Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.
Robertscribbler

Com as Temperaturas a Chegar aos 1,2ºC mais Quente do que o Pré-Industrial, a Seca Agora Abrange Todo o Globo

Jeff Goodell, um autor americano e editor na Rolling Stone, é conhecido por dizer o seguinte: “assim que começarmos deliberadamente a brincar com o clima, podemos inadvertidamente alterar os padrões de chuva (os modelos climáticos mostram que a Amazónia é particularmente vulnerável), causando o colapso de ecossistemas, seca, fome e mais.”

Estamos em processo de testar essa teoria. No caso da seca, que costumava ser apenas um assunto regional mas que agora se tornou global, Goodell parece ter acertado na mouche.

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De acordo com um relatório recente da Organização Meteorológica Mundial, a Terra está a caminho de atingir 1,2 graus Celsius mais quente do que as temperaturas pré-industriais durante 2016. Da subida do nível do mar, ao derretimento do gelo polar, a condições meteorológicas extremas, a um número crescente de pessoas deslocadas, este salto de temperatura está a criar impactos cada vez piores. Entre os mais vívidos destes está a extensão atual da seca global.

A Seca Global de Quatro Anos

Durante os anos de El Niño, as condições de seca tendem a expandir-se através de várias regiões à medida que as superfícies oceânicas aquecem. Entre 2015 e 2016, o mundo experienciou um poderoso El Niño. No entanto, apesar da influência observada deste aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, uma seca global amplamente extensa remonta a 2013 e até antes.

Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.

O Global Drought Monitor revela que condições secas têm sido predominantes durante grande parte do globo ao longo dos últimos quatro anos. Em algumas regiões, como na área do rio Colorado, a seca já se prolonga há mais de uma década. Fonte da imagem: SPEI Global Drought Monitor.

Na imagem acima, vemos défices de humidade do solo ao longo dos últimos 48 meses. O que encontramos é que grandes seções de praticamente todos os principais continentes estão a passar por, pelo menos, uma seca de quatro anos. As condições de seca foram previstas intensificarem-se, por modelos climáticos, nas latitudes médias à medida que o mundo aquecia. Parece que este é já o caso, mas a zona Equatorial e as latitudes mais altas também estão a experienciar seca generalizada. Se existe um padrão detetável nas condições atuais, é que poucas regiões têm evitado a seca. A seca é tão abrangente que é praticamente global na sua extensão.

Impactos Severos Generalizados

Estas condições de seca têm impactos notórios.

Só na Califórnia, mais de 102 milhões de árvores morreram devido ao aumento das temperaturas e uma seca que já dura desde 2010. Desses, 62 milhões já morreram só este ano. O relacionamento da seca com a mortalidade das árvores é bastante simples — quanto mais a seca durar, mais árvores perecerão à medida que as reservas de água nas raízes são usadas. A Califórnia perdeu, até agora, 2,5 por cento das suas árvores vivas devido ao que é agora o pior caso de mortalidade de árvores na história do estado.

Stress da vegetação às alterações climáticas

Não é apenas a Califórnia. Numerosas regiões por todo o mundo mostram plantas a passarem por condições ameaçadoras que colocam a sua vida em risco. No mapa acima, a saúde vegetativa é mostrada como estando sob stress, desde moderado [amarelo], a severo [rosa], em amplas regiões do mundo. Fonte da imagem: Global Drought Information System.

A seca californiana é apenas um aspecto de uma seca maior que abrange grande parte do Oeste norte-americano. Para a área do Rio Colorado, isto inclui uma seca de 16 anos que tem colocado o Lago Mead nos seus níveis mais baixos jamais registados. Com o racionamento iminente dos abastecimentos de água do rio, a menos que uma pausa milagrosa na seca surja de repente, os estados estão em sobressalto para descobrir como gerir uma escassez que se agrava. Enquanto isso, relatórios indicam que cidades como Phoenix irão exigir ação executiva por parte do presidente para garantir o abastecimento de água para milhões de residentes ao longo dos próximos anos, caso as condições não melhorem.

Mais a leste, a seca tem estado intermitente no centro e sul dos EUA. No sudeste, uma seca relâmpago recentemente ajudou a impulsionar uma onda fora-de-época de incêndios florestais sobre a região de Smoky Mountain. Ontem, em Gaitlinburg, Tennessee, chamas furiosas alimentados por ventos diante de uma frente fria obrigaram 14.000 pessoas a evacuar, danificaram ou destruíram 100 casas e ceifaram três vidas.

Incêndios resultam de seca severa Sibéria Julho 2016

Incêndios na Sibéria ativos a 23 de julho de 2016, ocorreram num contexto de seca severa. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Nas latitudes setentrionais superiores, a principal consequência da seca também tem sido incêndios florestais. Os incêndios florestais são frequentemente atiçados por calor e seca em regiões densamente florestadas com níveis de humidade do solo reduzidos. O degelo do permafrost e os níveis reduzidos de cobertura de neve agravam a situação, reduzindo ainda mais o armazenamento de humidade em regiões secas e adicionando combustíveis tipo turfa para os incêndios.

Do Alasca ao Canadá até à Sibéria, este tem sido cada vez mais o caso. No ano passado, o Alasca experienciou uma das suas piores épocas de incêndios florestais de que há registo. Este ano, tanto o calor como a seca contribuíram para os intensos incêndios na região de Fort McMurray, no Canadá. E nos últimos anos, incêndios florestais alastrando-se por uma Sibéria tremendamente seca têm sido tão extremos que satélites em órbita, a um milhão de milhas de distância, puderam detetar as plumas de fumo.

Seca e incêndios florestais no ou perto do Ártico parecem justificadamente estranhos, mas quando se considera o facto de que muitos modelos climáticos haviam previsto que as latitudes setentrionais elevadas seriam uma das poucas grandes regiões a experienciar aumentos na precipitação, essa estranheza torna-se ameaçadora. Se a atual tendência de seca generalizada no Ártico for representativa, então o aquecimento apresenta um problema de seca de Equador a Pólo.

Um lago Baikal a minguar — que se alimenta de água que flui da chuva e neve da Sibéria Central — comporta um testamento sombrio de uma seca em expansão sobre a Rússia central e do norte. O lago Baikal, o mais profundo e antigo lago do mundo, está ameaçado pela secagem relacionada com as alterações climáticas das terras que drenam para si. Em 2015, os níveis de água no Baikal atingiram níveis recorde de baixa, e ao longo dos últimos anos, incêndios em redor do lago têm crescentemente colocado em perigo as comunidades locais e a vida selvagem.

Para o sul e oeste, a província de Gansu na China foi colocada sob um alerta de seca de nível 4 este verão passado. Aí, grandes faixas de culturas foram perdidas; 500 milhões de dólares em danos no acumulados. O governo chinês apressou ajuda a 6,2 milhões de moradores afetados, transportando água potável por camião para regiões que ficaram desprovidas de abastecimentos locais.

Seca na Índia em 2016

Lagos e leitos de rios secaram por toda a Índia neste ano, tendo a monção sido adiada pelo terceiro ano consecutivo. Fonte da imagem: India Water Portal

A Índia este ano experimentou uma escassez de água semelhante, mas muito mais generalizada. Em abril, 330 milhões de pessoas na Índia experienciaram pressões hídricas. Comboios de reabastecimento de água viajaram através do campo, entregando garrafas de líquido potável a moradores que tinham perdido o acesso. O retorno da monção da Índia forneceu algum alívio, mas a seca na Índia e nas terras altas do Tibete continua, com glaciares a encolher expostos ao ar quente.

África tem visto recentemente várias crises alimentares surgirem, à medida que incêndios vão assolando através das suas florestas equatoriais. Pressões para seres humanos, plantas e animais devido à secura, escassez de água e alimentos, e incêndios têm sido notoriamente severos. Mais recentemente neste ano, 36 milhões de pessoas em toda a África enfrentaram fome devido aos impactos relacionados com a seca. Mais recentemente, a África do Sul foi forçada a reduzir manadas de hipopótamos e búfalos devido à continuação da seca de vários anos lá.

Mais para norte, na Europa, também encontramos condições de seca generalizada e em expansão. Esta situação não é inesperada para o Sul da Europa, onde os modelos climáticos globais mostram incursões de climas desérticos do outro lado do Mediterrâneo. Mas como com o norte da Rússia e América do Norte, a Europa do Norte também está experienciar seca. Estas secas por toda a Europa ajudaram a desencadear graves incêndios em Portugal e Espanha no verão, numa altura em que se prevê a queda da produção de milho para a região.

Seca e incêndios na Amazónia do Peru

Em novembro, a seca propiciou incêndios que despontaram ao longo da zona fronteiriça da floresta amazónica no Perú. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Finalmente, regressando às Américas, vemos condições de seca generalizada cobrindo grande parte do Brasil e da Colômbia, diminuindo ao longo da Cordilheira dos Andes, pelo Perú, Bolívia, Chile e Argentina. Em seções da cada vez mais desbastada e acossada pelo fogo floresta da Amazónia, e atualmente atingindo o nordeste do Brasil, as condições de seca duram agora desde há cinco anos. Lá, metade das cidades da região enfrentam racionamento de água e mais de 20 milhões de pessoas estão agora a ser confrontadas com stress hídrico. De setembro a novembro de 2015, mais de 40.000 hectares de floresta amazónica devastada pela seca arderam no Peru. Enquanto isso, a Bolívia viu o seu segundo maior lago secar e glaciares críticos para o abastecimento de água derreter, levando centenas de milhares de pessoas a ficar numa situação de racionamento de água.

Impactos na Comida

A seca e condições meteorológicas extremas em curso criaram impactos locais para o abastecimento de alimentos em várias regiões. No entanto, estes impactos ainda não afetaram seriamente os mercados globais de alimentos. A seca no Brasil e na Índia, por exemplo, tem impactado significativamente a produção de açúcar, o que por sua vez está causar um aumento dos preços globais dos alimentos. A produção de cereais foi um pouco menor, o que também está a causar preços mais elevados, embora não os grandes saltos que vemos no açúcar. Mas o Índice da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) para outubro de 2016 (173 aproximadamente), sendo 9 por cento superior ao valor do ano passado para esta época do ano, ainda está bastante longe do valor 229 de pico que ocorreu em 2011, e que contribuiu para tanta agitação em todo o globo.

Subida de preços dos alimentos em 2016

O aumento dos preços dos alimentos durante 2016, face a preços relativamente baixos de energia e desafios significativos relacionados com o clima para os agricultores, é causa para preocupação. Fonte da imagem: FAO

Dito isto, com preços da energia a cair para valores comparativamente baixos, preços de alimentos relativamente altos (e crescentes) são causas para preocupação. Tradicionalmente, a queda dos preços da energia também reduzem os preços dos alimentos, pois os custos de produção são menores, mas parece que estes ganhos pelos agricultores estão a ser compensados ​​por vários impactos ambientais e climáticos. Além disso, embora muito difundida, a seca parece ter até agora evitado grandes regiões produtoras de cereais, como o centro dos EUA, e o centro e leste da Ásia. Assim, o quadro global de alimentos, se não inteiramente rosado, não está tão mau quanto poderia ser.

Condições em Contexto — Aumento da evaporação, Derretimento dos Glaciares, Menos Cobertura de Neve, Zonas Climáticas em Deslocação

Com o mundo agora provavelmente a atingir 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais ao longo dos próximos 15 a 20 anos, as condições gerais de seca provavelmente agravar-se-ão. As maiores taxas de evaporação são uma característica primária do aquecimento, o que significa que mais chuva tem de cair só para acompanhar o ritmo. Além disso, a perda do gelo glaciar em várias cadeias montanhosas e a perda de cobertura de neve em ambientes Árticos e próximos do Ártico, agora mais secos, irão reduzir ainda mais os níveis dos rios e a humidade do solo. O aumento da prevalência de eventos extremos de precipitação em comparação com eventos de chuva estáveis irá colocar ainda mais pressão sobre a vegetação que ajuda a capturar a humidade do solo. Finalmente, as alterações à circulação atmosférica devido à amplificação polar irão combinar-se com um movimento em direção aos pólos das zonas climáticas, levando a uma confusão geral das estações tradicionais de cultivo. Como resultado, tudo que depende de abastecimentos de água constantes e padrões climáticos previsíveis irá enfrentar desafios à medida que o mundo se dirige para um estado de mudança climática mais evidente.


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Traduzido do original
With Temperatures Hitting 1.2 C Hotter than Pre-Industrial, Drought Now Spans the Globe
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 30 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
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Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016
Sam Carana

Níveis de Metano Elevados Seguem-se a Sismo no Oceano Ártico

Nos 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016, 48 sismos com uma magnitude de 4 ou superior na escala de Richter atingiram a área do mapa da imagem abaixo, na maior parte a uma profundidade de 10 km (6.214 milhas).

48 Sismos no Ártico em Julho de 2016

48 terramotos atingiram a área do mapa durante os 12 meses anteriores a 14 de Julho de 2016. Criado por Sam Carana para Arctic-news.blogspot.com com imagens de earthquake.usgs.gov

À medida que as temperaturas continuam a aumentar e o derretimento dos glaciares continua a tirar peso da superfície da Gronelândia, um reajuste isostático pode, cada vez mais, desencadear terremotos em torno da Gronelândia, e em particular sobre a falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Dois terremotos atingiram recentemente o Oceano Ártico. Um terremoto atingiu com uma magnitude de 4,5 graus na escala Richter a 9 de Julho de 2016. O outro terremoto atingiu com uma magnitude de 4,7 graus na escala Richter a 12 de Julho de 2016, às 00:15:24 UTC, com epicentro a 81.626°N 2.315°W e a uma profundidade de 10,0 km (6.214 milhas), como ilustrado pela imagem abaixo.

Sismo no Ártico a 12 de Julho

A 12 de Julho de 2016, um terramoto atingiu o Oceano Ártico com a magnitude de 4,7 na escala de Richter, com epicentro a 81.626”N 2.315”W e a 10km de profundidade.

Seguindo-se ao terremoto mais recente, elevados níveis de metano apareceram na atmosfera a 15 de Julho de 2016, sobre essa mesma área que o terremoto atingiu, como ilustra a imagem abaixo.

Níveis de metano elevados após sismo no Ártico a 15 de Julho de 2016

Sobre a área atingida por um terramoto a 12 de Julho de 2016, elevados níveis de metano apareceram a uma altitude de 4,116m a 15 de Julho de 2016. A imagem pequena mostra a mesma área a 6.041m de altitude a 15 de Julho. Criado por Sam Carana com imagens da NOAA. Branco= sem dados; cinzento= falha de leitura.

A imagem acima mostra que os níveis de metano foram tão elevados quanto 2505 ppb a uma altitude de 4.116 m ou 13,504 pés na manhã de 15 de Julho de 2016. A uma maior altitude (de 6.041 m ou 19,820 pés), níveis de metano tão altos quanto 2.598 ppb foram registrados naquela manhã e a área de cor magenta a leste do ponto nordeste da Gronelândia (enquadramento em foco) parece indicar a mesma coisa nas imagens entre estas altitudes. Tudo isso indica que o terremoto causou desestabilização de hidratos de metano contidos nos sedimentos naquela área.

Libertação de metano a leste da Gronelândia após sismo

Níveis de metano a uma pressão atmosférica de 840mb variavam entre 1555 e 2058 ppb. Criado por Sam Carana com imagens da NOOA.

A imagem acima, de outro satélite, confirma fortes libertações de metano a leste da Gronelândia, na tarde de 14 de Julho de 2016, enquanto a imagem abaixo mostra níveis elevados de metano a 16 de Julho de 2016, ao longo da falha geológica que atravessa o Oceano Ártico.

Metano com níveis elevados no Ártico após sismo

A imagem abaixo mostra glaciares na Gronelândia e o gelo do mar perto da Gronelândia e Svalbard a 15 de Julho de 2016. Note-se que as nuvens em parte obscurecem a extensão do declínio do gelo do mar.

Declínio do gelo marinho na Gronelândia e Svalbard

Gelo marinho fraturado e lamacento no Ártico

A imagem acima mostra o gelo do mar a 12 de Julho de 2016. Há uma grande área com muito pouco gelo do mar perto do Pólo Norte (à esquerda) e há pouco ou nenhum gelo do mar em torno de Franz Josef Land (à direita). Em geral, o gelo do mar parece lamacento e fraturado em pequenos pedaços finos. Tudo isso é uma indicação de quão quente a água está por baixo do gelo do mar.

Temperaturas muito elevadas no Ártico a 16 de Julho de 2016Além dos choques e mudanças de pressão causados por terremotos, a desestabilização de hidratos de metano pode ser desencadeada pelo calor do oceano alcançando o fundo do mar do Oceano Ártico. Uma vez que o metano chega à atmosfera, pode muito rapidamente elevar as temperaturas locais, agravando ainda mais a situação.

As temperaturas já estão muito elevadas em todo o Ártico, como ilustrado pela imagem abaixo, mostrando que a 16 de Julho de 2016 estiveram 1,6°C sobre o Pólo Norte (círculo verde de cima), enquanto estiveram 32,7°C num local perto de onde o rio Mackenzie desagua no Oceano Ártico (círculo verde de baixo).

O gelo do mar no Ártico não parece nada bem, como também ilustrado pelo cálculo presente pelo Laboratório de Pesquisa Naval em abaixo.

Declínio do glo do mar no Ártico em Julho de 2016

A espessura do gelo do mar caiu drasticamente ao longo dos anos, especialmente o gelo que tinha mais do que 2,5 m de espessura. A imagem abaixo compara a espessura gelo do mar do Ártico (em m) a 15 de Julho, para os anos a partir de 2012 (painel à esquerda) a 2015 (painel direito), utilizando imagens do Laboratório de Pesquisa Naval.

Comparação da espessura do gelo do mar no Ártico entre os anos de 2012 e 2015

[ Clique na imagem para ampliá-la ]
A imagem abaixo mostra anomalias da temperatura de superfície do mar em relação a 1961-1990 a 24 de Julho de 2016.

Temperaturas anormais muito elevadas no Ártico em Julho de 2016

As temperaturas da superfície do mar ao largo da costa da América são altas e muito deste calor do oceano será carregado pela Corrente do Golfo em direção ao Oceano Ártico ao longo dos próximos meses.

Temperaturas altas da superficie do mar na corrente do golfo até ao Ártico

A 24 de Julho de 2016, a temperatura da superfície do mar perto da Flórida estava tão alta quanto 33,2°C, uma anomalia de 3,7°C em relação à média de 1981-2011 (círculo verde inferior), enquanto que a temperatura da superfície do mar perto de Svalbard estava tão elevada quanto 17,3°C, uma anomalia de 12,6°Cem relação a 1981-2011 (círculo verde em cima).

Uma tampa de água doce fria (ou seja, baixa salinidade) fica em cima do oceano e esta tampa é alimentada por precipitação (chuva, granizo, neve, etc.), o derretimento do gelo do mar (e icebergs) e água que escorre da terra (de rios e derretimento de glaciares em terra). Esta tampa reduz a transferência de calor do oceano para a atmosfera e, assim, contribui para um Atlântico Norte mais quente onde enormes quantidades de calor são agora transportadas por baixo desta tampa em direção ao Oceano Ártico. O perigo é que mais calor do oceano a chegar ao Oceano Ártico vai desestabilizar clatratos no fundo do mar e resultar em enormes erupções de metano, como discutido em posts anteriores, como este.

À medida que as temperaturas continuam a aumentar, a neve e ogelo no Ártico vão diminuir. Isso poderia resultar em cerca de 1,6°C de aquecimento devido a mudanças de albedo (ou seja, devido ao declínio tanto do gelo do mar do Ártico como da cobertura de neve e gelo em terra). Além disso, cerca de 1,1°C de aquecimento poderiam resultar da libertação de clatratos de metano do fundo do mar dos oceanos do mundo. Como discutido num post anterior, isso poderia suceder como parte de um aumento em relação aos níveis pré-industriais de até 10°C, por volta do ano de 2026.

Incêndios florestais no Alasca Canadá, um feedback de auto-reforço do aquecimento global

Incêndios na Sibéria a 19 de julho de 2016 constituem um feedback no aquecimento globalÀ medida que as temperaturas sobem, o impacto será sentido em primeiro lugar e mais fortemente no Ártico, onde o aquecimento global está a acelerar devido a inúmeros feedbacks que podem atuar como ciclos de auto-reforço.

Já neste momento, isto está a desencadear incêndios florestais em todo o Ártico.

A imagem acima mostra incêndios (indicados por pontos vermelhos) no Alasca e no norte do Canadá, a 15 de Julho de 2016.

A imagem à direita mostra fumo resultante de incêndios florestais na Sibéria. A imagem abaixo mostra que, a 18 de Julho de 2016, os níveis de monóxido de carbono (CO) sobre a Sibéria estavam tão elevados quanto 32318 ppb, e numa área com níveis de dióxido de carbono (CO2) tão baixos quanto 345 ppm, o CO2 atingiu níveis tão elevados quanto 650 ppm no mesmo dia.

Níveis de dióxido de carbono (CO2) e monóxido de carbono (CO) na Sibéria, resultante de incêndios florestais em Julho de 2016

A imagem abaixo mostra a extensão de fumo de incêndios florestais na Sibéria a 23 de Julho de 2016.

Fumo resultante dos incêndios na Sibéria a 23 de Julho de 2016

A imagem abaixo mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 19 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 19 de Julho de 2016

A imagem abaixo, a partir do satélite MetOp, mostra níveis elevados de metano sobre a Sibéria a 21 de Julho de 2016.

Niveis elevados de metano na Sibéria a 21 de Julho de 2016

Abaixo estão outras imagens que descrevem os níveis de metano médios globais, em relação a 1980-2016 (à esquerda) e 2012-2016 (à direita).

Níveis Médios Globais Metano 1980 2016Níveis de metano entre 2012 e 2016

A imagem abaixo mostra os níveis de metano em Barrow, Alasca.

Medição dos níveis de metano no Alasca ao longo dos anos, mostra pico em 2016

A imagem abaixo mostra que, enquanto que os níveis de metano podem parecer terem-se mantido estáveis ao longo do ano passado quando fazendo as medições ao nível do solo, em altitudes mais elevadas eles subiram fortemente.

Variação dos níveis de metano com a altitude comparando os anos 2015 e 2016

A tabela de conversão abaixo mostra os equivalentes de altitude em pés, m e mb.
57016 pés 44690 pés 36850 pés 30570 pés 25544 pés 19820 pés 14385 pés 8368 pés 1916 pés
17378 m 13621 m 11232 m 9318 m 7786 m 6041 m 4384 m 2551 m 584 m
74 mb 147 mb 218 mb 293 mb 367 mb 469 mb 586 mb 742 mb 945 mb

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original High Methane Levels Follow Earthquake in Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 17 de Julho de 2016.

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Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

*****

Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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