relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

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Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

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O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

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O impacto e os custos da mudança climática
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Mudança Climática: Façam as Contas

O uso dos combustíveis fósseis custa-nos muito mais do que o seu abandono. Vidas perdidas, custos de saúde, destruição ambiental, e 5 vezes mais dinheiro.

Conteúdo traduzido do vídeo Climate Change DO THE MATH pela Scientia Productions em 2012.

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Mudança Climática FAZ AS CONTAS!

Se as imagens daqueles fogos intensos de verão não o convenceram, ou as secas recorde, ou o tamanho da sua conta de AC este verão, aqui estão alguns números duros sobre as alterações climáticas. Mais de 40.000 recordes de temperatura foram estabelecidos em 2012 nos EUA. Maio de 2012, foi o 327º mês consecutivo, em que a temperatura de todo o globo excedeu a média do séc. XX. Quais são as probabilidades de isto acontecer? 1 em 4? 1 em 40? 1 em 400? 1 em 4000? Adicione mais 95 zeros. 1 em um número consideravelmente maior do que o número de estrelas no universo.
O gelo marítimo do Ártico derreteu até um valor mínimo recorde em 2012. Os oceanos de hoje estão 33% mais acídos. O ácido carbónico, da queima de combustíveis fósseis, está a dissolver as conchas e ossos da vida nos mares. A atmosfera sobre os oceanos está a uns chocantes 5% mais húmida, preparando o terreno para tempestades devastadoras. O furacão Sandy tornou isso claro… com uma vingança. Tempestades em esteróides de gases de efeitos de estufa continuarão a ficar piores. O Sandy devastou 5 ilhas caribenhas, Nova Iorque, Nova Jersey, muito do Noroeste americano e várias províncias canadianas. Mais de 170 mortes e milhares de milhões em perdas. Agora, para se perceber o aquecimento global, só precisamos de perceber alguns números.
O Primeiro Número: 2º Celsius A conferência do clima de Copenhaga falhou espectacularmente. Os grandes emissores – China e Estados Unidos – fizeram poucas concessões. Entre o caos, o presidente Obama assumiu a liderança na elaboração de um acordo de Copenhaga salvador, que enganou muito poucos. Copenhaga é um local de crime esta noite, disse um representante zangado da Greenpeace. Com os homens e mulheres culpados a escaparem para o aeroporto. Mas o acordo continha sim um número importante: 2ºC. Copenhaga reconheceu oficialmente a perspetiva científica de que o aumento da temperatura global deveria ser inferior a 2ºC. E todos concordaram que eram necessários grandes cortes nas emissões globais. Até agora, já aumentámos a temperatura média do planeta quase 0,8ºC. Mas isso causou bem mais danos do que aqueles que os cientistas esperavam. Thomas Lovejoy: “Se estamos a assisitir ao que se está a passar hoje aos 0,8 ºC, dois graus é simplesmente demasiado.” Alice Bows: “2ºC representa o limiar entre alterações climáticas perigosas e extremamente perigosas.” James Hansen: “Dois graus de aquecimento é na verdade uma prescrição para um desastre de longo prazo.” Não mais do que 2 graus. Este é o ponto crucial. O Segundo Número: 565 Gigatoneladas O segundo número que temos de perceber é 565 gigatoneladas. Os cientistas estimam que podemos pôr mais cerca de 565 gigatoneladas de CO2 na atmosfera. e ainda termos uma esperança razoável de ficarmos abaixo de 2 graus de aquecimento. Contudo, as emissões de carbono continuam a crescer ao ritmo de cerca de 3% ao ano. A este ritmo, vamos estoirar o nosso plafond de 565 gigatoneladas, em apenas 16 anos.
O Terceiro Número: 2795 Gigatoneladas O terceiro número é 2795 gigatoneladas. A quantidade de carbono contida nas reservas comprovadas de carvão, petróleo e gás. Em suma, o combustível fóssil que estamos atualmente a planear queimar. Este número: 2795; é obviamente superior a 565. É 5 vezes superior. Nós temos 5 vezes mais petróleo, carvão e gás em reserva do que a quantidade que os cientistas do clima pensam que é seguro queimar. Teríamos de manter 80% dessas reservas intocadas no solo para evitar uma catástrofe climática. Agora, podemos ter uma folha de balanço de combustíveis fósseis saudável. Ou, podemos ter um planeta relativamente saudável. Mas agora que conhecemos os números, não podemos ter os dois. Então, podemos corrigir isto? Podemos. Como avançamos? Um Novo Número: 1%
Aqui está um novo número: 1%. A “Análise Global da Universidade de Cambridge – a Economia das Alterações Climáticas” disse que o custo de mitigar o aquecimento global é de 1% do PIB global. Criar a infraestrutura e a capacidade para reduzir as emissões e aumentar a eficiência custará cerca de 790$ mil milhões por ano. Isto é alcançável? Bem, vamos ver as despesas para o desenvolvimento de combustíveis fósseis. Planos para o oleoduto norte-americano: 11$. Expansão da Shell no Canadá e no Qatar: 25$. Desenvolvimentos no Ártico da Shell: 40$. Investimentos de grandes empresas russas: 54$. Novas refinarias de petróleo na Nigéria e em Alberta: 10$. Desenvolvimento da Chevron no Mar do Norte, Congo e Venezuela: 10$. Compra de reservas, investimentos e planos de exploração: 155$. Mas isto não é tudo. A Agência Internacional de Energia e as Nações Unidas dizem que os subsídios de combustíveis fósseis de 2008 foram entre 500$ e 700$ mil milhões. Em 2012, o Natural Resources Defense Fund disse que os subsídios globais para combustíveis fósseis foram de 775$ mil milhões. O relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática, publicado em setembro de 2012, diz que os custos das mudanças climáticas anuais são de 1,2$ biliões. 1200$ mil milhões, na sua maior parte em países menos desenvolvidos. A Agência Internacional de Energia estima que os países importadores de petróleo gastarão 2$ biliões, em petróleo, em 2012, e em 2013, e 2014, e 2015. Então, vamos fazer as contas. 4280$ mil milhões – o custo de se continuar a queimar petróleo; divididos por 790$ mil milhões – o custo de se converter o mundo para energia renovável; é igual a 5,5 vezes. Agora, o que quer isto dizer? Quer dizer que o custo global do petróleo é mais de 5 vezes o custo de o abandonar. E nem falámos dos custos do carvão. Nem falámos dos custos escondidos dos combustíveis fósseis. A Academia Nacional de Ciências dos EUA estimou que doenças devidas à poluição por combustíveis fósseis custam ao sistema de saúde dos EUA 120$ mil milhões por ano. Os EUA são apenas cerca de 4% da população global. Então quais são os custos de saúde a nível global? 500$ mil milhões? 750$ mil milhões? Mais. A Munich Re, uma resseguradora de topo, relaciona o rápido crescimento de catástrofes climáticas extremas norte-americanas com alterações climáticas provocadas pelo uso de combustíveis fósseis.
As catástrofes com base no clima na América do Norte aumentaram, de uma média de 50 por ano, no início da década de 1980, para mais de 200, depois de 2005. Não podemos suportar tão enorme perda de vidas e propriedade. Os custos das catástrofes estão a subir a cada ano, na América do Norte e por todo o mundo. Há um outro número no relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática. 400.000 As alterações climáticas contribuem para a morte de cerca de 400.000 pessoas todos os anos. 400.000 pessoas… todos os anos.
Então, agora já fizemos as contas. O que fazemos a seguir? O uso dos combustíveis fósseis custa-nos muito mais do que o seu abandono. Vidas perdidas… custos de saúde… destruição ambiental… e dinheiro. O nosso dinheiro. Mais de 5 vezes mais dinheiro. Nós podemos progredir. Nós podemos prevenir a catástrofe climática. Temos de deixar os combustíveis fósseis, a começar agora.Recolher Transcrição[/expand]

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Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite
Robertscribbler

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas



Cercados pelo fogo da negação, o incêndio de Fort McMurray atinge Anzac e desliga 640.000 barris por dia na produção das areias betuminosas

Uma simples questão de facto, um facto que muitos que investiram numa indústria de petróleo destrutiva não querem enfrentam agora, é que um fogo cuja extrema intensidade para tão cedo na temporada foi impulsionada pela mudança climática causada pelo homem, está agora a fazer o que o Canadá não fazia. Ele está a encerrar a produção de petróleo nas areias betuminosas – um dos combustíveis mais elevados em carbono no planeta Terra.

Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas

(Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas, como previsto por execuções de modelos computorizados, estão ilustrados no mapa acima. De acordo com um relatório na WeatherUnderground – “Um grande aumento em incêndios em grande parte do mundo é esperado à medida que avançamos através deste século. Usando modelos de incêndio conduzidos pelos resultados de dezasseis modelos climáticos utilizados no relatório do IPCC de 2007, os pesquisadores descobriram que 38% do planeta deve ver um aumento na atividade de incêndios [devido à mudança climática] durante os próximos 30 anos. Este número aumenta para 62% lá pelo final do século“. Fonte da imagem: Mudanças Climáticas e Disrupções na Atividade Global de Incêndios).

Existem outros factos que precisam igualmente de ser encarados. Um deles é o fato de que os moradores de Fort McMurray tiveram as suas vidas postas em risco por um novo tipo de fogo que é agora muito mais provável de ocorrer. Um tipo de evento que tenderá a emergir com uma frequência e intensidade crescente. Um que está a aumentar o risco de danos para aqueles que vivem em todo o Canadá, em todo o Ártico e em grande parte do mundo.

É uma verdade difícil de enfrentar. Uma que muitos políticos canadianos, que confrontam a impossível tarefa de equilibrar as demandas de interesses económicos à base de petróleo com a muito clara necessidade de mitigar a mudança climática, estão a ter dificuldade em enfrentar. Mas uma que tem que ser seriamente observada e não ignorada por qualquer pessoa preocupada com a segurança dos que vivem em Fort McMurray ou em qualquer outro lugar. Pois a menos que os gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, como as areias betuminosas, parem de atingir a nossa atmosfera, então este tipo de eventos só vão continuar a piorar.

Nós já estamos a começar a ver terríveis eventos de incêndios do tipo que nunca antes experimentámos a emergirem no Ártico e em seções do norte da América do Norte. E com o mundo agora 1 C mais quente que as médias de 1880, grandes incêndios no Ártico são agora dez vezes mais prováveis ​​de ocorrer. No Alasca – uma região que partilha as tendências do clima com o Canadá – a duração da época de incêndios cresceu em 40 por cento desde 1950.

Em todo o mundo, a história é a mesma. O aquecimento da nossa atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis está a aumentar a frequência e intensidade de incêndios. Um ponto no qual até mesmo as projeções conservadoras do IPCC têm vindo a tentar impressionar os decisores políticos desde o início de 1990 (ver gráfico acima). E, numa parte significativa, esse perigo crescente tem recebido contribuição dos combustíveis de areias betuminosas que a indústria de energia de Fort McMurray foi projetada para extrair.

Aumento na Frequência de incêndios no Ártico ao longo dos anos

(Um estudo realizado pela Climate Central no ano passado descobriu que o aquecimento no Alasca resultou num prolongamento da época de incêndios em 40 por cento e que o ritmo de geração de grandes incêndios havia aumentado em dez vezes [x10]. É importante notar que o clima e as folhagens em Alberta, Colúmbia Britânica, e nos Territórios do Noroeste são muito semelhantes aos do Alasca. E o aumentando da intensidade e frequência dos incêndios devido ao aquecimento no Alasca também está igualmente a impactar o regime de incêndios canadiano. Fonte da imagem: The Age of Alaskan Wildfires.)

Apesar das escolhas políticas arriscadas e prejudiciais conduzidas pela indústria de combustíveis fósseis no Canadá, não devíamos ficar indiferentes à perda e deslocamento que muitos na zona de produção de areias betuminosas estão agora a passar. É uma tragédia. Puro e simples. Milhares de pessoas perderam as suas casas e meios de subsistência. Mas não devemos deixar-nos cegar quanto à realidade da situação simplesmente devido ao facto de ser uma comunidade de petróleo, desta vez, quem está a sofrer as devastações das condições climáticas extremas. Pois milhares de canadianos estão agora a juntar-se a um conjunto cada vez maior de refugiados da mudança climática. Vítimas e, alguns deles, contribuintes de a uma catástrofe nascida da húbris e cegueira de uma indústria do petróleo. Um evento que foca uma luz sobre os riscos contínuos e crescentes colocados pela extração de areias de alcatrão e sobre a vulnerabilidade dos fundamentos económicos desse combustível prejudicial para as forças climáticas que está agora a começar a soltar.

Fogo em Rápida Expansão Força Aeroporto e a Comunidade Anzac, a 31 Milhas de Distância de Fort McMurray, a Evacuar

Pirocúmulo no incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá

(Pirocúmulo – uma nuvem de tempestade formando-se a partir da corrente ascendente de calor de um fogo intenso. Uma palavra que vai começar a entrar em uso comum à medida que as alterações climáticas forçadas pelos humanos tornam os incêndios poderosos cada vez mais comuns. Aqui vemos uma pirocúmulo maciça a aproximar-se de Anzac e do Aeroporto de Fort McMurray na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed de Sean Amato).

Ontem, enquanto bombeiros correram para proteger o centro da cidade de Fort McMurray e arredores a norte, um grande incêndio ferveu e cresceu sitiando-se na cidade. Retido no seu progresso rumo ao norte em bairros ao longo do rio Athabasca, em direção à área infértil de extração de areias betuminosas, e para a estação de tratamento das águas por esforços do combate ao incêndio, o fogo inchou enquanto recuava. Virando-se para o sul e leste, começou a invadir o aeroporto da cidade e até mesmo uma de suas ramificações explodiu em direção ao subúrbio bem povoado de Anzac, 30 milhas a sul.

Lá, um centro de operações de emergência tinha acabado de se instalar após ter sido forçado a sair da sua localização na cidade quando uma chuva de brasas expulsa da nuvem pirocúmulo iminente sobre a cidade lhe colocava um tecto ardente. O novo centro de operações estava bem longe do caminho do incêndio previsto para ir em direção ao norte. E os oficiais tinham alguma razão para acreditar que o centro recém-movido seria seguro. Um centro de evacuação a sul – abrigando centenas de pessoas agora desabrigadas pelo fogo – foi também montado na área.

Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo

(Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed Emily Metrz).

Na quarta-feira à tarde, o aeroporto, a comunidade de Anzac, o centro de operações de emergência recém-movido, e o centro de evacuação, todos caíram sob a sombra de um pirocúmulo a inchar. Uma grande tempestade de fumo, cinzas e brasas ardentes levantada pelo calor do fogo por baixo. Todos nesta área foram forçados a evacuar (um bom número deles pela segunda vez em dois dias) enquanto a enorme nuvem crescia e os fogos avançavam.

Quando a noite caiu, o fumo envolvia o aeroporto – tapando-o de vista. E muitos bombeiros já sabiam que a comunidade de Anzac estaria perdida. Sean Amato twittou esta mensagem quarta-feira enquanto o fogo avançava – “Bombeiro [diz]:” Anzac está f **dida. Não podemos lutar contra isso. Não temos bombardeiros. Saiam agora.”

Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite

(Mapa térmico de incêndio fornecido pela NASA na quinta-feira revela a extensão extraordinária dos fogos e cicatrizes a 4 de Maio – abrangendo cerca de 10.000 hectares. A 5 de Maio, esta zona tinha ampliado vastamente para 85.000 hectares. Fonte da imagem: Observatório da Terra da NASA).

Na quinta-feira, uma enorme área que se estende desde o aeroporto até Anzac tinha sido abandonada ao fogo. Adicionando grandemente aos 10.000 hectares, o enorme incêndio foi estimado ter queimado, ao meio-dia de quarta-feira, pela expansão do fogo em mais de 8 vezes, para 85.000 hectares – uma área de seis vezes o tamanho de San Francisco ou mais de 300 milhas quadradas.

Produção das Areias Betuminosas Detida

A este ponto, os incêndios haviam deslocado tantos trabalhadores e aleijado tanta infra-estrutura que a produção das areias betuminosas na região acabou por parar. Na quinta-feira manhã cedo, mais de 640.000 barris por dia do petróleo sintético e climatologicamente volátil haviam parado. Representando mais de 16 por cento da produção de petróleo bruto do Canadá, os cortes forçados pelo incêndio foram significativos o suficiente para impulsionar os preços do petróleo nos mercados globais tão alto quanto 46 dólares por barril nas negociações de hoje cedo. Mais encerramentos de produção eram prováveis em outros grandes extratores de areias betuminosas numa luta nos cortes o fluxo do petróleo já que o incêndio de Fort McMurray se tornou cada vez menos previsível. Perto de Anzac, a extensão para sul dos incêndios ameaçava uma instalação de produção de areias betuminosas Conoco Philips de 30.000 barris por dia na região de Surmont – forçando uma paragem na produção e a evacuação de todos os trabalhadores das areias betuminosas.

Incêndio em Fort McMurray aproxima-se das areias betuminosas

(A imagem do satélite LANCE-MODIS do incêndio de Fort McMurray na quinta-feira, 5 de Maio, mostra o fogo a expandir-se em direção às instalações de extração de areias betuminosas. Para referência, as operações de areias betuminosas são os poços de minas claramente visíveis como áreas carecas castanhas na imagem acima. A maior parte de Fort McMurray está coberta pela pluma de fumo. O bordo inferior da imagem são 60 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

No final da tarde de quinta-feira, a passagem do satélite MODIS revelou um grande incêndio cuja extensão norte parece ter atingido entre 3 a 5 quilómetros dentro da parte mais a sul das instalações de areias betuminosas. A borda ocidental do incêndio de Fort McMurray expande-se apresentando uma frente de 10 a 15 quilómetros aproximando-se para norte e oeste. As bordas sul e leste do incêndio permanecem obscurecidas pelo que é agora uma grande nuvem de fumo. Uma que é provavelmente agora visível nos céus de estados do norte e centro dos EUA.

Uma Longa Batalha Pela Frente enquanto as Temperaturas estão Previstas para Permanecerem Muito Mais Quentes do que o Normal

Uma mudança do vento para norte, juntamente com o afluxo de temperaturas mais baixas na quinta-feira pode ajudar os bombeiros a ganharem algum progresso. As condições sobre Fort McMurray hoje estavam nublado com ventos de 10 a 15 mph de noroeste e temperaturas em torno de 64 (F). Contudo, pouca ou nenhuma chuva caiu sobre a área já que uma frente passou esta manhã. Enquanto isso, espera-se uma subida das leituras do termómetro a meio dos 80 [26C] de novo no sábado, com condições muito secas a tomarem conta.

Nesta altura, é apenas Maio – não Julho, quando tais condições meteorológicas extremas de incêndios normalmente seriam possíveis. As temperaturas médias para Fort McMurray tendem para os 50 e muitos ou 60 e poucos nesta época do ano. Então, até as leituras de hoje de 64 F são mais quentes do que o habitual, com previsão de escalada das temperaturas para 20-25 F acima da média novamente no sábado. Dada esta tendência, e dado o facto de que ela vai ficar ainda mais quente e seco nos próximos meses, parece que Fort McMurray – uma cidade nas garras das consequências climáticas difíceis que ajudou a criar – tem garantida uma longa e dura luta.

Traduzido do original
Besieged by the Fires of Denial — Fort McMurray Blaze Grows to Overwhelm Anzac, Shuts off 640,000 Barrels per Day of Tar Sands Production
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Maio de 2016.

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Robertscribbler

Os 2 C Aproximam-se Mais Depressa do que Temíamos – Picos de Metano Atmosférico de 3096 Partes por Bilião

É essencial que os políticos comecem a considerar seriamente a possibilidade de um feedback substancial de carbono da permafrost no aquecimento global. Se não o fizerem, suspeito que em pouco tempo vamos todos estar a olhar para o limite de 2°C pelo espelho retrovisor.

Robert Max Holmes

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Desvendar o puzzle do aquecimento global é simples à primeira vista, mas complexo assim que se esgravata a superfície.

Sabemos que a queima de combustíveis fósseis, a atividade de mineração de carvão, o fracking para o gás, e a perfuração de petróleo, resultam todos em emissões de gases com efeito de estufa perigosos. Sabemos que a grande maioria destes gases de aquecimento de estufa são provenientes de fontes de combustíveis fósseis. Sabemos que, agora, a queima, a mineração, o fracking e a perfuração têm empurrado o CO2 atmosférico acima de 405 partes por milhão e a concentração global de todos os gases equivalentes a CO2 a umas surpreendentes 485 partes por milhão de CO2e (níveis não vistos em pelo menos 15 milhões de anos ). E sabemos que o calor re-irradiado por esses gases aqueceu o mundo em cerca de 1 C acima dos níveis de 1880 – forçando os padrões climáticos a mudarem, os mares a subirem, a saúde do oceano a declinar, e a desencadear uma onda de mortes em massa no mundo animal enquanto aumentando o risco a curto prazo de fome, propagação de doenças tropicais, e deslocamentos em massa no mundo humano.

Forçamento Radiativo

(O calor adicionado à atmosfera terrestre por gases emitidos pelos combustíveis fósseis como CO2 e Metano é medido em watts por metro quadrado. Um critério conhecido como forçamento radiativo [RF]. No gráfico acima, pelo IPCC, podemos ver os níveis estimados de forçamento radiativo de cada gás com efeito de estufa e o forçamento total líquido de calor pelos humanos sobre a atmosfera da Terra desde 2011. É uma medida que poderá precisar de começar a adicionar também o RF de gases com efeito de estufa de feedback à medida que o século 21 avança. Fonte da imagem: RealClimate).

Sabemos muitos dos nomes desses outros gases – metano, óxido nitroso e clorofluorocarbonetos. E alguns dos outros – como o hexafluoreto de enxofre – que muitos de nós ainda não ouvimos falar. Mas o grande nome, o agente de aquecimento primário, é o dióxido de carbono – por si próprio responsável, atualmente, pela maioria do forçamento de calor global. Um gás tão importante para o aquecimento a longo prazo que a NASA o chamou de ‘o termostato que controla a temperatura da Terra.’

Tudo isto é bastante simples e direto. Mas é quando começamos a olhar para o que são chamados de feedbacks amplificadores [NT: mecanismos de auto-reforço positivo] – as respostas da Sensibilidade do Sistema Terrestre ao aquecimento forçado por humanos – que as coisas começam a ficar mesmo perigosas. E embrulhado na equação de Sensibilidade do Sistema Terrestre está o metano – um gás de efeito estufa com a capacidade de influenciar fortemente as temperaturas globais em prazos bastante curtos.

Picos de Metano de Mais de 3.000 Partes por Bilhão

A 20 de Fevereiro, durante cerca de 12 horas, a medição NOAA METOP registou um grande pico de metano atmosférico alcançando 3.096 partes por bilhão a 20.000 pés de altitude. Esta foi a primeira vez que qualquer medição havia registado um pico de metano tão elevado e a primeira vez que qualquer medição havia ultrapassado o limiar das 3.000 partes por bilhão. Para contexto, há apenas dois anos atrás, um pico de metano alcançando as 2.660 partes por bilhão teria sido significante. Agora, estamos a obter leituras de picos que são 400 partes por bilhão superiores ao limite máximo anterior.

Niveis de metano pelo METOP - fevereiro 2016

(O METOP mostrou um pico recorde de 3.096 partes por bilhão de metano atmosférico a 20 de Fevereiro de 2016. Até agora, este foi o maior aumento deste género já registado nas medições da NOAA. Um que excedeu de longe a média atmosférica global de cerca de 1.830 partes por bilhão. Fonte da imagem: NOAA / METOP).

É um sinal muito agourento – especialmente quando se considera o facto de que as médias de metano atmosférico globais estão na faixa de 1830 partes por bilhão. O grande aumento recente foi mais elevado em cerca de 1170 partes por bilhão. Por outras palavras – algo muito extraordinário. É prova de que as fontes de metano do mundo estão a ficar mais vigorosas nas suas emissões. E quando se considera o facto de que o metano – numa comparação molécula por molécula com CO2 – retém cerca de 80 vezes mais calor numa escala de tempo de décadas, grandes adições de metano no topo de um forçamento por CO2 já perigoso é certamente motivo de alguma preocupação. Uma questão que pode acelerar ainda mais o já rápido ritmo de aquecimento forçado pelos humanos de tal modo que ficamos em risco de atingir os limiares de 1,5 C e 2 C, mais cedo do que o esperado. Resultados que devíamos estar urgentemente a trabalhar para evitar – cortando as emissões de base humana tão rapidamente quanto possível no tempo.

Os Suspeitos do Costume – Atividade Baseada em Combustível Fóssil

Talvez ainda mais preocupante seja o facto de que realmente não sabemos exatamente de onde este pico significativo de metano está a vir.

Temos, contudo, uma longa lista de suspeitos do costume. O primeiro, é claro, seria a partir de um qualquer número de fontes muito grandes e perigosas de emissões de combustíveis fósseis. A China, com suas minas maciças de carvão que arrotam metano, infra-estruturas de gás, e instalações de queima de carvão sujo, seria o principal suspeito. A Mongólia, onde instalações de carvão e gás, que alastram igualmente, operam, é outro ponto quente provável. A Rússia – com os seus vastos campos de petróleo e gás com fugas. O Médio Oriente – que está engasgado com infra-estrutura de combustíveis fósseis. A Europa – onde muitos dos oleodutos da Rússia terminam e onde muitas nações queimam um carvão castanho de elevado metano. E os Estados Unidos – onde a prática geologicamente destrutiva do fracking tem agora também recentemente aumentado grandemente as emissões de metano.

Suspeitos Não Usuais – Permafrost e Clatratos Aquecidos pelas Emissões de Combustíveis Fósseis

Olhando para a resolução muito baixa do gráfico METOP acima, encontramos uma série de pontos quentes de metano por todo o mundo. E muitos desses pontos quentes coincidem com a nossa lista de suspeitos do costume. Mas outros estão bem fora da faixa que normalmente seria de esperar. Lá bem em cima no norte, sobre a tundra e o Oceano Ártico, onde já existem algumas instalações grandes de queima de combustíveis fósseis ou de extração. Lá, um pouco ironicamente, grandes pilhas de permafrost, que se espalham ao longo de milhões de milhas quadradas e por vezes tão espessas quanto duas milhas, estão a descongelar devido ao forçamento de calor pelos gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis, muitas vezes acontecendo a centenas ou milhares de milhas de distância. Esta permafrost a descongelar está preenchida com material orgânico. E quando libertado da sua prisão de gelo, fica exposta aos elementos e micróbios do mundo. Estas forças, em seguida, começam a trabalhar, tornando o carbono orgânico nessa permafrost em dióxido de carbono e metano.

Isto é bastante má notícia. No total, mais de 1.300 bilhões de toneladas de carbono estão trancadas em solos da permafrost. E as emissões de carbono de permafrost fazem um já mau forçamento de calor proveniente da queima de combustíveis fósseis ainda pior.

Níveis de metano em Barrow, Alasca

(Os níveis de metano atmosférico tal como registados por várias estações de relatórios e monitores globais têm vindo a aumentar mais rapidamente nos últimos anos. No Ártico, as leituras atmosféricas têm tendido a manter-se acima da média global – uma indicação de que as emissões locais estão a gerar uma sobrecarga para a região. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Como se todas as emissões humanas e as potenciais emissões da permafrost não fossem já suficientemente más, temos mais uma grande fonte de carbono no Ártico a considerar – hidratos de metano. Uma potencial fonte de libertação de metano controversa, certamente. Mas uma muito grande, que seria negligente ignorarmos. Devido ao facto de que o Ártico se manteve, em geral, muito frio nos últimos 3 milhões de anos de longas eras glaciares e breves interglaciais, este reservatório maciço de carbono tem tido oportunidade de se acumular nas águas relativamente rasas, que agora aquecem rapidamente, do oceano Ártico, e até sob grandes secções da permafrost que agora descongela. Muito deste carbono está sob a forma congelada de gelo-metano, chamado hidrato. E à medida que o Oceano Ártico aquece e o gelo do mar recua para expor oceano azul ao aquecimento dos raios do sol pela primeira vez em centenas de milhares de anos, há uma preocupação entre alguns cientistas de que uma quantidade não insignificante desse metano congelado submerso irá libertar-se , passar os limites da interface oceano-atmosfera ou da permafrost que descongela, e adicionar mais forçamento de calor à atmosfera global. O mar raso da Plataforma Continental da Sibéria foi identificado por alguns como contendo tanto quanto 500 bilhões de toneladas de carbono na forma de metano congelado. E um aquecimento da Terra alimentado a combustíveis fósseis poderá estar agora mesmo a arriscar erupções, a um nível de um feedback amplificador, a partir deste grande reservatório de clatratos juntamente com uma série de outros reservatórios muito grandes espalhados por toda a bacia do Oceano Ártico e em todo o sistema oceânico global.

Uma Imagem Mais Clara? Ou Uma Muito Mais Complexa?

Então qual, de entre os vários suspeitos – usuais e incomuns – pode ser responsável pelo pico recorde de metano que aparece agora na medição da METOP?

Antes de tentarmos responder a esta pergunta, vamos puxar outro gráfico de metano – este do Observatório Copernicus:

Leituras Globais de Metano por Copernicus

(O gráfico de metano de Copenicus de 25 de fevereiro, que faz o rastreamento das leituras de metano à superfície, dá-nos uma indicação de maior resolução das leituras de metano à superfície do que a medida NOAA METOP. Esta segunda medição proporciona alguma confirmação de um sobrecarregamento de metano no Ártico, mesmo quando fontes de picos de emissões humanas se tornam mais evidentes. Picos ominosos também vêm aparentemente de incêndios florestais nos trópicos e de regiões no Ártico perto de Yamal, Rússia, Escandinávia do Norte, e os mares Barents e Kara. Fonte da imagem: O Observatório Copernicus).

Aqui podemos ver a variação nas leituras de metano de superfície de acordo com a Copernicus. Uma imagem de maior resolução que pode oferecer uma melhor ideia da localização do ponto-fonte dos picos diários globais de metano. Aqui vemos que as principais fontes de metano são predominantemente a China, Rússia, Médio Oriente, Europa, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Incêndios em África e na Amazônia, e, por fim, o Ártico.

Embora a medição Copernicus não mostre o mesmo nível de sobrecarrega no Ártico como aquele que tende a aparecer na medição METOP, é uma confirmação de que algo no ambiente perto do Ártico está a gerar picos locais acima das 1940 partes por bilhão para grandes regiões desta zona sensível.

A medição pelo Copernicus, como mencionado acima, também mostra que os picos humanos são bastante intensos, mantendo-se como a fonte dominante de emissões de metano globalmente, apesar de uma contínua sobrecarga perturbadora no Ártico. Picos em África, na Amazónia, e Indonésia também indicam que as florestas em declínio e os incêndios relacionados nestas zonas tropicais estão também, provavelmente, a proporcionar um feedback amplificador às emissões humanas em geral.

Dados os picos deste mês e a disposição geral das leituras de metano de superfície ao redor do mundo, parece que a grande emissão de metano de base humana está a ser reforçada por feedbacks das emissões locais de reservas de carbono tanto nos trópicos como no Ártico. Este sinal de reforço, embora um pouco menor do que o sinal relacionado com os combustíveis fósseis em algumas medições, é preocupante e sugere que o aviso de Robert Max Holmes no iníco deste post pode ser por demais relevante. Pois os feedbacks do Sistema Terra às enormes e irresponsáveis emissões de combustíveis fósseis ​​parecem já estar a começar a complicar a nossa imagem de uma Terra em aquecimento.

Links:

CO2: O Termostato que Controla a Temperatura da Terra

Pico Ominoso de Metano no Ártico Continua

Pico de Metano Enorme Vindo de Fracking nos EUA

Libertação de Metano da Permafrost Pode Desencadear Aquecimento Global Perigoso

Preocupação com a Libertação Catastrófica de Metano

A4R Rastreamento Global de Metano

O Observatório Copernicus

NOAA ESRL

RealClimate

NOAA / METOP

Gorjeta para Griffin

Traduzido do original 2 C Coming On Faster Than We Feared — Atmospheric Methane Spikes to Record 3096 Parts Per Billion, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 26 de Fevereiro de 2016.

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