temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016 parecem indicar um desaparecimento do inverno
Robertscribbler

Rumo ao Desinverno Ártico

Muitos chamam-lhe “global weirding”. Mas “weird” (estranho) mal descreve o que está acontecer no Ártico agora. Para a consternação de alguns, adverti que o processo a que estamos a assistir agora é o início de uma espécie de morte do inverno que irá certamente acontecer se não pararmos de queimar combustíveis fósseis em breve. Mas poderíamos também chamar-lhe desinverno. Ou desinvernamento. O que quer que lhe queira chamar, e independentemente da sua tendência inicial ser minimizá-lo ou anunciá-lo do monte mais alto, o que está a acontecer no Ártico neste momento não tem precedentes e é um pouco mais do que ligeiramente assustador.

Perda de Gelo do Mar Como o Início do Desinvernamento Ártico

O Oceano Ártico perdeu grande parte de sua cobertura de gelo durante o verão nos últimos anos. Oceanos mais escuras refletem menos raios solares. E mais calor é transferido para a superfície da água. À medida que o verão vai dando lugar ao outono, este carregamento de energia adicional cria uma barreira de calor latente para o recongelamento do gelo. Sem sua cobertura de gelo habitual, o oceano, então, ventila este calor para o ambiente do Ártico — mantendo as temperaturas do ar anormalmente quentes, aumentando o conteúdo de vapor de água e engrossando a atmosfera do Ártico.

Nos últimos anos, este processo tem gerado o poderoso aquecimento de inverno a que chamamos amplificação polar. Tem perturbado a Corrente de Jato e contribuído para outras alterações nos padrões climáticos globais. Mas o outono de 2016, até ao momento, já viu alguns dos piores exemplos deste aquecimento relacionado com a mudança climática das regiões congeladas do mundo.

Calor Atual do Ártico é Inédito
temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016

Desvio de temperatura para todo o Ártico excedeu 6ºC acima da média para três dos quatro últimos dias. O atraso da progressão normal de arrefecimento de outono para o inverno está um mês ou mais atrás do habitual para esta região do nosso mundo. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer

Hoje, a temperatura acima do Círculo Ártico tem uma média de 6,21 graus Celsius acima da média. Grandes áreas locais estão a ver temperaturas na faixa de 15 a 20 graus Celsius acima da média com picos locais mais elevados. Além da linha de latitude 80 graus norte, as temperaturas são atualmente de cerca de 12 graus Celsius acima da média. O resultado é que a maioria dos lugares do Ártico estão a cerca de 25 a 40 dias atrás da linha de tendência de arrefecimento média, e as temperaturas são mais uma reminiscência de final de setembro ou início de outubro do que de início de novembro.

Níveis Mínimos Recorde de Gelo São Igualmente Extremos

Não só está o calor adicionado ao oceano a provocar um aquecimento excecional na atmosfera do Ártico, como está também a gerar um ciclo de retroalimentação de auto-reforço com desvios recorde de gelo marítimo mínimo que têm piorado a cada dia que passa. Segundo a JAXA, as extensões de gelo marítimo atuais do Oceano Ártico são agora 710.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde mínimo anterior, estabelecido em 2012. Trata-se de uma área maior que o estado do Texas. Mas quando se compara este novo mínimo recorde relativamente às médias observadas na década de 1980, já se perdeu uma região do tamanho do Texas, Alasca e Califórnia combinados.

Extensão do gelo no Ártico a 1 novembro de 2016

Extensões de gelo marítimo do Ártico de 7,03 milhões de quilómetros quadrados a 1 de novembro de 2016 são aproximadamente iguais aos mínimos de gelo marítimo de finais de verão durante a década de 1990. Tanto oceano aberto está a ter um efeito dramático de aquecimento na atmosfera ártica durante o outono de 2016. Fonte da imagem: JAXA

Todo este oceano a descoberto a despejar calor para a atmosfera está a ter um efeito marcante. De tal forma que está a produzir estas temperaturas extremas ao mesmo tempo que gera um ciclo auto-sustentável que impede o recongelamento.

Nos últimos dias, o calor no Ártico criou uma situação em que as taxas de recongelamento do oceano têm-se basicamente movido para o lado no gráfico. Isto originou um bem-merecido alarido por parte de especialistas de clima e do Ártico em toda a rede. Bob Hensen no WeatherUnderground recentemente twittou: “o Oceano Ártico parece ter-se esquecido de que é suposto estar a recongelar neste momento.” Para o qual o estudante de PhD Zack Labe respondeu: “é uma loucura… os dados diários mostram a linha rasa recente.” Enquanto isso, o fórum do Arctic Sea Ice basicamente enlouqueceu por causa do comportamento muito estranho do gelo do mar neste outono.

Será que vai continuar? OSEN a Somar à Tendência de Transferência de Calor

Quanto tempo irá esta contenda viciosa continuar a durar é uma incógnita. Em última análise, resume-se à quantidade de calor que o Oceano Ártico já absorveu e a quanta energia ainda está a ser transferida nessa direção. Com a La Niña a formar-se no Pacífico, a transferência de calor oceânico e atmosférico para o Ártico tenderia a aumentar. E poderemos muito bem estar a assistir agora a uma espécie de aperto de mão do tipo teleligação entre a amplificação polar e o ciclo OSEN.

Para este ponto é importante notar que o mais recente grande pulso de calor no Ártico começou com o poderoso El Niño de 2015-2016. E esta transferência de calor relacionada com a habitual variabilidade natural é provável que continue a aumentar as escalas de quantidade de calor no Ártico 2017 adentro, e possivelmente até 2018. A questão neste caso é se o aquecimento relacionado com as alterações climáticas está a ser fortalecido por este fluxo periódico rumo a um novo ponto de viragem. E do ponto de vista deste outono, as coisas não parecem muito boas para o Ártico.


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Traduzido do original
Drifting into Arctic Un-Winter
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de novembro de 2016.

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Mudança climática abrupta e fora de controlo, emergência climática
Paul Beckwith

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

o sistema climático está a entrar numa espiral fora de controlo, ameaçando a nossa sobrevivência na Terra (…) os lideres dos governos por todo o planeta têm que declarar uma emergência climática. – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-gelofod”]

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, laboratório de Paleoclimatologia. O que vou fazer neste vídeo é estruturar o caso de que estamos numa emergência de mudança climática. E então vou mostrar, construir o caso científico, a mostrar como o nosso sistema climático está a mudar em 2016 e porquê, cientificamente, estarmos numa emergência quanto à mudança climática. Temos que declarar isto, politicamente, numa base global. E depois, como lidamos com este problema? Precisamos de implantar as técnicas de sobrevivência do banco alto de três pernas… logo que possível, numa base de emergência. Primeiro, o que vou fazer é construir o caso para a emergência, e depois irei discutir, brevemente, algumas das coisas possíveis que temos que fazer.
Então, a nossa combustão de combustíveis fósseis aumentou. Também aumentámos as transformações resultantes do uso dos solos: menos floresta, mais áreas urbanas e agricultura. Portanto, os nossos níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar rapidamente e a uma taxa cada vez maior. Uma taxa exponencial. A terra está a aquecer rapidamente, e por isso estamos a obter um rápido declínio na cobertura de neve e no gelo marinho do Ártico. E estamos a ver um derretimento mais rápido da calota de gelo da Gronelândia. Portanto, as superfícies do Ártico, por toda a região do Ártico, estão a ficar mais escuras, estão a absorver mais luz solar.
isto está a fazer com que as regiões do Norte aqueçam mais rápido que a média global, 5 a 8 vezes mais. Isto diminui a diferença de temperatura entre o Ártico e o Equador, e menos calor move-se do equador para o pólo, na atmosfera e nos oceanos. 2/3 vai para a atmosfera e 1/3 vai para o mar.
Na atmosfera, as Correntes de jato estão a abrandar, a tornarem-se mais onduladas e frequentemente emperradas, fazendo com que os eventos climáticos extremos sejam mais frequentes, mais intensos, que durem mais tempo e que ocorram onde nunca costumavam acontecer.
Nos oceanos, estamos a ver aquecimento e estratificação e acidificação, o que está a matar a vida marinha por toda a cadeia alimentar, começando na base da cadeia alimentar. Está a reduzir a oxigenação e a mistura vertical nos oceanos. A Corrente do Golfo está a abrandar, e também estamos a ver aumento do nível do mar, que está a começar a inundar as linhas costeiras.
O sistema climático da Terra tem muitos componentes diferentes. Temos a hidrosfera, a litosfera, temos as influências humanas, somos parte da biosfera, os humanos são parte da biosfera, temos a atmosfera, claro, e temos a criosfera, os mantos de gelo e assim. Portanto, temos estes cinco principais componentes, temos os gases de efeito estufa na atmosfera, temos o input solar a entrar no sistema, se algo muda, reflete-se nos restantes e muda outras coisas. Precisamos de considerar a Terra como um sistema climático, e ver como os diferentes componentes estão a mudar.
Fiz um número de vídeos alguns dias atrás, e mesmo em poucos dias as coisas pioraram significativamente. Portanto, toda a região do Ártico está 7,23ºC mais quente que o normal. Isto é a anomalia. A maioria do calor está no Ártico, apesar de também estarmos a obter anomalias de calor maciças, anomalias da temperatura de até 20ºC no Ártico, e 10 a 15ºC na América do Norte. O único local frio é na Sibéria, e isso está a dissipar-se.
Portanto, todo o sistema climático está desorientado. Não há outra maneira de o colocar, está mesmo a atuar de forma estranha. O que está a acontecer é que, há uma equalização da temperatura em latitude. As latitudes mais elevadas estão a aquecer tanto, que estamos a obter uma equalização da temperatura, o que muda os padrões meteorológicos e o clima, por todo o planeta. Isto é outro ponto de vista e podemos claramente ver a zona fria da Sibéria aqui, as zonas muito quentes no Ártico e sobre o este dos estados Unidos, e temos regiões mais frias na zona Oeste da América do Norte.
E então, estamos a ver um quebrar dos padrões climáticos estáveis, ao longo da latitude, por todo o globo. estamos a obter estas áreas tipo aos remendos, onde temos áreas quentes e áreas frias, e áreas quentes e áreas frias, e nessas áreas, por haverem grandes diferenças de temperatura ao longo de pequenas distâncias, por exemplo entre aqui e aqui, isto causa ventos muito fortes e muita actividade de tempestades.
Vejam os oceanos, os oceanos estão a refletir aquilo que a atmosfera está a fazer. O Atlântico Norte, todas estas regiões estão mais quentes do que o normal, o Ártico está muito quente, especialmente no lado do Atlântico Norte, e também no lado do Pacífico e do estreito de Bering. Recentemente tivemos uma zona muito fria a sul da Gronelândia, agora temos esta zona muito fria no Pacífico Norte. Portanto, estamos a obter um comportamento muito invulgar, na atmosfera e nos oceanos, devido aos processos de transferência de calor, do calor do Equador para o Ártico, estão a mudar completamente.
Os gases de efeito estufa metano e CO2 são os mais importantes de entre os que estão a aumentar rapidamente. A água também está a aumentar, o vapor de água, é um feedback do sistema climático, mas estamos a romper a escala, se formos atrás quase um milhão de anos, estamos a romper a escala com estes dois gases de efeito estufa.
Fiz menção e vou reiterar a importância disto. Isto é muito importante: O CO2, este ano, é esperado que suba entre 4 e 5 partes por milhão; fora da escala. Portanto, o CO2 está a aumentar rapidamente. O metano está a aumentar extremamente rápido, principalmente no Ártico; irei discutir isso mais à frente. O óxido nitroso também está a aumentar rapidamente.
Estas são as taxas de mudança para este ano, e estes são o aumento da acumulação em geral. A coisa preocupante aqui é que, o aumento atmosférico é esperado que seja de entre 4 e 5 ppm este ano, mas… as emissões de CO2 pelos humanos é esperada que seja semelhante ao último ano, a qual foi semelhante aos anos anteriores. Portanto, nos últimos quatro anos elas nivelaram, mas isto são muito más notícias, se estes dados estiverem corretos. Quer dizer, é ótimo que o planeta se esteja a juntar e a cortar nas emissões, mas são muito más notícias que os níveis atmosféricos ainda estejam a aumentar tão rápido. Isto parece indicar que os dissipadores de carbono globais estão provavelmente a falhar, e os reservatórios globais maiores são a floresta da Amazónia…
Estamos a perder muito da floresta devido à seca e aos incêndios, estamos a perder muito da floresta boreal devido a incêndios. Mais de 100 milhões de árvores, creio, que estão a morrer por toda a América do Norte, devido a pestes e secas, tipo os stresses hídricos, temperaturas muito elevadas. O oceano está a ficar estratificado e a aquecer, logo não está a absorver tanto CO2, não há tanta mistura vertical logo há menos CO2 a, fisicamente, ser dissolvido na água, a temperaturas mais elevadas. Também há menos fitoplâncton a crescer por haver menos mistura vertical.
Portanto estamos a ver todos estes efeitos de feedback em cascata, que estão a tornar-se extremamente sérios, e não podem ser ignorados. Portanto, as temperaturas médias de superfície estão a escalar a pique em 2016; estão a romper com a escala. Se isto não é uma emergência climática, não sei o que o será. Se isto não move as pessoas para a ação, não sei o que o fará.
Isto é fevereiro deste ano. Corrigi os números. Estamos basicamente a 1,95ºC, portanto quase 2C acima dos níveis pre-industriais, em termos de temperatura, sendo pre-industrial 1750. Portanto, fevereiro a sair do gráfico, março, a sair do gráfico.
Isto é completamente devastador, o gelo marinho do Ártico e a cobertura de neve. estes são os modelos do IPCC, a média e o desvio padrão dos modelos, e isto são o que as observações estão a mostrar. Portanto, vamos olhar em mais pormenor para aquilo que o gelo marinho está a fazer. Então, estes dados estão atualizados… de muito recentemente, e estamos a ver um declínio exponencial. Isto são diferentes representações exponenciais, portanto, estamos a ir para zero… por volta de 2020, digamos 2022 ou assim, de acordo com estes dados.
Não é apenas setembro, que é o mínimo, aquilo que está a ser reduzido. Isto é setembro, depois outubro e agosto estão a escalonar. E os dois meses seguintes estão a escalonar, e por aí em diante. Todos os meses estão a cair, e o que vemos agora em outubro e novembro de 2016 é que aquelas curvas em particular, naqueles meses em particular, estão a convergir, estão a cair ainda mais rápido do que o mínimo de setembro. Estamos sempre a descobrir novos fenómenos a acontecerem na mudança climática, estamos a vê-lo acontecer em tempo real.
Esta é a extensão do gelo marinho no Ártico. Há dois dias atrás, no vídeo, a curva parecia bastante diferente. Se compararem esta curva agora, estamos de facto a vê-la nivelar; estamos de facto a ver a extensão do gelo marinho a cair. 50.000 num dia, e creio que 146.000 ou algo, no outro dia. Simplesmente nunca tínhamos visto isto antes. O gelo marinho tenta crescer e estender-se, mas está a ser quebrado pela ação das ondas, e temperaturas muito quentes da água, e pelas temperaturas elevadas localizadas que invadem no Ártico, e as enormes anomalias das temperaturas, de 20ºC ou 36ºF acima do normal para esta altura do ano.
Portanto, isto é a temperatura da região do Ártico a 80º Norte, e esta curva está ainda pior do que há uns dias atrás. Vejam este pico aqui, isto é incrível. Isto é inédito. Então, esta temperatura, para este ano, em comparação com a média a longo prazo, está cerca de 20ºC acima da média. É essencialmente verão no Ártico neste momento, em novembro. Isto devia ser notícia de primeira página por todo o mundo, de estar a começar a fazer parte de alguns dos principais jornais e publicações online, mas… eles simplesmente não entendem, simplesmente não entendem que as suas vidas e as vidas dos seus filhos e qualquer futuro para os humanos neste planeta estão a ser ameaçados pelo que estamos a ver aqui. Estamos a entrar por território muito desconhecido onde o nosso suprimento alimentar vai ficar severamente stressado. Quero dizer, isto simplesmente surpreende-me completamente, surpreende qualquer climatologista. Devía surpreender toda a gente. E vai, em breve.
Na Antártida, a queda abaixo da média a longo prazo e da variação está a acelerar. Estamos muitos desvios padrão abaixo e estamos a descer mais a pique, enquanto há apenas alguns anos atrás estávamos com quantidades recorde. Tudo isto é indicativo da estranheza global, ou estranheza climática.
Este é um dos gráficos mais assustadores porque se juntarmos a área do gelo marinho global, do Ártico e Antártida, estamos a nivelar aqui. Estamos a fugir do gráfico, estamos a nivelar, e isto é… é inédito. Isto é o que o gelo se parece num mapa. Portanto, a linha vermelha é a norma, a média, entre 1981 e 2010 em ambos os casos… …a linha amarela. Portanto, estamos a perder enormes quantidades de gelo marinho no Ártico e na Antártida. E até há enormes falhas na Antártida, aqui, o que também é muito surpreendente, muito invulgar.
Isto é a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico em outubro, e podemos ver como estamos a cair do precipício aqui. Há muitas formas de se olhar para estes dados; esta é outra perspectiva de outubro, a comparar outubro de 1979 a 2016, e caímos de um precipício aqui.
Ou podemos falar da espiral de morte do gelo marinho do Ártico. E então, o que estamos a ver é… os anos são aqui, ao longo do eixo radial, até 2016, e cada curva é um mês diferente do ano, sendo setembro a preta, e depois os meses de outubro e agosto a escalonarem. Quando isto for em direção ao zero… bem, eu esperaria que isto fosse para o zero, a linha preta, digamos em 2020, e depois as outras duas linhas a irem para o zero por volta de 2022, e depois estas duas linhas seguintes por volta de 2024, e depois todas estas linhas a irem para zero por volta de 20… 2030, e então, praticamente não teremos gelo marinho no Ártico, durante todo o ano, estaremos num clima muito mais quente, quem sabe, as temperaturas médias globais poderiam ser 5C, 6C mais quentes do que agora…Recolher Transcrição[/expand]

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Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro
Robertscribbler

Para O Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro

Vai ser o ano mais quente já registado – por uma grande margem. Basta perguntar a Gavin Schmidt da NASA, a qual a Administração Trump de negação da mudança climática colocou agora em risco. Mas numa região — o Ártico — a taxa de acumulação de calor tem sido escandalosamente extrema. E é aí que este novo recorde de aquecimento poderia causar alguns dos piores danos a um sistema Terra cada vez mais frágil.

Calor de Verão Durante o Outono Acima de 80 Norte

Para o Oceano Ártico acima da linha de latitude a 80 graus norte que circunda a crista do nosso mundo, as temperaturas hoje estão cerca de 17 graus Celsius acima da média. Estas são as mais elevadas temperaturas para esta região já registadas. E elas incluem várias localizações onde as temperaturas atingiram picos bem acima de 20ºC mais quente do que a média.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Temperaturas acima da linha de latitude de 80 graus norte em meados de novembro são quase iguais ao que normalmente se espera para o fim do verão. Este aquecimento recorde no Ártico é notavelmente grave e poderia produzir sérios impactos meteorológicos e climáticos a curto prazo. Fonte da imagem: DMI

Considerada no total, esta região — a qual inclui o Pólo Norte — está atualmente a experienciar temperaturas que normalmente iria ver a partir de 15 de setembro até 21 de setembro. Por outras palavras, está tão quente agora, a 14 de novembro na zona em torno do Pólo Norte, quanto normalmente estaria durante a última semana de verão.

Não seria tão mau se as temperaturas tivessem simplesmente disparado para novas máximas neste dia em particular como parte de uma variação louca da temperatura. Infelizmente, as leituras, em vez disso, permaneceram consistentemente elevadas durante todo o outono. Elas levitaram para fora da variação média da linha de base de 1958-2002 durante a maior parte dos 80 dias. E como as temperaturas se mantiveram perto das médias do fim do verão ou início de outono, a diferença em relação ao normal (representada pela linha verde no gráfico acima) continuou a intensificar-se ao longo de novembro. Essa manutenção a longo prazo de temperaturas altas corre o risco de produzir alguns impactos duradouros graves, tanto no Ártico como no ambiente global.

O Grande Buraco Vermelho do Pólo Norte

A variação de temperaturas que vemos agora não é nada menos que assombrosa e, para este observador em particular, aterrorizante. Um enorme buraco foi aberto no coração daquilo que deveria ser o pilar do frio de inverno. E se não se recompuser em breve, irá ter alguns sérios efeitos consequentes sobre o clima, incluindo piores mudanças atmosféricas de circulação, eventos climáticos cada vez mais extremos, os impactos nas estações de crescimento agrícola, impactos no gelo do mar, impactos no gelo da Groenlândia, e os impactos na vida do Ártico e além.

Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro

Hoje, grandes áreas do Oceano Ártico são esperadas que vejam as temperaturas atingirem 20 C mais quente do que o normal. Estas temperaturas são tão altas que secções recentemente cobertas de gelo vão, durante os próximos cinco dias, experienciar temperaturas entre -2 C e 0 C – ou quentes o suficiente para produzirem um derretimento temporário. Uma tal condição nunca foi testemunhada na medida em que é agora tão tarde no ano. Um sinal claro de que o aquecimento global está a começar a morder mais fundo do que esperávamos. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer). Notem — o mapa mostra desvios de temperatura acima [desvio para o vermelho] e abaixo [desvio para o azul] da, já mais quente do que o normal, média da linha de base 1979-2000.

Este calor de outono recorde parece fazer parte de um cenário cada vez mais dominante do tipo “morte do inverno” relacionado com o aquecimento global causado pelo homem. E a menos que as temperaturas no Ártico voltem para a linha de base muito em breve, estamos em risco cada vez maior de atingir alguns pontos de inflexão de mudança de estado. Em particular, estes giram em torno de uma perda do gelo do Oceano Ártico a prazo mais curto do que o esperado. Um evento que podia acontecer este ano se experienciarmos um inverno anormalmente quente seguido por um verão quente semelhante ao último – mas que muitos especialistas esperam que seja adiado até 2030. Uma alteração que, a longo prazo, sob a queima continuada de combustíveis fósseis presentemente promovida pela Administração Trump, basicamente remove o inverno como estação praticamente por completo (pelo menos como a conhecemos).

Espero sinceramente que vejamos um retorno às condições de temperatura de linha de base no Ártico em breve. Mas à medida que os dias passam, isso parece cada vez menos provável. Ventos quentes continuam a fluir do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’700’]Barents[/simple_tooltip] e do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’547’]Bering[/simple_tooltip]. E os centros das regiões mais frias do Hemisfério Norte estão bem deslocadas para a Sibéria e a Gronelândia. Se esta situação continuar, as implicações para o gelo marinho de verão em 2017 podem ser bem duras (mais sobre isso na publicação que se segue). E é no ponto em que atingimos estados de verão sem gelo no Oceano Ártico que algumas alterações regionais, hemisféricas e globais muito radicais (as quais produzem efeitos ainda piores do que alguns dos maus resultados que já temos visto) estarão bem encaminhadas.

Traduzido do original
For The Arctic Ocean Above 80 North, It’s Still Summer in November
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de novembro de 2016.

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Anomalia da extensão gelo marinho Ártico, Antártida e Global 2016
Robertscribbler

De Pólo a Pólo, Os Valores Globais do Gelo Marinho Estão a Cair

Durante o ano quente recorde de 2016, tanto as extensões do gelo marinho do Ártico como da Antártida levaram uma forte tareia.

O calor extremo no Ártico ajudou a produzir as perdas principais de gelo ali. Valores que começaram em janeiro com 1 milhão de quilómetros quadrados abaixo da média têm vindo a diminuir de forma estável à medida que os meses avançaram para perto de 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média. Enquanto isso, a Antártida — que começou o ano com valores de extensão do gelo do mar próximos da média — viu perdas significativas à medida que a região ficava anormalmente cada vez mais quente durante a primavera austral. Hoje, os valores de extensão do gelo marinho ao redor da Antártida estão agora também mesmo à beira dos 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média.

Anomalia da extensão gelo do mar Ártico, Antártida e Global 2016

Zachary Labe, um dos cientistas do clima norte-americanos mais bem reconhecidos, produziu este gráfico baseado em valores dos volumes do gelo marinho globais, do Ártico e da Antártida, pela NSIDC. Como se pode ver, a extensão de gelo marinho global durante o ano mais quente já registado tem vindo a cair de forma estável, para perto de 4 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média, à medida que os meses progrediram. Fonte da imagem: Figuras do gelo do mar de Zack Labe. Fonte de dados: NSIDC. Também podem acompanhar o feed informativo do twitter do Zack aqui.

No total, a cobertura global do gelo do mar é agora de cerca de 3.865.000 quilómetros quadrados abaixo da média.

Se você acha que esse número soa a muito grande, é porque é mesmo. Representa uma região de gelo perdido com quase 40 por cento do tamanho da área de terra e água de todo o Estados Unidos, incluindo Alasca e Havaí. Para visualizá-la de outra forma, imaginem toda a área de terra do Alasca, Califórnia, Texas, Montana, Arizona e Novo México combinados e começarão a perceber a essência.

Cobertura de Gelo Marinho – Um Importante, Mas Complexo Indicador Climático

Muitos especialistas do clima têm visto o gelo do mar como uma espécie de mudança climática do canário na mina de carvão. O gelo do mar encontra-se sobre os oceanos em aquecimento e sob uma atmosfera em aquecimento. E estes oceanos estão agora a receber a maior parte do calor que está a ficar preso na atmosfera pelas emissões de combustíveis fósseis. As superfícies do oceano em aquecimento têm um valor de calor específico mais elevado do que o ar e esta maior capacidade energética total em regiões em aquecimento gera um golpe substancial na cobertura de gelo, mesmo se a variação inicial da temperatura da superfície da água seja apenas moderada.

Uma vez que o gelo do mar tiver desaparecido durante um período significativo, uma espécie de ciclo de feedback entra em jogo em que as superfícies escuras do oceano prendem mais raios do sol durante o verão polar do que quando com a cobertura de gelo branca — que refletia anteriormente a radiação de volta para o espaço. Este calor recém-absorvido é então re-irradiado de volta para a atmosfera local durante o outono e inverno polar — criando uma barreira de inércia para a reformação do gelo e, finalmente, gerando um grande salto nas temperaturas sazonais da superfície do oceano e atmosféricas.

Temperaturas elevadas em relação à média de 11C no Ártico

Aquecimento altamente pronunciado da superfície do oceano juntamente com invasões de ar quente parecem estar a gerar as perdas extremas de gelo do mar que se vê agora no Ártico. O Mar de Barents, mostrado acima, tem visto um aquecimento particularmente extremo. Note-se a zona quente com 11ºC acima média perto da zona de borda do gelo do mar. Na Antártida, as causas das perdas permanecem incertas. Contudo, o aquecimento atmosférico e as mudanças nos ventos circumpolares parecem estar a produzir esse efeito, mesmo quando águas superficiais um pouco mais frias do que a média permanecem no local — possivelmente devido à ressurgência do Oceano Antártico relacionada às tempestades e ao aumento das saídas de água doce das geleiras da Antártida. Fonte da imagem: Earth Nullschool

Esta dinâmica é particularmente pronunciada no Ártico, onde um oceano em descongelamento rodeado por continentes em aquecimento tende a recolher prontamente o calor, mesmo quando as transferências de energia atmosféricas do sul, sob a forma de eventos de vento quente, tornaram-se mais pronunciadas. Um efeito relacionado com a influência das alterações climáticas conhecido como Amplificação Polar do Hemisfério Norte

Na Antártida, o Oceano Antártico tempestuoso gera ressurgência. Esta dinâmica tende a esfriar a superfície do oceano ao mesmo tempo que transfere o calor para o oceano mais profundo. E o aumento das condições de tempestade em torno da Antártida relacionado às mudanças climáticas podem intensificar este efeito. Além disso, as águas quentes do fundo a derreterem os glaciares de frente para o mar na Antártida produzem uma lente de água doce que arrefece a superfície e também prende o calor por baixo. Assim, o sinal vindo da Antártida em relação ao gelo do mar tende a ser mais misturado — com o aquecimento atmosférico e as mudanças nos padrões do vento a gerarem impactos no gelo do mar mais variáveis relativamente ao Ártico. Então, as perdas do gelo do mar deste ano são mais difíceis de se relacionar diretamente à mudança climática.

Zack Labe observa que:

A anomalia do gelo do mar do Ártico, contudo, encaixa-se com a presente tendência de amplificação do Ártico de estreitamento de gelo do mar e perda de gelo antigo. Para além de que tem sido bem observado na literatura anterior (ou seja, http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2010GL044136/full …) no que diz respeito às crescentes temperaturas de outono no Ártico e suas possíveis causas.

Grandes Perdas de Volume entre 2015 e 2016

Apesar das grandes perdas de gelo do mar ao redor da Antártida este outono, é no Ártico que os danos e risco de perda adicional são mais pronunciados. Particularmente, reduções no gelo plurianual mais espesso no Ártico durante 2015 e 2016 têm sido excepcionalmente graves:

Perda de cobertura e espessura do gelo do mar do ÁrticoPerda de cobertura e espessura do gelo do mar no Ártico 2016

Nas imagens acima, vemos uma comparação entre a cobertura e espessura do gelo do mar do fim de novembro, tal como previsto pelo modelo US Navy ARCC. O quadro esquerdo representa o fim de novembro de 2015 e o quadro direito representa os valores projetados para 20 de novembro de 2016. Note-se a cobertura enormemente reduzida na imagem de 2016. Mas ainda mais notável é a perda substancial de gelo mais espesso no Oceano Ártico a norte do Arquipélago Canadiano e na Gronelândia.

Estas duas imagens contam uma história de uma grande perda de volume do gelo do mar. Uma que o monitor de gelo do mar PIOMAS confirma. De acordo com PIOMAS, os valores do volume do gelo durante outubro estavam a decorrer perto dos níveis mais baixos já registados. E o calor continuado em novembro gera uma preocupação de que um período de novos níveis recordes de baixo volume possa estar a caminho.

Mas não são apenas os valores baixos recorde que devem ser uma preocupação. A localização do gelo espesso restante também é uma preocupação. Pois uma parte substancial do gelo espesso restante está situado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O vento e as correntes oceânicas tendem a empurrar o gelo para fora do Oceano Ártico e através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O gelo tende a, em seguida, a ser canalizado para baixo ao longo da costa da Gronelândia e para o Atlântico Norte, onde derrete. Então, o facto de que uma grande parte do já muito reduzido gelo espesso restante encontrar-se agora na borda da versão de gelo do mar de Niagra Falls não é um bom sinal.

Anos La Nina tendem a empurrar mais calor para os pólos

É notoriamente difícil prever com precisão as tendências de derretimento e recongelamento do gelo do mar nas várias medições sazonais para um qualquer determinado ano individual. E até mesmo muitos dos maiores especialistas do gelo do mar passaram um diabo de tempo na previsão do comportamento do gelo do mar durante os últimos anos. Contudo, uma coisa permanece bem clara — a tendência de longo prazo para o gelo marinho no Ártico é uma de rápido declínio.

Espiral de Morte do gelo do mar no Ártico Outubro 2016

Espiral de Morte do gelo do mar do Ártico por Andy Lee Robinson. Fonte da imagem: Haveland

Estamos agora a entrar numa situação em que um inverno muito quente seguido por um verão mais quente do que o normal poderia empurrar os valores do gelo do mar do Ártico para perto da marca de zero. Uma situação que poderia efetivamente desencadear um evento de oceano azul num futuro próximo. Um número de especialistas de gelo do mar proeminentes previram que é provável que tal estado será alcançado bastante cedo — no início da década de 2030 segundo as tendências actuais. Outros apontam para potenciais de perda a prazo mais curto. Mas não há praticamente ninguém agora a dizer, como foi afirmado muitas vezes durante o início da década de 2010, que um evento de oceano azul poderia ficar adiado até ao início dos anos 2050.

Tudo dito, a trajetória para 2017 para o Ártico no presente não parece muito boa. Ambos a extensão e o volume do gelo marinho estão agora em ou bem abaixo das marcas baixas anteriores para esta época do ano. O gelo espesso restante posicionado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip] gera uma desvantagem física para o gelo em geral. Além disso, a NOAA anunciou que as condições de La Niña estão agora presentes no Pacífico Equatorial. E os eventos La Niña tendem a empurrar mais calor oceânico e atmosférico em direção aos pólos — particularmente para o Ártico.

Nota: Este artigo é escrito como um seguimento da publicação anterior – Para o Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro – e elas devem ser lidas em conjunto para contexto.

Traduzido do original From Pole to Pole, Global Sea Ice Values are Plummeting, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 15 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
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Ventos fortes sobre o Oceano Ártico
Sam Carana

Tempestades no Oceano Ártico

Ventos fortes sobre o Oceano Ártico

Os ventos sobre o Oceano Ártico atingiram velocidades de até 52 km/h a 19 de Agosto de 2016. A imagem abaixo mostra a Corrente de Jato [Jet Stream] a cruzar o Oceano Ártico a 19 de Agosto de 2016 (veja o mapa na imagem acima para referência geográfica).

O Jet Stream ou Corrente de Jato atravessou o Equador

Velocidade e deriva do gelo do mar no ÁrticoA imagem da Naval Research Lab à direita mostra uma previsão para a velocidade e direção do gelo do mar executada a 15 de Agosto de 2016 e válida para 17 de Agosto de 2016.

Estas tempestades chegam num momento em que o gelo do mar se tornou extremamente fino, como ilustrado pela animação da espessura do gelo do mar pelo Naval Research Lab abaixo, cobrindo um período de execução de 30 dias a 17 de Agosto de 2016, com uma previsão até 25 de Agosto de 2016 . A animação mostra que o gelo marinho plurianual já praticamente que desapareceu.

Com o gelo do mar em tão má forma, ventos fortes podem causar uma queda rápida na extensão do gelo marinho, num momento em que o Ártico ainda tem um pouco de insolação. No Polo Norte, a insolação descerá para zero na altura do Equinócio de Setembro de 2016.

Espessura do gelo do mar a 25 de Agosto 2016 - previsãoAinda mais aterrorizante é a previsão da Research Lab da Naval para a espessura do gelo do mar do Ártico para 25 de Agosto de 2016, executado a 17 de Agosto de 2016, utilizando um novo modelo HYCOM, como mostrado à direita.

Com o gelo do mar plurianual mais espesso agora praticamente desaparecido, o restante gelo do mar está propenso a fraturar-se e a ficar lamacento, o que também faz com que seja mais escuro na cor e, portanto, propenso a absorver mais luz solar.

Ventos e quebra e deriva do gelo no ÁrticoAlém disso, se os ventos fortes continuarem a atingir o Oceano Ártico ao longo das próximas semanas, isso poderá empurrar a maior parte do gelo do mar para fora do Oceano Ártico, pelas bordas da Gronelândia em direção ao Oceano Atlântico.
Os ventos fortes estão previstos continuarem a atingir o Oceano Ártico duramente na próxima semana, como ilustrado pela imagem à direita mostrando uma previsão para 24 de Agosto de 2016.

À medida que a extensão do gelo marinho cai, menos luz solar é refletida de volta para o espaço e em vez disso é absorvida pelo Ártico. Uma vez que o gelo do mar se desaparecer, isso pode contribuir para um rápido aumento da temperatura das águas de superfície.

O vídeo abaixo mostra as previsões do cci-reanalyzer.org para a velocidade do vento a 10 metros desde 25 de Agosto de 2016 às 1800 UTC até 2 de Setembro de 2016 às 0300 UTC.

O painel esquerdo na imagem abaixo mostra ventos (de superfície) que alcançam velocidades tão elevadas quanto 61 km/h sobre o Oceano Ártico (círculo verde), enquanto que o painel direito mostra os ventos nos 250 hPa (corrente de jato).

Ventos fortes no Ártico e Corrente de Jato

À medida que o Ártico aquece mais rápido do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Ártico diminui, reduzindo a velocidade com que o a Corrente de Jato Polar Norte circunda a Terra, tornando-a ondulada.

Como resultado, a Corrente de Jato pode estender-se bem longe sobre a América do Norte e a Euroásia, permitindo que o ar frio se mova mais facilmente fora do Ártico (por exemplo, em profundidade na Sibéria) e, ao mesmo tempo permitindo que o ar quente se mova mais facilmente para o Ártico (por exemplo, a partir do Oceano Pacífico). Tais alterações na Corrente de Jato também permitem que ventos fortes atravessem a Sibéria Oriental mais facilmente e causem um clima tempestuoso sobre o Oceano Ártico.

Isto é ilustrado pela imagem abaixo. O painel esquerdo mostra a Corrente de Jato a cruzar a Sibéria Oriental com velocidades tão elevadas como 277 kmh a 27 de Agosto de 2016, enquanto ao nível da superfície ventos ciclónicos que ocorrem ao longo do Oceano Ártico atingiram velocidades tão elevadas quanto 78 km/h naquele dia.

O painel da direita mostra que, naquele dia, o ar frio entrou profundamente na Sibéria Central, resultando em temperaturas tão baixas como -15,9°C na Sibéria Central e temperaturas que eram mais elevadas do que costumavam ser sobre o Oceano Ártico.

Jet Stream ou corrente de jato atravessa a Sibéria

A imagem e baixo mostra os ventos à superfície (em cima) e os ventos a 250 hPa (ou seja, na Corrente de Jato, em baixo) sobre o Oceano Ártico, causando a queda de neve (a azul) e chuva (a verde) a norte da Gronelândia (centro).

Neve e chuva a norte da Gronelândia

A chuva pode ter um impacto devastador sobre o gelo do mar, devido à energia cinética que quebra o gelo assim que é atingido.

Isto pode fragmentar o gelo, resultando em água que é mais quente do que o gelo a derretê-lo tanto no topo como nos lados, para além da fusão que ocorre na parte inferior devido ao calor do oceano que aquece o gelo a partir de baixo, e a fusão que ocorre na parte superior devido à luz solar que aquece o gelo a partir de cima.

Além disso, onde a água da chuva permanece no topo do gelo do mar, piscinas de água vão se formar, alimentadas pela água da chuva e a água de degelo. Isto irá escurecer a superfície. O gelo do mar a derreter também é de cor mais escura e, quando o gelo marinho derrete completamente, a água ainda mais escura vai surgir. Como resultado, menos luz solar está a ser refletida de volta para o espaço e mais luz solar é em vez disso absorvida.

A imagem abaixo mostra a espessura gelo do Oceano Ártico (em m, aparência presente, executado a 27 de Agosto de 2016, com validade para 28 de Agosto de 2016, no painel da esquerda) e a velocidade e deriva do gelo do mar do Ártico (em cm por segundo, aparência presente, executado a 27 de Agosto de 2016, com validade para 28 de Agosto de 2016, painel da direita).

Espessura do gelo do mar no Artico

O perigo é que tais tempestades, especialmente nesta época do ano, possam empurrar muito gelo do mar para fora do Oceano Ártico, ao longo das bordas da Gronelândia, para o Oceano Atlântico.

Espessura do gelo do mar, comparação 2012 - 2016

Este perigo aumenta à medida que o gelo do mar fica mais fino. A imagem acima mostra a previsão presente da espessura do gelo (em m), executada a 30 de Agosto e válida para 31 de Agosto de cada ano desde 2012 a 2016.

Níveis de Metano em Agosto 2016

A seguir à perda da cobertura de neve e gelo, outro grande perigo no Ártico é a libertação de metano.

A imagem acima mostra níveis de metano tão elevados quanto 2454 ppb a 25 de Agosto, 2016 (painel superior), fortes erupções desde o Alasca à Gronelândia a 26 de Agosto de 2016 (painel do meio), e a média dos níveis de metano tão elevada quanto 1862 ppb a 27 de Agosto de 2016 (painel inferior).

Pico dos níveis de metano a 30 de Agosto de 2016A imagem à direita mostra níveis elevados de metano registados em Barrow, Alasca, até 30 de Agosto de 2016.

A imagem abaixo mostra ventos ciclónicos (centro-esquerda) sobre o oceano Ártico a 22 de Agosto de 2016.

Ventos fortes de ciclone no Ártico em Agosto 2016

A imagem abaixo mostra o quão pouco gelo do mar restou em locais próximos do Polo Norte a 25 de Agosto de 2016.

Gelo do mar a desaparecer perto do Polo Norte

Extensão do gelo do mar no ÁrticoA imagem à direita mostra que a extensão do gelo marinho do Ártico foi de 4,8 milhões de km quadrados a 27 de Agosto de 2016, de acordo com o NSIDC.

Dados da NOAA mostram que a temperatura global da terra e oceano em Julho de 2016 era de 16,67°C, a temperatura mais alta para qualquer mês no registo.

A imagem abaixo mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar em Julho (em comparação com a média do século 20) no Hemisfério Norte.

Anomalia da temperatura de superficie do mar- 1980-2016Este calor do oceano está agora a ser levado pela Corrente do Golfo em direção ao Oceano Ártico.

Entretanto, a área fria da superfície do mar que estava tão pronunciada sobre o Atlântico Norte em 2015, está a ser sobrecarregada pelo calor do oceano.

Isto é ilustrado pela imagem abaixo que mostra anomalias da temperatura de superfície do mar a 27 de Agosto de 2015 (painel esquerdo) e a 27 de Agosto de 2016 (painel direito).

Anomalia da temperatura revela área fria do Atlântico Norte a diminuir em tamanho.

A imagem abaixo mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar no Ártico (latitude 60°N-90°N) em comparação com 1961-1990.

Anomalias da temperatura de superficie do mar no Ártico 26 Agosto 2016

A imagem abaixo do Climate Reanalyzer mostra também as anomalias da temperatura de superfície do mar a 16 de Agosto de 2016, desta vez em comparação com 1979-2000.

Anomalia da temperatura de superfície do mar, comparação 1979-2000

A imagem abaixo, a partir de um post anterior, mostra anomalias da temperatura da superfície do mar a 12 de Agosto de 2016, no painel do lado esquerdo, e anomalias da temperatura da superfície do mar no painel do lado direito.

Temperaturas elevadas do mar a 12 de agosto no Ártico

Temperatura e anomalia da superfície do mar. Anomalias de 1 a 2 graus C estão a vermelho, acima disso ficam a amarelo e branco.

A imagem acima também mostra que, a 12 de Agosto de 2016, as temperaturas da superfície do mar perto de Svalbard (no local marcado pelo círculo verde) estavam tão elevadas quanto 18.9°C, uma anomalia de 13,6°C.

Como dito acima, as alterações na Corrente de Jato [Jet Stream] permitem que o ar quente se mova mais facilmente para o Oceano Ártico e o ar frio se mova mais facilmente para fora do Oceano Ártico. Onde os mares são rasos, um aumento da temperatura de superfície pode rapidamente aquecer toda a água até ao fundo do mar do oceano Ártico, onde pode desestabilizar os hidratos de metano contidos nos sedimentos.

Farewell to Ice, Adeus ao Gelo, livro de Peter WadhamsIsso pode fazer com que as enormes quantidades de metano sejam libertadas do fundo do mar. Dado que muitos dos mares no Ártico são muito rasos, grande parte desse metano pode entrar na atmosfera sem ser degradado na água, resultando num enorme aquecimento adicional, especialmente sobre o Ártico. Como discutido num post anterior, isto pode contribuir para um aumento da temperatura global em mais de 10°C até ao ano de 2026.

Uma das pessoas que nos vem alertando sobre estes perigos há muitos anos é o professor Peter Wadhams, do qual o novo livro A Farewell to Ice [Um Adeus ao Gelo] foi lançado recentemente (256 páginas, publicado a 1 de Setembro de 2016).

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, como discutido no Plano Climático.

Traduzido do original Storms over Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 19 de Agosto de 2016, atualizado a 31 de Agosto de 2016.

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Calor e mancha de água fria do degelo invadem o Atlântico
Sam Carana

Calor do Oceano Invade o Atlântico Norte

A extensão do gelo marinho do Ártico a 19 de Junho de 2016 estava num recorde mínimo para a época do ano, como a imagem abaixo mostra.

Comparação da extensão do gelo marinho ao longo dos anos mostra recorde mais baixo para a época do ano - Junho 2016

Extensão do gelo do mar no Ártico com o último valor de 9,7 milhões de quilómetros | Comparação das médias de 1980, 1990, 2000, 2012, 2007, 2015 e 2016.

Não só está a extensão do gelo do mar no Ártico num valor baixo recorde para a época do ano, o gelo do mar também está rapidamente a ficar mais fino, mais fragmentado, inferior em concentração e de cor mais escura.

Gelo a norte da Gronelândia com rachas a quebrar.

Rachas no gelo do mar a norte da Gronelândia a 19 de junho de 2016, criado com a imagem Arctic-io

Na manhã de 20 de Junho de 2016, fortes libertações de metano foram registadas sobre a água a norte da Gronelândia, bem como a leste da Gronelândia, como ilustrado pela imagem abaixo.

Níveis de metano libertado no mar do Ártico em Junho 2016

A imagem abaixo mostra que, na manhã de 20 de Junho de 2016, os níveis médios globais de metano aumentaram em várias partes por bilhão numa grande faixa de altitude, em comparação com os dois dias anteriores. Os níveis de metano nas altitudes selecionadas para os dias de Julho de 2015 e Dezembro de 2015, foram adicionados para referência.

Comparação dos níveis de metano médios globais de 2015 e 2016

Clique na imagem para ampliar | Níveis médios de Metano para os dias selecionados comparando Dezembro e Julho de 2015 e Junho de 2016, com dados da NOAA

As temperaturas no Ártico estão a aumentar, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 19 de Junho de 2016 as temperaturas estavam tão elevadas quanto 31.4°C ou 88.4°F sobre o rio Mackenzie (círculo verde), que termina
no Oceano Ártico (e, assim, aquece o Oceano Ártico ali).

Temperatura elevada no Ártico, no rio McKenzie, aquece o oceano

Temperaturas tão elevadas quanto 41.4°C no rio McKenzie (círculo verde) que vai dar ao Oceano Ártico e contribui para o seu aquecimento.

A 20 de Junho de 2016, o Sol irá atingir o seu ponto mais alto (Solstício), e o Árctico terá 24 horas de luz solar, ou seja, no Círculo Ártico (latitude 66,56° norte) ou superior. O Ártico tem cerca de 20 milhões (20.000.000) de quilómetros quadrados (7.700.000 milhas quadradas) de área e abrange cerca de 4% da superfície da Terra. A insolação durante os meses de Junho e Julho é maior no Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra, como ilustra a imagem abaixo, por Pidwirny (2006).

Exposição do Ártico à luz solar ao longo do ano e no solstício

A temperatura da superfície do mar perto de Svalbard estava tão elevada quanto 55°F (12,8°C, no círculo verde) a 14 de Junho de 2016, uma anomalia de 19,6°F (10,9°C) em relação a 1981-2011, conforme ilustrado pela imagem abaixo.

Temperaturas elevadas do mar no Ártico

12.5°C de temperatura registados no mar de Svalbard no Ártico, uma diferença de 10.9°C em relação à média de 1981-2011.

Mancha / Tampa de água fria sobre o Atlântico e Pacífico

Manchas de água fria no Atlântico e Pacífico reveladas pela imagem da NASA com as anomalias da temperatura em relação a 1951-1980

A imagem acima, criada com nullschool.net, mostra ainda que a tampa de água fria que vinha crescendo de forma tão proeminente em extensão sobre o Atlântico Norte ao longo dos últimos anos, tem diminuído substancialmente. Em comparação, a área fria sobre o Pacífico Norte tem ficado maior. Isto é ainda confirmado pela imagem à direita, criado com mapas da NASA que mostram anomalias de temperatura do oceano para Maio de 2016.

A água do degelo fluiu em abundância da Gronelândia em 2016, como ilustrado pela imagem da NSIDC.gov abaixo. O escorrimento a partir do Alasca e da Sibéria para o Pacífico parece menor, em comparação, do que o escorrimento para o Atlântico Norte. Então, como pode ser que a área fria no Pacífico Norte tem ficado maior do que a área fria no Atlântico Norte?

Extensão do degelo / derretimento na Gronelândia em 2016, comparado a 1981-2010

Poderia haver outro factor que influencia o tamanho dessas áreas frias no Atlântico Norte e no Pacífico Norte?

A imagem abaixo, criada com imagens da NOAA, dá uma comparação entre a situação a 1 de Junho de 2015 (em cima) e 1 de Junho de 2016 (em baixo), mostrando anomalias em relação a 1961-1990.

Mancha de água fria do degelo sobre Atlântico e Pacífico

A diferença é surpreendente, especialmente quando considerando a força das anomalias mais frias (em relação a 1961-1990). Para além de água do degelo, algo mais deve estar a influenciar o tamanho e a força dessas anomalias no Atlântico Norte e no Pacífico Norte de maneiras diferentes. Muito provavelmente, a diferença é causada pela Correia Transportadora Oceânica (ou circulação termoalina), que está a levar água quente para o Atlântico Norte, enquanto leva água fria para fora do Atlântico Norte. No Pacífico Norte, está a fazer o oposto, ou seja, a trazer água fria, enquanto transporta água quente para fora do Pacífico Norte.

circulação termoalina aquece o Atlântico e arrefece o Pacífico alterando as manchas de água fria do degelo

A Correia Transportadora Oceânica ou circulação termoalina, aquece o Oceano Atlântico enquanto arrefece o Pacífico, revelando alterações nas manchas de água fria do degelo.

[Esta animação é um arquivo de 2,3 MB, que pode demorar algum tempo para carregar totalmente]

Em conclusão, existem vários fatores que estão a influenciar a situação, incluindo a influência que tem o El Niño e o impacto que a La Niña vai ter, e as mudanças nas correntes oceânicas. Mesmo que a correia transportadora possa ficar mais lenta, mais importante do que a sua velocidade é a quantidade de calor que vai levar para o Oceano Ártico. A imagem abaixo mostra uma tendência a apontar para a água no Hemisfério Norte a ficar 2 graus Celsius mais quente bem antes do ano 2030, em comparação com a média do século 20.

Temperaturas no Hemisfério Norte em 2016 e previsão futura

Se essas tendências continuarem ou mesmo se reforçarem, água cada vez mais quente será transportada do Atlântico Norte para o Oceano Ártico, contrariando o possível arrefecimento devido ao escorrimento resultante do degelo. Como o afluxo no Atlântico é cerca de 10 vezes maior em volume do que o afluxo no Pacífico, o resultado será ainda mais aceleração no aquecimento do Oceano Ártico.

Um Oceano Ártico mais quente irá acelerar o declínio do gelo do mar, fazendo com que mais luz solar seja absorvida pelo Oceano Ártico, sendo um dos mecanismos de auto-reforço (feedbacks) que estão a acelerar ainda mais o aquecimento do Oceano Ártico. O feedback # 14 refere-se ao calor (latente), que anteriormente foi para a fusão. Com o desaparecimento do gelo do mar, uma proporção crescente do calor do oceano é absorvida pelo Oceano Ártico.

Energia na fusão do gelo e aquecimento da águaÀ medida que o gelo do mar aquece, 2,06 J/g de calor vão para cada grau Celsius de aumento da temperatura do gelo. Enquanto o gelo está a derreter, toda a energia (em 334J/g) vai para transformar o gelo em água e a temperatura mantém-se a 0°C (273.15K, 32°F).

Uma vez que todo o gelo se transforme em água, todo o calor subsequente vai para o aquecimento da água, a 4,18 J/g para cada grau Celsius que a temperatura da água aumente.

A quantidade de energia absorvida pela fusão do gelo é tanta quanto a necessária para aquecer uma massa equivalente de água de zero a 80°C.

Comparação da espessura / concentração do gelo marinho entre 2012 e 2016

O gelo do mar está em má forma, como também ilustrado pela comparação da concentração acima, entre 24 de Junho de 2012 e uma previsão para 24 de Junho de 2016.

Comparação da espessura do gelo marinho no Ártico entre 2012-2016

Como a comparação acima mostra, o gelo do mar está agora também muito mais fino do que estava em 2012. O gelo marinho espesso costumava se estender metros abaixo da superfície do mar no Ártico, onde poderia consumir enormes quantidades de calor do oceano através do derretimento deste gelo em água. Como tal, o gelo marinho espesso agia como um tampão. Ao longo dos anos, a espessura do gelo do mar no Ártico diminuiu da forma mais dramática. Isto significa que o tampão que é utilizado para consumir grandes quantidades de calor do oceano levado pelas correntes marinhas para o Oceano Ártico, tem desaparecido agora em grande parte.

Calor do oceano vai destabilizar os hidratos de metano no fundo do mar (leito marinho) no Ártico

Espessura do gelo antes de 2012 | Gelo pouco espesso após 2012 | Calor do Oceano | Hidratos de Metano | Efeito Tampão desaparece

O perigo é que o calor vai chegar ao leito marinho (fundo do mar) e vai desestabilizar os hidratos de metano contidos nos sedimentos no fundo do mar do Oceano Ártico.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Ocean Heat Overwhelming North Atlantic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Junho de 2016.

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Temperaturas anómalas na Sibéria em Junho 2016
Sam Carana

Temperaturas Altas no Ártico

Aquecimento dos Oceanos ou Calor Oceânico Global

Conteúdo de Calor Oceânico Global (Aquecimento Oceânico) – Média dos 3 meses de Janeiro a Março de 2016 – Média anual de 2015 – Média pentadal (5 anos) durante 2011-2015

O conteúdo de calor do oceano está a aumentar, como ilustrado pela imagem à direita. Onde o gelo do mar está a diminuir, está a causar elevadas temperaturas do ar no Ártico.

Este ano (de Janeiro a Abril de 2016) no Hemisfério Norte, os oceanos estiveram 0,85°C ou 1,53°F mais quentes do que a média do século 20.

A imagem abaixo mostra como as temperaturas parecem prestes a ser elevadas na Sibéria na próxima semana. O painel à direita mostra anomalias na extremidade superior da escala na Sibéria Oriental a 5 de Junho de 2016, enquanto que o painel da direita mostra uma previsão para 12 de Junho de 2016.

Temperaturas anómalas na Sibéria em Junho 2016

Estas temperaturas do ar elevadas estão a causar feedbacks que estão, por sua vez, a acelerar ainda mais o aquecimento no Ártico.

Rios Mais Quentes

Temperaturas tão elevadas quanto 28.9°C ou 83.9°F foram registadas ao longo do rio Mackenzie perto do Oceano Ártico, a 13 de Junho de 2016, no local marcado pelo círculo verde.

Temperaturas elevadas no Ártico, no rio McKenzie

Abaixo está uma imagem de satélite do delta do rio Mackenzie, a 11 de Junho de 2016.

Imagem satélite do rio Mckenzie e Oceano Ártico sem gelo

A imagem abaixo mostra que temperaturas tão elevadas quanto 36.6°C ou 97.8°F estavam previstas para 13 de junho de 2016 sobre o rio Yenisei na Sibéria, que termina no Oceano Ártico.

temperaturas elevadas na Sibéria nas áuas do rio Yenisei que desagua no Oceano Ártico

Incêndios Florestais

No início deste mês, as temperaturas na Sibéria Oriental estavam tão elevadas quanto 29,5°C (85°F). Isto foi a 5 de Junho de 2016, num local perto da costa no Oceano Ártico (círculo verde).

Sibéria com temperaturas elevadas na costa do Oceano Ártico

Temperaturas do ar elevadas trazem um aumento do risco de incêndios florestais, como ilustrado pela imagem abaixo que mostra níveis de monóxido de carbono tão elevados quanto 2944 ppb a 4 de Junho de 2016 (no círculo verde).

Fumo e níveis de monóxido de carbono sobre Kamchatka resultam dos incêndios causados pelo aquecimento global

A imagem de satélite abaixo faz um zoom sobre a área com estas leituras de monóxido de carbono, mostrando incêndios na Península de Kamchatka a 3 de Junho de 2016.

Imagem de satélite mostra fumo dos incêndios florestais sobre Kamchatka

Perda de Albedo

A imagem à direita mostra que, este ano, a cobertura de neve de Abril no Hemisfério Norte foi a mais baixa do registo. A linha de tendência adicionada aponta para uma total ausência de neve até ao ano de 2036.A mais baixa cobertura de neve de Abril do registo com uma tendência a mostrar Abril sem cobertura de neve em 2036

O professor Peter Wadhams, chefe do Grupo de Física do Oceano Polar da Universidade de Cambridge, diz : “A minha previsão é que o gelo do Ártico pode muito bem desaparecer, ou seja, ter uma área de menos de um milhão de quilómetros quadrados, em Setembro deste ano.”

O aquecimento devido à perda de gelo e neve do Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido causado agora por todas as emissões de todas as pessoas do mundo, Peter Wadhams calculou em 2012.

Metano no Leito Marinho

Peter Wadhams foi ainda co-autor num estudo que calculou que a libertação de metano do fundo do mar no Oceano Ártico poderia contribuir com 0,6°C de aquecimento do planeta em 5 anos (vejam o vídeo com a entrevista de Thom Hartmann a Peter Wadhams, em baixo).

Impacto Combinado de Múltiplos Feebacks

Em conclusão, as altas temperaturas do ar no Ártico são muito preocupantes, uma vez que podem desencadear uma série de feedbacks importantes, como aqueles discutidos acima e outros feedbacks, tais como:

  • Mudanças na Corrente de Jato (Jet Stream). À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto da Terra, ocorrem mudanças na corrente de jato. Como resultado, os ventos podem trazer cada vez mais ar quente bem para norte, resultando na perda da cobertura de neve e gelo do Ártico, que por sua vez resulta em ainda mais aquecimento do Ártico.
  • Rios Mais Quentes. As temperaturas de ar elevadas causam o aquecimento da água dos rios que desembocam no Oceano Ártico, resultando assim em declínio adicional do gelo do mar e em aquecimento do Oceano Ártico desde a superfície até ao leito marinho.
  • Incêndios Florestais. Elevadas temperaturas atmosféricas definem o cenário para os incêndios que emitem não apenas gases de efeito estufa como o dióxido de carbono e metano, mas também poluentes como o monóxido de carbono que depleta as hidroxilas que caso contrário poderiam degradar o metano, e o carbono negro que, ao cair sobre o gelo faz com que ele absorva mais luz solar (veja abaixo de perda de albedo), além de ser um forçador de clima quando na atmosfera.
  • Desestabilização do Solo. Ondas de calor e secas desestabilizam o solo. Solo que era anteriormente conhecido como permafrost e estava até agora segurado pelo gelo. Há medida que o gelo derrete, material orgânico no solo entra em decomposição, resultando em emissões de metano e dióxido de carbono, enquanto o solo se torna cada vez mais vulnerável a incêndios.
  • Perda de Efeito Tampão. A cobertura de neve e gelo do Ártico funciona como um tampão, absorvendo o calor que, na ausência deste tampão terá que ser absorvido pelo Oceano Ártico, como discutido em posts anteriores, como este.
  • Perda de Albedo. A cobertura de gelo e neve no Ártico faz com que a luz solar seja refletida de volta para o espaço. Na ausência dessa cobertura, o Ártico terá que absorver mais calor.
  • Metano no Leito Marinho. Há medida que os sedimentos no fundo do mar do Oceano Ártico aquecem, os hidratos contidos nesses sedimentos podem ser desestabilizados e libertar enormes quantidades de metano.
Quão mais quente poderia ficar dentro de uma década?

Os dois feedbacks mencionados por Peter Wadham (albedo e metano do fundo do mar) são retratados na imagem abaixo.

Albedo e Metano do fundo do mar, dois Feedbacks de auto-reforço e influência no aquecimento do Ártico

Ciclo de auto-reforço (feedback) 1: Aquecimento Acelerado no Ártico => Perda de gelo marinho => Mudança no Albedo => Aquecimento Acelerado no Ártico. Ciclo de auto-reforço positivo 2: Aquecimento Acelerado no Ártico => Enfraquecimento das reservas de metano => libertação de metano => Aquecimento Acelerado no Ártico.

O aumento combinado da temperatura global durante a próxima década devido a estes dois feedbacks (albedo e metano do fundo do mar), por si só, pode ser de 0,4°C ou 0,72°F para um cenário de baixo crescimento e pode ser de 2,7°C ou 4,9°F para um cenário de elevado crescimento.

Além disso, à medida que a temperatura sobe, mais feedbacks irão contribuir mais fortemente, acelerando ainda mais o aumento da temperatura, como também discutido em posts anteriores, como este.

Quando também incluindo mais feedbacks, o aquecimento pode exceder 10°C (18°F) dentro de uma década, assumindo que nenhum geoengenharia terá lugar dentro de uma década, como discutido em posts anteriores, como este.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Temperatures In Arctic de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 5 de Junho de 2016.

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