Mudança climática abrupta e fora de controlo, emergência climática
Paul Beckwith

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

o sistema climático está a entrar numa espiral fora de controlo, ameaçando a nossa sobrevivência na Terra (…) os lideres dos governos por todo o planeta têm que declarar uma emergência climática. – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

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A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, laboratório de Paleoclimatologia. O que vou fazer neste vídeo é estruturar o caso de que estamos numa emergência de mudança climática. E então vou mostrar, construir o caso científico, a mostrar como o nosso sistema climático está a mudar em 2016 e porquê, cientificamente, estarmos numa emergência quanto à mudança climática. Temos que declarar isto, politicamente, numa base global. E depois, como lidamos com este problema? Precisamos de implantar as técnicas de sobrevivência do banco alto de três pernas… logo que possível, numa base de emergência. Primeiro, o que vou fazer é construir o caso para a emergência, e depois irei discutir, brevemente, algumas das coisas possíveis que temos que fazer.
Então, a nossa combustão de combustíveis fósseis aumentou. Também aumentámos as transformações resultantes do uso dos solos: menos floresta, mais áreas urbanas e agricultura. Portanto, os nossos níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar rapidamente e a uma taxa cada vez maior. Uma taxa exponencial. A terra está a aquecer rapidamente, e por isso estamos a obter um rápido declínio na cobertura de neve e no gelo marinho do Ártico. E estamos a ver um derretimento mais rápido da calota de gelo da Gronelândia. Portanto, as superfícies do Ártico, por toda a região do Ártico, estão a ficar mais escuras, estão a absorver mais luz solar.
isto está a fazer com que as regiões do Norte aqueçam mais rápido que a média global, 5 a 8 vezes mais. Isto diminui a diferença de temperatura entre o Ártico e o Equador, e menos calor move-se do equador para o pólo, na atmosfera e nos oceanos. 2/3 vai para a atmosfera e 1/3 vai para o mar.
Na atmosfera, as Correntes de jato estão a abrandar, a tornarem-se mais onduladas e frequentemente emperradas, fazendo com que os eventos climáticos extremos sejam mais frequentes, mais intensos, que durem mais tempo e que ocorram onde nunca costumavam acontecer.
Nos oceanos, estamos a ver aquecimento e estratificação e acidificação, o que está a matar a vida marinha por toda a cadeia alimentar, começando na base da cadeia alimentar. Está a reduzir a oxigenação e a mistura vertical nos oceanos. A Corrente do Golfo está a abrandar, e também estamos a ver aumento do nível do mar, que está a começar a inundar as linhas costeiras.
O sistema climático da Terra tem muitos componentes diferentes. Temos a hidrosfera, a litosfera, temos as influências humanas, somos parte da biosfera, os humanos são parte da biosfera, temos a atmosfera, claro, e temos a criosfera, os mantos de gelo e assim. Portanto, temos estes cinco principais componentes, temos os gases de efeito estufa na atmosfera, temos o input solar a entrar no sistema, se algo muda, reflete-se nos restantes e muda outras coisas. Precisamos de considerar a Terra como um sistema climático, e ver como os diferentes componentes estão a mudar.
Fiz um número de vídeos alguns dias atrás, e mesmo em poucos dias as coisas pioraram significativamente. Portanto, toda a região do Ártico está 7,23ºC mais quente que o normal. Isto é a anomalia. A maioria do calor está no Ártico, apesar de também estarmos a obter anomalias de calor maciças, anomalias da temperatura de até 20ºC no Ártico, e 10 a 15ºC na América do Norte. O único local frio é na Sibéria, e isso está a dissipar-se.
Portanto, todo o sistema climático está desorientado. Não há outra maneira de o colocar, está mesmo a atuar de forma estranha. O que está a acontecer é que, há uma equalização da temperatura em latitude. As latitudes mais elevadas estão a aquecer tanto, que estamos a obter uma equalização da temperatura, o que muda os padrões meteorológicos e o clima, por todo o planeta. Isto é outro ponto de vista e podemos claramente ver a zona fria da Sibéria aqui, as zonas muito quentes no Ártico e sobre o este dos estados Unidos, e temos regiões mais frias na zona Oeste da América do Norte.
E então, estamos a ver um quebrar dos padrões climáticos estáveis, ao longo da latitude, por todo o globo. estamos a obter estas áreas tipo aos remendos, onde temos áreas quentes e áreas frias, e áreas quentes e áreas frias, e nessas áreas, por haverem grandes diferenças de temperatura ao longo de pequenas distâncias, por exemplo entre aqui e aqui, isto causa ventos muito fortes e muita actividade de tempestades.
Vejam os oceanos, os oceanos estão a refletir aquilo que a atmosfera está a fazer. O Atlântico Norte, todas estas regiões estão mais quentes do que o normal, o Ártico está muito quente, especialmente no lado do Atlântico Norte, e também no lado do Pacífico e do estreito de Bering. Recentemente tivemos uma zona muito fria a sul da Gronelândia, agora temos esta zona muito fria no Pacífico Norte. Portanto, estamos a obter um comportamento muito invulgar, na atmosfera e nos oceanos, devido aos processos de transferência de calor, do calor do Equador para o Ártico, estão a mudar completamente.
Os gases de efeito estufa metano e CO2 são os mais importantes de entre os que estão a aumentar rapidamente. A água também está a aumentar, o vapor de água, é um feedback do sistema climático, mas estamos a romper a escala, se formos atrás quase um milhão de anos, estamos a romper a escala com estes dois gases de efeito estufa.
Fiz menção e vou reiterar a importância disto. Isto é muito importante: O CO2, este ano, é esperado que suba entre 4 e 5 partes por milhão; fora da escala. Portanto, o CO2 está a aumentar rapidamente. O metano está a aumentar extremamente rápido, principalmente no Ártico; irei discutir isso mais à frente. O óxido nitroso também está a aumentar rapidamente.
Estas são as taxas de mudança para este ano, e estes são o aumento da acumulação em geral. A coisa preocupante aqui é que, o aumento atmosférico é esperado que seja de entre 4 e 5 ppm este ano, mas… as emissões de CO2 pelos humanos é esperada que seja semelhante ao último ano, a qual foi semelhante aos anos anteriores. Portanto, nos últimos quatro anos elas nivelaram, mas isto são muito más notícias, se estes dados estiverem corretos. Quer dizer, é ótimo que o planeta se esteja a juntar e a cortar nas emissões, mas são muito más notícias que os níveis atmosféricos ainda estejam a aumentar tão rápido. Isto parece indicar que os dissipadores de carbono globais estão provavelmente a falhar, e os reservatórios globais maiores são a floresta da Amazónia…
Estamos a perder muito da floresta devido à seca e aos incêndios, estamos a perder muito da floresta boreal devido a incêndios. Mais de 100 milhões de árvores, creio, que estão a morrer por toda a América do Norte, devido a pestes e secas, tipo os stresses hídricos, temperaturas muito elevadas. O oceano está a ficar estratificado e a aquecer, logo não está a absorver tanto CO2, não há tanta mistura vertical logo há menos CO2 a, fisicamente, ser dissolvido na água, a temperaturas mais elevadas. Também há menos fitoplâncton a crescer por haver menos mistura vertical.
Portanto estamos a ver todos estes efeitos de feedback em cascata, que estão a tornar-se extremamente sérios, e não podem ser ignorados. Portanto, as temperaturas médias de superfície estão a escalar a pique em 2016; estão a romper com a escala. Se isto não é uma emergência climática, não sei o que o será. Se isto não move as pessoas para a ação, não sei o que o fará.
Isto é fevereiro deste ano. Corrigi os números. Estamos basicamente a 1,95ºC, portanto quase 2C acima dos níveis pre-industriais, em termos de temperatura, sendo pre-industrial 1750. Portanto, fevereiro a sair do gráfico, março, a sair do gráfico.
Isto é completamente devastador, o gelo marinho do Ártico e a cobertura de neve. estes são os modelos do IPCC, a média e o desvio padrão dos modelos, e isto são o que as observações estão a mostrar. Portanto, vamos olhar em mais pormenor para aquilo que o gelo marinho está a fazer. Então, estes dados estão atualizados… de muito recentemente, e estamos a ver um declínio exponencial. Isto são diferentes representações exponenciais, portanto, estamos a ir para zero… por volta de 2020, digamos 2022 ou assim, de acordo com estes dados.
Não é apenas setembro, que é o mínimo, aquilo que está a ser reduzido. Isto é setembro, depois outubro e agosto estão a escalonar. E os dois meses seguintes estão a escalonar, e por aí em diante. Todos os meses estão a cair, e o que vemos agora em outubro e novembro de 2016 é que aquelas curvas em particular, naqueles meses em particular, estão a convergir, estão a cair ainda mais rápido do que o mínimo de setembro. Estamos sempre a descobrir novos fenómenos a acontecerem na mudança climática, estamos a vê-lo acontecer em tempo real.
Esta é a extensão do gelo marinho no Ártico. Há dois dias atrás, no vídeo, a curva parecia bastante diferente. Se compararem esta curva agora, estamos de facto a vê-la nivelar; estamos de facto a ver a extensão do gelo marinho a cair. 50.000 num dia, e creio que 146.000 ou algo, no outro dia. Simplesmente nunca tínhamos visto isto antes. O gelo marinho tenta crescer e estender-se, mas está a ser quebrado pela ação das ondas, e temperaturas muito quentes da água, e pelas temperaturas elevadas localizadas que invadem no Ártico, e as enormes anomalias das temperaturas, de 20ºC ou 36ºF acima do normal para esta altura do ano.
Portanto, isto é a temperatura da região do Ártico a 80º Norte, e esta curva está ainda pior do que há uns dias atrás. Vejam este pico aqui, isto é incrível. Isto é inédito. Então, esta temperatura, para este ano, em comparação com a média a longo prazo, está cerca de 20ºC acima da média. É essencialmente verão no Ártico neste momento, em novembro. Isto devia ser notícia de primeira página por todo o mundo, de estar a começar a fazer parte de alguns dos principais jornais e publicações online, mas… eles simplesmente não entendem, simplesmente não entendem que as suas vidas e as vidas dos seus filhos e qualquer futuro para os humanos neste planeta estão a ser ameaçados pelo que estamos a ver aqui. Estamos a entrar por território muito desconhecido onde o nosso suprimento alimentar vai ficar severamente stressado. Quero dizer, isto simplesmente surpreende-me completamente, surpreende qualquer climatologista. Devía surpreender toda a gente. E vai, em breve.
Na Antártida, a queda abaixo da média a longo prazo e da variação está a acelerar. Estamos muitos desvios padrão abaixo e estamos a descer mais a pique, enquanto há apenas alguns anos atrás estávamos com quantidades recorde. Tudo isto é indicativo da estranheza global, ou estranheza climática.
Este é um dos gráficos mais assustadores porque se juntarmos a área do gelo marinho global, do Ártico e Antártida, estamos a nivelar aqui. Estamos a fugir do gráfico, estamos a nivelar, e isto é… é inédito. Isto é o que o gelo se parece num mapa. Portanto, a linha vermelha é a norma, a média, entre 1981 e 2010 em ambos os casos… …a linha amarela. Portanto, estamos a perder enormes quantidades de gelo marinho no Ártico e na Antártida. E até há enormes falhas na Antártida, aqui, o que também é muito surpreendente, muito invulgar.
Isto é a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico em outubro, e podemos ver como estamos a cair do precipício aqui. Há muitas formas de se olhar para estes dados; esta é outra perspectiva de outubro, a comparar outubro de 1979 a 2016, e caímos de um precipício aqui.
Ou podemos falar da espiral de morte do gelo marinho do Ártico. E então, o que estamos a ver é… os anos são aqui, ao longo do eixo radial, até 2016, e cada curva é um mês diferente do ano, sendo setembro a preta, e depois os meses de outubro e agosto a escalonarem. Quando isto for em direção ao zero… bem, eu esperaria que isto fosse para o zero, a linha preta, digamos em 2020, e depois as outras duas linhas a irem para o zero por volta de 2022, e depois estas duas linhas seguintes por volta de 2024, e depois todas estas linhas a irem para zero por volta de 20… 2030, e então, praticamente não teremos gelo marinho no Ártico, durante todo o ano, estaremos num clima muito mais quente, quem sabe, as temperaturas médias globais poderiam ser 5C, 6C mais quentes do que agora…Recolher Transcrição[/expand]

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Extensão do gelo marinho 2012-2016
Sam Carana

O Gelo Marinho Está a Encolher

Extensão do gelo marinho no Ártico a cair novembro 2016

A extensão do gelo marinho caiu 0,16 milhões de km² de 16 de novembro a 19 de novembro de 2016, como ilustrado pela imagem ads.nipr.ac.jp/vishop acima. A imagem abaixo, com base em dados da NSIDC, mostra o gelo do mar no Ártico a encolher 49.000 km² em quatro dias.

Extensão do gelo marinho entre 16 e 20 de novembro de 2016

Isto está a acontecer num momento em que há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Árctico, como ilustra a imagem abaixo.

Insolação no Ártico em função do mês do ano e latitude

A imagem abaixo foi criada por Torstein Viddal, anteriormente publicada no blogue Arctic Sea Ice Collapse.

Extensão do gelo marinho 2012-2016

Gelo Marinho do Ártico – A extensão média anual, pela JAXA está a cair 23086 quilómetros quadrados por semana. Se continuar assim, os primeiros 365 dias sem gelo iriam começar em janeiro de 2024.

Ventos fortes no Ártico quebram o gelo marinhoEsta queda recente na extensão é em parte devido a ventos fortes, como ilustrado pela imagem à direita.

Acima de tudo, porém, a falta de gelo marinho sobre o Oceano Ártico é causada pela água muito quente que está agora a chegar ao Oceano Ártico.

Durante o verão do hemisfério norte, a água ao largo da costa da América do Norte aquece e é empurrada pela força de Coriolis em direção ao Oceano Ártico. São precisos vários meses para a água viajar ao longo da Corrente do Golfo através do Atlântico Norte.

Durou até agora o Oceano Ártico ter que suportar o peso deste calor.

Como a imagem abaixo mostra, anomalias recorde na superfície do mar apareceram perto de Svalbard a 31 de Outubro de 2016, quando o calor chegou pela primeira vez ao Ártico.

Temperaturas do mar elevadas no Ártico

A 31 de outubro de 2016, o Oceano Ártico estava tão quente quanto 17°C ou (círculo verde perto de Svalbard), ou 13,9°C mais quente do que 1981-2011. Isto indica o quão mais quente a água está abaixo da superfície, quando chega ao Oceano Ártico a partir do Oceano Atlântico.

Além disso, o gelo marinho da Antártida também está a cair, refletindo o aquecimento dos oceanos em todo o mundo. Há já algum tempo que a extensão do gelo marinho na Antártida tem estado num valor baixo recorde para a época do ano. A 19 de novembro de 2016, a extensão do gelo marinho do Ártico e Antártida combinados foi de 22.423 milhões de km², como a imagem abaixo mostra.

Gelo marinho global, Ártico e Antártida combinados

Trata-se de uma queda na extensão do gelo marinho mundial de 1.085 milhões de km² (418,900 milhas quadradas) desde 12 de novembro de 2016, quando a extensão global do gelo marinho foi de 23.508 milhões de km².

Vamos olhar para esses números novamente. No sábado, 12 de novembro de 2016, a extensão global do gelo marinho era de 23.508 milhões de km². No sábado, 19 de novembro de 2016, a extensão global do gelo marinho era de 22.423 milhões de km². Isso é uma queda de mais de um milhão de km² numa semana.

Em comparação, isso é mais do que o tamanho combinado de dez países europeus (como a Suíça, Áustria, Hungria, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Reino Unido e Irlanda).

Ou, é mais do que o tamanho combinado de dezassete estados dos Estados Unidos (como Ohio, Virginia, Tennessee, Kentucky, Indiana, Maine, Carolina do Sul, West Virginia, Maryland, Havaí, Massachusetts, Vermont, New Hampshire, Nova Jersey, Connecticut, Delaware e Rhode Island).

Quanta energia adicional a Terra retém, devido a uma tal mudança albedo? Foi um virar total do albedo, seriam alguns 0,68 W / m². Uma estimativa conservadora seria uma mudança do albedo de 50%, conforme a imagem abaixo ilustra, de modo que isso significaria que a Terra agora mantém algumas 0,34 W / m² energia extra.

O gelo marinho espesso coberto de neve pode refletir tanto quanto 90% da radiação solar incidente. Após a neve começa a derreter, e por as lagoas rasas da fusão do gelo terem um albedo (ou refletividade) de aproximadamente 0,2 a 0,4, o albedo da superfície cai para cerca de 0,75. Como lagoas do derretimento crescem e tornam-se profundas, o albedo da superfície pode cair para 0,15, enquanto que o oceano reflete apenas 6% da radiação solar incidente e absorve o resto.

Diminuição do Albedo - reflexão da radiação solar pelo gelo

O Albedo é o efeito de reflexão da luz solar. Com o derretimento do gelo e da neve, diminui o efeito de Albedo e a quantidade de superfície escura e absorvente de calor é maior. 90% da radiação solar é reflectida pela superfície da água quando coberta de gelo e neve, mas apenas 6% é reflectido após o gelo derreter e a água encontrar-se a descoberto.

E então, esta queda numa semana da extensão do gelo do mar significa que há agora é um aquecimento adicional de cerca de 0,34 W / m². Em comparação, o impacto do aquecimento em relação ao ano de 1750 de todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas foi de 1,68 W / m² no mais recente relatório de avaliação do IPCC (AR5).

E mais! À medida que o há um declínio do gelo do mar, não há apenas uma perda de albedo devido a uma diminuição na extensão, como há também a perda de albedo no restante gelo do mar, que fica mais escuro à medida que derrete.

A imagem abaixo mostra a queda na extensão do gelo marinho da Antártida até 20 de novembro de 2016. A 20 de novembro de 2016, a extensão do gelo marinho da Antártida era 2.523.000 km² menor do que o era na mesma altura do ano em 2015.

Perda de gelo marinho na Antártida novembro 2016

Quanta mais energia está agora retida na Terra do que em 2015? Assumindo uma variação do albedo de 50% para esta perda na extensão do gelo e uma perda de albedo semelhante que está a ter lugar sobre o gelo restante, isto significa que a Terra está agora a reter uma quantidade extra de energia (em relação a 2015) que é igual a todo o aquecimento relativo ao pré-industrial devido ao dióxido de carbono emitido pelas pessoas.

Gelo marinho na Antártida 2015 - 2016

Entretanto, a diferença entre 2016 e 2015 tem ficado cada vez maior, como ilustrado pela imagem acima. A 23 de novembro de 2016, na Antártida, a extensão do gelo marinho estava 2.615 milhões km² mais pequeno do que a 23 de novembro de 2015.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


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Traduzido do original Sea Ice is Shrinking de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 20 de novembro de 2016, atualizado a 26 de novembro de 2016.

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Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro
Robertscribbler

Para O Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro

Vai ser o ano mais quente já registado – por uma grande margem. Basta perguntar a Gavin Schmidt da NASA, a qual a Administração Trump de negação da mudança climática colocou agora em risco. Mas numa região — o Ártico — a taxa de acumulação de calor tem sido escandalosamente extrema. E é aí que este novo recorde de aquecimento poderia causar alguns dos piores danos a um sistema Terra cada vez mais frágil.

Calor de Verão Durante o Outono Acima de 80 Norte

Para o Oceano Ártico acima da linha de latitude a 80 graus norte que circunda a crista do nosso mundo, as temperaturas hoje estão cerca de 17 graus Celsius acima da média. Estas são as mais elevadas temperaturas para esta região já registadas. E elas incluem várias localizações onde as temperaturas atingiram picos bem acima de 20ºC mais quente do que a média.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Temperaturas acima da linha de latitude de 80 graus norte em meados de novembro são quase iguais ao que normalmente se espera para o fim do verão. Este aquecimento recorde no Ártico é notavelmente grave e poderia produzir sérios impactos meteorológicos e climáticos a curto prazo. Fonte da imagem: DMI

Considerada no total, esta região — a qual inclui o Pólo Norte — está atualmente a experienciar temperaturas que normalmente iria ver a partir de 15 de setembro até 21 de setembro. Por outras palavras, está tão quente agora, a 14 de novembro na zona em torno do Pólo Norte, quanto normalmente estaria durante a última semana de verão.

Não seria tão mau se as temperaturas tivessem simplesmente disparado para novas máximas neste dia em particular como parte de uma variação louca da temperatura. Infelizmente, as leituras, em vez disso, permaneceram consistentemente elevadas durante todo o outono. Elas levitaram para fora da variação média da linha de base de 1958-2002 durante a maior parte dos 80 dias. E como as temperaturas se mantiveram perto das médias do fim do verão ou início de outono, a diferença em relação ao normal (representada pela linha verde no gráfico acima) continuou a intensificar-se ao longo de novembro. Essa manutenção a longo prazo de temperaturas altas corre o risco de produzir alguns impactos duradouros graves, tanto no Ártico como no ambiente global.

O Grande Buraco Vermelho do Pólo Norte

A variação de temperaturas que vemos agora não é nada menos que assombrosa e, para este observador em particular, aterrorizante. Um enorme buraco foi aberto no coração daquilo que deveria ser o pilar do frio de inverno. E se não se recompuser em breve, irá ter alguns sérios efeitos consequentes sobre o clima, incluindo piores mudanças atmosféricas de circulação, eventos climáticos cada vez mais extremos, os impactos nas estações de crescimento agrícola, impactos no gelo do mar, impactos no gelo da Groenlândia, e os impactos na vida do Ártico e além.

Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro

Hoje, grandes áreas do Oceano Ártico são esperadas que vejam as temperaturas atingirem 20 C mais quente do que o normal. Estas temperaturas são tão altas que secções recentemente cobertas de gelo vão, durante os próximos cinco dias, experienciar temperaturas entre -2 C e 0 C – ou quentes o suficiente para produzirem um derretimento temporário. Uma tal condição nunca foi testemunhada na medida em que é agora tão tarde no ano. Um sinal claro de que o aquecimento global está a começar a morder mais fundo do que esperávamos. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer). Notem — o mapa mostra desvios de temperatura acima [desvio para o vermelho] e abaixo [desvio para o azul] da, já mais quente do que o normal, média da linha de base 1979-2000.

Este calor de outono recorde parece fazer parte de um cenário cada vez mais dominante do tipo “morte do inverno” relacionado com o aquecimento global causado pelo homem. E a menos que as temperaturas no Ártico voltem para a linha de base muito em breve, estamos em risco cada vez maior de atingir alguns pontos de inflexão de mudança de estado. Em particular, estes giram em torno de uma perda do gelo do Oceano Ártico a prazo mais curto do que o esperado. Um evento que podia acontecer este ano se experienciarmos um inverno anormalmente quente seguido por um verão quente semelhante ao último – mas que muitos especialistas esperam que seja adiado até 2030. Uma alteração que, a longo prazo, sob a queima continuada de combustíveis fósseis presentemente promovida pela Administração Trump, basicamente remove o inverno como estação praticamente por completo (pelo menos como a conhecemos).

Espero sinceramente que vejamos um retorno às condições de temperatura de linha de base no Ártico em breve. Mas à medida que os dias passam, isso parece cada vez menos provável. Ventos quentes continuam a fluir do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’700’]Barents[/simple_tooltip] e do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’547’]Bering[/simple_tooltip]. E os centros das regiões mais frias do Hemisfério Norte estão bem deslocadas para a Sibéria e a Gronelândia. Se esta situação continuar, as implicações para o gelo marinho de verão em 2017 podem ser bem duras (mais sobre isso na publicação que se segue). E é no ponto em que atingimos estados de verão sem gelo no Oceano Ártico que algumas alterações regionais, hemisféricas e globais muito radicais (as quais produzem efeitos ainda piores do que alguns dos maus resultados que já temos visto) estarão bem encaminhadas.

Traduzido do original
For The Arctic Ocean Above 80 North, It’s Still Summer in November
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de novembro de 2016.

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Anomalia da extensão gelo marinho Ártico, Antártida e Global 2016
Robertscribbler

De Pólo a Pólo, Os Valores Globais do Gelo Marinho Estão a Cair

Durante o ano quente recorde de 2016, tanto as extensões do gelo marinho do Ártico como da Antártida levaram uma forte tareia.

O calor extremo no Ártico ajudou a produzir as perdas principais de gelo ali. Valores que começaram em janeiro com 1 milhão de quilómetros quadrados abaixo da média têm vindo a diminuir de forma estável à medida que os meses avançaram para perto de 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média. Enquanto isso, a Antártida — que começou o ano com valores de extensão do gelo do mar próximos da média — viu perdas significativas à medida que a região ficava anormalmente cada vez mais quente durante a primavera austral. Hoje, os valores de extensão do gelo marinho ao redor da Antártida estão agora também mesmo à beira dos 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média.

Anomalia da extensão gelo do mar Ártico, Antártida e Global 2016

Zachary Labe, um dos cientistas do clima norte-americanos mais bem reconhecidos, produziu este gráfico baseado em valores dos volumes do gelo marinho globais, do Ártico e da Antártida, pela NSIDC. Como se pode ver, a extensão de gelo marinho global durante o ano mais quente já registado tem vindo a cair de forma estável, para perto de 4 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média, à medida que os meses progrediram. Fonte da imagem: Figuras do gelo do mar de Zack Labe. Fonte de dados: NSIDC. Também podem acompanhar o feed informativo do twitter do Zack aqui.

No total, a cobertura global do gelo do mar é agora de cerca de 3.865.000 quilómetros quadrados abaixo da média.

Se você acha que esse número soa a muito grande, é porque é mesmo. Representa uma região de gelo perdido com quase 40 por cento do tamanho da área de terra e água de todo o Estados Unidos, incluindo Alasca e Havaí. Para visualizá-la de outra forma, imaginem toda a área de terra do Alasca, Califórnia, Texas, Montana, Arizona e Novo México combinados e começarão a perceber a essência.

Cobertura de Gelo Marinho – Um Importante, Mas Complexo Indicador Climático

Muitos especialistas do clima têm visto o gelo do mar como uma espécie de mudança climática do canário na mina de carvão. O gelo do mar encontra-se sobre os oceanos em aquecimento e sob uma atmosfera em aquecimento. E estes oceanos estão agora a receber a maior parte do calor que está a ficar preso na atmosfera pelas emissões de combustíveis fósseis. As superfícies do oceano em aquecimento têm um valor de calor específico mais elevado do que o ar e esta maior capacidade energética total em regiões em aquecimento gera um golpe substancial na cobertura de gelo, mesmo se a variação inicial da temperatura da superfície da água seja apenas moderada.

Uma vez que o gelo do mar tiver desaparecido durante um período significativo, uma espécie de ciclo de feedback entra em jogo em que as superfícies escuras do oceano prendem mais raios do sol durante o verão polar do que quando com a cobertura de gelo branca — que refletia anteriormente a radiação de volta para o espaço. Este calor recém-absorvido é então re-irradiado de volta para a atmosfera local durante o outono e inverno polar — criando uma barreira de inércia para a reformação do gelo e, finalmente, gerando um grande salto nas temperaturas sazonais da superfície do oceano e atmosféricas.

Temperaturas elevadas em relação à média de 11C no Ártico

Aquecimento altamente pronunciado da superfície do oceano juntamente com invasões de ar quente parecem estar a gerar as perdas extremas de gelo do mar que se vê agora no Ártico. O Mar de Barents, mostrado acima, tem visto um aquecimento particularmente extremo. Note-se a zona quente com 11ºC acima média perto da zona de borda do gelo do mar. Na Antártida, as causas das perdas permanecem incertas. Contudo, o aquecimento atmosférico e as mudanças nos ventos circumpolares parecem estar a produzir esse efeito, mesmo quando águas superficiais um pouco mais frias do que a média permanecem no local — possivelmente devido à ressurgência do Oceano Antártico relacionada às tempestades e ao aumento das saídas de água doce das geleiras da Antártida. Fonte da imagem: Earth Nullschool

Esta dinâmica é particularmente pronunciada no Ártico, onde um oceano em descongelamento rodeado por continentes em aquecimento tende a recolher prontamente o calor, mesmo quando as transferências de energia atmosféricas do sul, sob a forma de eventos de vento quente, tornaram-se mais pronunciadas. Um efeito relacionado com a influência das alterações climáticas conhecido como Amplificação Polar do Hemisfério Norte

Na Antártida, o Oceano Antártico tempestuoso gera ressurgência. Esta dinâmica tende a esfriar a superfície do oceano ao mesmo tempo que transfere o calor para o oceano mais profundo. E o aumento das condições de tempestade em torno da Antártida relacionado às mudanças climáticas podem intensificar este efeito. Além disso, as águas quentes do fundo a derreterem os glaciares de frente para o mar na Antártida produzem uma lente de água doce que arrefece a superfície e também prende o calor por baixo. Assim, o sinal vindo da Antártida em relação ao gelo do mar tende a ser mais misturado — com o aquecimento atmosférico e as mudanças nos padrões do vento a gerarem impactos no gelo do mar mais variáveis relativamente ao Ártico. Então, as perdas do gelo do mar deste ano são mais difíceis de se relacionar diretamente à mudança climática.

Zack Labe observa que:

A anomalia do gelo do mar do Ártico, contudo, encaixa-se com a presente tendência de amplificação do Ártico de estreitamento de gelo do mar e perda de gelo antigo. Para além de que tem sido bem observado na literatura anterior (ou seja, http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2010GL044136/full …) no que diz respeito às crescentes temperaturas de outono no Ártico e suas possíveis causas.

Grandes Perdas de Volume entre 2015 e 2016

Apesar das grandes perdas de gelo do mar ao redor da Antártida este outono, é no Ártico que os danos e risco de perda adicional são mais pronunciados. Particularmente, reduções no gelo plurianual mais espesso no Ártico durante 2015 e 2016 têm sido excepcionalmente graves:

Perda de cobertura e espessura do gelo do mar do ÁrticoPerda de cobertura e espessura do gelo do mar no Ártico 2016

Nas imagens acima, vemos uma comparação entre a cobertura e espessura do gelo do mar do fim de novembro, tal como previsto pelo modelo US Navy ARCC. O quadro esquerdo representa o fim de novembro de 2015 e o quadro direito representa os valores projetados para 20 de novembro de 2016. Note-se a cobertura enormemente reduzida na imagem de 2016. Mas ainda mais notável é a perda substancial de gelo mais espesso no Oceano Ártico a norte do Arquipélago Canadiano e na Gronelândia.

Estas duas imagens contam uma história de uma grande perda de volume do gelo do mar. Uma que o monitor de gelo do mar PIOMAS confirma. De acordo com PIOMAS, os valores do volume do gelo durante outubro estavam a decorrer perto dos níveis mais baixos já registados. E o calor continuado em novembro gera uma preocupação de que um período de novos níveis recordes de baixo volume possa estar a caminho.

Mas não são apenas os valores baixos recorde que devem ser uma preocupação. A localização do gelo espesso restante também é uma preocupação. Pois uma parte substancial do gelo espesso restante está situado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O vento e as correntes oceânicas tendem a empurrar o gelo para fora do Oceano Ártico e através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O gelo tende a, em seguida, a ser canalizado para baixo ao longo da costa da Gronelândia e para o Atlântico Norte, onde derrete. Então, o facto de que uma grande parte do já muito reduzido gelo espesso restante encontrar-se agora na borda da versão de gelo do mar de Niagra Falls não é um bom sinal.

Anos La Nina tendem a empurrar mais calor para os pólos

É notoriamente difícil prever com precisão as tendências de derretimento e recongelamento do gelo do mar nas várias medições sazonais para um qualquer determinado ano individual. E até mesmo muitos dos maiores especialistas do gelo do mar passaram um diabo de tempo na previsão do comportamento do gelo do mar durante os últimos anos. Contudo, uma coisa permanece bem clara — a tendência de longo prazo para o gelo marinho no Ártico é uma de rápido declínio.

Espiral de Morte do gelo do mar no Ártico Outubro 2016

Espiral de Morte do gelo do mar do Ártico por Andy Lee Robinson. Fonte da imagem: Haveland

Estamos agora a entrar numa situação em que um inverno muito quente seguido por um verão mais quente do que o normal poderia empurrar os valores do gelo do mar do Ártico para perto da marca de zero. Uma situação que poderia efetivamente desencadear um evento de oceano azul num futuro próximo. Um número de especialistas de gelo do mar proeminentes previram que é provável que tal estado será alcançado bastante cedo — no início da década de 2030 segundo as tendências actuais. Outros apontam para potenciais de perda a prazo mais curto. Mas não há praticamente ninguém agora a dizer, como foi afirmado muitas vezes durante o início da década de 2010, que um evento de oceano azul poderia ficar adiado até ao início dos anos 2050.

Tudo dito, a trajetória para 2017 para o Ártico no presente não parece muito boa. Ambos a extensão e o volume do gelo marinho estão agora em ou bem abaixo das marcas baixas anteriores para esta época do ano. O gelo espesso restante posicionado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip] gera uma desvantagem física para o gelo em geral. Além disso, a NOAA anunciou que as condições de La Niña estão agora presentes no Pacífico Equatorial. E os eventos La Niña tendem a empurrar mais calor oceânico e atmosférico em direção aos pólos — particularmente para o Ártico.

Nota: Este artigo é escrito como um seguimento da publicação anterior – Para o Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro – e elas devem ser lidas em conjunto para contexto.

Traduzido do original From Pole to Pole, Global Sea Ice Values are Plummeting, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 15 de novembro de 2016.

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Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono
Sam Carana

CO₂ Mensal a Não Menos de 400 ppm em 2016

Pelo terceiro ano consecutivo, as emissões globais de dióxido de carbono de combustíveis fósseis e da indústria (incluindo a produção de cimento) quase não cresceram, como a imagem do Global Carbon Project em baixo mostra:

Crescimento das Emissões Globais de Dióxido de Carbono

Contudo, os níveis de CO₂ têm continuado a subir e, como ilustrado pela tendência na imagem em baixo, poderão até ter acelerado.

Níveis de dióxido de carbono em crescimento apesar de não haver aumento das emissões

Porque têm os níveis de CO₂ na atmosfera continuado a subir apesar do facto de que as emissões da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento quase não terem aumentado nos últimos anos?

Desmatamento e outras alterações no uso dos solos

Durante a década de 2006 a 2015, as emissões provenientes do desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outra 1,0 ± 0,5 GtC (3,3 ± 1,8 GtCO₂), em média, às emissões de combustíveis fósseis e cimento representadas acima. Em 2015, de acordo com o Global Carbon Project, o desmatamento e outras mudanças no uso do solo acrescentaram outras 1,3 GtC (ou 4,8 bilhões de toneladas de CO₂), em cima das 36,3 bilhões de toneladas de CO₂ emitido pelos combustíveis fósseis e pela indústria. Este aumento nas emissões por desmatamento e outras mudanças no uso do solo constitui um aumento significativo (42%) sobre as emissões médias da década anterior, e este salto foi em grande parte causado por um aumento nos incêndios florestais ao longo dos últimos anos.

Por conseguinte, os níveis de CO₂ na atmosfera continuaram o seu crescimento constante. Em 2016, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm. Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 800.000 anos.

Níveis de CO2 acima dos 400ppm em 2016

Em 2016, pela primeira vez em pelo menos 800.000 anos, os níveis médios mensais globais de CO₂ não estiveram abaixo de 400 ppm.

Enquanto sobem, os níveis de CO₂ globais flutuam com as estações do ano, normalmente atingindo a um mínimo anual em agosto. Em agosto de 2016, os níveis de CO₂ atingiram um mínimo de 400,44 ppm, ou seja, bem acima de 400 ppm. Em setembro de 2016, os níveis de dióxido de carbono tinham subido novamente, para 400,72 ppm. Importante notar, uma tendência está contido nos dados a apontar para um nível de CO₂ de 445 ppm no ano de 2030.

Sensibilidade

Entretanto, um estudo por Friedrich et al. atualiza as estimativas do IPCC para a sensibilidade ao aumento do CO2, concluindo que as temperaturas poderiam aumentar tanto quanto 7.36°C em 2100 como resultado do aumento dos níveis de CO₂.

Quando tendo outros elementos que não o CO2 mais em conta, a situação parece ainda pior que isto, ou seja, o aumento global da temperatura poderia ser tanto quanto 10°C na próxima década, como descrito na página extinção.

Sequestro de carbono em terra
Dissipadores de carbono e variação do sequestro de carbono ao longo dos anos.

Perturbação do ciclo global de carbono causada pelas atividades antropogénicas, estimadas globalmente para a década de 2006-2015(GtCO2/ano)

A imagem acima mostra também um aumento do sequestro de carbono em terra ao longo dos anos, o qual um estudo recente atribui a níveis mais elevados de CO₂ na atmosfera. Embora este aumento do dissipador de carbono em terra pareça ter travado um aumento mais forte da temperatura por algum tempo, há indícios de que este dissipador de terra já está a diminuir.

Porque é que o sequestro de carbono em terra está a diminuir?

  • Práticas agrícolas, tais como o esgotar das águas subterrâneas e aqüíferos, arar, mono-culturas e o corte e queima de árvores para criar gado pode reduzir significativamente o teor de carbono dos solos.
  • O salto recente na temperatura global parece ter danificado severamente os solos e a vegetação através de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, relâmpagos, inundações, ondas de calor, secas, tempestades de areia e incêndios florestais, e a erosão associada, transformando partes daquilo que foi uma vez um enorme reservatório de sequestro de carbono em terra em fontes de emissões de dióxido de carbono. Pior ainda, tais eventos climáticos extremos também podem levar a novas emissões, incluindo fuligem, óxido nitroso, metano, e monóxido de carbono, que por sua vez podem causar aumentos de ozono ao nível do solo, o que enfraquece ainda mais a vegetação e torna as plantas mais vulneráveis ​​a pragas e infestações.
  • Tal como um estudo de 2009 avisou, temperaturas mais elevadas também podiam causar uma redução na transpiração pelas copas das árvores, devido a estômatos das plantas menos amplamente abertos e o resultante aumento da resistência estomática em concentrações mais elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Como resultado, a cobertura de nuvens baixas está a diminuir na maior parte da superfície da terra, reduzindo albedo planetário e fazendo com que mais radiação solar alcance a superfície, e assim elevando ainda mais a temperatura para além do nível de viabilidade para muitas espécies.
Conclusão

Em conclusão, embora as emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria possam mal ter crescido, os níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar progressivamente, se não mesmo a acelerar. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos estão em ascensão e há outros fatores que contribuem para fazer com que o sumidouro de carbono em terra diminua de tamanho. Para além disso, o IPCC parece ter subestimado a sensibilidade ao aumento de CO2.

Temperaturas a aumentarem

Como resultado, não se pode esperar que as temperaturas descerão dos seus níveis actualmente muito elevados, como ilustrado na imagem abaixo.

Meses que Estiveram Acima de 1.5ºC

Esteve mais do que 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial durante 9 dos 12 meses entre outubro de 2015 e setembro de 2016.

As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Ártico, como ilustrado pela imagem em baixo, mostrando subidas da temperatura até 10.2°C no Ártico em outrubro de 2016.

Subidas da temperatura anormais no Ártico

O gráfico da DMI em baixo mostra a temperatura média diária e o clima a norte do paralelo 80, como função do dia do ano.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Comparação da temperatura média em cada dia do ano. Linha vermelha representa 2016 até 15 de Novembro. Linha verde representa a média de 1958-2002 para cada dia do ano.

Previsão para 19 de novembro de 2016: O Ártico vai estar tanto quanto 7,42ºC mais quente do que em 1979-2000, como ilustrado na imagem em baixo.

temperatura distancia-se da média no Ártico, anomalia de 7ºC

Outro reflexo de um mundo cada vez mais quente, a extensão combinada do gelo marinho do Ártico e da Antártida está atualmente num mínimo recorde. A 12 de novembro de 2016, a extensão global combinada de gelo do mar foi de apenas 23.508 mil km².

Gelo no Ártico e na Antártida com extensões mínimas para a altura do ano.

A extensão do gelo marinho no Ártico está a aumentar, onde o Inverno está a chegar, enquanto que na Antártida a extensão do gelo está a diminuir, onde está a chegar o Verão. Em ambos os polos o gelo está num recorde baixo para a época do ano.

Duas imagens, criadas por Wipneus com dados de NSIDC, foram adicionadas a seguir para ilustrar ainda mais a situação.

Extensão global do gelo do mar plurianual

A imagem acima mostra a extensão do gelo marinho global ao longo dos anos, enquanto que a imagem abaixo mostra a área total do gelo marinho global ao longo dos anos. Para mais quanto à diferença entre extensão e área do gelo, vejam esta página da NSIDC.

gelo marinho área global de ano para ano

Alguns dos resultados do dramático declínio global do gelo do mar são:

  • Enormes quantidades de luz solar que foram refletidas anteriormente de volta para o espaço são agora, em vez disso, absorvidas pelos oceanos.
  • O declínio do gelo marinho faz com que seja mais fácil que água quente do mar chegue debaixo dos glaciares e acelere o seu fluxo para a água.
  • Mais águas abertas resulta em tempestades mais fortes, provocando chuvas e continuação do declínio da cobertura de neve e gelo.
  • A continuação do declínio da cobertura de neve e gelo na Gronelândia e Antártida, por sua vez ameaça provocar um aumento da libertação de metano da Gronelândia e da Antártida, como descrito em publicações anteriores como esta.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original Monthly CO₂ not under 400 ppm in 2016 de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 13 de Novembro de 2016..

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O impacto e os custos da mudança climática
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Mudança Climática: Façam as Contas

O uso dos combustíveis fósseis custa-nos muito mais do que o seu abandono. Vidas perdidas, custos de saúde, destruição ambiental, e 5 vezes mais dinheiro.

Conteúdo traduzido do vídeo Climate Change DO THE MATH pela Scientia Productions em 2012.

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-fazcontas”]

Mudança Climática FAZ AS CONTAS!

Se as imagens daqueles fogos intensos de verão não o convenceram, ou as secas recorde, ou o tamanho da sua conta de AC este verão, aqui estão alguns números duros sobre as alterações climáticas. Mais de 40.000 recordes de temperatura foram estabelecidos em 2012 nos EUA. Maio de 2012, foi o 327º mês consecutivo, em que a temperatura de todo o globo excedeu a média do séc. XX. Quais são as probabilidades de isto acontecer? 1 em 4? 1 em 40? 1 em 400? 1 em 4000? Adicione mais 95 zeros. 1 em um número consideravelmente maior do que o número de estrelas no universo.
O gelo marítimo do Ártico derreteu até um valor mínimo recorde em 2012. Os oceanos de hoje estão 33% mais acídos. O ácido carbónico, da queima de combustíveis fósseis, está a dissolver as conchas e ossos da vida nos mares. A atmosfera sobre os oceanos está a uns chocantes 5% mais húmida, preparando o terreno para tempestades devastadoras. O furacão Sandy tornou isso claro… com uma vingança. Tempestades em esteróides de gases de efeitos de estufa continuarão a ficar piores. O Sandy devastou 5 ilhas caribenhas, Nova Iorque, Nova Jersey, muito do Noroeste americano e várias províncias canadianas. Mais de 170 mortes e milhares de milhões em perdas. Agora, para se perceber o aquecimento global, só precisamos de perceber alguns números.
O Primeiro Número: 2º Celsius A conferência do clima de Copenhaga falhou espectacularmente. Os grandes emissores – China e Estados Unidos – fizeram poucas concessões. Entre o caos, o presidente Obama assumiu a liderança na elaboração de um acordo de Copenhaga salvador, que enganou muito poucos. Copenhaga é um local de crime esta noite, disse um representante zangado da Greenpeace. Com os homens e mulheres culpados a escaparem para o aeroporto. Mas o acordo continha sim um número importante: 2ºC. Copenhaga reconheceu oficialmente a perspetiva científica de que o aumento da temperatura global deveria ser inferior a 2ºC. E todos concordaram que eram necessários grandes cortes nas emissões globais. Até agora, já aumentámos a temperatura média do planeta quase 0,8ºC. Mas isso causou bem mais danos do que aqueles que os cientistas esperavam. Thomas Lovejoy: “Se estamos a assisitir ao que se está a passar hoje aos 0,8 ºC, dois graus é simplesmente demasiado.” Alice Bows: “2ºC representa o limiar entre alterações climáticas perigosas e extremamente perigosas.” James Hansen: “Dois graus de aquecimento é na verdade uma prescrição para um desastre de longo prazo.” Não mais do que 2 graus. Este é o ponto crucial. O Segundo Número: 565 Gigatoneladas O segundo número que temos de perceber é 565 gigatoneladas. Os cientistas estimam que podemos pôr mais cerca de 565 gigatoneladas de CO2 na atmosfera. e ainda termos uma esperança razoável de ficarmos abaixo de 2 graus de aquecimento. Contudo, as emissões de carbono continuam a crescer ao ritmo de cerca de 3% ao ano. A este ritmo, vamos estoirar o nosso plafond de 565 gigatoneladas, em apenas 16 anos.
O Terceiro Número: 2795 Gigatoneladas O terceiro número é 2795 gigatoneladas. A quantidade de carbono contida nas reservas comprovadas de carvão, petróleo e gás. Em suma, o combustível fóssil que estamos atualmente a planear queimar. Este número: 2795; é obviamente superior a 565. É 5 vezes superior. Nós temos 5 vezes mais petróleo, carvão e gás em reserva do que a quantidade que os cientistas do clima pensam que é seguro queimar. Teríamos de manter 80% dessas reservas intocadas no solo para evitar uma catástrofe climática. Agora, podemos ter uma folha de balanço de combustíveis fósseis saudável. Ou, podemos ter um planeta relativamente saudável. Mas agora que conhecemos os números, não podemos ter os dois. Então, podemos corrigir isto? Podemos. Como avançamos? Um Novo Número: 1%
Aqui está um novo número: 1%. A “Análise Global da Universidade de Cambridge – a Economia das Alterações Climáticas” disse que o custo de mitigar o aquecimento global é de 1% do PIB global. Criar a infraestrutura e a capacidade para reduzir as emissões e aumentar a eficiência custará cerca de 790$ mil milhões por ano. Isto é alcançável? Bem, vamos ver as despesas para o desenvolvimento de combustíveis fósseis. Planos para o oleoduto norte-americano: 11$. Expansão da Shell no Canadá e no Qatar: 25$. Desenvolvimentos no Ártico da Shell: 40$. Investimentos de grandes empresas russas: 54$. Novas refinarias de petróleo na Nigéria e em Alberta: 10$. Desenvolvimento da Chevron no Mar do Norte, Congo e Venezuela: 10$. Compra de reservas, investimentos e planos de exploração: 155$. Mas isto não é tudo. A Agência Internacional de Energia e as Nações Unidas dizem que os subsídios de combustíveis fósseis de 2008 foram entre 500$ e 700$ mil milhões. Em 2012, o Natural Resources Defense Fund disse que os subsídios globais para combustíveis fósseis foram de 775$ mil milhões. O relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática, publicado em setembro de 2012, diz que os custos das mudanças climáticas anuais são de 1,2$ biliões. 1200$ mil milhões, na sua maior parte em países menos desenvolvidos. A Agência Internacional de Energia estima que os países importadores de petróleo gastarão 2$ biliões, em petróleo, em 2012, e em 2013, e 2014, e 2015. Então, vamos fazer as contas. 4280$ mil milhões – o custo de se continuar a queimar petróleo; divididos por 790$ mil milhões – o custo de se converter o mundo para energia renovável; é igual a 5,5 vezes. Agora, o que quer isto dizer? Quer dizer que o custo global do petróleo é mais de 5 vezes o custo de o abandonar. E nem falámos dos custos do carvão. Nem falámos dos custos escondidos dos combustíveis fósseis. A Academia Nacional de Ciências dos EUA estimou que doenças devidas à poluição por combustíveis fósseis custam ao sistema de saúde dos EUA 120$ mil milhões por ano. Os EUA são apenas cerca de 4% da população global. Então quais são os custos de saúde a nível global? 500$ mil milhões? 750$ mil milhões? Mais. A Munich Re, uma resseguradora de topo, relaciona o rápido crescimento de catástrofes climáticas extremas norte-americanas com alterações climáticas provocadas pelo uso de combustíveis fósseis.
As catástrofes com base no clima na América do Norte aumentaram, de uma média de 50 por ano, no início da década de 1980, para mais de 200, depois de 2005. Não podemos suportar tão enorme perda de vidas e propriedade. Os custos das catástrofes estão a subir a cada ano, na América do Norte e por todo o mundo. Há um outro número no relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática. 400.000 As alterações climáticas contribuem para a morte de cerca de 400.000 pessoas todos os anos. 400.000 pessoas… todos os anos.
Então, agora já fizemos as contas. O que fazemos a seguir? O uso dos combustíveis fósseis custa-nos muito mais do que o seu abandono. Vidas perdidas… custos de saúde… destruição ambiental… e dinheiro. O nosso dinheiro. Mais de 5 vezes mais dinheiro. Nós podemos progredir. Nós podemos prevenir a catástrofe climática. Temos de deixar os combustíveis fósseis, a começar agora.Recolher Transcrição[/expand]

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Extensão do gelo do mar no Ártico em novembro 2016
PIOMAS

Atualização do Gelo do Mar no Ártico – novembro 2016 – PIOMAS

Passou mais um mês e por isso aqui está o gráfico atualizado do volume de gelo do mar do Ártico, conforme calculado pelo gelo Sistema de Modelagem e Assimilação do Oceano Pan-Ártico (PIOMAS) no Centro de Ciência Polar:

Atualização do volume dp gelo domar no Ártico - PIOMAS

Estão a ver aquela linha de tendência de 2016 simplesmente a recusar-se a subir, terminando no nível mais baixo já registado para esta época do ano? Isso é por causa disto:

Extensão do gelo do mar no Ártico em Outubro 2007 2016

O Ártico tem se recusado teimosamente a voltar a congelar anteriormente, mas este é outro evento que podemos adicionar à lista sem precedentes. Depois de ter acabado no segundo / terceiro mais baixo do registo por volta da altura do mínimo de gelo, houve um rápido recongelamento que era tradicionalmente apontado como o Fim do Aquecimento Global, mas nas últimas semanas as coisas têm estado paradas figurativamente. Quaisquer que sejam os respectivos papéis de variabilidade natural e AGW [Aquecimento Global Antropogénico], estas oscilações loucas não inspiram confiança num sistema semi-estável (e o mesmo se passa, infelizmente, com a Antártida).

recuperação da extensão do gelo do mar no Ártico entre setembro e outubroO recongelamento lento, inevitavelmente, tem um efeito sobre o volume de gelo do mar, como modelado pelo PIOMAS. Desde 1 de novembro que o volume de gelo do mar é o mais baixo no registo, mas este post cobre apenas o mês de outubro, e no final desse mês, 2016 esteve apenas marginalmente atrás 2012. Mas, com um aumento de apenas 1.648 km3 durante outubro (apenas 2007 conseguiu ter um aumento inferior a 2 milhões na última década) 2016 deixou todos os outros anos bem longe. Vejam como as diferenças em relação aos anos anteriores têm evoluído desde o mês passado.

A linha plana também pode ser vista claramente na versão da Wipneus do gráfico de volume do PIOMAS:

Volume do gelo do mar no Ártico com 1979-2001 e anos anteriores

E zau, a linha de tendência no gráfico da anomalia de volume de gelo marinho do PIOMAS aventurou-se em território do desvio padrão de 2 novamente:

Anomalia do volume do gelo do mar no Ártico

Claro que, se há menos gelo fino a aparecer nas periferias, a espessura média geral pára de descer no gráfico da PIJAMAS, com base no meu rude cálculo dos números do volume do PIOMAS dividido pelo total de medida de extensão do gelo marinho da JAXA:

Volume d Gelo Marinho em relação à extensão do gelo marinho

E como de costume, o gráfico da espessura pelo Centro de Ciência Polar mostra algo semelhante:
Comparação da espessura do gelo do mar no Ártico 1980 2016

Duvido muito que a linha de tendência de 2016 não se vá juntar às outras nos gráficos da extensão do gelo e da área do gelo antes do fim do ano, mas ainda está por ver qual será o efeito disto no resto da temporada de congelamento.

Depois de um outubro lento, 2007 registou um aumento maciço durante novembro. Vamos a ver se vai ser o mesmo para este mês. A extensão do gelo está a crescer rapidamente outra vez:

Extensão do gelo do mar no Ártico em novembro 2016

Estou a fazer uma pausa nos blogs, mas vou tentar continuar a fazer as atualizações mensais do PIOMAS. Considerem isto um fio aberto.

Traduzido do original PIOMAS November 2016, publicado por Neven em Arctic Sea Ice Blog a 8 de novembro de 2016.

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Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos em ano de La Niña
Robertscribbler

Há uma La Niña em Desenvolvimento — Então Porque é Que o Mundo Ainda Está a Aquecer?

A longo prazo, não há dúvida daquilo que está a controlar a tendência da temperatura do mundo. A grande erupção de gases de efeito estufa por parte da indústria de combustíveis fósseis e maquinaria baseada em energia não-renovável fez com que os níveis de carbono atmosférico atingissem 405 ppm de CO2 e 490 ppm CO2e este ano. Todo este carbono adicionado fez com que o mundo aquecesse um valor recorde de 1,22ºC face aos níveis da década de 1880, durante 2016 (aproximadamente). Mas sobreposto a esta tendência de aquecimento de longo prazo está o ir e vir do calor atmosférico e da superfície do oceano baseado em variabilidade natural que é a Oscilação Sul – El Niño (OSEN).

OSEN — Um Padrão de Onda a Sobrepor-se à Tendência de Aquecimento de Longo Prazo

Pense nisto como sendo um padrão de onda menor que se sobrepõe à escalada de temperatura global atual. À medida que o El Niño aumenta e se faz revelar, forças naturais causadas ​​pelo aquecimento periódico da superfície do oceano no Pacífico Equatorial impulsionam ainda mais as temperaturas globais. Isto tende a acrescentar à tendência de aquecimento global provocada pelos humanos. Assim, com frequência, os anos de El Niño são também anos quentes recorde.

Influência do El Niño na temperatura global


(Variações de temperatura entre El Niño e La Niña criam um padrão ondulado na tendência de aquecimento global geral. Nota — o ano quente recorde de 2016 não está incluído neste gráfico. Fonte da imagem: NOAA. |Vermelho= meses de El Niño | Cinzento= meses neutros | azul= meses La Niña

Por outro lado, a La Niña, que gera um arrefecimento periódico no Pacífico Equatorial, tende a ir um pouco contra a tendência de aquecimento de longo prazo. Assim, os períodos de La Niña tendem a fazer com que as temperaturas atmosféricas globais médias na medida anual desçam cerca de 0,2 a 0,4ºC, a partir dos períodos de pico de aquecimento atmosférico durante o El Niño. Claro que, uma vez que a variabilidade OSEN tipicamente segue uma gama desde +0,2ºC a -0,2ºC mas não afeta as tendências de temperatura a longo prazo, é preciso apenas cerca de uma década para que os anos La Niña sejam tão quentes como os recentes anos El Niño.

Ligeiro Aquecimento Durante o Outono de 2016 Apesar da La Niña

Durante o outono de 2015 e o inverno e a primavera de 2016, um poderoso El Niño ajudou a elevar as temperaturas de superfície globais a novos patamares recorde. Isto aconteceu porque gases de efeito de estufa por todo o mundo estiveram a carregar calor no Sistema Terrestre durante algum tempo e o forte El Niño serviu como uma espécie de rastilho que abriu as comportas para uma vaga de calor atmosférico. É por isso que 2016 será cerca de 1,22ºC mais quente do que as temperaturas da década de 1880 (1ºC mais quente do que as temperaturas de linha de base da NASA para o Século XX) e porque os anos entre 2011 e 2016 estarão, em média, acima de 1ºC mais quentes do que os valores da década de 1880 no geral (0,8ºC mais quentes do que as linhas de base para o Século XX).

Mas agora, com o El Niño de 2016 já ultrapassado e com uma La Niña a formar-se no Pacífico, seria de esperar que as temperaturas globais arrefecessem um pouco. Em grande parte, isto aconteceu. Em janeiro e fevereiro deste ano, as temperaturas médias mensais foram tão altas quanto 1,5ºC acima das médias da década de 1880. Desde o Verão, as médias caíram para cerca de 1 a 1,1ºC acima dos valores da década de 1880.

Temperaturas médias nos meses de 2016

As temperaturas globais atingiram um mínimo à volta de 1ºC acima da década de 1880, ou 0,4ºC acima da média entre 1981 e 2010, neste gráfico baseado em GFS de Karsten Haustein, durante junho, tendo em seguida começado a subir lentamente durante o outono, mesmo quando uma fraca La Niña se começou a desenvolver.

Com a La Niña a continuar a formar-se, seria de esperar que estes valores mensais continuassem a cair um pouco à medida que a La Niña fosse crescendo. Mas isto não parece estar a passar-se. Em vez disso, as temperaturas atmosféricas atingiram um mínimo em torno de 1 a 1,1ºC acima dos níveis da década de 1880, em junho, julho, agosto e setembro, e agora parecem estar a recuperar.

Sinal de Amplificação Polar Aparece como uma Irregularidade na Medida Global

Por outras palavras, estamos a assistir a um aumento na tendência da temperatura global, quando deveríamos estar a assistir a um declínio de contra-tendência estável forçado pela variabilidade natural.

Porque é que isto está a acontecer?

A evidência climática aponta para um conjunto bastante óbvio de suspeitos. Em primeiro lugar, o valor de Oscilação Decenal do Pacífico tem continuado a empurrar para a faixa positiva. E este estado tenderia a favorecer mais calor que irradia de volta para a atmosfera a partir da superfície do oceano.

No entanto, se olharmos para os mapas climáticos globais, os principais contribuidores para a anomalia não vêm do Pacífico, mas dos pólos. Pois este outono viu aquecimento extremo em ambas as regiões polares norte e sul do mundo. Hoje, as anomalias de temperatura no Ártico e na Antártida foram 5,84 e 4,19ºC acima da média, respetivamente. A média aproximada entre os dois pólos de +5ºC para estas regiões de alta latitude. Como já mencionado muitas vezes anteriormente, tal magnitude de aquecimento é um sinal evidente de amplificação polar baseada em mudança climática, onde as temperaturas nos pólos aquecem mais depressa relativamente ao resto da Terra durante a primeira fase de aquecimento forçado por gases de efeito estufa.

Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos

Aquecimento extremo das regiões polares continuou a 4 de novembro de 2016. Este aquecimento está a fazer frente à tendência da La Niña, a qual tenderia a arrefecer o mundo temporariamente. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer.

Por si só, estas temperaturas anormalmente elevadas nos pólos seriam estranhas o suficiente. Mas quando se tem em conta que a La Niña ainda deveria estar a arrefecer o globo, começa a parecer que este severo aquecimento polar tem contrariado um pouco o sinal de arrefecimento da La Niña — virando-o de volta para o aquecimento no final do outono. E se isto é o que realmente está a acontecer, então tal implicaria que o sinal de variabilidade natural que é produzido pela OSEN está a começar a ser suplantado por influências baseadas na amplificação polar. Por outras palavras, parece haver um outro sinal que se está a começar a intrometer sob a forma de um pico de temperatura baseado na amplificação polar.

É algo que tem aparecido de tempos a tempos como uma irregularidade nos dados de observação ao longo dos últimos anos. Mas o outono de 2016 fornece um dos sinais mais fortes até ao momento. E é um sinal relacionado com um conjunto de feedbacks que têm o potencial de afetar o ritmo geral do aquecimento planetário. Definitivamente, algo para se ter em conta daqui para a frente.

Traduzido do original There’s a La Nina Developing — So Why is the World Still Heating Up?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 4 de novembro de 2016.

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Derretimento do gelo na Gronelândia com Jason Box
Jason Box

Alterações Climáticas Abruptas e a Gronelândia — Prof. Jason Box

A mudança climática abrupta está a caminho (…) Os glaciares estão a mover-se mais rápido do que a política – Jason Box

Conteúdo traduzido do vídeo Abrupt Climate Change & Greenland: Prof Jason Box (September 2016) no canal Youtube Understanding Climate Change publicado a 26 de Setembro de 2016.

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Alterações Climáticas Abruptas e Gronelândia — Prof. Jason Box

Gosto da frase “O gelo é o termómetro da Natureza”, quando derrete, quando se acumula, isso conta uma história. O que vemos de múltiplas linhas de evidência independentes é que a mudança climática abrupta está a caminho. Tem sido referido como o taco de hóquei e isso é por a forma ser tipo estável e rasa e depois simplesmente descola. E então, estamos agora a subir na lâmina desse taco de hóquei.
Existe um termo em linguagem convencional, “passo glacial”, algo que se move muito devagar. Os icebergues que se desprendem do manto de gelo da Gronelândia são gelo antigo, gelo com 50.000 anos ou mesmo 100.000 anos, e são necessários muitos milénios para essa neve se acumular e comprimir em gelo glacial. A sua perda é feita a um ritmo muito mais rápido do que o seu restabelecimento. E seria mesmo necessário outra idade do gelo para fazer recrescer esse manto de gelo. Gosto de dizer que os glaciares estão a mover-se mais rápido do que a política.
“O presidente Obama prometeu começar a abrandar a subida dos oceanos,” [gargalhadas do público] “e curar o planeta.” [risos] “A minha promessa é ajudar-vos e às vossas famílias.” [Aplausos] Este era o ex-nomeado à presidência Mitt Romney. É necessário um tipo particular de tolice, ou mais provavelmente manipulação, para se fingir que o que se passa com o planeta não afetará as nossas famílias, que não temos urgência ou responsabilidade.
Todos os anos no fim do Verão fazemos um levantamento das alterações na área dos maiores 45 glaciares da Gronelândia, e mesmo ontem vimos que a maior plataforma de gelo na Gronelândia tem um tributário a norte, e esta racha tem se propagado nos últimos anos em que a acompanhamos e agora este fragmento da plataforma de gelo do tamanho de Manhatan partiu e soltou-se. E aconteceu durante o Verão mais quente do registo, a nordeste da Gronelândia. Enquanto mapeávamos os 45 maiores glaciares da Gronelândia, a perda de área do tamanho de Manhatan apenas deste único glaciar era bastante anormal. Não é habitual obter-se tanto de um único glaciar. E então, é tipo um evento espetacular, também por ter acontecido durante um Verão quente recorde.
O norte da Gronelândia é a localização das maiores plataformas de gelo restantes, e neste glaciar em particular, é na realidade a maior plataforma de gelo que resta no Ártico. É um dos braços laterais do glaciar, provavelmente não puxa tão atrás na plataforma de gelo mas no grau em que o faz, quando se destacar completamente, o que pode acontecer muito em breve, haverá um pouco menos de resistência à deriva para esse glaciar. E portanto, a história é a da perda do efeito de suporte na frente destes glaciares, este tipo de stress contrário que equilibra o stress na direção para baixo, do gelo que tenta sair para o mar. Quanto mais gelo sair na frente menos resistência haverá, e mais depressa a Gronelândia perderá o seu gelo.Recolher Transcrição[/expand]

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Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA
Robertscribbler

Seca e Mudança Climática Originam Incêndios Enormes em Pleno Novembro

É Novembro. Um mês em que os Estados Unidos deviam estar a arrefecer em direção a condições típicas de Inverno. Mas para a região montanhosa ao longo da área de quatro estados que faz fronteira com Kentucky, Carolina do Norte, Geórgia e Tennessee, o clima está tudo menos típico de Outono. Lá, enormes incêndios florestais estão agora em ira, expulsando plumas maciças de fumo sufocante para o ar anormalmente quente sobre terras que foram secas pelas alterações climáticas relacionadas com o calor.

Incêndios Maciços Atingem Terras Secas
Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA

Incêndios muito grandes que queimam toda a região da Smokey Mountain a 7 de Novembro. Fonte da imagem: LANCE MODIS). Em pleno Novembro, em dia de eleições, incêndios enormes ardiam nos Estados Unidos, um país cujos candidatos presidenciais não incluíam a Mudança Climática nos seus debates.

Na imagem de satélite acima, tirada pela NASA a 7 de Novembro de 2016, vemos vários fogos com frentes que variam entre 1 a 5 milhas de largura, em erupção sobre a região de Smokey Mountain da Carolina do Norte, Tennessee, Geórgia e Kentucky. Alguns incêndios parecem ter-se escarranchado na fronteira com a Virgínia. Grandes incêndios também queimam mais a leste entre Ashville e Charlotte. Juntos, estes incêndios estão a emitir nuvens de fumo que agora se estendem 350 milhas para cima — flutuam para norte e oeste, pelos ventos quentes do sul.

Avisos de incêndio e anúncios públicos incitando as pessoas a não fazerem fogueiras foram feitos a 1 de Novembro. O Centro National Interagências para os Incêndios (NIFC) forneceu informação inicial sobre vários incêndios que se iniciavam por toda esta região de quatro estados, a 4 de Novembro. As imagens do satélite MODIS para o dia 4 mostram que estes incêndios eram então muito menores — pouco visíveis na imagem. Relatórios de imagem e no terreno agora indicam que os incêndios se tornaram consideravelmente maiores e mais ameaçadores no fim de semana.

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(A vista sobre a Carolina do Norte ocidental ontem à tarde quando os incêndios florestais queimavam através da região montanhosa.)

Na segunda-feira, agências de notícias locais estavam a relatar o surto de 170 incêndios só na Geórgia, com 4.000 acres já queimados na parte norte do estado. No Tennessee, 96 incêndios ativos atualmente foram relatados como tendo consumido 9.000 acres. Campbell, na parte oriental do estado, foi particularmente atingida com mais de 3.400 acres queimados até esta tarde e a qualidade do ar em declínio desencadeando Alertas de Código Vermelho. No Kentucky, 11.000 acres tinham sido consumidos pelo incêndio até segunda-feira. A Carolina do Norte, por sua vez, chamou 350 bombeiros para combater várias chamas grandes e crescentes.

Seca Abrupta, Aquecimento Extremo

Ao longo de Setembro e Outubro, os dois terços orientais dos EUA tem estado extremamente secos e extremamente quentes. As temperaturas para o mês de Outubro variaram entre 3 a 5 graus Celsius acima da média na maioria dos 48 estados mais abaixo.

Mapa da seca nos Estados Unidos

Calor extremo sobre o sudeste dos Estados Unidos ajudou a promover condições de seca repentina juntamente com incêndios muito grandes agora a arderem na Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky. Fonte da imagem: O Monitorização da Seca dos EUA.

Juntamente com o calor veio um rápido aparecimento de condições de seca. Em particular o Mississippi, Alabama, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky experimentaram condições cada vez mais extremas. No Kentucky, por exemplo, a semana que terminou a 1 de Novembro viu a cobertura do estado pela seca mais do que triplicar (de 24 por cento para 81 por cento da área terrestre do estado).

Seca repentina é uma nova forma de mudança climática provocada pelo aumento das taxas de evaporação devido ao aquecimento das terras e do ar. O calor extra tira a humidade do solo e da vegetação mais rapidamente e pode desencadear o surgimento de condições extremas em escalas de tempo curtas. A seca repentina em curso já andava a causar problemas no Sudeste antes da recente onda de incêndios florestais. Contudo, dado o calor intenso e fora de época e a velocidade com que as terras secaram, o presente surto de incêndio representa um perigo grave e incomum para esta altura do ano.

Traduzido do original Drought, Climate Change Spur Severe Election Day Wildfire Outbreak Across Four-State Area, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 8 de Novembro de 2016.

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