relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

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Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

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O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

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Média anual da extensão do gelo marítimo 2012 - 2016
Sam Carana

Menos gelo marítimo, Oceano Ártico mais quente

A 2 de novembro de 2016, a extensão do gelo marítimo do Ártico estava num valor mínimo recorde para a época do ano, ou seja, apenas 7,151 milhões km².

gelo marítimo atinge valor mais baixo recorde

A atualmente muito baixa extensão de gelo marítimo está a arrastar ainda mais para baixo a média anual da extensão de gelo marítimo, que também está num valor mínimo recorde, como ilustrado pela imagem abaixo, do blog de Torstein Viðdalr.

Média anual da extensão do gelo marítimo 2012 - 2016

Não só está a extensão do gelo marítimo do Ártico muito baixa, o gelo marítimo está também cada vez mais fino, como ilustra a imagem abaixo, por Wipneus, que mostra o recente e dramático declínio da espessura do gelo marítimo do Ártico.

Comparação da espessura do gelo marítimo no Ártico 2012-2016

Como a animação de 30 dias do Naval Research Lab abaixo mostra, o gelo marítimo do Ártico não está a ganhar grande espessura, apesar da mudança de estações.

Espessura do gelo no Ártico em Outubro - Novembro 2016, em metros.

Espessura do gelo no Ártico em Outubro – Novembro 2016, em metros.

Nos dois vídeos em baixo, Paul Beckwith explica melhor a situação.

Paul Beckwith:

A recuperação do gelo marítimo está fod… este ano, verdadeiramente horrível de facto. À medida que o gelo se estende, definido como as regiões com pelo menos 15% de gelo, e tenta expandir pelo congelamento da água do mar, é derretido por temperaturas da superfície do mar extremamente elevadas. Então, a água arrefecida da superfície mistura-se pela ação das ondas com água mais quente tão profundo quanto 200 metros, e as misturas quentes na superfície continuam o processo de derretimento do gelo do mar. Sem uma recuperação forte do gelo, vamos atingir o estado para o qual nos dirigimos. Nomeadamente, zero gelo marítimo. Temos que quebrar este ciclo vicioso, ao declararmos uma emergência climática, e ao implementar o conjunto de soluções do banco-de-três-pés.

[Esta segunda parte encontra-se em tradução e em breve será adicionada à publicação Gelo do Mar no Ártico em Recuperação Difícil Sem Precedentes]

À medida que o aquecimento global aumenta a temperatura da superfície do mar e a da atmosfera sobre a superfície do mar, desenvolvem-se ventos cada vez mais fortes, resultando por sua vez em ondas mais fortes e maiores quantidades de água nas nuvens.

A imagem abaixo mostra a previsão para 9 de Novembro de 2016 de ondas tão altas quanto 13.76 metros (círculo verde no painel esquerdo) e quantidades totais de água de 1.38 kg/m² (círculo verde, painel direito, perto de Novaya Zemlya).

Previsão de ondulação e quantidade de água nas nuvens no Ártici a 9 de Novembro

Ondas grandes tornam difícil para o gelo marítimo de formar, enquanto a evaporação do oceano adiciona mais vapor de água para a atmosfera. Uma vez que o vapor de água é um gás de efeito estufa potente, isto acelera ainda mais o aquecimento do Ártico.

O péssimo estado do gelo marítimo indica que a água do Oceano Ártico está a ficar cada vez mais quente.

Temperatura do mar no Ártico a 31 de Outubro de 2016
A 31 de outubro de 2016, o Oceano Ártico estava tão quente como 17°C ou 62,7°F (círculo verde perto de Svalbard), ou 13,9°C ou 25°F mais quente do que 1981-2011. Isto indica o quão mais quente a água está abaixo da superfície, chegando assim ao Oceano Ártico a partir do Oceano Atlântico.

Em baixo está uma atualização da situação quanto ao metano. Contida nos dados existentes temos uma linha de tendência a indicar que os níveis de metano poderiam aumentar um terço até 2030 e quase duplicar até 2040.

Níveis de metano em 2016 e previsão até 2040

Porque é que o metano é tão importante? Numa escala de 10 anos, o metano causa mais aquecimento do que o dióxido de carbono. Em comparação com o CO2, o metano o Potencial de Aquecimento Global do metano aumenta quanto mais for libertado. O tempo de vida do metano pode ser estendida a décadas, em particular devido à depleção do hidróxido na atmosfera.

Potencial de aquecimento global do metano

Potencial de aquecimento do metano comparado ao CO2 e outros gases de efeito estufa.

Nefasto é o que mostra a imagem em baixo, a 9 de Novembro de 2016, os níveis de metano estavam tão elevados sobre o mar de Laptev (cor magenta sólido a norte da Sibéria).

Níveis de metano, Laptev, Sibéria

A imagem abaixo mostra que os níveis de metano a a 9 de Novembro de 2016 esavam tão altos quanto 2633 partes por bilião (a uma altitude ligeiramente mais elevada correspondendo à pressão de 469 mb).

Níveis de metano, Novembro 2016

As temperaturas sobre o Oceano Ártico estão previstas permanecerem elevadas, refletindo as temperaturas muito elevadas da água.

Temperaturas elevadas no Ártico a Novembro de 2016

O perigo é que, à medida que o aquecimento global continuar e a neve do Ártico e a cobertura de gelo continuarem a encolher, o aquecimento do Oceano Ártico irá acelerar e destabilizar os hidratos de metano contidos nos sedimentos do seu leito marítimo, provocando enormes erupções de metano que irão acelerar ainda mais o aquecimento. Isto poderia contribuir para um aumento da temperatura global de até 10°C ou 18°F durante a próxima década.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático

Traduzido do original Less sea ice, warmer Arctic Ocean de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 4 de Novembro de 2016, atualizado a 11 de Novembro..

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Recuo glacial da Antártica Ocidental
The Guardian

Mundo a caminho dos 3ºC de aquecimento sob as atuais promessas climáticas globais, adverte a ONU

Os compromissos climáticos atuais são insuficientes para reduzir as emissões pelos montantes necessários para evitar níveis perigosos de aquecimento global, diz o relatório da Unep

Recuo glacial da Antártica Ocidental

Recuo glacial da Antártica Ocidental Fotografia: Mario Tama/Getty Images

Os compromissos assumidos pelos governos sobre as alterações climáticas vão levar a níveis perigosos de aquecimento global porque são desproporcionais com o crescimento das emissões de gases de efeito estufa, de acordo com um novo relatório.

O Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep – United Nations Environment Programme) disse que as promessas apresentadas para reduzir as emissões veriam as temperaturas subirem 3ºC acima dos níveis pré-industriais, muito acima dos 2ºC do acordo climático de Paris, que entra em vigor na sexta-feira.

Pelo menos um quarto das emissões devem ser cortadas até ao final da próxima década, face às tendências atuais, disse a ONU.

O relatório constatou que as emissões em 2030 eram susceptíveis de atingir cerca de 54 a 56 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, um grande desvio das 42 gigatoneladas por ano prováveis de representarem o nível em que o aquecimento supera os 2ºC.

Erik Solheim, chefe do Unep, disse que o mundo estava “a mover-se na direção certa” na redução das emissões de gases de efeito estufa e no combate às alterações climáticas, mas que devem ser tomadas medidas urgentemente para se evitar a necessidade de reduções de emissões muito mais drásticas no futuro. “Se não começarmos a tomar medidas adicionais agora, vamos lamentar-nos acerca da tragédia humana evitável.”

Ele advertiu, em particular, que as pessoas iriam começar a ser deslocados das suas casas pelos efeitos das alterações climáticas, sofrendo com secas, fome, doenças e conflitos oriundos destas aflições. A migração em massa resultante da mudança climática é difícil de separar de outras causas de migração, mas está previsto tornar-se um problema muito maior.

Este ano está garantido para ser o mais quente jamais registado, segundo a Nasa, eclipsando o calor recorde do ano passado, e poderá mostrar o caminho para futuros aumentos de temperatura e os seus problemas acompanhantes.

Sob o acordo de Paris, alcançado em dezembro passado, todos os governos em funcionamento do mundo acordaram em reduzir os gases de efeito estufa em linha com a necessidade de manter o aquecimento a não mais do que 2ºC, o que os cientistas consideram o limite de segurança. Esse acordo foi ratificado pelos EUA, a China e a União Europeia, e vários outros governos.

No entanto, apesar de todos os governos envolvidos no acordo de Paris terem acordado as suas próprias metas nacionais para conter os gases de efeito estufa, estas não são juridicamente vinculativas. Além disso, poucos países estabeleceram planos concretos acerca de como irão implementar as contenções.

Na próxima semana, os signatários do acordo de Paris irão reunir-se em Marraquexe para cimentarem alguns aspectos do pacto alcançado no ano passado. Os defensores esperam que alguns países possam chegar a planos mais concretos de como pretendem alcançar as reduções de emissões futuras necessárias, e que os países que ainda não ratificaram o acordo sejam persuadidos a fazê-lo.

Não é esperado que nenhum país anuncie novas metas para emissões concordantes com as reduções que o relatório da Unep sugere que são necessárias. As nações têm atualmente metas domésticas para contenção ou redução das emissões até 2020, estabelecidas em 2009 na reunião da ONU em Copenhaga, bem como os seus compromissos de Paris, aplicáveis entre 2025 e 2030.

Asad Rehman, ativista internacional do clima da Friends of the Earth, disse: “Esta é uma advertência severa que não pode ser ignorada – é urgentemente necessária uma ação mais forte face às alterações climáticas para evitar que o mundo acelere rumo à catástrofe. Os governos estão a beber copos no “bar da última hipótese” se os objetivos elevados do acordo climático de Paris forem atingidos”.

Richard Black, diretor do grupo de reflexão Energy and Climate Intelligence Unit, disse: “O relatório da Unep confirma que tem havido uma notável aceleração no sentido rumo a uma economia de baixo carbono global em relação ao ano passado, mas é necessária substancialmente mais ação se os governos quiserem cumprir a meta por eles fixada no acordo de Paris”.

Outro acordo climático significativo foi assinado nas últimas semanas. Ao abrigo do Protocolo de Montreal de 1987, os países concordaram em eliminar progressivamente os gases que se sabe serem prejudiciais à camada de ozono. Alguns dos substitutos, no entanto, revelaram-se muito mais potentes do que o dióxido de carbono para o aquecimento do planeta.

Sob uma nova adição a esse acordo, países por todo o mundo concordaram em remover os HFCs prejudiciais usados em alguns sistemas de ar condicionado e refrigeração. Se totalmente implementado, isto poderia resultar numa redução de 0,5°C no aquecimento futuro. Dada a meta estabelecida em Paris para limitar o aumento da temperatura global em 2ºC, isto faria uma diferença significativa para as ações do mundo face às alterações climáticas, se for respeitado na íntegra. A eliminação progressiva das substâncias químicas relevantes pode demorar grande parte do resto da década, contudo, e pode enfrentar resistência em algumas indústrias.

Solheim urgiu aos países para embarcarem em programas mais ambiciosos para melhorarem a eficiência energética, aumentarem a quantidade de energia proveniente de fontes renováveis, e procurarem alcançar os objetivos nacionais que estabeleceram em Paris.

Traduzido do original World on track for 3C of warming under current global climate pledges, warns UN publicado por Fiona Harvey no theguardian, a 3 de Novembro de 2016

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Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais
Robertscribbler

Demasiado Próximo dos Limiares Climáticos Perigosos – Primeiros Três Meses de 2016 Estiveram 1,5 C Acima da Linha de Base Pré-industrial do IPCC

Devíamos ter um momento para apreciar o quão quente tem na verdade estado até agora em 2016. Para pensarmos sobre o que significa estarmos num mundo que já está tão quente. Para pensarmos sobre o quão falta para a bola 8 quanto a respostas às mudanças climáticas forçadas pelos humanos. E considerarmos como é urgente pararmos rapidamente de queimar carvão, petróleo e gás. Pararmos de adicionar mais combustível a um fogo global já furioso.

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Políticos, cientistas e muitos ambientalistas identificaram uma média anual de 1,5 graus Celsius acima das marcas pré-industriais como um nível de calor que devíamos tentar evitar. O encontro do clima de Paris fez uma promessa verbal para pelo menos tentarmos afastar-nos de tais temperaturas elevadas extremas. Mas mesmo os compromissos mais fortes de redução de emissões pelas nações do mundo agora não se alinham com essa promessa. E é questionável se poderiam, dada a enorme quantidade de sobrecarga de gás de efeito estufa já acumulada e que já está a aquecer rapidamente os ares, águas, gelo e reservas de carbono do mundo.

As promessas de redução de emissões atuais, apesar de significantes quando se leva em contexto o tamanho e potencial de crescimento de toda a indústria que vomita carbono, nem chegam sequer perto do declarado objetivo de 1,5 C. De acordo com nosso entendimento presentemente aceite de sensibilidade climática e excluindo qualquer resposta dos reservatórios de carbono globais imprevistos pela ciência mainstream, as reduções prometidas do uso de combustíveis fósseis pelas nações do mundo sob o acordo de Paris iriam limitar o aquecimento a cerca de 3 C até ao final deste século. As taxas de redução das emissões de carbono teriam necessariamente de acelerar significativamente além das metas a que se comprometeram em Paris de modo a acertarmos abaixo dos 3 C em 2100 – muito menos evitar os 2 C.

Quanto aos 1,5 C acima das médias pré-industriais – parece que este ano de 2016 já verá temperaturas desconfortavelmente próximas de um nível que a corrente principal de cientistas identificaram como perigosos.

Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais

(A Agência Meteorológica do Japão mostra que Março de 2016 manteve-se em níveis de temperatura global mais elevados que os 1,5 C acima da linha de base pré-industrial.)

A advertência mais recente veio quando a Agência Meteorológica do Japão publicou hoje os seus valores de temperatura de Março. Nas medições, vemos novamente um grande salto nas leituras com a nova medição de Março a bater um recorde de 1,07 C acima da média do século 20, ou cerca de 1,55 C acima das temperaturas vistas pela última vez durante o início da década de 1890. Estas temperaturas comparam-se aproximadamente aos 1,52 C acima das temperaturas de 1890 registadas pela mesma agência durante fevereiro e uma diferença positiva de 1,35 C acima das temperaturas de 1890 durante janeiro. Fazendo a média de todas estes números de temperaturas anómalas juntas, descobrimos que os três primeiros meses de 2016 estiveram cerca de 1,47 C acima da década de 1890, ou próximo de 1,52 C acima da linha de base pré-industrial do IPCC de 1850 a 1900.

Assim, durante três meses agora, entrámos num novo e duro mundo. Um provocado pelo cativeiro atroz da queima de combustíveis fósseis. Um que muitos cientistas disseram ser imperativo evitar.

Devido à forma dos ciclos do sistema climático global, é pouco provável que o resto de 2016 verá marcas de temperaturas globais assim elevadas, e a média anual vai curvar para trás a partir de um pico próximo ou ligeiramente superior a 1,5 C durante o início de 2016. A La Nina parece estar a caminho. E como principal condutor do lado mais frio da variabilidade natural, a La Niña tomando conta deve tirar um pouco do ferrão destas novas leituras de temperatura atmosférica recorde.

Dito isto, o calor global do oceano ainda parece muito extremo. Os valores da Oscilação Decenal do Pacífico atingiram os seus segundos valores mensais mais elevados durante Março de 2016. E uma ODP [Oscilação Decenal do Pacífico] fortemente positiva pode tender a sangrar uma grande quantidade de calor para os ares do mundo mesmo na ausência da influência do El Nino. Além disso, o aquecimento no Ártico este ano atingiu novos níveis recordes. O gelo do mar do Ártico está agora em, ou perto de, níveis sazonais baixos recorde na maioria das medições [Mais sobre o aquecimento e degelo no Ártico aqui, em Português]. O albedo é muito baixo com muitas regiões de gelo escuro ou águas abertas que se formam ao longo do Oceano Ártico. Os níveis de cobertura de neve também estão baixos ou em recorde mínimo – dependendo da medida. O degelo a acontecer muito cedo na Groenlândia já está a prejudicar a refletividade dessa grande massa de gelo.

Com o avanço do Verão, estes fatores podem tender a continuar a gerar excesso de calor no Ártico ou próximo das regiões do Ártico, à medida que novas superfícies escuras absorvem muito mais radiação solar do que durante um ano típico. Novas evidências de aumento da resposta das reservas de carbono da permafrost no Ártico podem adicionar a esta potencial contribuição de calor adicional.

Há um perigo então, de que um arrefecimento no final do ano relacionado à variabilidade natural conduzida pela La Niña possa tender a ficar desfasado – puxado para trás por uma ODP positiva e feedbacks de amplificação no Ártico. Os níveis de dióxido de carbono atmosférico com pico entre 407 e 409 partes por milhão durante os meses de Março e Abril — o condutor principal e cada vez mais perigoso de todo este excesso de calor que estamos agora a vivenciar — corre o risco de dobrar a extremidade superior desse limiar de temperatura ainda mais para cima e de formas que, provavelmente, ainda não detectámos completamente. Mas o facto de que Março parece ter-se ficado por valores próximos dos da elevada anomalia recorde de Fevereiro é a causa de uma preocupação crescente. Por outras palavras, 2016 está preparado para ser quente de maneiras que são surpreendentes, bizarras e perturbadoras.

Traduzido do original Too Close to Dangerous Climate Thresholds — Japan Meteorological Agency Shows First Three Months of 2016 Were About 1.5 C Above the IPCC Preindustrial Baseline, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 12 de Abril de 2016.

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