Citação de Stephen Hawking sobre mudança climática, degelo e hidratos de metano no aquecimento global
Robertscribbler

Energias Renováveis ​​estão a Ganhar a Corrida Contra os Combustíveis Fósseis… Mas Não Rápido o Suficiente

“Temos que reverter o aquecimento global com urgência, se ainda pudermos.”

– Stephen Hawking

“O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem mal, mas por causa daqueles que olham para ele sem fazer nada.”

– Albert Einstein.

*****

Quer o percebamos quer não, fomos arrastados para uma corrida. Uma corrida contra o tempo para reduzir rapidamente as emissões de carbono, a fim de evitar a rampa de danos climáticos a caminho de uma quinta extinção por efeito de estufa. Pois a queima atual de combustíveis fósseis e as práticas contínuas de despejo de carbono na atmosfera a uma taxa de 13 bilhões de toneladas por ano é um insulto ao sistema climático global que provavelmente nunca foi visto antes em toda a história profunda do planeta Terra. E quanto mais rápido reduzirmos essas emissões a zero e a um líquido negativo, melhor.

Na parte inicial da corrida, há um fator que pode trazer o maior benefício geral – a taxa de adesão ás energias renováveis. Pois aumentar as energias renováveis a uma taxa elevada remove quota futura de mercado aos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que reduz as emissões, traz eficiências e enfraquece as receitas fósseis da indústria de combustível. Uma tal mudança sistémica enfraquece o poder económico e político das entidades destrutivas que têm, durante décadas, tentado trancar no sistema volumes cada vez maiores de emissões prejudiciais ao clima. E quando as ER começam a superar não apenas quotas do mercado futuro mas também mercados atuais de combustíveis fósseis, essa perda de poder e influência acelera.

Citação de Stephen Hawking sobre mudança climática, degelo e hidratos de metano no aquecimento global

Uma vez que os combustíveis fósseis começam a perder o controle sobre os sistemas políticos por todo o mundo, torna-se mais fácil de implementar outras políticas baseadas no consumo, como um imposto sobre o carbono ou outros desincentivos a um uso muito desperdiçador de recursos no topo do espectro económico por todo o mundo. Um renascimento energético deste tipo não é uma solução perfeita. Não pode deter todos os danos climáticos que vêm pelo cano a baixo. Mas sim que atinge fortemente o centro de gravidade de uma base de poder económico global corrupta e prejudicial que, se lhe deixassem, garantiria os piores efeitos de uma extinção por efeito de estufa num tempo muito curto – destruindo inevitavelmente a civilização humana e infligindo um ecocídio global no processo. Diminui o poder e o alcance dos atores mauzões do carbono. E abre caminhos para uma rampa de políticas de mitigação das alterações climáticas e de resposta mais poderosas no futuro.

Neste contexto de uma vontade de puxar o tapete de debaixo dos atores mauzões do carbono, parece que as taxas de adesão das ER estão a começar a atingir um nível que faz com uma tal mudança de poder político e económico seja possível.

Energia Renovável Adiciona Quase 150 GW em 2015, Apesar dos Preços Baixos de Combustíveis Fósseis e Políticas Contrárias em Alguns Países

Durante 2015, de acordo com um novo relatório pela REN21, a energia renovável adicionou 147 Gigawatts à capacidade total de geração mundial de eletricidade para atingir os 1.849 Gigawatts. Este grande salto veio mesmo quando os preços dos combustíveis fósseis caíram, as políticas adversas à adesão de energias renováveis dominaram em lugares como a Austrália e o Reino Unido, e o suporte global por subsídio aos combustíveis fósseis permaneceu a um nível quatro vezes maior do que o apoio governamental às energias renováveis. Fatores que mostram uma falta de compromisso séria para com a segurança da civilização humana, que levam a um crescimento mais lento da capacidade global de Energias Renováveis no intervalo de cerca de três por cento ao ano para todo o setor.

Christine Lins, Secretária Executiva da REN21, observou na Clean Technica que as os ganhos das energias renováveis ​ contra esta maré foram significativos e impressionantes:

“O que é verdadeiramente notável quanto a estes resultados é que eles foram alcançados numa altura em que os preços dos combustíveis fósseis estavam em mínimos históricos, e as energias renováveis ​​mantiveram-se numa desvantagem significativa em termos de subsídios governamentais. Para cada dólar gasto impulsionar as energias renováveis, quase quatro dólares foram gastos para manter a nossa dependência dos combustíveis fósseis.”

Taxas de crescimento de energia solar e eólica foram particularmente fortes. Ambas as tecnologias beneficiaram de preços que ganharam à geração de energia por gás, carvão e diesel num número crescente de mercados. A energia solar acrescentou 50 gigawatts (GW) de nova capacidade em 2015 — o que é um salto impressionante de 40 por cento sobre o valor adicionado em 2014. Quase que igualou o salto da energia eólica de 63 gigawatts — um aumento de cerca de 14 por cento sobre as adições de 2014 pela energia eólica. No total, a capacidade solar global é agora de 277 GW e a do vento de 433 GW.

Quota de energias renováveis no mercado global de produção energética

(As energias renováveis continuaram a ganhar terreno face às fontes de energia tradicionais, em 2015. A energia eólica e a energia solar juntas representam agora cerca de 5 por cento da geração mundial de eletricidade com a geração total por energias renováveis agora perto de 23,7 por cento. Fonte da imagem: Relatório de Status Global das Energias Renováveis​).

Como parte da geração mundial de eletricidade, as energias renováveis ​​cresceram cerca de 1 por cento de ano para ano entre 2014 e 2015 – saltando de 22,8 por cento para 23,7 por cento. Uma taxa de crescimento que superou o carvão e o gás em muitos mercados. Entretanto, o número de pessoas que estão agora empregadas no sector das energias renováveis ​​a nível global expandiu para 8,1 milhões.

99,2 Por Cento de todos os Novos Crescimentos na Potência Elétrica Norte-Americana Vieram de Fontes Renováveis ​Durante o Primeiro Trimestre de 2016

Seguindo para 2016, os EUA viram uns impressionantes 99,2 por cento de todas as adições de electricidade virem de fontes renováveis ​​durante o primeiro trimestre. Adicionando no geral cerca de 2,1 gigawatts de nova capacidade, dominada por energia eólica e solar.

O maior contribuinte para esses ganhos foi a energia solar residencial, que instalou 900 megawatts de nova capacidade. A queda dos custos dos clientes no mercado residencial estimulou esses ganhos até porque os incentivos estaduais e federais forneceram uma perspetiva ensolarada para aqueles que deram o mergulho solar do telhado. O arrendamento solar foi responsável por cerca de 60 por cento da nova capacidade. Mas uns saudáveis 40 por cento vieram de compras diretas. Taxas de compras solares têm beneficiado de acesso fácil a crédito e de um ambiente de política positiva em muitos estados (embora exceções como Nevada colocaram um peso na taxa nacional de adesão).

Porcentagem de energias reováveis na nova capacidade de geração de energia eléctrica nos Estados Unidos

Nova Capacidade de Geração de Energia Eléctrica nos Estados Unidos (1º Trimestre 2016) | Outros tipos de energia solar, eólica, solar à escala de companhia, biomassa, hídrica, gás natural, geotermal, calor de detritos, nuclear, carvão, petróleo, outros.

(Uns impressionantes 99,2 por cento de toda a nova capacidade de produção de electricidade veio de fontes renováveis ​​durante o 1º trimestre de 2016. Se formos sábios, trabalharemos para assegurar que toda a nova energia vem de fontes sem carbono daqui em diante. Fonte da imagem: Renewables — 99 Percent of New Electricity Capacity in the US During Q1.)

Estes acrescentos residenciais substanciais marcaram uma tendência contínua na qual permitem mais e mais aos proprietários individuais a escolha entre energia da companhia, contratos de aluguer solar, e propriedade individual de produção de energia. Uma nova liberdade que proporciona resiliência ao crescimento das energias renováveis por todos os EUA, desde que as políticas adversárias não sejam promulgadas (como vimos em Nevada, com as táticas violentas no processo político por Warren Buffet, numa tentativa de proteger o legado das explorações de carvão e gás ).

Entretanto, o vento adicionou 707 megawatts de nova potência e a utilidade de energia solar adicionou 522 megawatts. O gás, que manteve preços de combustível quase historicamente baixos, apenas acrescentou 18 megawatts. Juntos, esta imagem mostra que a resistência, com base na preocupação pelas alterações climáticas, a nova infra-estrutura de combustíveis fósseis tem-se combinado com a queda dos preços das renováveis ​​para empurrar a maioria das utilidades a optarem sair das novas infra-estruturas baseadas em carbono. Tendências maiores, como o plano de energia limpa de Obama, a Cimeira do Clima de Paris e as campanhas vigorosas de desinvestimento em combustível fóssil, anti-oleoduto, e anti-carvão lançadas pela 350.org e a Sierra Club, servem como um poderoso moral nas costas das ​​crescentes economias de energias renováveis. Uma combinação de ações governamentais e ONGs que gerou agora um nível decente de execução para a redução da dependência de combustíveis nocivos.

Taxa de adesão às energias renováveis nos Estados Unidos por sector

(Grandes adesões a renováveis ​​ultrapassaram o gás natural ano a ano enquanto o carvão viu grandes cortes. No geral, o uso da eletricidade dos EUA também esteve baixo. Fonte da imagem: Renewables — 99 Percent of New Electricity Capacity in the US During Q1.)

As diferenças de ano para ano na geração de energia desde o 1º trimestre de 2015 ao 1º trimestre de 2016 pintam um quadro bastante brilhante para aquilo que parece ser uma transição energética em curso nos Estados Unidos. A utilização de carvão em geral caiu 7,3 por cento para 28,6 por cento do total dos EUA. As energias renováveis ​​deram um salto de quase 3 por cento para 17,1 por cento do total dos EUA – ocupando quase metade da perda que vem do carvão. A maior parte do ganho em energias renováveis veio de energia eólica e solar, as quais saltaram de 5,2 para 7,2 por cento do total dos EUA. Em mais de 1 milhão de telhados e incluindo uma parte crescente da utilidade de geração de energia, a energia solar ultrapassou pela primeira vez o 1 por cento da geração de eletricidade dos Estados Unidos – um limite que muitos vêem como um ponto de inflexão para taxas de adesão em rampa . A geração de energia pela água adicionou cerca de outro 1 por cento. E arredondando as fontes de energia de não-carbono, a energia nuclear adicionou 1,2 por cento para aumentar para 20,9 por cento do total dos EUA (embora a adição de geração de energia nuclear tenha sido menor do que tanto a eólica como a solar, o seu total líquido afigurou-se favoravelmente ao longo de um período em que, em geral, o consumo de energia dos EUA caiu).

Conduzidos por quedas no uso líquido de carvão e petróleo num total combinado de 94.000 gigawatts hora, a geração de eletricidade dos EUA caiu mais de 50.000 gigawatt/hora – uma queda de quase 5 por cento. Isto dá continuação a uma tendência maior de abrandamento da procura de electricidade nos EUA — uma que tem sido impulsionada em parte pelo aumento de eficiência em toda a cadeia de energia elétrica. E o único sistema de energia baseada em combustíveis fósseis que mostrou ganhos de ano em ano foi o gás natural — que acrescentou um pouco mais de 19.000 gigawatt-hora. Um total que ficou atrás da adesão às renováveis ​​em cerca de 3.000 gigawatts-hora.

A tendência em os EUA é, portanto, surpreendentemente clara. Apesar dos preços historicamente baixos de carvão e gás, as energias renováveis ​​e a eficiência energética são agora a força dominante num mercado de eletricidade dos Estados Unidos que atualmente parece estar a fazer movimentos sólidos no sair de fontes de energia tradicionais à base de combustíveis fósseis.

Tendências Positivas, mas Ainda Demasiado Lentas

Para ser claro, estas são tendências muito positivas. Numa comparação entre o 1º trimestre de 2015 com o 1º trimestre de 2016, o uso de combustíveis fósseis para geração de energia nos Estados Unidos caiu de cerca de 67 por cento para 62 por cento. Mas 62 por cento ainda é uma maioria da base de produção de energia eléctrica dos EUA. E com a mudança climática já a chegar a extremos perigosos, o objetivo aqui devia ser o de empurrar a queima de combustíveis fósseis para electricidade nos EUA aléḿ do nível de 50 por cento e em direção a 0 por cento o mais rapidamente possível. Assim, para os EUA, que mostrou claramente uma liderança global no corte de combustíveis à base de carbono ao longo do último ano, ainda há um longo caminho pela frente. E o mundo, mesmo no contexto mais positivo de geração de eletricidade, ficou atrás da taxa de adesão a energia renovável pelos EUA em cerca de 50 por cento, enquanto o uso líquido de energia está a crescer (não a encolher).

No ponto em que estamos, a utilização de energia eléctrica não é todo o consumo de energia. E numa perspectiva global, adicionando o transporte, a energia renovável só conseguiu ganhar uma fatia adicional de 0,1 por cento do bolo global de energia (aumentando para 19,2 por cento). Este atraso deveu-se em grande parte ao crescente uso de petróleo nos transportes — que beneficiou de preços mais baixos. E embora o salto na demanda global de petróleo não tenha sido tanto quanto algumas partes interessadas nos combustíveis fósseis esperavam, conseguiu evitar um maior ganho líquido global no total de energia renovável global.

Preço energético nivelado comparando diferentes fontes de energia

(A queda dos preços LCOE das energias eólica e solar combinaram-se com a preocupação global quanto à mudança climática causada pelos humanos no empurrar das taxas de adoção de energia renovável, que sobem em rampa. Uma segunda onda de maior acesso ao mercado será necessariamente impulsionada pelos esforços políticos renovados juntamente com a queda dos preços de armazenamento de energia e uma invasão de nova produção de veículos elétricos chegando entre 2017 e 2022. Fonte da imagem: Commons).

Perspectivando o futuro, o mundo irá precisar de adicionar na faixa de 250 a 350 gigawatts de energia renovável por ano enquanto adotando rapidamente os veículos elétricos e as tecnologias de armazenamento de energia relacionadas, de modo a fornecer taxas anuais de aumentos das quotas de renováveis em excesso de 2 por cento, enquanto se corta no uso de combustíveis fósseis no setor de transportes. As sinergias entre os aumentos na produção de veículos elétricos e queda dos custos de baterias proporcionam um caminho para esta próxima fase de expansão de energia renovável. Pois os veículos eléctricos em garagens (EVs) podem atuar como dispositivos de armazenamento de energia com o software adequado, redes inteligentes, e comercialização de energia organizada. Enquanto isso, as baterias EV antigas podem ser readaptadas para dispositivos de armazenamento de energia de baixo custo em casas, empresas e nas utilidades, as quais podem ajudar na penetração de renováveis na rede de energia.

Os interesses especiais na indústria de combustíveis fósseis são susceptíveis de lutar contra esta fase de crescimento de energia renovável com tudo o que têm. Mas, até agora, eles praticamente não conseguiram tirar o renascimento das energias renováveis ​​na sua infância. Agora, enquanto se move para a adolescência, os riscos são maiores e o jogo é provável que fique ainda mais duro. Mas parece que, apesar de toda a oposição por parte de vários atores mauzões dos combustíveis fósseis, esse renascimento da energia crítico está no processo de se instalar. E dado o facto de que uma mudança climática causada pelo homem muito perigosa está a aumentar muito mais rapidamente do que o esperado, o impulso de construção de uma transição de energia não poderia acontecer cedo o suficiente.

Traduzido do original Renewables are Winning the Race Against Fossil Fuels — But Not Fast Enough, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Junho de 2016.

Anúncios
Standard
Paul Beckwith

Acordo de Paris Não Consegue Evitar Alterações Climáticas Devastadoras, Académicos Avisam

Acordo da COP21 não evita devastação da mudança climática
Um grave e contundente artigo do The Independent, no qual estou materialmente mencionado: COP21: Acordo de Paris é fraco demais para evitar a mudança climática devastadora, académicos advertem. Começa assim (aqui está uma parte; clique no link para o artigo completo. A nossa carta ao jornal, contudo, encontra-se na íntegra, mais abaixo na página):
———-

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que elas querem ouvir e ignorar o resto”.

O Acordo de Paris para travar o aquecimento global tem, na verdade, constituído um grande revés para a luta contra as alterações climáticas, académicos especialistas avisam.

O acordo pode ter sido apregoado por líderes mundiais mas é demasiado fraco para ajudar a impedir o dano devastador para a Terra, alegam.

Numa carta conjunta ao The Independent, alguns dos principais cientistas do clima do mundo lançaram um duro ataque ao acordo, alertando que oferece “falsa esperança”, que poderia, em última instância, provar ser contraproducente na batalha para travar o aquecimento global.

A carta, que carrega onze assinaturas incluindo os professores Peter Wadhams e Stephen Salter, das universidades de Cambridge e Edimburgo, adverte que o Acordo de Paris é perigosamente inadequado.

Por causa do fracasso de Paris, os académicos dizem que a única chance do mundo de se salvar do aquecimento global desenfreado é um impulso gigante em direção a tecnologias de geo-engenharia controversas e amplamente não testadas que procuram esfriar o planeta através da manipulação do sistema climático da Terra. …

“Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto . O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontravam logo abaixo do seu verniz de sucesso,” os académicos escreveram na carta, …assinada por … Professor Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo enquanto deixando os estilos de vida e aspirações inalterados. A solução que propõe não é chegar a acordo sobre um mecanismo urgente que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo.”

… Mas eles dizem que as ações acordadas são demasiado fracas para se chegar nem próximo desse alvo. Além disso, os compromissos que os países fizeram para cortarem nas suas emissões de carbono não são suficientemente vinculativos para garantir que sejam cumpridos, enquanto que o Acordo de Paris não vai forçá-los a se “ajustarem” tão frequentemente quanto for necessário.

Mais preocupante ainda, dizem eles, é a falta de ação dramática imediata que se acordou para combater o aquecimento global. O Acordo de Paris só entra em vigor em 2020 – ponto no qual enormes quantidades de CO2 adicional terão sido bombeadas para a atmosfera. Os signatários afirmam que isto torna quase impossível limitar o aquecimento global a 2C, muito menos 1.5C.

“O coração do Acordo de Paris estava no lugar certo, mas o conteúdo é pior do que inepto. Foi um verdadeiro triunfo para a diplomacia internacional e envia uma forte mensagem de que os céticos perderam o caso e que a ciência está correta quanto às alterações climáticas. O resto é pouco mais do que paródia e arrisca limitar-se ao fracasso “, disse o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, que não assinou a carta mas concorda com o seu argumento.

Peter Wadhams, professor de física do oceano na Universidade de Cambridge e um dos signatários da carta, disse que as perspectivas para conter o aquecimento global consequentes ao Acordo de Paris, são agora tão calamitosas que ele defende uma investida em geo-engenharia – o que não é algo que ele recomenda de ânimo leve. “Pesando com tudo o mais, não sou um grande fã de geo-engenharia, mas acho absolutamente necessário, dada a situação em que estamos. É um adesivo pestilento, como solução. Mas você precisa dela porque, olhando para o mundo, ninguém está a mudar instantaneamente o seu padrão de vida”, disse o professor Wadhams.

Bombear grandes quantidades de água pulverizada para as nuvens para torná-las maiores e mais brilhantes para que reflitam a luz solar de volta para a atmosfera – conhecida como Abrilhantamento da Nuvem Marinha – oferece a melhor perspectiva de geo-engenharia, disse ele.

Tecnologias de geo-engenharia – que também consideram colocar espelhos gigantes no espaço ou o branqueamento da superfície do oceano para desviar a radiação solar de volta para o espaço – são controversos por causa dos receios de que sejam tecnicamente exigentes, seriam extremamente caros, para além de que interferir com o sistema climático poderia ter consequências inesperadas prejudiciais para o planeta.

A carta

Os festejos ocos de sucesso no final do Acordo de Paris provaram mais uma vez que as pessoas vão ouvir o que eles querem ouvir e ignorar o resto. O que as pessoas queriam ouvir era que um acordo havia sido alcançado quanto às alterações climáticas que iria salvar o mundo, deixando os estilos de vida e aspirações inalterados.

O que eles desconsideraram foram as falhas mortais que se encontram mesmo por abaixo do seu verniz de sucesso. Logo na terceira página do projecto de acordo está o reconhecimento de que a sua meta de CO2 não vai manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus Celsius, o nível que já havia sido definido como o limite seguro crítico. A solução que se propõe não é chegar a acordo quanto a um mecanismo de urgência que garanta cortes imediatos nas emissões, mas chutar a lata pela estrada abaixo, ao comprometerem-se a calcular um novo orçamento de carbono para um aumento da temperatura de 1,5 graus, que poderá ser falado em 2020.

Dado que não podemos concordar quanto aos modelos climáticos ou o orçamento de CO2 para manter o aumento da temperatura a 2°C, então somos ingénuos ao pensar que vamos concordar quanto a uma meta muito mais difícil em cinco anos, quando, com toda a probabilidade, o aumento exponencialmente dos níveis atmosféricos de CO2 dizem-nos que vai ser tarde demais.

Mais preocupante, essas metas inadequadas exigem que a humanidade faça muito mais do que cortar nas emissões com um programa de tecnologia renovável glorioso que ultrapassará qualquer outro esforço humano do passado. Elas também requerem que o carbono seja sugado do ar. O método preferido é eliminar a indústria de combustíveis fósseis pela competição através do fornecimento de biomassa às centrais térmicas. Isso envolve um crescimento rápido das árvores e plantas, mais rápido do que a natureza alguma fez em solo que não temos, depois queimá-la em estações de energia que irão capturar e comprimir o CO2 usando uma infra-estrutura que não temos e com tecnologia que não irá funcionar na escala que precisamos e, finalmente, armazená-lo em lugares que não podemos encontrar. Para se manter a agenda com boas notícias, tudo isto foi omitido do acordo.

O rugido das tempestades globais devastadoras já afogou os falsos festejos de Paris e colocou brutalmente em foco a extensão da nossa incapacidade para lidar com a mudança climática. A triste verdade é que as coisas vão ficar muito piores. O excesso de calor do planeta está agora a derreter a capa de gelo do Ártico como uma faca quente na manteiga e está a fazê-lo a meio do Inverno. A menos que seja travado, este aquecimento do Ártico vai levar a uma rápida libertação dos hidratos de metano do fundo do mar do Ártico e anunciar a próxima fase de mudança climática catastrófica intensa à qual a nossa civilização não vai sobreviver.

O tempo para a opinião esperançosa e otimismo cego que tem caracterizado o debate sobre as alterações climáticas acabou. O tempo para factos duros e decisões é agora. As nossas costas estão contra a parede e agora temos que iniciar o processo de preparação para geo-engenharia. Temos que fazer isso no conhecimento de que as suas chances de sucesso são pequenas e os riscos de implementação são grandes.

Temos de olhar para o espectro completo de geoengenharia. Isto irá cobrir iniciativas que aumentem o sequestro de carbono por restauração de florestas tropicais até à fertilização dos oceanos. Irá estender-se a técnicas de gestão de radiação solar, como o branqueamento artificial de nuvens e, in extremis, replicar os aerossóis de atividade vulcânica. Vai ter que ter em conta para quais áreas nos focamos seletivamente, como as regiões do Ártico que emitem metano, e quais áreas devemos evitar.

Os elevados riscos políticos e ambientais associados a isto têm que ser esclarecidos para que nunca seja usado como alternativa a fazer-se os cortes de carbono que são urgentemente necessários. O reconhecimento destes riscos deve ser usado ​​para desafiar a narrativa de opinião esperançosa que infestou as conversações sobre as alterações climáticas ao longo dos últimos vinte e um anos, e que atingiu o seu apogeu com o acordo COP21. No vácuo internacional presente quanto a esta questão, é imperativo que o nosso governo toma uma iniciativa.

Assinado por

Professor Paul Beckwith, Universidade de Ottawa
Professor Stephen Salter – Universidade de Edimburgo
Professor Peter Wadhams – Universidade de Cambridge
Professor James Kennett, da Universidade da Califórnia.
Dr Hugh Hunt – Universidade de Cambridge
Dr. Alan Gadian – Cientista Sénior, Centro da Nação para as Ciências Atmosféricas da Universidade de Leeds
Dr. Mayer Hillman – Membro Sénior Emérito do Instituto de Estudos Políticos
Dr. John Latham – Universidade de Manchester
Aubrey Meyer – Diretor, Global Commons Institute.
John Nissen – Presidente do Grupo de Emergência para o Metano no Ártico
Kevin Lister – Autor de “O Vortex da Violência e por que estamos a perder a guerra contra as alterações climáticas

Traduzido do original COP21 Deal Cannot Prevent Devastating Climate Change, Academics warn, publicado por Paul Beckwith em http://paulbeckwith.net/.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Como a Mudança Climática Pode Conectar a Humanidade

em http://focoempatico.net

Gelo do Mar do Ártico no Recorde Mais Baixo para Janeiro

em https://alteracoesclimaticas…


Standard