Inabitavel - Areas de risco de seca climatica e desertificação em África
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Tornado Inabitável pelo Calor — Sudão e Partes do Norte de África e Médio Oriente Estão Ameaçados

O Norte de África já está quente e está a aumentar fortemente em temperatura. Em algum momento neste século, parte da região irá tornar-se inabitável.

Dr. Johannes Lilieveld

O número de refugiados climáticos pode aumentar drasticamente no futuro. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Química e do Instituto Cyprus em Nicósia calcularam que o Médio Oriente e Norte da África podem tornar-se tão quentes que a habitabilidade humana fica comprometida.

O Instituto Max Planck

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Ondas de calor tão quentes que é impossível realizar qualquer atividade ao ar livre sem ameaça de lesão ou pior. Tempestades de areia furiosas que tornam o ar irrespirável. Secas enormes que arruínam a produtividade agrícola e a biodiversidade ao mesmo tempo. Secções da África e do Oriente Médio estão atualmente a ter uma amostra destas novas e perigosas condições climáticas. Mas a sua frequência pode aumentar em cinco vezes ou mais ao longo dos próximos 30-40 anos — um mal ameaçador, o colapso do governo, e o deslocamento forçado de milhões de pessoas.

O Sudão poderia tornar-se inabitável pela mudança climática

Devido ao aquecimento causado pelo homem, estes tipos de eventos já estão a acontecer em lugares como o Sudão, com frequência cada vez maior. E uma reportagem recente da CNN mostra que esse estado norte-Africano está sob a ameaça de se tornar inabitável para os seres humanos devido às alterações climáticas.

Areas de risco de seca climatica e desertificação em África

Um novo crescendo infértil. A mudança climática aumenta os riscos de desertificação de regiões semi-áridas em toda a África. Fonte da imagem: Grid-Arendal, Universidade de Columbia e CNN

A seca tem impactado a agricultura na medida em que 1,9 milhões de pessoas nesta nação de 40 milhões poderiam enfrentar a fome durante o próximo par de anos. Mais de 3,2 milhões enfrentam escassez de água. E na justaposição irónica que muitas vezes vem com a mudança climática — desde 2013 cerca de 600.000 pessoas foram deslocadas devido aos dilúvios que têm cada vez mais frequentemente chegado no fim dos períodos longos e secos.

Para o Sudão, os problemas estão apenas a começar. Lá para meados do século as temperaturas de superfície na região podem aquecer entre 1,1 e 3,1 graus Celsius. E tanto aquecimento adicional vai multiplicar a ocorrência dos tipos de ondas de calor, secas e tempestades de poeira nocivas que estão a acontecer hoje muitas vezes mais. No final, o Sudão está em risco de ser abandonado já que as suas terras são tomadas por um clima impróprio para habitação humana.

500 Milhões de Pessoas Sob Calor e Seca Extremos em África e no Médio Oriente em Meados do Século

Mas não é apenas o Sudão que está a enfrentar uma mudança para condições climáticas de desfazer a nação. Em 2050, os eventos relacionados com o calor extremo irão acontecer cinco vezes mais frequentemente enquanto a Terra aquece numa crescente dissecação em África e ao longo de uma boa parte do Oriente Médio. Durante os verões, a meados do século, as temperaturas em toda esta zona vulnerável poderiam chegar a tanto quanto 5 graus Celsius mais quente do que são hoje.

Temperaturas quentes no mèdio Oriente e Norte de Árica

Incrivelmente quente: o Norte de África e Médio Oriente, a temperatura média irá subir creca de 2,5ºC (esquerda) por volta de meados do século, e no verão em torno de cinco graus Celsius (direita) se as emissões de gases de efeito estua continuarem a aumentar de acordo com o cenário de negócios como sempre (RCP8.5).

(As temperaturas deverão subir a níveis extremos em toda a África e Médio Oriente devido à queima de combustíveis fósseis e o aquecimento relacionado do Sistema Terra. Os impactos produzem um risco elevado de migração em massa para fora dessas regiões à medida que as condições de estufa tomam posse. Fonte da imagem: O Instituto Max-Planck).

Incluindo o Sudão, mais de 500 milhões de pessoas vivem nesta região. E de acordo com o Instituto Max-Planck, dias extremamente quentes — dos quais houve 16 por ano dentro desta área vulnerável entre 1986 e 2005 — irão aumentar em cinco vezes para 80 por volta de 2050, e até entre 118 a 200 em 2100.

Um calor extraordinário e persistente adicionado vai assar a humidade dos solos, arruinar florestas, e fazer avançar desertos. Irá produzir dias de temperaturas húmidas que se aproximam ou ultrapassam o limite da resistência humana (35 C) outra e outra vez. Uma tal elevada prevalência e intensidade de condições adversas farão os problemas atuais enfrentados pela região parecerem leves a moderados em comparação. No final, inúmeros locais provavelmente tenderão a tornar-se basicamente inabitáveis.

Chamada à Ação

Dada a dureza que vem a caminho e aquilo que provavelmente será uma migração em massa evitável, cientistas e ambientalistas estão a chamar à ação. A CNN e outros têm destacado a necessidade de ajuda a África e ao Médio Oriente. Mas por tão útil que seja o auxílio àqueles que estão desesperados e a lutarem para sobreviver, o principal condutor de todo o problema são as emissões de combustíveis fósseis pelos seres humanos. E a menos que pare, esta região e os seus povos altamente vulneráveis, entre outros ao redor do mundo, serão atingidos muito duramente.

Michelle Yonetani, um conselheiro sénior em catástrofes do Centro de Monitoração para o Deslocamento Interno, observou que encorajar os governos a aumentarem os compromissos para agirem sobre o clima é “talvez um dos meios mais indiretos [para ajudar], mas [é] a nível mundial o mais importante. Agora é realmente o momento de pressionar os governos para agir … “Caso contrário, vastas regiões em África e no Médio Oriente enfrentaram desestabilização, colapso, e migração em massa em horizontes de tempo bastante curtos.


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Traduzido do original
Rendered Uninhabitable by Heat — It’s Not Just Sudan, Parts From North Africa to the Middle East are Under the Gun
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 9 de dezembro de 2016.

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Aumento do dióxido de carbono pela respiração dos solos é um feedback de amplificação que nos leva a um ponto de não-retorno
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Para Além do Ponto de Não-Retorno — Feedbacks de Carbono Iminentes Acabaram de Aumentar em Muito os Riscos do Aquecimento Global

É justo dizer que passámos o ponto de não-retorno sobre o aquecimento global e que não podemos reverter os efeitos, mas certamente podemos amortecê-los

disse o especialista em biodiversidade Dr. Thomas Crowther.

Eu sou um otimista e ainda acredito que não é tarde demais, mas precisamos urgentemente de desenvolver uma economia global dirigida por fontes de energia sustentáveis e começar a usar CO2, como um substrato, em vez de como um produto residual.

Prof. Ivan Janssens, reconhecido como um dos padrinhos do campo da ecologia global.

… estamos no momento mais perigoso do desenvolvimento da humanidade. Temos agora a tecnologia para destruir o planeta em que vivemos, mas ainda não desenvolvemos a capacidade para o evitar … só temos um planeta, e precisamos de trabalhar juntos para o proteger.

— Professor Stephen Hawking ontem no The Guardian.

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O caminho para a prevenção de uma mudança climática catastrófica acabou de se tornar muito mais estreito.
Pois de acordo com novas estimativas conservadoras num estudo científico liderado pelo Dr. Thomas Crowther, somente o aumento da respiração do solo está prestes a adicionar entre 0,45 e 0,71 partes por milhão de CO2 à atmosfera a cada ano, entre agora e 2050.


(Thomas Crowther explica porque reduzir rapidamente as emissões humanas de gases com efeito de estufa é tão importante. Concretamente, é preciso fazer tudo o que for possível para se evitar uma situação descontrolada rumo a um ambiente de estufa que, essencialmente, irá ocorrer em apenas um século. Fonte do vídeo: Instituto de Ecologia da Holanda).

O que isto significa é que mesmo que todas as emissões humanas de combustíveis fósseis parassem, o ambiente da Terra, a partir desta única fonte, irá gerar aproximadamente a mesma quantidade de carbono que toda a indústria de combustíveis fósseis do mundo gerou a meio do século XX. E que, se as emissões humanas não pararem, então o ritmo do aquecimento global dos oceanos, camadas de gelo e atmosfera irá acelerar num evento de aquecimento descontrolado ao longo dos próximos 85 anos.

Aquecimento Global Ativa Respiração do Solo, o Que Produz Mais CO2

Isso acontece porque à medida que o mundo aquece, o carbono é extraído de solos anteriormente inativos através de um processo conhecido como respiração. Explicado de uma maneira básica, microorganismos chamados heterótrofos consomem carbono do solo e produzem dióxido de carbono como subproduto. O calor é necessário para alimentar este processo. E grandes partes do mundo, que antes eram demasiado frias para suportar respiração em grande escala e produção de CO2 por heterótrofos e outros organismos, estão agora a aquecer. O resultado é que sítios como a Rússia siberiana, Europa do Norte, Canadá e Alasca estão prestes a contribuir uma quantidade muito superior de CO2 (e metano) para a atmosfera do que fizeram durante o século XX.

Quando o aquecimento inicial causado pela queima de combustíveis fósseis extrai mais carbono do ambiente global, chamamos a isto feedback de amplificação. Trata-se de um ponto de viragem climático crítico quando o sistema de carbono global do ambiente natural começa a a fugir-nos.

Infelizmente, a respiração do solo é apenas um mecanismo de feedback potencial que pode produzir gases de efeito estufa adicionais à medida que a Terra aquece. Oceanos em aquecimento absorvem menos carbono e são capazes de produzir as suas próprias fontes de carbono conforme acidificam e as excreções de metano proliferam. Florestas que ardem devido ao calor e à seca produzem as suas próprias fontes de carbono. Mas o aumento da respiração do solo, que também tem sido chamado de bomba de composto, representa o que é provavelmente uma das mais imediatas e provavelmente maiores fontes de feedback de carbono.

Aumento do dióxido de carbono pela respiração dos solos

Um novo estudo descobriu que um aquecimento de 1º a 2ºC até 2050 irá aumentar a respiração do solo. O resultado é que entre 30 a 55 mil milhões de toneladas de CO2 adicionais irão provavelmente atingir a atmosfera terrestre ao longo dos próximos 35 anos. Fonte da imagem: Nature.

E também é importante salientar que o estudo classifica as suas próprias conclusões como estimativas conservadoras. Que o mundo poderá, num dos piores cenários, assistir a tanto quanto até quatro vezes a quantidade de feedback de carbono (ou tanto quanto 2,7 ppm de CO2 por ano) proveniente do solo, caso a respiração for mais eficiente e abrangente do que o esperado. Caso uma parcela maior do carbono do solo de superfície, em regiões recém-aquecidas, se tornar numa parte do sistema climático, à medida que os micróbios se ativarem.

Feedbacks de Amplificação a Começarem a Acontecer Agora

O estudo observa que o mais provável é que cerca de 0,45 partes por milhão de CO2 por ano serão removidas do solo, sobretudo de solos setentrionais no período entre 2016-2050, sob condições de 1ºC de aquecimento global durante esse período. Até este ponto, é importante notar que o mundo já aqueceu mais de 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Portanto, esta quantidade de feedback de carbono já pode ser considerada como garantida. O estudo conclui que, se o mundo continuar a aquecer até aos 2ºC até 2050 — o que é provável que aconteça, — então uma média de cerca de 0,71 partes por milhão de CO2 serão removidas dos solos através da respiração a cada ano até 2050.

Taxa de libertação de carbono dos solos com a temperatura

(Quando os solos perdem carbono, este acaba na atmosfera. De acordo com um novo estudo, os solos em todo o mundo estão a começar a bombear dióxido de carbono para a atmosfera. Isto é causado pelo aumento da respiração do solo à medida que a Terra aquece. Ao longo dos próximos 35 anos, espera-se que a quantidade de dióxido de carbono que será bombeada para fora dos solos do mundo aumente drasticamente. A quantidade será determinada por quão quente o mundo se tornar ao longo dos próximos 35 anos. Fonte da imagem: Nature.)

A conclusão deste estudo é que os feedbacks de carbono de amplificação a partir do ambiente da Terra estão provavelmente a começar a acontecer em grande escala neste momento. E poderemos estar a assistir a algumas evidências deste efeito durante 2016, numa altura em que as taxas de acumulação de dióxido de carbono atmosférico estão acima de 3 partes por milhão por ano pelo segundo ano consecutivo, mesmo tendo as taxas globais de emissões humanas estabilizado.

Para Além do Ponto de Não-Retorno

O que isto significa é que os riscos para reduzir as emissões humanas de carbono para zero o mais rapidamente possível acabaram de aumentar imenso. Se não conseguirmos fazer isto, vamos facilmente estar no bom caminho para 5-7ºC ou mais de aquecimento até o final deste século. E este nível de aquecimento a acontecer tão cedo e num período de tempo tão curto é um evento que poucas, se é que algumas, civilizações humanas atuais são suscetíveis de sobreviver. Além disso, se quisermos evitar um aquecimento terrivelmente prejudicial ao longo de períodos mais longos, não devemos somente transitar rapidamente para fontes de energia renováveis. Temos também de alguma forma aprender a tirar carbono, em quantidade líquida, da atmosfera em grandes volumes.

Hoje, o Professor Ivan Janssens da Universidade de Antuérpia observou:

Este estudo é muito importante, porque a resposta dos stocks de carbono do solo ao aquecimento em curso é uma das maiores fontes de incerteza nos nossos modelos climáticos. Eu sou um otimista e ainda acredito que não é tarde demais, mas precisamos urgentemente de desenvolver uma economia global dirigida por fontes de energia sustentáveis e começar a usar CO2, como substrato, em vez de como produto residual. Se isso acontecer até 2050, então podemos evitar um aquecimento acima 2ºC. Se não, vamos chegar a um ponto de não-retorno e provavelmente passaremos os 5ºC.

Por outras palavras, até os otimistas neste momento acham que estamos à beira de um aquecimento global catastrófico descontrolado. Que o momento para agir com urgência é agora.


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Traduzido do original
Beyond the Point of No Return — Imminent Carbon Feedbacks Just Made the Stakes for Global Warming a Hell of a Lot Higher
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de dezembro de 2016.

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Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.
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Com as Temperaturas a Chegar aos 1,2ºC mais Quente do que o Pré-Industrial, a Seca Agora Abrange Todo o Globo

Jeff Goodell, um autor americano e editor na Rolling Stone, é conhecido por dizer o seguinte: “assim que começarmos deliberadamente a brincar com o clima, podemos inadvertidamente alterar os padrões de chuva (os modelos climáticos mostram que a Amazónia é particularmente vulnerável), causando o colapso de ecossistemas, seca, fome e mais.”

Estamos em processo de testar essa teoria. No caso da seca, que costumava ser apenas um assunto regional mas que agora se tornou global, Goodell parece ter acertado na mouche.

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De acordo com um relatório recente da Organização Meteorológica Mundial, a Terra está a caminho de atingir 1,2 graus Celsius mais quente do que as temperaturas pré-industriais durante 2016. Da subida do nível do mar, ao derretimento do gelo polar, a condições meteorológicas extremas, a um número crescente de pessoas deslocadas, este salto de temperatura está a criar impactos cada vez piores. Entre os mais vívidos destes está a extensão atual da seca global.

A Seca Global de Quatro Anos

Durante os anos de El Niño, as condições de seca tendem a expandir-se através de várias regiões à medida que as superfícies oceânicas aquecem. Entre 2015 e 2016, o mundo experienciou um poderoso El Niño. No entanto, apesar da influência observada deste aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, uma seca global amplamente extensa remonta a 2013 e até antes.

Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.

O Global Drought Monitor revela que condições secas têm sido predominantes durante grande parte do globo ao longo dos últimos quatro anos. Em algumas regiões, como na área do rio Colorado, a seca já se prolonga há mais de uma década. Fonte da imagem: SPEI Global Drought Monitor.

Na imagem acima, vemos défices de humidade do solo ao longo dos últimos 48 meses. O que encontramos é que grandes seções de praticamente todos os principais continentes estão a passar por, pelo menos, uma seca de quatro anos. As condições de seca foram previstas intensificarem-se, por modelos climáticos, nas latitudes médias à medida que o mundo aquecia. Parece que este é já o caso, mas a zona Equatorial e as latitudes mais altas também estão a experienciar seca generalizada. Se existe um padrão detetável nas condições atuais, é que poucas regiões têm evitado a seca. A seca é tão abrangente que é praticamente global na sua extensão.

Impactos Severos Generalizados

Estas condições de seca têm impactos notórios.

Só na Califórnia, mais de 102 milhões de árvores morreram devido ao aumento das temperaturas e uma seca que já dura desde 2010. Desses, 62 milhões já morreram só este ano. O relacionamento da seca com a mortalidade das árvores é bastante simples — quanto mais a seca durar, mais árvores perecerão à medida que as reservas de água nas raízes são usadas. A Califórnia perdeu, até agora, 2,5 por cento das suas árvores vivas devido ao que é agora o pior caso de mortalidade de árvores na história do estado.

Stress da vegetação às alterações climáticas

Não é apenas a Califórnia. Numerosas regiões por todo o mundo mostram plantas a passarem por condições ameaçadoras que colocam a sua vida em risco. No mapa acima, a saúde vegetativa é mostrada como estando sob stress, desde moderado [amarelo], a severo [rosa], em amplas regiões do mundo. Fonte da imagem: Global Drought Information System.

A seca californiana é apenas um aspecto de uma seca maior que abrange grande parte do Oeste norte-americano. Para a área do Rio Colorado, isto inclui uma seca de 16 anos que tem colocado o Lago Mead nos seus níveis mais baixos jamais registados. Com o racionamento iminente dos abastecimentos de água do rio, a menos que uma pausa milagrosa na seca surja de repente, os estados estão em sobressalto para descobrir como gerir uma escassez que se agrava. Enquanto isso, relatórios indicam que cidades como Phoenix irão exigir ação executiva por parte do presidente para garantir o abastecimento de água para milhões de residentes ao longo dos próximos anos, caso as condições não melhorem.

Mais a leste, a seca tem estado intermitente no centro e sul dos EUA. No sudeste, uma seca relâmpago recentemente ajudou a impulsionar uma onda fora-de-época de incêndios florestais sobre a região de Smoky Mountain. Ontem, em Gaitlinburg, Tennessee, chamas furiosas alimentados por ventos diante de uma frente fria obrigaram 14.000 pessoas a evacuar, danificaram ou destruíram 100 casas e ceifaram três vidas.

Incêndios resultam de seca severa Sibéria Julho 2016

Incêndios na Sibéria ativos a 23 de julho de 2016, ocorreram num contexto de seca severa. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Nas latitudes setentrionais superiores, a principal consequência da seca também tem sido incêndios florestais. Os incêndios florestais são frequentemente atiçados por calor e seca em regiões densamente florestadas com níveis de humidade do solo reduzidos. O degelo do permafrost e os níveis reduzidos de cobertura de neve agravam a situação, reduzindo ainda mais o armazenamento de humidade em regiões secas e adicionando combustíveis tipo turfa para os incêndios.

Do Alasca ao Canadá até à Sibéria, este tem sido cada vez mais o caso. No ano passado, o Alasca experienciou uma das suas piores épocas de incêndios florestais de que há registo. Este ano, tanto o calor como a seca contribuíram para os intensos incêndios na região de Fort McMurray, no Canadá. E nos últimos anos, incêndios florestais alastrando-se por uma Sibéria tremendamente seca têm sido tão extremos que satélites em órbita, a um milhão de milhas de distância, puderam detetar as plumas de fumo.

Seca e incêndios florestais no ou perto do Ártico parecem justificadamente estranhos, mas quando se considera o facto de que muitos modelos climáticos haviam previsto que as latitudes setentrionais elevadas seriam uma das poucas grandes regiões a experienciar aumentos na precipitação, essa estranheza torna-se ameaçadora. Se a atual tendência de seca generalizada no Ártico for representativa, então o aquecimento apresenta um problema de seca de Equador a Pólo.

Um lago Baikal a minguar — que se alimenta de água que flui da chuva e neve da Sibéria Central — comporta um testamento sombrio de uma seca em expansão sobre a Rússia central e do norte. O lago Baikal, o mais profundo e antigo lago do mundo, está ameaçado pela secagem relacionada com as alterações climáticas das terras que drenam para si. Em 2015, os níveis de água no Baikal atingiram níveis recorde de baixa, e ao longo dos últimos anos, incêndios em redor do lago têm crescentemente colocado em perigo as comunidades locais e a vida selvagem.

Para o sul e oeste, a província de Gansu na China foi colocada sob um alerta de seca de nível 4 este verão passado. Aí, grandes faixas de culturas foram perdidas; 500 milhões de dólares em danos no acumulados. O governo chinês apressou ajuda a 6,2 milhões de moradores afetados, transportando água potável por camião para regiões que ficaram desprovidas de abastecimentos locais.

Seca na Índia em 2016

Lagos e leitos de rios secaram por toda a Índia neste ano, tendo a monção sido adiada pelo terceiro ano consecutivo. Fonte da imagem: India Water Portal

A Índia este ano experimentou uma escassez de água semelhante, mas muito mais generalizada. Em abril, 330 milhões de pessoas na Índia experienciaram pressões hídricas. Comboios de reabastecimento de água viajaram através do campo, entregando garrafas de líquido potável a moradores que tinham perdido o acesso. O retorno da monção da Índia forneceu algum alívio, mas a seca na Índia e nas terras altas do Tibete continua, com glaciares a encolher expostos ao ar quente.

África tem visto recentemente várias crises alimentares surgirem, à medida que incêndios vão assolando através das suas florestas equatoriais. Pressões para seres humanos, plantas e animais devido à secura, escassez de água e alimentos, e incêndios têm sido notoriamente severos. Mais recentemente neste ano, 36 milhões de pessoas em toda a África enfrentaram fome devido aos impactos relacionados com a seca. Mais recentemente, a África do Sul foi forçada a reduzir manadas de hipopótamos e búfalos devido à continuação da seca de vários anos lá.

Mais para norte, na Europa, também encontramos condições de seca generalizada e em expansão. Esta situação não é inesperada para o Sul da Europa, onde os modelos climáticos globais mostram incursões de climas desérticos do outro lado do Mediterrâneo. Mas como com o norte da Rússia e América do Norte, a Europa do Norte também está experienciar seca. Estas secas por toda a Europa ajudaram a desencadear graves incêndios em Portugal e Espanha no verão, numa altura em que se prevê a queda da produção de milho para a região.

Seca e incêndios na Amazónia do Peru

Em novembro, a seca propiciou incêndios que despontaram ao longo da zona fronteiriça da floresta amazónica no Perú. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Finalmente, regressando às Américas, vemos condições de seca generalizada cobrindo grande parte do Brasil e da Colômbia, diminuindo ao longo da Cordilheira dos Andes, pelo Perú, Bolívia, Chile e Argentina. Em seções da cada vez mais desbastada e acossada pelo fogo floresta da Amazónia, e atualmente atingindo o nordeste do Brasil, as condições de seca duram agora desde há cinco anos. Lá, metade das cidades da região enfrentam racionamento de água e mais de 20 milhões de pessoas estão agora a ser confrontadas com stress hídrico. De setembro a novembro de 2015, mais de 40.000 hectares de floresta amazónica devastada pela seca arderam no Peru. Enquanto isso, a Bolívia viu o seu segundo maior lago secar e glaciares críticos para o abastecimento de água derreter, levando centenas de milhares de pessoas a ficar numa situação de racionamento de água.

Impactos na Comida

A seca e condições meteorológicas extremas em curso criaram impactos locais para o abastecimento de alimentos em várias regiões. No entanto, estes impactos ainda não afetaram seriamente os mercados globais de alimentos. A seca no Brasil e na Índia, por exemplo, tem impactado significativamente a produção de açúcar, o que por sua vez está causar um aumento dos preços globais dos alimentos. A produção de cereais foi um pouco menor, o que também está a causar preços mais elevados, embora não os grandes saltos que vemos no açúcar. Mas o Índice da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) para outubro de 2016 (173 aproximadamente), sendo 9 por cento superior ao valor do ano passado para esta época do ano, ainda está bastante longe do valor 229 de pico que ocorreu em 2011, e que contribuiu para tanta agitação em todo o globo.

Subida de preços dos alimentos em 2016

O aumento dos preços dos alimentos durante 2016, face a preços relativamente baixos de energia e desafios significativos relacionados com o clima para os agricultores, é causa para preocupação. Fonte da imagem: FAO

Dito isto, com preços da energia a cair para valores comparativamente baixos, preços de alimentos relativamente altos (e crescentes) são causas para preocupação. Tradicionalmente, a queda dos preços da energia também reduzem os preços dos alimentos, pois os custos de produção são menores, mas parece que estes ganhos pelos agricultores estão a ser compensados ​​por vários impactos ambientais e climáticos. Além disso, embora muito difundida, a seca parece ter até agora evitado grandes regiões produtoras de cereais, como o centro dos EUA, e o centro e leste da Ásia. Assim, o quadro global de alimentos, se não inteiramente rosado, não está tão mau quanto poderia ser.

Condições em Contexto — Aumento da evaporação, Derretimento dos Glaciares, Menos Cobertura de Neve, Zonas Climáticas em Deslocação

Com o mundo agora provavelmente a atingir 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais ao longo dos próximos 15 a 20 anos, as condições gerais de seca provavelmente agravar-se-ão. As maiores taxas de evaporação são uma característica primária do aquecimento, o que significa que mais chuva tem de cair só para acompanhar o ritmo. Além disso, a perda do gelo glaciar em várias cadeias montanhosas e a perda de cobertura de neve em ambientes Árticos e próximos do Ártico, agora mais secos, irão reduzir ainda mais os níveis dos rios e a humidade do solo. O aumento da prevalência de eventos extremos de precipitação em comparação com eventos de chuva estáveis irá colocar ainda mais pressão sobre a vegetação que ajuda a capturar a humidade do solo. Finalmente, as alterações à circulação atmosférica devido à amplificação polar irão combinar-se com um movimento em direção aos pólos das zonas climáticas, levando a uma confusão geral das estações tradicionais de cultivo. Como resultado, tudo que depende de abastecimentos de água constantes e padrões climáticos previsíveis irá enfrentar desafios à medida que o mundo se dirige para um estado de mudança climática mais evidente.


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Traduzido do original
With Temperatures Hitting 1.2 C Hotter than Pre-Industrial, Drought Now Spans the Globe
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 30 de novembro de 2016.

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Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca
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Alterações Climáticas Deixaram a Bolívia Debilitada pela Seca



Os bolivianos têm de estar preparados para o pior.

Presidente Evo Morales.

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Como muitos países, a Bolívia conta com os seus glaciares e grandes lagos para abastecimento de água durante os tempos rígidos e secos. Mas tendo a Bolívia aquecido como o resto do mundo, estas reservas de água congelada e líquida diminuíram e secaram. O aquecimento tornou o segundo maior lago do país num leito ressequido de solo endurecido. Este calor tornou o maior lago do país numa sombra da sua antiga extensão e profundidade. Forçou os glaciares da Bolívia a recuar completamente até aos cumes das suas montanhas nortenhas — reduzindo o importante glaciar Chacaltaya a nada. Vários reservatórios estão agora completamente secos. E, para centenas de milhares de pessoas, a única fonte de água potável é aquela carregada e entregue por camiões.

Emergência de Seca Declarada para a Bolívia

Depois de décadas de agravamento da seca e após um forte El Niño de 2014-2016, a Bolívia declarou o estado de emergência. 125.000 famílias estão em severo racionamento de água — recebendo abastecimentos apenas uma vez a cada três dias. A alocação de água para essas famílias é apenas o suficiente para beber. Não mais. Centenas de milhares para além deste grupo mais atingido também sofrem de alguma forma de restrição de água. Escolas foram fechadas. Negócios encerrados. 60.000 cabeças de gado pereceram. 149 milhões de dólares em danos já se acumularam. E por todo o país, protestos eclodiram.

A cidade de La Paz, que é a sede do governo da Bolívia e lar de cerca de 800.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), tem os seus três reservatórios quase completamente secos. O reservatório principal de água — Ajuan Kota — está apenas a 1 por cento da sua capacidade. Dois reservatórios menores estão a apenas 8 por cento.

Seca extrema na Bolívia devido às alterações climáticas.

Durante o ano passado, a seca na Bolívia tornou-se extrema — levando a declarações de emergência e resultando em racionamento de água. É o mais recente período seco severo de muitos a afetar o Estado ao longo das últimas décadas. O presidente Morales declarou que as alterações climáticas são a causa. E a ciência, em grande parte, concorda com ele. Fonte da imagem: The Global Drought Monitor.

Na vizinha El Alto, uma cidade de 650.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), os moradores também estão a sofrer com a escassez de água. A falta dela lá foi causa para agitação — com funcionários das águas brevemente a ficarem reféns de cidadãos desesperados.

Com os camiões de assistência a percorrerem as ruas e os bairros de La Paz e El Alto, o governo estabeleceu um gabinete de água de emergência. Planos para a construção um sistema mais resiliente já foram elaborados. E governos e empresas estrangeiras já foram solicitadas para dar assistência. Mas o problema maior da Bolívia provém de secas que têm ficado cada vez piores devido às alterações climáticas. E não é claro que a nova infraestrutura para a gestão da água esteja preparada para uma situação em que, cada vez mais, a água é removida na sua totalidade.

Lagos Secos, Glaciares a Minguar

Ao longo dos anos, fatores cada vez piores relacionados com as alterações climáticas tornaram a Bolívia vulnerável a qualquer período seco que esteja por vir. O efeito adicional do aquecimento é que mais chuva tem que cair para compensar o aumento da taxa de evaporação resultante. Enquanto isso, o recuo glacial significa que menos água derrete e flui para rios e lagos durante estes períodos quentes e secos. No final, esta perda de água combinada cria uma situação prevalente de seca para o Estado. E quando um período seco é desencadeado por outras caraterísticas climáticas — como aconteceu com o forte El Niño que ocorreu entre 2014 e 2016, — as secas na Bolívia tornam-se consideravelmente mais intensas.

Desde o final da década de 1980, a Bolívia tem tido problemas durante períodos secos anormais relacionados com as alterações climáticas de origem humana. Com o passar do tempo, estes períodos secos têm infligido uma pressão hídrica crescente no Estado. E apesar dos numerosos esforços por parte da Bolívia, os impactos das secas têm continuado a agravar-se.

Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca

Nesta fotografia da NASA do norte da Bolívia, tirada a 6 de Novembro, 2016, vê-se uma cobertura de neve e gelo nas montanhas muito fina na parte superior ao centro, um lago Titicaca que está agora muito baixo e cheio de bancos de areia no canto superior esquerdo, e um lago Poopo completamente seco na parte central inferior. A Bolívia depende destas três fontes de água. Uma desapareceu, e as outras duas foram fortemente reduzidas. Os cientistas descobriram que o aquecimento global está a derreter os glaciares da Bolívia e aumentou as taxas de evaporação em até 200 por cento perto dos seus principais lagos. Fonte da imagem: LANCE MODIS.

Em 1994, o calor adicionado e a perda de glaciares resultou na seca do segundo maior lago do país — Poopo. O lago recuperou um pouco no final da década de 1990. Mas no início de 2016, um lago que outrora mediu 90 x 32 km nos seus pontos mais distantes, tinha novamente sido reduzido para pouco mais do que um leito rachado repleto de cascos de barcos de pesca abandonados. Os cientistas que estudam a região descobriram que a taxa de evaporação na zona do lago Poopo tinha sido aumentada em 200 por cento pelo aquecimento global.

O maior lago da Bolívia — Titicaca — também está sob ameaça. De 2003 a 2010, o lago foi relatado como tendo perdido 1300 km quadrados de área de água de superfície. Durante 2015 e 2016, a seca perto do Titicaca intensificou-se. Num ato de desespero, o governo da Bolívia alocou 500 milhões de dólares para salvar o lago. Mas, apesar desta ação, o reservatório massivo continuou a encolher. Agora, a parte sul do lago está quase completamente cortada por um banco de areia do norte.

Nas montanhas andinas que fazem fronteira com a Bolívia, as temperaturas têm vindo a aumentar em 0,6 graus Celsius a cada década. Este aquecimento colocou os glaciares do país em completa retirada. Num exemplo, o glaciar Chacaltaya, que fornecia 30 por cento do abastecimento de água de La Paz, tinha desaparecido por completo em 2009. Mas as perdas de glaciares, em geral, têm sido transversais e consideráveis — não restritas somente ao Chacaltaya.

Seca Intensa Agrava-se, Com Mais por Vir

Em dezembro, espera-se que as chuvas voltem e forneçam algum alívio à Bolívia. O El Niño enfraqueceu e 2017 não deve ser tão seco como 2015 ou 2016. No entanto, como muitas regiões do mundo, as terras altas da Bolívia encontram-se num período de seca multianual. E o fator primordial que causa estas secas não é o periódico El Niño, mas a tendência de aquecimento de longo prazo que está a derreter os glaciares da Bolívia e a aumentar as taxas de evaporação em todos os seus lagos.

No contexto, a situação de emergência de seca atual ocorre numa altura em que as temperaturas globais atingem perto de 1,2 graus Celsius mais quente do que as médias da década de 1880. A presente e futura expectada queima de combustíveis fósseis continuará a aquecer a Terra e adicionar ao agravamento do flagelo da seca em lugares como a Bolívia. Assim, esta escassez de água de emergência em particular é provável que seja apenas uma de muitas que estarão por vir. E somente um intenso esforço para reduzir as emissões de combustíveis fósseis pode abrandar substancialmente o agravamento da situação para a Bolívia e inúmeras outras regiões afetadas pela seca em todo o mundo.


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Traduzido do original
Climate Change Has Left Bolivia Crippled by Drought
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 23 de novembro de 2016.

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temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016 parecem indicar um desaparecimento do inverno
Robertscribbler

Rumo ao Desinverno Ártico

Muitos chamam-lhe “global weirding”. Mas “weird” (estranho) mal descreve o que está acontecer no Ártico agora. Para a consternação de alguns, adverti que o processo a que estamos a assistir agora é o início de uma espécie de morte do inverno que irá certamente acontecer se não pararmos de queimar combustíveis fósseis em breve. Mas poderíamos também chamar-lhe desinverno. Ou desinvernamento. O que quer que lhe queira chamar, e independentemente da sua tendência inicial ser minimizá-lo ou anunciá-lo do monte mais alto, o que está a acontecer no Ártico neste momento não tem precedentes e é um pouco mais do que ligeiramente assustador.

Perda de Gelo do Mar Como o Início do Desinvernamento Ártico

O Oceano Ártico perdeu grande parte de sua cobertura de gelo durante o verão nos últimos anos. Oceanos mais escuras refletem menos raios solares. E mais calor é transferido para a superfície da água. À medida que o verão vai dando lugar ao outono, este carregamento de energia adicional cria uma barreira de calor latente para o recongelamento do gelo. Sem sua cobertura de gelo habitual, o oceano, então, ventila este calor para o ambiente do Ártico — mantendo as temperaturas do ar anormalmente quentes, aumentando o conteúdo de vapor de água e engrossando a atmosfera do Ártico.

Nos últimos anos, este processo tem gerado o poderoso aquecimento de inverno a que chamamos amplificação polar. Tem perturbado a Corrente de Jato e contribuído para outras alterações nos padrões climáticos globais. Mas o outono de 2016, até ao momento, já viu alguns dos piores exemplos deste aquecimento relacionado com a mudança climática das regiões congeladas do mundo.

Calor Atual do Ártico é Inédito
temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016

Desvio de temperatura para todo o Ártico excedeu 6ºC acima da média para três dos quatro últimos dias. O atraso da progressão normal de arrefecimento de outono para o inverno está um mês ou mais atrás do habitual para esta região do nosso mundo. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer

Hoje, a temperatura acima do Círculo Ártico tem uma média de 6,21 graus Celsius acima da média. Grandes áreas locais estão a ver temperaturas na faixa de 15 a 20 graus Celsius acima da média com picos locais mais elevados. Além da linha de latitude 80 graus norte, as temperaturas são atualmente de cerca de 12 graus Celsius acima da média. O resultado é que a maioria dos lugares do Ártico estão a cerca de 25 a 40 dias atrás da linha de tendência de arrefecimento média, e as temperaturas são mais uma reminiscência de final de setembro ou início de outubro do que de início de novembro.

Níveis Mínimos Recorde de Gelo São Igualmente Extremos

Não só está o calor adicionado ao oceano a provocar um aquecimento excecional na atmosfera do Ártico, como está também a gerar um ciclo de retroalimentação de auto-reforço com desvios recorde de gelo marítimo mínimo que têm piorado a cada dia que passa. Segundo a JAXA, as extensões de gelo marítimo atuais do Oceano Ártico são agora 710.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde mínimo anterior, estabelecido em 2012. Trata-se de uma área maior que o estado do Texas. Mas quando se compara este novo mínimo recorde relativamente às médias observadas na década de 1980, já se perdeu uma região do tamanho do Texas, Alasca e Califórnia combinados.

Extensão do gelo no Ártico a 1 novembro de 2016

Extensões de gelo marítimo do Ártico de 7,03 milhões de quilómetros quadrados a 1 de novembro de 2016 são aproximadamente iguais aos mínimos de gelo marítimo de finais de verão durante a década de 1990. Tanto oceano aberto está a ter um efeito dramático de aquecimento na atmosfera ártica durante o outono de 2016. Fonte da imagem: JAXA

Todo este oceano a descoberto a despejar calor para a atmosfera está a ter um efeito marcante. De tal forma que está a produzir estas temperaturas extremas ao mesmo tempo que gera um ciclo auto-sustentável que impede o recongelamento.

Nos últimos dias, o calor no Ártico criou uma situação em que as taxas de recongelamento do oceano têm-se basicamente movido para o lado no gráfico. Isto originou um bem-merecido alarido por parte de especialistas de clima e do Ártico em toda a rede. Bob Hensen no WeatherUnderground recentemente twittou: “o Oceano Ártico parece ter-se esquecido de que é suposto estar a recongelar neste momento.” Para o qual o estudante de PhD Zack Labe respondeu: “é uma loucura… os dados diários mostram a linha rasa recente.” Enquanto isso, o fórum do Arctic Sea Ice basicamente enlouqueceu por causa do comportamento muito estranho do gelo do mar neste outono.

Será que vai continuar? OSEN a Somar à Tendência de Transferência de Calor

Quanto tempo irá esta contenda viciosa continuar a durar é uma incógnita. Em última análise, resume-se à quantidade de calor que o Oceano Ártico já absorveu e a quanta energia ainda está a ser transferida nessa direção. Com a La Niña a formar-se no Pacífico, a transferência de calor oceânico e atmosférico para o Ártico tenderia a aumentar. E poderemos muito bem estar a assistir agora a uma espécie de aperto de mão do tipo teleligação entre a amplificação polar e o ciclo OSEN.

Para este ponto é importante notar que o mais recente grande pulso de calor no Ártico começou com o poderoso El Niño de 2015-2016. E esta transferência de calor relacionada com a habitual variabilidade natural é provável que continue a aumentar as escalas de quantidade de calor no Ártico 2017 adentro, e possivelmente até 2018. A questão neste caso é se o aquecimento relacionado com as alterações climáticas está a ser fortalecido por este fluxo periódico rumo a um novo ponto de viragem. E do ponto de vista deste outono, as coisas não parecem muito boas para o Ártico.


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Traduzido do original
Drifting into Arctic Un-Winter
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de novembro de 2016.

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Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro
Robertscribbler

Para O Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro

Vai ser o ano mais quente já registado – por uma grande margem. Basta perguntar a Gavin Schmidt da NASA, a qual a Administração Trump de negação da mudança climática colocou agora em risco. Mas numa região — o Ártico — a taxa de acumulação de calor tem sido escandalosamente extrema. E é aí que este novo recorde de aquecimento poderia causar alguns dos piores danos a um sistema Terra cada vez mais frágil.

Calor de Verão Durante o Outono Acima de 80 Norte

Para o Oceano Ártico acima da linha de latitude a 80 graus norte que circunda a crista do nosso mundo, as temperaturas hoje estão cerca de 17 graus Celsius acima da média. Estas são as mais elevadas temperaturas para esta região já registadas. E elas incluem várias localizações onde as temperaturas atingiram picos bem acima de 20ºC mais quente do que a média.

Comparação da temperatura ao longo do ano entre a média 1958-2002 e 2016

Temperaturas acima da linha de latitude de 80 graus norte em meados de novembro são quase iguais ao que normalmente se espera para o fim do verão. Este aquecimento recorde no Ártico é notavelmente grave e poderia produzir sérios impactos meteorológicos e climáticos a curto prazo. Fonte da imagem: DMI

Considerada no total, esta região — a qual inclui o Pólo Norte — está atualmente a experienciar temperaturas que normalmente iria ver a partir de 15 de setembro até 21 de setembro. Por outras palavras, está tão quente agora, a 14 de novembro na zona em torno do Pólo Norte, quanto normalmente estaria durante a última semana de verão.

Não seria tão mau se as temperaturas tivessem simplesmente disparado para novas máximas neste dia em particular como parte de uma variação louca da temperatura. Infelizmente, as leituras, em vez disso, permaneceram consistentemente elevadas durante todo o outono. Elas levitaram para fora da variação média da linha de base de 1958-2002 durante a maior parte dos 80 dias. E como as temperaturas se mantiveram perto das médias do fim do verão ou início de outono, a diferença em relação ao normal (representada pela linha verde no gráfico acima) continuou a intensificar-se ao longo de novembro. Essa manutenção a longo prazo de temperaturas altas corre o risco de produzir alguns impactos duradouros graves, tanto no Ártico como no ambiente global.

O Grande Buraco Vermelho do Pólo Norte

A variação de temperaturas que vemos agora não é nada menos que assombrosa e, para este observador em particular, aterrorizante. Um enorme buraco foi aberto no coração daquilo que deveria ser o pilar do frio de inverno. E se não se recompuser em breve, irá ter alguns sérios efeitos consequentes sobre o clima, incluindo piores mudanças atmosféricas de circulação, eventos climáticos cada vez mais extremos, os impactos nas estações de crescimento agrícola, impactos no gelo do mar, impactos no gelo da Groenlândia, e os impactos na vida do Ártico e além.

Temperaturas elevadas anormais no Ártico em Novembro

Hoje, grandes áreas do Oceano Ártico são esperadas que vejam as temperaturas atingirem 20 C mais quente do que o normal. Estas temperaturas são tão altas que secções recentemente cobertas de gelo vão, durante os próximos cinco dias, experienciar temperaturas entre -2 C e 0 C – ou quentes o suficiente para produzirem um derretimento temporário. Uma tal condição nunca foi testemunhada na medida em que é agora tão tarde no ano. Um sinal claro de que o aquecimento global está a começar a morder mais fundo do que esperávamos. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer). Notem — o mapa mostra desvios de temperatura acima [desvio para o vermelho] e abaixo [desvio para o azul] da, já mais quente do que o normal, média da linha de base 1979-2000.

Este calor de outono recorde parece fazer parte de um cenário cada vez mais dominante do tipo “morte do inverno” relacionado com o aquecimento global causado pelo homem. E a menos que as temperaturas no Ártico voltem para a linha de base muito em breve, estamos em risco cada vez maior de atingir alguns pontos de inflexão de mudança de estado. Em particular, estes giram em torno de uma perda do gelo do Oceano Ártico a prazo mais curto do que o esperado. Um evento que podia acontecer este ano se experienciarmos um inverno anormalmente quente seguido por um verão quente semelhante ao último – mas que muitos especialistas esperam que seja adiado até 2030. Uma alteração que, a longo prazo, sob a queima continuada de combustíveis fósseis presentemente promovida pela Administração Trump, basicamente remove o inverno como estação praticamente por completo (pelo menos como a conhecemos).

Espero sinceramente que vejamos um retorno às condições de temperatura de linha de base no Ártico em breve. Mas à medida que os dias passam, isso parece cada vez menos provável. Ventos quentes continuam a fluir do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’700’]Barents[/simple_tooltip] e do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’547’]Bering[/simple_tooltip]. E os centros das regiões mais frias do Hemisfério Norte estão bem deslocadas para a Sibéria e a Gronelândia. Se esta situação continuar, as implicações para o gelo marinho de verão em 2017 podem ser bem duras (mais sobre isso na publicação que se segue). E é no ponto em que atingimos estados de verão sem gelo no Oceano Ártico que algumas alterações regionais, hemisféricas e globais muito radicais (as quais produzem efeitos ainda piores do que alguns dos maus resultados que já temos visto) estarão bem encaminhadas.

Traduzido do original
For The Arctic Ocean Above 80 North, It’s Still Summer in November
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 14 de novembro de 2016.

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Anomalia da extensão gelo marinho Ártico, Antártida e Global 2016
Robertscribbler

De Pólo a Pólo, Os Valores Globais do Gelo Marinho Estão a Cair

Durante o ano quente recorde de 2016, tanto as extensões do gelo marinho do Ártico como da Antártida levaram uma forte tareia.

O calor extremo no Ártico ajudou a produzir as perdas principais de gelo ali. Valores que começaram em janeiro com 1 milhão de quilómetros quadrados abaixo da média têm vindo a diminuir de forma estável à medida que os meses avançaram para perto de 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média. Enquanto isso, a Antártida — que começou o ano com valores de extensão do gelo do mar próximos da média — viu perdas significativas à medida que a região ficava anormalmente cada vez mais quente durante a primavera austral. Hoje, os valores de extensão do gelo marinho ao redor da Antártida estão agora também mesmo à beira dos 2 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média.

Anomalia da extensão gelo do mar Ártico, Antártida e Global 2016

Zachary Labe, um dos cientistas do clima norte-americanos mais bem reconhecidos, produziu este gráfico baseado em valores dos volumes do gelo marinho globais, do Ártico e da Antártida, pela NSIDC. Como se pode ver, a extensão de gelo marinho global durante o ano mais quente já registado tem vindo a cair de forma estável, para perto de 4 milhões de quilómetros quadrados abaixo da média, à medida que os meses progrediram. Fonte da imagem: Figuras do gelo do mar de Zack Labe. Fonte de dados: NSIDC. Também podem acompanhar o feed informativo do twitter do Zack aqui.

No total, a cobertura global do gelo do mar é agora de cerca de 3.865.000 quilómetros quadrados abaixo da média.

Se você acha que esse número soa a muito grande, é porque é mesmo. Representa uma região de gelo perdido com quase 40 por cento do tamanho da área de terra e água de todo o Estados Unidos, incluindo Alasca e Havaí. Para visualizá-la de outra forma, imaginem toda a área de terra do Alasca, Califórnia, Texas, Montana, Arizona e Novo México combinados e começarão a perceber a essência.

Cobertura de Gelo Marinho – Um Importante, Mas Complexo Indicador Climático

Muitos especialistas do clima têm visto o gelo do mar como uma espécie de mudança climática do canário na mina de carvão. O gelo do mar encontra-se sobre os oceanos em aquecimento e sob uma atmosfera em aquecimento. E estes oceanos estão agora a receber a maior parte do calor que está a ficar preso na atmosfera pelas emissões de combustíveis fósseis. As superfícies do oceano em aquecimento têm um valor de calor específico mais elevado do que o ar e esta maior capacidade energética total em regiões em aquecimento gera um golpe substancial na cobertura de gelo, mesmo se a variação inicial da temperatura da superfície da água seja apenas moderada.

Uma vez que o gelo do mar tiver desaparecido durante um período significativo, uma espécie de ciclo de feedback entra em jogo em que as superfícies escuras do oceano prendem mais raios do sol durante o verão polar do que quando com a cobertura de gelo branca — que refletia anteriormente a radiação de volta para o espaço. Este calor recém-absorvido é então re-irradiado de volta para a atmosfera local durante o outono e inverno polar — criando uma barreira de inércia para a reformação do gelo e, finalmente, gerando um grande salto nas temperaturas sazonais da superfície do oceano e atmosféricas.

Temperaturas elevadas em relação à média de 11C no Ártico

Aquecimento altamente pronunciado da superfície do oceano juntamente com invasões de ar quente parecem estar a gerar as perdas extremas de gelo do mar que se vê agora no Ártico. O Mar de Barents, mostrado acima, tem visto um aquecimento particularmente extremo. Note-se a zona quente com 11ºC acima média perto da zona de borda do gelo do mar. Na Antártida, as causas das perdas permanecem incertas. Contudo, o aquecimento atmosférico e as mudanças nos ventos circumpolares parecem estar a produzir esse efeito, mesmo quando águas superficiais um pouco mais frias do que a média permanecem no local — possivelmente devido à ressurgência do Oceano Antártico relacionada às tempestades e ao aumento das saídas de água doce das geleiras da Antártida. Fonte da imagem: Earth Nullschool

Esta dinâmica é particularmente pronunciada no Ártico, onde um oceano em descongelamento rodeado por continentes em aquecimento tende a recolher prontamente o calor, mesmo quando as transferências de energia atmosféricas do sul, sob a forma de eventos de vento quente, tornaram-se mais pronunciadas. Um efeito relacionado com a influência das alterações climáticas conhecido como Amplificação Polar do Hemisfério Norte

Na Antártida, o Oceano Antártico tempestuoso gera ressurgência. Esta dinâmica tende a esfriar a superfície do oceano ao mesmo tempo que transfere o calor para o oceano mais profundo. E o aumento das condições de tempestade em torno da Antártida relacionado às mudanças climáticas podem intensificar este efeito. Além disso, as águas quentes do fundo a derreterem os glaciares de frente para o mar na Antártida produzem uma lente de água doce que arrefece a superfície e também prende o calor por baixo. Assim, o sinal vindo da Antártida em relação ao gelo do mar tende a ser mais misturado — com o aquecimento atmosférico e as mudanças nos padrões do vento a gerarem impactos no gelo do mar mais variáveis relativamente ao Ártico. Então, as perdas do gelo do mar deste ano são mais difíceis de se relacionar diretamente à mudança climática.

Zack Labe observa que:

A anomalia do gelo do mar do Ártico, contudo, encaixa-se com a presente tendência de amplificação do Ártico de estreitamento de gelo do mar e perda de gelo antigo. Para além de que tem sido bem observado na literatura anterior (ou seja, http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1029/2010GL044136/full …) no que diz respeito às crescentes temperaturas de outono no Ártico e suas possíveis causas.

Grandes Perdas de Volume entre 2015 e 2016

Apesar das grandes perdas de gelo do mar ao redor da Antártida este outono, é no Ártico que os danos e risco de perda adicional são mais pronunciados. Particularmente, reduções no gelo plurianual mais espesso no Ártico durante 2015 e 2016 têm sido excepcionalmente graves:

Perda de cobertura e espessura do gelo do mar do ÁrticoPerda de cobertura e espessura do gelo do mar no Ártico 2016

Nas imagens acima, vemos uma comparação entre a cobertura e espessura do gelo do mar do fim de novembro, tal como previsto pelo modelo US Navy ARCC. O quadro esquerdo representa o fim de novembro de 2015 e o quadro direito representa os valores projetados para 20 de novembro de 2016. Note-se a cobertura enormemente reduzida na imagem de 2016. Mas ainda mais notável é a perda substancial de gelo mais espesso no Oceano Ártico a norte do Arquipélago Canadiano e na Gronelândia.

Estas duas imagens contam uma história de uma grande perda de volume do gelo do mar. Uma que o monitor de gelo do mar PIOMAS confirma. De acordo com PIOMAS, os valores do volume do gelo durante outubro estavam a decorrer perto dos níveis mais baixos já registados. E o calor continuado em novembro gera uma preocupação de que um período de novos níveis recordes de baixo volume possa estar a caminho.

Mas não são apenas os valores baixos recorde que devem ser uma preocupação. A localização do gelo espesso restante também é uma preocupação. Pois uma parte substancial do gelo espesso restante está situado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O vento e as correntes oceânicas tendem a empurrar o gelo para fora do Oceano Ártico e através do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip]. O gelo tende a, em seguida, a ser canalizado para baixo ao longo da costa da Gronelândia e para o Atlântico Norte, onde derrete. Então, o facto de que uma grande parte do já muito reduzido gelo espesso restante encontrar-se agora na borda da versão de gelo do mar de Niagra Falls não é um bom sinal.

Anos La Nina tendem a empurrar mais calor para os pólos

É notoriamente difícil prever com precisão as tendências de derretimento e recongelamento do gelo do mar nas várias medições sazonais para um qualquer determinado ano individual. E até mesmo muitos dos maiores especialistas do gelo do mar passaram um diabo de tempo na previsão do comportamento do gelo do mar durante os últimos anos. Contudo, uma coisa permanece bem clara — a tendência de longo prazo para o gelo marinho no Ártico é uma de rápido declínio.

Espiral de Morte do gelo do mar no Ártico Outubro 2016

Espiral de Morte do gelo do mar do Ártico por Andy Lee Robinson. Fonte da imagem: Haveland

Estamos agora a entrar numa situação em que um inverno muito quente seguido por um verão mais quente do que o normal poderia empurrar os valores do gelo do mar do Ártico para perto da marca de zero. Uma situação que poderia efetivamente desencadear um evento de oceano azul num futuro próximo. Um número de especialistas de gelo do mar proeminentes previram que é provável que tal estado será alcançado bastante cedo — no início da década de 2030 segundo as tendências actuais. Outros apontam para potenciais de perda a prazo mais curto. Mas não há praticamente ninguém agora a dizer, como foi afirmado muitas vezes durante o início da década de 2010, que um evento de oceano azul poderia ficar adiado até ao início dos anos 2050.

Tudo dito, a trajetória para 2017 para o Ártico no presente não parece muito boa. Ambos a extensão e o volume do gelo marinho estão agora em ou bem abaixo das marcas baixas anteriores para esta época do ano. O gelo espesso restante posicionado perto do [simple_tooltip content=’‘ bubblewidth=’448’]Estreito de Fram[/simple_tooltip] gera uma desvantagem física para o gelo em geral. Além disso, a NOAA anunciou que as condições de La Niña estão agora presentes no Pacífico Equatorial. E os eventos La Niña tendem a empurrar mais calor oceânico e atmosférico em direção aos pólos — particularmente para o Ártico.

Nota: Este artigo é escrito como um seguimento da publicação anterior – Para o Oceano Ártico Acima de 80 Norte, Ainda é Verão em Novembro – e elas devem ser lidas em conjunto para contexto.

Traduzido do original From Pole to Pole, Global Sea Ice Values are Plummeting, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 15 de novembro de 2016.

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Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos em ano de La Niña
Robertscribbler

Há uma La Niña em Desenvolvimento — Então Porque é Que o Mundo Ainda Está a Aquecer?

A longo prazo, não há dúvida daquilo que está a controlar a tendência da temperatura do mundo. A grande erupção de gases de efeito estufa por parte da indústria de combustíveis fósseis e maquinaria baseada em energia não-renovável fez com que os níveis de carbono atmosférico atingissem 405 ppm de CO2 e 490 ppm CO2e este ano. Todo este carbono adicionado fez com que o mundo aquecesse um valor recorde de 1,22ºC face aos níveis da década de 1880, durante 2016 (aproximadamente). Mas sobreposto a esta tendência de aquecimento de longo prazo está o ir e vir do calor atmosférico e da superfície do oceano baseado em variabilidade natural que é a Oscilação Sul – El Niño (OSEN).

OSEN — Um Padrão de Onda a Sobrepor-se à Tendência de Aquecimento de Longo Prazo

Pense nisto como sendo um padrão de onda menor que se sobrepõe à escalada de temperatura global atual. À medida que o El Niño aumenta e se faz revelar, forças naturais causadas ​​pelo aquecimento periódico da superfície do oceano no Pacífico Equatorial impulsionam ainda mais as temperaturas globais. Isto tende a acrescentar à tendência de aquecimento global provocada pelos humanos. Assim, com frequência, os anos de El Niño são também anos quentes recorde.

Influência do El Niño na temperatura global


(Variações de temperatura entre El Niño e La Niña criam um padrão ondulado na tendência de aquecimento global geral. Nota — o ano quente recorde de 2016 não está incluído neste gráfico. Fonte da imagem: NOAA. |Vermelho= meses de El Niño | Cinzento= meses neutros | azul= meses La Niña

Por outro lado, a La Niña, que gera um arrefecimento periódico no Pacífico Equatorial, tende a ir um pouco contra a tendência de aquecimento de longo prazo. Assim, os períodos de La Niña tendem a fazer com que as temperaturas atmosféricas globais médias na medida anual desçam cerca de 0,2 a 0,4ºC, a partir dos períodos de pico de aquecimento atmosférico durante o El Niño. Claro que, uma vez que a variabilidade OSEN tipicamente segue uma gama desde +0,2ºC a -0,2ºC mas não afeta as tendências de temperatura a longo prazo, é preciso apenas cerca de uma década para que os anos La Niña sejam tão quentes como os recentes anos El Niño.

Ligeiro Aquecimento Durante o Outono de 2016 Apesar da La Niña

Durante o outono de 2015 e o inverno e a primavera de 2016, um poderoso El Niño ajudou a elevar as temperaturas de superfície globais a novos patamares recorde. Isto aconteceu porque gases de efeito de estufa por todo o mundo estiveram a carregar calor no Sistema Terrestre durante algum tempo e o forte El Niño serviu como uma espécie de rastilho que abriu as comportas para uma vaga de calor atmosférico. É por isso que 2016 será cerca de 1,22ºC mais quente do que as temperaturas da década de 1880 (1ºC mais quente do que as temperaturas de linha de base da NASA para o Século XX) e porque os anos entre 2011 e 2016 estarão, em média, acima de 1ºC mais quentes do que os valores da década de 1880 no geral (0,8ºC mais quentes do que as linhas de base para o Século XX).

Mas agora, com o El Niño de 2016 já ultrapassado e com uma La Niña a formar-se no Pacífico, seria de esperar que as temperaturas globais arrefecessem um pouco. Em grande parte, isto aconteceu. Em janeiro e fevereiro deste ano, as temperaturas médias mensais foram tão altas quanto 1,5ºC acima das médias da década de 1880. Desde o Verão, as médias caíram para cerca de 1 a 1,1ºC acima dos valores da década de 1880.

Temperaturas médias nos meses de 2016

As temperaturas globais atingiram um mínimo à volta de 1ºC acima da década de 1880, ou 0,4ºC acima da média entre 1981 e 2010, neste gráfico baseado em GFS de Karsten Haustein, durante junho, tendo em seguida começado a subir lentamente durante o outono, mesmo quando uma fraca La Niña se começou a desenvolver.

Com a La Niña a continuar a formar-se, seria de esperar que estes valores mensais continuassem a cair um pouco à medida que a La Niña fosse crescendo. Mas isto não parece estar a passar-se. Em vez disso, as temperaturas atmosféricas atingiram um mínimo em torno de 1 a 1,1ºC acima dos níveis da década de 1880, em junho, julho, agosto e setembro, e agora parecem estar a recuperar.

Sinal de Amplificação Polar Aparece como uma Irregularidade na Medida Global

Por outras palavras, estamos a assistir a um aumento na tendência da temperatura global, quando deveríamos estar a assistir a um declínio de contra-tendência estável forçado pela variabilidade natural.

Porque é que isto está a acontecer?

A evidência climática aponta para um conjunto bastante óbvio de suspeitos. Em primeiro lugar, o valor de Oscilação Decenal do Pacífico tem continuado a empurrar para a faixa positiva. E este estado tenderia a favorecer mais calor que irradia de volta para a atmosfera a partir da superfície do oceano.

No entanto, se olharmos para os mapas climáticos globais, os principais contribuidores para a anomalia não vêm do Pacífico, mas dos pólos. Pois este outono viu aquecimento extremo em ambas as regiões polares norte e sul do mundo. Hoje, as anomalias de temperatura no Ártico e na Antártida foram 5,84 e 4,19ºC acima da média, respetivamente. A média aproximada entre os dois pólos de +5ºC para estas regiões de alta latitude. Como já mencionado muitas vezes anteriormente, tal magnitude de aquecimento é um sinal evidente de amplificação polar baseada em mudança climática, onde as temperaturas nos pólos aquecem mais depressa relativamente ao resto da Terra durante a primeira fase de aquecimento forçado por gases de efeito estufa.

Aquecimento e temperaturas elevadas nos Polos

Aquecimento extremo das regiões polares continuou a 4 de novembro de 2016. Este aquecimento está a fazer frente à tendência da La Niña, a qual tenderia a arrefecer o mundo temporariamente. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer.

Por si só, estas temperaturas anormalmente elevadas nos pólos seriam estranhas o suficiente. Mas quando se tem em conta que a La Niña ainda deveria estar a arrefecer o globo, começa a parecer que este severo aquecimento polar tem contrariado um pouco o sinal de arrefecimento da La Niña — virando-o de volta para o aquecimento no final do outono. E se isto é o que realmente está a acontecer, então tal implicaria que o sinal de variabilidade natural que é produzido pela OSEN está a começar a ser suplantado por influências baseadas na amplificação polar. Por outras palavras, parece haver um outro sinal que se está a começar a intrometer sob a forma de um pico de temperatura baseado na amplificação polar.

É algo que tem aparecido de tempos a tempos como uma irregularidade nos dados de observação ao longo dos últimos anos. Mas o outono de 2016 fornece um dos sinais mais fortes até ao momento. E é um sinal relacionado com um conjunto de feedbacks que têm o potencial de afetar o ritmo geral do aquecimento planetário. Definitivamente, algo para se ter em conta daqui para a frente.

Traduzido do original There’s a La Nina Developing — So Why is the World Still Heating Up?, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 4 de novembro de 2016.

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Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA
Robertscribbler

Seca e Mudança Climática Originam Incêndios Enormes em Pleno Novembro

É Novembro. Um mês em que os Estados Unidos deviam estar a arrefecer em direção a condições típicas de Inverno. Mas para a região montanhosa ao longo da área de quatro estados que faz fronteira com Kentucky, Carolina do Norte, Geórgia e Tennessee, o clima está tudo menos típico de Outono. Lá, enormes incêndios florestais estão agora em ira, expulsando plumas maciças de fumo sufocante para o ar anormalmente quente sobre terras que foram secas pelas alterações climáticas relacionadas com o calor.

Incêndios Maciços Atingem Terras Secas
Calor e seca extremos causam incêndios em Novembro nos EUA

Incêndios muito grandes que queimam toda a região da Smokey Mountain a 7 de Novembro. Fonte da imagem: LANCE MODIS). Em pleno Novembro, em dia de eleições, incêndios enormes ardiam nos Estados Unidos, um país cujos candidatos presidenciais não incluíam a Mudança Climática nos seus debates.

Na imagem de satélite acima, tirada pela NASA a 7 de Novembro de 2016, vemos vários fogos com frentes que variam entre 1 a 5 milhas de largura, em erupção sobre a região de Smokey Mountain da Carolina do Norte, Tennessee, Geórgia e Kentucky. Alguns incêndios parecem ter-se escarranchado na fronteira com a Virgínia. Grandes incêndios também queimam mais a leste entre Ashville e Charlotte. Juntos, estes incêndios estão a emitir nuvens de fumo que agora se estendem 350 milhas para cima — flutuam para norte e oeste, pelos ventos quentes do sul.

Avisos de incêndio e anúncios públicos incitando as pessoas a não fazerem fogueiras foram feitos a 1 de Novembro. O Centro National Interagências para os Incêndios (NIFC) forneceu informação inicial sobre vários incêndios que se iniciavam por toda esta região de quatro estados, a 4 de Novembro. As imagens do satélite MODIS para o dia 4 mostram que estes incêndios eram então muito menores — pouco visíveis na imagem. Relatórios de imagem e no terreno agora indicam que os incêndios se tornaram consideravelmente maiores e mais ameaçadores no fim de semana.

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(A vista sobre a Carolina do Norte ocidental ontem à tarde quando os incêndios florestais queimavam através da região montanhosa.)

Na segunda-feira, agências de notícias locais estavam a relatar o surto de 170 incêndios só na Geórgia, com 4.000 acres já queimados na parte norte do estado. No Tennessee, 96 incêndios ativos atualmente foram relatados como tendo consumido 9.000 acres. Campbell, na parte oriental do estado, foi particularmente atingida com mais de 3.400 acres queimados até esta tarde e a qualidade do ar em declínio desencadeando Alertas de Código Vermelho. No Kentucky, 11.000 acres tinham sido consumidos pelo incêndio até segunda-feira. A Carolina do Norte, por sua vez, chamou 350 bombeiros para combater várias chamas grandes e crescentes.

Seca Abrupta, Aquecimento Extremo

Ao longo de Setembro e Outubro, os dois terços orientais dos EUA tem estado extremamente secos e extremamente quentes. As temperaturas para o mês de Outubro variaram entre 3 a 5 graus Celsius acima da média na maioria dos 48 estados mais abaixo.

Mapa da seca nos Estados Unidos

Calor extremo sobre o sudeste dos Estados Unidos ajudou a promover condições de seca repentina juntamente com incêndios muito grandes agora a arderem na Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky. Fonte da imagem: O Monitorização da Seca dos EUA.

Juntamente com o calor veio um rápido aparecimento de condições de seca. Em particular o Mississippi, Alabama, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Tennessee e Kentucky experimentaram condições cada vez mais extremas. No Kentucky, por exemplo, a semana que terminou a 1 de Novembro viu a cobertura do estado pela seca mais do que triplicar (de 24 por cento para 81 por cento da área terrestre do estado).

Seca repentina é uma nova forma de mudança climática provocada pelo aumento das taxas de evaporação devido ao aquecimento das terras e do ar. O calor extra tira a humidade do solo e da vegetação mais rapidamente e pode desencadear o surgimento de condições extremas em escalas de tempo curtas. A seca repentina em curso já andava a causar problemas no Sudeste antes da recente onda de incêndios florestais. Contudo, dado o calor intenso e fora de época e a velocidade com que as terras secaram, o presente surto de incêndio representa um perigo grave e incomum para esta altura do ano.

Traduzido do original Drought, Climate Change Spur Severe Election Day Wildfire Outbreak Across Four-State Area, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 8 de Novembro de 2016.

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Reservatório de CO2 da Amazónia emite dióxido de carbono (CO2) em vez de absorver
Robertscribbler

Reservatórios de Carbono em Crise – Amazónia Emite CO2

Reservatórios de Carbono em Crise — Parece que a Maior Floresta Tropical do Mundo está a Começar a Sangrar Gases de Efeito Estufa

Já em 2005, e novamente em 2010, a vasta floresta amazónica, que tem sido adequadamente descrita como os pulmões do mundo, perdeu brevemente a sua capacidade de absorver dióxido de carbono atmosférico. As suas árvores stressadas pela seca não estavam a crescer e respirar o suficiente para, no saldo final, remover carbono do ar. Incêndios rugiram através da floresta, transformando árvores em gravetos e libertando o carbono armazenado na sua madeira de volta para o ar.

Estes episódios foram as primeiras vezes que a Amazónia foi documentada como tendo perdido a sua capacidade de absorver carbono atmosférico numa base líquida. A floresta tropical tinha-se tornado no que é chamado de neutra em carbono. Por outras palavras, lançou tanto carbono quanto absorveu. Os cientistas viram isso como uma espécie de coisa séria.

Este Verão, um desligar semelhante parece estar a acontecer de novo na Amazónia. Uma seca severa está novamente a stressar as árvores enquanto ventila os incêndios numa maior intensidade do que em 2005 e 2010. Medidas de satélite anteriores parecem indicar que algo ainda pior pode estar a acontecer – a floresta tropical e as terras que habita estão agora a ser tão duramente atingidas por uma combinação de seca e fogo que a floresta está a começar a sangrar carbono de volta. Este repositório gigantesco e antigo de carbono atmosférico parece ter, pelo menos ao longo dos últimos dois meses, se transformado numa fonte de carbono.

Reservatório de CO2 da Amazónia emite dióxido de carbono (CO2) em vez de absorver

(Níveis elevados de dióxido de carbono, na faixa de 410 a 412 partes por milhão, e de metano na atmosfera sobre a floresta tropical da amazónia durante Julho e Agosto de 2016 é um indicador preliminar de que a grande floresta pode estar, durante esse período, a comportar-se como uma fonte de carbono. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Reservatórios de Carbono Não Conseguem Acompanhar

Embora a história da mudança climática forçada pelos humanos comece com a queima de combustíveis fósseis, a qual expele o dióxido de carbono que retêm o calor na atmosfera, infelizmente, não termina aí. À medida que essa queima provoca o aquecimento da Terra, coloca pressão sobre os lugares que, em circunstâncias normais, removem o carbono da atmosfera. Os oceanos, florestas boreais, e as grandes florestas equatoriais, absorventes de carbono, todos sentem a picada daquele calor. Este aquecimento faz com que os oceanos sejam menos capazes de segurar o carbono nas suas águas próximas da superfície e desencadeia secas e incêndios que podem reduzir a capacidade de uma floresta de absorver esse carbono.

No contexto do ciclo global de entrada e remoção de carbono da atmosfera da Terra, os oceanos e as florestas grandes e saudáveis ​​servem para absorver os gases de efeito estufa. Chamamos-lhes reservatórios de carbono, e ao longo dos últimos 10.000 anos da nossa época atual, o Holoceno, eles ajudaram a manter esses gases e, por extensão, as temperaturas da Terra, relativamente estáveis.

Porque é que os reservatórios de carbono são importantes

(Sem a capacidade das florestas, solos e oceanos de absorverem carbono — de atuarem como reservatórios de carbono — o CO2 atmosférico global já teria subido bem acima das 500 partes por milhão em 2009 devido à queima de combustíveis fósseis. Estes dissipadores de carbono são um fator útil atenuante do insulto das emissões de carbono humanas, mas se ficarem muito stressados, podem, em vez disso, tornar-se em fontes de carbono. Fonte da imagem: IPCC / CEF).

Contudo, já há muito tempo agora que as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos superaram em muito a capacidade dos reservatórios de carbono do mundo de removerem o excesso de carbono e manterem os níveis de gases de efeito estufa estáveis. Apesar de estes reservatórios terem captado mais da metade do grande volume de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, a porção total de CO2 que retêm o calor aumentou de 280 ppm para mais de 400 ppm. Os oceanos acidificaram à medida que aguentavam a nova sobrecarga de carbono. E as florestas absorveram este carbono mesmo enquanto lutavam contra a expansão da desflorestação. Como resultado de todo o excesso de carbono atualmente na atmosfera, a Terra aqueceu mais de 1 grau Celsius acima dos níveis de 1880. E combinado com o já forte stress imposto pela agricultura de corte raso e de queimada, o calor adicional é uma grande pressão sobre um recurso global essencial.

O Aquecimento Global Leva ao Desligar dos Dissipadores de Carbono, ou pior, Torna-os em Fontes

Neste contexto trágico de calor, seca, acidificação dos oceanos e desmatamento, parece que o período de graça que os dissipadores de carbono da Terra nos deram para nos organizarmos e agirmos em conjunto sobre o aquecimento global está a chegar ao fim. O aquecimento da Terra de forma tão significativa como temos feito está a causar que estes dissipadores comecem a quebrar — a serem capazes de remover menos carbono, como foi o caso com a floresta amazónica em 2005 e 2010. Nestes pontos no tempo, o reservatório era neutro em carbono. Já não nos forneciam o serviço útil de retirar o carbono da atmosfera e armazená-lo nas árvores ou no solo. Mas, mais preocupante, em 2016, parece que a Amazónia também pode estar a começar a contribuir com carbono de volta para a atmosfera.

Níveis elevados de metano na Amazónia

(Leituras de metano de superfície sobre a Amazónia elevadas em excesso com 2.000 partes por bilhão é uma assinatura de seca e incêndio. É também um sinal de que a floresta tropical durante este período estava a emitir mais carbono do que estava a receber. Fonte da imagem: O Observatório Copernicus).

Após cada um destes breves períodos de insucesso em baixar o carbono em 2005 e 2010, o reservatório de carbono da Amazónia ligou-se novamente e começou a funcionar por um tempo. Mas em 2015 e 2016, temperaturas globais recorde tinham novamente provocado uma seca terrível na região amazónica. De acordo com oficiais da NASA, a nova seca foi a pior desde pelo menos 2002 e estava a desencadear condições de incêndio piores do que em 2005 e 2010 – as últimas vezes em que o dissipador de carbono da Amazónia se desligou. Em Julho de 2016, o Guardian reportou:

Condições de seca severa no início da estação seca, criaram a base para o risco de incêndio extremo em 2016 por todo o sul da Amazónia”, disse Morton num comunicado. Os estados brasileiros do Amazonas, Mato Grosso e Pará estão declaradamente em maior risco.

Pela previsão de incêndios na Amazónia da NASA, o risco de incêndio florestal para Julho a Outubro excede agora o risco ede 2005 e 2010 – a última vez que a região experimentou uma grave seca e os incêndios assolaram grandes áreas da floresta tropical. Até agora, a Amazónia tem visto mais incêndios em Junho de 2016 do que em anos anteriores, o que os cientistas da NASA dizem foi outro indicador de uma temporada de incêndios potencialmente difícil.”

Incêndios florestais no brasil e Amazónia a 5 de Agosto de 2016

(Incêndios florestais extensos sobre sul da Amazónia e Brasil coincidem com picos atmosféricos aparentes de metano e CO2. Um indicador de que o reservatório de carbono da Amazónia está a experienciar um novo período de fracasso. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Ao mesmo tempo que a seca e os incêndios relacionados começavam a rasgar através da Amazónia, os monitores de carbono atmosférico como o Observatório Copérnico estavam a apanhar o sinal de um pico de carbono sob a Amazónia com níveis de metano superiores a 2.000 ppb (o que muitas vezes é uma assinatura de seca e incêndios florestais) e níveis de dióxido de carbono na ordem dos 410 a 412 ppm. Era um pico comparável àqueles das regiões industriais do mundo como o leste da China, os EUA e a Europa.

Em contexto, esses picos de carbono da Amazónia estão a ocorrer num tempo de aumentos recorde de CO2 atmosférico. Durante os primeiros sete meses de 2016, o aumento médio de CO2 em relação a 2015 foi de 3,52 ppm. A taxa global de aumento de CO2 de 2015 na ordem dos 3,1 ppm de um ano para o outro foi o aumento anual mais rápido já registado pela NOAA e o Observatório Mauna Loa. Até agora este ano, a taxa de ganho atmosférico deste gás chave do efeito de estufa continua a aumentar — isto no contexto de picos de carbono sobre uma região que devia estar a retirar CO2, não a emiti-lo.

Traduzido do original Carbon Sinks in Crisis — It Looks Like the World’s Largest Rainforest is Starting to Bleed Greenhouse Gasses, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Agosto de 2016.

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