Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA
Sam Carana

Quanto Aquecimento Foi Causado Pelos Humanos?

Diferenças na Linha de Base

As diferenças na linha de base (período de referência) podem resultar em diferenças dramáticas na elevação da temperatura. O conjunto de dados HadCRUT4 do Met Office do Reino Unido normalmente apresenta anomalias de temperatura em relação a uma linha de base 1961-1990. A NASA usa tipicamente uma linha de base 1951-1980, mas o site da NASA permite que diferentes linhas de base possam ser selecionadas. Ao seleccionar uma linha de base 1961-1990, as temperaturas durante os 6 meses que passaram estiveram 1,05°C (1,89°F) mais elevadas em relação a esta linha de base, conforme mostrado pelo mapa da NASA no painel da esquerda da imagem abaixo. Como o mapa no painel direito da imagem abaixo mostra, quando comparado com 1890-1910, as temperaturas subiram 1,48°C (ou 2.664°F).

Anomalia da temperatura global comparado as linhas de base 1961-1990 e 1890-1910

De Novembro de 2015 a Abril de 2016 esteve 1.05°C (1.89°F) mais quente do que em 1961-1990 (mapa à esquerda) e 1.48°C (ou 2.664°F) mais quente do que 1890-1910 (mapa à direita)

Uma tendência polinomial pode reduzir a variabilidade como a causada por vulcões e eventos El Niño. O gráfico abaixo foi criado com a anomalia da temperatura média mensal global de superfície pelo índice L-OTI (índice de temperatura dos continentes mais oceanos) da NASA, o qual tem uma linha de base 1951-1980, e depois com 0,29°C adicionados, o que faz a anomalia de 0°C no ano de 1900 para a tendência polinomial adicionada.

Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA

Isto dá-nos uma ideia do quanto as temperaturas subiram desde o ano de 1900, com um aumento para ambos Fevereiro e Março de 2016 a revelar que foi de mais de 1,5°C. A tendência aponta para anomalias de temperatura que serão superiores a 1,5°C dentro de uma década, e mais do que 2°C logo a seguir.

Temperaturas Históricas

Para calcular quanto aquecimento os seres humanos causaram desde os tempos pré-industriais, é preciso irmos ainda mais atrás no tempo. O gráfico abaixo mostra que as concentrações de dióxido de carbono variaram entre cerca de 180 ppm e 280 ppm ao longo dos últimos 800.000 anos e que recentemente atingiram um pico de 411 ppm (pico da média horária a 11 de Maio de 2016).

Concentrações de dióxido de carbono (CO2) núcleos de gelo e medidas até 2016

Dados de concentração de dióxido de carbono (CO2) em núcleos de gelo, anteriores a 1958, e o CO2 atualmente medido no observatório de Mauna Loa desde 1958, no pico da média horária a 11 de Maio de 2016

O gráfico em baixo, de uma publicação anterior, mostra como, no passado, ao longo dos últimos 420.000 anos, as temperaturas (e os níveis de CO2 e CH4) variaram em cerca de 10°C, de acordo com os ciclos de Milankovitch.

Temperatura, dióxido de carbono, metano, valores históricos

Historicamente, os aumentos de dióxido de carbono de 100 ppm têm andado de mãos dadas com os aumentos da temperatura de cerca de 10°C. O recente aumento das concentrações de dióxido de carbono é um aumento de 131 ppm (de cerca de 280 ppm a 411 ppm). O aumento das concentrações de metano é ainda mais acentuado. Podemos, assim, contar que aconteça um aumento da temperatura em mais de 10°C, e em caso afirmativo, em quanto tempo isso poderia acontecer? Como descrito em baixo, o aquecimento causado por seres humanos pode resultar num aumento de temperatura de mais de 10°C (18°F) dentro de uma década.

O gráfico à direita, criado por Jos Hagelaars, mostra que, durante o ciclo mais atual, as temperaturas atingiram um pico à cerca de 7000 anos atrás (na parte azul do gráfico). Temperaturas ao longo de milhares de anos

O gráfico abaixo, baseado no trabalho de Marcott et al., centra-se nesta parte azul do gráfico, usando uma linha de base de 1961-1990. As temperaturas atingiram um pico há cerca de 7000 anos, e depois desceram para atingirem um mínimo algumas centenas de anos atrás.Variação da temperatura em 10.000 anos

As temperaturas de pico e de mínimos (destacado a vermelho na imagem) durante aquele período sugerem uma queda de mais de 0,7°C.

Umas poucas centenas de anos atrás, as temperaturas estavam a cair e teriam continuado em queda, em linha com os ciclos de Milankovitch, se não tivesse havido o aquecimento causado por humanos.

A partir desse ponto baixo, as temperaturas subiram primeiro cerca de 0,4°C, oprimindo a tendência de queda que teria, de outro modo, levado temperaturas ainda mais para baixo, e então houve um aumento adicional de pelo menos 1,05°C, quando se utiliza uma base de 1961-1990. Isso pode sugerir que os seres humanos causaram um total de 1,45°C de aquecimento.

Os Seres Humanos Causaram Ainda Mais Aquecimento

A situação parece ser ainda pior do que o que os números acima poderão sugerir. Na verdade, o ponto mais baixo no gráfico Marcott teria sido ainda mais baixo se não tivesse havido aquecimento por parte dos seres humanos.

As temperaturas antes de 1900 já eram mais elevadas do que teriam sido se não tivesse havido aquecimento causado pelo homem. O facto de que os seres humanos causaram um aquecimento substancial entre 1800 e 1900 é ilustrado pelo gráfico abaixo, a partir de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que cerca de 0,3°C do efeito estufa já tinham acontecido entre o ano de 1800 e o ano de 1900.

Aquecimento causado pela revolução industrial em 1900

Uns 0.3 C de aquecimento por efeito estufa já havia acontecido em 1900, e uns 0.2 C de aquecimento em 1870

Os humanos também causaram um aquecimento substancial bem antes de 1800. Um exemplo de aquecimento causado por humanos antes de 1800 é apresentado na pesquisa por Dull et al., a qual sugere que a queima das florestas neotropicais aumentou de forma constante nas Américas, atingindo um pico no tempo em que os europeus chegaram no final do século XV. Em 1650, cerca de 95% da população indígena tinha morrido. A regeneração de florestas levou ao sequestro de carbono de cerca de 2 a 5 pentagramas de carbono (Pg C), contribuindo assim para uma queda no dióxido de carbono atmosférico registado em núcleos de gelo da Antártida durante os anos de cerca de 1500 até 1750.

O Acordo de Paris

Os dados da NASA sugerem que o aquecimento já é de 1,48°C (ou 2,664°F) mais elevado do que em 1890-1910. Note-se que a linha de base de 1890-1910 é muito mais tarde do que os tempos pré-industriais. O Acordo de Paris comprometeu-se a limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Em terra no Hemisfério Norte, estava 1,99°C (ou 3.582°F) mais quente (mapa à direita na imagem abaixo).

Temperatura L-OTI e de superfície (em terra) entre ovembro 2015 e Abril 2016 mais elevada no hemisfério norte

As imagens acima representam apenas um semestre, logo elas são apenas indicativas do aumento total para o ano de 2016. No entanto, quando se tem em conta o aquecimento causado pelas pessoas antes de 1900, o ano de 2016 parece destinado a ultrapassar os limites de segurança que o Acordo de Paris havia se comprometido a não serem ultrapassados. A situação parece ainda pior quando se considera que as temperaturas medidas em núcleos de gelo já incluíam uma quantidade substancial do aquecimento pelos seres humanos mesmo antes do início da Revolução Industrial.

Limites do Acordo de Paris ultrapassados em Fevereiro de 2016No Acordo de Paris, os países comprometeram-se a manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de perseguirem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Quando olhamos para um único mês, Fevereiro de 2016 esteve 1,67°C (3°F) mais quente do que 1890-1910 (ver imagem à direita). Ao adicionar uns meros 0,34°C para contar com o aquecimento antes de 1900, o aquecimento total em Fevereiro de 2016 ultrapassou de facto os 2°C. Olhando dessa forma, os limites de segurança estabelecidos em Paris em Dezembro de 2015 já foram ultrapassados em Fevereiro de 2016.

Situação

Então, qual é a situação? Por um lado, há o aumento da temperatura atualmente observado (ΔO). Este aumento é tipicamente calculado como a diferença entre a temperatura atual e a temperatura a uma dada linha de base.

Contudoo, este ΔO não reflete o impacto total das emissões humanas. Temperaturas teria sido inferior se não houvesse emissões por seres humanos. O impacto total de aquecimento devido às emissões das pessoas, portanto, é ∆E. Este ∆E é maior do que o aumento observado que é frequentemente utilizado, uma vez que a linha de base teria sido inferior sem o aquecimento causado por seres humanos.

Ao mesmo tempo, parte do aquecimento global causado pelas pessoas está mascarado devido as emissões de aerossóis (∆A). Tais emissões de aerossóis resultam principalmente da queima dos combustíveis fósseis e biomassa. Não há dúvida de que tais emissões deviam ser reduzidas, mas a verdade é que o aumento da temperatura atual pode aumentar substancialmente, digamos em metade, quando o efeito de mascaramento desaparece.

Assim, o aquecimento total (desmascarado) causada pelos seres humanos é a soma destes dois, ou seja, ∆E + ∆A, e a soma podia ser tão elevada quanto 3°C ou mesmo mais do que 5°C.

Além disso, há um aumento futuro da temperatura que já está cozido no bolo (∆F). Alguns feedbacks ainda não são muito visíveis, uma vez que algumas mudanças levam tempo para se tornarem mais evidentes, como o derretimento do gelo do mar e as mudanças não lineares devido a feedbacks que só agora estão a entrar em jogo. Além do mais, o efeito total das emissões de CO2 atinge o seu pico apenas uma década após a emissão e, mesmo com os melhores esforços, os seres humanos provavelmente ainda estarão a causar emissões adicionais durante a próxima década. Todos esses fatores em conjunto podem resultar num aumento de temperatura superior a ∆E + ∆A juntos, ou seja, o ∆F poderia, sozinho, causar um aumento de temperatura superior a 5°C no espaço de uma década.

Em resumo, o aquecimento total causado pelos humanos (∆E + ∆A + ∆F) poderia ser de mais do que 10°C (18°F) no espaço de uma década, assumindo que nenhuma geoengenharia terá lugar dentro de uma década.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original How Much Warming Have Humans Caused? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 28 de Maio de 2016.
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Sam Carana

Temperatura de Março

Anomalia da temperatura mensal global para Março 2016

A imagem em cima mostra anomalias da temperaturas mensal global terra-oceano (a vermelho) e apenas-terra (a preto) em comparação com a média do período de 1951 a 1980.

No Acordo de Paris, os países comprometeram-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas ao travarem o aumento da temperatura média global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazerem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para se ver o quanto as temperaturas subiram em relação aos níveis pré-industriais, uma comparação com o período 1951-1980 não nos dá o quadro todo. A imagem em baixo, criada pela selecção de um raio de alisamento de 1200 km, mostra que o aumento da temperatura global desde 1890-1910 foi de 1,58°C ou 2.84°F.

Anomalia da temperatura terra-mar em Março de 2016

O aumento de temperatura é ainda maior quando se olha para medições de estações apenas em terra. A imagem abaixo compara a temperatura de Março de 2016 com o período de 1890-1910 (250km de suavização), mostrando uma anomalia de temperatura apenas em Terra de 2,42°C ou 4,36°F.

anomalia de temperatura em terra de 2,42°C ou 4,36°F para Março de 2016

Tendo em conta que as temperaturas já haviam aumentado em cerca de 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, isto acrescenta a um aumento total da temperatura, em terra, em Março de 2016, de 2,72°C (4,9°F) desde o início da revolução industrial .

No Hemisfério Norte, houve um aumento de temperatura ainda mais dramático em terra. Em Março de 2016, em terra, no Hemisfério Norte, esteve 4,9°F ou 2,72°C mais quente do que a média do século 20, como ilustrado pela imagem abaixo.

Temperatura em terra no hemisfério norte para Março 2016

Esteve 2,72°C mais quente do que a média do século XX, se considerarmos a temperatura nos continentes no Hemisfério Norte, durante Março de 2016.

Quanto desse aumento pode ser atribuído ao El Niño? Uma maneira de responder a esta pergunta é adicionando uma tendência polinomial, como na imagem abaixo, mostrando que as temperaturas já tinham subido 2°C em Março de 2015, enquanto aponta para um aumento de 4°C até Março de 2030 e 10°C antes o ano de 2050.

Quanto do aumento da temperatura pode ser atribuido ao El Nino?

A linha de tendência também mostra uma diferença de temperatura de cerca de meio grau Celsius entre a média do século 20 e o ano de 1900. Tendo em conta que as temperaturas já haviam aumentado em cerca de 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, isto acrescenta a um aumento total da temperatura em terra, no Hemisfério Norte, em Março 2016 de 3,52°C ou 6,34°F desde o o início da revolução industrial.

Dados da NOAA mostram que em Março de 2016 esteve 2,33°C ou 4,19°F mais quente globalmente em terra do que a média do século 20. Quando comparado com as temperaturas por volta do ano de 1900, esteve ainda mais quente.

Em fevereiro de 2016, dados da NASA mostram que esteve 2,33°C ou 4,19°F mais quente em terra (com 1200 km de alisamento) do que em 1890-1910, enquanto esteve 2,48°C ou 4,46°F mais quente, para um raio de suavização de 250km, para os dados de apenas-terra. Numa publicação anterior, um aumento de 2,3°C em Fevereiro de 2016 foi usado como um dos vários elementos que compõem o eventual aumento total que poderia suceder, nos continentes, até ao ano de 2026, assumindo que nenhuma geoengenharia ocorrerá (imagem abaixo).

Previsão do aumento da temperatura para 10 anos

Enquanto isso, o presente El Niño ainda está forte e a causar temperaturas muito altas, fazendo-nos indagar quão altas as temperaturas serão durante o próximo El Niño, o que poderia suceder daqui a uma década ou menos. A imagem abaixo mostra temperaturas elevadas em quatro locais no Sudeste Asiático a 20 de abril de 2016.

Temperaturas muito elevadas no Sudeste Asiático a 20 Abril

A situação é calamitosa e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original March Temperature de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 16 de Abril de 2016.
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Aumento previsto da temperatura para daqui a uma década, 2026
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Retroalimentação, Temperatura

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Anomalia do indice de temperatura terra mar para fevereiro 2016
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Temperatura

Temperatura em Fevereiro

O artigo “Temperatura em Fevereiro” foi trazido do site Alterações Climáticas: A Mais Recente Ciência Climática Trazida de Diversas Fontes
 

A anomalia da temperatura da terra e do oceano para fevereiro de 2016 foi de 1,35°C (2,43°F) acima da temperatura média no período de 1951 a 1980, como mostra a imagem abaixo (projeção Robinson).

Anomalia do indice de temperatura terra mar para fevereiro 2016

Em terra, esteve 1,68°C (3,02°F) mais quente em fevereiro de 2016, em comparação com 1951-1980, como a imagem em baixo mostra (projeção polar).

Anomalia da temperatura terrestre para fevereiro de 2016

A imagem em baixo combina os dois números em cima em dois gráficos, mostrando as anomalias de temperatura ao longo das últimas duas décadas.

Índice de Temperatura Terra-Oceano e as Anomalias da Temperatura do Ar à Superfície em Terra

Em baixo temos o gráfico completo, que mostra que as anomalias estavam bem abaixo de zero antes do período de 1951 a 1980, o qual é usado como uma referência para calcular anomalias. A linha azul mostra dados terra-mar, enquanto a linha vermelha mostra dados de estações apenas em terra.

Anomalias da temperatura desde 1880

No Acordo de Paris, as nações empenharam-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, ao manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazerem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para vermos o quanto as temperaturas subiram em relação aos níveis pré-industriais, uma comparação com o período 1951-1980 não dá o quadro todo. A imagem abaixo compara as temperaturas de fevereiro de 2016, com o período de 1890 a 1910, novamente apenas em terra.

Temperaturas em terra para fevereiro 2016 em comparação com  média 1890-1910

Como as temperaturas já haviam subido ~ 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, o aumento total da temperatura em terra em fevereiro de 2016 é, portanto, de 2,6°C (4,68°F) em comparação com o início da revolução industrial.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o aumento de temperatura total em terra irá ser, digamos, daqui a uma década:

Aumento de 1900-2016: Em fevereiro de 2016, esteve 2,3°C (4,14°F) mais quente em terra do que esteve em 1890-1910.

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica (ver neste post anterior, em Português).

Aumento 2016-2026: Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 ppm, mais do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959, levando um post anterior [em português] a adicionar uma linha de tendência polinomial que aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (uma década a partir de agora). Se os níveis de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa continuam a aumentar, haverá aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, de modo que a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total pelos gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, os aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas emitiram muito mais aerossóis desde 2010, de modo que o efeito de mascaramento atual de aerossóis será ainda maior.

Mudança de Albedo: Aquecimento devido à perda de neve e gelo do Ártico pode muito bem ultrapassar 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente que duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,9°C (7,02°F) e outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10,4°C (18,72°F).

Aumento da temperatura previsto para 10 anos, feedbacks

Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original February Temperature de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Março de 2016.

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Índice de Temperatura Terra-Oceano e as Anomalias da Temperatura do Ar à Superfície em Terra
Sam Carana

Temperatura em Fevereiro

A anomalia da temperatura da terra e do oceano para fevereiro de 2016 foi de 1,35°C (2,43°F) acima da temperatura média no período de 1951 a 1980, como mostra a imagem abaixo (projeção Robinson).

Anomalia do indice de temperatura terra mar para fevereiro 2016

Em terra, esteve 1,68°C (3,02°F) mais quente em fevereiro de 2016, em comparação com 1951-1980, como a imagem em baixo mostra (projeção polar).

Anomalia da temperatura terrestre para fevereiro de 2016

A imagem em baixo combina os dois números em cima em dois gráficos, mostrando as anomalias de temperatura ao longo das últimas duas décadas.

Índice de Temperatura Terra-Oceano e as Anomalias da Temperatura do Ar à Superfície em Terra

Em baixo temos o gráfico completo, que mostra que as anomalias estavam bem abaixo de zero antes do período de 1951 a 1980, o qual é usado como uma referência para calcular anomalias. A linha azul mostra dados terra-mar, enquanto a linha vermelha mostra dados de estações apenas em terra.

Anomalias da temperatura desde 1880

No Acordo de Paris, as nações empenharam-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas, ao manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazerem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para vermos o quanto as temperaturas subiram em relação aos níveis pré-industriais, uma comparação com o período 1951-1980 não dá o quadro todo. A imagem abaixo compara as temperaturas de fevereiro de 2016, com o período de 1890 a 1910, novamente apenas em terra.

Temperaturas em terra para fevereiro 2016 em comparação com média 1890-1910

Como as temperaturas já haviam subido ~ 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, o aumento total da temperatura em terra em fevereiro de 2016 é, portanto, de 2,6°C (4,68°F) em comparação com o início da revolução industrial.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o aumento de temperatura total em terra irá ser, digamos, daqui a uma década:

Aumento de 1900-2016: Em fevereiro de 2016, esteve 2,3°C (4,14°F) mais quente em terra do que esteve em 1890-1910.

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica (ver neste post anterior, em Português).

Aumento 2016-2026: Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 ppm, mais do que em qualquer ano desde que o registo começou em 1959, levando um post anterior [em português] a adicionar uma linha de tendência polinomial que aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (uma década a partir de agora). Se os níveis de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa continuam a aumentar, haverá aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, de modo que a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total pelos gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, os aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas emitiram muito mais aerossóis desde 2010, de modo que o efeito de mascaramento atual de aerossóis será ainda maior.

Mudança de Albedo: Aquecimento devido à perda de neve e gelo do Ártico pode muito bem ultrapassar 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente que duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,9°C (7,02°F) e outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10,4°C (18,72°F).

Aumento da temperatura previsto para 10 anos, feedbacks

Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

O aquecimento de 2,3°C usado na imagem acima não é o maior valor oferecido pelo site da NASA. Um número ainda mais elevado de aquecimento de 2,51°C pode ser obtido ao selecionar-se um ‘smoothing radius’ de 250 km para os dados em terra.

Anomalia da temperatura em terra para fevereiro 2016 comparada com média 1890-1910

Ao adicionar os 0,3°C de subida da temperatura antes de 1900, o aumento desde o início da revolução industrial é de 2,81°C (5,06°F), como ilustra a imagem à direita.

A imagem também mostra que este é o aumento médio. Em locais específicos, está tanto quanto 16,6°C (30°F) mais quente do que no início da revolução industrial.

Além disso, as temperaturas estão mais altas no Hemisfério Norte do que no Hemisfério Sul. Isto é ilustrado pela imagem abaixo que mostra as anomalias de temperatura pela NASA para janeiro de 2016 (preto) e Fevereiro de 2016 (vermelho), em terra, no Hemisfério Norte. Os dados mostram que esteve 2,36°C (4.25°F) mais quente em fevereiro de 2016 em comparação com 1951-1980.

Anomalia da Temperatura de Janeiro e Fevereiro de 2016 comparação com 1951-1980

Quanto do aumento pode ser atribuído ao El Nino? As linhas de tendência adicionadas constituem uma maneira de lidar com variabilidade como a causada por eventos de El Niño e La Niña, e elas também podem indicar o quanto de aquecimento pode ser esperado eventualmente durante os anos vindouros.

A linha de tendência de fevereiro também indica que esteve 0,5°C mais frio em 1900 do que em 1951-1980, de modo que o aumento desde 1900 é de 2,86°C (5,15°F). Juntamente com um aumento de 0,3°C antes de 1900, isto representa uma subida em terra no Hemisfério Norte de 3,16°C (5,69°F) em relação aos níveis pré-industriais. A maioria das pessoas na Terra vive em terra no Hemisfério Norte. Por outras palavras, a maioria das pessoas já estão expostas a um aumento de temperatura que está bem acima de quaisquer limites de segurança que os países do Acordo de Paris se comprometeram a não serem cruzados.

Anomalias da temperatura maiores n Ártico, a 14 de Março de 2016

As temperaturas podem aliás aumentar ainda mais rapidamente do que estas linhas de tendência indicam. Como a imagem acima ilustra, os maiores aumentos de temperatura estão a ocorrer no Ártico, resultando num rápido declínio da cobertura de neve e gelo e aumentando o perigo de que grandes erupções de metano do fundo do mar possam ocorrer. Tudo isso também poderia levar a mais vapor de água, enquanto as subidas de temperatura resultantes ameaçam causar mais secas, ondas de calor e incêndios florestais que irão causar mais emissões, bem como escassez de alimentos e de água doce em muitas áreas.

Adicionar-se os vários elementos como discutido acima indica que a maioria das pessoas podem muito bem ser atingidas por um aumento de temperatura de 4,46°C ou 8,03°F num cenário de pequeno aumento e um de 10,96°C ou 19,73°F num cenário de grande aumento, e isso seria numa década a partir de fevereiro de 2016. Uma vez que já estamos em Março de 2016, isso é em menos de dez anos a partir de agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original February Temperature de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Março de 2016.
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Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910
Sam Carana

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo
Sam Carana

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

Sugerimos a leitura de “Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Para a época do ano, o gelo do Ártico continua em num recorde mínimo desde que os registros de satélite começaram em 1979, tanto para a área como para a extensão. A imagem abaixo mostra a área de gelo do mar do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a área era de 12,49061 milhões de quilómetros quadrados.

Gelo do Ártico Recorde Mínimo em Fevereiro de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo marinho do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a extensão era de 14.186 mil quilómetros quadrados.

Extenção do gelo marinho no Ártico Fevereiro 2016

A razão para o recorde mínimo de gelo marinho é que há mais calor do oceano do que costumava haver. A imagem abaixo mostra que, a 12 de fevereiro de 2016, a temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico estava tão quente quanto 11,3°C (52,4°F) num local perto de Svalbard marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C (18,7°F).

Temperatura de Superfície do Mar no Ártico, 12 Fevereiro 2016

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar América do Norte

A razão para isto é que a água ao largo da costa leste da América do Norte é muito mais quente do que costumava ser.

A Corrente do Golfo está a empurrar o calor até ao Oceano Ártico.

A imagem à direita mostra que a 14 de fevereiro, 2016, as anomalias da temperatura de superfície do mar (em comparação com 1981-2011) ao largo da costa leste da América do Norte, estavam tão elevadas quanto 10.1°C ou 18.1°F (no local marcado pelo círculo verde ).

Enquanto que a superfície do mar parece mais fria (em comparação com 1981-2011) sobre uma grande parte do Atlântico Norte, uma quantidade crescente de calor do oceano parece estar a viajar por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico, como discutido no post anterior no link.

Médias das anomalias da temperatura de superfície do mar em em diferentes latitudes do globo.

Isto significa más notícias para o gelo do mar em 2016, já que o El Niño ainda está forte. As temperaturas em janeiro de 2016 sobre o Oceano Ártico estavam 7,3°C (13,1°F) maiores do que a média de 1951-1980, de acordo com dados da NASA, como ilustra o gráfico à direita.

Anomalia da temperatura terrestre para Janeiro
Uma tendência polinomial adicionada à anomalia da temperatura em terra de janeiro no Hemisfério Norte desde 1880 mostra que uma subida de 10°C (18°F) poderia acontecer até ao ano de 2044, como ilustra o gráfico à direita. Ao longo do Oceano Ártico, pode-se esperar um aumento ainda mais dramático.

Como o mapa da NASA em baixo ilustra, a anomalia da temperatura terra-mar global para janeiro de 2016, em relação à média de 1951-1980, foi de 1,13°C (ou mais de 2°F) e o calor atingiu mesmo o Oceano Ártico mais fortemente do que noutros lugares.
Temperatura Terra-Mar Global Anomalia - NASA

Enquanto isso, níveis de metano tão elevados quanto 2539 partes por bilião (ppb) foram registados a 13 de Fevereiro de 2016, como ilustrado pela imagem abaixo.
Níveisde metano fevereiro 2016

O perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão entrar em erupção de forma abrupta a partir do fundo do mar.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Actualização: a extensão do gelo do mar no Ártico continua a cair. No ano passado (2015), a máxima extensão do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Será que a extensão máxima para este ano já foi alcançada a 9 de fevereiro de 2016? A imagem abaixo ilustra esta questão. discutida mais adiante no grupo Arctic News.

Traduzido do original Arctic sea ice remains at a record low for time of year de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 15 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

em https://aquecimentoglobaldesc…

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