Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo
Ártico, Gelo Marinho no Ártico, Metano, Oceano, Temperatura

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

Sugerimos a leitura de “Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Para a época do ano, o gelo do Ártico continua em num recorde mínimo desde que os registros de satélite começaram em 1979, tanto para a área como para a extensão. A imagem abaixo mostra a área de gelo do mar do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a área era de 12,49061 milhões de quilómetros quadrados.

Gelo do Ártico Recorde Mínimo em Fevereiro de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo marinho do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a extensão era de 14.186 mil quilómetros quadrados.

Extenção do gelo marinho no Ártico Fevereiro 2016

A razão para o recorde mínimo de gelo marinho é que há mais calor do oceano do que costumava haver. A imagem abaixo mostra que, a 12 de fevereiro de 2016, a temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico estava tão quente quanto 11,3°C (52,4°F) num local perto de Svalbard marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C (18,7°F).

Temperatura de Superfície do Mar no Ártico, 12 Fevereiro 2016

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar América do Norte

A razão para isto é que a água ao largo da costa leste da América do Norte é muito mais quente do que costumava ser.

A Corrente do Golfo está a empurrar o calor até ao Oceano Ártico.

A imagem à direita mostra que a 14 de fevereiro, 2016, as anomalias da temperatura de superfície do mar (em comparação com 1981-2011) ao largo da costa leste da América do Norte, estavam tão elevadas quanto 10.1°C ou 18.1°F (no local marcado pelo círculo verde ).

Enquanto que a superfície do mar parece mais fria (em comparação com 1981-2011) sobre uma grande parte do Atlântico Norte, uma quantidade crescente de calor do oceano parece estar a viajar por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico, como discutido no post anterior no link.

Médias das anomalias da temperatura de superfície do mar em em diferentes latitudes do globo.

Isto significa más notícias para o gelo do mar em 2016, já que o El Niño ainda está forte. As temperaturas em janeiro de 2016 sobre o Oceano Ártico estavam 7,3°C (13,1°F) maiores do que a média de 1951-1980, de acordo com dados da NASA, como ilustra o gráfico à direita.

Anomalia da temperatura terrestre para Janeiro
Uma tendência polinomial adicionada à anomalia da temperatura em terra de janeiro no Hemisfério Norte desde 1880 mostra que uma subida de 10°C (18°F) poderia acontecer até ao ano de 2044, como ilustra o gráfico à direita. Ao longo do Oceano Ártico, pode-se esperar um aumento ainda mais dramático.

Como o mapa da NASA em baixo ilustra, a anomalia da temperatura terra-mar global para janeiro de 2016, em relação à média de 1951-1980, foi de 1,13°C (ou mais de 2°F) e o calor atingiu mesmo o Oceano Ártico mais fortemente do que noutros lugares.
Temperatura Terra-Mar Global Anomalia - NASA

Enquanto isso, níveis de metano tão elevados quanto 2539 partes por bilião (ppb) foram registados a 13 de Fevereiro de 2016, como ilustrado pela imagem abaixo.
Níveisde metano fevereiro 2016

O perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão entrar em erupção de forma abrupta a partir do fundo do mar.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Actualização: a extensão do gelo do mar no Ártico continua a cair. No ano passado (2015), a máxima extensão do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Será que a extensão máxima para este ano já foi alcançada a 9 de fevereiro de 2016? A imagem abaixo ilustra esta questão. discutida mais adiante no grupo Arctic News.

Traduzido do original Arctic sea ice remains at a record low for time of year de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 15 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

em https://aquecimentoglobaldesc…

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Anomalia das temperaturas de superfície globais
Aquecimento Global Descontrolado, Ártico, dióxido de carbono, Feedbacks, Gelo Marinho no Ártico, Metano, Oceano, Retroalimentação, Temperatura

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

Sugerimos a leitura de “Papel do Metano no Aquecimento do Ártico” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Oceano Ártico é o mais fortemente atingido pelo aquecimento global

Nos últimos 12 meses, o aquecimento global fez-se sentir mais fortemente sobre o Oceano Ártico, como a imagem acima ilustra. Na maior parte do Oceano Ártico, as temperaturas de superfície estavam acima do topo da escala, ou seja, mais de 2,5°C mais elevada do que em 1981-2010.

Em Janeiro de 2016, a temperatura do ar perto do nível do mar (a 925 hPa) estavam mais do que 6°C ou 13°F acima da média na maior parte do Oceano Ártico, como o NSIDC.org anunciou recentemente. Para além disso, as temperaturas médias diárias em muitas partes do Oceano Ártico muitas vezes ultrapassaram o topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F maiores do que em 1979-2000, como ilustrado pela previsão do Reanalisador Climático abaixo.

Temperaturas anormais no Oceano Ártico em Fevereiro

E então, como podem as anomalias de temperatura no oceano ártico nesta época do ano serem muito maiores do que em qualquer outro lugar na Terra?

Um fator são os feedbacks tais como alterações na corrente de jato e o declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico, que faz com que cada vez mais luz solar seja absorvida pela água do Oceano Ártico, que por sua vez causa um declínio ainda maior, como discutido em muitos posts anteriores.

Alterações na corrente de jato

Neste momento, contudo, o aquecimento ao longo do Oceano Ártico é muito pronunciado numa altura do ano em que há uma diferença de temperatura mais ampla entre o Ártico e o Equador, quando há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Ártico. Assim, as mudanças no albedo são menos relevantes, enquanto que as alterações na corrente de jato seriam esperadas como sendo menos proeminentes agora. Todavia, uma corrente de jato fortemente deformada pode empurrar muito ar quente até lá acima ao Polo Norte, enquanto empurra muito ar frio do Ártico para a América do Norte, como ilustrado na previsão à direita.

Vejamos mais alguns fatores que estão a ter uma influência.

Níveis elevados de gases de efeito estufa sobre o Ártico

A questão era, por que está o aquecimento a atingir o Oceano Ártico tão fortemente nesta época do ano? Os níveis de gases de efeito estufa são mais elevados sobre o Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. Os gases de efeito estufa prendem o calor que seria, de outro modo, irradiadado para o espaço, e este efeito de estufa está a ocorrer durante todo o ano.

Níveis de CO2 em Fevereiro atingiram 405.83 ppm

Níveis de CO2 a 4 de Fevereiro de 2016. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 

Vamos olhar mais de perto para os níveis de dióxido de carbono (CO2). A 4 de Fevereiro de 2016, o nível de CO2 em Mauna Loa, no Havaí, foi 405,83 ppm, como ilustrado pela imagem à direita.

A imagem abaixo mostra que a média global do nível de CO2 a 6 de Fevereiro de 2016, foi de 407 ppm a uma altitude próxima do nível do mar (972 mb). A imagem também mostra níveis de CO2 mais elevados em latitudes mais elevadas a Norte, com níveis de mais de 410 ppm sobre a maioria do Hemisfério Norte.

Média níveis globais de CO2

Níveis de CO2 sobre o Ártico em Fevereiro 2016

Os níveis de dióxido de carbono a 8 de Fevereiro de 2016 foram tão elevadas quanto 416 ppm num local sobre o mar de Kara (marcado pelo círculo verde na parte superior da imagem à direita).

Todavia, os níveis de dióxido de carbono sobre o Oceano Ártico não estão muito mais elevados do que noutros lugares, ou seja, não é suficiente para explicar essas enormes anomalias de temperatura.

O metano, outro gás de efeito estufa, também está presente ao longo do Oceano Ártico em níveis que são mais elevados do que no resto do mundo, como ilustrado na imagem abaixo, mostrando níveis de metano acima de 1900 ppb na maior parte do Oceano Ártico a 4 de Fevereiro de 2016.

Níveis de metano no Ártico

No caso do metano, a situação é diferente daquela para o dióxido de carbono:

  • os níveis no Pólo Norte são mais do que 10% mais elevados do que no Polo Sul, uma diferença muito maior do que para o dióxido de carbono.
  • o metano está a atingir os seus níveis mais elevados sobre o Oceano Ártico a partir de Outubro em diante até bem dentro do ano seguinte.
  • o metano persiste por mais tempo sobre o Ártico, devido aos baixos níveis de hidroxila que lá existem.
  • os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são elevados, já que cada vez maiores quantidades de metano estão a sair do fundo do mar no Oceano Ártico, fazendo com que este metano seja forçosamente altamente concentrado sobre o Ártico, especialmente logo após a sua libertação.

Em conclusão, parece que o metano está a desempenhar um papel cada vez maior no aquecimento do Ártico, especialmente tendo em conta a sua grande potência a curto prazo como gás de efeito estufa.

Emissões equivalentes ao CO2 noutrs gases de efeito de estufa

AMOC está a levar cada vez mais calor para o Oceano Ártico

Para além do metano, há uma outra grande razão pela qual as anomalias de temperatura são tão elevadas sobre o Oceano Ártico nesta época do ano. Enormes quantidades de calor estão a subir da água para a atmosfera sobre o Oceano Ártico, aquecendo o ar sobre a água. Quanto mais quente o mar, menos gelo se formará. Quanto mais fraco o gelo, mais rachaduras e locais onde o calor é transferido para a atmosfera.

A água do Oceano Ártico está a ficar mais quente, em comparação com anos anteriores, enquanto a Corrente do Golfo aquece. Ao referir toda a extensão do Golfo do México ao Oceano Ártico, esta corrente é muitas vezes referida como a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico Norte (AMOC na sigla em inglês). A direção do fluxo da AMOC é determinada por duas forças, que são, o fluxo de água quente do equador para norte, e o fluxo para leste devido à força de Coriolis. O resultado é água quente salgada transportada pela AMOC nas camadas superiores do Atlântico em direção a nordeste, para o Oceano Ártico. Eventualmente, a água afunda e flui de volta como água mais fria pelas profundezas do Atlântico. Como a imagem da NOAA em baixo mostra, a quantidade de calor que tem sido carregado pela AMOC em direção ao Oceano Árctico tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

Transporte de carlor pela AMOC no Atlantico

As temperaturas globais do oceano estão a aumentar, como discutido em publicações como Calor do Oceano e Subida da Temperatura. Como resultado, mais calor está agora a ser levado em direção ao Oceano Ártico. A Corrente do Golfo ao largo da costa da América do Norte está a aquecer fortemente e está a empurrar mais calor em direção ao Oceano Ártico, em comparação com anos anteriores. O resultado é ilustrado pela imagem abaixo, mostrando enormes anomalias da temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico perto de Svalbard, apesar da tampa fria no Atlântico Norte, indicando que o calor continua a viajar por baixo da tampa de água doce fria até ao Oceano Ártico.

Anomalias das Temperaturas no Ártico

Tais anomalias da temperatura de superfície do mar elevadas não são incomuns no Oceano Ártico nos dias de hoje. A imagem abaixo mostra que, a 24 de Janeiro de 2016, a temperatura de superfície do mar foi de 12,3°C ou 54,2°F num local perto de Svalbard, marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C ou 18.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar no Ártico - Jan 2016

Água agora muito mais quente ao largo da costa da América do Norte

A água ao largo da costa leste da América do Norte está muito mais quente do que costumava estar devido a emissões que se estendem desde a América do Norte sobre o Oceano Atlântico devido à força de Coriolis. A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra níveis de dióxido de carbono tão elevados quanto 511 ppm sobre New York a 5 de Novembro de 2015, e tão elevados quanto 500 ppm sobre a água ao largo da costa de New Jersey a 2 de Novembro de 2015.

Niveis de CO2 na América do Norte e Atlantico

A imagem abaixo mostra níveis de monóxido de carbono. O monóxido de carbono esgota a hidroxila, tornando mais difícil para o metano ser oxidado. Assim, novamente, o metano parece ser um fator importante.

Níveis de monóxido de carbono

Essas emissões aquecem a Corrente do Golfo e fazem com que água cada vez mais quente seja levada por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico.

Tampa de água doce fria no Atlântico Norte

Finalmente, a tampa de água doce fria no Atlântico Norte faz com que uma menor transferência de calor ocorra do oceano para a atmosfera. Esta tampa de água doce fria faz com que mais calor esteja a fluir em direção ao Oceano Ártico, logo abaixo da superfície do mar do Atlântico Norte.

velocidade do gelo do mar e deriva

Esta tampa de água doce fria está a espalhar-se sobre o Atlântico Norte por uma série de razões:

    • mais derretimento dos glaciares na Gronelândia, em Svalbard e no norte do Canadá;
    • mais gelo do mar à deriva no Oceano Atlântico devido aos ventos fortes. Tempestades movem-se para cima no Atlântico de uma forma circular, acelerando a deriva do gelo do mar ao longo das bordas da Gronelândia, como ilustra este vídeo e imagem da Naval Research Lab à direita;
    • uma maior evaporação ao largo da costa leste da América do Norte, com a humidade a ser transportada por ventos mais fortes para o nordeste, resultando em mais precipitação sobre a água e, portanto, mais água doce a ser acrescentada ao Atlântico Norte, como ilustrado na imagem abaixo.

    Tampa de água doceno Atlanticodp degelo e precipitação

    Como a imagem acima também ilustra, esta tampa de água doce fria no Atlântico Norte também poderia resultar em mais calor a ser levado para o Oceano Ártico, devido à transferência de calor reduzida para a atmosfera a partir de água no seu caminho para o Oceano Ártico.

    temperaturas no ártico, ampa de água doce e precipitação no atlantico

    A imagem acima ilustra como as temperaturas mais elevadas ao longo do Ártico (painel superior) podem ir de mãos dadas com a tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte (segundo painel), com elevadas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte (terceiro painel) e com maior precipitação sobre esta tampa de água doce fria (painel inferior).

    A imagem abaixo indica que a tampa de água doce fria no Atlântico Norte também anda de mãos dadas com a queda dos níveis de salinidade.

    A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade

    A precipitação sobre o Atlântico Norte está a aumentar, devido aos ventos fortes e tempestades ali, como discutido em publicações anteriores como esta e como ilustrado pelas imagens abaixo. Ventos mais fortes, tempestades com elevados níveis de precipitação e ondas mais altas podem todos contribuir para que a tampa de água doce fria se espalhe ainda mais por todo o Atlântico Norte.

    Ondas de17 metros ao largo das ilhas britânicas

    A imagem acima mostra que ondas tão altas quanto 17,81m ou 58,4 pés foram registadas no Atlântico Norte a 1 de Fevereiro de 2016, e tão elevadas quanto 17,31m ou 56,8 pés a 08 de Fevereiro de 2016.

    Ondas de 17 metros ao largo das ilhas britânicas

    Conclusão

    Em conclusão, o perigo é que cada vez mais calor vá chegar ao Oceano Ártico. Isso resultará em maior derretimento do gelo do mar, num ciclo de realimentação de auto-reforço que faz com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico (em vez de ser refletida de volta ao espaço, como antes).

    A 11 de fevereiro, 2016, o gelo marinho do Ártico teve – para esta época do ano – a menor extensão desde que os registos por satélite começaram em 1979, como ilustrado na imagem abaixo.

    Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo

    O maior perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão escapar abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, elevando dramaticamente as temperaturas sobre o Ártico e provocando cada vez mais erupções de metano, resultando numa escalada rápida para um aquecimento fugidio.

    A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

    Traduzido do original Methane’s Role in the Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Fevereiro de 2016.

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    CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

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Disrupção das correntes e temperaturas do oceano, por Paul Beckwith numa atualização sobre Alterações Climáticas
Aquecimento Global Descontrolado, Ártico, Oceano, Temperatura

Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas

Sugerimos a leitura de “Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

As correntes e temperaturas da superfície do oceano não estão a comportar-se como normalmente. As alterações climáticas abruptas que estão a decorrer presentemente estão a alterar as propriedades do oceano.

Neste curto vídeo, Paul Beckwith, do Laboratório para a Paleoclimatologia na Universidade de Ottawa, explica o mecanismo através do qual um El Ninõ muito forte está a afetar as temperaturas e correntes do oceano no Pacífico e no Atlântico, e a ter um impacto nas alterações climáticas. A Corrente do Golfo está a levar águas muito quentes para o Ártico, acelerando o degelo na Gronelândia e no gelo marinho do Ártico, o que resulta numa mancha ou bolha de água muito fria a descer no Atlântico em direção à Europa. A diferença de temperatura onde estas águas se cruzam pode ser de mais de 10°C, piorando condições climatéricas como ventos e ondulação, acelerando a formação de ciclones e furacões como se tem visto ao largo das ilhas britânicas.



Traduzido do original Ocean Disruption from Abrupt Climate Change de Paul Beckwith, publicado no seu website http://paulbeckwith.net/, a 7 de Fevereiro de 2016.

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Mudança Climática em Aceleração

Sugerimos a leitura de “Mudança Climática em Aceleração” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Níveis de metano tão elevados quanto 2562 ppb foram registados a 9 de Outubro de 2014, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de Metano a 9 de Outubro 2014
Muitas áreas cinzentas aparecem na imagem onde o QC (controle de qualidade) falhou, por ter sido muito difícil ler os níveis de metano na respectiva área, aparentemente devido a níveis de humidade elevados (ou seja, neve, chuva ou vapor de água) na atmosfera.

Clima sobre o Ártico dificulta leituras de metano.
Como a imagem acima ilustra, a cobertura de nuvens é elevada sobre o Ártico, ao mesmo tempo que há precipitação em forma de neve.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Noutras palavras, níveis elevados de metano (acima de 1.950 ppb, de cor amarela) podiam estar presentes sobre uma parte muito maior do Oceano Ártico, enquanto o metano nessas áreas cinzentas podia ter sido ainda maior do que o nível de pico medido de 2456 ppb.

Isto parece confirmar-se pela persistência de níveis elevados de metano sobre vastas áreas em todo o Oceano Ártico, tanto na parte da manhã (parte superior da imagem mais acima) e à tarde (parte inferior da imagem) a 9 de Outubro de 2014.

Os níveis de metano estão assim elevados sobre o Oceano Ártico por um número de razões, incluindo:

  • A Corrente do Golfo continua a empurrar água quente para Oceano Ártico.
  • As erupções de metano resultantes vindas do fundo do mar no Oceano Ártico constituem um feedback (mecanismo de retroacção) que acelera o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, as coberturas de gelo e neve do Ártico vão diminuir, acelerando ainda mais o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circundam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, tornando-o mais meandro [fazendo-o serpentear], resultando numa maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e incêndios florestais.

Aqui está um exemplo de aquecimento intenso. Olhe o que está a acontecer atualmente na Gronelândia.

As anomalias de temperatura alta sobre a Groenlândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

Como a imagem acima à direita mostra, anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014).

Além disso, a cobertura elevada de nuvens sobre o Ártico (imagem mais acima) torna-o difícil para o calor irradiar para o espaço, contribuindo ainda mais para as anomalias de alta temperatura.

A imagem à direita mostra as anomalias de temperatura alta sobre a Gronelândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

A imagem abaixo (à direita) mostra anomalias correspondentes à extremidade superior da escala atingindo grande parte da Gronelândia num momento específico durante o dia de hoje. A parte esquerda da imagem abaixo mostra como isso pode acontecer, ou seja, correntes de jato enrolando em torno da Gronelândia que apanham o fluxo de entrada de ar quente vindo do Atlântico Norte.

Temperaturas muito altas na gronelândia, Outubro 2014
Tal como dito, à medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circunavegam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, fazendo com que os jatos meandrem mais e criem padrões que podem reter o calor (ou frio), durante um número de dias sobre uma determinada área. Devido à altura das suas montanhas, a Gronelândia é particularmente propensa a ser cada vez mais atingida por ondas de calor resultantes de tais padrões de bloqueio. O aquecimento altera a textura da neve e do gelo, tornando-o mais lamacento e escuro, o que também faz com que absorva mais calor da luz solar, acelerando ainda mais o degelo.

Como Paul Beckwith adverte num post anterior, as taxas de derretimento na Gronelândia duplicaram nos últimos 4 a 5 anos, e as taxas de degelo sobre a Península Antárctica aumentaram ainda mais rápido. Com base nas últimas décadas, as taxas de derretimento tiveram um período de duplicação de cerca de 7 anos. Se esta tendência continuar, podemos esperar um aumento do nível do mar próximo de 7 metros por volta de 2070.

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com Imagem tirada de http://arctic-news.blogspot.com/2014/07/more-than-25m-sea-level-rise-by-2040.html

Isto são tudo indicações de que o ritmo da mudança climática está a acelerar em muitos aspectos, o mais perigoso sendo as cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Como a imagem abaixo mostra, as anomalias da temperatura do mar de superfície são muito elevadas no Oceano Ártico, indicando temperaturas muito elevadas sob a superfície.

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry disse recentemente: “Há agora – agora mesmo – défices alimentares graves que ocorrem em lugares como a América Central porque as regiões estão a lutar contra as piores secas em décadas, não são eventos [de periodicidade] de 100 anos em termos de inundações, em termos de incêndios, em termos de seca -.são eventos de 500 anos, algo inédito na nossa medição do tempo.” Avisando sobre catástrofe iminente, Kerry acrescenta: “A vida como você a conhece na Terra termina. Um aumento em sete graus Fahrenheit (3,9°C), e não podemos sustentar as culturas, a água, a vida nessas circunstâncias.”

A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.

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Temperatura

Recorde de Temperatura de Superfície do Mar Global para Junho-Agosto

[Estes dados mostram toda a sua relevância para a humanidade quando colocados em contexto, ou seja, assim que lemos os comentários de John Davies, mais abaixo neste mesmo post]

Agosto 2014 bateu o recorde de temperatura em terra e do oceano

A temperatura média combinada das superfícies terrestres e oceânicas globais para Agosto de 2014 foi o recorde mais alto para o mês, em 0,75°C (1,35°F) acima da média para o século XX de 15,6°C (60,1°F).

Junho-Agosto de 2014 com o recorde máximo de temperatura em terra e no oceano

O período de Junho a Agosto de 2014, com 0,71°C (1,28°F) acima da média do século XX, teve o registo mais quente desse período do ano em superfícies terrestres e oceânicas globais, desde que a regularidade de registos começou em 1880.

Recorde de Temperaturas máximas em terra e no mar para o período de Junho a Agosto

Tradução do esquema de cores: Recorde de mais frio; Muito mais frio que a média; Mais frio que a média; Cerca da média; Mais quente que a média; Muito mais quente que a média; Recorde do mais quente.

Agosto 2014, recorde máximo de temperatura da superfície do mar

A temperatura de superfície do mar (TSM) global para Agosto foi de 0,65°C (1,17°F) acima da média do século XX de 16,4°C (61,4°F). Este recorde máximo em comparação à temperatura média não só bate o recorde anterior de Agosto estabelecido em 2005 por 0,08°C (0,14°F), como também bate o recorde de todos os tempos, estabelecido há apenas dois meses em Junho de 2014, em 0,03°C (0,05°F).

Recorde máximo da temperatura de superfície do mar para o período de Junho a Agosto de 2014

A temperatura de superfície dos oceanos global para o período de Junho a Agosto foi 0,63°C (1,13°F) acima da média do século XX, o maior já registado para o período Junho-Agosto. Isto bate o recorde anterior estabelecido em 2009 em 0,04°C (0,07°F).

Comentários de John Davies:

Este foi o Agosto mais quente já registado, primeiramente devido a Temperaturas de Superfície do Mar muito elevadas no Hemisfério Norte.

Não há eventos El Niño neste período, mas algum tipo de evento – esperemos que um evento e não uma mudança de clima – esteja a ocorrer. Se este é um evento, a situação ficará mais normal quando terminar, que será em menos de um ano na pior das hipóteses. Se é uma mudança climática, estamos em apuros desesperantes, embora eu acho que é um evento.

É interessante notar que estas Temperaturas de Superfície do Mar muito elevadas são susceptíveis de conduzir a altas temperaturas terrestres em breve, já que normalmente pode-se esperar que as temperaturas terrestres no hemisfério norte ultrapassem as Temperaturas da Superfície do Mar.

A seca que afeta a Califórnia e todo o oeste da América do Norte, América Central, e grandes partes da floresta tropical brasileira, embora anterior a este evento foi quase certamente devida a mudanças que se iniciaram antes deste evento mas em última análise a causaram.

Apesar do recorde de alta temperatura média global combinada em ambas as superfícies terrestres e oceânicas para Agosto, a economia global continuará como normalmente e nenhuma ação específica se pode esperar que seja tomada para reduzir as emissões. Isso vai mudar, se as temperaturas globais continuarem a subir. As temperaturas são altas o suficiente para causar preocupação global, contudo. Mais em breve.
Nota: A previsão mais recente da NOAA [Administração Oceânica e Atmosférica Nacional; EUA] coloca a chance de El Niño a 60-65% durante o Outono e Inverno do Hemisfério Norte.

Temperaturas de Superfície do Mar 4 Out. e previsão de temperaturas para o Ártico (11 Out.) (Anomalias)
Pode-se esperar que as Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) permaneçam altas no Oceano Ártico, já que as anomalias de TSM estão altas no Atlântico Norte (+ 1,65°C, a imagem à esquerda) e altas temperaturas estão previstas sobre o Ártico pelo menos nos próximos sete dias (anomalias tão altas quanto + 2,87°C, imagem à direita). Para uma comparação com as temperaturas de 3 de Outubro, veja este post anterior (em inglês no blog original).

Além disso, uma quantidade crescente de calor tem ido para as partes mais profundas do oceano, e a Corrente do Golfo vai, nos meses que virão, continuar a transportar água para Oceano Ártico, e esta água vai estar mais quente do que a água que já lá está, ameaçando desencadear cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, como discutido neste post anterior (traduzido em Português).

Em conclusão, a situação é calamitosa e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.
Referências

– NOAA National Climatic Data Center, State of the Climate: Global Analysis for August 2014.
http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2014/8

– EL NIÑO/SOUTHERN OSCILLATION (ENSO) DIAGNOSTIC DISCUSSION, issued by:
Climate Prediction Center/NCEP/NWS and the International Research Institute for Climate and Society, 4 September 2014
http://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.pdf

– ClimateReanalyzer.org
http://climatereanalyzer.org

Traduzido do original que foi publicado por Sam Carana em Arctic-news.blogspot.pt.
http://arctic-news.blogspot.pt/2014/10/record-june-august-global-ocean-surface-temperature.html

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