Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.
Robertscribbler

Com as Temperaturas a Chegar aos 1,2ºC mais Quente do que o Pré-Industrial, a Seca Agora Abrange Todo o Globo

Jeff Goodell, um autor americano e editor na Rolling Stone, é conhecido por dizer o seguinte: “assim que começarmos deliberadamente a brincar com o clima, podemos inadvertidamente alterar os padrões de chuva (os modelos climáticos mostram que a Amazónia é particularmente vulnerável), causando o colapso de ecossistemas, seca, fome e mais.”

Estamos em processo de testar essa teoria. No caso da seca, que costumava ser apenas um assunto regional mas que agora se tornou global, Goodell parece ter acertado na mouche.

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De acordo com um relatório recente da Organização Meteorológica Mundial, a Terra está a caminho de atingir 1,2 graus Celsius mais quente do que as temperaturas pré-industriais durante 2016. Da subida do nível do mar, ao derretimento do gelo polar, a condições meteorológicas extremas, a um número crescente de pessoas deslocadas, este salto de temperatura está a criar impactos cada vez piores. Entre os mais vívidos destes está a extensão atual da seca global.

A Seca Global de Quatro Anos

Durante os anos de El Niño, as condições de seca tendem a expandir-se através de várias regiões à medida que as superfícies oceânicas aquecem. Entre 2015 e 2016, o mundo experienciou um poderoso El Niño. No entanto, apesar da influência observada deste aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, uma seca global amplamente extensa remonta a 2013 e até antes.

Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.

O Global Drought Monitor revela que condições secas têm sido predominantes durante grande parte do globo ao longo dos últimos quatro anos. Em algumas regiões, como na área do rio Colorado, a seca já se prolonga há mais de uma década. Fonte da imagem: SPEI Global Drought Monitor.

Na imagem acima, vemos défices de humidade do solo ao longo dos últimos 48 meses. O que encontramos é que grandes seções de praticamente todos os principais continentes estão a passar por, pelo menos, uma seca de quatro anos. As condições de seca foram previstas intensificarem-se, por modelos climáticos, nas latitudes médias à medida que o mundo aquecia. Parece que este é já o caso, mas a zona Equatorial e as latitudes mais altas também estão a experienciar seca generalizada. Se existe um padrão detetável nas condições atuais, é que poucas regiões têm evitado a seca. A seca é tão abrangente que é praticamente global na sua extensão.

Impactos Severos Generalizados

Estas condições de seca têm impactos notórios.

Só na Califórnia, mais de 102 milhões de árvores morreram devido ao aumento das temperaturas e uma seca que já dura desde 2010. Desses, 62 milhões já morreram só este ano. O relacionamento da seca com a mortalidade das árvores é bastante simples — quanto mais a seca durar, mais árvores perecerão à medida que as reservas de água nas raízes são usadas. A Califórnia perdeu, até agora, 2,5 por cento das suas árvores vivas devido ao que é agora o pior caso de mortalidade de árvores na história do estado.

Stress da vegetação às alterações climáticas

Não é apenas a Califórnia. Numerosas regiões por todo o mundo mostram plantas a passarem por condições ameaçadoras que colocam a sua vida em risco. No mapa acima, a saúde vegetativa é mostrada como estando sob stress, desde moderado [amarelo], a severo [rosa], em amplas regiões do mundo. Fonte da imagem: Global Drought Information System.

A seca californiana é apenas um aspecto de uma seca maior que abrange grande parte do Oeste norte-americano. Para a área do Rio Colorado, isto inclui uma seca de 16 anos que tem colocado o Lago Mead nos seus níveis mais baixos jamais registados. Com o racionamento iminente dos abastecimentos de água do rio, a menos que uma pausa milagrosa na seca surja de repente, os estados estão em sobressalto para descobrir como gerir uma escassez que se agrava. Enquanto isso, relatórios indicam que cidades como Phoenix irão exigir ação executiva por parte do presidente para garantir o abastecimento de água para milhões de residentes ao longo dos próximos anos, caso as condições não melhorem.

Mais a leste, a seca tem estado intermitente no centro e sul dos EUA. No sudeste, uma seca relâmpago recentemente ajudou a impulsionar uma onda fora-de-época de incêndios florestais sobre a região de Smoky Mountain. Ontem, em Gaitlinburg, Tennessee, chamas furiosas alimentados por ventos diante de uma frente fria obrigaram 14.000 pessoas a evacuar, danificaram ou destruíram 100 casas e ceifaram três vidas.

Incêndios resultam de seca severa Sibéria Julho 2016

Incêndios na Sibéria ativos a 23 de julho de 2016, ocorreram num contexto de seca severa. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Nas latitudes setentrionais superiores, a principal consequência da seca também tem sido incêndios florestais. Os incêndios florestais são frequentemente atiçados por calor e seca em regiões densamente florestadas com níveis de humidade do solo reduzidos. O degelo do permafrost e os níveis reduzidos de cobertura de neve agravam a situação, reduzindo ainda mais o armazenamento de humidade em regiões secas e adicionando combustíveis tipo turfa para os incêndios.

Do Alasca ao Canadá até à Sibéria, este tem sido cada vez mais o caso. No ano passado, o Alasca experienciou uma das suas piores épocas de incêndios florestais de que há registo. Este ano, tanto o calor como a seca contribuíram para os intensos incêndios na região de Fort McMurray, no Canadá. E nos últimos anos, incêndios florestais alastrando-se por uma Sibéria tremendamente seca têm sido tão extremos que satélites em órbita, a um milhão de milhas de distância, puderam detetar as plumas de fumo.

Seca e incêndios florestais no ou perto do Ártico parecem justificadamente estranhos, mas quando se considera o facto de que muitos modelos climáticos haviam previsto que as latitudes setentrionais elevadas seriam uma das poucas grandes regiões a experienciar aumentos na precipitação, essa estranheza torna-se ameaçadora. Se a atual tendência de seca generalizada no Ártico for representativa, então o aquecimento apresenta um problema de seca de Equador a Pólo.

Um lago Baikal a minguar — que se alimenta de água que flui da chuva e neve da Sibéria Central — comporta um testamento sombrio de uma seca em expansão sobre a Rússia central e do norte. O lago Baikal, o mais profundo e antigo lago do mundo, está ameaçado pela secagem relacionada com as alterações climáticas das terras que drenam para si. Em 2015, os níveis de água no Baikal atingiram níveis recorde de baixa, e ao longo dos últimos anos, incêndios em redor do lago têm crescentemente colocado em perigo as comunidades locais e a vida selvagem.

Para o sul e oeste, a província de Gansu na China foi colocada sob um alerta de seca de nível 4 este verão passado. Aí, grandes faixas de culturas foram perdidas; 500 milhões de dólares em danos no acumulados. O governo chinês apressou ajuda a 6,2 milhões de moradores afetados, transportando água potável por camião para regiões que ficaram desprovidas de abastecimentos locais.

Seca na Índia em 2016

Lagos e leitos de rios secaram por toda a Índia neste ano, tendo a monção sido adiada pelo terceiro ano consecutivo. Fonte da imagem: India Water Portal

A Índia este ano experimentou uma escassez de água semelhante, mas muito mais generalizada. Em abril, 330 milhões de pessoas na Índia experienciaram pressões hídricas. Comboios de reabastecimento de água viajaram através do campo, entregando garrafas de líquido potável a moradores que tinham perdido o acesso. O retorno da monção da Índia forneceu algum alívio, mas a seca na Índia e nas terras altas do Tibete continua, com glaciares a encolher expostos ao ar quente.

África tem visto recentemente várias crises alimentares surgirem, à medida que incêndios vão assolando através das suas florestas equatoriais. Pressões para seres humanos, plantas e animais devido à secura, escassez de água e alimentos, e incêndios têm sido notoriamente severos. Mais recentemente neste ano, 36 milhões de pessoas em toda a África enfrentaram fome devido aos impactos relacionados com a seca. Mais recentemente, a África do Sul foi forçada a reduzir manadas de hipopótamos e búfalos devido à continuação da seca de vários anos lá.

Mais para norte, na Europa, também encontramos condições de seca generalizada e em expansão. Esta situação não é inesperada para o Sul da Europa, onde os modelos climáticos globais mostram incursões de climas desérticos do outro lado do Mediterrâneo. Mas como com o norte da Rússia e América do Norte, a Europa do Norte também está experienciar seca. Estas secas por toda a Europa ajudaram a desencadear graves incêndios em Portugal e Espanha no verão, numa altura em que se prevê a queda da produção de milho para a região.

Seca e incêndios na Amazónia do Peru

Em novembro, a seca propiciou incêndios que despontaram ao longo da zona fronteiriça da floresta amazónica no Perú. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Finalmente, regressando às Américas, vemos condições de seca generalizada cobrindo grande parte do Brasil e da Colômbia, diminuindo ao longo da Cordilheira dos Andes, pelo Perú, Bolívia, Chile e Argentina. Em seções da cada vez mais desbastada e acossada pelo fogo floresta da Amazónia, e atualmente atingindo o nordeste do Brasil, as condições de seca duram agora desde há cinco anos. Lá, metade das cidades da região enfrentam racionamento de água e mais de 20 milhões de pessoas estão agora a ser confrontadas com stress hídrico. De setembro a novembro de 2015, mais de 40.000 hectares de floresta amazónica devastada pela seca arderam no Peru. Enquanto isso, a Bolívia viu o seu segundo maior lago secar e glaciares críticos para o abastecimento de água derreter, levando centenas de milhares de pessoas a ficar numa situação de racionamento de água.

Impactos na Comida

A seca e condições meteorológicas extremas em curso criaram impactos locais para o abastecimento de alimentos em várias regiões. No entanto, estes impactos ainda não afetaram seriamente os mercados globais de alimentos. A seca no Brasil e na Índia, por exemplo, tem impactado significativamente a produção de açúcar, o que por sua vez está causar um aumento dos preços globais dos alimentos. A produção de cereais foi um pouco menor, o que também está a causar preços mais elevados, embora não os grandes saltos que vemos no açúcar. Mas o Índice da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) para outubro de 2016 (173 aproximadamente), sendo 9 por cento superior ao valor do ano passado para esta época do ano, ainda está bastante longe do valor 229 de pico que ocorreu em 2011, e que contribuiu para tanta agitação em todo o globo.

Subida de preços dos alimentos em 2016

O aumento dos preços dos alimentos durante 2016, face a preços relativamente baixos de energia e desafios significativos relacionados com o clima para os agricultores, é causa para preocupação. Fonte da imagem: FAO

Dito isto, com preços da energia a cair para valores comparativamente baixos, preços de alimentos relativamente altos (e crescentes) são causas para preocupação. Tradicionalmente, a queda dos preços da energia também reduzem os preços dos alimentos, pois os custos de produção são menores, mas parece que estes ganhos pelos agricultores estão a ser compensados ​​por vários impactos ambientais e climáticos. Além disso, embora muito difundida, a seca parece ter até agora evitado grandes regiões produtoras de cereais, como o centro dos EUA, e o centro e leste da Ásia. Assim, o quadro global de alimentos, se não inteiramente rosado, não está tão mau quanto poderia ser.

Condições em Contexto — Aumento da evaporação, Derretimento dos Glaciares, Menos Cobertura de Neve, Zonas Climáticas em Deslocação

Com o mundo agora provavelmente a atingir 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais ao longo dos próximos 15 a 20 anos, as condições gerais de seca provavelmente agravar-se-ão. As maiores taxas de evaporação são uma característica primária do aquecimento, o que significa que mais chuva tem de cair só para acompanhar o ritmo. Além disso, a perda do gelo glaciar em várias cadeias montanhosas e a perda de cobertura de neve em ambientes Árticos e próximos do Ártico, agora mais secos, irão reduzir ainda mais os níveis dos rios e a humidade do solo. O aumento da prevalência de eventos extremos de precipitação em comparação com eventos de chuva estáveis irá colocar ainda mais pressão sobre a vegetação que ajuda a capturar a humidade do solo. Finalmente, as alterações à circulação atmosférica devido à amplificação polar irão combinar-se com um movimento em direção aos pólos das zonas climáticas, levando a uma confusão geral das estações tradicionais de cultivo. Como resultado, tudo que depende de abastecimentos de água constantes e padrões climáticos previsíveis irá enfrentar desafios à medida que o mundo se dirige para um estado de mudança climática mais evidente.


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Traduzido do original
With Temperatures Hitting 1.2 C Hotter than Pre-Industrial, Drought Now Spans the Globe
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 30 de novembro de 2016.

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relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

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Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

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O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

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James Hansen e sua neta processam o governo
James Hansen

James Hansen processa o governo com base em ‘O Fardo dos Jovens’

Jim Hansen e 22 jovens incluindo a sua neta mais velha Sophie Kivlehan puseram uma ação judicial contra o governo federal dos EUA, apresentada por Our Children’s Trust, por não proteger os direitos dos jovens.
O estudo de James Hansen em colaboração com outros cientistas“Young People’s Burden”.

Conteúdo traduzido do original Young People’s Burdenpublicado no Youtube a 4 de Outubro de 2016.

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-ypburden”]

O Fardo dos Jovens — James Hansen & Sophie Kivlehan

James Hansen: Olá! Sou Jim Hansen, diretor do Programa de Consciencialização para a Ciência Climática e Soluções, no Instituto da Terra da Universidade de Columbia. E esta é a minha neta mais velha, Sophie.
Sophie K: Olá! sou Sophie Kivlehan. O meu avô e eu somos dois dos pleiteantes numa ação judicial apresentada por Our Children’s Trust contra o governo federal por não proteger os direitos dos jovens. Os fundadores da nossa nação e o preâmbulo da constituição, disseram que era para assegurar as bençãos da liberdade para nós próprios e a nossa posteridade. A constituição garante proteção igual das leis para todas as pessoas. Os jovens são pessoas. A constituição diz que ninguém devia ser privado de vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo de lei. Mas isso é exatamente aquilo que se está a passar hoje. A nós, jovens, está-nos a ser entregue uma situação na qual os nossos prospectos para o futuro, onde, literalmente, as nossas vidas, liberdade, propriedade e procura da felicidade, conceitos queridos dos fundadores do nosso país, estão ameaçados pelas ações do nosso governo.
James Hansen: Essas são declarações fortes. Mas, vamos tornar claras as consequências das ações do governo dos EUA para os jovens, e do porquê ser necessário que os tribunais entrem em cena como fizeram no caso dos direitos civis. Vamos começar pela ciência. Vou discutir dados sobre alterações climáticas globais e uso energético global. E a Sophie irá discutir as implicações, especialmente para os jovens.
Têm-se-me juntado alguns dos melhores cientistas relevantes do mundo no submeter de um artigo, “O Fardo dos Jovens”, como um artigo de discussão em Earth System Dynamics Discussion. Chamámos a atenção para uma implicação assombrosa do falhanço do governo em tomar ação efetiva na mudança climática. Todas as nações concordam com a convenção de enquadramento da mudança climática de 1992 de se limitar as emissões de combustíveis fósseis para se evitar a perigosa mudança climática causada pelos humanos. 23 anos mais tarde, em Paris, no Dezembro passado, eles concordaram com quase a mesma coisa, e deram palmadinhas nas costas uns aos outros. Entretanto, as emissões aumentaram, cada vez mais rápido. Por detrás das cenas, os especialistas das Nações Unidas para a energia e o clima aperceberam-se silenciosamente que agora não há modo de se estabilizar o clima sem emissões negativas. E então os cenários da ONU agora admitem extração tecnológica de CO2 em massa, chupar CO2 do ar.
Sophie K: Eles assumem hoje que os jovens irão fazer isto no futuro, mas é necessário energia para se retirar o CO2 do ar. Será lento e caro. O custo, mesmo com suposições optimistas de tecnologia, é estimado em centenas de triliões de dólares, se as elevadas emissões de combustíveis fósseis continuarem. Isso não é justo. os adultos de hoje beneficiam da queima de combustíveis fósseis e deixam o desperdício para os jovens limparem. É por isso que nós apresentámos uma queixa contra o governo. Em vez de proteger os jovens, o governo trabalha com a indústria de combustíveis fósseis, a qual entrou neste caso legal com advogados de elevado preço, em apoio ao governo. Esta é uma situação trágica, porque se o governo tivesse simplesmente feito o seu trabalho, colhendo e aumentando as taxas sobre o carbono à indústria dos combustíveis fósseis para tornar os preços dos combustíveis fósseis honestos, as energias limpas cresceriam rapidamente e as emissões de CO2 decairiam rapidamente.
James Hansen: Vamos olhar de perto para a ciência. A temperatura global hoje é 1.3ºC mais quente do que na temperatura pré-industrial, definida pela média de 1880-1920. A incerteza em definir o período de base pré-industrial afecta o resultado em apenas um décimo de um grau. A temperatura este ano está elevada pela fase quente da oscilação natural das temperaturas do Pacífico tropical. Mas a temperatura global de fundo está agora em quase 1,1ºC em relação à temperatura pré-industrial. Ainda é possível manter o aquecimento global abaixo dos 1,5ºC mas apenas se os governos começarem a levar a mudança climática a sério, reduzindo as emissões de combustíveis fósseis e tomando outras ações que vamos descrever.
O mundo está agora mais quente do que em qualquer altura anterior no Holoceno — o período interglaciar com nível do mar estável nos últimos milhares de anos — enquanto a civilização se desenvolveu. A temperatura é agora semelhante àquela do período Eemiano, 120.000 anos atrás, quando o nível do mar estava 6 a 9 metros, 20 a 30 pés, mais elevado que hoje. A história da Terra mostra que o nível do mar ajusta-se em poucos séculos às mudanças na temperatura global, e se permitirmos emissões elevadas continuadas, a temperatura irá subir bem acima do nível do Eemiano, e o forçamento sobre os mantos de gelo será tão forte que a rápida desintegração dos mantos de gelo e o aumento do nível do mar é muito provável. Num artigo recente, vários dos cientistas de topo mais relevantes e eu argumentámos que o aumento do nível do mar em vários metros é provável em 50 a 150 anos, se as emissões por combustíveis fósseis elevadas como de costume continuarem.
Sophie K: O aumento do nível do mar em vários metros está praticamente garantido, seria apenas uma questão de tempo. A disrupção social e os efeitos económicos de um tal aumento do nível do mar são incalculáveis. A maioria das cidades grandes do mundo estão localizadas nas linhas costeiras. Estas cidades vão ficar disfuncionais apesar de partes da cidade ficarem fora de água. Nações como os Países Baixos e o Bangladesh ficariam na maior parte debaixo de água. Os refugiados seriam às centenas de milhões. Como podemos os adultos, sabendo-o, deixarem tais prospectos aos mais jovens?
James Hansen: Se o colapso dos principais mantos de gelo começar, haverão disrupções crescentes na segunda metade deste século, quando os jovens de hoje serão adultos, com danos irreparáveis para os jovens de hoje. Mas não precisamos de esperar até à segunda metade deste século para vermos os impactos da mudança climática. Os extremos climáticos já estão a aumentar. O tempo inclui variações caóticas, de modo que a temperatura média sazonal flutua de ano para ano. Há 50 anos atrás, as anomalias da média a longo prazo formavam uma linda curva de sino. Algumas estações mais quentes que a média, algumas mais frias. O aquecimento global está a mudar a curva de sino. A mudança é muito maior no Verão do que no Inverno, como mostrado aqui para os Estados Unidos. O efeito é maior na China e na Índia do que nos EUA e na Europa. Ainda maior no Mediterrâneo e Médio Oriente, que já tiveram verões quentes. Cada verão agora é mais quente do que há 50 anos atrás. E o tempo de Verão prolonga-se durante mais tempo. Os trópicos, incluindo a África Central e o Sudoeste Asiático, estão mais quentes que o normal durante todo o ano.
Sophie K: Os impactos do aquecimento incluem maiores extremos climáticos. As regiões húmidas têm mais chuvas extremas e inundações, como aconteceu recentemente em Louisiana. As cheias centenárias agora ocorrem mais vezes do que uma por século. Mas secas mais fortes ocorrem especialmente em regiões sub-tropicais, tais como no sudoeste dos EUA e no Médio Oriente. Os maiores impactos são em regiões de baixa latitude que já eram quentes. O calor adicionado torna a vida mais difícil e reduz a produtividade do trabalho, o que tem efeitos económicos. Existem dados empíricos substanciais de que violência e conflitos entre pessoas, grupos e nações aumentam à medida que fica mais quente. As doenças com origem em vetores envolvendo infeções por mosquitos sanguessugas ou carraças podem se espalhar a latitudes mais elevadas e a maiores altitudes, à medida que o aquecimento aumenta.
James Hansen: As responsabilidades das nações pelo aquecimento global resultam do facto de que as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis são a principal causa. As emissões pela China são neste momento as maiores, os EUA em 2º e a Índia em 3º. Contudo, mostrámos num artigo de 2007 que a mudança climática é causada por emissões cumulativas. Os EUA e a Europa são cada um deles responsável por mais de um quarto do total de emissões, a China por 12%, a Índia por 3 %. Numa base per-capita, o Reino Unido, os EUA e a Alemanha são os mais responsáveis, numa ordem de magnitude maior do que a China ou a Índia.
Sophie K: Então que situação enfrentarão os jovens de hoje no futuro, se permitirmos que a mudança climática em grande escala ocorra? As pessoas no futuro vão entender quais nações foram mais responsáveis.
James Hansen: Este é um tópico importante. Vamos voltar a ele mais tarde. Deixem-me sumarizar alguma da ciência no nosso artigo “O Fardo dos Jovens”, para que tenhamos tempo para discutir a relevância da ciência para o caso legal que está a ser colocado contra o governo. Primeiro, mostramos que as taxas de crescimento dos 3 mais importantes gases de efeito estufa no ar, CO2, metano, óxido nítrico, não estão a abrandar; estão a acelerar! Mostramos o que é necessário para mantermos o aquecimento global abaixo de 1.5ºC, os quais o acordo de Paris especificou como alvo. Um grau e meio coloca a temperatura global no nível estimado para o período Eemiano E então, o alvo na realidade necessita de ser ainda mais baixo. A temperatura devia ser mantida dentro ou próximo do nível anterior do Holoceno. Contudo, o ponto importante é que, para ambos os alvos, os cenários que as Nações Unidas utilizam, admitem agora que têm que assumir emissões negativas maciças de CO2. Isso significa chupar CO2 do ar. Mesmo com as suposições tecnológicas mais optimistas, se as emissões por combustíveis fósseis continuarem como presentemente, o custo será em centenas de triliões de dólares.
Sophie K: E é assumido que os jovens de hoje irão, de alguma forma, pagar por isto no futuro. E então, não apenas nos está a ser entregue um sistema climático com desastres climáticos crescentes e o aumento do nível do mar, como esperam que paguemos a conta e limpemos a bagunça que as gerações mais velhas nos deixaram.
James Hansen: É possível reduzir-se as emissões 7% por ano, como foi demonstrado em vários países ao longo de períodos extensos. Ainda agora parece que o governo Holandês está a considerar um plano para reduzir as emissões em 50% por volta de 2030, devido a um processo legal bem sucedido contra o governo.
Sophie K: Vamos assumir que os tribunais obrigavam os governos a trabalharem para o público em vez de para a indústria dos combustíveis fósseis. Seria possível reduzir-se as emissões em vários pontos percentuais por ano. Contudo, também precisamos de extrair CO2 do ar através de práticas melhoradas de agricultura e florestação, o que requer ter a maioria das nações do mundo envolvidas, muitas delas nações em desenvolvimento que têm pouca ou nenhuma responsabilidade pelo CO2 em excesso no ar.
James Hansen: Sim, isso é um ponto importante. Existem benefícios para os países locais, mas vão ser necessários recursos para se implementar as alterações agrícolas e florestais. E também para se reduzir as emissões de gases de efeito estufa que não o CO2. Há uma ideia para se obter os recursos a partir da indústria de combustíveis fósseis. Semelhante ao modo como os recursos foram obtidos da indústria do tabaco. Façam-nos pagar o seu custo para a sociedade. Uma vez que os recursos estejam disponíveis, a sua distribuição pode ser feita em função do sucesso dos países em tomarem as ações necessárias. Mas isso é uma história para outro dia. Vamos falar da relevância da ciência no nosso artigo para o caso trazido pela Our Children’s Trust contra o governo dos EUA, no tribunal distrital de Oregon. A Sophie é um dos 21 pleiteantes jovens, e eu sou o pleiteante 22º, como guardião da Sophie e das gerações futuras. Numa audiência, a 14 de Setembro, perante a honorável juíza Ann Aiken, os advogados pela defesa argumentaram que o caso devia ser dispensado. Uma questão era se o governo federal tem qualquer responsabilidade perante os jovens e as gerações futuras. Nós dizemos que é responsável. Mas vamos focar-nos em duas questões constitucionais fundamentais que eles levantaram. A primeira é se a juventude tem até mesmo uma posição para trazer um caso, se a juventude constitui uma classe contra a qual pode haver discriminação. As emendas 14 e 15 juntas conferem proteção igualitária das leis, e garantem que as pessoas não podem ser privadas de vida, liberdade ou propriedade, sem o devido processo de lei. Os advogados pela defesa afirmam que o governo não fez nada para classificar intencionalmente a juventude, logo a juventude não tem posição, nem base para trazer uma reclamação de igualdade de proteção contra o governo.
Sophie K: Não dizemos que o governo nos classificou. Mas por causa da nossa juventude, estaremos vivos na segunda metade deste século. E os nossos filhos e netos estarão vivos no século 22. Não podemos permitir que o governo roube as nossas vidas, liberdade, propriedade e busca pela felicidade, nem aquela dos nossos filhos e netos, pois isso também nos magoa profundamente, pensar nos prospectos em declínio para os nossos filhos e a deterioração da vida no planeta que nós e os nossos filhos herdamos. O governo diz que não tomou nenhuma ação afirmativa que cause o nosso problema. Mas isso é falso. Como a Julia Olson, a nossa advogada brilhante e dedicada indica, os governos controlam o fazer do nosso sistema energético e emite permissões para extração, perfuração, exportações, importações e oleodutos para o desenvolvimento de combustíveis fósseis não convencionais e perfuração em profundidade. Mesmo quando a ciência mostra claramente que não podemos desenvolver esses recursos sem danos irreparáveis para os mais jovens, devíamos estar a ir em direção à energia limpa e deixar a energia suja no solo.
James Hansen: A segunda questão fundamental tem a ver com toda a velocidade deliberada. E se o tribunal tem autoridade, sob o artigo 3º da constituição, para intervir quando os ramos legislativos e executivos empoderados pelo artigo 1º e 2º da constituição, falharam em proteger os direitos constitucionais dos cidadãos.
Sophie K: Sim, é semelhante aos direitos civis. O tribunal supremo descobriu, no caso Brown contra o Conselho da Educação, em 1954, que os direitos dos negros eram violados pela segregação escolar. O tribunal não tentou especificar como foram segregados, mas que tem que proceder com toda a velocidade deliberada. Uma frase que foi associada com o tão respeitado jurista Oliver Wendell Holmes. Contudo, 10 anos depois, o jurista Hugo Black declarou que, o tempo para mera velocidade deliberada já se esgotou, devido à frase ter sido utilizada para atrasar o cumprimento com a ordem judicial.
James Hansen: Toda a velocidade deliberada será uma questão dominante para o clima. As acções do nosso governo são grosseiramente inadequadas. Eles não aceitaram a realidade ditada pelas leis da física e da ciência. Temos que eliminar as emissões de combustíveis fósseis rapidamente. O facto trágico é que tem sido demonstrado em estudos económicos e em exemplos em determinados países, que é possível eliminar emissões a uma taxa estável de 7% por ano, enquanto fortalecendo a economia e criando empregos. Requer ter uma taxa crescente para todos sobre o carbono. E um apoio forte pela pesquisa, desenvolvimento e demonstração de tecnologias livres de carbono avançadas.
Sophie K: As ordens do tribunal do ramo executivo e legislativo têm que avançar com um plano que tome ação efetiva com toda a velocidade deliberada, o que forçaria o congresso a sentar-se com o presidente e convergisse num plano que seja aceitável para conservadores e liberais de igual modo. Sabemos que é possível, mas não acontecerá sem pressão do tribunal. o nosso futuro depende disso.
James Hansen: Já chega por hoje. Muito bem.
Sophie K e Dr.James Hansen (como Guardião das Gerações Futuras) são pleiteantes num processo legal contra o Governo Federal dos EUA, requerendo um plano para a eliminação rápida das emissões de combustíveis fósseis.Recolher Transcrição[/expand]

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Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais
Robertscribbler

Demasiado Próximo dos Limiares Climáticos Perigosos – Primeiros Três Meses de 2016 Estiveram 1,5 C Acima da Linha de Base Pré-industrial do IPCC

Devíamos ter um momento para apreciar o quão quente tem na verdade estado até agora em 2016. Para pensarmos sobre o que significa estarmos num mundo que já está tão quente. Para pensarmos sobre o quão falta para a bola 8 quanto a respostas às mudanças climáticas forçadas pelos humanos. E considerarmos como é urgente pararmos rapidamente de queimar carvão, petróleo e gás. Pararmos de adicionar mais combustível a um fogo global já furioso.

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Políticos, cientistas e muitos ambientalistas identificaram uma média anual de 1,5 graus Celsius acima das marcas pré-industriais como um nível de calor que devíamos tentar evitar. O encontro do clima de Paris fez uma promessa verbal para pelo menos tentarmos afastar-nos de tais temperaturas elevadas extremas. Mas mesmo os compromissos mais fortes de redução de emissões pelas nações do mundo agora não se alinham com essa promessa. E é questionável se poderiam, dada a enorme quantidade de sobrecarga de gás de efeito estufa já acumulada e que já está a aquecer rapidamente os ares, águas, gelo e reservas de carbono do mundo.

As promessas de redução de emissões atuais, apesar de significantes quando se leva em contexto o tamanho e potencial de crescimento de toda a indústria que vomita carbono, nem chegam sequer perto do declarado objetivo de 1,5 C. De acordo com nosso entendimento presentemente aceite de sensibilidade climática e excluindo qualquer resposta dos reservatórios de carbono globais imprevistos pela ciência mainstream, as reduções prometidas do uso de combustíveis fósseis pelas nações do mundo sob o acordo de Paris iriam limitar o aquecimento a cerca de 3 C até ao final deste século. As taxas de redução das emissões de carbono teriam necessariamente de acelerar significativamente além das metas a que se comprometeram em Paris de modo a acertarmos abaixo dos 3 C em 2100 – muito menos evitar os 2 C.

Quanto aos 1,5 C acima das médias pré-industriais – parece que este ano de 2016 já verá temperaturas desconfortavelmente próximas de um nível que a corrente principal de cientistas identificaram como perigosos.

Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais

(A Agência Meteorológica do Japão mostra que Março de 2016 manteve-se em níveis de temperatura global mais elevados que os 1,5 C acima da linha de base pré-industrial.)

A advertência mais recente veio quando a Agência Meteorológica do Japão publicou hoje os seus valores de temperatura de Março. Nas medições, vemos novamente um grande salto nas leituras com a nova medição de Março a bater um recorde de 1,07 C acima da média do século 20, ou cerca de 1,55 C acima das temperaturas vistas pela última vez durante o início da década de 1890. Estas temperaturas comparam-se aproximadamente aos 1,52 C acima das temperaturas de 1890 registadas pela mesma agência durante fevereiro e uma diferença positiva de 1,35 C acima das temperaturas de 1890 durante janeiro. Fazendo a média de todas estes números de temperaturas anómalas juntas, descobrimos que os três primeiros meses de 2016 estiveram cerca de 1,47 C acima da década de 1890, ou próximo de 1,52 C acima da linha de base pré-industrial do IPCC de 1850 a 1900.

Assim, durante três meses agora, entrámos num novo e duro mundo. Um provocado pelo cativeiro atroz da queima de combustíveis fósseis. Um que muitos cientistas disseram ser imperativo evitar.

Devido à forma dos ciclos do sistema climático global, é pouco provável que o resto de 2016 verá marcas de temperaturas globais assim elevadas, e a média anual vai curvar para trás a partir de um pico próximo ou ligeiramente superior a 1,5 C durante o início de 2016. A La Nina parece estar a caminho. E como principal condutor do lado mais frio da variabilidade natural, a La Niña tomando conta deve tirar um pouco do ferrão destas novas leituras de temperatura atmosférica recorde.

Dito isto, o calor global do oceano ainda parece muito extremo. Os valores da Oscilação Decenal do Pacífico atingiram os seus segundos valores mensais mais elevados durante Março de 2016. E uma ODP [Oscilação Decenal do Pacífico] fortemente positiva pode tender a sangrar uma grande quantidade de calor para os ares do mundo mesmo na ausência da influência do El Nino. Além disso, o aquecimento no Ártico este ano atingiu novos níveis recordes. O gelo do mar do Ártico está agora em, ou perto de, níveis sazonais baixos recorde na maioria das medições [Mais sobre o aquecimento e degelo no Ártico aqui, em Português]. O albedo é muito baixo com muitas regiões de gelo escuro ou águas abertas que se formam ao longo do Oceano Ártico. Os níveis de cobertura de neve também estão baixos ou em recorde mínimo – dependendo da medida. O degelo a acontecer muito cedo na Groenlândia já está a prejudicar a refletividade dessa grande massa de gelo.

Com o avanço do Verão, estes fatores podem tender a continuar a gerar excesso de calor no Ártico ou próximo das regiões do Ártico, à medida que novas superfícies escuras absorvem muito mais radiação solar do que durante um ano típico. Novas evidências de aumento da resposta das reservas de carbono da permafrost no Ártico podem adicionar a esta potencial contribuição de calor adicional.

Há um perigo então, de que um arrefecimento no final do ano relacionado à variabilidade natural conduzida pela La Niña possa tender a ficar desfasado – puxado para trás por uma ODP positiva e feedbacks de amplificação no Ártico. Os níveis de dióxido de carbono atmosférico com pico entre 407 e 409 partes por milhão durante os meses de Março e Abril — o condutor principal e cada vez mais perigoso de todo este excesso de calor que estamos agora a vivenciar — corre o risco de dobrar a extremidade superior desse limiar de temperatura ainda mais para cima e de formas que, provavelmente, ainda não detectámos completamente. Mas o facto de que Março parece ter-se ficado por valores próximos dos da elevada anomalia recorde de Fevereiro é a causa de uma preocupação crescente. Por outras palavras, 2016 está preparado para ser quente de maneiras que são surpreendentes, bizarras e perturbadoras.

Traduzido do original Too Close to Dangerous Climate Thresholds — Japan Meteorological Agency Shows First Three Months of 2016 Were About 1.5 C Above the IPCC Preindustrial Baseline, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 12 de Abril de 2016.

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Robertscribbler

O Telhado Está a Arder – Parece que Fevereiro de 2016 Esteve 1.5 a 1.7 C Acima das Médias de 1880

Antes de começarmos a explorar esta instância mais recente e mais extrema de uma longa série de temperaturas globais de quebrar recordes, devíamos ter um momento para creditar os nossos “amigos” negadores da mudança climática pelo que está a acontecer no Sistema Terra.

Durante décadas, uma coligação de interesses especiais em combustíveis fósseis, investidores de grandes negócios, grupos de reflexão relacionados, e a grande maioria do Partido Republicano, têm lutado estridentemente para evitarem uma acção eficaz na mitigação dos piores efeitos da mudança climática. Na sua louca missão, eles atacaram a ciência, demonizaram líderes, paralizaram o Congresso, mancaram o governo, apoiaram combustíveis fósseis destinados a falhar, impediram ou desmancharam regulamentação útil, tornaram o Supremo Tribunal numa arma contra as soluções de energias renováveis, e puseram abaixo indústrias que teriam ajudado a reduzir o dano.

Através destas ações, eles têm sido bem sucedidos na prevenção da mudança rápida e necessária de desistência da queima de combustíveis fósseis, travando uma liderança americana florescente em energias renováveis ​​e ao inundarem o mundo com o carvão, petróleo e gás de baixo custo, que são agora tão destrutivos para a estabilidade do Sistema Terra. Agora, parece que alguns dos impactos mais perigosos das alterações climáticas já estão garantidos. E assim, quando a história olha para trás e pergunta – por que fomos tão estúpidos? Podemos honestamente apontar os nossos dedos para aqueles ignorantes e dizer “aqui estavam os sumo sacerdotes infernais que sacrificaram um futuro assegurado e a segurança dos nossos filhos no altar de seu orgulho tolo.”

Piores Receios para o Aquecimento Global Realizados

Sabíamos que ia haver sarilho. Sabíamos que as emissões de gases de efeito estufa humanas tinham carregado o oceano global com calor. Sabíamos que um El Nino recorde iria explodir um grande bocado desse calor de volta para a atmosfera assim que começou a desvanecer. E sabíamos que mais recordes da temperatura global estavam a caminho no final de 2015 e início de 2016. Mas tenho que admitir que os primeiros indícios para fevereiro são simplesmente assombrosos.

Aquecimento Global Extremo - temperaturas

(O modelo GFS mostra temperaturas com médias de 1.01 C acima da já significativamente mais quente do que o normal linha de base de 1981-2010. Observações subsequentes a partir de fontes independentes confirmaram este pico dramático da temperatura para fevereiro. Aguardamos as observações da NASA, NOAA e JMA para uma confirmação final. Mas a tendência nos dados é surpreendentemente clara. O que estamos a ver são as temperaturas globais mais quentes, de longe, desde que os registos começaram. Note-se que as maiores anomalias de temperatura aparecem exatamente onde não as queremos – no Ártico. Fonte da imagem: GFS e MJ Ventrice).

Eric Holthaus e MJ Ventrice, na segunda-feira, foram os primeiros a dar o aviso de um pico extremo nas temperaturas tal como registado pela medição global por satélite. Seguiu-se uma série de relatos dos mídia. Mas foi só hoje que começámos realmente a ter uma visão clara do potencial de danos atmosféricos.

Nick Stokes, um cientista do clima aposentado e blogger em Moyhu, publicou uma análise dos dados preliminares recentemente libertados pela NCAR e o indicador está simplesmente elevado de modo absolutamente fora de série. De acordo com esta análise, as temperaturas de fevereiro podem ter estado tanto quanto 1,44 C mais quentes do que a linha de base da NASA de 1951-1980. Convertendo as diferenças a partir dos valores da década de 1880, se estas estimativas preliminares se confirmarem, iriam colocar os números do GISS nuns extremos 1,66 C mais quentes do que os níveis de 1880 para fevereiro. Se o GISS corre 0,1 C mais frio do que as conversões NCAR, como tem feito ao longo dos últimos meses, então o aumento de temperatura de 1880 a fevereiro de 2016 seria de cerca de 1,56 C. Ambos são saltos incrivelmente altos que deixam uma dica de que 2016 poderia vir a ser bastante mais quente do que até mesmo 2015.

É importante notar que grande parte destas temperaturas globais elevadas recorde estão centradas no Ártico – uma região que é muito sensível ao aquecimento e que tem o potencial de produzir uma série de feedbacks amplificadores perigosos. Assim, poderíamos muito bem caracterizar um fevereiro quente recorde iminente como um no qual muito do excesso de calor explodiu no Ártico. Por outras palavras, os gráficos da anomalia da temperatura global fazem parecer que o teto do mundo está em chamas. Isso não é literal. Grande parte do Ártico permanece abaixo de zero. Mas anomalias de 10 a 12 C acima da temperatura média para um mês inteiro em grandes regiões do Ártico é um assunto sério. Isso significa que grandes partes do Ártico não experienciaram nada que se aproxime de um verdadeiro inverno no Ártico este ano [Artigo em Português].

Parece que o Limiar de 1,5 C foi Quebrado na Medição Mensal e Podemos Estar a Olhar para 1,2 a 1,3 C+ Acima de 1880s para todo 2016

Colocando estes números em contexto, parece que podemos ter já ultrapassado o limiar de 1,5 C acima dos valores dos anos de 1880 na medição mensal em fevereiro. Isto está a entrar num campo de riscos elevados para a aceleração do derretimento do gelo marinho e da neve no Ártico, perda de albedo, descongelamento da permafrost e uma série de outros feedbacks relacionados amplificadores de um aquecimento do nosso mundo forçado por humanos. Um conjunto de mudanças que irão, provavelmente, adicionar à velocidade de um, já rápido de si, aquecimento baseado em combustíveis fósseis. Mas devemos ter muito claro que as diferenças mensais não são diferenças anuais, e que a medida anual para 2016 é menos provável de vir a atingir ou exceder a diferença de 1.5 C. É justo dizer, porém, que diferenças anuais de 1,5 C são iminentes e vão provavelmente aparecer dentro de 5 a 20 anos.

Se usarmos o El Nino de 1997-1998 como base, descobrimos que as temperaturas globais para esse evento atingiram um máximo de cerca de 1,1 C acima das médias da década de 1880 durante fevereiro. O ano, contudo, ficou em cerca de 0,85 C acima das médias de 1880. Usando uma análise semelhante de verso de guardanapo, e assumindo que 2016 irá continuar a ver as temperaturas de superfície do mar Equatorial a continuarem a arrefecer, podemos estar a olhar para 1,2 a 1,3 C acima da média de 1880 para este ano.

Previsao para El Nino - Anomalia da Temperatura

(O El Nino está a arrefecer. Mas continuará a arrastar-se até 2016? Os conjuntos do modelo do Climate Prediction Center CFSv2 [Centro de Previsão Climática] parecem pensar que sim. A execução mais recente mostra a corrente El Nino a refortalecer-se no Outono de 2016. Tal evento tenderia a empurrar as temperaturas globais anuais para mais perto de 1,5 C acima do limiar da década de 1880. Também estabeleceria o potencial externo para mais um ano quente recorde em 2017. É importante notar que o consenso da NOAA ainda é o de um ENSO Neutro a enfraquecer as condições de La Niña pelo Outono. Fonte da imagem: Centro de Previsão do Clima da NOAA).

A NOAA está presentemente a prever que o El Nino fará a transição para ENSO Neutro ou para uma la Nina fraca, pelo final do ano. Contudo, algumas execuções de modelos mostram que o El Nino nunca chega a terminar realmente para 2016. Em vez disso, estes modelos prevêm que um El Nino fraco a moderado venha no Outono. Em 1998, um forte La Nina começou a formar-se, o que teria ajudado a conter as temperaturas atmosféricas no final do ano. A previsão de 2016, contudo, não parece indicar tão grande assistência no arrefecimento atmosférico proveniente do sistema oceânico global. Então, as médias anuais no fim de 2016 poderão empurrar mais para perto de 1,3 C (ou um pouco mais) acima dos níveis da década de 1880.

Tivemos Este Aquecimento no Sistema Já Há Algum Tempo, Apenas Estava a Esconder-se nos Oceanos

Outro pedaço do contexto sobre o qual devíamos ser muito claros, é que o Sistema Terra tem estado a viver com o calor atmosférico que estamos a ver agora há algum tempo. Os oceanos iniciaram uma acumulação muito rápida de calor devido ao forçamento das emissões de gases de efeito estufa durante os anos 2000. Uma taxa de acumulação de calor nas águas do mundo que tem acelerado até ao presente ano. Este excesso de calor já impactou o sistema climático ao acelerar a desestabilização dos glaciares na zona basal na Gronelândia e na Antártida. E também contribuiu para novas perdas recorde do gelo marinho global e é uma fonte provável de relatórios das zonas de plataforma continental do mundo nas quais têm sido observadas pequenas, mas preocupantes, instabilidades nos clatratos.

Acumulação de calor pelo oceano global

(A acumulação de calor no oceano global tem estado a subir em rampa desde o final dos anos 1990, com 50 por cento da acumulação total de calor a ocorrer nos 18 anos entre 1997 e 2015. Uma vez que mais de 90 por cento do forçamento de calor pelos gases de efeito estufa acaba no sistema do oceano global, esta medida em particular é provavelmente a imagem mais precisa de um mundo em rápido aquecimento. Uma tão rápida acumulação de calor nos oceanos do mundo garantiu uma eventual resposta da atmosfera. A verdadeira questão agora é – quão rapidamente e quão extensa? Fonte da imagem: Nature).

Mas elevar o aquecimento atmosférico terá inúmeros impactos adicionais. Irá colocar pressão sobre as regiões de superfície dos glaciares globais, adicionando ao aumento repentino na pressão de fusão basal que já vimos. Irá amplificar ainda mais o ciclo hidrológico – aumentando as taxas de evaporação e precipitação em todo o mundo e amplificando secas extremas, incêndios e inundações. Vai aumentar as temperaturas de superfície globais de pico, aumentando assim a incidência de eventos de baixas em massa por vagas de calor. Irá fornecer mais energia de calor latente para as tempestades, continuando a empurrar para cima o limiar de intensidade de pico destes eventos. E vai ajudar a acelerar o ritmo das mudanças regionais nos sistemas climáticos tais como a instabilidade do tempo no Atlântico Norte e aumentar a tendência de seca nos EUA (especialmente o Sudoeste dos EUA).

Entrando na Zona Perigosa da Mudança Climatica

O intervalo de 1-2 C acima das temperaturas da década de 1880 em que estamos agora a entrar é um em que as mudanças climáticas perigosas tenderão a crescer de forma mais rápida e aparente. Tal calor atmosférico não tem sido experienciado na Terra em pelo menos 150.000 anos, e o mundo de então era um lugar muito diferente daquilo a que os seres humanos foram acostumados no século 20. Contudo, a velocidade a que as temperaturas globais estão a subir é muito mais rápida do que alguma vez foi visto durante qualquer período interglacial para os últimos 3 milhões de anos, e é provavelmente ainda mais rápido do que o aquecimento observado durante eventos de extinção por efeito de estufa como o MTPE e o Permiano. Esta velocidade de aquecimento irá quase certamente ter efeitos adicionados para além do contexto do paleoclima.

Anomalia dos Graus-Dia no Artico

(Quem olha para o gráfico de anomalia da temperatura no topo deste post pode ver que uma quantidade desproporcional da anomalia da temperatura global está a aparecer no Ártico. Mas a região do Extremo Norte acima da linha de Latitude de 80 graus está entre as regiões que experimentam anomalias do pico global. Lá, graus-dia abaixo de zero estão nos níveis mais baixos já registados – atingindo agora uma anomalia de -800 no registo do Ártico. Em termos simples – quanto menos graus-dia abaixo de zero o Ártico experiencia, o mais próximo estará de derreter. Fonte da imagem: CIRES / NOAA).

Um último ponto a deixar claro e que vale a pena repetir. Nós, ao darmos ouvidos aos negadores da mudança climática e deixarmos que entupam as obras políticas e económicas, provavelmente já trancámos no sistema alguns dos efeitos negativos das alterações climáticas, que poderiam ter sido evitados. O tempo para darmos ouvidos a esses tolos acabou. O tempo para arrastar os pés e andar com meias-medidas está agora a chegar ao fim. Precisamos de uma resposta muito rápida. Uma resposta que, neste momento, ainda está a ser adiada pela indústria de combustíveis fósseis e os negadores da mudança climática que incitaram a sua beligerância.

Links:

O Velho Normal Já Era

NASA GISS

Quente Quente Quente

Michael J. Ventrice

Ártico Sem Inverno em 2016 [Traduzido em Português]

Grande Salto nas Medições da Temperatura à Superfície e pelo Satélite

Centro de Previsão Climática da NOAA

Captação de Calor pelo Oceano Global na Era Industrial Duplica em Décadas Recentes

CIRES / NOAA

Governadores Republicanos Processam para Pararem o Plano de Energia Limpa

Traduzido do original The Roof is On Fire — Looks like February of 2016 Was 1.5 to 1.7 C Above 1880s Averages, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 3 de Março de 2016.

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Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA Ártico mais quente
Robertscribbler

Ártico Sem Inverno em 2016 – NASA Marca Janeiro Mais Quente Já Registado

Os cientistas estão perplexos e nós também devíamos estar. O calor global e especialmente as temperaturas extremamente altas em relação à média que vimos no Ártico ao longo do mês passado são absolutamente sem precedentes. É estranhamente bizarro. E o que parece, para este observador em particular, é que a sazonalidade do nosso mundo está a mudar. O que estamos a testemunhar, neste momento, parece o começo do fim para o Inverno tal como o conhecemos.

Janeiro Mais Quente do Registo – Mas o Ártico Está Simplesmente Bizarro

Qualquer pessoa que observe o Ártico – de cientistas a ambientalistas, a especialistas em ameaças emergentes, a entusiastas do tempo e do clima, até simplesmente pessoas normais, inquietos com o estado do nosso sistema climático global o qual se revela rapidamente – deviam estar muito, muito preocupados. A emissão humana de gases de efeito estufa – agora a empurrar os níveis de CO2 acima das 405 partes por milhão e a adicionar uma série de gases extra que retêm o calor – parece estar a forçar rapidamente o nosso mundo a aquecer. E a aquecer mais rapidamente num dos absolutamente piores lugares que se possa imaginar – o Ártico.

Não só foi este janeiro de 2016 o mês de janeiro mais quente já registado no registo climático global de 136 anos da NASA; não só janeiro mostrou a maior diferença de temperatura em relação à média para um único mês – com 1,13°C acima da linha de base do século XX da NASA, e cerca de 1,38°C acima das médias de 1880 (apenas 0,12°C abaixo da perigosa marca de 1,5°C); como o que observámos na distribuição global dessas temperaturas quentes recorde foi ao mesmo tempo estranho e perturbador.
Anomalia da Temperatura Janeiro de 2016 NASA

(Um mundo quente recorde em janeiro mostra calor extremo no Ártico. O mapa global de anomalia da temperatura da NASA, em acima, sugere que o calor tropical – acentuado por um El Nino recorde – viajou para o norte e pelo Ártico dentro por meio de pontos fracos na corrente de jato sobre a América do Norte Ocidental e a Europa Ocidental. Fonte da imagem – NASA GISS).

Apesar de que o mundo estava quente no seu todo – com o calor do El Nino a dominar as zonas tropicais – os extremos das temperaturas acima da média concentraram-se exatamente no telhado do nosso mundo. Lá, nas terras do Ártico e do gelo glacial e da permafrost agora a descongelar – sobre a Sibéria, sobre o norte do Canadá, sobre o norte da Gronelândia e por toda a zona do Oceano Ártico acima da Latitude Norte 70 – as temperaturas andavam em média entre os 4 e os 13 graus Celsius acima do normal. Isso é entre 7 e 23 graus Fahrenheit mais quente do que o normal para o período extraordinário de um mês inteiro.

E quanto mais para norte se ia, mais calor se obtinha. Acima da linha de Latitude Norte 80, as médias de temperatura para toda a região subiram para cerca de 7,4 graus C (13 graus F) mais quentes que o normal. Para esta área do Ártico, isso é tipo igual à diferença típica entre janeiro e abril (abril é cerca de 8 C mais quente do que janeiro, durante um ano normal). Assim, o que temos visto é absolutamente sem precedentes – no Ártico, para o mês inteiro de janeiro de 2016, as temperaturas foram aquelas de uma primavera.

Desvio das temperaturas em relação à média no Ártico para 2016

(Para janeiro e fevereiro de 2016, a região de Latitude Norte 80 e em direção ao norte experienciou as suas condições mais quentes jamais registadas. As temperaturas mantiveram-se num intervalo de -25 a -15 C para a zona, um conjunto de temperaturas mais típicas de meados ou final de abril. Fonte da imagem: NOAA).

E para o inverno de 2016, é possível que o Ártico nunca experiencie condições típicas. Pois, de acordo com a NOAA, a primeira quinzena de fevereiro viu este calor recorde, tipo Primavera, prolongar-se até hoje. É como se estas zonas mais frias do Hemisfério Norte ainda não tivessem experienciado Invernocomo se a tempestade anormal que levou as temperaturas do Ártico para níveis recorde durante o final de dezembro tenha, desde então, enfiado o termómetro em níveis típicos de abril e o deixado lá preso.

Calor do El Niño Teleconecta com o Polo

Porque é isso tudo tão ameaçador?

Seria mau se fosse o caso em que o calor no Ártico simplesmente resultasse no cada vez mais rápido derretimento dos glaciares – forçando os mares a subirem centímetros, polegadas e pés. Seria muito mau se o aquecimento polar se amplificasse à medida que o gelo branco sobre a terra e sobre o mar regredisse, tornando uma superfície refletora de calor numa característica de absorção de calor azul escura, verde e castanha. Seria surpreendentemente mau se tal calor também resultasse em degelo da permafrost, mais uma vez agravando o aquecimento forçado pelos humanos ao desbloquear até 1.300 biliões de toneladas de carbono e, eventualmente, transferir cerca de metade disso para a nossa atmosfera. E seria muito ruim se todo esse calor extra no Ártico começasse a intrometer-se com o clima do Hemisfério Norte, ao alterar o fluxo da corrente de jato. Resultando em sulcos muito persistentes produtores de secas e depressões produtoras de tempestades.

Ondas de Amplitudes Elevadas na Corrente de Jato

(Ondas de amplitudes elevadas na Corrente de Jato – uma sobre a parte ocidental da América do Norte e uma segunda sobre a Europa – transferem calor de Latitudes inferiores para o Ártico durante um ano de El Nino a 7 de fevereiro de 2016. Enquanto a amplificação polar encrencava em novos extremos durante os meses quentes recorde de dezembro e janeiro, parecia que a capacidade do El Nino para fortalecer a Corrente de Jato, e assim separar o calor equatorial do Polo frio, havia sido comprometida. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Infelizmente, estes eventos já não são apenas hipotéticos. O gelo do mar está a recuar. A permafrost está a descongelar. Os glaciares estão a derreter. E o fluxo da Corrente de Jato parece estar a enfraquecer.

Mas e se todo esse acumular polar de calor devido à queima de combustíveis fósseis pelos humanos tivesse ainda mais um efeito adicional? E se essa pedra quente atirada para o rio da circulação atmosférica que chamamos de El Nino pudesse de alguma forma transferir a sua acumulação de calor tropical lá para acima até ao Polo? E se o fluxo da Corrente de Jato no Hemisfério Norte tivesse ficado tão fraca que até mesmo um aquecimento nos trópicos devido a um forte El Nino recorde não pudesse acelerá-lo significativamente (através do aumento do diferencial de calor entre o Equador e o Polo). E se essas novas zonas ondulantes da Corrente do Jato se estendessem até ao Ártico – empurrando o calor tropical para o extremo norte durante eventos El Nino? Em momentos em que o mundo, como um todo, estivesse no seu mais quente? Durante um período em que o calor e a humidade na superfície do Oceano Pacífico estivessem a explorar um novo pico devido a uma combinação de aquecimento forçado pelos humanos e um El Nino atingir o topo do ciclo de variabilidade natural?

E se, de alguma forma, esse pico de calor tropical pudesse fluir desde o Equador até ao Pólo?

O que veríamos, então, seria uma aceleração das perigosas mudanças no Ártico descritas em cima. O que veríamos seria um aliar do sinal de amplificação polar, associado ao aquecimento global, com o topo da escalada quente de variabilidade natural que é o El Nino. E quanto ao Ártico sem inverno que foi o primeiro mês e meio de 2016, foi isso o que parece que acabámos de experienciar.

Os cientistas estão perplexos. Bem, deviam estar. Devíamos estar todos.

Links:

NASA GISS

NOAA

Os Cientistas estão Perplexos pelo que Está a Acontecer no Ártico Neste Momento

Tempestade Quente no Ártico para Descongelar o Polo Norte

Clima do Polo Norte

O Blog do Gelo do Mar Ártico

Impactos da Perda de Gelo do Mar

Earth Nullschool

Jennifer Francis sobre o Impacto do Aquecimento no Árctico Sobre a Corrente de Jato

Traduzido do original No Winter For the Arctic in 2016 — NASA Marks Hottest January Ever Recorded, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Fevereiro de 2016.

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Robertscribbler

Um Salto Aterrorizante nas Temperaturas Globais – Dezembro de 2015 1,4 C Acima de 1890

Um monstro El Nino a disparar no Pacífico. Uma acumulação maciça de gases de efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis na atmosfera empurram os níveis de CO2 bem acima das 400 partes por milhão. A contribuição de outros gases de efeito estufa empurrando a forçação calórica total global para as 485 partes por milhão de CO2e. Dado este contexto forte, sabíamos que os números iriam provavelmente ser maus. Apenas não sabíamos o quão maus. E, olhando para as medições iniciais que entram, podemos, definitivamente, dizer que isto é sério.

De acordo com o relatório de hoje da Agência Meteorológica do Japão, as temperaturas globais aumentaram uns ridículos 0,36 graus Celsius desde o período de Dezembro de 2014 – o Dezembro anterior mais quente no registro climático global – até Dezembro de 2015 – o novo Dezembro mais quente por um bom bocado de diferença. Para colocar um salto mensal tão espantoso das temperaturas globais, de um ano para o outro, em contexto, a taxa média decenal de aumento da temperatura global tem estado na faixa dos 0,15 C a cada dez anos durante as últimas três décadas e meia. É como se se aglomerasse 20 anos de aquecimento forçado por humanos tudo num diferencial de 12 meses.

Temperatura Global Recorde Dezembro 2015

(A Agência Meteorológica do Japão mostra um salto assustadoramente acentuado nas temperaturas globais para o mês de Dezembro de 2015. Fonte da imagem: JMA). [clique na imagem para aumentar o seu tamanho]

Dando uma olhada a este salto mensal incrível nas temperaturas globais em termos de faixas de tempo mais longas, descobrimos que Dezembro de 2015 ficou em 1,05 C acima da média do século XX e um aterrorizante (sim, não há outra palavra para o descrever) 1,42 C acima da média de temperaturas no início do registo em 1890.

O mundo está agora a explorar médias de temperatura globais mensais que estão a bater muito perto de uns perigosos 1,5 C acima dos níveis pré-industriais. E embora esses números não reflitam médias anuais que provavelmente serão muito menores – na faixa de 1 a 1,2 C acima de 1880 para 2015 e 2016 – devíamos ter muito claro que tais leituras elevadas continuam a ser motivo de séria preocupação. Preocupação com a potencialidade de que 2016 possa também ver a continuação de novos recordes de temperaturas anuais quentes em cima de recordes dos anos quentes anteriores de 2014 e 2015. E a preocupação de que podemos muito bem estar apenas à distância de mais um forte El Nino de ultrapassar ou chegar perigosamente perto do limiar de temperatura média anual de 1,5 C.

Há aqui razão para preocupação e há certamente algum motivo para alarme. Alarme no sentido de que o mundo precisa realmente de ser ainda mais sério quanto a reduzir as emissões globais de combustíveis fósseis para perto de zero, tão rápido quanto possível. Caso contrário, podemos muito bem passar os 2 C – não antes de 2100, mas antes de 2050.

Links:

Agência Meteorológica do Japão – Análise da Temperatura Global

(Análises da NASA e NOAA em breve)

Traduzido do original A Terrifying Jump in Global Temperatures — December of 2015 at 1.4 C Above 1890, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de Janeiro de 2016.

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