Níveis de metano atmosférico
Sam Carana

Libertação de Metano do Fundo do Mar e Aumento dos Níveis Atmosféricos

Níveis de metano atmosférico

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são superiores aos de qualquer outro lugar na Terra. Como a animação abaixo mostra, os níveis de metano estavam tão elevados quanto 2436 partes por bilião (mil milhões) (ppb) na tarde de 5 de dezembro de 2016, com a maioria de metano a ascender da água, em particular sobre o Oceano Ártico.

niveis de metano atmosférico

Aumento de metano na atmosfera a 5 de dezembro de 2016 (MetOp 1 pm), desde 1000 mb, ou seja, perto do nível do mar, até uma pressão de 586 mb, o que corresponde a uma altitude de 3833 m.

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico têm estado elevados há já mais de um mês. O vídeo abaixo, com uma banda sonora de Daniel Kieve, mostra os níveis de metano de 26 de outubro de 2016 a 25 de novembro de 2016.

Estes níveis elevados de metano acontecem numa altura em que não há praticamente nenhuma luz solar a atingir o Ártico, o que praticamente elimina a possibilidade de uma proliferação de algas ou outras fontes biológicas estarem a causar estes níveis elevados de metano. Em vez disso, estes níveis elevados de metano parecem ser o resultado de erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, causadas pelo aquecimento da água dos oceanos.

Nível médio global de metano

O metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

De facto, grandes quantidades de metano parecem estar a irromper do leito do mar do Oceano Ártico, e, à medida que o metano sobe na atmosfera, este vai-se aproximando do equador, resultando em níveis mais elevados de metano aí também. A imagem acima ilustra ainda que o metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

A imagem em baixo mostra o aumento da temperatura dos oceanos. As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Hemisfério Norte.

temperatura do oceano aumenta

Aquecimento do Oceano, de uma publicação anterior.

A quantidade enorme de energia a entrar no oceano traduz-se em temperaturas mais elevadas da água e do ar sobre a água, bem como ondas maiores e ventos mais fortes. Muito desse calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Calor levado pelas correntes do golfo até ao Ártico

Calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Temperatura do mar elevada no ÁrticoComo a imagem à direita mostra, as temperaturas de superfície do mar perto de Svalbard (círculo verde) estavam tão altas quanto 14.1°C a 6 de dezembro de 2016, 12.1°C mais quente que a média de 1981-2011.

O aumento do calor no oceano está a ameaçar causar erupções cada vez maiores de metano do fundo do mar.

Conforme descrito na página “Extinction” (do site arctic-news.blogspot.com), as erupções de metano do fundo do mar podem provocar 1,1°C de aumento de temperatura ao longo dos próximos dez anos.

A situação é crítica e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Traduzido do original Sea Floor Methane de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 12 de dezembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Anúncios
Standard
Inabitavel - Areas de risco de seca climatica e desertificação em África
Robertscribbler

Tornado Inabitável pelo Calor — Sudão e Partes do Norte de África e Médio Oriente Estão Ameaçados

O Norte de África já está quente e está a aumentar fortemente em temperatura. Em algum momento neste século, parte da região irá tornar-se inabitável.

Dr. Johannes Lilieveld

O número de refugiados climáticos pode aumentar drasticamente no futuro. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Química e do Instituto Cyprus em Nicósia calcularam que o Médio Oriente e Norte da África podem tornar-se tão quentes que a habitabilidade humana fica comprometida.

O Instituto Max Planck

*****

Ondas de calor tão quentes que é impossível realizar qualquer atividade ao ar livre sem ameaça de lesão ou pior. Tempestades de areia furiosas que tornam o ar irrespirável. Secas enormes que arruínam a produtividade agrícola e a biodiversidade ao mesmo tempo. Secções da África e do Oriente Médio estão atualmente a ter uma amostra destas novas e perigosas condições climáticas. Mas a sua frequência pode aumentar em cinco vezes ou mais ao longo dos próximos 30-40 anos — um mal ameaçador, o colapso do governo, e o deslocamento forçado de milhões de pessoas.

O Sudão poderia tornar-se inabitável pela mudança climática

Devido ao aquecimento causado pelo homem, estes tipos de eventos já estão a acontecer em lugares como o Sudão, com frequência cada vez maior. E uma reportagem recente da CNN mostra que esse estado norte-Africano está sob a ameaça de se tornar inabitável para os seres humanos devido às alterações climáticas.

Areas de risco de seca climatica e desertificação em África

Um novo crescendo infértil. A mudança climática aumenta os riscos de desertificação de regiões semi-áridas em toda a África. Fonte da imagem: Grid-Arendal, Universidade de Columbia e CNN

A seca tem impactado a agricultura na medida em que 1,9 milhões de pessoas nesta nação de 40 milhões poderiam enfrentar a fome durante o próximo par de anos. Mais de 3,2 milhões enfrentam escassez de água. E na justaposição irónica que muitas vezes vem com a mudança climática — desde 2013 cerca de 600.000 pessoas foram deslocadas devido aos dilúvios que têm cada vez mais frequentemente chegado no fim dos períodos longos e secos.

Para o Sudão, os problemas estão apenas a começar. Lá para meados do século as temperaturas de superfície na região podem aquecer entre 1,1 e 3,1 graus Celsius. E tanto aquecimento adicional vai multiplicar a ocorrência dos tipos de ondas de calor, secas e tempestades de poeira nocivas que estão a acontecer hoje muitas vezes mais. No final, o Sudão está em risco de ser abandonado já que as suas terras são tomadas por um clima impróprio para habitação humana.

500 Milhões de Pessoas Sob Calor e Seca Extremos em África e no Médio Oriente em Meados do Século

Mas não é apenas o Sudão que está a enfrentar uma mudança para condições climáticas de desfazer a nação. Em 2050, os eventos relacionados com o calor extremo irão acontecer cinco vezes mais frequentemente enquanto a Terra aquece numa crescente dissecação em África e ao longo de uma boa parte do Oriente Médio. Durante os verões, a meados do século, as temperaturas em toda esta zona vulnerável poderiam chegar a tanto quanto 5 graus Celsius mais quente do que são hoje.

Temperaturas quentes no mèdio Oriente e Norte de Árica

Incrivelmente quente: o Norte de África e Médio Oriente, a temperatura média irá subir creca de 2,5ºC (esquerda) por volta de meados do século, e no verão em torno de cinco graus Celsius (direita) se as emissões de gases de efeito estua continuarem a aumentar de acordo com o cenário de negócios como sempre (RCP8.5).

(As temperaturas deverão subir a níveis extremos em toda a África e Médio Oriente devido à queima de combustíveis fósseis e o aquecimento relacionado do Sistema Terra. Os impactos produzem um risco elevado de migração em massa para fora dessas regiões à medida que as condições de estufa tomam posse. Fonte da imagem: O Instituto Max-Planck).

Incluindo o Sudão, mais de 500 milhões de pessoas vivem nesta região. E de acordo com o Instituto Max-Planck, dias extremamente quentes — dos quais houve 16 por ano dentro desta área vulnerável entre 1986 e 2005 — irão aumentar em cinco vezes para 80 por volta de 2050, e até entre 118 a 200 em 2100.

Um calor extraordinário e persistente adicionado vai assar a humidade dos solos, arruinar florestas, e fazer avançar desertos. Irá produzir dias de temperaturas húmidas que se aproximam ou ultrapassam o limite da resistência humana (35 C) outra e outra vez. Uma tal elevada prevalência e intensidade de condições adversas farão os problemas atuais enfrentados pela região parecerem leves a moderados em comparação. No final, inúmeros locais provavelmente tenderão a tornar-se basicamente inabitáveis.

Chamada à Ação

Dada a dureza que vem a caminho e aquilo que provavelmente será uma migração em massa evitável, cientistas e ambientalistas estão a chamar à ação. A CNN e outros têm destacado a necessidade de ajuda a África e ao Médio Oriente. Mas por tão útil que seja o auxílio àqueles que estão desesperados e a lutarem para sobreviver, o principal condutor de todo o problema são as emissões de combustíveis fósseis pelos seres humanos. E a menos que pare, esta região e os seus povos altamente vulneráveis, entre outros ao redor do mundo, serão atingidos muito duramente.

Michelle Yonetani, um conselheiro sénior em catástrofes do Centro de Monitoração para o Deslocamento Interno, observou que encorajar os governos a aumentarem os compromissos para agirem sobre o clima é “talvez um dos meios mais indiretos [para ajudar], mas [é] a nível mundial o mais importante. Agora é realmente o momento de pressionar os governos para agir … “Caso contrário, vastas regiões em África e no Médio Oriente enfrentaram desestabilização, colapso, e migração em massa em horizontes de tempo bastante curtos.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Traduzido do original
Rendered Uninhabitable by Heat — It’s Not Just Sudan, Parts From North Africa to the Middle East are Under the Gun
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 9 de dezembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
Aumento do dióxido de carbono pela respiração dos solos é um feedback de amplificação que nos leva a um ponto de não-retorno
Robertscribbler

Para Além do Ponto de Não-Retorno — Feedbacks de Carbono Iminentes Acabaram de Aumentar em Muito os Riscos do Aquecimento Global

É justo dizer que passámos o ponto de não-retorno sobre o aquecimento global e que não podemos reverter os efeitos, mas certamente podemos amortecê-los

disse o especialista em biodiversidade Dr. Thomas Crowther.

Eu sou um otimista e ainda acredito que não é tarde demais, mas precisamos urgentemente de desenvolver uma economia global dirigida por fontes de energia sustentáveis e começar a usar CO2, como um substrato, em vez de como um produto residual.

Prof. Ivan Janssens, reconhecido como um dos padrinhos do campo da ecologia global.

… estamos no momento mais perigoso do desenvolvimento da humanidade. Temos agora a tecnologia para destruir o planeta em que vivemos, mas ainda não desenvolvemos a capacidade para o evitar … só temos um planeta, e precisamos de trabalhar juntos para o proteger.

— Professor Stephen Hawking ontem no The Guardian.

*****

O caminho para a prevenção de uma mudança climática catastrófica acabou de se tornar muito mais estreito.
Pois de acordo com novas estimativas conservadoras num estudo científico liderado pelo Dr. Thomas Crowther, somente o aumento da respiração do solo está prestes a adicionar entre 0,45 e 0,71 partes por milhão de CO2 à atmosfera a cada ano, entre agora e 2050.


(Thomas Crowther explica porque reduzir rapidamente as emissões humanas de gases com efeito de estufa é tão importante. Concretamente, é preciso fazer tudo o que for possível para se evitar uma situação descontrolada rumo a um ambiente de estufa que, essencialmente, irá ocorrer em apenas um século. Fonte do vídeo: Instituto de Ecologia da Holanda).

O que isto significa é que mesmo que todas as emissões humanas de combustíveis fósseis parassem, o ambiente da Terra, a partir desta única fonte, irá gerar aproximadamente a mesma quantidade de carbono que toda a indústria de combustíveis fósseis do mundo gerou a meio do século XX. E que, se as emissões humanas não pararem, então o ritmo do aquecimento global dos oceanos, camadas de gelo e atmosfera irá acelerar num evento de aquecimento descontrolado ao longo dos próximos 85 anos.

Aquecimento Global Ativa Respiração do Solo, o Que Produz Mais CO2

Isso acontece porque à medida que o mundo aquece, o carbono é extraído de solos anteriormente inativos através de um processo conhecido como respiração. Explicado de uma maneira básica, microorganismos chamados heterótrofos consomem carbono do solo e produzem dióxido de carbono como subproduto. O calor é necessário para alimentar este processo. E grandes partes do mundo, que antes eram demasiado frias para suportar respiração em grande escala e produção de CO2 por heterótrofos e outros organismos, estão agora a aquecer. O resultado é que sítios como a Rússia siberiana, Europa do Norte, Canadá e Alasca estão prestes a contribuir uma quantidade muito superior de CO2 (e metano) para a atmosfera do que fizeram durante o século XX.

Quando o aquecimento inicial causado pela queima de combustíveis fósseis extrai mais carbono do ambiente global, chamamos a isto feedback de amplificação. Trata-se de um ponto de viragem climático crítico quando o sistema de carbono global do ambiente natural começa a a fugir-nos.

Infelizmente, a respiração do solo é apenas um mecanismo de feedback potencial que pode produzir gases de efeito estufa adicionais à medida que a Terra aquece. Oceanos em aquecimento absorvem menos carbono e são capazes de produzir as suas próprias fontes de carbono conforme acidificam e as excreções de metano proliferam. Florestas que ardem devido ao calor e à seca produzem as suas próprias fontes de carbono. Mas o aumento da respiração do solo, que também tem sido chamado de bomba de composto, representa o que é provavelmente uma das mais imediatas e provavelmente maiores fontes de feedback de carbono.

Aumento do dióxido de carbono pela respiração dos solos

Um novo estudo descobriu que um aquecimento de 1º a 2ºC até 2050 irá aumentar a respiração do solo. O resultado é que entre 30 a 55 mil milhões de toneladas de CO2 adicionais irão provavelmente atingir a atmosfera terrestre ao longo dos próximos 35 anos. Fonte da imagem: Nature.

E também é importante salientar que o estudo classifica as suas próprias conclusões como estimativas conservadoras. Que o mundo poderá, num dos piores cenários, assistir a tanto quanto até quatro vezes a quantidade de feedback de carbono (ou tanto quanto 2,7 ppm de CO2 por ano) proveniente do solo, caso a respiração for mais eficiente e abrangente do que o esperado. Caso uma parcela maior do carbono do solo de superfície, em regiões recém-aquecidas, se tornar numa parte do sistema climático, à medida que os micróbios se ativarem.

Feedbacks de Amplificação a Começarem a Acontecer Agora

O estudo observa que o mais provável é que cerca de 0,45 partes por milhão de CO2 por ano serão removidas do solo, sobretudo de solos setentrionais no período entre 2016-2050, sob condições de 1ºC de aquecimento global durante esse período. Até este ponto, é importante notar que o mundo já aqueceu mais de 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Portanto, esta quantidade de feedback de carbono já pode ser considerada como garantida. O estudo conclui que, se o mundo continuar a aquecer até aos 2ºC até 2050 — o que é provável que aconteça, — então uma média de cerca de 0,71 partes por milhão de CO2 serão removidas dos solos através da respiração a cada ano até 2050.

Taxa de libertação de carbono dos solos com a temperatura

(Quando os solos perdem carbono, este acaba na atmosfera. De acordo com um novo estudo, os solos em todo o mundo estão a começar a bombear dióxido de carbono para a atmosfera. Isto é causado pelo aumento da respiração do solo à medida que a Terra aquece. Ao longo dos próximos 35 anos, espera-se que a quantidade de dióxido de carbono que será bombeada para fora dos solos do mundo aumente drasticamente. A quantidade será determinada por quão quente o mundo se tornar ao longo dos próximos 35 anos. Fonte da imagem: Nature.)

A conclusão deste estudo é que os feedbacks de carbono de amplificação a partir do ambiente da Terra estão provavelmente a começar a acontecer em grande escala neste momento. E poderemos estar a assistir a algumas evidências deste efeito durante 2016, numa altura em que as taxas de acumulação de dióxido de carbono atmosférico estão acima de 3 partes por milhão por ano pelo segundo ano consecutivo, mesmo tendo as taxas globais de emissões humanas estabilizado.

Para Além do Ponto de Não-Retorno

O que isto significa é que os riscos para reduzir as emissões humanas de carbono para zero o mais rapidamente possível acabaram de aumentar imenso. Se não conseguirmos fazer isto, vamos facilmente estar no bom caminho para 5-7ºC ou mais de aquecimento até o final deste século. E este nível de aquecimento a acontecer tão cedo e num período de tempo tão curto é um evento que poucas, se é que algumas, civilizações humanas atuais são suscetíveis de sobreviver. Além disso, se quisermos evitar um aquecimento terrivelmente prejudicial ao longo de períodos mais longos, não devemos somente transitar rapidamente para fontes de energia renováveis. Temos também de alguma forma aprender a tirar carbono, em quantidade líquida, da atmosfera em grandes volumes.

Hoje, o Professor Ivan Janssens da Universidade de Antuérpia observou:

Este estudo é muito importante, porque a resposta dos stocks de carbono do solo ao aquecimento em curso é uma das maiores fontes de incerteza nos nossos modelos climáticos. Eu sou um otimista e ainda acredito que não é tarde demais, mas precisamos urgentemente de desenvolver uma economia global dirigida por fontes de energia sustentáveis e começar a usar CO2, como substrato, em vez de como produto residual. Se isso acontecer até 2050, então podemos evitar um aquecimento acima 2ºC. Se não, vamos chegar a um ponto de não-retorno e provavelmente passaremos os 5ºC.

Por outras palavras, até os otimistas neste momento acham que estamos à beira de um aquecimento global catastrófico descontrolado. Que o momento para agir com urgência é agora.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Traduzido do original
Beyond the Point of No Return — Imminent Carbon Feedbacks Just Made the Stakes for Global Warming a Hell of a Lot Higher
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de dezembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.
Robertscribbler

Com as Temperaturas a Chegar aos 1,2ºC mais Quente do que o Pré-Industrial, a Seca Agora Abrange Todo o Globo

Jeff Goodell, um autor americano e editor na Rolling Stone, é conhecido por dizer o seguinte: “assim que começarmos deliberadamente a brincar com o clima, podemos inadvertidamente alterar os padrões de chuva (os modelos climáticos mostram que a Amazónia é particularmente vulnerável), causando o colapso de ecossistemas, seca, fome e mais.”

Estamos em processo de testar essa teoria. No caso da seca, que costumava ser apenas um assunto regional mas que agora se tornou global, Goodell parece ter acertado na mouche.

*****

De acordo com um relatório recente da Organização Meteorológica Mundial, a Terra está a caminho de atingir 1,2 graus Celsius mais quente do que as temperaturas pré-industriais durante 2016. Da subida do nível do mar, ao derretimento do gelo polar, a condições meteorológicas extremas, a um número crescente de pessoas deslocadas, este salto de temperatura está a criar impactos cada vez piores. Entre os mais vívidos destes está a extensão atual da seca global.

A Seca Global de Quatro Anos

Durante os anos de El Niño, as condições de seca tendem a expandir-se através de várias regiões à medida que as superfícies oceânicas aquecem. Entre 2015 e 2016, o mundo experienciou um poderoso El Niño. No entanto, apesar da influência observada deste aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, uma seca global amplamente extensa remonta a 2013 e até antes.

Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.

O Global Drought Monitor revela que condições secas têm sido predominantes durante grande parte do globo ao longo dos últimos quatro anos. Em algumas regiões, como na área do rio Colorado, a seca já se prolonga há mais de uma década. Fonte da imagem: SPEI Global Drought Monitor.

Na imagem acima, vemos défices de humidade do solo ao longo dos últimos 48 meses. O que encontramos é que grandes seções de praticamente todos os principais continentes estão a passar por, pelo menos, uma seca de quatro anos. As condições de seca foram previstas intensificarem-se, por modelos climáticos, nas latitudes médias à medida que o mundo aquecia. Parece que este é já o caso, mas a zona Equatorial e as latitudes mais altas também estão a experienciar seca generalizada. Se existe um padrão detetável nas condições atuais, é que poucas regiões têm evitado a seca. A seca é tão abrangente que é praticamente global na sua extensão.

Impactos Severos Generalizados

Estas condições de seca têm impactos notórios.

Só na Califórnia, mais de 102 milhões de árvores morreram devido ao aumento das temperaturas e uma seca que já dura desde 2010. Desses, 62 milhões já morreram só este ano. O relacionamento da seca com a mortalidade das árvores é bastante simples — quanto mais a seca durar, mais árvores perecerão à medida que as reservas de água nas raízes são usadas. A Califórnia perdeu, até agora, 2,5 por cento das suas árvores vivas devido ao que é agora o pior caso de mortalidade de árvores na história do estado.

Stress da vegetação às alterações climáticas

Não é apenas a Califórnia. Numerosas regiões por todo o mundo mostram plantas a passarem por condições ameaçadoras que colocam a sua vida em risco. No mapa acima, a saúde vegetativa é mostrada como estando sob stress, desde moderado [amarelo], a severo [rosa], em amplas regiões do mundo. Fonte da imagem: Global Drought Information System.

A seca californiana é apenas um aspecto de uma seca maior que abrange grande parte do Oeste norte-americano. Para a área do Rio Colorado, isto inclui uma seca de 16 anos que tem colocado o Lago Mead nos seus níveis mais baixos jamais registados. Com o racionamento iminente dos abastecimentos de água do rio, a menos que uma pausa milagrosa na seca surja de repente, os estados estão em sobressalto para descobrir como gerir uma escassez que se agrava. Enquanto isso, relatórios indicam que cidades como Phoenix irão exigir ação executiva por parte do presidente para garantir o abastecimento de água para milhões de residentes ao longo dos próximos anos, caso as condições não melhorem.

Mais a leste, a seca tem estado intermitente no centro e sul dos EUA. No sudeste, uma seca relâmpago recentemente ajudou a impulsionar uma onda fora-de-época de incêndios florestais sobre a região de Smoky Mountain. Ontem, em Gaitlinburg, Tennessee, chamas furiosas alimentados por ventos diante de uma frente fria obrigaram 14.000 pessoas a evacuar, danificaram ou destruíram 100 casas e ceifaram três vidas.

Incêndios resultam de seca severa Sibéria Julho 2016

Incêndios na Sibéria ativos a 23 de julho de 2016, ocorreram num contexto de seca severa. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Nas latitudes setentrionais superiores, a principal consequência da seca também tem sido incêndios florestais. Os incêndios florestais são frequentemente atiçados por calor e seca em regiões densamente florestadas com níveis de humidade do solo reduzidos. O degelo do permafrost e os níveis reduzidos de cobertura de neve agravam a situação, reduzindo ainda mais o armazenamento de humidade em regiões secas e adicionando combustíveis tipo turfa para os incêndios.

Do Alasca ao Canadá até à Sibéria, este tem sido cada vez mais o caso. No ano passado, o Alasca experienciou uma das suas piores épocas de incêndios florestais de que há registo. Este ano, tanto o calor como a seca contribuíram para os intensos incêndios na região de Fort McMurray, no Canadá. E nos últimos anos, incêndios florestais alastrando-se por uma Sibéria tremendamente seca têm sido tão extremos que satélites em órbita, a um milhão de milhas de distância, puderam detetar as plumas de fumo.

Seca e incêndios florestais no ou perto do Ártico parecem justificadamente estranhos, mas quando se considera o facto de que muitos modelos climáticos haviam previsto que as latitudes setentrionais elevadas seriam uma das poucas grandes regiões a experienciar aumentos na precipitação, essa estranheza torna-se ameaçadora. Se a atual tendência de seca generalizada no Ártico for representativa, então o aquecimento apresenta um problema de seca de Equador a Pólo.

Um lago Baikal a minguar — que se alimenta de água que flui da chuva e neve da Sibéria Central — comporta um testamento sombrio de uma seca em expansão sobre a Rússia central e do norte. O lago Baikal, o mais profundo e antigo lago do mundo, está ameaçado pela secagem relacionada com as alterações climáticas das terras que drenam para si. Em 2015, os níveis de água no Baikal atingiram níveis recorde de baixa, e ao longo dos últimos anos, incêndios em redor do lago têm crescentemente colocado em perigo as comunidades locais e a vida selvagem.

Para o sul e oeste, a província de Gansu na China foi colocada sob um alerta de seca de nível 4 este verão passado. Aí, grandes faixas de culturas foram perdidas; 500 milhões de dólares em danos no acumulados. O governo chinês apressou ajuda a 6,2 milhões de moradores afetados, transportando água potável por camião para regiões que ficaram desprovidas de abastecimentos locais.

Seca na Índia em 2016

Lagos e leitos de rios secaram por toda a Índia neste ano, tendo a monção sido adiada pelo terceiro ano consecutivo. Fonte da imagem: India Water Portal

A Índia este ano experimentou uma escassez de água semelhante, mas muito mais generalizada. Em abril, 330 milhões de pessoas na Índia experienciaram pressões hídricas. Comboios de reabastecimento de água viajaram através do campo, entregando garrafas de líquido potável a moradores que tinham perdido o acesso. O retorno da monção da Índia forneceu algum alívio, mas a seca na Índia e nas terras altas do Tibete continua, com glaciares a encolher expostos ao ar quente.

África tem visto recentemente várias crises alimentares surgirem, à medida que incêndios vão assolando através das suas florestas equatoriais. Pressões para seres humanos, plantas e animais devido à secura, escassez de água e alimentos, e incêndios têm sido notoriamente severos. Mais recentemente neste ano, 36 milhões de pessoas em toda a África enfrentaram fome devido aos impactos relacionados com a seca. Mais recentemente, a África do Sul foi forçada a reduzir manadas de hipopótamos e búfalos devido à continuação da seca de vários anos lá.

Mais para norte, na Europa, também encontramos condições de seca generalizada e em expansão. Esta situação não é inesperada para o Sul da Europa, onde os modelos climáticos globais mostram incursões de climas desérticos do outro lado do Mediterrâneo. Mas como com o norte da Rússia e América do Norte, a Europa do Norte também está experienciar seca. Estas secas por toda a Europa ajudaram a desencadear graves incêndios em Portugal e Espanha no verão, numa altura em que se prevê a queda da produção de milho para a região.

Seca e incêndios na Amazónia do Peru

Em novembro, a seca propiciou incêndios que despontaram ao longo da zona fronteiriça da floresta amazónica no Perú. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Finalmente, regressando às Américas, vemos condições de seca generalizada cobrindo grande parte do Brasil e da Colômbia, diminuindo ao longo da Cordilheira dos Andes, pelo Perú, Bolívia, Chile e Argentina. Em seções da cada vez mais desbastada e acossada pelo fogo floresta da Amazónia, e atualmente atingindo o nordeste do Brasil, as condições de seca duram agora desde há cinco anos. Lá, metade das cidades da região enfrentam racionamento de água e mais de 20 milhões de pessoas estão agora a ser confrontadas com stress hídrico. De setembro a novembro de 2015, mais de 40.000 hectares de floresta amazónica devastada pela seca arderam no Peru. Enquanto isso, a Bolívia viu o seu segundo maior lago secar e glaciares críticos para o abastecimento de água derreter, levando centenas de milhares de pessoas a ficar numa situação de racionamento de água.

Impactos na Comida

A seca e condições meteorológicas extremas em curso criaram impactos locais para o abastecimento de alimentos em várias regiões. No entanto, estes impactos ainda não afetaram seriamente os mercados globais de alimentos. A seca no Brasil e na Índia, por exemplo, tem impactado significativamente a produção de açúcar, o que por sua vez está causar um aumento dos preços globais dos alimentos. A produção de cereais foi um pouco menor, o que também está a causar preços mais elevados, embora não os grandes saltos que vemos no açúcar. Mas o Índice da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) para outubro de 2016 (173 aproximadamente), sendo 9 por cento superior ao valor do ano passado para esta época do ano, ainda está bastante longe do valor 229 de pico que ocorreu em 2011, e que contribuiu para tanta agitação em todo o globo.

Subida de preços dos alimentos em 2016

O aumento dos preços dos alimentos durante 2016, face a preços relativamente baixos de energia e desafios significativos relacionados com o clima para os agricultores, é causa para preocupação. Fonte da imagem: FAO

Dito isto, com preços da energia a cair para valores comparativamente baixos, preços de alimentos relativamente altos (e crescentes) são causas para preocupação. Tradicionalmente, a queda dos preços da energia também reduzem os preços dos alimentos, pois os custos de produção são menores, mas parece que estes ganhos pelos agricultores estão a ser compensados ​​por vários impactos ambientais e climáticos. Além disso, embora muito difundida, a seca parece ter até agora evitado grandes regiões produtoras de cereais, como o centro dos EUA, e o centro e leste da Ásia. Assim, o quadro global de alimentos, se não inteiramente rosado, não está tão mau quanto poderia ser.

Condições em Contexto — Aumento da evaporação, Derretimento dos Glaciares, Menos Cobertura de Neve, Zonas Climáticas em Deslocação

Com o mundo agora provavelmente a atingir 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais ao longo dos próximos 15 a 20 anos, as condições gerais de seca provavelmente agravar-se-ão. As maiores taxas de evaporação são uma característica primária do aquecimento, o que significa que mais chuva tem de cair só para acompanhar o ritmo. Além disso, a perda do gelo glaciar em várias cadeias montanhosas e a perda de cobertura de neve em ambientes Árticos e próximos do Ártico, agora mais secos, irão reduzir ainda mais os níveis dos rios e a humidade do solo. O aumento da prevalência de eventos extremos de precipitação em comparação com eventos de chuva estáveis irá colocar ainda mais pressão sobre a vegetação que ajuda a capturar a humidade do solo. Finalmente, as alterações à circulação atmosférica devido à amplificação polar irão combinar-se com um movimento em direção aos pólos das zonas climáticas, levando a uma confusão geral das estações tradicionais de cultivo. Como resultado, tudo que depende de abastecimentos de água constantes e padrões climáticos previsíveis irá enfrentar desafios à medida que o mundo se dirige para um estado de mudança climática mais evidente.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Traduzido do original
With Temperatures Hitting 1.2 C Hotter than Pre-Industrial, Drought Now Spans the Globe
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 30 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
Documentário "Eating your way to extinction", agricultura animal e mudança climática
Uncategorized

Comendo Até à Extinção

Estudos mostram que a mudança climática e as faltas de água estão diretamente relacionadas com a quantidade de carne que consumimos. Não vamos ser bem sucedidos até que paremos com a agricultura animal.

– Trailer do documentário Eating Your Way to Extinction.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Conteúdo traduzido do vídeo Eating Our Way To Extinction Trailer da campanha de crowdfunding por Otto e Ludo Brockway, publicado a 29 de novembro de 2016

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-comextrailer”]

Comendo Até à Extinção – Trailer

A indústria mais destrutiva do mundo está a destruir a nossa saúde, custa triliões em dinheiro, é incrivelmente cruel e está a destruir o nosso mundo.
Estamos, como todos vocês sabem, à beira de um abismo climático. Locais por todo o mundo viram calor extremo, incluindo um recorde no Kwait de 129… Abre a janela… Oh meu Deus! – Estão pessoas na água! – Oh meu Deus!
A principal força propulsora por detrás da extinção de espécies, por detrás da poluição da água e do ar, é este sistema de agricultura animal. agricultura animal… agricultura animal… agricultura animal… agricultura animal… Estudos mostram que a mudança climática e as faltas de água estão diretamente relacionadas com a quantidade de carne que consumimos. Não vamos ser bem sucedidos até que paremos com a agricultura animal. “Uma mudança global em direção a uma dieta à base de plantas é vital” “para se salvar o mundo dos piores impactos da mudança climática.” – Nações Unidas.
Doença cardíaca, cancro da próstata, cancro do cólon, cancro da mama, artrite reumatóide, esclerose múltipla… Eu sabia, naquela altura, o que causava a maioria das doenças. produtos animais… proteína de base animal… proteína animal… Pessoas que aumentam o seu consumo de alimentos à base de plantas, e diminuem o consumo de alimentos animais, de facto têm uma vantagem de sobrevivência, de facto vivem mais anos do que aqueles que não o fazem.
— Expondo a economia distorcida — Apenas na União Europeia metade do seu orçamento é usado para financiar a produção de gado. Por toda a Europa, 80% dos pagamentos diretos vão para apenas 20% dos agricultores. Quando se olha para de quem é este lobby do sistema agrícola, é dos maiores produtores de carne. Eles ditam as políticas federais em torno da produção alimentar, por terem tanto poder… O governo deu 30 biliões de dólares para financiar carne barata… …e não deram nenhum dinheiro para a indústria dos vegetais…
Pesquisa científica recente descobriu que os animais de quinta estão longe de serem estúpidos. O mais próximo deles a que a maioria de nós chega, é no supermercado, Mas você sabia o quão inteligentes e sensíveis eles são? E como as decisões que fazemos todos os dias afetam diretamente as suas vidas?
Um movimento está a crescer. Dezenas de milhões de americanos mudaram a sua dieta de refeições centradas em carne para outras ricas em vegetais, grãos, feijões e outros alimentos à base de plantas. Não só é uma mudança de estilo de vida mais saudável, como também ajuda a mudar a nossa pegada ambiental.
A coisa número 1 que podes fazer, é simplesmente PARAR DE COMER CARNE. Comendo em direção à extinção. Por favor ajude a fazer deste vídeo um sucesso mundial. Veja o link na descrição.Recolher Transcrição[/expand]

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca
Robertscribbler

Alterações Climáticas Deixaram a Bolívia Debilitada pela Seca



Os bolivianos têm de estar preparados para o pior.

Presidente Evo Morales.

*****

Como muitos países, a Bolívia conta com os seus glaciares e grandes lagos para abastecimento de água durante os tempos rígidos e secos. Mas tendo a Bolívia aquecido como o resto do mundo, estas reservas de água congelada e líquida diminuíram e secaram. O aquecimento tornou o segundo maior lago do país num leito ressequido de solo endurecido. Este calor tornou o maior lago do país numa sombra da sua antiga extensão e profundidade. Forçou os glaciares da Bolívia a recuar completamente até aos cumes das suas montanhas nortenhas — reduzindo o importante glaciar Chacaltaya a nada. Vários reservatórios estão agora completamente secos. E, para centenas de milhares de pessoas, a única fonte de água potável é aquela carregada e entregue por camiões.

Emergência de Seca Declarada para a Bolívia

Depois de décadas de agravamento da seca e após um forte El Niño de 2014-2016, a Bolívia declarou o estado de emergência. 125.000 famílias estão em severo racionamento de água — recebendo abastecimentos apenas uma vez a cada três dias. A alocação de água para essas famílias é apenas o suficiente para beber. Não mais. Centenas de milhares para além deste grupo mais atingido também sofrem de alguma forma de restrição de água. Escolas foram fechadas. Negócios encerrados. 60.000 cabeças de gado pereceram. 149 milhões de dólares em danos já se acumularam. E por todo o país, protestos eclodiram.

A cidade de La Paz, que é a sede do governo da Bolívia e lar de cerca de 800.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), tem os seus três reservatórios quase completamente secos. O reservatório principal de água — Ajuan Kota — está apenas a 1 por cento da sua capacidade. Dois reservatórios menores estão a apenas 8 por cento.

Seca extrema na Bolívia devido às alterações climáticas.

Durante o ano passado, a seca na Bolívia tornou-se extrema — levando a declarações de emergência e resultando em racionamento de água. É o mais recente período seco severo de muitos a afetar o Estado ao longo das últimas décadas. O presidente Morales declarou que as alterações climáticas são a causa. E a ciência, em grande parte, concorda com ele. Fonte da imagem: The Global Drought Monitor.

Na vizinha El Alto, uma cidade de 650.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), os moradores também estão a sofrer com a escassez de água. A falta dela lá foi causa para agitação — com funcionários das águas brevemente a ficarem reféns de cidadãos desesperados.

Com os camiões de assistência a percorrerem as ruas e os bairros de La Paz e El Alto, o governo estabeleceu um gabinete de água de emergência. Planos para a construção um sistema mais resiliente já foram elaborados. E governos e empresas estrangeiras já foram solicitadas para dar assistência. Mas o problema maior da Bolívia provém de secas que têm ficado cada vez piores devido às alterações climáticas. E não é claro que a nova infraestrutura para a gestão da água esteja preparada para uma situação em que, cada vez mais, a água é removida na sua totalidade.

Lagos Secos, Glaciares a Minguar

Ao longo dos anos, fatores cada vez piores relacionados com as alterações climáticas tornaram a Bolívia vulnerável a qualquer período seco que esteja por vir. O efeito adicional do aquecimento é que mais chuva tem que cair para compensar o aumento da taxa de evaporação resultante. Enquanto isso, o recuo glacial significa que menos água derrete e flui para rios e lagos durante estes períodos quentes e secos. No final, esta perda de água combinada cria uma situação prevalente de seca para o Estado. E quando um período seco é desencadeado por outras caraterísticas climáticas — como aconteceu com o forte El Niño que ocorreu entre 2014 e 2016, — as secas na Bolívia tornam-se consideravelmente mais intensas.

Desde o final da década de 1980, a Bolívia tem tido problemas durante períodos secos anormais relacionados com as alterações climáticas de origem humana. Com o passar do tempo, estes períodos secos têm infligido uma pressão hídrica crescente no Estado. E apesar dos numerosos esforços por parte da Bolívia, os impactos das secas têm continuado a agravar-se.

Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca

Nesta fotografia da NASA do norte da Bolívia, tirada a 6 de Novembro, 2016, vê-se uma cobertura de neve e gelo nas montanhas muito fina na parte superior ao centro, um lago Titicaca que está agora muito baixo e cheio de bancos de areia no canto superior esquerdo, e um lago Poopo completamente seco na parte central inferior. A Bolívia depende destas três fontes de água. Uma desapareceu, e as outras duas foram fortemente reduzidas. Os cientistas descobriram que o aquecimento global está a derreter os glaciares da Bolívia e aumentou as taxas de evaporação em até 200 por cento perto dos seus principais lagos. Fonte da imagem: LANCE MODIS.

Em 1994, o calor adicionado e a perda de glaciares resultou na seca do segundo maior lago do país — Poopo. O lago recuperou um pouco no final da década de 1990. Mas no início de 2016, um lago que outrora mediu 90 x 32 km nos seus pontos mais distantes, tinha novamente sido reduzido para pouco mais do que um leito rachado repleto de cascos de barcos de pesca abandonados. Os cientistas que estudam a região descobriram que a taxa de evaporação na zona do lago Poopo tinha sido aumentada em 200 por cento pelo aquecimento global.

O maior lago da Bolívia — Titicaca — também está sob ameaça. De 2003 a 2010, o lago foi relatado como tendo perdido 1300 km quadrados de área de água de superfície. Durante 2015 e 2016, a seca perto do Titicaca intensificou-se. Num ato de desespero, o governo da Bolívia alocou 500 milhões de dólares para salvar o lago. Mas, apesar desta ação, o reservatório massivo continuou a encolher. Agora, a parte sul do lago está quase completamente cortada por um banco de areia do norte.

Nas montanhas andinas que fazem fronteira com a Bolívia, as temperaturas têm vindo a aumentar em 0,6 graus Celsius a cada década. Este aquecimento colocou os glaciares do país em completa retirada. Num exemplo, o glaciar Chacaltaya, que fornecia 30 por cento do abastecimento de água de La Paz, tinha desaparecido por completo em 2009. Mas as perdas de glaciares, em geral, têm sido transversais e consideráveis — não restritas somente ao Chacaltaya.

Seca Intensa Agrava-se, Com Mais por Vir

Em dezembro, espera-se que as chuvas voltem e forneçam algum alívio à Bolívia. O El Niño enfraqueceu e 2017 não deve ser tão seco como 2015 ou 2016. No entanto, como muitas regiões do mundo, as terras altas da Bolívia encontram-se num período de seca multianual. E o fator primordial que causa estas secas não é o periódico El Niño, mas a tendência de aquecimento de longo prazo que está a derreter os glaciares da Bolívia e a aumentar as taxas de evaporação em todos os seus lagos.

No contexto, a situação de emergência de seca atual ocorre numa altura em que as temperaturas globais atingem perto de 1,2 graus Celsius mais quente do que as médias da década de 1880. A presente e futura expectada queima de combustíveis fósseis continuará a aquecer a Terra e adicionar ao agravamento do flagelo da seca em lugares como a Bolívia. Assim, esta escassez de água de emergência em particular é provável que seja apenas uma de muitas que estarão por vir. E somente um intenso esforço para reduzir as emissões de combustíveis fósseis pode abrandar substancialmente o agravamento da situação para a Bolívia e inúmeras outras regiões afetadas pela seca em todo o mundo.


Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Traduzido do original
Climate Change Has Left Bolivia Crippled by Drought
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 23 de novembro de 2016.

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard
relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos conteúdos aqui!

Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-econov16″]

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

Estes conteúdos são traduzidos e/ou legendados por voluntários motivados pelo desejo de facilitar o conhecimento a todos e assim melhorar as nossas vidas. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo.
Para iniciar ou sugerir uma tradução, clique aqui.
Standard