Níveis de metano atmosférico
Sam Carana

Libertação de Metano do Fundo do Mar e Aumento dos Níveis Atmosféricos

Níveis de metano atmosférico

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são superiores aos de qualquer outro lugar na Terra. Como a animação abaixo mostra, os níveis de metano estavam tão elevados quanto 2436 partes por bilião (mil milhões) (ppb) na tarde de 5 de dezembro de 2016, com a maioria de metano a ascender da água, em particular sobre o Oceano Ártico.

niveis de metano atmosférico

Aumento de metano na atmosfera a 5 de dezembro de 2016 (MetOp 1 pm), desde 1000 mb, ou seja, perto do nível do mar, até uma pressão de 586 mb, o que corresponde a uma altitude de 3833 m.

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico têm estado elevados há já mais de um mês. O vídeo abaixo, com uma banda sonora de Daniel Kieve, mostra os níveis de metano de 26 de outubro de 2016 a 25 de novembro de 2016.

Estes níveis elevados de metano acontecem numa altura em que não há praticamente nenhuma luz solar a atingir o Ártico, o que praticamente elimina a possibilidade de uma proliferação de algas ou outras fontes biológicas estarem a causar estes níveis elevados de metano. Em vez disso, estes níveis elevados de metano parecem ser o resultado de erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, causadas pelo aquecimento da água dos oceanos.

Nível médio global de metano

O metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

De facto, grandes quantidades de metano parecem estar a irromper do leito do mar do Oceano Ártico, e, à medida que o metano sobe na atmosfera, este vai-se aproximando do equador, resultando em níveis mais elevados de metano aí também. A imagem acima ilustra ainda que o metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

A imagem em baixo mostra o aumento da temperatura dos oceanos. As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Hemisfério Norte.

temperatura do oceano aumenta

Aquecimento do Oceano, de uma publicação anterior.

A quantidade enorme de energia a entrar no oceano traduz-se em temperaturas mais elevadas da água e do ar sobre a água, bem como ondas maiores e ventos mais fortes. Muito desse calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Calor levado pelas correntes do golfo até ao Ártico

Calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Temperatura do mar elevada no ÁrticoComo a imagem à direita mostra, as temperaturas de superfície do mar perto de Svalbard (círculo verde) estavam tão altas quanto 14.1°C a 6 de dezembro de 2016, 12.1°C mais quente que a média de 1981-2011.

O aumento do calor no oceano está a ameaçar causar erupções cada vez maiores de metano do fundo do mar.

Conforme descrito na página “Extinction” (do site arctic-news.blogspot.com), as erupções de metano do fundo do mar podem provocar 1,1°C de aumento de temperatura ao longo dos próximos dez anos.

A situação é crítica e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


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Traduzido do original Sea Floor Methane de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 12 de dezembro de 2016.

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Gelo do mar no Ártico com espessura muito fino, quase sem gelo antigo.
Sam Carana

Gelo do Mar no Ártico Fica Terrivelmente Fino

Subida da Temperatura

Um aumento da temperatura (a partir de níveis pré-industriais) de mais de 10°C poderia suceder por volta do ano de 2026, como ilustrado pela imagem abaixo e como discutido numa publicação anterior.

Tendência de aumento da temperatura previsto para 10 anos

A anomalia de temperatura elevada que ocorreu em Fevereiro de 2016 foi parcialmente causada pelo El Niño. Todavia, há uma ameaça de que a anomalia de Fevereiro de 2016 não tenha sido um pico, mas em vez disso tenha sido parte de uma tendência que aponta para o que ainda está por vir.

Calor do Oceano

Como a imagem abaixo mostra, 93,4% do aquecimento global vai para os oceanos. Assim, o calor do oceano tem vindo a aumentar rapidamente e, como a imagem abaixo mostra, uma tendência aponta para um enorme aumento na próxima década.

O calor em excesso do aquecimento global vai principalmente para os oceanos

Para onde vai o aquecimento global? Atmosfera: 2,3%; Continentes: 2,1%; Glaciares/Mantos de gelo: 0,9%; Gelo do Mar no Ártico: 0,8%; Manto de gelo da Gronelândia: 0,2%; Manto de gelo da Antártida: 0,2%; Oceano: 93,4%. Dados da NOAA com curva de tendência adicionada mostra possível aumento em 8x mais até 2025.

O aumento da temperatura do oceano afeta o clima de várias maneiras. Um estudo recente confirmou os receios anteriores de que futuros aumentos na temperatura do oceano irão resultar em armazenamento reduzido de dióxido de carbono pelos oceanos.

Espessura e Volume do Gelo do Mar no Ártico

A espessura do gelo do mar no Ártico está a diminuir rapidamente.É importante ressaltar que aumentos da temperatura do oceano também farão com que o gelo do Ártico diminua, resultando em mudanças de albedo que farão com que menos luz solar seja refletida de volta para o espaço e mais luz solar, ao invés, seja absorvida pelo Oceano Ártico.

O gelo do mar no Ártico está a perder espessura rapidamente. A imagem à direita mostra que o gelo do mar mais espesso já quase que desapareceu (a imagem mostra o gelo do mar a 6 de Agosto de 2016). A imagem abaixo apresenta uma comparação entre os anos de 2012, 2013, 2014 e 2015 para 6 de Agosto.

comparação-espessura-gelo-2012-2016

A situação parece ainda mais ameaçadora quando se olha para a imagem do Laboratório de Pesquisa Naval abaixo, produzida com um novo modelo executado a 3 de Agosto de 2016, com validade de 4 de Agosto de 2016.

Gelo do mar no Ártico com espessura muito fina, quase sem gelo antigo.

A imagem abaixo, por Jim Pettit, mostra o volume de gelo do mar no Ártico.

Temperaturas da Superfície do Mar

O calor extra que entra nos oceanos traduz-se num enorme aumento da temperatura da superfície do mar, como ilustrado pela imagem abaixo, a partir de um post anterior e usando as anomalias da temperatura de superfície do mar no Hemisfério Norte até Novembro de 2015.

Comparação da temperatura de superfície do mar em Novembro para os anos de 1980 a 2015 revela enormes aumentos da temperatura.

Anomalia da temperatura de superfície do mar para o Hemisfério Norte, com dados da NOAA e linha de tendência adicionada.

Temperatura de superfície do mar em relação a 1971-2000O Oceano Ártico está a sentir o calor transportado pela Corrente do Golfo. A imagem à direita mostra anomalias da temperatura de superfície do mar a partir 1971-2000.

Note-se que as anomalias estão a atingir o topo da escala, de modo que, em algumas áreas estarão acima que extremidade superior (ou seja, 4°C) da escala.

As temperaturas da superfície do mar ao largo da costa da América do Norte são muito elevadas, com temperaturas da superfície do mar tão elevadas quanto 33,1°C, como a imagem abaixo mostra. Muito do calor acumulado no Golfo será carregado pela Corrente do Golfo para o Oceano Ártico ao longo dos próximos meses.

Temperatura da superfície do mar na corrente do golfo ao largo dos Estados Unidos

Anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico a 7 de Agosto de 2016A imagem à direita mostra as anomalias da temperatura de superfície do mar no Ártico a 7 de Agosto de 2016, em comparação com 1961-1990. Observe-se as áreas pretas onde as anomalias de temperatura da superfície do mar estão acima de 8°C.

As temperaturas da superfície do mar no Oceano Ártico permanecerão em torno do ponto de congelamento, onde e enquanto houver gelo do mar presente. Uma vez que o gelo do mar desaparecer, porém, a temperatura da superfície do mar naquela área vai subir rapidamente.

A imagem abaixo mostra quão acentuadas são as anomalias da temperatura da superfície do mar em latitudes mais elevadas do Hemisfério Norte.

Comparação das anomalias de temperatura de superfície do mar entre hemisfério norte e hemisfério sul

Enquanto que as temperaturas da superfície do mar podem estar enormes localmente, água ainda mais quente pode ser levada por baixo da superfície do mar desde o Oceano Atlântico até ao Oceano Ártico, devido à tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte, como ilustrado pela imagem abaixo, a partir de um post anterior.

Tampa de água doce fria do degelo no Ártico sobre o Atlântico Norte

Feedback 28 na página dos Feedbacks

A temperatura da superfície do mar estava tão elevada quanto 18,1°C perto de Svalbard (círculo verde), a 6 de Agosto de 2016, 13,1°C mais quente do que a média de 1981-2011, o que dá uma ideia de quão alta a anomalia da temperatura do oceano pode estar logo abaixo da superfície do mar.

Temperatura Mar Elevada Ártico -6 Agosto 2016

Temperatura da Superfície

Anomalia da temperatura para 365 dias entre Agosto 2015 e Agosto 2016Como a imagem à direita mostra, anomalias de temperatura de superfície elevadas têm atingido duramente o Ártico, particularmente nos últimos 365 dias.

Além de derreter o gelo do mar por cima, as temperaturas elevadas sobre os continentes também irão aquecer a água dos rios que desembocam no Oceano Ártico.

A água quente nos rios vai assim contribuir (juntamente com a água mais quente trazida para o Oceano Ártico a partir dos oceanos Atlântico e Pacífico) para o derretimento do gelo do mar no Ártico por baixo.

Metano

Há um perigo de que, como a temperatura do Oceano Ártico continua a aumentar, enormes quantidades de metano entrarão na atmosfera devido à desestabilização de hidratos no fundo do mar.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Arctic Sea Ice Getting Terribly Thin de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Julho de 2016.

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Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016
Sam Carana

Níveis de Metano Elevados Seguem-se a Sismo no Oceano Ártico

Nos 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016, 48 sismos com uma magnitude de 4 ou superior na escala de Richter atingiram a área do mapa da imagem abaixo, na maior parte a uma profundidade de 10 km (6.214 milhas).

48 Sismos no Ártico em Julho de 2016

48 terramotos atingiram a área do mapa durante os 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016. Criado por Sam Carana para Arctic-news.blogspot.com com imagens de earthquake.usgs.gov

À medida que as temperaturas continuam a aumentar e o derretimento dos glaciares continua a tirar peso da superfície da Gronelândia, um reajuste isostático pode, cada vez mais, desencadear terremotos em torno da Gronelândia, e em particular sobre a falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Dois terremotos atingiram recentemente o Oceano Ártico. Um terremoto atingiu com uma magnitude de 4,5 graus na escala Richter a 9 de Julho de 2016. O outro terremoto atingiu com uma magnitude de 4,7 graus na escala Richter a 12 de Julho de 2016, às 00:15:24 UTC, com epicentro a 81.626°N 2.315°W e a uma profundidade de 10,0 km (6.214 milhas), como ilustrado pela imagem abaixo.

Sismo no Ártico a 12 de Julho

A 12 de Julho de 2016, um terramoto atingiu o Oceano Ártico com a magnitude de 4,7 na escala de Richter, com epicentro a 81.626”N 2.315”W e a 10km de profundidade.

Seguindo-se ao terremoto mais recente, elevados níveis de metano apareceram na atmosfera a 15 de Julho de 2016, sobre essa mesma área que o terremoto atingiu, como ilustra a imagem abaixo.

Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016

Sobre a área atingida por um terramoto a 12 de Julho de 2016, elevados níveis de metano apareceram a uma altitude de 4,116m a 15 de Julho de 2016. A imagem pequena mostra a mesma área a 6.041m de altitude a 15 de Julho. Criado por Sam Carana com imagens da NOAA. Branco= sem dados; cinzento= falha de leitura.

A imagem acima mostra que os níveis de metano foram tão elevados quanto 2505 ppb a uma altitude de 4.116 m ou 13,504 pés na manhã de 15 de Julho de 2016. A uma maior altitude (de 6.041 m ou 19,820 pés), níveis de metano tão altos quanto 2.598 ppb foram registrados naquela manhã e a área de cor magenta a leste do ponto nordeste da Gronelândia (enquadramento em foco) parece indicar a mesma coisa nas imagens entre estas altitudes. Tudo isso indica que o terremoto causou desestabilização de hidratos de metano contidos nos sedimentos naquela área.

Libertação de metano a leste da Gronelândia após sismo

Níveis de metano a uma pressão atmosférica de 840mb variavam entre 1555 e 2058 ppb. Criado por Sam Carana com imagens da NOOA.

A imagem acima, de outro satélite, confirma fortes libertações de metano a leste da Gronelândia, na tarde de 14 de Julho de 2016, enquanto a imagem abaixo mostra níveis elevados de metano a 16 de Julho de 2016, ao longo da falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Metano com níveis elevados no Ártico após sismo

A imagem abaixo mostra glaciares na Gronelândia e o gelo do mar perto da Gronelândia e Svalbard a 15 de Julho de 2016. Note-se que as nuvens em parte obscurecem a extensão do declínio do gelo do mar.

Declínio do gelo marinho na Gronelândia e Svalbard

Gelo marinho fraturado e lamacento no Ártico

A imagem acima mostra o gelo do mar a 12 de Julho de 2016. Há uma grande área com muito pouco gelo do mar perto do Pólo Norte (à esquerda) e há pouco ou nenhum gelo do mar em torno de Franz Josef Land (à direita). Em geral, o gelo do mar parece lamacento e fraturado em pequenos pedaços finos. Tudo isso é uma indicação de quão quente a água está por baixo do gelo do mar.

Temperaturas muito elevadas no Ártico a 16 de Julho de 2016Além dos choques e mudanças de pressão causados por terremotos, a desestabilização de hidratos de metano pode ser desencadeada pelo calor do oceano alcançando o fundo do mar do Oceano Ártico. Uma vez que o metano chega à atmosfera, pode muito rapidamente elevar as temperaturas locais, agravando ainda mais a situação.

As temperaturas já estão muito elevadas em todo o Ártico, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 16 de Julho de 2016 estiveram 1,6°C sobre o Pólo Norte (círculo verde de cima), enquanto estiveram 32,7°C num local perto de onde o rio Mackenzie desagua no Oceano Ártico (círculo verde de baixo).

O gelo do mar no Ártico não parece nada bem, como também ilustrado pelo cálculo presente pelo Laboratório de Pesquisa Naval em abaixo.

Declínio do glo do mar no Ártico em Julho de 2016

A espessura do gelo do mar caiu drasticamente ao longo dos anos, especialmente o gelo que tinha mais do que 2,5 m de espessura. A imagem abaixo compara a espessura gelo do mar do Ártico (em m) a 15 de Julho, para os anos a partir de 2012 (painel à esquerda) a 2015 (painel direito), utilizando imagens do Laboratório de Pesquisa Naval.

Comparação da espessura do gelo do mar no Ártico entre os anos de 2012 e 2015

[ Clique na imagem para ampliá-la ]
A imagem abaixo mostra anomalias da temperatura de superfície do mar em relação a 1961-1990 a 24 de Julho de 2016.

Temperaturas anormais muito elevadas no Ártico em Julho de 2016

As temperaturas da superfície do mar ao largo da costa da América são altas e muito deste calor do oceano será carregado pela Corrente do Golfo em direção ao Oceano Ártico ao longo dos próximos meses.

Temperaturas altas da superficie do mar na corrente do golfo até ao Ártico

A 24 de Julho de 2016, a temperatura da superfície do mar perto da Flórida estava tão alta quanto 33,2°C, uma anomalia de 3,7°C em relação à média de 1981-2011 (círculo verde inferior), enquanto que a temperatura da superfície do mar perto de Svalbard estava tão elevada quanto 17,3°C, uma anomalia de 12,6°Cem relação a 1981-2011 (círculo verde em cima).

Uma tampa de água doce fria (ou seja, baixa salinidade) fica em cima do oceano e esta tampa é alimentada por precipitação (chuva, granizo, neve, etc.), o derretimento do gelo do mar (e icebergs) e água que escorre da terra (de rios e derretimento de glaciares em terra). Esta tampa reduz a transferência de calor do oceano para a atmosfera e, assim, contribui para um Atlântico Norte mais quente onde enormes quantidades de calor são agora transportadas por baixo desta tampa em direção ao Oceano Ártico. O perigo é que mais calor do oceano a chegar ao Oceano Ártico vai desestabilizar clatratos no fundo do mar e resultar em enormes erupções de metano, como discutido em posts anteriores, como este.

À medida que as temperaturas continuam a aumentar, a neve e ogelo no Ártico vão diminuir. Isso poderia resultar em cerca de 1,6°C de aquecimento devido a mudanças de albedo (ou seja, devido ao declínio tanto do gelo do mar do Ártico como da cobertura de neve e gelo em terra). Além disso, cerca de 1,1°C de aquecimento poderiam resultar da libertação de clatratos de metano do fundo do mar dos oceanos do mundo. Como discutido num post anterior, isso poderia suceder como parte de um aumento em relação aos níveis pré-industriais de até 10°C, por volta do ano de 2026.

Incêndios florestais no Alasca Canadá, um feedback de auto-reforço do aquecimento global

Incêndios na Sibéria a 19 de julho de 2016 constituem um feedback no aquecimento globalÀ medida que as temperaturas sobem, o impacto será sentido em primeiro lugar e mais fortemente no Ártico, onde o aquecimento global está a acelerar devido a inúmeros feedbacks que podem atuar como ciclos de auto-reforço.

Já neste momento, isto está a desencadear incêndios florestais em todo o Ártico.

A imagem acima mostra incêndios (indicados por pontos vermelhos) no Alasca e no norte do Canadá, a 15 de Julho de 2016.

A imagem à direita mostra fumo resultante de incêndios florestais na Sibéria. A imagem abaixo mostra que, a 18 de Julho de 2016, os níveis de monóxido de carbono (CO) sobre a Sibéria estavam tão elevados quanto 32318 ppb, e numa área com níveis de dióxido de carbono (CO2) tão baixos quanto 345 ppm, o CO2 atingiu níveis tão elevados quanto 650 ppm no mesmo dia.

Níveis de dióxido de carbono (CO2) e monóxido de carbono (CO) na Sibéria, resultante de incêndios florestais em Julho de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão de fumo de incêndios florestais na Sibéria a 23 de Julho de 2016.

Fumo resultante dos incêndios na Sibéria a 23 de Julho de 2016

A imagem abaixo mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 19 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 19 de Julho de 2016

A imagem abaixo, a partir do satélite MetOp, mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 21 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 21 de Julho de 2016

Abaixo estão outras imagens que descrevem os níveis de metano médios globais, em relação a 1980-2016 (à esquerda) e 2012-2016 (à direita).

Níveis Médios Globais Metano 1980 2016Níveis de metano entre 2012 e 2016

A imagem abaixo mostra os níveis de metano em Barrow, Alasca.

Medição dos níveis de metano no Alasca ao longo dos anos, mostra pico em 2016

A imagem abaixo mostra que, enquanto que os níveis de metano podem parecer terem-se mantido estáveis ao longo do ano passado quando fazendo as medições ao nível do solo, em altitudes mais elevadas eles subiram fortemente.

Variação dos níveis de metano com a altitude comparando os anos 2015 e 2016

A tabela de conversão abaixo mostra os equivalentes de altitude em pés, m e mb.
57016 pés 44690 pés 36850 pés 30570 pés 25544 pés 19820 pés 14385 pés 8368 pés 1916 pés
17378 m 13621 m 11232 m 9318 m 7786 m 6041 m 4384 m 2551 m 584 m
74 mb 147 mb 218 mb 293 mb 367 mb 469 mb 586 mb 742 mb 945 mb

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Methane Levels Follow Earthquake in Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Julho de 2016.

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A ciencia da mudança do climatica na perspectiva do cientista do clima
Paul Beckwith

Prática em Ciência Climática

Este vídeo mostra como se pode ver o globo em tempo real e analisar a interação da temperatura e da Corrente de Jato e do Golfo com o degelo e outros eventos extremos, entendendo a Ciência Climática a partir da perspetiva do cientista.

Isto e muito mais é nos oferecido voluntariamente por Paul Beckwith da Universidade de Ottawa no Canadá, com o intuito de nos trazer as novidades na Mudança Climática de uma maneira fácil de entender para a pessoa comum. Se ainda não viu, é melhor começar pela primeira parte; para seguir a prática desde o início, clique aqui.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 Minutes (2/2).

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

[expand title=”Transcrição:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-cient15t”]

Torna-te num Cientista Climático em 15 Minutos, Parte 2/2

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, Laboratório para Paleoclimatologia. Esta é a segunda parte de… “Torna-te num Cientista Climático em 15 minutos”, então, tive que estender os 15 minutos para 30 minutos. O que estava a mostrar era… isto são as correntes do oceano, e a anomalia da temperatura de superfície do mar. E isto é a data, foi a 3 de Abril, há alguns dias atrás O que podem ver é a Corrente do Golfo a vir em força através do Atlântico Norte e podem ver que há água fria a descer desde o Ártico, isto é através do estreito de Nares a oeste da Gronelândia, também há água fria a descer pelo estreito de Fram, e esta água atravessa o oceano, e aliás temos duas águas a passar: a Corrente do Golfo muito quente, e a água muito fria do Ártico, e elas colidem aqui, e é por isso que obtemos muita estrutura aqui. Se olhar para esta região em particular, a anomalia é de -10.2°C mais frio do que o normal, apenas nessa região, enquanto que mesmo ao lado estão quase cerca de +8°C. Então isto é uma enorme diferença de temperatura. Podem ver esta estrutura aqui, como se houvesse uma batalha entre a água fria do degelo do Ártico, a colidir com a água quente. Podemos ir atrás no tempo e ver como este padrão se desenvolveu, e esta mancha fria está a tornar-se uma característica permanente nos últimos tempos, e é preocupante porque significa que as correntes do oceano no Atlântico inteiro estão a reajustar-se. Mostrei no vídeo anterior como elas estavam a mudar igualmente no Pacífico. Se clicar aqui posso ir para trás para os dados anteriores, então, isto é a 29 de Março e podemos segui-lo à medida que vamos para trás. São cerca de 5 dias de diferença em cada nova imagem; estamos a ir atrás no tempo e o que podemos ver é… como a batalha se está a desenrolar entre as águas frias e quentes. E então, a Corrente do Golfo aqui está muito poderosa… Elas quase que se cortam uma à outra num ângulo de 90 graus, nesta luta de puxões. Vamos um pouco mais para trás… Por favor pesquisem Earthnullschool, e abram esta ferramenta e, assim que saibam como usar a interface… Trouxemos este menu para cima ao clicar em Earth. Seja lá onde for que cliquem no mapa, mostra-vos a latitude e longitude, e mostra a velocidade da corrente do oceano, neste caso, e a direção, e a anomalia da temperatura, dependendo daquilo que se seleciona. Clicamos em Earth para trazer o menu novamente e vamos atrás no tempo um pouco mais aqui, e ver o que acontece. O que se pode ver é a variação à medida que voltamos atrás. Agora estamos no início do ano e vemos uma anomalia da temperatura muito muito quente na Corrente do Golfo, e durante toda a estação do Inverno temos tido esta água a sair do Ártico e a mancha fria aqui, e estão numa batalha as duas. Vamos dar uma olhada e ver… alguns vídeos atrás falei da destruição do recife de coral na Austrália. Temos a Austrália aqui. Agora, o recife de coral, a grande barreira do recife estende-se nesta distância enorme ao longo da linha costeira aqui. Então, vamos fazer zoom nesta região e ver o que se passa com a anomalia da temperatura de superfície do mar. Ok, vamos pô-lo grande, zoom in. Ok, talvez grande demais, vamos tentar isto. OK, então isto é o início do ano. Isto é a 14 de Janeiro, e agora vamos voltar ao presente, em aumentos de 5 dias, e… pode-se ver a anomalia da temperatura de superfície do oceano, o azul é mais frio que o normal, apenas ligeiramente mais frio que o normal, aqui ligeiramente mais quente do que o normal… Não acontece muita coisa aqui. Há alguma água quente aqui… 1.1°C… Se a água ficar demasiado quente ou demasiado fria, então os pólipos, o plâncton simbiótico, o zooplâncton que vive no coral numa relação simbiótica com os pólipos, eles desaparecem se a água estiver demasiado quente ou demasiado fria, e o coral fica branqueado pois eles contém a cor, eles dão ao coral as cores vivas e vibrantes que vemos, e então quando desaparecem, o coral torna-se branco e fica debilitado, e se o zooplâncton voltar, se a temperatura da água voltar a normal e eles voltarem em algumas semanas, então coral pode reavivar-se. Neste momento o coral está em risco de vida uma vez que várias regiões do recife de coral estão lixiviadas. Vamos ver porquê ele fica esbranquiçado. Vamos avançar no tempo aqui, e podemos ver a mudança na temperatura. Olhem para esta água aqui. A água tornou-se muito quente lá pelo final de Janeiro… Continuando… Podemos ver a água quente a atravessar. OK, há alguma água mais fria, alguma mais quente; vou simplesmente andar mais um pouco. Aqui vamos nós… Entre meados e final de Fevereiro tivemos todo este amarelo, com água a 2°C, 2,5°C acima do normal, a descer em vastas áreas do recife, e neste lado aqui, e isto começa realmente a stressar o coral. Vamos continuar a avançar… E então, a água mantém-se quente, desce um bocadinho mas mantém-se quente, e começa a aquecer outra vez, especialmente nas regiões mais a norte, e pode-se ver o que acontece. Isto está em tamanho grande agora, e vemos que a água manteve-se quente durante um período de tempo prolongado. Aqui está, isto são outra vez 2,5°C… isto são tipo um par de graus mais quente que o normal. Logo, o coral está próximo de um limiar a partir do qual vai ficar danificado. E ainda está muito quente, está quente em diferentes zonas, mas esperemos que arrefeça e dê ao coral uma chance de recuperar. Talvez esteja a acontecer, vai ser como atirar uma moeda ao ar. Está estimado que após 50% do coral estar esbranquiçado, ele vai morrer. E o recife de coral é um dos maiores… pontos ecológicos do planeta, de maior importância, é basicamente a floresta tropical do oceano, e estamos a vê-lo a morrer perante os nossos olhos por causa do aquecimento global abrupto. Então, que mais podemos ver… Temos alguma química. Isto é o CO e o CO2 à superfície. No Hemisfério Sul, vamos afastar-nos um bocadinho, e podemos ver como os níveis variam com a latitude. Aqui em baixo estamos com cerca de 400 partes por milhão, numa média global de 406ppm ou assim. Podemos ver áreas aqui que estão com um pouco menos. Vamos subir para outras latitudes. Isto é a subir sobre a Ásia; claro que há fontes de poluição aqui, das cidades mais importantes. Isto é óxido de carbono, que está muito mais alto, e também o dióxido de enxofre que está muito mais alto. E… Continuando cm o CO2… Vou voltar ao Dióxido de Enxofre. Se subirmos até ao Ártico podemos ver que os níveis lá não estão tão altos como sobre partes da Ásia. O SO2 é muito importante porque produzimos muito SO2 a partir de processos industriais, de centrais energéticas e assim. Podemos ver as áreas de industria pesada que produzem muito SO2, pontos quentes sobre os quais podemos fazer zoom e assim. A coisa com o Dióxido de Enxofre é que… quando está na atmosfera, pode refletir a luz solar e causar arrefecimento naquela zona, logo, esta é uma das coisas que, basicamente, causam escurecimento global, e se removêssemos todo o SO2, desligando a indústria de um dia para o outro removíamos o SO2, aqueceríamos… é discutível o quanto aqueceríamos; talvez meio grau, talvez um grau, só por esse meio. Então, estamos a fechar centrais energéticas que são à base de carvão, e também precisamos de fazer o mesmo para o petróleo, precisamos de ir em direção a fontes renováveis, mas vamos obter algum aquecimento por estarmos a remover o cobertor de SO2, estamos a limpar o ar e vai haver aquecimento resultante disso, e não o podemos evitar, mas não temos escolha. Temos que fazer isto. Há também informação sobre particulados aqui. Podemos ver o que está a acontecer. Isto é a Extinção de Pó, são unidades de… quando há muito pó no ar, isso vai bloquear a luz e o aumento na quantidade de bloqueio está representado nestas cores.Recolher Transcrição[/expand]

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Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo
Sam Carana

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

Sugerimos a leitura de “Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Para a época do ano, o gelo do Ártico continua em num recorde mínimo desde que os registros de satélite começaram em 1979, tanto para a área como para a extensão. A imagem abaixo mostra a área de gelo do mar do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a área era de 12,49061 milhões de quilómetros quadrados.

Gelo do Ártico Recorde Mínimo em Fevereiro de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo marinho do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a extensão era de 14.186 mil quilómetros quadrados.

Extenção do gelo marinho no Ártico Fevereiro 2016

A razão para o recorde mínimo de gelo marinho é que há mais calor do oceano do que costumava haver. A imagem abaixo mostra que, a 12 de fevereiro de 2016, a temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico estava tão quente quanto 11,3°C (52,4°F) num local perto de Svalbard marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C (18,7°F).

Temperatura de Superfície do Mar no Ártico, 12 Fevereiro 2016

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar América do Norte

A razão para isto é que a água ao largo da costa leste da América do Norte é muito mais quente do que costumava ser.

A Corrente do Golfo está a empurrar o calor até ao Oceano Ártico.

A imagem à direita mostra que a 14 de fevereiro, 2016, as anomalias da temperatura de superfície do mar (em comparação com 1981-2011) ao largo da costa leste da América do Norte, estavam tão elevadas quanto 10.1°C ou 18.1°F (no local marcado pelo círculo verde ).

Enquanto que a superfície do mar parece mais fria (em comparação com 1981-2011) sobre uma grande parte do Atlântico Norte, uma quantidade crescente de calor do oceano parece estar a viajar por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico, como discutido no post anterior no link.

Médias das anomalias da temperatura de superfície do mar em em diferentes latitudes do globo.

Isto significa más notícias para o gelo do mar em 2016, já que o El Niño ainda está forte. As temperaturas em janeiro de 2016 sobre o Oceano Ártico estavam 7,3°C (13,1°F) maiores do que a média de 1951-1980, de acordo com dados da NASA, como ilustra o gráfico à direita.

Anomalia da temperatura terrestre para Janeiro
Uma tendência polinomial adicionada à anomalia da temperatura em terra de janeiro no Hemisfério Norte desde 1880 mostra que uma subida de 10°C (18°F) poderia acontecer até ao ano de 2044, como ilustra o gráfico à direita. Ao longo do Oceano Ártico, pode-se esperar um aumento ainda mais dramático.

Como o mapa da NASA em baixo ilustra, a anomalia da temperatura terra-mar global para janeiro de 2016, em relação à média de 1951-1980, foi de 1,13°C (ou mais de 2°F) e o calor atingiu mesmo o Oceano Ártico mais fortemente do que noutros lugares.
Temperatura Terra-Mar Global Anomalia - NASA

Enquanto isso, níveis de metano tão elevados quanto 2539 partes por bilião (ppb) foram registados a 13 de Fevereiro de 2016, como ilustrado pela imagem abaixo.
Níveisde metano fevereiro 2016

O perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão entrar em erupção de forma abrupta a partir do fundo do mar.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Actualização: a extensão do gelo do mar no Ártico continua a cair. No ano passado (2015), a máxima extensão do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Será que a extensão máxima para este ano já foi alcançada a 9 de fevereiro de 2016? A imagem abaixo ilustra esta questão. discutida mais adiante no grupo Arctic News.

Traduzido do original Arctic sea ice remains at a record low for time of year de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 15 de Fevereiro de 2016.

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CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

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A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade
Sam Carana

Papel do Metano no Aquecimento do Ártico

Sugerimos a leitura de “Papel do Metano no Aquecimento do Ártico” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

Oceano Ártico é o mais fortemente atingido pelo aquecimento global

Nos últimos 12 meses, o aquecimento global fez-se sentir mais fortemente sobre o Oceano Ártico, como a imagem acima ilustra. Na maior parte do Oceano Ártico, as temperaturas de superfície estavam acima do topo da escala, ou seja, mais de 2,5°C mais elevada do que em 1981-2010.

Em Janeiro de 2016, a temperatura do ar perto do nível do mar (a 925 hPa) estavam mais do que 6°C ou 13°F acima da média na maior parte do Oceano Ártico, como o NSIDC.org anunciou recentemente. Para além disso, as temperaturas médias diárias em muitas partes do Oceano Ártico muitas vezes ultrapassaram o topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F maiores do que em 1979-2000, como ilustrado pela previsão do Reanalisador Climático abaixo.

Temperaturas anormais no Oceano Ártico em Fevereiro

E então, como podem as anomalias de temperatura no oceano ártico nesta época do ano serem muito maiores do que em qualquer outro lugar na Terra?

Um fator são os feedbacks tais como alterações na corrente de jato e o declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico, que faz com que cada vez mais luz solar seja absorvida pela água do Oceano Ártico, que por sua vez causa um declínio ainda maior, como discutido em muitos posts anteriores.

Alterações na corrente de jato

Neste momento, contudo, o aquecimento ao longo do Oceano Ártico é muito pronunciado numa altura do ano em que há uma diferença de temperatura mais ampla entre o Ártico e o Equador, quando há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Ártico. Assim, as mudanças no albedo são menos relevantes, enquanto que as alterações na corrente de jato seriam esperadas como sendo menos proeminentes agora. Todavia, uma corrente de jato fortemente deformada pode empurrar muito ar quente até lá acima ao Polo Norte, enquanto empurra muito ar frio do Ártico para a América do Norte, como ilustrado na previsão à direita.

Vejamos mais alguns fatores que estão a ter uma influência.

Níveis elevados de gases de efeito estufa sobre o Ártico

A questão era, por que está o aquecimento a atingir o Oceano Ártico tão fortemente nesta época do ano? Os níveis de gases de efeito estufa são mais elevados sobre o Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. Os gases de efeito estufa prendem o calor que seria, de outro modo, irradiadado para o espaço, e este efeito de estufa está a ocorrer durante todo o ano.

Níveis de CO2 em Fevereiro atingiram 405.83 ppm

Níveis de CO2 a 4 de Fevereiro de 2016. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

 

Vamos olhar mais de perto para os níveis de dióxido de carbono (CO2). A 4 de Fevereiro de 2016, o nível de CO2 em Mauna Loa, no Havaí, foi 405,83 ppm, como ilustrado pela imagem à direita.

A imagem abaixo mostra que a média global do nível de CO2 a 6 de Fevereiro de 2016, foi de 407 ppm a uma altitude próxima do nível do mar (972 mb). A imagem também mostra níveis de CO2 mais elevados em latitudes mais elevadas a Norte, com níveis de mais de 410 ppm sobre a maioria do Hemisfério Norte.

Média níveis globais de CO2

Níveis de CO2 sobre o Ártico em Fevereiro 2016

Os níveis de dióxido de carbono a 8 de Fevereiro de 2016 foram tão elevadas quanto 416 ppm num local sobre o mar de Kara (marcado pelo círculo verde na parte superior da imagem à direita).

Todavia, os níveis de dióxido de carbono sobre o Oceano Ártico não estão muito mais elevados do que noutros lugares, ou seja, não é suficiente para explicar essas enormes anomalias de temperatura.

O metano, outro gás de efeito estufa, também está presente ao longo do Oceano Ártico em níveis que são mais elevados do que no resto do mundo, como ilustrado na imagem abaixo, mostrando níveis de metano acima de 1900 ppb na maior parte do Oceano Ártico a 4 de Fevereiro de 2016.

Níveis de metano no Ártico

No caso do metano, a situação é diferente daquela para o dióxido de carbono:

  • os níveis no Pólo Norte são mais do que 10% mais elevados do que no Polo Sul, uma diferença muito maior do que para o dióxido de carbono.
  • o metano está a atingir os seus níveis mais elevados sobre o Oceano Ártico a partir de Outubro em diante até bem dentro do ano seguinte.
  • o metano persiste por mais tempo sobre o Ártico, devido aos baixos níveis de hidroxila que lá existem.
  • os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são elevados, já que cada vez maiores quantidades de metano estão a sair do fundo do mar no Oceano Ártico, fazendo com que este metano seja forçosamente altamente concentrado sobre o Ártico, especialmente logo após a sua libertação.

Em conclusão, parece que o metano está a desempenhar um papel cada vez maior no aquecimento do Ártico, especialmente tendo em conta a sua grande potência a curto prazo como gás de efeito estufa.

Emissões equivalentes ao CO2 noutrs gases de efeito de estufa

AMOC está a levar cada vez mais calor para o Oceano Ártico

Para além do metano, há uma outra grande razão pela qual as anomalias de temperatura são tão elevadas sobre o Oceano Ártico nesta época do ano. Enormes quantidades de calor estão a subir da água para a atmosfera sobre o Oceano Ártico, aquecendo o ar sobre a água. Quanto mais quente o mar, menos gelo se formará. Quanto mais fraco o gelo, mais rachaduras e locais onde o calor é transferido para a atmosfera.

A água do Oceano Ártico está a ficar mais quente, em comparação com anos anteriores, enquanto a Corrente do Golfo aquece. Ao referir toda a extensão do Golfo do México ao Oceano Ártico, esta corrente é muitas vezes referida como a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico Norte (AMOC na sigla em inglês). A direção do fluxo da AMOC é determinada por duas forças, que são, o fluxo de água quente do equador para norte, e o fluxo para leste devido à força de Coriolis. O resultado é água quente salgada transportada pela AMOC nas camadas superiores do Atlântico em direção a nordeste, para o Oceano Ártico. Eventualmente, a água afunda e flui de volta como água mais fria pelas profundezas do Atlântico. Como a imagem da NOAA em baixo mostra, a quantidade de calor que tem sido carregado pela AMOC em direção ao Oceano Árctico tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

Transporte de carlor pela AMOC no Atlantico

As temperaturas globais do oceano estão a aumentar, como discutido em publicações como Calor do Oceano e Subida da Temperatura. Como resultado, mais calor está agora a ser levado em direção ao Oceano Ártico. A Corrente do Golfo ao largo da costa da América do Norte está a aquecer fortemente e está a empurrar mais calor em direção ao Oceano Ártico, em comparação com anos anteriores. O resultado é ilustrado pela imagem abaixo, mostrando enormes anomalias da temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico perto de Svalbard, apesar da tampa fria no Atlântico Norte, indicando que o calor continua a viajar por baixo da tampa de água doce fria até ao Oceano Ártico.

Anomalias das Temperaturas no Ártico

Tais anomalias da temperatura de superfície do mar elevadas não são incomuns no Oceano Ártico nos dias de hoje. A imagem abaixo mostra que, a 24 de Janeiro de 2016, a temperatura de superfície do mar foi de 12,3°C ou 54,2°F num local perto de Svalbard, marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C ou 18.7°F.

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar no Ártico - Jan 2016

Água agora muito mais quente ao largo da costa da América do Norte

A água ao largo da costa leste da América do Norte está muito mais quente do que costumava estar devido a emissões que se estendem desde a América do Norte sobre o Oceano Atlântico devido à força de Coriolis. A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra níveis de dióxido de carbono tão elevados quanto 511 ppm sobre New York a 5 de Novembro de 2015, e tão elevados quanto 500 ppm sobre a água ao largo da costa de New Jersey a 2 de Novembro de 2015.

Niveis de CO2 na América do Norte e Atlantico

A imagem abaixo mostra níveis de monóxido de carbono. O monóxido de carbono esgota a hidroxila, tornando mais difícil para o metano ser oxidado. Assim, novamente, o metano parece ser um fator importante.

Níveis de monóxido de carbono

Essas emissões aquecem a Corrente do Golfo e fazem com que água cada vez mais quente seja levada por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico.

Tampa de água doce fria no Atlântico Norte

Finalmente, a tampa de água doce fria no Atlântico Norte faz com que uma menor transferência de calor ocorra do oceano para a atmosfera. Esta tampa de água doce fria faz com que mais calor esteja a fluir em direção ao Oceano Ártico, logo abaixo da superfície do mar do Atlântico Norte.

velocidade do gelo do mar e deriva

Esta tampa de água doce fria está a espalhar-se sobre o Atlântico Norte por uma série de razões:

    • mais derretimento dos glaciares na Gronelândia, em Svalbard e no norte do Canadá;
    • mais gelo do mar à deriva no Oceano Atlântico devido aos ventos fortes. Tempestades movem-se para cima no Atlântico de uma forma circular, acelerando a deriva do gelo do mar ao longo das bordas da Gronelândia, como ilustra este vídeo e imagem da Naval Research Lab à direita;
    • uma maior evaporação ao largo da costa leste da América do Norte, com a humidade a ser transportada por ventos mais fortes para o nordeste, resultando em mais precipitação sobre a água e, portanto, mais água doce a ser acrescentada ao Atlântico Norte, como ilustrado na imagem abaixo.

    Tampa de água doceno Atlanticodp degelo e precipitação

    Como a imagem acima também ilustra, esta tampa de água doce fria no Atlântico Norte também poderia resultar em mais calor a ser levado para o Oceano Ártico, devido à transferência de calor reduzida para a atmosfera a partir de água no seu caminho para o Oceano Ártico.

    temperaturas no ártico, ampa de água doce e precipitação no atlantico

    A imagem acima ilustra como as temperaturas mais elevadas ao longo do Ártico (painel superior) podem ir de mãos dadas com a tampa de água doce fria sobre o Atlântico Norte (segundo painel), com elevadas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa leste da América do Norte (terceiro painel) e com maior precipitação sobre esta tampa de água doce fria (painel inferior).

    A imagem abaixo indica que a tampa de água doce fria no Atlântico Norte também anda de mãos dadas com a queda dos níveis de salinidade.

    A tampa de água doce no Atlantico e queda dos níveis de salinidade

    A precipitação sobre o Atlântico Norte está a aumentar, devido aos ventos fortes e tempestades ali, como discutido em publicações anteriores como esta e como ilustrado pelas imagens abaixo. Ventos mais fortes, tempestades com elevados níveis de precipitação e ondas mais altas podem todos contribuir para que a tampa de água doce fria se espalhe ainda mais por todo o Atlântico Norte.

    Ondas de17 metros ao largo das ilhas britânicas

    A imagem acima mostra que ondas tão altas quanto 17,81m ou 58,4 pés foram registadas no Atlântico Norte a 1 de Fevereiro de 2016, e tão elevadas quanto 17,31m ou 56,8 pés a 08 de Fevereiro de 2016.

    Ondas de 17 metros ao largo das ilhas britânicas

    Conclusão

    Em conclusão, o perigo é que cada vez mais calor vá chegar ao Oceano Ártico. Isso resultará em maior derretimento do gelo do mar, num ciclo de realimentação de auto-reforço que faz com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico (em vez de ser refletida de volta ao espaço, como antes).

    A 11 de fevereiro, 2016, o gelo marinho do Ártico teve – para esta época do ano – a menor extensão desde que os registos por satélite começaram em 1979, como ilustrado na imagem abaixo.

    Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo

    O maior perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão escapar abruptamente do fundo do mar do Oceano Ártico, elevando dramaticamente as temperaturas sobre o Ártico e provocando cada vez mais erupções de metano, resultando numa escalada rápida para um aquecimento fugidio.

    A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

    Traduzido do original Methane’s Role in the Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Fevereiro de 2016.

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    CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

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Disrupção das correntes e temperaturas do oceano, por Paul Beckwith numa atualização sobre Alterações Climáticas
Paul Beckwith

Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas

Sugerimos a leitura de “Disrupção do Oceano pelas Alterações Climáticas Abruptas” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 

As correntes e temperaturas da superfície do oceano não estão a comportar-se como normalmente. As alterações climáticas abruptas que estão a decorrer presentemente estão a alterar as propriedades do oceano.

Neste curto vídeo, Paul Beckwith, do Laboratório para a Paleoclimatologia na Universidade de Ottawa, explica o mecanismo através do qual um El Ninõ muito forte está a afetar as temperaturas e correntes do oceano no Pacífico e no Atlântico, e a ter um impacto nas alterações climáticas. A Corrente do Golfo está a levar águas muito quentes para o Ártico, acelerando o degelo na Gronelândia e no gelo marinho do Ártico, o que resulta numa mancha ou bolha de água muito fria a descer no Atlântico em direção à Europa. A diferença de temperatura onde estas águas se cruzam pode ser de mais de 10°C, piorando condições climatéricas como ventos e ondulação, acelerando a formação de ciclones e furacões como se tem visto ao largo das ilhas britânicas.



Traduzido do original Ocean Disruption from Abrupt Climate Change de Paul Beckwith, publicado no seu website http://paulbeckwith.net/, a 7 de Fevereiro de 2016.

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