Aumento previsto da temperatura para daqui a uma década, 2026
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Retroalimentação, Temperatura

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Anomalia do indice de temperatura terra mar para fevereiro 2016
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Temperatura

Temperatura em Fevereiro

O artigo “Temperatura em Fevereiro” foi trazido do site Alterações Climáticas: A Mais Recente Ciência Climática Trazida de Diversas Fontes
 

A anomalia da temperatura da terra e do oceano para fevereiro de 2016 foi de 1,35°C (2,43°F) acima da temperatura média no período de 1951 a 1980, como mostra a imagem abaixo (projeção Robinson).

Anomalia do indice de temperatura terra mar para fevereiro 2016

Em terra, esteve 1,68°C (3,02°F) mais quente em fevereiro de 2016, em comparação com 1951-1980, como a imagem em baixo mostra (projeção polar).

Anomalia da temperatura terrestre para fevereiro de 2016

A imagem em baixo combina os dois números em cima em dois gráficos, mostrando as anomalias de temperatura ao longo das últimas duas décadas.

Índice de Temperatura Terra-Oceano e as Anomalias da Temperatura do Ar à Superfície em Terra

Em baixo temos o gráfico completo, que mostra que as anomalias estavam bem abaixo de zero antes do período de 1951 a 1980, o qual é usado como uma referência para calcular anomalias. A linha azul mostra dados terra-mar, enquanto a linha vermelha mostra dados de estações apenas em terra.

Anomalias da temperatura desde 1880

No Acordo de Paris, as nações empenharam-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, ao manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazerem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para vermos o quanto as temperaturas subiram em relação aos níveis pré-industriais, uma comparação com o período 1951-1980 não dá o quadro todo. A imagem abaixo compara as temperaturas de fevereiro de 2016, com o período de 1890 a 1910, novamente apenas em terra.

Temperaturas em terra para fevereiro 2016 em comparação com  média 1890-1910

Como as temperaturas já haviam subido ~ 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, o aumento total da temperatura em terra em fevereiro de 2016 é, portanto, de 2,6°C (4,68°F) em comparação com o início da revolução industrial.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o aumento de temperatura total em terra irá ser, digamos, daqui a uma década:

Aumento de 1900-2016: Em fevereiro de 2016, esteve 2,3°C (4,14°F) mais quente em terra do que esteve em 1890-1910.

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica (ver neste post anterior, em Português).

Aumento 2016-2026: Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 ppm, mais do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959, levando um post anterior [em português] a adicionar uma linha de tendência polinomial que aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (uma década a partir de agora). Se os níveis de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa continuam a aumentar, haverá aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, de modo que a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total pelos gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, os aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas emitiram muito mais aerossóis desde 2010, de modo que o efeito de mascaramento atual de aerossóis será ainda maior.

Mudança de Albedo: Aquecimento devido à perda de neve e gelo do Ártico pode muito bem ultrapassar 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente que duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,9°C (7,02°F) e outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10,4°C (18,72°F).

Aumento da temperatura previsto para 10 anos, feedbacks

Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original February Temperature de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Março de 2016.

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