Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

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Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada
Robertscribbler

Gelo Marinho do Ártico Pode Não Sobreviver ao Verão

Quase nenhum gelo do mar pelo final da temporada do degelo. O tão temido Evento do Oceano Azul. Algo que parece cada vez mais provável de acontecer durante 2016 a cada dia que passa.

Estes são o tipo de mudanças da fase climática devastadora no Ártico com a qual as pessoas têm vindo a preocupar-se desde que a extensão, área e volume do gelo do mar mergulhou para níveis angustiantes durante 2007 e 2012. Mergulhos que foram muito mais rápidos do que as taxas de derretimento do gelo do mar previstas pelas execuções de modelos computorizados e pelo consenso científico de então quanto a como o gelo do Oceano Ártico iria responder ao aquecimento forçado pelos humanos neste século. Pois durante a primeira década do século 21 a visão científica dominante era que o gelo do mar no Ártico estaria no nível em que está hoje por volta de 2070 ou 2080. E que não contemplaríamos a possibilidade do gelo do mar estar a zero ou perto de zero até ao final deste século.

Mas a incrível capacidade de uma emissão de combustíveis fósseis inconcebível para transformar rapidamente o nosso mundo para o pior parece agora superar aquela ciência cautelosa. Pois durante 2016, o Ártico tem experienciado um ano quente recorde como nunca antes. As temperaturas médias sobre a região têm atingido valores inéditos. Temperaturas que – quando alguém que compreende a natureza sensível do Ártico olha para elas – inspiram sentimentos de deslocamento e descrença. Devido à nossa cobertura de gelo do mar no Ártico ter estado consistentemente em recordes baixos durante todo o inverno, tem vindo a seguir uma curva inclinada de perda de gelo desde Abril, e agora parece ter começado a cair de um precipício. Perdas severas susceptíveis de impactar tanto a Corrente de Jato [Jet Stream] como a formação de condições meteorológicas extremas no Hemisfério Norte durante a Primavera e Verão de 2016.

A Derreter mais de Duas Semanas Mais Rápido do que no início da Década de 2000

Desde 27 de Abril, de acordo com um registo da extensão do gelo do mar fornecido por JAXA, as taxas diárias de perda de gelo do mar têm estado na faixa de 75.000 quilómetros quadrados por cada período de 24 horas. Isso são 300.000 quilómetros quadrados de gelo do mar, ou uma área do tamanho do Novo México, perdida em apenas quatro dias. Só em 2015 é que alguma vez havíamos visto tais taxas similarmente rápidas de perda para esta época do ano.

extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada

(Nunca vimos perdas de gelo do mar no início da temporada como estas antes. Perdas do gelo do mar graves deste tipo podem ajudar a gerar frentes fortes e ondas de calor extremas como as que vemos agora a afetar a Índia e Sudeste Asiático. Fonte da imagem: JAXA).

Contudo, esta taxa excessiva de perda de gelo está a ocorrer em toda uma região do Árctico que apresenta dramaticamente menos gelo (excedendo a marca de 2015 para o mesmo dia do ano em cerca de 360.000 quilómetros quadrados) do que em qualquer outro ano comparável, ​para o mesmo dia. Em essência, a extensão do degelo está agora mais do que uma semana adiantada em relação a qualquer outro ano anterior. Está duas semanas e meia adiantada em relação às taxas de derretimento durante a década de 2000. E a taxa de declínio deste ano está ainda mais acentuada.

As taxas de derretimento atuais, se mantidas durante todo o Verão, iriam acabar com praticamente todo o gelo. E, o que é preocupante, esta é uma possibilidade distinta dado o estado severamente enfraquecido do gelo, as grandes áreas de água escura e aberta disponível para absorver os raios do sol enquanto o Verão progride, e devido ao facto de que o calor do Ártico continua a alcançar recordes quentes estremos. Além disso, as taxas de derretimento tendem a acentuar-se sazonalmente a partir de meados de Junho. As taxas de perda de gelo a aumentarem tão rapidamente agora, no final de Abril e através do início de Maio, podem vir a ver uma maior aceleração à medida que mais e mais luz solar direta continua a cair sobre as já grandes áreas expostas de água escura que absorve calor.

Buracos Enormes no Beaufort

Ao longo de toda a bacia do Ártico, essas regiões de absorção de luz solar ocupam muito mais área do que o que é típico. O Bering derreteu muito cedo. Baffin Bay está muito retirado em relação a anos típicos. Hudson Bay está a começar a quebrar. Os mares de Barents e da Gronelândia apresentam muito mais água aberta do que é típico. Contudo, não há nenhuma região a mostrar perdas mais dramáticas de início de temporada do que a de Beaufort.

Derretimento acentuado do gelo em Beaufort deixa zonas de águas abertas azul escuras

(Este mar de Beaufort nunca pareceu ter tão mau aspecto tão cedo no ano. Ondas de amplitude elevada na Corrente de Jato continuam a entregar calor recorde, ventos quentes e húmidos, e derretimento recorde do gelo marinho para esta região do Ártico. Para referência, o bordo inferior do quadro nesta imagem é de cerca de 600 milhas. Os veios em tufos que se vê na imagem é a cobertura de nuvens, as secções de branco sólido são neve e gelo. E o azul que se vê são as águas abertas do Oceano Ártico. O tamanho dos intervalos de água nas secções mais amplas são agora de mais de 150 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

Lá, o gelo continua a recuar rapidamente em relação às margens do Oceano Ártico no Delta Mackenzie e no Arquipélago Ártico Canadense – onde uma grande brecha se abriu no gelo do mar. Agora entre 70 e 150 milhas de largura, esta área de água aberta vê consistentemente temperaturas de superfície quentes o suficiente para derreterem o gelo do mar (acima de 28 F ou cerca de -2 C).

Esta grande massa de água aberta do tamanho de um mar em si mesma, criou agora uma nova zona de bordo de início da temporada para o gelo. Um lugar onde uma espécie de mini-dipolo pode surgir entre as superfícies de água em aquecimento mais rápido e o gelo reflexivo mais frio. Uma tal zona tenderá a ser um imã para as tempestades. E um sistema de baixa pressão está previsto trazer para cima uma protuberância extrema na Corrente de Jato sobre o Alasca e o Canadá, continuando para esta zona do Ártico ao longo dos próximos dias. Tempestades deste tipo tendem a apressar a fusão e o quebrar do gelo nas zonas de bordo pelas ondas que se geram, pelo puxar de ares mais quentes do sul, ou ao fazer cair precipitação líquida ao longo da borda de gelo que derrete. E o facto de que este tipo de dinâmica está a estabelecer-se em Beaufort no início de Maio é nada menos do que extraordinário.

Calor no Ártico Nunca Antes Visto

Mais ao norte, espera-se que a alta pressão continue a dominar nos próximos sete dias. Isso irá gerar ainda mais compactação do gelo já fraco enquanto permitindo que mais e mais luz solar caia sobre esse véu branco já muito estreito.

Dias de graus de congelamento no Ártico são menos 1000 que em 1980-2000

(O Ártico está agora tão quente que este gráfico é agora demasiado pequeno para capturar o calor extremo na região. Os dias de graus de congelamento são agora mais do que 1.000 a menos do que o eram durante um ano típico e do que no período já muito mais quente do que o normal entre 1980 e 2000. Fonte da imagem: CIRES).

Espera-se que as temperaturas para o Árctico variem entre 2,5 e 3,5 C acima da média nos próximos sete dias. Condições muito quentes que vão continuar a martelar para baixo os totais de dias de graus de congelamento, os quais já ultrapassaram uns inéditos -1000 desde o início do ano na região mais elevada do Ártico, acima dos 80 graus de Latitude Norte. Em termos leigos, quanto menor o número de dias de graus de congelamento o Ártico experiencia, o mais próximo está de derreter. E perder 1000 dias de graus de congelamento é como remover o mês mais frio do inverno inteiramente da equação do balanço térmico nesta região de maior latitude do Hemisfério Norte.

Praticamente todos os indicadores nos levam a concluir que o gelo do mar do Ártico está a ser atingido pelo calor como nunca antes. E as perdas acentuadas e perturbadoras de início de temporada que vemos agora, em combinação com o extremo calor excessivo e os padrões climáticos que aceleram o derretimento, são susceptíveis de continuar a reforçar uma tendência de perdas recordes. Tais medidas baixas de gelo do mar também tendem a distorcer os padrões meteorológicos em todo o mundo – gerando zonas de ondas de calor e secas extremas ao longo das linhas de cristas e às invasões do Ártico pelo vento quente relacionadas que tenderão a desenvolver-se, gerando ao mesmo tempo risco de eventos de precipitação recorde nas zonas de depressão. A este ponto, o Oeste norte-americano está novamente a configurar-se para exatamente um padrão assim de onda de calor zonal. O calor extremo que se acumula na Índia e no Sudeste Asiático também parece estar a seguir um deslocamento similar para o norte.

Traduzido do original
Arctic Sea Ice is Falling off a Cliff and it May Not Survive The Summer
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Maio de 2016.

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