Anomalia das temperaturas causam incêndios no Canadá e América do NorteAnomalia das temperaturas no Canadá e América do Norte
Ártico, Incêndios Florestais

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas

em aquecimentoglobal.info/

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Aumento previsto da temperatura para daqui a uma década, 2026
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Retroalimentação, Temperatura

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Hidratos de Metano Irrompem do Fundo em Bolhas
Metano, Retroalimentação, Temperatura

Águas Muito Quentes Estão a Invadir o Oceano Ártico

[Tradução da imagem: Níveis de metano atmosféricos globais | Média global dos níveis de CH4 tão elevados quanto 1836 ppb registam-se agora a várias altitudes. Criado por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com]

Uma média Global dos níveis de metano…

…de 1836 partes por bilião (ppb) foram registadas a várias altitudes a 24 de Agosto de 2014. Entretanto, o Oceano Ártico continua a aquecer. Tal como a imagem em baixo mostra, o aquecimento do oceano está a sentir-se mais fortemente no Hemisfério Norte.
[Tradução da imagem: Anomalia na temperatura de superfície dos oceanos | a 19 de Agosto de 2014 Hemisfério Norte 1,78ºC | Mundo; Hemisfério Norte; Atlântico Norte; Pacífico Norte; Pacífico Equatorial; Hemisfério Sul]

Águas muito quentes dos Oceanos Pacífico Norte e Atlântico Norte estão agora a invadir o Oceano Ártico. Nunca antes na história a humanidade estiveram estas águas tão quentes. No Oceano Ártico, isto está a causar temperaturas de superfície muito elevadas, tal como revela a imagem em baixo.

[ clique na imagem para aumentar | Esquerda: Temperatura da superfície do mar; 25 de Agosto de 2014 | Direita: Anomalia da temperatura de superfície do mar; 25 de Agosto de 2014 | Imagem criada a partir de NOAA – Marine Modeling and Analysis Branch = Administração Nacional para a Atmosfera e Oceanos – Departamento de Modelagem e Análise]

feedbacks | ciclos de retroalimentação positivos, retroacção ou auto-reforço

As temperaturas muito elevadas ameaçam disparar todo o tipo de feedbacks (ciclos de retroalimentação positivos), tal como descritos no parágrafo complementar seguinte.


(Para um melhor entendimento dos Mecanismos de Retroacção (Feedback) no Ártico, clique aqui! Para um resumo: O desaparecimento da cobertura de neve e gelo no Ártico faz com que menos luz solar seja reflectida de volta para o espaço (albedo), um mecanismo de retroação (feedback) que Peter Wadhams calculou constituir, ao longo do tempo, um efeito de aquecimento maior do que o todo o aquecimento de todas as emissões causadas pelas pessoas.
Mais mar aberto no Ártico resulta em todos os tipos de mecanismos de feedback (retroação ou auto-reforço). Águas calmas funcionam como um espelho, refletindo muita da luz solar de volta para o espaço, mas à medida que mais energia é adicionada ao clima, as águas ficam mais ondulantes, absorvendo mais luz. Águas mais quentes fazem com que mais plâncton floresça, absorvendo mais luz solar que água pura. Água mais quente resulta em mais evaporação e cobertura de nuvens, especialmente a altitudes baixas, tornando difícil ao calor irradiar para o espaço.
À medida que a Terra aquece, o Ártico aquece ainda mais rápido, causando alterações na ‘corrente de jato’ (jet stream) que por sua vez causam eventos meteorológicos mais extremos, tais como tempestades e ondas de calor. Isto por sua vez causa mais incêndios próximo do Círculo Ártico o que piora muito mais as coisas.
Tais feebacks podem tornar-se ciclos de auto-reforço que podem continuar a crescer, mesmo que parássemos as emissões que originalmente os desencadearam. Para além disto, algumas emissões mascaram a ira total do Aquecimento Global durante algum tempo e, enquanto fazermos esta transição de abandonar os combustíveis, mais aquecimento irá resultar do retirar deste efeito de máscara.
O maior perigo é que o metano vai irromper dos sedimentos no fundo do Oceano Ártico. Até uma erupção relativamente pequena poderia desencadear erupções enormes, e com o aquecimento continuado, a questão não é se isto poderia acontecer mas quando irá acontecer.
Para prevenir o aquecimento de entrar numa espiral fora de controlo, é necessário mais que reduzir as emissões de CO2. A situação é crítica e apela a acção efectiva e compreensiva, tal como discutido no Climate Plan blog, em http://climateplan.blogspot.com)


O grande perigo é que, à medida que o leito do mar aquece, o metano vai irromper dos hidratos que estão em sedimentos debaixo do Oceano Ártico. A situação é calamitosa e apela a uma acção compreensiva e efectiva, tal como discutido no blogue ‘Climate Plan‘.

Traduzido do artigo original ‘Very warm waters are invading the Arctic Ocean‘ de Sam Carana, cientista incansável num esforço diário para alertar para a urgência da situação climática aterrorizante em que nos encontramos, e que contribui com outros cientistas para o blogue Arctic-News.blogspot.com
“A ameaça da catástrofe climática apela a acção compreensiva e efectiva a qual – para além dos benefícios para o ambiente – também faz sentido económicamente, dá-nos mais eficiência, segurança, energia robusta e fidedigna e leva ao melhoramento da saúde e segurança para todos. Remove a escassez fabricada como causa de conflito e substitui esta por abundância permanente, fazendo com que todos vivam vidas mais significantes, em paz e em entendimento e apreciação mútuos.” – Sam Carana
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