Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos em ano de La Niña
Robertscribbler

Há uma La Niña em Desenvolvimento — Então Porque é Que o Mundo Ainda Está a Aquecer?

A longo prazo, não há dúvida daquilo que está a controlar a tendência da temperatura do mundo. A grande erupção de gases de efeito estufa por parte da indústria de combustíveis fósseis e maquinaria baseada em energia não-renovável fez com que os níveis de carbono atmosférico atingissem 405 ppm de CO2 e 490 ppm CO2e este ano. Todo este carbono adicionado fez com que o mundo aquecesse um valor recorde de 1,22ºC face aos níveis da década de 1880, durante 2016 (aproximadamente). Mas sobreposto a esta tendência de aquecimento de longo prazo está o ir e vir do calor atmosférico e da superfície do oceano baseado em variabilidade natural que é a Oscilação Sul – El Niño (OSEN).

OSEN — Um Padrão de Onda a Sobrepor-se à Tendência de Aquecimento de Longo Prazo

Pense nisto como sendo um padrão de onda menor que se sobrepõe à escalada de temperatura global atual. À medida que o El Niño aumenta e se faz revelar, forças naturais causadas ​​pelo aquecimento periódico da superfície do oceano no Pacífico Equatorial impulsionam ainda mais as temperaturas globais. Isto tende a acrescentar à tendência de aquecimento global provocada pelos humanos. Assim, com frequência, os anos de El Niño são também anos quentes recorde.

Influência do El Niño na temperatura global


(Variações de temperatura entre El Niño e La Niña criam um padrão ondulado na tendência de aquecimento global geral. Nota — o ano quente recorde de 2016 não está incluído neste gráfico. Fonte da imagem: NOAA. |Vermelho= meses de El Niño | Cinzento= meses neutros | azul= meses La Niña

Por outro lado, a La Niña, que gera um arrefecimento periódico no Pacífico Equatorial, tende a ir um pouco contra a tendência de aquecimento de longo prazo. Assim, os períodos de La Niña tendem a fazer com que as temperaturas atmosféricas globais médias na medida anual desçam cerca de 0,2 a 0,4ºC, a partir dos períodos de pico de aquecimento atmosférico durante o El Niño. Claro que, uma vez que a variabilidade OSEN tipicamente segue uma gama desde +0,2ºC a -0,2ºC mas não afeta as tendências de temperatura a longo prazo, é preciso apenas cerca de uma década para que os anos La Niña sejam tão quentes como os recentes anos El Niño.

Ligeiro Aquecimento Durante o Outono de 2016 Apesar da La Niña

Durante o outono de 2015 e o inverno e a primavera de 2016, um poderoso El Niño ajudou a elevar as temperaturas de superfície globais a novos patamares recorde. Isto aconteceu porque gases de efeito de estufa por todo o mundo estiveram a carregar calor no Sistema Terrestre durante algum tempo e o forte El Niño serviu como uma espécie de rastilho que abriu as comportas para uma vaga de calor atmosférico. É por isso que 2016 será cerca de 1,22ºC mais quente do que as temperaturas da década de 1880 (1ºC mais quente do que as temperaturas de linha de base da NASA para o Século XX) e porque os anos entre 2011 e 2016 estarão, em média, acima de 1ºC mais quentes do que os valores da década de 1880 no geral (0,8ºC mais quentes do que as linhas de base para o Século XX).

Mas agora, com o El Niño de 2016 já ultrapassado e com uma La Niña a formar-se no Pacífico, seria de esperar que as temperaturas globais arrefecessem um pouco. Em grande parte, isto aconteceu. Em janeiro e fevereiro deste ano, as temperaturas médias mensais foram tão altas quanto 1,5ºC acima das médias da década de 1880. Desde o Verão, as médias caíram para cerca de 1 a 1,1ºC acima dos valores da década de 1880.

Temperaturas médias nos meses de 2016

As temperaturas globais atingiram um mínimo à volta de 1ºC acima da década de 1880, ou 0,4ºC acima da média entre 1981 e 2010, neste gráfico baseado em GFS de Karsten Haustein, durante junho, tendo em seguida começado a subir lentamente durante o outono, mesmo quando uma fraca La Niña se começou a desenvolver.

Com a La Niña a continuar a formar-se, seria de esperar que estes valores mensais continuassem a cair um pouco à medida que a La Niña fosse crescendo. Mas isto não parece estar a passar-se. Em vez disso, as temperaturas atmosféricas atingiram um mínimo em torno de 1 a 1,1ºC acima dos níveis da década de 1880, em junho, julho, agosto e setembro, e agora parecem estar a recuperar.

Sinal de Amplificação Polar Aparece como uma Irregularidade na Medida Global

Por outras palavras, estamos a assistir a um aumento na tendência da temperatura global, quando deveríamos estar a assistir a um declínio de contra-tendência estável forçado pela variabilidade natural.

Porque é que isto está a acontecer?

A evidência climática aponta para um conjunto bastante óbvio de suspeitos. Em primeiro lugar, o valor de Oscilação Decenal do Pacífico tem continuado a empurrar para a faixa positiva. E este estado tenderia a favorecer mais calor que irradia de volta para a atmosfera a partir da superfície do oceano.

No entanto, se olharmos para os mapas climáticos globais, os principais contribuidores para a anomalia não vêm do Pacífico, mas dos pólos. Pois este outono viu aquecimento extremo em ambas as regiões polares norte e sul do mundo. Hoje, as anomalias de temperatura no Ártico e na Antártida foram 5,84 e 4,19ºC acima da média, respetivamente. A média aproximada entre os dois pólos de +5ºC para estas regiões de alta latitude. Como já mencionado muitas vezes anteriormente, tal magnitude de aquecimento é um sinal evidente de amplificação polar baseada em mudança climática, onde as temperaturas nos pólos aquecem mais depressa relativamente ao resto da Terra durante a primeira fase de aquecimento forçado por gases de efeito estufa.

Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos

Aquecimento extremo das regiões polares continuou a 4 de novembro de 2016. Este aquecimento está a fazer frente à tendência da La Niña, a qual tenderia a arrefecer o mundo temporariamente. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer.

Por si só, estas temperaturas anormalmente elevadas nos pólos seriam estranhas o suficiente. Mas quando se tem em conta que a La Niña ainda deveria estar a arrefecer o globo, começa a parecer que este severo aquecimento polar tem contrariado um pouco o sinal de arrefecimento da La Niña — virando-o de volta para o aquecimento no final do outono. E se isto é o que realmente está a acontecer, então tal implicaria que o sinal de variabilidade natural que é produzido pela OSEN está a começar a ser suplantado por influências baseadas na amplificação polar. Por outras palavras, parece haver um outro sinal que se está a começar a intrometer sob a forma de um pico de temperatura baseado na amplificação polar.

É algo que tem aparecido de tempos a tempos como uma irregularidade nos dados de observação ao longo dos últimos anos. Mas o outono de 2016 fornece um dos sinais mais fortes até ao momento. E é um sinal relacionado com um conjunto de feedbacks que têm o potencial de afetar o ritmo geral do aquecimento planetário. Definitivamente, algo para se ter em conta daqui para a frente.

Traduzido do original There’s a La Nina Developing — So Why is the World Still Heating Up?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 4 de novembro de 2016.

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Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA
Robertscribbler

Seca e Mudança Climática Originam Incêndios Enormes em Pleno Novembro

É Novembro. Um mês em que os Estados Unidos deviam estar a arrefecer em direção a condições típicas de Inverno. Mas para a região montanhosa ao longo da área de quatro estados que faz fronteira com Kentucky, Carolina do Norte, Geórgia e Tennessee, o clima está tudo menos típico de Outono. Lá, enormes incêndios florestais estão agora em ira, expulsando plumas maciças de fumo sufocante para o ar anormalmente quente sobre terras que foram secas pelas alterações climáticas relacionadas com o calor.

Incêndios Maciços Atingem Terras Secas
Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA

Incêndios muito grandes que queimam toda a região da Smokey Mountain a 7 de Novembro. Fonte da imagem: LANCE MODIS). Em pleno Novembro, em dia de eleições, incêndios enormes ardiam nos Estados Unidos, um país cujos candidatos presidenciais não incluíam a Mudança Climática nos seus debates.

Na imagem de satélite acima, tirada pela NASA a 7 de Novembro de 2016, vemos vários fogos com frentes que variam entre 1 a 5 milhas de largura, em erupção sobre a região de Smokey Mountain da Carolina do Norte, Tennessee, Geórgia e Kentucky. Alguns incêndios parecem ter-se escarranchado na fronteira com a Virgínia. Grandes incêndios também queimam mais a leste entre Ashville e Charlotte. Juntos, estes incêndios estão a emitir nuvens de fumo que agora se estendem 350 milhas para cima — flutuam para norte e oeste, pelos ventos quentes do sul.

Avisos de incêndio e anúncios públicos incitando as pessoas a não fazerem fogueiras foram feitos a 1 de Novembro. O Centro National Interagências para os Incêndios (NIFC) forneceu informação inicial sobre vários incêndios que se iniciavam por toda esta região de quatro estados, a 4 de Novembro. As imagens do satélite MODIS para o dia 4 mostram que estes incêndios eram então muito menores — pouco visíveis na imagem. Relatórios de imagem e no terreno agora indicam que os incêndios se tornaram consideravelmente maiores e mais ameaçadores no fim de semana.

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(A vista sobre a Carolina do Norte ocidental ontem à tarde quando os incêndios florestais queimavam através da região montanhosa.)

Na segunda-feira, agências de notícias locais estavam a relatar o surto de 170 incêndios só na Geórgia, com 4.000 acres já queimados na parte norte do estado. No Tennessee, 96 incêndios ativos atualmente foram relatados como tendo consumido 9.000 acres. Campbell, na parte oriental do estado, foi particularmente atingida com mais de 3.400 acres queimados até esta tarde e a qualidade do ar em declínio desencadeando Alertas de Código Vermelho. No Kentucky, 11.000 acres tinham sido consumidos pelo incêndio até segunda-feira. A Carolina do Norte, por sua vez, chamou 350 bombeiros para combater várias chamas grandes e crescentes.

Seca Abrupta, Aquecimento Extremo

Ao longo de Setembro e Outubro, os dois terços orientais dos EUA tem estado extremamente secos e extremamente quentes. As temperaturas para o mês de Outubro variaram entre 3 a 5 graus Celsius acima da média na maioria dos 48 estados mais abaixo.

Mapa da seca nos Estados Unidos

Calor extremo sobre o sudeste dos Estados Unidos ajudou a promover condições de seca repentina juntamente com incêndios muito grandes agora a arderem na Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky. Fonte da imagem: O Monitorização da Seca dos EUA.

Juntamente com o calor veio um rápido aparecimento de condições de seca. Em particular o Mississippi, Alabama, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky experimentaram condições cada vez mais extremas. No Kentucky, por exemplo, a semana que terminou a 1 de Novembro viu a cobertura do estado pela seca mais do que triplicar (de 24 por cento para 81 por cento da área terrestre do estado).

Seca repentina é uma nova forma de mudança climática provocada pelo aumento das taxas de evaporação devido ao aquecimento das terras e do ar. O calor extra tira a humidade do solo e da vegetação mais rapidamente e pode desencadear o surgimento de condições extremas em escalas de tempo curtas. A seca repentina em curso já andava a causar problemas no Sudeste antes da recente onda de incêndios florestais. Contudo, dado o calor intenso e fora de época e a velocidade com que as terras secaram, o presente surto de incêndio representa um perigo grave e incomum para esta altura do ano.

Traduzido do original Drought, Climate Change Spur Severe Election Day Wildfire Outbreak Across Four-State Area, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 8 de Novembro de 2016.

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Reservatório de CO2 da Amazónia emite dióxido de carbono (CO2) em vez de absorver
Robertscribbler

Reservatórios de Carbono em Crise – Amazónia Emite CO2

Reservatórios de Carbono em Crise — Parece que a Maior Floresta Tropical do Mundo está a Começar a Sangrar Gases de Efeito Estufa

Já em 2005, e novamente em 2010, a vasta floresta amazónica, que tem sido adequadamente descrita como os pulmões do mundo, perdeu brevemente a sua capacidade de absorver dióxido de carbono atmosférico. As suas árvores stressadas pela seca não estavam a crescer e respirar o suficiente para, no saldo final, remover carbono do ar. Incêndios rugiram através da floresta, transformando árvores em gravetos e libertando o carbono armazenado na sua madeira de volta para o ar.

Estes episódios foram as primeiras vezes que a Amazónia foi documentada como tendo perdido a sua capacidade de absorver carbono atmosférico numa base líquida. A floresta tropical tinha-se tornado no que é chamado de neutra em carbono. Por outras palavras, lançou tanto carbono quanto absorveu. Os cientistas viram isso como uma espécie de coisa séria.

Este Verão, um desligar semelhante parece estar a acontecer de novo na Amazónia. Uma seca severa está novamente a stressar as árvores enquanto ventila os incêndios numa maior intensidade do que em 2005 e 2010. Medidas de satélite anteriores parecem indicar que algo ainda pior pode estar a acontecer – a floresta tropical e as terras que habita estão agora a ser tão duramente atingidas por uma combinação de seca e fogo que a floresta está a começar a sangrar carbono de volta. Este repositório gigantesco e antigo de carbono atmosférico parece ter, pelo menos ao longo dos últimos dois meses, se transformado numa fonte de carbono.

Reservatório de CO2 da Amazónia emite dióxido de carbono (CO2) em vez de absorver

(Níveis elevados de dióxido de carbono, na faixa de 410 a 412 partes por milhão, e de metano na atmosfera sobre a floresta tropical da amazónia durante Julho e Agosto de 2016 é um indicador preliminar de que a grande floresta pode estar, durante esse período, a comportar-se como uma fonte de carbono. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Reservatórios de Carbono Não Conseguem Acompanhar

Embora a história da mudança climática forçada pelos humanos comece com a queima de combustíveis fósseis, a qual expele o dióxido de carbono que retêm o calor na atmosfera, infelizmente, não termina aí. À medida que essa queima provoca o aquecimento da Terra, coloca pressão sobre os lugares que, em circunstâncias normais, removem o carbono da atmosfera. Os oceanos, florestas boreais, e as grandes florestas equatoriais, absorventes de carbono, todos sentem a picada daquele calor. Este aquecimento faz com que os oceanos sejam menos capazes de segurar o carbono nas suas águas próximas da superfície e desencadeia secas e incêndios que podem reduzir a capacidade de uma floresta de absorver esse carbono.

No contexto do ciclo global de entrada e remoção de carbono da atmosfera da Terra, os oceanos e as florestas grandes e saudáveis ​​servem para absorver os gases de efeito estufa. Chamamos-lhes reservatórios de carbono, e ao longo dos últimos 10.000 anos da nossa época atual, o Holoceno, eles ajudaram a manter esses gases e, por extensão, as temperaturas da Terra, relativamente estáveis.

Porque é que os reservatórios de carbono são importantes

(Sem a capacidade das florestas, solos e oceanos de absorverem carbono — de atuarem como reservatórios de carbono — o CO2 atmosférico global já teria subido bem acima das 500 partes por milhão em 2009 devido à queima de combustíveis fósseis. Estes dissipadores de carbono são um fator útil atenuante do insulto das emissões de carbono humanas, mas se ficarem muito stressados, podem, em vez disso, tornar-se em fontes de carbono. Fonte da imagem: IPCC / CEF).

Contudo, já há muito tempo agora que as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos superaram em muito a capacidade dos reservatórios de carbono do mundo de removerem o excesso de carbono e manterem os níveis de gases de efeito estufa estáveis. Apesar de estes reservatórios terem captado mais da metade do grande volume de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, a porção total de CO2 que retêm o calor aumentou de 280 ppm para mais de 400 ppm. Os oceanos acidificaram à medida que aguentavam a nova sobrecarga de carbono. E as florestas absorveram este carbono mesmo enquanto lutavam contra a expansão da desflorestação. Como resultado de todo o excesso de carbono atualmente na atmosfera, a Terra aqueceu mais de 1 grau Celsius acima dos níveis de 1880. E combinado com o já forte stress imposto pela agricultura de corte raso e de queimada, o calor adicional é uma grande pressão sobre um recurso global essencial.

O Aquecimento Global Leva ao Desligar dos Dissipadores de Carbono, ou pior, Torna-os em Fontes

Neste contexto trágico de calor, seca, acidificação dos oceanos e desmatamento, parece que o período de graça que os dissipadores de carbono da Terra nos deram para nos organizarmos e agirmos em conjunto sobre o aquecimento global está a chegar ao fim. O aquecimento da Terra de forma tão significativa como temos feito está a causar que estes dissipadores comecem a quebrar — a serem capazes de remover menos carbono, como foi o caso com a floresta amazónica em 2005 e 2010. Nestes pontos no tempo, o reservatório era neutro em carbono. Já não nos forneciam o serviço útil de retirar o carbono da atmosfera e armazená-lo nas árvores ou no solo. Mas, mais preocupante, em 2016, parece que a Amazónia também pode estar a começar a contribuir com carbono de volta para a atmosfera.

Níveis elevados de metano na Amazónia

(Leituras de metano de superfície sobre a Amazónia elevadas em excesso com 2.000 partes por bilhão é uma assinatura de seca e incêndio. É também um sinal de que a floresta tropical durante este período estava a emitir mais carbono do que estava a receber. Fonte da imagem: O Observatório Copernicus).

Após cada um destes breves períodos de insucesso em baixar o carbono em 2005 e 2010, o reservatório de carbono da Amazónia ligou-se novamente e começou a funcionar por um tempo. Mas em 2015 e 2016, temperaturas globais recorde tinham novamente provocado uma seca terrível na região amazónica. De acordo com oficiais da NASA, a nova seca foi a pior desde pelo menos 2002 e estava a desencadear condições de incêndio piores do que em 2005 e 2010 – as últimas vezes em que o dissipador de carbono da Amazónia se desligou. Em Julho de 2016, o Guardian reportou:

Condições de seca severa no início da estação seca, criaram a base para o risco de incêndio extremo em 2016 por todo o sul da Amazónia”, disse Morton num comunicado. Os estados brasileiros do Amazonas, Mato Grosso e Pará estão declaradamente em maior risco.

Pela previsão de incêndios na Amazónia da NASA, o risco de incêndio florestal para Julho a Outubro excede agora o risco ede 2005 e 2010 – a última vez que a região experimentou uma grave seca e os incêndios assolaram grandes áreas da floresta tropical. Até agora, a Amazónia tem visto mais incêndios em Junho de 2016 do que em anos anteriores, o que os cientistas da NASA dizem foi outro indicador de uma temporada de incêndios potencialmente difícil.”

Incêndios florestais no brasil e Amazónia a 5 de Agosto de 2016

(Incêndios florestais extensos sobre sul da Amazónia e Brasil coincidem com picos atmosféricos aparentes de metano e CO2. Um indicador de que o reservatório de carbono da Amazónia está a experienciar um novo período de fracasso. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Ao mesmo tempo que a seca e os incêndios relacionados começavam a rasgar através da Amazónia, os monitores de carbono atmosférico como o Observatório Copérnico estavam a apanhar o sinal de um pico de carbono sob a Amazónia com níveis de metano superiores a 2.000 ppb (o que muitas vezes é uma assinatura de seca e incêndios florestais) e níveis de dióxido de carbono na ordem dos 410 a 412 ppm. Era um pico comparável àqueles das regiões industriais do mundo como o leste da China, os EUA e a Europa.

Em contexto, esses picos de carbono da Amazónia estão a ocorrer num tempo de aumentos recorde de CO2 atmosférico. Durante os primeiros sete meses de 2016, o aumento médio de CO2 em relação a 2015 foi de 3,52 ppm. A taxa global de aumento de CO2 de 2015 na ordem dos 3,1 ppm de um ano para o outro foi o aumento anual mais rápido já registado pela NOAA e o Observatório Mauna Loa. Até agora este ano, a taxa de ganho atmosférico deste gás chave do efeito de estufa continua a aumentar — isto no contexto de picos de carbono sobre uma região que devia estar a retirar CO2, não a emiti-lo.

Traduzido do original Carbon Sinks in Crisis — It Looks Like the World’s Largest Rainforest is Starting to Bleed Greenhouse Gasses, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Agosto de 2016.

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Incêndios Florestais na Sibéria e cobertor de fumo
Robertscribbler

Incêndios Florestais na Terra do Solo Congelado

Incêndios Florestais na Terra da Permafrost (Pergelissolo) – 1.000 Milhas de Cobertores de Fumo na Sibéria em Chamas

Mais um dia num mundo quente recorde. E em poucas horas, logo abaixo do Círculo Ártico na Sibéria, a temperatura está prevista atingir 33,2 C (ou cerca de 92 graus Fahrenheit). De acordo com a reanálise de dados do clima, são cerca de 15 a 20 C acima da média para esta época do ano, sobre uma terra cheia de florestas boreais e cobertura de solo adaptados ao tempo frio, os quais, logo abaixo dos primeiros pés de liteira, é suposto estarem continuamente congelados.

Temperatura elevada e incêndios na Sibéria

(Temperaturas de 32 C [92F] correm para dentro dos 3,7 graus de latitude a sul do Círculo Ártico [66 N]. Estas são leituras no intervalo de 15 a 20 graus Celsius acima do normal e são provavelmente intervalos recorde para a área. Nas proximidades, enormes incêndios florestais Siberianos ardem neste momento. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Ao longo de toda a fronteira sul e oeste desta região de calor extremo, há incêndios muito grandes agora. Iniciando-se perto e a leste do lago Baikal durante o início de Abril, Maio e Junho, os incêndios têm vindo desde então rumo a norte. Agora estendem-se visivelmente ao longo de um prolongamento de aproximadamente 1.000 milhas da Sibéria Central, chegando tão a norte quanto ao próprio Círculo Ártico.

Tão recentemente quanto 25 de Junho, as autoridades russas indicaram que cerca de 390 milhas quadradas arderam ao longo da borda sul desta zona, apenas em Buryatia. Para outras regiões, a dimensão é aparentemente incontável. Um número não declarado de bombeiros estão agora empenhados com estas chamas e foram presentemente assistidos por umas 150 pessoas adicionais do exército russo. A agência de notícias Interfax também relata que uns 11.000 do pessoal do exército russo estão atualmente em estado de espera para combater os incêndios maciços, em caso de necessidade.

Incêndios Florestais na Sibéria e cobertor de fumo

(Imagem do satélite LANCE-MODIS da NASA a 30 de Junho de 2016 mostra enormes plumas de fumo erguendo-se de incêndios intermitentes aparentemente em chamas ao longo de uma faixa de aproximadamente 1.000 milhas a partir da Sibéria Central. Para referência, o bordo direito da imagem são aproximadamente 1.200 milhas.)

A Sibéria de hoje é um vasta terra em descongelamento e exércitos de bombeiros são agora aparentemente necessários para parar ou conter as chamas. Já intercalada com camadas profundas de turfa, a permafrost em derretimento adiciona um combustível adicional semelhante à turfa a esta zona de permafrost. Quando a turfa e a permafrost descongelada se inflamam, gera um fumo mais pesado do que um incêndio florestal típico. Isso pode resultar em qualidade do ar muito pobre e incidentes de doença relacionados. Durante 2015, um fumo asfixiante relacionado a incêndios de turfa forçou uma resposta de emergência dos bombeiros russos. A espessa camada de fumo que abrange actualmente a Sibéria (visível na imagem do satélite LANCE MODIS a 30 de Junho, em cima) agora cobre na sua maioria regiões desabitadas. Mas a cobertura e densidade do fumo não é menos impressionante.

Os incêndios de turfa e permafrost descongelada têm o potencial para arder durante longos períodos, gerando pontos quentes que podem persistir durante o Inverno – emergindo como novas fontes de ignição a cada Verão que passa, até porque o aquecimento no Ártico se intensifica. Durante os últimos anos, os incêndios florestais no Ártico Siberiano têm sido bastante extensivos. De acordo com a análise por satélite da Greenpeace, os incêndios de 2015 cobriram no todo 8,5 milhões de acres (ou cerca de 13.300 milhas quadradas). Estes relatórios entram em conflito com os números oficiais da Rússia. Números que a Greenpeace indica caem bem abaixo da área total real queimada.

(Incêndios florestais surgem ao norte e oeste do lago Baikal a 27 de Junho, imagem a partir imagens do satélite japonês Himawari 8.)

A permafrost a descongelar sob as temperaturas siberianas a aquecerem não apenas gera combustível para estes incêndios, torna-se uma fonte adicional de emissões de gases de efeito estufa. E à medida que a área de terreno que os incêndios queimam no Ártico se expande juntamente com o pulso de calor de aquecimento forçado pelos humanos, este feedback amplificador ameaça adicionar a um problema já de si grave.

Traduzido do original Wildfires in the Land of Frozen Ground — 1,000 Mile Long Pall of Smoke Blankets Burning Siberia, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 1 de Julho de 2016.

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Corrente de Jato atravessa o Equador
Robertscribbler

Corrente de Jato Avariada Mistura Verão com Inverno



Ondas de Gravidade a Misturarem Verão com Inverno? Corrente de Jato Avariada Agora Corre de Polo a Polo

É como se o aquecimento global estivesse a tocar a atmosfera da Terra como se fosse um enorme e cacófono sino de alarme. Os ventos zonais de nível superior estão a balançar muito entre anomalias positivas recorde e anomalias negativas recorde. As ondas de gravidade — o tipo de ondas atmosféricas grandes que tendem a movimentar o ar dos trópicos até lá acima aos Polos e que são poderosas o suficiente para fazerem com que o Mar do Caribe ‘assobie’ nos monitores de satélite — estão a ficar maiores. E o Jet Stream (a Corrente de Jato) agora redefiniu todas as fronteiras — fluindo por vezes desde o Mar Siberiano Oriental no Ártico, através do Equador, fazendo todo o caminho até ao sul na Antártida Ocidental.

Corrente de Jato atravessa o Equador

(A Corrente de Jato – ou Jet Stream – do Hemisfério Norte cruza o equador, nesta imagem de ecrã de Earth Nullschool, para se fundir com a Corrente de Jato do Hemisfério Sul. É a verdadeira imagem da esquisitice do tempo devido às alterações climáticas. Algo que absolutamente não aconteceria num mundo normal. Algo que se continuar, basicamente, ameaça a integridade sazonal.)

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A grande calha hoje começa perto do Polo no Hemisfério Norte. Ela puxa o ar do Ártico para baixo sobre a Sibéria Oriental e para um percurso de tempestade no Oceano Pacífico. Ali, uma segunda grande queda na Corrente de Jato puxa uma volta louca desse fluxo de ar superior mais para sul. E é aqui que as coisas ficam mesmo estranhas — pois o rio de ar do nível superior que começou no Árctico, em seguida, faz um salto diretamente para lá da linha do Equador.

Mas a nossa história de uma Corrente de Jato rebelde não termina aí. O fluxo de ar do nível superior que se originou perto do Polo Norte junta-se com um padrão de crista da Corrente de Jato do Hemisfério Sul em formação sobre o Sudeste do Pacífico. Alimentando-se de ventos do nível superior muito fortes, vira-se para o sul para uma onda de elevada amplitude que atravessa o Chifre da América do Sul e esbarra, levando consigo um grande pulso de calor extremo para os ares do nível superior sobre a Antártida Ocidental.

Anomalia de temperatura na Antártida Ocidental em Junho 2016

(Uma injeção de ar quente de Verão do Hemisfério Norte para o Inverno do Hemisfério Sul parece ter ajudado na formação de temperaturas acima da média em 8 C no Oeste da Antártida durante Junho de 2016. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Uma Perda de integridade Sazonal Resultante da Mudança Climática?

Como muitos eventos extremos resultantes da mudança climática forçada pelos humanos, esta mistura de ares do nível superior de um hemisfério para outro é muito estranha. Historicamente, os Trópicos – que produzem a massa de ar mais alta e mais espessa do mundo – têm servido como uma barreira geralmente impenetrável aos ventos de nível superior de se deslocarem de um hemisfério para outro. Esta barreira pode tender a desfazer-se durante as transições sazonais. E por vezes obtém-se esta mistura de ventos subtropicais da Corrente de Jato através do Equador.

Mas, como os Polos têm aquecido devido à mudança climática forçada pelos humanos, as Correntes de Jato Hemisféricas têm saído mais e mais das Latitudes Médias — conectando zonas latitudinais mais amplas. Têm invadido cada vez mais as regiões tanto dentro da zona Polar como dentro dos Trópicos. Agora, parece que as velhas linhas divisórias estão tão fracas que os fluxos de ar de nível superior entre os Hemisférios podem ser trocados num grau mais extenso.

Se for este o caso, são más notícias para a sazonalidade. A prevenção e redução da mistura de ar entre Hemisférios pela massa espessa de ar quente tropical é o que tem gerado uma forte divisão entre Verão e Inverno durante a Época Climática do Holoceno. Se essa fronteira se desfazer, contudo, teremos mais calor do Verão a transbordar para a zona de Inverno e vice-versa. Obtemos esta mistura de estações desestabilizadora do tempo e geradora de condições meteorológicas extremas que faz tudo parte de um cenário muito difícil de lidar do tipo ‘Morte do Inverno’.

No passado recente, os cientistas favoreceram uma visão de que essa mistura entre Hemisférios não era possível. Mas observações recentes de padrões Ondas Rossby parecem indicar instâncias em que o padrão de ares de níveis superiores ligou os Polos aos Trópicos e, neste caso, em que um padrão de ar de níveis superiores conectou os Polos.

Para além disso, temos um comportamento bastante estranho nos ventos zonais Equatoriais que pode estar relacionado à mudança climática, mas de momento isso permanece um pouco um mistério. Sam Lillo e outros têm acompanhado variações recorde nos padrões de ventos zonais Equatoriais chamados Oscilação Quase-Bienal. E estas variações podem estar relacionadas com o resto da corrente da queda do sistema climático (Ondas de gravidade Rossby, etc).

Oscilação Quase-Bienal com anomalia dos ventos zonais

(Ventos Zonais Equatoriais de níveis superiores variaram de anomalias positivas recorde para anomalias negativas recorde num período de tempo de uns meros três meses. Fonte da imagem: Sam Lillo).

Todas estas observações combinadas apontam para uma preocupação muito séria. O aquecimento Polar parece estar a nivelar a inclinação atmosférica do Equador para os Polos a tal ponto que uma crescente violação da linha divisória sazonal entre Hemisférios pode ser uma nova tendência relacionada à mudança climática. E isso é um tipo de esquisitice do tempo com a qual não estamos realmente de todo preparados para lidar.

Traduzido do original Gigantic Gravity Waves to Mix Summer With Winter? Wrecked Jet Stream Now Runs From Pole-to-Pole, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 28 de Junho de 2016.

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Citação de Stephen Hawking sobre mudança climática, degelo e hidratos de metano no aquecimento global
Robertscribbler

Energias Renováveis ​​estão a Ganhar a Corrida Contra os Combustíveis Fósseis… Mas Não Rápido o Suficiente

“Temos que reverter o aquecimento global com urgência, se ainda pudermos.”

– Stephen Hawking

“O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem mal, mas por causa daqueles que olham para ele sem fazer nada.”

– Albert Einstein.

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Quer o percebamos quer não, fomos arrastados para uma corrida. Uma corrida contra o tempo para reduzir rapidamente as emissões de carbono, a fim de evitar a rampa de danos climáticos a caminho de uma quinta extinção por efeito de estufa. Pois a queima atual de combustíveis fósseis e as práticas contínuas de despejo de carbono na atmosfera a uma taxa de 13 bilhões de toneladas por ano é um insulto ao sistema climático global que provavelmente nunca foi visto antes em toda a história profunda do planeta Terra. E quanto mais rápido reduzirmos essas emissões a zero e a um líquido negativo, melhor.

Na parte inicial da corrida, há um fator que pode trazer o maior benefício geral – a taxa de adesão ás energias renováveis. Pois aumentar as energias renováveis a uma taxa elevada remove quota futura de mercado aos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que reduz as emissões, traz eficiências e enfraquece as receitas fósseis da indústria de combustível. Uma tal mudança sistémica enfraquece o poder económico e político das entidades destrutivas que têm, durante décadas, tentado trancar no sistema volumes cada vez maiores de emissões prejudiciais ao clima. E quando as ER começam a superar não apenas quotas do mercado futuro mas também mercados atuais de combustíveis fósseis, essa perda de poder e influência acelera.

Citação de Stephen Hawking sobre mudança climática, degelo e hidratos de metano no aquecimento global

Uma vez que os combustíveis fósseis começam a perder o controle sobre os sistemas políticos por todo o mundo, torna-se mais fácil de implementar outras políticas baseadas no consumo, como um imposto sobre o carbono ou outros desincentivos a um uso muito desperdiçador de recursos no topo do espectro económico por todo o mundo. Um renascimento energético deste tipo não é uma solução perfeita. Não pode deter todos os danos climáticos que vêm pelo cano a baixo. Mas sim que atinge fortemente o centro de gravidade de uma base de poder económico global corrupta e prejudicial que, se lhe deixassem, garantiria os piores efeitos de uma extinção por efeito de estufa num tempo muito curto – destruindo inevitavelmente a civilização humana e infligindo um ecocídio global no processo. Diminui o poder e o alcance dos atores mauzões do carbono. E abre caminhos para uma rampa de políticas de mitigação das alterações climáticas e de resposta mais poderosas no futuro.

Neste contexto de uma vontade de puxar o tapete de debaixo dos atores mauzões do carbono, parece que as taxas de adesão das ER estão a começar a atingir um nível que faz com uma tal mudança de poder político e económico seja possível.

Energia Renovável Adiciona Quase 150 GW em 2015, Apesar dos Preços Baixos de Combustíveis Fósseis e Políticas Contrárias em Alguns Países

Durante 2015, de acordo com um novo relatório pela REN21, a energia renovável adicionou 147 Gigawatts à capacidade total de geração mundial de eletricidade para atingir os 1.849 Gigawatts. Este grande salto veio mesmo quando os preços dos combustíveis fósseis caíram, as políticas adversas à adesão de energias renováveis dominaram em lugares como a Austrália e o Reino Unido, e o suporte global por subsídio aos combustíveis fósseis permaneceu a um nível quatro vezes maior do que o apoio governamental às energias renováveis. Fatores que mostram uma falta de compromisso séria para com a segurança da civilização humana, que levam a um crescimento mais lento da capacidade global de Energias Renováveis no intervalo de cerca de três por cento ao ano para todo o setor.

Christine Lins, Secretária Executiva da REN21, observou na Clean Technica que as os ganhos das energias renováveis ​ contra esta maré foram significativos e impressionantes:

“O que é verdadeiramente notável quanto a estes resultados é que eles foram alcançados numa altura em que os preços dos combustíveis fósseis estavam em mínimos históricos, e as energias renováveis ​​mantiveram-se numa desvantagem significativa em termos de subsídios governamentais. Para cada dólar gasto impulsionar as energias renováveis, quase quatro dólares foram gastos para manter a nossa dependência dos combustíveis fósseis.”

Taxas de crescimento de energia solar e eólica foram particularmente fortes. Ambas as tecnologias beneficiaram de preços que ganharam à geração de energia por gás, carvão e diesel num número crescente de mercados. A energia solar acrescentou 50 gigawatts (GW) de nova capacidade em 2015 — o que é um salto impressionante de 40 por cento sobre o valor adicionado em 2014. Quase que igualou o salto da energia eólica de 63 gigawatts — um aumento de cerca de 14 por cento sobre as adições de 2014 pela energia eólica. No total, a capacidade solar global é agora de 277 GW e a do vento de 433 GW.

Quota de energias renováveis no mercado global de produção energética

(As energias renováveis continuaram a ganhar terreno face às fontes de energia tradicionais, em 2015. A energia eólica e a energia solar juntas representam agora cerca de 5 por cento da geração mundial de eletricidade com a geração total por energias renováveis agora perto de 23,7 por cento. Fonte da imagem: Relatório de Status Global das Energias Renováveis​).

Como parte da geração mundial de eletricidade, as energias renováveis ​​cresceram cerca de 1 por cento de ano para ano entre 2014 e 2015 – saltando de 22,8 por cento para 23,7 por cento. Uma taxa de crescimento que superou o carvão e o gás em muitos mercados. Entretanto, o número de pessoas que estão agora empregadas no sector das energias renováveis ​​a nível global expandiu para 8,1 milhões.

99,2 Por Cento de todos os Novos Crescimentos na Potência Elétrica Norte-Americana Vieram de Fontes Renováveis ​Durante o Primeiro Trimestre de 2016

Seguindo para 2016, os EUA viram uns impressionantes 99,2 por cento de todas as adições de electricidade virem de fontes renováveis ​​durante o primeiro trimestre. Adicionando no geral cerca de 2,1 gigawatts de nova capacidade, dominada por energia eólica e solar.

O maior contribuinte para esses ganhos foi a energia solar residencial, que instalou 900 megawatts de nova capacidade. A queda dos custos dos clientes no mercado residencial estimulou esses ganhos até porque os incentivos estaduais e federais forneceram uma perspetiva ensolarada para aqueles que deram o mergulho solar do telhado. O arrendamento solar foi responsável por cerca de 60 por cento da nova capacidade. Mas uns saudáveis 40 por cento vieram de compras diretas. Taxas de compras solares têm beneficiado de acesso fácil a crédito e de um ambiente de política positiva em muitos estados (embora exceções como Nevada colocaram um peso na taxa nacional de adesão).

Porcentagem de energias reováveis na nova capacidade de geração de energia eléctrica nos Estados Unidos

Nova Capacidade de Geração de Energia Eléctrica nos Estados Unidos (1º Trimestre 2016) | Outros tipos de energia solar, eólica, solar à escala de companhia, biomassa, hídrica, gás natural, geotermal, calor de detritos, nuclear, carvão, petróleo, outros.

(Uns impressionantes 99,2 por cento de toda a nova capacidade de produção de electricidade veio de fontes renováveis ​​durante o 1º trimestre de 2016. Se formos sábios, trabalharemos para assegurar que toda a nova energia vem de fontes sem carbono daqui em diante. Fonte da imagem: Renewables — 99 Percent of New Electricity Capacity in the US During Q1.)

Estes acrescentos residenciais substanciais marcaram uma tendência contínua na qual permitem mais e mais aos proprietários individuais a escolha entre energia da companhia, contratos de aluguer solar, e propriedade individual de produção de energia. Uma nova liberdade que proporciona resiliência ao crescimento das energias renováveis por todos os EUA, desde que as políticas adversárias não sejam promulgadas (como vimos em Nevada, com as táticas violentas no processo político por Warren Buffet, numa tentativa de proteger o legado das explorações de carvão e gás ).

Entretanto, o vento adicionou 707 megawatts de nova potência e a utilidade de energia solar adicionou 522 megawatts. O gás, que manteve preços de combustível quase historicamente baixos, apenas acrescentou 18 megawatts. Juntos, esta imagem mostra que a resistência, com base na preocupação pelas alterações climáticas, a nova infra-estrutura de combustíveis fósseis tem-se combinado com a queda dos preços das renováveis ​​para empurrar a maioria das utilidades a optarem sair das novas infra-estruturas baseadas em carbono. Tendências maiores, como o plano de energia limpa de Obama, a Cimeira do Clima de Paris e as campanhas vigorosas de desinvestimento em combustível fóssil, anti-oleoduto, e anti-carvão lançadas pela 350.org e a Sierra Club, servem como um poderoso moral nas costas das ​​crescentes economias de energias renováveis. Uma combinação de ações governamentais e ONGs que gerou agora um nível decente de execução para a redução da dependência de combustíveis nocivos.

Taxa de adesão às energias renováveis nos Estados Unidos por sector

(Grandes adesões a renováveis ​​ultrapassaram o gás natural ano a ano enquanto o carvão viu grandes cortes. No geral, o uso da eletricidade dos EUA também esteve baixo. Fonte da imagem: Renewables — 99 Percent of New Electricity Capacity in the US During Q1.)

As diferenças de ano para ano na geração de energia desde o 1º trimestre de 2015 ao 1º trimestre de 2016 pintam um quadro bastante brilhante para aquilo que parece ser uma transição energética em curso nos Estados Unidos. A utilização de carvão em geral caiu 7,3 por cento para 28,6 por cento do total dos EUA. As energias renováveis ​​deram um salto de quase 3 por cento para 17,1 por cento do total dos EUA – ocupando quase metade da perda que vem do carvão. A maior parte do ganho em energias renováveis veio de energia eólica e solar, as quais saltaram de 5,2 para 7,2 por cento do total dos EUA. Em mais de 1 milhão de telhados e incluindo uma parte crescente da utilidade de geração de energia, a energia solar ultrapassou pela primeira vez o 1 por cento da geração de eletricidade dos Estados Unidos – um limite que muitos vêem como um ponto de inflexão para taxas de adesão em rampa . A geração de energia pela água adicionou cerca de outro 1 por cento. E arredondando as fontes de energia de não-carbono, a energia nuclear adicionou 1,2 por cento para aumentar para 20,9 por cento do total dos EUA (embora a adição de geração de energia nuclear tenha sido menor do que tanto a eólica como a solar, o seu total líquido afigurou-se favoravelmente ao longo de um período em que, em geral, o consumo de energia dos EUA caiu).

Conduzidos por quedas no uso líquido de carvão e petróleo num total combinado de 94.000 gigawatts hora, a geração de eletricidade dos EUA caiu mais de 50.000 gigawatt/hora – uma queda de quase 5 por cento. Isto dá continuação a uma tendência maior de abrandamento da procura de electricidade nos EUA — uma que tem sido impulsionada em parte pelo aumento de eficiência em toda a cadeia de energia elétrica. E o único sistema de energia baseada em combustíveis fósseis que mostrou ganhos de ano em ano foi o gás natural — que acrescentou um pouco mais de 19.000 gigawatt-hora. Um total que ficou atrás da adesão às renováveis ​​em cerca de 3.000 gigawatts-hora.

A tendência em os EUA é, portanto, surpreendentemente clara. Apesar dos preços historicamente baixos de carvão e gás, as energias renováveis ​​e a eficiência energética são agora a força dominante num mercado de eletricidade dos Estados Unidos que atualmente parece estar a fazer movimentos sólidos no sair de fontes de energia tradicionais à base de combustíveis fósseis.

Tendências Positivas, mas Ainda Demasiado Lentas

Para ser claro, estas são tendências muito positivas. Numa comparação entre o 1º trimestre de 2015 com o 1º trimestre de 2016, o uso de combustíveis fósseis para geração de energia nos Estados Unidos caiu de cerca de 67 por cento para 62 por cento. Mas 62 por cento ainda é uma maioria da base de produção de energia eléctrica dos EUA. E com a mudança climática já a chegar a extremos perigosos, o objetivo aqui devia ser o de empurrar a queima de combustíveis fósseis para electricidade nos EUA aléḿ do nível de 50 por cento e em direção a 0 por cento o mais rapidamente possível. Assim, para os EUA, que mostrou claramente uma liderança global no corte de combustíveis à base de carbono ao longo do último ano, ainda há um longo caminho pela frente. E o mundo, mesmo no contexto mais positivo de geração de eletricidade, ficou atrás da taxa de adesão a energia renovável pelos EUA em cerca de 50 por cento, enquanto o uso líquido de energia está a crescer (não a encolher).

No ponto em que estamos, a utilização de energia eléctrica não é todo o consumo de energia. E numa perspectiva global, adicionando o transporte, a energia renovável só conseguiu ganhar uma fatia adicional de 0,1 por cento do bolo global de energia (aumentando para 19,2 por cento). Este atraso deveu-se em grande parte ao crescente uso de petróleo nos transportes — que beneficiou de preços mais baixos. E embora o salto na demanda global de petróleo não tenha sido tanto quanto algumas partes interessadas nos combustíveis fósseis esperavam, conseguiu evitar um maior ganho líquido global no total de energia renovável global.

Preço energético nivelado comparando diferentes fontes de energia

(A queda dos preços LCOE das energias eólica e solar combinaram-se com a preocupação global quanto à mudança climática causada pelos humanos no empurrar das taxas de adoção de energia renovável, que sobem em rampa. Uma segunda onda de maior acesso ao mercado será necessariamente impulsionada pelos esforços políticos renovados juntamente com a queda dos preços de armazenamento de energia e uma invasão de nova produção de veículos elétricos chegando entre 2017 e 2022. Fonte da imagem: Commons).

Perspectivando o futuro, o mundo irá precisar de adicionar na faixa de 250 a 350 gigawatts de energia renovável por ano enquanto adotando rapidamente os veículos elétricos e as tecnologias de armazenamento de energia relacionadas, de modo a fornecer taxas anuais de aumentos das quotas de renováveis em excesso de 2 por cento, enquanto se corta no uso de combustíveis fósseis no setor de transportes. As sinergias entre os aumentos na produção de veículos elétricos e queda dos custos de baterias proporcionam um caminho para esta próxima fase de expansão de energia renovável. Pois os veículos eléctricos em garagens (EVs) podem atuar como dispositivos de armazenamento de energia com o software adequado, redes inteligentes, e comercialização de energia organizada. Enquanto isso, as baterias EV antigas podem ser readaptadas para dispositivos de armazenamento de energia de baixo custo em casas, empresas e nas utilidades, as quais podem ajudar na penetração de renováveis na rede de energia.

Os interesses especiais na indústria de combustíveis fósseis são susceptíveis de lutar contra esta fase de crescimento de energia renovável com tudo o que têm. Mas, até agora, eles praticamente não conseguiram tirar o renascimento das energias renováveis ​​na sua infância. Agora, enquanto se move para a adolescência, os riscos são maiores e o jogo é provável que fique ainda mais duro. Mas parece que, apesar de toda a oposição por parte de vários atores mauzões dos combustíveis fósseis, esse renascimento da energia crítico está no processo de se instalar. E dado o facto de que uma mudança climática causada pelo homem muito perigosa está a aumentar muito mais rapidamente do que o esperado, o impulso de construção de uma transição de energia não poderia acontecer cedo o suficiente.

Traduzido do original Renewables are Winning the Race Against Fossil Fuels — But Not Fast Enough, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Junho de 2016.

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Padrão ondulado da corrente de jato com amplificação polar causa persistência de depressão e chuvas sobre Europa e Rússia
Robertscribbler

As Chuvas das Alterações Climáticas

Como as Alterações Climáticas geram os eventos de chuvas extremas na Europa e os enxames de gafanhotos que arruínam as culturas na Rússia.

Este ano era suposto estabelecer novos recordes na produção de grãos da Rússia. Mas isso foi antes de uma depressão persistente na Corrente de Jato [Jet Stream] ter canalizado tempestade após tempestade sobre a Ucrânia e a Rússia Ocidental e Central, desencadeando eventos recorde de chuvas extremas. Antes de um enxame de gafanhotos, invadindo mais para norte e mais cedo do que o que é típico, ter devastado mais de 170.000 acres de milho no sul da Rússia. Agora, a combinação da praga de insectos com a tempestade colocou as culturas de cereais em risco de défice.

Época de Plantio Interrompida por Chuvas Extremas

Padrão ondulado da corrente de jato com amplificação polar causa persistência de depressão e chuvas sobre Europa e Rússia

(Uma grande amplificação polar reforçada na Corrente de Jato [Jet Stream] sobre a Rússia Central e Ocidental quebrou o recorde de chuvas fortes em Maio, colocando a safra de cereais em perigo. Fonte da imagem: Earth Nullschool).

Para a Rússia Ocidental e Central, Maio foi um mês terrível para a temporada de plantio. O aquecimento no Ártico ajudou na geração de inúmeras ondas de alta amplitude na Corrente de Jato. Estas ondas, por sua vez, geraram uma zona de depressão profunda sobre a Rússia Ocidental e Central. Tal como acontece com muitas características meteorológicas recentes relacionadas com a mudança climática, a depressão ficou emperrada por estes lados. E uma série de tempestades aparentemente intermináveis ​​despejaram entre 2 e 6 vezes a quantidade normal de chuvas sobre zona de crescimento mais produtiva da Rússia.

As chuvas impediram ou retardaram o ritmo de plantio de sementes. Na Rússia Central, o plantio simplesmente parou. Agora algumas estimativas estão a sugerir que a Rússia poderá falhar no seu objetivo de colheita recorde de grãos. Andrey Sizov Jr., diretor-gerente da consultoria SovEcon em Moscovo, declarou hoje à AGWeb que:

“Há demasiada chuva. O plantio parou completamente no centro. Se as chuvas continuarem, não vai haver nenhum recorde” de colheita de cereais.

Enxame de Gafanhotos Devora 10 Por Cento da Colheita de Milho do Sul da Rússia


(Um enxame de gafanhotos maciço escurece os céus no sul da Rússia. Este enxame que chegou antes do tempo já foi reportado como tendo devorado uma grande parte da safra de milho da região — levando as autoridades de lá a declararem um estado de emergência.)

Novas dúvidas sobre a colheita de grãos da Rússia também surgiram após relatos da imprensa indicarem que 10 por cento ou 170.000 ares da safra de milho do sul da Rússia foi destruída por um enxame maciço de gafanhotos durante o final de Maio e início de Junho. O enxame é parte de uma chegada anual dos insetos do Norte de África. Mas este ano, as condições meteorológicas mais quentes do que o normal — reforçadas pelo ar quente arrastado para cima à frente da depressão chuvosa a norte — pensa-se terem estimulado o acasalamento, aumentando o tamanho do enxame, e ajudado na sua chegada antecipada.

No ano passado, um enxame de gafanhotos vorazes também consumiu uma parcela significativa das culturas do sul da Rússia entre meados e o fim do Verão. Infelizmente, o enxame este ano provavelmente apenas agora começou — o que significa que com a maior parte do Verão adiante, há um risco de que o enxame irá continuar a expandir durante semanas ou mesmo meses.

Os agricultores tentaram controlar os insetos através do uso de pesticidas e acendendo fogos sobre os campos com enxames . Mas os gafanhotos, que podem crescer do tamanho do um pequeno pássaro e comer o seu peso em comida todos os dias, são ambos resistentes e resilientes. O enxame precoce deste ano foi tão intenso que as autoridades locais já declararam estado de emergência.

Condições em Contexto

As alterações climáticas forçadas pelos humanos têm tanto um potencial aumentado para desencadear eventos extremos de chuva como para estender o período de tempo durante o qual enxames de insetos como gafanhotos podem se mover e reproduzir. O calor que trepa em direção a norte também expande o alcance dos enxames de gafanhotos, até porque o calor, seca e chuvas fortes extremos podem aumentar a tendência dos insetos para se juntarem em grandes grupos em vez de procurarem alimento individualmente.

Nos últimos meses, várias zonas de depressão por todo o mundo têm produzido eventos extremos de precipitação recorde relacionados à mudança climática causada pelos humanos. As chuvas da Rússia Central e Ocidental juntam-se às inundações extremas na Alemanha, França, e ao longo do sudeste do Texas para gerar um contexto global da perturbação climática em curso. Disrupções que têm, no total, inundado centenas de casas, ferido dezenas, e resultado em perda de vidas. Um novo tipo de perigo do tempo que, quando combinado com um enorme enxame de gafanhotos inflamados pelo aquecimento, está agora a ameaçar a estação de cultivo da Rússia.

Mas a Rússia não é a única região cujas culturas estão a sentir a agressão de todas as condições meteorológicas extremas relacionadas à mudança climática. Em França, as chuvas recorde colocaram a safra de trigo em perigo. No Reino Unido, as colheitas foram afetadas pela seca. Na Argentina, 4 a 8 milhões de toneladas de soja perderam-se devido a inundações. Na Índia, a seca cortou a água a 330 milhões de pessoas, forçou os agricultores a abandonarem os seus meios de subsistência e buscarem refúgio numa diáspora crescente para as cidades. Nos Estados Unidos, a agricultura da Califórnia ainda está a sofrer com os efeitos de uma seca de quatro anos. E com uma onda de calor recorde a emergir sobre os EUA Ocidental na sexta-feira, mesmo enquanto o Texas continuava debaixo das chuvas, a ladainha de tempo de estragos nas colheitas apenas parece continuar.

Traduzido do original The Rains of Climate Change, Voracious Locust Swarms Wreck Crops in Russia, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de Junho de 2016.

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