Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016
Sam Carana

Níveis de Metano Elevados Seguem-se a Sismo no Oceano Ártico

Nos 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016, 48 sismos com uma magnitude de 4 ou superior na escala de Richter atingiram a área do mapa da imagem abaixo, na maior parte a uma profundidade de 10 km (6.214 milhas).

48 Sismos no Ártico em Julho de 2016

48 terramotos atingiram a área do mapa durante os 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016. Criado por Sam Carana para Arctic-news.blogspot.com com imagens de earthquake.usgs.gov

À medida que as temperaturas continuam a aumentar e o derretimento dos glaciares continua a tirar peso da superfície da Gronelândia, um reajuste isostático pode, cada vez mais, desencadear terremotos em torno da Gronelândia, e em particular sobre a falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Dois terremotos atingiram recentemente o Oceano Ártico. Um terremoto atingiu com uma magnitude de 4,5 graus na escala Richter a 9 de Julho de 2016. O outro terremoto atingiu com uma magnitude de 4,7 graus na escala Richter a 12 de Julho de 2016, às 00:15:24 UTC, com epicentro a 81.626°N 2.315°W e a uma profundidade de 10,0 km (6.214 milhas), como ilustrado pela imagem abaixo.

Sismo no Ártico a 12 de Julho

A 12 de Julho de 2016, um terramoto atingiu o Oceano Ártico com a magnitude de 4,7 na escala de Richter, com epicentro a 81.626”N 2.315”W e a 10km de profundidade.

Seguindo-se ao terremoto mais recente, elevados níveis de metano apareceram na atmosfera a 15 de Julho de 2016, sobre essa mesma área que o terremoto atingiu, como ilustra a imagem abaixo.

Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016

Sobre a área atingida por um terramoto a 12 de Julho de 2016, elevados níveis de metano apareceram a uma altitude de 4,116m a 15 de Julho de 2016. A imagem pequena mostra a mesma área a 6.041m de altitude a 15 de Julho. Criado por Sam Carana com imagens da NOAA. Branco= sem dados; cinzento= falha de leitura.

A imagem acima mostra que os níveis de metano foram tão elevados quanto 2505 ppb a uma altitude de 4.116 m ou 13,504 pés na manhã de 15 de Julho de 2016. A uma maior altitude (de 6.041 m ou 19,820 pés), níveis de metano tão altos quanto 2.598 ppb foram registrados naquela manhã e a área de cor magenta a leste do ponto nordeste da Gronelândia (enquadramento em foco) parece indicar a mesma coisa nas imagens entre estas altitudes. Tudo isso indica que o terremoto causou desestabilização de hidratos de metano contidos nos sedimentos naquela área.

Libertação de metano a leste da Gronelândia após sismo

Níveis de metano a uma pressão atmosférica de 840mb variavam entre 1555 e 2058 ppb. Criado por Sam Carana com imagens da NOOA.

A imagem acima, de outro satélite, confirma fortes libertações de metano a leste da Gronelândia, na tarde de 14 de Julho de 2016, enquanto a imagem abaixo mostra níveis elevados de metano a 16 de Julho de 2016, ao longo da falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Metano com níveis elevados no Ártico após sismo

A imagem abaixo mostra glaciares na Gronelândia e o gelo do mar perto da Gronelândia e Svalbard a 15 de Julho de 2016. Note-se que as nuvens em parte obscurecem a extensão do declínio do gelo do mar.

Declínio do gelo marinho na Gronelândia e Svalbard

Gelo marinho fraturado e lamacento no Ártico

A imagem acima mostra o gelo do mar a 12 de Julho de 2016. Há uma grande área com muito pouco gelo do mar perto do Pólo Norte (à esquerda) e há pouco ou nenhum gelo do mar em torno de Franz Josef Land (à direita). Em geral, o gelo do mar parece lamacento e fraturado em pequenos pedaços finos. Tudo isso é uma indicação de quão quente a água está por baixo do gelo do mar.

Temperaturas muito elevadas no Ártico a 16 de Julho de 2016Além dos choques e mudanças de pressão causados por terremotos, a desestabilização de hidratos de metano pode ser desencadeada pelo calor do oceano alcançando o fundo do mar do Oceano Ártico. Uma vez que o metano chega à atmosfera, pode muito rapidamente elevar as temperaturas locais, agravando ainda mais a situação.

As temperaturas já estão muito elevadas em todo o Ártico, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 16 de Julho de 2016 estiveram 1,6°C sobre o Pólo Norte (círculo verde de cima), enquanto estiveram 32,7°C num local perto de onde o rio Mackenzie desagua no Oceano Ártico (círculo verde de baixo).

O gelo do mar no Ártico não parece nada bem, como também ilustrado pelo cálculo presente pelo Laboratório de Pesquisa Naval em abaixo.

Declínio do glo do mar no Ártico em Julho de 2016

A espessura do gelo do mar caiu drasticamente ao longo dos anos, especialmente o gelo que tinha mais do que 2,5 m de espessura. A imagem abaixo compara a espessura gelo do mar do Ártico (em m) a 15 de Julho, para os anos a partir de 2012 (painel à esquerda) a 2015 (painel direito), utilizando imagens do Laboratório de Pesquisa Naval.

Comparação da espessura do gelo do mar no Ártico entre os anos de 2012 e 2015

[ Clique na imagem para ampliá-la ]
A imagem abaixo mostra anomalias da temperatura de superfície do mar em relação a 1961-1990 a 24 de Julho de 2016.

Temperaturas anormais muito elevadas no Ártico em Julho de 2016

As temperaturas da superfície do mar ao largo da costa da América são altas e muito deste calor do oceano será carregado pela Corrente do Golfo em direção ao Oceano Ártico ao longo dos próximos meses.

Temperaturas altas da superficie do mar na corrente do golfo até ao Ártico

A 24 de Julho de 2016, a temperatura da superfície do mar perto da Flórida estava tão alta quanto 33,2°C, uma anomalia de 3,7°C em relação à média de 1981-2011 (círculo verde inferior), enquanto que a temperatura da superfície do mar perto de Svalbard estava tão elevada quanto 17,3°C, uma anomalia de 12,6°Cem relação a 1981-2011 (círculo verde em cima).

Uma tampa de água doce fria (ou seja, baixa salinidade) fica em cima do oceano e esta tampa é alimentada por precipitação (chuva, granizo, neve, etc.), o derretimento do gelo do mar (e icebergs) e água que escorre da terra (de rios e derretimento de glaciares em terra). Esta tampa reduz a transferência de calor do oceano para a atmosfera e, assim, contribui para um Atlântico Norte mais quente onde enormes quantidades de calor são agora transportadas por baixo desta tampa em direção ao Oceano Ártico. O perigo é que mais calor do oceano a chegar ao Oceano Ártico vai desestabilizar clatratos no fundo do mar e resultar em enormes erupções de metano, como discutido em posts anteriores, como este.

À medida que as temperaturas continuam a aumentar, a neve e ogelo no Ártico vão diminuir. Isso poderia resultar em cerca de 1,6°C de aquecimento devido a mudanças de albedo (ou seja, devido ao declínio tanto do gelo do mar do Ártico como da cobertura de neve e gelo em terra). Além disso, cerca de 1,1°C de aquecimento poderiam resultar da libertação de clatratos de metano do fundo do mar dos oceanos do mundo. Como discutido num post anterior, isso poderia suceder como parte de um aumento em relação aos níveis pré-industriais de até 10°C, por volta do ano de 2026.

Incêndios florestais no Alasca Canadá, um feedback de auto-reforço do aquecimento global

Incêndios na Sibéria a 19 de julho de 2016 constituem um feedback no aquecimento globalÀ medida que as temperaturas sobem, o impacto será sentido em primeiro lugar e mais fortemente no Ártico, onde o aquecimento global está a acelerar devido a inúmeros feedbacks que podem atuar como ciclos de auto-reforço.

Já neste momento, isto está a desencadear incêndios florestais em todo o Ártico.

A imagem acima mostra incêndios (indicados por pontos vermelhos) no Alasca e no norte do Canadá, a 15 de Julho de 2016.

A imagem à direita mostra fumo resultante de incêndios florestais na Sibéria. A imagem abaixo mostra que, a 18 de Julho de 2016, os níveis de monóxido de carbono (CO) sobre a Sibéria estavam tão elevados quanto 32318 ppb, e numa área com níveis de dióxido de carbono (CO2) tão baixos quanto 345 ppm, o CO2 atingiu níveis tão elevados quanto 650 ppm no mesmo dia.

Níveis de dióxido de carbono (CO2) e monóxido de carbono (CO) na Sibéria, resultante de incêndios florestais em Julho de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão de fumo de incêndios florestais na Sibéria a 23 de Julho de 2016.

Fumo resultante dos incêndios na Sibéria a 23 de Julho de 2016

A imagem abaixo mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 19 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 19 de Julho de 2016

A imagem abaixo, a partir do satélite MetOp, mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 21 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 21 de Julho de 2016

Abaixo estão outras imagens que descrevem os níveis de metano médios globais, em relação a 1980-2016 (à esquerda) e 2012-2016 (à direita).

Níveis Médios Globais Metano 1980 2016Níveis de metano entre 2012 e 2016

A imagem abaixo mostra os níveis de metano em Barrow, Alasca.

Medição dos níveis de metano no Alasca ao longo dos anos, mostra pico em 2016

A imagem abaixo mostra que, enquanto que os níveis de metano podem parecer terem-se mantido estáveis ao longo do ano passado quando fazendo as medições ao nível do solo, em altitudes mais elevadas eles subiram fortemente.

Variação dos níveis de metano com a altitude comparando os anos 2015 e 2016

A tabela de conversão abaixo mostra os equivalentes de altitude em pés, m e mb.
57016 pés 44690 pés 36850 pés 30570 pés 25544 pés 19820 pés 14385 pés 8368 pés 1916 pés
17378 m 13621 m 11232 m 9318 m 7786 m 6041 m 4384 m 2551 m 584 m
74 mb 147 mb 218 mb 293 mb 367 mb 469 mb 586 mb 742 mb 945 mb

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Methane Levels Follow Earthquake in Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Julho de 2016.

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Extensão do gelo do mar no Ártico a 3 d Julho de 2016
Sam Carana

Gelo do Mar no Ártico em 2016 Caindo para Zero

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico, a 3 de Julho de 2016, foi de 8,707,651 quilómetros quadrados, ou seja, menos que os 8,75 milhões de quilómetros quadrados de extensão que media a 3 de Julho de 2012.

Extensão do gelo do mar no Ártico a 3 d Julho de 2016

Em Setembro de 2012, a extensão do gelo marinho atingiu um recorde mínimo. Dado que a extensão agora é apenas ligeiramente menor do que o era em 2012 na mesma época do ano, poderá a extensão este ano chegar a um mínimo ainda menor, possivelmente tão baixo quanto zero de gelo em Setembro de 2016?

O gelo este ano está, certamente, a ir nessa direção, uma vez que o gelo do mar agora é muito mais fino do que era em 2012. A imagem abaixo mostra a espessura do gelo do mar a 7 de Julho de 2012, no painel da esquerda, e adiciona uma previsão para 7 de Julho de 2016 no painel do lado direito.

Espessura do gelo do mar no Ártico, comparação 2012 e 2016

Além de ser mais fino, o gelo do mar agora está também muito mais lamacento e fraturado em pedaços pequenos. A animação abaixo mostra que o gelo do mar perto do Polo Norte a 4 de Julho de 2016, estava duramente fraturado em pedaços que são na sua maioria menores em tamanho do que 10 x 10 km ou 6.2 x 6.2 milhas. Em comparação, o gelo do mar na mesma área sim que desenvolveu grandes fendas em 2012, mas mesmo a 13 de Setembro de 2012 não estava quebrado em pedaços pequenos.

Comparação do estado do gelo do mar  no Ártico 2012 2016

Gelo do mar perto do Polo Norte a 13 de Setembro 2012 tinha grandes rachas mas não estava quebrado ou fraturado em pedaços |
Gelo do mar perto do Polo Norte a 4 de Julho de 2016 está fraturado em pedaços mais pequenos que 10×10 quilómetros.

Uma grande razão por detrás do péssimo estado em que o gelo do mar está agora é o calor do oceano. A 2 de Julho de 2016, a superfície do mar perto de Svalbard (no local marcado pelo círculo verde) estava tão quente quanto 16.7°C ou 62.1°F, ou seja, 13.5°C ou 24.3°F mais quente do que a média de 1981-2011. Isto dá uma indicação de quão mais quente está a água que está a entrar no Oceano Ártico.

Água quente a entrar no Oceano Ártico perto d Svalbard

2 de Julho de 2016, a superfície do mar perto de Svalbard estava tão quente quanto 16.7°C, ou seja, 13.5°C mais quente que em 1981-2011. Imagem por Sam Carana de nullschool.net

À medida que o gelo do mar desaparece, menos luz solar é refletida de volta para o espaço, resultando em aquecimento adicional do Oceano Ártico. Em Outubro de 2016, o gelo do mar vai voltar, selando o Oceano Ártico, o que resulta em menos calor a poder escapar, mesmo no momento em que a água mais quente está a entrar no Oceano Ártico a partir do Atlântico e do Pacífico. O perigo desta situação é que uma grande quantidade de calor vai chegar ao fundo do mar e desestabilizar os hidratos, resultando em enormes emissões abruptas de metano que irão contribuir ainda mais para o aquecimento. Quando adicionando outros factores, como discutido por exemplo neste post anterior, isto acrescenta a um potencial aumento de temperatura de mais de 10°C ou 18°F em comparação com os tempos pré-industriais, em menos de dez anos a partir de agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original e atualizado a 6 de Julho de 2016 Arctic Sea Ice Headed To Zero de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 4 de Julho de 2016.

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Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA
Sam Carana

Quanto Aquecimento Foi Causado Pelos Humanos?

Diferenças na Linha de Base

As diferenças na linha de base (período de referência) podem resultar em diferenças dramáticas na elevação da temperatura. O conjunto de dados HadCRUT4 do Met Office do Reino Unido normalmente apresenta anomalias de temperatura em relação a uma linha de base 1961-1990. A NASA usa tipicamente uma linha de base 1951-1980, mas o site da NASA permite que diferentes linhas de base possam ser selecionadas. Ao seleccionar uma linha de base 1961-1990, as temperaturas durante os 6 meses que passaram estiveram 1,05°C (1,89°F) mais elevadas em relação a esta linha de base, conforme mostrado pelo mapa da NASA no painel da esquerda da imagem abaixo. Como o mapa no painel direito da imagem abaixo mostra, quando comparado com 1890-1910, as temperaturas subiram 1,48°C (ou 2.664°F).

Anomalia da temperatura global comparado as linhas de base 1961-1990 e 1890-1910

De Novembro de 2015 a Abril de 2016 esteve 1.05°C (1.89°F) mais quente do que em 1961-1990 (mapa à esquerda) e 1.48°C (ou 2.664°F) mais quente do que 1890-1910 (mapa à direita)

Uma tendência polinomial pode reduzir a variabilidade como a causada por vulcões e eventos El Niño. O gráfico abaixo foi criado com a anomalia da temperatura média mensal global de superfície pelo índice L-OTI (índice de temperatura dos continentes mais oceanos) da NASA, o qual tem uma linha de base 1951-1980, e depois com 0,29°C adicionados, o que faz a anomalia de 0°C no ano de 1900 para a tendência polinomial adicionada.

Anomalia da Temperatura Média Mensal Global L-OTI NASA

Isto dá-nos uma ideia do quanto as temperaturas subiram desde o ano de 1900, com um aumento para ambos Fevereiro e Março de 2016 a revelar que foi de mais de 1,5°C. A tendência aponta para anomalias de temperatura que serão superiores a 1,5°C dentro de uma década, e mais do que 2°C logo a seguir.

Temperaturas Históricas

Para calcular quanto aquecimento os seres humanos causaram desde os tempos pré-industriais, é preciso irmos ainda mais atrás no tempo. O gráfico abaixo mostra que as concentrações de dióxido de carbono variaram entre cerca de 180 ppm e 280 ppm ao longo dos últimos 800.000 anos e que recentemente atingiram um pico de 411 ppm (pico da média horária a 11 de Maio de 2016).

Concentrações de dióxido de carbono (CO2) núcleos de gelo e medidas até 2016

Dados de concentração de dióxido de carbono (CO2) em núcleos de gelo, anteriores a 1958, e o CO2 atualmente medido no observatório de Mauna Loa desde 1958, no pico da média horária a 11 de Maio de 2016

O gráfico em baixo, de uma publicação anterior, mostra como, no passado, ao longo dos últimos 420.000 anos, as temperaturas (e os níveis de CO2 e CH4) variaram em cerca de 10°C, de acordo com os ciclos de Milankovitch.

Temperatura, dióxido de carbono, metano, valores históricos

Historicamente, os aumentos de dióxido de carbono de 100 ppm têm andado de mãos dadas com os aumentos da temperatura de cerca de 10°C. O recente aumento das concentrações de dióxido de carbono é um aumento de 131 ppm (de cerca de 280 ppm a 411 ppm). O aumento das concentrações de metano é ainda mais acentuado. Podemos, assim, contar que aconteça um aumento da temperatura em mais de 10°C, e em caso afirmativo, em quanto tempo isso poderia acontecer? Como descrito em baixo, o aquecimento causado por seres humanos pode resultar num aumento de temperatura de mais de 10°C (18°F) dentro de uma década.

O gráfico à direita, criado por Jos Hagelaars, mostra que, durante o ciclo mais atual, as temperaturas atingiram um pico à cerca de 7000 anos atrás (na parte azul do gráfico). Temperaturas ao longo de milhares de anos

O gráfico abaixo, baseado no trabalho de Marcott et al., centra-se nesta parte azul do gráfico, usando uma linha de base de 1961-1990. As temperaturas atingiram um pico há cerca de 7000 anos, e depois desceram para atingirem um mínimo algumas centenas de anos atrás.Variação da temperatura em 10.000 anos

As temperaturas de pico e de mínimos (destacado a vermelho na imagem) durante aquele período sugerem uma queda de mais de 0,7°C.

Umas poucas centenas de anos atrás, as temperaturas estavam a cair e teriam continuado em queda, em linha com os ciclos de Milankovitch, se não tivesse havido o aquecimento causado por humanos.

A partir desse ponto baixo, as temperaturas subiram primeiro cerca de 0,4°C, oprimindo a tendência de queda que teria, de outro modo, levado temperaturas ainda mais para baixo, e então houve um aumento adicional de pelo menos 1,05°C, quando se utiliza uma base de 1961-1990. Isso pode sugerir que os seres humanos causaram um total de 1,45°C de aquecimento.

Os Seres Humanos Causaram Ainda Mais Aquecimento

A situação parece ser ainda pior do que o que os números acima poderão sugerir. Na verdade, o ponto mais baixo no gráfico Marcott teria sido ainda mais baixo se não tivesse havido aquecimento por parte dos seres humanos.

As temperaturas antes de 1900 já eram mais elevadas do que teriam sido se não tivesse havido aquecimento causado pelo homem. O facto de que os seres humanos causaram um aquecimento substancial entre 1800 e 1900 é ilustrado pelo gráfico abaixo, a partir de uma publicação recente por Michael Mann, que acrescenta que cerca de 0,3°C do efeito estufa já tinham acontecido entre o ano de 1800 e o ano de 1900.

Aquecimento causado pela revolução industrial em 1900

Uns 0.3 C de aquecimento por efeito estufa já havia acontecido em 1900, e uns 0.2 C de aquecimento em 1870

Os humanos também causaram um aquecimento substancial bem antes de 1800. Um exemplo de aquecimento causado por humanos antes de 1800 é apresentado na pesquisa por Dull et al., a qual sugere que a queima das florestas neotropicais aumentou de forma constante nas Américas, atingindo um pico no tempo em que os europeus chegaram no final do século XV. Em 1650, cerca de 95% da população indígena tinha morrido. A regeneração de florestas levou ao sequestro de carbono de cerca de 2 a 5 pentagramas de carbono (Pg C), contribuindo assim para uma queda no dióxido de carbono atmosférico registado em núcleos de gelo da Antártida durante os anos de cerca de 1500 até 1750.

O Acordo de Paris

Os dados da NASA sugerem que o aquecimento já é de 1,48°C (ou 2,664°F) mais elevado do que em 1890-1910. Note-se que a linha de base de 1890-1910 é muito mais tarde do que os tempos pré-industriais. O Acordo de Paris comprometeu-se a limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Em terra no Hemisfério Norte, estava 1,99°C (ou 3.582°F) mais quente (mapa à direita na imagem abaixo).

Temperatura L-OTI e de superfície (em terra) entre ovembro 2015 e Abril 2016 mais elevada no hemisfério norte

As imagens acima representam apenas um semestre, logo elas são apenas indicativas do aumento total para o ano de 2016. No entanto, quando se tem em conta o aquecimento causado pelas pessoas antes de 1900, o ano de 2016 parece destinado a ultrapassar os limites de segurança que o Acordo de Paris havia se comprometido a não serem ultrapassados. A situação parece ainda pior quando se considera que as temperaturas medidas em núcleos de gelo já incluíam uma quantidade substancial do aquecimento pelos seres humanos mesmo antes do início da Revolução Industrial.

Limites do Acordo de Paris ultrapassados em Fevereiro de 2016No Acordo de Paris, os países comprometeram-se a manter o aumento da temperatura média global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de perseguirem esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Quando olhamos para um único mês, Fevereiro de 2016 esteve 1,67°C (3°F) mais quente do que 1890-1910 (ver imagem à direita). Ao adicionar uns meros 0,34°C para contar com o aquecimento antes de 1900, o aquecimento total em Fevereiro de 2016 ultrapassou de facto os 2°C. Olhando dessa forma, os limites de segurança estabelecidos em Paris em Dezembro de 2015 já foram ultrapassados em Fevereiro de 2016.

Situação

Então, qual é a situação? Por um lado, há o aumento da temperatura atualmente observado (ΔO). Este aumento é tipicamente calculado como a diferença entre a temperatura atual e a temperatura a uma dada linha de base.

Contudoo, este ΔO não reflete o impacto total das emissões humanas. Temperaturas teria sido inferior se não houvesse emissões por seres humanos. O impacto total de aquecimento devido às emissões das pessoas, portanto, é ∆E. Este ∆E é maior do que o aumento observado que é frequentemente utilizado, uma vez que a linha de base teria sido inferior sem o aquecimento causado por seres humanos.

Ao mesmo tempo, parte do aquecimento global causado pelas pessoas está mascarado devido as emissões de aerossóis (∆A). Tais emissões de aerossóis resultam principalmente da queima dos combustíveis fósseis e biomassa. Não há dúvida de que tais emissões deviam ser reduzidas, mas a verdade é que o aumento da temperatura atual pode aumentar substancialmente, digamos em metade, quando o efeito de mascaramento desaparece.

Assim, o aquecimento total (desmascarado) causada pelos seres humanos é a soma destes dois, ou seja, ∆E + ∆A, e a soma podia ser tão elevada quanto 3°C ou mesmo mais do que 5°C.

Além disso, há um aumento futuro da temperatura que já está cozido no bolo (∆F). Alguns feedbacks ainda não são muito visíveis, uma vez que algumas mudanças levam tempo para se tornarem mais evidentes, como o derretimento do gelo do mar e as mudanças não lineares devido a feedbacks que só agora estão a entrar em jogo. Além do mais, o efeito total das emissões de CO2 atinge o seu pico apenas uma década após a emissão e, mesmo com os melhores esforços, os seres humanos provavelmente ainda estarão a causar emissões adicionais durante a próxima década. Todos esses fatores em conjunto podem resultar num aumento de temperatura superior a ∆E + ∆A juntos, ou seja, o ∆F poderia, sozinho, causar um aumento de temperatura superior a 5°C no espaço de uma década.

Em resumo, o aquecimento total causado pelos humanos (∆E + ∆A + ∆F) poderia ser de mais do que 10°C (18°F) no espaço de uma década, assumindo que nenhuma geoengenharia terá lugar dentro de uma década.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original How Much Warming Have Humans Caused? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 28 de Maio de 2016.
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Sam Carana

Clima no Ártico Derrete Recordes

Um Inverno e Primavera intensamente quentes estão a derreter os registos climáticos por todo o Alasca, relata a NOAA no post ‘Ártico Preparado para um Derretimento Recorde“. O período de janeiro a Abril de 2016 foi de 11,4°F (6,4°C) mais quente do que a média do século 20, relata a NOAA. A imagem da NOAA abaixo ilustra ainda mais a situação.

Derretimento e temperaturas recorde no Alasca

Abril: 33.3°F, +10°F, o Abril mais quente alguma vez registado. Janeiro-Abril: 21.7°F, +11.4°F (, o período Janeiro-Abril mais quente já registado. Diferenças/anomalias da temperatura em relação à média.

O gelo marinho está a derreter rapidamente. A água morna do Rio Mackenzie contribui para o degelo dramático no mar de Beaufort, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 20 de Maio de 2016, o Oceano Ártico estava 5°F (2,8°C) mais quente do que em 1981-2011 no delta do rio Mackenzie.

Anomalia de temperatura elevada no Oceano Ártico no Alaska

A 20 de Maio de 2016 o Oceano Ártico esteve 5°F (2.5°C) mais quente do que a média de 1981-2011, perto do rio Mckenzie.Criado com imagens da NASA e nulschool.net por Sam Carana para o blogue Arctic-news.blogspot.com

A imagem abaixo mostra que a 20 de Maio de 2016, a extensão do gelo do mar era de 10.99 milhões de quilómetros quadrados, em comparação com os 12.05 milhões de quilómetros quadrados de extensão do gelo do mar a 20 de Maio de 2012, conforme medido pela JAXA.

Comparação da extensão do gelo do mar entre Maio 2016 e Maio de 2012

O gelo do mar chegou a uma extensão mínima recorde de 3,18 milhões de quilómetros quadrados a 15 de Setembro de 2012, e as chances são de que o gelo do mar irá praticamente desaparecer em Setembro de 2016.

O ano de 2016 é um ano de El Niño e a insolação durante os próximos meses de Junho e Julho é maior no Ártico do que em qualquer outro lugar na Terra. As temperaturas mais elevadas trazem um perigo aumentado de incêndios florestais [artigo traduzido]. Os gases de efeito estufa estão em níveis recordes: em Abril e Maio, o CO2 estava em cerca de 408 ppm, com picos em certas horas tão elevados quanto 411 ppm (a 11 de Maio de 2016 [artigo traduzido]). Os níveis de metano são elevados e crescentes, especialmente sobre o Ártico. O fumo e o metano estão a acelerar o derretimento do gelo do mar, como ilustrado a imagem abaixo mostrando fumo de incêndios florestais no Canadá a estender-se sobre o Mar de Beaufort (imagem principal), para além de níveis elevados de metano que estão presentes sobre o Mar de Beaufort (ver inserção).

Níveis elevados de fumo e metano no Ártico sobre o mar de Beaufort

O calor do oceano está também muito elevado e a aumentar. Os oceanos no Hemisfério Norte estiveram 0,93°C (ou 1,7°F) mais quentes [artigo traduzido] no período de 12 meses mais recente (Maio de 2015 a Abril de 2016) do que a média do século 20.

A imagem abaixo mostra a extensão do gelo do mar, medida pelo NSIDC, confirmando que o derretimento do gelo do mar em 2016 está muito à frente dos anos anteriores.

Extensão do gelo marinho a 20 de Maio pelo NSIDC

Aqui temos uma animação que compara as temperaturas da superficie do mar no Atlântico Norte entre 25 de Maio de 2015 e 25 de Maio de 2016.

A extensão do gelo do Ártico era de 10.7 milhões de km quadrados a 25 de Maio de 2016, 1.1 milhões de km quadrados menos do que a 25 de Maio de 2012, como a atualização em baixo mostra.

Extensão do gelo do mar no Ártico a 25 de Maio de 2016

A situação é clamitosa e apela a uma ação abrangente e efetiva, como descrito no plano climático.

Traduzido do original Arctic Climate Records Melting de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 21 de Maio de 2016.
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O gelo do mar no Ártico com extensão muito reduzida poderá desaparecer aé Setembro,
Sam Carana

Gelo Marinho do Ártico irá Desaparecer até Setembro de 2016?

A imagem em baixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico é muito baixa, muito menor do que o era noutros anos nesta época do ano. A 11 de Maio de 2016, a extensão do gelo marinho era de 12.328 milhões de km quadrados.
O gelo do mar no Ártico com extensão muito reduzida poderá desaparecer aé Setembro,

A imagem abaixo mostra que a extensão do gelo marinho no Ártico, a 9 de Maio de 2016, era de 11.680 mil km quadrados, mais de 18 dias de antecedência em relação a 2012 e 1,1 milhões de quilómetros quadrados menor do que no dia 9 de Maio de 2012.

Extensão indica que o degelo do gelo do mar no Ártico está 18 dias adiantado em relação a 2012

[Com base na imagem da JAXA]

Comparação da cobertura de neve e gelo em Beaufort e Alasca entre 2012 e 2016A imagem à direita compara o Mar de Beaufort e a parte norte do Alasca entre 9 de Maio de 2012 e 9 de Maio de 2016. Como a imagem mostra, há muito menos cobertura de gelo e neve agora do que havia em 2012.

A situação parece configurada para se deteriorar ainda mais nos próximos meses. A imagem abaixo mostra a previsão da temperatura a chegar a anomalias tão elevadas como 5,19°C ou 9,34°F para o Árctico como um todo (previsão para 19 de Maio de 2016, 03:00 UTC), com anomalias de temperatura na extremidade superior da escala previstas para o Alaska e a Sibéria Oriental.

Anomalia da temperatura prevista para o Ártico a 19 de Maio

Corrente de Jato com padrão ondulado influencia o tempoEstas anomalias de temperatura andam de mãos dadas com uma Corrente de Jato muito ondulada, como ilustrado pela imagem à direita, mostrando alças que se estendem até lá acima sobre o Oceano Ártico (em particular sobre o Mar de Beaufort), levando consigo o ar quente.

Ao mesmo tempo, a Corrente de Jato pode estender-se bem para sul noutros locais, fazendo com que o ar frio se mova para sul, para fora do Ártico.

O resultado é um Ártico em rápido aquecimento, o que por sua vez faz com que a Corrente de Jato fique ainda mais ondulada, como um de inúmeros feedbacks que estão a atingir o Ártico ao mesmo tempo.

Temperatura de superfície do mar sofre anomalias de 11°CA imagem à direita mostra que as temperaturas da superfície do mar perto de Svalbard estavam tão elevadas quanto 55°F (12,8°C) a 11 de Maio de 2016, uma anomalia de 21,2°F (11,8°C) em relação a 1981-2011. Por outras palavras, a temperatura da superfície do mar era de 1°C nesse ponto, de 1981 a 2011, e agora este local está 11,8°C mais quente.

A imagem abaixo compara as anomalias de temperatura da superfície do mar em relação a 1961-1990 entre 12 de Maio de 2015 e 12 de Maio de 2016.

Comparação da temperatura de superfície do mar entre Maio de 2015 e 2016

As temperaturas da superfície do mar no Oceano Ártico estão mais elevadas do que costumavam estar, em particular, no Estreito de Bering, no Mar de Beaufort, na Baffin Bay e no Mar de Kara.

A imagem abaixo mostra que, ao longo dos últimos 365 dias, o aquecimento sobre o Ártico tem sido muito mais forte do que em todo o resto do mundo. Anomalias da temperatura do ar de mais de 2,5°C (4,5°F) revelam-se sobre a maior parte do Oceano Ártico. Além disso, o gelo do Ártico está em má forma, o calor do oceano é muito elevado e está a subir, e temperaturas elevadas estão previstas atingir o Ártico durante a próxima semana. As chances são de que o gelo do mar irá, em grande parte, desaparecer, até Setembro de 2016.

Ártico muito mais quente em relação ao ano passado e anos anteriores, o gelo poderá desaparecer até Setembro de 2016

De Novembro de 2015 a Abril de 2016, as temperaturas globais sobre os continentes e os oceanos estavam de 1,48°C (ou 2.664°F) maiores do que em 1890-1910 (mapa da esquerda da imagem abaixo). Nos continentes, estavam 1,99°C (ou 3,582°F) mais quente (mapa direito da imagem abaixo).

temperaturas globais sobre os continentes e os oceanos muito elevadas e a aumentar entre 2015 e 2016
[ Clique nas imagens para ampliar ]

Uma vez que cerca de 0,3°C (0,54°F) do aquecimento por efeito estufa já havia ocorrido em 1900, o aquecimento estava bem acima da marca de segurança dos 1,5°C (ou seja, 2,7°F) que o Acordo de Paris tinha prometido não seria ultrapassado.

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Arctic Sea Ice gone by September 2016? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Maio de 2016.
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A ciencia da mudança do climatica na perspectiva do cientista do clima
Paul Beckwith

Prática em Ciência Climática

Este vídeo mostra como se pode ver o globo em tempo real e analisar a interação da temperatura e da Corrente de Jato e do Golfo com o degelo e outros eventos extremos, entendendo a Ciência Climática a partir da perspetiva do cientista.

Isto e muito mais é nos oferecido voluntariamente por Paul Beckwith da Universidade de Ottawa no Canadá, com o intuito de nos trazer as novidades na Mudança Climática de uma maneira fácil de entender para a pessoa comum. Se ainda não viu, é melhor começar pela primeira parte; para seguir a prática desde o início, clique aqui.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 Minutes (2/2).

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

[expand title=”Transcrição:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-cient15t”]

Torna-te num Cientista Climático em 15 Minutos, Parte 2/2

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, Laboratório para Paleoclimatologia. Esta é a segunda parte de… “Torna-te num Cientista Climático em 15 minutos”, então, tive que estender os 15 minutos para 30 minutos. O que estava a mostrar era… isto são as correntes do oceano, e a anomalia da temperatura de superfície do mar. E isto é a data, foi a 3 de Abril, há alguns dias atrás O que podem ver é a Corrente do Golfo a vir em força através do Atlântico Norte e podem ver que há água fria a descer desde o Ártico, isto é através do estreito de Nares a oeste da Gronelândia, também há água fria a descer pelo estreito de Fram, e esta água atravessa o oceano, e aliás temos duas águas a passar: a Corrente do Golfo muito quente, e a água muito fria do Ártico, e elas colidem aqui, e é por isso que obtemos muita estrutura aqui. Se olhar para esta região em particular, a anomalia é de -10.2°C mais frio do que o normal, apenas nessa região, enquanto que mesmo ao lado estão quase cerca de +8°C. Então isto é uma enorme diferença de temperatura. Podem ver esta estrutura aqui, como se houvesse uma batalha entre a água fria do degelo do Ártico, a colidir com a água quente. Podemos ir atrás no tempo e ver como este padrão se desenvolveu, e esta mancha fria está a tornar-se uma característica permanente nos últimos tempos, e é preocupante porque significa que as correntes do oceano no Atlântico inteiro estão a reajustar-se. Mostrei no vídeo anterior como elas estavam a mudar igualmente no Pacífico. Se clicar aqui posso ir para trás para os dados anteriores, então, isto é a 29 de Março e podemos segui-lo à medida que vamos para trás. São cerca de 5 dias de diferença em cada nova imagem; estamos a ir atrás no tempo e o que podemos ver é… como a batalha se está a desenrolar entre as águas frias e quentes. E então, a Corrente do Golfo aqui está muito poderosa… Elas quase que se cortam uma à outra num ângulo de 90 graus, nesta luta de puxões. Vamos um pouco mais para trás… Por favor pesquisem Earthnullschool, e abram esta ferramenta e, assim que saibam como usar a interface… Trouxemos este menu para cima ao clicar em Earth. Seja lá onde for que cliquem no mapa, mostra-vos a latitude e longitude, e mostra a velocidade da corrente do oceano, neste caso, e a direção, e a anomalia da temperatura, dependendo daquilo que se seleciona. Clicamos em Earth para trazer o menu novamente e vamos atrás no tempo um pouco mais aqui, e ver o que acontece. O que se pode ver é a variação à medida que voltamos atrás. Agora estamos no início do ano e vemos uma anomalia da temperatura muito muito quente na Corrente do Golfo, e durante toda a estação do Inverno temos tido esta água a sair do Ártico e a mancha fria aqui, e estão numa batalha as duas. Vamos dar uma olhada e ver… alguns vídeos atrás falei da destruição do recife de coral na Austrália. Temos a Austrália aqui. Agora, o recife de coral, a grande barreira do recife estende-se nesta distância enorme ao longo da linha costeira aqui. Então, vamos fazer zoom nesta região e ver o que se passa com a anomalia da temperatura de superfície do mar. Ok, vamos pô-lo grande, zoom in. Ok, talvez grande demais, vamos tentar isto. OK, então isto é o início do ano. Isto é a 14 de Janeiro, e agora vamos voltar ao presente, em aumentos de 5 dias, e… pode-se ver a anomalia da temperatura de superfície do oceano, o azul é mais frio que o normal, apenas ligeiramente mais frio que o normal, aqui ligeiramente mais quente do que o normal… Não acontece muita coisa aqui. Há alguma água quente aqui… 1.1°C… Se a água ficar demasiado quente ou demasiado fria, então os pólipos, o plâncton simbiótico, o zooplâncton que vive no coral numa relação simbiótica com os pólipos, eles desaparecem se a água estiver demasiado quente ou demasiado fria, e o coral fica branqueado pois eles contém a cor, eles dão ao coral as cores vivas e vibrantes que vemos, e então quando desaparecem, o coral torna-se branco e fica debilitado, e se o zooplâncton voltar, se a temperatura da água voltar a normal e eles voltarem em algumas semanas, então coral pode reavivar-se. Neste momento o coral está em risco de vida uma vez que várias regiões do recife de coral estão lixiviadas. Vamos ver porquê ele fica esbranquiçado. Vamos avançar no tempo aqui, e podemos ver a mudança na temperatura. Olhem para esta água aqui. A água tornou-se muito quente lá pelo final de Janeiro… Continuando… Podemos ver a água quente a atravessar. OK, há alguma água mais fria, alguma mais quente; vou simplesmente andar mais um pouco. Aqui vamos nós… Entre meados e final de Fevereiro tivemos todo este amarelo, com água a 2°C, 2,5°C acima do normal, a descer em vastas áreas do recife, e neste lado aqui, e isto começa realmente a stressar o coral. Vamos continuar a avançar… E então, a água mantém-se quente, desce um bocadinho mas mantém-se quente, e começa a aquecer outra vez, especialmente nas regiões mais a norte, e pode-se ver o que acontece. Isto está em tamanho grande agora, e vemos que a água manteve-se quente durante um período de tempo prolongado. Aqui está, isto são outra vez 2,5°C… isto são tipo um par de graus mais quente que o normal. Logo, o coral está próximo de um limiar a partir do qual vai ficar danificado. E ainda está muito quente, está quente em diferentes zonas, mas esperemos que arrefeça e dê ao coral uma chance de recuperar. Talvez esteja a acontecer, vai ser como atirar uma moeda ao ar. Está estimado que após 50% do coral estar esbranquiçado, ele vai morrer. E o recife de coral é um dos maiores… pontos ecológicos do planeta, de maior importância, é basicamente a floresta tropical do oceano, e estamos a vê-lo a morrer perante os nossos olhos por causa do aquecimento global abrupto. Então, que mais podemos ver… Temos alguma química. Isto é o CO e o CO2 à superfície. No Hemisfério Sul, vamos afastar-nos um bocadinho, e podemos ver como os níveis variam com a latitude. Aqui em baixo estamos com cerca de 400 partes por milhão, numa média global de 406ppm ou assim. Podemos ver áreas aqui que estão com um pouco menos. Vamos subir para outras latitudes. Isto é a subir sobre a Ásia; claro que há fontes de poluição aqui, das cidades mais importantes. Isto é óxido de carbono, que está muito mais alto, e também o dióxido de enxofre que está muito mais alto. E… Continuando cm o CO2… Vou voltar ao Dióxido de Enxofre. Se subirmos até ao Ártico podemos ver que os níveis lá não estão tão altos como sobre partes da Ásia. O SO2 é muito importante porque produzimos muito SO2 a partir de processos industriais, de centrais energéticas e assim. Podemos ver as áreas de industria pesada que produzem muito SO2, pontos quentes sobre os quais podemos fazer zoom e assim. A coisa com o Dióxido de Enxofre é que… quando está na atmosfera, pode refletir a luz solar e causar arrefecimento naquela zona, logo, esta é uma das coisas que, basicamente, causam escurecimento global, e se removêssemos todo o SO2, desligando a indústria de um dia para o outro removíamos o SO2, aqueceríamos… é discutível o quanto aqueceríamos; talvez meio grau, talvez um grau, só por esse meio. Então, estamos a fechar centrais energéticas que são à base de carvão, e também precisamos de fazer o mesmo para o petróleo, precisamos de ir em direção a fontes renováveis, mas vamos obter algum aquecimento por estarmos a remover o cobertor de SO2, estamos a limpar o ar e vai haver aquecimento resultante disso, e não o podemos evitar, mas não temos escolha. Temos que fazer isto. Há também informação sobre particulados aqui. Podemos ver o que está a acontecer. Isto é a Extinção de Pó, são unidades de… quando há muito pó no ar, isso vai bloquear a luz e o aumento na quantidade de bloqueio está representado nestas cores.Recolher Transcrição[/expand]

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Estudar climatologia com Earth Nullschool
Paul Beckwith

Torna-te um Cientista do Clima em 15 Minutos

Quais os mecanismos envolvidos nas alterações climáticas e como funcionam, da corrente de jato às secas e inundações, do El Niño às anomalias de temperatura…Apertem o cinto; Paul Beckwith é quem conduz.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 minutes (1/2).
A segunda parte está a ser transcrita e legendada em Português no Amara.org, onde é muito fácil para qualquer pessoa ajudar com um empurrãozinho de modo a que fique disponível o quanto antes.

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

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Torna-te um Cientista Climático em 15 Minutos

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, do Laboratório de Paleoclimatologia. Hoje, nos próximos 15 minutos, Vou ensinar-vos, basicamente, a como se tornarem num cientista do clima, usando um ótimo software. Se procurarem no Google “earth nullschooll” http://earth.nullschool.net/ poderão trazer aí o que vêm na tela aqui e irei guiar-vos através dela, e deixar-vos determinar vós mesmos o que está acontecendo com o nosso planeta. OK, então, esta é a tela principal, earth.nullschool.net, se apenas clicares em “terra” isso abre os menus. Primeiro de tudo, para que é que estamos a olhar? Se quiser descobrir para o que está a olhar, basta clicar em “earth” e isso dá-lhe a latitude e a longitude, e neste caso temos os ventos, a 60 km por hora, e dá-lhe a direção dos ventos. Então, o que se pode fazer? Pode-se arrastar a Terra à volta e olhar em diferentes pontos de vista. Portanto, isto está a olhar para uma vista do Ártico, por exemplo, e em seguida, irá atualizar após alguns segundos, pode-se usar o roda do rato para fazer zoom-in e zoom-out e quando se aumenta o zoom aumenta a resolução, assim pode-se olhar para regiões específicas e continuar a arrastar e ver-se o que acontece. Estas áreas vermelhas, o que está a acontecer lá, perto da Gronelândia? Basta clicar sobre elas e pode-se ver que os ventos são mais fortes lá, no verde mais claro os ventos são mais fracos, nesta cor verde-amarelada os ventos são mais fortes. Então, é assim que se navega, basicamente, à volta do planeta, olhando para qualquer ponto de vista que se deseje. Agora, como é que se vai mudar o menu? Clica-se em “earth”, que controla tudo. Agora, se quiser obter mais informações sobre o que está a medir pode-se clicar em “about” e obtém-se esta imagem aqui, e pode-se fazer scroll para baixo e diz-lhe que esta é uma visualização das condições meteorológicas globais, projetada por supercomputadores, atualizada a cada três horas, aah, correntes de superfície do oceano são atualizadas a cada cinco dias, etc … Pode-se ir para baixo e dá-lhe informações sobre quem está a fazer … quem criou o software, as fontes de dados de onde vêm, o computador hospedeiro das informações, informações sobre os níveis de pressão, 1000 hectopascais (hPa), isto é a cerca de 100 metros (m), condições próximas do nível do mar … O importante são os 250hPa, é muito importante; é onde as correntes de jato estão, sobe-se para a estratosfera e assim por diante; à medida que se sobe a pressão diminui. Também se pode obter informações sobre todos os outros parâmetros, como a forma como as ondas são medidas, a concentração de CO2, etc, aerossóis … Toda a informação está nesta página. Para voltar, clicar em “earth” outra vez o que nos traz de volta ao globo. Agora, vamos passar por alguns dos menus e ver o que existe, primeiro que tudo. Também informa que estamos a olhar para o vento na superfície, diz-nos a data dos dados … … em que os dados são recolhidos, então, é basicamente em tempo real. Hoje são 7 de Abril, diz-lhe 20:00 hora local … São dados da GFS, dados da Global Forecast System, do US National Weather Service, do National Center for Environmental Prediction… O que você pode fazer é … Além disso, o controle. Estamos a olhar para os dados de agora e pode-se ir para trás ou para a frente, Então, se formos aqui, que é o dia antes, vêm, ele faz scroll para o dia antes, e pode-se continuar a rolar para voltar um dia inteiro … Se se clicar na seta menor volta-se atrás uma hora, e pode-se desligar a animação, a qual é a animação da … desculpem-me, pode-se desligar aqui e isso tira a animação do vento e apenas vemos esta imagem, ou pode-se ligar a animação. Assim, as cores, os níveis, sobressaem mais quando se tem a animação desligada. Pode-se ver o ar, o oceano, a química e partículas, e estas são as altitudes na atmosfera, logo, se queremos olhar para a corrente de jato, por exemplo, vamos para os 250hPa, que são 250milibars, e é essa a altitude das correntes de jato. Se simplesmente clicarmos em “earth”, outra vez, desligamos o menu, e podemos ver o que está a acontecer com o jet-stream. Assim, se formos … Se formos para a América do Norte, por exemplo, e olharmos para o que os jatos estão a fazer, podemos ver a imagem da América do Norte por baixo e podemos ver o que está a acontecer com a ondulação dos jatos. As correntes de jato movem-se de uma forma zonal de Oeste para Este e isso é por causa da rotação da Terra. As coisas desviam-se para a direita no Hemisfério Norte, então, o ar que se move para cima desde o Equador desvia para a direita, concentra-se a uma altitude de 11 km, em média, e obtemos o jetstream. Podemos ver o jato a dividir-se em duas passagens aqui, e isto é uma grande calha aqui, esta é uma grande crista aqui, então o ar seco e quente sobe para a crista aqui ar mais estável, de alta pressão, quente, e obtém-se ar frio e baixas pressões tempestuosas nas calhas da corrente de jato. Assim, a corrente de jato é como uma barreira entre o ar frio do Ártico e o ar mais quente e húmido mais a sul. Pode-se ver que o … se se diminuir o zoom aqui, pode-se ver o que o jato está a fazer, está muito ondulada e distorcida e fragmentada. Estamos agora na estação de transição, entre o inverno e o verão no Hemisfério Norte. O Ártico é extremamente quente. Como vemos a temperatura? Podemos ver a temperatura, clicando em “earth”, indo a “ar”, olhando para a superfície, olhando para a temperatura aqui. OK, então isto está a mostrar a temperatura, e pode-se verificar isso, pode-se clicar sobre estas áreas … É muito frio nas áreas roxas, mas vejam este ar quente vindo aqui para cima, então, isto são 6,2 grau Celsius (°C) … acima de zero, indo para cima direitinho para o Ártico, e pode-se relacionar isso com a corrente de jato. Se se voltar a superfície, vento, pode-se ver… não se pode ver muita coisa a acontecer ali, os jatos estão a fazer reviravoltas aqui. Mas geralmente pode-se relacionar essas excursões com onde o jato está, talvez por isso o ar quente … pode-se ver ar quente a ser arrastado aqui para cima, atravessando aqui. Isto é o que está a acontecer agora, poderia ter sido arrastado até lá um pouco mais cedo e é por isso que está particularmente quente naqueles lados. Há muitos outros fatores aqui, pode-se ir para cima meio caminho através da atmosfera, cerca de 500 milibares. Então, pode-se fazer muitas coisas com o ar. Pode-se também ter diferentes pontos de vista, e então, se formos aqui … podemos ver a Terra nesta visão expandida aqui. Assim consegue-se ver os jatos claramente aqui, pedaços que saem do jato, e pode-se ver como estão muito fraturados e divididos, que está a tornar-se mais e mais … normal, se quiserem, no nosso período de mudança climática brusca para um planeta muito mais quente. Há muita luta de puxões a acontecer entre o ar quente e o frio. Há também outros pontos de vista por onde podem olhar que são muito estranhos e esquisitos, não são usados com muita frequência, mas apenas para saberem que estão lá, projeções diferentes, por exemplo, e … são usadas dependendo do que se está a analisar, mas, principalmente, vamos apenas usar este aqui, que é muito útil, e a projeção sobre um plano 2D, e aqui é o globo, que eu prefiro. Estas sobreposições: vento, temperatura, humidade relativa … se não estiverem seguros do que são, mantenham o rato sobre eles. Densidades instantâneas de energia eólica — quanta energia existe nos ventos. Água Precipitável Total; basta passar com o rato para obter a leitura. Água Condensável Total … Desculpem, Água Total nas Nuvens, pressão média ao nível do mar. Isto é algo chamado de Índice de Miséria, que combina temperatura e humidade. Portanto, se o Índice de Miséria for alto, obviamente, não vão quer ficar lá fora muito tempo. Vamos dar uma olhada no que está a acontecer no oceano. Então, se eu clicar em “Ocean” aqui, … e olharmos para as correntes, e olharmos para a temperatura da superfície do mar, isso dá-nos a temperatura dos oceanos, Então, o que se pode fazer é … pode-se ver que o El Niño ainda está a acontecer aqui no Pacífico, a água quente está aqui mas está a espalhar-se; este costumava estar tudo roxo. Como sabemos? Podemos voltar atrás no tempo … Ao irmos aqui e apenas clicando aqui atrás e voltamos no tempo; então, são 5 dias mais cedo, 5 dias antes disso, 5 dias antes disso, vamos continuar a voltar um pouco atrás e pode-se ver como a temperatura da superfície do mar está a mudar. Na realidade, é muito mais claro se se olhar para a anomalia da temperatura de superfície do mar. Esta é a temperatura do oceano neste dia e hora em particular, e é a anomalia em relação ao que seria normalmente, a média a longo prazo. Consegue-se ver esta área, é 2,6°C mais quente do que o normal. E se se voltar atrás um pouco mais pode-se ver … a água quente, de modo que o El Niño estava muito mais forte no início do ano, pode-se ver que há muito mais amarelo, estava muito mais quente e voltamos atrás … e tem enfraquecimento em força, e tem vindo a espalhar-se … sim, aqui vamos nós, então, está muito, muito forte, OK? Estamos apenas a voltar aos dias anteriores, e por isso estamos a ver um El Niño muito poderoso aqui. Toda esta área até 3,5 graus mais quente do que o normal … O que é interessante é que pode-se ver também aqui no Pacífico Norte, pode-se ver que há alguma água fria aqui, isto é água quente, temos uma mancha de água quente aqui, a qual contribuiu para a seca da Califórnia. E se formos para a frente no tempo, podemos ver o que está a acontecer e, na verdade, esta água fria que está a sair do Estreito de Bering está a infiltrar-se no Pacífico, em grande medida, e está de facto a expandir-se em área e expandindo a região que ela abrange. Estou apenas a clicar; estamos no 23 de Fevereiro … Podemos ver isto a ficar maior … Então, podemos fazer um monte de, tipo, fazer perguntas e tentar respondê-las para vermos o que está a acontecer ao longo do tempo na Terra. OK? E então, assim que encontrarem alguma coisa interessante … olhem para esta água fria aqui. Isto está quase 3 graus mais frio do que o normal e ainda há água muito quente aqui em cima ao longo da costa e ainda temos este forte El Niño em curso. E vamos continuar aqui … em Março … lembrem-se, a cada 5 dias é atualizado, e pode-se ver a extensão desta … Aqui vamos nós, os dados mais recentes. Então, temos água muito fria a sair e temos a água muito quente do El Niño que se está se espalhar para latitudes mais altas e mais baixas à medida que o ciclo do El Niño se aproxima do final. Vamos olhar para outra região do planeta. Vamos olhar para o … Vamos olhar para esta mancha fria no Oceano Atlântico, a sul da Gronelândia, e vamos ver como isso evolui ao longo do tempo. Então, isto é onde estamos agora … Se tentarem ir para a frente no tempo, ele diz que “não há dados”, então não há dados para esse dia, então … O último dia que temos dados é há alguns dias atrás. Então, vemos a Corrente do Golfo muito quente a atravessar-se aqui, 7 graus mais quente do que o normal, existem algumas áreas aqui que estão 10 graus, podem expandir e encontrá-las, mas também vemos esta colisão da água quente da Corrente do Golfo e temos a água fria proveniente de … descendo através do Estreito de Nares, deste lado da Gronelândia; também temos água fria chegando aqui, e temos alguma água quente aqui, que creio ser proveniente de rios … parece estar a atravessar, na verdade consegue-se voltar atrás e ver de onde está a vir. Então, vamos dar uma olhada, vamos começar a recuar um pouco. Então, se voltar no tempo … Olhem para esta água aqui. Há um choque … Olhem para esta água aqui; este é um segmento muito frio aqui, 7,2°C mais frio que o normal, e aqui temos água que está 8 graus mais quente que o normal, praticamente, e 7 graus. Então, de facto encontrei uma área onde estava 10 graus mais quente do que o normal, de modo que é uma diferença de 17 graus. Há esta mancha de água fria, e de onde é que isso veio? Bem, é água que está a descer daqui e depois foi cortada pela corrente do golfo. – continua –Recolher Transcrição[/expand]

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