Níveis de metano atmosférico
Sam Carana

Libertação de Metano do Fundo do Mar e Aumento dos Níveis Atmosféricos

Níveis de metano atmosférico

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico são superiores aos de qualquer outro lugar na Terra. Como a animação abaixo mostra, os níveis de metano estavam tão elevados quanto 2436 partes por bilião (mil milhões) (ppb) na tarde de 5 de dezembro de 2016, com a maioria de metano a ascender da água, em particular sobre o Oceano Ártico.

niveis de metano atmosférico

Aumento de metano na atmosfera a 5 de dezembro de 2016 (MetOp 1 pm), desde 1000 mb, ou seja, perto do nível do mar, até uma pressão de 586 mb, o que corresponde a uma altitude de 3833 m.

Os níveis de metano sobre o Oceano Ártico têm estado elevados há já mais de um mês. O vídeo abaixo, com uma banda sonora de Daniel Kieve, mostra os níveis de metano de 26 de outubro de 2016 a 25 de novembro de 2016.

Estes níveis elevados de metano acontecem numa altura em que não há praticamente nenhuma luz solar a atingir o Ártico, o que praticamente elimina a possibilidade de uma proliferação de algas ou outras fontes biológicas estarem a causar estes níveis elevados de metano. Em vez disso, estes níveis elevados de metano parecem ser o resultado de erupções de metano do fundo do mar do Oceano Ártico, causadas pelo aquecimento da água dos oceanos.

Nível médio global de metano

O metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

De facto, grandes quantidades de metano parecem estar a irromper do leito do mar do Oceano Ártico, e, à medida que o metano sobe na atmosfera, este vai-se aproximando do equador, resultando em níveis mais elevados de metano aí também. A imagem acima ilustra ainda que o metano do fundo do mar parece estar a fazer subir o nível médio de metano global em altitudes mais elevadas.

A imagem em baixo mostra o aumento da temperatura dos oceanos. As temperaturas estão a aumentar particularmente rápido no Hemisfério Norte.

temperatura do oceano aumenta

Aquecimento do Oceano, de uma publicação anterior.

A quantidade enorme de energia a entrar no oceano traduz-se em temperaturas mais elevadas da água e do ar sobre a água, bem como ondas maiores e ventos mais fortes. Muito desse calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Calor levado pelas correntes do golfo até ao Ártico

Calor é carregado pela força de Coriolis ao longo da Corrente do Golfo, desde a costa da América do Norte através do Atlântico Norte para o Oceano Ártico.

Temperatura do mar elevada no ÁrticoComo a imagem à direita mostra, as temperaturas de superfície do mar perto de Svalbard (círculo verde) estavam tão altas quanto 14.1°C a 6 de dezembro de 2016, 12.1°C mais quente que a média de 1981-2011.

O aumento do calor no oceano está a ameaçar causar erupções cada vez maiores de metano do fundo do mar.

Conforme descrito na página “Extinction” (do site arctic-news.blogspot.com), as erupções de metano do fundo do mar podem provocar 1,1°C de aumento de temperatura ao longo dos próximos dez anos.

A situação é crítica e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


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Traduzido do original Sea Floor Methane de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 12 de dezembro de 2016.

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Inabitavel - Areas de risco de seca climatica e desertificação em África
Robertscribbler

Tornado Inabitável pelo Calor — Sudão e Partes do Norte de África e Médio Oriente Estão Ameaçados

O Norte de África já está quente e está a aumentar fortemente em temperatura. Em algum momento neste século, parte da região irá tornar-se inabitável.

Dr. Johannes Lilieveld

O número de refugiados climáticos pode aumentar drasticamente no futuro. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Química e do Instituto Cyprus em Nicósia calcularam que o Médio Oriente e Norte da África podem tornar-se tão quentes que a habitabilidade humana fica comprometida.

O Instituto Max Planck

*****

Ondas de calor tão quentes que é impossível realizar qualquer atividade ao ar livre sem ameaça de lesão ou pior. Tempestades de areia furiosas que tornam o ar irrespirável. Secas enormes que arruínam a produtividade agrícola e a biodiversidade ao mesmo tempo. Secções da África e do Oriente Médio estão atualmente a ter uma amostra destas novas e perigosas condições climáticas. Mas a sua frequência pode aumentar em cinco vezes ou mais ao longo dos próximos 30-40 anos — um mal ameaçador, o colapso do governo, e o deslocamento forçado de milhões de pessoas.

O Sudão poderia tornar-se inabitável pela mudança climática

Devido ao aquecimento causado pelo homem, estes tipos de eventos já estão a acontecer em lugares como o Sudão, com frequência cada vez maior. E uma reportagem recente da CNN mostra que esse estado norte-Africano está sob a ameaça de se tornar inabitável para os seres humanos devido às alterações climáticas.

Areas de risco de seca climatica e desertificação em África

Um novo crescendo infértil. A mudança climática aumenta os riscos de desertificação de regiões semi-áridas em toda a África. Fonte da imagem: Grid-Arendal, Universidade de Columbia e CNN

A seca tem impactado a agricultura na medida em que 1,9 milhões de pessoas nesta nação de 40 milhões poderiam enfrentar a fome durante o próximo par de anos. Mais de 3,2 milhões enfrentam escassez de água. E na justaposição irónica que muitas vezes vem com a mudança climática — desde 2013 cerca de 600.000 pessoas foram deslocadas devido aos dilúvios que têm cada vez mais frequentemente chegado no fim dos períodos longos e secos.

Para o Sudão, os problemas estão apenas a começar. Lá para meados do século as temperaturas de superfície na região podem aquecer entre 1,1 e 3,1 graus Celsius. E tanto aquecimento adicional vai multiplicar a ocorrência dos tipos de ondas de calor, secas e tempestades de poeira nocivas que estão a acontecer hoje muitas vezes mais. No final, o Sudão está em risco de ser abandonado já que as suas terras são tomadas por um clima impróprio para habitação humana.

500 Milhões de Pessoas Sob Calor e Seca Extremos em África e no Médio Oriente em Meados do Século

Mas não é apenas o Sudão que está a enfrentar uma mudança para condições climáticas de desfazer a nação. Em 2050, os eventos relacionados com o calor extremo irão acontecer cinco vezes mais frequentemente enquanto a Terra aquece numa crescente dissecação em África e ao longo de uma boa parte do Oriente Médio. Durante os verões, a meados do século, as temperaturas em toda esta zona vulnerável poderiam chegar a tanto quanto 5 graus Celsius mais quente do que são hoje.

Temperaturas quentes no mèdio Oriente e Norte de Árica

Incrivelmente quente: o Norte de África e Médio Oriente, a temperatura média irá subir creca de 2,5ºC (esquerda) por volta de meados do século, e no verão em torno de cinco graus Celsius (direita) se as emissões de gases de efeito estua continuarem a aumentar de acordo com o cenário de negócios como sempre (RCP8.5).

(As temperaturas deverão subir a níveis extremos em toda a África e Médio Oriente devido à queima de combustíveis fósseis e o aquecimento relacionado do Sistema Terra. Os impactos produzem um risco elevado de migração em massa para fora dessas regiões à medida que as condições de estufa tomam posse. Fonte da imagem: O Instituto Max-Planck).

Incluindo o Sudão, mais de 500 milhões de pessoas vivem nesta região. E de acordo com o Instituto Max-Planck, dias extremamente quentes — dos quais houve 16 por ano dentro desta área vulnerável entre 1986 e 2005 — irão aumentar em cinco vezes para 80 por volta de 2050, e até entre 118 a 200 em 2100.

Um calor extraordinário e persistente adicionado vai assar a humidade dos solos, arruinar florestas, e fazer avançar desertos. Irá produzir dias de temperaturas húmidas que se aproximam ou ultrapassam o limite da resistência humana (35 C) outra e outra vez. Uma tal elevada prevalência e intensidade de condições adversas farão os problemas atuais enfrentados pela região parecerem leves a moderados em comparação. No final, inúmeros locais provavelmente tenderão a tornar-se basicamente inabitáveis.

Chamada à Ação

Dada a dureza que vem a caminho e aquilo que provavelmente será uma migração em massa evitável, cientistas e ambientalistas estão a chamar à ação. A CNN e outros têm destacado a necessidade de ajuda a África e ao Médio Oriente. Mas por tão útil que seja o auxílio àqueles que estão desesperados e a lutarem para sobreviver, o principal condutor de todo o problema são as emissões de combustíveis fósseis pelos seres humanos. E a menos que pare, esta região e os seus povos altamente vulneráveis, entre outros ao redor do mundo, serão atingidos muito duramente.

Michelle Yonetani, um conselheiro sénior em catástrofes do Centro de Monitoração para o Deslocamento Interno, observou que encorajar os governos a aumentarem os compromissos para agirem sobre o clima é “talvez um dos meios mais indiretos [para ajudar], mas [é] a nível mundial o mais importante. Agora é realmente o momento de pressionar os governos para agir … “Caso contrário, vastas regiões em África e no Médio Oriente enfrentaram desestabilização, colapso, e migração em massa em horizontes de tempo bastante curtos.


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Traduzido do original
Rendered Uninhabitable by Heat — It’s Not Just Sudan, Parts From North Africa to the Middle East are Under the Gun
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 9 de dezembro de 2016.

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Aumento do dióxido de carbono pela respiração dos solos é um feedback de amplificação que nos leva a um ponto de não-retorno
Robertscribbler

Para Além do Ponto de Não-Retorno — Feedbacks de Carbono Iminentes Acabaram de Aumentar em Muito os Riscos do Aquecimento Global

É justo dizer que passámos o ponto de não-retorno sobre o aquecimento global e que não podemos reverter os efeitos, mas certamente podemos amortecê-los

disse o especialista em biodiversidade Dr. Thomas Crowther.

Eu sou um otimista e ainda acredito que não é tarde demais, mas precisamos urgentemente de desenvolver uma economia global dirigida por fontes de energia sustentáveis e começar a usar CO2, como um substrato, em vez de como um produto residual.

Prof. Ivan Janssens, reconhecido como um dos padrinhos do campo da ecologia global.

… estamos no momento mais perigoso do desenvolvimento da humanidade. Temos agora a tecnologia para destruir o planeta em que vivemos, mas ainda não desenvolvemos a capacidade para o evitar … só temos um planeta, e precisamos de trabalhar juntos para o proteger.

— Professor Stephen Hawking ontem no The Guardian.

*****

O caminho para a prevenção de uma mudança climática catastrófica acabou de se tornar muito mais estreito.
Pois de acordo com novas estimativas conservadoras num estudo científico liderado pelo Dr. Thomas Crowther, somente o aumento da respiração do solo está prestes a adicionar entre 0,45 e 0,71 partes por milhão de CO2 à atmosfera a cada ano, entre agora e 2050.


(Thomas Crowther explica porque reduzir rapidamente as emissões humanas de gases com efeito de estufa é tão importante. Concretamente, é preciso fazer tudo o que for possível para se evitar uma situação descontrolada rumo a um ambiente de estufa que, essencialmente, irá ocorrer em apenas um século. Fonte do vídeo: Instituto de Ecologia da Holanda).

O que isto significa é que mesmo que todas as emissões humanas de combustíveis fósseis parassem, o ambiente da Terra, a partir desta única fonte, irá gerar aproximadamente a mesma quantidade de carbono que toda a indústria de combustíveis fósseis do mundo gerou a meio do século XX. E que, se as emissões humanas não pararem, então o ritmo do aquecimento global dos oceanos, camadas de gelo e atmosfera irá acelerar num evento de aquecimento descontrolado ao longo dos próximos 85 anos.

Aquecimento Global Ativa Respiração do Solo, o Que Produz Mais CO2

Isso acontece porque à medida que o mundo aquece, o carbono é extraído de solos anteriormente inativos através de um processo conhecido como respiração. Explicado de uma maneira básica, microorganismos chamados heterótrofos consomem carbono do solo e produzem dióxido de carbono como subproduto. O calor é necessário para alimentar este processo. E grandes partes do mundo, que antes eram demasiado frias para suportar respiração em grande escala e produção de CO2 por heterótrofos e outros organismos, estão agora a aquecer. O resultado é que sítios como a Rússia siberiana, Europa do Norte, Canadá e Alasca estão prestes a contribuir uma quantidade muito superior de CO2 (e metano) para a atmosfera do que fizeram durante o século XX.

Quando o aquecimento inicial causado pela queima de combustíveis fósseis extrai mais carbono do ambiente global, chamamos a isto feedback de amplificação. Trata-se de um ponto de viragem climático crítico quando o sistema de carbono global do ambiente natural começa a a fugir-nos.

Infelizmente, a respiração do solo é apenas um mecanismo de feedback potencial que pode produzir gases de efeito estufa adicionais à medida que a Terra aquece. Oceanos em aquecimento absorvem menos carbono e são capazes de produzir as suas próprias fontes de carbono conforme acidificam e as excreções de metano proliferam. Florestas que ardem devido ao calor e à seca produzem as suas próprias fontes de carbono. Mas o aumento da respiração do solo, que também tem sido chamado de bomba de composto, representa o que é provavelmente uma das mais imediatas e provavelmente maiores fontes de feedback de carbono.

Aumento do dióxido de carbono pela respiração dos solos

Um novo estudo descobriu que um aquecimento de 1º a 2ºC até 2050 irá aumentar a respiração do solo. O resultado é que entre 30 a 55 mil milhões de toneladas de CO2 adicionais irão provavelmente atingir a atmosfera terrestre ao longo dos próximos 35 anos. Fonte da imagem: Nature.

E também é importante salientar que o estudo classifica as suas próprias conclusões como estimativas conservadoras. Que o mundo poderá, num dos piores cenários, assistir a tanto quanto até quatro vezes a quantidade de feedback de carbono (ou tanto quanto 2,7 ppm de CO2 por ano) proveniente do solo, caso a respiração for mais eficiente e abrangente do que o esperado. Caso uma parcela maior do carbono do solo de superfície, em regiões recém-aquecidas, se tornar numa parte do sistema climático, à medida que os micróbios se ativarem.

Feedbacks de Amplificação a Começarem a Acontecer Agora

O estudo observa que o mais provável é que cerca de 0,45 partes por milhão de CO2 por ano serão removidas do solo, sobretudo de solos setentrionais no período entre 2016-2050, sob condições de 1ºC de aquecimento global durante esse período. Até este ponto, é importante notar que o mundo já aqueceu mais de 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Portanto, esta quantidade de feedback de carbono já pode ser considerada como garantida. O estudo conclui que, se o mundo continuar a aquecer até aos 2ºC até 2050 — o que é provável que aconteça, — então uma média de cerca de 0,71 partes por milhão de CO2 serão removidas dos solos através da respiração a cada ano até 2050.

Taxa de libertação de carbono dos solos com a temperatura

(Quando os solos perdem carbono, este acaba na atmosfera. De acordo com um novo estudo, os solos em todo o mundo estão a começar a bombear dióxido de carbono para a atmosfera. Isto é causado pelo aumento da respiração do solo à medida que a Terra aquece. Ao longo dos próximos 35 anos, espera-se que a quantidade de dióxido de carbono que será bombeada para fora dos solos do mundo aumente drasticamente. A quantidade será determinada por quão quente o mundo se tornar ao longo dos próximos 35 anos. Fonte da imagem: Nature.)

A conclusão deste estudo é que os feedbacks de carbono de amplificação a partir do ambiente da Terra estão provavelmente a começar a acontecer em grande escala neste momento. E poderemos estar a assistir a algumas evidências deste efeito durante 2016, numa altura em que as taxas de acumulação de dióxido de carbono atmosférico estão acima de 3 partes por milhão por ano pelo segundo ano consecutivo, mesmo tendo as taxas globais de emissões humanas estabilizado.

Para Além do Ponto de Não-Retorno

O que isto significa é que os riscos para reduzir as emissões humanas de carbono para zero o mais rapidamente possível acabaram de aumentar imenso. Se não conseguirmos fazer isto, vamos facilmente estar no bom caminho para 5-7ºC ou mais de aquecimento até o final deste século. E este nível de aquecimento a acontecer tão cedo e num período de tempo tão curto é um evento que poucas, se é que algumas, civilizações humanas atuais são suscetíveis de sobreviver. Além disso, se quisermos evitar um aquecimento terrivelmente prejudicial ao longo de períodos mais longos, não devemos somente transitar rapidamente para fontes de energia renováveis. Temos também de alguma forma aprender a tirar carbono, em quantidade líquida, da atmosfera em grandes volumes.

Hoje, o Professor Ivan Janssens da Universidade de Antuérpia observou:

Este estudo é muito importante, porque a resposta dos stocks de carbono do solo ao aquecimento em curso é uma das maiores fontes de incerteza nos nossos modelos climáticos. Eu sou um otimista e ainda acredito que não é tarde demais, mas precisamos urgentemente de desenvolver uma economia global dirigida por fontes de energia sustentáveis e começar a usar CO2, como substrato, em vez de como produto residual. Se isso acontecer até 2050, então podemos evitar um aquecimento acima 2ºC. Se não, vamos chegar a um ponto de não-retorno e provavelmente passaremos os 5ºC.

Por outras palavras, até os otimistas neste momento acham que estamos à beira de um aquecimento global catastrófico descontrolado. Que o momento para agir com urgência é agora.


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Traduzido do original
Beyond the Point of No Return — Imminent Carbon Feedbacks Just Made the Stakes for Global Warming a Hell of a Lot Higher
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de dezembro de 2016.

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Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.
Robertscribbler

Com as Temperaturas a Chegar aos 1,2ºC mais Quente do que o Pré-Industrial, a Seca Agora Abrange Todo o Globo

Jeff Goodell, um autor americano e editor na Rolling Stone, é conhecido por dizer o seguinte: “assim que começarmos deliberadamente a brincar com o clima, podemos inadvertidamente alterar os padrões de chuva (os modelos climáticos mostram que a Amazónia é particularmente vulnerável), causando o colapso de ecossistemas, seca, fome e mais.”

Estamos em processo de testar essa teoria. No caso da seca, que costumava ser apenas um assunto regional mas que agora se tornou global, Goodell parece ter acertado na mouche.

*****

De acordo com um relatório recente da Organização Meteorológica Mundial, a Terra está a caminho de atingir 1,2 graus Celsius mais quente do que as temperaturas pré-industriais durante 2016. Da subida do nível do mar, ao derretimento do gelo polar, a condições meteorológicas extremas, a um número crescente de pessoas deslocadas, este salto de temperatura está a criar impactos cada vez piores. Entre os mais vívidos destes está a extensão atual da seca global.

A Seca Global de Quatro Anos

Durante os anos de El Niño, as condições de seca tendem a expandir-se através de várias regiões à medida que as superfícies oceânicas aquecem. Entre 2015 e 2016, o mundo experienciou um poderoso El Niño. No entanto, apesar da influência observada deste aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, uma seca global amplamente extensa remonta a 2013 e até antes.

Mapa de seca e anomalia de precipitação por todo o globo.

O Global Drought Monitor revela que condições secas têm sido predominantes durante grande parte do globo ao longo dos últimos quatro anos. Em algumas regiões, como na área do rio Colorado, a seca já se prolonga há mais de uma década. Fonte da imagem: SPEI Global Drought Monitor.

Na imagem acima, vemos défices de humidade do solo ao longo dos últimos 48 meses. O que encontramos é que grandes seções de praticamente todos os principais continentes estão a passar por, pelo menos, uma seca de quatro anos. As condições de seca foram previstas intensificarem-se, por modelos climáticos, nas latitudes médias à medida que o mundo aquecia. Parece que este é já o caso, mas a zona Equatorial e as latitudes mais altas também estão a experienciar seca generalizada. Se existe um padrão detetável nas condições atuais, é que poucas regiões têm evitado a seca. A seca é tão abrangente que é praticamente global na sua extensão.

Impactos Severos Generalizados

Estas condições de seca têm impactos notórios.

Só na Califórnia, mais de 102 milhões de árvores morreram devido ao aumento das temperaturas e uma seca que já dura desde 2010. Desses, 62 milhões já morreram só este ano. O relacionamento da seca com a mortalidade das árvores é bastante simples — quanto mais a seca durar, mais árvores perecerão à medida que as reservas de água nas raízes são usadas. A Califórnia perdeu, até agora, 2,5 por cento das suas árvores vivas devido ao que é agora o pior caso de mortalidade de árvores na história do estado.

Stress da vegetação às alterações climáticas

Não é apenas a Califórnia. Numerosas regiões por todo o mundo mostram plantas a passarem por condições ameaçadoras que colocam a sua vida em risco. No mapa acima, a saúde vegetativa é mostrada como estando sob stress, desde moderado [amarelo], a severo [rosa], em amplas regiões do mundo. Fonte da imagem: Global Drought Information System.

A seca californiana é apenas um aspecto de uma seca maior que abrange grande parte do Oeste norte-americano. Para a área do Rio Colorado, isto inclui uma seca de 16 anos que tem colocado o Lago Mead nos seus níveis mais baixos jamais registados. Com o racionamento iminente dos abastecimentos de água do rio, a menos que uma pausa milagrosa na seca surja de repente, os estados estão em sobressalto para descobrir como gerir uma escassez que se agrava. Enquanto isso, relatórios indicam que cidades como Phoenix irão exigir ação executiva por parte do presidente para garantir o abastecimento de água para milhões de residentes ao longo dos próximos anos, caso as condições não melhorem.

Mais a leste, a seca tem estado intermitente no centro e sul dos EUA. No sudeste, uma seca relâmpago recentemente ajudou a impulsionar uma onda fora-de-época de incêndios florestais sobre a região de Smoky Mountain. Ontem, em Gaitlinburg, Tennessee, chamas furiosas alimentados por ventos diante de uma frente fria obrigaram 14.000 pessoas a evacuar, danificaram ou destruíram 100 casas e ceifaram três vidas.

Incêndios resultam de seca severa Sibéria Julho 2016

Incêndios na Sibéria ativos a 23 de julho de 2016, ocorreram num contexto de seca severa. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Nas latitudes setentrionais superiores, a principal consequência da seca também tem sido incêndios florestais. Os incêndios florestais são frequentemente atiçados por calor e seca em regiões densamente florestadas com níveis de humidade do solo reduzidos. O degelo do permafrost e os níveis reduzidos de cobertura de neve agravam a situação, reduzindo ainda mais o armazenamento de humidade em regiões secas e adicionando combustíveis tipo turfa para os incêndios.

Do Alasca ao Canadá até à Sibéria, este tem sido cada vez mais o caso. No ano passado, o Alasca experienciou uma das suas piores épocas de incêndios florestais de que há registo. Este ano, tanto o calor como a seca contribuíram para os intensos incêndios na região de Fort McMurray, no Canadá. E nos últimos anos, incêndios florestais alastrando-se por uma Sibéria tremendamente seca têm sido tão extremos que satélites em órbita, a um milhão de milhas de distância, puderam detetar as plumas de fumo.

Seca e incêndios florestais no ou perto do Ártico parecem justificadamente estranhos, mas quando se considera o facto de que muitos modelos climáticos haviam previsto que as latitudes setentrionais elevadas seriam uma das poucas grandes regiões a experienciar aumentos na precipitação, essa estranheza torna-se ameaçadora. Se a atual tendência de seca generalizada no Ártico for representativa, então o aquecimento apresenta um problema de seca de Equador a Pólo.

Um lago Baikal a minguar — que se alimenta de água que flui da chuva e neve da Sibéria Central — comporta um testamento sombrio de uma seca em expansão sobre a Rússia central e do norte. O lago Baikal, o mais profundo e antigo lago do mundo, está ameaçado pela secagem relacionada com as alterações climáticas das terras que drenam para si. Em 2015, os níveis de água no Baikal atingiram níveis recorde de baixa, e ao longo dos últimos anos, incêndios em redor do lago têm crescentemente colocado em perigo as comunidades locais e a vida selvagem.

Para o sul e oeste, a província de Gansu na China foi colocada sob um alerta de seca de nível 4 este verão passado. Aí, grandes faixas de culturas foram perdidas; 500 milhões de dólares em danos no acumulados. O governo chinês apressou ajuda a 6,2 milhões de moradores afetados, transportando água potável por camião para regiões que ficaram desprovidas de abastecimentos locais.

Seca na Índia em 2016

Lagos e leitos de rios secaram por toda a Índia neste ano, tendo a monção sido adiada pelo terceiro ano consecutivo. Fonte da imagem: India Water Portal

A Índia este ano experimentou uma escassez de água semelhante, mas muito mais generalizada. Em abril, 330 milhões de pessoas na Índia experienciaram pressões hídricas. Comboios de reabastecimento de água viajaram através do campo, entregando garrafas de líquido potável a moradores que tinham perdido o acesso. O retorno da monção da Índia forneceu algum alívio, mas a seca na Índia e nas terras altas do Tibete continua, com glaciares a encolher expostos ao ar quente.

África tem visto recentemente várias crises alimentares surgirem, à medida que incêndios vão assolando através das suas florestas equatoriais. Pressões para seres humanos, plantas e animais devido à secura, escassez de água e alimentos, e incêndios têm sido notoriamente severos. Mais recentemente neste ano, 36 milhões de pessoas em toda a África enfrentaram fome devido aos impactos relacionados com a seca. Mais recentemente, a África do Sul foi forçada a reduzir manadas de hipopótamos e búfalos devido à continuação da seca de vários anos lá.

Mais para norte, na Europa, também encontramos condições de seca generalizada e em expansão. Esta situação não é inesperada para o Sul da Europa, onde os modelos climáticos globais mostram incursões de climas desérticos do outro lado do Mediterrâneo. Mas como com o norte da Rússia e América do Norte, a Europa do Norte também está experienciar seca. Estas secas por toda a Europa ajudaram a desencadear graves incêndios em Portugal e Espanha no verão, numa altura em que se prevê a queda da produção de milho para a região.

Seca e incêndios na Amazónia do Peru

Em novembro, a seca propiciou incêndios que despontaram ao longo da zona fronteiriça da floresta amazónica no Perú. Fonte da imagem: LANCE MODIS

Finalmente, regressando às Américas, vemos condições de seca generalizada cobrindo grande parte do Brasil e da Colômbia, diminuindo ao longo da Cordilheira dos Andes, pelo Perú, Bolívia, Chile e Argentina. Em seções da cada vez mais desbastada e acossada pelo fogo floresta da Amazónia, e atualmente atingindo o nordeste do Brasil, as condições de seca duram agora desde há cinco anos. Lá, metade das cidades da região enfrentam racionamento de água e mais de 20 milhões de pessoas estão agora a ser confrontadas com stress hídrico. De setembro a novembro de 2015, mais de 40.000 hectares de floresta amazónica devastada pela seca arderam no Peru. Enquanto isso, a Bolívia viu o seu segundo maior lago secar e glaciares críticos para o abastecimento de água derreter, levando centenas de milhares de pessoas a ficar numa situação de racionamento de água.

Impactos na Comida

A seca e condições meteorológicas extremas em curso criaram impactos locais para o abastecimento de alimentos em várias regiões. No entanto, estes impactos ainda não afetaram seriamente os mercados globais de alimentos. A seca no Brasil e na Índia, por exemplo, tem impactado significativamente a produção de açúcar, o que por sua vez está causar um aumento dos preços globais dos alimentos. A produção de cereais foi um pouco menor, o que também está a causar preços mais elevados, embora não os grandes saltos que vemos no açúcar. Mas o Índice da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) para outubro de 2016 (173 aproximadamente), sendo 9 por cento superior ao valor do ano passado para esta época do ano, ainda está bastante longe do valor 229 de pico que ocorreu em 2011, e que contribuiu para tanta agitação em todo o globo.

Subida de preços dos alimentos em 2016

O aumento dos preços dos alimentos durante 2016, face a preços relativamente baixos de energia e desafios significativos relacionados com o clima para os agricultores, é causa para preocupação. Fonte da imagem: FAO

Dito isto, com preços da energia a cair para valores comparativamente baixos, preços de alimentos relativamente altos (e crescentes) são causas para preocupação. Tradicionalmente, a queda dos preços da energia também reduzem os preços dos alimentos, pois os custos de produção são menores, mas parece que estes ganhos pelos agricultores estão a ser compensados ​​por vários impactos ambientais e climáticos. Além disso, embora muito difundida, a seca parece ter até agora evitado grandes regiões produtoras de cereais, como o centro dos EUA, e o centro e leste da Ásia. Assim, o quadro global de alimentos, se não inteiramente rosado, não está tão mau quanto poderia ser.

Condições em Contexto — Aumento da evaporação, Derretimento dos Glaciares, Menos Cobertura de Neve, Zonas Climáticas em Deslocação

Com o mundo agora provavelmente a atingir 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais ao longo dos próximos 15 a 20 anos, as condições gerais de seca provavelmente agravar-se-ão. As maiores taxas de evaporação são uma característica primária do aquecimento, o que significa que mais chuva tem de cair só para acompanhar o ritmo. Além disso, a perda do gelo glaciar em várias cadeias montanhosas e a perda de cobertura de neve em ambientes Árticos e próximos do Ártico, agora mais secos, irão reduzir ainda mais os níveis dos rios e a humidade do solo. O aumento da prevalência de eventos extremos de precipitação em comparação com eventos de chuva estáveis irá colocar ainda mais pressão sobre a vegetação que ajuda a capturar a humidade do solo. Finalmente, as alterações à circulação atmosférica devido à amplificação polar irão combinar-se com um movimento em direção aos pólos das zonas climáticas, levando a uma confusão geral das estações tradicionais de cultivo. Como resultado, tudo que depende de abastecimentos de água constantes e padrões climáticos previsíveis irá enfrentar desafios à medida que o mundo se dirige para um estado de mudança climática mais evidente.


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Traduzido do original
With Temperatures Hitting 1.2 C Hotter than Pre-Industrial, Drought Now Spans the Globe
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 30 de novembro de 2016.

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Documentário "Eating your way to extinction", agricultura animal e mudança climática
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Comendo Até à Extinção

Estudos mostram que a mudança climática e as faltas de água estão diretamente relacionadas com a quantidade de carne que consumimos. Não vamos ser bem sucedidos até que paremos com a agricultura animal.

– Trailer do documentário Eating Your Way to Extinction.


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Conteúdo traduzido do vídeo Eating Our Way To Extinction Trailer da campanha de crowdfunding por Otto e Ludo Brockway, publicado a 29 de novembro de 2016

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-comextrailer”]

Comendo Até à Extinção – Trailer

A indústria mais destrutiva do mundo está a destruir a nossa saúde, custa triliões em dinheiro, é incrivelmente cruel e está a destruir o nosso mundo.
Estamos, como todos vocês sabem, à beira de um abismo climático. Locais por todo o mundo viram calor extremo, incluindo um recorde no Kwait de 129… Abre a janela… Oh meu Deus! – Estão pessoas na água! – Oh meu Deus!
A principal força propulsora por detrás da extinção de espécies, por detrás da poluição da água e do ar, é este sistema de agricultura animal. agricultura animal… agricultura animal… agricultura animal… agricultura animal… Estudos mostram que a mudança climática e as faltas de água estão diretamente relacionadas com a quantidade de carne que consumimos. Não vamos ser bem sucedidos até que paremos com a agricultura animal. “Uma mudança global em direção a uma dieta à base de plantas é vital” “para se salvar o mundo dos piores impactos da mudança climática.” – Nações Unidas.
Doença cardíaca, cancro da próstata, cancro do cólon, cancro da mama, artrite reumatóide, esclerose múltipla… Eu sabia, naquela altura, o que causava a maioria das doenças. produtos animais… proteína de base animal… proteína animal… Pessoas que aumentam o seu consumo de alimentos à base de plantas, e diminuem o consumo de alimentos animais, de facto têm uma vantagem de sobrevivência, de facto vivem mais anos do que aqueles que não o fazem.
— Expondo a economia distorcida — Apenas na União Europeia metade do seu orçamento é usado para financiar a produção de gado. Por toda a Europa, 80% dos pagamentos diretos vão para apenas 20% dos agricultores. Quando se olha para de quem é este lobby do sistema agrícola, é dos maiores produtores de carne. Eles ditam as políticas federais em torno da produção alimentar, por terem tanto poder… O governo deu 30 biliões de dólares para financiar carne barata… …e não deram nenhum dinheiro para a indústria dos vegetais…
Pesquisa científica recente descobriu que os animais de quinta estão longe de serem estúpidos. O mais próximo deles a que a maioria de nós chega, é no supermercado, Mas você sabia o quão inteligentes e sensíveis eles são? E como as decisões que fazemos todos os dias afetam diretamente as suas vidas?
Um movimento está a crescer. Dezenas de milhões de americanos mudaram a sua dieta de refeições centradas em carne para outras ricas em vegetais, grãos, feijões e outros alimentos à base de plantas. Não só é uma mudança de estilo de vida mais saudável, como também ajuda a mudar a nossa pegada ambiental.
A coisa número 1 que podes fazer, é simplesmente PARAR DE COMER CARNE. Comendo em direção à extinção. Por favor ajude a fazer deste vídeo um sucesso mundial. Veja o link na descrição.Recolher Transcrição[/expand]

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Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca
Robertscribbler

Alterações Climáticas Deixaram a Bolívia Debilitada pela Seca



Os bolivianos têm de estar preparados para o pior.

Presidente Evo Morales.

*****

Como muitos países, a Bolívia conta com os seus glaciares e grandes lagos para abastecimento de água durante os tempos rígidos e secos. Mas tendo a Bolívia aquecido como o resto do mundo, estas reservas de água congelada e líquida diminuíram e secaram. O aquecimento tornou o segundo maior lago do país num leito ressequido de solo endurecido. Este calor tornou o maior lago do país numa sombra da sua antiga extensão e profundidade. Forçou os glaciares da Bolívia a recuar completamente até aos cumes das suas montanhas nortenhas — reduzindo o importante glaciar Chacaltaya a nada. Vários reservatórios estão agora completamente secos. E, para centenas de milhares de pessoas, a única fonte de água potável é aquela carregada e entregue por camiões.

Emergência de Seca Declarada para a Bolívia

Depois de décadas de agravamento da seca e após um forte El Niño de 2014-2016, a Bolívia declarou o estado de emergência. 125.000 famílias estão em severo racionamento de água — recebendo abastecimentos apenas uma vez a cada três dias. A alocação de água para essas famílias é apenas o suficiente para beber. Não mais. Centenas de milhares para além deste grupo mais atingido também sofrem de alguma forma de restrição de água. Escolas foram fechadas. Negócios encerrados. 60.000 cabeças de gado pereceram. 149 milhões de dólares em danos já se acumularam. E por todo o país, protestos eclodiram.

A cidade de La Paz, que é a sede do governo da Bolívia e lar de cerca de 800.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), tem os seus três reservatórios quase completamente secos. O reservatório principal de água — Ajuan Kota — está apenas a 1 por cento da sua capacidade. Dois reservatórios menores estão a apenas 8 por cento.

Seca extrema na Bolívia devido às alterações climáticas.

Durante o ano passado, a seca na Bolívia tornou-se extrema — levando a declarações de emergência e resultando em racionamento de água. É o mais recente período seco severo de muitos a afetar o Estado ao longo das últimas décadas. O presidente Morales declarou que as alterações climáticas são a causa. E a ciência, em grande parte, concorda com ele. Fonte da imagem: The Global Drought Monitor.

Na vizinha El Alto, uma cidade de 650.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), os moradores também estão a sofrer com a escassez de água. A falta dela lá foi causa para agitação — com funcionários das águas brevemente a ficarem reféns de cidadãos desesperados.

Com os camiões de assistência a percorrerem as ruas e os bairros de La Paz e El Alto, o governo estabeleceu um gabinete de água de emergência. Planos para a construção um sistema mais resiliente já foram elaborados. E governos e empresas estrangeiras já foram solicitadas para dar assistência. Mas o problema maior da Bolívia provém de secas que têm ficado cada vez piores devido às alterações climáticas. E não é claro que a nova infraestrutura para a gestão da água esteja preparada para uma situação em que, cada vez mais, a água é removida na sua totalidade.

Lagos Secos, Glaciares a Minguar

Ao longo dos anos, fatores cada vez piores relacionados com as alterações climáticas tornaram a Bolívia vulnerável a qualquer período seco que esteja por vir. O efeito adicional do aquecimento é que mais chuva tem que cair para compensar o aumento da taxa de evaporação resultante. Enquanto isso, o recuo glacial significa que menos água derrete e flui para rios e lagos durante estes períodos quentes e secos. No final, esta perda de água combinada cria uma situação prevalente de seca para o Estado. E quando um período seco é desencadeado por outras caraterísticas climáticas — como aconteceu com o forte El Niño que ocorreu entre 2014 e 2016, — as secas na Bolívia tornam-se consideravelmente mais intensas.

Desde o final da década de 1980, a Bolívia tem tido problemas durante períodos secos anormais relacionados com as alterações climáticas de origem humana. Com o passar do tempo, estes períodos secos têm infligido uma pressão hídrica crescente no Estado. E apesar dos numerosos esforços por parte da Bolívia, os impactos das secas têm continuado a agravar-se.

Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca

Nesta fotografia da NASA do norte da Bolívia, tirada a 6 de Novembro, 2016, vê-se uma cobertura de neve e gelo nas montanhas muito fina na parte superior ao centro, um lago Titicaca que está agora muito baixo e cheio de bancos de areia no canto superior esquerdo, e um lago Poopo completamente seco na parte central inferior. A Bolívia depende destas três fontes de água. Uma desapareceu, e as outras duas foram fortemente reduzidas. Os cientistas descobriram que o aquecimento global está a derreter os glaciares da Bolívia e aumentou as taxas de evaporação em até 200 por cento perto dos seus principais lagos. Fonte da imagem: LANCE MODIS.

Em 1994, o calor adicionado e a perda de glaciares resultou na seca do segundo maior lago do país — Poopo. O lago recuperou um pouco no final da década de 1990. Mas no início de 2016, um lago que outrora mediu 90 x 32 km nos seus pontos mais distantes, tinha novamente sido reduzido para pouco mais do que um leito rachado repleto de cascos de barcos de pesca abandonados. Os cientistas que estudam a região descobriram que a taxa de evaporação na zona do lago Poopo tinha sido aumentada em 200 por cento pelo aquecimento global.

O maior lago da Bolívia — Titicaca — também está sob ameaça. De 2003 a 2010, o lago foi relatado como tendo perdido 1300 km quadrados de área de água de superfície. Durante 2015 e 2016, a seca perto do Titicaca intensificou-se. Num ato de desespero, o governo da Bolívia alocou 500 milhões de dólares para salvar o lago. Mas, apesar desta ação, o reservatório massivo continuou a encolher. Agora, a parte sul do lago está quase completamente cortada por um banco de areia do norte.

Nas montanhas andinas que fazem fronteira com a Bolívia, as temperaturas têm vindo a aumentar em 0,6 graus Celsius a cada década. Este aquecimento colocou os glaciares do país em completa retirada. Num exemplo, o glaciar Chacaltaya, que fornecia 30 por cento do abastecimento de água de La Paz, tinha desaparecido por completo em 2009. Mas as perdas de glaciares, em geral, têm sido transversais e consideráveis — não restritas somente ao Chacaltaya.

Seca Intensa Agrava-se, Com Mais por Vir

Em dezembro, espera-se que as chuvas voltem e forneçam algum alívio à Bolívia. O El Niño enfraqueceu e 2017 não deve ser tão seco como 2015 ou 2016. No entanto, como muitas regiões do mundo, as terras altas da Bolívia encontram-se num período de seca multianual. E o fator primordial que causa estas secas não é o periódico El Niño, mas a tendência de aquecimento de longo prazo que está a derreter os glaciares da Bolívia e a aumentar as taxas de evaporação em todos os seus lagos.

No contexto, a situação de emergência de seca atual ocorre numa altura em que as temperaturas globais atingem perto de 1,2 graus Celsius mais quente do que as médias da década de 1880. A presente e futura expectada queima de combustíveis fósseis continuará a aquecer a Terra e adicionar ao agravamento do flagelo da seca em lugares como a Bolívia. Assim, esta escassez de água de emergência em particular é provável que seja apenas uma de muitas que estarão por vir. E somente um intenso esforço para reduzir as emissões de combustíveis fósseis pode abrandar substancialmente o agravamento da situação para a Bolívia e inúmeras outras regiões afetadas pela seca em todo o mundo.


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Traduzido do original
Climate Change Has Left Bolivia Crippled by Drought
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 23 de novembro de 2016.

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relatório sobre o estado do clima e os oceanos de novembro 2016
Peter Carter

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016

Um relatório completo com as emissões, a temperatura, os oceanos, relatórios do IPCC, da Agência Internacional de Energia, do COP22, e previsões futuras.

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Conteúdo traduzido do vídeo State of the climate and oceans Nov 2016 em The State of Our Climate System por Peter Carter publicado a 9 de novembro de 2016

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-econov16″]

O Estado do Clima e dos Oceanos – Novembro 2016 – Peter Carter

Isto é a poluição atmosférica por gases de efeito estufa, novembro 2016. Será possível o aumento da temperatura global de superfície este ano, 2016, ser de 1,25ºC? Será possível que a concentração atmosférica de dióxido de carbono possa ter aumentado 3.62ppm nos últimos 12 meses, em apenas um ano? Será possível que as emissões globais venham a ser um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje? Bem, é isso o que os dados e relatórios mais recentes nos estão a dizer. O meu nome é Peter Carter, estamos em novembro de 2016, e estou a apresentar-vos, neste vídeo, a presente situação atmosférica da poluição por gases de efeito estufa com os dados mais recentes e, importante, os mais recentes relatórios deste mês de novembro. Eu verifico os dados e mantenho-os registados com regularidade no site stateofourclimate.com
Vou começar por colocar os nossos pés bem assentes no chão da poluição atmosférica por gases de efeito estufa através de uma referência rápida àquela que poderá ser a frase mais importante do relatório AR5 de 2014 do IPCC. Isto foi do relatório Síntese, o resumo para políticos e uma afirmação destacada, a qual diz: Mitigação – sendo isso 2ºC ou, esperemos, 1.5ºC – “iria requerer “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e emissões perto de zero de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa de tempo de vida longo.” Segundo uma classificação do IPCC, os principais gases de efeito estufo de vida longa são o dióxido de carbono, metano e óxido nítrico, Portanto, esta afirmação é tão definitiva quanto se pode imaginar. Esta é a afirmação de todos os cientistas do mundo, e tem a aprovação de todos os governos do mundo.
Então… continuando com os dados. Isto vem da NOAA, a administração nacional dos oceanos e atmosfera. Isto é a recente concentração mensal de dióxido de carbono atmosférico do website da monitorização padrão, em Mauna Loa. Isto são os últimos 12 meses; está atualizado até outubro de 2016. Isto são os 12 meses entre setembro de 2016 e setembro de 2015. E podemos ver que nesses 12 meses a concentração atmosférica de CO2 aumentou 3.4ppm. Este é o dióxido de carbono global, a recente concentração global de dióxido de carbono atmosférico, e é ainda mais elevado, indo de agosto 2016 até agosto de 2015, que aumentou 3.62 ppm nesses últimos 12 meses. E nos relatórios dos quais também fiz uma pequena introdução, no trailler deste vídeo, as emissões globais estão configuradas para aumentarem grandemente durante as próximas décadas, de acordo com todas as políticas e planos de ação, quando, claro, como já vimos, têm que diminuir grandemente.
Portanto, as nossas emissões globais têm que diminuir substancialmente nas próximas décadas; a situação presente das políticas quanto aos gases de efeito estufa é que as emissões globais não irão diminuir até pelo menos 2030 ou 2040, e mesmo então, estarão numa trajetória crescente. Este é um dos relatórios do AIE, a Agência Internacional de Energia. É um relatório publicado este mês, novembro. Emissões de CO2 da combustão de combustíveis fósseis. Isto vai de 1971 até ao último ano registado, 2014, este é o registo mais recente, e verão que as fontes de combustíveis fósseis são o carvão, que ainda é de longe o maior, o petróleo aqui e o gás natural aqui em cima. Olhei um pouco mais de perto pois tínhamos ouvido que talves, durante os últimos 1 a 2 anos, as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis poderiam ter parado de aumentar por completo. Não parece terem parado de aumentar por completo, elas abrandaram, mas também abrandaram no passado, durante as décadas anteriores. De qualquer modo, o que é importante neste gráfico é que as emissões de dióxido de carbono por combustíveis fósseis nunca foram tão elevadas.
Olhando para o mais recente aumento da temperatura global de superfície. Este é de Gavin Schmitt, assim como o próximo slide, e ele é o diretor da NASA GISS. Isto mostra o grande salto, o salto chocante, que fez a primeira página das notícias, da temperatura em 2015, o qual a NASA disse-nos ser de 1.13ºC; tínhamos ultrapassado o 1ºC por um bom bocado. Este grande salto é este ano, 2016. este também é de Gavin Schmitt, este ele publicou-o muito recentemente, onde disse: temos agora garantido um aumento de temperatura, este ano, de 1.25ºC.
Estamos a olhar agora para a concentração atmosférica de dióxido de carbono, e claro, é essa a razão de estarmos a obter estes grandes saltos no aumento da temperatura global de superfície, apesar de, claro, ter havido um impulso pela influência do El Niño. Contudo, este aumento da temperatura e o aumento da concentração de CO2 ainda estão a aumentar cada vez mais. Isto que vemos vai de 1960 a 2016, pelo SCRIPPS, Instituto de Oceanogafia, e isto é de hoje, pois o SCRIPPS mantém isto atualizado semanalmente e diariamente. Portanto, podemos ver claramente que isto é uma concentração atmosférica de CO2 em aceleração, e o SCRIPPS diz que o CO2 está a acelerar. Estamos agora acima de 400ppm aqui, e coloquei esta linha aqui pois isto são 350ppm, considerado o limite perigoso a longo prazo para o clima, mantos de gelo e oceanos. Coloquei 300ppm no fundo aqui porque essa é a concentração máxima de CO2 atmosférico ao longo dos últimos 800.000 anos, a partir do registo nos núcleos de gelo. Isto é uma das coisas que registo regularmente no website State of Our Climate.
Isto é a concentração atmosférica de gases de efeito estufa a 6 de novembro deste ano, 2016. isto é de Mauna Loa. Tirei dois intervalos de tempo, um deles um intervalo de tempo extremamente curto de 2013, e o outro no nível inferior aqui é de 2000. Nos registos de 2000, tracei as concentrações atmosféricas médias, por não se verem tão bem. Isto então é o dióxido de carbono, tenho o dióxido de carbono aqui, e o metano aqui, e o óxido nitroso aqui. E então, isto são as concentrações de CO2 ajustadas às estações, isto são as concentrações médias de metano na atmosfera, e isto são as médias de óxido nitroso. O intervalo de tempo muito muito curto… é bom porque as médias revelam-se muito melhor, sem as termos que traçar. Também mostra a evidência da taxa de crescimento extrema de todos estes três gases de efeito estufa.
Vamos olhar mais de perto para estes poucos anos de 2013… para o rápido aumento das concentrações destes gases de efeito estufa. Portanto, aqui está o dióxido de carbono; Obtenho o dióxido de carbono atmosférico, neste momento, a 405ppm. Parece que foi ontem que as notícias falavam de 400ppm. O metano atmosférico obtenho a 1865ppb. Isso é bastante extremo porque o máximo de metano atmosférico do registo dos núcleos de gelo de 800 mil anos, é de 800ppb. Lembram-se que o máximo de dióxido de carbono nos 800 mil anos era de 300ppm. E aqui temos o óxido nitroso, está quase a 330ppb e obtenho-o a 329.9ppb. Portanto, podem ver claramente as médias traçadas aqui, e como… estão a aumentar presentemente de forma incrivelmente rápida… todos os três. Particularmente a concentração atmosférica de dióxido de carbono.
Aqui temos um zoom daquela concentração de dióxido de carbono atmosférico, num registo pela NOAA apenas desde 2013. E o aumento da média ajustada, muito óbvio aqui. e aquilo que se está a passar, a tendência, com a concentração atmosférica de CO2 em aceleração, é muito clara. Viro-me agora para os oceanos. Temos uma situação terrivelmente desastrosa a acontecer nos nossos oceanos, bem como no clima. E o conteúdo de calor do oceano, como vemos aqui neste gráfico, também está a acelerar. Não surpreendentemente pois o dióxido de carbono atmosférico também está a acelerar. Isto é o calor no oceano profundo, que tirei da NOAA. Vai até junho de 2016, e começa em 1960. Como disse, este é o conteúdo de calor do oceano profundo, até aos 2000 metros. Portanto, aqui estão os joules; isto é uma quantidade incrível de calor. Está a ser armazenado, adicionado aos oceanos continuamente. Equivale a uma bomba de Hiroshima a explodir por segundo. É enorme.
Outra vez os oceanos e outra vez pela NOAA, isto é a acidificação do oceano. Este gráfico vai até 2011 mas coloquei-o aqui por ser muito bom e claro. O pH está a diminuir a um ritmo de declínio muito estável; enquanto o pH diminui, a acidificação aumenta. Aumenta, aliás, por métrica, mais do que o pH, por um fator de 10. Isso é de acordo com o instituto Woods Hole. Portanto, tudo isto deve-se ao rápido aumento do dióxido de carbono atmosférico, porque essa é a única causa da acidificação do oceano.
Adicionei este porque este está muito claro. isto vem do AR5 do IPCC, e temos o pH aqui, isto começa em 1950, 2000 aqui e 2020 ali. Portanto, isso permite-me dar-vos a tendência de acidificação do oceano até 2015, e podemos ver que está a acelerar. Como a OMM reportou há 18 meses atrás numa edição especial sobre acidificação do oceano, está a acelerar. Este slide aqui é a desoxigenação do oceano. A desoxigenação do oceano é causada, aliás. pelo aquecimento do oceano, pelo aumento da temperatura do oceano. Isto também é do relatório AR5 do IPCC. Aqui temos o conteúdo de oxigénio do oceano, em percentagem aqui, e isto é 2015 até aqui. Então, mais uma vez, o mesmo tipo de coisa, um rápido declínio, que é, de facto, uma taxa em aceleração do declínio de conteúdo do oceano em oxigénio.
Vamos agora passar aos relatórios mais recentes, os relatórios que mencionei. Este é da Agência Internacional de Energia (EIA), publicado em novembro deste ano, 2016, especialmente para o COP22 da ONU em Marraquexe, Marrocos, que está a acontecer agora. Chama-se Energia, Mudança Climática e Ambiente. este é um relatório assombroso e extremamente importante porque projeta, diz-nos, onde vamos estar com as nossas emissões, por volta de 2030.
Aqui estão as emissões, aqui está o percurso projetado pela AIE. Chama-se o cenário INDC; INDC significa Contribuições Intencionadas Determinadas por Nação, portanto, são os objetivos nacionais voluntários de emissões. Como se pode ver, por volta de 2030 estão substancialmente maiores do que o estão hoje, e é um facto que a AIE diz que o aumento das emissões globais será de 30% por volta de 2030. Mas isso não é tudo. Porque estas são as emissões que a AIE reportou em relação às atividades relacionadas à energia. Portanto, isto não inclui as outras muito grandes fontes de metano e óxido nitroso, em particular, e também fontes muito grandes de CO2, para além disso. Logo, isto, para além de assombroso, como disse, é realmente uma subestimação do completo apuro no qual nos encontramos e para o qual nos dirigimos.
Esta linha verde aqui em baixo é o cenário 450 solicitado pela AIE. Este é o cenário para uma… chance de aumento de temperatura global de 2ºC, mas isso é apenas para 2100, e a AIE está apropriadamente consciente disso. O aumento da temperatura global projetado pela AIE, em cima do já enorme aumento presente, ao longo do último par de décadas, é de 2.7ºC; muito acima dos 2ºC, que por si só é catastrófico, por volta de 2100, e acima de 3ºC após 2100. Estes 3ºC após 2100, — devido à inércia termal do oceano, todo aquele calor que acabámos de ver, armazenado nos oceanos a partir da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera mais baixa — também serão mais elevados porque, como vêm, esta trajectória ainda está numa tendência crescente. Irei mostrar-vos as citações num minuto.
Este é o outro ponto muito importante que a AIE nos mostra. Quando é o pico? Quando é que o pico tem que acontecer, para que nós tenhamos uma chance para os 2ºC? E é exatamente aqui. É aqui que é o pico. Ah, este cenário da ponte…, não vou abordar isso; tipo como que excluí isso, porque apenas queria mostrar as duas projeções realmente importantes que a AIE faz. Portanto, o pico que podemos ver é entre 2017 e 2018. Coloquei-o aqui em cima numa espécie de inserção. Para o verem no vídeo provavelmente terão que fazer um zoom e já poderão ver mais de perto. Ah, a propósito, isto lembra-me de mencionar que a minha intenção neste vídeo é encorajar-vos a verem estas fontes em particular por estarem atualizadas, verifiquem-nas, e… analisem-nas a fundo, pois eu estou apenas a mostrar a superfície aqui, isso é certo.
Continuando com este relatório tão importante da AIE para o COP22, aqui temos a tabela da energia global e processos que geram essa energia, “Emissões de gases de efeito estufa no cenário INDC”, e é nos dada pela AIE em gigatoneladas da equivalência em dióxido de carbono. O gráfico que acabei de mostrar era o equivalente em dióxido de carbono, e isso inclui o metano, e a AIE também inclui uma pequena quantidade de óxido nitroso nisto. Mas isto são apenas as emissões relacionadas à energia e, sinto muito, continuo a repeti-lo por ser realmente importante. Impressionantemente mau, contudo, devo dizer. Aqui está a citação do relatório, implementando os INDC’s,: “Nesta análise, as emissões globais sob os NDC’s — contribuições determinadas por nação, ou objetivos de emissões por país — são um terço mais elevadas em 2030 do que o são hoje. Portanto, aí o temos. Aqui está o outro que é muito interessante do ponto de vista de se atingir o pico: “Atingindo os 2ºC a partir dos NDCs”, como a AIE lhes chama. Os 2ºC são uma catástrofe. Temos que apontar para 1,5ºC como a maioria dos cientistas dizem agora. Apresentei-o na conferência 1,5ºC de Oxford, recentemente este ano em Oxford, Inglaterra. Portanto, estamos perdidos e a olhar para 1.5ºC e como vimos, vamos ter que reagir imediatamente se queremos ter alguma chance.
Esta citação: “… limitando o aumento de temperatura em 2ºC irá requerer atingir o pico, a curto prazo, nas emissões globais relacionadas à energia. Como digo, é a prazo imediato, na realidade, se olharmos para outras projeções de outras fontes, e de facto se olharmos para o AR5, o que vou fazer aqui, iremos ver que… agora em 2016, as emissões têm que diminuir numa base imediata. Aqui temos as emissões pelo AR5 do IPCC. Isto mostra todas as emissões, portanto, isto dá-me jeito de incluir aqui, e aqui estão os aumentos percentuais, mas neste gráfico, queria mostrar-vos isto. devido à inércia termal do oceano, o desfasamento de calor do oceano, estas emissões entre 2000 até hoje ainda não tiveram efeito na temperatura global de superfície. isso é calor que ainda está desfasado, detido nos oceanos, o qual irá atingir-nos muito em breve, a curto prazo. E estas emissões são de longe as mais elevadas, e em emissões acumulativas também, que alguma vez houve. De longe as mais elevadas. Vou terminar aqui, lembrando-nos da citação mais importante do AR5, a qual diz “reduções substanciais das emissões nas próximas décadas”, e obviamente para fazermos isso temos que fazer com que as emissões globais declinem agora.
O IPCC, por falar nisso, tem dito “agora” desde 2007, no relatório AR4 e, novamente, disseram “agora” no relatório de 2014, e “emissões próximas de zero”. Agora, aqui vai aquilo que quero fazer notar, para terminar. O único cenário que o pode fazer, de entre todos os cenários que o IPCC testou, nos quais fez projeções, o único no qual podíamos obter reduções substanciais das emissões nas próximas décadas, e o único que podia levar, em 2100, a um aumento da temperatura global de superfície não acima dos 2ºC, é este aqui, o qual é, não surpreendentemente, o melhor cenário do AR5, o qual é chamado RCP 2.6. Isto é a média, isto é aquela melhor que 60% das chances de 2ºC, mas apenas até 2100, e esta é a variação mais estrita, e isto dá-nos uma melhor chance de 2ºC. Agora, podem ver que aqui, as emissões declinam agora mesmo. Agora mesmo. Independentemente de como o vejamos, chegámos agora àquele ponto; chegámos agora a uma encruzilhada mais do que histórica para a humanidade. E para além disso, estamos a falar de toda a vida na terra aqui. Uma encruzilhada no agora. As emissões têm que diminuir agora numa base imediata, e é possível.
Portanto, este é o meu relatório final, estou a terminar numa nota um pouco positiva. Isto foi publicado a 2 de novembro de 2016, é um relatório para a UNEP, e foi publicado pela Bloomberg New Energy Finance, e fez a nova tendência global em investimento em energias renováveis. Em 2016, numa avaliação da situação do ano anterior, 2015 e, a grande notícia foi que 2015 produziu um novo recorde no investimento global em energia renovável. isto aconteceu apesar de situações aparentemente adversas para as renováveis, com os valores das moedas e claro o baixar do preço dos combustíveis fósseis e da energia por combustíveis fósseis.
Portanto, isto são ótimas notícias desde que mantenhamos em mente que as emissões de combustíveis fósseis — as emissões de dióxido de carbono e as emissões de metano, que são grandes agora, a partir do gás natural, particularmente de emissões figurativas; à medida que o fracking expande a indústria de gás natural também expande, — desde que essas cheguem a quase zero. Portanto, à medida que as energias renováveis aumentam, temos que conseguir que a energia dos combustíveis fósseis diminua rapidamente. E atualmente isso não está, certamente, a acontecer, e portanto isto são ótimas notícias… condicionais, creio. E com isso deixo-vos e… adeus.Recolher Transcrição[/expand]

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temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016 parecem indicar um desaparecimento do inverno
Robertscribbler

Rumo ao Desinverno Ártico

Muitos chamam-lhe “global weirding”. Mas “weird” (estranho) mal descreve o que está acontecer no Ártico agora. Para a consternação de alguns, adverti que o processo a que estamos a assistir agora é o início de uma espécie de morte do inverno que irá certamente acontecer se não pararmos de queimar combustíveis fósseis em breve. Mas poderíamos também chamar-lhe desinverno. Ou desinvernamento. O que quer que lhe queira chamar, e independentemente da sua tendência inicial ser minimizá-lo ou anunciá-lo do monte mais alto, o que está a acontecer no Ártico neste momento não tem precedentes e é um pouco mais do que ligeiramente assustador.

Perda de Gelo do Mar Como o Início do Desinvernamento Ártico

O Oceano Ártico perdeu grande parte de sua cobertura de gelo durante o verão nos últimos anos. Oceanos mais escuras refletem menos raios solares. E mais calor é transferido para a superfície da água. À medida que o verão vai dando lugar ao outono, este carregamento de energia adicional cria uma barreira de calor latente para o recongelamento do gelo. Sem sua cobertura de gelo habitual, o oceano, então, ventila este calor para o ambiente do Ártico — mantendo as temperaturas do ar anormalmente quentes, aumentando o conteúdo de vapor de água e engrossando a atmosfera do Ártico.

Nos últimos anos, este processo tem gerado o poderoso aquecimento de inverno a que chamamos amplificação polar. Tem perturbado a Corrente de Jato e contribuído para outras alterações nos padrões climáticos globais. Mas o outono de 2016, até ao momento, já viu alguns dos piores exemplos deste aquecimento relacionado com a mudança climática das regiões congeladas do mundo.

Calor Atual do Ártico é Inédito
temperaturas elevadas no Ártico a 2 de novembro 2016

Desvio de temperatura para todo o Ártico excedeu 6ºC acima da média para três dos quatro últimos dias. O atraso da progressão normal de arrefecimento de outono para o inverno está um mês ou mais atrás do habitual para esta região do nosso mundo. Fonte da imagem: Climate Reanalyzer

Hoje, a temperatura acima do Círculo Ártico tem uma média de 6,21 graus Celsius acima da média. Grandes áreas locais estão a ver temperaturas na faixa de 15 a 20 graus Celsius acima da média com picos locais mais elevados. Além da linha de latitude 80 graus norte, as temperaturas são atualmente de cerca de 12 graus Celsius acima da média. O resultado é que a maioria dos lugares do Ártico estão a cerca de 25 a 40 dias atrás da linha de tendência de arrefecimento média, e as temperaturas são mais uma reminiscência de final de setembro ou início de outubro do que de início de novembro.

Níveis Mínimos Recorde de Gelo São Igualmente Extremos

Não só está o calor adicionado ao oceano a provocar um aquecimento excecional na atmosfera do Ártico, como está também a gerar um ciclo de retroalimentação de auto-reforço com desvios recorde de gelo marítimo mínimo que têm piorado a cada dia que passa. Segundo a JAXA, as extensões de gelo marítimo atuais do Oceano Ártico são agora 710.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde mínimo anterior, estabelecido em 2012. Trata-se de uma área maior que o estado do Texas. Mas quando se compara este novo mínimo recorde relativamente às médias observadas na década de 1980, já se perdeu uma região do tamanho do Texas, Alasca e Califórnia combinados.

Extensão do gelo no Ártico a 1 novembro de 2016

Extensões de gelo marítimo do Ártico de 7,03 milhões de quilómetros quadrados a 1 de novembro de 2016 são aproximadamente iguais aos mínimos de gelo marítimo de finais de verão durante a década de 1990. Tanto oceano aberto está a ter um efeito dramático de aquecimento na atmosfera ártica durante o outono de 2016. Fonte da imagem: JAXA

Todo este oceano a descoberto a despejar calor para a atmosfera está a ter um efeito marcante. De tal forma que está a produzir estas temperaturas extremas ao mesmo tempo que gera um ciclo auto-sustentável que impede o recongelamento.

Nos últimos dias, o calor no Ártico criou uma situação em que as taxas de recongelamento do oceano têm-se basicamente movido para o lado no gráfico. Isto originou um bem-merecido alarido por parte de especialistas de clima e do Ártico em toda a rede. Bob Hensen no WeatherUnderground recentemente twittou: “o Oceano Ártico parece ter-se esquecido de que é suposto estar a recongelar neste momento.” Para o qual o estudante de PhD Zack Labe respondeu: “é uma loucura… os dados diários mostram a linha rasa recente.” Enquanto isso, o fórum do Arctic Sea Ice basicamente enlouqueceu por causa do comportamento muito estranho do gelo do mar neste outono.

Será que vai continuar? OSEN a Somar à Tendência de Transferência de Calor

Quanto tempo irá esta contenda viciosa continuar a durar é uma incógnita. Em última análise, resume-se à quantidade de calor que o Oceano Ártico já absorveu e a quanta energia ainda está a ser transferida nessa direção. Com a La Niña a formar-se no Pacífico, a transferência de calor oceânico e atmosférico para o Ártico tenderia a aumentar. E poderemos muito bem estar a assistir agora a uma espécie de aperto de mão do tipo teleligação entre a amplificação polar e o ciclo OSEN.

Para este ponto é importante notar que o mais recente grande pulso de calor no Ártico começou com o poderoso El Niño de 2015-2016. E esta transferência de calor relacionada com a habitual variabilidade natural é provável que continue a aumentar as escalas de quantidade de calor no Ártico 2017 adentro, e possivelmente até 2018. A questão neste caso é se o aquecimento relacionado com as alterações climáticas está a ser fortalecido por este fluxo periódico rumo a um novo ponto de viragem. E do ponto de vista deste outono, as coisas não parecem muito boas para o Ártico.


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Traduzido do original
Drifting into Arctic Un-Winter
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 2 de novembro de 2016.

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Carta do AMEG ao COP22
Paul Beckwith

Carta ao COP22 pelo Grupo de Emergência pelo Metano no Ártico

O AMEG – Arctic Methane Emergency Group – é um grupo de cientistas, engenheiros, comunicadores e outros, dedicado primeiramente a estabelecer aquilo que está verdadeiramente a acontecer ao nosso planeta (especialmente no Ártico) usando a melhor evidência científica, segundo, encontrar meios eficazes e acessíveis para se lidar com a situação, e terceiro, comunicar estas questões à autoridade e o público em geral.
A carta do AMEG ao COP22
À atenção de COP22

A comunidade e consenso de cientistas pelo clima, representada pelo IPCC, tinha assumido que, ao reduzir as emissões líquidas de CO2 a zero, o aquecimento global podia ser interrompido. Eles também assumiram que uma tal redução iria suspender o aquecimento do Ártico, pelo processo que tem mantido o aquecimento no Ártico proporcional ao aquecimento global mas amplificado por um factor de cerca de dois.

Infelizmente as evidências indicam que estes pressupostos já não são válidos. O Sistema Terra está a mostrar sinais de se mover cada vez mais rápido a distanciar-se da antiga norma dos últimos milhares de anos: o período do Holoceno de temperatura, clima e nível do mar notavelmente estáveis, o que permitiu que as culturas fossem cultivadas, que o comércio tivesse lugar e a civilização se desenvolvesse. As mudanças estão a acontecer mais rapidamente no Ártico, onde há uma aceleração no aquecimento e derretimento, principalmente devido ao efeito do “feedback positivo do albedo” pelo qual, à medida que a neve e o gelo do mar desaparecem, mais calor é absorvido pela terra e água expostas.

Existem quatro efeitos relevantes desse aquecimento acelerado no Ártico:

  • o derretimento acelerado do calota polar da Groenlândia com a subida do nível do mar associada;
  • a descarga acelerada de metano a partir da permafrost, tanto sob o fundo do mar como sob a superfície da terra, com o efeito de estufa associado;
  • disrupção acelerada da corrente de jato com o aumento de extremos climáticos no Hemisfério Norte;
  • uma contribuição crescente do forçamento radiativo para o orçamento de energia do planeta, o que conduzirá inevitavelmente ao aquecimento adicional do resto do planeta.

Considerando que o planeta já está a sofrer das alterações climáticas e do aumento do nível do mar, os quais são ambos susceptíveis de piorarem com os níveis de gases de efeito estufa crescentes e o aquecimento acelerado no Ártico:

O COP devia adoptar um novo objectivo global de restaurar o planeta para as condições de segurança apreciadas durante os milhares de anos do Holoceno. Neste processo:

  • (I) a temperatura global devia ser mantida abaixo de 1.5C no que diz respeito ao seu nível pré-industrial;
  • (Ii) o CO2 na atmosfera devia ser reduzido ao seu nível pré-industrial, o que envolve um esforço enorme de CDR (Remoção de Dióxido de Carbono) juntamente com cortes drásticos nas emissões de CO2;
  • (Iii) as emissões de outros gases de efeito estufa significativos (especialmente metano) deve ser reduzida para níveis pré-industriais;
  • (Iv) o Ártico deve ser rapidamente arrefecido como uma precaução contra ainda mais desaparecimento do gelo marinho, intensificação do aumento do nível do mar, mais intensificação da libertação de metano a partir da permafrost, e mais disrupções da corrente de jato levando a um maior aumento nos eventos climáticos extremos do Hemisfério Norte;
  • (V) o albedo do Ártico deve ser restaurado para o nível de, pelo menos, trinta anos atrás.

Para tornar tão enorme empreendimento aceitável para os líderes mundiais, é necessário mostrar que há um bom caso para o negócio, com empregos e segurança alimentar. E tem que haver um meio de financiamento que seja equitativo e permita às empresas otimizarem os seus lucros sem comprometerem a saúde do planeta.

Discutivelmente há uma indústria que é capaz de financiar CDR [Remoção de Dióxido de Carbono] e a supressão do metano, nomeadamente, a indústria do combustível fóssil. Se os líderes mundiais puderem convencer a indústria a pagar a Remoção de Dióxido de Carbono e a supressão de metano ao arrecadarem um imposto sobre o carbono retirado do chão, então a indústria poderá maximizar os lucros ao mesmo tempo que protege o planeta.

É preciso haver igualdade de condições, de modo que todos os exploradores de combustível fóssil pagam uma taxa de carbono, com base nas emissões de gases com efeito de estufa que irão causar. Assim, os CCS [Sistemas de Captura de Carbono] irão, efetivamente, obter um abatimento de custos. Os exploradores de gás natural terão uma taxa baseada não só no CO2 emitido sobre o consumo, mas também no metano que se escapa.

Como não é possível determinar antecipadamente os custos da CDR – Remoção de Dióxido de Carbono – e supressão de metano, terá de haver uma taxa inicial que será incrementada ao longo do tempo de acordo com a eficácia na remoção de CO2 e na supressão do metano. A indústria de combustíveis fósseis terá um incentivo financeiro para tornar estes processos eficientes e evitar aumentos indevidos na taxa que acabaria por se extinguir.

É preciso haver alguma regulamentação, uma vez que é desejável que a CDR e a supressão de metano seja feita de formas que tenham benefícios para a habitação, a produção de alimentos, a gestão da água, segurança no trabalho, biodiversidade, etc. É aqui que a ONU tem um papel fundamental: na definição dos mecanismos de regulação e dos meios de policiamento dos mesmos.

Existem muitas técnicas para a Remoção de Dióxido de Carbono e supressão de metano, as quais têm tais benefícios na silvicultura, agricultura e aquacultura.

O manejo florestal pode garantir que o carbono seja capturado a longo prazo, com os benefícios de fornecimento de madeira para edifícios e aumentar a biodiversidade. As práticas agrícolas podem aumentar o carbono no solo através do desenvolvimento de culturas com raízes mais longas.

Os resíduos das culturas podem ser aquecidos através de pirólise para produzirem uma combinação de biocombustíveis e biocarvão, sendo este último devolvido ao solo para a melhoria da produtividade das culturas e gestão da água, reduzindo também os requisitos de fertilizantes artificiais, que são carbono-intensivos na sua produção.

A supressão de metano usando diatomáceas pode igualmente melhorar a produção agrícola, por exemplo, em campos de arroz. Pode purificar fontes de água locais para benefício das culturas e consumo humano. A dispersão de diatomáceas com nutrientes apropriados sobre pantanais, lagos e oceanos pode reduzir o metano, enquanto oxigenando a água e estimulando a cadeia alimentar. Assim, os stocks de peixes e outras fontes alimentares marinhas são aumentadas, fornecendo alimentos para consumo humano, bem como aumentando a biomassa sustentável para o planeta como um todo.

Outra técnica de remoção de dióxido de carbono com grande potencial envolve o esmagamento de rocha olivina e o seu desgaste acelerado para remover CO2 e criar substâncias de retenção de carbono. Esta técnica tem um grande benefício direto de aumentar a alcalinidade do oceano, por exemplo quando a rocha esmagada é espalhada sobre as praias, onde a ação das ondas pode acelerar o seu intemperismo.

Se tais técnicas não são suficientes, ou não podem ser aplicadas em velocidade rapidamente o suficiente, então a captura direta de ar tem que ser considerada. Actualmente, é extremamente caro em comparação com outras técnicas. Mas este custo pode vir a torná-la competitiva, logo a pesquisa e esforço de desenvolvimento intensivos são recomendados.

O arrefecimento do Ártico e restauração do albedo tem benefícios óbvios para a vida selvagem e os povos indígenas do Ártico, por exemplo os ursos polares, que dependem do gelo marinho para a sua caça. Existe também um potencial para a captura de metano como combustível; metano está a borbulhar do fundo do oceano em grandes quantidades, e pode ser capturado sob o gelo do mar ou serem deliberadamente criados “escudos de gelo”.

Este é um exemplo de uma oportunidade para a supressão de metano a ser combinada com o melhoramento do albedo. Outro exemplo é a flutuação de tapetes contendo diatomáceas e nutrientes, que podem melhorar o albedo, enquanto ajudando a remover o CO2, a reduzir a acidificação, oxigenar a água e promover metanotrofos que digerem metano dissolvido na água. Neste caso, existe um benefício adicional de promover a cadeia alimentar marinha em benefício da vida marinha e pesca.

Para iniciar o processo, o COP22 deve considerar:

  • uma nova iniciativa que combina CDR agressiva CDR, supressão de metano e redução de emissões de CO2, de tal forma que
    o aquecimento global pode ser interrompido a 1.5C ou menos dentro de algumas décadas;
  • uma nova iniciativa para resfriar o Ártico e
    restaurar o albedo para o nível de há trinta anos;
  • um plano global para restaurar o Sistema Terra para
    as condições que permitiram à civilização a florescer
    ao longo dos últimos milhares de anos, conhecidos como o Holoceno;
  • uma iniciativa da educação pública
    na compreensão deste plano;
  • semear financiamento para novos desenvolvimentos técnicos
    em CDR [remoção de dióxido de carbono], supressão de metano
    e melhoramento do albedo;
  • uma conferência que reúna representantes
    dos governos e da indústria do combustível fóssil para
    apresenta a vantagem de negócios para o financiamento
    de intervenções em larga escala a partir de uma taxa de carbono.

Mais informação sobre a situação dos níveis de metano e a sua libertação a partir das reservas no Ártico aqui.

Conteúdo traduzido da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

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Guy McPherson sobre a extinção humana em 10 anos
Guy McPherson

Extinção humana em 10 anos devido à mudança climática (Guy McPherson em direto na TV da Nova Zelândia)

Estamos a caminho de uma temperatura que está ao nível ou próximo da temperatura mais elevada experienciada na Terra nos últimos 2 mil milhões de anos – Guy McPherson


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Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Humans ‘don’t have 10 years’ left thanks to climate change em NewsHub.co.nz numa entrevista a Guy McPherson publicada a 24 de novembro de 2016

Para uma apresentação ao vivo por Guy McPherson descriminando a ciência na qual ele baseia o seu prognóstico a tão curto prazo para a espécie humana, vejam: Aquecimento Global e Extinção da Espécie Humana – Guy McPherson
[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-GM10TV”]

Extinção humana em 10 anos devido à mudança climática (Guy McPherson em direto na TV da Nova Zelândia)

– Vamos a caminho de uma extinção em massa. Ora aí têm. É isso. Ponto final. Devido aos humanos destruírem o nosso próprio habitat. Essa é a mensagem sem meias medidas de Guy McPherson, da Universidade do Arizona. Alguns chamam-no de eco-terrorista, outros dizem que é um anarquista, mas será que poderia ser apenas um realista? Guy está na Nova Zelândia numa digressão em palestras e está connosco agora. Guy, é ótimo encontrar-lhe outra vez.
– Igualmente, Paul.
– Da última vez que falei consigo, 2014, e você tipo, deu cabo de qualquer esperança futura, a mim e à minha família, aaahm… foi só desgraças e desolação. Mudou alguma coisa desde então, no seu relato das coisas?
– Oh sim, a situação é bem pior do que o era naquela altura.
– OK Ok ok. Então, essencialmente, para parafrasear, estamos todos só a perder o nosso tempo a falar da mudança climática, aquecimento global e aumento do nível do mar?
– Bem, eu aprecio a oportunidade de as pessoas saberem o que se passa no mundo, é por isso que faço o que faço, portanto, não acho que precisemos de não falar sobre isso. Acho que precisamos que as pessoas saibam o que se está a passar.
– Mas é fútil… – A ação é fútil, excepto com respeito a nós pessoalmente e como nos sentimos connosco próprios. Sim, a acção é o antídoto para o desespero, disse Edward Abbey, o anarquista do deserto.
– Você é anarquista?
– Sou, e sei o que isso significa. Não é caos. O anarquismo não é uma noção romântica mas uma ideia, um modo de vida, que tem provado ser bem sucedido durante 3 milhões de anos da experiência humana.
– Se você estiver certo, então também está, com certeza, errado. Quero dizer, você diz que é importante falarmos disto para sabermos o que se está a passar, mas eu não acho que seja por isso que estamos a falar disto. Se você estiver certo, a razão pela qual falamos disto, não é uma tentativa para, essencialmente, enganarmo-nos a nós próprios em pensar que podemos na realidade resolvê-lo?
– Bem… Depende da sua perspectiva, mais uma vez, a minha perspectiva é que não há nada a fazer em termos de preservar a espécie humana, mais do que alguns anos. Outras pessoas pensam que existem ações que irão… aumentar a sua própria longevidade, o que poderá ser verdade, dependendo daquilo que fizerem e de para onde forem, mas penso que em termos da raça humana está feito, está garantido, tem estado garantido há muito tempo, estamos a meio da 6ª extinção em massa.
– OK, vamos falar da sua escala de tempo num momento, porque acho que… você já indicou que houve algo que mudou pois as coisas ficaram piores rapidamente, mais rápido do que você originalmente pensava. Você quase que insinuou, em alguma da sua escrita, que temos a arrogância de acreditar que o futuro do planeta e o futuro da humanidade são a mesma coisa. Na realidade, você manteve uma visão bastante positiva do futuro do planeta, mas só que sem estarmos incluídos nela.
– Absolutamente, sim. Quero dizer… Há humanos no planeta, a nossa espécie, à cerca de 200 mil anos. O universo tem 13,8 bilhões (mil milhões, em Portugal) de anos.
– Somos um momento no tempo. – Somos mesmo. Quero dizer, é um piscar de olhos geológico, e parece que estamos para além do geológico, por esta altura, e já no verdadeiro piscar de olhos. Com o desaparecimento dos humanos, e presumivelmente outra vida tal como a conhecemos, tal como a conhecemos, o planeta irá de facto curar-se a si próprio, dando-lhe os suficientes milénios?
– Vai levar milhões de anos, como em eventos de extinção em massa anteriores mas, mas não tenho dúvidas de que haverá um planeta florescente outra vez. Apenas durante alguns milhões de anos haverá apenas coisas muito pequenas, micróbios, bactérias e fungos.
– Enquanto olhava para si agora… o que diz parece lógico, muito mais lógico do que aqueles que dizem que podemos fazer frente a isto, que podemos gritar à maré para não entrar. Mas na verdade não acredito porque parte de mim, sendo um ser humano, uma criatura lógica, pensa “não consigo imaginar que nada disto irá existir”, e portanto faço de conta que isto não existe. É essa a sua luta, quando vai por aí, quando dá palestras por todo o mundo?
– Claro, e a maioria são pessoas muito semelhantes a tu e eu, pessoas muito privilegiadas, e não conseguem imaginar esta quantidade de privilégio a acabar. E essa é a dificuldade. Isto é tudo o que sempre conhecemos, nascemos nisto — chamo-lhe nascer em cativeiro — e não tivemos escolha quanto a isto, não votámos se tínhamos que aparecer neste período da história. E portanto é difícil imaginar algo algo diferente disto. Muito menos o tipo de situação que é certo surgir num futuro não muito distante.
– A outra coisa que é difícil imaginar, mesmo apesar de termos prova absoluta à nossa volta, é que somos apenas um momento no tempo, porque sabemos história, sabemos que não vamos durar para sempre, e então fingimos saber um pouco do futuro. Quanto tempo temos? Quanto tempo é que a raça humana tem?
– Não consigo imaginar que haverá humanos no planeta daqui a 10 anos. Suspeito que será…
– Não, desculpa… Você disse 10 anos?!
– Sim, sim, em voz alta, até. Sabe, vamos em direção a uma temperatura numa escala que alcança ou está próxima da temperatura mais elevada experienciada na Terra nos últimos 2 bilhões de anos. Isso é pelo menos uma ordem de magnitude mais rápida do que ocorreu durante a Grande Morte, há 250 milhões de anos…
– Mas você está a sugerir que o aumento da temperatura será fenomenal nos próximos poucos anos.
– Oh sim. Isto é uma mudança exponencial, temos dificuldade em perceber mudança exponencial…
– Não, eu compreendo o termo “exponencial”, e compreendo o termo mudança. O que não quero compreender é a sua escala de tempo. Quero dizer… Porque é que ainda vem perder o seu tempo aqui no estúdio? Porque raio estamos todos aqui? Sério! Se são apenas 10 anos, o que faz você aqui? Arrasta a sua mulher pelo raio do mundo fora, a falar disto, e só tem 10 anos! Não devia estar em casa com os seus filhos?
– Não tenho filhos porque conseguia ver este tipo de coisa a chegar há muito tempo.
– Você mete-me medo!
– [Gargalhadas]
– Sério, 10 anos?!
– Não, não temos 10 anos. Sabe, e o problema quando dou um número assim é que as pessoas pensam que será na condição de “negócio do costume” até aos 9 anos e…
– A sua mulher, no canto do estúdio, a tirar fotos. Porque raio está a tirar fotos? Eles nem vão poder olhar para trás pelas fotografias!
– [gargalhadas] Na verdade, essa não é a minha mulher, mas a minha sócia, mas isso é uma questão menor.
– Olhe… no grande esquema das coisas, simplesmente não tem interesse nenhum.
– OK, então…
– Encorajo as pessoas a procurarem a excelência, o amor, aquilo que gostam de fazer… Não creio que isto sejam ideias malucas, na verdade, e também encorajo as pessoas a ficarem calmas porque, não está nada sob controlo, certamente não no nosso controlo.
– Você não imaginaria agora que as coisas pudessem ficar melhores, apenas poderiam ficar piores, logo, presumivelmente, em termos da sua escala de tempo… Dado o… — não me lembro daquilo que me disse há dois anos, e não sei como esqueci — mas era certamente uma escala de tempo muito melhor do que 10 anos.
– Oh sim. Esses eram os bons velhos tempos.
– Preocupa-lhe se… Até agora estava preparado para o acompanhar, mas agora tirou-me toda a esperança de um futuro, para mim e para as minhas queridas crianças… Aquela é a minha filha, Bela; Ela não teve uma oportunidade, não teve direito à sua vez a conduzir os cavalos.
– Eu sei, e sinto-me horrível com isso, sinto mesmo. Os jovens do planeta não tiveram uma oportunidade para viverem uma vida plena, ou até perceber o que significa viver!
– Oh minha nossa, nem acabe a frase que não temos tempo. Apenas me interrogo, ou paro de falar consigo e não volto a falar-lhe outra vez, ou mais vale continuar a falar consigo pois não faz sentido falar com mais ninguém, está a perceber?
– Absolutamente, percebo o que quer dizer, sim. E tem razão, não faz sentido falar com mais ninguém, Paul, sou só eu e você.
– Se… OK. aqui está a coisa, Guy… Se as pessoas acreditarem em si, — e virtualmente ninguém irá, especialmente agora que lançou a escala de tempo — se elas acreditarem em si, como iria prevenir um estado de absoluta ausência de esperança, a invadir-nos pelo mundo fora.
– Penso que a esperança é uma ideia horrível. Esperança é pensamento desejoso. Deixe-me citar Nietzsche nesta. A esperança, na realidade, é o pior dos males, pois prolonga o tormento dos homens. Esperança e medo, os lados gémeos da moeda “não sei o futuro mas, acho que é muito bom ou mesmo horrível, mas não vou tomar nenhuma ação em nenhuma delas.” A esperança é má ideia. Vamos abandonar isso e seguir com a realidade, em vez. Vamos continuar vivendo, em vez de desejar o futuro que nunca virá. – Ainda bem que não estou no negócio dos carros autónomos pois estava bastante convencido de que iriam mudar as nossas vidas para melhor nos próximos anos. Mais para eles! OK, obrigado por isso, Guy.
– Lá porque… [gargalhadas]
– Sabem, tenho o apoio do meu produtor executivo a dizer que temos que seguir em diante. Não temos que fazer nada, Sara, francamente, com esta inf… Não temos que fazer nada. E todas aquelas guidelines dos padrões de broadcast, Bob… Pfff. Esquece lá o raio da coisa. OK, então Guy… em termos de… porque é isto que preciso de saber; a Bela precisa de saber isto também… o melhor palpite para o futuro da humanidade são quantos anos?
– Ooh, não vou entrar por aí. Encorajo as pessoas a viverem plenamente, no tempo que nos resta para vivermos plenamente presentes com aqueles com quem estamos, incluindo o resto do planeta vivo, mas não sei a sua data de validade.
– Hmmm. OK Guy. Cuide de si.
– [Gargalhada]
– Porquê?! Muito obrigado por estar connosco.
– Obrigado Paul.
– Já agora, rapidamente,… não consigo… porque isto apanhou-me desprevenido; devia ter ficado no carro; 10 anos.
– Não temos 10 anos.
– O que pensa de todos os outros peritos? Porque você é um perito. O que pensa de todos os outros peritos, que parecem pensar que podemos afetar a mudança, que podemos sobreviver. Eles também são peritos, ou dizem ser.
– Certo, certo e… para começar são pagos, e por isso apenas vão até meio do caminho no apresentar da informação. Quase ninguém está disposto a acrescentar os feedbacks que desencadeámos e as suas consequências. E então, por sermos uma sociedade que é focada em especialização, os especialistas são conduzidos ao entendimento de um aspeto ou outro da mudança climática, coisas como o escurecimento global, ou o derretimento do gelo do Ártico, ou o albedo associado com isso, ou o metano, ninguém está a juntar essas coisas.
– Então, resumindo, estão a mentir, essencialmente, estão a enganar-se a si próprios e toda a gente?
– Odeio usar o termo “mentir”, acho que é bem pior que isso.
– [gargalhadas] Guy, muito obrigado por estar connosco. Este era Guy McPherson, Professor Emeritus de Recursos Naturais e Biologia da Evolução, da Universidade do Arizona.Recolher Transcrição[/expand]

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Mudança climática abrupta e fora de controlo, emergência climática
Paul Beckwith

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

o sistema climático está a entrar numa espiral fora de controlo, ameaçando a nossa sobrevivência na Terra (…) os lideres dos governos por todo o planeta têm que declarar uma emergência climática. – Paul Beckwith

Conteúdo traduzido do vídeo da publicação Our Climate Change Emergency & Three-Legged Bar-Stool Survival, Three Videos de Paul Beckwith publicado a 19 de novembro de 2016.

[expand title=”Abrir a Transcrição aqui:” swaptitle=”Recolher Transcrição” trigclass=”noarrow” tag=”div” id=”com-gelofod”]

A Emergência da Mudança Climática e a Estratégia para a Nossa Sobrevivência

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, estou com a Universidade de Ottawa, laboratório de Paleoclimatologia. O que vou fazer neste vídeo é estruturar o caso de que estamos numa emergência de mudança climática. E então vou mostrar, construir o caso científico, a mostrar como o nosso sistema climático está a mudar em 2016 e porquê, cientificamente, estarmos numa emergência quanto à mudança climática. Temos que declarar isto, politicamente, numa base global. E depois, como lidamos com este problema? Precisamos de implantar as técnicas de sobrevivência do banco alto de três pernas… logo que possível, numa base de emergência. Primeiro, o que vou fazer é construir o caso para a emergência, e depois irei discutir, brevemente, algumas das coisas possíveis que temos que fazer.
Então, a nossa combustão de combustíveis fósseis aumentou. Também aumentámos as transformações resultantes do uso dos solos: menos floresta, mais áreas urbanas e agricultura. Portanto, os nossos níveis de gases de efeito estufa estão a aumentar rapidamente e a uma taxa cada vez maior. Uma taxa exponencial. A terra está a aquecer rapidamente, e por isso estamos a obter um rápido declínio na cobertura de neve e no gelo marinho do Ártico. E estamos a ver um derretimento mais rápido da calota de gelo da Gronelândia. Portanto, as superfícies do Ártico, por toda a região do Ártico, estão a ficar mais escuras, estão a absorver mais luz solar.
isto está a fazer com que as regiões do Norte aqueçam mais rápido que a média global, 5 a 8 vezes mais. Isto diminui a diferença de temperatura entre o Ártico e o Equador, e menos calor move-se do equador para o pólo, na atmosfera e nos oceanos. 2/3 vai para a atmosfera e 1/3 vai para o mar.
Na atmosfera, as Correntes de jato estão a abrandar, a tornarem-se mais onduladas e frequentemente emperradas, fazendo com que os eventos climáticos extremos sejam mais frequentes, mais intensos, que durem mais tempo e que ocorram onde nunca costumavam acontecer.
Nos oceanos, estamos a ver aquecimento e estratificação e acidificação, o que está a matar a vida marinha por toda a cadeia alimentar, começando na base da cadeia alimentar. Está a reduzir a oxigenação e a mistura vertical nos oceanos. A Corrente do Golfo está a abrandar, e também estamos a ver aumento do nível do mar, que está a começar a inundar as linhas costeiras.
O sistema climático da Terra tem muitos componentes diferentes. Temos a hidrosfera, a litosfera, temos as influências humanas, somos parte da biosfera, os humanos são parte da biosfera, temos a atmosfera, claro, e temos a criosfera, os mantos de gelo e assim. Portanto, temos estes cinco principais componentes, temos os gases de efeito estufa na atmosfera, temos o input solar a entrar no sistema, se algo muda, reflete-se nos restantes e muda outras coisas. Precisamos de considerar a Terra como um sistema climático, e ver como os diferentes componentes estão a mudar.
Fiz um número de vídeos alguns dias atrás, e mesmo em poucos dias as coisas pioraram significativamente. Portanto, toda a região do Ártico está 7,23ºC mais quente que o normal. Isto é a anomalia. A maioria do calor está no Ártico, apesar de também estarmos a obter anomalias de calor maciças, anomalias da temperatura de até 20ºC no Ártico, e 10 a 15ºC na América do Norte. O único local frio é na Sibéria, e isso está a dissipar-se.
Portanto, todo o sistema climático está desorientado. Não há outra maneira de o colocar, está mesmo a atuar de forma estranha. O que está a acontecer é que, há uma equalização da temperatura em latitude. As latitudes mais elevadas estão a aquecer tanto, que estamos a obter uma equalização da temperatura, o que muda os padrões meteorológicos e o clima, por todo o planeta. Isto é outro ponto de vista e podemos claramente ver a zona fria da Sibéria aqui, as zonas muito quentes no Ártico e sobre o este dos estados Unidos, e temos regiões mais frias na zona Oeste da América do Norte.
E então, estamos a ver um quebrar dos padrões climáticos estáveis, ao longo da latitude, por todo o globo. estamos a obter estas áreas tipo aos remendos, onde temos áreas quentes e áreas frias, e áreas quentes e áreas frias, e nessas áreas, por haverem grandes diferenças de temperatura ao longo de pequenas distâncias, por exemplo entre aqui e aqui, isto causa ventos muito fortes e muita actividade de tempestades.
Vejam os oceanos, os oceanos estão a refletir aquilo que a atmosfera está a fazer. O Atlântico Norte, todas estas regiões estão mais quentes do que o normal, o Ártico está muito quente, especialmente no lado do Atlântico Norte, e também no lado do Pacífico e do estreito de Bering. Recentemente tivemos uma zona muito fria a sul da Gronelândia, agora temos esta zona muito fria no Pacífico Norte. Portanto, estamos a obter um comportamento muito invulgar, na atmosfera e nos oceanos, devido aos processos de transferência de calor, do calor do Equador para o Ártico, estão a mudar completamente.
Os gases de efeito estufa metano e CO2 são os mais importantes de entre os que estão a aumentar rapidamente. A água também está a aumentar, o vapor de água, é um feedback do sistema climático, mas estamos a romper a escala, se formos atrás quase um milhão de anos, estamos a romper a escala com estes dois gases de efeito estufa.
Fiz menção e vou reiterar a importância disto. Isto é muito importante: O CO2, este ano, é esperado que suba entre 4 e 5 partes por milhão; fora da escala. Portanto, o CO2 está a aumentar rapidamente. O metano está a aumentar extremamente rápido, principalmente no Ártico; irei discutir isso mais à frente. O óxido nitroso também está a aumentar rapidamente.
Estas são as taxas de mudança para este ano, e estes são o aumento da acumulação em geral. A coisa preocupante aqui é que, o aumento atmosférico é esperado que seja de entre 4 e 5 ppm este ano, mas… as emissões de CO2 pelos humanos é esperada que seja semelhante ao último ano, a qual foi semelhante aos anos anteriores. Portanto, nos últimos quatro anos elas nivelaram, mas isto são muito más notícias, se estes dados estiverem corretos. Quer dizer, é ótimo que o planeta se esteja a juntar e a cortar nas emissões, mas são muito más notícias que os níveis atmosféricos ainda estejam a aumentar tão rápido. Isto parece indicar que os dissipadores de carbono globais estão provavelmente a falhar, e os reservatórios globais maiores são a floresta da Amazónia…
Estamos a perder muito da floresta devido à seca e aos incêndios, estamos a perder muito da floresta boreal devido a incêndios. Mais de 100 milhões de árvores, creio, que estão a morrer por toda a América do Norte, devido a pestes e secas, tipo os stresses hídricos, temperaturas muito elevadas. O oceano está a ficar estratificado e a aquecer, logo não está a absorver tanto CO2, não há tanta mistura vertical logo há menos CO2 a, fisicamente, ser dissolvido na água, a temperaturas mais elevadas. Também há menos fitoplâncton a crescer por haver menos mistura vertical.
Portanto estamos a ver todos estes efeitos de feedback em cascata, que estão a tornar-se extremamente sérios, e não podem ser ignorados. Portanto, as temperaturas médias de superfície estão a escalar a pique em 2016; estão a romper com a escala. Se isto não é uma emergência climática, não sei o que o será. Se isto não move as pessoas para a ação, não sei o que o fará.
Isto é fevereiro deste ano. Corrigi os números. Estamos basicamente a 1,95ºC, portanto quase 2C acima dos níveis pre-industriais, em termos de temperatura, sendo pre-industrial 1750. Portanto, fevereiro a sair do gráfico, março, a sair do gráfico.
Isto é completamente devastador, o gelo marinho do Ártico e a cobertura de neve. estes são os modelos do IPCC, a média e o desvio padrão dos modelos, e isto são o que as observações estão a mostrar. Portanto, vamos olhar em mais pormenor para aquilo que o gelo marinho está a fazer. Então, estes dados estão atualizados… de muito recentemente, e estamos a ver um declínio exponencial. Isto são diferentes representações exponenciais, portanto, estamos a ir para zero… por volta de 2020, digamos 2022 ou assim, de acordo com estes dados.
Não é apenas setembro, que é o mínimo, aquilo que está a ser reduzido. Isto é setembro, depois outubro e agosto estão a escalonar. E os dois meses seguintes estão a escalonar, e por aí em diante. Todos os meses estão a cair, e o que vemos agora em outubro e novembro de 2016 é que aquelas curvas em particular, naqueles meses em particular, estão a convergir, estão a cair ainda mais rápido do que o mínimo de setembro. Estamos sempre a descobrir novos fenómenos a acontecerem na mudança climática, estamos a vê-lo acontecer em tempo real.
Esta é a extensão do gelo marinho no Ártico. Há dois dias atrás, no vídeo, a curva parecia bastante diferente. Se compararem esta curva agora, estamos de facto a vê-la nivelar; estamos de facto a ver a extensão do gelo marinho a cair. 50.000 num dia, e creio que 146.000 ou algo, no outro dia. Simplesmente nunca tínhamos visto isto antes. O gelo marinho tenta crescer e estender-se, mas está a ser quebrado pela ação das ondas, e temperaturas muito quentes da água, e pelas temperaturas elevadas localizadas que invadem no Ártico, e as enormes anomalias das temperaturas, de 20ºC ou 36ºF acima do normal para esta altura do ano.
Portanto, isto é a temperatura da região do Ártico a 80º Norte, e esta curva está ainda pior do que há uns dias atrás. Vejam este pico aqui, isto é incrível. Isto é inédito. Então, esta temperatura, para este ano, em comparação com a média a longo prazo, está cerca de 20ºC acima da média. É essencialmente verão no Ártico neste momento, em novembro. Isto devia ser notícia de primeira página por todo o mundo, de estar a começar a fazer parte de alguns dos principais jornais e publicações online, mas… eles simplesmente não entendem, simplesmente não entendem que as suas vidas e as vidas dos seus filhos e qualquer futuro para os humanos neste planeta estão a ser ameaçados pelo que estamos a ver aqui. Estamos a entrar por território muito desconhecido onde o nosso suprimento alimentar vai ficar severamente stressado. Quero dizer, isto simplesmente surpreende-me completamente, surpreende qualquer climatologista. Devía surpreender toda a gente. E vai, em breve.
Na Antártida, a queda abaixo da média a longo prazo e da variação está a acelerar. Estamos muitos desvios padrão abaixo e estamos a descer mais a pique, enquanto há apenas alguns anos atrás estávamos com quantidades recorde. Tudo isto é indicativo da estranheza global, ou estranheza climática.
Este é um dos gráficos mais assustadores porque se juntarmos a área do gelo marinho global, do Ártico e Antártida, estamos a nivelar aqui. Estamos a fugir do gráfico, estamos a nivelar, e isto é… é inédito. Isto é o que o gelo se parece num mapa. Portanto, a linha vermelha é a norma, a média, entre 1981 e 2010 em ambos os casos… …a linha amarela. Portanto, estamos a perder enormes quantidades de gelo marinho no Ártico e na Antártida. E até há enormes falhas na Antártida, aqui, o que também é muito surpreendente, muito invulgar.
Isto é a extensão média mensal do gelo marinho no Ártico em outubro, e podemos ver como estamos a cair do precipício aqui. Há muitas formas de se olhar para estes dados; esta é outra perspectiva de outubro, a comparar outubro de 1979 a 2016, e caímos de um precipício aqui.
Ou podemos falar da espiral de morte do gelo marinho do Ártico. E então, o que estamos a ver é… os anos são aqui, ao longo do eixo radial, até 2016, e cada curva é um mês diferente do ano, sendo setembro a preta, e depois os meses de outubro e agosto a escalonarem. Quando isto for em direção ao zero… bem, eu esperaria que isto fosse para o zero, a linha preta, digamos em 2020, e depois as outras duas linhas a irem para o zero por volta de 2022, e depois estas duas linhas seguintes por volta de 2024, e depois todas estas linhas a irem para zero por volta de 20… 2030, e então, praticamente não teremos gelo marinho no Ártico, durante todo o ano, estaremos num clima muito mais quente, quem sabe, as temperaturas médias globais poderiam ser 5C, 6C mais quentes do que agora…Recolher Transcrição[/expand]

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Extensão do gelo marinho 2012-2016
Sam Carana

O Gelo Marinho Está a Encolher

Extensão do gelo marinho no Ártico a cair novembro 2016

A extensão do gelo marinho caiu 0,16 milhões de km² de 16 de novembro a 19 de novembro de 2016, como ilustrado pela imagem ads.nipr.ac.jp/vishop acima. A imagem abaixo, com base em dados da NSIDC, mostra o gelo do mar no Ártico a encolher 49.000 km² em quatro dias.

Extensão do gelo marinho entre 16 e 20 de novembro de 2016

Isto está a acontecer num momento em que há pouca ou nenhuma luz solar a atingir o Árctico, como ilustra a imagem abaixo.

Insolação no Ártico em função do mês do ano e latitude

A imagem abaixo foi criada por Torstein Viddal, anteriormente publicada no blogue Arctic Sea Ice Collapse.

Extensão do gelo marinho 2012-2016

Gelo Marinho do Ártico – A extensão média anual, pela JAXA está a cair 23086 quilómetros quadrados por semana. Se continuar assim, os primeiros 365 dias sem gelo iriam começar em janeiro de 2024.

Ventos fortes no Ártico quebram o gelo marinhoEsta queda recente na extensão é em parte devido a ventos fortes, como ilustrado pela imagem à direita.

Acima de tudo, porém, a falta de gelo marinho sobre o Oceano Ártico é causada pela água muito quente que está agora a chegar ao Oceano Ártico.

Durante o verão do hemisfério norte, a água ao largo da costa da América do Norte aquece e é empurrada pela força de Coriolis em direção ao Oceano Ártico. São precisos vários meses para a água viajar ao longo da Corrente do Golfo através do Atlântico Norte.

Durou até agora o Oceano Ártico ter que suportar o peso deste calor.

Como a imagem abaixo mostra, anomalias recorde na superfície do mar apareceram perto de Svalbard a 31 de Outubro de 2016, quando o calor chegou pela primeira vez ao Ártico.

Temperaturas do mar elevadas no Ártico

A 31 de outubro de 2016, o Oceano Ártico estava tão quente quanto 17°C ou (círculo verde perto de Svalbard), ou 13,9°C mais quente do que 1981-2011. Isto indica o quão mais quente a água está abaixo da superfície, quando chega ao Oceano Ártico a partir do Oceano Atlântico.

Além disso, o gelo marinho da Antártida também está a cair, refletindo o aquecimento dos oceanos em todo o mundo. Há já algum tempo que a extensão do gelo marinho na Antártida tem estado num valor baixo recorde para a época do ano. A 19 de novembro de 2016, a extensão do gelo marinho do Ártico e Antártida combinados foi de 22.423 milhões de km², como a imagem abaixo mostra.

Gelo marinho global, Ártico e Antártida combinados

Trata-se de uma queda na extensão do gelo marinho mundial de 1.085 milhões de km² (418,900 milhas quadradas) desde 12 de novembro de 2016, quando a extensão global do gelo marinho foi de 23.508 milhões de km².

Vamos olhar para esses números novamente. No sábado, 12 de novembro de 2016, a extensão global do gelo marinho era de 23.508 milhões de km². No sábado, 19 de novembro de 2016, a extensão global do gelo marinho era de 22.423 milhões de km². Isso é uma queda de mais de um milhão de km² numa semana.

Em comparação, isso é mais do que o tamanho combinado de dez países europeus (como a Suíça, Áustria, Hungria, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Reino Unido e Irlanda).

Ou, é mais do que o tamanho combinado de dezassete estados dos Estados Unidos (como Ohio, Virginia, Tennessee, Kentucky, Indiana, Maine, Carolina do Sul, West Virginia, Maryland, Havaí, Massachusetts, Vermont, New Hampshire, Nova Jersey, Connecticut, Delaware e Rhode Island).

Quanta energia adicional a Terra retém, devido a uma tal mudança albedo? Foi um virar total do albedo, seriam alguns 0,68 W / m². Uma estimativa conservadora seria uma mudança do albedo de 50%, conforme a imagem abaixo ilustra, de modo que isso significaria que a Terra agora mantém algumas 0,34 W / m² energia extra.

O gelo marinho espesso coberto de neve pode refletir tanto quanto 90% da radiação solar incidente. Após a neve começa a derreter, e por as lagoas rasas da fusão do gelo terem um albedo (ou refletividade) de aproximadamente 0,2 a 0,4, o albedo da superfície cai para cerca de 0,75. Como lagoas do derretimento crescem e tornam-se profundas, o albedo da superfície pode cair para 0,15, enquanto que o oceano reflete apenas 6% da radiação solar incidente e absorve o resto.

Diminuição do Albedo - reflexão da radiação solar pelo gelo

O Albedo é o efeito de reflexão da luz solar. Com o derretimento do gelo e da neve, diminui o efeito de Albedo e a quantidade de superfície escura e absorvente de calor é maior. 90% da radiação solar é reflectida pela superfície da água quando coberta de gelo e neve, mas apenas 6% é reflectido após o gelo derreter e a água encontrar-se a descoberto.

E então, esta queda numa semana da extensão do gelo do mar significa que há agora é um aquecimento adicional de cerca de 0,34 W / m². Em comparação, o impacto do aquecimento em relação ao ano de 1750 de todo o dióxido de carbono emitido pelas pessoas foi de 1,68 W / m² no mais recente relatório de avaliação do IPCC (AR5).

E mais! À medida que o há um declínio do gelo do mar, não há apenas uma perda de albedo devido a uma diminuição na extensão, como há também a perda de albedo no restante gelo do mar, que fica mais escuro à medida que derrete.

A imagem abaixo mostra a queda na extensão do gelo marinho da Antártida até 20 de novembro de 2016. A 20 de novembro de 2016, a extensão do gelo marinho da Antártida era 2.523.000 km² menor do que o era na mesma altura do ano em 2015.

Perda de gelo marinho na Antártida novembro 2016

Quanta mais energia está agora retida na Terra do que em 2015? Assumindo uma variação do albedo de 50% para esta perda na extensão do gelo e uma perda de albedo semelhante que está a ter lugar sobre o gelo restante, isto significa que a Terra está agora a reter uma quantidade extra de energia (em relação a 2015) que é igual a todo o aquecimento relativo ao pré-industrial devido ao dióxido de carbono emitido pelas pessoas.

Gelo marinho na Antártida 2015 - 2016

Entretanto, a diferença entre 2016 e 2015 tem ficado cada vez maior, como ilustrado pela imagem acima. A 23 de novembro de 2016, na Antártida, a extensão do gelo marinho estava 2.615 milhões km² mais pequeno do que a 23 de novembro de 2015.

A situação é terrível e apela a uma ação abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.


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Traduzido do original Sea Ice is Shrinking de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 20 de novembro de 2016, atualizado a 26 de novembro de 2016.

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