Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Temperatura

Mudança Climática em Aceleração

Sugerimos a leitura de “Mudança Climática em Aceleração” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Níveis de metano tão elevados quanto 2562 ppb foram registados a 9 de Outubro de 2014, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de Metano a 9 de Outubro 2014
Muitas áreas cinzentas aparecem na imagem onde o QC (controle de qualidade) falhou, por ter sido muito difícil ler os níveis de metano na respectiva área, aparentemente devido a níveis de humidade elevados (ou seja, neve, chuva ou vapor de água) na atmosfera.

Clima sobre o Ártico dificulta leituras de metano.
Como a imagem acima ilustra, a cobertura de nuvens é elevada sobre o Ártico, ao mesmo tempo que há precipitação em forma de neve.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014.

Noutras palavras, níveis elevados de metano (acima de 1.950 ppb, de cor amarela) podiam estar presentes sobre uma parte muito maior do Oceano Ártico, enquanto o metano nessas áreas cinzentas podia ter sido ainda maior do que o nível de pico medido de 2456 ppb.

Isto parece confirmar-se pela persistência de níveis elevados de metano sobre vastas áreas em todo o Oceano Ártico, tanto na parte da manhã (parte superior da imagem mais acima) e à tarde (parte inferior da imagem) a 9 de Outubro de 2014.

Os níveis de metano estão assim elevados sobre o Oceano Ártico por um número de razões, incluindo:

  • A Corrente do Golfo continua a empurrar água quente para Oceano Ártico.
  • As erupções de metano resultantes vindas do fundo do mar no Oceano Ártico constituem um feedback (mecanismo de retroacção) que acelera o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, as coberturas de gelo e neve do Ártico vão diminuir, acelerando ainda mais o aquecimento no Ártico.
  • À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circundam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, tornando-o mais meandro [fazendo-o serpentear], resultando numa maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e incêndios florestais.

Aqui está um exemplo de aquecimento intenso. Olhe o que está a acontecer atualmente na Gronelândia.

As anomalias de temperatura alta sobre a Groenlândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

Como a imagem acima à direita mostra, anomalias da temperatura do mar de superfície tão elevadas quanto + 1,89°C atingiram o Atlântico Norte (a 8 de Outubro de 2014).

Além disso, a cobertura elevada de nuvens sobre o Ártico (imagem mais acima) torna-o difícil para o calor irradiar para o espaço, contribuindo ainda mais para as anomalias de alta temperatura.

A imagem à direita mostra as anomalias de temperatura alta sobre a Gronelândia e partes do Oceano Ártico a 11 de Outubro de 2014. Note-se que as anomalias são a média ao longo do dia (e da noite).

A imagem abaixo (à direita) mostra anomalias correspondentes à extremidade superior da escala atingindo grande parte da Gronelândia num momento específico durante o dia de hoje. A parte esquerda da imagem abaixo mostra como isso pode acontecer, ou seja, correntes de jato enrolando em torno da Gronelândia que apanham o fluxo de entrada de ar quente vindo do Atlântico Norte.

Temperaturas muito altas na gronelândia, Outubro 2014
Tal como dito, à medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, a velocidade com que as correntes de jato circunavegam o Hemisfério Norte vai enfraquecer, fazendo com que os jatos meandrem mais e criem padrões que podem reter o calor (ou frio), durante um número de dias sobre uma determinada área. Devido à altura das suas montanhas, a Gronelândia é particularmente propensa a ser cada vez mais atingida por ondas de calor resultantes de tais padrões de bloqueio. O aquecimento altera a textura da neve e do gelo, tornando-o mais lamacento e escuro, o que também faz com que absorva mais calor da luz solar, acelerando ainda mais o degelo.

Como Paul Beckwith adverte num post anterior, as taxas de derretimento na Gronelândia duplicaram nos últimos 4 a 5 anos, e as taxas de degelo sobre a Península Antárctica aumentaram ainda mais rápido. Com base nas últimas décadas, as taxas de derretimento tiveram um período de duplicação de cerca de 7 anos. Se esta tendência continuar, podemos esperar um aumento do nível do mar próximo de 7 metros por volta de 2070.

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com

Aumento da média global do nível do mar, prevista em 2,5 metros até 2040. Dados da NASA / GSFC com referência a 7/7/2014 e curva exponencial polinomial adicionada por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com Imagem tirada de http://arctic-news.blogspot.com/2014/07/more-than-25m-sea-level-rise-by-2040.html

Isto são tudo indicações de que o ritmo da mudança climática está a acelerar em muitos aspectos, o mais perigoso sendo as cada vez maiores erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Como a imagem abaixo mostra, as anomalias da temperatura do mar de superfície são muito elevadas no Oceano Ártico, indicando temperaturas muito elevadas sob a superfície.

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

Variação da Temperatura do Mar em +4 a +8 graus C no Ártico

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry disse recentemente: “Há agora – agora mesmo – défices alimentares graves que ocorrem em lugares como a América Central porque as regiões estão a lutar contra as piores secas em décadas, não são eventos [de periodicidade] de 100 anos em termos de inundações, em termos de incêndios, em termos de seca -.são eventos de 500 anos, algo inédito na nossa medição do tempo.” Avisando sobre catástrofe iminente, Kerry acrescenta: “A vida como você a conhece na Terra termina. Um aumento em sete graus Fahrenheit (3,9°C), e não podemos sustentar as culturas, a água, a vida nessas circunstâncias.”

A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.

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Ártico, Metano, Temperatura

Água Quente Estende-se do Mar Laptev ao Pólo Norte

A imagem da NOAA NESDIS em baixo mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em mais de 1°C que se estendem até ao Pólo Norte.

A 29 de Setembro de 2014, anomalias na temperatura de superfície do mar bem acima de 1ºC estenderam-se desde o Mar de Laptev até ao Pólo Norte. Criado por Sam carana para o Arctic-news.blogspot.com com o methanetracker.orge com dados da NOAA NESDIS

A 29 de Setembro de 2014, anomalias na temperatura de superfície do mar bem acima de 1ºC estenderam-se desde o Mar de Laptev até ao Pólo Norte. Criado por Sam carana para o Arctic-news.blogspot.com com o methanetracker.orge com dados da NOAA NESDIS

A imagem abaixo dá-nos uma visão do mundo, mostrando anomalias de TSM no topo da escala no Mar Laptev.

Anomalias da Temperatura de Superfície do Mar de Laptev até 5ºC
A extremidade superior da escala na imagem acima é de 5°C (ou 9ºF). A visualização em baixo usa uma escala muito maior. Mesmo esta escala maior parece não capturar totalmente a terrível situação em que estamos.

Águas Quentes a Entrarem no Oceano Ártico Pelo Estreito de Bering, a 30 de Setembro de 2014
A imagem acima mostra a água quente que entra no Oceano Ártico através do Estreito de Bering e do Atlântico Norte. Nos próximos meses, a Corrente do Golfo vai continuar a empurrar água morna para o Oceano Ártico (ou seja, água que está mais quente do que a água do Oceano Ártico). Demora algum tempo (ou seja, meses) para que a água quente do Atlântico Norte chegue ao Oceano Ártico.

No ano passado, as emissões de metano começaram a tornar-se enormes em Outubro e isso durou cerca de seis meses. A imagem abaixo, de uma publicação anterior, mostra erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 16/17 de Outubro de 2013.

Erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 16 e 17 de Outubro de 2013.
A imagem abaixo, de uma outra publicação anterior, mostra erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 31 de Outubro de 2013.

erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 31 de Outubro de 2013
A imagem abaixo, de ainda mais uma publicação anterior, mostra os níveis de metano tão altos quanto 2.662 partes por bilião a 9 de Novembro de 2013.

Níveis de metano de 2.662 partes por bilião a 9 de Novembro de 2013
Este ano há ainda mais calor dos oceanos presente, especialmente no Atlântico Norte e no Pacífico Norte. A 29 de Setembro de 2014, níveis de metano tão altos quanto 2.641 partes por bilião foram registados e parece que o pior ainda está por vir.

Níveis de metano elevados (2.641 partes por bilião), a 29 de Setembro de 2014
A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.


Artigo traduzido do original de Sam Carana que foi publicado no Arctic-news.blogspot.com a 30 de Setembro de 2014

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