Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.
Robertscribbler

Com as Temperaturas a Chegar aos 1,2ºC mais Quente do que o Pré-Industrial, a Seca Agora Abrange Todo o Globo

Jeff Goodell, um autor americano e editor na Rolling Stone, é conhecido por dizer o seguinte: “assim que começarmos deliberadamente a brincar com o clima, podemos inadvertidamente alterar os padrões de chuva (os modelos climáticos mostram que a Amazónia é particularmente vulnerável), causando o colapso de ecossistemas, seca, fome e mais.”

Estamos em processo de testar essa teoria. No caso da seca, que costumava ser apenas um assunto regional mas que agora se tornou global, Goodell parece ter acertado na mouche.

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De acordo com um relatório recente da Organização Meteorológica Mundial, a Terra está a caminho de atingir 1,2 graus Celsius mais quente do que as temperaturas pré-industriais durante 2016. Da subida do nível do mar, ao derretimento do gelo polar, a condições meteorológicas extremas, a um número crescente de pessoas deslocadas, este salto de temperatura está a criar impactos cada vez piores. Entre os mais vívidos destes está a extensão atual da seca global.

A Seca Global de Quatro Anos

Durante os anos de El Niño, as condições de seca tendem a expandir-se através de várias regiões à medida que as superfícies oceânicas aquecem. Entre 2015 e 2016, o mundo experienciou um poderoso El Niño. No entanto, apesar da influência observada deste aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, uma seca global amplamente extensa remonta a 2013 e até antes.

Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.

O Global Drought Monitor revela que condições secas têm sido predominantes durante grande parte do globo ao longo dos últimos quatro anos. Em algumas regiões, como na área do rio Colorado, a seca já se prolonga há mais de uma década. Fonte da imagem: SPEI Global Drought Monitor.

Na imagem acima, vemos défices de humidade do solo ao longo dos últimos 48 meses. O que encontramos é que grandes seções de praticamente todos os principais continentes estão a passar por, pelo menos, uma seca de quatro anos. As condições de seca foram previstas intensificarem-se, por modelos climáticos, nas latitudes médias à medida que o mundo aquecia. Parece que este é já o caso, mas a zona Equatorial e as latitudes mais altas também estão a experienciar seca generalizada. Se existe um padrão detetável nas condições atuais, é que poucas regiões têm evitado a seca. A seca é tão abrangente que é praticamente global na sua extensão.

Impactos Severos Generalizados

Estas condições de seca têm impactos notórios.

Só na Califórnia, mais de 102 milhões de árvores morreram devido ao aumento das temperaturas e uma seca que já dura desde 2010. Desses, 62 milhões já morreram só este ano. O relacionamento da seca com a mortalidade das árvores é bastante simples — quanto mais a seca durar, mais árvores perecerão à medida que as reservas de água nas raízes são usadas. A Califórnia perdeu, até agora, 2,5 por cento das suas árvores vivas devido ao que é agora o pior caso de mortalidade de árvores na história do estado.

Stress da vegetação às alterações climáticas

Não é apenas a Califórnia. Numerosas regiões por todo o mundo mostram plantas a passarem por condições ameaçadoras que colocam a sua vida em risco. No mapa acima, a saúde vegetativa é mostrada como estando sob stress, desde moderado [amarelo], a severo [rosa], em amplas regiões do mundo. Fonte da imagem: Global Drought Information System.

A seca californiana é apenas um aspecto de uma seca maior que abrange grande parte do Oeste norte-americano. Para a área do Rio Colorado, isto inclui uma seca de 16 anos que tem colocado o Lago Mead nos seus níveis mais baixos jamais registados. Com o racionamento iminente dos abastecimentos de água do rio, a menos que uma pausa milagrosa na seca surja de repente, os estados estão em sobressalto para descobrir como gerir uma escassez que se agrava. Enquanto isso, relatórios indicam que cidades como Phoenix irão exigir ação executiva por parte do presidente para garantir o abastecimento de água para milhões de residentes ao longo dos próximos anos, caso as condições não melhorem.

Mais a leste, a seca tem estado intermitente no centro e sul dos EUA. No sudeste, uma seca relâmpago recentemente ajudou a impulsionar uma onda fora-de-época de incêndios florestais sobre a região de Smoky Mountain. Ontem, em Gaitlinburg, Tennessee, chamas furiosas alimentados por ventos diante de uma frente fria obrigaram 14.000 pessoas a evacuar, danificaram ou destruíram 100 casas e ceifaram três vidas.

Incêndios resultam de seca severa Sibéria Julho 2016

Incêndios na Sibéria ativos a 23 de julho de 2016, ocorreram num contexto de seca severa. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Nas latitudes setentrionais superiores, a principal consequência da seca também tem sido incêndios florestais. Os incêndios florestais são frequentemente atiçados por calor e seca em regiões densamente florestadas com níveis de humidade do solo reduzidos. O degelo do permafrost e os níveis reduzidos de cobertura de neve agravam a situação, reduzindo ainda mais o armazenamento de humidade em regiões secas e adicionando combustíveis tipo turfa para os incêndios.

Do Alasca ao Canadá até à Sibéria, este tem sido cada vez mais o caso. No ano passado, o Alasca experienciou uma das suas piores épocas de incêndios florestais de que há registo. Este ano, tanto o calor como a seca contribuíram para os intensos incêndios na região de Fort McMurray, no Canadá. E nos últimos anos, incêndios florestais alastrando-se por uma Sibéria tremendamente seca têm sido tão extremos que satélites em órbita, a um milhão de milhas de distância, puderam detetar as plumas de fumo.

Seca e incêndios florestais no ou perto do Ártico parecem justificadamente estranhos, mas quando se considera o facto de que muitos modelos climáticos haviam previsto que as latitudes setentrionais elevadas seriam uma das poucas grandes regiões a experienciar aumentos na precipitação, essa estranheza torna-se ameaçadora. Se a atual tendência de seca generalizada no Ártico for representativa, então o aquecimento apresenta um problema de seca de Equador a Pólo.

Um lago Baikal a minguar — que se alimenta de água que flui da chuva e neve da Sibéria Central — comporta um testamento sombrio de uma seca em expansão sobre a Rússia central e do norte. O lago Baikal, o mais profundo e antigo lago do mundo, está ameaçado pela secagem relacionada com as alterações climáticas das terras que drenam para si. Em 2015, os níveis de água no Baikal atingiram níveis recorde de baixa, e ao longo dos últimos anos, incêndios em redor do lago têm crescentemente colocado em perigo as comunidades locais e a vida selvagem.

Para o sul e oeste, a província de Gansu na China foi colocada sob um alerta de seca de nível 4 este verão passado. Aí, grandes faixas de culturas foram perdidas; 500 milhões de dólares em danos no acumulados. O governo chinês apressou ajuda a 6,2 milhões de moradores afetados, transportando água potável por camião para regiões que ficaram desprovidas de abastecimentos locais.

Seca na Índia em 2016

Lagos e leitos de rios secaram por toda a Índia neste ano, tendo a monção sido adiada pelo terceiro ano consecutivo. Fonte da imagem: India Water Portal

A Índia este ano experimentou uma escassez de água semelhante, mas muito mais generalizada. Em abril, 330 milhões de pessoas na Índia experienciaram pressões hídricas. Comboios de reabastecimento de água viajaram através do campo, entregando garrafas de líquido potável a moradores que tinham perdido o acesso. O retorno da monção da Índia forneceu algum alívio, mas a seca na Índia e nas terras altas do Tibete continua, com glaciares a encolher expostos ao ar quente.

África tem visto recentemente várias crises alimentares surgirem, à medida que incêndios vão assolando através das suas florestas equatoriais. Pressões para seres humanos, plantas e animais devido à secura, escassez de água e alimentos, e incêndios têm sido notoriamente severos. Mais recentemente neste ano, 36 milhões de pessoas em toda a África enfrentaram fome devido aos impactos relacionados com a seca. Mais recentemente, a África do Sul foi forçada a reduzir manadas de hipopótamos e búfalos devido à continuação da seca de vários anos lá.

Mais para norte, na Europa, também encontramos condições de seca generalizada e em expansão. Esta situação não é inesperada para o Sul da Europa, onde os modelos climáticos globais mostram incursões de climas desérticos do outro lado do Mediterrâneo. Mas como com o norte da Rússia e América do Norte, a Europa do Norte também está experienciar seca. Estas secas por toda a Europa ajudaram a desencadear graves incêndios em Portugal e Espanha no verão, numa altura em que se prevê a queda da produção de milho para a região.

Seca e incêndios na Amazónia do Peru

Em novembro, a seca propiciou incêndios que despontaram ao longo da zona fronteiriça da floresta amazónica no Perú. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Finalmente, regressando às Américas, vemos condições de seca generalizada cobrindo grande parte do Brasil e da Colômbia, diminuindo ao longo da Cordilheira dos Andes, pelo Perú, Bolívia, Chile e Argentina. Em seções da cada vez mais desbastada e acossada pelo fogo floresta da Amazónia, e atualmente atingindo o nordeste do Brasil, as condições de seca duram agora desde há cinco anos. Lá, metade das cidades da região enfrentam racionamento de água e mais de 20 milhões de pessoas estão agora a ser confrontadas com stress hídrico. De setembro a novembro de 2015, mais de 40.000 hectares de floresta amazónica devastada pela seca arderam no Peru. Enquanto isso, a Bolívia viu o seu segundo maior lago secar e glaciares críticos para o abastecimento de água derreter, levando centenas de milhares de pessoas a ficar numa situação de racionamento de água.

Impactos na Comida

A seca e condições meteorológicas extremas em curso criaram impactos locais para o abastecimento de alimentos em várias regiões. No entanto, estes impactos ainda não afetaram seriamente os mercados globais de alimentos. A seca no Brasil e na Índia, por exemplo, tem impactado significativamente a produção de açúcar, o que por sua vez está causar um aumento dos preços globais dos alimentos. A produção de cereais foi um pouco menor, o que também está a causar preços mais elevados, embora não os grandes saltos que vemos no açúcar. Mas o Índice da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) para outubro de 2016 (173 aproximadamente), sendo 9 por cento superior ao valor do ano passado para esta época do ano, ainda está bastante longe do valor 229 de pico que ocorreu em 2011, e que contribuiu para tanta agitação em todo o globo.

Subida de preços dos alimentos em 2016

O aumento dos preços dos alimentos durante 2016, face a preços relativamente baixos de energia e desafios significativos relacionados com o clima para os agricultores, é causa para preocupação. Fonte da imagem: FAO

Dito isto, com preços da energia a cair para valores comparativamente baixos, preços de alimentos relativamente altos (e crescentes) são causas para preocupação. Tradicionalmente, a queda dos preços da energia também reduzem os preços dos alimentos, pois os custos de produção são menores, mas parece que estes ganhos pelos agricultores estão a ser compensados ​​por vários impactos ambientais e climáticos. Além disso, embora muito difundida, a seca parece ter até agora evitado grandes regiões produtoras de cereais, como o centro dos EUA, e o centro e leste da Ásia. Assim, o quadro global de alimentos, se não inteiramente rosado, não está tão mau quanto poderia ser.

Condições em Contexto — Aumento da evaporação, Derretimento dos Glaciares, Menos Cobertura de Neve, Zonas Climáticas em Deslocação

Com o mundo agora provavelmente a atingir 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais ao longo dos próximos 15 a 20 anos, as condições gerais de seca provavelmente agravar-se-ão. As maiores taxas de evaporação são uma característica primária do aquecimento, o que significa que mais chuva tem de cair só para acompanhar o ritmo. Além disso, a perda do gelo glaciar em várias cadeias montanhosas e a perda de cobertura de neve em ambientes Árticos e próximos do Ártico, agora mais secos, irão reduzir ainda mais os níveis dos rios e a humidade do solo. O aumento da prevalência de eventos extremos de precipitação em comparação com eventos de chuva estáveis irá colocar ainda mais pressão sobre a vegetação que ajuda a capturar a humidade do solo. Finalmente, as alterações à circulação atmosférica devido à amplificação polar irão combinar-se com um movimento em direção aos pólos das zonas climáticas, levando a uma confusão geral das estações tradicionais de cultivo. Como resultado, tudo que depende de abastecimentos de água constantes e padrões climáticos previsíveis irá enfrentar desafios à medida que o mundo se dirige para um estado de mudança climática mais evidente.


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Traduzido do original
With Temperatures Hitting 1.2 C Hotter than Pre-Industrial, Drought Now Spans the Globe
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 30 de novembro de 2016.

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Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca
Robertscribbler

Alterações Climáticas Deixaram a Bolívia Debilitada pela Seca



Os bolivianos têm de estar preparados para o pior.

Presidente Evo Morales.

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Como muitos países, a Bolívia conta com os seus glaciares e grandes lagos para abastecimento de água durante os tempos rígidos e secos. Mas tendo a Bolívia aquecido como o resto do mundo, estas reservas de água congelada e líquida diminuíram e secaram. O aquecimento tornou o segundo maior lago do país num leito ressequido de solo endurecido. Este calor tornou o maior lago do país numa sombra da sua antiga extensão e profundidade. Forçou os glaciares da Bolívia a recuar completamente até aos cumes das suas montanhas nortenhas — reduzindo o importante glaciar Chacaltaya a nada. Vários reservatórios estão agora completamente secos. E, para centenas de milhares de pessoas, a única fonte de água potável é aquela carregada e entregue por camiões.

Emergência de Seca Declarada para a Bolívia

Depois de décadas de agravamento da seca e após um forte El Niño de 2014-2016, a Bolívia declarou o estado de emergência. 125.000 famílias estão em severo racionamento de água — recebendo abastecimentos apenas uma vez a cada três dias. A alocação de água para essas famílias é apenas o suficiente para beber. Não mais. Centenas de milhares para além deste grupo mais atingido também sofrem de alguma forma de restrição de água. Escolas foram fechadas. Negócios encerrados. 60.000 cabeças de gado pereceram. 149 milhões de dólares em danos já se acumularam. E por todo o país, protestos eclodiram.

A cidade de La Paz, que é a sede do governo da Bolívia e lar de cerca de 800.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), tem os seus três reservatórios quase completamente secos. O reservatório principal de água — Ajuan Kota — está apenas a 1 por cento da sua capacidade. Dois reservatórios menores estão a apenas 8 por cento.

Seca extrema na Bolívia devido às alterações climáticas.

Durante o ano passado, a seca na Bolívia tornou-se extrema — levando a declarações de emergência e resultando em racionamento de água. É o mais recente período seco severo de muitos a afetar o Estado ao longo das últimas décadas. O presidente Morales declarou que as alterações climáticas são a causa. E a ciência, em grande parte, concorda com ele. Fonte da imagem: The Global Drought Monitor.

Na vizinha El Alto, uma cidade de 650.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), os moradores também estão a sofrer com a escassez de água. A falta dela lá foi causa para agitação — com funcionários das águas brevemente a ficarem reféns de cidadãos desesperados.

Com os camiões de assistência a percorrerem as ruas e os bairros de La Paz e El Alto, o governo estabeleceu um gabinete de água de emergência. Planos para a construção um sistema mais resiliente já foram elaborados. E governos e empresas estrangeiras já foram solicitadas para dar assistência. Mas o problema maior da Bolívia provém de secas que têm ficado cada vez piores devido às alterações climáticas. E não é claro que a nova infraestrutura para a gestão da água esteja preparada para uma situação em que, cada vez mais, a água é removida na sua totalidade.

Lagos Secos, Glaciares a Minguar

Ao longo dos anos, fatores cada vez piores relacionados com as alterações climáticas tornaram a Bolívia vulnerável a qualquer período seco que esteja por vir. O efeito adicional do aquecimento é que mais chuva tem que cair para compensar o aumento da taxa de evaporação resultante. Enquanto isso, o recuo glacial significa que menos água derrete e flui para rios e lagos durante estes períodos quentes e secos. No final, esta perda de água combinada cria uma situação prevalente de seca para o Estado. E quando um período seco é desencadeado por outras caraterísticas climáticas — como aconteceu com o forte El Niño que ocorreu entre 2014 e 2016, — as secas na Bolívia tornam-se consideravelmente mais intensas.

Desde o final da década de 1980, a Bolívia tem tido problemas durante períodos secos anormais relacionados com as alterações climáticas de origem humana. Com o passar do tempo, estes períodos secos têm infligido uma pressão hídrica crescente no Estado. E apesar dos numerosos esforços por parte da Bolívia, os impactos das secas têm continuado a agravar-se.

Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca

Nesta fotografia da NASA do norte da Bolívia, tirada a 6 de Novembro, 2016, vê-se uma cobertura de neve e gelo nas montanhas muito fina na parte superior ao centro, um lago Titicaca que está agora muito baixo e cheio de bancos de areia no canto superior esquerdo, e um lago Poopo completamente seco na parte central inferior. A Bolívia depende destas três fontes de água. Uma desapareceu, e as outras duas foram fortemente reduzidas. Os cientistas descobriram que o aquecimento global está a derreter os glaciares da Bolívia e aumentou as taxas de evaporação em até 200 por cento perto dos seus principais lagos. Fonte da imagem: LANCE MODIS.

Em 1994, o calor adicionado e a perda de glaciares resultou na seca do segundo maior lago do país — Poopo. O lago recuperou um pouco no final da década de 1990. Mas no início de 2016, um lago que outrora mediu 90 x 32 km nos seus pontos mais distantes, tinha novamente sido reduzido para pouco mais do que um leito rachado repleto de cascos de barcos de pesca abandonados. Os cientistas que estudam a região descobriram que a taxa de evaporação na zona do lago Poopo tinha sido aumentada em 200 por cento pelo aquecimento global.

O maior lago da Bolívia — Titicaca — também está sob ameaça. De 2003 a 2010, o lago foi relatado como tendo perdido 1300 km quadrados de área de água de superfície. Durante 2015 e 2016, a seca perto do Titicaca intensificou-se. Num ato de desespero, o governo da Bolívia alocou 500 milhões de dólares para salvar o lago. Mas, apesar desta ação, o reservatório massivo continuou a encolher. Agora, a parte sul do lago está quase completamente cortada por um banco de areia do norte.

Nas montanhas andinas que fazem fronteira com a Bolívia, as temperaturas têm vindo a aumentar em 0,6 graus Celsius a cada década. Este aquecimento colocou os glaciares do país em completa retirada. Num exemplo, o glaciar Chacaltaya, que fornecia 30 por cento do abastecimento de água de La Paz, tinha desaparecido por completo em 2009. Mas as perdas de glaciares, em geral, têm sido transversais e consideráveis — não restritas somente ao Chacaltaya.

Seca Intensa Agrava-se, Com Mais por Vir

Em dezembro, espera-se que as chuvas voltem e forneçam algum alívio à Bolívia. O El Niño enfraqueceu e 2017 não deve ser tão seco como 2015 ou 2016. No entanto, como muitas regiões do mundo, as terras altas da Bolívia encontram-se num período de seca multianual. E o fator primordial que causa estas secas não é o periódico El Niño, mas a tendência de aquecimento de longo prazo que está a derreter os glaciares da Bolívia e a aumentar as taxas de evaporação em todos os seus lagos.

No contexto, a situação de emergência de seca atual ocorre numa altura em que as temperaturas globais atingem perto de 1,2 graus Celsius mais quente do que as médias da década de 1880. A presente e futura expectada queima de combustíveis fósseis continuará a aquecer a Terra e adicionar ao agravamento do flagelo da seca em lugares como a Bolívia. Assim, esta escassez de água de emergência em particular é provável que seja apenas uma de muitas que estarão por vir. E somente um intenso esforço para reduzir as emissões de combustíveis fósseis pode abrandar substancialmente o agravamento da situação para a Bolívia e inúmeras outras regiões afetadas pela seca em todo o mundo.


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Traduzido do original
Climate Change Has Left Bolivia Crippled by Drought
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 23 de novembro de 2016.

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