Aumento previsto da temperatura para daqui a uma década, 2026
Aquecimento Global Descontrolado, Feedbacks, Metano, Retroalimentação, Temperatura

10 Graus Mais Quente numa Década?

Em 2015, a média de dióxido de carbono global cresceu 3,09 partes por milhão (ppm), mais do que em qualquer outro ano desde que o registo começou em 1959. Um linha de tendência polinomial adicionada aponta para um crescimento de 5 ppm até 2026 (em uma década a partir de agora) e de 6 ppm até 2029.

Taxa de crescimento de dióxido de carbono - média anual global

Dados da NOAA, com uma linha tendencial adicionada posteriormente, sobre as médias anuais da taxa de crescimento global de dióxido de carbono.

Há um certo número de elementos que determinam o quanto o total de aumento de temperatura será, por exemplo, daqui a uma década:

Aumento entre 1900-2016: Em janeiro de 2016 esteve 1,92°C (3,46°F) mais quente em terra do que em janeiro de 1890-1910, conforme discutido numa publicação anterior que também contou com a imagem abaixo.

Comparação da temperatura em terra para janeiro de 2016 com a média de 1890-1910

Aumento antes de 1900: Antes de 1900, a temperatura já havia subido uns ~ 0,3°C (0,54°F), como o Dr. Michael Mann indica.

Aumento entre 2016-2026: A imagem no topo mostra uma tendência a apontar para um crescimento de 5 ppm daqui a uma década. Se os níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa continuarem a subir, isso irá causar aquecimento adicional durante os próximos dez anos. Mesmo com cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir, já que o aquecimento máximo ocorre cerca de uma década após a emissão de dióxido de carbono, e então a ira completa das emissões de dióxido de carbono ao longo dos últimos dez anos ainda está por vir.

Remoção de aerossóis: Com cortes drásticos nas emissões, também haverá uma queda dramática nos aerossóis que atualmente mascaram o aquecimento total de gases de efeito estufa. De 1850 a 2010, aerossóis antropogénicos provocaram uma diminuição de ~2.53 K, diz um artigo recente. Além disso, as pessoas terão emitido muito mais aerossóis desde 2010.

Mudança no Albedo: Aquecimento devido à perda de gelo e neve no Ártico pode muito bem ultrapassar os 2 W por metro quadrado, ou seja, pode mais do que duplicar o aquecimento líquido agora causado por todas as emissões pelas pessoas do mundo, calculou o Professor Peter Wadhams em 2012.

Erupções de metano do fundo do mar: “… consideramos a libertação de até 50 Gt do montante previsto das reservas de hidratos como altamente possível, numa libertação abrupta a qualquer momento,” a Dr. Natalia Shakhova et al. escreveu num documento apresentado na Assembléia Geral da EGU [União Europeia para as Geociências] de 2008. Os autores descobriram que tal libertação causaria um aquecimento de 1,3°C até 2100. Note-se que um tal aquecimento de umas 50 Gt extra de metano parece conservador quando se considera que há agora apenas cerca de 5 Gt de metano na atmosfera, e ao longo de um período de dez anos estas 5 Gt já são responsáveis por mais aquecimento do que todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas desde o início da revolução industrial.

Feedback do vapor de água: O feedback do vapor de água por si só, aproximadamente, duplica o aquecimento que seria para o vapor de água fixo. Além disso, o feedback de vapor de água age para amplificar outros feedbacks em modelos, como o feedback das nuvens e o feedback do albedo do gelo. Se o feedback de nuvens é fortemente positivo, o feedback de vapor de água pode levar a 3,5 vezes mais aquecimento do que seria no caso em que a concentração de vapor de água fosse mantida fixa, de acordo com o IPCC.

A imagem em baixo junta estes elementos em dois cenários, um com um aumento de temperatura relativamente baixo de 3,5°C (6,3°F) e um outro com um aumento de temperatura relativamente elevado de 10°C (18°F).

Aumento previsto da temperatura para 2026
Note-se que os cenários acima assumem que nenhuma geoengenharia ocorrerá.

Anomalia da temperatura global para janeiro de 1,53°C

[ Clique nas imagens para ampliar ]

Como descrito acima, a anomalia da temperatura de Janeiro de 2016 em terra em comparação com Janeiro entre 1890-1910 foi de 1,92°C (3,46°F). Globalmente, a anomalia foi de 1,53°C (2,75°F), como mostra a imagem no canto superior direito.

Cenários possíveis aumento da temperatura em 10 anos

Colocar os elementos juntos para dois cenários globais irá resultar num aumento total de 3,11°C (5,6°F) para um aumento da temperatura global relativamente baixo, e 9,61°C (17,3°F) para um aumento da temperatura global relativamente elevado, como mostrado na imagem do canto inferior direito.

Então, a catástrofe climática irá ocorrer em uma década ou mais tarde? Há muitos indícios de que as chances são grandes e crescem rapidamente. Alguns dizem que a catástrofe climática é inevitável ou que já está sobre nós. Outros podem gostar de acreditar que as probabilidades são pequenas. Mesmo assim, a magnitude da devastação torna imperativo começarmos a tomar medidas abrangentes e eficazes agora.

A situação é calamitosa e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Este artigo foi primeiramente publicado em AquecimentoGlobal.info, um site destinado a agregar a mais recente ciência sobre as alterações climáticas e o consequente aquecimento global. Foi traduzido do original Ten Degrees Warmer In A Decade? de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 11 de Março de 2016.

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Ártico, Distorção Social, Metano

Royal Society Despreza Cientistas do Ártico e Suas Importantes Pesquisas

Há alguns dias, ocorreu uma importante reunião da Royal Society que apresentou pesquisas importantes sobre o estado atual do Ártico. Intitulado de “Redução do gelo do mar do Ártico: a evidência, os modelos e impactos globais”, o evento foi realizado em Londres, Inglaterra. Foi publicitado como um “encontro de discussão científica organizado pelo Dr. Daniel Feltham, Dr. Sheldon Bacon, Dr. Mark Brandon e o Professor (emérito) Julian Hunt FRS.”

Interesses poderosos parecem estar a colocar-se no caminho de importantes pesquisas sobre metano e um Ártico a minguar. "Dra. Shakhova Sobre o Ártico: 'Então tudo, tudo, parece anómalo. Até após a nossa experiência nestes 10 anos, tudo parece anómalo. E isso é que o (Dr. Semiletov) faz pensar que o pior poderá acontecer." "Resumindo, nós não gostamos do que estamos a ver lá, absolutamente Não Gostamos.'" - Natalia Shakhova

Interesses poderosos parecem estar a colocar-se no caminho de importantes pesquisas sobre metano e um Ártico a minguar.
“Dra. Shakhova Sobre o Ártico: ‘Então tudo, tudo, parece anómalo. Até após a nossa experiência nestes 10 anos, tudo parece anómalo. E isso é que o (Dr. Semiletov) faz pensar que o pior poderá acontecer.” “Resumindo, nós não gostamos do que estamos a ver lá, absolutamente Não Gostamos.'” – Natalia Shakhova

Os apresentadores e participantes incluíam uma lista de mais de 200 cientistas climáticos importantes de diferentes partes do mundo. Podia-se supor a partir da lista de workshops que esta conferência estava a ser realizada para falar e discutir a perda crítica de gelo que estamos a ver no Ártico, e que o propósito da reunião seria o de incluir todos e quaisquer dados relevantes para este evento nunca antes visto na história da humanidade. As pessoas que seguem a rápida perda de gelo do Ártico e todos esses dados podiam até ser perdoados por sentimentos de excitação e esperança que pelo menos alguém está “a trabalhar nisso.” Poderíamos ter assumido que a comunicação era um dos objetivos, especialmente já que a conferência foi twittada em largo, mesmo de dentro da conferência. Após os tweets poderíamos também ter assumido que as pessoas na conferência pretendiam partilhar informação que era importante não apenas sobre a mudança climática mas também a perda de gelo do mar Ártico.

Tal conferência soa como uma grande idéia, não é? Poderíamos ter um motivo de esperança e os organizadores pareciam transparentes, indo mesmo tão longe como twittar planos. Mas tais premissas e pressupostos teriam sido mal colocados. Em vez disso, o que aconteceu se transformou no que tem sido chamado de desprezo de cientistas pela Royal Society: desenvolveu-se um alvoroço tanto no meio científico como na Internet, e já levantou sérias questões. A questão principal foi que os cientistas de ponta Dra. Shakhova e Dr. Semiletov nem sequer foram convidados para apresentar ou discutir as suas descobertas muito recentes sobre o gelo do mar Ártico e libertações de metano.

Quem são eles e o que eles tinham a oferecer a esta conferência? Talvez tenha sido um “acidente” não terem sido convidados? Talvez eles apenas não estivessem na lista de convidados? Ou, se eles não foram deliberadamente convidados, qual poderia ser a razão?

Ao que parece, a Dra. Shakhova e o Dr. Semiletov tinham acabado de voltar de uma expedição crucial ao Ártico. A expedição Swerus C3 foi conduzida a bordo do navio quebra-gelo Oden. O objetivo era coletar dados sobre o Ártico, em particular no que concerne hidratos de metano e interação de sistemas.

A Expedição SWERUS-C3

Tripulação e Investigadores da Expedição Swerus C3

Tripulação e Investigadores da Expedição Swerus C3

SWERUS-C3 é uma cooperação Sueco-Russo-Norte-americana de duas etapas que vai investigar as ligações entre o clima, a criosfera e o carbono. A etapa número 1 da expedição partiu de Tromsø, na Noruega, no dia 5 de Julho e viajou ao longo da costa russa do Ártico para chegar a Barrow, Alasca, onde uma permuta de pessoal de investigação e tripulação ocorreu a 20 de Agosto. A 21 de Agosto a SWERUS-C3 partiu na sua viagem de volta para Tromsø, desta vez sobre o desfiladeiro Lomonosov, uma cadeia montanhosa submarina.”

“Durante a segunda etapa da expedição, estudámos a água quente do Atlântico que flui para o Oceano Ártico e deixa marcas em profundidades de 900 metros, bem como as enormes faixas no fundo do oceano deixadas por camadas de gelo anteriores encontradas no centro do Oceano Ártico”, diz Martin Jakobsson, professor na Universidade de Estocolmo e cientista-chefe na Etapa número 2. Ele continua: “O material permitirá fornecer novas perspectivas sobre o desenvolvimento e história do gelo do mar Ártico, bem como sobre a estabilidade dos hidratos de gás ao longo da plataforma continental do Ártico.”

As descobertas no Ártico não têm sido particularmente reconfortantes; na verdade, elas anunciam um cenário terrível. Um comunicado de imprensa da Universidade de Estocolmo descreveu que eles descobriram: “vastas colunas de metano escapando do leito marinho no talude continental de Laptev. Esses vislumbres iniciais daquilo que pode estar reservado para um aquecimento do Oceano Ártico poderá ajudar os cientistas a projetarem as emissões futuras do forte gás de efeito estufa, metano, a partir do Oceano Ártico.”

Tudo isto poderia ser lido como uma mera disputa diplomática ou conflito de carreiras entre cientistas, ou algum tipo de drama de televisão a acontecer numa conferência obscura de nomes menos que conhecidos, então por que haveria de estar o leitor comum interessado no que isto tem a ver com a vida na Terra?

Tem de facto tudo a ver com cada ser que habita este planeta. Para colocar em contexto: os eventos no Ártico estão-se a tornar numa emergência planetária e estão-se a desenvolver à medida que você lê isto. O ponto chave é o colapso total do gelo do mar Ártico, semelhante ao nosso ar condicionado planetário ir kaput. Por favor, veja a surpreendente imagem da Espiral de Morte do Ártico, do site http://climatestate.com/, para ver o quão pouco gelo do Ártico resta: Espiral de Morte do Ártico 1979-2013 (Declínio do gelo do mar / degelo)

A espiral de morte do Ártico, mostra a dimensão da área do gelo no Ártico, com o período de maior degelo em Setembro. Está previsto o seu desaparecimento total pela primeira vez em 2018.

A espiral de morte do Ártico, mostra a dimensão da área do gelo no Ártico, com o período de maior degelo em Setembro. Está previsto o seu desaparecimento total pela primeira vez em 2018.

Palavras-chave: Emergência Planetária.

Um artigo recente no USA Today intitulado ‘Estudo: Terra no meio da sexta extinção em massa’, declarou: “A perda e declínio de animais por todo o mundo – causado pela perda de habitat e perturbação climática global – significa que estamos no meio de uma sexta “extinção em massa” da vida na Terra, de acordo com vários estudos saídos na quinta-feira na revista Science. Um estudo descobriu que, apesar de a população humana ter duplicado nos últimos 35 anos, o número de animais invertebrados – como besouros, borboletas, aranhas e vermes – diminuiu em 45% durante o mesmo período.” Simples pesquisas Google sobre o tema permitem descobrir uma adição recente de muitos desses artigos no mesmo tema.”

Para ser clara, tenho o maior respeito pela comunidade científica e pelo que eles têm contribuído para o avanço da ciência. Eu entrevistei alguns, e ajudei a dar voz ao trabalho de cientistas, professores, educadores e especialistas: Eu acredito numa comunicação aberta. Acredito que quando há um problema enorme como neste caso da nossa emergência planetária ou 6º “evento de extinção” em massa, precisamos de todas as mãos no convés, especialmente os que estão aí fora na linha de frente. A Dra. Shakhova e o Dr. Semiletov são dois deles.

De acordo com modelos de computador, o nosso ar condicionado do Ártico deveria permanecer intacto e funcionar de forma eficaz por muitos anos. Anteriormente, o ano de 2100 foi referido como o ano em que veríamos realmente o inferno a soltar-se. Agora percebemos que esses modelos estavam mesmo fora. Na verdade, o nosso “ar-condicionado” está a auto destruir-se mais a cada minuto, causando uma corrente de jato sinuosa que já está a feder a devastação climática por todo o mundo: tufões, furacões, tornados e outros eventos catastróficos climáticos são mais comuns. De fato, a mudança climática já se tornou francamente desagradável. O que nos foi dito que não iria acontecer até muito mais tarde está realmente a acontecer agora.

Cientistas e governos percebem que temos um grande problema e começaram a fazer montes e montes de pesquisas no nosso ar condicionado do Ártico. Peritos foram enviados para ver o problema, a Dra. Shakhova e o Dr. Semiletov a bordo, e disseram-lhes para relatarem no regresso as suas descobertas.

O Problema

Os especialistas de ar condicionado que foram enviados para verificar o problema não foram convidados a participar no evento da Royal Society para relatarem as descobertas, nem mesmo discutirem a avaria do ar condicionado. Para ser justo, alguns deles foram chamados, incluindo o professor Peter Wadhams (embora outras questões importantes surgiram em relação ao Prof Wadhams também). No entanto, os únicos cientistas que foram chamados a apresentar um relatório sobre o problema foram os mesmos que têm vindo a utilizar os mesmos tipos de métodos conservadores de modelagem por computador que tradicionalmente têm provado estar seriamente atrasados na linha de tempo real seguida pelo gelo do Ártico.

Tem claramente sido seguro dizer que há anos que esses métodos de modelagem por computador são mais conservadores do que precisos, e que estão agora de fato fora e longe da marca de precisão. Mesmo alguém não-cientista pode ver claramente que há uma divisão profundamente séria entre as previsões de modelos conservadores e os eventos dramáticos de degelo dos dias atuais.

A Royal Society planeia uma conferência “comunicativa” sobre o gelo marinho do Ártico e deixa de fora os peritos que voltaram recentemente de uma expedição com risco de vida feita especificamente para analisar o problema. Enquanto isso, outros em cadeiras de escritório confortáveis ​​apenas trituram dados para ajudar na adivinhação de possíveis cenários problemáticos. A quem você escutaria? Você confiaria num só perito ou você chamaria tantos especialistas quanto possível para reunir recursos? Você sente-se seguro apenas a ouvir um lado da história, sem incluir observações do mundo real, dados e discussão?

Imagine por um momento que você é Shakhova e os seus colegas. Você foi enviado para observar e apresentar um relatório sobre o ar condicionado avariado. Você tem observado mudanças rápidas e quase inacreditáveis ​​que aconteceram nas suas expedições. Está a desfazer-se aos pedaços e a libertar metano. Você sabe que o metano é muitas vezes mais potente e poderoso do que o dióxido de carbono e pode causar muito mais dano à Terra se estiver a sair em grandes quantidades. Na verdade, você nunca viu tais alterações maciças em numerosas expedições anteriores. Está profundamente preocupado e precisa realmente de avisar outros envolvidos com o ar condicionado do Ártico para que saibam o que você viu.

Mas, quando a chance de falar sobre seus dados e observações surge, você não está convidado. A reunião muito importante continua sem você e nada do que você viu, documentou e observou irá tornar-se do conhecimento público. Você está chocado com esse desprezo, ou essa “exclusão”. Você quer poder dizer-lhes e, portanto, ao mundo o que está acontecendo. Você deseja soltar essas informações de modo que eles deixem outros saberem o que está a acontecer com o nosso ar condicionado do Ártico e os sintomas causados pelo seu derretimento.

Eu posso apenas imaginar como isso deve ter-lhe feito sentir, sentado nestes dados mais recentes e muito importantes e não poder compartilhar. Educadamente, porém, a Dra. Shakhova escreve uma carta sobre a sua exclusão, e pede para poder apresentar os seus dados e observações. Ela envia uma carta a Sir Paul Nurse da Royal Academy (via o jornalista de comunicação climática, Nick Breeze):

04 de Outubro de 2014
Por correio e e-mail

Caro Sir Paul Nurse,

Estamos satisfeitos por a Royal Society reconhecer o valor da ciência do Ártico e ter sediado uma importante reunião científica na semana passada, organizada pelo Dr. D. Feltham, o Dr. S. Bacon, o Dr. M. Brandon, e o Professor Emérito J. Hunt (https://royalsociety.org/events/2014/arctic-sea-ice/).

Os nossos colegas e nós temos estado a estudar a Placa Continental do Ártico da Sibéria Oriental [East Siberian Arctic Shelf (ESAS) há mais de 20 anos e temos conhecimento detalhado de observação das mudanças que ocorrem nesta região, como documentado por publicações em revistas de topo como a Science, a Nature e a Nature Geosciences. Durante estes anos realizámos mais de 20 expedições, em todas as estações do ano. que nos permitiram acumular um conjunto amplo e abrangente de dados consistindo em dados hidrológicos, biogeoquímicos e geofísicos, e proporcionando uma qualidade de cobertura que é difícil de alcançar, mesmo em áreas mais acessíveis dos Oceanos do Mundo.

Até o momento, somos os únicos cientistas que possuem dados observacionais de longo prazo em metano na ESAS. Apesar de peculiaridades na regulação que limitam o acesso de cientistas estrangeiros na Zona Económica Exclusiva da Rússia, onde a ESAS está localizada, ao longo dos anos temos recebido cientistas da Suécia, EUA, Holanda, Reino Unido e outros países para trabalharem ao nosso lado. A grande expedição internacional realizada em 2008 (ISSS-2008) foi reconhecida como o melhor estudo biogeoquímico do Ano Polar Internacional (2007-2008). O conhecimento e a experiência que acumulámos ao longo destes anos de trabalho lançaram as bases para uma extensa expedição Russo-Sueca a bordo do I/B ODEN (SWERUS-3), que permitiu a mais de 80 cientistas de todo o mundo colherem mais dados desta área única. A expedição foi concluída com sucesso apenas alguns dias atrás.

Para nossa consternação, não fomos convidados a apresentar os nossos dados na reunião da Royal Society. Além disso, esta semana descobrimos, através de um resumo Storify no twitter (divulgada pelo Dr. Brandon), que em vez foi o Dr. G. Schmidt convidado para discutir a questão do metano e explicitamente atacou o nosso trabalho utilizando o modelo de outro estudioso, cujo esforço de modelagem é feito com base em pressupostos teóricos não testados que não têm nada a ver com observações na ESAS. Enquanto o Dr. Schmidt tem experiência em modelagem climática, ele não é um especialista nem em metano nem nesta região do Ártico. Ambos os cientistas, portanto, não têm nenhum conhecimento observacional sobre metano e os processos associados nesta área. Lembremo-nos que o vosso lema “Nullus em verba” foi escolhido pelos fundadores da Royal Society para expressar a sua resistência ao dominação da autoridade; o princípio assim expresso exige que todas as reivindicações sejam apoiadas por fatos que tenham sido estabelecidos pela experiência. Em nossa opinião, não só as palavras mas também as ações dos organizadores traíram deliberadamente os princípios da Royal Society tal como expressos pelas palavras “Nullus em verba”.

Além disso, gostaríamos de destacar a parcialidade Anglo-Americana na lista de apresentadores. É preocupante que o conhecimento científico russo estava em falta e, portanto, marginalizado, apesar de uma longa história de notáveis ​​contribuições da Rússia para a ciência do Ártico. Sendo cientistas russos, acreditamos que o preconceito contra a ciência russa está a crescer devido a divergências políticas com as ações do governo russo. Isso restringe nosso acesso a revistas científicas internacionais, que se tornaram extremamente exigentes quando se trata de publicação de nosso trabalho em comparação com o trabalho dos outros sobre temas semelhantes. Temos consciência de que os resultados de nosso trabalho podem interferir com os interesses cruciais de algumas agências e instituições poderosas; no entanto, acreditamos que não era a intenção da Royal Society permitir que considerações políticas passem por cima da integridade científica.

Entendemos que pode haver debate científico sobre este tema crucial pois relaciona-se com o clima. No entanto, é parcial apresentar apenas um lado do debate, o lado com base em pressupostos teóricos e de modelagem. Em nossa opinião, foi injusto impedir-nos de apresentar os nossos dados com várias décadas, dado que mais de 200 cientistas foram convidados a participar em debates. Além disso, estamos preocupados que os procedimentos da Royal Society neste encontro científico virão a ser desequilibrados a um grau inaceitável (que é o que tem acontecido na mídia social).
Consequentemente, solicitamos formalmente a igualdade de oportunidades para apresentar os nossos dados perante vocês e outros participantes desta reunião da Royal Society sobre o Ártico e que vocês, como organizadores, abstenham-se de produzir quaisquer procedimentos oficiais antes de nós sermos autorizados a falar.

Sinceramente,
Em nome de mais de 30 cientistas,

Natalia Shakhova e Igor Semiletov

Entre as pessoas preocupadas que seguem isto de perto está o professor a tempo parcial Prof. Paul Beckwith, estudante de doutoramento da mudança climática abrupta. Beckwith oferece as suas preocupações sobre esta última série de eventos na Royal Society no seu vídeo mais recente: A little chat on methane [Uma pequena conversa sobre metano]

A última declaração de Beckwith sobre sua avaliação global da situação do Ártico e em que ponto estamos, também não é particularmente reconfortante: “O nosso sistema climático está atualmente a passar por estágios preliminares de uma mudança climática abrupta. Se permitido continuar, o sistema climático planetário é bem capaz de se submeter a um aumento da temperatura média global de 5°C a 6°C numa década ou duas. Precedência de mudanças numa taxa tão elevada podem ser encontradas inúmeras vezes nos paleo-registos. Da minha cadeira, eu concluo que é vital que cortemos as emissões de gases de efeito estufa e passemos por um programa intensivo de engenharia climática para resfriar a região do Ártico e manter o metano no seu lugar na permafrost e nos sedimentos oceânicos”. [Artigo do blogue ‘Alterações Climáticas’ traduzido do original que se encontra no blogue ‘Arctic News’]

Surgiu também um estudo de Lawrence Livermore Laboratory, que trouxe à tona notícias preocupantes sobre a questão do metano. Acesse aqui: Review of Methane Mitigation Technologies with Application to Rapid Release of Methane from the Arctic

No artigo de Lawrence Livermore Laboratory concluíram que:

“Na nossa avaliação de fontes sobre o metano no Ártico, descobrimos que permanecem lacunas significativas na compreensão dos mecanismos, da magnitude e da probabilidade de libertação de metano do Ártico. Nenhum autor afirmou que a libertação catastrófica de metano, por exemplo centenas de Gigatoneladas ao longo de anos a décadas fosse o desfecho esperado a curto termo. Mas até que os mecanismos sejam mais bem compreendidos, tal catástrofe não pode ser descartada. As provas são fortes de que o metano teve um papel nos eventos de aquecimento do passado, mas a fonte de libertação de metano e mecanismos específicos no aquecimento no passado não está ponto assente”.

“Enquanto a maioria dos autores indicaram que uma libertação catastrófica é improvável, uma libertação crónica, climaticamente significativa de metano do Ártico parece plausível. Tal libertação poderia prejudicar ou soterrar reduções graduais de emissões feitas noutros lugares e, assim, justificar intervenção tecnológica.”

Entretanto, esperamos com antecipação para ver qual a resposta da Royal Society, e se vamos poder ouvir quanto aos dados mais recentes de observações sobre o estado do Ártico por Shakhova e Semiletov. Eu, por exemplo, gostaria de saber tudo sobre como o ar condicionado do Ártico está indo realmente; você não?

Emergência Planetária Atualização

Enquanto escrevo o texto acima, um novo artigo é lançado: “É Pior Do Que Pensávamos” – Novo Estudo Descobriu que a Terra Está a Aquecer Mais Rapidamente do que o Esperado.” Um pequeno excerto: “No início desta semana, um novo estudo surgiu mostrando que o mundo estava realmente a aquecer muito mais rápido do que o esperado. O estudo, que focou sensores nos 2,000 pés do topo do Oceano Global, descobriu que as águas tinham aquecido a uma extensão muito maior do que os nossos modelos limitados, satélites e sensores haviam capturado. Particularmente o Oceano Antártico mostrou muito maior aquecimento do que o que foi anteriormente previsto”.

Muito obrigado a Julian Warmington, Professor Associado da BUFS, Busan University of Foreign Studies, por editar esta notícia.


Traduzido do original de Dorsi Diaz (Facebook / Twitter), publicado no Examiner.com

LINKS SUGERIDOS NO TEMA DE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, METANO E ÁRTICO

Mudança Climática em Aceleração

Água Quente Estende-se do Mar Laptev ao Polo Norte

Qual a Evidência Científica de Libertação de Metano no Ártico

(Cópia com tradução portuguesa e título “sensacional” adicionados, tirada do original com o título em Inglês “Methane Hydrates: Extended Interview Extracts With Natalia Shakhova”)

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Ártico, Metano, Temperatura

Água Quente Estende-se do Mar Laptev ao Pólo Norte

A imagem da NOAA NESDIS em baixo mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em mais de 1°C que se estendem até ao Pólo Norte.

A 29 de Setembro de 2014, anomalias na temperatura de superfície do mar bem acima de 1ºC estenderam-se desde o Mar de Laptev até ao Pólo Norte. Criado por Sam carana para o Arctic-news.blogspot.com com o methanetracker.orge com dados da NOAA NESDIS

A 29 de Setembro de 2014, anomalias na temperatura de superfície do mar bem acima de 1ºC estenderam-se desde o Mar de Laptev até ao Pólo Norte. Criado por Sam carana para o Arctic-news.blogspot.com com o methanetracker.orge com dados da NOAA NESDIS

A imagem abaixo dá-nos uma visão do mundo, mostrando anomalias de TSM no topo da escala no Mar Laptev.

Anomalias da Temperatura de Superfície do Mar de Laptev até 5ºC
A extremidade superior da escala na imagem acima é de 5°C (ou 9ºF). A visualização em baixo usa uma escala muito maior. Mesmo esta escala maior parece não capturar totalmente a terrível situação em que estamos.

Águas Quentes a Entrarem no Oceano Ártico Pelo Estreito de Bering, a 30 de Setembro de 2014
A imagem acima mostra a água quente que entra no Oceano Ártico através do Estreito de Bering e do Atlântico Norte. Nos próximos meses, a Corrente do Golfo vai continuar a empurrar água morna para o Oceano Ártico (ou seja, água que está mais quente do que a água do Oceano Ártico). Demora algum tempo (ou seja, meses) para que a água quente do Atlântico Norte chegue ao Oceano Ártico.

No ano passado, as emissões de metano começaram a tornar-se enormes em Outubro e isso durou cerca de seis meses. A imagem abaixo, de uma publicação anterior, mostra erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 16/17 de Outubro de 2013.

Erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 16 e 17 de Outubro de 2013.
A imagem abaixo, de uma outra publicação anterior, mostra erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 31 de Outubro de 2013.

erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico a 31 de Outubro de 2013
A imagem abaixo, de ainda mais uma publicação anterior, mostra os níveis de metano tão altos quanto 2.662 partes por bilião a 9 de Novembro de 2013.

Níveis de metano de 2.662 partes por bilião a 9 de Novembro de 2013
Este ano há ainda mais calor dos oceanos presente, especialmente no Atlântico Norte e no Pacífico Norte. A 29 de Setembro de 2014, níveis de metano tão altos quanto 2.641 partes por bilião foram registados e parece que o pior ainda está por vir.

Níveis de metano elevados (2.641 partes por bilião), a 29 de Setembro de 2014
A situação é grave e exige uma ação abrangente e eficaz, como discutido no blogue Climate Plan.


Artigo traduzido do original de Sam Carana que foi publicado no Arctic-news.blogspot.com a 30 de Setembro de 2014

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Aquecimento Global Descontrolado, Extinção, Metano, Paleoclima

Existe Mesmo Um “Monstro de Metano Do Ártico”?

O Monstro de Metano no Ártico poderá desencadear um evento de extinção em massa como o Permiano, através de um aquecimento global descontrolado causado pelo aquecimento humano pelas emissões de CO2?

O Monstro de Metano no Ártico poderá desencadear um evento de extinção em massa como o Permiano, através de um aquecimento global descontrolado causado pelo aquecimento humano pelas emissões de CO2?

Podemos salvar a humanidade da maior ameaça de sempre? Vídeo imperdível foca os riscos e incertezas da libertação catastrófica de metano pelo meio ambiente no Ártico: Clique Aqui!

Após milhões de anos de idades do gelo, o Ártico tornou-se um vasto repositório de carbono fóssil.

Ao longo dos milénios, camada após camada de material biológico à base de carbono foi trancado no solo congelado das tundras e leitos marinhos do Ártico. Algumas destas reservas têm-se simplesmente sepultado no gelo. Outras, já tornadas em metano através dos fluxos lentos do tempo, estão subjacentes ao solo congelado do Ártico e ao fundo do mar como uma espécie de gelo de fogo.

Uma substância instável, inflamável e explosiva chamado clatrato.

As próprias reservas são massivas – contendo entre 2 a 3 triliões de toneladas ou mais de carbono. Provavelmente mais de cinco vezes a quantidade de carbono já emitido pelos seres humanos na atmosfera nos últimos 150 anos. Uma quantidade que já provavelmente trancou cerca de 1,8 ºC de aquecimento a curto prazo e 3,6 ºC de aquecimento a longo prazo.

Mas um descongelamento do Ártico poderia desencadear uma cadeia de eventos que levariam a um muito pior aquecimento ainda por vir.

Num mundo frio de época glacial essas reservas de carbono não são ameaça. Como um dragão adormecido, elas permaneceram latentes nas zonas frias do mundo – incapazes de quebrarem o selo do gelo. Mas num mundo que os seres humanos estão a forçar a um aquecimento rápido através de um ritmo de emissões de gases de efeito estufa pelo menos seis vezes mais rápido do que em qualquer momento nos biliões de anos da história da Terra, corremos o risco de uma libertação imensa deste stock de carbono monstruoso.

Uma Questão de Feedback de Metano

Nós realmente não sabemos o quanto de calor é necessário para desencadear uma libertação descontrolada desta pilha monstruosa de carbono. Mas já aquecemos o mundo em pelo menos 0,8 graus Celsius e muitos pesquisadores do Ártico acreditam que apenas 1,5 graus Celsius de aquecimento global é suficiente para descongelar toda a tundra do Ártico.

Esse descongelamento iria certamente expor a enorme reserva de carbono da tundra aos elementos e à ação microbiana. Aumentando a libertação já significativa de carbono do Ártico e contribuindo em muito para o aquecimento humano da atmosfera e dos oceanos da Terra por meio de emissões de gases de efeito estufa.

Anomalias locais em medições de metano do Ártico disparadas pelo aquecimento causado pelo homem. Jason Box; Meltfactor

Anomalias locais em medições de metano do Ártico disparadas pelo aquecimento causado pelo homem. Jason Box; Meltfactor

(Num artigo recente no seu blog Meltfactor, o Dr. Jason Box questiona se as anomalias locais em medições de metano do Ártico envolvem mini explosões de metano disparadas pelo aquecimento causado pelo homem. O Dr. Box também questionou apropriadamente se tais emissões de metano eram sinais de uma possível maior libertação resultante da força do calor gerado pelo homem sobre o ambiente do Ártico. O Dr. Box, de forma semelhante à nossa própria investigação sobre o Monstro de Metano do Ártico, metaforicamente rotula estas explosões de “Sopro do Dragão”. Fonte da imagem: Meltfactor).

Alguns anos atrás, um grupo de 41 pesquisadores do Ártico sugeriram que mesmo que parássemos de emitir gases de efeito estufa rapidamente, a libertação de carbono do Ártico seria igual a cerca de 10 por cento das emissões humanas anuais e continuaria por muito tempo no futuro. Mais preocupante, esses pesquisadores observaram que a falha em reduzir rapidamente as emissões humanas de carbono resultaria numa libertação anual pelo Ártico equivalente a 35% ou mais das emissões humanas, colocando o mundo no caminho para um cenário de aquecimento descontrolado.

Mas a questão de libertação de carbono do Ártico é tudo menos simples ou fácil de entender. Pois uma porção significativa – possivelmente tanto como 1/3 até 1/2 do depósito de carbono do Ártico poderia libertar-se como metano. E o metano, em escalas de tempo muito curtas, é um gás de efeito estufa muito potente. Ao longo de 20 anos, o metano tem um potencial de aquecimento global 86 vezes maior que a de um volume semelhante de CO2. Mesmo que uma parcela muito pequena da reserva de carbono do Ártico fosse libertada como metano ao longo de um período relativamente curto – 1, 5, 10 ou 50 gigatoneladas de um depósito total que inclui milhares de gigatoneladas – poderia exagerar enormemente o já poderoso aquecimento humano em curso ou, na pior das hipóteses, disparar um evento de aquecimento descontrolado semelhante ao das grandes extinções do Permiano e do PETM (Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno).

Um Risco Mal Compreendido

Não ajudando, não há nem de longe suficientes observações diretas do ambiente do Ártico de modo a definir a taxa atual de liberação de carbono ou o provável aumento nas taxas de libertação ao longo das últimas décadas. Temos estudos que mostram mais metano emitido por lagos de tundra, por exemplo. Temos as expedições de Semiletov e Shakhova para o Oceano Ártico, que continuam a fornecer estimativas cada vez mais elevadas das emissões de metano provenientes de plumas [ou colunas] nos fundos dos mares Laptev e do leste da Sibéria. Temos estudos que mostram aumento da libertação de CO2 e metano dos vastos depósitos de carbono da tundra congelada de Yedoma na Sibéria. E temos os casos mais preocupantes de libertações de metano explosivas – provavelmente do descongelamento rápido de clatratos sob a permafrost – na região de Yamal na Rússia, este ano, que resultou em crateras dramáticas de tundra siberiana.

Sobrecarga muito significativa de metano no Ártico - No ano passado, no mês de Outubro, as leituras de metano ao longo da Cordilheira de Gakkel tiveram um pico de 2.662 partes por bilião - ou seja, mais de 800 partes por bilião acima da média global - antes de se difundirem na atmosfera. A imagem acima mostra os níveis de metano sobre a mesma região a subirem para mais de 2.400 partes por bilião a 16 de Setembro de 2014. - Arctic News

Sobrecarga muito significativa de metano no Ártico – No ano passado, no mês de Outubro, as leituras de metano ao longo da Cordilheira de Gakkel tiveram um pico de 2.662 partes por bilião – ou seja, mais de 800 partes por bilião acima da média global – antes de se difundirem na atmosfera. A imagem acima mostra os níveis de metano sobre a mesma região a subirem para mais de 2.400 partes por bilião a 16 de Setembro de 2014. – Arctic News

(Grande libertação de metano do fundo do oceano em curso? O Ártico continua a mostrar uma sobrecarga muito significativa de metano – insinuando maiores libertações de metano do seu meio. No ano passado, no mês de Outubro, as leituras de metano ao longo da Cordilheira de Gakkel tiveram um pico de 2.662 partes por bilião – ou seja, mais de 800 partes por bilião acima da média global – antes de se difundirem na atmosfera. A imagem acima mostra os níveis de metano sobre a mesma região a subirem para mais de 2.400 partes por bilião a 16 de Setembro de 2014. Link: Arctic News).

Mas esses estudos e instâncias focam apenas subsecções do Ártico. E, da mesma forma que vários homens cegos ao investigarem as várias partes de um elefante podem discordar sobre a forma geral da besta, nós temos um problema semelhante na compreensão da forma total da ameaça representada pela libertação de metano e carbono do Ártico.

O Dr. David Archer, que tem desenvolvido vários ensaios de modelos da potencial libertação de metano do leito do mar do Ártico, afirma que há essencialmente zero motivo de preocupação quanto à libertação de metano em grande escala para este século. Um número de pesquisadores do Ártico discordam com o principal destes ensaios, sendo Peter Wadhams, o Dr. Semiletov e a Dra. Shakhova, os quais todos parecem muito preocupados com o potencial para uma libertação em grande escala em breve. Um meio termo é povoado por uma série de pesquisadores como Carolyn Ruppel e Sue Natali do observatório Woods Hole. Estes pesquisadores estão, racionalmente, a pedir mais dados sobre uma questão que está por demais mal compreendida pela ciência.

Projeto CARVE da NASA Encontra Modelos em Desacordo Quanto à Libertação de Carbono do Ártico

Este atual falta de uma compreensão mais ampla e consenso científico na questão da potencial de resposta dos Sistemas do Ártico e da Terra a um crescente aquecimento da atmosfera e do oceano causado pelos humanos foi destacada no relatório da semana passada pelo estudo CARVE da NASA.

O estudo, que visava monitorizar as emissões de carbono do Ártico – correu uma série de modelos climáticos globais para tentar determinar o quanto de carbono está a ser libertado a partir do Ártico. O estudo não tentou apontar cenários de emissões futuras. Apenas teve como alvo tentar estabelecer uma linha de base para as emissões tal como estão agora. Uma compreensão requerida para se fornecer qualquer avaliação clara de como as emissões de carbono do Ártico poderão vir a estar no futuro.

Os pesquisadores conectaram os dados das atuais emissões localizadas de carbono do Ártico em 40 modelos climáticos globais e os modelos cuspiram devidamente os resultados os quais estavam por todo o quadro. Essencialmente, os modelos confirmaram o que nós analistas de risco já sabíamos: não há informação suficiente disponível para fornecer uma compreensão clara dos potenciais cenários de libertação de carbono do Ártico, muito menos apontar quanto de carbono está a ser emitido.

Do Relatório da Science Daily da semana passada:

Quanto carbono está a abandonar o seu solo em descongelamento e a adicionar efeito estufa à Terra? …

Um novo estudo realizado como parte do Carbon in Arctic Reservoirs Vulnerability Experiment (CARVE) [Experimento de Vulnerabilidade dos Reservatórios de Carbono do Ártico] da NASA, mostra precisamente quanto trabalho ainda precisa ser feito para se chegar a uma conclusão sobre esta e outras questões básicas sobre a região que o aquecimento global está a atingir de forma mais violenta.

O autor principal, Josh Fisher do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena, Califórnia, analisou 40 modelos de computador dos montantes e fluxos de carbono nos ecossistemas boreais e do Ártico do Alasca. A sua equipa encontrou grande discordância entre os modelos, destacando a necessidade urgente de mais medições na região …

“Todos nós sabíamos que havia grandes incertezas na nossa compreensão, e queríamos quantificar a sua extensão”, disse Fisher. Essa extensão revelou-se maior do que o que quase todos esperavam. “Os resultados foram chocantes para a maioria das pessoas”, disse ele.

Plumas de metano no oceano foram descobertas ao largo da costa leste dos EUA e no Mar de Laptev pela expedição SWERUS C3, Essas emissões incluem quase sempre reservas de clatratos destablizadas. Fonte da imagem: Nature Geoscience

Plumas de metano no oceano foram descobertas ao largo da costa leste dos EUA e no Mar de Laptev pela expedição SWERUS C3, Essas emissões incluem quase sempre reservas de clatratos destablizadas. Fonte da imagem: Nature Geoscience

(As infiltrações de metano do oceano como nestas aberturas recentemente descobertas ao largo da costa leste dos EUA e as descobertas no Mar de Laptev pela expedição SWERUS C3, são quase sempre mais numerosas e enérgicas do que se esperava; um resultado, provavelmente, do aumento do impacto do calor causado por humanos. Essas emissões incluem quase sempre reservas de clatratos destablizadas. Fonte da imagem: Nature Geoscience).

Levará anos até que os cientistas definam com mais certeza o risco representado pela libertação de carbono e metano do Ártico. Um risco que agora envolve em si próprio o potencial para desencadear uma nova extinção por efeito estufa do tipo Permiano durante os próximos 1 a 3 séculos. Um risco que, considerando tudo, é provavelmente o risco mais terrível que já enfrentámos como espécie.

Como tal, não podemos esperar por uma certeza absoluta sobre o escopo desse risco. Se há sensibilidade suficiente para desencadear uma grande libertação de carbono do Ártico a 1,5 C ou 6 C de aquecimento é discutível – porque sabemos que continuar a queimar combustíveis fósseis eventualmente nos levará lá mais cedo ou mais tarde.

Então, enquanto nós continuamos a pesquisar o que pode muito bem ser a maior ameaça ambiental que já enfrentámos, é inteiramente prudente começar uma rápida redução das emissões globais de carbono com o objetivo de chegar a zero emissões de carbono e emissões líquidas de carbono negativas o mais breve possível. Os riscos são simplesmente grandes demais para se continuar a atrasar a ação.

Traduzido do original “When it Comes to The Arctic Methane Monster, What We Don’t Know Really Could Kill Us — NASA Model Study Shows Very High Carbon Release Uncertainty” em http://robertscribbler.wordpress.com/

Referências bibliográficas utilizadas pelo autor:

High Risk of Permafrost Thaw

With Few Data Arctic Carbon Models Lack Consensus

Can We Save Humans From the Greatest Threat Ever?

Rate of Methane Release From Tundra Thaw Lakes Increases by 58%

Why We Should Be Paying More Attention to Methane

Hundreds of Seeping Methane Plumes Discovered off US East Coast

Meltfactor

Arctic News

SWERUS C3 Arctic Carbon Study

NOAA Earth Systems Research Laboratory

Climate Science: The Vast Cost of Arctic Change

Arctic Methane Monster Shortens Tail: ESAS Emitting Methane at Twice Expected Rate

Arctic Methane Monster Exhales: Third Tundra Crater Found in Siberia

High Velocity Human Warming Leads to Arctic Methane Monster’s Rapid Rise from Fens

How Much Methane Came Out of That Hole in Siberia?

Rapid Arctic Thaw Could be Economic Timebomb

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Metano, Paleoclima, Temperatura

O Gelo no Mar do Ártico Vai Desaparecer Em 2018. E Depois?

Paul Beckwith, climatologista e professor a tempo parcial na Universidade de Ottawa, Físico (Master de Ciência em Laser Optics, Bacharelato em Física de Engenharias), interessado em energias renováveis e xadrez – tal como descrito no seu Twitter, dá uma entrevista a Reese Jones onde faz um resumo da situação no Ártico, onde o aquecimento global se manifesta com aumentos de temperatura bem mais acentuados que na temperatura média global, e das consequências a curto prazo para a humanidade. Aqui está a transcrição do audio traduzida para Português:

 “A grande emissão de metano na região do Ártico por causa deste aquecimento é a maior preocupação. Se considerarmos no modelo da Marinha dos Estados Unidos, quando é que o gelo do mar Ártico desaparecerá, em que estação de derretimento irá ocorrer, o modelo da Marinha dos EUA diz que aproximadamente em 2018. Se você olhar para o modelo do gelo do mar ao longo do tempo, é uma espécie de curva exponencial, a qual é zero á volta de 2018. Talvez o gelo marinho não estará lá e o oceano Ártico estará completamente aberto durante uma ou duas semanas em meados de Setembro. Há uma grande variabilidade de ano para ano, mas pode-se fazer uma previsão de que dentro de um ano ou dois ou três após esse primeiro desaparecimento, o gelo poderia desaparecer durante 2 ou 3 meses no verão, e no espaço de 5 ou 6 anos poderia desaparecer durante seis meses do ano, e podia-se conceber vê-lo desaparecer completamente dentro de uma década ou duas. E então estaremos num sistema climático completamente diferente e os níveis de metano têm aumentado tanto da permafrost terrestre como dos sedimentos marinhos, especialmente no leito do Ártico Siberiano Oriental. Se isto continua a acontecer, e temos visto sinais como essas crateras misteriosas em partes da Sibéria, por isso, se este tipo de coisas continua então a quantidade de metano que sobe pode muito rapidamente eclipsar as emissões humanas. Essa é a maior preocupação. E então estamos a falar de uma situação de mudanças climáticas bruscas, onde … quero dizer, nos registos paleolíticos a temperatura média global, pelo menos a temperatura registada na Gronelândia, aumentou algures entre 5 ou 6 graus numa década ou duas. Existem alguns casos (…) de oscilações nesses paleo-registos onde a temperatura na Gronelândia aumentou 16 graus em uma década ou duas. Podemos observar os registos de sedimentos do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (MTPE). Pelo menos um artigo sugere que a temperatura aumentou 5 graus celsius em 13 anos, por ser um registo muito claro de camadas, mas é claro que tem de ser confirmado por outros artigos. Há também evidências, algumas conchas do oceano, por exemplo da Nova Zelândia onde existem grandes crateras no fundo do oceano que parecem ser devidas a uma grande libertação de metano num período muito curto de tempo. À medida que o oceano aquece, se derrete por entre os sedimentos, pode aumentar as emissões. Estamos de facto a observar isso no Ártico na Plataforma da Sibéria Oriental. Então, isso é uma grande preocupação, porque isso é basicamente todo o sistema a mudar muito rapidamente. Então a questão de como é que respondemos a isso, como vamos continuar a produzir alimentos para alimentar toda a gente, como é que vamos proteger a nossa infraestrutura, está a ver, porque mesmo com a mudança de temperatura que tivemos e as mudanças no Ártico que tivemos, estamos a ver que a estatística do sistema climático está diferente; estamos a ver todos esses eventos climáticos extremos… Então imagine esses eventos a aumentarem em frequência, intensidade, talvez duração, localização, por um factor de 10 ou 20 vezes quando o gelo marinho tiver desaparecido, e pode-se ter uma ideia de podemos estar a chegar.”

Após esta actualização na ciência do clima focada no aspecto mais aterrorizante e determinante do quadro global e futuro da humanidade, fica aqui a sugestão para outro artigo igualmente relevante:

Será que a Humanidade Está a ‘Dar a Volta’ ao Aquecimento Global?

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Metano

Marcha do Povo Pelo Clima: Não Importa Quantos Foram Mas Sim a Mensagem

“Este é o maior problema da história da humanidade. Nunca a humanidade na sua história pôs em causa a possibilidade das futuras gerações poderem deixar de existir”

– Paulo Magalhães, da associação ambientalista Quercus.

Isto sim, é o mínimo que se pode pedir como critério de sucesso quanto ao focos da mensagem numa manifestação sobre alterações climáticas. Porquê o sucesso estar dependente da relevância da mensagem e não do número de manifestantes? Porque se tivermos digamos metade da humanidade, 3.5 biliões, nas ruas, a levantarem a voz de que precisamos mudar de combustíveis fósseis para alternativas energéticas que não poluam o ar nem emitam gases de efeito-de-estufa de modo a reduzir o risco de catástrofes naturais e das mortes por asma,… estaremos condenados à extinção neste planeta. Um grande número de gente inconsciente e focada na questão errada perpetuará o problema. Caso o leitor não saiba, as catástrofes naturais e doenças como a asma são fontes de lucro exorbitantes e meios de colocar outros países em dívida através da Organização Mundial de Saúde e indústria farmacêutica, do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI). O sistema económico é baseado no lucro e essa é a sua força impulsionadora. Para pesquisar melhor este ponto, procure “John Perkins, mercenário económico”.

Adorei também esta, do mesmo manifestante:

o mundo está “refém de meia dúzia de empresas que manda nos políticos” e “hoje o político é um boneco das grandes empresas de petróleo”

Se procurarmos a causa de raiz do aquecimento global, se seguirmos essa cadeia de relações causais e variáveis que originaram, perpetuam e pioram seriamente este problema, ao ponto de muitos cientistas falarem na possibilidade de extinção da humanidade dentro do tempo de uma vida humana (mais sobre isto será publicado em breve neste blog), o nosso problema não é o CO2, nem a falta de tecnologia para reduzir as emissões e até remover esse excesso da atmosfera. Se assim fosse, já o teríamos feito. A causa fundamental do problema das alterações climáticas, conhecido como aquecimento global e a começar a ser referido como aquecimento global fugidio ou descontrolado (significando que talvez já não o consigamos ‘agarrar’ e assim impedir a sua evolução exponencial para temperaturas cada vez mais altas), a causa de raiz é a distorção social da “economia” baseada na dívida e no lucro. Na dívida para que uns controlem os outros, e no lucro para que esses outros nunca tenham possibilidade sequer de apanhar os primeiros. Ou seja, não é economia nenhuma, mas sim um jogo competitivo em que quem dá as cartas faz basicamente aquilo que quer. E é por isso que convém escrevê-la entre aspas. É antes uma anti-economia. Os economistas não economizam de todo; o que eles fazem é propaganda ao valor do dinheiro, para parafrasear John McMurtry.

Neste sistema económico onde o lucro, e assim também a corrupção, são a sua base fundamental, enquanto a resolução de um problema não der lucro, ou até colocar em risco a posição das instituições estabelecidas ou do monopólio oligarca, o problema nunca será resolvido.

“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou.”

– Albert Einstein

E é nesta altura que alguém remata que são os poderes financeiros e políticos, as corporações, o 1% mais rico do mundo que têm tamanha distorção de valores, doentia, desligada da natureza e vidrada na próxima acção mais lucrativa, os verdadeiros responsáveis pela situação do planeta. Sinto muito dizer-lhe, mas essa é também a minha e a tua cultura. Quando ignoramos um pobre a pedir esmola não estamos a ignorar um problema e orientarmo-nos para a próxima atitude mais lucrativa? Quando compramos algo e mais tarde o vendemos por um preço maior para fazermos algum dinheiro, não estamos a colocar um peso, tal como um aumento na inflação, sobre toda a população? Estas atitudes, tanto a nível de corporações como a nível individual, estão embutidas na organização social através deste sistema retrógrado milenar, perpetuador da escassez fictícia e alienado das leis da natureza, que é o dinheiro. E se queremos começar a enfrentar esta realidade do aquecimento global com mais sucesso do que os últimos 20 anos, em que votámos e esperámos que a política o resolvesse por nós, comecemos por aqui:

“Você define-se como uma vítima do mundo ou como o próprio mundo?” – Alan Watts

Alan Watts tem audios interessantíssimos sobre esta confusão entre símbolo e realidade que tantos problemas perpetuou ao longo a história. Pois é melhor começarmos a ignorar a política e agarrarmo-nos à ciência. A realidade actual e as previsões científicas para o futuro próximo são… Deixo-vos com a uma tradução de um artigo por um manifestante de Manhattan, Nova Yorque. Ele é bem mais sensível e cuidadoso nas palavras ao expôr aquilo que não sei como vos dizer aqui.


por Nathan Currier

Quão grande foi a marcha em Manhattan ontem? Um dos organizadores era a 350.org, um grupo que começou por Bill McKibben com base num estudo do cientista climático James Hansen, que afirmou que devíamos apontar para cerca de 350 partes por milhão (ppm) de CO2. Estamos atualmente em cerca de 400 ppm, por isso precisamos de mover “apenas” cerca de 50 ppm na direção oposta ao nosso rápido crescimento, que levou um empurrão de uns assustadores 3ppm no ano passado.

Vai ser necessário um grande esforço, e poucos de nós vivos hoje irão viver para vê-lo (em falta de engenharia de larga escala), mas é interessante ponderar a mudança minúscula que isso representa no ar – uma mudança de apenas 5 milésimos de um por cento (0,005 por cento) da atmosfera! Essa é uma das coisas fascinantes da ciência do clima, como tal mudança minúscula na nossa atmosfera poderia ter um impacto tão grande sobre o balanço de energia de todo o nosso planeta.

Mantenha isso em mente se está a tentar contemplar a relevância de cerca de 350.000 pessoas saírem para as ruas de Manhattan, a capital do capitalismo, o coração cultural da nação, onde a negação manufacturada tem tido maior acção de entrave. Isso porque de facto esta é exatamente a mesma proporção dos 7 bilhões de membros da humanidade, 5 milésimos de um por cento, tal como essas 50 ppm (partes por milhão) serem uma mudança na composição do ar. Além disso, alguns estimam o número real de manifestantes em 400.000, e se as estimativas globais expandem igualmente, então a nível global, estavam a marchar cerca da mesma proporção quanto o crescimento de CO2 desde a industrialização representa uma mudança na composição da atmosfera. De certa forma, todos aqueles em marcha eram apenas um vestígio, e logo que nos dissipámos em ruas e estações de metro depois, rapidamente fomos superados em número pelas pessoas que seguiam nas suas vidas quotidianas, que parecia óbvio, mas de outra forma, o quão monumental o pequeno vestígio se pode tornar!

E por falar em poderosos pequenos vestígios, o metano é ainda muito menos concentrado no ar do que o CO2, cerca de 220 vezes menos, mas houve realmente algum metano flutuando ao redor do ar de Manhattan ontem! Não, não me refiro a todos os canos com fugas na cidade que têm levado por vezes testes locais a registar leituras ambientais incrivelmente altas deste gás de efeito-de-estufa. Quero dizer que, entre os manifestantes, os sinais anti-fracking frequentemente pareciam superar todos os outros cartazes de “sub-tema”. Este é um fenómeno fascinante, já que alguns de nós sentimos que – uma vez que todos nós em última instância temos que viver no aqui e agora, e uma vez que não se pode afetar o clima que temos aqui e agora de forma muito eficaz através da mitigação de CO2 e só se pode ganhar apenas tração política prática ao lidar com isso aqui e agora – então uma das melhores maneiras de avaliar a seriedade e de se conseguir movimento à volta do clima seria focar-se em ação significativa sobre o metano. Em certo sentido, se você quer que as pessoas comecem a subir uma escada muito íngreme, precisa dar-lhes um agradavelmente baixo primeiro degrau, e esse primeiro degrau do clima seria o metano. Como Robert Watson, o presidente anterior do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas colocou de forma sucinta, cortando o metano rapidamente “demonstraria ao mundo que nós podemos fazer algo para rapidamente abrandar a mudança climática. Precisamos de nos mexer para arrefecer a temperatura do planeta. O metano é o lugar mais eficaz para começarmos “.

A marcha de Manhattan pelo clima também forneceu um exemplo bem à medida do quão frustrante pode ser conseguir que a grande marcha lenta da mudança role: para aqueles na parte de trás, levou duas horas para iniciarem qualquer movimento de todo, e depois mais duas horas para chegar a Columbus Circle, o seu ponto de partida ostensivo. Da mesma forma, arrastamentos inevitáveis ​​sobre mitigação das alterações climáticas estão a tornar a ação rápida em torno do metano ainda mais importante. E as incertezas quanto às mudanças climáticas de curto prazo, com um potencial crescente de eventos de alto impacto e de menor probabilidade que possam causar aquecimento abrupto (como as emissões de metano não-humanas no Ártico a iniciarem-se mais rapidamente do que os modelos prevêem), significa que ignorar o as mudanças climáticas a curto prazo durante tempo demasiado pode revelar-se fatal para todas as nossas melhores intenções. Logo, é fascinante ver um interesse em metano crescer a partir dos movimentos grassroots, mesmo que ainda seja em grande parte (e erroneamente) limitada à questão fracking (fracturação hidráulica por gás natural) neste momento. Vamos torcer para que o interesse por este mero vestígio de gás no nosso ar (desde a industrialização que tem aumentado em cerca de 1,1 ppm, uma alteração de cerca de 1,1 décimo de milésimo de 1 por cento da atmosfera! – despolete faísca em breve. O grupo de 1250 foi inicialmente concebido para fornecer uma espécie de desdobramento autónomo para o grupo 350 de McKibben, a fim de ajudar a despoletar essa faísca, mas o próprio McKibben disse logo que ele “tinha as mãos cheias com o CO2” e no momento não enviou aos seus seguidores a petição de abaixo-assinado inicial do grupo 1250, a qual rapidamente definhou. Mas se o interesse em metano chegar a essa concentração crítica, e essa faísca for providenciada, você sabe o que acontece a seguir: é aí que a ação climática vai explodir.

O texto acima foi anteriormente publicado por Nathan Currier no HuffingtonPost


A imagem na publicação mostra manifestantes cujos cartazes (ou será melhor dizer trajes) partilham uma relação interessante. Para cada libra (~450 gramas) gasta-se em água o equivalente a tomar 180 duches. Este tema será igualmente explorado neste blogue. Para já, para aqueles que dominam o inglês, aqui está o último documentário, super elucidante e mesmo estonteante, sobre o assunto: Cowspiracy, o qual poderá ser visto AQUI!

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Hidratos de Metano Irrompem do Fundo em Bolhas
Metano, Retroalimentação, Temperatura

Águas Muito Quentes Estão a Invadir o Oceano Ártico

[Tradução da imagem: Níveis de metano atmosféricos globais | Média global dos níveis de CH4 tão elevados quanto 1836 ppb registam-se agora a várias altitudes. Criado por Sam Carana para o Arctic-news.blogspot.com]

Uma média Global dos níveis de metano…

…de 1836 partes por bilião (ppb) foram registadas a várias altitudes a 24 de Agosto de 2014. Entretanto, o Oceano Ártico continua a aquecer. Tal como a imagem em baixo mostra, o aquecimento do oceano está a sentir-se mais fortemente no Hemisfério Norte.
[Tradução da imagem: Anomalia na temperatura de superfície dos oceanos | a 19 de Agosto de 2014 Hemisfério Norte 1,78ºC | Mundo; Hemisfério Norte; Atlântico Norte; Pacífico Norte; Pacífico Equatorial; Hemisfério Sul]

Águas muito quentes dos Oceanos Pacífico Norte e Atlântico Norte estão agora a invadir o Oceano Ártico. Nunca antes na história a humanidade estiveram estas águas tão quentes. No Oceano Ártico, isto está a causar temperaturas de superfície muito elevadas, tal como revela a imagem em baixo.

[ clique na imagem para aumentar | Esquerda: Temperatura da superfície do mar; 25 de Agosto de 2014 | Direita: Anomalia da temperatura de superfície do mar; 25 de Agosto de 2014 | Imagem criada a partir de NOAA – Marine Modeling and Analysis Branch = Administração Nacional para a Atmosfera e Oceanos – Departamento de Modelagem e Análise]

feedbacks | ciclos de retroalimentação positivos, retroacção ou auto-reforço

As temperaturas muito elevadas ameaçam disparar todo o tipo de feedbacks (ciclos de retroalimentação positivos), tal como descritos no parágrafo complementar seguinte.


(Para um melhor entendimento dos Mecanismos de Retroacção (Feedback) no Ártico, clique aqui! Para um resumo: O desaparecimento da cobertura de neve e gelo no Ártico faz com que menos luz solar seja reflectida de volta para o espaço (albedo), um mecanismo de retroação (feedback) que Peter Wadhams calculou constituir, ao longo do tempo, um efeito de aquecimento maior do que o todo o aquecimento de todas as emissões causadas pelas pessoas.
Mais mar aberto no Ártico resulta em todos os tipos de mecanismos de feedback (retroação ou auto-reforço). Águas calmas funcionam como um espelho, refletindo muita da luz solar de volta para o espaço, mas à medida que mais energia é adicionada ao clima, as águas ficam mais ondulantes, absorvendo mais luz. Águas mais quentes fazem com que mais plâncton floresça, absorvendo mais luz solar que água pura. Água mais quente resulta em mais evaporação e cobertura de nuvens, especialmente a altitudes baixas, tornando difícil ao calor irradiar para o espaço.
À medida que a Terra aquece, o Ártico aquece ainda mais rápido, causando alterações na ‘corrente de jato’ (jet stream) que por sua vez causam eventos meteorológicos mais extremos, tais como tempestades e ondas de calor. Isto por sua vez causa mais incêndios próximo do Círculo Ártico o que piora muito mais as coisas.
Tais feebacks podem tornar-se ciclos de auto-reforço que podem continuar a crescer, mesmo que parássemos as emissões que originalmente os desencadearam. Para além disto, algumas emissões mascaram a ira total do Aquecimento Global durante algum tempo e, enquanto fazermos esta transição de abandonar os combustíveis, mais aquecimento irá resultar do retirar deste efeito de máscara.
O maior perigo é que o metano vai irromper dos sedimentos no fundo do Oceano Ártico. Até uma erupção relativamente pequena poderia desencadear erupções enormes, e com o aquecimento continuado, a questão não é se isto poderia acontecer mas quando irá acontecer.
Para prevenir o aquecimento de entrar numa espiral fora de controlo, é necessário mais que reduzir as emissões de CO2. A situação é crítica e apela a acção efectiva e compreensiva, tal como discutido no Climate Plan blog, em http://climateplan.blogspot.com)


O grande perigo é que, à medida que o leito do mar aquece, o metano vai irromper dos hidratos que estão em sedimentos debaixo do Oceano Ártico. A situação é calamitosa e apela a uma acção compreensiva e efectiva, tal como discutido no blogue ‘Climate Plan‘.

Traduzido do artigo original ‘Very warm waters are invading the Arctic Ocean‘ de Sam Carana, cientista incansável num esforço diário para alertar para a urgência da situação climática aterrorizante em que nos encontramos, e que contribui com outros cientistas para o blogue Arctic-News.blogspot.com
“A ameaça da catástrofe climática apela a acção compreensiva e efectiva a qual – para além dos benefícios para o ambiente – também faz sentido económicamente, dá-nos mais eficiência, segurança, energia robusta e fidedigna e leva ao melhoramento da saúde e segurança para todos. Remove a escassez fabricada como causa de conflito e substitui esta por abundância permanente, fazendo com que todos vivam vidas mais significantes, em paz e em entendimento e apreciação mútuos.” – Sam Carana
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