Anomalia das temperaturas causam incêndios no Canadá e América do NorteAnomalia das temperaturas no Canadá e América do Norte
Ártico, Incêndios Florestais

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.

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Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas

em aquecimentoglobal.info/

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Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro
Ártico, Gelo Marinho no Ártico

A Máxima Extensão do Gelo Marinho Já Foi Atingida Este Ano?

Sugerimos a leitura de “Como um Titanic o El Nino Começa a Esmorecer, Que Problemas Frescos Trará um Mundo Quente Recorde?” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Um post anterior perguntava se a extensão máxima para este ano já haveria sido alcançada, ou seja, a 9 de fevereiro de 2016, quando a extensão do gelo marinho era de 14.214 milhões de km2.

Como ilustrado pela imagem abaixo, a extensão desde então tem sido menor, inclusive nos dois dias mais recentes na imagem, ou seja, a 16 e 17 de fevereiro de 2016, quando a extensão era, respectivamente, de 14.208 e 14.203 milhões de km2.

Extensão do gelo do Ártico 17 fevereiro

No ano passado (2015), a extensão máxima do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Isso é próximo da data mais recente na imagem de 17 de Fevereiro, logo, com o El Nino ainda forte, poderá muito bem vir a ser que o máximo em 2016 será alcançado mais cedo.

Por outro lado, os ventos fortes poderiam espalhar o gelo do mar e acelerar a sua deriva para fora do Oceano Ártico, o que pode resultar numa extensão maior, mas que não fará muito para fortalecer o gelo do mar.

ATUALIZAÇÕES: A 18 de fevereiro de 2016 (seta), a extensão do gelo marinho do Ártico foi de 14.186 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, menos do que era a 9 de fevereiro. De facto, a extensão do gelo do mar não foi maior em nenhum dia desde 9 de fevereiro de 2016. Então, a pergunta é, será que a extensão máxima deste ano já passou por nós (ou seja, a 9 de Fevereiro)?

Máximo da extensão do gelo do mar do Ártico Fevereiro 2016

A imagem abaixo mostra que o calor está a ter um enorme impacto sobre o gelo do mar, com algumas áreas (preto) que mostram anomalias da temperatura de superfície do mar acima de 8°C (ou acima de 14,4°F).

Anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico

De forma ameaçadora, a superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte estava tanto quanto 11.8°C ou 21.3°F mais quente a 19 de Fevereiro de 2016 do que em 1981-2011 (no local marcado pelo círculo verde na imagem abaixo).

Temperaturas superfície do mar quentes ao largo da América-Norte

As temperaturas sobre o Oceano Ártico estão previstas para permanecerem extremamente elevadas nos próximos cinco dias, com anomalias em grande parte do Oceano Ártico achegarem ao topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F.

Anomalias previstas nas temperaturas Ártico para fevereiro

Como a imagem em baixo mostra, a área de gelo do mar do Ártico estava num recorde baixo para a época do ano a 18 de fevereiro de 2016.

Área do gelo do mar do Ártico em recorde baixo para fevereiro

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico a 20 de Fevereiro de 2016, era apenas de 14,166 milhões de km2 (seta), somando aos receios de que o máximo deste ano já tenha sido alcançado a 9 de fevereiro.

Extensão do gelo marinho no Ártico - recorde mínimo para fevereiro

Enquanto isso, níveis muito elevados de metano, tão elevados quanto 3096 partes por bilião, foram registados a 20 de Fevereiro de 2016, como mostrado pela imagem abaixo.

Niveis de metano elevados a 20 de fevereiro

Uma análise mais aprofundada indica que estes níveis elevados provavelmente originaram do desestabilizar de hidratos de metano dos sedimentos, a partir de uma localização próxima da latitude 85° Norte e longitude +105 ° (Leste), na Cordilheira de Gakkel, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental, no local do marcador vermelho no mapa abaixo.

Desestabilização de hidratos de metano Cordilheira de Gakkel

Em baixo está um mapa de comparação, a partir de grida.no

Plataforma Continental Ártico Sibéria Oriental

Abaixo está um mapa com anomalias da temperatura de superfície do mar a 20 de fevereiro de 2016. O círculo verde marca a localização provável da desestabilização sedimentos e subsequente nuvem de metano, cerca da latitude 85° Norte e longitude +105° (leste), na Cordilheira de Gakkel Ridge, logo ao largo da Plataforma do Ártico da Sibéria Oriental.

Anomalias nas temperatura de superficie do mar-20 fevereiro

Se quiser, pode discutir isto mais aprofundadamente no grupo Arctic News ou em baixo.

Traduzido do original Has maximum sea ice extent already been reached this year? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 18 de Fevereiro de 2016.

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Disrupção das correntes e temperaturas do oceano, por Paul Beckwith numa atualização sobre Alterações Climáticas
Aquecimento Global Descontrolado, Ártico, Oceano, Temperatura

Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas

Sugerimos a leitura de “Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

As correntes e temperaturas da superfície do oceano não estão a comportar-se como normalmente. As alterações climáticas abruptas que estão a decorrer presentemente estão a alterar as propriedades do oceano.

Neste curto vídeo, Paul Beckwith, do Laboratório para a Paleoclimatologia na Universidade de Ottawa, explica o mecanismo através do qual um El Ninõ muito forte está a afetar as temperaturas e correntes do oceano no Pacífico e no Atlântico, e a ter um impacto nas alterações climáticas. A Corrente do Golfo está a levar águas muito quentes para o Ártico, acelerando o degelo na Gronelândia e no gelo marinho do Ártico, o que resulta numa mancha ou bolha de água muito fria a descer no Atlântico em direção à Europa. A diferença de temperatura onde estas águas se cruzam pode ser de mais de 10°C, piorando condições climatéricas como ventos e ondulação, acelerando a formação de ciclones e furacões como se tem visto ao largo das ilhas britânicas.



Traduzido do original Ocean Disruption from Abrupt Climate Change de Paul Beckwith, publicado no seu website http://paulbeckwith.net/, a 7 de Fevereiro de 2016.

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Extensão do gelo marinho no recorde mais baixo para Janeiro
Ártico, Gelo Marinho no Ártico

Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

Sugerimos a leitura de “Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
A extensão do gelo marinho do Ártico a 4 de janeiro de 2016, registou o recorde mais baixo para a época do ano, como ilustrado na imagem em baixo.
Gelo marinho do Ártico recorde mais baixo

O gelo do mar do Ártico irá, tipicamente, atingir a sua máxima extensão em Março. Em 2015, a extensão do gelo marinho foi muito reduzida em Março (vejam a linha azul na imagem em cima), e as perspectivas para este ano são ainda mais ameaçadoras, à medida que os oceanos ficam mais quentes e o El Niño ainda está a ganhar força.

Em baixo está uma comparação da espessura do gelo do mar (em metros) a 4 de Janeiro para os anos de 2012, 2015 e 2016.
Espessura do gelo marinho no Ártico ao longo dos anos

Em baixo está uma atualização a mostrar a extensão do gelo marinho no Ártico a 6 de janeiro de 2016, no canto inferior esquerdo, marcado com o ponto vermelho.
Extensão do gelo marinho no recorde mais baixo para Janeiro

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Arctic Sea Ice At Record Low de Sam Carana, no blogue onde contribuem vários cientistas do clima: Arctic News.

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Antártida

O Gelo da Antártida Está a Aumentar ou Diminuir?

Como é que o gelo na Antártida está a aumentar, e até sai nos jornais e várias fontes oficiais como a NASA e a NOAA dizem o mesmo, enquanto anda uma propaganda de “aquecimento global” por aí? Não será o aquecimento global uma farsa?

A extensão de gelo na Antártida está mesmo a aumentar, pois o gelo marinho ocupa uma área maior que anteriormente e até bateu um recorde este Inverno. Contudo, o gelo continental, ou sobre o continente da Antártida, e o volume de gelo na sua totalidade, tem diminuído. A comparação do mapeamento do volume de gelo por satélite entre os dados recentes do Cryosat-2 e os dados do ICESAT de 2009 mostra que o ritmo de perda de gelo triplicou nos últimos 5 anos apenas.

De qualquer modo, o gelo no mar em torno do continente Antártico aumentou. Como é possível estarmos no meio de um fenómeno de aquecimento global “sem precedentes na história humana” se de facto o gelo está a aumentar?

A EXTENSÃO de gelo, em redor do continente Antártico, de facto aumentou, como acontece todos os Invernos, e este Inverno até bateu um recorde. A área que o gelo ocupa é realmente maior, e este facto, tal como explicado pela NOAA (Administração Nacional para os Oceanos e Atmosfera pelo governo dos EUA), parece estar relacionado exactamente com o aquecimento global. A explicação até é baseada em física muito simples e a ciência climática é muito interessante e rica em informação quando vai além do debate que caracteriza a “política”. O que acontece, e como explicado pelo National Snow and Ice Data Center aqui, por Climate Progress aqui, pela Skeptical Science aqui, e por Sam Carana do Arctic News aqui, é que as águas mais quentes do fundo do oceano derretem o gelo junto à costa da Antárctida e essa água derretida esfria a camada funda do oceano, criando mais condições para a formação de mais gelo. Os padrões do vento também se alteraram devido às alterações climatéricas e os registos meteorológicos indicam ventos fortes do sul sobre o Mar de Weddell em meados de Setembro (fim do Inverno lá em baixo, fim do Verão cá em cima no Hemisfério Norte), estendendo a área de gelo marinho. A água resultante do derretimento do gelo do continente Antárctico poderá igualmente ter tido um papel nisto tudo, pois é mais fresca, tornando a água do mar à sua volta menos densa. Esta água menos densa e perto do ponto de congelamento espalha-se em torno de todo o continente da Antárctida e à superfície, ficando em contacto com o gelo com o qual pode congelar outra vez.

Como sabemos, e podemos ter tanta certeza, que o gelo na Antárctida tem diminuído a um ritmo cada vez maior?

O Cryosat-2 orbita a 700 kilómetros sobre a superfície da Terra e possui um altímetro que permite efectuar medições muito precisas da grossura do gelo no Ártico, na Gronelândia e na Antártida. Imagem de: http://www.lahistoriaconmapas.com

O Cryosat-2 orbita a 700 kilómetros sobre a superfície da Terra e possui um altímetro que permite efectuar medições muito precisas da grossura do gelo no Ártico, na Gronelândia e na Antártida.
Imagem de: http://www.lahistoriaconmapas.com

Alterações na elevação do gelo da placa de gelo da Antárctida são medidas através de altimetria por laser e por radar. Um novo satélite por radar, “Cryosat-2” foi colocado em órbita recentemente, equipado com uma resolução muito maior de altimetria por radar que usa técnicas de combinação de radar complicadas (interferometria de radar) de modo a aumentar a resolução horizontal até 250m enquanto permitindo medições precisas de alterações tão pequenas quanto apenas alguns centímetros.

Mapa Gelo Antártida

O aquecimento global não é uma farsa. Mas através do debate e da opinião e até da mesquinhez e dos interesses financeiros, pode bem passar por uma. Apenas a curiosidade, a pesquisa e a partilha podem mudar a cultura humana em direcção a uma sociedade menos ignorante e mais participativa.

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Ártico, Distorção Social, Metano

Royal Society Despreza Cientistas do Ártico e Suas Importantes Pesquisas

Há alguns dias, ocorreu uma importante reunião da Royal Society que apresentou pesquisas importantes sobre o estado atual do Ártico. Intitulado de “Redução do gelo do mar do Ártico: a evidência, os modelos e impactos globais”, o evento foi realizado em Londres, Inglaterra. Foi publicitado como um “encontro de discussão científica organizado pelo Dr. Daniel Feltham, Dr. Sheldon Bacon, Dr. Mark Brandon e o Professor (emérito) Julian Hunt FRS.”

Interesses poderosos parecem estar a colocar-se no caminho de importantes pesquisas sobre metano e um Ártico a minguar. "Dra. Shakhova Sobre o Ártico: 'Então tudo, tudo, parece anómalo. Até após a nossa experiência nestes 10 anos, tudo parece anómalo. E isso é que o (Dr. Semiletov) faz pensar que o pior poderá acontecer." "Resumindo, nós não gostamos do que estamos a ver lá, absolutamente Não Gostamos.'" - Natalia Shakhova

Interesses poderosos parecem estar a colocar-se no caminho de importantes pesquisas sobre metano e um Ártico a minguar.
“Dra. Shakhova Sobre o Ártico: ‘Então tudo, tudo, parece anómalo. Até após a nossa experiência nestes 10 anos, tudo parece anómalo. E isso é que o (Dr. Semiletov) faz pensar que o pior poderá acontecer.” “Resumindo, nós não gostamos do que estamos a ver lá, absolutamente Não Gostamos.'” – Natalia Shakhova

Os apresentadores e participantes incluíam uma lista de mais de 200 cientistas climáticos importantes de diferentes partes do mundo. Podia-se supor a partir da lista de workshops que esta conferência estava a ser realizada para falar e discutir a perda crítica de gelo que estamos a ver no Ártico, e que o propósito da reunião seria o de incluir todos e quaisquer dados relevantes para este evento nunca antes visto na história da humanidade. As pessoas que seguem a rápida perda de gelo do Ártico e todos esses dados podiam até ser perdoados por sentimentos de excitação e esperança que pelo menos alguém está “a trabalhar nisso.” Poderíamos ter assumido que a comunicação era um dos objetivos, especialmente já que a conferência foi twittada em largo, mesmo de dentro da conferência. Após os tweets poderíamos também ter assumido que as pessoas na conferência pretendiam partilhar informação que era importante não apenas sobre a mudança climática mas também a perda de gelo do mar Ártico.

Tal conferência soa como uma grande idéia, não é? Poderíamos ter um motivo de esperança e os organizadores pareciam transparentes, indo mesmo tão longe como twittar planos. Mas tais premissas e pressupostos teriam sido mal colocados. Em vez disso, o que aconteceu se transformou no que tem sido chamado de desprezo de cientistas pela Royal Society: desenvolveu-se um alvoroço tanto no meio científico como na Internet, e já levantou sérias questões. A questão principal foi que os cientistas de ponta Dra. Shakhova e Dr. Semiletov nem sequer foram convidados para apresentar ou discutir as suas descobertas muito recentes sobre o gelo do mar Ártico e libertações de metano.

Quem são eles e o que eles tinham a oferecer a esta conferência? Talvez tenha sido um “acidente” não terem sido convidados? Talvez eles apenas não estivessem na lista de convidados? Ou, se eles não foram deliberadamente convidados, qual poderia ser a razão?

Ao que parece, a Dra. Shakhova e o Dr. Semiletov tinham acabado de voltar de uma expedição crucial ao Ártico. A expedição Swerus C3 foi conduzida a bordo do navio quebra-gelo Oden. O objetivo era coletar dados sobre o Ártico, em particular no que concerne hidratos de metano e interação de sistemas.

A Expedição SWERUS-C3

Tripulação e Investigadores da Expedição Swerus C3

Tripulação e Investigadores da Expedição Swerus C3

SWERUS-C3 é uma cooperação Sueco-Russo-Norte-americana de duas etapas que vai investigar as ligações entre o clima, a criosfera e o carbono. A etapa número 1 da expedição partiu de Tromsø, na Noruega, no dia 5 de Julho e viajou ao longo da costa russa do Ártico para chegar a Barrow, Alasca, onde uma permuta de pessoal de investigação e tripulação ocorreu a 20 de Agosto. A 21 de Agosto a SWERUS-C3 partiu na sua viagem de volta para Tromsø, desta vez sobre o desfiladeiro Lomonosov, uma cadeia montanhosa submarina.”

“Durante a segunda etapa da expedição, estudámos a água quente do Atlântico que flui para o Oceano Ártico e deixa marcas em profundidades de 900 metros, bem como as enormes faixas no fundo do oceano deixadas por camadas de gelo anteriores encontradas no centro do Oceano Ártico”, diz Martin Jakobsson, professor na Universidade de Estocolmo e cientista-chefe na Etapa número 2. Ele continua: “O material permitirá fornecer novas perspectivas sobre o desenvolvimento e história do gelo do mar Ártico, bem como sobre a estabilidade dos hidratos de gás ao longo da plataforma continental do Ártico.”

As descobertas no Ártico não têm sido particularmente reconfortantes; na verdade, elas anunciam um cenário terrível. Um comunicado de imprensa da Universidade de Estocolmo descreveu que eles descobriram: “vastas colunas de metano escapando do leito marinho no talude continental de Laptev. Esses vislumbres iniciais daquilo que pode estar reservado para um aquecimento do Oceano Ártico poderá ajudar os cientistas a projetarem as emissões futuras do forte gás de efeito estufa, metano, a partir do Oceano Ártico.”

Tudo isto poderia ser lido como uma mera disputa diplomática ou conflito de carreiras entre cientistas, ou algum tipo de drama de televisão a acontecer numa conferência obscura de nomes menos que conhecidos, então por que haveria de estar o leitor comum interessado no que isto tem a ver com a vida na Terra?

Tem de facto tudo a ver com cada ser que habita este planeta. Para colocar em contexto: os eventos no Ártico estão-se a tornar numa emergência planetária e estão-se a desenvolver à medida que você lê isto. O ponto chave é o colapso total do gelo do mar Ártico, semelhante ao nosso ar condicionado planetário ir kaput. Por favor, veja a surpreendente imagem da Espiral de Morte do Ártico, do site http://climatestate.com/, para ver o quão pouco gelo do Ártico resta: Espiral de Morte do Ártico 1979-2013 (Declínio do gelo do mar / degelo)

A espiral de morte do Ártico, mostra a dimensão da área do gelo no Ártico, com o período de maior degelo em Setembro. Está previsto o seu desaparecimento total pela primeira vez em 2018.

A espiral de morte do Ártico, mostra a dimensão da área do gelo no Ártico, com o período de maior degelo em Setembro. Está previsto o seu desaparecimento total pela primeira vez em 2018.

Palavras-chave: Emergência Planetária.

Um artigo recente no USA Today intitulado ‘Estudo: Terra no meio da sexta extinção em massa’, declarou: “A perda e declínio de animais por todo o mundo – causado pela perda de habitat e perturbação climática global – significa que estamos no meio de uma sexta “extinção em massa” da vida na Terra, de acordo com vários estudos saídos na quinta-feira na revista Science. Um estudo descobriu que, apesar de a população humana ter duplicado nos últimos 35 anos, o número de animais invertebrados – como besouros, borboletas, aranhas e vermes – diminuiu em 45% durante o mesmo período.” Simples pesquisas Google sobre o tema permitem descobrir uma adição recente de muitos desses artigos no mesmo tema.”

Para ser clara, tenho o maior respeito pela comunidade científica e pelo que eles têm contribuído para o avanço da ciência. Eu entrevistei alguns, e ajudei a dar voz ao trabalho de cientistas, professores, educadores e especialistas: Eu acredito numa comunicação aberta. Acredito que quando há um problema enorme como neste caso da nossa emergência planetária ou 6º “evento de extinção” em massa, precisamos de todas as mãos no convés, especialmente os que estão aí fora na linha de frente. A Dra. Shakhova e o Dr. Semiletov são dois deles.

De acordo com modelos de computador, o nosso ar condicionado do Ártico deveria permanecer intacto e funcionar de forma eficaz por muitos anos. Anteriormente, o ano de 2100 foi referido como o ano em que veríamos realmente o inferno a soltar-se. Agora percebemos que esses modelos estavam mesmo fora. Na verdade, o nosso “ar-condicionado” está a auto destruir-se mais a cada minuto, causando uma corrente de jato sinuosa que já está a feder a devastação climática por todo o mundo: tufões, furacões, tornados e outros eventos catastróficos climáticos são mais comuns. De fato, a mudança climática já se tornou francamente desagradável. O que nos foi dito que não iria acontecer até muito mais tarde está realmente a acontecer agora.

Cientistas e governos percebem que temos um grande problema e começaram a fazer montes e montes de pesquisas no nosso ar condicionado do Ártico. Peritos foram enviados para ver o problema, a Dra. Shakhova e o Dr. Semiletov a bordo, e disseram-lhes para relatarem no regresso as suas descobertas.

O Problema

Os especialistas de ar condicionado que foram enviados para verificar o problema não foram convidados a participar no evento da Royal Society para relatarem as descobertas, nem mesmo discutirem a avaria do ar condicionado. Para ser justo, alguns deles foram chamados, incluindo o professor Peter Wadhams (embora outras questões importantes surgiram em relação ao Prof Wadhams também). No entanto, os únicos cientistas que foram chamados a apresentar um relatório sobre o problema foram os mesmos que têm vindo a utilizar os mesmos tipos de métodos conservadores de modelagem por computador que tradicionalmente têm provado estar seriamente atrasados na linha de tempo real seguida pelo gelo do Ártico.

Tem claramente sido seguro dizer que há anos que esses métodos de modelagem por computador são mais conservadores do que precisos, e que estão agora de fato fora e longe da marca de precisão. Mesmo alguém não-cientista pode ver claramente que há uma divisão profundamente séria entre as previsões de modelos conservadores e os eventos dramáticos de degelo dos dias atuais.

A Royal Society planeia uma conferência “comunicativa” sobre o gelo marinho do Ártico e deixa de fora os peritos que voltaram recentemente de uma expedição com risco de vida feita especificamente para analisar o problema. Enquanto isso, outros em cadeiras de escritório confortáveis ​​apenas trituram dados para ajudar na adivinhação de possíveis cenários problemáticos. A quem você escutaria? Você confiaria num só perito ou você chamaria tantos especialistas quanto possível para reunir recursos? Você sente-se seguro apenas a ouvir um lado da história, sem incluir observações do mundo real, dados e discussão?

Imagine por um momento que você é Shakhova e os seus colegas. Você foi enviado para observar e apresentar um relatório sobre o ar condicionado avariado. Você tem observado mudanças rápidas e quase inacreditáveis ​​que aconteceram nas suas expedições. Está a desfazer-se aos pedaços e a libertar metano. Você sabe que o metano é muitas vezes mais potente e poderoso do que o dióxido de carbono e pode causar muito mais dano à Terra se estiver a sair em grandes quantidades. Na verdade, você nunca viu tais alterações maciças em numerosas expedições anteriores. Está profundamente preocupado e precisa realmente de avisar outros envolvidos com o ar condicionado do Ártico para que saibam o que você viu.

Mas, quando a chance de falar sobre seus dados e observações surge, você não está convidado. A reunião muito importante continua sem você e nada do que você viu, documentou e observou irá tornar-se do conhecimento público. Você está chocado com esse desprezo, ou essa “exclusão”. Você quer poder dizer-lhes e, portanto, ao mundo o que está acontecendo. Você deseja soltar essas informações de modo que eles deixem outros saberem o que está a acontecer com o nosso ar condicionado do Ártico e os sintomas causados pelo seu derretimento.

Eu posso apenas imaginar como isso deve ter-lhe feito sentir, sentado nestes dados mais recentes e muito importantes e não poder compartilhar. Educadamente, porém, a Dra. Shakhova escreve uma carta sobre a sua exclusão, e pede para poder apresentar os seus dados e observações. Ela envia uma carta a Sir Paul Nurse da Royal Academy (via o jornalista de comunicação climática, Nick Breeze):

04 de Outubro de 2014
Por correio e e-mail

Caro Sir Paul Nurse,

Estamos satisfeitos por a Royal Society reconhecer o valor da ciência do Ártico e ter sediado uma importante reunião científica na semana passada, organizada pelo Dr. D. Feltham, o Dr. S. Bacon, o Dr. M. Brandon, e o Professor Emérito J. Hunt (https://royalsociety.org/events/2014/arctic-sea-ice/).

Os nossos colegas e nós temos estado a estudar a Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental [East Siberian Arctic Shelf (ESAS) há mais de 20 anos e temos conhecimento detalhado de observação das mudanças que ocorrem nesta região, como documentado por publicações em revistas de topo como a Science, a Nature e a Nature Geosciences. Durante estes anos realizámos mais de 20 expedições, em todas as estações do ano. que nos permitiram acumular um conjunto amplo e abrangente de dados consistindo em dados hidrológicos, biogeoquímicos e geofísicos, e proporcionando uma qualidade de cobertura que é difícil de alcançar, mesmo em áreas mais acessíveis dos Oceanos do Mundo.

Até o momento, somos os únicos cientistas que possuem dados observacionais de longo prazo em metano na ESAS. Apesar de peculiaridades na regulação que limitam o acesso de cientistas estrangeiros na Zona Económica Exclusiva da Rússia, onde a ESAS está localizada, ao longo dos anos temos recebido cientistas da Suécia, EUA, Holanda, Reino Unido e outros países para trabalharem ao nosso lado. A grande expedição internacional realizada em 2008 (ISSS-2008) foi reconhecida como o melhor estudo biogeoquímico do Ano Polar Internacional (2007-2008). O conhecimento e a experiência que acumulámos ao longo destes anos de trabalho lançaram as bases para uma extensa expedição Russo-Sueca a bordo do I/B ODEN (SWERUS-3), que permitiu a mais de 80 cientistas de todo o mundo colherem mais dados desta área única. A expedição foi concluída com sucesso apenas alguns dias atrás.

Para nossa consternação, não fomos convidados a apresentar os nossos dados na reunião da Royal Society. Além disso, esta semana descobrimos, através de um resumo Storify no twitter (divulgada pelo Dr. Brandon), que em vez foi o Dr. G. Schmidt convidado para discutir a questão do metano e explicitamente atacou o nosso trabalho utilizando o modelo de outro estudioso, cujo esforço de modelagem é feito com base em pressupostos teóricos não testados que não têm nada a ver com observações na ESAS. Enquanto o Dr. Schmidt tem experiência em modelagem climática, ele não é um especialista nem em metano nem nesta região do Ártico. Ambos os cientistas, portanto, não têm nenhum conhecimento observacional sobre metano e os processos associados nesta área. Lembremo-nos que o vosso lema “Nullus em verba” foi escolhido pelos fundadores da Royal Society para expressar a sua resistência ao dominação da autoridade; o princípio assim expresso exige que todas as reivindicações sejam apoiadas por fatos que tenham sido estabelecidos pela experiência. Em nossa opinião, não só as palavras mas também as ações dos organizadores traíram deliberadamente os princípios da Royal Society tal como expressos pelas palavras “Nullus em verba”.

Além disso, gostaríamos de destacar a parcialidade Anglo-Americana na lista de apresentadores. É preocupante que o conhecimento científico russo estava em falta e, portanto, marginalizado, apesar de uma longa história de notáveis ​​contribuições da Rússia para a ciência do Ártico. Sendo cientistas russos, acreditamos que o preconceito contra a ciência russa está a crescer devido a divergências políticas com as ações do governo russo. Isso restringe nosso acesso a revistas científicas internacionais, que se tornaram extremamente exigentes quando se trata de publicação de nosso trabalho em comparação com o trabalho dos outros sobre temas semelhantes. Temos consciência de que os resultados de nosso trabalho podem interferir com os interesses cruciais de algumas agências e instituições poderosas; no entanto, acreditamos que não era a intenção da Royal Society permitir que considerações políticas passem por cima da integridade científica.

Entendemos que pode haver debate científico sobre este tema crucial pois relaciona-se com o clima. No entanto, é parcial apresentar apenas um lado do debate, o lado com base em pressupostos teóricos e de modelagem. Em nossa opinião, foi injusto impedir-nos de apresentar os nossos dados com várias décadas, dado que mais de 200 cientistas foram convidados a participar em debates. Além disso, estamos preocupados que os procedimentos da Royal Society neste encontro científico virão a ser desequilibrados a um grau inaceitável (que é o que tem acontecido na mídia social).
Consequentemente, solicitamos formalmente a igualdade de oportunidades para apresentar os nossos dados perante vocês e outros participantes desta reunião da Royal Society sobre o Ártico e que vocês, como organizadores, abstenham-se de produzir quaisquer procedimentos oficiais antes de nós sermos autorizados a falar.

Sinceramente,
Em nome de mais de 30 cientistas,

Natalia Shakhova e Igor Semiletov

Entre as pessoas preocupadas que seguem isto de perto está o professor a tempo parcial Prof. Paul Beckwith, estudante de doutoramento da mudança climática abrupta. Beckwith oferece as suas preocupações sobre esta última série de eventos na Royal Society no seu vídeo mais recente: A little chat on methane [Uma pequena conversa sobre metano]

A última declaração de Beckwith sobre sua avaliação global da situação do Ártico e em que ponto estamos, também não é particularmente reconfortante: “O nosso sistema climático está atualmente a passar por estágios preliminares de uma mudança climática abrupta. Se permitido continuar, o sistema climático planetário é bem capaz de se submeter a um aumento da temperatura média global de 5°C a 6°C numa década ou duas. Precedência de mudanças numa taxa tão elevada podem ser encontradas inúmeras vezes nos paleo-registos. Da minha cadeira, eu concluo que é vital que cortemos as emissões de gases de efeito estufa e passemos por um programa intensivo de engenharia climática para resfriar a região do Ártico e manter o metano no seu lugar na permafrost e nos sedimentos oceânicos”. [Artigo do blogue ‘Alterações Climáticas’ traduzido do original que se encontra no blogue ‘Arctic News’]

Surgiu também um estudo de Lawrence Livermore Laboratory, que trouxe à tona notícias preocupantes sobre a questão do metano. Acesse aqui: Review of Methane Mitigation Technologies with Application to Rapid Release of Methane from the Arctic

No artigo de Lawrence Livermore Laboratory concluíram que:

“Na nossa avaliação de fontes sobre o metano no Ártico, descobrimos que permanecem lacunas significativas na compreensão dos mecanismos, da magnitude e da probabilidade de libertação de metano do Ártico. Nenhum autor afirmou que a libertação catastrófica de metano, por exemplo centenas de Gigatoneladas ao longo de anos a décadas fosse o desfecho esperado a curto termo. Mas até que os mecanismos sejam mais bem compreendidos, tal catástrofe não pode ser descartada. As provas são fortes de que o metano teve um papel nos eventos de aquecimento do passado, mas a fonte de libertação de metano e mecanismos específicos no aquecimento no passado não está ponto assente”.

“Enquanto a maioria dos autores indicaram que uma libertação catastrófica é improvável, uma libertação crónica, climaticamente significativa de metano do Ártico parece plausível. Tal libertação poderia prejudicar ou soterrar reduções graduais de emissões feitas noutros lugares e, assim, justificar intervenção tecnológica.”

Entretanto, esperamos com antecipação para ver qual a resposta da Royal Society, e se vamos poder ouvir quanto aos dados mais recentes de observações sobre o estado do Ártico por Shakhova e Semiletov. Eu, por exemplo, gostaria de saber tudo sobre como o ar condicionado do Ártico está indo realmente; você não?

Emergência Planetária Atualização

Enquanto escrevo o texto acima, um novo artigo é lançado: “É Pior Do Que Pensávamos” – Novo Estudo Descobriu que a Terra Está a Aquecer Mais Rapidamente do que o Esperado.” Um pequeno excerto: “No início desta semana, um novo estudo surgiu mostrando que o mundo estava realmente a aquecer muito mais rápido do que o esperado. O estudo, que focou sensores nos 2,000 pés do topo do Oceano Global, descobriu que as águas tinham aquecido a uma extensão muito maior do que os nossos modelos limitados, satélites e sensores haviam capturado. Particularmente o Oceano Antártico mostrou muito maior aquecimento do que o que foi anteriormente previsto”.

Muito obrigado a Julian Warmington, Professor Associado da BUFS, Busan University of Foreign Studies, por editar esta notícia.


Traduzido do original de Dorsi Diaz (Facebook / Twitter), publicado no Examiner.com

LINKS SUGERIDOS NO TEMA DE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, METANO E ÁRTICO

Mudança Climática em Aceleração

Água Quente Estende-se do Mar Laptev ao Polo Norte

Qual a Evidência Científica de Libertação de Metano no Ártico

(Cópia com tradução portuguesa e título “sensacional” adicionados, tirada do original com o título em Inglês “Methane Hydrates: Extended Interview Extracts With Natalia Shakhova”)

Standard
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Temperatura

Mudança Climática em Aceleração

Sugerimos a leitura de “Mudança Climática em Aceleração” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Níveis de metano tão elevados quanto 2562 ppb foram registados a 9 de Outubro de 2014, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de Metano a 9 de Outubro 2014
Muitas áreas cinzentas aparecem na imagem onde o QC (controle de qualidade) falhou, por ter sido muito difícil ler os níveis de metano na respectiva área, aparentemente devido a níveis de humidade elevados (ou seja, neve, chuva ou vapor de água) na atmosfera.

Clima sobre o Ártico dificulta leituras de metano.
Como a imagem acima ilustra, a cobertura de nuvens é elevada sobre o Ártico, ao mesmo tempo que há precipitação em forma de neve.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Noutras palavras, níveis elevados de metano (acima de 1.950 ppb, de cor amarela) podiam estar presentes sobre uma parte muito maior do Oceano Ártico, enquanto o metano nessas áreas cinzentas podia ter sido ainda maior do que o nível de pico medido de 2456 ppb.

Isto parece confirmar-se pela persistência de níveis elevados de metano sobre vastas áreas em todo o Oceano Ártico, tanto na parte da manhã (parte superior da imagem mais acima) e à tarde (parte inferior da imagem) a 9 de Outubro de 2014.

Os níveis de metano estão assim elevados sobre o Oceano Ártico por um número de razões, incluindo:

  • A Corrente do Golfo continua a empurrar água quente para Oceano Ártico.
  • As erupções de metano resultantes vindas do fundo do mar no Oceano Ártico constituem um feedback (mecanismo de retroacção) que acelera o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, as coberturas de gelo e neve do Ártico vão diminuir, acelerando ainda mais o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circundam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, tornando-o mais meandro [fazendo-o serpentear], resultando numa maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e incêndios florestais.

Aqui está um exemplo de aquecimento intenso. Olhe o que está a acontecer atualmente na Gronelândia.

As anomalias de temperatura alta sobre a Groenlândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

Como a imagem acima à direita mostra, anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014).

Além disso, a cobertura elevada de nuvens sobre o Ártico (imagem mais acima) torna-o difícil para o calor irradiar para o espaço, contribuindo ainda mais para as anomalias de alta temperatura.

A imagem à direita mostra as anomalias de temperatura alta sobre a Gronelândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

A imagem abaixo (à direita) mostra anomalias correspondentes à extremidade superior da escala atingindo grande parte da Gronelândia num momento específico durante o dia de hoje. A parte esquerda da imagem abaixo mostra como isso pode acontecer, ou seja, correntes de jato enrolando em torno da Gronelândia que apanham o fluxo de entrada de ar quente vindo do Atlântico Norte.

Temperaturas muito altas na gronelândia, Outubro 2014
Tal como dito, à medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circunavegam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, fazendo com que os jatos meandrem mais e criem padrões que podem reter o calor (ou frio), durante um número de dias sobre uma determinada área. Devido à altura das suas montanhas, a Gronelândia é particularmente propensa a ser cada vez mais atingida por ondas de calor resultantes de tais padrões de bloqueio. O aquecimento altera a textura da neve e do gelo, tornando-o mais lamacento e escuro, o que também faz com que absorva mais calor da luz solar, acelerando ainda mais o degelo.

Como Paul Beckwith adverte num post anterior, as taxas de derretimento na Gronelândia duplicaram nos últimos 4 a 5 anos, e as taxas de degelo sobre a Península Antárctica aumentaram ainda mais rápido. Com base nas últimas décadas, as taxas de derretimento tiveram um período de duplicação de cerca de 7 anos. Se esta tendência continuar, podemos esperar um aumento do nível do mar próximo de 7 metros por volta de 2070.

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com Imagem tirada de http://arctic-news.blogspot.com/2014/07/more-than-25m-sea-level-rise-by-2040.html

Isto são tudo indicações de que o ritmo da mudança climática está a acelerar em muitos aspectos, o mais perigoso sendo as cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Como a imagem abaixo mostra, as anomalias da temperatura do mar de superfície são muito elevadas no Oceano Ártico, indicando temperaturas muito elevadas sob a superfície.

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry disse recentemente: “Há agora – agora mesmo – défices alimentares graves que ocorrem em lugares como a América Central porque as regiões estão a lutar contra as piores secas em décadas, não são eventos [de periodicidade] de 100 anos em termos de inundações, em termos de incêndios, em termos de seca -.são eventos de 500 anos, algo inédito na nossa medição do tempo.” Avisando sobre catástrofe iminente, Kerry acrescenta: “A vida como você a conhece na Terra termina. Um aumento em sete graus Fahrenheit (3,9°C), e não podemos sustentar as culturas, a água, a vida nessas circunstâncias.”

A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.

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