Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono
Sam Carana

CO₂ Mensal a Não Menos de 400 ppm em 2016

Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões globais de dióxido de carbono de combustíveis fósseis e da indústria (incluindo a produção de cimento) quase não cresceram, como a imagem do Global Carbon Project em baixo mostra:

Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono

Contudo, os níveis de CO₂ têm continuado a subir e, como ilustrado pela tendência na imagem em baixo, poderão até ter acelerado.

Níveis de dióxido de carbono em crescimento apesar de não haver aumento das emissões

Porque têm os níveis de CO₂ na atmosfera continuado a subir apesar do facto de que as emissões da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento quase não terem aumentado nos últimos anos?

Desmatamento e outras alterações no uso dos solos

Durante a década de 2006 a 2015, as emissões provenientes do desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outra 1,0 ± 0,5 GtC (3,3 ± 1,8 GtCO₂), em média, às emissões de combustíveis fósseis e cimento representadas acima. Em 2015, de acordo com o Global Carbon Project, o desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outras 1,3 GtC (ou 4,8 bilhões de toneladas de CO₂), em cima das 36,3 bilhões de toneladas de CO₂ emitido pelos combustíveis fósseis e pela indústria. Este aumento nas emissões por desmatamento e outras mudanças no uso do solo constitui um aumento significativo (42%) sobre as emissões médias da década anterior, e este salto foi em grande parte causado por um aumento nos incêndios florestais ao longo dos últimos anos.

Por conseguinte, os níveis de CO₂ na atmosfera continuaram o seu crescimento constante. Em 2016, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm. Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 800.000 anos.

Níveis de CO2 acima dos 400ppm em 2016

Em 2016, pela primeira vez em pelo menos 800.000 anos, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm.

Enquanto sobem, os níveis de CO₂ globais flutuam com as estações do ano, normalmente atingindo a um mínimo anual em agosto. Em agosto de 2016, os níveis de CO₂ atingiram um mínimo de 400,44 ppm, ou seja, bem acima de 400 ppm. Em setembro de 2016, os níveis de dióxido de carbono tinham subido novamente, para 400,72 ppm. Importante notar, uma tendência está contido nos dados a apontar para um nível de CO₂ de 445 ppm no ano de 2030.

Sensibilidade

Entretanto, um estudo por Friedrich et al. atualiza as estimativas do IPCC para a sensibilidade ao aumento do CO2, concluindo que as temperaturas poderiam aumentar tanto quanto 7.36°C em 2100 como resultado do aumento dos níveis de CO₂.

Quando tendo outros elementos que não o CO2 mais em conta, a situação parece ainda pior que isto, ou seja, o aumento global da temperatura poderia ser tanto quanto 10°C na próxima década, como descrito na página extinção.

Sequestro de carbono em terra
Dissipadores de carbono e variação do sequestro de carbono ao longo dos anos.

Perturbação do ciclo global de carbono causada pelas atividades antropogénicas, estimadas globalmente para a década de 2006-2015(GtCO2/ano)

A imagem acima mostra também um aumento do sequestro de carbono em terra ao longo dos anos, o qual um estudo recente atribui a níveis mais elevados de CO₂ na atmosfera. Embora este aumento do dissipador de carbono em terra pareça ter travado um aumento mais forte da temperatura por algum tempo, há indícios de que este dissipador de terra já está a diminuir.

Porque é que o sequestro de carbono em terra está a diminuir?

  • Práticas agrícolas, tais como o esgotar das águas subterrâneas e aqüíferos, arar, mono-culturas e o corte e queima de árvores para criar gado pode reduzir significativamente o teor de carbono dos solos.
  • O salto recente na temperatura global parece ter danificado severamente os solos e a vegetação através de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, relâmpagos, inundações, ondas de calor, secas, tempestades de areia e incêndios florestais, e a erosão associada, transformando partes daquilo que foi uma vez um enorme reservatório de sequestro de carbono em terra em fontes de emissões de dióxido de carbono. Pior ainda, tais eventos climáticos extremos também podem levar a novas emissões, incluindo fuligem, óxido nitroso, metano, e monóxido de carbono, que por sua vez podem causar aumentos de ozono ao nível do solo, o que enfraquece ainda mais a vegetação e torna as plantas mais vulneráveis ​​a pragas e infestações.
  • Tal como um estudo de 2009 avisou, temperaturas mais elevadas também podiam causar uma redução na transpiração pelas copas das árvores, devido a estômatos das plantas menos amplamente abertos e o resultante aumento da resistência estomática em concentrações mais elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Como resultado, a cobertura de nuvens baixas está a diminuir na maior parte da superfície da terra, reduzindo albedo planetário e fazendo com que mais radiação solar alcance a superfície, e assim elevando ainda mais a temperatura para além do nível de viabilidade para muitas espécies.
Conclusão

Em conclusão, embora as emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria possam mal ter crescido, os níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar progressivamente, se não mesmo a acelerar. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos estão em ascensão e há outros fatores que contribuem para fazer com que o sumidouro de carbono em terra diminua de tamanho. Para além disso, o IPCC parece ter subestimado a sensibilidade ao aumento de CO2.

Temperaturas a aumentarem

Como resultado, não se pode esperar que as temperaturas descerão dos seus níveis actualmente muito elevados, como ilustrado na imagem abaixo.

Meses que Estiveram Acima de 1.5ºC

Esteve mais do que 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial durante 9 dos 12 meses entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Ártico, como ilustrado pela imagem em baixo, mostrando subidas da temperatura até 10.2°C no Ártico em outrubro de 2016.

Subidas da temperatura anormais no Ártico

O gráfico da DMI em baixo mostra a temperatura média diária e o clima a norte do paralelo 80, como função do dia do ano.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Comparação da temperatura média em cada dia do ano. Linha vermelha representa 2016 até 15 de Novembro. Linha verde representa a média de 1958-2002 para cada dia do ano.

Previsão para 19 de novembro de 2016: O Ártico vai estar tanto quanto 7,42ºC mais quente do que em 1979-2000, como ilustrado na imagem em baixo.

temperatura distancia-se da média no Ártico, anomalia de 7ºC

Outro reflexo de um mundo cada vez mais quente, a extensão combinada do gelo marinho do Ártico e da Antártida está atualmente num mínimo recorde. A 12 de novembro de 2016, a extensão global combinada de gelo do mar foi de apenas 23.508 mil km².

Gelo no Ártico e na Antártida com extensões mínimas para a altura do ano.

A extensão do gelo marinho no Ártico está a aumentar, onde o Inverno está a chegar, enquanto que na Antártida a extensão do gelo está a diminuir, onde está a chegar o Verão. Em ambos os polos o gelo está num recorde baixo para a época do ano.

Duas imagens, criadas por Wipneus com dados de NSIDC, foram adicionadas a seguir para ilustrar ainda mais a situação.

Extensão global do gelo do mar plurianual

A imagem acima mostra a extensão do gelo marinho global ao longo dos anos, enquanto que a imagem abaixo mostra a área total do gelo marinho global ao longo dos anos. Para mais quanto à diferença entre extensão e área do gelo, vejam esta página da NSIDC.

gelo marinho área global de ano para ano

Alguns dos resultados do dramático declínio global do gelo do mar são:

  • Enormes quantidades de luz solar que foram refletidas anteriormente de volta para o espaço são agora, em vez disso, absorvidas pelos oceanos.
  • O declínio do gelo marinho faz com que seja mais fácil que água quente do mar chegue debaixo dos glaciares e acelere o seu fluxo para a água.
  • Mais águas abertas resulta em tempestades mais fortes, provocando chuvas e continuação do declínio da cobertura de neve e gelo.
  • A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo na Gronelândia e Antártida, por sua vez ameaça provocar um aumento da libertação de metano da Gronelândia e da Antártida, como descrito em publicações anteriores como esta.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Monthly CO₂ not under 400 ppm in 2016 de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Novembro de 2016..

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Anúncios
Standard
Temperaturas elevadas no Ártico abrandam a recuperação no crescimento do gelo
Climate Central

Temperaturas Quentes Abrandam o Crescimento do Gelo Marítimo do Ártico

Algo estranho está a acontecer no Ártico. Depois de descer ao seu segundo valor de extensão mais baixo de que há registo em setembro, o gelo marítimo tem-se debatido para ressurgir em outubro.

Um clima abnormalmente ameno juntamente com um oceano mais quente do que o normal são em grande parte responsáveis pela grande desaceleração do gelo marítimo em 2016. É apenas a mais recente evidência de que 2016 está noutro nível quando se trata de sinais de que o clima está a mudar.

//platform.twitter.com/widgets.js

A mudança do calendário para o inverno e a rápida diminuição da luz do dia habitualmente são acompanhadas pelo crescimento do gelo marítimo no Ártico. Depois de atingir um mínimo no início de setembro, o recrescimento do gelo marítimo teve um começo alucinante. Mas a sua recolonização do Oceano Ártico abrandou fortemente em outubro.

Dados preliminares publicados pela agência espacial japonesa e visualizados por Zach Labe, um estudante de PhD na Universidade da Califórnia, Irvine, mostram que é o recrescimento mais lento de que há registo. Isto inclui um período no final de outubro onde parece não ter havido qualquer crescimento do gelo marítimo.

Recuperação lenta do gelo marítimo no Ártico

A extensão do gelo marítimo no Ártico atingiu um mínimo recorde para outubro. Crédito: Zach Labe

Grandes áreas de gelo estavam em falta no final de outubro no oeste dos mares de Beaufort e Chukchi a norte do Alasca e nos mares de Kara e Barents que ficam acima da Rússia. Ted Scambos, cientista do National Snow and Ice Data Center, disse que parece que o gelo marítimo está cerca de 373.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde anterior e 1553.000 quilómetros quadrados abaixo da média outubro. Para se ter uma perspetiva, esta última é uma área um pouco maior do que a metade oriental os EUA (e a primeira é aproximadamente do tamanho do Texas).

A principal razão para este crescimento lento é que a temperatura tem estado relativamente quente face os padrões do Ártico quase todo o mês. O Oceano Ártico esteve a uns surpreendentes 3,9°C acima do normal, em média, em outubro (novamente, com base em dados preliminares) com um número de áreas muito mais quentes do que isso com temperaturas variando até 10°C mais quente do que o habitual.

Temperaturas elevadas no Ártico abrandam a recuperação no crescimento do gelo marítimo

A temperatura prevista para os próximos cinco dias no Ártico revela calor incessante, o que vai continuar a abrandar o crescimento do gelo marítimo.Crédito: Climate Change Institute

“Há uma forte alta pressão sobre a Escandinávia, que está a ajudar a transportar o ar quente do Atlântico Norte em direção ao Ártico”, diz Julienne Stroeve, cientista do NSIDC. “As temperaturas do oceano também estão um bocado acima do normal, especialmente nos mares de Chukchi e do Leste da Sibéria, logo isso também está a contribuir.”

É a mais recente notícia sombria do gelo marítimo em 2016. Este ano estabeleceu um recorde baixo para o máximo de inverno, superando o recorde anterior, estabelecido há apenas um ano. O gelo marítimo atingiu o seu segundo menor valor de sempre registado na região, ficando apenas atrás de 2012.

A falta de gelo neste verão permitiu que o Crystal Serenity, um navio de cruzeiro de luxo, atravessasse a Passagem do Noroeste. Houve também uma série de outros meses com recordes mínimos de gelo marítimo este ano.
http://climatecentral.org/wgts/ArcticSeaIce-11_1_16/index.html?utm_source=cc&utm_medium=embed&utm_campaign=ArcticSeaIce-11_1_16

Acrescentando à miséria de gelo marítimo no Ártico está o desaparecimento do gelo marítimo existente há quatro ou mais anos. Este gelo marítimo mais velho atua essencialmente como a fundação de uma casa, ajudando a suportar o crescimento de novo gelo marítimo. É também mais grosso e mais duro e menos propenso a derreter. Sem ele, o gelo marítimo mais recente está a ser construído em terreno instável e derrete mais facilmente a cada verão.

E contudo, a camada primordial de gelo está a desaparecer do Ártico. Na década de 1980 esta representava cerca de 20 por cento de todo o gelo marítimo. Mas quando o gelo marítimo atingiu o seu mínimo em 2016, o gelo mais antigo constituía apenas 3 por cento do leque de gelo.

Considerado isoladamente, tudo isto indica que 2016 poderá ser um ano atípico. Mas olhando para o panorama geral, mostra que está bem em linha com as tendências atuais. O gelo marítimo de setembro tem desaparecido a um ritmo de 13,4 por cento por década desde o final da década de 1970. E os navios têm estado a utilizar a Passagem do Noroeste desde 2007; o Crystal Serenity foi apenas uma travessia particularmente notada pelos seus preços de bilhetes exorbitantes.

As alterações climáticas continuarão a intensificar o calor e a engolir rapidamente o gelo marítimo do Ártico. Isto significa que nas próximas décadas provavelmente olharemos para trás para 2016 como os bons velhos tempos, quando pelo menos ainda havia algum gelo antigo.

Traduzido do original Warm Temps Slow Arctic Sea Ice Growth to a Crawl publicado por Brian Kahn em Climate Central, a 2 de Novembro de 2016

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA
Sam Carana

Quanto Aquecimento Foi Causado Pelos Humanos?

Diferenças na Linha de Base

As diferenças na linha de base (período de referência) podem resultar em diferenças dramáticas na elevação da temperatura. O conjunto de dados HadCRUT4 do Met Office do Reino Unido normalmente apresenta anomalias de temperatura em relação a uma linha de base 1961-1990. A NASA usa tipicamente uma linha de base 1951-1980, mas o site da NASA permite que diferentes linhas de base possam ser selecionadas. Ao seleccionar uma linha de base 1961-1990, as temperaturas durante os 6 meses que passaram estiveram 1,05°C (1,89°F) mais elevadas em relação a esta linha de base, conforme mostrado pelo mapa da NASA no painel da esquerda da imagem abaixo. Como o mapa no painel direito da imagem abaixo mostra, quando comparado com 1890-1910, as temperaturas subiram 1,48°C (ou 2.664°F).

Anomalia da temperatura global comparado as linhas de base 1961-1990 e 1890-1910

De Novembro de 2015 a Abril de 2016 esteve 1.05°C (1.89°F) mais quente do que em 1961-1990 (mapa à esquerda) e 1.48°C (ou 2.664°F) mais quente do que 1890-1910 (mapa à direita)

Uma tendência polinomial pode reduzir a variabilidade como a causada por vulcões e eventos El Niño. O gráfico abaixo foi criado com a anomalia da temperatura média mensal global de superfície pelo índice L-OTI (índice de temperatura dos continentes mais oceanos) da NASA, o qual tem uma linha de base 1951-1980, e depois com 0,29°C adicionados, o que faz a anomalia de 0°C no ano de 1900 para a tendência polinomial adicionada.

Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA

Isto dá-nos uma ideia do quanto as temperaturas subiram desde o ano de 1900, com um aumento para ambos Fevereiro e Março de 2016 a revelar que foi de mais de 1,5°C. A tendência aponta para anomalias de temperatura que serão superiores a 1,5°C dentro de uma década, e mais do que 2°C logo a seguir.

Temperaturas Históricas

Para calcular quanto aquecimento os seres humanos causaram desde os tempos pré-industriais, é preciso irmos ainda mais atrás no tempo. O gráfico abaixo mostra que as concentrações de dióxido de carbono variaram entre cerca de 180 ppm e 280 ppm ao longo dos últimos 800.000 anos e que recentemente atingiram um pico de 411 ppm (pico da média horária a 11 de Maio de 2016).

Concentrações de dióxido de carbono (CO2) núcleos de gelo e medidas até 2016

Dados de concentração de dióxido de carbono (CO2) em núcleos de gelo, anteriores a 1958, e o CO2 atualmente medido no observatório de Mauna Loa desde 1958, no pico da média horária a 11 de Maio de 2016

O gráfico em baixo, de uma publicação anterior, mostra como, no passado, ao longo dos últimos 420.000 anos, as temperaturas (e os níveis de CO2 e CH4) variaram em cerca de 10°C, de acordo com os ciclos de Milankovitch.

Temperatura, dióxido de carbono, metano, valores históricos

Historicamente, os aumentos de dióxido de carbono de 100 ppm têm andado de mãos dadas com os aumentos da temperatura de cerca de 10°C. O recente aumento das concentrações de dióxido de carbono é um aumento de 131 ppm (de cerca de 280 ppm a 411 ppm). O aumento das concentrações de metano é ainda mais acentuado. Podemos, assim, contar que aconteça um aumento da temperatura em mais de 10°C, e em caso afirmativo, em quanto tempo isso poderia acontecer? Como descrito em baixo, o aquecimento causado por seres humanos pode resultar num aumento de temperatura de mais de 10°C (18°F) dentro de uma década.

O gráfico à direita, criado por Jos Hagelaars, mostra que, durante o ciclo mais atual, as temperaturas atingiram um pico à cerca de 7000 anos atrás (na parte azul do gráfico). Temperaturas ao longo de milhares de anos

O gráfico abaixo, baseado no trabalho de Marcott et al., centra-se nesta parte azul do gráfico, usando uma linha de base de 1961-1990. As temperaturas atingiram um pico há cerca de 7000 anos, e depois desceram para atingirem um mínimo algumas centenas de anos atrás.Variação da temperatura em 10.000 anos

As temperaturas de pico e de mínimos (destacado a vermelho na imagem) durante aquele período sugerem uma queda de mais de 0,7°C.

Umas poucas centenas de anos atrás, as temperaturas estavam a cair e teriam continuado em queda, em linha com os ciclos de Milankovitch, se não tivesse havido o aquecimento causado por humanos.

A partir desse ponto baixo, as temperaturas subiram primeiro cerca de 0,4°C, oprimindo a tendência de queda que teria, de outro modo, levado temperaturas ainda mais para baixo, e então houve um aumento adicional de pelo menos 1,05°C, quando se utiliza uma base de 1961-1990. Isso pode sugerir que os seres humanos causaram um total de 1,45°C de aquecimento.

Os Seres Humanos Causaram Ainda Mais Aquecimento

A situação parece ser ainda pior do que o que os números acima poderão sugerir. Na verdade, o ponto mais baixo no gráfico Marcott teria sido ainda mais baixo se não tivesse havido aquecimento por parte dos seres humanos.

As temperaturas antes de 1900 já eram mais elevadas do que teriam sido se não tivesse havido aquecimento causado pelo homem. O facto de que os seres humanos causaram um aquecimento substancial entre 1800 e 1900 é ilustrado pelo gráfico abaixo, a partir de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que cerca de 0,3°C do efeito estufa já tinham acontecido entre o ano de 1800 e o ano de 1900.

Aquecimento causado pela revolução industrial em 1900

Uns 0.3 C de aquecimento por efeito estufa já havia acontecido em 1900, e uns 0.2 C de aquecimento em 1870

Os humanos também causaram um aquecimento substancial bem antes de 1800. Um exemplo de aquecimento causado por humanos antes de 1800 é apresentado na pesquisa por Dull et al., a qual sugere que a queima das florestas neotropicais aumentou de forma constante nas Américas, atingindo um pico no tempo em que os europeus chegaram no final do século XV. Em 1650, cerca de 95% da população indígena tinha morrido. A regeneração de florestas levou ao sequestro de carbono de cerca de 2 a 5 pentagramas de carbono (Pg C), contribuindo assim para uma queda no dióxido de carbono atmosférico registado em núcleos de gelo da Antártida durante os anos de cerca de 1500 até 1750.

O Acordo de Paris

Os dados da NASA sugerem que o aquecimento já é de 1,48°C (ou 2,664°F) mais elevado do que em 1890-1910. Note-se que a linha de base de 1890-1910 é muito mais tarde do que os tempos pré-industriais. O Acordo de Paris comprometeu-se a limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Em terra no Hemisfério Norte, estava 1,99°C (ou 3.582°F) mais quente (mapa à direita na imagem abaixo).

Temperatura L-OTI e de superfície (em terra) entre ovembro 2015 e Abril 2016 mais elevada no hemisfério norte

As imagens acima representam apenas um semestre, logo elas são apenas indicativas do aumento total para o ano de 2016. No entanto, quando se tem em conta o aquecimento causado pelas pessoas antes de 1900, o ano de 2016 parece destinado a ultrapassar os limites de segurança que o Acordo de Paris havia se comprometido a não serem ultrapassados. A situação parece ainda pior quando se considera que as temperaturas medidas em núcleos de gelo já incluíam uma quantidade substancial do aquecimento pelos seres humanos mesmo antes do início da Revolução Industrial.

Limites do Acordo de Paris ultrapassados em Fevereiro de 2016No Acordo de Paris, os países comprometeram-se a manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de perseguirem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Quando olhamos para um único mês, Fevereiro de 2016 esteve 1,67°C (3°F) mais quente do que 1890-1910 (ver imagem à direita). Ao adicionar uns meros 0,34°C para contar com o aquecimento antes de 1900, o aquecimento total em Fevereiro de 2016 ultrapassou de facto os 2°C. Olhando dessa forma, os limites de segurança estabelecidos em Paris em Dezembro de 2015 já foram ultrapassados em Fevereiro de 2016.

Situação

Então, qual é a situação? Por um lado, há o aumento da temperatura atualmente observado (ΔO). Este aumento é tipicamente calculado como a diferença entre a temperatura atual e a temperatura a uma dada linha de base.

Contudoo, este ΔO não reflete o impacto total das emissões humanas. Temperaturas teria sido inferior se não houvesse emissões por seres humanos. O impacto total de aquecimento devido às emissões das pessoas, portanto, é ∆E. Este ∆E é maior do que o aumento observado que é frequentemente utilizado, uma vez que a linha de base teria sido inferior sem o aquecimento causado por seres humanos.

Ao mesmo tempo, parte do aquecimento global causado pelas pessoas está mascarado devido as emissões de aerossóis (∆A). Tais emissões de aerossóis resultam principalmente da queima dos combustíveis fósseis e biomassa. Não há dúvida de que tais emissões deviam ser reduzidas, mas a verdade é que o aumento da temperatura atual pode aumentar substancialmente, digamos em metade, quando o efeito de mascaramento desaparece.

Assim, o aquecimento total (desmascarado) causada pelos seres humanos é a soma destes dois, ou seja, ∆E + ∆A, e a soma podia ser tão elevada quanto 3°C ou mesmo mais do que 5°C.

Além disso, há um aumento futuro da temperatura que já está cozido no bolo (∆F). Alguns feedbacks ainda não são muito visíveis, uma vez que algumas mudanças levam tempo para se tornarem mais evidentes, como o derretimento do gelo do mar e as mudanças não lineares devido a feedbacks que só agora estão a entrar em jogo. Além do mais, o efeito total das emissões de CO2 atinge o seu pico apenas uma década após a emissão e, mesmo com os melhores esforços, os seres humanos provavelmente ainda estarão a causar emissões adicionais durante a próxima década. Todos esses fatores em conjunto podem resultar num aumento de temperatura superior a ∆E + ∆A juntos, ou seja, o ∆F poderia, sozinho, causar um aumento de temperatura superior a 5°C no espaço de uma década.

Em resumo, o aquecimento total causado pelos humanos (∆E + ∆A + ∆F) poderia ser de mais do que 10°C (18°F) no espaço de uma década, assumindo que nenhuma geoengenharia terá lugar dentro de uma década.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original How Much Warming Have Humans Caused? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 28 de Maio de 2016.
Standard
O gelo do mar no Ártico com extensão muito reduzida poderá desaparecer aé Setembro,
Sam Carana

Gelo Marinho do Ártico irá Desaparecer até Setembro de 2016?

A imagem em baixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico é muito baixa, muito menor do que o era noutros anos nesta época do ano. A 11 de Maio de 2016, a extensão do gelo marinho era de 12.328 milhões de km quadrados.
O gelo do mar no Ártico com extensão muito reduzida poderá desaparecer aé Setembro,

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico, a 9 de Maio de 2016, era de 11.680 mil km quadrados, mais de 18 dias de antecedência em relação a 2012 e 1,1 milhões de quilómetros quadrados menor do que no dia 9 de Maio de 2012.

Extensão indica que o degelo do gelo do mar no Ártico está 18 dias adiantado em relação a 2012

[Com base na imagem da JAXA]

Comparação da cobertura de neve e gelo em Beaufort e Alasca entre 2012 e 2016A imagem à direita compara o Mar de Beaufort e a parte norte do Alasca entre 9 de Maio de 2012 e 9 de Maio de 2016. Como a imagem mostra, há muito menos cobertura de gelo e neve agora do que havia em 2012.

A situação parece configurada para se deteriorar ainda mais nos próximos meses. A imagem abaixo mostra a previsão da temperatura a chegar a anomalias tão elevadas como 5,19°C ou 9,34°F para o Árctico como um todo (previsão para 19 de Maio de 2016, 03:00 UTC), com anomalias de temperatura na extremidade superior da escala previstas para o Alaska e a Sibéria Oriental.

Anomalia da temperatura prevista para o Ártico a 19 de Maio

Corrente de Jato com padrão ondulado influencia o tempoEstas anomalias de temperatura andam de mãos dadas com uma Corrente de Jato muito ondulada, como ilustrado pela imagem à direita, mostrando alças que se estendem até lá acima sobre o Oceano Ártico (em particular sobre o Mar de Beaufort), levando consigo o ar quente.

Ao mesmo tempo, a Corrente de Jato pode estender-se bem para sul noutros locais, fazendo com que o ar frio se mova para sul, para fora do Ártico.

O resultado é um Ártico em rápido aquecimento, o que por sua vez faz com que a Corrente de Jato fique ainda mais ondulada, como um de inúmeros feedbacks que estão a atingir o Ártico ao mesmo tempo.

Temperatura de superfície do mar sofre anomalias de 11°CA imagem à direita mostra que as temperaturas da superfície do mar perto de Svalbard estavam tão elevadas quanto 55°F (12,8°C) a 11 de Maio de 2016, uma anomalia de 21,2°F (11,8°C) em relação a 1981-2011. Por outras palavras, a temperatura da superfície do mar era de 1°C nesse ponto, de 1981 a 2011, e agora este local está 11,8°C mais quente.

A imagem abaixo compara as anomalias de temperatura da superfície do mar em relação a 1961-1990 entre 12 de Maio de 2015 e 12 de Maio de 2016.

Comparação da temperatura de superfície do mar entre Maio de 2015 e 2016

As temperaturas da superfície do mar no Oceano Ártico estão mais elevadas do que costumavam estar, em particular, no Estreito de Bering, no Mar de Beaufort, na Baffin Bay e no Mar de Kara.

A imagem abaixo mostra que, ao longo dos últimos 365 dias, o aquecimento sobre o Ártico tem sido muito mais forte do que em todo o resto do mundo. Anomalias da temperatura do ar de mais de 2,5°C (4,5°F) revelam-se sobre a maior parte do Oceano Ártico. Além disso, o gelo do Ártico está em má forma, o calor do oceano é muito elevado e está a subir, e temperaturas elevadas estão previstas atingir o Ártico durante a próxima semana. As chances são de que o gelo do mar irá, em grande parte, desaparecer, até Setembro de 2016.

Ártico muito mais quente em relação ao ano passado e anos anteriores, o gelo poderá desaparecer até Setembro de 2016

De Novembro de 2015 a Abril de 2016, as temperaturas globais sobre os continentes e os oceanos estavam de 1,48°C (ou 2.664°F) maiores do que em 1890-1910 (mapa da esquerda da imagem abaixo). Nos continentes, estavam 1,99°C (ou 3,582°F) mais quente (mapa direito da imagem abaixo).

temperaturas globais sobre os continentes e os oceanos muito elevadas e a aumentar entre 2015 e 2016
[ Clique nas imagens para ampliar ]

Uma vez que cerca de 0,3°C (0,54°F) do aquecimento por efeito estufa já havia ocorrido em 1900, o aquecimento estava bem acima da marca de segurança dos 1,5°C (ou seja, 2,7°F) que o Acordo de Paris tinha prometido não seria ultrapassado.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Arctic Sea Ice gone by September 2016? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Maio de 2016.
Standard
Sam Carana

Temperatura de Março

Anomalia da temperatura mensal global para Março 2016

A imagem em cima mostra anomalias da temperaturas mensal global terra-oceano (a vermelho) e apenas-terra (a preto) em comparação com a média do período de 1951 a 1980.

No Acordo de Paris, os países comprometeram-se em fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas ao travarem o aumento da temperatura média global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e fazerem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Para se ver o quanto as temperaturas subiram em relação aos níveis pré-industriais, uma comparação com o período 1951-1980 não nos dá o quadro todo. A imagem em baixo, criada pela selecção de um raio de alisamento de 1200 km, mostra que o aumento da temperatura global desde 1890-1910 foi de 1,58°C ou 2.84°F.

Anomalia da temperatura terra-mar em Março de 2016

O aumento de temperatura é ainda maior quando se olha para medições de estações apenas em terra. A imagem abaixo compara a temperatura de Março de 2016 com o período de 1890-1910 (250km de suavização), mostrando uma anomalia de temperatura apenas em Terra de 2,42°C ou 4,36°F.

anomalia de temperatura em terra de 2,42°C ou 4,36°F para Março de 2016

Tendo em conta que as temperaturas já haviam aumentado em cerca de 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, isto acrescenta a um aumento total da temperatura, em terra, em Março de 2016, de 2,72°C (4,9°F) desde o início da revolução industrial .

No Hemisfério Norte, houve um aumento de temperatura ainda mais dramático em terra. Em Março de 2016, em terra, no Hemisfério Norte, esteve 4,9°F ou 2,72°C mais quente do que a média do século 20, como ilustrado pela imagem abaixo.

Temperatura em terra no hemisfério norte para Março 2016

Esteve 2,72°C mais quente do que a média do século XX, se considerarmos a temperatura nos continentes no Hemisfério Norte, durante Março de 2016.

Quanto desse aumento pode ser atribuído ao El Niño? Uma maneira de responder a esta pergunta é adicionando uma tendência polinomial, como na imagem abaixo, mostrando que as temperaturas já tinham subido 2°C em Março de 2015, enquanto aponta para um aumento de 4°C até Março de 2030 e 10°C antes o ano de 2050.

Quanto do aumento da temperatura pode ser atribuido ao El Nino?

A linha de tendência também mostra uma diferença de temperatura de cerca de meio grau Celsius entre a média do século 20 e o ano de 1900. Tendo em conta que as temperaturas já haviam aumentado em cerca de 0,3°C (0,54°F) antes de 1900, isto acrescenta a um aumento total da temperatura em terra, no Hemisfério Norte, em Março 2016 de 3,52°C ou 6,34°F desde o o início da revolução industrial.

Dados da NOAA mostram que em Março de 2016 esteve 2,33°C ou 4,19°F mais quente globalmente em terra do que a média do século 20. Quando comparado com as temperaturas por volta do ano de 1900, esteve ainda mais quente.

Em fevereiro de 2016, dados da NASA mostram que esteve 2,33°C ou 4,19°F mais quente em terra (com 1200 km de alisamento) do que em 1890-1910, enquanto esteve 2,48°C ou 4,46°F mais quente, para um raio de suavização de 250km, para os dados de apenas-terra. Numa publicação anterior, um aumento de 2,3°C em Fevereiro de 2016 foi usado como um dos vários elementos que compõem o eventual aumento total que poderia suceder, nos continentes, até ao ano de 2026, assumindo que nenhuma geoengenharia ocorrerá (imagem abaixo).

Previsão do aumento da temperatura para 10 anos

Enquanto isso, o presente El Niño ainda está forte e a causar temperaturas muito altas, fazendo-nos indagar quão altas as temperaturas serão durante o próximo El Niño, o que poderia suceder daqui a uma década ou menos. A imagem abaixo mostra temperaturas elevadas em quatro locais no Sudeste Asiático a 20 de abril de 2016.

Temperaturas muito elevadas no Sudeste Asiático a 20 Abril

A situação é calamitosa e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original March Temperature de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 16 de Abril de 2016.
Standard
Gelo do mar no Ártico no recorde mais baixo
Sam Carana

Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano

Sugerimos a leitura de “Gelo do Ártico Continua num Recorde Mínimo para a Época do Ano” no site Aquecimento Global: A Mais Recente Ciência Climática
 
Para a época do ano, o gelo do Ártico continua em num recorde mínimo desde que os registros de satélite começaram em 1979, tanto para a área como para a extensão. A imagem abaixo mostra a área de gelo do mar do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a área era de 12,49061 milhões de quilómetros quadrados.

Gelo do Ártico Recorde Mínimo em Fevereiro de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo marinho do Ártico até 12 de fevereiro de 2016, quando a extensão era de 14.186 mil quilómetros quadrados.

Extenção do gelo marinho no Ártico Fevereiro 2016

A razão para o recorde mínimo de gelo marinho é que há mais calor do oceano do que costumava haver. A imagem abaixo mostra que, a 12 de fevereiro de 2016, a temperatura de superfície do mar no Oceano Ártico estava tão quente quanto 11,3°C (52,4°F) num local perto de Svalbard marcado pelo círculo verde, uma anomalia de 10,4°C (18,7°F).

Temperatura de Superfície do Mar no Ártico, 12 Fevereiro 2016

Anomalia da Temperatura de Superficie do Mar América do Norte

A razão para isto é que a água ao largo da costa leste da América do Norte é muito mais quente do que costumava ser.

A Corrente do Golfo está a empurrar o calor até ao Oceano Ártico.

A imagem à direita mostra que a 14 de fevereiro, 2016, as anomalias da temperatura de superfície do mar (em comparação com 1981-2011) ao largo da costa leste da América do Norte, estavam tão elevadas quanto 10.1°C ou 18.1°F (no local marcado pelo círculo verde ).

Enquanto que a superfície do mar parece mais fria (em comparação com 1981-2011) sobre uma grande parte do Atlântico Norte, uma quantidade crescente de calor do oceano parece estar a viajar por baixo da superfície do mar até ao Oceano Ártico, como discutido no post anterior no link.

Médias das anomalias da temperatura de superfície do mar em em diferentes latitudes do globo.

Isto significa más notícias para o gelo do mar em 2016, já que o El Niño ainda está forte. As temperaturas em janeiro de 2016 sobre o Oceano Ártico estavam 7,3°C (13,1°F) maiores do que a média de 1951-1980, de acordo com dados da NASA, como ilustra o gráfico à direita.

Anomalia da temperatura terrestre para Janeiro
Uma tendência polinomial adicionada à anomalia da temperatura em terra de janeiro no Hemisfério Norte desde 1880 mostra que uma subida de 10°C (18°F) poderia acontecer até ao ano de 2044, como ilustra o gráfico à direita. Ao longo do Oceano Ártico, pode-se esperar um aumento ainda mais dramático.

Como o mapa da NASA em baixo ilustra, a anomalia da temperatura terra-mar global para janeiro de 2016, em relação à média de 1951-1980, foi de 1,13°C (ou mais de 2°F) e o calor atingiu mesmo o Oceano Ártico mais fortemente do que noutros lugares.
Temperatura Terra-Mar Global Anomalia - NASA

Enquanto isso, níveis de metano tão elevados quanto 2539 partes por bilião (ppb) foram registados a 13 de Fevereiro de 2016, como ilustrado pela imagem abaixo.
Níveisde metano fevereiro 2016

O perigo é que, como o Oceano Ártico continua a aquecer, enormes quantidades de metano vão entrar em erupção de forma abrupta a partir do fundo do mar.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Actualização: a extensão do gelo do mar no Ártico continua a cair. No ano passado (2015), a máxima extensão do gelo marinho foi alcançada a 25 de fevereiro. Será que a extensão máxima para este ano já foi alcançada a 9 de fevereiro de 2016? A imagem abaixo ilustra esta questão. discutida mais adiante no grupo Arctic News.

Traduzido do original Arctic sea ice remains at a record low for time of year de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 15 de Fevereiro de 2016.

Outros blogues com publicações recentes sobre Alterações Climáticas em Português:

CO2 atmosférico Disparou para 405,6 ppm – Um Nível Não Visto em 15 Milhões de Anos

em https://aquecimentoglobaldesc…

Standard