

As promessas de redução de emissões atuais, apesar de significantes quando se leva em contexto o tamanho e potencial de crescimento de toda a indústria que vomita carbono, nem chegam sequer perto do declarado objetivo de 1,5 C. De acordo com nosso entendimento presentemente aceite de sensibilidade climática e excluindo qualquer resposta dos reservatórios de carbono globais imprevistos pela ciência mainstream, as reduções prometidas do uso de combustíveis fósseis pelas nações do mundo sob o acordo de Paris iriam limitar o aquecimento a cerca de 3 C até ao final deste século. As taxas de redução das emissões de carbono teriam necessariamente de acelerar significativamente além das metas a que se comprometeram em Paris de modo a acertarmos abaixo dos 3 C em 2100 – muito menos evitar os 2 C.

Quanto aos 1,5 C acima das médias pré-industriais – parece que este ano de 2016 já verá temperaturas desconfortavelmente próximas de um nível que a corrente principal de cientistas identificaram como perigosos.

Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais

(A Agência Meteorológica do Japão mostra que Março de 2016 manteve-se em níveis de temperatura global mais elevados que os 1,5 C acima da linha de base pré-industrial.)

A advertência mais recente veio quando a Agência Meteorológica do Japão publicou hoje os seus valores de temperatura de Março. Nas medições, vemos novamente um grande salto nas leituras com a nova medição de Março a bater um recorde de 1,07 C acima da média do século 20, ou cerca de 1,55 C acima das temperaturas vistas pela última vez durante o início da década de 1890. Estas temperaturas comparam-se aproximadamente aos 1,52 C acima das temperaturas de 1890 registadas pela mesma agência durante fevereiro e uma diferença positiva de 1,35 C acima das temperaturas de 1890 durante janeiro. Fazendo a média de todas estes números de temperaturas anómalas juntas, descobrimos que os três primeiros meses de 2016 estiveram cerca de 1,47 C acima da década de 1890, ou próximo de 1,52 C acima da linha de base pré-industrial do IPCC de 1850 a 1900.

Assim, durante três meses agora, entrámos num novo e duro mundo. Um provocado pelo cativeiro atroz da queima de combustíveis fósseis. Um que muitos cientistas disseram ser imperativo evitar.

Devido à forma dos ciclos do sistema climático global, é pouco provável que o resto de 2016 verá marcas de temperaturas globais assim elevadas, e a média anual vai curvar para trás a partir de um pico próximo ou ligeiramente superior a 1,5 C durante o início de 2016. A La Nina parece estar a caminho. E como principal condutor do lado mais frio da variabilidade natural, a La Niña tomando conta deve tirar um pouco do ferrão destas novas leituras de temperatura atmosférica recorde.

Dito isto, o calor global do oceano ainda parece muito extremo. Os valores da Oscilação Decenal do Pacífico atingiram os seus segundos valores mensais mais elevados durante Março de 2016. E uma ODP [Oscilação Decenal do Pacífico] fortemente positiva pode tender a sangrar uma grande quantidade de calor para os ares do mundo mesmo na ausência da influência do El Nino. Além disso, o aquecimento no Ártico este ano atingiu novos níveis recordes. O gelo do mar do Ártico está agora em, ou perto de, níveis sazonais baixos recorde na maioria das medições [Mais sobre o aquecimento e degelo no Ártico aqui, em Português]. O albedo é muito baixo com muitas regiões de gelo escuro ou águas abertas que se formam ao longo do Oceano Ártico. Os níveis de cobertura de neve também estão baixos ou em recorde mínimo – dependendo da medida. O degelo a acontecer muito cedo na Groenlândia já está a prejudicar a refletividade dessa grande massa de gelo.

Com o avanço do Verão, estes fatores podem tender a continuar a gerar excesso de calor no Ártico ou próximo das regiões do Ártico, à medida que novas superfícies escuras absorvem muito mais radiação solar do que durante um ano típico. Novas evidências de aumento da resposta das reservas de carbono da permafrost no Ártico podem adicionar a esta potencial contribuição de calor adicional.

Há um perigo então, de que um arrefecimento no final do ano relacionado à variabilidade natural conduzida pela La Niña possa tender a ficar desfasado – puxado para trás por uma ODP positiva e feedbacks de amplificação no Ártico. Os níveis de dióxido de carbono atmosférico com pico entre 407 e 409 partes por milhão durante os meses de Março e Abril — o condutor principal e cada vez mais perigoso de todo este excesso de calor que estamos agora a vivenciar — corre o risco de dobrar a extremidade superior desse limiar de temperatura ainda mais para cima e de formas que, provavelmente, ainda não detectámos completamente. Mas o facto de que Março parece ter-se ficado por valores próximos dos da elevada anomalia recorde de Fevereiro é a causa de uma preocupação crescente. Por outras palavras, 2016 está preparado para ser quente de maneiras que são surpreendentes, bizarras e perturbadoras.

Traduzido do original Too Close to Dangerous Climate Thresholds — Japan Meteorological Agency Shows First Three Months of 2016 Were About 1.5 C Above the IPCC Preindustrial Baseline, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 12 de Abril de 2016.

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Anomalia da temperatura de superfície no Ártico em Abril de 2016
Sam Carana

Aquecimento Recorde no Ártico

A 3 de abril de 2016, a extensão do gelo marinho do Ártico estava num valor baixo recorde para a época do ano, informa a National Snow and Ice Data Center (NSIDC).

Extensão do gelo marinho no Ártico num recorde mais baixo

A imagem em baixo, criada a partir de uma imagem do site JAXA, dá-nos uma atualização quanto à extensão do gelo marinho.

Gelo marinho no Ártico com extensão mínima recorde

Para além da extensão do gelo do mar, a área do gelo do mar também é importante. Para mais sobre o que constitui “cobertura de gelo” e o que é extensão do gelo do mar (versus área do gelo do mar), consulte esta página de Perguntas Frequentes e Respostas da NSIDC.

A 2 de abril de 2016, a área de gelo no mar no Hemisfério Norte estava num valor baixo recorde para a época do ano, informa o Cryosphere Today.

A perda de área do Gelo marinho no Ártico está um mês adiantada

Em 2015 ainda havia mais área de gelo do mar do que há agora quando estávamos meio mês mais tarde (15 dias) no ano. Em 2012, ainda havia mais gelo marinho quando estávamos 25 dias mais tarde no ano. Por outras palavras, o declínio da área de gelo do mar está quase um mês adiantado em relação à situação em 2012.

Andrew Slater, cientista na NSIDC criou o gráfico em abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Vejam o site de Andrew e esta página para mais informação.

Número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico em 2016

Anomalia no número de dias de congelamento, ou seja, dias com temperaturas abaixo de zero graus (a 2m de altitude), no Ártico (80ºN), para o 1º dia de cada mês comparado com a média de outros anos.

O Ártico aqueceu mais do que noutros lugares na Terra. As temperaturas de superfície ao longo dos últimos 365 dias estiveram mais de 2,5°C ou 4,5°F mais elevadas do que em 1981-2010.

Anomalia da temperatura de superfície no Ártico em Abril de 2016

A imagem abaixo compara a espessura do gelo do mar a 3 de abril para os anos de 2012, 2015 e 2016 (os paineis da esquerda, centro e direita, respectivamente).

Expessura do gelo marinho no Ártico comparada com anos anteriores

Idade do gelo do mar do Ártico caiu dramaticamente ao longo dos anosA espessura do gelo do mar caiu dramaticamente ao longo dos anos, como ilustrado na imagem à direita, do NSIDC, mostrando a idade do gelo do mar do Ártico para a semana de 4 a 10 de Março, desde 1985 a 2016.

As temperaturas elevadas que atingiram o Oceano Ártico ao longo dos últimos 365 dias fazem com que a aparência do gelo do mar no Ártico este ano não seja boa.

O El Niño ainda está forte com temperaturas elevadasComo ilustrado na imagem à direita, o presente El Niño ainda está forte, com temperaturas acima dos 100°F [37.7°C] registadas em três continentes.

O ano de 2016 já está a ganhar forma como o ano mais quente dos registos até agora.

As temperaturas parecem preparadas para subirem rapidamente nos próximos meses, no Hemisfério Norte em grande parte e no Ártico em particular.

A imagem em baixo mostra que durante um período de 90 dias de 13 de Janeiro a 11 de Abril de 2016, a maior parte do Oceano Ártico esteve mais do que 6°C (10.8°F) mais quente do que a média de 1981-2011.

Anomalia da temperatura no Ártico Janeiro a Abril 2016 em relação a 1981-2011

A imagem da DMI em baixo mostra o degelo recente na Gronelândia até 11 de Abril de 2016. Os mapas no painel da esquerda mostram áreas onde o derretimento ocorreu a 10 de Abril e 11 de Abril de 2016. O gráfico no painel direito mostra o degelo em 2016 (linha azul), em contraste com a média de 1990-2013 (o eixo vertical reflete a percentagem da área total do gelo onde o derretimento ocorreu).

Degelo na Gronelândia comparado com média de 1990-2013

Como um estudo recente confirma, os mantos de gelo podem conter enormes quantidades de metano na forma de hidratos e gás livre. Muito metano pode escapar devido ao derretimento e fratura durante as variações meteorológicas.

Temperaturas elevadas na Gronelandia e comparadas a 1979-2000O rápido degelo na Gronelândia parece que vai continuar. As previsões para 12 de Abril de 2016 à direita mostram anomalias das temperaturas no topo da escala (20°C ou 36°F)para a maior parte da Gronelândia e Bacia Baffin, enquanto o Ártico como um todo é atingido por uma anomalia da temperatura de mais de 5°C (mais de 9°F), comparado com 1979-2000.

Para além do mais, as temperaturas do oceano estão muito altas presentemente. Estas temperaturas elevadas, junto com a condição precáŕia do gelo do mar, fazem com que as chances sejam para que o gelo do mar tenha desaparecido na sua maior parte em Setembro.

Temperaturas anómalas no Ártico

A imagem à direita mostra as anomalias da temperatura de superfície acima da latitude 60°N a 4 de Abril de 2016.

A imagem em baixo mostra que, a 7 de Abril de 2016, a superfície do mar de Barrents esteve tão quente quanto 10.1°C ou 50.2°F, uma anomalia de 9.4°C ou 16.9°F a comparar com a média de 1981-2011 (na localização marcada pelo círculo verde em cima à direita), enquanto houveram anomalias tão elevadas quanto 11.3°C ou 20.3°F ao largo da costa da América do Norte (círculo verde à esquerda).

A linha branca mostra o percurso aproximado da corrente fria de saída, enquanto a linha vermelha mostra o percurso aproximado da corrente quente de entrada.

As temperaturas elevadas no Mar de Barrents dão indicação do calor do oceano a viajar em direção ao Oceano Ártico, enquanto que as anomalias de temperaturas elevadas na costa este da América do Norte dão indicação do calor que se está a acumular ali. Muito desse calor vai para o Oceano Ártico nos próximos meses.

Correntes quentes aumenta as temperaturas no Oceano Ártico

Temperaturas da superfície do mar elevadas no Pacífico em AbrilNo Pacífico, as anomalias da temperatura da superfície do mar em relação a 1981-2011 foram tão elevadas quanto 11.6°C ou 20.8°F perto do Japão a 11 de Abril de 2016 (ver imagem à direita), dando indicação da grande quantidade de calor adicional que existe agora nos oceanos do Hemisfério Norte. A perspectiva é que as temperaturas vão aumentar durante os próximos meses para níveis ainda mais elevados do que têm estado no último ano (vejam o post anterior sobre temperaturas em Junho de 2015 no Ártico).

O gelo do mar funciona como um tampão, absorvendo calor e mantendo a temperatura da água no ponto de congelamento. Sem um tal tampão, mais calor irá fazer com que a temperatura da água aumente rapidamente. Além disso, menos gelo do mar significa que menos luz solar é refletida de volta para o espaço e ao invés mais luz solar é absorvida pelo Oceano Ártico.

Estes são apenas alguns dos muitos mecanismos de realimentação que aceleram o aquecimento no Ártico. A água quente que atinge o fundo do mar do Oceano Ártico pode penetrar os sedimentos que podem conter enormes quantidades de metano na forma de hidratos e gás livre, desencadeando uma libertação abrupta de metano em quantidades gigantescas, escalando em aquecimento fugidio, e a posterior destruição e extinção em larga escala.

Numa escala de 10 anos, a libertação de metano no momento presente de todas as fontes antropogénicas já excede todas as emissões de dióxido de carbono como agentes de aquecimento; ou seja, as emissões de metano já são mais importantes do que as emissões de dióxido de carbono no conduzir do ritmo atual de aquecimento global.

A imagem em baixo mostra que o crescimento nos níveis de metano tem acelerado recentemente; uma linha de tendência aponta para um duplicar dos níveis de metano por volta do ano de 2040. Contrariamente ao dióxido de carbono,o potencial de aquecimento global do metano aumenta à medida que mais é libertado. O tempo de vida do metano pode ser estendido a décadas, em particular devido à depleção de hidróxilo na atmosfera.

Taxa de crescimento dos níveis de Metano

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Comentário de Albert Kallio:
Mais poderia ter sido adicionado do último relatório de Março sobre o gelo do mar do Ártico do National Snow and Ice Data Center (NSIDC), a visão geral da perda massiva de gelo do mar, porque o recorde mínimo de cobertura de neve e gelo está a coincidir com o recorde mínimo de cobertura de neve terrestre. A previsão do NSIDC de que devido às superfícies escuras terem aumentado tanto, levarão facilmente à perda de mais gelo marinho. De facto, a situação de 2016 é ainda pior do que o anterior recorde de 2012 quando a cobertura de neve era muito maior. O mesmo em 2007 quando a área do gelo marinho era ligeiramente menor, havia muito mais cobertura terrestre de neve. Para além disso, nem 2007 nem 2012 ocorreram durante um forte El Niño como o de 1998. O El Nino de 2015-2016 é o mais forte de sempre, acompanhado também pelo oceano Índico, Atlântico e Oceano do Sul em torno da Antártida, todos muito quentes. Por vezes as temperaturas da água do mar na Antártida estavam também elevadas levando ao segundo mais pequeno gelo marinho Austral de Verão a determinado ponto. A área do gelo do mar, também em torno da Antártida, tem estado mais pequena que a média na maior parte do tempo, apesar do aumento em água do degelo e salinidade reduzida – devido a temperaturas elevadas. Todos estes fatores adicionais deviam ser adicionados nas suas conclusões sem esquecer de mencionar que o calor adicionado ao sistema terrestre está a criar uma rutura no Vórtice Polar, à parte das correntes de jato terem começado a misturar-se em outros padrões de ventos atmosféricos. Notem também o fluxo aumentado de gelo marinho através do estreito de Fram devido à baixa viscosidade espacial do gelo marinho, que também resulta de uma maior ação das ondas, mistura vertical do oceano pelo vento, gelo marinho mais fino que se parte mais facilmente e colapsa, bem como por ser na sua maior parte gelo sazonal (contendo vestígios de sais que tornam as ligações químicas nos cristais de gelo mais fracas e frágeis, derretendo mais facilmente). – Albert Kallio

Traduzido do original Record Arctic Warming de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 5 de Abril de 2016.
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Novo estudos e possibilidade de extinção em massa do tipo do MTPE
Thom Hartmann

Extinção em Massa Está Mais Próximo do que Pensas

Dois novos estudos que saíram esta semana dizem que a mudança climática está a acontecer muito mais rápido e numa direção mais perigosa do que o que os cientistas consideravam como cenário de pior caso apenas há alguns anos atrás.

Conteúdo traduzido do original Mass Extinction Is Closer Than You Know.

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Extinção em Massa Está Mais Próximo do que Pensas

Green Report [Relatório Verde] No Relatóŕio Verde de hoje olhamos para a mais recente ciência em Alterações Climáticas. A mudança climática é real, claro, mas dois novos estudos científicos nesta semana passada dizem que está a acontecer muito mais depressa e numa direção mais perigosa, e os cientistas até o consideravam como um dos piores cenários possíveis apenas há dois anos. O primeiro estudo foi publicado na Nature Geoscience e diz que o ritmo ao qual estamos a despejar carbono na atmosfera, e a quantidade de carbono, tem apenas uma situação análoga nos últimos 66 milhões de anos. Foi num período chamado MTPE, um acrónimo para Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, uma das menores mas muito real Era de extinção em massa. Concluímos , os autores do estudo notaram, “dados os registos atuais disponíveis, a presente taxa de libertação de carbono pelos humanos não tem precedentes nos últimos 66 milhões de anos.” E por a causa da libertação de carbono que desencadeou o MTPE, provavelmente de atividade vulcânica nos mares que derreteu metano do fundo do mar, ou da permafrost, para a atmosfera, por ter demorado cerca de 4 mil anos para acontecer naquela altura, e hoje estar a acontecer num período menor que 200 anos, os autores concluiram: “Tendo em conta os impactos nos ecosistemas, a taxa presente/futura de mudança climática e acidificação do oceano é demasiado rápida para muitas espécies se adaptarem, o que provavelmente resultará em extinções futuras em larga escala em ambientes marinhos e terrestres que EXCEDERÃO substancialmente as da MTPE. Como Chris Mooney escreveu para o Washington Post sobre este estudo, “Se procurares fundo o suficiente nos arquivos das alterações climáticas da Terra, irás ouvir sobre o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno – MTPE, e então ficarás assustado.” Estamos a lançar carbono para a atmosfera em 10 vezes a taxa que o planeta o fez lá atrás na altura do MTPE, que desencadeou aquela extinção. O que significa que não existe precedente para o que está a acontecer, ou poderá acontecer, agora mesmo. Até aos últimos anos, a maioria da ciência em torno de alterações climáticas estava a prever más consequências para os humanos por volta do ano 2100, quando a maioria de nós vivos hoje, estarão mortos. Mas isso não foi assim tão persuasivo, afinal de contas. Quer dizer, estarei morto, certo? Mas nova ciência climática reportada em Arctic-news.blogspot.com indicou que ao invés de 2100 ser o ano alvo para consequências que abanam a vida aparecerem globalmente, 2026, daqui a uma década, poderá ser um alvo mais realista. Em parte porque a camada degelo do Ártico está a derreter muito mais depressa do que alguém havia previsto. E uma vez que desapareça durante o verão, o que poderá acontecer em tão poucos como 4 anos, a perda de refletividade e o facto de que o aquecimento de água usa menos calorias que o derretimento de gelo, significa que o risco de uma libertação explosiva de metano do fundo do mar do Ártico se tornou numa verdadeira ameaça para a humanidade. Entretanto o Dr James Hansen, escrevendo no seu blogue no Huffington Post, Diz-nos sobre um novo estudo científico publicado em breve, sugerindo que um aquecimento relativamente modesto que aconteceu à cerca de 110 mil anos atrás, um aquecimento não tão diferente do de hoje excepto de que era mais limitado do que a nossa libertação de carbono de hoje, produziu supertempestades de tamanho global que moveram pedregulhos de 1000 toneladas pelo planeta. Para relatar este ponto, o New York Times, no seu artigo sobre a o estudo de Hansen, inclui uma foto de um dos pedregulhos, no seu artigo intitulado, não por coincidência: “Cientistas Avisam sobre Transição Climática Perigosa em Décadas, Não Séculos.” A ciência neste tópico está a começar a ficar verdadeiramente intensa e assustadora. Precisamos de uma transição rápida e global de abandono dos combustíveis fósseis, de todas as formas de combustíveis de carbono. Nem daqui a uma década, mas HOJE! e uma taxa de carbono poderá ser a melhor maneira de lá chegar. Se não começarmos, nós também, poderemos seguir o caminho dos dinossauros.Recolher Transcrição[/expand]

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James Hansen

James Hansen: Derretimento do Gelo, Aumento do Nível do Mar e Supertempestades

Vídeo legendado de James Hansen resumindo o seu estudo mais recente sobre o degelo, a subida do nível do mar e super-tempestades no Atlântico.

Conteúdo traduzido do original Ice Melt, Sea Level Rise and Superstorms Video Abstract.

[expand title=”Transcrição:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-hansenestudo”]

James Hansen: Derretimento do Gelo, Aumento do Nível do Mar e Supertempestades

Olá! Sou Jim Hansen, diretor do Programa de Consciencialização para a Ciência Climática e Soluções pelo Instituto da Terra da Universidade de Columbia. Quero discutir algumas implicações do artigo Derretimento do Gelo, Elevação do Nível do Mar & Supertempestades que foi publicado no Atmospheric Chemistry and Physics um artigo no qual tenho 18 excepcionais co-autores americanos e internacionais. Descobrimos informações num entendimento parcial dos feedbacks no sistema climático, especificamente interações entre o oceano e os mantos de gelo. Estes feedbacks levantaram questões sobre daqui a quanto tempo vamos passar pontos de não retorno nos quais trancamos consequências que não podem ser revertidas em nenhuma escala de tempo que as pessoas se preocupem. As consequências incluem aumento do nível do mar em vários metros o qual estimamos que possa ocorrer este século, ou, o mais tardar, no próximo século, se as emissões de combustíveis fósseis continuarem a um nível elevado. Isso significaria a perda de todas as cidades costeiras, a maioria das grandes cidades do mundo e toda a sua história. Uma ameaça mais imediata é a probabilidade de paralisação das circulações de reversão dos oceanos no Atlântico Norte e Oceanos do Sul. É aí que as supertempestades entram. Deixe-me explicar. Nós usamos modelagem climática, dados do paleoclima – que é a antiga história do clima – e observações modernas do oceano e das camadas de gelo para estudar os efeitos do derretimento do gelo nas camadas de gelo na Groenlândia e da Antártida. Toneladas de gelo que se estendem desde a Antártida ao Oceano Antártico. A Gronelândia e a Antártida estão a começar a derreter devido ao aquecimento global. Até agora, é apenas uma pequena fração minúscula das camadas de gelo que derreteu. Contudo, esta água fresca do derretimento que corre para o Atlântico Norte e para o Oceano Antártico, já está a ter efeitos importantes. Concluímos que a água fresca e leve adicionada às camadas superiores do oceano já está a começar a desligar a formação de águas profundas no Atlântico Norte e a formação de águas de fundo na Antártida. Isto terá consequências enormes em décadas futuras se se permitir que ocorra uma paralisação completa. O IPCC das Nações Unidas, o Painel Intergovernamental para a Mudança do Clima, não relata esses efeitos, por duas razões: Em primeiro lugar, a maioria dos modelos utilizados pelo IPCC simplesmente excluem o derretimento do gelo. Em segundo lugar, concluímos que a maioria dos modelos, incluindo o nosso, são menos sensíveis do que o mundo real à água fresca adicionada. Porque a maioria dos modelos têm mistura oceânica de pequena escala excessiva, o que reduz o efeito. A manifestação à superfície do abrandamento das circulações profundas é o arrefecimento no Atlântico Norte a sudeste da Gronelândia e no Oceano Antártico. Estes arrefecimentos são proeminentes no nosso modelo até meados do século 21. Contudo, por múltiplas razões, concluímos que o mundo real responde mais rápido a água fresca do que os modelos o fazem. Primeiro, vamos observar que o arrefecimento do Atlântico Norte se a circulação de reversão se desligar por completo, vai ter grandes efeitos. Os trópicos continuam a aquecer com o aumento de CO2. Se a água fresca da Gronelândia desligar a formação de águas profundas e esfriar o Atlântico Norte em vários graus, o aumento do gradiente horizontal de temperatura irá conduzir super-tempestades, mais fortes do que qualquer uma nos tempos modernos. O inferno vai cair no Atlântico Norte e terras vizinhas. Tal situação ocorreu no último período interglacial 118 mil anos atrás. Os trópicos estavam cerca de um grau mais quentes do que hoje, porque o eixo de rotação da Terra estava inclinado menos do que hoje. Dados oceânicos dos núcleos de gelo mostram que a formação de águas profundas se desligou, o Atlântico Norte esfriou, e há evidência de super-tempestades poderosas durante esse tempo. Poderosas o suficiente para ondas gigantes lançarem mega pedregulhos de mil toneladas para a costa nas Bahamas. Alguns cientistas acreditam que essas pedras podem ter sido arremessadas por um tsunami mas apresentamos várias linhas de evidência de que as pedras e outras características geológicas são melhor explicadas como o resultado de supertempestades. Um ponto importante é que se nós deixarmos que o derretimento do gelo da Gronelândia se torne grande o suficiente para desligar completamente o AMOC, a circulação de revolvimento do Atlântico, será permanente, tanto quanto ao público diz respeito. Leva vários séculos para o AMOC se mover novamente. Contudo, as super-tempestades não serão a consequência mais importante do aquecimento global, se continuar a crescer. O efeito mais importante será a subida do nível do mar. Também aqui, a análise mais completa deve ter em conta os dados do paleoclima, que mostra que os mantos de gelo, quando se desintegram, podem ir rapidamente, de forma não linear, produzindo uma elevação do nível do mar de vários metros num século. Mesmo quando o forçamento natural do clima é mais fraco do que o forçamento humano. Mostramos a partir de dados paleoclimáticos que a maioria dos modelos são mais letárgicos que o mundo real, nos quais há conhecimento de que o nível do mar aumentou rapidamente muitas vezes. Assim, ao invés de usar um modelo de camadas de gelo, simplesmente assumimos que quando o aquecimento ocorre accionado por um forçamento climático crescente, a taxa de fusão do gelo vai crescer de forma não linear. Testamos várias taxas alternativas de crescimento. O que encontramos são feedbacks amplificadores, justamente o que é necessário para alimentar o aumento não-linear do derretimento do gelo. A água do derretimento na Gronelândia reduz a densidade da água de superfície. Consequentemente, reduz o afundamento de água para o oceano profundo. À medida que a água do derretimento aumenta, ela desliga o transportador oceânico, como Wally Broecker lhe chama. Mais importante para o nível do mar é o que está a acontecer ao redor da Antártida. O afundar da água fria salgada pesada perto da costa da Antártida normalmente forma a água de fundo da Antártida, portanto, trazendo também água relativamente quente à superfície onde liberta calor para a atmosfera no espaço. Agora, à medida que a água fresca derretida do gelo das camadas de gelo da Antártida aumenta, ela tende a colocar uma tampa fria de baixa densidade sobre o Oceano Antártico. Isso reduz a troca com a superfície de modo que o calor permanece no oceano, aumentando a temperatura da água do mar à profundidade das plataformas de gelo um feedback amplificador. Na perspectiva global, as lentes de água doce fria ao redor da Antártida aumentam desequilíbrio energético do planeta. A energia adicional vai para o oceano, onde está disponível para derreter as plataformas de gelo. Estes feedbacks apoiam a nossa conclusão de que o degelo em resposta ao forte forçamento será não-linear. Estes feedbacks com a água do degelo a conduzir o aquecimento abaixo da superfície também nos ajudam a entender e ganhar uma imagem consistente das rápidas oscilações climáticas não-lineares no registo paleoclimático. Os dados do paleoclima deixam claro que quando as camadas de gelo derretem, elas podem ir rápido. Contudo, não sabemos o tempo característico para a resposta não linear da camada de gelo aos forçamentos climáticos crescentes. Eventualmente, modelos das camadas de gelo poderão dar-nos uma resposta, mas, por agora, o nosso melhor guia são observações. Infelizmente, os registros da crescente perda de massa anual pelas camadas de gelo são curtos. Os dados da Groenlândia podem caber tanto em tempos de duplicação de 10 anos como 20 anos, mas a Gronelândia já está a perder várias centenas de quilómetros cúbicos de gelo por ano. Feedbacks para a Gronelândia, com o seu derretimento de superfície, são diferentes dos da Antártida, mas existem vários feedbacks amplificadores. A resposta da Gronelândia para o aquecimento global será não-linear, mas provavelmente com um tempo de duplicação característico diferente. A perda de massa na Antártida é menor. A maioria do derretimento, até agora, é nas plataformas de gelo, As quais não aparecem na variação da massa em medições da gravidade por satélite. Contudo, à medida que as plataformas de gelo desaparecem, a descarga do gelo não flutuante vai acelerar. Se a perda de massa da camada de gelo tem um tempo de duplicação de dez anos, o aumento do nível do mar numa escala de metro seria alcançado em cerca de 50 anos, e o aumento do nível do mar em vários metros uma década mais tarde. Vinte anos de tempo de duplicação exigiria cerca de uma centena de anos. Os registos de dados são muito curtos, mas se esperarmos até que o mundo real se revele de forma clara, poderá ser tarde demais para evitar o aumento do nível do mar de vários metros e a perda de todas as cidades costeiras. Duvido que tenhamos passado um ponto de não retorno, mas, francamente, não temos certeza disso. Há um situação análoga, mas eu acredito mais iminente com a paralisação das circulações oceânicas de revolvimento. As regiões frias do sudeste da Gronelândia e em torno da Antártida são sinais do início do desligar da AMOC no Atlântico Norte e do SMOC no Oceano Antártico. Sabemos que os efeitos do degelo parecem estar a ocorrer uma ou duas décadas mais cedo no mundo real do que no nosso modelo. Por que é que os modelos são menos sensíveis às quantidades de hoje de água derretida nos oceanos? Nós apresentamos evidência de excessiva mistura do oceano de pequena escala em muitos modelos, incluindo no nosso. Um diagnóstico chave é o tempo de resposta do clima. Em 100 anos, o nosso modelo atinge apenas 60% da sua resposta de equilíbrio. Fui verificar outros três modelos climáticos principais, dois americanos e um britânico, encontrando uma resposta lenta similar. Contudo, temos mostrado que o grande desequilíbrio energético da Terra requer a resposta do clima de 100 anos para ficar em cerca de 75%, se a sensibilidade climática de equilíbrio for cerca de 3 graus Celsius como sugerem os dados paleoclimáticos. A explicação para o porquê da resposta de superfície ser tão lenta no modelo é que o oceano no modelo mistura o calor demasiado rapidamente para o oceano profundo. Esta mesma mistura excessiva faz com que os modelos sejam menos sensíveis aos membros de água doce na superfície do oceano, que também tendem a misturar rápido demais. Há outros dados além do desequilíbrio energético da Terra que apoiam esta interpretação, incluindo a sensibilidade do paleoclima ao forçamento da água fresca. Contudo, há um artigo recente que é especialmente importante, por Winton e co-autores em 2014, que mostrou que um modelo com uma resolução espacial de um décimo de grau, sensível o suficiente para resolver os movimentos do oceano em pequena escala e evitar a mistura parametrizada, produz uma resposta da temperatura de superfície cerca de um quarto maior após cinquenta a cem anos, o que é consistente com a nossa interpretação. Seria valioso se todos os modelos relatassem a sua função de resposta do clima de superfície bem como a sua sensibilidade ao equilíbrio climático, e examinassem a sensibilidade do modelo a uma taxa padrão rapidamente crescente de ejeção de água do degelo. A relevância é que eu acredito que já estamos a testemunhar o início deste arrefecimento no sudeste da Gronelândia e do arrefecimento ao redor da Antártida, em resposta à água fresca do derretimento do gelo. Nesse caso, o arrefecimento observado no sudeste da Gronelândia e o aquecimento adicional ao longo da costa leste dos Estados Unidos não são flutuações naturais. Quando o AMOC desacelera, causa ambos. Esta interpretação implica que a a água de derretimento da Gronelândia já está a ter efeitos significativos. A água quente ao longo da costa leste é a razão de o Sandy ter mantido ventos com força de furacão durante todo o caminho até à área de Nova Yorque. O Atlântico, nas proximidades, estava cerca de 3 graus Celsius mais quente do que o normal. Esta água do oceano invulgarmente quente também tem sido capaz de fornecer a humidade para as tempestades de neve recordes recentes. Estes são pequenos efeitos, em comparação com o que acontece se o AMOC se desliga completamente. Então a pergunta novamente: passámos um ponto de não retorno? É certo que o derreter do gelo aumente de modo que o desligamento do AMOC seja uma conclusão passada? Eu duvido, mas é concebível dependendo de quão rápido podemos abrandar o forçamento climático provocado pelo homem. Acho que a conclusão é clara. Estamos numa posição de potencialmente causar danos irreparáveis ​​aos nossos filhos, netos e gerações futuras. Esta é uma situação trágica, por ser desnecessária. Já podíamos ter suprimido gradualmente as emissões de combustíveis fósseis se apenas parássemos de permitir à indústria de combustíveis fósseis usar a atmosfera como uma lixeira livre para os seus resíduos. Se recolhêssemos uma taxa das empresas de combustíveis fósseis que aumentasse gradualmente, poderíamos passar progressivamente para a fase das energias limpas. Se bem feito, estimularia a economia e criaria empregos. Mas isso é uma história para outro dia, mas eu quero fazer um ponto final. Esta é uma história complexa, mas uma com implicações práticas importantes. Descubro que o público às vezes interpreta mal as nossas discussões da ciência, o como a pesquisa é feita. Ceticismo é a força vital da Ciência. Você pode ter certeza que muitos cientistas, na verdade a maioria dos cientistas, vai encontrar alguns aspectos no nosso longo estudo que iriam interpretar de forma diferente. Isso é perfeitamente normal. Leva tempo para que as conclusões sejam acordadas e os detalhes resolvidos. Então, depois de ter falado com um cientista sobre este tópico, pergunte-lhe a ele, ou a ela, uma pergunta final: “Você concorda que chegámos a uma situação perigosa?” “Você acha que podemos estar a aproximar-nos de um ponto de não retorno, uma situação em que nossos filhos herdarão um sistema climático passando por mudanças que estão fora do seu controlo, mudanças que irão causar-lhes danos irreparáveis? Essa é a linha de fundo. Muito obrigado pela atenção. O mais recente estudo do Dr. James E. Hansen, Derretimento do Gelo, Aumento do Nível do Mar e Supertempestades.Recolher Transcrição[/expand]

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James Hansen, Peter Sinclair

Painel All Star da Ciência Climática Deixa Cair uma Bomba de Estudo

O artigo bombástico cuja pré-publicação James Hansen lançou no verão passado passou agora a revisão para publicação, na revista Journal Atmospheric Chemistry and Physics. (grátis on-line)

O artigo é significante para os leitores deste blog porque, há um ano atrás, eu produzi um vídeo descrevendo observações no Atlântico Norte que são consistentes com uma das principais premissas do artigo, um abrandamento da Circulação de Revolvimento do Atlântico [também conhecida por circulação termoalina do Atlântico ou AMOC – Atlantic Meridional Overturning Circulation, em inglês] – com os cientistas Stefan Rahmstorf, Michael Mann, e Jason Box. Publiquei esse vídeo no fundo desta publicação.
O Dr. Mann é citado no Washingon Post, (abaixo) expressando algumas reservas quanto ao novo estudo, logo, há lá um espaço para acompanhamento.

Acima, na minha entrevista de dezembro, Hansen deu-nos uma rápida amostra. Em baixo, o seu novo vídeo [Legendado em Português] representa uma descrição mais detalhada e ilustrada.

PBS Nova:

Os oceanos do mundo poderiam subir catastroficamente tão cedo quanto em 50 anos a partir de agora, de acordo com um novo estudo publicado esta manhã em Atmospheric Chemistry and Physics.

Os pesquisadores por trás do papel – o Dr. James Hansen e 18 co-autores – olharam para o passado de há 120.000 anos atrás, a última vez que a Terra aqueceu aproximadamente na mesma medida que o aquecimento presente. (As temperaturas globais estão agora 1˚C, ou 1.8˚F, acima dos níveis pré-industriais.) Naquela época, o aquecimento natural libertou quase toda a água que estava trancada em camadas de gelo polares, aumentando os níveis do mar rapidamente em 20 a 30 pés.

Washington Post:

Um grupo de cientistas influente liderado por James Hansen, o ex-cientista da NASA muitas vezes creditado por ter chamado a primeira grande atenção para as alterações climáticas em 1988 num depoimento ao Congresso, publicou um estudo climático calamitoso que sugere que o impacto do aquecimento global será mais rápido e mais catastrófico do que geralmente previsto.

A pesquisa invoca colapso das camadas de gelo, mega-tempestades violentas e até mesmo o arremesso de pedregulhos por ondas gigantes, na sua procura por sugerir que até mesmo 2 graus Celsius de aquecimento global acima dos níveis pré-industriais seria demais. Hansen chamou-lhe o trabalho mais importante que ele alguma vez fez.

O artigo abrangente, com 52 páginas de comprimento e 19 autores, baseia-se em evidências da mudança climática antiga ou “paleo-climatologia,” assim como em experiências climáticas usando modelos de computador e algumas observações modernas. Chamar-lhe de “estudo” realmente não está bem correto. É, na verdade, uma síntese de uma ampla gama de evidências antigas e novas.

“Acho que quase toda a gente que está realmente familiarizada com ambas [evidências] paleo e modernas está agora muito preocupada por estarmos a aproximar-nos, se já não ultrapassámos, dos pontos em que teremos trancado mudanças realmente grandes para os jovens e as gerações futuras”, disse Hansen numa entrevista.

A pesquisa, aparecendo na terça-feira na revista de acesso aberto Atmospheric Chemistry and Physics, teve um caminho longo e controverso, tendo aparecido pela primeira vez como um “documento de discussão” na mesma revista, sujeito a revisão por pares on-line e ao vivo – uma nova mas cada vez mais influente forma de publicação científica. Hansen falou pela primeira vez à imprensa sobre a pesquisa no verão passado, antes deste processo estar concluído, levando a críticas por parte de alguns jornalistas e também de colegas cientistas de que ele poderia estar a saltar antes do tempo.

O que se seguiu foi um debate de alto nível, tanto por causa das reivindicações dramáticas como da formidável reputação de Hansen. E os seus numerosos co-autores, incluindo especialistas de gelo da Gronelândia e da Antártida e um líder do Painel Intergovernamental das Nações Unidas para a Mudança do Clima, não eram nada a desprezar.

Após downloads recordes do estudo e um intenso processo de revisão pública, uma versão revista do artigo foi agora aceite, de acordo com Hansen e Barbara Ferreira, gerente de mídia e comunicações para a União Geofísica Europeia [European Geophysical Union], a qual publica a Atmospheric Chemistry and Physics. De facto, o artigo está agora livremente disponível para leitura no site da Atmospheric Chemistry and Physics.

O artigo, de acordo com Ferreira, foi sujeito a “grandes revisões em termos de organização, título e conclusões.” Aquelas vieram em resposta a críticas que podem ser lidas publicamente no site da revista. O artigo também tem agora dois autores adicionais.

Mais notavelmente, talvez, o processo editorial levou à remoção do uso da frase “altamente perigoso”, no título do trabalho, para descrever o aquecimento do planeta em 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

O título do artigo original era “Derretimento do gelo, elevação do nível do mar e supertempestades: evidência a partir de dados paleoclimáticos, modelagem climática, e observações modernas de que um aquecimento global de 2 °C é altamente perigoso.” O último título é “derreter o gelo, mar elevação do nível e supertempestades: evidência a partir de dados paleoclimáticos, modelagem climática, e as observações modernas que 2 ° C o aquecimento global poderia ser perigoso.”

Mas, mesmo assim, o cenário de catástrofe climática de James Hansen toma agora o seu lugar na literatura científica oficial, relativamente intacto. Logo, vamos ensaiar esse cenário, mais uma vez, para o registo.

Hansen e os seus colegas pensam que o derretimento de grande parte da Gronelândia e da Antártida pode não só acontecer bastante rápido – levando a tanto quanto vários metros de elevação do nível do mar no espaço de um século, dependendo da rapidez com que as taxas de derretimento duplicam -, como este derretimento irá ter consequências de mudanças climáticas dramáticas, além de simplesmente elevação dos níveis do mar.

Isso porque, postulam eles, a fusão irá causar uma “estratificação” dos oceanos polares. O que isto significa é que ela irá encurralar uma bolha de água doce fria do degelo no topo da superfície do oceano, com uma camada do oceano mais quente por baixo. Temos, realmente, visto uma possível pista para isto com a bolha anomalamente fria de água do oceano ao largo da costa sul da Gronelândia, a qual alguns atribuem ao derretimento da Gronelândia.

De fato, pouco antes da publicação do novo estudo, a National Oceanic and Atmospheric Administration [NOAA] lançou novos dados recentes sobre a temperatura do globo que, certamente, tem uma semelhança com aquilo de que Hansen está a falar. Pois não só esteve o globo com um calor recorde global durante os últimos três meses, como também mostrou manchas frias anómalas em regiões, as quais Hansen suspeita estarem a ser causadas ​​pelo derreter do gelo – abaixo da Gronelândia, e também ao largo da ponta da península Antártica.

Manchas de água doce fria ​pelo derreter do gelo abaixo da Gronelândia

Estratificação, a ideia-chave no novo estudo, significa que a água quente do mar chegaria potencialmente à base das camadas de gelo que assentam abaixo do nível do mar, derretendo-as a partir de baixo (e causando mais derretimento de gelo e, portanto, estratificação). Significa também, no artigo de Hansen, um abrandamento ou mesmo uma eventual paralisação da circulação de reversão no oceano Atlântico, devido a muito refrescar no Atlântico Norte ao largo e em torno da Gronelândia, e também a um enfraquecimento da outra circulação de reversão no Oceano Antártico.

Isto, por sua vez, causa arrefecimento na região do Atlântico Norte, para além de o aquecimento global criar uma região equatorial mais quente. Esse crescente diferencial de temperatura norte-sul, no estudo, impulsiona ciclones de latitude média, ou tempestades, mais intensos. O estudo sugere que tais tempestades podem disparar ondas oceânicas gigantescas, as quais podem até ser capazes de feitos como atirar pedregulhos em alguns locais, não muito diferente das rochas enormes vistas na ilha das Bahamas de Eleuthera, a qual visitei com Hansen e o seu co-autor, o geólogo Paul Hearty, em novembro.

Estas rochas desempenham um papel fundamental no novo estudo, tal como desempenharam no rascunho original do estudo. De facto, muito antes do artigo atual, Hearty havia documentado, em publicações revisadas por pares, que as rochas de Eleuthera parecem ter vindo do oceano e terem sido erguidas para cima de um cume costeiro. Isso parece ter acontecido durante um período de aquecimento passado, o Eemiano, cerca de 120.000 anos atrás, quando o planeta era apenas ligeiramente mais quente do que hoje, mas os mares eram muito mais elevados – mas a ideia é que algo assim poderia acontecer novamente.

Depósito de pedras em Eleuthera poderá estar relacionado com ondas oceânicas gigantescas

GREGORY TOWN, BAHAMAS – 21 DE NOVEMBRO: Os pedregulhos gigantes de Eleuthera que provocaram um grande debate entre os cientistas quanto à sua origem, tirado a 21 de Novembro de 2015, em Eleuthera, Bahamas. À esquerda está ‘The Bull’ (2000 toneladas) e à direita está ‘The Cow “(1000 toneladas). Medindo mais de 20 pés de altura, a teoria partilhada por Paul Hearty, um geólogo costeiro na Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, é que as pedras enormes foram catapultadas para terra por uma série de tempestades intensas. Elas agora assentam delicadamente empoleiradas no cume costeiro em Eleuthera do Norte. (Fotos por Charles Ommanney / The Washington Post)

O artigo contém muitas ideias e pontos de partida, mas o ponto chave é a sua sugestão da possibilidade de uma maior elevação do nível do mar neste século do que o previsto pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.

“Os modelos que foram executados para o relatório do IPCC não incluíram o derretimento do gelo”, disse Hansen numa conferência de imprensa sobre o novo estudo, na segunda-feira. “E nós também concluímos que a maioria dos modelos, incluindo os nossos, têm uma mistura excessiva de pequena escala, e isso tende a limitar o efeito desta lente de água doce à superfície do oceano sobre degelo da Groenlândia e da Antártida.”

Michael Mann, um cientista climático da universidade Penn State familiarizado com o estudo original, comentou: “Tanto quanto posso dizer, as questões que me causaram preocupação originalmente ainda permanecem no manuscrito revisto. Nomeadamente, as quantidades projetadas de água do degelo parecem fisicamente grandes demais, e o componente oceânico do seu modelo não resolve sistemas atuais chave derivados do vento (por exemplo, a Corrente do Golfo) que ajuda a transportar calor em direção aos pólos. Isso torna as temperaturas do hemisfério norte no seu estudo muito sensíveis a mudanças na circulação de reversão meridional Atlântica”, o nome científico para a circulação oceânica no Atlântico que, o estudo sugere, pode parar.

New York Times:

O estudo identifica um mecanismo específico o qual os cientistas dizem que acreditam que poderia ajudar a causar uma mudança climática abrupta.

A sua ideia é que a fusão inicial das grandes camadas de gelo vai colocar uma tampa de água relativamente doce nas superfícies do oceano perto da Antártida e da Gronelândia. Isso, eles pensam, irá abrandar ou até mesmo desligar o sistema de correntes oceânicas que redistribui o calor em torno do planeta e permite que uma parte dele escape para o espaço.

O calor irá, então, acumular-se nas partes mais profundas do oceano, os cientistas pensam, acelerando o derretimento das partes das camadas de gelo que ficam abaixo do nível do mar. Além disso, uma diferença de temperatura mais ampla entre os trópicos e os pólos irá incentivar poderosas tempestades. O artigo cita evidências, em grande parte contestada, de que imensas tempestades aconteceram durante o período quente de há 120.000 anos atrás.

A ideia de uma paralisação na circulação dos oceanos devido ao aquecimento global foi considerada há mais do que uma década atrás, e foi rejeitada pela maioria dos cientistas como improvável. Isso não impediu uma versão distorcida da ideia de se tornar a premissa do filme catastrófico “O Dia Depois de Amanhã”, lançado em 2004.

O novo estudo pode reabrir esse debate, forçando os cientistas a reexaminarem a ideia com os modelos climáticos de computador mais sofisticados que estão disponíveis hoje.

Mesmo os cientistas cautelosos com as conclusões do novo estudo relembram que o Dr. Hansen tem uma longa história de estar à frente da curva na ciência do clima. Como o Dr. Mann disse, “Acho que nós ignoramos o James Hansen na nossa conta e risco.”

Nota: a parte do NYTimes fala da paralisação da AMOC como sendo improvável, mas não menciona o estudo de Stefan Rahmstorf de há um ano atrás, com Mann e Box.

Traduzido do original All Star Science Panel Drops Bombshell Climate Paper de Peter Sinclair, publicado no blogue Climate Denial Crock of the Week, a 22 de Março de 2016.

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Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro
Sam Carana

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

Sugerimos a leitura de “Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Um post anterior perguntava se a extensão máxima para este ano já haveria sido alcançada, ou seja, a 9 de fevereiro de 2016, quando a extensão do gelo marinho era de 14.214 milhões de km2.

Como ilustrado pela imagem abaixo, a extensão desde então tem sido menor, inclusive nos dois dias mais recentes na imagem, ou seja, a 16 e 17 de fevereiro de 2016, quando a extensão era, respectivamente, de 14.208 e 14.203 milhões de km2.

Extensão do gelo do Ártico 17 fevereiro

No ano passado (2015), a extensão máxima do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Isso é próximo da data mais recente na imagem de 17 de Fevereiro, logo, com o El Nino ainda forte, poderá muito bem vir a ser que o máximo em 2016 será alcançado mais cedo.

Por outro lado, os ventos fortes poderiam espalhar o gelo do mar e acelerar a sua deriva para fora do Oceano Ártico, o que pode resultar numa extensão maior, mas que não fará muito para fortalecer o gelo do mar.

ATUALIZAÇÕES: A 18 de fevereiro de 2016 (seta), a extensão do gelo marinho do Ártico foi de 14.186 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, menos do que era a 9 de fevereiro. De facto, a extensão do gelo do mar não foi maior em nenhum dia desde 9 de fevereiro de 2016. Então, a pergunta é, será que a extensão máxima deste ano já passou por nós (ou seja, a 9 de Fevereiro)?

Máximo da extensão do gelo do mar do Ártico Fevereiro 2016

A imagem abaixo mostra que o calor está a ter um enorme impacto sobre o gelo do mar, com algumas áreas (preto) que mostram anomalias da temperatura de superfície do mar acima de 8°C (ou acima de 14,4°F).

Anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico

De forma ameaçadora, a superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte estava tanto quanto 11.8°C ou 21.3°F mais quente a 19 de Fevereiro de 2016 do que em 1981-2011 (no local marcado pelo círculo verde na imagem abaixo).

Temperaturas superfície do mar quentes ao largo da América-Norte

As temperaturas sobre o Oceano Ártico estão previstas para permanecerem extremamente elevadas nos próximos cinco dias, com anomalias em grande parte do Oceano Ártico achegarem ao topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F.

Anomalias previstas nas temperaturas Ártico para fevereiro

Como a imagem em baixo mostra, a área de gelo do mar do Ártico estava num recorde baixo para a época do ano a 18 de fevereiro de 2016.

Área do gelo do mar do Ártico em recorde baixo para fevereiro

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico a 20 de Fevereiro de 2016, era apenas de 14,166 milhões de km2 (seta), somando aos receios de que o máximo deste ano já tenha sido alcançado a 9 de fevereiro.

Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro

Enquanto isso, níveis muito elevados de metano, tão elevados quanto 3096 partes por bilião, foram registados a 20 de Fevereiro de 2016, como mostrado pela imagem abaixo.

Niveis de metano elevados a 20 de fevereiro

Uma análise mais aprofundada indica que estes níveis elevados provavelmente originaram do desestabilizar de hidratos de metano dos sedimentos, a partir de uma localização próxima da latitude 85° Norte e longitude +105 ° (Leste), na Cordilheira de Gakkel, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental, no local do marcador vermelho no mapa abaixo.

Desestabilização de hidratos de metano Cordilheira de Gakkel

Em baixo está um mapa de comparação, a partir de grida.no

Plataforma Continental Ártico Sibéria Oriental

Abaixo está um mapa com anomalias da temperatura de superfície do mar a 20 de fevereiro de 2016. O círculo verde marca a localização provável da desestabilização sedimentos e subsequente nuvem de metano, cerca da latitude 85° Norte e longitude +105° (leste), na Cordilheira de Gakkel Ridge, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental.

Anomalias nas temperatura de superficie do mar-20 fevereiro

Se quiser, pode discutir isto mais aprofundadamente no grupo Arctic News ou em baixo.

Traduzido do original Has maximum sea ice extent already been reached this year? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 18 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

em https://aquecimentoglobaldesc…

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