Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA
Robertscribbler

Seca e Mudança Climática Originam Incêndios Enormes em Pleno Novembro

É Novembro. Um mês em que os Estados Unidos deviam estar a arrefecer em direção a condições típicas de Inverno. Mas para a região montanhosa ao longo da área de quatro estados que faz fronteira com Kentucky, Carolina do Norte, Geórgia e Tennessee, o clima está tudo menos típico de Outono. Lá, enormes incêndios florestais estão agora em ira, expulsando plumas maciças de fumo sufocante para o ar anormalmente quente sobre terras que foram secas pelas alterações climáticas relacionadas com o calor.

Incêndios Maciços Atingem Terras Secas
Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA

Incêndios muito grandes que queimam toda a região da Smokey Mountain a 7 de Novembro. Fonte da imagem: LANCE MODIS). Em pleno Novembro, em dia de eleições, incêndios enormes ardiam nos Estados Unidos, um país cujos candidatos presidenciais não incluíam a Mudança Climática nos seus debates.

Na imagem de satélite acima, tirada pela NASA a 7 de Novembro de 2016, vemos vários fogos com frentes que variam entre 1 a 5 milhas de largura, em erupção sobre a região de Smokey Mountain da Carolina do Norte, Tennessee, Geórgia e Kentucky. Alguns incêndios parecem ter-se escarranchado na fronteira com a Virgínia. Grandes incêndios também queimam mais a leste entre Ashville e Charlotte. Juntos, estes incêndios estão a emitir nuvens de fumo que agora se estendem 350 milhas para cima — flutuam para norte e oeste, pelos ventos quentes do sul.

Avisos de incêndio e anúncios públicos incitando as pessoas a não fazerem fogueiras foram feitos a 1 de Novembro. O Centro National Interagências para os Incêndios (NIFC) forneceu informação inicial sobre vários incêndios que se iniciavam por toda esta região de quatro estados, a 4 de Novembro. As imagens do satélite MODIS para o dia 4 mostram que estes incêndios eram então muito menores — pouco visíveis na imagem. Relatórios de imagem e no terreno agora indicam que os incêndios se tornaram consideravelmente maiores e mais ameaçadores no fim de semana.

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(A vista sobre a Carolina do Norte ocidental ontem à tarde quando os incêndios florestais queimavam através da região montanhosa.)

Na segunda-feira, agências de notícias locais estavam a relatar o surto de 170 incêndios só na Geórgia, com 4.000 acres já queimados na parte norte do estado. No Tennessee, 96 incêndios ativos atualmente foram relatados como tendo consumido 9.000 acres. Campbell, na parte oriental do estado, foi particularmente atingida com mais de 3.400 acres queimados até esta tarde e a qualidade do ar em declínio desencadeando Alertas de Código Vermelho. No Kentucky, 11.000 acres tinham sido consumidos pelo incêndio até segunda-feira. A Carolina do Norte, por sua vez, chamou 350 bombeiros para combater várias chamas grandes e crescentes.

Seca Abrupta, Aquecimento Extremo

Ao longo de Setembro e Outubro, os dois terços orientais dos EUA tem estado extremamente secos e extremamente quentes. As temperaturas para o mês de Outubro variaram entre 3 a 5 graus Celsius acima da média na maioria dos 48 estados mais abaixo.

Mapa da seca nos Estados Unidos

Calor extremo sobre o sudeste dos Estados Unidos ajudou a promover condições de seca repentina juntamente com incêndios muito grandes agora a arderem na Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky. Fonte da imagem: O Monitorização da Seca dos EUA.

Juntamente com o calor veio um rápido aparecimento de condições de seca. Em particular o Mississippi, Alabama, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky experimentaram condições cada vez mais extremas. No Kentucky, por exemplo, a semana que terminou a 1 de Novembro viu a cobertura do estado pela seca mais do que triplicar (de 24 por cento para 81 por cento da área terrestre do estado).

Seca repentina é uma nova forma de mudança climática provocada pelo aumento das taxas de evaporação devido ao aquecimento das terras e do ar. O calor extra tira a humidade do solo e da vegetação mais rapidamente e pode desencadear o surgimento de condições extremas em escalas de tempo curtas. A seca repentina em curso já andava a causar problemas no Sudeste antes da recente onda de incêndios florestais. Contudo, dado o calor intenso e fora de época e a velocidade com que as terras secaram, o presente surto de incêndio representa um perigo grave e incomum para esta altura do ano.

Traduzido do original Drought, Climate Change Spur Severe Election Day Wildfire Outbreak Across Four-State Area, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 8 de Novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
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Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA
Sam Carana

Quanto Aquecimento Foi Causado Pelos Humanos?

Diferenças na Linha de Base

As diferenças na linha de base (período de referência) podem resultar em diferenças dramáticas na elevação da temperatura. O conjunto de dados HadCRUT4 do Met Office do Reino Unido normalmente apresenta anomalias de temperatura em relação a uma linha de base 1961-1990. A NASA usa tipicamente uma linha de base 1951-1980, mas o site da NASA permite que diferentes linhas de base possam ser selecionadas. Ao seleccionar uma linha de base 1961-1990, as temperaturas durante os 6 meses que passaram estiveram 1,05°C (1,89°F) mais elevadas em relação a esta linha de base, conforme mostrado pelo mapa da NASA no painel da esquerda da imagem abaixo. Como o mapa no painel direito da imagem abaixo mostra, quando comparado com 1890-1910, as temperaturas subiram 1,48°C (ou 2.664°F).

Anomalia da temperatura global comparado as linhas de base 1961-1990 e 1890-1910

De Novembro de 2015 a Abril de 2016 esteve 1.05°C (1.89°F) mais quente do que em 1961-1990 (mapa à esquerda) e 1.48°C (ou 2.664°F) mais quente do que 1890-1910 (mapa à direita)

Uma tendência polinomial pode reduzir a variabilidade como a causada por vulcões e eventos El Niño. O gráfico abaixo foi criado com a anomalia da temperatura média mensal global de superfície pelo índice L-OTI (índice de temperatura dos continentes mais oceanos) da NASA, o qual tem uma linha de base 1951-1980, e depois com 0,29°C adicionados, o que faz a anomalia de 0°C no ano de 1900 para a tendência polinomial adicionada.

Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA

Isto dá-nos uma ideia do quanto as temperaturas subiram desde o ano de 1900, com um aumento para ambos Fevereiro e Março de 2016 a revelar que foi de mais de 1,5°C. A tendência aponta para anomalias de temperatura que serão superiores a 1,5°C dentro de uma década, e mais do que 2°C logo a seguir.

Temperaturas Históricas

Para calcular quanto aquecimento os seres humanos causaram desde os tempos pré-industriais, é preciso irmos ainda mais atrás no tempo. O gráfico abaixo mostra que as concentrações de dióxido de carbono variaram entre cerca de 180 ppm e 280 ppm ao longo dos últimos 800.000 anos e que recentemente atingiram um pico de 411 ppm (pico da média horária a 11 de Maio de 2016).

Concentrações de dióxido de carbono (CO2) núcleos de gelo e medidas até 2016

Dados de concentração de dióxido de carbono (CO2) em núcleos de gelo, anteriores a 1958, e o CO2 atualmente medido no observatório de Mauna Loa desde 1958, no pico da média horária a 11 de Maio de 2016

O gráfico em baixo, de uma publicação anterior, mostra como, no passado, ao longo dos últimos 420.000 anos, as temperaturas (e os níveis de CO2 e CH4) variaram em cerca de 10°C, de acordo com os ciclos de Milankovitch.

Temperatura, dióxido de carbono, metano, valores históricos

Historicamente, os aumentos de dióxido de carbono de 100 ppm têm andado de mãos dadas com os aumentos da temperatura de cerca de 10°C. O recente aumento das concentrações de dióxido de carbono é um aumento de 131 ppm (de cerca de 280 ppm a 411 ppm). O aumento das concentrações de metano é ainda mais acentuado. Podemos, assim, contar que aconteça um aumento da temperatura em mais de 10°C, e em caso afirmativo, em quanto tempo isso poderia acontecer? Como descrito em baixo, o aquecimento causado por seres humanos pode resultar num aumento de temperatura de mais de 10°C (18°F) dentro de uma década.

O gráfico à direita, criado por Jos Hagelaars, mostra que, durante o ciclo mais atual, as temperaturas atingiram um pico à cerca de 7000 anos atrás (na parte azul do gráfico). Temperaturas ao longo de milhares de anos

O gráfico abaixo, baseado no trabalho de Marcott et al., centra-se nesta parte azul do gráfico, usando uma linha de base de 1961-1990. As temperaturas atingiram um pico há cerca de 7000 anos, e depois desceram para atingirem um mínimo algumas centenas de anos atrás.Variação da temperatura em 10.000 anos

As temperaturas de pico e de mínimos (destacado a vermelho na imagem) durante aquele período sugerem uma queda de mais de 0,7°C.

Umas poucas centenas de anos atrás, as temperaturas estavam a cair e teriam continuado em queda, em linha com os ciclos de Milankovitch, se não tivesse havido o aquecimento causado por humanos.

A partir desse ponto baixo, as temperaturas subiram primeiro cerca de 0,4°C, oprimindo a tendência de queda que teria, de outro modo, levado temperaturas ainda mais para baixo, e então houve um aumento adicional de pelo menos 1,05°C, quando se utiliza uma base de 1961-1990. Isso pode sugerir que os seres humanos causaram um total de 1,45°C de aquecimento.

Os Seres Humanos Causaram Ainda Mais Aquecimento

A situação parece ser ainda pior do que o que os números acima poderão sugerir. Na verdade, o ponto mais baixo no gráfico Marcott teria sido ainda mais baixo se não tivesse havido aquecimento por parte dos seres humanos.

As temperaturas antes de 1900 já eram mais elevadas do que teriam sido se não tivesse havido aquecimento causado pelo homem. O facto de que os seres humanos causaram um aquecimento substancial entre 1800 e 1900 é ilustrado pelo gráfico abaixo, a partir de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que cerca de 0,3°C do efeito estufa já tinham acontecido entre o ano de 1800 e o ano de 1900.

Aquecimento causado pela revolução industrial em 1900

Uns 0.3 C de aquecimento por efeito estufa já havia acontecido em 1900, e uns 0.2 C de aquecimento em 1870

Os humanos também causaram um aquecimento substancial bem antes de 1800. Um exemplo de aquecimento causado por humanos antes de 1800 é apresentado na pesquisa por Dull et al., a qual sugere que a queima das florestas neotropicais aumentou de forma constante nas Américas, atingindo um pico no tempo em que os europeus chegaram no final do século XV. Em 1650, cerca de 95% da população indígena tinha morrido. A regeneração de florestas levou ao sequestro de carbono de cerca de 2 a 5 pentagramas de carbono (Pg C), contribuindo assim para uma queda no dióxido de carbono atmosférico registado em núcleos de gelo da Antártida durante os anos de cerca de 1500 até 1750.

O Acordo de Paris

Os dados da NASA sugerem que o aquecimento já é de 1,48°C (ou 2,664°F) mais elevado do que em 1890-1910. Note-se que a linha de base de 1890-1910 é muito mais tarde do que os tempos pré-industriais. O Acordo de Paris comprometeu-se a limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Em terra no Hemisfério Norte, estava 1,99°C (ou 3.582°F) mais quente (mapa à direita na imagem abaixo).

Temperatura L-OTI e de superfície (em terra) entre ovembro 2015 e Abril 2016 mais elevada no hemisfério norte

As imagens acima representam apenas um semestre, logo elas são apenas indicativas do aumento total para o ano de 2016. No entanto, quando se tem em conta o aquecimento causado pelas pessoas antes de 1900, o ano de 2016 parece destinado a ultrapassar os limites de segurança que o Acordo de Paris havia se comprometido a não serem ultrapassados. A situação parece ainda pior quando se considera que as temperaturas medidas em núcleos de gelo já incluíam uma quantidade substancial do aquecimento pelos seres humanos mesmo antes do início da Revolução Industrial.

Limites do Acordo de Paris ultrapassados em Fevereiro de 2016No Acordo de Paris, os países comprometeram-se a manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de perseguirem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Quando olhamos para um único mês, Fevereiro de 2016 esteve 1,67°C (3°F) mais quente do que 1890-1910 (ver imagem à direita). Ao adicionar uns meros 0,34°C para contar com o aquecimento antes de 1900, o aquecimento total em Fevereiro de 2016 ultrapassou de facto os 2°C. Olhando dessa forma, os limites de segurança estabelecidos em Paris em Dezembro de 2015 já foram ultrapassados em Fevereiro de 2016.

Situação

Então, qual é a situação? Por um lado, há o aumento da temperatura atualmente observado (ΔO). Este aumento é tipicamente calculado como a diferença entre a temperatura atual e a temperatura a uma dada linha de base.

Contudoo, este ΔO não reflete o impacto total das emissões humanas. Temperaturas teria sido inferior se não houvesse emissões por seres humanos. O impacto total de aquecimento devido às emissões das pessoas, portanto, é ∆E. Este ∆E é maior do que o aumento observado que é frequentemente utilizado, uma vez que a linha de base teria sido inferior sem o aquecimento causado por seres humanos.

Ao mesmo tempo, parte do aquecimento global causado pelas pessoas está mascarado devido as emissões de aerossóis (∆A). Tais emissões de aerossóis resultam principalmente da queima dos combustíveis fósseis e biomassa. Não há dúvida de que tais emissões deviam ser reduzidas, mas a verdade é que o aumento da temperatura atual pode aumentar substancialmente, digamos em metade, quando o efeito de mascaramento desaparece.

Assim, o aquecimento total (desmascarado) causada pelos seres humanos é a soma destes dois, ou seja, ∆E + ∆A, e a soma podia ser tão elevada quanto 3°C ou mesmo mais do que 5°C.

Além disso, há um aumento futuro da temperatura que já está cozido no bolo (∆F). Alguns feedbacks ainda não são muito visíveis, uma vez que algumas mudanças levam tempo para se tornarem mais evidentes, como o derretimento do gelo do mar e as mudanças não lineares devido a feedbacks que só agora estão a entrar em jogo. Além do mais, o efeito total das emissões de CO2 atinge o seu pico apenas uma década após a emissão e, mesmo com os melhores esforços, os seres humanos provavelmente ainda estarão a causar emissões adicionais durante a próxima década. Todos esses fatores em conjunto podem resultar num aumento de temperatura superior a ∆E + ∆A juntos, ou seja, o ∆F poderia, sozinho, causar um aumento de temperatura superior a 5°C no espaço de uma década.

Em resumo, o aquecimento total causado pelos humanos (∆E + ∆A + ∆F) poderia ser de mais do que 10°C (18°F) no espaço de uma década, assumindo que nenhuma geoengenharia terá lugar dentro de uma década.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original How Much Warming Have Humans Caused? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 28 de Maio de 2016.
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Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012
Sam Carana

Queda Dramática do Gelo do Mar no Ártico

Desde o início de Abril de 2016, tem havido problemas com o sensor do satélite F-17 que forneceu os dados para muitas das imagens do gelo do mar no Ártico. A 12 de Abril, o NSIDC emitiu um aviso de que tinha suspendido o fornecimento de atualizações do gelo do mar. A 6 de Maio, o NSIDC anunciou que havia completado a transição para outro satélite. A linha pontilhada vermelha na imagem abaixo mostra os dados do satélite F-18 de 1 de Abril a 15 de Maio de 2016.

Extensão do gelo do mar no Ártico em Maio 2016 comparado com 2012

O site da JAXA também fornece imagens da extensão do gelo do mar, obtendo dados de um satélite japonês. Eles mostram que a medida do gelo do Oceano Ártico a 15 de Maio de 2016 era de 11.262.361 quilómetros quadrados, 1,11 milhões de km quadrados menor do que era a 15 de Maio de 2012.

Extensão do gelo marinho no Oceano Ártico comparado a 2012

O Cryosphere Today ainda está a usar dados do satélite F17, mostrando alguns picos estranhos. Albert Kallio pegou numa imagem recente e removeu os pontos defeituosos, resultando na imagem abaixo que mostra a área de gelo do mar até 03 de Maio de 2016.

Área do gelo marinho no Ártico em comparação com anos anteriores

[linha amarela é 2016, linha vermelha é 2015]

Importante: a imagem acima confirma que o gelo do mar do Ártico em 2016 tem de facto estado muito em baixo, se não mesmo no mais baixo para a época do ano. Especialmente desde Abril de 2016, o gelo do mar caiu muito abaixo do quer que seja que tenhamos vimos em anos anteriores. Abaixo, Albert elabora sobre a comparação dos dados.

por Albert Kallio
Os dados do satélite dos EUA reparado (F-17) mostram uma área pequena recorde do gelo do mar para Maio de 2016 concordando com os dados japoneses (Jaxa)

Um conjunto de dados do Sensor Especial de Imagens e Sonda por Microondas (SSMIS), já corrigido no satélite F-17 do Defense Meteorological Satellite Program (DMSP), que fornece temperaturas de brilho por microondas passivas (e os produtos derivados de gelo marinho do Ártico e da Antártida), foi corrigido aqui quanto ao erro de instrumentação do sistema. Isto está de acordo com a curva da JAXA japonesa e foi realizado pela remoção dos picos incaracterísticos para cima de ‘crescimento do gelo’ por intrapolation linear dos pontos de dados corruptos. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar no Hemisfério Norte está sazonalmente num novo recorde mínimo que tem continuado em Maio de 2016.

A curva aperfeiçoada do F-17 concorda com a curva japonesa do satélite JAXA. A reconciliação das duas foi conseguida pela remoção dos picos para cima incaracterísticos por intrapolation linear de pontos de dados dos dias corrompidos, os quais mostraram de forma incorrecta um crescimento imenso da área de gelo do mar a meio da temporada de degelo de primavera. Isso reforça os dados da JAXA que mostram que a área de gelo do mar está sazonalmente em mínimos recorde. Portanto, meios de comunicação que estão a citar dados recentes da área de gelo do mar pelo satélite F-17 estão a distorcer intencionalmente os factos com suas reivindicações de o Hemisfério Norte ter uma área de gelo marinho recorde para esta estação – enquanto que na realidade – exatamente o oposto tem acontecido.

O gelo do mar do Ártico está em má forma e tende a deteriorar-se ainda mais, por uma série de razões.

Temperatura acima de 50 graus na Índia e PakistãoO ano de 2016 é um ano de El Niño e de aquecimento, como ilustrado pela previsão de 51°C (124.1 °F) para 22 de Maio de 2016, sobre o Indus Valley no Paquistão (ver imagem à direita).

A insolação durante os meses de Junho e Julho no Ártico é muito mais forte do que no resto do mundo. Os gases de efeito estufa estão em níveis recorde, o CO2 era de 408,2 ppm a 12 de Maio de 2016, e os níveis de metano estão elevados e a aumentarem, especialmente sobre o Ártico.

O calor do Oceano também está muito elevado e a aumentar. A imagem em baixo mostra que os oceanos no Hemisfério Norte estavam 0.93°C (ou 1.7°F) mais quentes no período de 12-meses mais recente (Maio 2015 até Abril 2016) do que a média do século 20.

temperatura-oceano-anomalia-hemisferio-norte-maio-abril

A situação é melhor ilustrada pela imagem em baixo, usando dados da NOAA com a linha de tendência adicionada que aponta para uma subida de 3°C (5.4°F) antes do ano de 2040.

Anomalia da temperatura do oceano numa previsão para 2040

As chances são de que o gelo do Ártico terá desaparecido na sua maior parte até Setembro de 2016. Como o gelo diminui, cada vez mais a luz solar é absorvida pelo Oceano Ártico. Este é um de muitos feedbacks que estão a atingir o Ártico. O perigo é que, à medida que esses feedbacks começam a entrar em cena mais fortemente, o calor vai chegar ao fundo do mar do Oceano Ártico e desencadear a libertação do metano em quantidades enormes a partir do leito marinho do Oceano Ártico.

Recentemente, uma libertação de metano abrupta do leito marinho do Oceano Ártico fez entrar na atmosfera sobre o Mar da Sibéria Oriental, aparecendo níveis tão elevados quanto 2578 ppb (em 586 mb a 15 de Maio, 2016, pm, veja imagem abaixo). Tais libertações abruptas são indícios de que os hidratos de metano estão a desestabilizar e são avisos de que uma catástrofe climática está à espera de acontecer.

Libertação abrupta de metano no Ártico faz subir níveis

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Further Confirmation Of Arctic Sea Ice Dramatic Fall de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 16 de Maio de 2016.
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Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores
Robertscribbler

Sete Meses Consecutivos de Calor Global de Quebrar Recordes

Não é apenas o facto de estarmos a ver um calor global recorde. É que o salto nas temperaturas globais em 2016 poderá ser o maior pico já registado num único ano. É que o mundo poderá nunca mais voltar a ver temperaturas anuais abaixo de 1 C acima das médias pré-industriais. E é que, este nível elevado de calor, e uma pico relacionado de gases de efeito estufa na atmosfera devido às emissões de combustíveis fósseis, agora é suficiente para começar a infligir danos graves sobre tanto o mundo natural como a civilização humana.

Sete Meses Consecutivos de Recorde de Calor

O mês passado foi o Abril mais quente do registo climático global. Não só foi o mais quente de tais meses já registado – quebrou o recorde anterior com a maior margem alguma vez registada. E este mês de Abril tornou-se agora o sétimo mês consecutivo de uma cadeia ininterrupta de calor global recorde.

Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores

(Quando em gráfico, é isto o que o Abril mais quente já registado parece quando comparado a outros Abris. Reparem no ponto ascendente e estreito no final da progressão de aquecimento longo. Sim, isso é para Abril de 2016. Fonte da imagem: Dr. Stephan Rahmstorf. Fonte dos dados: NASA GISS).

De acordo com a NASA GISS, as temperaturas globais em Abril estiveram 1,11 graus Celsius (C) mais quentes do que a sua média da linha de base para o século. Quando comparado com leituras pré-industriais (década de 1880 pela NASA), as temperaturas aqueceram globalmente por um total de 1,33 C. E isso é realmente um grande salto no aquecimento global, especialmente quando se considera o contexto dos últimos sete meses. Quando se olha para isso, parece que as temperaturas globais estão a subir numa corrida com uma velocidade de meter medo.

Sobre este ritmo furioso de aquecimento, Andy Pitman, diretor do Centro ARC de Excelência para a Ciência do Sistema Climático da Universidade de New South Wales na Austrália, observou recentemente no The Guardian:

“O que é interessante é a escala em que estamos a quebrar recordes. Está claramente tudo a ir na direção errada. Os cientistas do clima têm vindo a alertar quanto a isto desde pelo menos a década de 1980. E tem sido estupidamente óbvio desde a década de 2000.”

dióxido de carbono atmosférico em Maio

(Níveis recorde de dióxido de carbono atmosférico, como visto neste gráfico de Domingo 15 de Maio pelo Copernicus Observatory, são a principal força motriz de um pico incrível nas temperaturas globais durante 2016. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Apesar de ser provável que 2016 seja um ano quente recorde, as leituras globais têm registado uma ligeira moderação desde o início deste ano assim que o El Nino começou a desvanecer-se. Mas isso não significa que estejamos fora da zona de perigo. Muito pelo contrário, estamos a correr em direção a limiares climáticos a um ritmo nunca antes visto. E isso é realmente preocupante. As leituras mensais de pico este ano atingiram uns ridículos 1,55 C acima da média da década de 1880 na altura do El Nino durante Fevereiro. E o recorde mensal atual de Abril está empatado com Janeiro de 2016 na medida da NASA. No total, os primeiros quatro meses de 2016 têm agora uma média 1,43 C acima das linhas de base da década de 1880 ou desconfortavelmente perto da marca de 1,5 C estabelecida pelos cientistas como sendo o primeiro de muitos limites climáticos cada vez mais perigosos.

De acordo com Pitman:

“O alvo de 1.5C é pensamento desejoso. Não sei se se obteria 1.5C se se parasse com as emissões hoje. Há inércia no sistema. Está [agora] a colocar pressão intensa sobre os 2C.”

E quando cientistas ortodoxos começam a dizer coisas assim, é mesmo tempo de o resto de nós começar a tomar atenção.

Um Mundo Quente Recorde Feito pela Queima de Combustíveis Fósseis e Consistente com as Previsões Científicas

Olhando para onde o mundo tem aquecido mais, descobrimos que as maiores diferenças extremas de temperatura durante Abril foram novamente centradas sobre o climatologicamente vulnerável Ártico. Alaska, Noroeste do Canadá, o Mar de Beaufort, uma grande parte da Sibéria Central, a costa oeste da Groenlândia, os Mares de Laptev e Kara, e uma secção do Norte de África, todos experienciaram temperaturas mensais na ordem de 4 a 6,5 ​​graus Celsius acima da média. Valores mensais que são gritantes de tão quente. Uma região notavelmente maior experimentou um calor significativo com temperaturas a variarem entre 2 e 4 C acima da linha de base do século 20 da NASA. No geral, quase todas as regiões do mundo experimentaram leituras acima da média – com as exceções notáveis ​​associadas a zonas de depressão extremas relacionadas a padrões climáticos alterados pela mudança climática e manchas frias do oceano induzidas pelo derretimento glacial relacionado com o aquecimento.

O mês de Abril foi o mais quente com temperaturas recordes

(Foto da NASA de um mundo com uma febre alta e a piorar durante um Abril de 2016 quente recorde. Fonte da imagem: NASA GISS).

Estas regiões contra-tendência incluem a mancha fria do Atlântico Norte resultante da zona de derretimento da Gronelândia, a zona de depressão sobre a Baía de Hudson, a zona de depressão sobre o Noroeste do Pacífico, e a zona oceânica de absorção de calor que é o tempestuoso Oceano Antártico. A amplificação de aquecimento observada na região polar Norte, juntamente com a formação da mancha fria do Atlântico Norte e a ativação da zona dissipadora de calor no Oceano Antártico, são todos consistentes com os padrões de aquecimento global relacionados previstos por modelos climáticos e resultantes da queima de combustível de fóssil pelos humanos que empurra os níveis atmosféricos de CO2 bem acima das 400 partes por milhão nos últimos anos.

Calor Recorde Impulsiona Desastres Climáticos sem Precedentes

Este padrão de calor global recorde tem gerado numerosos desastres relacionados à mudança climática. Nas regiões equatoriais do mundo, têm surgido crises de seca e fome. Estas têm se tornado particularmente intensas em África e na Ásia. Em África, dezenas de milhões de pessoas estão agora à beira da fome. Na Índia, 330 milhões de pessoas estão sob estresse hídrico devido ao que é provavelmente a pior seca que aquela nação já experimentou. A Austrália viu 93 por cento da sua Grande Barreira de Coral sucumbir a um branqueamento de coral resultante do calor. E uma vez que o calor do oceano naquela região do mundo ultrapassou uma fasquia que vai forçar eventos de branqueamento mais e mais frequentes, é questionável se o grande recife de coral irá até sobreviver nas próximas décadas.

Pittman no Guardian, novamente:

“A coisa que está a causar esse aquecimento, está a aumentar e aumentar e aumentar. Logo, as temperaturas frias do oceano que vamos obter com uma La Niña são mais quentes do que alguma vez teríamos visto mais do que algumas décadas atrás … Esta é uma tareia em grande escala no sistema de recife de coral numa base contínua, com alguns pontapés ocasionais muito desagradáveis ​​e dos quais não se vai recuperar.”

Na Flórida, a acidificação dos oceanos devido às emissões de combustíveis fósseis está a fornecer os seus próprios socos e pontapés no maior recife de coral na costa daquele estado. Num efeito diferente do aquecimento, a acidificação é uma alteração química causada por águas do oceano que se tornam sobrecarregadas com carbono. Como uma espécie de chuva ácida constante sobre o recife que faz com que o calcário do qual é feito se dissolva.

E se os impactos acima não forem suficientes para manter-nos acordados durante a noite, incêndios florestais sem precedentes em Maio também forçaram o abandono de uma cidade inteira no Canadá. Ilhas por todo o mundo estão a ser engolidas pelo aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento do manto de gelo e expansão térmica. Cidades ao longo das costas do Atlântico e do Golfo nos Estados Unidos estão a enfrentar eventos de inundação de maré cada vez piores. O derretimento glacial na Gronelândia e na Antártida está a acelerar. E o gelo do mar do Ártico é tão fino e derrete tão rápido que alguns estão a questionar se algum sobreviverá até Setembro.

A La Nina está a Chegar, Mas Isso Não Vai Ajudar Muito

É importante notar que as temperaturas atmosféricas globais irão resfriar temporariamente dos picos de 2016 já que a La Nina está previsto instalar-se por este Outono. Contudo, os gases de efeito estufa estão tão elevados e o balanço energético da Terra está tão intenso que o oceano global, o gelo e o sistema atmosférico ainda estão a acumular calor a uma taxa sem precedentes. Enquanto a La Nina entra em ação, esse calor extra irá, na sua maior parte, para os oceanos e o gelo enquanto a atmosfera esfria um pouco – preparando-se para o próximo grande impulso já que o El Nino se prepara mais uma vez.

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(O aquecimento global está numa espiral em direção a limiares climáticos perigosos. Gráfico pelo cientista climático Ed Hawkins.)

Esta mudança baseada na variabilidade natural em direção a uma La Nina não devia realmente ser encarada como uma boa notícia. Uma pluma maciça de humidade levantou dos oceanos globais durante o presente pico de calor e, enquanto as temperaturas globais arrefecem, há um risco aumentado de grandes eventos de inundações de uma espécie a que realmente não estamos acostumados. A La Nina também produz zonas de seca — em particular sobre uma Califórnia já em sofrimento — e o aquecimento adicionado a partir do aumento das temperaturas globais vai adicionar à intensidade da seca nessas regiões também.

Com as temperaturas globais previstas para atingirem cerca de 1,3 C acima das médias pré-industriais para o conjunto de 2016, é duvidoso que o mundo vá sequer ver novamente um ano em que as temperaturas caiam abaixo do limiar climático de 1 C. E isso significa derretimento mais rápido do gelo glacial, agravamento dos incêndios, mais perturbação para as estações e colheitas, tempestades e eventos de chuva mais extremos, taxas mais rápidas de aumento do nível do mar, zonas de seca em expansão, mais ondas de calor indutoras de baixas em massa, expansão dos alcances das doenças tropicais, aumento do alcance das espécies invasoras nocivas, e uma infinidade de outros problemas. Nos últimos anos, passámos os limiares para alterações climáticas perigosas. E com as temperaturas globais a aumentarem tão rapidamente, estamos a entrar num problema mais e mais profundo.

No final, a nossa melhor esperança para diminuir essas condições que se agravam é reduzir rapidamente as emissões globais de carbono a zero ou valores de balanço negativos. Até fazermos isso, vai ser uma escalada em rampa de agravamento dos impactos que vêm pelo tubo abaixo.

Traduzido do original NASA — World Just Had Seven Months Straight of Record-Shattering Global Heat, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 16 de Maio de 2016.

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Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

*****

Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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Anomalia das temperaturas causam incêndios no Canadá e América do NorteAnomalia das temperaturas no Canadá e América do Norte
Ártico, Incêndios Florestais

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas

em aquecimentoglobal.info/

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Teperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica
Sam Carana

Perigo de Incêndios Florestais Aumenta

Os incêndios florestais estão a começar na Colúmbia Britânica, Canadá. O incêndio florestal na imagem abaixo iniciou a 1 de Maio de 2016 (agradecimento a Hubert Bułgajewski).

Temperaturas e degelo no Ártico são os perigos associados aos Incêndios na Colúmbia Britânica

incêndios florestais agravam as ondas de calor e aceleram degelo no ÁrticoAs coordenadas do incêndio florestal estão no canto inferior esquerdo do mapa acima. Elas mostram um local onde, a 3 de Maio de 2016, estiveram 26,0°C (ou 78,8°F). Numa localização próxima, estiveram 27,6°C (ou 81,8°F) a 3 de Maio de 2016. Ambas as localizações estão indicadas no mapa à direita.

Esses locais estão no caminho seguido pelo Rio Mackenzie, que termina no Oceano Ártico. Os incêndios florestais agravam as ondas de calor já que tornam o solo preto com fuligem. À medida que o rio Mackenzie aquece, irá trazer água mais quente para o Oceano Ártico, onde irá acelerar o derretimento do gelo do mar.

Além disso, os ventos podem transportar fuligem bem lá para cima para o Ártico, onde pode assentar sobre o gelo do mar e escurecer a superfície, o que fará com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.

Anomalia das temperaturas no Canadá e América do NorteO perigo de incêndios florestais aumenta à medida que as temperaturas sobem. A imagem à direita mostra que as temperaturas nesta área, a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), estavam no topo da escala, ou seja, 20°C ou 36°F mais quentes do que a média das temperaturas de 1979-2000.

Condições meteorológicas extremas estão a tornar-se cada vez mais comuns, à medida que ocorrem mudanças na corrente de jato. À medida que o Ártico aquece mais rapidamente do que o resto do mundo, a diferença de temperatura entre o Equador e o Pólo Norte diminui, o que por sua vez enfraquece a velocidade à qual a corrente de jato polar norte circunda o globo.

Corrente de Jato com padrão ondulado relacionado a eventos climatéricos extremosIsto é ilustrado pelos padrões ondulados da corrente de jato na imagem à direita, mostrando a situação a 3 de Maio de 2016 (00:00 UTC), com um laço a trazer ar quente para cima para a América do Norte e para o Ártico.

Em conclusão, o ar quente atingindo altas latitudes está a causar o derretimento do gelo do mar de várias maneiras:

  • O ar quente faz com que o gelo derreta, diretamente.
  • A água mais quente nos rios aquece o Oceano Ártico.
  • Incêndios florestais tornam a terra e gelo do mar pretos, fazendo com que mais luz solar seja absorvida, em vez de refletida para o espaço como antes.
Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016

Temperaturas no Ártico e América do Norte a 4 de Maio de 2016 – Clique nas imagens para ampliar.

A situação não parece melhorar em breve, como ilustrado pela imagem à direita. Após as elevadas temperaturas recordes que atingiram o mundo no início deste ano, as perspectivas para o gelo do mar parecem sombrias.

A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo no Ártico parece destinada a fazer com que uma série de feedbacks [ou mecanismos de reforço ou realimentação] venham ainda com mais força, com a libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico surgindo como um grande perigo.

Andrew Slater, cientista na NSIDC, criou o gráfico abaixo, de dias de graus de congelamento em 2016 em comparação com outros anos na Latitude 80°N. Consultem o site de Andrew e esta página para saberem mais.
Gráfico mostra um declínio no número de dias com temperaturas de congelamento no Ártico para 2016 em comparação com outros anos.

Em baixo está uma comparação de temperaturas e emissões para as duas localizações indicadas acima. Tais incêndios estão a tornar-se cada vez mais comuns com o aumento das temperaturas, e podem causar a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono, metano, dióxido de enxofre, etc.

emissões pelos incêndios em Fort St John na Colúmbia Britânica

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort St John, Colúmbia Britânica, Canada.

Incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canadá. Emissões de Dióxido de carbono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e temperaturas.

Emissões de dióxido de carbono, monóxido, enxofre e temperaturas nos incêndios em Fort McMurray, Alberta, Canada.

No vídeo em baixo, Paul Beckwith discute a situação:

Entretanto, o Centro Nacional de Dados para Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center – NSIDC) resumiu as atualizações diárias quanto à extensão do gelo marinho com dados provisórios. A imagem em baixo data de 5 de Maio de 2016, veja aqui para atualizações.
Extensão de gelo marinho no Ártico a 5 de Maio com valor mínimo recorde para a altura do ano.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Wildfire Danger Increasing de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 2 de Maio de 2016.
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