Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio
Robertscribbler

CO2 Aumenta a uma Taxa Recorde e Atinge 408 ppm em 2016

Para 2016 parece que as concentrações mensais de dióxido de carbono (CO2) atmosférico vão atingir um novo pico próximo de 408 partes por milhão no Observatório Mauna Loa em Abril ou Maio. Não só é esta a maior concentração deste gás peça chave no efeito de estufa já registada em Mauna Loa, como também é a marca daquilo que provavelmente irá ser a taxa mais rápida de aumento anual de CO2 já vista.

Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio

(O CO2 atmosférico continua a ser empurrado para níveis recorde por uma emissão maciça de combustíveis fósseis em curso. os níveis globais de gases de efeito estufa são agora elevados o suficiente para começarem a resultar em várias alterações catastróficas, como o rápido aumento do nível do mar, a desestabilização glacial, o aumento de situações de secas, inundações e incêndios florestais, e o declínio da saúde do oceano. Fonte da imagem: The Keeling Curve).

Em 2014, um século e meio de queima global de combustíveis fósseis havia despejado uma quantidade chocante de carbono nos ares do mundo – forçando os níveis atmosféricos de CO2 a subirem de cerca de 275 partes por milhão em meados do século 19 para um pico de cerca de 401,5 partes por milhão durante esse ano. Em Maio de 2015, os níveis de CO2 atmosféricos atingiram um pico de cerca de 403,8 partes por milhão. E em Abril de 2016, as concentrações médias mensais desse gás de efeito estufa tinham subido para perto de 407,6 partes por milhão. Como as leituras de CO2 atmosférico picam tipicamente em Maio, podemos esperar uma média mensal de topo final para este ano a variar entre 407,6 e 408 ppm – ou 3,8 a 4,2 partes por milhão mais elevada do que durante o mesmo período em 2015. Um aumento global total de cerca de 133 partes por milhão desde o século 19. Um nível de carbono atmosférico que – se for mantido – é suficiente para aumentar as temperaturas globais em cerca de 3 graus Celsius nas próximas décadas e séculos.

Aomalia da temperatura em 2016 comparada a 1881-1910

(Os níveis de CO2 atmosféricos que agora se aproximam de 410 partes por milhão estão a empurrar as temperaturas globais para perigosamente perto do limite de 1,5 C, identificado por cientistas como a marca da primeira série de pontos de ruptura do clima perigosos para a civilização. Manter os níveis de CO2 perto de 410 partes por milhão arrisca um aquecimento a longo prazo de 3 C. Continuar com as emissões de carbono faz com que uma situação já má se torne dramaticamente pior. Fonte da imagem: Climate Central).

Estes são agora os mais altos níveis de CO2 atmosféricos observados nos últimos 23 milhões de anos. E uma taxa anual de aumento de CO2 aproximando-se de 4 partes por milhão é inédito para qualquer período de tempo em qualquer registo geológico – mesmo durante o evento de extinção por efeito de estufa do Permiano, o qual eliminou cerca de 90 por cento da vida nos oceanos e 75 por cento da vida na terra. Esta taxa muito rápida de aumento de CO2 atmosférico está a ser estimulada por uma emissão de carbono com base em combustíveis fósseis agora na faixa de 13 biliões de toneladas por ano (dos quais o CO2 é a grande maioria). Isso é uma taxa de adição de carbono mais de dez vezes mais rápida do que o pico de carbono que desencadeou a extinção em massa por efeito de estufa do Paleoceno-Eoceno, há cerca de 55 milhões de anos atrás. Uma taxa muito perigosa de acumulação de carbono que irá gerar mudanças geofísicas cada vez mais graves e prejudiciais ao longo dos próximos anos, décadas e séculos. Um evento que, se continuar, poderia muito bem ser chamado de a mãe de todos os picos de carbono.

Novo Recorde da Taxa de Aumento para Concentrações de Gases de Efeito Estufa enquanto as Emissões de CO2 Nivelam.

As taxas de aumento entre picos não captam a acumulação média anual total, mas é um indicador. E para 2016, parece que a medida anual irá saltar em pelo menos 3,5 partes por milhão. Aumentos recorde anteriores ocorreram no ano passado (em 2015) e em 1998, quando o dióxido de carbono atmosférico saltou em cerca de 3 partes por milhão. Durante a última década, o dióxido de carbono tem acumulado em cerca de 2,2 partes por milhão por ano. Então, seja qual for o contexto, 2016 aparenta ser um ano muito mau, no sentido de que vamos quase certamente ver um novo ritmo recorde de acumulação de gases de efeito estufa.

Desestabilização irreversível do glaciar Totten e aumento do nível do mar

O Glaciar Totten está a derreter rapidamente. Isso é um problema pois segura uma enorme quantidade de gelo. Se o glaciar derreter, se acordo com um novo estudo por uma equipa internacional de cientistas, poderia produzir um aumento no nível do mar de 11 pés (~ 3,5 metros)

(Um estudo recente na revista Nature Geoscience descobriu que a queima contínua de combustíveis fósseis e acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono, trás o risco de desestabilização irreversível do Glaciar Totten ,o que resultaria num crescimento rápido do nível do mar neste século. No total, o Glaciar Totten cobre uma área do tamanho do sudeste dos Estados Unidos, tem mais que uma milha de espessura e, se derretido, elevaria o nível do mar em 11 pés. Os pesquisadores descobriram que a boca do Glacier Totten – que retêm essa pilha gigantesca de gelo – está a derreter rapidamente agora. Fonte da imagem: Nature Geoscience e The Washington Post).

As causas deste salto incrível e perigoso de CO2 atmosférico estão inteiramente aos pés da indústria global de combustíveis fósseis, a qual continua a empurrar através dos seus vários aliados políticos e agências de mídia para a queima expandida e extensiva de carvão, petróleo e gás. Mas apesar das numerosas tentativas por parte dessa indústria destrutiva para conter o ritmo de adoção de energias renováveis e dificultar os esforços para aumentar a eficiência energética, tanto a eficiência como as energias renováveis têm avançado e as taxas de emissão de carbono estabilizaram durante 2014 e 2015.

O que a indústria tem conseguido, contudo, é um adiar contínuo de uma taxa mais rápida de adoção de energia renovável que tem resultado em emissões globais de carbono a manterem-se nos níveis altos recorde atuais. E um tal enorme despejo de carbono na atmosfera e nos oceanos teria inevitavelmente resultado em novas taxas recorde de aumento de CO2 atmosférico a serem atingidas eventualmente.

Emissões globais de CO2 pela Agência Internacional para a Energia

(As emissões globais de CO2 estabilizaram num nível recorde de 32 bilhões de toneladas por ano durante 2014 e 2015. As taxas crescentes de adoção de energias renováveis e as melhorias na eficiência energética ajudaram a dar forma a esta tendência. No entanto, 32 bilhões de toneladas de CO2 por ano [cerca de 8 bilhões de toneladas do total de 13 bilhões de toneladas de carbono que atingem o ar a cada ano, quando o peso molecular de átomos não-carbono, tais como o oxigénio, é removido] é provavelmente o mais rápido ritmo de acumulação de CO2 atmosférico em toda a história profunda da Terra. Uma estatística gritante que presta urgência para trazer rapidamente essa elevada taxa anual de emissões para baixo. Fonte da imagem: Agência Internacional de Energia – Dissociação das Emissões Globais e Crescimento Económico Confirmada).

Este ano, um forte El Nino reduziu a capacidade dos oceanos para a captação de um volume tão grande de arrotos de poluição provenientes das chaminés e tubos de escape do mundo. Um aquecimento variável das águas que coloca uma tampa sobre aquilo que já é um sequestrador de carbono decadente no oceano. Além disso, comparativamente pequenas mas significativas contribuições de carbono na forma de incêndios globais crescentes, aumento do degelo e queima da permafrost, e aumento de fugas de metano fornecem agora um feedback de amplificação visível para a emissão maciça e sem precedentes de gases de efeito estufa humana. Um feedback que está garantido vir a agravar-se rapidamente se a emissão de combustível fóssil humana, literalmente insana, não parar em breve.

Traduzido do original Key Hothouse Gas to Rise at Record Rate, Hit Near 408 Parts Per Million in 2016, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Maio de 2016.

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Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores
Robertscribbler

Sete Meses Consecutivos de Calor Global de Quebrar Recordes

Não é apenas o facto de estarmos a ver um calor global recorde. É que o salto nas temperaturas globais em 2016 poderá ser o maior pico já registado num único ano. É que o mundo poderá nunca mais voltar a ver temperaturas anuais abaixo de 1 C acima das médias pré-industriais. E é que, este nível elevado de calor, e uma pico relacionado de gases de efeito estufa na atmosfera devido às emissões de combustíveis fósseis, agora é suficiente para começar a infligir danos graves sobre tanto o mundo natural como a civilização humana.

Sete Meses Consecutivos de Recorde de Calor

O mês passado foi o Abril mais quente do registo climático global. Não só foi o mais quente de tais meses já registado – quebrou o recorde anterior com a maior margem alguma vez registada. E este mês de Abril tornou-se agora o sétimo mês consecutivo de uma cadeia ininterrupta de calor global recorde.

Anomalia da temperatura de Abril em comparação com anos anteriores

(Quando em gráfico, é isto o que o Abril mais quente já registado parece quando comparado a outros Abris. Reparem no ponto ascendente e estreito no final da progressão de aquecimento longo. Sim, isso é para Abril de 2016. Fonte da imagem: Dr. Stephan Rahmstorf. Fonte dos dados: NASA GISS).

De acordo com a NASA GISS, as temperaturas globais em Abril estiveram 1,11 graus Celsius (C) mais quentes do que a sua média da linha de base para o século. Quando comparado com leituras pré-industriais (década de 1880 pela NASA), as temperaturas aqueceram globalmente por um total de 1,33 C. E isso é realmente um grande salto no aquecimento global, especialmente quando se considera o contexto dos últimos sete meses. Quando se olha para isso, parece que as temperaturas globais estão a subir numa corrida com uma velocidade de meter medo.

Sobre este ritmo furioso de aquecimento, Andy Pitman, diretor do Centro ARC de Excelência para a Ciência do Sistema Climático da Universidade de New South Wales na Austrália, observou recentemente no The Guardian:

“O que é interessante é a escala em que estamos a quebrar recordes. Está claramente tudo a ir na direção errada. Os cientistas do clima têm vindo a alertar quanto a isto desde pelo menos a década de 1980. E tem sido estupidamente óbvio desde a década de 2000.”

dióxido de carbono atmosférico em Maio

(Níveis recorde de dióxido de carbono atmosférico, como visto neste gráfico de Domingo 15 de Maio pelo Copernicus Observatory, são a principal força motriz de um pico incrível nas temperaturas globais durante 2016. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Apesar de ser provável que 2016 seja um ano quente recorde, as leituras globais têm registado uma ligeira moderação desde o início deste ano assim que o El Nino começou a desvanecer-se. Mas isso não significa que estejamos fora da zona de perigo. Muito pelo contrário, estamos a correr em direção a limiares climáticos a um ritmo nunca antes visto. E isso é realmente preocupante. As leituras mensais de pico este ano atingiram uns ridículos 1,55 C acima da média da década de 1880 na altura do El Nino durante Fevereiro. E o recorde mensal atual de Abril está empatado com Janeiro de 2016 na medida da NASA. No total, os primeiros quatro meses de 2016 têm agora uma média 1,43 C acima das linhas de base da década de 1880 ou desconfortavelmente perto da marca de 1,5 C estabelecida pelos cientistas como sendo o primeiro de muitos limites climáticos cada vez mais perigosos.

De acordo com Pitman:

“O alvo de 1.5C é pensamento desejoso. Não sei se se obteria 1.5C se se parasse com as emissões hoje. Há inércia no sistema. Está [agora] a colocar pressão intensa sobre os 2C.”

E quando cientistas ortodoxos começam a dizer coisas assim, é mesmo tempo de o resto de nós começar a tomar atenção.

Um Mundo Quente Recorde Feito pela Queima de Combustíveis Fósseis e Consistente com as Previsões Científicas

Olhando para onde o mundo tem aquecido mais, descobrimos que as maiores diferenças extremas de temperatura durante Abril foram novamente centradas sobre o climatologicamente vulnerável Ártico. Alaska, Noroeste do Canadá, o Mar de Beaufort, uma grande parte da Sibéria Central, a costa oeste da Groenlândia, os Mares de Laptev e Kara, e uma secção do Norte de África, todos experienciaram temperaturas mensais na ordem de 4 a 6,5 ​​graus Celsius acima da média. Valores mensais que são gritantes de tão quente. Uma região notavelmente maior experimentou um calor significativo com temperaturas a variarem entre 2 e 4 C acima da linha de base do século 20 da NASA. No geral, quase todas as regiões do mundo experimentaram leituras acima da média – com as exceções notáveis ​​associadas a zonas de depressão extremas relacionadas a padrões climáticos alterados pela mudança climática e manchas frias do oceano induzidas pelo derretimento glacial relacionado com o aquecimento.

O mês de Abril foi o mais quente com temperaturas recordes

(Foto da NASA de um mundo com uma febre alta e a piorar durante um Abril de 2016 quente recorde. Fonte da imagem: NASA GISS).

Estas regiões contra-tendência incluem a mancha fria do Atlântico Norte resultante da zona de derretimento da Gronelândia, a zona de depressão sobre a Baía de Hudson, a zona de depressão sobre o Noroeste do Pacífico, e a zona oceânica de absorção de calor que é o tempestuoso Oceano Antártico. A amplificação de aquecimento observada na região polar Norte, juntamente com a formação da mancha fria do Atlântico Norte e a ativação da zona dissipadora de calor no Oceano Antártico, são todos consistentes com os padrões de aquecimento global relacionados previstos por modelos climáticos e resultantes da queima de combustível de fóssil pelos humanos que empurra os níveis atmosféricos de CO2 bem acima das 400 partes por milhão nos últimos anos.

Calor Recorde Impulsiona Desastres Climáticos sem Precedentes

Este padrão de calor global recorde tem gerado numerosos desastres relacionados à mudança climática. Nas regiões equatoriais do mundo, têm surgido crises de seca e fome. Estas têm se tornado particularmente intensas em África e na Ásia. Em África, dezenas de milhões de pessoas estão agora à beira da fome. Na Índia, 330 milhões de pessoas estão sob estresse hídrico devido ao que é provavelmente a pior seca que aquela nação já experimentou. A Austrália viu 93 por cento da sua Grande Barreira de Coral sucumbir a um branqueamento de coral resultante do calor. E uma vez que o calor do oceano naquela região do mundo ultrapassou uma fasquia que vai forçar eventos de branqueamento mais e mais frequentes, é questionável se o grande recife de coral irá até sobreviver nas próximas décadas.

Pittman no Guardian, novamente:

“A coisa que está a causar esse aquecimento, está a aumentar e aumentar e aumentar. Logo, as temperaturas frias do oceano que vamos obter com uma La Niña são mais quentes do que alguma vez teríamos visto mais do que algumas décadas atrás … Esta é uma tareia em grande escala no sistema de recife de coral numa base contínua, com alguns pontapés ocasionais muito desagradáveis ​​e dos quais não se vai recuperar.”

Na Flórida, a acidificação dos oceanos devido às emissões de combustíveis fósseis está a fornecer os seus próprios socos e pontapés no maior recife de coral na costa daquele estado. Num efeito diferente do aquecimento, a acidificação é uma alteração química causada por águas do oceano que se tornam sobrecarregadas com carbono. Como uma espécie de chuva ácida constante sobre o recife que faz com que o calcário do qual é feito se dissolva.

E se os impactos acima não forem suficientes para manter-nos acordados durante a noite, incêndios florestais sem precedentes em Maio também forçaram o abandono de uma cidade inteira no Canadá. Ilhas por todo o mundo estão a ser engolidas pelo aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento do manto de gelo e expansão térmica. Cidades ao longo das costas do Atlântico e do Golfo nos Estados Unidos estão a enfrentar eventos de inundação de maré cada vez piores. O derretimento glacial na Gronelândia e na Antártida está a acelerar. E o gelo do mar do Ártico é tão fino e derrete tão rápido que alguns estão a questionar se algum sobreviverá até Setembro.

A La Nina está a Chegar, Mas Isso Não Vai Ajudar Muito

É importante notar que as temperaturas atmosféricas globais irão resfriar temporariamente dos picos de 2016 já que a La Nina está previsto instalar-se por este Outono. Contudo, os gases de efeito estufa estão tão elevados e o balanço energético da Terra está tão intenso que o oceano global, o gelo e o sistema atmosférico ainda estão a acumular calor a uma taxa sem precedentes. Enquanto a La Nina entra em ação, esse calor extra irá, na sua maior parte, para os oceanos e o gelo enquanto a atmosfera esfria um pouco – preparando-se para o próximo grande impulso já que o El Nino se prepara mais uma vez.

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(O aquecimento global está numa espiral em direção a limiares climáticos perigosos. Gráfico pelo cientista climático Ed Hawkins.)

Esta mudança baseada na variabilidade natural em direção a uma La Nina não devia realmente ser encarada como uma boa notícia. Uma pluma maciça de humidade levantou dos oceanos globais durante o presente pico de calor e, enquanto as temperaturas globais arrefecem, há um risco aumentado de grandes eventos de inundações de uma espécie a que realmente não estamos acostumados. A La Nina também produz zonas de seca — em particular sobre uma Califórnia já em sofrimento — e o aquecimento adicionado a partir do aumento das temperaturas globais vai adicionar à intensidade da seca nessas regiões também.

Com as temperaturas globais previstas para atingirem cerca de 1,3 C acima das médias pré-industriais para o conjunto de 2016, é duvidoso que o mundo vá sequer ver novamente um ano em que as temperaturas caiam abaixo do limiar climático de 1 C. E isso significa derretimento mais rápido do gelo glacial, agravamento dos incêndios, mais perturbação para as estações e colheitas, tempestades e eventos de chuva mais extremos, taxas mais rápidas de aumento do nível do mar, zonas de seca em expansão, mais ondas de calor indutoras de baixas em massa, expansão dos alcances das doenças tropicais, aumento do alcance das espécies invasoras nocivas, e uma infinidade de outros problemas. Nos últimos anos, passámos os limiares para alterações climáticas perigosas. E com as temperaturas globais a aumentarem tão rapidamente, estamos a entrar num problema mais e mais profundo.

No final, a nossa melhor esperança para diminuir essas condições que se agravam é reduzir rapidamente as emissões globais de carbono a zero ou valores de balanço negativos. Até fazermos isso, vai ser uma escalada em rampa de agravamento dos impactos que vêm pelo tubo abaixo.

Traduzido do original NASA — World Just Had Seven Months Straight of Record-Shattering Global Heat, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 16 de Maio de 2016.

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Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016
Robertscribbler

Onda de Calor no Ártico Ameaça Gelo do Mar de um Evento de Oceano Azul para 2016

Uma onda de calor polar típica de Verão avança no Ártico em Maio ameaçando o gelo do mar, e um evento de oceano azul parece cada vez mais provável já em 2016.

Nunca vimos Maio a aquecer como o que está previsto no Ártico para os próximos sete dias. Um shot de ares quentes soprando em direção a norte sobre a Sibéria, os quais espera-se que gerem uma frente quente que envolve quase todo o Oceano Ártico. Um padrão de tempo que, se emergir, irá comprometer completamente a região central do frio polar que tem tradicionalmente impulsionado os padrões climáticos do Hemisfério Norte.

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Esta semana, um enorme pulso de ar quente levantou-se sobre o Noroeste do Canadá e Alasca. Invadindo o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Beaufort[/simple_tooltip], conduziu uma frente quente ampla que forçou temperaturas perto ou acima de zero sobre entre 1/4 a 1/3 da zona do Oceano Ártico. Regiões do Mar Siberiano Oriental, através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Chukchi[/simple_tooltip], no Beaufort, e incluindo um bocado da zona polar acima do paralelo 80, todos experimentaram estas leituras anomalamente mais quentes. Na sexta-feira, as anomalias da temperatura do ar em toda a zona do Ártico acima de 66 Norte estavam cerca de 3 C acima da média, e numa grande parte da zona quente centrada no Beaufort as temperaturas variaram entre 10 e 15 C acima da média. Para o Ártico, parecia que Junho tinha chegado um mês mais cedo.

Derretimento do gelo do mar no Ártico em Maio, pelo aquecimento global

(O derretimento abundante do gelo do mar e da neve a 12 de Maio fornece um registo visível de uma região comprometida pelo calor das alterações climáticas forçadas pelos humanos. Grandes regiões terrestres – tais como o Noroeste do Canadá e o Alasca – estão sem neve quando não deviam estar. E regiões maiores de águas abertas aparecem nas zonas que tradicionalmente estavam cobertas de gelo do mar. Um azulado sobre o Chukchi e Beaufort também é indicativo de proliferação de lagoas de degelo. O Verão, ao que parece, chegou ao Ártico demasiado cedo. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

O efeito de todo esse calor – apenas a mais recente explosão de calor durante um 2016 quente recorde – sobre o gelo do mar tem sido enorme. Abriram-se enormes áreas de água escura, livre de gelo. O [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Bering[/simple_tooltip] está praticamente livre de gelo. O Chukchi está amaldiçoado com gelo fino, grandes [simple_tooltip content=’Polínia é qualquer área de águas abertas no meio da banquisa ou do gelo fixo, e que não tenha forma linear.’]polínias[/simple_tooltip], e lagoas resultantes do degelo. Baffin Bay e o Barents estão muito reduzidos. E no Beaufort, uma região maciça de águas abertas de 200 a 300 quilómetros de largura continua a se expandir.

Para o Derretimento do Gelo do Mar do Ártico, o Auge do Verão está a Acontecer em Maio

Praticamente todos os grandes monitores mostram agora o gelo do mar do Ártico em queda profunda para valores recordes mínimos. A medida de extensão da JAXA disparou ontem para além da marca de 11,5 milhões de quilómetros quadrados apenas num piscar de olhos, após vários dias de perdas de 100.000 quilómetros quadrados. No Instituto Meteorológico da Dinamarca parece que o fundo caiu das suas próprias medidas de extensão e volume. E o NSIDC mostra os níveis de extensão gelo do mar a aumentarem a distância em relação aos níveis recordes anteriores para esta época do ano.

Extensão do gelo do mar no Ártico em 2016 em comparação com anos anteriores

(O gelo do mar do Ártico em 2016 – indicado pela linha vermelha no monitor JAXA em cima – continua a sua queda recorde. O calor recorde no Ártico durante 2016 tem impulsionado uma taxa de degelo nunca antes vista para os primeiros quatro meses e meio deste ano. Se essas taxas de derretimento continuarem, haverá muito pouco gelo marinho restante no final da temporada de degelo, em Setembro. Fonte da imagem: JAXA).

No geral, não só o gelo do mar está menos extenso e mais fino do que alguma vez esteve para esta época do ano, como também as taxas de perda que está a experienciar agora são mais semelhantes às que normalmente seriam vistas durante Junho e Julho – não Maio. Num tal contexto de calor e derretimento recorde, os novos valores baixos de extensão do gelo marinho que vemos agora estão cerca de 9 a 10 dias adiantados em relação ao recorde baixo anterior, 22 a 24 dias adiantados em relação à linha de média da década de 2000, mais do que um mês adiantados em relação à linha de média da década de 1990 e um mês e meio à frente da linha de média da década de 1980. Por outras palavras, há algo muito, muito errado com a região polar do nosso mundo.

Frente Quente Estranha a Atravessar da Sibéria ao Barents

Por mais má que seja a situação atual, a próxima semana parece que está a configurar-se para ser muito pior. Uma segunda frente quente polar maciça está a ganhar forma em direção a norte a partir da região da Sibéria Oriental, perto do Mar Siberiano Oriental. Esta frente quente – conduzida por uma crista anómala na Corrente de Jato e apoiada por ventos quentes que inundam a partir da onda de calor do Leste Asiático e da zona do incêndio florestal – está prevista curvar-se em arco durante os próximos cinco dias. É esperado que abranja todo o Mar Siberiano Oriental e o [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’515’]Mar de Laptev[/simple_tooltip], atravesse o paralelo 80, continue além do Polo Norte, e depois inunde o Mar de Barents. Essencialmente, é uma frente quente que vai atravessar toda a zona polar – ignorando completamente as leis da dinâmica da Corrente de Jato e, basicamente, corrompendo o que é tradicionalmente uma área de centralização de frio no Polo.

Uma frente quente prevista atravessar o Polo Norte em Maio com temperaturas acime de zero - congelamento

(Ventos quentes estão previstos serem puxados para cima a partir da Sibéria enquanto um sistema de alta pressão se agita sobre Beaufort e uma frente quente atravessa o Polo Norte – varrendo temperaturas abaixo de congelamento para fora da maior parte da bacia do Oceano Ártico, a 16 de Maio, na previsão do modelo GFS . Observem a grande extensão de temperaturas acima de zero previstas no gráfico acima. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Em quatro anos de observação ininterrupta do Ártico e análise de ameaças relacionadas com a mudança climática causada pelo homem, nunca vi nada assim. E dados os estranhos efeitos na mudança climática forçada pelas emissões de combustíveis fósseis, observei algumas coisas definitivamente muito estranhas. Dizer que isto leva o troféu de estranheza para o Ártico seria um eufemismo.

Condições Nunca Antes Vistas Consistentes com as Alterações Climáticas Forçadas pelos Humanos

Por volta de 20 de Maio, a maior parte do Oceano Ártico está previsto ver temperaturas perto de congelamento ou acima de congelamento. Leituras quentes o suficiente para promover o derretimento da superfície do gelo praticamente por todo o lado e em todas as bacias. Leituras que, para toda a região do Ártico acima de 66 Norte, estão previstas serem 5 C acima da média. Isso é um inferno de uma anomalia. Algo que seria estranho se o víssemos acontecer durante Janeiro (quando o aquecimento sazonal relacionado à mudança climática tem tipicamente apertado mais). Mas para Maio, isto é absolutamente bizarro de tão quente.

Previsão de onda de calor no Ártico com anomalia da temperatura para 20 de Maio de 2016

(As temperaturas no Ártico são esperadas que atinjam uma anomalia de +5,04 C até 20 de Maio. Uma tal quantidade incrível de calor irá gerar condições rápidas de descongelamento que foram tipicamente experienciadas apenas a meio do Verão durante anos quentes recorde anteriores. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer).

Estas são condições que, mesmo durante o período de aquecimento recorde anterior da década de 2000, normalmente não entravam em jogo até o final de Junho ou início de Julho. Condições que eram praticamente inéditas para até qualquer dia do pico do calor do Verão durante a década de 1980. Condições agora que estão previstas acontecer no final de Maio.

Isto é mudança climática, pessoal. Pura e simples. E se um tal padrão de calor extremo continua, poderá limpar praticamente todo o gelo até ao final desta temporada de derretimento. Esta semana, parece que esse tão temido evento vai se tornar ainda mais provável se esta explosão doida de calor prevista para o Ártico emergir. Um evento que muitos cientistas há menos de dez anos atrás pensavam que não seria possível até à década de 2070 ou 2080. Um evento de Oceano Azul que é agora um risco muito real para 2016.

Traduzido do original Polar Heatwave Digs in as Arctic Sea Ice Crashes — Blue Ocean Event Looking More and More Likely, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 13 de Maio de 2016.

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Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá
Robertscribbler

Incêndios Enormes no Nordeste da China e no Lago Baikal

Como as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos forçam o mundo a aquecer, os níveis de humidade e precipitação estão a mudar. Áreas molhadas tornam-se mais molhadas. Áreas secas tornam-se mais secas. As temperaturas de Primavera e Verão aumentam. E o derretimento da neve mais precoce na primavera faz com que os solos permaneçam secos por períodos mais longos, aumentando as incidências de seca enquanto prolongando a temporada de incêndios. Estas condições secas e quentes também aumentam a probabilidade de que, uma vez que os incêndios sejam iniciados por raios ou erro humano, vão tornar-se mais intensos, maiores e mais duradouros (paráfrase deste Relatório da União de Cientistas Preocupados).

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Uma onda de calor extrema e a seca no leste da Ásia está agora a provocar incêndios extraordinariamente grandes em regiões mais instáveis ​​do nordeste da China, perto da fronteira russa. Os incêndios maciços são claramente visíveis na foto do satélite LANCE-MODIS e incluem pelo menos quatro zonas de incêndio contíguas. Os incêndios mostram, cada um, cicatrizes de zonas queimadas muito grandes com frentes de fogo a variarem entre 40 e 60 quilómetros de diâmetro. Em essência, o que esta imagem de satélite está a mostrar são 3 a 4 infernos do tamanho de Rhode Island.

Incêndios enormes na China superam enormemente os incêndios do Canadá

(incêndios enormes a arderem no nordeste da China a 10 de Maio. Para referência, a borda inferior da imagem é de 600 milhas. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Uma nuvem muito grande de fumo lançada destas labaredas é agora visível na foto de satélite MODIS. Estende-se para longe das cicatrizes de zonas queimadas extensas e para fora em direção ao Mar do Japão, a cerca de 1.600 quilómetros de distância. Em comparação, os fogos do Nordeste da China juntos fazem agora anão o recente incêndio maciço que queimou 2.400 estruturas na cidade canadiana de Fort McMurray durante a semana passada. Mais outra instância de incêndios extraordinariamente grandes, a queimarem um mundo forçado a aquecer pelas emissões de combustíveis fósseis humanas.

Felizmente, os incêndios no nordeste da China não estão de momento a ameaçar nenhum povoado grande. Logo, é menos provável que perda de vidas ou propriedade tenha ocorrido como resultado. A mídia internacional não tem relatado os incêndios, tão pouca informação está agora disponível para além daquilo que pode ser discernido pela análise do mapa de satélite da NASA.

Pondo em contexto, estes incêndios iniciaram-se ao longo de uma zona de cristas que tem caracterizado temperaturas extremamente quentes e secas. Emanando uma onda de calor que começou no sudeste asiático, estes ares quentes estão agora a expandir-se para o norte em direção ao Ártico e vão, ao longo desta semana, contribuir para uma acumulação de onda de calor incrivelmente potente sobre as regiões do nosso mundo que agora descongelam rapidamente. O desenvolvimento de cristas nesta zona tem sido bastante persistente e podemos esperar que incêndios grandes e contínuos avancem para norte em direção ao Ártico.

Incêndios começam cedo para a época, na região de Permafrost do Lago Baikal

Incêndios começam cedo para a época, na região de permafrost do Lago Baikal na Rússia

(Incêndios florestais – indicados por pontos vermelhos no mapa acima – estão a iniciar-se em torno da zona descontínua de permafrost perto do Lago Baikal. Nos últimos anos, esta região da Rússia tem sofrido com o tipo de seca extrema e aquecimento associado à mudança climática causada pelo homem. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Esta zona extremamente quente e seca também acendeu numerosos incêndios na região do Lago Baikal. Representando o ponto mais distante a sul da zona de permafrost do Nordeste Asiático, o calor e descongelamento na região devido ao aquecimento global resultaram num aumento dos riscos de incêndio. Tal como acontece no noroeste do Canadá, existe uma relação profana entre incêndios e descongelamento da permafrost. A permafrost, enquanto descongela e seca, fornece um combustível de sub-bosque que ajuda na persistência e intensidade do incêndio – por vezes resultando em zonas quentes que ardem durante todo o inverno. E os incêndios podem ativar mais e mais da camada de permafrost por baixo – bombeando carbono adicional que pode agravar a tendência de aquecimento que iniciou os incêndios em primeiro lugar.

Em 2016, as zonas quentes e secas de cristas têm tendido a dominar tanto a América do Norte ocidental como a Ásia Oriental. E num mundo que, desde o início de 2016 tem estado cerca de 1,5 C acima das médias da década de 1880, temos visto um início muito intenso e prematuro para a época de incêndios com numerosos incêndios muito grandes nestas zonas. Enquanto Maio progride para Junho, o risco para incêndios ainda mais intensos aumenta, para além de que a zona de incêndios avança com os ares quentes para norte, em direção ao Ártico.

Traduzido do original Massive Wildfires Erupt in Northeast China as Lake Baikal Blazes Ignite, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 10 de Maio de 2016.

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extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada
Robertscribbler

Gelo Marinho do Ártico Pode Não Sobreviver ao Verão

Quase nenhum gelo do mar pelo final da temporada do degelo. O tão temido Evento do Oceano Azul. Algo que parece cada vez mais provável de acontecer durante 2016 a cada dia que passa.

Estes são o tipo de mudanças da fase climática devastadora no Ártico com a qual as pessoas têm vindo a preocupar-se desde que a extensão, área e volume do gelo do mar mergulhou para níveis angustiantes durante 2007 e 2012. Mergulhos que foram muito mais rápidos do que as taxas de derretimento do gelo do mar previstas pelas execuções de modelos computorizados e pelo consenso científico de então quanto a como o gelo do Oceano Ártico iria responder ao aquecimento forçado pelos humanos neste século. Pois durante a primeira década do século 21 a visão científica dominante era que o gelo do mar no Ártico estaria no nível em que está hoje por volta de 2070 ou 2080. E que não contemplaríamos a possibilidade do gelo do mar estar a zero ou perto de zero até ao final deste século.

Mas a incrível capacidade de uma emissão de combustíveis fósseis inconcebível para transformar rapidamente o nosso mundo para o pior parece agora superar aquela ciência cautelosa. Pois durante 2016, o Ártico tem experienciado um ano quente recorde como nunca antes. As temperaturas médias sobre a região têm atingido valores inéditos. Temperaturas que – quando alguém que compreende a natureza sensível do Ártico olha para elas – inspiram sentimentos de deslocamento e descrença. Devido à nossa cobertura de gelo do mar no Ártico ter estado consistentemente em recordes baixos durante todo o inverno, tem vindo a seguir uma curva inclinada de perda de gelo desde Abril, e agora parece ter começado a cair de um precipício. Perdas severas susceptíveis de impactar tanto a Corrente de Jato [Jet Stream] como a formação de condições meteorológicas extremas no Hemisfério Norte durante a Primavera e Verão de 2016.

A Derreter mais de Duas Semanas Mais Rápido do que no início da Década de 2000

Desde 27 de Abril, de acordo com um registo da extensão do gelo do mar fornecido por JAXA, as taxas diárias de perda de gelo do mar têm estado na faixa de 75.000 quilómetros quadrados por cada período de 24 horas. Isso são 300.000 quilómetros quadrados de gelo do mar, ou uma área do tamanho do Novo México, perdida em apenas quatro dias. Só em 2015 é que alguma vez havíamos visto tais taxas similarmente rápidas de perda para esta época do ano.

extensão do gelo do mar no Ártico em queda cada vez mais acentuada

(Nunca vimos perdas de gelo do mar no início da temporada como estas antes. Perdas do gelo do mar graves deste tipo podem ajudar a gerar frentes fortes e ondas de calor extremas como as que vemos agora a afetar a Índia e Sudeste Asiático. Fonte da imagem: JAXA).

Contudo, esta taxa excessiva de perda de gelo está a ocorrer em toda uma região do Árctico que apresenta dramaticamente menos gelo (excedendo a marca de 2015 para o mesmo dia do ano em cerca de 360.000 quilómetros quadrados) do que em qualquer outro ano comparável, ​para o mesmo dia. Em essência, a extensão do degelo está agora mais do que uma semana adiantada em relação a qualquer outro ano anterior. Está duas semanas e meia adiantada em relação às taxas de derretimento durante a década de 2000. E a taxa de declínio deste ano está ainda mais acentuada.

As taxas de derretimento atuais, se mantidas durante todo o Verão, iriam acabar com praticamente todo o gelo. E, o que é preocupante, esta é uma possibilidade distinta dado o estado severamente enfraquecido do gelo, as grandes áreas de água escura e aberta disponível para absorver os raios do sol enquanto o Verão progride, e devido ao facto de que o calor do Ártico continua a alcançar recordes quentes estremos. Além disso, as taxas de derretimento tendem a acentuar-se sazonalmente a partir de meados de Junho. As taxas de perda de gelo a aumentarem tão rapidamente agora, no final de Abril e através do início de Maio, podem vir a ver uma maior aceleração à medida que mais e mais luz solar direta continua a cair sobre as já grandes áreas expostas de água escura que absorve calor.

Buracos Enormes no Beaufort

Ao longo de toda a bacia do Ártico, essas regiões de absorção de luz solar ocupam muito mais área do que o que é típico. O Bering derreteu muito cedo. Baffin Bay está muito retirado em relação a anos típicos. Hudson Bay está a começar a quebrar. Os mares de Barents e da Gronelândia apresentam muito mais água aberta do que é típico. Contudo, não há nenhuma região a mostrar perdas mais dramáticas de início de temporada do que a de Beaufort.

Derretimento acentuado do gelo em Beaufort deixa zonas de águas abertas azul escuras

(Este mar de Beaufort nunca pareceu ter tão mau aspecto tão cedo no ano. Ondas de amplitude elevada na Corrente de Jato continuam a entregar calor recorde, ventos quentes e húmidos, e derretimento recorde do gelo marinho para esta região do Ártico. Para referência, o bordo inferior do quadro nesta imagem é de cerca de 600 milhas. Os veios em tufos que se vê na imagem é a cobertura de nuvens, as secções de branco sólido são neve e gelo. E o azul que se vê são as águas abertas do Oceano Ártico. O tamanho dos intervalos de água nas secções mais amplas são agora de mais de 150 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

Lá, o gelo continua a recuar rapidamente em relação às margens do Oceano Ártico no Delta Mackenzie e no Arquipélago Ártico Canadense – onde uma grande brecha se abriu no gelo do mar. Agora entre 70 e 150 milhas de largura, esta área de água aberta vê consistentemente temperaturas de superfície quentes o suficiente para derreterem o gelo do mar (acima de 28 F ou cerca de -2 C).

Esta grande massa de água aberta do tamanho de um mar em si mesma, criou agora uma nova zona de bordo de início da temporada para o gelo. Um lugar onde uma espécie de mini-dipolo pode surgir entre as superfícies de água em aquecimento mais rápido e o gelo reflexivo mais frio. Uma tal zona tenderá a ser um imã para as tempestades. E um sistema de baixa pressão está previsto trazer para cima uma protuberância extrema na Corrente de Jato sobre o Alasca e o Canadá, continuando para esta zona do Ártico ao longo dos próximos dias. Tempestades deste tipo tendem a apressar a fusão e o quebrar do gelo nas zonas de bordo pelas ondas que se geram, pelo puxar de ares mais quentes do sul, ou ao fazer cair precipitação líquida ao longo da borda de gelo que derrete. E o facto de que este tipo de dinâmica está a estabelecer-se em Beaufort no início de Maio é nada menos do que extraordinário.

Calor no Ártico Nunca Antes Visto

Mais ao norte, espera-se que a alta pressão continue a dominar nos próximos sete dias. Isso irá gerar ainda mais compactação do gelo já fraco enquanto permitindo que mais e mais luz solar caia sobre esse véu branco já muito estreito.

Dias de graus de congelamento no Ártico são menos 1000 que em 1980-2000

(O Ártico está agora tão quente que este gráfico é agora demasiado pequeno para capturar o calor extremo na região. Os dias de graus de congelamento são agora mais do que 1.000 a menos do que o eram durante um ano típico e do que no período já muito mais quente do que o normal entre 1980 e 2000. Fonte da imagem: CIRES).

Espera-se que as temperaturas para o Árctico variem entre 2,5 e 3,5 C acima da média nos próximos sete dias. Condições muito quentes que vão continuar a martelar para baixo os totais de dias de graus de congelamento, os quais já ultrapassaram uns inéditos -1000 desde o início do ano na região mais elevada do Ártico, acima dos 80 graus de Latitude Norte. Em termos leigos, quanto menor o número de dias de graus de congelamento o Ártico experiencia, o mais próximo está de derreter. E perder 1000 dias de graus de congelamento é como remover o mês mais frio do inverno inteiramente da equação do balanço térmico nesta região de maior latitude do Hemisfério Norte.

Praticamente todos os indicadores nos levam a concluir que o gelo do mar do Ártico está a ser atingido pelo calor como nunca antes. E as perdas acentuadas e perturbadoras de início de temporada que vemos agora, em combinação com o extremo calor excessivo e os padrões climáticos que aceleram o derretimento, são susceptíveis de continuar a reforçar uma tendência de perdas recordes. Tais medidas baixas de gelo do mar também tendem a distorcer os padrões meteorológicos em todo o mundo – gerando zonas de ondas de calor e secas extremas ao longo das linhas de cristas e às invasões do Ártico pelo vento quente relacionadas que tenderão a desenvolver-se, gerando ao mesmo tempo risco de eventos de precipitação recorde nas zonas de depressão. A este ponto, o Oeste norte-americano está novamente a configurar-se para exatamente um padrão assim de onda de calor zonal. O calor extremo que se acumula na Índia e no Sudeste Asiático também parece estar a seguir um deslocamento similar para o norte.

Traduzido do original
Arctic Sea Ice is Falling off a Cliff and it May Not Survive The Summer
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Maio de 2016.

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Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite
Robertscribbler

Incêndio em Alberta, Canadá, Pára Produção nas Areias Betuminosas



Cercados pelo fogo da negação, o incêndio de Fort McMurray atinge Anzac e desliga 640.000 barris por dia na produção das areias betuminosas

Uma simples questão de facto, um facto que muitos que investiram numa indústria de petróleo destrutiva não querem enfrentam agora, é que um fogo cuja extrema intensidade para tão cedo na temporada foi impulsionada pela mudança climática causada pelo homem, está agora a fazer o que o Canadá não fazia. Ele está a encerrar a produção de petróleo nas areias betuminosas – um dos combustíveis mais elevados em carbono no planeta Terra.

Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas

(Aumentos na frequência de incêndios devido às alterações climáticas, como previsto por execuções de modelos computorizados, estão ilustrados no mapa acima. De acordo com um relatório na WeatherUnderground – “Um grande aumento em incêndios em grande parte do mundo é esperado à medida que avançamos através deste século. Usando modelos de incêndio conduzidos pelos resultados de dezasseis modelos climáticos utilizados no relatório do IPCC de 2007, os pesquisadores descobriram que 38% do planeta deve ver um aumento na atividade de incêndios [devido à mudança climática] durante os próximos 30 anos. Este número aumenta para 62% lá pelo final do século“. Fonte da imagem: Mudanças Climáticas e Disrupções na Atividade Global de Incêndios).

Existem outros factos que precisam igualmente de ser encarados. Um deles é o fato de que os moradores de Fort McMurray tiveram as suas vidas postas em risco por um novo tipo de fogo que é agora muito mais provável de ocorrer. Um tipo de evento que tenderá a emergir com uma frequência e intensidade crescente. Um que está a aumentar o risco de danos para aqueles que vivem em todo o Canadá, em todo o Ártico e em grande parte do mundo.

É uma verdade difícil de enfrentar. Uma que muitos políticos canadianos, que confrontam a impossível tarefa de equilibrar as demandas de interesses económicos à base de petróleo com a muito clara necessidade de mitigar a mudança climática, estão a ter dificuldade em enfrentar. Mas uma que tem que ser seriamente observada e não ignorada por qualquer pessoa preocupada com a segurança dos que vivem em Fort McMurray ou em qualquer outro lugar. Pois a menos que os gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, como as areias betuminosas, parem de atingir a nossa atmosfera, então este tipo de eventos só vão continuar a piorar.

Nós já estamos a começar a ver terríveis eventos de incêndios do tipo que nunca antes experimentámos a emergirem no Ártico e em seções do norte da América do Norte. E com o mundo agora 1 C mais quente que as médias de 1880, grandes incêndios no Ártico são agora dez vezes mais prováveis ​​de ocorrer. No Alasca – uma região que partilha as tendências do clima com o Canadá – a duração da época de incêndios cresceu em 40 por cento desde 1950.

Em todo o mundo, a história é a mesma. O aquecimento da nossa atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis está a aumentar a frequência e intensidade de incêndios. Um ponto no qual até mesmo as projeções conservadoras do IPCC têm vindo a tentar impressionar os decisores políticos desde o início de 1990 (ver gráfico acima). E, numa parte significativa, esse perigo crescente tem recebido contribuição dos combustíveis de areias betuminosas que a indústria de energia de Fort McMurray foi projetada para extrair.

Aumento na Frequência de incêndios no Ártico ao longo dos anos

(Um estudo realizado pela Climate Central no ano passado descobriu que o aquecimento no Alasca resultou num prolongamento da época de incêndios em 40 por cento e que o ritmo de geração de grandes incêndios havia aumentado em dez vezes [x10]. É importante notar que o clima e as folhagens em Alberta, Colúmbia Britânica, e nos Territórios do Noroeste são muito semelhantes aos do Alasca. E o aumentando da intensidade e frequência dos incêndios devido ao aquecimento no Alasca também está igualmente a impactar o regime de incêndios canadiano. Fonte da imagem: The Age of Alaskan Wildfires.)

Apesar das escolhas políticas arriscadas e prejudiciais conduzidas pela indústria de combustíveis fósseis no Canadá, não devíamos ficar indiferentes à perda e deslocamento que muitos na zona de produção de areias betuminosas estão agora a passar. É uma tragédia. Puro e simples. Milhares de pessoas perderam as suas casas e meios de subsistência. Mas não devemos deixar-nos cegar quanto à realidade da situação simplesmente devido ao facto de ser uma comunidade de petróleo, desta vez, quem está a sofrer as devastações das condições climáticas extremas. Pois milhares de canadianos estão agora a juntar-se a um conjunto cada vez maior de refugiados da mudança climática. Vítimas e, alguns deles, contribuintes de a uma catástrofe nascida da húbris e cegueira de uma indústria do petróleo. Um evento que foca uma luz sobre os riscos contínuos e crescentes colocados pela extração de areias de alcatrão e sobre a vulnerabilidade dos fundamentos económicos desse combustível prejudicial para as forças climáticas que está agora a começar a soltar.

Fogo em Rápida Expansão Força Aeroporto e a Comunidade Anzac, a 31 Milhas de Distância de Fort McMurray, a Evacuar

Pirocúmulo no incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá

(Pirocúmulo – uma nuvem de tempestade formando-se a partir da corrente ascendente de calor de um fogo intenso. Uma palavra que vai começar a entrar em uso comum à medida que as alterações climáticas forçadas pelos humanos tornam os incêndios poderosos cada vez mais comuns. Aqui vemos uma pirocúmulo maciça a aproximar-se de Anzac e do Aeroporto de Fort McMurray na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed de Sean Amato).

Ontem, enquanto bombeiros correram para proteger o centro da cidade de Fort McMurray e arredores a norte, um grande incêndio ferveu e cresceu sitiando-se na cidade. Retido no seu progresso rumo ao norte em bairros ao longo do rio Athabasca, em direção à área infértil de extração de areias betuminosas, e para a estação de tratamento das águas por esforços do combate ao incêndio, o fogo inchou enquanto recuava. Virando-se para o sul e leste, começou a invadir o aeroporto da cidade e até mesmo uma de suas ramificações explodiu em direção ao subúrbio bem povoado de Anzac, 30 milhas a sul.

Lá, um centro de operações de emergência tinha acabado de se instalar após ter sido forçado a sair da sua localização na cidade quando uma chuva de brasas expulsa da nuvem pirocúmulo iminente sobre a cidade lhe colocava um tecto ardente. O novo centro de operações estava bem longe do caminho do incêndio previsto para ir em direção ao norte. E os oficiais tinham alguma razão para acreditar que o centro recém-movido seria seguro. Um centro de evacuação a sul – abrigando centenas de pessoas agora desabrigadas pelo fogo – foi também montado na área.

Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo

(Incêndio de Fort McMurray invade Anzac sob uma imponente pirocúmulo na quarta-feira. Fonte da imagem: Twitter Feed Emily Metrz).

Na quarta-feira à tarde, o aeroporto, a comunidade de Anzac, o centro de operações de emergência recém-movido, e o centro de evacuação, todos caíram sob a sombra de um pirocúmulo a inchar. Uma grande tempestade de fumo, cinzas e brasas ardentes levantada pelo calor do fogo por baixo. Todos nesta área foram forçados a evacuar (um bom número deles pela segunda vez em dois dias) enquanto a enorme nuvem crescia e os fogos avançavam.

Quando a noite caiu, o fumo envolvia o aeroporto – tapando-o de vista. E muitos bombeiros já sabiam que a comunidade de Anzac estaria perdida. Sean Amato twittou esta mensagem quarta-feira enquanto o fogo avançava – “Bombeiro [diz]:” Anzac está f **dida. Não podemos lutar contra isso. Não temos bombardeiros. Saiam agora.”

Incêndio de Fort McMurray, Alberta, Canadá, num mapa de satelite

(Mapa térmico de incêndio fornecido pela NASA na quinta-feira revela a extensão extraordinária dos fogos e cicatrizes a 4 de Maio – abrangendo cerca de 10.000 hectares. A 5 de Maio, esta zona tinha ampliado vastamente para 85.000 hectares. Fonte da imagem: Observatório da Terra da NASA).

Na quinta-feira, uma enorme área que se estende desde o aeroporto até Anzac tinha sido abandonada ao fogo. Adicionando grandemente aos 10.000 hectares, o enorme incêndio foi estimado ter queimado, ao meio-dia de quarta-feira, pela expansão do fogo em mais de 8 vezes, para 85.000 hectares – uma área de seis vezes o tamanho de San Francisco ou mais de 300 milhas quadradas.

Produção das Areias Betuminosas Detida

A este ponto, os incêndios haviam deslocado tantos trabalhadores e aleijado tanta infra-estrutura que a produção das areias betuminosas na região acabou por parar. Na quinta-feira manhã cedo, mais de 640.000 barris por dia do petróleo sintético e climatologicamente volátil haviam parado. Representando mais de 16 por cento da produção de petróleo bruto do Canadá, os cortes forçados pelo incêndio foram significativos o suficiente para impulsionar os preços do petróleo nos mercados globais tão alto quanto 46 dólares por barril nas negociações de hoje cedo. Mais encerramentos de produção eram prováveis em outros grandes extratores de areias betuminosas numa luta nos cortes o fluxo do petróleo já que o incêndio de Fort McMurray se tornou cada vez menos previsível. Perto de Anzac, a extensão para sul dos incêndios ameaçava uma instalação de produção de areias betuminosas Conoco Philips de 30.000 barris por dia na região de Surmont – forçando uma paragem na produção e a evacuação de todos os trabalhadores das areias betuminosas.

Incêndio em Fort McMurray aproxima-se das areias betuminosas

(A imagem do satélite LANCE-MODIS do incêndio de Fort McMurray na quinta-feira, 5 de Maio, mostra o fogo a expandir-se em direção às instalações de extração de areias betuminosas. Para referência, as operações de areias betuminosas são os poços de minas claramente visíveis como áreas carecas castanhas na imagem acima. A maior parte de Fort McMurray está coberta pela pluma de fumo. O bordo inferior da imagem são 60 milhas. Fonte da imagem: LANCE-MODIS).

No final da tarde de quinta-feira, a passagem do satélite MODIS revelou um grande incêndio cuja extensão norte parece ter atingido entre 3 a 5 quilómetros dentro da parte mais a sul das instalações de areias betuminosas. A borda ocidental do incêndio de Fort McMurray expande-se apresentando uma frente de 10 a 15 quilómetros aproximando-se para norte e oeste. As bordas sul e leste do incêndio permanecem obscurecidas pelo que é agora uma grande nuvem de fumo. Uma que é provavelmente agora visível nos céus de estados do norte e centro dos EUA.

Uma Longa Batalha Pela Frente enquanto as Temperaturas estão Previstas para Permanecerem Muito Mais Quentes do que o Normal

Uma mudança do vento para norte, juntamente com o afluxo de temperaturas mais baixas na quinta-feira pode ajudar os bombeiros a ganharem algum progresso. As condições sobre Fort McMurray hoje estavam nublado com ventos de 10 a 15 mph de noroeste e temperaturas em torno de 64 (F). Contudo, pouca ou nenhuma chuva caiu sobre a área já que uma frente passou esta manhã. Enquanto isso, espera-se uma subida das leituras do termómetro a meio dos 80 [26C] de novo no sábado, com condições muito secas a tomarem conta.

Nesta altura, é apenas Maio – não Julho, quando tais condições meteorológicas extremas de incêndios normalmente seriam possíveis. As temperaturas médias para Fort McMurray tendem para os 50 e muitos ou 60 e poucos nesta época do ano. Então, até as leituras de hoje de 64 F são mais quentes do que o habitual, com previsão de escalada das temperaturas para 20-25 F acima da média novamente no sábado. Dada esta tendência, e dado o facto de que ela vai ficar ainda mais quente e seco nos próximos meses, parece que Fort McMurray – uma cidade nas garras das consequências climáticas difíceis que ajudou a criar – tem garantida uma longa e dura luta.

Traduzido do original
Besieged by the Fires of Denial — Fort McMurray Blaze Grows to Overwhelm Anzac, Shuts off 640,000 Barrels per Day of Tar Sands Production
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Maio de 2016.

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Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais
Robertscribbler

Demasiado Próximo dos Limiares Climáticos Perigosos – Primeiros Três Meses de 2016 Estiveram 1,5 C Acima da Linha de Base Pré-industrial do IPCC

Devíamos ter um momento para apreciar o quão quente tem na verdade estado até agora em 2016. Para pensarmos sobre o que significa estarmos num mundo que já está tão quente. Para pensarmos sobre o quão falta para a bola 8 quanto a respostas às mudanças climáticas forçadas pelos humanos. E considerarmos como é urgente pararmos rapidamente de queimar carvão, petróleo e gás. Pararmos de adicionar mais combustível a um fogo global já furioso.

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Políticos, cientistas e muitos ambientalistas identificaram uma média anual de 1,5 graus Celsius acima das marcas pré-industriais como um nível de calor que devíamos tentar evitar. O encontro do clima de Paris fez uma promessa verbal para pelo menos tentarmos afastar-nos de tais temperaturas elevadas extremas. Mas mesmo os compromissos mais fortes de redução de emissões pelas nações do mundo agora não se alinham com essa promessa. E é questionável se poderiam, dada a enorme quantidade de sobrecarga de gás de efeito estufa já acumulada e que já está a aquecer rapidamente os ares, águas, gelo e reservas de carbono do mundo.

As promessas de redução de emissões atuais, apesar de significantes quando se leva em contexto o tamanho e potencial de crescimento de toda a indústria que vomita carbono, nem chegam sequer perto do declarado objetivo de 1,5 C. De acordo com nosso entendimento presentemente aceite de sensibilidade climática e excluindo qualquer resposta dos reservatórios de carbono globais imprevistos pela ciência mainstream, as reduções prometidas do uso de combustíveis fósseis pelas nações do mundo sob o acordo de Paris iriam limitar o aquecimento a cerca de 3 C até ao final deste século. As taxas de redução das emissões de carbono teriam necessariamente de acelerar significativamente além das metas a que se comprometeram em Paris de modo a acertarmos abaixo dos 3 C em 2100 – muito menos evitar os 2 C.

Quanto aos 1,5 C acima das médias pré-industriais – parece que este ano de 2016 já verá temperaturas desconfortavelmente próximas de um nível que a corrente principal de cientistas identificaram como perigosos.

Temperatura globl em Março próxima dos 1,5 C acima dos níveis pre-industriais

(A Agência Meteorológica do Japão mostra que Março de 2016 manteve-se em níveis de temperatura global mais elevados que os 1,5 C acima da linha de base pré-industrial.)

A advertência mais recente veio quando a Agência Meteorológica do Japão publicou hoje os seus valores de temperatura de Março. Nas medições, vemos novamente um grande salto nas leituras com a nova medição de Março a bater um recorde de 1,07 C acima da média do século 20, ou cerca de 1,55 C acima das temperaturas vistas pela última vez durante o início da década de 1890. Estas temperaturas comparam-se aproximadamente aos 1,52 C acima das temperaturas de 1890 registadas pela mesma agência durante fevereiro e uma diferença positiva de 1,35 C acima das temperaturas de 1890 durante janeiro. Fazendo a média de todas estes números de temperaturas anómalas juntas, descobrimos que os três primeiros meses de 2016 estiveram cerca de 1,47 C acima da década de 1890, ou próximo de 1,52 C acima da linha de base pré-industrial do IPCC de 1850 a 1900.

Assim, durante três meses agora, entrámos num novo e duro mundo. Um provocado pelo cativeiro atroz da queima de combustíveis fósseis. Um que muitos cientistas disseram ser imperativo evitar.

Devido à forma dos ciclos do sistema climático global, é pouco provável que o resto de 2016 verá marcas de temperaturas globais assim elevadas, e a média anual vai curvar para trás a partir de um pico próximo ou ligeiramente superior a 1,5 C durante o início de 2016. A La Nina parece estar a caminho. E como principal condutor do lado mais frio da variabilidade natural, a La Niña tomando conta deve tirar um pouco do ferrão destas novas leituras de temperatura atmosférica recorde.

Dito isto, o calor global do oceano ainda parece muito extremo. Os valores da Oscilação Decenal do Pacífico atingiram os seus segundos valores mensais mais elevados durante Março de 2016. E uma ODP [Oscilação Decenal do Pacífico] fortemente positiva pode tender a sangrar uma grande quantidade de calor para os ares do mundo mesmo na ausência da influência do El Nino. Além disso, o aquecimento no Ártico este ano atingiu novos níveis recordes. O gelo do mar do Ártico está agora em, ou perto de, níveis sazonais baixos recorde na maioria das medições [Mais sobre o aquecimento e degelo no Ártico aqui, em Português]. O albedo é muito baixo com muitas regiões de gelo escuro ou águas abertas que se formam ao longo do Oceano Ártico. Os níveis de cobertura de neve também estão baixos ou em recorde mínimo – dependendo da medida. O degelo a acontecer muito cedo na Groenlândia já está a prejudicar a refletividade dessa grande massa de gelo.

Com o avanço do Verão, estes fatores podem tender a continuar a gerar excesso de calor no Ártico ou próximo das regiões do Ártico, à medida que novas superfícies escuras absorvem muito mais radiação solar do que durante um ano típico. Novas evidências de aumento da resposta das reservas de carbono da permafrost no Ártico podem adicionar a esta potencial contribuição de calor adicional.

Há um perigo então, de que um arrefecimento no final do ano relacionado à variabilidade natural conduzida pela La Niña possa tender a ficar desfasado – puxado para trás por uma ODP positiva e feedbacks de amplificação no Ártico. Os níveis de dióxido de carbono atmosférico com pico entre 407 e 409 partes por milhão durante os meses de Março e Abril — o condutor principal e cada vez mais perigoso de todo este excesso de calor que estamos agora a vivenciar — corre o risco de dobrar a extremidade superior desse limiar de temperatura ainda mais para cima e de formas que, provavelmente, ainda não detectámos completamente. Mas o facto de que Março parece ter-se ficado por valores próximos dos da elevada anomalia recorde de Fevereiro é a causa de uma preocupação crescente. Por outras palavras, 2016 está preparado para ser quente de maneiras que são surpreendentes, bizarras e perturbadoras.

Traduzido do original Too Close to Dangerous Climate Thresholds — Japan Meteorological Agency Shows First Three Months of 2016 Were About 1.5 C Above the IPCC Preindustrial Baseline, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 12 de Abril de 2016.

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